[País Basco] No dia seguinte

No Primeiro de Maio passado, a CNT Iruñea voltou às ruas junto com outros sindicatos e organizações. Dentro de um contexto de crise capitalista que se materializa na crescente dificuldade da classe trabalhadora para fechar as contas no fim do mês, na precarização do trabalho, fechamento de empresas e aumento dos assassinatos laborais, quisemos destacar a necessidade de superar o modelo sindical hegemônico e, assim, fortalecer a organização nos locais de trabalho.

Para isso, apostamos em aprofundar a alternativa anarcossindicalista: um modelo sindical participativo baseado no apoio mútuo, na autogestão e na ação direta, e que não abandona seu horizonte revolucionário, onde a defesa dos nossos direitos é a escola para uma sociedade mais livre e justa.

Por sua vez, essa sociedade se constrói dia após dia, fazendo valer nossa posição frente às práticas de ódio que, nos últimos tempos, nos chegam dos setores mais conservadores e reacionários. Racismo, machismo e antifeminismo, fascismo e as violências despejadas sobre as comunidades transmaricabibollo* são exemplos dos discursos que atacam as partes mais vulneráveis da nossa classe.

Em nível mais global, devemos assinalar que assistimos a uma escalada bélica também ligada à crise capitalista e à superexploração dos bens naturais, e que o internacionalismo proletário é a única resposta possível para as organizações que querem defender os interesses da classe trabalhadora.

Com relação à coordenação com outros sindicatos e coletivos para esta mobilização, a avaliação é positiva. Consideramos necessário continuar trabalhando nessa confluência para que as diferentes lutas empreendidas pelas diferentes organizações tendam a romper o isolamento e a fragmentação. Para essa confluência, defendemos uma premissa simples: independência e autonomia frente ao Estado, às instituições e aos partidos políticos.

Para a CNT, o Primeiro de Maio é uma data importante, mas o trabalho realmente necessário se desenvolve dia a dia. Por isso, fazemos um chamado à militância, a nos organizarmos nos locais de trabalho, nos bairros, nos sindicatos e nas lutas cotidianas. É aí que você sempre poderá nos encontrar.

Corre, companheira! O velho mundo fica para trás de nós.

Fonte: https://irunea.cnt.es/sindical/en-el-dia-despues/

*Nota da tradução: “transmaricabibollo” é um termo político e identitário usado em espaços ativistas na Espanha e América Latina, que reúne pessoas trans, maricas, bichas, bolleras (lésbicas) e não-binárias, muitas vezes como forma de resistência ao cisheteropatriarcado. Optou-se por manter o termo original por sua especificidade política e cultural, acrescentando esta nota explicativa.

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

A frágil libélula
repousando no capim —
Bailado do vento.

Fagner Roberto Sitta da Silva

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