[País Basco] Protesto, rebeldia e ruptura: assim foi o Primeiro de Maio da CNT

 
Os convocantes rechaçaram explicitamente as reformas laborais, considerando-as insuficientes para melhorar as condições da classe trabalhadora.
 
Por DavidBM
 
Bilbao, 1º de maio 2026 – As quatro capitais de Hego Euskal Herria foram cenário este Primeiro de Maio de mobilizações convocadas pela Confederação Nacional do Trabalho (CNT), em uma jornada marcada por um discurso combativo contra a precariedade laboral, o militarismo e o atual modelo econômico. Milhares de pessoas foram às ruas sob o lema “Corre, companheira! O velho mundo fica atrás de nós”, em uma reivindicação que situou a desobediência e a organização coletiva como eixos centrais.
 
Em Bilbao, a manifestação iniciou às 11h30 desde Gran Vía 54-56 e percorreu o centro da cidade até concluir na Plaza Arriaga, onde se celebraram vários comícios. Convocatórias similares se desenvolveram de forma simultânea em Donostia-San Sebastián, Vitoria-Gasteiz e Iruña-Pamplona, em uma jornada que buscou reforçar a presença do anarcossindicalismo no mapa das lutas laborais.
 
O manifesto difundido pela organização insiste em que “hoje não marchamos por nostalgia nem por ritual”, mas como resposta a um contexto no qual, segundo denunciam, “o trabalho segue sendo exploração” e a vida cotidiana está marcada pela precariedade. “Não há reforma suficiente dentro deste sistema”, sustentam, em uma crítica direta ao modelo socioeconômico atual.
 
Um dos eixos do discurso foi a reivindicação da desobediência como ferramenta política. “Não há futuro sem desobediência”, proclamaram, defendendo a ação direta, a auto-organização e a construção de alternativas “sem amos e sem permissões”. Frente ao que consideram uma tentativa de “impor a obediência como virtude”, a CNT apelou à comunidade, à solidariedade e à luta compartilhada.
 
A convocatória também incorporou uma crítica explícita ao contexto internacional. Em um momento marcado por conflitos armados e tensões geopolíticas, o sindicato denunciou que “a guerra é uma indústria” e que as decisões que a alimentam se tomam “longe dos que a sofrem”. Neste sentido, defenderam uma paz baseada na justiça social e o fim da exploração: “não pode haver paz enquanto a riqueza de uns dependa da miséria de outros”.
 
As mobilizações do Primeiro de Maio em Euskal Herria foram protagonizadas majoritariamente por sindicatos como ELA, LAB ou CCOO, que centraram suas reivindicações na melhora de salários e condições laborais. Em contraste, a CNT apostou por um discurso mais rupturista, centrado no questionamento do sistema em seu conjunto e na reivindicação do anarcossindicalismo como alternativa.
 
Durante os atos finais, as intervenções insistiram em que “o velho mundo – o da hierarquia, da submissão e do medo – se rachava sob nossos passos”, apelando a intensificar a organização desde baixo através de greves, redes de apoio mútuo, cooperativas e ocupações. “Ali onde haja exploração, haverá resistência”, reiteraram.
 
A jornada concluiu com um chamado a estender a luta mais além do Primeiro de Maio: “Não esperamos o futuro: o estamos criando”, proclamaram, fechando uma mobilização que combinou crítica social, discurso político e reivindicação histórica do movimento obreiro libertário.
 
Fonte: https://www.ecuadoretxea.org/protesta-rebeldia-y-ruptura-asi-ha-sido-el-primero-de-mayo-de-la-cnt/
 
Tradução > Sol de Abril
 
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passeio campestre —
no vestido e nas sandálias
o aroma do mato
 
Leonilda Alfarrobinha

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