[Grécia] Manifestação em memória e luta pelos 41 anos do assassinato de Christos Tsoutsouvis pelas autoridades

Gyzi sempre vai trazer alguma lembrança

Em 15 de maio de 1985, na rua Amfikleias, em Gyzi [bairro no centro de Atenas], após um confronto armado com guardas estatais uniformizados, morreu Christos Tsoutsouvis, militante da luta de classes e revolucionária do período pós-ditatura.

Nascido em 1953 em Nemeia, Tsoutsouvis se politizou durante os anos da ditadura dos coronéis. Na Áustria, onde se encontrava como estudante, entrou inicialmente em contato com círculos antiautoritários e organizações de esquerda. Após a queda da ditadura, ele se filiou ao “ELA” [Luta Revolucionária Popular] e, mais tarde, passou a integrar o grupo armado antiautoritário “Luta Anti-Estado”, que, em março de 1985, assumiu a responsabilidade política pelo assassinato do promotor G. Theofanopoulos, um “mercenário que não hesitava em enviar os outros, com total frieza, para a prisão, para a tortura e até mesmo para a morte”.

O Luta Anti-Estado foi o primeiro grupo de luta armada da história a defender princípios antiestatais e anticapitalistas, e Christos Tsoutsouvis, dentro de suas fileiras, foi a segunda vítima fatal da ação revolucionária do pós-ditatura, depois de Christos Kassimis. Seu nome ficou associado — por meio das organizações das quais participava — às ações de luta da época contra alvos do Estado, torturadores da ditadura e representantes do poder judiciário. Christos Tsoutsouvis carregava todo o peso histórico da ação antiditatorial, das aspirações populares e de classe da revolta de 1973 e da “luta que continua” no âmbito da democracia burguesa.

O confronto em Gyzi, após uma emboscada armada perpetrada pelos guardas do Estado fardados, revela, por um lado, toda a grandeza da dignidade e da ética revolucionárias – tendo Tsoutsouvis como sua encarnação viva – e, por outro lado, a mesquinhez daqueles que empunham armas para defender o poder, a injustiça e a exploração.

41 anos depois, não esquecemos os mortos da guerra social e de classes. Não esquecemos os mortos da nossa história revolucionária. Não esquecemos Christos Tsoutsouvis. A luta antiditatorial, as lutas das primeiras décadas da transição democrática e suas conquistas sangrentas, que nos anos da crise e dos memorandos estão sendo desmanteladas uma a uma, não são cedidas, não são vendidas, não são entregues! São as matrizes das novas lutas, os faróis da resistência que iluminam os caminhos que somos chamados a trilhar hoje.

Os lutadores e revolucionários falecidos, os símbolos históricos e os bastiões, as conquistas sociais e de classe, continuam sendo um campo de disputa, pontos de ligação entre o passado militante e o presente. Christos Tsoutsouvis está presente na luta pela Revolução Social, símbolo e bandeira da luta antiautoritária, símbolo e bandeira de uma outra organização social e econômica sem Estados e sem poder, sem exploradores e explorados.

MANIFESTAÇÃO pelos 41 anos do confronto armado em Gyzi e do assassinato de Christos Tsoutsouvis

Praça Gyzi, sexta-feira, 15 de maio, às 19h

União Federalista Anarquista (UFA)

agência de notícias anarquistas-ana

dia de sol –
até o canto do passarinho
tem cor

Jandira Mingarelli

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