[México] Tobi: militante operário e anarquista.

Por Kiko. | Ilustração: Martha.
 
O Coletivo Ação Libertária se forma no início de janeiro de 1992. Com integrantes que vinham de outras experiências, como o “Coletivo Mudança Radical Força Positiva” ou os “Punks Kennedys”. Todos vínhamos do movimento punk, que naquele momento pulsava vigoroso, criativo e construtivo. Éramos uma vintena de punks, mulheres e homens, Tobi entre eles, que vinha da “Mudança Radical” e era o vocalista da banda “Infectados pelo Sistema”, destacando-se por ser o principal animador da organização de coletivos.
 
Todos nos conhecíamos de anos antes e já tínhamos colaborado em alguma atividade de apoio a alguma greve, ou coincidido em algum evento ou tokin, ou nos movido por alguma causa como a Palestina, sendo Tobi um de seus principais defensores. Assim, houve acordo de que o coletivo se ocuparia mais da questão social a partir de uma visão do anarquismo de corte malatestiano, o que, é claro, foi incitado por Tobi.
 
Lembro que um dos acordos mais destacados foi contatar a CNT e a AIT para termos relação com essas entidades, e assim foi feito. Com o tempo, nos tornamos um grupo afinizado à AIT, como eles propunham em seus estatutos.
 
Esses anos foram de atividade vertiginosa, anos loucos. Martha primeiro, Tobi depois, foram trabalhar de maneira permanente com Ricardo Mestre na biblioteca; também frequentávamos com mais assiduidade o FAT, onde conhecemos, entre outros militantes do movimento operário independente, Alfredo Domínguez, militante histórico da estatura de Demetrio Vallejo ou Valentín Campa, entre muitos, e nosso amigo Benedicto, bom organizador operário.
 
E, é claro, José Trejo e o “Beto”, com quem pudemos fazer equipe. Sofremos correrias que nos impuseram os capangas da patronal ou dos pelegos, e até batidas da polícia em alguma luta operária, como a das trabalhadoras dos banheiros da central de abastecimento, onde o Trejito perdeu alguns dentes e ficou com um olho comprometido. Ali, Tobi se destacava pelo seu temperamento e arrojo, e por seu acompanhamento com as companheiras, incentivando-as a não dar nenhum passo atrás, nem mesmo nos momentos de repressão.
 
Naquela época, se não me engano, José Luis García Rua, secretário da AIT, enviou um companheiro para estabelecer contato conosco, para ver se já entrávamos como grupo de amigos da AIT. Ao que, conversamos com o companheiro e explicamos que naquele momento não havia condições para tal coisa, já que a lei federal do trabalho havia sido criada para proteger o capital e impedir a organização autônoma e a ação direta, aniquilando e impossibilitando o anarcossindicalismo, pelo menos legalmente.
 
O companheiro registrou a atividade da época em uma crônica em alguma edição do [jornal] CNT, e nos disse: “É uma loucura o que vocês fazem, são quatro gatos pingados e não se dão trégua”, e era assim. Algum processo organizativo de alguns operários em uma fábrica, apoio ao acampamento de greve em outro lugar, formação sindical em outras fábricas, alfabetização e educação básica para operários de outra, assim o tempo passava.
 
Sempre preferimos estar no nível do chão de fábrica, nosso espaço por escolha e convicção, onde Tobi aproveitava toda ocasião para fazer amizade com os companheiros e falar sobre organização, luta, solidariedade, ação direta, em resumo, anarquismo.
 
Sempre na linha de frente, sempre no nível do chão de fábrica, compartilhando sangue, suor e lágrimas nas lutas pelo pão e pela dignidade, e também compartilhando risos e alegrias nas vitórias, em conquistas obtidas depois de meses de organização para estabelecer um sindicato independente.
 
Viver e lutar, no dia a dia, por um mundo melhor para todas e todos, essa foi sua prática cotidiana, meu bom amigo Tobi.
 
Saúde e avante sempre, que a vitória será nossa.
 
Tradução > Liberto
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/01/14/espanha-despedida-e-reconhecimento-a-hector-tobi-da-biblioteca-social-reconstruir-cidade-do-mexico/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
no contorno do gato
um ponto negro no dorso
dorme –
 
Krzysztof Karwowski

Leave a Reply