Durante os anos 80 e 90, os grupos terroristas realizaram múltiplos crimes de ódio na zona noroeste do país
Por Ana Núñez
Em meados de setembro de 1990, Roger Pinchi Vásquez – professor do primário no distrito de Tres Unidos (Tarapoto) – foi sequestrado pelo Movimiento Revolucionario Túpac Amaru (MRTA). Durante oito dias, o professor de 30 anos foi insultado, torturado e violado. Havia sido confundido com seu irmão Luis Alberto, ‘Fransuá’ no universo dos salões de beleza, e um dos primeiros travestis que os tarapotinos viram aparecer em suas ruas na década de 80. Uma mulher emerretista advirtiu sobre o erro e o liberou. Pouco te mpo depois, no entanto, seu irmão foi aniquilado como parte de um plano de ‘limpeza social’ pelo fato de ser homossexual.
A Comissão da Verdade e a Reconciliação (CVR) dedicou uma página de seu informe –entregue em 28 de agosto de 2003 – aos crimes de ódio perpetrados pelo Sendero Luminoso (SL) e o MRTA durante os anos do conflito interno. Com o passar dos anos ficou em evidência que o documento resultou curto. O testemunho de Roger não foi recolhido pela CVR nem pelo Movimento Homossexual de Lima (MOHL), e muitas histórias ficaram no anonimato.
“A três quadras de minha casa ficava o campo de Atumpampa, que era como um campinho de futebol que pelas noites ficava escuro e deserto, e aí apareciam mortos meus amigos. Eu me perguntava, o que acontece, por quê nos matam assim. A única resposta que tinha era: por ser gays”, recorda William Pinchi, primo de Roger.
Motivado em divulgar estes casos, o diretor Juan Carlos Goicochea começou uma investigação sobre os crimes de ódio perpetrados durante a época do conflito interno, material que converterá em um documentário chamado ‘El Pecado Social’.
“Sinto que toda esta investigação me fez compreender que a homofobia como uma forma de discriminação é parte de um contexto, de um momento histórico do qual as vítimas, os vitimizadores e todos nós somos parte; e é necessário prestar contas”, afirmou.
Tradução > Sol de Abril
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sol na varanda –
sombras ao entardecer
brincam de ciranda
Carlos Seabra

Discordo de chamarem aos regimes políticos onde existem eleições de "democráticos". Representatividade não é democracia. E regimes representativos, são elitistas;…
O conceito de liberdade como prática cotidiana e resistência constante às cercas — seja do Estado, do capital ou das…
Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!
Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…
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