
A sigla CNT-AIT caracterizou-se como lutas do proletariado espanhol durante 116 anos: foi um elemento-chave na Revolução Espanhola de 1936-1939 e sobreviveu à ditadura de Franco. Hoje, na Espanha democrática, essa mesma sigla foi legalmente despojada de seus portadores. A razão é abominável e preocupante para todo o movimento sindical mundial.
A CNT©CIT, que abandonou a AIT em 2016 e promoveu uma nova organização internacional, a CIT, em 2018, registrou a sigla CNT, seu logotipo e sua bandeira como marca comercial. Com base nisso, tem-se compreendido ações legais contra os sindicatos locais e de empresa da CNT-AIT para impedir seu uso, ao mesmo tempo em que reivindica a propriedade da sede histórica para se apoderar de suas instalações.
Uma primeira sentença já afetou 16 sindicatos da CNT-AIT, obrigando-os a mudar seus nomes e siglas; novas sentenças são esperadas para as federações anarcossindicalistas restantes. Os companheiros anarcossindicalistas também foram alvo de pesadas multas coercitivas, que afetam sua própria capacidade de participação em atividades sindicais, e outras ameaças contra seus direitos.
Um grupo anarcossindicalista que busca proteção por meio de uma marca registrada é uma aberração que clama por vingança: utiliza uma fita do Estado para declarar um nome como “propriedade privada” e sancionar os trabalhadores que ousam usá-lo. Ontem, queimaram-se registros de propriedade; hoje, as pessoas se registram no escritório de patentes e colocam o símbolo © ao lado da bandeira vermelha e negra. E em nome de quê? De um símbolo que deveria viver nas ruas, nas paredes e na boca de qualquer um que lute, não trancafiado em um certificado, vigiado por advogados e defendido com advertências como se fosse a marca de um refrigerante. O logotipo do sindicato libertário restrito a um logotipo corporativo: uma bandeira vermelha e negra plastificada e registrada, para serem exibidas nos tribunais.
Quem restringe uma sigla, restringe uma ideia, e quem restringe uma ideia já traiu o anarcossindicalismo, pois foi admitido, na prática, que sem um policial para vigiá-lo, não pode se sustentar por si mesmo. Prega a abolição do senhor e súplica ao Estado, fonte da autoridade do senhor, que proteja seu nome.
Como Coordenação Anarcossindicalista, denunciamos as práticas libertadoras e autoritárias da CNT©CIT. Denunciamos e documentamos como a filial italiana da CIT também tem empregados práticas centralistas e autoritárias desde sua incorporação ao internacional, incluindo a expulsão de alguns sindicatos e a criminalização de organizações que lutaram contra as restrições impostas pelo Estado às liberdades sociais, como suspensões e os despedimentos durante uma pandemia.
Não pensamos que a forma de agir da CIT seja atacar outros trabalhadores, suas lutas e suas organizações, colocando-se sob a asa cúmplice e protetora do aparelho estatal, judicial e repressivo, que sempre foi o inimigo dos trabalhadores.
Reafirmando a necessidade de coerência entre meios e fins na prática de todo aquele que luta por uma sociedade libertária, reafirmamos nossa presença junto aos companheiros espanhóis da CNT-AIT, em uma solidariedade real e ativa, contra qualquer plano reacionário que pretenda apagar o modelo e a prática anarcossindicalista, sua história e a nossa, da luta de ontem e de hoje.
Coordenação Anarcossindacalista (Itália)
Tradução > Liberto
agência de notícias anarquistas-ana
casa casa
cheio de habitantes
– de plasma
Carlos Seabra
posição lúcida. organização anarquista com marca registrada? pedindo ação do estado contra trabalhadores? opa, pera lá caceta!