[Espanha] Comunicado da CNT-AIT de Madrid em Apoio às 6 de “La Suiza”

Faz umas semanas conhecíamos a ratificação do Supremo à condenação de 3,5 anos de prisão e multa de 150.000€ às 6 de La Suiza por fazer frente ao assédio sexual e exploração laboral de um hoteleiro a uma trabalhadora de dito estabelecimento.

Desde a CNT-AIT de Madrid queremos mostrar nossa solidariedade com as represaliadas e nosso mais retumbante rechaço à perseguição a que estão submetendo a estas 6 companheiras e a muitas outras que desde diferentes âmbitos de luta, como o sindical, mas também o da moradia ou o do ecologismo radical estão enfrentando penas de prisão por defender em última instância uma vida que valha a pena ser vivida.

O de La Suiza é um caso que chegou aos ouvidos de todos, mas não devemos esquecer que não é um caso isolado, ao contrário, se inscreve em uma perseguição mais ampla que pretende não só reprimir, mas também disciplinar e amedrontar aos que se propõe a dar um passo adiante na luta contra o Capital, o Estado e o Patriarcado. É um aviso a navegantes: se enfrentas o sistema podes acabar entre grades. Isto em si mesmo não é nenhuma novidade, posto que o poder sempre reprimiu a quem pretendia derrotá-lo. O que sim é novidade é que de um tempo até agora foi se estreitando a margem de ação, e o fará cada vez mais, pois o capital se acha em fase terminal e está disposto a arrasar com tudo antes de morrer.

A mensagem que nos enviam é clara: agora ir a uma manifestação antifascista pode te levar ao cárcere, como os 6 de Zaragoza. Joga suco de beterraba ao congresso pode te levar ao cárcere, como aos do Rebelión Científica. Criticar a monarquia em uma canção ou expressar tua opinião no Twitter pode te levar ao cárcere, como a Pablo Hassel. E claro, fazer um piquete denunciando a exploração laboral e o assédio sexual pode te levar ao cárcere, como as 6 de La Suiza ou a dois militantes da CNT-AIT Granada, a quem pedem 2 anos de cárcere e 30.000€ de multa em um caso que tem demasiados ecos com o das companheiras de Xixón.

Frente a isto não podemos pedir ao Estado que interceda, posto que a violência emana do próprio Estado que é quem legisla e legitima a exploração e a repressão. Nossa única opção, agora como sempre, é nos organizarmos à margem das instituições burguesas. Nossa melhor arma, agora e sempre, é a solidariedade. E nossa melhor ferramenta, agora e sempre, é a ação direta.

Porque fazer sindicalismo não é crime, e ainda que o fosse seguiríamos fazendo-o.

Liberdade às 6 de La Suiza!

Fonte: https://madrid.cntait.org/comunicado-de-cnt-ait-de-madrid-en-apoyo-a-lxs-6-de-la-suiza-I7_Irf4HXg6fECKlgU_aem_xU00-SlL0Gx8P1h3R6Eg0A

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

Na tarde sem sol
folhas secas projetando
sombras em minh’alma.

Teruko Oda

[Chile] Saída incendiária na Universidade de Playa Ancha pela terra e contra o capital

Na quinta-feira, 27 de junho, na UPLA, foram erguidas barricadas, exibidas faixas e panfletos, e foram organizados confrontos contra a presença da COP [forças policiais], no contexto de comemoração pela defesa da terra contra o extrativismo ecocida. Nessa ação direta no porto, também foi feita alusão a Felipe Ríos, que atualmente está sofrendo repressão e sequestro pelo estado policial social-democrata.

Folhetos e faixas diziam: “Felipe Ríos presente. Presxs para a rua”, “Traficantes e policiais, a mesma sujeira. Pegue sua arma, saiba que nossas balas estão apontadas para seus rostos”, “Prisioneirxs subversivxs para as ruas” e “A terra prometida não passa de uma terra subjugada. Autonomia e liberdade”.

>> Mais fotos:

https://informativoanarquista.noblogs.org/post/2024/07/08/chile-salida-incendiaria-en-la-universidad-de-playa-ancha-por-la-tierra-y-contra-el-capital/

agência de notícias anarquistas-ana

Sobre o campo seco,
A voz que grita ao cavalo
Em meio à tormenta.

Kyokusui

[Tailândia] Uma birra por causa de um templo: pixo anarquista leva a 8 meses de prisão

Ano passado, um homem pixou um símbolo anarquista e o número 112 (em referência à lei de lesa-majestade) no muro do Templo do Buda de Esmeralda, parte do Grande Palácio. Ele foi condenado a oito meses ininterruptos de prisão.

O acusado de 26 anos de idade, Suttawee Soikham, pagou fiança e está apelando a decisão da corte criminal.

Originário de Khon Kaen, ele foi visto por dois policiais no dia 28 de março do ano passado pixando o símbolo anarquista e o número 112 no muro externo do templo, que faz parte do Grande Palácio no distrito Phra Nakhon, de Bangkok. O número simboliza a seção 112 do código criminal, também conhecido como a lei de lesa-majestade.

Depois do ato, ele foi imediatamente preso e levado para questionamentos à divisão 6 da Polícia Metropolitana.

Na manhã do dia 4 de julho, Suttawee, acompanhado de um advogado, chegou à corte para ouvir o veredito. Dois amigos que enfrentaram as mesmas acusações estavam presentes para oferecer apoio moral.

Suttawee foi considerado culpado de violação da Lei de Monumentos Antigos, Objetos Antigos, e Museu Nacional, bem como da Lei de Asseamento. Ele foi inicialmente condenado a um ano de prisão, mas a corte reduziu a pena em um terço para oito meses devido à sua confissão.

Ainda há casos em consideração referentes a dois fotógrafos jornalistas freelancer que estavam na cena durante o ato de vandalismo e tiraram fotos do incidente. A Polícia Real Tailandesa publicou formalmente as acusações contra eles no dia 13 de fevereiro deste ano, a despeito do fato de alegadamente não terem participado dos crimes.

O fotógrafo jornalista freelancer Nattaphon Phanphongsanon afirmou depois de sua prisão que ele e Nuttaphol Meksobhon, um repórter para um site de notícias, estavam apenas fazendo seus trabalhos e não tiveram qualquer outro envolvimento.

Contudo, policiais afirmam terem visto gravações de câmeras de segurança nas quais os dois jornalistas e o artista planejaram a pixação. Contudo, não há áudio, e assim não fica claro o que as pessoas no vídeo poderiam estar discutindo, como reportou o Bangkok Post.

Fonte: https://thethaiger.com/news/national/man-sentenced-eight-months-for-anarchist-grand-palace-vandalism

Tradução > anarcademia

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agência de notícias anarquistas-ana

Caminha a folha
morta,
pálio sobre formigas.

Yeda Prates Bernis

[Chile] Invasões devido à investigação sobre artefatos explosivos

Como Informativo Anarquista, gostaríamos de ser concisos sobre as situações que ocorreram desde a madrugada de 6 de julho, na véspera da comemoração da morte de nossa querida companheira Luisa Toledo.

Em resumo, os eventos foram os seguintes:

– Incursões à Rádio Villa Francia, ao Comedor Popular Luisa Toledo e a várias residências nos municípios de Estación Central, Macul, Santiago Centro, La Granja, Cerrillos e Maipú.

– Armas artesanais e industriais, como pistolas, revólveres, um rifle e uma submetralhadora, além de munição, foram encontradas em um local.

– Em outra casa, foram encontrados explosivos industriais para uso em mineração.

– Em outra incursão, foram encontradas uma granada caseira com pólvora negra e uma bomba de gás lacrimogêneo.

Na noite de 6 de julho, os detentos foram formalmente acusados, com exceção de um detento que está hospitalizado no momento (08/07). Um dos companheiros foi preso preventivamente, dois foram colocados em prisão domiciliar à noite, nove foram declarados ilegalmente detidos e uma companheira está aguardando recurso.

Hoje, 8 de julho. A prisão preventiva de um companheiro e a prisão domiciliar de dois companheiros foram ratificadas. Os nove companheiros cuja detenção foi declarada ilegal ainda estão suspensos até amanhã, 9 de julho. A companheira que está aguardando recurso foi colocada em prisão domiciliar com o pagamento de fiança; no entanto, o Ministério Público do Sul recorreu e amanhã, quarta-feira, 9 de julho, o Tribunal de Recursos decidirá. Além disso, o companheiro hospitalizado foi formalizado e preso preventivamente.

Essas batidas seguem uma investigação sobre a colocação de um artefato explosivo em dezembro de 2023 em uma concessionária Nissan e a colocação de uma “bomba lapa” em um carro da polícia durante os confrontos de 29 de março deste ano, no âmbito do Dia do Jovem Combatente.

Solidariedade com os detidos e presos!

Fonte: https://informativoanarquista.noblogs.org/post/2024/07/09/chile-allanamientos-por-investigacion-sobre-artefactos-explosivos/

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agência de notícias anarquistas-ana

Logo se esvaecem
Como a lua na alvorada —
Maçaricos da praia.

Chora

[Espanha] “Caso 6 de La Suiza”: repressão para o sindicalismo que luta

A ratificação pelo Tribunal Supremo da sentença da Audiência Provincial de Astúrias, pela qual se condena seis sindicalistas à pena de três anos e meio de prisão e multa de 125.000€, não só supõe um atropelo ao direito à ação sindical e às liberdades de organização, manifestação e expressão dos trabalhadores que (em teoria) a legislação espanhola protege, mas que confirma o que foi uma prática generalizada durante toda a Transição.

É certo que o caso de Las 6 de La Suiza representa possivelmente o capítulo mais extremo de perseguição e crueldade contra cidadãos que simplesmente exerceram uns direitos incluídos na Constituição Espanhola e pela Organização Mundial do Trabalho, mas injustiças parecidas vêm se registrando muitos anos depois que se revogou a legislação franquista.

Que uma trabalhadora recorra a um sindicato para reclamar que lhe paguem as horas extras que lhe deve a empresa e que lhe trate com o respeito devido, para o que a organização sindical promove ações de protesto absolutamente legais e legítimas, acaba sendo convertido pelo dono de La Suiza em um ataque pessoal e uma estratégia para provocar o fechamento da confeitaria. Surpreendentemente a suposta Justiça – ou os profissionais que a aplicam com esses critérios tão díspares – compram a teoria conspiratória do agressor e condenam a agredida e a quem solidariamente defendeu sua causa. Mas desgraçadamente não é esta a primeira sentença contra a ação sindical nem seguramente será a última.

Em anos recentes vivemos processos contra moradores e trabalhadores da Bahía de Cádiz por sua participação ou apoio a uma greve do Metal que, evidentemente, não contava com a benção dos sindicatos oficiais. Inclusive o filme Los Lunes al Sol, de León de Aranoa, se baseia em uma história de um desses conflitos que se fecham a toda pressa, deixando os afetados mais conscientizados aos pés dos aparatos repressivos e judiciais.

Muitas sentenças tem já arquivadas os tribunais do social onde um sindicalista dos que se comprometem a fundo em cumprir seu papel histórico é vítima de uma demissão procedente porque a Justiça aceita a acusação da empresa de que esse trabalhador incômodo “acumula várias ausências e atrasos no posto de trabalho”, ou seja, “diminuiu injustificadamente a produtividade” pelo que vai pra rua sem indenização. Frequentes também são os casos de demissões por montar uma seção sindical ou concorrer às eleições sindicais sob umas siglas que não agradam ao empresário; claro que para justificar a sanção máxima se costuma alegar outras razões: o chefe pode ser muito bruto, mas sempre tem seu advogado.

Pelo contrário, se a representação sindical é ostentada por algum dos sindicatos mais propensos ao pacto que à luta, as coisas se desenvolvem de maneira muito mais harmoniosa. Habitual, ainda que pouco conhecido, é o bom número de liberações e a elevada quantia das subvenções – para fomentar o diálogo social, ou qualquer outro pretexto – que costumam cair aos assinantes de pactos e reformas. Tampouco é um segredo – ainda que não haja jornalista que se atreva a indagar- que em muitas grandes empresas estes sindicalistas dizem muito na hora de atribuir cursos e promoções entre os trabalhadores de suas equipes. A estas alturas ninguém deve escandalizar-se se recordamos que em alguma multinacional se oferece o contrato de trabalho ao mesmo tempo em que a ficha de filiação ao sindicato da casa.

Uma pena que o sindicalismo, que escreveu páginas gloriosas e ao qual devemos tantas conquistas sociais, tenha acabado na caricatura vergonhosa que vemos em nossos dias. Mas esta realidade também pode ser um estímulo para que a classe trabalhadora supere o estado de passividade e derrotismo e recupere sua capacidade de autorganização e luta. O caso de La Suiza e outros exemplos nos dizem que outro sindicalismo é possível e necessário.

Antonio Pérez Collado

CGT-PVyM

Fonte: Gabinete de Comunicação da Confederação Geral do Trabalho do País Valenciano e Murcia

Tradução > Sol de Abril

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Dança da mulher molhada
Ao vento o galho
Orvalho nas pétalas.

Silvia Mera

Flecheira Libertária N° 769

cadáveres

Os progressistas e alguns liberais, além das mídias das empresas de comunicação, continuam com suas manchetes relativas ao crescimento da extrema direita na França e em outros Estados da Europa. Reiteram a “importância” da estratégia adotada pela esquerda e por parte da direita francesa em “isolar” os reacionários por meio da caricata Frente Ampla. Nada muito diferente do que foi visto em outros países ao redor do planeta, entre eles o Brasil. Modera-se em prol de uma gestão classificada como eficiente, equilibrada, que seja estável para a União Europeia, a democracia e os negócios capitalistas. Enquanto os Estados e a propriedade produzem as mazelas de sempre, os progressistas e muitos dos seus sócios liberais selam, como “bons” negociantes, acordos para preservar a ordem da qual necessitam para governar, mais do que para sobreviver. Isso é a política, seja com a nomenclatura de Frente Popular, Nova Frente Popular ou quaisquer outros cadáveres que tentem reviver.

os negociantes da ordem

Sobre os progressistas: na Europa e em outros lugares do planeta, o funcionamento de seus partidos, de suas organizações de caridade e em “defesa dos imigrantes”, de seus think tanks, do comércio e das boutiques levados adiante pelos seus ativistas, herdeiros dos anteriores movimentos sociais, de suas portas giratórias etc. está atrelada à preservação dessa ordem que tanto desejam, instituem e necessitam. Frente aos reacionários, eles, incluindo os stalinistas revestidos de democratas, respondem com mais negócios, alianças, composições. É isso o que chamam de combate ao fascismo. São, por fim, os “bons” negociantes que a ordem também necessita, e que vez ou outra também contempla os e as fascistas.

propriedade

O atual pretendente a “pai dos pobres”, em seu terceiro governo, anunciou um novo Plano Safra, beneficiando os grandes proprietários e a chamada agricultura familiar. Gabou-se de que se trata do maior plano da história, envolvendo mais de 400 bilhões de reais. Não é novidade que um presidente que outrora foi operário e sindicalista conta com a confiança e parceria dos chamados movimentos de lutas sociais, os (as) assanhados(as) ativistas pode ser um bom negócio para os que fazem grandes e melhores negócios para si mesmos. Afinal, perguntam-se, “por que não inserir os que ‘lutam’ numa cadeia de produção e torná-los fonte de recursos?”. Ao gerar crédito para os empreendedores solidários, alguém precisará comprar máquinas, equipamentos, insumos – seja bioinsumos ou agrotóxicos –, fertilizantes etc. Agora só falta criar mais proprietários para os setores mencionados, tarefa com a qual o pretendente “pai dos pobres” e, também, consolidado “tio dos ricos” já se comprometeu. Segundo ele e seu rebanho, patrão nacional é melhor que patrão internacional. A ordem necessita de um “bom” negociador da propriedade. Pouco importa a bandeira, a racionalidade neoliberal promove o casamento monogâmico entre capital e capital humano.

mais negociantes da ordem

Uns falam: “queremos menos juiz e mais juízas”. Outros(as) complementam: “exigimos mais carcereiras”. Alguns, ora ou outra, saem às ruas com os seguintes slogans: “a punição deve ser igual para todos”. Muitos ativistas, por sua vez, reivindicam: “nós também queremos ser proprietários”, “todos têm direito a ser proprietário”. Em determinados ciclos, outros ou outras pronunciam: “queremos menos patrão e mais patroa”. Enfim, são mais algumas reivindicações dos negociantes de plantão da ordem…

Fonte: https://www.nu-sol.org/wp-content/uploads/2024/07/flecheira769.pdf

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A flor
Sussurra ao vento
Sem aroma.

Maria Helena Camargo

[Porto Alegre-RS] Reconstruir

Enquanto as pautas dos políticos são absurdos escancarados temos que lidar com os constantes colapsos de uma ordem social que insiste em se manter de pé, ignorando os claros sinais de sua falência, onde seus rastros de destruição explodem sempre nxs que tem menos recursos. O capital faz a gestão destas crises, tirando seu lucro para o 1% mais rico e se enraizando, criando estruturas onde seja cada vez mais difícil de se desvencilhar, mas que na realidade constrói e nos entrega uma vida cheia de vazios. Buscando varrer seus problemas para o esgoto, que já transborda e atinge cada vez mais gente, tomando de assalto a pacificada realidade social…

Observando e vivendo os últimos momentos nessa região, chamamos para trocar uma ideia.

Abandonar o estado e a sociedade capitalista não é nada fácil, mas aos poucos praticamos e plantamos alternativas.

Cola na Kasa, fortaleça as alternativas reais, respira, propaga e pratica a liberdade!

okupaviuvanegra.noblogs.org

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A Brisa Que Sopra
É O Melhor Refresco
Neste Dia Quente

Leonardo Natal

Papo reto do Cacique Seattle para o presidente Lula…

|| “Ganhar dinheiro com esse petróleo” – Lula ||

“Quando o último rio secar, a última árvore for cortada e o último peixe pescado, eles vão entender que dinheiro não se come”.

Carta do Cacique Seattle ao presidente do Brasil, em 2024

|| Contra a exploração de petróleo na Foz do Amazonas ||

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agência de notícias anarquistas-ana

Todos adormeceram
Só o canto da cigarra
Permanece na noite

Maria Renata F. Antunes

Mudanças Climáticas: Capitalismo e Caos

Apesar de ainda haverem inúmeros negacionistas acerca do tema, as mudanças climáticas são uma das questões mais urgentes e debatidas do nosso tempo. Elas referem-se a longas alterações nos padrões climáticos e de temperatura da Terra, frequentemente atribuídas às atividades humanas. A ciência tem mostrado consistentemente que o aquecimento global, uma faceta crucial das mudanças climáticas, está sendo exacerbado pela emissão de gases de efeito estufa, como dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4). Todavia, o que não se diz é como o capitalismo figura como um elemento significativo dessas mudanças.

Antes de mais nada, esclarecemos que as alterações de longo prazo nos padrões climáticos globais e regionais comumente são chamadas de mudanças climáticas. Embora mudanças no clima tenham ocorrido naturalmente ao longo da história da Terra, nos últimos séculos, a influência humana tornou-se a principal força motriz. O aumento na concentração de gases de efeito estufa na atmosfera, principalmente devido à queima de combustíveis fósseis, desmatamento e atividades industriais, tem levado a um aquecimento global rápido e sem precedentes.

Dessa forma, a principal causa das mudanças climáticas é a emissão de gases de efeito estufa, que retêm calor na atmosfera da Terra. As atividades humanas, especialmente desde a Revolução Industrial, aumentaram drasticamente a concentração desses gases. A queima de carvão, petróleo e gás natural para geração de energia, transporte e indústrias libera grandes quantidades de CO2. Além disso, o desmatamento reduz a capacidade da Terra de absorver CO2, exacerbando o problema.

É nesse contexto que o capitalismo, com seu foco no crescimento econômico incessante e no consumo desenfreado, tem desempenhado um papel central no caos denominado crise climática. Este sistema econômico, desigual, violento e opressor, incentiva a extração e o uso intensivo de recursos naturais sem considerar os limites ecológicos do planeta. A busca incessante por lucro leva à exploração descontrolada de combustíveis fósseis e à destruição de florestas, resultando em emissões massivas de gases de efeito estufa.

As empresas e indústrias, impulsionadas pelo capitalismo, priorizam unicamente o lucro sobre a sustentabilidade ambiental. A obsolescência programada, por exemplo, um fenômeno em que produtos são projetados para ter uma vida útil curta para aumentar o consumo, elucida como o capitalismo promove o desperdício e a degradação ambiental. Além disso, a desigualdade econômica, uma característica inerente ao sistema capitalista de produção, significa que os países e comunidades mais vulneráveis sofrem desproporcionalmente com os impactos das mudanças climáticas.

Para mitigar as mudanças climáticas (se é que isso ainda é possível), especialistas afirmam ser crucial reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito estufa. Isso pode ser alcançado através de várias medidas, como a transição para energias renováveis (substituir combustíveis fósseis por fontes de energia limpa, como solar, eólica e hidroelétrica), o reflorestamento e conservação (proteger e restaurar florestas, que são importantes sumidouros de carbono), a eficiência energética (melhorar a eficiência dos sistemas de energia e promover o uso de tecnologias de baixo carbono) e a economia circular (adotar práticas de economia circular, onde os produtos são projetados para serem reutilizados, reciclados e mantidos em uso por mais tempo).

No entanto, se as mudanças climáticas continuarem a se agravar, o planeta enfrentará consequências ainda mais catastróficas, como o aumento do nível do mar, eventos climáticos extremos, perda de biodiversidade e crises cada vez mais constantes de segurança alimentar e hídrica.

Para nós, eis o ponto em que o anarquismo mostra sua relevância e viabilidade, ao propor uma sociedade sem hierarquias opressivas, onde as decisões são tomadas coletivamente e os recursos são geridos de forma racional e sustentável. O anarquismo deixa claro que não basta a implantação de um capitalismo verde, ecofascista e supostamente sustentável. O capitalismo em si é o problema e, portanto, não fará parte da solução.

De outro lado, as práticas anarquistas, como o antiestatismo, o horizontalismo, a autogestão, a economia solidária e o apoio mútuo, oferecem um modelo alternativo ao capitalismo, que valoriza o bem-estar humano e ambiental. Assim sendo, a implementação prática de princípios anarquistas pode promover uma sociedade mais justa e ecológica, onde o foco está no bem comum e na sustentabilidade. Coletivos e cooperativas podem substituir empresas capitalistas, priorizando práticas agrícolas regenerativas, produção local e uso consciente de recursos.

O desafio é continuar a luta pela transformação social com foco na transição para um modelo econômico mais justo e sustentável, como o proposto pelo anarquismo, mitigando e revertendo os impactos climáticos e construindo um futuro mais equilibrado para todos os habitantes do planeta – enquanto ainda temos um planeta para isso.

Liberto Herrera.

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O menino cego
Fecha os olhos e sorri
Sonhando com flores…

Izo Goldman

 

[Chile] A seguir de pé frente aos fatos registrados em 6 de julho

Na madrugada de sábado, 6 de julho, foram realizadas várias batidas no âmbito da investigação sobre a colocação de artefatos explosivos. Mais uma vez, 14 pessoas foram presas, várias casas foram invadidas, entre elas a Rádio Villa Francia e o Espaço Comunitário Pablo Vergara Toledo, onde está localizado o Comedor Popular Luisa Toledo.

O Ministério Público está se desesperando, tirando o pó de velhas táticas, invasões em massa, shows na mídia e a premissa de invadir e prender para investigar. Não estamos pedindo uma melhoria nos protocolos da justiça, estamos apenas revelando a hipocrisia e o absurdo do labirinto judicial. Desprezamos o mundo do poder, suas lógicas, suas redes e táticas.

No mesmo dia em que lembramos a partida física de nossa querida companheira Luisa Toledo, a promotoria procurou atacar e desintegrar com essa jogada jurídica/policial/midiática. Mas, assim como lembram nomes, endereços e antecedentes, esquecem que nossa força é a solidariedade, esquecem nossa coragem e ousadia, esquecem que nem todos nós somos mercenários covardes como eles.

A memória da companheira Luisa, sua garra, coragem e solidariedade ainda estão vivas. Isso foi demonstrado no lindo dia que aconteceu naquela tarde no Espaço Comunitário Pablo Vergara Toledo, bem como durante a noite com o desfile e sua irrupção “lindamente violenta”.

Nos solidarizamos com todos os presos e presas do dia 6 de julho, com um firme apelo para que não nos intimidemos, para que ampliemos a cumplicidade e o apoio entre os companheiros e companheiras, fortalecendo a solidariedade anticarcerária.

COM LUISA EM NOSSA MEMÓRIA, A SEGUIR DE PÉ.

Espacio Fénix

Claustrofobia Ediciones

Biblioteca Antiautoritaria Sacco y Vanzetti

Individualidades Anárquicas

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a estrela d’alva se tirou
jamais clareava
negras árvores nos azulados

Guimarães Rosa

[Grécia] Morreu o companheiro anarquista Theodoras Meriziotis

Theodoras nasceu em Atenas (região de Mykoniatika) em 1961 e cresceu em Ano Liosia. Ele era filho de uma grande família proletária, ele próprio um proletário. Por muitos anos trabalhou como polidor de móveis em diversos setores.

Em 1985, Theodoras juntou-se ao movimento anarquista e foi membro durante algum tempo do Núcleo Anarcomunista de Ano Liosia e depois do Grupo Antiautoritário de Piraeus e da Associação de Objetores de Consciência e conheceu Michalis Maragakis, o primeiro objetor de consciência por razões políticas na Grécia. Ele também viveu por um tempo em uma comunidade rural fundada por Maragakis em uma vila nas montanhas de Lefkada. Além disso, conheceu o primeiro anarquista que recusou o recrutamento, Nikos Maziotis (além de companheiros, também eram amigos) e um pouco mais tarde Pola Roupa.

Juntamente com o seu irmão Giannis, foi um dos primeiros objetores de consciência anarquista na Grécia, expressando a sua recusa em servir numa declaração pública em 1988.

Nos últimos anos, Theodoras viveu na cidade natal de seu pai, Kalamata, e foi de forma aberta e prática todos os ANTIs encarnados num anarquista consistente, e quando recebeu ameaças dos fascistas de Kalamata ele não apenas não vacilou, mas tentou contribuir e participou de vários movimentos antifascistas da região.

Theodoras, por um lado, era um cara difícil, com suas contradições, e por outro, era sociável e solidário. A sua solidariedade e ajuda aos pobres – ele próprio pobre – chegou ao ponto em que ele negligenciou a ajuda a si mesmo.

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1631114/

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Manhã de neve.
Até mesmo os cavalos
Ficamos olhando.

Bashô

 

[País Basco] Concentração em Bilbao em solidariedade com ‘Las 6 de La Suiza’

Concentração solidária este sábado (06/07) na esplanada do Teatro Arriaga de Bilbao em apoio às seis sindicalistas condenadas de Xixón, ‘Las Seis de la Suiza’, onde foram entoados lemas como “Sindicalismo não é crime”, “A arma do obreiro/obreira, a solidariedade”, “Fazer sindicalismo não é crime”, “Solidariedade com as 6 de la Suiza”, “Ez, ez, ez errepresiorik ez!”, “6 de la Suiza, elkartasuna!”, “Gora, gora, gora langileon borroka” a cargo de várias centenas de pessoas.

Enrique Hoz, da CNT e megafone em mãos durante 45 minutos ininterruptos, lançou os diferentes lemas e recordou o caso e, sobretudo, o passo que deu o Tribunal Supremo com esta sentença “porque protestar ante as empresas, pode te supor anos de cárcere e sanções econômicas”. Insistiu na necessidade de parar este novo rumo judicial contra os protestos dos trabalhadores ante atuações irracionais dos empresários.

Esta ação de protesto em Bilbao busca “não só expressar solidariedade” com as lutadoras da CNT, mas “o rechaço à sentença 626/2024 do Tribunal Supremo” que é considerada pelos organizadores como “um ataque direto aos direitos fundamentais da classe trabalhadora: o direito a reunião, expressão e liberdade sindical”.

A sentença do Tribunal Supremo, conhecida em 24 de junho passado, foi qualificada pelo sindicato CNT como “uma perigosa porta à perseguição do sindicalismo em todo o Estado espanhol”. A Sala Segunda do Alto Tribunal, presidida por Manuel Marchena, rechaçou o recurso de cassação interposto pelo sindicato no caso de ‘Las 6 de La Suiza’, ratificando penas de cárcere de três anos e meio e uma indenização de 125.428 euros ao empresário.

O caso remonta a 2017, quando uma trabalhadora da confeitaria La Suiza foi ao sindicato CNT Xixón para denunciar o não pagamento de horas extras e férias. Após tentativas falidas de negociação com o empresário, se iniciou uma campanha de denúncia que incluiu manifestações e distribuição de panfletos, ações sindicais comuns que foram criminalizadas pelo Tribunal do Penal xixonés, a Audiência Provincial e agora o Tribunal Supremo.

Desde então, os sindicatos da CNT e outras organizações mostraram sua solidariedade com ‘Las 6 de La Suiza’, e este esforço não cessará com a recente sentença. “Manifestar-se e defender os direitos laborais não é um crime”, assim o reafirmaram ontem membros e simpatizantes da CNT, da CGT, de Sare Antifaxista, de ELA, de Batu, de LAB, de Argitan, de Berri-Otxoak, de Ezkerraldea Antifaxista, de Barakaldo Naturala, de La Kelo Gaztetxea, Pensionistas de Bizkaia, na Concentração do Arriaga em Bilbao.

“Hoje, sindicatos e coletivos sociais nos reunimos, uma vez mais, para fazer chegar a mesma mensagem: Fazer sindicalismo não é crime. Após a sentença do Tribunal Supremo que ratifica a condenação às seis sindicalistas de Xixón, as organizações abaixo assinantes mostramos nossa solidariedade com elas, e consideramos esta sentença um ataque aos direitos fundamentais da classe trabalhadora: direito a reunião, expressão e à liberdade sindical. Por tudo isso, animamos a participar em todas as mobilizações convocadas em solidariedade com as sindicalistas condenadas”, declararam os organizadores.

Fonte: https://sareantifaxista.blogspot.com/2024/07/concentracion-en-bilbao-en-solidaridad.html

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/07/05/espanha-concentracao-de-apoio-as-6-de-la-suiza/

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Cidade grande.
Nos olhos do menino
Um olhar distante.

Suzy Martinez

[São Paulo-SP] Seminário GPEL Terrorismo de Estado na Educação

Sábado, 13/07, 16h

Centro de Cultura Social (CCS)

Rua General Jardim, 253 – Sala 22 – Vila Buarque – São Paulo

Roda de Conversa com Lúcia Bruno (USP), Rodrigo Rosa da Silva (UEL), João Branco (USP) e Fernando Bomfim (UNB).

Convidamos educadoras/es, estudantes, pesquisadoras/es, militantes e simpatizantes dessas discussões relativas à educação para participarem do Seminário GPEL “Terrorismo de Estado na Educação” que, além de debater questões específicas do impacto das ações Capital/Estado na área da educação, pretende abordar temáticas gerais relacionadas à exploração do ser humano/Planeta Terra, catástrofes socioambientais, genocídio do povo palestino, resistências, novas utopias. Também será realizada a apresentação do livro “Pirataria pedagógica e a arte de navegar: escritos sobre educação e cultura política” abordando a luta antimilitarista, a memória social e a educação popular.

Saiba mais:

Instagram: @gpel.grupo

Facebook: gpel.grupo

Site: https://gpel.milharal.org/

Inscreva-se no canal do youtube: https://youtube.com/@gpel-grupodepesquisaeducac8716…

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Anoitece
Atrás da colina
O sol adormece

RôBrusch

[Reino Unido] Faça você mesmo em Doncaster

A Commune in the North (ACitN) está se baseando no trabalho da Bentley Urban Farm, liderada por anarquistas, para criar novas maneiras de atender às necessidades essenciais, tanto para a comuna quanto para a comunidade local mais ampla, a fim de mostrar que o capitalismo não é o único jogo na cidade.

Bentley, uma antiga cidade de mineração de carvão ao norte de Doncaster, South Yorkshire, está entre as 10% das áreas mais pobres do Reino Unido. A expectativa de vida é de uma década a menos do que a média nacional. Isso se deve, em parte, às altas taxas de doenças relacionadas à nutrição, como obesidade infantil, doenças cardíacas, diabetes e câncer. Todas elas podem estar diretamente ligadas à pobreza alimentar.

A comida é uma arma central na guerra do capitalismo contra os pobres. Como disse Bob Vylan em Health is Wealth (um manifesto musical de três minutos sobre alimentação, saúde e poder):

A matança de crianças com frango e batatas fritas de 2 libras
É uma tática de guerra travada contra os pobres
Não se pode economizar salários com escravos assalariados
E você não pensa em frutas frescas com o rosto no chão

Sob o capitalismo, a vida é importante apenas na medida em que pode aumentar os lucros. A sociedade capitalista é habitualmente abusiva com qualquer pessoa que não esteja ativamente produzindo, consumindo, vendendo, comercializando ou protegendo os interesses do capitalismo. Os jovens, os idosos, os pobres e os marginalizados são apoiados na medida em que permanecem como engrenagens em potencial na roda econômica e/ou em que ainda é possível ganhar dinheiro apoiando-os (no caso dos pobres e dos desempregados, a própria existência deles funciona como uma ameaça para que as pessoas não saiam da linha, caso também acabem pobres ou desempregadas). A expansão dos lucros do sistema de assistência é um fator central na estratégia atual que leva as autoridades locais à falência, com todos os serviços, exceto os mais centrais, sendo privatizados para o benefício dos capitalistas.

Mas o capitalismo nunca pode “cuidar”. A linha de fundo do lucro e do crescimento não permite colocar coisas como bem-estar, felicidade, diversão e compaixão antes do dinheiro. De fato, uma economia do cuidado seria a própria antítese da economia capitalista do dinheiro/dívida, e é exatamente por isso que os anarquistas precisam lutar para construí-la. O Estado – sendo uma parte integrante e importante da economia capitalista mais ampla – também se mostrou incapaz de fornecer níveis adequados de cuidados para os seres humanos. Ninguém virá para nos salvar. Se quisermos um mundo melhor, mais corajoso, mais brilhante, mais feliz e mais verde, devemos construí-lo nós mesmos.

Felizmente, há grupos de pessoas em todo o país que estão fazendo exatamente isso. Há oito anos, criamos a Bentley Urban Farm (BUF), liderada por anarquistas, um projeto de horta comunitária reciclada, como resposta direta ao problema da pobreza e dos desertos alimentares em Doncaster. Ensinamos as pessoas a cultivar seus próprios alimentos em canteiros elevados feitos de materiais residuais e até compramos alguns dos produtos que elas cultivaram para o esquema de caixas de legumes da BUF.

Nossa missão sempre foi proteger as pessoas da pobreza infligida a elas pelo capitalismo e pelo Estado, fazendo isso por meio de educação, ação direta e ajuda mútua.

Ironicamente, como anarco-pragmatistas confessos, temos feito isso em terras “pertencentes” ao conselho. Anos de reestruturação econômica ideologicamente conduzida em nome da “austeridade” criaram rachaduras no sistema, onde podemos começar a criar alternativas à ganância capitalista e às soluções paternalistas do Estado. Isso poderia ser um acordo com as autoridades locais, como o que temos para o BUF, em que o cumprimento de uma série de requisitos verdes para o conselho nos permite realizar iniciativas mais abertamente anarquistas em um local de propriedade do conselho. Ou pode ser uma solução anarquista mais tradicional, como o recém-fundado Sheffield Action Resource Centre (ShARC), que ocupou uma grande propriedade abandonada da autoridade local no interesse da mudança sociopolítica e para o benefício dos residentes.

Além de criar oportunidades físicas para a construção de iniciativas de base para a mudança, o neoliberalismo criou vácuos políticos que deixaram as comunidades famintas por políticas alternativas. Quando Tony Blair se mostrou um fervoroso herdeiro do legado neoliberal de Thatcher, confessando abertamente que seu trabalho era “desenvolver as políticas de Thatcher”, a primeira coisa que o New Labour fez foi abandonar politicamente as comunidades tradicionais da classe trabalhadora com “muros vermelhos”, como as antigas comunidades de mineração de Doncaster. Ele até usou John Prescott – o equivalente do New Labour ao infeliz personagem de desenho animado Andy Capp – como porta-voz para nos dizer que agora somos “todos de classe média”. Como se a simples adoção de uma perspectiva de classe diferente fosse uma solução em si.

A extrema direita tem sido muito melhor do que a esquerda em tirar proveito desse vácuo político, seja abertamente com partidos populistas como o BNP, o UKIP e o Reform UK, seja secretamente por meio de políticas alternativas e conspiratórias que dominam os tópicos de mídia social e que são propagadas em publicações como The Light.

As pessoas que são atraídas por fantasias conspiratórias não são necessariamente atraídas por uma ideologia de direita explícita. É muito mais provável que elas estejam desiludidas, traumatizadas ou simplesmente cientes da necessidade urgente de mudança social que as crises convergentes do capitalismo criaram. Se, como grande parte da esquerda autoritária (que geralmente não tem a menor consideração pela realidade confusa da vida nas comunidades da classe trabalhadora), nós simplesmente os desprezamos como fascistas ou loucos, então entregamos essas pessoas à direita em nome da pureza ideológica. Em vez disso, deveríamos estar combatendo a propaganda sem fundamento com ilustrações vívidas de mudanças sociais reais.

Nossa missão, como anarquistas, é viver nossas crenças na realidade confusa, imperfeita e muitas vezes desconfortável da vida cotidiana. A Commune in the North está se baseando no trabalho do BUF, criando novas maneiras de atender às necessidades essenciais da comunidade e da comunidade local mais ampla, a fim de mostrar que o capitalismo não é o único jogo na cidade. Com o objetivo de longo prazo de criar uma comunidade ecológica igualitária, com compartilhamento de renda, anticapitalista e anti-opressiva para até 200 pessoas, precisamos construir sistemas mais autônomos e ecologicamente sensíveis, com cadeias de suprimentos mais curtas para atender às nossas necessidades de alimentos, energia, abrigo e cuidados.

Esses sistemas não podem e não devem existir isoladamente. Eles atuarão como uma ponte entre a comunidade, a comunidade mais ampla e o mundo exterior. A rede de cooperativas necessária para que isso aconteça criará uma economia solidária no coração de uma comunidade economicamente marginalizada e nos dará a oportunidade de mostrar à comunidade como um todo que não precisamos do capitalismo ou do Estado para sobreviver… ou, de fato, para prosperar.

Da mesma forma, o Kurdistan Freedom Movement enfatiza as mulheres e os jovens na tomada de decisões porque eles são os mais distantes do patriarcado e, como tal, estão em melhor posição para oferecer alternativas a ele. As pessoas das comunidades mais afastadas dos benefícios econômicos do capitalismo são as que menos têm a perder e as que mais têm a ganhar com a criação de alternativas ao sistema capitalista. O fato de os fornecedores do capitalismo terem abandonado econômica e politicamente essas comunidades só aumenta o potencial de mudança.

As autoridades supostamente encarregadas de cuidar dessas comunidades têm provado rotineiramente que a vida das pessoas nessas comunidades não importa. É nosso trabalho provar que as autoridades e o sistema que elas representam não importam para aqueles de nós que vivem em comunidades marginalizadas. Parafraseando Crass, não há autoridade além de nós mesmos.

De hortas comunitárias a centros sociais, de cooperativas de trabalhadores a assembleias populares, todo ato de autonomia é um ato de resistência a um sistema que vê a vida humana – e a vida em geral – como um recurso a ser explorado implacavelmente até que o pouco que resta dessa vida deixe de ter importância. Os anarquistas reconhecem que mesmo as estruturas autoritárias mais bem intencionadas inevitavelmente se tornarão egoístas com o tempo e que as instituições sempre se tornarão mais importantes do que as vidas individuais.

O anarquismo também reconhece que a liberdade e a igualdade social estão intimamente relacionadas. Ninguém é livre até que todos sejam livres. É preciso que um indivíduo seja corajoso o suficiente para se libertar das correntes da escravidão capitalista para mudar a sociedade, mas é a construção de economias solidárias, redes de ajuda mútua e zonas autônomas que torna possível a liberdade individual a longo prazo. Se você quer uma sociedade livre, deve lutar para se libertar. Se você quer se libertar, deve lutar para libertar a sociedade. A revolução, portanto, é a arte de ser importante para si mesmo.

Portanto, largue este papel (na verdade, é melhor entregá-lo a um vizinho e espalhar a palavra!) e vá construir nas fendas do capitalismo. Todo ato de solidariedade, por menor que seja, mostra às pessoas que elas são importantes. Todo ato de rebelião mostra às autoridades que elas não importam.

Deseja uma revolução social e individual, mas não sabe por onde começar? Venha se envolver com a ACitN. Visite nosso site para obter mais detalhes:

~ Warren Draper de A Commune in the North (acommuneinthenorth.org.uk)

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2024/06/23/diy-in-doncaster/

Tradução > Contrafatual

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agência de notícias anarquistas-ana

Jardim da minha amiga
todo mundo feliz
até a formiga

Paulo Leminski

[México] Mesa Redonda pela liberdade de Mumia Abu-Jamal no aniversário de sua sentença de morte

No 42º aniversário da sentença de morte de Mumia Abu-Jamal, expressamos nossa solidariedade desde a Cidade do México com as atividades virtuais e presenciais na Filadélfia e outras cidades do mundo. Parece-nos importante promover conversações em meios livres e espaços solidários sobre a barbaridade que aconteceu em um tribunal na Filadélfia em 3 de julho de 1982 e também sobre algumas das conquistas e colaborações recentes de nosso querido companheiro Mumia, sua relação solidária com os universitários em seus acampamentos em apoio à Palestina, e a urgente necessidade de ganhar sua liberdade.

O que aconteceu naquele tribunal na Filadélfia em 3 de julho de 1982?

Dado que o jurado havia considerado Mumia culpado de assassinato em primeiro grau no dia anterior, no dia coube determinar sua sentença. Ainda que em muitos casos o juiz dá aos advogados da defesa uma semana ou dez dias para preparar seus argumentos, o Juiz Albert Sabo havia prometido chegar à sentença sem atraso para que todos pudessem chegar em casa para festejar o 4 de julho.

E quem era o Juiz Sabo? O mesmo juiz que havia dito a um sócio no primeiro dia do julgamento que ele “iria ajudá-los a fritar esse negro“, segundo a estenografa Terri Maurer Carter.

Ex-delegado e membro vitalício da Ordem Fraternal de Polícia (FOP), Sabo havia enviado mais homens ao corredor da morte que qualquer outro juiz no país. Só 2 dos 32 condenados eram brancos. Sabo assegurou que qualquer evidência favorável a Mumia não seria escutada pelo jurado. Fez todo o possível para calá-lo uma vez e para sempre.

Durante o julgamento, o promotor perguntou a Mumia por que não tinha se levantado cada vez que o juiz entrava na corte. Respondeu: “Porque o juiz Sabo não merece honra… porque opera pela força e não pela razão… (levantando-se) porque é um verdugo, um juiz da forca… por isso”.

No dia 3 de julho, Anthony Jackson, o advogado designado pela corte para representar Mumia, não chamou uma só pessoa para dar testemunho sobre o bom caráter de Mumia, um grave erro, mas pelo menos Jackson insistiu em que Mumia tinha o direito de fazer uma declaração. Mumia declarou:

Sou inocente das ofensas das quais me acusaram e condenaram… e a verdade vai me liberar… Em 9 de dezembro de 1981, a polícia tentou executar-me na rua e este julgamento é o resultado de seu fracasso… A decisão que vocês determinam hoje não estabelece minha culpabilidade, tampouco minha inocência. Só comprova que o sistema acabou.

O promotor no julgamento de Mumia era Joseph McGill, que na seleção do jurado usou 10 ou possivelmente 11 de seus vetos peremptórios para excluir os candidatos negros. Según J. Patrick O’Connor, autor do livro La Incriminación de Mumia Abu-Jamal, a alta prioridade de McGill era assegurar que o jurado soubesse da história de Mumia Abu-Jamal com o partido Panteras Negras, uma história que o jornalista assumiu com orgulho. O promotor usou os falsos testemunhos do taxista sem licença Robert Chobert e da prostituta Cynthia White para identificar Mumia.

Ademais, McGill escondeu informação sobre a presença de um passageiro no carro do irmão de Mumia, Billy Cook: seu amigo Kenneth Freeman. McGill sabia que Faulkner levava em seu bolso uma solicitação de permissão de dirigir de Arnold Howard, o qual havia emprestado a Freeman, mas o promotor queria que o jurado pensasse que só Faulkner, Mumia, e Billy Cook estiveram presentes no momento do assassinato. Quase todos os observadores pensam que Kenneth Freeman assassinou o agente Faulkner.

Patrick O’Connor afirma que, para conseguir uma sentença de morte, McGill queria convencer o jurado que Abu-Jamal era “a encarnação do caos total”. Não somente havia assassinado um policial, mas que o tinha feito com a mesma “arrogância” e “descaramento” que havia mostrado para a corte. Para convencer ao jurado que Mumia Abu-Jamal deveria morrer porque um policial foi assassinado, McGill disse: “A lei e a ordem, simples assim… A lei e a ordem. E disto se trata este julgamento, damas e cavalheiros, mais que qualquer outro julgamento que jamais tenha existido… Vamos viver em uma sociedade de lei e ordem e fazer cumprir as leis… ou vamos fazer nossas próprias regras e atuar de acordo com elas? Disso se trata”.

Como já sabemos, o jurado optou pela sentença de morte.

E o que acontece este 3 de julho?

Na Filadélfia, há um programa virtual, People vs the State, com a participação de Mumia, simpatizantes seus que vivem e trabalham na cidade, e porta vozes de vários recentes plantões universitários pela liberdade da Palestina. Sintonizem em LINKTR.EE/Mumia.  Em outras cidades estão organizando atividades também.

Longe de morrer como resultado da sentença de morte ditada aquele 3 de julho de 1982, este brilhante escritor e analista sempre esteve solidário com lutas pela liberdade no mundo. Isto se nota em seu livro #14 que está para sair, Sob a Montanha, Relatos Contra a Prisão, coeditado com Jennifer Black e publicado por City Lights. As histórias anti-carcerárias apresentadas vão desde as guerras de povos indígenas expulsos de suas terras e obrigados a viver em prisões ao ar livre chamadas reservas, até as lutas de escravos africanos e de revolucionários e ativistas encerrados por sua maneira de pensar e atuar. Escutamos também as palavras de abolicionistas comprometidos em pôr fim aos crimes contra os homens e mulheres nas prisões dos Estados Unidos, assim que as de anti-imperialistas que lutam contra os crimes de guerra cometidos contra a humanidade.

Desde seus dias com os Panteras Negras nos anos 60, Mumia Abu-Jamal esteve ao lado do povo palestino em sua luta por terra e liberdade. No ano de 2006, escreveu:

“Israel, desde seu nascimento até sua condição atual como um servidor dos Estados Unidos, não conheceu a paz durante os 58 anos de sua existência”. É um estado militar, definido tanto por sua perseguição do povo indígena das terras que ocupa como pela perseguição de judeus na Europa que justificou sua fundação. As relações de poder existentes marcam Israel como um agressor impiedoso com poucos amigos agora e menos ainda no futuro previsível…”

“O acadêmico e antigo diplomata estadunidense William Polk em seu livro The Arab World Today  escreveu: “Os poderosos consideram os débeis como irresponsáveis, violentos, indignos de confiança, ilegais e terroristas reais ou potenciais, enquanto os que não tem poder veem os poderosos como tiranos que usam o aparato do Estado e a lei injustamente e sem piedade para tirar-lhes as posses, a segurança, até a humanidade mesma”.  Tais raízes só podem produzir frutos amargos”.

Este 3 de julho destacamos a recente interatuação de Mumia com estudantes estadunidenses em seus plantões fora de grandes universidades. Em 26 de abril passado, Mumia se comunicou com os manifestantes da Universidade da Cidade de Nova York (CUNY): “Irmãos, irmãs, camaradas, amigas e amigos, os saúdo desde o sistema estadunidense de encarceramento massivo… É maravilhosa a decisão que vocês tomaram de romper o silêncio e falar contra a repressão que veem com seus próprios olhos. Por isso, fazem parte de algo massivo.  Estão do lado correto da história… Quando vejo o que acontece em Gaza agora, reconheço seus residentes como “os condenados da terra” que estão lutando para liberar-se de gerações de ocupação. Por isso, não é suficiente, irmãos e irmãs, exigir um cessar fogo. Que tal isto: Que sua demanda seja: Fim à Ocupação! Que isto seja seu grito de batalha porque é o chamado da história, da qual todas e todos vocês fazem parte. Vocês são parte de algo magnânimo, magnífico, algo que muda a alma, a vida, a história. Não percam este momento. Façamo-lo maior, mais massivo, mais poderoso para que ressoe até as estrelas. Me emociona seu trabalho. Os quero. Os admiro. Vamos nos mover!”.

Mumia também teve uma conversação com os estudantes da Universidade da Pensilvânia (U Penn) em seu acampamento na cidade da Filadélfia. Disse: “Irmãos, irmãs, camaradas, amigas e amigos. O que estão fazendo? E por que estão sendo castigados e ameaçados pelo Estado? Pensem. Vocês estão protestando contra a mega violência, contra o genocídio pago em grande parte pelos contribuintes estadunidenses. Seus impostos compram as armas utilizadas pelo estado de Israel para castigar as pessoas de Gaza. Quem tem o direito de fazer isto? Vocês estão atuando contra o colonialismo que pretende despersonalizar, desumanizar, desaparecer e destruir os palestinos como se não fossem seres humanos. Vocês estão aí porque seus corações, mentes e almas foram comovidos a sair às ruas, construir um acampamento, e lutar pela vida e a liberação do povo palestino. Não merecem castigos, mas admiração. Não sei o que vão dizer os administradores de sua universidade. Tenho uma ideia, mas não sei. Não sei o que vão dizer seu governo. Tenho uma ideia, mas não sei. Mas eu os felicito por seu compromisso em salvar as vidas de gente que merece viver e sair adiante. Agradeço-lhes a todas e todos e os quero”.

QUE SIGA A MESA REDONDA!

Fonte: https://www.centrodemedioslibres.org/2024/07/04/conversatorio-por-la-libertad-de-mumia-abu-jamal-en-el-aniversario-de-su-sentencia-a-muerte/

Tradução > Sol de Abril

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tarde cinza
toda azaléia
arde em rosa

Alice Ruiz

Lançamento: Rumo a uma nova revolução, de Jaime Balius (Agrupação Amigos de Durruti)

“Rumo a uma Nova Revolução” é um panfleto político escrito pelo grupo Agrupação de Amigos de Durruti, formado em 1937 durante a Guerra Civil Espanhola. Este grupo era composto por militantes anarquistas que se recusaram a se submeter à militarização imposta pelas forças republicanas e buscavam manter vivos os ideais revolucionários e de luta contra a contrarrevolução. O panfleto foi publicado originalmente em 1938, em um contexto de desesperança diante do avanço das forças fascistas e da traição interna nas fileiras republicanas.

A obra é um chamado à resistência e à luta contínua pela revolução, abordando temas como a traição dos reformistas, a necessidade de um verdadeiro internacionalismo proletário e a importância de manter o espírito revolucionário vivo.

Destaca eventos-chave da Guerra Civil Espanhola, como a insurreição de 19 de julho e os acontecimentos de maio de 1937, além de analisar criticamente o papel das forças colaboracionistas e a luta de classes.

A obra, com 48 páginas, tem o valor de R$15,00 e acompanha o pôster “um mundo novo em nossos corações” aos 20 primeiros pedidos.

Encomendas pelo link da bio ou em http://tiny.cc/tsa.editora

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No olho das ruínas
as íris dos vaga-lumes
sob as tranças de ervas.

Alexei Bueno