[Espanha] Crônica do 1º de maio de 2024 em Logroño

Mais um 1º de maio, CNT La Rioja enchemos as ruas de Logroño de reclamações por nossas lutas e reivindicações, que seguem agora mais vigentes que nunca, por umas condições dignas de trabalho, salários justos e direitos sindicais. Por uma sociedade baseada na igualdade, na solidariedade e no apoio mútuo. Por um mundo que valha a pena ser vivido.

A jornada organizada pela CNT La Rioja, esteve cheia de reflexão, ativismo e música marcada por um profundo sentido da história e da luta pela justiça laboral. A série de eventos começou com uma comovente homenagem no Memorial do Cemitério de Logroño, um lugar que carrega o peso da história da repressão durante a Guerra Civil espanhola. Desde as 10 da manhã, nos reunimos no cemitério, onde Martín Martínez, membro da Associação La Barranca e especialista na investigação da repressão neste lugar, ofereceu uma intervenção chave. Martínez compartilhou detalhes sobre as trágicas perdas ocorridas em 1936, quando 396 pessoas foram assassinadas no transcurso de um mês, sublinhando a importância de recordar e honrar a essas vítimas na luta contínua pelos direitos e a dignidade. O ato de homenagem também contou com Ángela, artista local, que interpretou duas canções com letras de Federico García Lorca, cujas obras continuam ressoando com temas de opressão e a busca de justiça. Também, Aleix Romero, companheiro e membro da CNT, também tomou a palavra.

Após o ato, a jornada continuou com uma manifestação que partiu às 12h00 desde a Glorieta del Doctor Zubía até a Plaza del Mercado. Contando com a intervenção de Pedro Gómez, militante da Seção de pessoas Aposentadas e Pensionistas do sindicato, abordando uma problemática que afeta a muitos, sublinhando a necessidade urgente de pensões que assegurem uma vida digna. Este chamado a melhorar as condições de vida dos pensionistas, recordando a importância da solidariedade entre gerações. Também Laura Bohnhoff, como Secretária de Organização do sindicato fez sua intervenção expondo o funcionamento e situação atual da CNT a nível geral e a importância da ação coletiva.

Após as mobilizações matutinas os eventos do Dia da Classe Trabalhadora continuaram na sede da CNT na Rua Baños, onde se levou a cabo uma comida popular e uma tarde cheia de música com uma alta participação cidadã. A música jogou um papel central na atmosfera festiva da tarde. A atuação começou com um vermute oferecido pela música do Dj Bukowski antes da comida. No meio da tarde seguiu com Estrés y Dani&Roll, dois músicos pertencentes a várias bandas locais como Los Zigalas y Tobogán, que se uniram para oferecer-nos um concerto exclusivo. A tarde continuou com Omar Ben Rapsession, um artista de rap local e finalizou com a atuação do DJ Tiérrez.

>> Mais fotos:  https://aragon-rioja.cnt.es/cronica-del-1-de-mayo-de-2024-en-logrono/

Tradução > Sol de Abril

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bem-te-vi
o que ele viu
que eu não vi

Ricardo Silvestrin

[Chile] No marco do 1º de Maio Insurrecional

15 ANOS DA MORTE DO COMPANHEIRO ANARQUISTA MAURICIO MORALES E ANTE A CONVOCAÇÃO PARA AÇÃO E PROPAGANDA EM SUA MEMÓRIA

A presença negra toma conta das ruas do centro da cidade espalhando o caos e a anarquia!

Como sempre, transbordando qualquer contexto e lutando contra o terrorismo, os apelos à calma e ao esquecimento.

Foi marcado um Primeiro de Maio de combate. Grupos de ação e individualidades anárquicas irromperam, tornando viva a memória, trazendo nossos mortos e presos para as ruas.

A Alameda [em Santiago] foi novamente um cenário de conflito, onde nossa propaganda negra foi amplamente divulgada; cartazes, panfletos, pichações e confrontos com a polícia ocorreram, bem como barricadas, sabotagem e saques.

Assim começa o Maio Negro, lembrando os companheiros mortos nos Estados Unidos, até mesmo o nosso querido irmão Mauricio Morales, aí estão eles se conectando, tempos e lutas diferentes, a mesma paixão pela destruição e libertação total.

POR UM MAIO NEGRO!

PELA EXPANSÃO DO CAOS E DA ANARQUIA!

MAURICIO MORALES PRESENTE!

Fonte: Buskando La Kalles

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/04/26/chile-chamado-para-um-primeiro-de-maio-insurrecional/

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Gosto de ficar
Olhando as cores do céu –
Os dias se alongam.

Hisae Enoki

Os mártires abrem o caminho – De Bristol a Rojava, Anna vive

Se não fosse por Anna Campbell, eu não estaria escrevendo este artigo.  Mudei-me para Bristol – a cidade onde Anna viveu, lutou e partiu na sua viagem para Rojava – cerca de um ano e meio depois de ela ter sido martirizada.  Quando me mudei para cá, não só não estava familiarizado com as ideias e objetivos do Movimento pela Liberdade do Curdistão, como nunca tinha ouvido o nome de Anna.  Ao aprender sobre a sua vida, aprendi que as palavras Şehîd Namarin (mártires nunca morrem) constituem a base através da qual as memórias da luta são mantidas vivas.  Estas palavras moldam a forma como nos relacionamos e agimos como revolucionários, como internacionalistas e como jovens que lutam por um futuro democrático.

Anna trocou Bristol por Rojava no verão de 2017 para se juntar ao YPJ e defender a revolução feminina contra o Estado Islâmico fascista.  Lá, ela adotou o nome de batalha Hêlîn Qereçox.  Ela estava em Rojava quando a ocupação turca de Afrin começou e pediu aos seus comandantes que a deixassem lutar lá, vendo esta tarefa como parte da mesma luta contra o fascismo.  Foi aqui que ela foi martirizada por um ataque aéreo turco em 16 de março de 2018 (1).  Antes de partir, ela esteve profundamente envolvida no trabalho antifascista e de solidariedade aos refugiados, trabalhou com a Bristol Hunt Sabetours para tomar medidas diretas contra a caça ilegal de animais e estava se organizando com a Cruz Negra Anarquista de Bristol para apoiar presos políticos.  Cada uma destas lutas, e a alegria com que ela se envolveu nelas, representava o seu amor e desejo por uma sociedade verdadeiramente livre.  Como internacionalista empenhada, a sua decisão de sair não foi um abandono destas lutas, mas antes um aprofundamento do seu compromisso com uma política de libertação e uma expansão da sua personalidade revolucionária.

A jornada de todos na luta é simultaneamente pessoal e coletiva.

Uma jornada é pessoal, uma vez que as circunstâncias que afetam as suas decisões são únicas, e coletiva, uma vez que estas circunstâncias são criadas pelas decisões e sacrifícios de muitas pessoas que se interligam de maneiras além da nossa capacidade de compreensão.  Tal como Rêber Apo argumenta que “aqueles que não conseguem escrever correctamente a sua própria história de liberdade também não podem viver livremente“, traçar como os mártires moldaram os nossos próprios percursos numa luta colectiva é um passo vital para o desenvolvimento de uma consciência revolucionária e internacionalista.

Meu primeiro encontro com Anna foi no centro social anarquista em Bristol, onde há belas obras de arte comemorando seu sacrifício.  Este edifício, com salas de reuniões, uma biblioteca, um arquivo e uma cozinha comunitária, é um espaço vital tanto para estabelecer ligações com outros ativistas e movimentos como para a transmissão de conhecimento de lutas passadas com as quais continuamos a aprender.  Como muitos de nós em Bristol, é um espaço que Anna frequentava regularmente.

Lembro-me de, ao ver esta obra, ter sido atingido por uma sensação de tangibilidade que inicialmente foi difícil de compreender.  Crescendo no Reino Unido – o berço do capitalismo industrial e um centro central dos piores excessos da modernidade capitalista – aprendemos desde tenra idade que a política revolucionária é um mito infantil, que as revoluções são impossíveis e que as lutas são algo  confinados à história que já não têm qualquer relevância para a nossa sociedade.

Aprender sobre Anna virou tudo isso de cabeça para baixo e me forçou a tentar superar as contradições que havia internalizado.

Aqui estava uma mulher que foi criada na mesma sociedade que eu, que viveu na mesma cidade que eu e que usou os mesmos espaços que eu, que deu a sua vida para defender uma revolução a milhares de quilômetros de distância.  Ao aprender sobre ela, comecei a aprender o que o internacionalismo pode significar na prática, e fui inspirado a aprender mais sobre os pilares ideológicos da revolução que ela tinha deixado a sua casa para defender.  Se Anna não fosse homenageada desta forma, não posso ter certeza de que algum dia teria experimentado esse sentimento que tem guiado minha política desde então.

Ajudou a concretizar ainda mais estes pensamentos quando soube que antes de partir Anna tinha ajudado a criar grupos de solidariedade no Curdistão, e que depois de ter caído no Şehîd, amigos e comunidades em todo o Reino Unido inspirados por ela expandiram esses grupos e assumiram a tarefa de espalhar os  ideais do paradigma em todos os nossos movimentos.  Na sua vida e na sua morte, Anna trouxe a estrela brilhante que o movimento representava para ela para a consciência de tantas pessoas que foram guiadas por ele desde então.  Foi através da interação com esses amigos, esses grupos e essas estruturas que conheci o movimento em um nível mais profundo e me comprometi mais plenamente com ele.  Os amigos que deram estes passos compreenderam que não podemos ver o martírio como algo preservado num momento de perfeição idealizada, mas como algo que existe ativamente nas nossas lutas.  Lembrar verdadeiramente de Anna significa lutar pelas ideias pelas quais ela morreu e lutar com a alegria com que lutou por elas.

No início deste ano tive o privilégio de participar na Primeira Conferência Mundial da Juventude em Paris com uma pequena delegação de Bristol.

Aqui, conhecemos jovens revolucionários de todos os continentes, todos reunidos pelo seu desejo de aprender com o Movimento de Liberdade do Curdistão e de nos conectarmos uns com os outros como jovens internacionalistas que lutam através de fronteiras arbitrárias impostas pelo Estado.  Talvez a coisa mais bonita que experimentamos nesta conferência tenha sido o Muro dos Mártires, com uma mesa adornada com imagens de Şehîds e rodeada por imagens de jovens mártires de diferentes lutas de libertação históricas e contemporâneas.  Para nós, pareceu-nos apropriado podermos contribuir com uma imagem de Şehîd Anna Campbell para esta mesa e partilhar a sua recordação com todos os outros presentes que foram inspirados pela sua luta.  Para mim, parecia que tinha fechado o círculo e dado um passo mais perto de alcançar uma síntese dos aspectos pessoais e coletivos da minha jornada.

Acima de tudo, senti-me ainda mais determinado a continuar a lutar por um futuro livre, comunitário e democrático.

A beleza de lembrar Şehîds é que em todo o mundo Anna é lembrada de forma diferente, mas fornece a mesma inspiração.  A forma como ela é lembrada em Bristol permite-nos conectar-nos à sua vida e à sua luta de uma forma tangível, ao imaginá-la em espaços familiares realizando tarefas familiares para pessoas familiares.  Assim, embora a sua imagem brilhe em todo o mundo como uma jovem internacionalista que deu a sua vida defendendo a revolução das mulheres, para nós, em Bristol, ela é igualmente a pessoa que cozinhava refeições comunitárias no centro social.  Lembramo-nos dela não apenas como uma lutadora internacionalista, mas como uma antifascista, uma abolicionista das prisões, uma feminista queer e uma amiga.  Todos estes aspectos da sua luta são inseparáveis e lembrá-los permite-nos continuar a lutar.  E embora a forma como nos conectamos com ela seja diferente de como uma jovem em Rojava que vê a sua imagem no Komal pode se conectar com ela, na lembrança todos nós nos conectamos a algo maior, a um horizonte comum e uns aos outros.

Embora este artigo tenha sido escrito sobre Şehîd Anna Campbell, uma vez que ela é mais familiar para mim no meu contexto, os mesmos sentimentos que descrevi podem ser aplicados a qualquer pessoa que tenha caído na luta pela liberdade.

Todo mártir veio de algum lugar.  Cada mártir tinha amigos e familiares com quem compartilhavam a beleza da vida.  E todo mártir tinha uma razão para lutar.

Não deixe que eles se tornem abstratos em sua morte e confinados apenas à memória.  Onde quer que você esteja no mundo, pesquise e descubra seus mártires, conecte-se com eles, mantenha sua memória viva em sua luta e deixe-a inspirar outros, como a lembrança de Anna fez por mim e por muitos outros camaradas.  Se os mártires nunca morrerem, Ana sempre viverá.

  1. Se quiser saber mais sobre sua vida, você pode ler sua biografia na edição 7 de Lêgerîn “Em Memória de Şehîd Hêlîn Qereçox – Şerda Intikam”

Tradução > Agir Tupã

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/03/24/reino-unido-um-momento-de-lembranca-para-anna-campbell/

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Como que levada
pela brisa, a borboleta
vai de ramo em ramo.

Matsuo Bashô

[Espanha] Crônica do 1º de Maio 2024 em Motril

Em Motril a CNT-AIT comemorou o 1° de Maio na plaza de la Biblioteca José López Rubio. Após muito tempo, se realizou em Motril um comício, que falou da saúde, da reforma trabalhista, da traição dos sindicatos do Estado; ao mesmo tempo se informou sobre os conflitos que nossos companheiros e cmpanheiras de Granada mantêm com MacDonalds e Frankfurt Bocanegra e foram lidos vários panfletos. No ato tivemos o apoio da BDS Guadalfeo, que leram um comunicado pela defesa do povo palestino e contra o genocídio israelense.

Tendo em conta que levamos um tempo sem organizá-lo em Motril e outras circunstâncias, estamos contentes com o resultado do evento.

Fonte: https://granada.cntait.org/content/cr%C3%B3nica-del-1%C2%BA-de-mayo-2024-en-motril

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noite em claro —
pai e filho observam
a lua de outono

Rafael Noris

[Holanda] Em 11 de maio: Cúpula de Libertação Animal (Amsterdã)

O QUE: Encontro de um dia/workshop

ONDE: Plantage Doklaan 8, Amsterdã

QUANDO: 11 de maio

Do site do evento:

“Lutar pela libertação dos animais pode parecer solitário e sem sentido. Como nunca haverá um meio e um fim para essas indústrias violentas. No entanto, coletivamente, podemos promover mudanças significativas e nos conectar em nossa luta para levá-las adiante.

Atualmente, o movimento de liberação animal parece ser composto por muitos grupos e indivíduos separados que trabalham para atingir objetivos semelhantes. Ao organizar este evento, esperamos reunir esses grupos e indivíduos e criar um movimento mais amplo e conectado.”

A Cúpula de Libertação Animal em Amsterdã promete ser um evento interessante de solidariedade e prática, no qual será possível conhecer ativistas que pensam da mesma forma, fazer trocas de ideias dentro de grupos e criar um movimento de libertação animal mais coeso.

Até o momento, foram anunciados vários workshops, incluindo como falar com jornalistas, como planejar ações diretas, segurança digital, duas palestras separadas de Christopher Sebastian, um show de marionetes sobre cultura de segurança e muito mais. O programa completo pode ser encontrado aqui:

https://animalliberationsummit.nl/program

O evento é pago e a doação sugerida para aqueles que podem pagar é de 5 a 10 euros. Isso não inclui as refeições, que devem ser pagas separadamente, com uma doação sugerida de 8 euros para cobrir café, almoço e jantar.

Mais informações práticas podem ser encontradas aqui:

https://animalliberationsummit.nl/practical-information

ATÉ VENCERMOS!

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beija flor perplexo
sem encontrar umidade
nem no bebedouro…

Haruko

[Vitória-ES] Primeiro de Maio de 2024: A classe explorada retoma as ruas!

Depois de muitos anos o centro da cidade de Vitória, Espírito Santo, viu novamente as bandeiras pretas e vermelhas do anarquismo tremularem. As companheiras e companheiros da Federação Anarquista Capixaba (FACA) se agrupavam e demais camaradas, inclusive de outras cidades, também chegavam ao ponto de encontro para o início da manifestação.

A energia subversiva já ecoava desde a concentração da marcha, onde as trabalhadoras e trabalhadores de diversos setores produtivos se faziam presentes, empunhando tambores,  gritos e bandeiras contra o sistema opressor em que vivemos.

A marcha tomou a direção do centro da cidade e, com irreverência e coragem, deixamos claro que as ruas pertencem à classe produtiva que, também em memória dos mártires de Chicago e tantos outros que tombaram nas lutas emancipatórias, vociferou seu desejo de uma ordem social libertária, livre das amarras do Estado e do Capital.

Logo depois da marcha, assistimos a uma excelente peça de teatro anarquista, realizada ali mesmo na rua, que contou com a assistência de populares e, sobretudo, crianças – uma oportunidade ímpar para difusão da ideia e cultura libertária.

Já era noite quando se iniciaram os debates sobre economias alternativas, práticas anticapitalistas, autogestionárias e horizontais, momento no qual ensinamos e aprendemos acerca da sociedade que tanto desejamos e lutamos para construir, destacando ainda nossa articulação federalista junto da Iniciativa Federalista Anarquista do Brasil (IFA BR) e da Internacional de Federações Anarquistas (IFA).

Um primeiro de maio de luto e de luta, diverso, profícuo e que a Federação Anarquista Capixaba espera que se repita por longos anos, espalhando a cada dia mais o espírito combativo entre as oprimidas e exploradas.

Federação Anarquista Capixaba – FACA

federacaocapixaba.noblogs.org

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sussurro sem som
onde a gente se lembra
do que nunca soube

Guimarães Rosa

[Espanha] Mais de 50 manifestações invisíveis ocorreram nas principais cidades neste 1° de Maio

Não, não estamos nos referindo àquelas convocadas pela UGT e CC.OO. que foram amplamente cobertas por todos os meios de comunicação e cujos principais líderes, Pepe Álvarez e Unai Sordo, tiveram todos os microfones e câmeras à sua disposição para não dizer praticamente nada; bem, eles disseram uma coisa: que um desses anos teremos – presumivelmente graças ao seu know-how nas negociações – pleno emprego, melhores salários e menos horas de trabalho. Boas notícias… se não fosse pelo fato de que eles intencionalmente se esquecem de reconhecer que foram os cortes, as reformas e os acordos assinados por essas duas organizações nas últimas décadas que nos trouxeram a esses níveis de insegurança no emprego, moderação salarial e atraso na idade de aposentadoria.

E já que as comitivas oficiais de sindicalistas foram vistas em profusão, o que deveria ser um pouco comentado são as manifestações que não pudemos ver; pelo menos na grande mídia, aquelas que são o paradigma da pluralidade de pensamento e da defesa dos valores democráticos. A primeira coisa que se poderia pensar (se fosse a primeira vez, o que não é o caso) é que se trata de manifestantes invisíveis, com bandeiras e faixas imateriais. Mas esse não é o caso, porque muitos meios de comunicação alternativos (até mesmo alguns dos meios de comunicação comerciais que não se consideram progressistas) os viram e contaram ao seu público sobre eles.

Houve mais de cinquenta manifestações protagonizadas pelo sindicalismo alternativo e pelos movimentos sociais, em várias cidades, com milhares de participantes e slogans muito mais contundentes do que os dos sindicatos de Sordo e Álvarez. É verdade que não havia ministros ou políticos conhecidos nessas procissões esquecidas, mas não faltaram trabalhadores indignados e seções sindicais de empresas em conflito. Também houve muita gritaria contra a guerra, pelos direitos das mulheres, por moradia digna e contra o racismo.

É verdade que já deveríamos estar acostumados com esse silêncio sistemático da grande mídia, já que sofremos com isso o resto do ano em relação aos comunicados, greves e outras atividades que realizamos cada vez mais. Sem ir mais longe, nestes dias ninguém (ou quase ninguém) quis saber que uma centena de sindicalistas da CGT ocupou a sede da organização patronal catalã Foment del Treball Nacional, que os trabalhadores da assistência domiciliar em Sevilha estão acampados há quase um mês para exigir melhorias, que os trabalhadores da rede H&M iniciaram uma greve por tempo indeterminado, e assim por diante.

Pode-se objetar que “este é o mercado, seus idiotas” e que as empresas de mídia são livres para informar o que quiserem e ignorar o que seus gerentes não gostarem. É discutível, mas de fato esse é o caso. Mas a chamada mídia pública faz exatamente o mesmo, e essas estações de televisão e rádio são pagas com o dinheiro de todos, incluindo o dinheiro daqueles de nós que não são membros ou entusiastas do sindicalismo majoritário.

Não é admissível argumentar que se fala sempre dos majoritários porque eles são muito grandes, já que eles provavelmente são a maioria justamente por causa do valioso apoio que os empregadores, o governo e a mídia estão dando a eles sem moderação. Pode-se até mesmo objetar que essa maioria não é assim em comunidades como Galícia, Euskadi ou Navarra, e que na Catalunha – apesar de ter mais representantes sindicais – eles têm sido superados há anos por sindicatos alternativos em conflitos trabalhistas e mobilização social.

Portanto, e como contribuinte forçado dos orçamentos do Estado, gostaria que a mídia pública admitisse e respeitasse a pluralidade sindical em nosso país e parasse de se comportar como se fosse o Pravda ou o Gramma do governo espanhol.

Antonio Pérez Collado

CGT-PVyM

Fonte: https://rojoynegro.info/articulo/mas-de-50-manifestaciones-invisibles-han-recorrido-las-principales-ciudades-este-1o-de-mayo/

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na barra sul do horizonte
estacionavam cúmulus
esfiapando sorvete de coco

Guimarães Rosa

Uma nova onda de repressão feroz em Cuba

Em 18 de agosto de 2022, cansados dos incessantes cortes de energia – que às vezes duravam até 18 horas por dia – e da escassez de alimentos, os moradores de Nuevitas, na província cubana de Camagüey, manifestaram-se nas ruas da cidade, gritando “O povo está cansado!”. Isso foi rapidamente seguido por “Liberdade!” e “Pátria e Vida” (“Patria y Vida!”), o slogan que se tornou comum a todos os protestos de rua, em oposição ao slogan oficial do regime, “Pátria ou Morte!”.

Vários manifestantes foram presos naquele mesmo dia e, no dia seguinte, a cidade de Nuevitas foi totalmente militarizada, impedindo a continuidade das manifestações.

As pessoas presas foram levadas ao tribunal provincial de Camagüey, e as sentenças acabam de ser proferidas, confirmando que o regime castrista só conhece uma resposta ao descontentamento do povo cubano: a mais dura repressão, como a que atingiu as muitas pessoas condenadas após as manifestações de grande escala em toda a ilha em julho de 2021.

A sentença mais pesada foi aplicada a Mayelín Rodríguez Prado, uma jovem de 21 anos na época dos eventos, acusada pelo tribunal de informar o público sobre a manifestação na rede social Facebook. Como resultado, ela foi condenada a 15 anos de prisão por “propaganda inimiga contínua” e “sedição”. José Armando Torrente Muñoz foi condenado a 14 anos de prisão por “sedição” e “resistência”.

Jimmy Jhonson Agosto e Ediolvis Marin Mora foram condenados a 13 anos de prisão por “sedição” e “sabotagem”. Lisdan Cabrera Batista, 11 anos de prisão por “sedição” e “outros atos contra a segurança do Estado”. Davier Leyva Vélez, Keiler Velázquez Medina, Menkel de Jesús Menéndez Vargas, Frank Alberto Carreón Suárez e Lázaro Alejandro Pérez Agosto foram condenados a 10 anos de prisão por “sedição”, delito por excelência mantido pelo regime cubano, que o utilizou amplamente contra os manifestantes em 11 de julho de 2021. Por fim, Yennis Artola del Sol terá de passar os próximos oito anos de sua vida na prisão por “propaganda inimiga contínua”, e Wilker Álvarez Ramírez, quatro anos.

Fonte: https://florealanar.wordpress.com/2024/05/01/nouvelle-vague-de-repression-feroce/

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/08/18/o-que-se-passou-em-cuba-aos-dois-anos-do-11j/

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rua em que nasci
as crianças riem
o riso do velho

Ricardo Portugal

[Suíça] Múmia livre já! No 70º aniversário de Mumia Abu-Jamal

Em 24 de abril de 2024, algumas pessoas reuniram-se para uma concentração pelo 70º aniversário de Mumia Abu-Jamal em frente à Embaixada dos EUA em Berna.

Mumia Abu-Jamal passou 42 (!) anos de sua vida nas prisões dos EUA. O jornalista e ativista escreveu vários livros desde dentro das prisões e foram publicadas gravações de áudio e textos seus. Ele completou 70 anos em 24 de abril de 2024.

Este discurso foi lido no protesto:

Mumia Abu-Jamal nasceu em 24 de abril de 1954 na Filadélfia. Aos 14 anos, tornou-se Pantera Negra e fundou uma associação local, tornando-se seu porta-voz. A partir de então ele foi monitorado pelo FBI.

Como locutor de rádio, editor e jornalista, criticou o racismo em sua cidade natal. E simpatizou com a organização “MOVE”.

Em 9 de dezembro de 1981, Mumia foi preso pelo assassinato de um policial. Após 15 dias de julgamento, durante os quais ele foi excluído a maior parte do tempo, foi finalmente considerado culpado em julho de 1982 e condenado à morte. Ele passou 27 (!) anos em confinamento solitário. No início da sua detenção, foi proibido de falar ao telefone com os filhos e a esposa porque se recusou a cortar o cabelo.

Da prisão, Mumia escreveu 11 livros, numerosos textos e ensaios, e foram publicados postcasts e outras gravações de áudio dele.

Em dezembro de 2001, um Tribunal Distrital dos Estados Unidos, em Filadélfia, anulou a pena de morte imposta a Mumia – ao mesmo tempo, o pedido de novo julgamento foi rejeitado e – depois de longas idas e vindas nos vários níveis da indústria prisional dos EUA – ele foi condenado à prisão perpétua em 2011.

Numerosas provas e depoimentos de testemunhas foram ignorados e por isso Mumia Abu-Jamal está na prisão há 42 anos! Anos de inocência nas celas da escravidão moderna nos EUA.

A saúde de Mumia atualmente é debilitada. Após uma cirurgia de coração aberto em 2021, foram negadas a Mumia pela administração penitenciária as medidas de reabilitação cardíaca, dieta saudável e exercício físico de que necessitava. Devido à pressão de um movimento de solidariedade a Mumia que existe há anos, algumas condições foram estabelecidas e implementadas, como uma alimentação mais saudável e um pouco mais de exercício.

Apesar das doenças, do esgotamento e da idade, Mumia Abu-Jamal continua a fazer campanha contra o racismo, o capitalismo e o encarceramento em massa nos EUA. Para ele, sempre foi uma questão de visão geral. Ele ainda é a voz fundamental da resistência – a Voz dos Sem Voz! Existem atualmente quase 2 milhões de pessoas encarceradas nos Estados Unidos. Todas elas são cifras para uma indústria prisional em constante crescimento – locais de escravatura moderna.

Hoje, no seu aniversário, vamos comemorar o trabalho de sua vida e seu espírito de luta.

FELIZ ANIVERSÁRIO MUMIA E, MUITO MAIS IMPORTANTE: MUMIA LIVRE JÁ – LIBEREM TODOS!

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/04/11/suica-berna-manifestacao-em-frente-a-embaixada-dos-eua-mumia-livre-ja/

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brasa do tempo
acende quando passas
no pensamento

Carlos Seabra

[Espanha] Crônica do ato de 1º de Maio celebrado em Puerto Real

No dia de ontem a Confederação Nacional do Trabalho de Puerto Real aderida à Associação Internacional de Trabalhadores, organizou uma conferência por causa do 1º de Maio em uma praça pública próxima a sua sede às sete da tarde; também se instalaram seis painéis com cartazes antigos alusivos ao primeiro de maio que foi muito visto e comentado pelo publico ali presente. Ao ato participaram mais de uma centena de pessoas que escutaram com atenção as intervenções do historiador José Luis Gutiérrez Molina e a do companheiro Pepe Gómez.

Em primeiro lugar, interveio José Luis dissertando sobre a origem do primeiro de maio, para em seguida, centrar seu discurso na análise da “Greve da Canadiense” realizada como um movimento reivindicativo que incluiu greves, boicotes e insubmissão civil, iniciada na empresa elétrica Riegos y Fuerza del Ebro, que começou em 5 de fevereiro de 1919 em Barcelona, dirigida pela CNT, como consequência da demissão de trabalhadores. Dita greve durou quarenta e quatro dias, paralisando a cidade, e setenta por cento de toda a indústria catalã. Constituiu um grande êxito do movimento obreiro espanhol e da CNT em particular, pois se conseguiram melhoras salariais, a readmissão de obreiros despedidos, a liberação de milhares de detidos durante o tempo que durou as paralisações e a implantação por lei, da jornada laboral de oito horas graças ao fortalecimento dos Sindicatos Únicos levado a cabo pela CNT.

Em seguida, interveio o companheiro Pepe Gómez da CNT-AIT local, analisando a situação atual de Puerto Real, como um povoado sem rumo, à deriva, dando razões dos diversos problemas que desde há muito tempo vem padecendo nosso povoado, como a transferência e fechamento de empresas, a falta de trabalho e de formação profissional para os jovens, além de denunciar as instituições locais por sua passividade e falta de iniciativas para solucionar os problemas que diariamente acontecem no povoado. Sem esquecer o trabalho que já realizamos, cumpridos 28 anos, por manter a memória de todos aqueles puertorrealeños que foram assassinados e os que sofreram ameaças, tortura e longas condenações de cárcere.

As duas intervenções foram gratamente recebidas pelo público participante.

CNT–AIT Puerto Real – Biblioteca “José Luis García Rúa”

Puerto Real, 2 de Maio de 2024.

Fonte: https://pacosalud.blogspot.com/2024/05/cronica-del-acto-del-1-mayo-celebrado.html

Tradução > Sol de Abril

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dia muito frio
o vento desalinha
a plumagem do passarinho

João Angelo Salvadori

[Rio Grande do Sul-RS] Quem lucra com a soja e o gado? que os ricos paguem pela crise climática

Eventos climáticos fazem parte do funcionamento natural do planeta. No entanto, a cada dia que passa, percebemos que o aumento em sua frequência, amplitude e impactos são diretamente afetados pelo sistema capitalista e sua lógica de lucro acima da vida.

A catástrofe ambiental que vivemos no Rio Grande do Sul hoje, possivelmente a maior já documentada no estado, é portanto um fenômeno social e político.

É social pois afeta majoritariamente os de baixo, comunidades indígenas e quilombolas, camponeses e o povo pobre do campo e da cidade. Enquanto isso, os de cima seguem usufruindo do conforto em suas fortalezas envidraçadas. Os latifundiários, coronéis da soja e do gado, que herdam seu patrimônio do sistema escravocrata, estão seguros com suas caminhonetes movidas a diesel.

A catástrofe é também um fenômeno político, pois é graças ao sistema capitalista internacional, aliado aos interesses econômicos dos Estados nacionais (sobretudo do norte global), que o extrativismo predatório e o agronegócio finca suas garras nos biomas e territórios para sugar até o último tostão que possam arrancar da terra. O Brasil, e particularmente o Rio Grande do Sul, são conhecidos “celeiros” que sustentam grande parte do agronegócio mundial com soja e gado. Derrubemos as paredes do celeiro da classe dominante!

Por isso gritamos QUE OS RICOS PAGUEM PELA CRISE CLIMÁTICA, já que são suas as empresas que invadem e exploram a terra, devastam florestas e poluem as águas.

Que os ricos paguem pela destruição impulsionada para manter seu parasitismo, seus caprichos, a concentração de poder, bens e capital em suas mãos. Que possamos arrancá-los de seu conforto diante do fim de mundo que nos impuseram!

Somente com auto organização, solidariedade e apoio mútuo conseguiremos atravessar esse período histórico que, sem ilusões, só vai se intensificar em direção a eventos cada vez mais extremos. Não podemos esperar a caridade hipócrita dos de cima! Façamos comitês de solidariedade, pontos de coleta, piquetes, mobilizações. Somente a ação direta popular dará combate verdadeiro a essa crise.

PARA SUPERAR A CRISE CLIMÁTICA É PRECISO DESTRUIR O CAPITALISMO!

ATRAVESSAREMOS A TEMPESTADE COM SOLIDARIEDADE E APOIO MÚTUO! SÓ O POVO SALVA O POVO!

QUE OS RICOS PAGUEM PELA CRISE CLIMÁTICA!

cabanarquista.org

agência de notícias anarquistas-ana

Até os pernilongos
Vão ficando silenciosos –
Como os anos passam…

Paulo Franchetti

“Não se trata apenas de destruir, mas também de construir um mundo novo”

A Federação Anarquista Capixaba (FACA) concedeu entrevista para a Agência de Notícias Anarquistas (ANA) em 29 de abril de 2024. Confira a entrevista a seguir.

Agência de Notícias Anarquistas > Bem, vamos começar nossa conversa com a pergunta de sempre. Como surgiu a Federação Anarquista Capixaba (FACA)? Em quê contexto? É uma federação de grupos ou indivíduos? 

FACA < A Federação Anarquista Capixaba (FACA) nasce em 2022. Somos um coletivo novo ainda. E esse nascimento se deu no contexto de reorganização do anarquismo no território dominado pelo estado do Espírito Santo. No início do século XX o anarquismo marcou presença nesta região, inicialmente a partir dos trabalhadores ferroviários da cidade de Cachoeiro de Itapemirim, e depois se expandiu para as demais cidades.

Porém com a repressão brutal, essa história foi apagada. Quase não existem registros históricos e somente após a ditadura militar de 1964 é que indivíduos começam novamente a se organizar. A cultura punk ajudou na divulgação do ideal, e aos poucos outros indivíduos se aproximaram, culminando na fundação da FACA, que é uma federação de indivíduos.

ANA > Vocês têm alguma federação como referência?

FACA < Na verdade não. Com toda certeza existiram e existem outras federações iguais ou semelhantes à nossa. Porém, a configuração de nosso coletivo se deu em razão da conjuntura local, como resposta diante de tal conjuntura

ANA > E estão implicados em quais lutas?

FACA < Hoje estamos em todo o Espírito Santo, com camaradas atuando junto ao movimento negro, movimento sindical e de bairro.

Esperamos que na medida em que formos crescendo, em todos os sentidos, possamos aprofundar e aprimorar nossa atuação. O Espírito Santo é um estado fortemente desigual, preconceituoso e violento, de maneira que temos inúmeras frentes de combate para atuar!

Cabe destacar que também estamos filiados à Iniciativa Federalista Anarquista do Brasil (IFA Brasil) e esta, por sua vez, à Internacional de Federações Anarquistas (IFA), o que nos mantém em contato e articulação com diversos grupos pelo Brasil e Mundo.

ANA > Não faz muito tempo os grupos anarquistas eram dominados por homens, eles eram maioria. Na composição da FACA há um equilíbrio entre homens e mulheres?

FACA < Sem sombra de dúvidas isso é uma questão importante! Porém, infelizmente, hoje esse desequilíbrio existe em nossa federação na medida em que a maioria das pessoas são homens. Porém, estamos trabalhando ativamente para resolver essa questão!

ANA > Há projetos da FACA para ter um espaço próprio, algo como um Ateneu? Daria um impulso no trabalho de vocês, não?

FACA < Sim! Isso está em nosso radar. Sabemos que para tirar isso do papel precisamos de uma organização condizente e pessoas suficientes dispostas a trabalhar nesse sentido. Acreditamos que no médio prazo esse objetivo poderá ser alcançado.

ANA > Quais os grandes desafios da FACA? Existe uma meta de crescimento?

FACA < O Espírito Santo é um território, que apesar de se encontrar no sudeste do país, tido como a região mais desenvolvida, é na verdade um estado coronelista controlado por famílias tidas como “tradicionais” e poderosas. As instituições repressivas (igreja, Estado, polícia…) não pensam duas vezes em reprimir de todas as formas qualquer espécie de dissidência. Então, como primeiro grande desafio, a FACA trabalha para resgatar uma cultura de resistência, anticapitalista e antiestatista, que é condizente com o nosso ideal anarquista.

Trabalhamos para difundir o anarquismo não apenas no aspecto teórico, mas também desejamos iniciativas práticas, concretas e populares. Ou seja, nosso intuito é criar formas de resistência no hoje, no agora, para que as exploradas e explorados possam somar e ver que uma vida fora dos partidos políticos, do Estado e do capital é possível.

Assim, esperamos crescer de maneira consistente na medida em que nossos projetos também cresçam.

ANA > Quais os grandes problemas ambientais hoje no Espírito Santo? Desmatamento, monocultura, pecuária, mineração…

FACA < O território do Espírito Santo é um grande fornecedor de commodities. No norte do estado, a exploração da monocultura do eucalipto degrada os ecossistemas, em especial o solo, o ar e a vida das pessoas. As comunidades tradicionais quilombolas, por exemplo, sofrem imensamente com o cercamento de suas terras pelos “desertos verdes” de eucaliptos, destruição das fontes de água e aniquilamento alimentar.

O café desempenha um papel importante, junto com a pecuária, para também degradar o que resta de matas. Sem falar nos problemas causados pelos agrotóxicos.

O rio doce, que passa por Minas Gerais e termina no Espírito Santo, está morto desde a tragédia de Mariana. Todos os afetados, até a presente data, nada receberam e se viram como podem para sobreviver, já que a pesca (e muitos dependiam dela) deixou de ser uma opção.

A mineração também compõe grande parte do PIB do estado, disseminada por todo o território, mas com intensidade mais notada no Sul, especialmente em Cachoeiro de Itapemirim, que é tida como a capital mundial do mármore e granito, o que já evidencia como a atividade mineradora é forte na região.

E é no meio de tudo isso que a FACA se levanta, com uma proposta radicalmente contrária ao rumo da economia e política capitalista que contamina, destrói e mata!

ANA > Como vocês avaliam o Governo Lula 3? Está pior que a encomenda? (risos)

FACA < A esquerda institucional é apenas uma face do capital, com eco parlamentar. Eles estão à esquerda do capital, mas não contra o capitalismo. É sempre bom deixar isto claro.

Lula é apenas mais um (e não será o último) que canalizou as expectativas das trabalhadoras, fazendo carreira política e contribuindo para o fortalecimento do estado burguês e da economia capitalista. Esperar qualquer “virada de chave” socialista, ou revolucionária, do PT ou de Lula é um devaneio. Não existe qualquer adesão de tal tese à realidade material – e por isso, os webanarquistas que votaram (seja lá em quem for), cometeram um erro terrível.

E afirmamos isso, porque votar é legitimar o Estado. Ao invés de votar, o que essas pessoas fazem no cotidiano para criar alternativas ao Estado? Alternativas contra o Estado e o Capital? É uma questão para refletir…

ANA > Falando em “anarcovotantes”… Além de votar no Lula para “barrar o fascismo”, alguns também defendiam a “democracia”, o “estado de direito”, que a “democracia estava sob risco” com Bolsonaro. É muito anacronismo defender essa tal “democracia”, esse show de horrores, não?

FACA < De fato. Nos parece que ou carece formação acerca do que é o anarquismo, ou falta boa-fé. O suposto “estado de direito” e suas parafernálias é o direito da burguesia, da classe dominante que lá longe nas revoluções burguesas conseguiram se impor, continuando a nos explorar até hoje. Parece redundante, mas o direito burguês não é o direito dos explorados, é, na verdade, o direito SOBRE os explorados.

A verdadeira mudança social, econômica e política ocorrerá quando as instituições capitalistas, estatais, autoritárias deixarem de existir. E não é votando e validando tais instituições que nós conseguiremos isso.

ANA > No geral, as ideias anarquistas continuam carregadas de sentido, radicalidade, lucidez… Mas porque cargas d’água no mundo real ela não cresce firmemente, se fortalece? (risos)

FACA < Pergunta interessante. Acreditamos que as causas são várias, como a própria concepção do que é anarquismo é variada.

Nossa federação acredita na criação de iniciativas, de espaços e de vivências contra o Capital e o Estado são fundamentais para a transformação social. Não se trata apenas de destruir, mas também de construir um mundo novo. Não se trata apenas de criticar (que é muito fácil), se trata de colocar a mão na massa e fazer!

ANA > Seguindo a linha da outra pergunta…. Custo de vida alto, projetos ecocidas, corrupção, desigualdades gritantes, violência policial de Norte a Sul. Aliás, a polícia brasileira é uma das que mais matam no mundo! Enfim, por que o brasileiro comum não se revolta? Não vemos protestos massivos e duradouros nas ruas? Que mistério é esse? (risos)

FACA < A falta de perspectiva, de ideias de mudanças sociais palpáveis, bem como a repressão brutal que qualquer levante enfrenta no Brasil conversa diretamente com essa pergunta.

Para além disso, não podemos subestimar a alienação, a domesticação da revolta e o desserviço COTIDIANO que a esquerda institucional e os marxistas fazem.

Por tudo isso e muito mais, no geral, para dizer o mínimo, as brasileiras e brasileiros são céticos quando apresentamos uma ideia de outra organização social. Somente com muita paciência, persistência e resiliência é que poderemos alterar essa conjuntura que nos é amplamente desfavorável…

ANA > É isso. Valeu, longa vida à FACA! Algum recado final?

FACA < Agradecemos o espaço e agradecemos a paciência conosco! Saudamos todas e todos camaradas por aí e visitem o nosso blog. Sempre publicamos algo por lá! Saudações libertárias! Vida longa à ANA também!

Contato: fedca@riseup.net

Blog: https://federacaocapixaba.noblogs.org/

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agência de notícias anarquistas-ana

Vento nas montanhas –
vê como as flores ao cair
se juntam na água

Sutejo

[Espanha] Crônica do Primeiro de Maio 2024 em Ciudad Real

Umas 200 pessoas foram à manifestação em Ciudad Real por causa da comemoração do 1º de Maio, Dia Internacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras, convocada pela Confederação Nacional do Trabalho (CNT), este ano com o lema “Não deixaremos que acabem com tudo. Construamos juntas um mundo melhor”.

O percurso como em anos anteriores, partia da plaza de las Terreras, onde uma companheira nos falou do sistema capitalista que nos explora, explora os recursos naturais, degradando o meio ambiente, de uma classe política corrupta e elitista (seja da cor que for) que destrói o público, ignora nossas necessidades e que nos arrasta a genocídios e a guerras, e de uma sociedade teledirigida e manipulada que discrimina, marginaliza e exclui os mais vulneráveis e de como a CNT com seu anarcossindicalismo de ação direta junto à força da classe trabalhadora são a alternativa para combater essas ameaças.

A marcha continuou seu percurso pelas ruas do centro da capital, entre cânticos e gritos animando a despertar consciências e rebelar-se contra quem gera as injustiças que sofrem dia a dia. Em vários pontos do percurso fizeram paradas para a leitura de diferentes comunicados a cargo de coletivos sociais de Ciudad Real que quiseram participar, tratando-se temas como: a precariedade laboral, os conflitos armados e a deriva armamentista, o genocídio do povo palestino ou o novo Pacto Europeu de Migração e Asilo.

Para finalizar, na plaza del Pilar, foram lidos dois comunicados e De Pitarra Ska se encarregou de fechar esta jornada reivindicativa e de luta com três de suas canções, “Hoy mirando mañana llorando”, “Solo nos queda luchar” e “Furia Libertaria”.

ciudadreal.cnt.es

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

no parque vazio
duas árvores abraçam-se
em prantos de chuva

Eugénia Tabosa

1° de Maio de 2024: um dia de luta e reivindicações na maioria das cidades da Espanha, uma onda imparável de anarcossindicalismo

Desde a Confederação Geral do Trabalho (CGT), avaliamos de forma muito positiva o que aconteceu ontem em muitas cidades da Espanha, onde o sindicalismo e as lutas sociais se fizeram ouvir com força. Denunciamos a repressão violenta contra a manifestação em Castelló.

Ontem, em muitas cidades e vilas da Espanha, a CGT levantou sua voz com uma exigência clara: “Recupere sua vida. Pela redução da jornada de trabalho sem perda de salário”. Um apelo pela qualidade de vida que merecemos como classe trabalhadora, uma redução da jornada de trabalho que nos permita recuperar nosso tempo. No apelo, falamos, entre outras coisas, sobre melhorar a saúde física e mental da classe trabalhadora, reduzindo o estresse relacionado ao trabalho e os acidentes de trabalho. Além disso, uma medida para acabar com a diferença salarial, para nos aproximar da igualdade real das condições de trabalho para todos os trabalhadores e para igualar as oportunidades de desfrutar de melhores condições de trabalho. Felizmente, nossa mensagem de ontem chegou a muitas pessoas, em muitos lugares e em muitos idiomas. A luta pelo tempo de trabalho está na agenda dos movimentos que lutam pela transformação social.

Nesse contexto de reivindicações, queremos destacar a grande participação que nossas convocatórias tiveram, em alguns casos com uma presença impressionante de companheiros cegetistas. Em Valência, Barcelona, Sevilha, Valladolid, Zaragoza, Corunha e Madri, para citar apenas alguns exemplos, as bandeiras da CGT foram agitadas por milhares de pessoas que encontraram seu espaço de militância no sindicalismo combativo que representamos. Além disso, essa presença foi acompanhada, em muitos casos, pela companhia de outras organizações anarcossindicalistas e movimentos sociais em um abraço compartilhado que é uma ótima notícia para todos. Esse caminho de unidade de ação que percorremos gera uma excelente atmosfera quando nos vemos nas ruas.

Para Miguel Fadrique, Secretário Geral da CGT: “As mobilizações nas quais a CGT participou em toda a Espanha tiveram um forte apoio, o que demonstra que o sindicalismo classista e militante é uma aposta cada vez mais forte entre a classe trabalhadora”. E acrescenta: “Este ano, nossa principal reivindicação foi a redução da jornada de trabalho, mantendo o mesmo salário, uma proposta que a CGT vem apresentando há anos e que está muito longe da proposta morna do governo, que pretende subsidiar as empresas para que a realizem. A CGT tem certeza de que somente a unidade da classe trabalhadora e uma forte mobilização alcançarão esse objetivo.

O Secretariado Permanente da CGT, além de parabenizar todos os militantes que participaram ontem de todas as manifestações, quer denunciar o que aconteceu ontem em Castelló, cidade onde recentemente houve um ataque de grupos nazistas contra uma festa popular e antifascista e onde ontem foi diretamente a polícia que tentou interromper a manifestação do 1° de Maio. O que aconteceu nos parece extremamente grave, produto, aliás, de uma Lei da Mordaça que o “governo progressista” mantém e que concede impunidade às forças policiais que aplicam com base em abusos e violência. Uma ação que, como denunciou a CGT Castelló em um comunicado, foi “premeditada” e claramente “uma provocação”. Que aqueles que querem tencionar e atacar nossos protestos saibam que não seremos derrotados. Não estamos aqui para desfilar faixas e lançar cantos de sirene, não estamos aqui para sermos intimidados por mordaças e cassetetes, não estamos aqui para tirar fotos com ministros, como outros sindicatos fizeram ontem, nem para nos envolvermos com nossas próprias vantagens. Estamos aqui para crescer como organização, ganhar tempo para viver, acabar com a injustiça e lutar pela libertação da classe trabalhadora. Com uma visão coletiva, com uma leitura libertária, com uma prática feminista e um senso internacionalista.

Estamos felizes que ontem tenha sido um dia de sucesso, organizado com movimentos coletivos e sindicatos com os quais estamos na mesma sinergia de luta. Ontem foi um alegre 1° de Maio, mas, acima de tudo, um dia de protesto. No qual não podemos esquecer o que está acontecendo em muitos locais de trabalho e empregos, desde a luta dos companheiros do SAD em Sevilha, até o que está acontecendo nas Carrocerias da Renault, a luta pelo emprego permanente dos trabalhadores temporários, as reivindicações dos trabalhadores da hotelaria e do comércio, a luta por uma educação pública de qualidade ou a exigência de uma aplicação imediata dos coeficientes para reduzir a idade de aposentadoria em profissões com riscos para a saúde. Tudo isso e muito mais estava nas ruas da Espanha ontem. Também nossa indignação pelo genocídio consentido contra o povo palestino, que não deixaremos de denunciar.

Viva a luta da classe trabalhadora!

Basta de repressão contra o sindicalismo combativo!

Viva o 1° de Maio!

TRABALHAR MENOS PARA TRABALHAR TODAS!

Secretariado Permanente da CGT, 2 de maio de 2024

cgt.org.es

agência de notícias anarquistas-ana

Sobre verde imenso
um ponto saltitante
pássaro cantante

Winston

[Galícia] Crônica do 1 º de Maio em A Corunha

Sob o lema CONTRA O GENOCÍDIO DO POVO PALESTNO, A MILITARIZAÇÃO E A GUERRA, cerca de 1.000 pessoas participaram da manifestação de 1º de maio, convocada em A Corunha pelos sindicatos CGT, CNT, CUT e Sindicato da Elevación, que saiu às 12h30 da Praça Pontevedra. Durante o percurso, foram entoados gritos reivindicativos alusivos à data e à convocação. A manifestação terminou às 13h00 no Campo da Leña, onde foi lido o seguinte manifesto:

Companheiras e companheiros:

Apesar das mensagens triunfalistas do atual governo, a situação da classe trabalhadora continua a se agravar.

A reforma trabalhista, aprovada na legislatura anterior, mal recuperou alguns dos direitos retirados nas reformas trabalhistas anteriores, em um trabalho que, ao contrário, consolidou a maioria dos direitos subtraídos, entre os quais o barateamento da demissão, tanto em dias como a manutenção da eliminação do salário em tramitação. Para comprovar isso, basta ver quem aplaudiu a reforma: sindicatos do regime, empregadores, bancos, organizações liberais internacionais e outras desgraças do mesmo gênero.

Os números oficiais podem falar em aumento do emprego ou diminuição do emprego temporário, mas o fato é que a precariedade aumentou, as demissões são as mesmas e o poder de compra despencou para a maioria da população.

A pesar do aumento do Salário Mínimo Interprofissional, a realidade que vemos todos os dias é que são cada vez mais as famílias com sérias dificuldades para chegar ao fim do mês ou as pessoas que tendo um trabalho não alcançam a cobrir o custo dos alugueis, em um contexto onde todas comprovamos de que modo subiram os preços do mais básico, da comida ou dos combustíveis.

Nem a reavaliação das pensões de acordo com o IPC, nem os aumentos acordados em acordos coletivos (para aqueles que os têm) aliviaram a perda de renda da classe trabalhadora.

Em um cenário em que as crises estão ocorrendo cada vez mais rapidamente e atingindo cada vez mais duramente, a transferência de riqueza dos mais pobres para os mais ricos está se intensificando. A classe social capitalista não para de aumentar sua renda e riqueza. Eles multiplicam obscenamente seus lucros enquanto o restante da população fica mais pobre.

Hoje, na comemoração do crime ocorrido em 1886 em Chicago, devemos nos lembrar com solidariedade daqueles e daquelas trabalhadoras e trabalhadores que estão sofrendo repressão e perseguição por confrontar esse regime injusto. Em Ferrol, Cádiz, Xixón ou Granada, lembramos que “o governo mais progressista da história”, apesar de suas promessas, mantém em vigor a Lei da Mordaça, que qualifica como crimes as opiniões contrárias ao regime e permite a impunidade dos órgãos repressivos, em consonância com a tendência autoritária dos governos em todo o mundo.

Se olharmos ao nosso redor, as coisas não estão indo muito melhor. O capitalismo fomenta guerras descaradamente em nosso mundo exausto com o único objetivo de tirar o máximo proveito dele, mesmo que isso cause a morte de milhares de pessoas. É essencial denunciar o genocídio do povo palestino pelo Estado assassino de Israel, apoiado por potências às quais a humanidade é alheia. Pedimos ao governo espanhol que pare de falar da boca para fora e tome medidas efetivas contra o Estado sionista, inclusive deixando de lhe vender armas.

Não nos esqueçamos da invasão russa à Ucrânia há mais de dois anos, em uma guerra que ainda destrói vidas, enquanto as potências ocidentais difundem a necessidade de rearmamento entre a população, espalhando o medo para aumentar os gastos bélicos e a militarização das fronteiras sem oposição, e até mesmo deixando de lado a necessidade do serviço militar obrigatório, em uma intolerável promoção do militarismo.

O modelo capitalista tem nos levado a perpetuar uma injusta distribuição de riquezas, tornando os ricos cada vez mais ricos, em detrimento da maioria da população, de seus direitos e até mesmo da saúde do planeta.

Só podemos nos unir para enfrentar a depredação selvagem desses poucos. Nossa organização como classe é a única alternativa segura diante do desastre previsto. Está em nossas mãos construir um novo mundo, sem explorados ou exploradores, sem guerras ou pobreza, respeitando nosso ambiente natural, preservando o futuro das gerações que nos seguirão.

O altruísmo contra o egoísmo, a solidariedade e a generosidade contra a ambição desmedida, a vida contra a morte, o apoio mútuo em oposição à competição estúpida entre iguais. É hora de nos mexermos, de dizer basta. É hora de lutar.

VIVA A LUTA DA CLASSE OBREIRA!

CONTRA O GENOCÍDIO DO POVO PALESTINO, O MILITARISMO E A GUERRA!

VIVA O PRIMEIRO DE MAIO!

Comitê Local da Coruña da CGT

cgtgalicia.org

agência de notícias anarquistas-ana

Frases compostas
no sol que passeia
sob minha caneta.

Jocelyne Villeneuve

[País Basco] A CNT saiu às ruas por um novo mundo

O Primeiro de Maio reuniu membros da CNT ao meio-dia, numa manifestação em Donostia. Eles começaram e terminaram a passeata na avenida Principal, com o slogan “Um novo mundo em nossos corações”. Antes disso, montaram um posto de informação em frente ao restaurante McDonald’s em Bulebar, onde realizaram a cerimônia de encerramento.

“Dizemos basta desde a CNT. Não podemos aceitar a destruição do nosso mundo, da nossa dignidade, do nosso futuro”, disseram. Acrescentaram que a ameaça tem “muitas faces”: “Por um lado, o sistema capitalista que nos explora, que esgota os recursos naturais e destrói o meio ambiente, já pagamos as consequências sem nossa culpa. Por outro lado, de uma classe política corrupta e elitista que destrói a esfera pública, ignora as nossas necessidades e nos leva a genocídios e guerras, sempre em seu próprio benefício e negócio. Também de uma sociedade que discrimina, ignora e exclui os mais fracos”.

Eles destacaram que a CNT cresce a cada dia: “Mesmo que tenham tentado nos silenciar centenas de vezes, estamos cada vez mais presentes nas lutas, nas greves, nos locais de trabalho. A bandeira confederada vermelha e preta fica onde há uma disputa trabalhista, onde qualquer um de nós exige o que é justo”.

Além disso, afirmaram que as suas lutas e reivindicações são “mais necessárias do que nunca”: “Defendemos condições de trabalho dignas, salários justos e direitos sindicais para uma sociedade baseada na igualdade, na solidariedade e na protecção mútua. Por uma sociedade capaz de resistir ao autoritarismo. Por um mundo em que vale a pena viver. Devemos lembrar que não existe outro mundo, apenas outras formas de viver”.

Terminaram o evento com esta frase: “Estão nos levando para o desastre. Vamos construir um mundo melhor juntos.”

agência de notícias anarquistas-ana

Bashô baixou
no poeta do axé.
Arigatô, oxumaré.

Rogério Viana