[Kosovo] Feira do Livro Anarquista dos Bálcãs 2024

Temos o prazer de anunciar que a 16ª edição da Balkan Anarchist Bookfair será realizada em Prishtina, Kosovo, de 5 a 7 de julho de 2024. A BAB é uma plataforma para promover livros, trocar informações e ideias, criar novas iniciativas e fortalecer organizações. A BAB representa a solidariedade, a resistência e a colaboração nos Bálcãs há mais de 20 anos.

A BAB chega em um momento crucial, quando o capital está passando por uma crise, os fogos da guerra estão se alastrando pelo mundo e o fascismo está se espalhando. Os Estados estão se tornando mais militarizados e as populações estão cada vez mais policiadas, separando comunidades e laços de solidariedade. Com qualquer tipo de dissidência oprimida, o capital corre livremente, sempre expandindo para novas fontes de exploração.

Os Bálcãs não são exceção. Estamos testemunhando a crescente militarização dos países dos Bálcãs, com estoques cada vez maiores de armas e tecnologias. O interesse nacional e o nacionalismo racial têm sido usados para justificar métodos mais opressivos de controle populacional, que muitas vezes prejudicam as minorias étnicas, sociais e políticas. O poder político tem se concentrado e a repressão política tem se tornado mais aberta. As organizações políticas foram enfraquecidas pela criação de ONGs, refletindo a lógica do neoliberalismo.

Ao mesmo tempo, o patriarcado cria um ambiente hostil para todos, especialmente para as mulheres e a comunidade LGBTQI+. Há cada vez mais casos de mulheres sendo mortas e atacadas, e isso acontece em público e em particular. Essa mesma lógica patriarcal também leva ao extremismo religioso, o que piora a situação.

Os Bálcãs são importantes na política global. A OTAN e a Rússia têm grande influência lá. A região também foi afetada pelas reformas neoliberais. Essas reformas deram acesso ao capital internacional, principalmente da UE, da China e da Turquia. Isso levou ao controle da infraestrutura pública por esses países. Os Bálcãs estão conectados aos mercados internacionais e agora também estão conectados ao controle da população e do movimento para o benefício do capital. Os Bálcãs estão se tornando uma base para o controle de migrantes, com centros de detenção como o planejado na Albânia em nome da Itália.

Como anarquistas, sempre trabalhamos além das fronteiras, criamos solidariedade e resistimos à opressão. Hoje, precisamos encontrar nossa força e responder à opressão.

Convocamos as editoras e iniciativas anarquistas, bem como todos os movimentos anarquistas e antiautoritários internacionais dos Bálcãs e de outros países a planejarem sua participação na BAB2024 em Prishtina. Convidamos todas as pessoas e grupos interessados a participar da organização do evento.

Para obter mais informações, entre em contato conosco pelo e-mail bab2024@riseup.net ou acesse bab2024.espivblogs.net.

A Assembleia da Feira do Livro Anarquista dos Bálcãs 2024

bab2024.espivblogs.net

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

se andava no jardim
que cheiro de jasmim
tão branca do luar

Camilo Pessanha

Solidariedade e apoio integral às 6 de La Suiza

A Federação Anarquista Capixaba (FACA), enquanto secretariado da IFA Brasil, compartilha a nota abaixo:

Camaradas,

Desde a Iniciativa Federalista Anarquista do Brasil (IFA Brasil), nos solidarizamos inteiramente com a difícil conjuntura suportada pelas camaradas da Confederação Nacional do Trabalho (CNT) Xixón de La Suiza.

Após tomarmos ciência da absurda decisão judicial, que conduzirá nossas camaradas à prisão, prolatada e confirmada neste 24 de junho pela Suprema Corte Espanhola, fica claro que o Estado e o Capital neste território entendem e vociferam claramente que lutar por seus direitos é um crime, tentando usar as seis companheiras como exemplo, com a intenção de amedrontar e calar a voz de todas oprimidas.

Para além disso, as estruturas de dominação espanholas e europeias deixam transparecer mais uma vez, sem qualquer pudor, que o sindicalismo deve ser combatido e criminalizado em todas as suas faces, principalmente naquela anarcossindical.

De outro lado, saibam camaradas, que vocês não estão sozinhas e nossa luta e resistência é global!

Se tocam em uma, tocam em todas!

LIBERDADE PARA AS SEIS DE LA SUIZA!

SINDICALISMO NÃO É CRIME!

PELA ANARQUIA E PELA REVOLUÇÃO SOCIAL!

Iniciativa Federalista Anarquista do Brasil (IFA Brasil)

federacaocapixaba.noblogs.org

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agência de notícias anarquistas-ana

lâmpada queimada
onde está a luz
que ali brilhava

Alexandre Brito

[Espanha] CGT mostra sua solidariedade com o povo do Quênia

“Tiveram que morrer assassinadas 23 pessoas para que o presidente voltasse atrás em sua reforma econômica com a qual pretendia encarecer produtos de primeira necessidade”.

A organização anarcossindicalista seguiu com atenção o desenvolvimento das mobilizações, protagonizadas principalmente por jovens da chamada “geração Z” (nascidos entre 1995 e 2010), cansados de viver na incerteza econômica.

No Quênia a juventude disse “basta”.  Saiu à rua e mostrou toda sua raiva contra a equipe do presidente William Routo – empresário e “político profissional” com uma longa carreira e experiência em cargos de responsabilidade. As mobilizações terminaram com acusações policiais, mas também com a vida de 23 pessoas. E também há dezenas de feridos em vários graus. O presidente não teve mais remédio que voltar atrás na aprovação desta polêmica lei econômica que, através de uma alta nos impostos, iria encarecer produtos de primeira necessidade, como o pão ou o transporte público entre outros.

As pessoas ocuparam a rua e tentaram acessar o interior do edifício do parlamento. Milhares de pessoas puseram seu corpo diante da polícia, sem mais uniforme que a raiva, o descontentamento e a desilusão. O resultado, por desgraça e como sempre, foi a morte de várias pessoas enquanto lutavam contra as injustiças sociais e a miséria que teriam que suportar (mais ainda) as classes mais vulneráveis da sociedade queniana.

As pessoas têm direito a sobreviver e está cansada de não ter um futuro, de olhar a este desde a instabilidade e a pobreza. Por isso, o rechaço total a esta lei econômica e o consequente aumento dos impostos foi generalizado. As ruas de Nairóbi, a capital do país africano, se agitaram com manifestantes solidários frente ao poder de turno. Chegar até as mesmas portas do parlamento, tentar acessar a ele, é uma mostra inequívoca de onde está o verdadeiro motor da mudança em nossas sociedades: na conscientização de que somos uma só classe, a classe trabalhadora. E como tal deveríamos nos organizar, porque é a única via que nos resta para fazer valer nossos direitos e liberdades, para melhorar nossas condições e estabelecer as bases de uma sociedade diferente para as gerações futuras.

O Executivo de W. Ruto, por sua parte, respondeu como o fazem sempre os burgueses assustados: com a repressão, com o exército, com sua polícia. Após exercer a violência mais cruel sobre seu próprio povo, assassinar a 23 seres humanos e ferir a outros muitos, anunciou cinicamente que “retira sua reforma econômica porque escutou a cidadania”. No entanto, no Quênia o descontentamento é generalizado desde há muito tempo, e desde o povo se criticou duramente os desperdícios econômicos que a classe política leva a cabo à custa da vida das pessoas mais vulneráveis.

Desde a CGT, através de sua Secretaria de Relações Laborais, se condenou a repressão exercida sobre os quenianos e quenianas, e frisa a importância da conscientização e da organização desde baixo, sem líderes nem partidos, de quem não tem mais saída que a ação direta.

Secretaria de Relações Internacionais da CGT

cgt.org.es

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

Flores no jardim.
Uma abelha pousa aqui
e depois se vai.

Sérgio Francisco Pichorim

[França] Leia Jim Donaghey: Vodka Bakunin: punk e anarquismo

A muito jovem editora BPM, que “se propõe a criar um espaço editorial propício a uma reflexão sobre as conexões entre a questão política e a música, em todas as suas formas”, lançou uma estimulante fogueira assinada por Jim Donaghey, punk e também pesquisador em ciências sociais.

Punk e anarquismo, nada poderia ser mais óbvio para alguns(umas). Anarquia no Reino Unido pelos Sex Pistols, lançado no final de 1976, é tradicionalmente considerada a certidão de nascimento (oficial) do punk. E, no entanto, se você ouvir (ou ler) as letras mais de perto, a “visão” do anarquismo que é entregue ali é uma caricatura e não tem nada a ver com práticas libertárias. Da mesma forma, o título, Bakunin Vodka, refere-se a uma frase de Penny Rimbaud, baterista da banda Crass – um coletivo punk com práticas libertárias reivindicadas, precursor do anarcopunk – que, a propósito do anarquismo, disse certa vez: “Se alguém tivesse nos falado sobre Bakunin, provavelmente teríamos pensado que era uma marca de vodka”.

Será esta a derradeira provocação punk ou uma admissão da distância entre punks e anarquismo?

Sem dúvida, havia ambos nessa boa palavra. Mas Jim Donaghey, embora reconheça a ignorância das bases ideológicas do anarquismo entre os primeiros punks, reconhece que eles praticavam um “anarquismo primitivo”.

É, portanto, em busca desse “anarquismo punk” que o autor nos convida em uma curta, mas rica em referências, exploração das ligações entre punk e anarquismo no período 1976-1980. Uma viagem em cinco partes: estratégia de choque, ressaca hippie, anarquismo oposicionista, necessidade prática e crítica ao Estado, em que Proudhon, Murray Bookchin, The Clash, D.O.A. e os Dead Kennedys se encontram.

Sem tentar ver por trás de cada punk um anarquista, Jim Donaghey está interessado nos pontos de convergência. Há uma óbvia, a cultura DIY (Do It Yourself), fortemente popularizada pelas bandas punk, “não é uma expressão inovadora da autogestão libertária e do controle dos meios de produção por aqueles que produzem?

David (UCL Savoies)

  • Jim Donaghey, Vodka Bakunin. Punk e Anarquismo (tradução de Doroteja Gajić e Julien Bordier), BPM Editions, abril de 2024, 112 páginas, 8 euros

Fonte: https://www.unioncommunistelibertaire.org/?Lire-Jim-Donaghey-Bakounine-Vodka-punk-et-anarchisme

agência de notícias anarquistas-ana

No dedão vermelho
Lateja meu coração —
Ferrão de abelha

Neiva Pavesi

[Reino Unido] Sindicalismo não é crime! Solidariedade com as 6 de La Suiza – IWW (WISE-RA)

Companheiras,

Desde o sindicato IWW-Administração Regional de Gales, Irlanda, Escócia e Inglaterra (ou WISE-RA), gostaríamos de estender nosso amor e solidariedade neste momento difícil as companheiras da CNT Xixón de La Suiza. A decisão adotada pela Suprema Corte na segunda-feira, 24 de junho de 2024, é um ataque, não apenas as seis sindicalistas da Confederação Nacional do Trabalho (CNT), mas um ataque a todos nós.

A decisão significa que, como ativistas sindicais, todos somos alvo da repressão por parte do Estado que protege o capital. Como sindicato, não apenas condenamos essa grave violação de direitos, mas também conclamamos todas as pessoas da classe trabalhadora que lutam para defender seus direitos e a justiça social a se posicionarem contra aqueles que desejam acusar o movimento trabalhista de comportamento criminoso.

É crime se opor à intimidação, ao assédio ou ao roubo de nossos salários? Acreditamos que não! Pedimos o fim do assédio aos ativistas sindicais. Exigimos uma retirada imediata e o fim das falsas acusações.

Ao estender nossa solidariedade a todas e a cada uma das 6 de La Suiza, ecoamos o apelo de que vocês não estão sozinhas. Vocês não estão sozinhas porque a IWW (WISE-RA), uma organização irmã da CNT dentro da Confederação Internacional do Trabalho, está com vocês na luta porque, se tocam em uma, tocam em todas nós!

Solidariedade.

iww.org.uk

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A rua apinhada
E nos passos apressados
As pessoas solitárias…

Débora Novaes de Castro

[Reino Unido] Chamada para solidariedade com o anarquista encarcerado Toby Shone

20 de junho de 2024

Toby Shone é um prisioneiro anarquista e membro do IWW Incarcerated Worker’s Organising Committee (IWOC) que está preso no HMP Garth, no Reino Unido.

Toby tem sido repetidamente assediado e submetido à repressão e ao aumento do isolamento pelo sistema prisional porque se recusou a ficar em silêncio sobre suas crenças políticas. Inicialmente, ele foi mantido na HMP Bristol, mas depois foi transferido para Garth para impedir o contato pessoal e a solidariedade de amigos e apoiadores. As correspondências de Toby têm sido rotineiramente retidas e vários contatos, inclusive representantes sindicais da IWOC, foram proibidos de qualquer forma de comunicação com ele.

O chefe de segurança do HMP Garth alega que essas restrições são uma questão de “segurança nacional”. No entanto, está claro que, na realidade, essa é apenas uma tática de repressão para impedir que informações sobre as condições dos prisioneiros sejam compartilhadas com organizações como a IWOC e a Cruz Negra Anarquista.

Toby participou recentemente da conferência anual da IWW 2024 por meio de uma mensagem de voz gravada por um representante sindical da IWOC. Toby falou sobre a importância de desenvolver nossa capacidade e apoio para a luta abolicionista dentro do sistema prisional do Reino Unido e, em particular, pediu uma campanha contra a exploração do trabalho dos prisioneiros e para enfrentar as condições terríveis.

Devido às suas crenças e à sua participação no sindicalismo, Toby foi isolado de muitos de seus amigos e contatos.

A IWW condena veementemente as ações das autoridades prisionais por sua perseguição a Toby Shone.

Salientamos que todo trabalhador, inclusive os milhares de presos, deve ter o direito de ser membro e participar dos sindicatos. Isso deve incluir a possibilidade de falar com um representante sindical de sua escolha.

Pedimos aos nossos membros, amigos e aliados que demonstrem solidariedade a Toby Shone, por exemplo, escrevendo para ele, uma carta por dia ou quantas puderem, até que essas restrições à comunicação de Toby sejam suspensas.

Vamos inundar as prisões com nossa solidariedade e deixar claro que Toby Shone não está e nunca estará sozinho.

Escreva para Toby:

Toby Shone A7645EP, HMP Garth,

Ulnes Walton, Leyland, PR26 8NE

Fonte: https://iww.org.uk/news/call-for-solidarity-with-incarcerated-anarchist-toby-shone/

Tradução > Contrafatual

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agência de notícias anarquistas-ana

relampejou
sobre as árvores
a tarde trincou

Alonso Alvarez

O dia em que Louise Michel inventou a bandeira anarquista

Quase todo anarquista conhece a história de que a bandeira negra foi utilizada pela primeira vez por Louise Michel, a communard e anarquista francesa, durante uma passeata de desempregados.

A bandeira negra ou a rubro-negra são dois estandartes do anarquismo ao nível internacional. Junto ao mais contemporâneo “anabola”, sinalizam a presença de anarquistas em manifestações e demais rituais políticos.

Ao ler “Anarquismo e a história da bandeira negra” (1997), de Jason Wehling, tomei conhecimento sobre o pioneirismo de Louise Michel no uso do referido estandarte como um símbolo anarquista.

Naquele artigo, Wehling afirma, apoiado em George Woodcock, que Michel teria usado a bandeira negra pela primeira vez em 9 de março de 1883, durante uma passeata de desempregados em Paris, na França, que contou com 500 pessoas e Louise como líder.

O autor diz ainda que “nenhum aparecimento mais antigo pode ser encontrado da bandeira negra” e identifica um uso posterior ao de Michel em 27 de novembro de 1884, em Chicago, EUA, durante uma manifestação anarquista.

Guardei essa sociogênese da bandeira como parte de minha autoformação em anarquismo. Décadas depois, pesquisando sobre Louise Michel na Hemeroteca Virtual da Biblioteca Nacional, ressurgiu para mim a história daquele estandarte.

Na edição de 28 de julho de 1883 do Mercantil, um jornal de Petrópolis, encontrei o artigo de um correspondente do periódico em Paris, que relatava, numa crônica política, aquela passeata de desempregados liderada por Michel.

A crônica indica que a bandeira negra foi usada na mesma data afirmada por Woodcock. O cronista, diga-se de passagem, é simpático à Louise Michel e afirma que Emile Pouget esteve com ela na liderança daquela manifestação e foi condenado a oito anos de prisão, e Michel a seis anos.

A crônica contém detalhes que não foram mencionados por Wehling. Ela nos informa que o evento inaugurador do uso da bandeira negra contou não só com uma manifestação de desempregados, mas com brutalidade policial, provas forjadas, criminalização do protesto, acusações injustas, prisão de lideranças e indignação popular com o veredito.

É representativo do que é o anarquismo, o fato da gênese social da bandeira negra ocorrer numa manifestação de trabalhadores desempregados contra a carestia, liderada por uma anarquista ex-communard e pelo brilhante teórico do sindicalismo revolucionário e futuro vice-secretário de uma histórica organização operária francesa, a Confederação Geral do Trabalho.

O dia em que a bandeira negra foi erguida pela primeira vez, indica uma prévia do modus operandi anti-anarquista do Estado, quase uma receita de bolo para criminalizar o protesto social e encarcerar lideranças populares. Isto é, um manual de como transformar a questão social em caso de polícia.

Três meses após inventar o estandarte que posteriormente seria associado ao anarquismo, Michel foi condenada à prisão. Sua mãe morreu durante esse período. Com quase três anos de encarceramento, ela foi perdoada e libertada com a intervenção de Clemenceau e Rochefort. Saiu dali e realizou uma série de comícios. Pouget seria liberto ainda naquele mesmo ano.

Em seu livro “O conceito de cultura” (2009), o antropólogo Leslie White diz que o símbolo é composto de um significado e uma estrutura física através da qual ele “entra” em nossa experiência. Em 9 de março de 1883, Louise Michel nos deu esse objeto, um pedaço de pano preto, e um significado, a anarquia. Ela inventou um símbolo político até hoje legitimado pelos anarquistas e reconhecido em todo o mundo.

Obrigado, Louise.

Raphael Cruz

agência de notícias anarquistas-ana

Entardecer
Sob o velho telhado
Retornam pardais.

Hidemasa Mekaru

[Espanha] Solidariedade com as seis mulheres sindicalistas do La Suiza

À OPINIÃO PÚBLICA

26 de junho de 2024

As trabalhadoras e trabalhadores que compõem o Sindicato de Ofícios Vários da CNT-AIT de Cartagena querem tornar pública nossa inabalável solidariedade com as seis trabalhadoras de La Suiza de Gijón, condenadas a três anos e meio de prisão e ao pagamento de 125.428 euros depois que a Suprema Corte ratificou a sentença do Tribunal Penal de Gijón. Uma clara declaração de intenções do Estado por meio de um de seus poderes, o judiciário. Um aviso para aqueles que fazem sindicalismo de base, uma sentença vergonhosa que abre precedentes e à qual não podemos ficar indiferentes.

A Assembleia. SOV CNT AIT Cartagena

cartagena@cntait.org

www.cntait.org www.iwa-ait.org

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agência de notícias anarquistas-ana

Seguro a xícara
viajando com o cheiro —
Ah, café fresquinho

Valéria Florenzano

Nobel da Paz denuncia ‘tortura branca’ contra mulheres confinadas em prisões do Irã

Por Patrícia Campos Mello | 19/06/2024

A tortura branca consiste em submeter os prisioneiros a confinamento solitário durante semanas, meses ou até anos, sem poder distinguir se é dia ou noite, em silêncio absoluto, privados de qualquer contato com familiares ou advogados.

Os detentos são vendados toda vez que saem da cela para interrogatórios. Eles só têm a sensação tátil do chão, das paredes e do cobertor áspero da cela. O único cheiro vem da privada imunda.

A ativista iraniana Narges Mohammadi, vencedora do prêmio Nobel da Paz em 2023, passou 135 dias em prisão solitária ao longo de seus quase 20 anos de encarceramento, entre idas e vindas. Foi a partir dessa experiência que Mohammadi, ainda presa em Teerã, resolveu fazer o livro-denúncia “Tortura Branca – Entrevistas com Prisioneiras Iranianas”, lançado no Brasil pela editora Instante.

O livro reúne 13 relatos de tortura branca de mulheres que ainda estão detidas ou foram libertadas recentemente no Irã, a maioria ativistas políticas e defensoras de direitos humanos.

“É impossível imaginar como não ver o sol, não sentir a brisa na pele e ter ao seu redor apenas silêncio ininterrupto abalam a vontade de lutar e continuar vivendo”, escreve Mohammadi. “Às vezes, as bolhas das feridas do confinamento solitário estouram, às vezes infeccionam, às vezes queimam e, às vezes, o medo vaza em minhas veias. Ainda não existe fim para as feridas invisíveis e não curadas.”

Mohammadi recebeu o Nobel da Paz por “sua luta contra a opressão das mulheres iranianas e sua batalha para promover direitos humanos e liberdade para todos”. Mohammadi já foi presa 13 vezes e condenada a um total de 31 anos de reclusão.

Ela está na famigerada prisão Evin, onde o regime do aiatolá Ali Khamenei mantém muitos dissidentes políticos, alguns deles sem julgamento há anos. Em agosto do ano passado, Mohammadi foi condenada a mais um ano de prisão por ter escrito uma carta denunciando os maus-tratos e abusos sexuais contra mulheres presas nos protestos após a morte de Mahsa Amini. Em setembro de 2022, Amini, 22, morreu sob custódia, após ser presa por ter violado as leis islâmicas que exigem o uso de hijab.

Mohammadi não tem contato com seus filhos gêmeos adolescentes, Ali e Kiana, 17, há dois anos. Nenhum telefonema, nenhuma carta. Nos últimos sete meses, não pôde nem sequer falar com seus advogados.

Em entrevista por e-mail à Folha, o marido de Mohammadi, o ativista Taghi Rahmani, relatou o impacto da prisão da ativista. Ele vive exilado em Paris com os dois filhos.

“A família paga um preço alto pela ausência dela. Ela está separada dos filhos há mais de dez anos, o impacto na vida deles é profundo. Apesar de eles entenderem, o vazio deixado pela ausência dela é inegável e demonstra a crueldade de um sistema que tenta calar qualquer dissidência”, diz Rahmani.

Foram os gêmeos Ali e Kiana que leram o discurso de agradecimento da mãe na cerimônia de entrega do prêmio Nobel da Paz, em dezembro do ano passado. O discurso foi contrabandeado de dentro da prisão.

Também foi uma missão de alto risco obter e publicar as entrevistas que constam no livro. Segundo Rahmani, “apesar do enorme aparato de segurança, o livro conseguiu chegar até o público e se tornou uma voz poderosa contra o confinamento solitário”.

“A cela tinha apenas três passos de largura. Quando permanecia muito tempo sentada, sentia as paredes se fechando ao meu redor”, conta Mohammadi no livro. Ela relembra que à noite, antes de dormir, praticava as lições que havia aprendido nas aulas de canto. “Não ouvia a voz de ninguém havia muito tempo, por isso, quando levantava um pouco a minha voz, ficava surpresa.” E acrescenta: “Eu desejava ter um ataque cardíaco só para sair dali.”

Outra das prisioneiras, Nigara Afsharzadeh, conta que, quando seu almoço era levado para a cela, ela cortava pedacinhos de arroz e os jogava no chão, “a fim de atrair formigas ou qualquer outra coisa, para me entreter”. “Eu queria um ser vivo na cela comigo”, relembra no livro. “Fiquei muito feliz quando uma mosca apareceu. Tive o cuidado de não a deixar sair quando a porta estava aberta. Eu a seguia e conversava com ela.”

A socióloga Zahra Zehtabchi foi mantida em confinamento solitário durante 14 meses. Ela só tinha o Alcorão, que leu 14 vezes. Achou uma caneta escondida em sua coberta e escrevia na parede da cela.

Por ter se convertido ao cristianismo, Fatemeh Mohammadi foi condenada a seis meses de prisão sob a acusação de “atividade cristã e de agir contra a segurança nacional por meio de propaganda contra o Estado”. Além disso, foi proibida de frequentar a faculdade de Tradução e Inglês em Teerã.

Ficou em solitária em uma cela tão pequena que nem dava para andar. Ela tinha depressão, e o silêncio absoluto e a falta de mobilidade pioraram sua condição. Os carcereiros não deixavam que ela tivesse acesso a sua medicação.

“Estas mulheres deixam para a posteridade a maneira como o Estado iraniano tenta separar a alma do corpo de cada prisioneira por meio da tortura branca”, diz a historiadora Shannon Woodcock na introdução do livro.

Rahmani, marido de Mohammadi, afirma estar preocupado com a saúde da esposa. “Ela tem 52 anos, passou por uma cirurgia cardíaca há um ano, tem arritmia e precisa de cuidados médicos que as autoridades se recusam a dar.”

TORTURA BRANCA: ENTREVISTAS COM PRISIONEIRAS IRANIANAS

Preço R$ 74,90 (208 págs.)

Autoria Narges Mohammadi

Editora Instante

Tradução Gisele Eberspächer

Fonte: www.jornaldebrasilia.com.br/entretenimento/literatura/nobel-da-paz-denuncia-tortura-branca-contra-mulheres-confinadas-em-prisoes-do-ira

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agência de notícias anarquistas-ana

ao pé da janela
dormimos no chão
eu e o luar

Rogério Martins

[Espanha] O Lokal agora é propriedade coletiva… continuamos

Graças ao apoio de mais de 400 pessoas, grupos e coletivos, ontem, 16 de maio, assinamos a escritura de venda do Lokal em um cartório.

Estamos transbordando de amor pela generosidade e pela rapidez da resposta da vizinhança, do mundo libertário, anticapitalista e solidário que, mais uma vez, demonstrou que, com apoio mútuo, podemos alcançar qualquer coisa que tenhamos em mente.

Nesse sentido, gostaríamos de mencionar todas as pessoas da COOP 57, que, além de financiar a operação, nos acompanharam e aconselharam durante todo esse processo, tornando-o viável desde o início.

Cumpridos os requisitos mínimos para garantir a compra e a devolução dos microcréditos dos associados e amigos, a campanha continua arrecadando os fundos necessários para realizar as obras de melhorias essenciais exigidas pelo Lokal e, se sobrar algum, quitar parte do empréstimo da COOP57.

Agora podemos dizer que o Lokal permanece no Raval para continuar sendo esse canto libertário de apoio às lutas e à disseminação da cultura antiautoritária que nos levará a um mundo melhor, aquele que carregamos em nossa memória e em nossos corações.

Saudações e ânimos

ellokal.org

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agência de notícias anarquistas-ana

No escuro da noite
O vaga-lume orienta
O andante perdido!

Delores Pires

[Espanha] Um “monge” ateu. Um homem imprescindível

“Pablo Monge Rodríguez, ATEU. Respeite-me e seja feliz”. Assim reza – é um dizer – o cartaz que ele mesmo Pablo desenhou para anunciar ao visitante quem foi o morto que se encontrava na sala da funerária e que, um dia antes, tinha sido praticada a eutanásia.

Este amigo e companheiro viveu seus últimos dias como o havia feito toda sua vida, lutando por aquilo em que acreditava com absoluta firmeza e integridade. Não se rendia, não se vendeu, não olhou para o outro lado quando reconheceu a injustiça, não olhou para o outro lado quando alguém necessitou de sua ajuda.

Em 20 de junho de 2024, o dia mais longo do ano, se praticou no Hospital Universitário Príncipe de Astúrias de Alcalá de Henares a primeira eutanásia amparada na Lei Orgânica atual que a regulamenta, a 3/2021. Um acontecimento pioneiro que aconteceu graças ao empenho incansável de um homem simples e imenso que não renunciou a morrer com a mesma dignidade com que viveu e que dedicou os últimos dias de sua vida a abrir uma brecha que outras pessoas seguirão ampliando no futuro.

Nós que o conhecemos na Seção Sindical da CGT notamos, desde o princípio, que tratávamos com uma pessoa extraordinária, fácil de entender, de fortes convicções e valores aos quais não estava disposto a renunciar, um ser humano íntegro. Um ser humano que agora transcende e vive em nós que tivemos a imensa sorte de caminhar a seu lado reclamando a dignidade e o respeito que todo o mundo merece no trabalho e na vida.

PORQUE NÃO SE RENDEU, PORQUE NÃO SE VENDEU

PORQUE FOSTE UM EXEMPLO AMIGO PABLO

NÃO NOS RENDEMOS, NÃO NOS VENDEMOS

Há homens que lutam um dia e são bons. Há outros que lutam um ano e são melhores. Há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida: esses são os imprescindíveis“. (Bertolt Brecht)

Seção sindical CGT

Ayto. Alcalá de Henares

Fonte: Seção sindical CGT Ayto. Alcalá de Henares

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

minha sombra
com pernas mais longas
não me afasta

André Duhaime

[São Paulo-SP] Jornal Libera N° 180

Lançamos a edição número 180 do jornal Libera! No editorial, fazemos uma avaliação do governo de frente ampla de Lula e Alckmin, refém da pauta neoliberal, que entregou migalhas às classes populares e vê o bolsonarismo se fortalecer. Outros temas desta edição são os seguintes:

▪️ O anarquismo durante da ditadura militar brasileira (1964-1985)

▪️ PL dos Apps: Aumento da exploração e fim do salário mínimo

▪️ Alteração da Lei de Regularização Fundiária: a quem serve esse governo?

▪️ Educação de luta, educação em luta

▪️ A resistência palestina e o conflito regional anti-imperialista

▪️ Tragédia no Rio Grande do Sul: uma catástrofe capitalista

A edição está disponível online, em nosso site, e também é vendida presencialmente pela OSL, nas cidades onde temos militância. Em breve vamos divulgar como adquirir também pela internet.

Acompanhe nossas publicações através das nossas redes socias, site e canais de transmissão no WhatsApp e Telegram: https://lnk.bio/socialismolibertario

agência de notícias anarquistas-ana

Solidão no inverno
o velho aquece as mãos
com as próprias mãos

Eunice Arruda

Jesus pregou o mais cruel dos castigos

Em alguns trechos da Bíblia, Jesus fala como se fosse o demônio

Por José Irineu

Jesus é bom, ama o próximo, mas não para quem de fato lê toda a Bíblia e sabe que o filho de Deus pregou o castigo mais perverso de todos. Nem Deus, no Velho Testamento, ousou tanto.

Pois, para Jesus, “se você não concorda com o que ofereço, saia daqui e vá para o fogo eterno”.

Um castigo eterno, para sempre, para todo o sempre, é algo tão perverso, que talvez até mesmo para um anjo das trevas não desejaria a ninguém.

E, no entanto, Jesus, é adorado pelo que ele diz de bom, como se isso anulasse o ódio que manifestou em certas ocasiões, segundo a Bíblia.

Em Mateus 10:34, por exemplo, ele diz: “Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada.”

Em João 15:6: “Se alguém não estiver em mim, será lançado fora, como a vara, e secará; e os colhem e lançam no fogo, e ardem.”

Em alguns trechos bíblicos, Jesus está mais para demônio do que para santo. E isso o pastor não diz às ovelhas.

Fonte: https://www.paulopes.com.br/2019/08/jesus-inferno.html#gsc.tab=0

agência de notícias anarquistas-ana

Na caixa postal
a mão sente a queimadura:
taturana presa.

Anibal Beça

[Espanha] Urgente!!! Apoie a resistência e um companheiro de luta!!!

Um companheiro de luta anarquista sofre uma invasão e um roubo por parte dos novos proprietários da chácara onde mora e cuida.

Eles cuidam da chácara há 25 anos, ele e seu pai. Após a morte de seu pai, o antigo proprietário começou a pressioná-lo.

Quando eles se recusaram a pagar o valor devido ao nosso companheiro, ele decidiu não deixar a propriedade. Então, eles decidiram vender a propriedade com ele dentro.

As negociações começam com os compradores (quatro indivíduos, cujo advogado é vereador do PP em Lucena (Córdoba), que criaram uma empresa com o objetivo de especular com a terra).

Após um ano de pressão, coerção e ameaças, eles invadiram o local forçando as portas de acesso, tanto do terreno quanto da casa, aproveitando o fato de que ele estava ausente por alguns dias. Roubaram todos os objetos de valor, tanto materiais quanto pessoais (grande despensa de alimentos, chaves de dois veículos, dinheiro, ferramentas e maquinário, além de todos os seus objetos pessoais e coletivos. Também roubaram ou mataram muitas galinhas e galos, além de um pavão). Deixando o restante dos objetos destruídos, como geladeiras, móveis e vários pertences para que não pudesse permanecer no espaço.

Todo esse material, que ele vinha juntando com muito esforço, era para poder iniciar um projeto rural coletivo em outro lugar (provavelmente em Huesca).

Outro exemplo claro de como os ricos agem, sem uma ordem judicial, com a ajuda de três indivíduos, um caminhão de carga e com a conivência da polícia local e nacional, que afirmam não ter visto nada. Na verdade, outro companheiro que foi à chácara nas primeiras horas da manhã pôde ver como eles estavam levando as coisas na presença da polícia. A polícia, em vez de impedir o saque, intimidou nosso companheiro e revistou seu veículo, ameaçando-o de prisão se não saísse do portão.

Um dos proprietários, em primeira instância, reconheceu que eles tinham seus pertences e que, se quisessem recuperá-los, deveriam falar com seus advogados. Quando essa comunicação ocorreu, o advogado mudou sua versão, e agora eles dizem que não têm nada.

Como se isso não bastasse, o companheiro foi denunciado pelos proprietários por ameaças e ocupação ilegal da propriedade.

Estamos pedindo o apoio de coletivos, grupos e indivíduos, para diferentes coisas:

• Para ir desde diferentes territórios, para fazer uma resistência temporária até que as coisas se acalmem e diferentes opções possam ser consideradas.

• Se houver um número suficiente de pessoas, pensamos em convocar uma manifestação ou alguma outra proposta que vocês apresentem para denunciar publicamente os fatos.

• Pedimos divulgação e apoio mútuo a todos que puderem colaborar. Por limitado tempo que se tenha disponível, um pouco já é muito diante de uma situação desoladora, com a qual pretendem forçar o abandono da terra sem medidas judiciais.

• Qualquer contribuição econômica seria de grande ajuda, tanto para custos legais, medidas a serem tomadas e/ou gerir a resistência.

Se tiver alguma pergunta ou dúvida, entre em contato com algarrobanegra@protonmail.com.

Que a solidariedade e o apoio mútuo sejam nossa arma. Se tocarem em um, tocarão em todos!

Fonte: https://www.algranoextremadura.org/todas-las-noticias/por-proximidad/estatal/2024/06/24/urgente-apoya-la-resistencia-y-a-un-companero-de-lucha/

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“Viajante”,
Poderia ser meu nome —
Primeira chuva de inverno.

Bashô

[Espanha] Bakunin e a revolução social

 Por Eduardo Montagut | 16/06/2024

Em uma tradução de Frank Mintz e com um prefácio de Cristóbal Ramírez, a Altamarea, em sua coleção “Tascabili”, publicou as três palestras que Bakunin dirigiu aos trabalhadores do Vale de Saint-Imier na primavera de 1871, sob o sugestivo título de O fim da revolução social. Tivemos a honra de publicar essa obra, pequena em seu tamanho, mas enorme em seu conteúdo.

Bakunin é uma figura fundamental na história, um dos grandes protagonistas do diversificado e sugestivo mundo do anarquismo. Deixando sua vida militar, ele estudou filosofia e, em 1840, viajou para a Alemanha, onde seu compromisso foi firmado. Ele fez parte da onda revolucionária de 1848-1849 em Praga e Dresden. Mas essa verdadeira “primavera dos povos” logo, muito logo, certamente se transformou quase em um inverno, se me permitem a comparação, e Bakunin foi uma de suas vítimas, embora tenha conseguido salvar sua vida e se exilar na Sibéria, escapando em seguida. Em 1861, ele foi para a Inglaterra e começou seu trabalho de pesquisa e divulgação do anarquismo a partir de sua perspectiva, pois nunca nos cansaremos de salientar que não existe um anarquismo único. Em 1869 ingressou na Internacional, levando ao grande conflito com Marx, que gerou as duas almas do movimento operário desde então. Bakunin viveu na penúria, mas nos legou uma rica obra, como Deus e o Estado, e Estatismo e Anarquia. Ele morreu em 1º de julho de 1876 em Berna (Suíça).

A obra agora apresentada ao público leitor em espanhol é, como dissemos, a compilação de suas três palestras, proferidas em um momento-chave da história do século XIX, quando a Prússia havia derrotado a França de Napoleão III, precipitando o processo de unificação alemã, afundando o segundo império, do qual surgiu a principal e quase única experiência de governo popular em todo aquele século, a Comuna de Paris, ainda que ela tenha sido logo esmagada e gerado uma intensa polêmica sobre as causas de seu fim por parte de marxistas e anarquistas.

Bakunin apresentou nessas palestras uma análise histórica lúcida que surpreenderá muitos de seus leitores com seu frescor, que se mantém até hoje. Mas ele também ofereceu material sintético que ajudou não apenas a entender o que aconteceu e estava acontecendo na Europa, mas também a apresentar uma alternativa distinta da marxista, despertando consciências. Além disso, propôs aspectos relacionados à organização da ação para fazer essa alternativa triunfar. E tudo, de fato, por algo que é muito simples de dizer, mas que é fundamental e tão difícil de alcançar, a emancipação de homens e mulheres.

Fonte: https://www.nuevatribuna.es/articulo/cultura—ocio/libros-bakunin-revolucion-social-lucha-clases/20240616185420227996.html

Tradução > anarcademia

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flor na lapela
noite de serenata
à janela

Carlos Seabra

[Espanha] Fazer sindicalismo não é crime: CGT com “Las seis de La Suiza” em Xixón

Concentrar-se em frente a uma empresa para exigir que ela respeite as condições básicas de trabalho (mesmo depois de informar a subdelegacia do Governo), distribuir panfletos e gritar slogans com um megafone, apontar publicamente um empregador que não paga horas extras a seus trabalhadores… é um crime, de acordo com a Suprema Corte.

Isso é o que a Suprema Corte acaba de decidir no caso conhecido como “Las 6 de La Suiza” em Xixón, rejeitando o recurso da CNT contra a sentença de prisão de sus seis afiliadas.

Assim, a conivência jurídico-corporativa é exposta. O judiciário tira sua máscara e nos envia uma mensagem: ele não está lá para defender os direitos básicos das trabalhadoras, mas para defender os privilégios e interesses dos empregadores. A sentença da segunda câmara da Suprema Corte, presidida por Manuel Marchena e proferida em 19 de junho, confirma a sentença de três anos e meio de prisão e 125.428 euros de indenização para as seis trabalhadoras, e esclarece que foi porque o empregador teve que fechar sua empresa devido à pressão da CNT, “coerção”, diz a sentença TS 626/2024.

Essa sentença deixa o caminho aberto para a criminalização de qualquer protesto sindical no qual se convocam concentrações ou manifestações e se fazem acusações públicas contra empresas que agem fora da lei e não respeitam os direitos dos trabalhadores.

Desde CGT insistimos, e o fazemos junto com as companheiras da CNT, que fazer sindicalismo não pode ser um crime, é um direito básico, é uma das poucas opções que restam à classe trabalhadora para promover direitos e exigir que as empresas cumpram a lei. É por isso que, da CGT, como temos feito até agora, andaremos de mãos dadas com as companheiras da CNT onde e quando for necessário; porque defender as seis companheiras de La Suiza de Xixón está acima de siglas e de Organizações, trata-se de defender o direito de protestar e trata-se de defender aqueles que lutam pelos direitos dos trabalhadores, de defender aqueles que lutam para criar um novo mundo que carregamos em nossos corações.

Se tocam uma, nos tocam a todas!

Secretariado Permanente da CGT

Fonte: Gabinete de prensa del Comité Confederal de la CGT

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/06/25/espanha-a-suprema-corte-rejeita-o-recurso-da-cnt-e-condena-as-seis-sindicalistas-de-la-suiza-a-prisao/

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O som do aguaceiro
nas folhas da bananeira —
de prender o fôlego.

Carlos Martins