[Grécia] Repressão no bairro ocupa de Prosfygika

Em 20/6/2024, às 22h30, um grupo da OPKE (Unidade de Polícia) sequestrou dois membros da Comunidade Prosfygika na Rua Kuzi e um terceiro, que estava passando na Rua Dimitsana, também foi sequestrado por um grupo da OPKE.

A população do bairro reagiu imediatamente e foi desencadeada uma onda de repressão com ataques de granadas e gás lacrimogêneo. Houve um tumulto e, em seguida, um grande número de policiais do DELTA (Grupo de Ação Policial) tentou prender outras pessoas na rua. As pessoas do bairro não se intimidaram e a batalha continuou, recuperando os companheiros das mãos da polícia (furiosa e ao mesmo tempo aterrorizada) que tentou prendê-los várias vezes.

Tudo isso estava acontecendo diante dos olhos de crianças pequenas que brincavam na rua naquele momento, e diante dos olhos de idosos e mulheres grávidas que faziam sua caminhada habitual. Acontecia ao lado do hospital de câncer Aghios Savas, que abriga dezenas de pacientes, e em um bairro habitado, entre outros, por pessoas de todas as idades e vários grupos vulneráveis.

A onda de repressão veio depois das 4 prisões que ocorreram dois dias antes, na terça-feira, 18/6, onde novamente as forças do DELTA tentaram sequestrar mais companheiros, mas onde novamente as pessoas do bairro resistiram e mantiveram a posição na rua até que todos os membros da Comunidade fossem libertados.

O que tem acontecido ultimamente no bairro, com as câmeras de vigilância constantes (até mesmo a de Alexandra, que supostamente é uma câmera de trânsito e é direcionada por horas para as casas e estruturas da Comunidade), com as constantes passagens de todos os tipos de policiais pelo bairro tentando aterrorizar de várias maneiras, como gravando vídeos, com tochas nos rostos etc., e toda uma série de outras maneiras que os chefes da GADA (departamento central de polícia) e seus órgãos subordinados indefensáveis estão tentando criar, é uma tentativa de aterrorizar que continua caindo em ouvidos surdos e toda uma série de outras formas que os chefes da GADA e seus indefensáveis órgãos subordinados estão tentando engendrar, é uma tentativa de aterrorizar que continua caindo em ouvidos surdos. O povo de Prosfygika, que foi reprimido muitas vezes nos últimos 14 anos, respondeu todas as vezes com determinação e militância. Todas as vezes, as operações repressivas fortaleceram o bairro, fortaleceram o movimento de solidariedade e, todas as vezes, criaram maneiras de agradar aos seus patrões, que querem se livrar da luta comunitária e passar para a reconstrução e reforma do bairro e seus planos predatórios.

Como seus esforços são recebidos com fortes respostas, como as acusações que eles lançam desmoronam como torres de papel e como seus chefes puxam suas orelhas por suas operações fracassadas, os mentores da GADA decidiram nos últimos dias aumentar a repressão e realizar ataques contínuos na vizinhança. Ao mesmo tempo em que ocorre o ataque físico, a GADA e o Estado naturalmente se apressam em ativar os conhecidos mecanismos de mídia para administrar suas crises políticas, tentando mais uma vez legitimar na consciência social a violência que produzem. Tanto na terça-feira, 18/6, quanto na quinta-feira, 20/6, eles reproduziram uma série de notícias falsas e até mesmo a única mídia que publicou no dia 18/6 foi a REAL NEWS, por cujo incêndio criminoso nosso camarada K. Dimalexis foi acusado e permaneceu na prisão. Dimalexis foi acusado de incêndio criminoso e permaneceu na prisão por um ano até ser solenemente absolvido.

É problema deles se preocuparem com o que acontece no espaço liberado e coletivamente organizado da vizinhança, e é nosso problema como preservá-lo.

Temos dito e demonstrado claramente ao longo dos anos que nada ficará sem resposta e que defenderemos nossos lares, nossos filhos, nossas vidas e o que construímos dia após dia com fé e militância pela perspectiva de um mundo onde a vida floresça.

Conclamamos as pessoas em luta a se juntarem ao bairro Prosfygika e à defesa do bairro, bem como a ficarem atentas às provocações iminentes, para “legitimar” uma nova invasão do bairro e apoiar a evolução da estratégia de tensão.

Um camarada foi liberado há pouco tempo e os outros dois foram presos sob as seguintes acusações: danos a um carro de polícia, tentativa de lesão corporal com pedras contra os que estavam nos veículos, insultos e ameaças, arremesso de armas legais, resistência. Há um segundo conjunto de acusações, envolvendo ferimentos em 4 policiais e danos a 3 carros civis. Até o momento, a segunda parte é contra pessoas não identificadas, mas eles também querem relacioná-la às duas pessoas presas. É claro que é surpreendente que duas pessoas algemadas com as mãos atrás das costas dentro do veículo da OPKE tenham ferido policiais e causado danos. Isso é de conhecimento apenas dos videntes da GADA.

COMPROMETIDOS COM A LUTA PELA VIDA LIVRE, NÃO HÁ TRÉGUA NA GUERRA EM QUE VIVEMOS.

OUÇAM BEM, POLICIAIS E CHEFES, TIREM AS MÃOS DA PROSFYGIKA.

sykaprosquat.noblogs.org

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/12/23/grecia-convite-para-participar-na-defesa-da-comunidade-ocupa-de-prosfygika-em-atenas/

agência de notícias anarquistas-ana

Mais fria que a neve,
Sobre os meus cabelos brancos,
A lua de inverno.

Jôsô

[Espanha] Biblioteca Anarquista Maria Rius

A Biblioteca Anarquista Maria Rius nasceu em 2017 para oferecer à cidade de Lleida e seus arredores um espaço político para disseminar o pensamento e as práticas libertárias e promover o conhecimento, a reflexão e o debate.

A Biblioteca é uma das partes mais importantes do projeto. Temos uma coleção de mais de 3.000 livros, revistas, fanzines e outros documentos, com seções especializadas em anarquismo clássico e contemporâneo e na história do movimento e das lutas anarquistas aqui e em todo o mundo.

Também temos seções sobre outras lutas sociais, pensamento político socialista, filosofia e ciências sociais, além de um espaço para romances e poesia. O acervo pode ser consultado em nosso site: cataleg.bibliotecamariarius.org e quase tudo está disponível para empréstimo.

O projeto inclui outros espaços, como:

– Sala central para trabalho, leitura e atividades culturais.

– Sala de reuniões.

– Banco de materiais para os coletivos.

– Gráfica “La Guillotina”: para impressão e fotocópia de documentos, pôsteres, folhetos…

– La “Distri”: onde vendemos livros (novos e usados) e outros materiais. Com o dinheiro das vendas, compramos livros para aumentar o fundo de empréstimo.

– Espaço de divulgação (manifestos, pôsteres, adesivos…).

Da teoria à prática

Na Biblioteca Anarquista Maria Rius procuramos colocar em prática os princípios libertários, sendo um espaço diversificado onde convergem diferentes perspectivas do anarquismo, rico em debates, reflexões e propostas.

A “biblio” não é pública nem privada, mas um espaço coletivo construído de forma autogestionária graças às contribuições de muitas pessoas, com tempo, livros e publicações, conhecimento, propostas, apoio econômico, etc.

Todos nós que participamos do espaço assumimos a responsabilidade por ele, tomamos decisões em assembleia e de forma horizontal: não há “chefes”, presidentes ou porta-vozes.

Praticamos a ação direta, entendida como uma forma de agir sem mediação, delegações ou autoridades; denunciamos e nos rebelamos contra as injustiças causadas pelo regime social e econômico em que vivemos; nos relacionamos com base no apoio mútuo e na solidariedade; promovemos iniciativas que, de uma perspectiva libertária, nos levam a ser mais livres.

Ações atuais

Nossas atividades decorrem de nossas preocupações políticas, bem como daquelas propostas por outros coletivos e indivíduos.

Apresentação de livros

Como biblioteca, uma de nossas atividades é obviamente a apresentação de livros, sejam eles ensaios ou romances, o que nos permite interagir diretamente com os autores e com o debate coletivo.

Atividades de memória histórica

Um de nossos objetivos é a recuperação, o conhecimento e a divulgação de nossa memória histórica, pois, se nossa emancipação é obra nossa, não podemos esperar que outros falem por nós. Assim, realizamos diferentes atividades: apresentações de livros, palestras, exposições e ciclos temáticos. Por exemplo, organizamos recentemente uma conferência sobre a “Transição em chave libertária”, ou tentamos participar com nossa própria atividade da conferência anual “Memòria 2-N”, promovida pelo Ateneu la Baula, que comemora o bombardeio da cidade de Lleida por aviões fascistas italianos em 2 de novembro de 1937.

Há também outros projetos em andamento, como o arquivo libertário e um projeto de pesquisa muito inicial sobre o papel das mulheres no movimento aqui no Ponent.

Ciclo de formações

Nosso treinamento transversal durante o ano é o ciclo de formações em torno do anarquismo, com o objetivo de nos formar para esclarecer certas bases ideológicas, disseminar nosso pensamento e estimular o debate.

Organização, sindicalismo, ecologia, nacionalismo, feminismo, urbanismo, pedagogia e autogestão são alguns dos temas que abordamos ao longo dos anos. Outros ciclos de treinamento que desenvolvemos recentemente são os já mencionados sobre o papel da “Transição em uma chave libertária” e “Organização, autonomia e contrapoder”.

Feira do Livro Crítico “Lo Crit”.

Nos últimos dois anos (2022 e 2023) promovemos, com a colaboração de outros atores de Lleida (organizações, editoras e livrarias da cidade), de forma autogestionária, sem subsídios e em uma organização horizontal, a Fira del Llibre Crític “Lo Crit” (@locritponent). Trata-se de uma feira organizada em uma das ruas mais movimentadas da cidade, com o objetivo de divulgar uma perspectiva crítica da atualidade e levar a reflexão para as ruas. Para isso, são organizadas diversas atividades e debates ao longo do dia. Além disso, o objetivo é promover a leitura de ensaios políticos ou livros que nos ajudem a pensar sobre os assuntos atuais a partir dessa perspectiva crítica e divulgar nossos projetos para os habitantes da cidade. A terceira edição ocorrerá em 5 de outubro de 2024.

Coleção de histórias Soledad Estorach

Neste ano de 2024, apresentamos nosso primeiro livro publicado como uma biblioteca. Trata-se da “1ª Coletânea de Contos de Soledad Estorach”, uma coletânea de contos resultante de um concurso literário com a premissa de escrever sobre uma utopia ou distopia com uma visão libertária que acontece nas terras onde vivemos. Esta edição inclui 15 histórias de companheiros, nas quais também aproveitamos a oportunidade para recuperar a figura de Soledad Estorach Esterri, militante da CNT e das Mujeres Libres, nascida em Albatàrrec (Lleida) em 1915. No futuro, queremos continuar com esse projeto e recuperar figuras de militantes anarquistas que foram invisibilizadas e recuperar sua memória e suas ações.

A “Maria Rius”

O nome da biblioteca é uma homenagem a Maria Rius, mas quem era ela?

Maria del Riu Berengué nasceu em Arbeca (Les Garrigues) em 1º de dezembro de 1900.

Ainda muito jovem, começou a trabalhar como aprendiz de camiseira em seu vilarejo. Aos 18 anos, ela e sua família se mudaram para Barcelona, onde ela se interessou pelas lutas sindicais e pela ideologia anarquista. Ela se tornou membro do Sindicato del Vestir de la CNT em Barcelona.

Dedicou uma parte muito importante de sua luta ao apoio aos prisioneiros, fazendo parte do comitê pró-prisioneiros da CNT, ajudando a preparar fugas, participando do assalto à prisão feminina de Barcelona em 1931 etc. Ela também participou do grupo de ação “Los Solidarios”.

Durante a ditadura de Primo de Rivera, exilou-se na França

No verão de 1936, ela se juntou à coluna Hilario-Zamora, estacionada em Sástago. Lá, ela foi miliciana e, mais tarde, montou uma oficina de costura para vestir os combatentes.

No final da Guerra Civil, ela voltou para o exílio na França, onde parece que não continuou sua militância ativa.

Contato

Se quiser entrar em contato, entre em contato conosco:

– E-mail: bibliotecamariarius@riseup.net

– Telegram: @MariaRiusBibliotecarix

– Web: http://www.bibliotecamariarius.org

– Twitter: @BiblioMariaRius

– Telegram (canal de notícias): @BiblioMRius

– Instagram: @distrimariarius

– Facebook: @BibliotecaAnarquistaMariaRius

Fonte: https://redeslibertarias.com/2024/04/29/la-biblioteca-anarquista-maria-rius/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

sussurro sem som
onde a gente se lembra
do que nunca soube

Guimarães Rosa

[Canadá] 7ª Feira Anual de Livros Anarquistas de Halifax

31 de agosto de 2024 (se chover: 1º de setembro)

Local a ser definido

A face da dominação coercitiva muda constantemente de forma, embora em seu âmago saibamos que a base permanece inalterada: capitalismo, colonialismo e poder centralizado. A ação é exigida com urgência e a imensidão da amplitude das injustiças pode ser surpreendente: genocídios em andamento, a crise habitacional, a ascensão constante do fascismo, o fervilhar sempre presente da crise ambiental e climática, as realidades da prisão e da pobreza e a guerra contínua contra pessoas trans, negras, indígenas, pessoas não-brancas, deficientes (etc.). Como anarquistas, vemos nossas lutas como interconectadas e a solidariedade como nossa arma mais forte – permanecer juntos para lutar contra e desmantelar o poder coercitivo e a opressão alimenta a vitalidade e a continuidade de nossas lutas. Gritamos juntos “Até que todos sejam livres” e sentimos essa verdade em nossos ossos.

Nesse espírito de solidariedade, nós o convidamos a participar da 7ª Feira Anual de Livros Anarquistas de Halifax. Este ano, queremos refletir sobre as lutas locais e mundiais, encontrar maneiras de fortalecer nossa solidariedade e aprender novas formas de responder às injustiças urgentes com ação direta coletiva, autodeterminação, ajuda mútua, integridade e alegria.

A Halifax Anarchist Bookfair é um espaço co-criado por anarquistas para anarquistas e curiosos sobre anarquismo para promover a discussão e a disseminação de ideias e práticas anarquistas.

Estamos procurando co-conspiradores para contribuir com o espírito rebelde e o espaço de aprendizado coletivo que a feira de livros oferece. Teremos um dia de oficinas e exposição de livros, zines e arte, com encontros e festas durante todo o fim de semana. Entre em contato com suas dúvidas pelo e-mail halifaxanarchistbookfair@riseup.net

O prazo para pedidos de mesas e propostas de workshops é 1º de julho (entre em contato se tiver uma ideia e precisar de mais tempo!)

Solicitações de mesas:

https://cryptpad.fr/form/#/2/form/view/v-aOEjyaHBt-4XZFAz2boAeyT5Z8oGd+Q

Propostas de workshops: https://cryptpad.fr/form/#/2/form/view/EH3DOivtmmMF9z5dIFIGUUYLCa3ZQFVRQ

Rumo a um K’jipuktuk anárquico e a um mundo mais livre e mais justo.

Tradução > Contrafatual

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/08/06/canada-anunciamos-a-quarta-feira-anual-do-livro-anarquista-de-halifax/

agência de notícias anarquistas-ana

A lua fria —
Sobre o templo sem portão,
O céu tão alto.

Buson

[Chile] “Organízate y Lucha. Revuelta 2019, Resúmen, Comentarios y Conclusiones.”

Escrito em PDF sobre um projeto realizado durante o período de revolta no território dominado pelo Estado chileno.

A despedida que faltava para o projeto nascido no território dominado pelo Estado chileno no calor da revolta de 2019. É importante que, após erros e acertos, tenhamos maior clareza sobre a luta que ocorreu no território e que, com as conclusões corretas, avancemos com novos projetos para que o sistema não consiga ler a revolta como uma simples birra social que conseguiu enterrar com suas histórias democráticas. As condições continuam piorando e não vão parar de piorar porque é assim que funciona. Se conseguirem a militarização desejada da sociedade, eles se considerarão imbatíveis e, então, tornar nossas vidas precárias, destruir ecossistemas, poluir e entregar recursos será moleza para eles se estiverem de olho em nossas cabeças. Reclamar e delegar por meio de votação deveria ter sido algo que deixamos para trás definitivamente, para avançarmos e nos libertarmos da dominação e do controle. Esperamos, então, que o texto o ajude a tirar suas próprias conclusões, que talvez a rotina o tenha forçado a deixar como uma eterna pendência e as toneladas de distrações oferecidas pelo sistema ajudem a mantê-las lá. Um texto crítico, mas talvez necessário para terminar de entender esse processo e como ele continuou a se desenvolver no período posterior a revolta. Um abraço, confiem em seus projetos e não desanimem.

>> Baixe o texto (PDF) aqui:

https://www.mediafire.com/file/03r57pmh84p79kh/Organ%25C3%25ADzate_y_Lucha._Revuelta_2019%252C_Resumen%252C_Comentarios_y_Conclusiones..pdf/file

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Chega a noite
A coruja sai da toca.
Chuva, muita chuva.

Elizandra Soares de Camargo

 

O Inimigo do Rei 46 anos – Vídeo Comemorativo 2023

Em outubro de 2023 foi realizado no Centro de Cultura Social Maloca Libertária, em Salvador, Bahia, um vídeo debate com a presença de compas da Bahia e do Rio Grande do Sul. Comemorando os 46 anos do jornal anarquista O Inimigo do Rei, publicado entre 1977 e 1988 no Brasil. Publicação autogestionária editada, impressa, distribuída e vendida pelos grupos, de grande parte do Brasil, que dele participavam e o mantinham. Principais temas tratados em suas páginas: anarquismo, autogestão, antiautoritarismo, sexualidade, LGBTQIA+, feminismo, racismo, movimento antimanicomial, anarcosindicalismo, federalismo, trabalhadores rurais, drogas, cultura.

>> Veja o vídeo aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=wFxz1__k-xU

www.veiosdakombi.com.br

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agência de notícias anarquistas-ana

durmo sob uma oliveira
com o musgo
por travesseiro

Rogério Martins

[Espanha] Cinco militantes anarquistas são presos sob a acusação de ações de sabotagem

Nos últimos meses, várias agências do Caixa Bank foram sabotadas em solidariedade às cinco pessoas que serão julgadas em novembro.

Nesta semana, os Mossos d’Esquadra [polícia catalã] prenderam cinco pessoas acusadas de terem participado de cerca de trinta atos de sabotagem em caixas eletrônicos do Caixa Bank, com um valor total de danos estimado em 70.000 euros. As prisões ocorreram em Barcelona, L’Hospitalet de Llobregat e Santa Coloma de Gramenet. A sabotagem supostamente consistiu principalmente em despejar líquidos corrosivos e destruir vidros e telas com objetos contundentes.

Essas ações foram realizadas em solidariedade às 5 pessoas que foram presas em setembro de 2022 acusadas de atacar e causar danos a bancos durante uma manifestação em 1º de maio em Barcelona. De acordo com a Egida-Defensa Colectiva Anarquista, essas pessoas serão julgadas em 15 de novembro deste ano. Essas ações de sabotagem foram especificamente dirigidas contra instituições bancárias do Caixa Bank por sua participação, como acusação particular, em um processo judicial, portanto, além dos danos, os Mossos também acusaram os cinco anarquistas presos de grupo criminoso e obstrução da justiça.

Todos os detidos foram liberados ontem (19/06) e, na terça-feira, várias organizações se reuniram em frente à delegacia de polícia de Corts para denunciar as prisões.

Fonte: https://ppcc.lahaine.org/detenidos-cinco-militantes-anarquistas-de

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A mesma paisagem
escuta o canto e assiste
a morte das cigarras

Matsuo Bashô

[Itália] Lançamento: Ecologia social e o direito à cidade

As cidades estão cada vez mais na vanguarda da atual crise ambiental e social e são, ao mesmo tempo, sua principal causa e possível solução.

Em todo o mundo, uma nova onda de movimentos sociais urbanos está crescendo para combater a exploração econômica, a exclusão social, as políticas de imigração desumanas, a opressão de gênero e a devastação ecológica. São movimentos que, ao mesmo tempo, estão construindo alternativas econômicas, sociais e políticas baseadas em solidariedade, igualdade e participação.

Esta antologia desenvolve os debates iniciados no Instituto Transnacional de Ecologia Social (TRISE) sobre a necessidade urgente de reconstruir as realidades sociais e políticas das cidades de nosso mundo. Ela discute as perspectivas dos movimentos urbanos radicais, examina o potencial revolucionário do conceito de direito à cidade e analisa como os movimentos ativistas, intelectuais e comunitários podem trabalhar juntos em prol de um futuro ecológico e inclusivo.

Em uma conversa frutífera entre teoria e prática, este livro abre novas maneiras de repensar a mudança sistêmica urbana de forma a desafiar a opressão e transformar a maneira como as pessoas trabalham, criam e vivem juntas.

Ensaios e contribuições de: Ercan Ayboga, Diana Bogado, Dan Chodorkoff, Emet Değirmenci, Eleanor Finley, Magali Fricaudet, Havin Guneser, Metin Guven, Theodoros Karyotis, Noel Manzano, Inés Morales, Brian Morris, Jemma Neville, Egit Pale, Alexandros Schismenos, Marta Solanas Domínguez, Olli Tammilehto, Federico Venturini.

ECOLOGIA SOCIALE E DIRITTTO ALLA CITTÀ

Vários autores

Editado por Federico Venturini, Emet Değirmenci e Inés Morales Bernardos

pp.208 EUR 15,00

ISBN 978-88-95950-77-8

zeroincondotta.org

Tradução > Liberto

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E tu, aranha
como cantarias
neste vento de outono?

Matsuo Bashô

[Espanha] Carta de Abel desde Brians II

07-06-2024

…Estou na prisão há apenas uma semana, os primeiros dias foram complicados porque fui pego no trabalho e não esperava ser enfiado numa prisão. Passei os primeiros dias muito triste porque minha mãe está no hospital, felizmente ela está fora de perigo. Apresentei uma solicitação especial para sair com os policiais, estou esperando que eles a concedam, mas tenho a sensação de que não a concederão.

Meu caso é um pouco complicado porque eles incluíram um crime contra as liberdades individuais. Está claro que, neste país de merda, ser fascista é uma liberdade individual. Nós já sabemos onde estamos.

(…) Meus crimes geralmente são ataques contra a autoridade e desordem pública, mas depois de uma manifestação contra o Jusapol, um colega agrediu um fascista. Eu o ajudei a fugir e fui considerado coautor do crime e peguei 3 anos e 9 meses. Eles me colocaram em um módulo para crimes de sangue, onde há pessoas que, por uma tarde ruim, estão pegando 15 anos, e estou em um dilema porque me disseram que posso aproveitar a lei de anistia e acho que isso é um insulto aos meus companheiros. Além do fato de ser uma lei feita por políticos para políticos, mas minha família e meus companheiros não me querem na prisão.

Recebi muita solidariedade de companheiros diretos e de pessoas que nem conheço, e isso me enche de alegria, assim como receber sua carta… Eles me disseram que neste domingo marcharão até a prisão de Brians para fazer barulho e enviar força não apenas para mim, mas para todos os presos.

Um forte abraço

Abel

Nota da ANA:

Jusapol é um grupo de elementos da Polícia Nacional, uma associação que pretendia unir sob a mesma bandeira os agentes da Polícia Nacional e da Guarda Civil daquele país.

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Frases compostas
no sol que passeia
sob minha caneta.

Jocelyne Villeneuve

[Bélgica] Sede do partido Vlaams Belang é atacada durante marcha contra a extrema direita

Durante uma marcha contra a extrema direita em Bruxelas, os manifestantes atacaram e danificaram a sede do partido separatista flamengo de extrema direita e anti-imigração Vlaams Belang. Eles picharam o prédio com frases anarquistas e jogaram balões de tinta e ovos.

Segundo a polícia, cerca de 4.500 manifestantes participaram na marcha realizada no domingo (16/06), que foi organizada pela Coordenadora Antifascista da Bélgica (CAB). Os organizadores falam de 10.000 participantes.

Reação aos resultados eleitorais

Os organizadores consideram a vitória de Vlaams Belang nas eleições parlamentares do passado domingo um dos motivos da manifestação. O partido ficou em segundo lugar na Flandres, 1,2 pontos percentuais abaixo do N-VA, de centro-direita. O partido conseguiu um resultado melhor do que em 2019, mas os grandes ganhos que as pesquisas previam não se concretizaram.

Em resposta à destruição, Vlaams Belang diz lamentar “que a extrema esquerda se recuse a respeitar a democracia e invariavelmente use a violência e o vandalismo. Esperamos que a polícia e o judiciário tomem medidas decisivas contra tudo isso e os anarquistas”, disse o partido.

Vlaams Belang é um partido de extrema direita e nacionalista que quer que a Flandres se separe da Valônia. Deter a migração é uma ponta de lança do partido: “Desfazer o erro multicultural” é um dos seus quatro princípios.

A sede do partido é frequentemente alvo de ataques. Em 2019, a fachada do edifício foi diversas vezes vandalizada e danificada.

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/06/18/protestos-varrem-a-franca-contra-a-ameaca-da-extrema-direita/

agência de notícias anarquistas-ana

na blusa velha,
muitas borboletas –
ele adora tocá-las…

Rosa Clement

[Espanha] Se puder, apoie os projetos anarquistas

O projeto do Ateneo Anarquista remonta a 2016, quando Gabriel foi libertado (o que, na época, acreditava-se ser definitivo). Sem conhecer as intenções de voltar a prender/sequestrar Gabriel, o trabalho foi realizado no Ateneo/moradia até o outono de 2017, quando os companheiros foram forçados a fugir. A partir dessa data, esse espaço voltou a ser um lugar abandonado até o verão do ano passado, quando Gabriel foi finalmente libertado novamente. Havia e ainda há muito trabalho a ser feito; no momento, a estrutura precisa urgentemente de um telhado para impedir a entrada de água. Para concluir o trabalho, são necessários 2.500 euros até o final de julho. Este é um apelo para aqueles de nós que acreditam em moradia decente, autogestão, espaços rurais autônomos e de formação libertária.

Agradecemos seu apoio.

Saúde e Anarquia

agência de notícias anarquistas-ana

poeirão
se levanta no caminho
secam meus olhos

Marcos Amorim

[Colômbia] Plenária Internacional 2024

A Associação Internacional dos, das e des Trabalhadores (International Workers’ Association – IWA) dá as boas-vindas a todas as suas seções e organizações amigas para a Plenária 2024, que será realizada pela primeira vez na Colômbia.

A Unión Libertaria Estudiantil y del Trabajo – ULET, a seção colombiana da Internacional, recebe com alegria e carinho seus companheiros, companheiras e companheires de todo o mundo na cidade de Bogotá nos dias 29 e 30 de junho.

Em seus mais de 100 anos, a IWA continua a unir de forma fraterna as lutas anarcossindicalistas em todo o mundo e a fortalecer as forças daqueles que lutam por um sindicalismo revolucionário sem hierarquias, com vistas à emancipação econômica, política e moral dos oprimidos do mundo até que o comunismo libertário seja alcançado.

Novas regiões do mundo estão cada vez mais se unindo à luta pela liberdade, justiça social e autogestão plena da vida.

Bem-vindos, bem-vindas e bem-vindes.

uletsindical.org

agência de notícias anarquistas-ana

uma folha cai
o chão cheio de folhas
o vento distrai

Marcio Luiz Miotto (Pitu)

[Espanha] Crônica: 15J. Jornada de caminhada e memória

No sábado, 15 de junho, juntamente com os companheiros de Nuestra Memoria Nuestra Lucha, fizemos uma rota por algumas das posições do Batalhão Alpino [que lutou durante a Guerra Civil]. O clima estava ótimo para a caminhada e, graças às explicações de nosso companheiro do grupo NMNL, que atuou como nosso guia, pudemos aprender muito sobre o batalhão, a geografia e a história dessa área da Serra de Guadarrama.

Desde o Puerto de Cotos, com um grande grupo de pessoas, caminhamos até Peña Citores e visitamos várias posições e trincheiras do batalhão, iniciando a viagem de volta após o almoço perto da Fuente de los Pájaros.

A verdade é que temos que admitir que ficamos surpresos com a grande receptividade do evento e lamentamos que algumas pessoas tenham ficado de fora, mas, devido ao número de inscrições, tivemos que estabelecer um limite para que o grupo não ficasse muito grande. Para aqueles que compareceram, obrigado pelo interesse e pela boa companhia. E aos companheiros de Nuestra Memoria Nuestra Lucha só nos resta enviar um abraço fraterno e agradecer por estarem sempre tão dispostos a realizar esse tipo de atividade e por tornarem tudo tão fácil e próximo. Sem vocês, isso não teria sido possível.

Deixamos abaixo algumas fotos tiradas durante o percurso.

Saudações libertárias a todos vocês. Esperamos vê-los novamente em outra ocasião.

Fonte: https://sierra.cntmadrid.org/cronica-senderismo-memoria/

agência de notícias anarquistas-ana

Amanhece em flor
e anoitece pelo chão
— efêmero ipê

Marba Furtado

Lula admite contradição com transição energética, mas faz questão de explorar combustíveis fósseis na foz do Amazonas

Presidente disse ser natural que órgãos do governo tenham posições diferentes sobre exploração, mas que país não pode deixar de “ganhar dinheiro com esse petróleo”.

A decisão do IBAMA, técnica, tomada com base na legislação ambiental, de negar a licença para a Petrobras perfurar um poço de exploração de petróleo no bloco FZA-M-59, na bacia da foz do Amazonas, virou de vez uma pendenga política. E pela fala do presidente Lula, que se coloca como o “juiz” da questão, o veredito já foi dado. Ao que parece, o meio ambiente e o clima serão mais uma vez sacrificados em prol de recursos financeiros que, além de incertos, não irão beneficiar a população, cada vez mais atingida por eventos climáticos extremos provocados pela justamente pelos combustíveis fósseis.

Lula já havia defendido a exploração da foz do Amazonas na semana passada, mas “respeitando o meio ambiente” – seja lá o que isso signifique em uma região de altíssima sensibilidade e grande risco ambiental, como constatou o IBAMA. E na 3ª feira (18/6), em entrevista à CBN, o presidente reiterou essa posição, deixando claro que a decisão final sobre uma questão técnica será sua.

“O problema é que o IBAMA tem uma posição, o governo pode ter outra posição. Em algum momento eu vou chamar o IBAMA, a Petrobras e o Meio Ambiente na minha sala para tomar uma decisão. Esse país tem governo e esse governo reúne e decide”, disse Lula, em fala repercutida por diversos veículos, como O Globo, g1, Folha, R7, Valor, Agência Brasil e 18 Horas.

As pontuações de Lula sobre petróleo na foz do Amazonas trazem algumas “curiosidades”, para dizer o mínimo. Ele afirmou que “se as pessoas podem ter posições técnicas, vamos debater tecnicamente”, mas não cabe ao presidente da República a avaliação técnica. O órgão capacitado para o tema, no caso, o IBAMA, já fez o diagnóstico, do qual a Petrobras já recorreu, como determina o procedimento legal. Um recurso que ainda está sendo analisado, como já disse várias vezes o presidente do órgão ambiental, Rodrigo Agostinho.

Lula foi questionado sobre a contradição entre o discurso ambiental de seu governo e a exploração de combustíveis fósseis. Mais precisamente, detalha o g1, sobre o desalinhamento entre lamentar o desastre climático do Rio Grande do Sul e investir na exploração de petróleo na foz do Amazonas, quando a ciência já mostrou de forma exaustiva a relação entre a queima desses combustíveis e as mudanças climáticas, causadoras de eventos extremos como o que atingiu o território gaúcho.

A princípio, Lula negou a contradição. Mas acabou admitindo a ambiguidade: “É contraditório? É, porque nós estamos apostando muito na transição energética. Ora, enquanto a transição energética não resolve o nosso problema, o Brasil tem que ganhar dinheiro com esse petróleo”. E completou: “O que não dá é para a gente dizer a priori que vai abrir mão de explorar uma riqueza que se for verdade as previsões é uma riqueza muito grande para o Brasil”.

Assim, Lula parece ainda estar preso em 2006, quando, em seu primeiro governo, foi descoberto o pré-sal, então a maior província petrolífera descoberta no mundo. As imensas reservas foram apontadas pelos entusiastas como a solução para tirar o Brasil da pobreza. 18 anos depois, as desigualdades sociais persistem, e a tal “riqueza” ao qual o presidente se refere ficou nas mãos de poucos. Algo natural em uma indústria concentradora de renda como a petrolífera.

Uma dúvida é saber qual é o “nosso problema” que, para Lula, a transição energética precisa resolver. Ao que parece, a expectativa do presidente é que as fontes renováveis de energia só serão prioridade quando gerarem a “riqueza” que petróleo, gás fóssil e carvão prometem [e não entregam] para a sociedade.

Fonte: https://climainfo.org.br/2024/06/18/lula-admite-contradicao-com-transicao-energetica-mas-faz-questao-de-explorar-combustiveis-fosseis-na-foz-do-amazonas/

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agência de notícias anarquistas-ana

Neste bosque urbano
árvore feita em concreto
– meu corpo estremece.

Eolo Yberê Libera

[Espanha] A CGT demonstra sua solidariedade com as três ativistas do SAT de Granada e pede sua absolvição

Do Secretariado Permanente da CGT, queremos expressar nosso apoio às três pessoas do SAT de Granada que foram reprimidas pela “Justiça”.

Três trabalhadoras do sindicato estão sendo solicitadas a cumprir 5 anos de prisão por terem exercido seu direito legítimo de defender os direitos trabalhistas, manifestando-se em frente à sede da Delegação de Turismo do Governo Regional da Andaluzia e tendo desfraldado uma faixa denunciando a demissão de uma trabalhadora de limpeza em 2020. A Junta de Andaluzia, governada pela ala direita repressiva do PP, é a promotora particular, querendo colocar na cadeia pessoas cujo único crime foi denunciar essa demissão.

O SAT denunciou, na época, as ilegalidades cometidas pela Junta de Andaluzia na gestão dos subcontratados e a violação de vários artigos do contrato de limpeza e da Lei de Liberdade Sindical.

Como sindicato, a CGT não pode e não deve virar a cabeça diante de ataques como esse, que são realizados de forma descarada contra trabalhadores e sindicalistas. Como nos casos dos 6 da Confeitaria Suiza em Gijón, dos 6 em Zaragoza, ou dos metalúrgicos, entre outros.

O Estado reprime e oprime a classe trabalhadora quando ela protesta, aplicando impiedosamente a Lei da Mordaça, que deveria ter sido revogada anos atrás, conforme prometido pelo atual governo, mas que ainda está em vigor hoje.

Exigimos a absolvição dessas pessoas, pois uma luta justa, como a denúncia de demissões, não pode ser criminalizada. Pedimos que a justiça seja feita e que a liberdade de associação e os direitos das trabalhadoras não sejam pisoteados, como aconteceu nesse caso, por terem ousado protestar e denunciar as condições de trabalho em regime de semiescravidão. A voz das mulheres que se levantam contra a exploração e a opressão não pode ser silenciada com sua prisão. Não permitamos que isso aconteça.

LIBERDADE E JUSTIÇA PARA AS TRÊS DO SAT

Secretaria Permanente da CGT

Fonte: Secretaria Permanente do Comitê Confederal da CGT.

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

sussurro um ruído
(farfalhar de qualquer folha
ao pé de um ouvido)

Bith

[Portugal] As frases e slogans mais irreverentes e anarquistas da Revolução dos Cravos

“O mais divertido dos livros sobre a revolução de Abril”, 25 de Abril, No Princípio Era o Verbo reúne – ilustradas, lustrosas–, as frases, os slogans, as pichagens, os delírios de ministros, militares, de soldados e freirinhas benza-as Deus.

“Mortos Fora dos Cemitérios, a Terra a quem a Trabalha”. “Abaixo a Foice e o Martelo, Viva o Black and Decker”. “Abaixo os Organismos de Cúpula, vivam os Orgasmos de Cópula”. Este festim resulta da associação espontânea e revolucionária entre o editor e autor Manuel S. Fonseca e o ilustrador Nuno Saraiva. Um partiu em busca das mais loucas frases de Abril e organizou-as, o outro deu-lhes forma e cor, recriando essa madrugada de Depois do Adeus. Um plenário criativo que se enche do louco, desbragado e inebriante florescimento da palavra livre. Uma edição Guerra e Paz que festeja meio século de democracia em Portugal, 25 de Abril, No Princípio Era o Verbo estará disponível na rede livreira nacional no dia 19 de março de 2024.

São dezenas de ilustrações, centenas de frases históricas, e um relato vivo, cheio de surpresas de uma das mais impressionantes algazarras de liberdade, loucura, e inocente destrambelhamento colectivo que o modesto povo português já viveu. 25 de AbrilNo Princípio Era o Verbo veio para festejar esse dia inicial inteiro e limpo que derrubou uma ditadura de 48 anos. Depois de Abril, a liberdade chegou como uma inundação: proliferaram partidos políticos; levantaram-se do chão incendiários educadores do povo; agitaram-se estandartes; colaram-se cartazes; pichagens pintaram paredes; ruas, largos e avenidas entupiram-se com torrentes de gente em loucas manifs. De tudo isso este livro organizado por Manuel S. Fonseca e ilustrado por Nuno Saraiva quer ser a mais despretensiosa – e divertida – testemunha.

Primeiro, num “preâmbulo mansinho, nocturno”, a obra visita e descreve, hora a hora, desde a noite de 24 de Abril, até do dia 25, o percurso, repleto de incidentes e suspense, dos militares que derrubaram o regime. Depois, leva-nos a redescobrir o alucinado desatino das palavras que varreu Portugal durante o PREC, tempo em que os portugueses pareciam estar loucos e sem freios, evocando cartazes, os gritos das manifestações, as paredes e muros pintados. “Nem Mais um Soldado para as Colónias, Nem mais uma Freira para o Céu”, “Abaixo a reacção! Viva o motor a hélice”, “Libertação imediata dos chatos oprimidos”, “Os soldados são filhos do povo. Os generais são filhos da puta”, “Se Deus existe o problema é dele”.

“O 25 de Abril foi um dia polifónico em que da voz de cada português saiu uma palavra, fosse essa palavra exaltante, ridícula, hiperbólica, tímida, ou do mais sublime humor. Dessas palavras se construiu o Portugal que hoje somos. 25 de Abril para ler, sempre!”. Sublinham os autores.

Um livro para revolucionários reumáticos e a reaccionários obcecados, para quem viveu o 25 de Abril de 1974, mas também para quem nem sequer ainda sonhava nascer, 25 de Abril, No Princípio Era o Verbo chega à rede livreira nacional, numa edição Guerra e Paz.

25 de Abril, No Princípio Era o verbo

Organização: Manuel S. Fonseca

Ilustrações: Nuno Saraiva

Não-Ficção / História

168 páginas · 15×23 · 16 €

Fonte: https://www.e-cultura.pt/artigo/32945

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Mal o dia clareia
a passarada
em coro chilreia

Eugénia Tabosa

Lula defende exploração de petróleo na Foz do Rio Amazonas | “O país não pode deixar de ganhar dinheiro com esse petróleo”

O presidente Lula (PT), idiota-hipócrita-desenvolvimentista, afirmou na quarta-feira (12/06), durante evento internacional de mega-bilionários, que o Bra$il “não pode perder a oportunidade” de exploração de petróleo no bloco da Margem Equatorial, na Foz do Rio Amazonas.

A extração, defendida pela Petrobra$, é questionada por ambientalistas, indígenas e anarquistas. No ano passado, o Ibama chegou a dar um parecer que impedia a iniciativa, que depois foi liberada pela AGU (Advocacia-Geral da União), provavelmente por pressão do presidente Lula.

Lula sempre defendeu a exploração: “A hora que começarmos a explorar a chamada margem equatorial, acho que a gente vai dar um salto de qualidade extraordinária. O país não pode deixar de ganhar dinheiro com esse petróleo”.

A extração de petróleo na Foz do Rio Amazonas pode prejudicar o bioma de toda a região. Estudos indicam que as construções e intervenções podem alterar a maré e até influenciar na fauna e na flora ao longo de todo o rio.

FII Priority Summit, encontro internacional capitalista e de farsa “verde e sustentável”

Lula reforçou sua posição desenvolvimentista durante o FII Priority Summit, um evento com graúdos investidores internacionais. “[Não podemos perder a oportunidade] de fazer com que esse país, junto com a Arábia Saudita nos Brics, possa criar uma nova forma de investimento, possa criar um novo sistema de tratamento das pessoas”.

Este foi o primeiro evento aberto de Lula com a nova presidente da Petrobra$, Magda Chambriard. De perfil desenvolvimentista, ela substituiu Jean Paul Prates em maio. “A nossa Petrobra$ está quase disputando com a Aramco”, brincou Lula, em referência à gigante petrolífera saudita que financiou o evento em que o presidente falou, no Rio.

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A folha se vai
embarca em qualquer som
rio abaixo.

Masatoshi Shiraishi