[Itália] Comemorando 35 anos da Zero in Condotta

A [editora] Zero in Condotta (Zero em Conduta) foi fundada como uma associação voluntária e sem fins lucrativos entre o final de 1988 e o início de 1989. Seu nome evoca a transgressão e a indisciplina diante de um panorama social, político e cultural cada vez mais orientado para o achatamento e o conformismo generalizados, mascarados por um “falso movimento” contínuo.

A recusa em participar do “espetáculo” é traduzida em um compromisso com a percepção cultural que pretende quebrar as regras do jogo preestabelecido para tentar abrir novos horizontes de liberdade.

A intenção é cruzar limites e fronteiras nunca alcançados, encontrar e comunicar histórias nunca contadas, ler dados e realidades concretas nunca reveladas.

Um eixo privilegiado dessa aposta é a escavação da memória histórica menor, aquela que está escondida e oculta não tanto por estar perdida, mas por ser inconveniente, antiacadêmica, verdadeira.

Zero in Condotta não conta com financiamento, nem com setores pré-estabelecidos para atingir, nem com pontos de venda comerciais estabelecidos. É uma aposta no não consumismo do livro que diz respeito tanto àqueles que o projetam quanto àqueles que o leem e contribuem para sua disseminação.

Se você se sente parte dessa aposta, a festa do 35º aniversário da ZIC é uma oportunidade de apoiá-la, de encontrar seus livros, os que estão no catálogo (50% de desconto) e os que agora estão em pouquíssimos exemplares.

Além disso, é também uma oportunidade de apoiar as atividades do Arquivo Proletário Internacional – que desde 1970 vem coletando e catalogando livros, jornais, revistas, folhetos, cartazes, vários cicloturistas e correspondências – comprando textos e cartazes excedentes, conversando e confrontando, tomando uma cerveja e uma taça de vinho, apresentando livros e pesquisas, projetando vídeos e até mesmo uma simultânea de xadrez…

Começamos com os banquetes às 11 horas da manhã e continuamos até as 19 horas e durante a tarde:

  • às 15h, apresentação de um dos últimos livros publicados: “Ecologia Social e o Direito à Cidade, com Federico Venturini, coautor e editor do livro, uma coleção de experiências e visões em torno da recuperação do conceito de direito à cidade para lançar as bases para um repensar político, econômico e social da gestão e organização da cidade, particularmente significativo hoje que vivemos em um planeta cada vez mais urbanizado.
  • às 16h30, exibiremos um vídeo com Antonio Mazzeo, que falará sobre a evolução da guerra da OTAN e a militarização do território italiano.
  • às 17h00, Daniele Ratti e Massimiliano Bonvissuto falarão sobre os resultados muito significativos de seu estudo sobre as relações existentes entre o Estado italiano e o Estado de Israel, com foco especial nas colaborações existentes entre suas respectivas universidades e centros de pesquisa.

FB: https://www.facebook.com/events/824963782859853/?ref=newsfeed

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

caem folhas do salgueiro
desejaria varrer o jardim
antes de partir

Alberto Marsicano

[França-Holanda-Noruega] Campanha internacional contra a Yara, seus fertilizantes fósseis e seu mundo

#Yarafertilizeschaos

De 21 a 28 de maio, jornada da l’AG da Yara na Noruega

A Yara é a campeã dos fertilizantes sintéticos e, como tal, uma gigante do agronegócio global. Sua especialidade? O lobby do agronegócio. A Yara é uma das principais participantes da industrialização da agricultura em todo o mundo.

Seus lobbies interferem até mesmo nas políticas públicas de alimentos dos países africanos para vender seus produtos. Como resultado, os agricultores se tornam dependentes da Yara e se endividam ou até mesmo vão à falência. Ao impor seu modelo, a Yara está minando os sistemas de agricultura camponesa existentes que alimentam o mundo, são mais resistentes às mudanças climáticas e sabem como passar sem os fertilizantes de nitrogênio sintético.

Os fertilizantes derivados diretamente da extração de combustíveis fósseis são destruidores do clima e poluem tanto os locais de produção quanto os ecossistemas: solo, ar, água, biodiversidade e saúde humana. Apesar disso, a Yara é especialista em “greenwashing” e em fazer as pessoas acreditarem que seu negócio tem futuro.

Ao visar a Yara, nós, os coletivos internacionalistas da Holanda, Noruega e França (mais informações abaixo), queremos destacar uma multinacional pouco conhecida que está bem estabelecida na França e que está trabalhando ativamente para desenvolver seu modelo na Europa e nos países do Sul.

Faremos postagens todos os dias entre terça-feira, 21, e terça-feira, 28 de maio, jornada da l’AG da Yara na Noruega.

Portanto, se, como nós, você acha que a Yara é o símbolo perfeito da agroindústria capitalista poluidora e neocolonialista… ou se quiser falar mais sobre o assunto, mantenha-se atualizado e compartilhe!

SITE

Encontre publicações completas sobre a YARA em www.sdtsn.org

REDES SOCIAIS

Telegrama: @compostyara

Insta: @sdlt.sn

Compost Yara é um pequeno coletivo que monitora e se mobiliza contra a Yara e seu mundo, em conjunto com Soulèvements de la Terre Saint Nazaire e Estuaire. Estamos unindo forças com grupos da Noruega (Spire) e da Holanda (ASEED), bem como com Les Amis de la Terre (França), para expor as mentiras, os mitos e as estratégias desonestas da Yara.

É a campanha europeia #Yarafertilizeschaos

Fonte: https://expansive.info/Campagne-internationale-contre-Yara-ses-engrais-fossiles-et-son-monde-4592#&gid=1&pid=1

agência de notícias anarquistas-ana

selva de pedra
condor solitário
vôo triste

Manu Hawk

[Espanha] CNT-AIT Astúrias contra a queima de resíduos (CSR) em La Pereda

O Departamento de Transição Ecológica, Indústria e Desenvolvimento Econômico autorizou a Hunosa a transformação da central térmica de La Pereda, que deixará de queimar carvão para fazê-lo com biomassa e Combustível Sólido Recuperado (CSR) (31% de plásticos, 13% de papel e papelão, 12% de madeira, 14% de têxteis e 30% de outros materiais).

A queima deste tipo de resíduos é altamente contaminante, acelera a mudança climática e gera problemas associados à saúde das pessoas, dos animais e das plantas.

A queima de resíduos vai em detrimento da reciclagem e da compostagem de ditos resíduos e não deixa de ser uma incineração “pela porta de trás”. A solução alternativa que propõe Hunosa não melhora nada já que queimar resíduos gera o dobro de emissões de CO2 por unidade de energia produzida que uma central térmica de carvão.

Por tudo isso é necessário mobilizar a população para deter este atentado contra a vida e o planeta.

NÃO À INCINERAÇÃO DE RESÍDUOS NA CENTRAL TÉRMICA DE LA PEREDA!

Reciclar e compostar é a alternativa a curto prazo, mas o problema seguirá enquanto não se reduza drasticamente a produção de resíduos plásticos e derivados do petróleo por parte da indústria em escala mundial.

Não permitamos a destruição do planeta pelo capitalismo com a conivência dos governos e Estados.

APOIA E DIFUNDE!

POR NOSSO FUTURO!

Fonte: https://cntasturias.org/2024/05/21/cnt-ait-asturies-contra-la-quema-de-residuos-csr-en-la-pereda

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

O céu, que é perfeito,
andou jogando em seus olhos
o dom do infinito.

Humberto del Maestro

 

Prosas e versos dispersos | “Todo governo é um arranjo de vigaristas”

> Governos <

Todo governo tem seus defensores,

bajuladores e seguidores.

Não importa todas as cagadas,

negociatas, verbas desviadas,

nepotismo, fisiologismo

e interesses escusos,

todo governo tem seus entusiastas.

Todo governo é elitista,

conservador,

e meio fascista.

Mesmo que faça discurso de progressista.

Todo governo é um arranjo de vigaristas.

Nenhum governo há de ser melhor que o outro

ou mudará para melhor nossas vidas.

Pois todo governo, acima de tudo,

é porta-voz da ordem capitalista.

Carlos Pereira Júnior

> Políticos <

Todos os políticos mentem.

Pois é mentindo que se chega ao poder,

que se fala em nome do Estado,

da república e do povo.

Todo político é um demagogo

preso a obscuros acordos.

Um rico a serviço dos ricos,

dos privilegiados e bem nascidos.

Todo político é meio canalha,

meio empresário, meio bandido.

Nunca confie em nenhum político,

repudie todos os partidos,

não acredite na República.

Carlos Pereira Júnior

> A virtude de desobedecer <

Nada muda no mundo

através do jogo tosco

de mandar, obedecer e morrer.

A vida se cria com rebeldia,

fora da prisão da educação

que nunca nos ensina

como dizer não.

É preciso gritar,

espernear e sonhar

para com um novo mundo

algum dia renascer

contra todas as formas de prisão e exploração.

Carlos Pereira Júnior

agência de notícias anarquistas-ana

Em uma flor,
A joaninha pousa
Colorindo o jardim

Vanessa Kaori V. Uechi

[Espanha] Exposição gráfica “No Podrán Pararnos” em solidariedade a Mônica e Francisco

EXPOSIÇÃO GRÁFICA “ELES NÃO PODERÃO NOS DETER”

Mais de 40 trabalhos gráficos serão exibidos durante esse dia em solidariedade aos companheiros anarquistas Francisco Solar e Mónica Caballero, recentemente condenados pelo Estado chileno a 86 e 12 anos de prisão, respectivamente. As obras são a contribuição solidária de diferentes artistas gráficos do Chile e de outros territórios.

Almoço Vegano Solidário

16h00: Abertura da exposição.

17h00: Apresentação do jornal antiprisão “Tinta de Fuga”.

18h30: Atualização sobre a situação dos presos anarquistas e subversivos no Chile.

20h00: Música: – FADE – PUTXAMARANTA

22h30: Encerramento

CSO LA SQUATXERIA

Carrer d’Enric Prat de la Riba 88 – Hospitalet

*As obras expostas estarão à venda.

SOLIDARIEDADE COM AQUELES QUE GOLPEIAM OS PODEROSOS E REPRESSORES!

agência de notícias anarquistas-ana

Sobre o sino,
Repousa e dorme
A borboleta.

Buson

[Grécia] Protesto | Resposta às perseguições antifascistas pelo Caso de Budapeste


  • Concentração em defesa do antifascismo militante
  • Sexta-feira, 24 de maio, 19h00 Embaixada da Hungria, Vasileos Konstantinou 38, Atenas

Todos os anos, desde 1997, no dia 11 de fevereiro, um grande número de grupos de extrema direita e neonazistas se reúnem em Budapeste para eventos públicos, comemorando a tentativa de fuga das tropas nazistas sitiadas da SS e da Wermacht e de seus colaboradores locais de Budapeste em 1945, pouco antes da libertação da cidade das forças do Exército Vermelho. Esse dia é um ponto de referência e de encontro para a extrema direita europeia e ocorre com a total tolerância do Estado húngaro, já que essa data é apresentada como um dia de lembrança histórica pelos apologistas e nostálgicos dos nazistas.

Em 11 de fevereiro de 2023, a polícia húngara fez 6 prisões, sendo que a companheira italiana Ilaria e o companheiro alemão Tobias estão nas prisões húngaras desde então, acusados de atacar neonazistas durante eventos públicos de extrema direita em Budapeste, por ocasião do chamado Dia da Memória. Em particular, Ilaria é acusada de participar de dois ataques contra nazistas, com a circunstância agravante de “colocar em risco a vida da vítima”, além de ser acusada de saber, sem estar envolvida, da existência de uma associação criminosa internacional que organizou os ataques em questão. Já o nosso companheiro alemão Tobias, juntamente com outro companheiro alemão, está sendo acusado de participação em uma organização criminosa.

As condições de detenção nas prisões húngaras são realmente severas e desumanas, criando um ambiente de extermínio mental e biológico com isolamento sensorial e restrições significativas à comunicação e ao acesso ao pátio, condições sanitárias precárias e constantes transferências de presos. No Ocidente “civilizado”, no entanto, as coisas não são muito diferentes, pois tanto o Estado italiano quanto o alemão estão envolvidos em uma caçada implacável aos antifascistas. Mais especificamente, o Estado alemão mantém a companheira Lina como refém há mais de quatro anos, acusando-a de mais de sete ações antifascistas específicas e chegando ao ponto de colocar um preço na cabeça dos companheiros antifascistas, forçando-os a se tornarem fugitivos. Na Itália, as condições de detenção para os envolvidos na luta são torturantes e levam à morte lenta.

Em 29 de janeiro de 2024, ocorre a primeira audiência do julgamento, na qual a acusação propõe uma sentença de 11 anos para o companheiro italiano, enquanto para os outros dois propõe uma sentença de 3 anos e 6 meses. Diante da proposta da promotoria, os companheiros italiano e alemão se declaram inocentes. O companheiro alemão aceita sua participação e é condenado a 3 anos, mas a promotoria entra com recurso, que ocorrerá em outubro, pedindo uma sentença de 3 anos e 6 meses.

No entanto, além do julgamento dos três companheiros, que já está ocorrendo, o Estado húngaro está emitindo Mandados de Prisão Europeus (MDEs) relacionados a esse caso para quatorze pessoas de nacionalidade italiana, alemã, albanesa e síria. Até o momento, três prisões foram feitas na Itália, Alemanha e Finlândia com base nos MDEs. Mais especificamente, em 21 de novembro, o companheiro Gabriele foi preso em Milão e colocado em prisão domiciliar, aguardando a decisão da promotoria, que finalmente decidiu não autorizar sua extradição para a Hungria e, como resultado, o companheiro foi liberado das restrições. Em 12 de dezembro, a companheira Maja foi presa na Alemanha e está aguardando uma decisão sobre sua extradição. Outro companheiro com passaporte albanês foi preso na Finlândia em 2 de fevereiro de 2024 e, por sua vez, permanece em prisão domiciliar até sua possível transferência para as prisões húngaras. Desde então, todos os outros companheiros estão sob o status de fugitivos.

Esse caso vem destacar da maneira mais enfática uma série de tendências que, nos últimos anos, temos visto surgir no contexto internacional. Mais especificamente, por um lado, os Estados estão se armando, atualizando constantemente seu arsenal ideológico e repressivo (militar, legal, tecnológico) contra as explosões sociais ameaçadoras, expandindo o número de grupos sociais que constituem o “inimigo interno”. Ao mesmo tempo, com a intensificação da crise capitalista e a intensificação das rivalidades geopolíticas que levam à turbulência global, as formações de extrema direita estão surgindo na Europa e em outros países, aumentando sua influência social. Formatos e inclinações com narrativas reacionárias, conspiracionistas, demagógicas e populistas, de fácil digestão, que se apresentam como “tábuas de salvação” para a recuperação da estabilidade capitalista. Uma estabilidade capitalista que tenta se estabelecer sobre os corpos afogados dos imigrantes e o empobrecimento da maioria social. Sociedades que estão sendo preparadas pelos Estados para se envolverem cada vez mais em novas guerras imperialistas que levarão a novos massacres e a inúmeras mortes de pessoas de nossa classe.

As perseguições contra os companheiros antifascistas, realizadas com incrível fúria, são ataques a toda a coletividade em luta. Devido à sua profunda natureza internacionalista e anticapitalista, os Estados percebem o antifascismo militante como um meio para a mobilização de classe de uma parte dos oprimidos, com perspectivas de generalizar a resistência contra o Estado, o capital e, mais especificamente, contra os aspectos mais reacionários e sombrios dos regimes e os defensores da brutalidade.

No dia 25 de maio, foi marcada a data do próximo julgamento para os antifascistas perseguidos. Diante dessa situação, optamos por nos solidarizar e lutar ao lado de todos os companheiros perseguidos. Lutar pelo bloqueio dos Mandados de Prisão Europeus e pela libertação de todos os companheiros presos. Contra o reacionarismo sombrio para o qual o sistema capitalista destruído se voltou, defenderemos o antifascismo militante e ergueremos nossas resistências internacionalistas para que a paixão pela liberdade e nossas lutas vençam.

Apoiamos material, moral e politicamente aqueles que continuam a lutar contra o monstro do fascismo, enviando um sinal de solidariedade aos companheiros procurados, reconhecendo os ataques contra os fascistas em Budapeste como um evento de grande importância para o desenvolvimento do movimento antifascista militante nos dias de hoje.

GUERRA CONTRA O FASCISMO, O ESTADO E O CAPITAL – SOLIDARIEDADE A TODOS OS ANTIFASCISTAS PERSEGUIDOS E AOS DOIS MILITANTES PERSEGUIDOS POR ATAQUES AOS ESCRITÓRIOS DO AURORA DOURADA (JULGAMENTO EM 16 DE SETEMBRO)

Antifascistas do centro e dos bairros periféricos de Atenas e Pireu

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/03/29/hungria-ilaria-salis-continua-na-prisao-para-o-tribunal-de-budapeste-ainda-existe-risco-de-fuga/

agência de notícias anarquistas-ana

folhas escuras
tremem na brisa
à contra-lua

Rogério Martins

A arte e a cultura como válvula de escape para resistir à crise em Cuba

Em meio a todos os desafios enfrentados por Cuba, a arte e a cultura continuam sendo refúgios de criatividade e resiliência.

Por Livia Drusila Castro | 20/04/2024

Cuba se apaga. A bela ilha, iluminada pelo sol do Caribe, submerge em uma escuridão que vai além da ausência de eletricidade. O sonho da revolução está se dissipando como a última chama de uma vela.

As bandeiras de propaganda, emblemas do passado glorioso, agora estão desbotadas e gastas, como se o mesmo sol que as desbotou também tivesse acabado com as promessas que uma vez fizeram. Não há luz nas casas, não há comida nas lojas e as pessoas estão protestando.

Em 17 de março, as ruas de Santiago de Cuba foram inundadas por pessoas que se manifestavam contra os apagões que duravam mais de 15 horas por dia, a fome e a crise generalizada de abastecimento do país. A resposta do presidente Miguel Díaz Canel: atribuir os protestos a terroristas radicados nos Estados Unidos e aplicar uma forte repressão que deixou várias pessoas presas e algumas desaparecidas.

No entanto, em meio à escuridão, ainda há um lampejo de luz. A cultura ainda está lutando para sobreviver. Apesar das dificuldades, apesar da falta de material, apesar da falta de recursos, da inflação, dos cortes e da falta de liberdade de expressão, a arte continua viva em Cuba.

Alguns cubanos dizem que vivem “a la my love“, porque, apesar das dificuldades, tentam ver o lado positivo da vida. Daí o nome do premiado documentário Alamarilove, um filme sobre a cultura do bairro de Alamar, no leste de Havana.

Joel, protagonista da produção, conta que “todo mundo foi embora”. O regime os forçou a fugir, e agora, em Alamar, ele é o único que restou. Com 52 anos e nascido na Havana Velha, a área mais turística e bem cuidada da cidade, ele e sua família se mudaram para Alamar quando ele ainda era criança, e hoje ele ainda mora na casa onde cresceu naquele bairro.

Se você nunca o visitou, é difícil descobrir onde fica a porta de seu lar. A vegetação rasteira invadiu o pequeno caminho que leva ao seu estúdio, um cômodo baixo com pouco mais de três ou quatro metros quadrados de escuridão, sem janelas. Joel fala sobre ter ciúmes de suas coisas, mas aquele cômodo é uma armadilha para os curiosos, cheio de livros, esboços, pinturas, antiguidades, roupas, fotos e muitos papéis. Ele não pode negar que é um artista.

Ele pinta desde jovem e sua técnica se baseia no uso de materiais reciclados. Desde tábuas de madeira que ele resgatou da costa até pedaços de papel que encontrou. Mesmo quando não tinha papel, Joel pintou diretamente sobre a madeira. Ele obtém suas tintas por meio de doações de amigos e turistas que, quando o visitam, deixam-nas para que ele possa continuar criando. No passado, ele até usava pigmentos da terra, porque não havia, e ainda não há, quase nada nas lojas.

Suas pinturas, ele explica, se baseiam em suas experiências. “Pinto o que vejo na rua, é assim que vejo as pessoas”. Ele se recusa a cair no mesmo padrão que querem vender nas lojas de turismo: ele não pinta catedrais, casas cubanas ou pessoas negras dançando salsa. Melhor morrer de fome, diz ele.

O artista conta que, em algumas ocasiões, sentiu-se vigiado pela polícia e que centenas de pessoas passaram por sua casa, “desde guerrilheiros das FARC na Colômbia até membros do movimento americano Panteras Negras”. Mas ele quer ir embora, diz resignado.

A Casa Amarela: arte contestatória em tempos de crise

Uma de suas últimas exposições ocorreu na Casa Amarela. Um centro cultural localizado no Centro Habana que está em atividade há cerca de quatro anos. Juan Manuel Pérez, cinegrafista, fotógrafo e fundador dessa iniciativa, fala sobre como a pandemia abalou Cuba e afetou o movimento cultural na ilha. O nome, Casa Amarela, é uma homenagem à pintura a óleo de Vincent Van Gogh de mesmo título.

Seu projeto busca receber artistas de diferentes disciplinas e oferecer a eles um espaço no qual possam se tornar conhecidos, continuar a criar e gerar sinergias entre os diferentes membros do coletivo.

“Era por volta das 12 horas da noite quando a energia foi cortada pela última vez na Casa Amarilla”, lembra Pérez. Eles estavam no meio de um evento musical e a energia acabou. Felizmente, não foi por muito tempo e o show pôde continuar. Havana não é a cidade com mais cortes de energia, a situação é agravada nas cidades mais ao leste. Lá, muitas famílias, durante os protestos do 17M, reclamaram que a comida na geladeira estava estragando por causa dos cortes e que não podiam guardar nada na geladeira. Sem mencionar o calor de estar em casa sem poder ligar o ventilador a 40 graus.

O objetivo de Juanma Pérez com seu projeto, mais que consolidado, é criar um tipo de consciência coletiva que chame cada vez mais artistas para se reunirem em seu espaço. O centro já sediou diferentes experiências artísticas de todas as disciplinas: exposições de artistas visuais, fotografia, cineclube, dança, concertos musicais, desfiles de moda locais e oficinas para crianças. No entanto, o produtor não acha que a ideia esteja pegando. Sua percepção é que muitos dos artistas que aproveitam seu espaço não querem colaborar mais estreitamente.

Pérez acredita que a dificuldade de evolução de seu projeto se deve ao individualismo e ao ego do artista, que quer criar seu próprio projeto, e às dificuldades do país. “Se você não tem estômago cheio, fazer arte é complicado”, diz ele.

O fotógrafo é comprometido com a cultura. Desde criança, ele sabia que o cinema fazia parte dele. Há alguns meses, ele lançou o documentário Maternando en Cuba, feito em colaboração com Yindra Regueifero, atriz do grupo de teatro El Ciervo Encantado. Essa produção é baseada no testemunho de quatro mães que falam sobre suas experiências de maternidade em Cuba. Três delas dizem ter sofrido algum tipo de violência obstetrícia ou negligência durante o parto. Outra fala sobre os perigos de morar em uma casa que está inabitável desde 1964, onde até pedaços do telhado caem. Em Havana é comum encontrar escombros nas esquinas ou restos de varandas que caíram devido à falta de manutenção.

Elas falam da incerteza, da dor que sentem quando não conseguem alimentar seus filhos adequadamente, de não poder lhes dar um bom lanche ou café da manhã. Caridad, uma das mulheres, lamenta ter de dar a seus filhos um ovo cozido para comer porque não tinha mais nada. Amanda se sente impotente por causa da doutrinação nas escolas e da confusão que pode causar a uma criança o fato de lhe dizerem certas coisas que, para ela, não são verdadeiras. Um documentário que, a partir das particularidades da vida de cada mãe, explica a situação em Cuba.

Uma mistureba de disciplinas artísticas

Santa Clara é a capital da cultura cubana. A cidade tem o primeiro centro cultural LGTBIQ+ do país, o Mistureba [Mejunje]. Esse centro foi criado em 1984 e, desde então, tem se envolvido em diferentes campanhas contra a homofobia, a discriminação e a prevenção do HIV.

O espaço foi projetado para promover a arte e a cultura por meio da inclusão. Toda noite há uma atividade diferente: teatro, música ao vivo, trovadores, não importa o dia da semana. E a razão de seu nome vem do fato de que várias disciplinas artísticas são frequentemente misturadas na mesma apresentação, criando uma “mistureba”.

Por exemplo, uma noite por semana eles fazem uma apresentação que mistura teatro, música ao vivo e poesia. E os temas que eles abordam com frequência estão relacionados à colonização espanhola e ao período pós-colonial.

O criador desse centro se chama Silverio e ali todos o conhecem e o apreciam. Ele diz que o Mistureba foi um projeto espontâneo. Foi concebido para um público jovem com base no respeito à inclusão e à diversidade e gradualmente evoluiu para o que é hoje, um ícone e um exemplo a ser seguido em todo o país.

Traços Livres: um projeto comunitário que democratiza a arte

Em outras províncias, outros mais jovens que Silverio também estão lutando para manter a arte e a cultura vivas. Em Cienfuegos, o projeto sociocultural comunitário Traços Livres [Trazos Libres], criado por Santiago Hermes e Mary Cid, está comemorando seu 15º aniversário este ano. Sua sede fica no Distrito Criativo La Gloria, um lugar que se tornou o cenário de quase vinte projetos de desenvolvimento local: arte, música, dança, teatro, cursos, seminários, uma galeria multiuso…

Hermes é neto de Gumersindo Soriano, diretor do grupo Los Naranjos e precursor do estilo musical cubano em Cienfuegos, La Perla del Sur. Portanto, por herança familiar, ele tem arte em suas veias. Seu trabalho e o de sua companheira trouxeram mais de 50 fachadas de edifícios de volta à vida com diferentes murais sobre temas distintos. Uma intervenção artística que está atraindo cada vez mais pessoas. A ideia é envolver toda a vizinhança e fortalecer o senso de pertencimento entre os moradores.

Eles conseguiram colocar a arte a serviço e ao alcance das pessoas e fizeram com que caminhar por Cienfuegos se tornasse um diálogo entre o espectador, o urbanismo da cidade e as pessoas que a habitam.

Em meio a todos os desafios enfrentados por Cuba, a arte e a cultura continuam sendo refúgios de criatividade e resiliência. Apesar dos apagões e da escassez, expressões artísticas como as pinturas de Joel, os eventos da Casa Amarilla, as apresentações do Mejunje e os murais do Trazos Libres continuam a iluminar a vida cotidiana dos cubanos. Nesses espaços, válvulas de escape, a comunidade encontra descanso, uma conexão com sua identidade e uma maneira de resistir às dificuldades da vida cotidiana.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/cuba/arte-cultura-valvula-escape-resistir-crisis-cuba

Tradução > anarcademia

agência de notícias anarquistas-ana

Vai brotar no tempo
Tempo traz vento
Natureza canta e desencanta.

Mara Mari

[Espanha] O vestígio da CNT-FAI na rua de la Lleona

A fachada traseira da paróquia de Sant Jaume conserva um grafite com as siglas do sindicato realizada nos primeiros dias da guerra civil, quando a igreja foi confiscada pelos milicianos anarquistas

Por Xavi Casinos | 28/01/2024

A fachada traseira da igreja de Sant Jaume, na rua de la Lleona, conserva desde os primeiros dias da guerra civil um grafite com as siglas CNT-FAI. A paróquia foi um dos edifícios confiscados pelo sindicato anarquista, que foi chave para fazer fracassar o golpe em Barcelona graças à mobilização de seus numerosos filiados.

O grafite sobrevive milagrosamente, mas ali segue desde julho de 1936, quando presumivelmente foi realizado. Em 19 desse mês, horas depois da sublevação militar em Melilla contra a República, algumas unidades do exército saíram dos quartéis para dirigirem-se ao centro da cidade, mas foram neutralizadas pelas forças da ordem pública e militantes de sindicatos e partidos de esquerda.

A CNT-FAI teve um especial protagonismo e, uma vez sufocado o golpe de estado na capital catalã, este sindicato, a UGT e o POUM, entre outras organizações, ocuparam igrejas, hotéis e palácios, que se converteram em comedores sociais, armazéns e alojamentos para refugiados. Sant Jaume foi uma das igrejas confiscadas pela organização anarquista, que, como os demais, iniciaram uma corrida para marcar território mediante grafites a pincel por toda a cidade.

Sant Jaume não é a única paróquia que conserva os grafites da CNT-FAI, mas sim são as mais conservadas. No bairro de Sant Andreu, na igreja de Sant Pacià, custa vê-las, mas subsiste o rastro das siglas do sindicato lado a lado da porta principal. Há que fixar-se muito bem porque estão praticamente apagadas, mas ali seguem. O franquismo as fez desaparecer com uma camada de cimento, que o tempo foi erodindo até deixar a descoberto a impressão do grafite feita com alcatrão. Sant Pacià se salvou de ser incendiada graças ao pároco do momento, que negociou com os milicianos anarquistas que respeitaram o templo em troca de convertê-lo em um comedor social.

Não teve igual sorte a paróquia de Sant Andreu, na plaza Orfila, que sofreu a ira dos milicianos, que inclusive planejaram explodir sua icônica cúpula. De fato, já tinham colocadas as cargas de dinamite, mas um funcionário municipal conseguiu convencê-los no último momento, pelo perigo que implicava para as moradias vizinhas.

Fonte: https://www.lavanguardia.com/local/barcelona/20240128/9506469/vestigio-cnt-fai-calle-lleona.html

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

A ipoméia
Tomou-me o balde do poço –
Busco água no vizinho.

Kaga no Chiyoni

[Internacional] Proposta para sabotadores da pesca

O assassinato de peixes, encobertamente chamado “pesca”, é a atividade de assassinato mais normalizada praticada por humanos comuns. Tão normalizada, que não é parte de um ponto de ataque por parte do movimento. Estes animais são perseguidos, presos e com a sanha de qualquer assassino em série, torturados até a morte em uma asfixia que será de uma longa agonia.

Usualmente os peixes são dos animais que menos consideração se tem de sua vida e existência. Não consideramos necessário explicar neste âmbito com detalhe a subjugação a que estão sujeitos os peixes, ou porque deveríamos respeitar suas existências, mas tentamos dar um panorama geral de nossa intenção.

Cremos em uma luta pela liberação animal de ação direta tanto violenta como não violenta, e inspirados na sabotagem da caça e a surpreendente eficácia que possui esta prática, decidimos convocar antiespecistas de todo o mundo a somar-se à sabotagem da pesca e assim gerar uma frente de resistência onde não há, e desta forma seguir avançando na luta contra subjugações de animais, desde todos os lados possíveis:

Fazemos um chamado a:

  • Tratar de salvar ou liberar os peixes presos e a vida marinha em geral.
  • Tratar de deter atos de pesca mediante diversas táticas.
  • Dificultar a pesca quando não é possível detê-la.
  • Atacar ou atemorizar os pescadores.
  • Gerar-lhes o maior dano possível a seus objetos de assassinato e pertences.
  • Difundir a mensagem contra a pesca.
  • O chamado é basicamente evitar que assassinem e se o fazem que não lhes seja tão fácil como é, ao mesmo tempo criando passo a passo uma frente que construa uma realidade na qual submeter animais seja perigoso para os assassinos de animais.

Não pretendemos limitar-nos a atacar somente o assassinato de peixes, mas que a pesca faça parte dos tantos objetivos que temos contra a subjugação de animais. As possibilidades de sabotagem são tão amplas como nossa vontade e criatividade, seria bonito inteirar-nos e inspirar-nos com todo tipo de ideias levadas na prática.

Adiante sabotadores da pesca!

Fonte: https://unoffensiveanimal.is/2024/04/08/anonymous-submission-for-the-sabotage-against-fishing/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

verdes vindo à face da luz
na beirada de cada folha
a queda de uma gota

Guimarães Rosa

[França] 82º Congresso da Federação Anarquista

De 18 a 20 de maio de 2024, o grupo Pierre Kropotkine sediou o 82º congresso da Federação Anarquista (Fédération Anarchiste) em Merlieux-et-Fouquerolles.

Embora o clima muitas vezes parecesse estar a serviço do grande capital, nada detém os libertários quando eles se unem e se federam.

Vários grupos de trabalho abordaram temas que foram desde o anticarcerário até a igualdade de gênero, antimilitarismo, energia nuclear e seu mundo, a ascensão do nacionalismo…

O evento também foi uma oportunidade de receber organizações amigas (Libre Pensée, USD-CGT “la Tortue Axonnaise”, CNT-AIT, Coordination anti-nucléaire, UCL) e de sediar uma reunião da IFA (Internacional das Federações Anarquistas).

Os debates foram ricos e as moções e comunicados serão publicados em breve. Obrigado a todos que ajudaram, pois a ajuda mútua e a solidariedade são nossas melhores armas para mudar este mundo, que precisa muito de mudanças.

Viva o federalismo libertário!

Fonte: https://www.kropotkine02.org/2024/05/21/82eme-congres-de-la-federation-anarchiste/

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Muro de parquinho —
Pequena abelha descansa
sobre a flor pintada.

Teruko Oda

[EUA] Horizontes Florescem, Fronteiras Desaparecem: Anarquismo e Literatura Iídiche

Abrangendo os dois últimos séculos, “Horizons Blossom, Borders Vanish: Anarchism and Yiddish Literature” [“Horizontes Florescem, Fronteiras Desaparecem: Anarquismo e Literatura Iídiche” em tradução livre], de Anna Elena Torres, combina pesquisa em arquivos sobre a imprensa radical e leituras atentas da poesia iídiche, oferecendo um estudo literário original do movimento anarquista judaico.

Torres examina a estética anarquista iídiche desde os poetas imigrantes proletários russos do século XIX, passando pelas vanguardas modernistas de Varsóvia, Chicago e Londres, até os compositores antifascistas contemporâneos. O livro também rastreia estratégias anarquistas judaicas para negociar a vigilância, a censura, a detenção e a deportação, revelando a conexão entre o modernismo iídiche e as lutas pela liberdade de expressão, a autonomia corporal das mulheres e a circulação transnacional da literatura de vanguarda.

Em vez de enfocar narrativas de assimilação, Torres intervém em modelos anteriores da literatura judaica ao enfocar as críticas de refugiados à fronteira. Os deportados, imigrantes e refugiados judeus se opuseram à cidadania como a principal garantia dos direitos humanos. Em vez disso, eles cultivaram imaginações apátridas, elaboradas por meio da literatura.

Junte-se ao YIVO para uma discussão com Torres sobre este novo livro, conduzida pela acadêmica Amelia Glaser. Evento copatrocinado pela Biblioteca Tamiment da NYU e a Associação da História do Trabalhismo e da Classe Trabalhadora (LAWCHA)

Compre o livro em: https://yalebooks.yale.edu/book/97803

Anna Elena Torres é professora assistente de literatura comparada na Universidade de Chicago. Torres foi coeditora de “With Freedom in Our Ears: Histories of Jewish Anarchism” (“Com a Liberdade em Nossos Ouvidos: Histórias do Anarquismo Judaico”, em tradução livre); publicado pela Editora da Universidade de Illinois em 2022.

Amelia Glaser é professora de literatura russa e literatura comparada na UC San Diego. Seus interesses de pesquisa e ensino incluem literatura e cinema russos, literatura judaica transnacional, literaturas da Ucrânia, literatura de imigração para os EUA, a tradição crítica russa e teoria e prática de tradução. Atualmente, ela está escrevendo sobre poesia na Ucrânia contemporânea.

>> Assista aqui: 

https://www.youtube.com/watch?app=desktop&v=Z2A6Ft9Vcd0&feature=youtu.be

Tradução > anarcademia

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/08/20/franca-lancamento-anarquistas-e-judeus-anarquismo-antissemitismo-antissionismo-de-pierre-sommermeyer/

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Brisa de outono
Como flechas de sombras
Os pássaros voltam.

Jorge Lescano

[País Basco] Volta a Feira do Livro Anarquista à Bilbao

  • Em 25 e 26 de maio, o parque do Arenal acolherá a XVIII Feira
  • Serão organizadas apresentações de livros, palestras, oficiais… “com o objetivo de que pessoas de qualquer idade possam participar na cultura libertária“, assinalam as organizadoras.

A cultura libertária volta a tomar o parque do Arenal, em Bilbao. Celebra-se no fim de semana de 25 e 26 de maio.

Os horários de abertura ao público serão das 11h00 às 22h00 no sábado, e das 11h00 às 15h00 no domingo. As editoras e distribuidoras que participarão na Feira do Livro Anarquista são: Mujeres Libres, Piedra Papel Livros, Fundación Anselmo Lorenzo, Ateneo Lagun, DDT Banaketak, Ekintza Zuzena, Virus Editorial, Irrecuperables, Txarraska, Lura Banaketak, Pikara Magazine e Fuera de Orden, entre outras.

Durante toda a Feira, estará a exposição: “O anarquismo Basco e seus protagonistas: história geral e biografias de Casilda, Felix Padin e Isaac Puente“.

As outras atividades são as seguintes:

Sábado 25 de Maio

11h30 – “Nova Economia”: socialismo libertário a eraikitzen (1936-1939). A Fundação Anselmo Lorenzo vai publicar brevemente o Livro de Miguel G. Gómez “La CNT y la Nueva Economía. Del colectivismo a la planificación de la economía confederal (1936-1939)“. Para introduzir os temas do livro, Endika Alabort, membro do ICEA, oferecerá um colóquio a respeito, em euskera.

13h00 – Apresentação do Livro “Moldeadoras de las idea. Mujeres en la cultura impresa anarquista“. Esta exposição e catálogo surgem de um congresso realizado em Madrid em março de 2024, cujo foco esteve posto nas editoras e tradutoras anarquistas. Graças aos trabalhos das e dos investigadores que se interessam por estes temas e ao rico fundo documental da Fundação Anselmo Lorenzo, pudemos ampliar o olhar para todas os outros trabalhos que fazem a cultura impressa. As mulheres anarquistas participaram desta cultura nas primeiras páginas e nas capas dos livros, mas também nas revisões e nas imprensas, e nas ruas, distribuindo publicações ou comprando assinaturas. Em todos os lados era necessário implicar-se. Por isso se faz necessário resgatar não somente a dimensão do trabalho intelectual, esse que muitas vezes aparece assinado, mas também o trabalho invisibilizado de datilógrafas, digitadores, empacotadoras, corretoras, manutenção, tipografas, entre outras. Daí o título Modeladoras da Ideia, para incluir a todas aquelas que levaram a letra de molde às ideias da emancipação, da fraternidade e da igualdade, de quem imaginou um mundo absolutamente diferente do que conheciam. Apresentará o livro Sònia Turón, presidenta da FAL.

18h00 – “O patrocínio da mulher”. A jornalista Andrea Momoitio, ex-coordenadora de Pikara Magazine, descobriu o Patrocínio da Proteção à Mulher quando investigava sobre a história de María Isabel e sua morte no cárcere de Basauri, que desencadeou uma greve de prostitutas em Bilbao. María Isabel havia passado por esta instituição franquista, o Patrocínio, um mecanismo da ditadura para exercer um férreo controle patriarcal sobre as mulheres que desafiavam o modelo de “boa mulher”. Desde então Momoitio se obcecou com esta instituição e em 2024 coordenou um especial sobre o tema para o diário Público.

21h00 – Teatro. 43º13’44”Não é o resultado do processo de busca da autora na memória familiar e coletiva. É uma história encontrada de caminho a outro lugar, onde os mecanismos da imaginação conseguem preencher vazios que a memória não tem. São as fotos que não tivemos tempo de fazer, os barcos que não tivemos tempo de colher ou as balas que jamais tivemos tempo de tirar. Um diário de bordo em forma de performance e teatro documento. De biografia política.

Domingo 26 de Maio

10h00-14h00 – Oficina de escrita criativa. Na oficina de escrita criativa exploraremos técnicas de desbloqueio a partir do jogo e da abordagem de obstáculos e condicionantes que ativam a escrita. Inspirando-nos nos procedimentos da OULIPO (Ouvroir de littérature potentielle) experimentaremos com a escritura tanto individual como coletiva. Prévia inscrição mediante o QR que vem no cartaz. Distribuído por Alejandra Marquerie.

cnt-sindikatua.org

Tradução > Sol de Abril

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no alto da árvore
se ouve zum-zum
é a abelha a voar

Daniela Rissi Campos, 13 anos

[Espanha] Redes Libertárias se apresenta na Biblioteca libertária Ferrer i Guardia

Na tarde de quinta-feira, 16 de maio, Jacinto Ceacero e Viki Criado apresentaram a revista libertária “Redes Libertárias” na Biblioteca libertária Ferrer y Guardia da CGT Valência.

A Biblioteca libertária Ferrer y Guardia da CGT Valência foi o lugar escolhido para fechar o ciclo de apresentações da nova revista Redes Libertárias, que com seu subtítulo “Tecendo redes de afinidade no movimento libertário” mostra quais são as intenções do coletivo de afinidade que no final de 2023 lançou o número zero desta nova publicação anarquista. Jacinto Ceacero e Viki Criado foram os encarregados de realizar esta apresentação na qual explicaram as linhas mestras da revista.

Jacinto Ceacero começou explicando a necessidade de que o movimento libertário conte com seus próprios meios da mesma forma que o fazem outras linhas de pensamento e definiu a Redes Libertárias como uma “revista de pensamento e cultura”. Conta Ceacero que pretendem difundir a ideologia anarquista “através do ensaio, da exposição propositiva da ideia do anarquismo, mas também através da cultura, da poesia, da expressão gráfica, da novela gráfica com as quais sem dúvida chegamos tanto ou mais para poder difundir nossa proposta”.

O projeto que está sendo gestado desde 2022 consiste em uma revista em papel que sairá a cada 6 meses e uma web na qual os membros do coletivo e colaboradores atualizam o conteúdo de forma periódica. Viki Criado começou sua exposição fazendo referência ao conceito de rede e as vantagens que oferece para “trabalhar e crescer de forma horizontal e não hierárquica”. Criado também realizou uma revisão das diferentes seções da publicação (Conjunturas, Cultura, Feminismos, Genealogia, Pensamento, Redes planetárias e Resenhas), e as pessoas do coletivo (Charo Arroyo, Álvaro Carvajal Castro, Jacinto Ceacero Cubillo, Diana Cordero , Viki Criado, Félix García Moriyón, Sandra Iriarte, Paco Marcellán, José Manuel F. Mora, José Luis Terrón Blanco e Laura Vicente) que se encarregarão delas.

Durante a exposição tanto Jacinto Ceacero, como Viki Criado, quiseram incidir na “independência de qualquer organização” desta revista que lhes permite desenvolver seu projeto com total liberdade. Para finalizar a apresentação se entabulou uma conversa com os participantes na Ferrer y Guardia na qual destacou a necessidade de responder aos falsos mitos sobre o caráter violento do anarquismo e a necessidade de fazer frente aos valores autoritários e intransigentes que impregnam a sociedade simulando que a única saída possível deve basear-se no apoio mútuo, na solidariedade e na ação direta bem entendida.

Fonte: https://redeslibertarias.com/2024/05/21/redes-libertarias-se-presenta-en-la-biblioteca-libertaria-ferrer-i-guardia/

Tradução > Sol de Abril

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No coração da noite
gemidos & sussurros
humanizando os postes.

Simão Pessoa

[Chile] Companheiro Mauricio Morales Presente em cada ação rebelde!

Desde a 5ª região…

Convocamos todas as coletividades anarquistas a continuar saindo às ruas, como fizemos neste 22 de maio “Dia do Kaos”, onde comemoramos mais um ano da queda em combate de Mauricio Morales.

Acreditamos que qualquer ação, por menor que seja, serve como uma resposta ativa ao sistema de subjugação e miséria que o capital e todas as suas redes, como o Banco de Luksic ($hile), nos conduzem.

Companheiro Mauricio Morales Presente em cada ação rebelde!

Mônica e Francisco para as ruas!

AnarkoPikete

(Killota)

Fonte: Buskando La Kalle

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/05/21/chile-15-anos-da-morte-em-acao-do-companheiro-mauricio-morales/

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Ah, como é bonita!
Pela porta esburacada
surge a Via Láctea.

Kobayashi Issa

[São Paulo-SP] Festa de aniversário da Biblioteca Terra Livre

Se eu não puder dançar, essa não é minha Revolução“, Emma Goldman.

Esse ano a Biblioteca Terra Livre completa 15 anos de existência, e não podia faltar uma festa para confraternizar entre companheiros e companheiras, amigos e amigas e juntar todas as pessoas que lutam pela bela causa da Anarquia!

Para co-memorar (ou seja, criar memórias juntos), faremos um evento com a Ocupação Aqualtune no dia 1º de junho.

A programação será a seguinte:

13h – Almoço

15h – Roda de conversa: 15 anos de Biblioteca Terra Livre

17h – Atividade musical: Ktarse

Além das atividades programadas, haverá uma banca com livros anarquista e artesanatos produzidos pelos moradores da ocupação.

Contamos com sua presença!

Biblioteca Terra Livre

bibliotecaterralivre.noblogs.org

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Entre as antenas
E as casas todas iguais –
Quaresmeiras!

Paulo Franchetti

Irã executou 25 prisioneiros curdos em 18 dias

 Desde o início de maio de 2024, pelo menos 25 prisioneiros curdos foram executados nas prisões da República Islâmica do Irã. Isto eleva para 72 o número total de prisioneiros curdos executados desde o início de 2024, ou 31% de todas as execuções no Irã.

De acordo com estatísticas compiladas no Centro de Estatísticas e Documentos de Hengaw, nos últimos 18 dias, de 1 a 18 de maio, pelo menos 25 curdos foram executados em várias prisões em todo o Irã.

Incluindo estes casos recentes, o número total de prisioneiros curdos executados nas prisões iranianas desde o início de 2024 atingiu 72. Este número representa 31% dos 233 prisioneiros executados no Irã durante este período.

Dos 25 prisioneiros executados nos últimos 18 dias, 2 foram acusados ​​de atividades religiosas, 5 de homicídio premeditado e 18 de crimes relacionados com drogas. Estas pessoas foram condenadas à morte pelo sistema judicial da República Islâmica do Irã.

Nos últimos 18 dias, o maior número de execuções de prisioneiros curdos ocorreu na Prisão Central de Urmia (Prisão de Darya), totalizando 9 casos. Em seguida vem a prisão Ghezel Hesar em Karaj, com sete casos. Além disso, 2 prisioneiros curdos foram executados em cada uma das prisões de Kermanshah, Ilam e Selmas, e 1 caso em cada uma das prisões de Miandoab, Shiraz e Isfahan.

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Imenso jardim,
e sobre flores diversas
enxame de abelhas…

Analice Feitoza de Lima