[Espanha] 50 anos do assassinato nas mãos do Estado de Salvador Puig Antich

Por Charo Arroyo

Ano após ano chega o 2 de março, e neste 2024 completam 50 anos do assassinato nas mãos do Estado do militante do MIL, Salvador Puig Antich.

Salvador era um jovem de família trabalhadora e com sonhos de liberdade e de acabar com a ditadura franquista para poder conquistar uma sociedade melhor. Seu assassinato foi o reflexo do modo de atuar de uma ditadura revanchista e violenta. Foi condenado a pena de morte em um julgamento sem a mínima possibilidade do exercício de defesa. Como vingança pelo ataque ao núcleo duro do franquismo com o atentado a Carrero Blanco, os pratos quebrados os pagou Puig Antich. Foi um caso claro do que hoje se chama “execução extrajudicial”, uma grave violação dos direitos humanos.

O Movimento Ibérico de Liberação (MIL) realizava assaltos para coletivizar os recursos dos bancos em atividades de luta contra a ditadura e apoio aos presos anarquistas.

Mas os membros do MIL não eram uns meliantes, mas uns sonhadores “românticos” que, como em muitas ocasiões nos grupos antifranquistas, sofreram as denúncias de infiltrados e delatores. E assim caiu Salvador, vendido por um delator, se agitou no momento da detenção e em meio de um tiroteio um policial cai morto, assim como Salvador que ficou ferido por balas. O primeiro passo para o vazio na defesa de Salvador foi ele ser julgado por um tribunal militar e que o levou à terrível morte no garrote vil.

Já podemos imaginar as garantias oferecidas ao réu por parte do tribunal. A investigação foi nula e a condenação a Puig Antich estava decidida desde o mesmo momento em que o subinspector Francisco Anguas morreu. No julgamento não se permitiu nem uma só prova à defesa, como denúncia em declarações Magda Onarich. Do mesmo parecer é Jordi Panyella e assim o reflete em seu livro “Salvador Puig Antich, caso abierto” após analisar o sumário e a tomada de testemunhos que haviam se mantido em silêncio por medo. De fato, descobriu a ocultação de documentos e de provas que demostravam a inocência de Salvador.

Apesar das tentativas infrutíferas de sua família pedindo a revisão do processo e assim demonstrar a ignomínia de seu assassinato, foram rechaçados os recursos de revisão da sentença inclusive com as novas provas conseguidas após a investigação do jornalista Panyella. Sua irmã Merçona foi à Argentina para prestar declaração na querela contra os crimes do franquismo interposta no Tribunal n° 1 de Buenos Aires. Inclusive a Prefeitura de Barcelona, junto às irmãs de Salvador, chegou a apresentar querela contra Carlos Rey González, atual advogado e ex juiz do Conselho de Guerra que assinou a pena de morte de Salvador Puig Antich e, como em todos os casos, acabou arquivada.

Agora se completam 50 anos de seu assassinato e muitas se somam a sua recordação e à homenagem, mas há 50 anos eram poucos os que se mobilizaram pedindo o indulto ou a comutação da pena de morte como diz o historiador Guzmaro Gómez: “Ao PSUC, ao PCE, ao PSOE e a todos os que estão negociando a saída da clandestinidade não lhes convêm nada naquele momento aparecer vinculados à estratégia insurrecional, violenta que haviam praticado Puig Antich e o MIL”.

Salvador Puig Antich era um anarquista e também um sonhador. E sonhava com um indulto e comutação de sua pena de morte até o momento final. Mas estava claro que o regime sanguinário queria mandar uma mensagem à luta antifranquista e apesar do golpe duro recebido pelo assassinato do com certeza continuador da ditadura uns meses antes, tinha que demonstrar fortaleza e mão dura.

E hoje sua morte quer ser aproveitada para levar a seu terreno a quem não pode tomar partido. Mas o único que temos é o compromisso de Salvador com um grupo autônomo e que rechaçava a submissão a uma hierarquia e cujo compromisso era a edição de materiais para a educação revolucionária da classe trabalhadora. A dupla intenção de sempre relacionar o anarquismo com a violência já resulta cansativa e exaspera esta manipulação que acaba levando a relacionar Salvador Puig Antich com o pistoleirismo.

O certo é que um jovem inocente da morte do policial acabou executado de uma das maneiras mais cruéis que desenvolveu o Estado e seus sonhos ficaram afogados em sua morte. Apesar de tudo, hoje desde o movimento libertário se deve reivindicar a luta que representa a figura de Salvador Puig Antich porque encarna a rebeldia contra a opressão e pela educação da classe trabalhadora para sua implicação na revolução.

Salvador, junto com Heinz Chez, foram os últimos executados no garrote vil no Estado espanhol. Tudo parece indicar que sua execução se viu seguida pela decisão de levar a cabo o cumprimento da condenação a pena de morte do militante anarquista sem remissão. Para que não se notasse a sanha do regime com o lutador anarquista parece que se decidiu levar a cabo a condenação do delinquente preso no cárcere de Tarragona que não tinha nenhum apoio nem familiar nem social em sua defesa. Assim, suas vidas com diferentes caminhos acabaram unidas nas capas da imprensa do momento como os últimos executados de forma sádica por um regime sangrento.

Fonte: https://redeslibertarias.com/2024/02/28/50-anos-del-assassinato-a-mãos-del-estado-de-salvador-puig-antich/

Tradução > Sol de Abril

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o mar urrava
como um fauno
após o coito

Oswald de Andrade

[Grécia] Assumindo a responsabilidade contra a gentrificação

A gentrificação dos nossos bairros não é apenas uma realidade, mas um dos problemas mais importantes que enfrentamos todos os dias nos bairros do centro de Atenas.

O plano metódico de redefinir o bairro de Exarchia, eliminando a percepção rebelde, as relações sociais que o reproduzem e, em última instância, criando um bairro cool-alternativo-hipster para turistas, para o capital (pequeno e grande) e para consumidores está se movendo com ritmos inimagináveis.

Airbnbs estão surgindo em apartamentos vizinhos, bem como em prédios de apartamentos inteiros. Os aluguéis disparam para preços irrealistas. Reformas e investimentos atraem empreendedores e consumidores. A segurança dos lojistas e de seus clientes não é outra coisa senão a polícia de ocupação que invadiu o bairro a cada esquina e as câmeras que de repente aparecem acima de sua cabeça. O plano de negócios político-governamental por trás disso tudo visa um polo de intercâmbio comercial e consumismo, no qual os pobres, os oprimidos e aqueles que lutam não têm lugar.

Com tudo isso em vista, decidimos não assistir de longe ao espetáculo do consumismo, enfrentando o capital que invade violentamente nossas vidas. Neste bairro com o sistema absoluto de vigilância e controle por todos os lados optamos por quebrar a rotina dos gentrifiers, resistir como devemos ao seu “desenvolvimento”, ou seja, permanecer aqui.

– Atacamos e pichamos o Bauhaus, apartamentos de luxo na rua Harilaou Trikoupi

– Pichamos o Gamay, um vinho bar nas ruas Zoodochos Pigi e Valtetsiou (em horário comercial e com seus clientes bebendo lá)

Apelamos a uma ação anti-gentrificação correspondente de Exarchia a Chania!

Pelas nossas vidas afetadas pela invasão do capital, acompanhada pelas suas ferramentas estatais uniformizadas.

Anarquistas

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O amanhecer,
Só cinco folhas douradas
No topo da Árvore

Rodrigo Vieira Ribeiro

[EUA] Como anarquistas na Carolina do Norte resgataram livros banidos na Flórida

Uma livraria em Asheville, de tendência política à esquerda, está enviando livros infantis de volta ao Estado do Sol

Por Lori Rozsa | 10/02/2024

ASHEVILLE, N.C. — Quando os gerentes de uma pequena livraria em uma cidade nas montanhas dos Apalaches receberam uma ligação de um distribuidor perguntando se poderiam receber 22.000 livros rejeitados por um distrito escolar da Flórida, pareceu um pedido colossal.

A Firestorm Books normalmente mantém menos de 8.000 livros — títulos que variam de ficção histórica a solarpunk. O coletivo autodescrito como feminista queer não tinha certeza de onde poderia colocar todos eles, e seus clientes geralmente não estavam procurando por livros ilustrados.

“Estávamos pensando que isso parecia ser algo maior do que poderíamos gerenciar”, disse Libertie Valance, membro administrador do grupo que administra a loja. “Mas acho que, mesmo nessa conversa, houve um reconhecimento de que iríamos aceitar.”

E assim começou a jornada para trazer oito toneladas de livros — a maioria banidos pelas leis estaduais da Flórida, que restringem a discussão em sala de aula sobre raça, identidade de gênero e orientação sexual — das Escolas Públicas do Condado de Duval, em Jacksonville, para Asheville, de tendência política à esquerda.

À medida que a Flórida se torna o epicentro da tentativa de remover livros que abordam racismo e pessoas LGBTQ+ das escolas públicas, mais títulos acabam sendo retirados das prateleiras e ficando armazenados em depósitos. Mas a história dos livros banidos do Condado de Duval é incomum pelo seu desfecho: a Firestorm Books não apenas aceitou as histórias infantis rejeitadas, mas agora as está enviando para quem solicitar. Muitos dos livros estão voltando para a Flórida.

“Cabe aos pais decidir se não querem que seus filhos leiam um livro”, disse Armand Rosamilia, autor e residente do Condado de Duval, que solicitou uma caixa dos livros para colocar em uma Pequena Biblioteca Livre do lado de fora de sua casa. “Não deveria ser uma decisão dos políticos.”

Os livros faziam parte da coleção “Essential Voices”, da Perfection Learning, um conjunto de livros selecionados para estudantes do ensino fundamental que apresentam autores e assuntos diversos. Os títulos incluem uma história da bandeira de arco-íris do Orgulho, livros ilustrados sobre figuras icônicas como a líder dos direitos civis Rosa Parks, e a história de uma família que escapa da escravidão na Geórgia.

Duval encomendou 180 títulos dessa coleção, mas posteriormente considerou 48 problemáticos, afirmou o distrito em um comunicado, concluindo que alguns violavam as novas leis educacionais da Flórida. Alguns foram devolvidos porque foram enviados como substitutos para algum título indisponível e não eram necessários.

“Como instituição educacional, o principal objetivo do distrito é este: ajudar as crianças a aprender a ler”, disseram as Escolas Públicas do Condado de Duval em um comunicado. “Existem milhares de livros que podemos usar para isso, e o distrito dedicará tempo e esforço para garantir que nossos alunos e professores tenham acesso a uma variedade diversificada e legalmente compatível de livros.”

Como muitos outros grandes distritos escolares do estado, Duval tem lutado para cumprir as novas leis promulgadas pelo governador republicano Ron De Santis.

A lei de “direitos parentais” de 2022 proibiu que as escolas da Flórida ensinassem aos alunos do jardim de infância à terceira série sobre temas relacionados à orientação sexual ou identidade de gênero. Outra lei aprovada naquele ano proibiu a instrução que pudesse fazer com que os alunos “se sintam culpados, angustiados ou experimentem outras formas de sofrimento psicológico” porque foram obrigados a refletir sobre atos ruins cometidos no passado por membros de sua raça.

Uma porta-voz do Departamento de Educação da Flórida disse que o estado não acompanha quantos livros foram removidos e o que aconteceu com eles desde que as novas leis entraram em vigor. A lei estadual deixa a critério de cada distrito escolar decidir o que fazer com os livros rejeitados. Eles podem doá-los, distribuí-los gratuitamente, vendê-los ou reciclá-los.

Vários distritos, incluindo o de Duval, estão armazenando os livros em depósitos enquanto são feitas revisões.

Observando os eventos se desenrolarem de Iowa, Dave Jacks ficou frustrado. Como vice-presidente de operações da Perfection Learning, ele entendeu que seu cliente tinha um “grande problema logístico”. Mas ele também não podia revendê-los. Eles haviam sido vendidos em kits pré-montados que seriam impraticáveis de embalar novamente. Ainda assim, ele queria garantir que esses livros em particular acabassem nas mãos certas. Então ele concordou em pegá-los de volta e encontrar um lar para eles.

“Aquelas coleções são especificamente feitas para crianças que de outra forma se sentiriam excluídas”, ele disse. “Quero dizer, todo mundo deveria poder, eu acho, se sentir especial ou desejado por alguma coisa.”

Ele levou uma equipe da Perfection Learning para Jacksonville, onde trabalharam por quase uma semana coletando os títulos rejeitados e os embalando em um semirreboque. No entanto, encontrar alguém para receber os livros se provou um desafio. Ele ligou para livrarias em todo o país e ninguém parecia ter vontade ou a capacidade de pegá-los.

Então alguém lhe falou sobre a Firestorm Books — uma pequena loja localizada em um posto de combustível remodelado de 1956 que vende livros principalmente de editoras independentes, serve bolos veganos e café de comércio justo e oferece “um espaço acolhedor, sóbrio e anti-opressivo” para eventos comunitários.

Jacks pagou pela entrega do caminhão para Asheville, uma cidade turística popular cheia de restaurantes da moda e murais coloridos. A “pequena livraria anarquista”, como seus proprietários a descrevem, vende adesivos, pôsteres e cartões com slogans como “Derrube o Capitalismo, João 2:16”, “Se Torne Ingovernável” e “A vida não é bonita até que seja bonita para todos.” Eles organizam eventos comunitários como noites de jogos e um Clube de Leitura Abolicionista.

Quando o semirreboque chegou à loja em novembro de 2022, o coletivo começou a trabalhar para descobrir como receber tantos livros, por fim decidindo alugar uma unidade de armazenamento.

Enquanto isso, o debate em Duval sobre os livros se tornou ainda mais contencioso.

As Escolas Públicas do Condado de Duval têm 54 especialistas em mídia que foram incumbidos da tarefa gigantesca de revisar mais de 1,6 milhão de títulos para determinar quais agora violavam a lei. Enquanto faziam a análise, o distrito aconselhava os professores a “reduzir temporariamente” suas coleções de livros da biblioteca da sala de aula para livros que já haviam sido aprovados anteriormente.

O resultado em algumas escolas foi imediato. O professor substituto Brian Covey postou um vídeo no início do ano passado mostrando corredores e mais corredores de prateleiras vazias na biblioteca de uma das escolas do condado. O vídeo viralizou, provocando um debate sobre censura e colocando o Condado de Duval no centro nacional das atenções.

O distrito disse mais tarde que um “pequeno número de diretores” interpretou a orientação sobre quais livros manter “mais intensamente, por precaução”.

A indignação sobre os livros proibidos nas salas de aula de Duval até chegou aos corredores do Congresso, onde o deputado Jim McGovern (D-Mass.) leu o livro sobre Rosa Parks da Perfection Learning para registro, para “ver do que eles têm tanto medo”. O livro estava no lote de títulos enviado para a Carolina do Norte. As escolas de Duval disseram que o livro foi devolvido porque já havia histórias semelhantes sobre Parks e outros líderes do movimento pelos direitos civis.

Em Asheville, o coletivo da Firestorm decidiu encontrar uma maneira de devolver os livros à Flórida. Quando receberam os livros pela primeira vez, estavam no processo de mudança, e foi apenas há três meses que finalmente lançaram um projeto para colocar os livros de volta nas prateleiras dos leitores.

A iniciativa, “Livros Banidos de Volta!”, oferece enviar os livros banidos gratuitamente para quem preencher um formulário de solicitação online. Mais de um terço das solicitações vieram do Condado de Duval e muitos estão indo para famílias com bibliotecas comunitárias em seus quintais.

Os clientes da Firestorm apareceram em um dia frio e ventoso no final de janeiro para ajudar a embalar as caixas. Eles formaram uma linha de montagem minimamente organizada, montando as caixas e selecionando seis títulos para colocar dentro delas.

A voluntária Katie Croft, terapeuta em Asheville, disse que está preocupada com o fato de as leis de proibição de livros da Flórida poderem estar se infiltrando na Carolina do Norte. Uma lei estadual, aprovada no ano passado, diz que “a instrução sobre identidade de gênero, atividade sexual ou sexualidade não deve ser incluída no currículo fornecido nas séries do jardim de infância ao quarto ano”, ecoando a lei original de Direitos Parentais na Educação da Flórida. Desde então, a Flórida expandiu a lei para cobrir todas as séries.

“Eu estava olhando para alguns desses livros, quase chorando”, disse Croft. “Esses livros representam as vozes de tantas pessoas, e as crianças dessas escolas na Flórida não vão conhecê-las.”

Um representante das escolas do Condado de Duval disse que o distrito não tinha comentários sobre a jornada dos livros de Jacksonville para Asheville e agora de volta para a Flórida.

“O que a editora fez com esses livros depois que os devolvemos é com eles e não é um tópico sobre o qual temos uma posição”, disse Tracy Pierce, chefe de marketing e relações públicas do distrito escolar do Condado de Duval.

No evento de embalagem dos livros, os voluntários colocaram presentes surpresa em cada caixa — um adesivo que diz “Destrua o Fascismo, Não Livros”, e um pequeno panfleto de papel que se parece com um livro de colorir intitulado “Eu Sou Um Unicórnio e Gosto de Lutar: Um Guia para Crianças Resistirem ao Fascismo e ao Bullying.”

Ao final de 90 minutos, eles tinham embalado 200 caixas. No total, eles já enviaram quase 1.700 livros até o momento. O grupo organizou uma campanha de arrecadação de fundos online para ajudar a cobrir os custos de envio.

Três dias depois, uma das caixas chegou à casa de Sarah McFarland, em Tampa. O distrito onde seus dois filhos estudam rejeitou bem menos livros — mas ela ainda está preocupada que eles não estejam aprendendo sobre momentos e pessoas-chave da história sob as novas leis.

“Quero que eles possam escolher o que querem ler”, disse McFarland. “Quero que eles tenham acesso aberto à literatura que desejam, como eu tive quando criança.”

O primeiro livro que leram da caixa: Uma história de Harvey Milk, o primeiro representante eleito abertamente gay da Califórnia. McFarland disse que conduziu uma discussão com seus filhos após ler o livro.

“Foi muito emocionante para mim”, ela disse. “Eu tenho membros da família LGBTQ, então é muito importante para mim que meus filhos entendam isso.”

Fonte: https://www.washingtonpost.com/nation/2024/02/10/florida-book-ban-duval-schools/

Tradução > fernanda k.

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agência de notícias anarquistas-ana

A noite flutua
e as rosas dormem mimosas
aos beijos da lua.

Humberto del Maestro

[França] Frente a emergência ecológica: Não a COP28, saiamos do capitalismo

Union Communiste Libertaire

De 30 de Novembro a 12 de Dezembro de 2023 se celebrou em Dubai a 28ª Conferência das Partes (COP28). Duas semanas de debates que, como era de se esperar, não resultaram em nada de interessante ou assertivo na hora de se oferecer soluções concretas aos problemas climáticos causados pelas atividades industriais. Para lutar contra o aquecimento global, a única solução possível é abandonar o capitalismo.

A cada ano, com a mudança climática, se alcançam novos recordes: recordes do ano mais quente jamais registrado, recorde de emissões de CO2, recorde de temperaturas alcançadas… Hoje em dia, são milhões de pessoas que sofrem seus efeitos e esse número seguirá crescendo à medida que o impacto se estende por toda Terra. O IPCC aponta que cada aumento de 0,1°C na temperatura provoca a morte de ao menos 100 milhões de pessoas.

O aumento do calor faz com que as condições de vida e de trabalho sejam insustentáveis e é uma das fontes de insegurança alimentar e do aumento da frequência de fenômenos meteorológicos extremos e mortais, assim como a propagação acelerada de doenças. Frente a isso, os governos celebram a COP vez após outra, afirmando que buscam acordos para limitar o desastre ecológico. Mais uma vez mais, a COP28 se mostrou incapaz de propor soluções reais e se dobrou e se alinhou com as demandas dos combustíveis fósseis.

COP 28, a serviço dos combustíveis fósseis

Desde a eleição do sultão Al Jaber como presidente da COP28, diretor-geral do grupo do petróleo emiradense DNOC e ministro da Indústria, ficou nítida a falta de interesse demonstrada à saída do uso de combustíveis fósseis. Especialmente, quando vemos as posições tomadas. De fato, segundo ele, não há evidências científicas que paramos de usar combustíveis fósseis ajudaria a limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C e que sem combustíveis fósseis voltaríamos a era dos “homens das cavernas”[1]. Estas são as posições que saíram vitoriosas já que, no documento do encontro final, não há nada sobre eliminar os combustíveis fósseis, mas apenas reduzi-los e limitar as perfurações.

É somente um pequeno passo, nada ambicioso nem atrativo, e de fato é o resultado da pressão dos países produtores de petróleo nas negociações para que não tenham os combustíveis fósseis como pauta central [2]. Para não ofender a indústria do petróleo, as soluções previstas se concentram em inovações tecnológicas que ainda não existem… O capitalismo verde tem um futuro brilhante adiante: dois dias depois da COP28, Total Énergies anunciou que firmaria um novo contrato de extração no Suriname para desenvolver um projeto que produza 200.000 barris por dia [3].

A urgência de um novo modelo de sociedade

Em essência, o capitalismo e a ecologia não trabalham juntos, a prova é esta COP que reuniu a maioria dos lobbystas dos combustíveis fósseis (seis representantes da Total Enérgie credenciados pela França!). O capitalismo é a concentração de recursos por parte de uma minoria privilegiada, que sempre busca acumular mais para enriquecer ainda mais diante o estabelecimento de atividades industriais nocivas para o meio ambiente.

É vital difundir massivamente um projeto de sociedade anticapitalista onde não seja esta minoria que dite a forma em que se estabelecem as atividades econômicas, agrícolas e energéticas, mas sim as pessoas que vivem e trabalham nestas terras. Estarão em melhores condições de gerenciar os recursos para satisfazer as necessidades da sociedade. A luta pela preservação do meio ambiente também é internacionalista! Nos solidarizamos com as pessoas que sofrem com o desmatamento e a monopolização dos recursos para o lucro das empresas ocidentais, como o projeto Total em Uganda, denunciado por inúmeras associações como a Human Rights Watch.

Elsa (UCL Grenoble)

[1] Carrington, Damian y Stockton, Ben, “O presidente da COP28 diz que ‘não há ciência por trás das demandas de eliminação gradual dos combustíveis fósseis”, The Guardian, 3 de dezembro de 2023.

[2] O secretário geral da OPEP pediu a seus membros para não firmarem documentos relacionados a combustíveis fósseis, como recorda Mickaël Correia, “COP28: um acordo curto para a emergência climática”, Mediapart, 13 de dezembro de 2023.

[3] “Crises climática: TotalEnergies assina uma nova permissão de exploração no Suriname, dois dias depois do final da COP28”, France Info, 16 de dezembro de 2023.

Fonte: https://www.unioncommunistelibertaire.org/?Face-a-l-urgence-ecologique-Pas-de-COP28-sortons-du-capitalisme

Tradução > 1984

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fecho um livro
vou à janela
a noite é enorme

Carol Lebel

[Espanha] Porque nossa gente morre nas prisões?

Porque lá os maus tratos e torturas são cotidianos. Existe um regime de castigo que destrói suas vítimas, física e mentalmente. Transportam as pessoas arbitrariamente, arrancando-as de seu entorno social e familiar. Se impedem as comunicações com a rua, ditatorialmente impondo sua intervenção ou sua privação como castigo. O acesso à cultura não existe. Se censuram as publicações “por motivos de segurança”. Não existe liberdade de expressão, nem de associação. A exploração de mão de obra é imensa. As mulheres presas estão duplamente discriminadas, por serem presas e por serem mulheres.

A situação sanitária é catastrófica, pois a administração penitenciária não cumpre sua obrigação legal de assegurar às pessoas presas, cuidado médico, sanitário e farmacêutico igual a de qualquer cidadão. Abandonam os doentes sem oferecer medicações e os tratamentos que poderiam salvá-los. E, no entanto, a legislação que prevê a libertação dos doentes muito graves e incuráveis, a curto prazo não é aplicada, apenas quando a sua morte já é inevitável. Os doentes psiquiátricos constituem uma porcentagem muito elevada da população encarcerada, sem que lhes reconheça sua condição, nem que lhes cuidem, sendo para muitos, exatamente o contrário, um regime de castigo, de onde saem mortos. Nas prisões não existem psiquiatria, nem psicoterapia. E não é que pensemos que a atividade dos profissionais da “saúde mental” sejam alguma panaceia, mas sempre será melhor que o isolamento, os cassetetes, o gás de pimenta ou os tratamentos mecânicos.

Não é estranho que mais da metade dos postos de trabalho médico-sanitários permaneçam vagos: quem vai querer trabalhar em condições tão indignas? Dos que têm estômago suficiente, muitos médicos se tornam cúmplices das frequentes torturas ao fazer vista grossa. O tráfico de drogas ilegais é consentido, mas, se oferece aos presos todo tipo de drogas legais viciantes sem controle médico, para que não incomodem. Se administra metadona sem necessidade e com tanta negligência que aconteceram muitas mortes por overdose, administradas pelos mesmos serviços médicos carcerários. A mortalidade (muitas vezes por causas como overdoses, suicídio ou “morte súbita”) é muito mais elevada nas ruas e não faltam quem faleça em circunstâncias estranhas e duvidosas, nunca explicadas, já que não e cumprem trâmites prescritos legalmente, nem se oferece aos familiares a oportunidade de os exigir.

As pessoas presas estão indefesas frente a tudo isso e diante de uma multitude de decisões das autoridades carcerárias e judiciais que as prejudicam gravemente. Os Serviços de Orientação e Assistência Jurídica Penitenciária e a justiça gratuita são insuficientes. Os Tribunais de Vigilância, responsáveis pela “tutela judicial efetiva” dos direitos das pessoas presas, são inoperantes. O poder punitivo do Estado se impõe sem respeitar nenhum desses direitos que, em teoria, se justificam.

Somos familiares e gente solidária com as pessoas presas. Alguns de nós sofreram a morte de nossos filhos, irmãos e companheiros, supostamente confinados ao “cuidado” das instituições estatais. Estamos tentando nos apoiar mutuamente, nos organizarmos e coordenarmos para confrontar, denunciar e, se possível, deter essa situação degradante. Nos dirigimos a toda pessoa ou grupos que possam de alguma forma sentir alguma solidariedade ou afinidade conosco, para pedirmos seu apoio. Queremos fazer uma campanha de financiamento coletivo (crowdfunding) para ajudar em nossos gastos pendentes e podermos olharmos para o futuro com um pouco mais de tranquilidade. Agradecemos qualquer tipo de colaboração, econômica, de difusão, de qualquer tipo que lhes ocorra. Este é um primeiro contato. Haverão outros mais, e vamos os avisar quando começarmos a campanha.

Famílias diante da violência carcerária.

Fonte: https://familiasfrentealacrueldadcarcelaria.noblogs.org/post/2024/01/24/por-que-muere-nuestra-gente-en-las-carceles-2/

Tradução > 1984

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O rio de verão —
Que alegria atravessá-lo
De sandálias à mão.

Buson

Sindre, um ativista sueco dos direitos dos animais, preso por tempo indeterminado

Sindre, 21 anos, é um ativista dos direitos dos animais, nascido na chamada Suécia. Um companheiro gentil e respeitado na comunidade dos direitos dos animais, que lutou contra abusadores de animais de várias maneiras.

Em outubro de 2023, Sindre foi condenado a cuidados psiquiátricos forenses forçados. O veredito se refere ao processo por realizar ações contra o ex-produtor de peles Niklas Pettersson em 2021. Sindre nega o suposto crime. Ele também foi condenado a pagar SEK 10.000, equivalente a pouco mais de 4500 reais, por danos a Niklas. O recurso para revisar a sentença foi aceito, mas mais tarde, em 2023, o Tribunal manteve o veredito. Se Sindre não tivesse sido condenado a cuidados psiquiátricos forenses, sua pena de prisão teria sido de apenas quatro meses.

Sindre foi detido imediatamente após o julgamento, no dia 9 de outubro, e desde então está preso por tempo indeterminado. Uma sentença horrível!

Apoie o Sindre! Ajude-o a resistir atrás das grades, diga a ele que não está sozinho. Envie cartas para o seguinte endereço:

Sindre Annasson Persson

Rättspsykiatriavdelning 1

Mellanköpingevägen 6

23134 Trelleborg

Suécia

SOLIDARIEDADE É NOSSA ARMA!

Fonte: https://unoffensiveanimal.is/2024/02/11/sindre-a-swedish-animal-rights-activist-locked-up-indefinitely-prisoner-support/

Tradução > meiocerto

agência de notícias anarquistas-ana

todo mundo giz
que ali jazz um haicai
porque blue – ou bliss?

Bith

8 de Março

[Grécia] Protesto durante uma greve nacional de 24 horas em Heraklion, Ilha de Creta

Hoje, quarta-feira, 28/02, aproximadamente três mil pessoas manifestaram-se em Heraklion num dia de mobilização grevista contra o que está destruindo as nossas vidas.

A iniciativa anarquista/antiautoritária de Tempi convocou, formando um bloco poderoso que rugiu que “Tempi não foi uma tragédia. Estado e Capital cometeram assassinato”.

A participação foi dinâmica com slogans e pinturas nos tribunais de “justiça”. Os protestos se tornaram arrasadores em vitrines de lojas de departamentos e caixas eletrônicos.

Tempi não se tornará um aniversário, mas sim uma memória viva que nos lembra que somos a voz daqueles que já não têm voz.

Um dia de greve não é suficiente. É hora de revidar. Lutas duradouras, solidariedade, e auto-organização são a nossa resposta.

Assembleia da Iniciativa Anarquista/Antiautoritária Contra o Assassinato Estatal de Tempi

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/02/28/grecia-apelo-a-greve-de-28-02-um-ano-desde-o-assassinato-estatal-e-capitalista-em-tempe/

agência de notícias anarquistas-ana

sol na varanda –
sombras ao entardecer
brincam de ciranda

Carlos Seabra

[Espanha] Campanha de crowdfunding para documentário: A vida de uma flor. A insurreição anarquista do Alto Llobregat e Cardener em 1932

Cinco dias de anarquia, não duraram mais do que a vida de uma flor” (Federica Montseny).

O documentário busca resgatar um episódio pouco conhecido da história da Catalunha e do Estado espanhol.

Esse episódio é a insurreição de Alto Llobregat e Cardoner, na qual o comunismo libertário foi proclamado em alguns vilarejos.

Federica Montseny se referiu a esse evento da seguinte forma: “Cinco dias de anarquia… não duraram mais do que a vida de uma flor”.

A insurreição libertária de Alt Llobregat foi a primeira das três insurreições gerais promovidas pela CNT no período da República Espanhola antes da Revolução Social de 1936. Ela ocorreu durante vários dias na segunda metade de janeiro de 1932 nos vilarejos da região de Berguedà, entre o rio Llobregat e seu afluente, o rio Cardener. As raízes das sociedades de trabalhadores catalãs que aderiram à Associação Internacional de Trabalhadores já estavam em prática há várias décadas, com inúmeras associações defendendo o antiestatismo e uma sociedade sem classes, e o capitalismo havia chegado a essa região na forma de exploração, principalmente em fábricas têxteis e na indústria de mineração. Nessas colônias de trabalhadores, os patrões tentaram controlar as relações sociais de seus trabalhadores e impedir sua sindicalização por meio da ameaça de perder seus empregos e, portanto, as casas onde moravam ao lado das fábricas com suas famílias.

No domingo, 17 de janeiro de 1932, foi convocada uma greve na cidade de Berga, que se espalhou no dia seguinte para outras cidades da região, incluindo a cidade de Fígols, onde as trabalhadoras têxteis e os mineiros de Sant Corneli entraram em greve para exigir o cumprimento dos acordos salariais firmados. A greve foi um sucesso e a paralisação foi total. Mas a greve tinha um programa próprio nesse município, uma greve revolucionária conduzida por coletivos anarquistas. Uma assembleia de homens e mulheres do município chegou a um acordo para proclamar o comunismo libertário a fim de varrer os patrões industriais da região. A CNT decidiu apoiar a iniciativa dos trabalhadores insurrecionais; a Guardia Civil e a Somatén (polícia rural catalã) foram desarmadas, a bandeira vermelha e preta foi pendurada na prefeitura, a propriedade privada foi abolida e o fornecimento de alimentos foi garantido. Ainda na quarta-feira, 20 de janeiro de 1932, foram convocadas eleições populares por sufrágio universal para formar a comuna livre de Fígols, nos quais um delegado geral foi eleito juntamente com outros oito delegados representativos. A tendência revolucionária da greve, no entanto, não triunfou completamente em Berga ou Manresa, mas foi um sucesso em cidades como Sallent, Cardona, Balserany e Súria. Nessas cidades, o comunismo libertário foi proclamado pela primeira vez.

O documentário, por meio de entrevistas com historiadores, especialistas, parentes de pessoas que participaram e pessoas da região, busca reconstruir os eventos, bem como analisar seu contexto e sua importância no imaginário coletivo da região. Por outro lado, utilizaremos como recurso a locução das crônicas de Eduardo de Guzman, um jornalista com ideias anarquistas, que foi enviado especial do jornal “La Tierra” durante os dias da Insurreição. O documentário terá duração aproximada de uma hora e utilizará imagens de arquivo juntamente com diferentes recursos gráficos para reconstruir a história.

>> Mais informações: https://www.verkami.com/locale/es/projects/37509-la-vida-duna-flor-la-insurreccio-anarquista-de-lalt-llobregat-i-cardener-en-1932

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Ao fazer a sesta,
A mão que segura o leque
Pára de se mexer …

Taigi

 

[Israel] Anarquistas derramaram tinta na embaixada russa em Tel Aviv

Em 24 de fevereiro, anarquistas do grupo Compass juntaram-se a uma manifestação em frente à embaixada russa em Tel Aviv. Segundo os anarquistas, em sinal de solidariedade ao povo da Ucrânia, encharcaram o prédio da embaixada com tinta vermelha de extintor de incêndio, dois deles foram presos pela polícia.

As autoridades libertaram os detidos no mesmo dia, com uma proibição escrita de abordar as embaixadas russa e, por algum motivo, ucraniana durante 15 dias. Os anarquistas são acusados ​​de danificar a propriedade privada, perturbar a ordem pública e interferir no trabalho policial. Ainda não se sabe se este caso irá a julgamento.

Dois anos de guerra. Centenas de milhares de mortos. Milhões de refugiados. Cidades destruídas. Destinos destruídos“.

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/02/27/solidariedade-anarquista-com-o-povo-da-ucrania/

agência de notícias anarquistas-ana

janela aberta
com a luz dela
quem não desperta

Estrela Ruiz Leminski

[Canadá-Reino Unido] A Solução sem Estado

Do canal Camas Books & Infoshop no YouTube

Um diálogo com o palestino Mohammed Bamyeh e o israelense Uri Gordon

Como podem as perspectivas anarquistas contribuir para a libertação palestina?

Junte-se ao sociólogo palestino Mohammed Bamyeh e ao cientista político israelense Uri Gordon enquanto eles debatem esta questão.

O professor Mohammed Bamyeh, do Departamento de Sociologia da Universidade de Pittsburgh, é autor de “Anarchy as Order: The History and Future of Civic Humanity” (2009)

Dr. Uri Gordon, autor de “Anarchy Alive!: Anti-Authoritarian Politics from Practice to Theory” (2007) é um estudioso independente que vive atualmente no Reino Unido.

Este evento ocorreu nos territórios não cedidos, dos povos de língua Lekwungen, agora conhecidos como Songhees e Esquimalt, em Victoria, BC, Canadá e no Reino Unido via Zoom, em 28 de janeiro de 2024.

>> Assista aqui: https://www.youtube.com/watch?v=9sgAB74HjFE

Tradução > meiocerto

agência de notícias anarquistas-ana

De repente, latidos,
entre as plantas do jardim,
um gatinho aflito.

Fagner Roberto Sitta da Silva

[Chile] Agitação contra Piñera

Morreu uma figura que, em vida, representou as ambições de poder exercidas por um setor abastado; morreu aquele que, sem maiores complexos, praticou o desvio de dinheiro, o tráfico de influência, a mentira caricatural, a instauração de leis e mecanismos repressivos e

sufocando a revolta por meio de mutilações, assassinatos e um pacto constituinte.

Piñera está morto, e este governo de Boric fez uma procissão com sua figura na tentativa de silenciar a história e fazer com que vejamos nele um santo “democrata” em vez de qualquer outra coisa abominável. O que mais poderíamos esperar, se entre pares parece não haver distância?

Com esse gesto, conclamamos a continuar a celebração da morte de Piñera e a espalhar expressões para remover qualquer manto de canonização em relação à sua figura.

“Queremos vê-los afogados em suas ambições e no sangue que derramam”.

Anônimxs

Fonte: https://informativoanarquista.noblogs.org/post/2024/02/27/chile-agitacion-contra-pinera/

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/02/15/chile-politicos-e-partidos-de-esquerda-se-tornaram-canonizadores-do-falecido-direitista-pinera-enquanto-isso-centenas-de-jovens-lembravam-na-plaza-de-la-dignidad-que-ele-e-igual-a-pinochet/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/02/14/chile-santiago-individuos-comemoraram-na-plaza-italia-a-morte-do-ex-presidente-pinera-e-provocaram-tumultos/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/02/09/chile-nao-perdoamos-nao-esquecemos/

agência de notícias anarquistas-ana

Joaninha caminha
no braço da menina.
Olhar encantado.

Renata Paccola

[EUA] “Isso é o que Nossa Classe Dominante Decidiu que Será Normal” | Sobre a Ação de Aaron Bushnell em Solidariedade com Gaza

No domingo, 25 de fevereiro, recebemos um e-mail de uma pessoa que assinou Aaron Bushnell.

Assim dizia a mensagem,

Hoje, planeio praticar um ato extremo de protesto contra o genocídio do povo palestino. Os links abaixo devem levá-lo a uma transmissão ao vivo e a imagens gravadas do evento, o que será altamente perturbador. Peço que você se certifique de que a filmagem seja preservada e transmitida.

Consultamos a conta na Twitch. O nome de usuário exibido era “LillyAnarKitty” e o ícone do usuário era um círculo A, o símbolo universal do anarquismo – o movimento social contra todas as formas de dominação e opressão.

No vídeo, Aaron começa se apresentando. “Meu nome é Aaron Bushnell. Sou um membro ativo da Força Aérea dos EUA e não serei mais cúmplice do genocídio. Estou prestes a empreender um ato extremo de protesto – mas comparado com o que as pessoas têm vivido na Palestina às mãos dos seus colonizadores, isto não é nada extremo. Isto é o que a nossa classe dominante decidiu que será normal.”

A filmagem mostra Aaron continuando caminhando até o portão da embaixada israelense em da capital Washington, coloca no chão o telefone, derruba em seu corpo um líquido inflamável e se incendeia, gritando “Palestina Livre” várias vezes. Depois que ele desmaia, policiais que observavam o desenrolar da situação surgem no enquadramento da câmera – um com um extintor de incêndio, outro com uma arma. O policial continua apontando a arma para Aaron por mais de trinta segundos enquanto Aaron cai no chão, em chamas.

Posteriormente, a polícia anunciou que havia chamado seu grupo tático especial para lidar com explosivos.

Posteriormente, confirmamos a identidade de Aaron Bushnell. Ele serviu na Força Aérea dos Estados Unidos por quase quatro anos. Um de seus entes queridos descreveu Aaron para nós como “uma força de alegria em nossa comunidade”. Uma postagem online o descreveu como “uma pessoa incrivelmente gentil, doce e compassiva que gasta cada minuto e centavo que tem ajudando os outros. Ele é bobo, faz qualquer um rir e não faria mal a uma mosca. Ele é um anarquista de princípios que vive seus valores em tudo que faz.”

Os amigos de Aaron nos contam que ele faleceu em consequência dos ferimentos.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://pt.crimethinc.com/2024/02/26/isso-e-o-que-nossa-classe-dominante-decidiu-que-sera-normal-sobre-a-acao-de-aaron-bushnell-em-solidariedade-com-gaza-1

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surgidos do escuro,
somem na moita, na noite:
amores de um gato

Issa

Autoridades alemãs detêm Daniela Klette, integrante do extinto grupo anticapitalista Baader-Meinhof

A ex-militante da RAF (Baader-Meinhof) Daniela Klette foi detida na segunda-feira (26/02) em Berlim. Se diz que Klette é responsável por ataques com bombas e roubos em veículos de transporte de dinheiro vivo e esteve foragida durante mais de 30 anos.

A mulher de 65 anos foi presa na segunda-feira pela noite em Berlim-Kreuzberg, como anunciou na terça-feira a promotoria de Verden, Baixa Saxônia. Tratava-se “quase com toda certeza” dela, foi dito em uma conferência de imprensa na terça-feira pela tarde. A identidade se estabeleceu mediante impressões digitais. Quando foi presa, não negou que era a pessoa que buscava. Agora se ordenou sua detenção. Segundo a polícia criminal da Baixa Saxônia, Klette foi transladada na terça-feira em helicóptero a Bremen e desde ali levada ao tribunal do distrito de Verden. Havia seis ordens de prisão contra ela.

Entre os fatos que lhe imputam se encontra a colocação de 200 quilos de explosivos em uma prisão em construção alemã em princípios dos 90 que teve como consequência um dano estrutural crítico que obrigou que o cárcere não seguisse sendo edificado.

Além disso a enquadram dentro da terceira onda da RAF nos 90 que esteve vinculada com as Brigadas Vermelhas na Itália e outros grupos armados da Europa e do mundo.

O Estado alemão faz três anos vem desenvolvendo uma ofensiva em ascensão na procura e captura de todos os fugitivos ligados à atividade subversiva em todas as suas formas e variantes usando, inclusive, a prática da recompensa assim como cartazes com as fotos e dados dos fugitivos expostos nas ruas.

Fonte: Buskando La Kalle

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Sol no girassol —
Sombra desenha outra flor
no corpo dourado.

Anibal Beça

Pré-venda | As aventuras de Práxedis e Roque pelo Ipiranga

Práxedis Guerrero e Roque Enrique são dois gatos muito parceiros, passam o dia inventando brincadeiras e formas de comer mais sachê. Correm pela casa, sobem nas alturas para espiar quando alguém chega. Vivem no bairro do Ipiranga em São Paulo e eles sabem de histórias antigas: aquelas que pouca gente se lembra.

O livro infantil terá 40 páginas, com ilustrações de Juleika (da casaaelefante), texto de Fernanda Grigolin e projeto gráfico de Baderna James.

Festejemos o fim da Tenda de Livros juntes.

>> Peça o seu aqui:

https://tendadelivros.org/loja/produto/pre-venda-as-aventuras-de-praxedis-e-roque-pelo-ipiranga/

agência de notícias anarquistas-ana

um raio de sol
transluz — balança a cortina…
borboleta amarela!

Douglas Eden Brotto

[Grécia] Apelo à greve de 28/02, um ano desde o assassinato estatal e capitalista em Tempe

Era a noite de terça-feira, 28/02/2023, quando dois trens, um de passageiros da Hellenic Train e outro comercial, colidiram em Tempe. Há dezenas de mortos e feridos. Mais uma vez, todos os tipos de jornalistas e líderes partidários derramam lágrimas de crocodilo e falam de “luto nacional”. A hipocrisia transborda. Os esforços feitos pelos fantoches do governo para fazer com que este assassinato pareça um erro humano apenas do chefe da estação são enormes. O objetivo é desafogar a raiva e esconder a realidade: o Estado e os patrões percebem os de baixo como dispensáveis. A vida dos trabalhadores é ainda mais esmagada em ritmos hiperintensivos, horas extenuantes e os homicídios trabalhistas disparam. Só este ano, a lista de trabalhadores mortos atingiu níveis máximos, ultrapassando mais uma vez os “recordes” negativos dos anos anteriores. Para além das mortes nos locais de trabalho, os que estão no topo são conscientemente indiferentes aos assassinatos daqueles que estão na base, nos vagões dos trens, nos corredores dos hospitais, nos campos de concentração de imigrantes. A única coisa que “lamentam” é a queda dos seus lucros, a falta de valor das suas ações, o questionamento da sua autoridade. E certificam-se de enviar constantemente mensagens através da sua maquinaria repressiva de que qualquer pessoa que os questione enfrentará consequências.

Em vários casos, pareceu que a raiva contra o mundo do poder pelo assassinato em Tempe superou o medo das consequências. Por toda a Grécia, as marchas foram particularmente massivas e várias delas assumiram características militantes, com ataques a alvos estatais e capitalistas, com confrontos crescentes com a polícia, mesmo corpo a corpo.

É fundamental que mantenhamos esse legado. Na prática cada vez mais assassina do Estado e dos patrões, as únicas respostas que erguem barricadas são aquelas que estão no caminho da luta. A lógica de renunciar, delegar e esperar por algum novo “salvador” e uma mudança na gestão do Estado é desastrosa. Enquanto houver um Estado, haverá poder e exploração e o sangue daqueles que vêm de baixo continuará a ser derramado. Enquanto houver um retrocesso das lutas sociais e de classes, enquanto entrarmos nos moldes do respeito pela legitimidade, os poderosos ganharão confiança. Enquanto as lutas individuais permanecerem divididas e não se unirem numa perspectiva insurgente e revolucionária comum, serão capazes de nos atingir aos poucos e alcançar vitórias “fáceis”.

Cabe a nós reverter essa condição. Acreditar nas nossas forças e responder com lutas imediatas, horizontais e combativas. Manter estável o discurso e a ação anti-Estado, sabotar contínua e consistentemente todas as formas de eleição, reivindicar de forma militante e inegociável a nossa presença nas ruas, intensificar o ataque contra o Estado, os patrões, os fascistas e qualquer tipo de autoridade. Fortalecer as lutas contra a exploração, o patriarcado, o racismo, todas as formas de confinamento, a pilhagem da natureza e de vidas não humanas. Para abrir novas ocupações e retomar as antigas. Formar um movimento anarquista revolucionário que ouse entrar em conflito generalizado com o mundo do poder, que nos sufoca com as botas da brutalidade e da atrocidade.

Nossos inimigos podem parecer invulneráveis, fortes e onipotentes por trás de seus exércitos bem polidos e de sua arrogância excessiva, mas esquecem que não são invencíveis. Se contarmos com a camaradagem e a solidariedade muitas vezes o impossível se torna possível. Temos o direito de lutar com todas as nossas forças contra este sistema injusto e profundamente decadente. Só nos resta acreditar novamente e lutar por um mundo melhor. Um mundo de igualdade, solidariedade e liberdade. Pela anarquia.

Não  esqueceremos e não perdoaremos!

Aqueles que já não estão conosco vivem nas barricadas do presente e do futuro

Coletivo Anarquista Acte

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agência de notícias anarquistas-ana

as crianças
naquele pátio, e o sol
brincando de esconder

Carlos José Ribeiro