Vídeo: Contra a Criminalização da Revolta: pelo fim do processo contra Caio e Fábio

Após 10 anos do Levante Popular de 2013, a revolta pode ir a julgamento mais uma vez por meio da audiência dos ativistas Fábio Raposo Barbosa e Caio Silva de Souza marcada para às 12h do dia 12 de dezembro de 2023. Ambos vão a júri popular sob a acusação da morte do cinegrafista Santiago Andrade, atingido por um fogo de artifício na cabeça em fevereiro de 2014, enquanto registrava confrontos entre manifestantes e policiais, para a TV Bandeirantes, no centro do Rio de Janeiro, perto da Central do Brasil.

O caso foi usado na época para abafar e criminalizar as revoltas populares, impulsionando a votação da Lei Antiterrorismo. Mas a única lógica em alegar que Caio e Fábio tinham a intenção de matar alguém com um fogo de artifício é a de criminalizar militantes e manifestantes. O que se torna mais evidente ainda quando sabe-se que a Rede Bandeirantes não entregou todas as imagens captadas por Santiago Andrade no dia de sua morte.

Não pode haver júri sem todas as imagens! Pelo fim do processo contra Caio e Fábio!

>> Veja o vídeo aqui:

https://antimidia.org/contra-a-criminalizacao-da-revolta-pelo-fim-do-processo-contra-caio-e-fabio/  

agência de notícias anarquistas-ana

Quase escondida
entre a casca e o tronco
teia de aranha.

Rodrigo de Almeida Siqueira

Argentina desde baixo

Por Raúl Zibechi

A vitória de Javier Milei fecha um ciclo na política argentina, aquele que se abriu em dezembro de 2001 com o levante popular que derrubou o governo de Fernando de la Rúa e suas políticas neoliberais sem anestesia. A liderança que ocupará a administração do Estado terá mãos mais livres para desmantelar as políticas sociais e reprimir os que resistem.

As organizações populares que durante esses anos foram construídas em torno de planos sociais que elas mesmas distribuíram entre suas bases também não poderão continuar no mesmo caminho deslegitimado. Ao contrário do que muitos progressistas pensam, os que estão na base não serão mais reféns dos políticos que, ao distribuir migalhas, também controlavam seus passos.

Para o setor autônomo da sociedade, endurecido na resistência tanto aos conservadores quanto aos progressistas, a ampla avenida de resistência está se abrindo e será povoada por novas camadas que precisam resistir para sobreviver. É o único setor que pode fazer uma autocrítica do que lhe faltou nas últimas duas décadas, já que os progressistas só podem culpar o povo por ter “votado errado”, pois estão convencidos de que nunca estão errados.

Também estamos enfrentando a vingança: dos homens machistas que têm medo do avanço das mulheres; dos milicianos estupradores que encontram sua oportunidade; do capital que sonha em esmagar a resistência. É por isso que precisamos de espaços autônomos onde possamos ser o que somos e defendê-los coletivamente dessas ameaças.

* * *

O cenário global e regional não nos permite ter ilusões sobre uma possível trégua na ofensiva/tempestade de cima contra os de baixo. O capital financeiro e sua acumulação por desapropriação estão apenas se intensificando com mais e mais projetos de morte. Guerras, depredação e morte não estão mais no horizonte porque se tornaram a vida cotidiana dos filhos de nossos povos.

O que está em jogo é nada menos que a vida, já que o projeto do 1% é criar uma Faixa de Gaza global – composta de favelas – onde seremos amontoados como população excedente e controlados sob a mira de armas. Um grande campo de concentração globalizado. Uma política que eles vêm aperfeiçoando há quase um século, primeiro em colônias como a Argélia e o Vietnã, com suas “aldeias estratégicas” ou campos de concentração para “tirar a água” dos peixes dos guerrilheiros, e depois, progressivamente, em todos os mundos de baixo.

Gaza é o horizonte e a inspiração das classes dominantes durante esse estágio de desapropriação, permitindo-lhes limpar territórios para transformar a vida em mercadorias. É por isso que a militarização, o paramilitarismo e o tráfico de drogas são empregados contra os povos, para incentivar a migração e o abandono do campo. Não podemos ter a menor ilusão nos projetos políticos eleitorais e estatistas, porque eles continuarão a promover esse projeto de cerco e morte com métodos novos e mais sofisticados, como demonstraram todos os processos progressistas. Confiar nos direitos que eles nos dão, sem construir o poder a partir de baixo, é o mesmo que nos colocar em um beco.

Portanto, disputar na arena eleitoral é fazer o jogo do projeto de dominação de cima para baixo. Somente a resistência pode nos impedir de ficarmos presos em campos à céu aberto e abrir a esperança de um novo mundo.

* * *

Temos cada vez menos educação e uma saúde cada vez pior, a qualidade de nossos alimentos entrou em colapso, moradias e empregos decentes estão cada vez mais distantes. A vida cotidiana das pessoas se deteriorou a níveis inimagináveis, a ponto de gerações inteiras não terem qualquer tipo de aposentadoria e a expectativa de vida estar cada vez mais curta.

Não faz sentido continuar exigindo educação, saúde, trabalho e moradia do Estado, porque ele não se importa mais. Eles só pensam em acumular riqueza e poder. Eles não só não precisam de nós para nos explorar em fábricas inexistentes, como também não nos querem como consumidores de objetos de pouco valor.

Tudo o que precisamos para viver deve ser construído com nossas próprias mãos. Não podemos esperar nada de cima, do Estado ou das empresas. Trata-se de seguir outro caminho, o da construção da autonomia com dignidade.

Um companheiro da favela Timbau, no Rio de Janeiro, a quem perguntei sobre os resultados do governo de Bolsonaro, escreveu: “Quem não constrói o poder popular quando a centro-esquerda governa, obviamente tem medo quando chega um governo contra o qual é necessário lutar”.

O principal problema, diz Timo, é “a complementaridade entre governos de centro-esquerda que destroem movimentos e governos de direita que destroem a face social do Estado. Uma combinação perfeita”.

Uma das reflexões urgentes é desmantelar a suposta oposição progressista-conservadora ou, se preferir, de direita-esquerda. Ambas servem ao mesmo modelo de desapropriação. Ambas defendem a militarização de nossas vidas.

* * *

No caminho que precisamos percorrer, o zapatismo é uma inspiração necessária. Não é um modelo a ser copiado. Se olharmos com atenção, nosso continente está coberto de resistências e autonomias, todas diferentes, todas ancoradas em diferentes formas e meios. Todas elas estão comprometidas com a vida e entendem que não há outro caminho.

Cada setor da sociedade, cada cidade, cada bairro e cada experiência coletiva o fará à sua própria maneira, em seu próprio tempo e com base em sua história. Ninguém constrói o novo de um dia para o outro. Isso leva muito tempo, por isso devemos olhar para frente, superar os tempos curtos dos partidos e do Estado, pensar nas gerações futuras e não nas urgências que estão nos consumindo.

As Mães da Plaza de Mayo nos ensinaram que até o inimigo mais feroz pode ser enfrentado e que podemos derrotá-lo se nos empenharmos com determinação e sem medo. Esse ensinamento é um tesouro que guardamos em nosso coração. Agora é hora de aprender a construir o mundo que aqueles que estão no topo nos negam. Para isso, não há receitas ou manuais, é uma questão de nos organizarmos para caminhar coletivamente. O resto nós vamos aprenderemos.

Fonte: https://desinformemonos.org/argentina-desde-abajo/

Tradução > Liberto

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Bashô baixou
no poeta do axé.
Arigatô, oxumaré.

Rogério Viana

[Espanha] As ideias anarquistas e seculares no mundo árabe e islâmico

Existe um movimento libertário no mundo árabe? Qual foi a história das ideias libertárias? O anarquismo deixou algum legado? Na terça-feira, 28 de novembro, a sede da FAL em Madri sediará o evento “As ideias anarquistas e seculares no mundo árabe e islâmico”. Teremos a oportunidade de conversar com George Saad, professor aposentado da Universidade do Líbano, militante libertário e tradutor de diferentes obras anarquistas para o árabe. Acompanhando-o, estará Laura Galián, professora do Departamento de Estudos Árabes e Islâmicos da UAM e pesquisadora do movimento anarquista no mundo árabe.

Como você pode ver, essa é uma excelente oportunidade de se aproximar de um terreno pouco conhecido que nos ajudará a entender a realidade do mundo árabe a partir de uma perspectiva libertária.

George Saad, (Líbano, 1953). Professor aposentado de direito na Universidade Libanesa. Antes de ir estudar na França, era afiliado a um grupo comunista libanês. Na década de 1980, durante seus estudos em Paris, filiou-se à Union des Travailleurs Communistes Libertaires (UTCL). Ao retornar ao Líbano, fundou o que talvez seja o primeiro grupo anarquista autodeclarado no sul do Mediterrâneo, o al-Badil al-taharruri (Alternativa Libertária), com tendência anarquista-comunista. Ele traduziu várias obras de teoria anarquista para o árabe, incluindo El anarquismo, de la teoría a la práctica, de Daniel Guerin.

Biografia

Palestra co-organizada com o grupo de pesquisa e o projeto de pesquisa do qual ambos participam, na Universidad Autónoma de Madrid. O grupo de pesquisa se chama “Ideologias Árabes e Expressões Culturais” e o projeto “CONEMED: Conceitos Emancipatórios no Mediterrâneo: Memória, Tradução e Trânsito em sua Diacronia”.

Quando? Terça-feira, 28 de novembro

Onde? Sede da FAL em Madri. Calle Peñuelas, 41. Metrô Acacias ou Embajadores.

Horário? 19:00 horas

fal.cnt.es

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Marchando no tempo,
antes de tudo e após tudo,
soberbo, o silêncio.

Alexei Bueno

[México] Novidade Editorial – Livro Livre

Internacionalismo crítico e lutas: Para a construção de horizontes futuros desde as resistências e autonomias.

Poucos dias antes do 40º aniversário da fundação do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), esta obra coletiva é lançada com o objetivo de refletir sobre algumas das lições que o povo aprendeu com seu desejo tenaz de transformar o mundo. A partir de perspectivas internacionalistas que abrangem amplas geografias, ela reflete sobre a Travessia pela Vida promovida pelas comunidades autônomas e pelo Congresso Nacional Indígena.

No turbilhão e no colapso que a humanidade está vivenciando na forma de uma múltipla crise sistêmica global, a prática coletiva de outras formas de organização nos permite transcender os problemas para construir sociedades mais justas. Nesse sentido, as resistências indígenas do México, sem a pretensão de representar uma vanguarda, propõem uma visão a partir de um internacionalismo crítico contemporâneo, produzindo um novo processo emancipatório e reconstitutivo em nível global. Com o objetivo de refletir sobre essas lutas e autonomias em um nível amplo, o livro é composto por 18 contribuições inéditas que se baseiam em quatro eixos: 1) O internacionalismo crítico no século XXI para transversalizar as lutas; 2) A importância das mulheres nos processos revolucionários; 3) Outra arte, outra cultura e outros meios de comunicação; e 4) Opções alternativas diante da crise global.

Este livro nos convida a uma viagem intergeracional que, em um âmbito plurivocal, pretende refletir e estabelecer diálogos a partir de insurreições, de diversos lugares de enunciação e em geografias muito amplas, que vão desde o internacionalismo histórico em Cuba ou El Salvador, assim como a fraternidade operária e a transição das lutas de classes para as lutas pela vida; as resistências antifascistas contra o franquismo ou na Alemanha nazista; além dos processos atuais em Abya Yala, como os de Oaxaca, Chiapas, o Mapuche Wallmapu, a defesa do território Mbya Guarani no Brasil ou o confederalismo democrático no Curdistão, entre outros.

O trabalho explora novas categorias enquadradas em contextos atuais, como a importância das emoções emancipatórias; a colonialidade no âmbito da modernidade e da revolução; a substância da arte como parte da práxis política; a necessidade de promover o artivismo e a mídia contra-hegemônica; a dupla resistência-rebelião; em suma, propostas como ecologias criativas e a estética da necropolítica; a transterritorialidade ou a espiritualidade nas lutas anticapitalistas, para mencionar algumas.

Reflexões coletivas e em rede, que buscam mergulhar em alternativas locais/globais radicais, cujo horizonte é construir “o grande nós que somos”, inspiradas nas propostas das comunidades autônomas zapatistas (EZLN) e do Congresso Nacional Indígena (CNI), que com a recente iniciativa da Travessia pela Vida que realizaram em Slumil K’ajxemk’op (Europa), nos convidam a sonhar com novos mundos.

Esta obra é co-editada pela Cátedra Jorge Alonso; CIESAS Ocidente; Universidade de Guadalajara; CUCSH UDG; CLACSO – Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais; Grupo de Trabalho: Corpos, Territórios, Resistências; Instituto de Pesquisa em Educação da Universidade de Veracruz; Cooperativa Editorial Retos; Cátedra Carlos Montemayor; RERI. Red de Estudios sobre las Resistencias Indígenas e COTRIC – Colectivo Transdisciplinario de Investigaciones Críticas.

Você encontrará vozes fundamentais para o pensamento crítico contemporâneo, com autores como Gilberto López y Rivas / Alicia Castellanos Guerrero / Luis Hernández Navarro / Inés Durán Matute / Hernán Ouviña / Carlos Alonso Reynoso / Jorge Alonso / Márgara Millán / Carolina Díaz Iñigo / Lola Cubells / María Ignacia Ibarra / Bruno Baronnet / Francesca Cozzolino / Argelia Guerrero / Xochitl Leyva Solano / Raúl Zibechi / Azize Aslan / Raúl Romero, juntamente com a coordenação de Francisco De Parres Gómez.

Link para baixar:

http://www.catedraalonso-ciesas.udg.mx/content/internacionalismo-cr%C3%ADtico-y-luchas-por-la-vida-hacia-la-construcci%C3%B3n-de-horizontes-futuros

Tradução > Liberto

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poço vazio
– mergulho –
rãsborrachada

Jandira Mingarelli

[Itália] Quebrando as asas do militarismo. Passeata antimilitarista em Turim

Uma aposta ganha. Uma grande passeata antimilitarista deslocou-se pelas ruas de Turim, rompendo a cortina de fumaça que envolve a indústria bélica e o mercado de armas aeroespaciais em nossa cidade.

De 28 a 20 de novembro, as reuniões do setor aeroespacial e de defesa serão realizadas em Turim. A exposição-mercado é reservada para pessoas da área: fábricas do setor, governos e organizações internacionais, representantes das forças armadas, empresas contratadas. No All’Oval, serão assinados acordos comerciais para armas que destroem cidades inteiras, massacram civis e envenenam terras e rios. O setor aeroespacial produz caças-bombardeiros, mísseis balísticos, sistemas de controle de satélites, helicópteros de combate e drones armados para ação a distância.

Nas reuniões do setor aeroespacial e de defesa, jogos mortais estão sendo manipulados contra milhões de pessoas em todos os lugares: as armas italianas, lideradas pela gigante pública Leonardo [a empresa trabalha nas áreas da defesa, aeroespacial, segurança, automação, transporte e energia], estão presentes em todos os teatros de guerra. Nos mesmos dias, será lançada a pedra fundamental da cidade aeroespacial, um novo centro de armas promovido pela Leonardo e pelo Politécnico de Torino.

Turim é candidata a se tornar um dos principais centros do setor bélico em nosso país.

Alguns dizem não, outros ficam no caminho.

Sábado, 18 de novembro, foi um dia importante de luta contra o militarismo e a guerra.

A manifestação, convocada pela Assembleia Antimilitarista, contou com a presença da “Coordenação de Turim contra a guerra e aqueles que a armam” e de delegações de muitas lutas contra bases militares, campos de tiro, quartéis e fábricas da morte. Havia coordenações e assembleias territoriais de Livorno, Pisa, Carrara, Reggio Emilia, Palermo, Trieste, Pordenone, Milão, Roma e Ragusa.

A passeata começou na Porta Palazzo, o coração popular da cidade, precedida pela Murga e pela Bursting Brass Band, com ações performáticas que catalisaram a atenção das muitas pessoas que cruzavam a Porta Palazzo nas tardes de sábado.

A manifestação seguiu para o centro e terminou na Piazza Vittorio.

Durante todo o percurso, houve discursos das realidades antimilitaristas que participaram da manifestação.

Muitos temas foram abordados. Na Porta Palazzo, os discursos se concentraram na guerra contra os migrantes no Mediterrâneo e nas travessias dos Alpes, na militarização dos CPRs e na construção de campos de concentração na Albânia, bem como no tema da decolonialidade, como uma ferramenta fundamental para desmantelar toda a retórica nacionalista em um contexto de solidariedade internacionalista entre os oprimidos e os explorados.

Em seguida, houve discursos contra a militarização das escolas e a colaboração entre o Politécnico de Turim e a Leonardo, contra a economia de guerra e os gastos militares, contra Muos [sistema de armas de destruição em massa] e a base de Sigonella, contra a nova base dos Carabinieri em Pisa e os campos de tiro em Friuli, contra o mercado de armas e a indústria bélica, contra as missões militares no exterior e a militarização de nossas cidades.

A Turim antimilitarista deu um sinal forte e claro: opor-se a um futuro para a cidade ligado à pesquisa, à produção e ao comércio bélicos é uma forma concreta de se opor à guerra e àqueles que a a(r)mam.

As armas que matam homens, mulheres e crianças em todos os lugares são produzidas na porta de nossa casa.

Jogar areia nas engrenagens do militarismo é possível. Isso depende de cada um de nós.

As lutas antimilitaristas muitas vezes retardaram a disseminação da máquina de guerra, bloqueando suas articulações em nossos territórios.

Mas isso não é suficiente. Da Ucrânia ao Oriente Médio, estão em andamento conflitos violentos que podem eclodir muito além das esferas regionais envolvidas.

Lutar contra a guerra e o militarismo é uma necessidade inevitável.

Um futuro sem guerra é construído pela destruição de uma ordem social e política baseada na exploração e na dominação.

Contra todos os exércitos, por um mundo sem fronteiras!

Próximo encontro:

Terça-feira, 28 de novembro / 12 horas / Presidio at the Oval na via Matté Trucco 70

Não aos traficantes de armas!

Não às reuniões do setor aeroespacial e de defesa!

Não à indústria de armas!

Assembleia Antimilitarista – Turim

antimilitarista.to@gmail.com

www.anarresinfo.org

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vento muda
ares de chuva
tua chegada

Camila Jabur

[EUA] FBI rotula antifascistas e antirracistas como extremistas violentos

Um documento recentemente divulgado pelo FBI (Federal Bureau of Investigation) intitulado “Domestic Terrorism Symbols Guide” (Guia de Símbolos de Terrorismo Doméstico) associa símbolos comuns de protestos a “terrorismo” – outro registro em um tema comum de confundir protestos militantes por justiça social com violência terrorista mortal nos Estados Unidos. Grupos como a American Civil Liberties Union (ACLU) e o Brennan Center fizeram alertas sobre esses documentos, citando proteções descabidas para os direitos constitucionais das pessoas.

Em uma carta enviada ao secretário do Departamento de Segurança Interna (DHS), Alejandro Mayorkas, em 27 de julho, a ACLU expressou profunda preocupação com o rótulo de “extremismo violento doméstico” do DHS, com os padrões de coleta e disseminação de informações para os órgãos policiais estaduais e locais e com os impactos que esses rótulos podem ter sobre comunidades vigiadas e policiadas de forma desproporcional.

A história tem demonstrado que as parcerias entre os órgãos policiais locais e estaduais muitas vezes classificam defensores inocentes dos direitos civis e humanos como extremistas violentos, apesar de nunca terem apresentado tal comportamento. De Martin Luther King Jr. e Malcolm X a manifestantes do Black Lives Matter em Ferguson, Missouri, rotulados como “Extremistas da Identidade Negra” e manifestantes do Stop Cop City acusados de crimes no estilo da máfia, provam que grupos que defendem os direitos civis e a justiça racial são alvos de ataques que continuam até hoje – como mostra o documento recém-divulgado pelo FBI.

Fonte: https://unicornriot.ninja/2023/fbi-labels-anti-fascists-and-anti-racists-as-violent-extremists/

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2011/05/10/eua-o-terceiro-terrorista-mais-procurado-pelo-fbi-e-um-ativista-do-movimento-de-libertacao-animal-e-da-terra/

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poeirão
se levanta no caminho
secam meus olhos

Marcos Amorim

Não à guerra entre os povos, não à paz entre as classes | Comunicado de imprensa da CRIFA

A Comissão de Relações da Internacional das Federações Anarquistas (CRIFA) reuniu-se em Atenas nos dias 4 e 5 de novembro para discutir e partilhar pensamentos e práticas das nossas Federações. Atualmente, estamos particularmente ativos em atividades antimilitaristas, num período que se caracteriza pela intensificação das guerras, das quais as mais conhecidas, como os conflitos em Gaza, na Ucrânia ou no Sudão, não nos devem fazer esquecer a globalidade do problema.

A guerra nunca é uma solução, mas sim uma forma do capitalismo e do Estado reproduzirem formas de dominação, exploração, patriarcado e opressão. A guerra é a exacerbação da violência do poder e da hierarquia. Muitas pessoas falam de crimes de guerra, nós dizemos que a guerra é sempre um crime.

Todas as guerras são contra o povo e utilizam argumentos como o nacionalismo, que coloca os povos oprimidos uns contra os outros, tentando criar a ilusão de que existem interesses comuns a todas as classes de forma a minar os conflitos sociais através da propaganda de guerra.

Nós, anarquistas, opomo-nos a todas as fronteiras, estados, exércitos e ao próprio princípio da soberania territorial. Propomos as nossas ideias de solidariedade internacional, apoiando ativamente todas as vítimas das guerras e todos os que recusam as guerras independentemente de que lado estejam: objetores, desertores, sabotadores e pessoas que fogem às guerras.

Apoiamos todas as ações antimilitaristas que estejam de acordo com os nossos princípios anarquistas, bem como todo os grupos, indivíduos e coletivos que resistem à guerra fazendo trabalho social, ajudando as pessoas, promovendo lutas sociais e que, apesar da guerra, continuam a divulgar posicionamentos antiautoritários.

Além de fazerem a divulgação internacional das atividades antimilitaristas como um trabalho de contrainformação contra a propaganda de guerra através dos jornais, rádios e outros meios de comunicação, as nossas federações promovem atividades como Os “Dias Mundiais de Ação Contra Qualquer Guerra e Militarismo” de 17 a 25 de novembro de 2023 https://de.indymedia.org/node/306630; A quinzena antimilitarista do Público em Paris, de 5 a 26 de novembro de 2023 http://www.librairie-publico.info/?p=8835 e a Assembleia Antimilitarista na Itália. https://umanitanova.org/event/milano-assemblea-antimilitarista-4/ para dar apenas alguns exemplos.

Não à guerra entre os povos, não à paz entre as classes.

Comissão de Relações da Internacional das Federações Anarquistas – IFA, Atenas 5 de novembro de 2023

Fonte: https://i-f-a.org/2023/11/20/ifa-statement-from-crifa-athens-5-nov-2023/

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O pássaro procura
os filhotes, o ninho.
Galho caído…

Rodrigo de Almeida Siqueira

Mónica e Francisco nas ruas!

[Espanha] 20N antifascista: “As ruas são e serão sempre nossas”

Este 20 de novembro, no 48º aniversário da morte do ditador, a Coordenadora Antifascista de Zaragoza e a Plataforma Uesca Antifascista foram para as ruas. Duas mobilizações que reuniram mil pessoas e que foram marcadas pelo anúncio do governo de Aragão -PP e Vox- de revogar a Lei de Memória Democrática aragonesa.

Pisando forte contra o fascismo. Com este lema, em Zaragoza cerca de mil pessoas, de todas as idades, respondiam à convocatória antifascista pelo 20N. Uma mobilização convocada pela Coordenadora Antifascista e a campanha pela Absolvição dos 6 de Zaragoza que percorreu o centro da capital aragonesa, desde a plaza España até o bairro da Madalena. Durante todo o percurso não se deixou de entoar cânticos como “Fora fascistas de nossos bairros” ou “Aqui estão as antifascistas” e lemas contra a repressão, o patriarcado e o capitalismo. Também se mostrou a solidariedade internacionalista com a resistência palestina, que sofre desde 7 de outubro passado uma brutal ofensiva do Estado de Israel, uma autêntica limpeza étnica.

“Frente ao discurso de ódio e a normalização do fascismo”, desde a Coordenadora chamaram a “confrontá-lo e construir uma sociedade onde o que não caiba seja o medo”. “Vivemos tempos onde o fascismo volta a tomar as ruas, onde já não se ocultam porque se sentem legitimados com os pactos onde a direita, mal chamada democrática, e a extrema direita pós franquista governam em dezenas de Prefeituras e comunidades autônomas. É o caso de Zaragoza e o governo de Aragão, onde inclusive dois declarados franquistas do Vox ocupam altos cargos, sem que o ‘democrata’ Jorge Azcón os destitua porque, ainda que não o digam abertamente, o franquismo está no DNA também do Partido Popular”, denunciaram na leitura do comunicado.

“O novo auge do fascismo, que nunca desapareceu por muito que o tentaram vender desde muitas posições, se produz como resposta à crise sistêmica do capitalismo, ante a possibilidade de que os que não tem nada que perder se levantem contra um sistema opressor da classe trabalhadora. Por isso, o fascismo reorienta a frustração e a raiva das pessoas, para qualquer inimigo visível que a canalize e a afaste dos que realmente exercem o poder e assim sustentar o sistema”, advertiram para assinalar que “o sistema, através de suas leis, reprime a quem não aceita sua normatividade, a quem decide enfrentar os poderosos”. “Em nosso país há milhares de pessoas com causas judiciais abertas. Ativistas feministas, sindicalistas, artistas, militantes antifascistas e antirracistas, defensoras do direito à moradia, defensoras da autodeterminação do povo catalão, migrantes, e em nossa cidade os 6 antifascistas de Zaragoza. Por isso exigimos uma anistia justa para todas elas e a revogação da Lei Mordaça”, destacaram.

Também deixaram claro que, “como sempre nos opusemos, não podemos permitir que sigam impondo o relato de que todas as ideologias devem ser toleradas. O fascismo não se discute, se combate. Porque não podemos aceitar como normal uma ideologia que se baseia no ódio ao diferente, que defende os interesses das classes dominantes perpetuando o capitalismo”. “Por isso – continuaram – denunciamos os discursos de ódio que assinalam culpados, que incitam à violência e que dizem defender uma democracia que só é legítima se governam eles, com chamados para abortá-lo ou derrubá-lo por qualquer meio. ‘O que possa fazer, que faça’ ou ‘até a última gota de sangue’. Discursos que falam de um país no qual cada vez cabemos menos gente, enfrentando-nos ao outro, e no qual se volte a normalizar o uso da violência como argumento político”. Ao grito unânime de “Não passarão” finalizaram a mobilização antifascista.

Que não pintem tudo de rosa. Fascismo nunca mais. Em Uesca 200 pessoas se concentraram na plaza Zaragoza com este lema, em uma mobilização convocada pela plataforma Uesca Antifaixista. Durante o ato foram lidos diversos comunicados, do Coletivo 28J LGTB e da CNT. “Hoje 20 de novembro, comemoramos a morte de um lutador. Tal dia como hoje morreu Buenaventura Durruti combatendo o fascismo e a reação”, começava o comunicado da plataforma convocante. “Também um 20 de novembro morreu o ditador fascista Francisco Franco em sua cama. 48 anos depois, o fascismo segue presente nas instituições, nas mais altas esferas da sociedade e nas ruas, abarrotadas dos filhos da ultradireita, com seus símbolos, saudações e cânticos criminosos. Enquanto isso, são centenas os casos de repressão contra movimentos sociais, sindicais e ecologistas”, acrescentaram.

Uesca Antifaixista denunciou que “o fascismo velho e reacionário se camufla entre o neoliberalismo mais selvagem. E vemos como em nossa cidade se manifesta mediante a deterioração do público e da precarização das condições das trabalhadoras municipais, a não cobertura de praças dos bombeiros, a biblioteca e, definitivamente, empregos públicos. Se manifesta quando se tampa a porta em uma moradia funcional enquanto se criminaliza a ocupação, se fecham centros sociais e se fomenta a especulação imobiliária. Se prefere investir em quarteis militares que em centros de saúde. Tudo isto enquanto os políticos de Uuesca aumentam seu soldo”. Frente a estes “abusos reacionários” puseram como exemplos as lutas da classe trabalhadora “da limpeza da Pirâmide, as de Litera Meet en Binefar, dos bombeiros florestais por todo Aragão, referências todos eles na defesa de seus direitos”.

“Hoje a extrema direita pretende apropriar-se da rua, mas as ruas são nossas, jamais as perdemos. A luta, as reivindicações e os avanços pertencem e pertencerão ao antifascismo”, defenderam. Também houve críticas aos meios de comunicação que “tentam branquear marchas fascistas mediante a equidistância”. “Nós gritamos que o fascismo não se discute, se combate. Esta corrente neoliberal e nacionalista busca arrasar a diversidade, negar a violência machista e criminalizar as pessoas migrantes”, continuaram para citar os casos da “Polônia, Hungria, Itália, Argentina ou Israel”.

Segundo Uesca Antifaixista, “as diversas caras do fascismo se expressam com a política do ódio, da uniformidade e do extermínio do adversário. Como o sionismo, cometendo genocídio na Palestina e outros massacres que seguem ignorados, a traição ao povo saharaui, ao Kurdistão ou as violações massivas em Tigray”. “Ali onde o ódio tente abrir caminho, aí nos encontraremos, enfrentando com solidariedade e apoio mútuo, com organização de moradores e sindical, com companheirismo e antifascismo”, frisaram para concluir afirmando: “As ruas são e serão sempre nossas”.

Fonte:https://arainfo.org/20n-antifascista-las-calles-son-y-seran-siempre-nuestras/

Tradução > Sol de Abril

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Rio seco
silêncio sob a ponte
apenas o vento.

Rodrigo de Almeida Siqueira

[EUA] Chamado Internacional para Protestos Sonoros

Chamado da Cruz Negra Anarquista (ABC) de NY por protestos sonoros nessa véspera de ano novo

Essa é uma chamada por uma barulhenta noite de forte solidariedade para aqueles aprisionados pelo Estado em uma das noites mais barulhentas do ano. Na véspera de Ano Novo junte sua gangue, coletivo, comunidade, organização, ou somente você e faça um estardalhaço e lembre aqueles dentro dos muros que eles não estão sozinhos.

Internacionalmente, protestos sonoros fora das prisões são uma maneira de recordar os que estão mantidos cativos pelos Estado e uma forma de demonstrar solidariedade para com os camaradas e nossos entes queridos aprisionados. Nos reunimos para romper a solidão e o isolamento.

Nós sabemos que as prisões não podem ser reformadas e devem ser completamente abolidas. São um mecanismo de repressão usado pelo estado para manter a ordem social enraizada em supremacia branca, patriarcado e heteronormatividade. Nos reunirmos na parte de fora destes espaços também é uma forma de demonstrar oposição ao que eles representam.

A lógica do Estado e do capital; da punição e aprisionamento, deve ser substituída por uma rejeição a opressão e a exploração. Esse chamado é um passo nessa direção.

Onde quer que você esteja, nos encontre na Véspera do Ano Novo nas prisões, cadeias e centros de detenção, faça barulho em solidariedade aos aprisionados para avançar a ideia de um mundo livre de dominação.

Nós fazemos esse chamado em solidariedade para com aqueles desafiando a repressão do Estado em larga escala: dos anarquistas no Chile a Atlanta, da Rússia e todos os espaços entre eles.

Nós queremos um mundo livre de muros e fronteiras.

Nós lutaremos juntos até que todos sejam livres.

Fonte: https://itsgoingdown.org/international-call-for-new-years-eve-noise-demonstrations-6/

Tradução > 1984

agência de notícias anarquistas-ana

entre velhas páginas
uma folha ainda verde
da casa antiga

Alice Ruiz

Nos 10 anos do Levante Popular de 2013, a revolta pode ir a julgamento novamente por meio da audiência, marcada para 12/12, de Fábio e Caio.

A justiça do estado do Rio de Janeiro definiu a data do júri popular de Fábio Raposo Barbosa e Caio Silva de Souza, acusados pela morte do cinegrafista Santiago Andrade em fevereiro de 2014. A sessão plenária do 3º Tribunal do Júri está prevista para as 12h, do dia 12 de dezembro de 2023. Fábio e Caio respondem por homicídio doloso qualificado e explosão. Há quase dez anos, Santiago foi atingido por um rojão na cabeça enquanto registrava  confrontos entre manifestantes e policiais sem qualquer tipo de equipamento de proteção, para a TV Bandeirantes, no Centro do Rio, perto da Central do Brasil. Apesar do que o Estado, através do punitivismo populista penal e a mídia, através do linchamento discursivo, tentam emplacar, Caio e Fábio não poderiam ser responsabilizados pela morte de Santiago Andrade. A explosão de um artefato como aquele não tem previsibilidade e, portanto, qualquer noção de intenção teria que ser descartada. Se fizéssemos dez reconstituições do incidente, obteríamos dez resultados diferentes. Além disso, não existe nenhuma prova conclusiva de que o morteiro que acertou o jornalista tenha sido disparado pelos manifestantes, já que existem relatos de testemunhas de que naquele dia, a própria polícia estava com morteiros.

A criminalização de Caio e Fábio se confunde com a própria criminalização da revolta popular, e foi a maneira que o Estado encontrou para tirar as pessoas das ruas no Rio de Janeiro. Lembrando que até aquele momento na cidade as manifestações atraíam grandes massas e contavam com grande apoio popular. Somente através da fabricação de uma acusação de assassinato, diante de um terrível e evitável acidente sofrido pelo jornalista Santiago foi possível emplacar um discurso para fazer as pessoas temerem sua própria capacidade de insurreição. Importante ressaltar que a rede Bandeirantes enviou Santiago para uma zona de conflito sem nenhum material de proteção.

Diante disso, o julgamento segue confirmado sem que a rede bandeirantes tenha liberado as imagens completas que estavam na câmera do jornalista quando este foi atingido. A emissora foi intimada a entregar essas imagens, mas entregou apenas uma parte claramente editada. Não podemos então deixar de perguntar: o que há para se esconder nesses arquivos? Por que querem que os manifestantes sejam julgados sem que essas imagens apareçam? Nossa luta neste momento é para que o julgamento seja adiado e não ocorra dia 12 de dezembro sem que a defesa tenha acesso às imagens completas, garantindo assim o amplo direito de defesa de Caio e Fábio. Mas é também pela sua absolvição e pela extinção de todos os processos fabricados, envolvendo manifestantes e lutadores das jornadas de 2013.

Sabemos que os verdadeiros assassinos seguem matando diariamente e de muitos modos na nossa sociedade. Sabemos que o caso em questão é apenas mais um para barrar a autodefesa popular e criar uma situação de pânico diante da exploração da morte e do sofrimento pela mídia, que sabemos ser sempre convenientemente seletiva, para que a revolta seja tirada de cena. Fazer isso é instrumentalizar a morte e a dor das pessoas para um fim político e de controle social. Não há qualquer respeito genuíno com o sofrimento das pessoas quando se usa vidas dessa forma. O que é, aliás, o modo geral de proceder do capitalismo: a instrumentalização dos afetos.

O caso lembra o que ocorreu na Grécia, em 2010, quando um incêndio em um banco durante um protesto levou três pessoas a óbito, e isso foi amplamente usado para jogar a opinião pública contra os protestos, esvaziar as ruas, e gerar um pânico na população, como se se rebelar pudesse gerar mais mortes do que as próprias políticas de austeridade que se pretendia barrar. Sabemos, entretanto, que isso não é verdade, que os bancos ceifam direta e indiretamente muito mais vidas do que qualquer incêndio. Que se as mortes convenientes, quando não são diretamente fabricadas, são pelo menos facilitadas e exploradas para abafar revoltas.

As inúmeras mortes diárias contra as quais nos revoltamos seguem numerosas e constantes, sendo naturalizadas e tomadas como inevitáveis.

A morte de Santiago não foi a única morte em contexto de manifestações, tivemos manifestantes jogados de uma ponte pela polícia; tivemos professoras asfixiadas com gás; e não é como se não morressem tantas pessoas diariamente pela violência policial; pela precarização da vida; pelos motivos que justamente levaram a população às ruas para protestar. Mas as mortes invisíveis, de tantas pessoas matáveis, foram contrapostas pela morte de um “cidadão de bem”, o acidente conveniente foi então usado como instrumento e moeda de troca para que a revolta se tornasse condenável. Mas quem usa pessoas como moeda, que nos usa como um meio para aumentar suas riquezas e poderes, não se importa de fato com a vida. Por isso defender Caio e Fábio hoje é defender a possibilidade da revolta, é  defender o direito a uma outra forma de vida diante do capitalismo que cada vez mais nos tira as mínimas condições de sobrevivência. Somos todys nós que não nos conformamos com essa vida sem o mínimo, que não nos calamos diante das opressões, e que lutamos por uma outra sociedade livre e igualitária, que também estamos indo a júri sem direito de defesa.

LIBERDADE PARA CAIO E FÁBIO!

NÃO PODE HAVER JÚRI SEM ACESSO ÀS IMAGENS!

DIREITO À REVOLTA!

VIVA A ANARQUIA!

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Juntos,
um homem e a brisa
viram uma página

Betty Drevniok

Relato da XIII Feira Anarquista de SP | “Ano que vem tem mais! Viva a anarquia!”

A XIII Feira Anarquista de SP aconteceu no último domingo, dia 19 de novembro. Essa foi a segunda edição realizada dentro da EMEF Des. Amorim Lima. O dia contou com atividades para todas as idades, dentre elas: prática de yoga, exposições, lançamentos de livros, exibição de documentários, apresentações teatrais, contações de história, rodas de conversas, oficinas criativas e 40 coletivos expositores.

Depois de uma sequência de dias extremamente quentes, fazendo jus ao inferno que o capitalismo cria para a nossa existência, nem podemos reclamar da forte chuva que veio logo no início do evento. Ainda assim, recebemos um grande público, e não, não sabemos quantas pessoas foram, pois quem faz contagem é a polícia (e provavelmente diriam que houve uns 300 indivíduos presentes, mas a gente sabe que foi no mínimo 10 vezes isso). Esse evento anual tem como objetivo ser um momento de encontros, criação de teias, fortalecimento de vínculos já existentes e impulsionamento para que os coletivos expositores possam ter condições de continuar a exercer sua militância. Esperamos que assim tenha sido, de alguma forma, para cada pessoa que passou pela Feira Anarquista no dia.

Os coletivos organizadores querem agradecer a todo mundo que contribuiu para que chegássemos a esse dia tão aguardado, para que ele transcorresse com tranquilidade e organização e para que, ao final, a escola fosse entregue de volta àqueles e àquelas que trabalham ou estudam nela, assim como a recebemos: limpa e em ordem – talvez, para quem acredita em energias, com o acréscimo do espírito da rebeldia, da solidariedade e do apoio mútuo.

Ano que vem tem mais! Viva a anarquia!

Organizadores: Biblioteca Terra Livre | Centro de Cultura Social de SP | Núcleo de Estudos Libertários Carlo Aldegheri

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Por trás da cortina,
o passarinho não vê
que aguardo o seu canto.

Henrique Pimenta

Ministério da Defesa do governo Lula compra foguetes Skyfire 70 para o Exército

O Centro de Obtenções do Exército Brasileiro assinou, em 18 de outubro de 2023, contrato milionário com a Avibras (Divisão Aérea e Naval) para aquisição de um lote de foguetes Skyfire 70, dotados de cabeça de guerra anti-pessoal. Além de serem usados pela Aviação do Exército Brasileiro, os foguetes e lançadores SKYFIRE-70 também são exportados para diversos países da África e Ásia, sendo inclusive, provados em combate.

ARMAS NÃO MATAM A FOME!!!

Não aos gastos militares!

Contra a indústria da morte!

Contra todos os exércitos!

> antimilitaristas anarquistas <

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/05/11/gato-militar-indutria-da-morte-lula-inaugura-linha-de-producao-do-caca-gripen-no-brasil/

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foi ao toalete
e cortou os sonhos,
a gilete

Leila Míccolis

[Colômbia] 1º Encontro Internacional de Saberes e Pedagogias Anarquistas

Tecer e intercambiar

Realizamos a difusão deste formulário para a inscrição de oficinas, debates, intervenção artística ou qualquer tipo de mostra gráfica. Esperamos o breve intercâmbio de saberes e reflexões que possamos brindar desde as coletividades e individualidades.

Queremos reconhecer e reconhecer-nos desde novos tecidos possíveis para o impulso de reflexões que nos levem a entender a sociedade desde outros olhares, um espaço no qual convergimos diferentes individualidades desde a autogestão, abrindo espaços para o intercâmbio de saberes anarquistas desde diferentes temáticas.

No formulário pode encontrar algumas seções dirigidas para a participação no espaço desde alguma conferência, oficina, comitê, espaços gráficos ou empreendimentos de autogestão, entre outros.

Universidade Pedagógica Nacional – 25 e 26 de novembro

Link inscrição: https://cryptpad.fr/form/#/2/form/view/QwS3J-85mknX2jHIrlv5CkYTGcm-NXRalLP+r2TxwWc/

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Anoitece
Atrás da colina
O sol adormece

RôBrusch

[México] Carta do perseguido político Miguel Peralta 101 anos após o assassinato de Ricardo Flores Magón

E aí, compas? Cumprimento-os com muito carinho e, antes de mais nada, gostaria de pedir uma salva de palmas para Angelita Velasco, Genaro Vargas e Alberto Cabanzo… companheiros que já partiram deste mundo e que fizeram parte desta luta.

101 anos após o assassinato de Ricardo Flores Magón, a semente da rebeldia que ele plantou continua dando frutos, fornecendo conhecimentos, ideias, anedotas e estratégias de resistência. Apesar das constantes prisões e perseguições políticas que sofreu, inclusive fora do México, ele sempre se manteve firme com uma posição ideológica muito clara, que é necessário recordar.

A reivindicação de Ricardo implica a existência de um vínculo com a comunidade, um senso de pertencimento que os poderosos jamais poderão apagar.

Também gostaria de aproveitar esta oportunidade para enviar um grande abraço aos meus tios Jaime Betanzos e Herminio Monfil, que conseguiram romper esses muros, e estou muito feliz por saber que eles estão caminhando com seu povo em nossa cidade.

À distância estou com vocês, acredito que o distanciamento do território físico do qual fui forçado implicou um certo desenraizamento que me obrigou a me afastar de coisas que eu queria fazer na comunidade, deixar de reproduzir essas práticas comunitárias às vezes me faz perder o sono, mas também há um vínculo que tenho muito enraizado, porque meu umbigo ainda está lá.

O exílio da comunidade não significa necessariamente se afastar daquilo em que você acredita, de quem você é e do que você quer. Na perseguição, há também a angústia, o medo, você anda, corre, tropeça na noite, mas se levanta e continua avançando com passos mais cautelosos, cuidando da segurança de seus companheiros cúmplices.

Espero que todos os companheiros presos sejam libertados em breve, que os perseguidos voltem para casa e que as famílias sejam unidas novamente.

Saudações à bandida de mídias livres, ou como quer que se chamem, que estão por aí dando tudo de si, e também ao companheiro Luis Olvera Maldonado e à dona Fili, que, a propósito, tenho alguns trabalhos pendentes, eu os abraço.

Abaixo os muros das prisões.

Liberdade para Alfredo Bolaños, Fernando Gavito, Francisco Duran, Marcelino Miramon e Paul Reyes.

Liberdade para Jaime e Herminio.

Liberdade para Jorge Esquivel.

Liberdade para Karla e Magda.

Liberdade para Alfredo Cospito, Mónica e Francisco.

Liberdade para os presos políticos.

Miguel Peralta

Fonte: http://www.anticarcelaria.org/2023/11/21/carta-del-perseguido-politico-miguel-peralta-101-anos-ricardo-flores-magon

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/09/07/mexico-colocacao-de-uma-faixa-em-oaxaca-pela-semana-de-solidariedade-com-os-presos-anarquistas/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/06/13/mexico-miguel-peralta-nao-desista-compa-resista-nos-aqui-fora-pensamos-em-voce/

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Dentro da mata –
Até a queda da folha
Parece viva.

Paulo Franchetti

“A liberdade, a crítica e a criatividade anarquista é o que mais me chama atenção.”

Instituto de Estudos Libertários (IEL) entrevista Nilciana Alves Martins

Quem é Nilciana Alves Martins?

Essa é uma pergunta realmente difícil, afinal estamos sempre em um processo de construção fruto de múltiplos atravessamentos, e por isso, atribuir adjetivos a si mesmo é desafiador e incerto, visto nosso caráter transitório. Tentando focar no que fica, ao invés do que muda, diria que sou uma pessoa comum. Profissionalmente, tenho me dedicado à História e à educação popular. Sou doutoranda vinculada ao Laboratório de História Política e Social (Lahps|Ufjf). Desde 2018, me aproximei do universo dos periódicos acadêmicos contribuindo em diferentes funções dentro das equipes editoriais. Hoje em dia, atuo como vice-editora chefe da Revista Faces de Clio e assistente editorial da Locus, ambas ligadas à referida universidade.

Quando e como conheceu o anarquismo?

Após vasculhar minha memória na tentativa de responder essa questão, lembrei que ainda na juventude me deparei com símbolos anarquistas, seja através do grunge e do punk ou dos (A) espalhados pelos muros da cidade. Em 2014, comecei a faculdade de História e pelos corredores encontrei alguns “gatos pingados” anarquistas, isso me possibilitou um maior contato com o socialismo libertário. A partir daí, busquei me aproximar da literatura anarquista, encontrando ali contribuições que me atravessam até hoje.

Você tem preferência por alguma corrente histórica do anarquismo?

Creio que não! Pelo menos, não no sentido que geralmente isso tem. Não me vejo dentro de uma corrente específica, mas apenas como alguém disposta a ser tributária do que lhe parece potente. Vejo o anarquismo como uma construção coletiva, como algo “vivo”, uma soma de diferentes empenhos individuais e coletivos ancorados em princípios inegociáveis. De acordo com minhas possibilidades, busco entender os princípios e as múltiplas performances anarquistas espalhadas pelo tempo. A liberdade, a crítica e a criatividade anarquista é o que mais me chama atenção. Daí a dificuldade em me encaixar dentro de uma corrente específica, apesar de achar super possível e válida tal ação. Ainda assim, se eu tivesse que listar nomes da ancestralidade anarquista que me influenciaram diria: David Graeber, Emma Goldman, Francisco Ferrer, Maria Lacerda de Moura, Mikhail Bakunin, Peter Kropotkin entre vários outros nomes.

>> Para ler a entrevista na íntegra, clique aqui:

https://ielibertarios.wordpress.com/2023/11/21/instituto-de-estudos-libertarios-entrevista-nilciana-alves-martins  

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Mato molhado
cobra rasteja
passou de repente

Docá