Mercado de arma$, defe$a, $egurança e… ESTUPIDEZ!!!

“Lula acerta quando estimula a entrada do Brasil no mercado da indústria bélica. Em franca expansão não podemos ficar de fora. As indústrias da Rússia, da China, da Europa e dos EUA estão bombando com quatorze guerras em andamento no mundo”, escreveu um ‘admirador de Lula’ nas redes sociais comentando a recente (17/10) venda pela brasileira Embraer de avião militar KC-390 para a República Tcheca. É o quinto país a fazer isso na Europa e o terceiro da Otan, a aliança militar ocidental, consolidando a entrada da fabricante brasileira neste mercado.

Contra o militarismo, contra a máquina de guerra, produção e venda de armas!

> antimilitaristas anarquistas <

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agência de notícias anarquistas-ana

Noite escura,
chuva fina esconde
a lua cheia.

Fabiano Vidal

[Espanha] Não ao fechamento do Centro Social Recuperado de Gamonal

O Centro Social Recuperado de Gamonal está ameaçado de fechamento pelo Prefeitura de Burgos. Reproduzimos abaixo o comunicado que começou a se espalhar a partir do CSR, onde uma manifestação de apoio é convocada para este sábado, 28 de outubro, a partir das 19 horas, no Marco Zero de Gamonal.

Vizinha, vizinho, a Prefeitura (PP e VOX) quer fechar o Centro Social Recuperado de Gamonal.

O espaço onde o CSR está localizado já foi o pasto da especulação e do abandono da corrupta Fundación Caja de Burgos por mais de 13 anos. Então, em 24 de janeiro de 2014, durante a revolta contra o Bulevar, um projeto especulativo e ditatorial de Francisco Javier Lacalle e Méndez Pozo, o CSR foi recuperado, organizado e habilitado coletivamente por e para todo o bairro.

Durante esses 10 anos de funcionamento autogerido, horizontal e autônomo, foram realizadas inúmeras atividades (palestras, teatro, poesia, concertos, oficinas, reuniões) nas quais não houve problemas de segurança ou outros, sempre tentando respeitar o sono e a convivência de todos.

O CSR é um espaço onde cuidamos uns dos outros, livre de racismo, sexismo, homofobia. Um espaço que é ponto de encontro e referência em difusão cultural e pensamento crítico, gratuito, aberto e que tem contado com a colaboração solidária de muitas pessoas, coletivos, grupos de Burgos e de toda a Espanha. Um espaço que é amigo do bairro e inimigo do poder. Um espaço em luta e um incômodo para o fascismo que tenta silenciar qualquer tipo de dissidência.

Recuperemos esse espírito de luta, orgulho e dignidade!

A partir deste ano de 2023, a Prefeitura do PP-Vox já colocou em ação a perseguição, a criminalização e a eliminação daqueles que não estão de acordo com seus interesses ideológicos de extrema direita. A eliminação do festival Enclave de calle, a retirada da ajuda pública à associação de Memória Histórica e, agora, a tentativa rasteira de fechar nosso Centro Social. Esta Prefeitura com Cristina Ayala à frente, travou uma batalha contra a diversidade e a cultura crítica, contra tudo o que significa liberdade, feminismo, antirracismo, arte, memória…

A homogeneização da sociedade e o pensamento único são muito perigosos porque conseguem nos transformar em ovelhas dóceis a serem manipuladas e, assim, continuar a perpetuar as desigualdades sociais e os privilégios de poucos.

Assim é o fascismo!

Vale lembrar que a primeira coisa que a prefeita fez depois de assumir o cargo foi aumentar seu salário para 92.701 euros e retirar a bandeira LGTBI da Prefeitura, para que fique claro o caráter moral dessa política. Essa senhora, que entregou à VOX o departamento de segurança pública, deixando o braço armado da Prefeitura (a polícia local) nas mãos da ultradireita, que, de forma servil, age contra os interesses da classe trabalhadora sem questionar as ordens ditadas por fascistas reconhecidos. Os Gallardos, os Peñas, os Alegría, os Ayala fazem parte da classe política parasitária que aumenta seus salários enquanto corta nossas liberdades e endurece nossas condições de vida. Nossos verdugos têm nomes e sobrenomes.

O fato de que eles não estão nem aí para nossos direitos e muito menos para nossa qualidade de vida já é uma realidade. Que só o povo pode salvar o povo já é um fato; basta pensarmos na pandemia de 2020, quando foram organizadas inúmeras redes de solidariedade, das quais o CSR foi uma delas e continua cobrindo as necessidades de muitas famílias da cidade. É um choque de dois mundos antagônicos, o mundo da desigualdade versus o mundo da justiça social; o mundo do fascismo versus o mundo da liberdade; o mundo da privatização versus o mundo dos bens comuns; o mundo do apoio mútuo e da cooperação versus o mundo da competição e do individualismo; o mundo do cinza versus o mundo multicolorido.

O mundo que temos e o mundo que precisamos.

Estamos comprometidos com uma sociedade livre, aberta e plural, onde o lazer e a cultura estão disponíveis para todos. Mas a Prefeitura e seus políticos não querem que pensemos por nós mesmos, não querem que todos nós tenhamos acesso à cultura ou que tenhamos um espaço onde possamos nos encontrar, nos expressar e fortalecer nossos laços. É por isso que é importante defender o CSR porque, além das quatro paredes, ele é um espaço de resistência a esse mundo sombrio, comercializado, individual e cinza. Um espaço para construir imaginários, para desenvolver e se auto-organizar como bairro. Um lugar para levantar nossas vozes e lutar contra a injustiça; e tudo isso sem a tutela do poder.

Vizinhança, vocês são necessários!

Sejamos um só, sejamos um só na defesa do CSR!

Vizinhos, vizinhas e vizinhanças unidos em defesa do Centro Social Recuperado de Gamonal e contra todos os atos de censura e perseguição política!

Prefeita, lembre-se daquele 10 de janeiro de 2014 e de como seu antecessor, Lacalle, teve seus planos especulativos interrompidos aqui em nosso bairro de Gamonal.

Vamos repetir esse feito e não vamos permitir que arranque de nós o que nasceu da dignidade coletiva de um bairro inteiro.

Fonte: https://diariodevurgos.com/dvwps/no-al-cierre-del-centro-social-recuperado-de-gamonal.php

agência de notícias anarquistas-ana

O dia já tarde
festeja a alegria
nas bolhas do guaraná

Winston

[Espanha] Paz justa para Palestina

Nós que nos concentramos nos dias 24 de cada mês nesta mesma praça para reclamar o final da guerra da Ucrânia, não podemos deixar de ter em nossa mente e nosso coração as pessoas que estes dias sofrem e morrem na Palestina.

Nos solidarizamos com todas as vítimas e familiares das pessoas, em sua maioria civis, que sofreram o ataque palestino de sete de outubro passado, e com quem nos dias de hoje permanecem sequestradas. Pedimos sua imediata libertação.

Dito isto, não podemos deixar de expressar nossa mais profunda repulsa e indignação ante a desproporcional, cruel e desumana resposta que as autoridades ultra-direitistas do estado de Israel desencadearam indiscriminadamente sobre milhões de pessoas inocentes.

O terror e a matança que contemplamos estes dias não é novo. Conhecemos suficientemente o longo histórico do estado de Israel, o qual podemos chamar criminoso com toda propriedade, que durante décadas praticou uma política expansionista e genocida sobre a população palestina. Não existe em todo Ocidente uma ação política de estado, como a que Israel vem desenvolvendo com impunidade a longos anos, que alcance tão altas cotas de desprezo e violação de todo tipo de direitos humanos, assim como de convênios e legislações internacionais a respeito.

A denúncia do estado de Israel, novamente, uma vez mais, há de ser veemente. E assim o queremos expressar hoje aqui. Mas também há que condenar o silêncio cúmplice, quando não o mais descarado dos apoios que os governos da União Europeia e Estados Unidos proporcionam à política criminosa de Israel. Por muitíssimo menos do que as autoridades belicistas e genocidas de Israel estão realizando estes dias, a Rússia sofre todo tipo de sanções – políticas, econômicas e culturais – por parte dos Estados Unidos e da União Europeia e, ademais, se vê castigada em uma guerra na qual ditos agentes armam e financiam sem cessar o seu país rival. A hipocrisia e o cinismo não podem ser maiores.

Assistimos estes dias, como também está sucedendo por causa do conflito da Ucrânia, a um incremento da censura e o controle social. É repugnante como as autoridades de nossos estados e os principais meios de comunicação de massas se esforçam em avaliar a legitimidade do Estado de Israel para cometer seus crimes em nome do que chamam “o direito à defesa”. Em países europeus vizinhos, a suposta Europa da liberdade e a democracia, ao tempo que amordaçam os meios de comunicação críticos com este estado de coisas, se detêm e encarcera pessoas pelo simples motivo de mostrar publicamente seu apoio ao povo palestino.

Queremos nos solidarizar com todas as vítimas deste longo e terrível conflito. Com as de ambos os lados, mas especialmente com os milhões de pessoas que hoje sofrem o atroz e indiscriminado bombardeio da Faixa de Gaza. Também com a população civil da Cisjordânia que, em meio da maior das impunidades, está sendo atacada e assassinada por colonos e militares israelenses fascistas a quem, apesar de sê-lo com toda propriedade, ninguém chama “terroristas”. Nos causa uma profunda vergonha a inação e indiferença da chamada “comunidade internacional”, começando por nosso próprio governo e uma grande parte da sociedade espanhola, a quem parece não importar que se esteja perpetrando este holocausto em pleno século XXI.

Por último, queremos recordar que nesta, como em toda guerra, apesar de seu caráter profundamente assimétrico e desigual, não convêm fazer leituras maniqueístas ou binárias dividindo os contendores entre “bons” e “maus”. Em ambos os lados existem perfis cruéis e desumanos, ao tempo que tanto na Palestina como entre os judeus do estado de Israel abundam os indivíduos e grupos que desejam a Paz justa e se esforçam para que se possa dar. Em Israel há numerosas pessoas cumprindo prisão por negar-se a fazer parte do exército. Também é conhecido o amplo movimento antissionista e pró palestino integrado por pessoas de religião e cultura judia, em muitas partes do mundo e também em Israel. Precisamente estes dias muitos destes judeus israelenses permanecem sob detenção ou em prisão por terem se mostrado contrários à ação bélica criminosa de seu governo.

Junto a todas estas pessoas que lutam pela paz, e junto a todas as vítimas desta guerra injusta e desigual, pedimos que cesse toda operação bélica, que cesse o genocídio, que cesse a violência, que cesse a injustiça por parte do Estado de Israel e que se abram caminhos para uma Paz justa e verdadeira.

Grupo Antimilitarista Tortuga

Elx, 24 de outubro de 2023.

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

Joaninha caminha
no braço da menina.
Olhar encantado.

Renata Paccola

O anarquista Lev Skoryakin foi sequestrado no Quirguistão

Na noite de 16 para 17 de outubro, em Bishkek, de acordo com a DOXA, pessoas desconhecidas sequestraram o ativista do Bloco de Esquerda, o anarquista Lev Skoryakin. Os advogados não sabem de seu paradeiro. Na Rússia, Skoryakin é acusado de “hooliganismo com armas”, devido à ação contra um escritório do FSB no sudoeste de Moscou com outro ativista do Bloco de Esquerda, Ruslan Abasov. Skoryakin e Abasov estavam segurando faixas e queimando sinalizadores no escritório. Eles foram presos preventivamente na prisão de Butyrka, em Moscou, mas foram libertados em um processo judicial pendente e fugiram da Rússia. Skoryakin foi preso na ausência em fevereiro de 2022, e o mandado de prisão foi emitido em abril de 2022.

Em junho, Skoryakin foi preso em Kyrgysztan devido a um pedido de extradição internacional feito pela Rússia, mas em setembro ele foi libertado da prisão preventiva devido à decisão do promotor geral do Quirguistão, que recusou sua extradição para a Rússia. Desde então, Skoryakin permaneceu no Quirguistão como requerente de asilo, e sua extradição para a Rússia é ilegal. Ele também obteve um documento de viagem e um visto humanitário da Alemanha, e estava pronto para viajar do Quirguistão para a Alemanha. Ele recebeu seu documento de viagem em 16 de outubro, mas no mesmo dia dez oficiais foram ao abrigo em que ele estava hospedado, apresentaram-se como oficiais da polícia do Quirguistão e sequestraram Skoryakin.

Enquanto Vladimir Putin visitava o Quirguistão, Lev Skoryakin foi preso, mas liberado após duas horas.

No final de junho, o anarquista Alexei Rozhkov, acusado de ataque incendiário contra o escritório de alistamento militar, foi sequestrado no Quirguistão. Ele foi extraditado ilegalmente para a Rússia, torturado e preso novamente.

Esta notícia foi fornecida a você pela Autonomous Action. Apoie nosso projeto fazendo uma doação para nosso esforço de financiamento coletivo aqui (avtonom.org/en/pages/donate).

Fonte: https://avtonom.org/en/news/anarchist-lev-skoryakin-kidnapped-kyrgyzstan

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Apenas vós,
Árvores de tronco branco,
Me garantis que retornei.

Paulo Franchetti

[Espanha] Fim da greve por tempo indeterminado na Sevilla Control

A CNT põe fim à greve por tempo indeterminado na Sevilla Control S.A., iniciada em 2 de outubro, após chegar a um acordo satisfatório que inclui a maioria das demandas da força de trabalho.

Sevilha, 21 de outubro de 2023.

Após 19 dias de uma dura greve, a seção sindical da CNT em Sevilla Control S.A. chegou a um acordo na manhã de 20 de outubro que, depois de ser ratificado na assembleia de trabalhadores, põe fim à greve por tempo indeterminado iniciada em 2 de outubro. Desde o início da greve, a seção sindical enfrentou com bravura e coragem uma situação difícil devido à recusa inicial da empresa em reconhecer a CNT como interlocutor válido de negociação. Mas a perseverança e o apoio mútuo que os trabalhadores demonstraram uns pelos outros e que receberam de outros sindicatos, organizações políticas e trabalhadores individuais valeram a pena.

Finalmente, as negociações começaram no início desta semana e culminaram no acordo assinado ontem. Esse acordo inclui várias melhorias nas condições de trabalho atualmente estabelecidas, incluindo promoções de categoria, novos bônus não absorvíveis, um aumento no bônus noturno, garantias de estabilidade no emprego e melhorias nos direitos e garantias para a seção sindical da CNT. Desde a CNT confiamos que a administração da empresa manterá abertos os canais de diálogo que permitiram chegar a um acordo muito satisfatório e que restabelece a confiança e a comunicação fluida entre as partes. Isso, sem dúvida, resultará não apenas em evitar situações semelhantes no futuro, mas também na melhoria da produtividade e do bom clima da força de trabalho.

A CNT conseguiu sustentar 19 dias de greve por tempo indeterminado de mais de 60 trabalhadores graças ao seu Fundo de Resistência, que ajuda os membros em dificuldades a resistir à perda de salários durante a greve. A CNT também gostaria de agradecer a todas as pessoas, organizações e coletivos que demonstraram solidariedade com os trabalhadores em greve, bem como às pessoas que contribuíram com uma pequena quantia para o Fundo de Resistência.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/fin-a-la-huelga-indefinida-en-sevilla-control/

agência de notícias anarquistas-ana

cubista musa
com os pés na cabeça –
obra confusa

Carlos Seabra

[Espanha] Nem Guerras Nem Fronteiras

Para a maioria não custa identificar a guerra como causadora de mortes em massa, deslocamentos forçados, torturas, fome ou violações. Mas também supõe um negócio tremendamente rentável para as minorias dirigentes carentes de escrúpulos.

Os conflitos armados quase sempre se produzem por motivos econômicos e geopolíticos. Sob eufemismos como “missão de paz” ou “ajuda humanitária” se camuflam operações cujo objetivo é o controle militar de zonas estratégicas para o espólio de recursos naturais e matérias primas como o petróleo, o gás ou certos minerais.

A população mais humilde sofre as piores consequências: infraestruturas e lares destruídos, vidas e famílias destroçadas e, no melhor dos casos, a fuga desesperada a outro lugar, através de perigosas rotas migratórias, para tratar de começar do zero em um desapiedado entorno hostil longe de seu lugar de origem.

Após padecer as piores penúrias, se têm sorte, se topam com um novo absurdo físico e legal: as fronteiras em terra, mar e ar. Em 2022, das 120.000 pessoas que solicitaram asilo na União Europeia, tão só cerca de 7.000 receberam o status de refugiado. Esse mesmo ano, 2.925 pessoas morreram tentando chegar à Europa. Uns dados tão vergonhosos como chocantes.

As fronteiras não existiram desde sempre, nem apareceram por arte de magia. Os estados mais poderosos as fixaram na base de massacres e saques, e as seguem mantendo, reforçando e ampliando. Não duvidam em reprimir, deportar, encarcerar, deixar morrer ou matar os que tentam saltá-las, exceto se se trata de importantes capitalistas.

O patriotismo nos inculca simpatia para quem nos pisoteiam neste país e desconfiança para nossos iguais do resto do mundo. Governos, forças de segurança e partidos filofascistas protagonizam e propagam atuações e sentimentos asquerosamente racistas.

A existência de fronteiras só convém à burguesia mundial, que domina o mundo enquanto mal vivemos e morremos sob sua exploração. À classe trabalhadora internacional, sem pátria nem cor, só nos resta a solidariedade das obreiras e obreiros, venham de onde venham.

NOSSA PÁTRIA É O MUNDO. NOSSA FAMÍLIA, A HUMANIDADE.

Fonte: https://marina-alta.cnt-ait.org/2023/10/22/ni-guerres-ni-fronteres/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Muita brisa à noite.
Dos jasmineiros da rua,
perfumes e flores.

Humberto del Maestro

[Chile] Quatro anos após a Revolta, centenas de jovens lutaram contra os carabineiros de Boric e recuperaram a Plaza de la Dignidad

Não eram as multidões de 2019, mas houve confrontos semelhantes aos daquela época, com os “pacos bastardos” do presidente Boric, esse grande usurpador e carreirista que se aproveitou da indignação popular. E o fez graças à deserção de muitos da “esquerda progressista”, que preferiram baixar suas bandeiras e botar um votinho na urna, acreditando que assim ganhariam a Assembleia Constituinte pela qual haviam lutado tanto. Caíram na armadilha partidária: imaginaram, graças aos cantos de sereia de seus líderes concertacionistas, que estavam derrotando o fascismo e se depararam com um governante que reprime os mapuches mais do que Piñera (o que não é pouca coisa), abraça os carabineiros que assassinaram vários jovens e furaram os olhos de muitos outros.

Não, esse quarto aniversário não foi como os anteriores, mas, mesmo assim, houve dezenas de eventos de bairro em todo o país e, na Plaza de la Dignidad, em Santiago, centenas de jovens lutaram contra o gás e a água com produtos químicos dos carabineiros e, em um determinado momento, tomaram conta da Plaza, cantaram suas palavras de ordem, agitaram bandeiras mapuches e desafiaram a repressão, exigindo liberdade “para os prisioneiros por lutar” que ainda restam da Revolta, e também para aqueles revolucionários lendários como o Comandante Ramiro (Mauricio Hernández Norambuena) e outros como ele, que lutaram a vida inteira pelo socialismo, e o regime os mantém como reféns.

Esses jovens e outros como eles são a semente daquela revolta política e cultural que, naquela época, iluminou todo o Chile e a América Latina com esperança. É muito provável que, se a situação não melhorar (algo que parece improvável), a pradaria, sem dúvida, voltará a se incendiar, porque o Chile de Boric serve aos ricos e não aos que estão na base. Porque nada de bom aconteceu para aqueles que estão amontoados nas cidades ou que sobrevivem em empregos mal remunerados, com um governo que se define como progressista e é apenas um capacho desbotado dos ianques, das corporações e agora também dos sionistas.

As convocações continuam para comemorar os quatro anos do início do movimento político-social mais importante das últimas décadas.

Embora os oportunistas, pelegos e progressistas, sentados em seus ministérios e instituições, tentem nos desmobilizar, o gigante popular ainda está nas ruas.

Para acabar com o sistema de opressão capitalista.

agência de notícias anarquistas-ana

teu corpo deitado
acorda desejos
não confessados

Eugénia Tabosa

Sensível como uma navalha

Bem, companheiros e companheiras, estamos de volta com os artigos aqui no blog do À Margem. Sem “domínio” e sem “hospedagem”, mas não menos radical. Sem faltar com respeito a quem eu acredito que irá ler este texto de peito aberto e com senso crítico que merece. Todos nós sabemos, ou quase todos nós percebemos o quão acelerado está esse tempo burocrático – aquele que marca os milésimos, os segundos e as horas – do que devemos fazer ou deixar de fazer, o porquê e como fazer aquilo que nos impõe. Eu adoro o cheiro de uma flor cujo seu aroma faz-me transbordar de poesia. Mas se a jornada de trabalho extrapola todo o limite mínimo para que um corpo possa se conectar com a natureza, como vou permitir deixar a poesia entrar em mim?

Aqueles que defendem o status quo (aqui concebido como um conjunto de relações que predominam boa parte das narrativas sociais) irão reproduzir o velho e tóxico discurso no qual criminalizam o fazer política. É bizarro, porque estes mesmos, apoiam a existência de um Estado, as atividades de um agronegócio genocida e por aí vai. Nós os anarquistas, você que não se identifica com a atmosfera partidária, temos muitos motivos para criticar as hipocrisias e violências vindas do parlamento. O mesmo acontece com o que se chama de grande mídia – aquela com maior repercussão de audiência. Posso ser sincero com vocês? Nesse exato momento ocorre-me uma raiva enorme desse sistema capitalista, que é a extensão daquela força energética de outros tempos. A disputa por “poder”. Concentração de riqueza. Depois querem que sejamos moderados. Deixa eu respirar três vezes e me recompor. Aliás, estou me comunicando com quem, a princípio almejo que tenha interesse em minha reflexão. Pois bem, com o tempo linear, aprisionado pelos “poderosos” que mais querem que não fiquemos ociosos do que realmente possamos produzir mais. Até porque no capitalismo não tem espaço para todos. Os meios de produção são destruídos para que poucos possam controlar a classe trabalhadora através das “trocas voluntárias” – leia-se salário precarizado.

Essas coisas que citei acima geram vários tipos de comportamentos em nossa sociedade. Tem o que não se importa mesmo, aceita a submissão, tem o que sabe que é maçante mas tem preguiça de lutar, porque no fundo quer ser “bom vivant” também (sem moralismo”, tem o que se sensibiliza, se engaja, absorve e compreende que a luta por um mundo melhor, não é um mero desejo individual, mas uma vontade política que de fato atinja toda uma população. Os preguiçosos ou “burgueses de espíritos” certamente vão vir com o papo que isto é uma “utopia”. Recentemente assisti (por acaso) um vídeo na internet pelo qual o locutor (um ex deputado de um partido de direita) dizia que as pessoas com “ideologia” estavam ultrapassadas e que essa coisa de ver “política em tudo” é uma perda de tempo, porque o mundo não quer saber mais desses empecilhos. Essa velha tática dos sentinelas do capital de coagir as pessoas não falarem sobre o bairro, a cidade, a vida, politicamente, é bastante nocivo para a melhoria nas vidas dos mais vulneráveis – do ponto de vida da falta de moradia, saúde frágil, salário precarizado, etc. – e portanto a inércia vai tomando conta consideravelmente de boa parte dos espaços sociais. Tem diversos vulcões dentro de mim querendo entrar em erupção, não para destruir o mundo, mas para irromper com tal estrutura de sociedade que gera fome, miséria e mortes em grande escala. Por um outro lado reconheço que não posso agir com violência nem com proselitismo junto ao meu vizinho ou qualquer outra pessoa na rua. O mundo é complexo. Com isso é sábio utilizar da prudência para se relacionar em determinadas situações. Veja, não estou falando de se curvar a uma pessoa nem a uma narrativa. Mas da gente ser sagaz, observar, e agir com a sensibilidade de uma navalha. Deixa o soberbo achar que você está “morto”. Quanto ele menos esperar vai sentir a força da resistência – não necessariamente violenta, mas tão sutil como a água que sobrepõe a mais dura das pedras. – Eu publiquei em minhas redes sociais um breve texto sobre o porquê da expressão “sensível como uma navalha”, em outra ocasião colocarei aqui. Prosseguindo com a minha construção reflexiva, acredito que o cerco está apertando para cima dos insurgentes, revolucionários, anarquistas, radicais, seja o que for que pede uma outra sociedade. Olha o que está acontecendo com os povos indígenas na américa latina, sobretudo aqui no Brasil. Sem contar os apartheids pipocando pelos quatro cantos do planeta. A partir dessa dura realidade para quem tem propósito em contribuir para um mundo mais igualitário, é que acredito que os mesmos terão que pensar mais ainda em modos sofisticados de implementar nas várias atuações diante das lutas espalhadas por aí. O mundo está acontecendo agora. O que aconteceu lá atrás pode não acontecer mais. Alguns creem que temos que responder na mesma moeda aquilo que sofremos diariamente. Confesso que em dado momento, isso passa pelo meu corpo, a revolta é inevitável, mas será que talvez não seja essa uma armadilha que o Estado-Militar-Capitalista, quer que façamos? ´Que aí pode ser uma justificativa para gerar mais ainda repressão. Perceba, não falo sobre binarismo – de não-violências versus autodefesa – pelo simples fato de que o debate fica capenga com essa condição. A minha questão é mais a nível do cotidiano, até de fato atingir um aspecto mais macro, de encontrarmos caminhos que reconfigurem um modo sofisticado de nossa parte. É evidente que tem artistas, professores, comunidades, coletivos, ativistas, fazendo esse papel, entretanto minha indagação talvez vá de encontro com um pilar bem importante para o anarquismo que é o internacionalismo, e nisso, penso em como estas forças de ações, podem se aglutinar para sairmos do jogo da resistência e entrarmos no campo da real disputa.

Querem que sejamos comedidos ao mesmo tempo que a polícia invade uma comunidade dita periférica que mata corpo pobre e preto. Como falei acima, eu amo me conectar com a minha sensibilidade. De poder ver a beleza em uma flor que está molhada com a água da chuva. Acho lindo o bater das asas de uma borboletinha que voa, voa para afirmar a sua beleza e sua vida. Não está sendo fácil ver a limpeza étnica que os palestinos estão sofrendo por um Estado colonial. Essa praga do colonizador é quem degrada o solo, as diversas espécies, o meio ambiente. Quem fez jorrar lama em cidades como Mariana (MG) e Brumadinho (MG), destruindo ambas, não foi quem estava questionando a indústria extrativista e suas atividades nocivas, na verdade foram os gananciosos. Se privatiza para enriquecer acionista estrangeiro. Belo Monte até hoje mexe com o psicológico dos afetados pela toxicidade dessa usina.

Dias atrás falei para uma companheira que a sociedade é como um jogo de xadrez, com a diferença que nesse jogo real, pessoas pagam com suas vidas. Uma grande narrativa vai sendo disseminada em tudo que é canto, da conversa da padaria até a um bizarro anúncio que fala em ficar rico em segundos. E como mencionei anteriormente, quando esta narrativa do “olhe, não fale de política, não questione quem quer empreender”, faz com quem está a procura de um emprego para pagar os seus sustentos, se afaste das discussões sobre a cidade, o mundo. Tenho a consciência de que em muitas comunidades, as pessoas reinventam seus modos de sociabilidades de forma sofisticada. As culturas de matriz africana afirmam isto.

A narrativa que se pretende hegemônica visa fazer com que a população se afaste cada vez mais das decisões que irão impactar direta e indiretamente em suas vidas. Como disfarce, vão colocar gestores ricos para se eleger como parlamentar, falando que não é político. Trazendo Murray Bookchin para esta proposição, o mesmo aponta para o quão a esfera anarquista não pode deixar de pensar o progresso, a civilização, as tecnologias, porque senão vai deixar que os capitalistas ditem o ritmo das coisas. Bookchin inclusive fala que se não pensarmos uma tecnologia que erradique o trabalho braçal, por exemplo, o sistema capitalista irá continuar remando para que o trabalho continue precário. É exaustivo demais ficarmos horas do dia pensando, trabalhando para que tais situações aconteçam. Mas assim como o norteamericano pontua sobre as tecnologias, também acredito que se abdicar de tais debates, é oferecer caminho livre para os oligarcas mundiais.

Não abrir mão de meditar, de brincar, de dar um banho no mar, na cachoeira, de encontrar amigos, pessoas, faz muito bem para o corpo. Escapar para resistir. Ludibriar o sentinela do capital, são táticas cotidianas poderosas ao meu ver, mas a mim acredito, como um corpo rebelde, anarquista, que nunca possamos deixar a nossa sensibilidade como uma navalha, se desprender de nossas almas. É ela que ajudará a iluminar sempre que preciso aquele cantinho precioso do nosso inconsciente. Quero amar vocês permitindo que os mesmos discordem de mim sem desejar o meu fim. Quero receber o amor de vocês que respeitem a minha decisão de não seguir o que a maioria quer.

Gabriel Ribeiro
À Margem

amargemcanal.wordpress.com

agência de notícias anarquistas-ana

E cruzam-se as linhas
no fino tear do destino.
Tuas mãos nas minhas.

Guilherme de Almeida

Cronograma de atividades da XI Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre (RS)

>> Sexta Feira 3 de Novembro de 2023 | Largo Zumbi dos Palmares

18:00 hs. Atividade  de Abertura:

Como e porque lutamos xs  anarquistas? 

Vigências da Subversão Anárquica.

>> Sábado 4 de Novembro de 2023 | Escola de Samba Fidalgos e Aristocratas (Av Ipiranga, 2485)

09.00 hs. Yoga Anti Autoritário (Levar uma canga ou tapete)

10.00 hs. Um movimento que esquece seus presxs esta fadado ao fracasso: Solidariedade e agitação pelxs anarquistas  sequestradxs nas prisões.

10:30 hs. Poção Mágica de Autonomia. Atividade para crianças e não tão crianças

10:45 hs. Uma perspectiva estética para o ser humano, com Cristopher Dallo, desde Passo Fundo

11:30 hs. Apresentação do livro: Crônicas de um Viageiro Miserável, com Yuri  Hendrick

12:00 hs. Almoço coletivo preparado pelo Aurora Restaurante Anti especista

14:00 hs. Apresentação do zine: No meio do Mato, com Jorge desde a  Comuna Pachamama, São Gabriel.

14:30 hs. Roda de conversa sobre: Revoltas ao redor do mundo no período de 2019-2021, Editora Amanajé e Comunismo Libertário, desde São Paulo

15:30 hs. Apresentação do livro: Sociedade esmagadora de Corações, com Bianka.

16:00 hs. Experiências e reflexões para promover autonomia e saúde nos partos. Colaborações para a prevenção de complicações durante o processo. Com Mariana, desde o Uruguai

17:00 hs. Apresentação dos Livros pelo autor

  • Do Morro à África de Marcelo Cortes, Rodrigo Aguiar e Letiere Rodrigues.
  • “O espetáculo do circo dos horrores” no Brasil, de Marcelo Cortes.
  • Teoria da História & Piotr Kropotkin, de Marcelo Cortes.

18:00 hs. 2013 Ontem e Hoje: Pela Expansão da Revolta!

19: 30 hs. GIG-Som com bandas!

Domingo 5 de Novembro de 2023 | Praça do Aeromóvel em frente ao Gasômetro

10:00 hs. Yoga Anti autoritário (levar canga ou tapete)

11:00 hs. Apresentação do Livro Anarquismo em Cuba de Frank Fernandez.

11:30 hs. Apresentação do HQ: Quando o Mundo Acabava no Guahyba por Roque Lemanski

13:00 hs. apresentação do Jornal O Desaforo

14:00 hs. Apresentação dos livretos por EUE (Equipe de Urgências e Emergências):

  • KAOS.O.S. Casos reais ocorridos em ações anárquicas, Volume II –  Greve de Fome
  • Manual de Primeiros Socorros Anárquicos – EUE
  • Manual Básico de Cuidado e Primeiros Socorros Infantis. Segunda   edição

15:00 hs. Apresentação da publicação: “Maria Pinto Fernandez. Uma  mulher livre! Enfrentou tempestades e foi sua própria fortaleza.” Por Memória Combativa Edições Crônica Subversiva.

16:00 hs. Repercussões das leis na interrupção voluntária da gravidez.

17:00 hs. Roda de conversa de encerramento.

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ao pé da janela
dormimos no chão
eu e o luar

Rogério Martins

Novo vídeo: Jiboia Resiste!

Na quarta-feira, 18 de outubro de 2023, a Brigada Militar removeu a força moradorys e apoiadorys da Kasa Okupa Cultural Jiboia, em Porto Alegre (RS), para então a prefeitura demolir parte da estrutura da ocupação. A Kasa Okupa Cultural Jiboia é um espaço contracultural destinado a mulheres e dissidências de gênero.

Este é um relato enviado por integrantes da Kasa Okupa Cultural Jiboia. Imagens de Deriva Jornalismo e KOCJ.

>> Apoie a Jiboia. Se puder doe para a reconstrução das estruturas demolidas:

https://www.vakinha.com.br/vaquinha/reconstrucao-muro-jiboia

>> Veja o vídeo aqui:

https://antimidia.org/jiboia-resiste/

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ave calada –
ninho em silêncio
na madrugada

Carlos Seabra

Doutrina Alckmin. País se faz de morto há dez anos: repressão vence na aparência, mas não apaixona

Por que intelectuais confusos exprimem em público seu suposto sentimento de confusão perante os fenômenos?

Por Charles Anjo Marighella

I

O Brasil se encontra sob jugo pesado da Doutrina Alckmin. Me explico. Em setembro de 2012, um batalhão da Polícia Militar das horrorosas Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, de funesta história e atualidade, prendeu oito pessoas e assassinou nove em Várzea Paulista, interior de São Paulo. Defendendo a sua polícia, o então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, proferiu a frase célebre que entrou junto com ditos e feitos de Rui Costa, Wilson Witzel, Sérgio Cabral, Tarcísio de Freitas e outros inumanos nos anais da monstruosidade da classe dominante brasileira e seus prepostos: “Quem não reagiu está vivo” [1].

A biologia deve ter como definição de ser vivo a capacidade de reagir ao meio ambiente, de provar com sua vida essa reação. Médico que é, Alckmin deve saber de ofício algo sobre a passagem da vida viva à vida morta. Sua frase deve ser lida com respeito; ela pode ter sido dita de caso muito pensado. Alckmin não é burro e se estava passando recado ao andar de baixo, visando seu bom comportamento, proferiu também um esclarecimento quanto à forma da dominação na sociedade brasileira contemporânea. Se fingir de morto é um comando dado a cachorro, último mas não menos importante elemento que ajuda a entender tanto a frase quanto o que nossa classe dominante espera do povo.

II

Fernando Haddad estabeleceu uma parceria preferencial com Geraldo Alckmin desde os tempos de prefeitura. Quando Junho de 2013 estourou, Alckmin e Haddad estavam cantando “Trem das onze” na França [2]. O então prefeito sagrou sua aliança, indo como um cachorrinho até o Palácio dos Bandeirantes para entregar uma vitória política ao seu dono. Como disse a teórica Kelly Key: “sit, junto, sentado, calado” [3]. Alto intelectual que é, o uspiano Haddad devia saber o que estava fazendo. Entre as ruas e a direita estabelecida, o social democrata abraça esses operadores da classe dominante bem paulista, para depois, em mais de uma ocasião, acusar os esquerdistas de infantis. Um cachorro muito adulto [4].

Anos depois, o professor Haddad se penitenciaria em público por não ter sido suficientemente bem atendido pela realidade e resumiu dizendo “vivi na pele o que aprendi nos livros” [5]. Enquanto isso, no contravapor da repressão pós Junho, outras peles tinham outras vicissitudes. Do “P2 do amor” [6] que o compositor Ruspo imortalizou em música ao espetáculo triste do secretário de segurança pública de São Paulo, Sr. Alexandre de Moraes, metendo o pau em criancinhas que ocuparam bravamente suas escolas e a casa do povo, vulgo Assembleia Legislativa do estado de São Paulo, foi tudo num continuum [7]. O saldo colateral da destruição da oposição popular a estes nobres governos foi a ascensão ilimitada da extrema direita neofascista. Depois estes mesmos senhores fingiram surpresa, algo inaceitável para o sr. Haddad, que por obrigação há de ter lido o Dezoito Brumário de Napoleão Bonaparte em seu enfadonho tempo de socialista.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://passapalavra.info/2023/10/150440/

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Fina chuva inútil
fundo musical
a flauta casual

Winston

[EUA] As ações dos especuladores da guerra disparam enquanto Israel bombardeia Gaza

Estados Unidos, que outorga a Israel 3.800 bilhões de dólares anuais em assistência militar, está se preparando agora para enviar armamento adicional. “Como os países necessitam repor suas armas, cremos que as empresas de defesa vão se dar muito bem”, assinala Sameer Samana, estrategista sênior de mercado global do Wells Fargo Investment Institute.

Por Jessica Corbett | 10/10/2023

“A guerra é boa para os negócios”. Isso é o que disse um executivo de defesa em uma conferência sobre armas em Londres no mês passado, e o que refletiu o mercado de valores na segunda-feira, quando Israel bloqueou e bombardeou a Faixa de Gaza —atacando a principal universidade do território palestino ocupado, edifícios residenciais, um campo de refugiados e um importante hospital — em resposta ao ataque do fim de semana no qual o Hamas matou centenas de israelenses.

Estados Unidos, que já outorga a Israel 3.800 bilhões de dólares anuais em assistência militar, está se preparando agora para enviar armamento adicional e outro tipo de apoio. enquanto isso, as ações das empresas estadunidenses e europeias que ganham dinheiro com a guerra dispararam na segunda-feira.

Segundo The Wall Street Journal, companhias estadunidenses como Lockheed Martin, Northrop Grumman e RTX — anteriormente conhecida como Raytheon — se viram beneficiadas, assim como as principais empresas britânicas, francesas, alemãs e italianas.

Fox Business informou que “as ações da General Dynamics, que fabrica submarinos e veículos de combate, não aumentavam tanto desde março de 2020, quando ganharam mais de 9%”.

“O salto das ações de Lockheed Martin na segunda-feira foi o maior que se viveu nos Estados Unidos. O maior contratista de defesa superou por pouco os lucros que obteve imediatamente depois que a Rússia lançou sua invasão em grande escala da Ucrânia”, assinalou por seu lado a Forbes. “As ações de Northrop Grumman também tiveram seu melhor dia desde 2020”, apontava Barron’s, acrescentando que “em separado, a junta diretiva de Lockheed aprovou na sexta-feira a expansão do programa de recompra de ações de Lockheed em 6.000 bilhões de dólares, e a companhia aumentou seu dividendo trimestral de 3 a 3,15 dólares por ação”.

Ao comentar o derramamento de sangue em Israel e Gaza nos últimos dias, Sameer Samana, estrategista sênior de mercado global do Wells Fargo Investment Institute, disse a Market Watch que “claramente é uma enorme tragédia humana”. “Parece que estamos entrando em uma fase diferente a nível mundial com respeito à geopolítica”, acrescentava, expondo que os conflitos parecem mais prováveis hoje em comparação com as últimas décadas. “Como os países necessitam repor suas armas, cremos que as empresas de defesa se darão muito bem”, finalizava.

Apenas dois meses depois da invasão russa do ano passado, William Hartung, investigador principal do Instituto Quincy para a Arte de Governar Responsável, destacava como esses conflitos beneficiam a indústria armamentista e escrevia para Tom Dispatch que “a guerra na Ucrânia será, de fato, uma bonança para as pessoas como Raytheon e Lockheed Martin”.

“Em primeiro lugar, estarão os contratos para reabastecer armas como o míssil antiaéreo Stinger de Raytheon e o míssil antitanque Javelin produzido por Raytheon/Lockheed Martin que Washington já proporcionou milhares à Ucrânia”, explicava. “No entanto, a maior fonte de lucros virá dos aumentos assegurados gastos em segurança nacional pós-conflito aqui e na Europa, justificados, ao menos em parte, pela invasão russa e o desastre que seguiu”.

Em dezembro passado, Hartung advertia na Forbes contra o uso da guerra entre a Rússia e a Ucrânia para expandir permanentemente a indústria armamentista:

Os planos que se propuseram até agora incluem a construção de novas fábricas de armas, o aumento drástico da produção de munições, armas antitanques e outros sistemas, e facilitar a supervisão da aquisição de armas. Estas mudanças terão um custo que, com o tempo ascenderá a dezenas de milhares de milhões de dólares acima dos planos de gasto atuais, e possivelmente mais, muito mais.

Este impulso para ampliar rapidamente o tamanho e o alcance do complexo militar-industrial é desnecessário e imprudente. A pressa por fazê-lo e ao mesmo tempo reduzir as salvaguardas existentes contra o desperdício e o mal desempenho corre o risco de promover o aumento abusivo de preços e uma produção deficiente, inclusive quando imobiliza fundos que poderiam usar-se de maneira mais efetiva em outras prioridades urgentes.

Os preços do petróleo também subiram na segunda-feira em resposta à violência no Oriente Médio. Associated Press explicava que “a zona em conflito não alberga uma produção importante de petróleo, mas os temores de que os combates possam estender-se à política em torno ao mercado de cru fizeram subir o barril de petróleo estadunidense em 4,1% a 86,16 dólares. O cru Brent, o estândar internacional, subiu em 3,9% a 87,91 dólares por barril”.

Artigo publicado originalmente em Common Dreams em inglês.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/ocupacion-israeli/acciones-especuladores-guerra-disparan-israel-bombardea-gaza

Tradução > Sol de Abril

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nuvens insultam o céu,
aves urgentes riscam o espaço;
pingos começam a molhar.

Alaor Chaves

Pré-venda | Anarquismo Africano: A História de um Movimento – Sam Mbah & I. E. Igariwey 

Hoje se inicia a pré-venda da nova tradução, feita por nós, da pioneira obra Anarquismo Africano dos anarquistas nigerianos Sam Mbah e I. E. Igariwey. Este livro já possui uma versão traduzida, mas esgotada há tempos em sua versão física. Assim, trazemos uma nova tradução do texto incluindo, além também da entrevista presente na versão anterior, textos inéditos em português: o prefácio escrito por Sam Mbah à versão em espanhol e mais quatro entrevistas (3 com Mbah e 1 com Igariwey).

Neste livro, lançado originalmente em 1997, os autores traçam uma revisão dos conceitos básicos do anarquismo, relacionam características “anárquicas” das sociedades africanas pré-coloniais e o comunalismo africano com princípios do anarquismo, traçam um histórico do desenvolvimento do capitalismo pós-colonização e seus efeitos sociais e econômicos, revisam a trajetória do “socialismo africano” e pensam possibilidades do anarquismo na África.

Mesmo com algumas falhas devido à falta de acesso à informações sobre algumas experiências organizativas anarquistas que já aconteciam em partes da África na década de 1990, a obra de Mbah e Igariwey se tornou de grande importância como um primeiro esforço em debater a questão do anarquismo no continente Africano. Sam Mbah e I. E. Igariwey foram militantes da Awareness League, organização de tendência anarcossindicalista da Nigéria que não existe mais.

Sam Mbah faleceu em 6 de novembro de 2014 devido à problemas cardiácos. Não conseguimos informações sobre Igariwey.

Nossa pré-venda irá de hoje, 07 de outubro a 05 de novembro e os envios dos livros serão feitos no dia 06 de novembro em homenagem aos 9 anos do falecimento de Sam Mbah, data que será marcada como o lançamento do livro.

Para o leiaute do livro, optamos por reproduzir o projeto do lançamento original, feito pelo artista anarquista Clifford Harper.

Tamanho: 16 x 23 cm

Estimativa de 190 páginas

Preço promocional de pré-venda: 30 reais + 10 reais de frete

Compras pela nossa loja: https://form.jotform.com/232209020133640

E-mail: escurecendoanarquismo@gmail.com

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2014/11/20/nigeria-australia-triste-noticia-sam-mbah-morreu/

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nos fios
os pássaros
escrevem música

Eugénia Tabosa

[Espanha] Lançamento: “Salvador Seguí y la actualidad de su pensamiento”, de Francisco Romero

Qual é o sentido de revisitar a figura de Salvador Seguí cem anos depois de seu assassinato pelas mãos dos pistoleiros dos patrões? Este trabalho não se concentra apenas no personagem romântico e mítico. A figura do líder é por vezes enaltecida, mas o mais importante não é negado: o debate sobre seus princípios ideológicos e suas ações nos diferentes conflitos. Alguns aspectos de suas posições controversas precisam ser esclarecidos e a possível atualidade de seu pensamento precisa ser conhecida. Seguí não se esquivou das principais questões de seu tempo: opinou sobre o que mais preocupava o sindicalismo e a classe trabalhadora, sem dissimulações ou cálculos premeditados. Qual é a atualidade de suas opiniões e de sua militância? Seus escritos dizem algo para nós hoje, em uma situação histórica totalmente diferente daquela em que ele viveu? Temos algo a aprender com ele?

Salvador Seguí y la actualidad de su pensamiento

Francisco Romero

ISBN 978-84-13528-02-1

Páginas 144

15,00 €

www.txalaparta.eus

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Grito se agiganta,
embrutece, se enfurece,
morre na garganta…

Flora Figueiredo

O Instituto de Estudos Libertários entrevista Fábio Campos (editor de Escurecendo o Anarquismo)

Quem é Fábio Campos?

Eu sou um brasiliense que mora desde recém-nascido no Rio de Janeiro, anarquista, professor de Engenharia Mecânica, viciado em música, praticante de mergulho, jogador de basquete ocasional, aspirador a serígrafo e recém-descoberto editor literário.

Como e quando se deu o seu primeiro contato com o anarquismo?

Eu comecei a ter algum interesse por anarquismo na adolescência devido à relação com o punk, mas sem correr atrás para de fato entender o que significa ser anarquista ou nada do tipo. Comecei a de fato saber do que se tratava depois que o meu irmão mais velho, mais letrado e sabendo da minha inclinação ao anarquismo, me indicou o livro Desobediência Civil do Thoreau, dizendo que ele tinha influenciado algumas ideais anarquistas. Isso foi final de 2010, início de 2011. Depois que o li o livro, comecei a ir atrás de livros sobre anarquismo, mas na época, em livrarias comerciais, só se achava os livros de bolso da L&PM. Compartilhei essas descobertas com o meu amigo mais próximo, que também se interessou e a partir dali saímos buscando conhecimento sobre o tema. Depois de ler todos da L&PM, buscando na internet sobre livros de anarquismo, muitas referências levavam à Biblioteca Social Fábio Luz, à época em funcionamento no Centro de Cultura Social em Vila Isabel. No meio de 2011, esse meu amigo e eu fomos lá e começamos a nos aproximar das atividades e dos movimentos que circulavam por aquele espaço, como o Movimento dos Trabalhadores Desempregados pela Base (atual Movimento de Organização de Base) e a Federação Anarquista do Rio de Janeiro. A partir dali nós começamos a entender o que eram movimentos sociais, organizações políticas, militância, trabalho de base etc. Ali também tivemos acesso ao acervo da biblioteca, aos livros de editoras anarquistas (Imaginário, Faísca e Achiamé, em especial na época) que tinham pra vender e começamos a participar dos círculos de formação da FARJ.

Você tem preferência por alguma corrente do anarquismo?

Eu tenho preferência pela estratégia do anarquismo especifista que, no fundo, nada mais é do que a experiência latino-americana em seu contexto específico do plataformismo europeu. Apesar de, desde que comecei a compreender um pouco mais sobre as lutas sociais, ter críticas a muitos aspectos da teoria e prática das organizações especifistas brasileiras, considero ainda ser a corrente mais adequada em termos organizativos.

>> Para ler a entrevista na íntegra, clique aqui:

https://ielibertarios.wordpress.com/2023/10/20/o-instituto-de-estudos-libertarios-entrevista-fabio-campos-editor-de-escurecendo-o-anarquismo/

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para onde
nos atrai
o azul?

Guimarães Rosa

Vozes da Linha de Frente Contra a Ocupação: Entrevista com Anarquistas Palestinos

A entrevista abaixo foi realizada pela Black Rose Anarchist Federation, organização anarquista estadunidense, com o grupo anarquista palestino Fauda, baseado na Cisjordânia. A publicação original pode ser acessada aqui (blackrosefed.org/interview-fauda-palestine).

por Black Rose / Rosa Negra — Comitê de Relações Internacionais (IRC)

Nesta nova e ainda mais terrível fase da ocupação da Palestina por Israel, com 75 anos de duração, é importante dar uma plataforma aos palestinos que lutam contra a limpeza étnica.

A Black Rose / Rosa Negra (BRRN) entrou em contato com a Fauda, um pequeno grupo sediado na Cisjordânia que se identifica como uma organização anarquista palestina, para obter sua perspectiva sobre a luta atual. A Fauda é um grupo novo para nós e sobre o qual não temos mais informações além da entrevista apresentada aqui e do que pode ser encontrado em seus canais públicos. Devido à nossa compreensão limitada da política, da estratégia e da atividade da Fauda, a publicação desta entrevista não pode ser um endosso completo a eles. Mas esperamos que esta entrevista seja um passo na criação de mais conexões entre os revolucionários nos EUA e a juventude militante na Palestina, e de mais conhecimento e compreensão mútua.

Independentemente de quaisquer semelhanças ou diferenças em nossa política, acreditamos que precisamos ouvir as perspectivas dos militantes no local que resistem à violência da limpeza étnica financiada pelos EUA. Esperamos que esta breve entrevista possa contribuir para fortalecer nosso próprio trabalho de minar o imperialismo e o colonialismo.

Com exceção das edições para maior nitidez na tradução, o conteúdo desta entrevista é apresentado sem alterações. Gostaríamos de agradecer aos nossos amigos palestinos e de língua árabe por sua ajuda na condução e tradução desta entrevista. Também gostaríamos de estender nossa gratidão ao representante da Fauda, que respondeu atenciosamente às nossas perguntas em um momento de extrema incerteza e violência.

1. BRRN: Pode nos falar sobre seu grupo, quais são suas atividades e o que diferencia a Fauda de outros grupos políticos palestinos, como DFLP [Democratic Front for the Liberation of Palestine], PFLP [Popular Front for the Liberation of Palestine], Hamas, Fatah etc.?

1. Nosso grupo é conhecido como “Fauda Movement in Palestine” [Movimento Fauda na Palestina] e é formado por jovens ativistas e acadêmicos de dentro e de fora da Palestina.

Nosso objetivo é reunir todas as forças com várias ideias e tendências políticas e intelectuais e concentrá-las na luta contra a ocupação injusta e o pensamento racista sionista na Palestina. É por isso que temos boas relações com alguns jovens da religião judaica, alguns convertidos, alguns muçulmanos, cristãos e outros.

A ideia é que muitos palestinos se opõem aos atos racistas e injustos da ocupação sionista, mas não encontram um único eixo em torno do qual possam se unir. É por isso que frequentemente vemos que, em vez de se concentrarem na luta contra o racismo e o regime de apartheid sionista, eles atacam uns aos outros.

Aqui estamos desempenhando o papel de mediação entre as várias partes para reunir todas as possibilidades e capacidades dos palestinos para combater o regime de apartheid.

Realizamos várias atividades, incluindo ensinar aos jovens palestinos como lutar, os métodos de luta e o pensamento anarquista (a Unidade Educacional). Coordenar várias vigílias e protestos, alguns pacíficos e outros na forma de black bloc (a Unidade Executiva). Publicar notícias e tudo relacionado à Palestina e ao povo palestino, e o que o exército israelense e os sistemas de segurança estão fazendo. A supressão das liberdades individuais e sociais, a demolição de casas palestinas, a morte de crianças, os massacres e o genocídio contra o povo palestino e assim por diante (Unidade de Notícias). E a disseminação de informações importantes sobre a história da Palestina, a história do conflito entre palestinos e israelenses e as diferenças intelectuais que a nova geração pode enfrentar em relação ao seu passado porque aqui estamos enfrentando uma feroz guerra midiática que distorce os fatos e os transforma em favor de Israel. Como sabem, Israel tem canais que transmitem 24 horas por dia em árabe para distorcer fatos históricos e divulgar sua falsa narrativa sobre o passado e o que está acontecendo atualmente no local (Unidade de Mídia).

Esta é uma breve visão geral do Movimento Fauda na Palestina.

2. BRRN: O que vocês querem que os companheiros nos EUA saibam sobre a situação na Palestina neste momento?

2. Com relação a essa pergunta, queremos dizer a todos os nossos irmãos em todo o mundo, não apenas nos Estados Unidos, que nunca confiem no que o império da mídia global lhes diz, pois sempre vimos como ele distorce as notícias e as transforma em favor do colonialismo global e da ocupação sionista.

Aqui na Palestina estamos sofrendo. Estamos sofrendo por sermos privados dos requisitos mínimos da vida. Queremos que saibam que não há um único dia — garanto-lhes, literalmente — em que o exército israelense não prenda um jovem palestino ou uma jovem palestina enquanto caminha pela rua.

As áreas palestinas na Cisjordânia sempre sofrem com cortes de eletricidade e água quase que diariamente. Há anos, o exército israelense vem tentando deslocar à força algumas áreas palestinas para se apoderar delas e construir novos assentamentos. No passado, o exército praticava todos os métodos repressivos e violentos para limpar essas áreas e deslocar os palestinos de suas terras, mas recentemente vemos que eles estão praticando uma política branda para os mesmos objetivos anteriores, ou seja, o deslocamento forçado. Essa política branda consiste em cortar a eletricidade e a água por um longo período, não coletar o lixo dessas áreas, de modo que o mau cheiro se espalhe por elas, lançar exercícios militares abrangentes perto dessas áreas para prejudicar a população palestina e outras ações desumanas realizadas pela ocupação sionista.Essa é uma parte muito pequena e simples do que está acontecendo durante todo o ano aqui na Palestina, especialmente na Cisjordânia.

Atualmente, em meio a essa guerra violenta, as forças de segurança israelenses prenderam um grande número de civis na Cisjordânia sem nenhuma acusação específica por medo da eclosão de confrontos na Cisjordânia. Imagine que você está sentado em casa com sua família e, de repente, soldados israelenses entram, apontam armas para você e sua família e o prendem sem que você tenha cometido nenhum crime. Essa é exatamente a situação aqui. Eu gostaria que fossem apenas prisões. Em muitos casos, as detenções levam a torturas graves nas prisões e até mesmo à morte como resultado dessas práticas sistemáticas.

Quero que saibam de outra coisa: a Autoridade Palestina e o presidente Mahmoud Abbas não representam a nós, o povo palestino, de forma alguma. Rejeitamos a Autoridade e rejeitamos Abbas e todos os seus ministros. Não sei se vocês já ouviram falar do acordo de coordenação de segurança entre a ocupação sionista e a Autoridade Palestina. Anos atrás, a Autoridade Palestina concluiu um acordo segundo o qual ela serviria à entidade ocupante em termos de segurança. Ou seja, todos os jovens ativistas palestinos que lutam contra a ocupação sionista de uma forma ou de outra e a ocupação não consegue prendê-los, a Autoridade Palestina os persegue, os prende e os entrega à ocupação, e então ninguém sabe o destino daquele jovem ou daquela jovem. Eles não nos representam, nem a nenhum outro palestino. Eles são totalmente rejeitados nas ruas palestinas, mas, infelizmente, são reconhecidos oficial e internacionalmente pelas Nações Unidas e apoiados pelos Estados Unidos da América.

3. BRRN: Como foi a última semana para você pessoalmente?

3. O problema não é uma questão de uma ou duas semanas, meu irmão. Vivemos em um estado de opressão e privação das liberdades individuais e sociais o ano todo. Sim, na semana passada houve muito mais tragédias e notícias dolorosas do que nos meses anteriores. Recebemos notícias da morte de muitos de nossos parentes e amigos em todos os territórios palestinos. Isso é muito doloroso. Temos muitos amigos na Cisjordânia e em Gaza. A população palestina em Gaza está vivendo agora em uma situação muito perigosa. Por mais de três ou quatro dias, eles [as forças de ocupação israelenses] cortaram a eletricidade e a água na Faixa de Gaza. Quando a eletricidade é cortada, muitos serviços sociais param, especialmente os hospitais. O bombardeio continua contra a população de Gaza 24 horas por dia. Mesmo no meio da noite, eles bombardeiam essa pequena área. Israel bloqueou completamente essa área. As pessoas não conseguem nem mesmo escapar deles. A ocupação impede que a ajuda humanitária chegue a Gaza. A ocupação proíbe alimentos, água, remédios e tudo o mais. Gaza se tornou uma pequena masmorra, bombardeada por todos os lados e em todos os lugares. Imagine que uma mãe veja seu bebê ferido e sangrando, mas não há nenhum hospital prestando serviços devido a uma queda de energia. Como você gostaria de descrever os sentimentos dessa mãe?

Meu irmão, não há palavras para descrever o que está acontecendo aqui. Esta área se tornou um inferno por causa da ocupação e da presença do sionismo nela.

4. BRRN: Quais movimentos na Palestina você acha que têm mais esperança para o futuro dos palestinos e por quê — por exemplo, o Lion’s Den de Nablus, ou diferentes lutas de trabalhadores?

4. Precisamos de movimentos de jovens que acreditem na possibilidade de libertação e que trabalhem para criar unidade com o restante dos movimentos e tendências na Palestina. A experiência provou que um movimento sozinho não pode realizar uma grande conquista que leve à libertação da Palestina. Precisamos lidar uns com os outros, sejam muçulmanos, judeus, cristãos, convertidos, anarquistas e outros ideais que existem na arena palestina. É isso que buscamos: reunir todos sob uma única bandeira e com um único objetivo, que é combater o sionismo, libertar a Palestina e restaurar nossa liberdade. É evidente que há muitos movimentos na arena palestina, inclusive o Lion’s Den. Mas o Lion’s Den não é o único movimento. Há muitas outras tendências e movimentos, inclusive as lutas trabalhistas, que se esforçam com toda a energia, mas, devido às rigorosas condições de segurança e às políticas repressivas sistemáticas praticadas pela ocupação e também pela traidora Autoridade Palestina, eles não são vistos de forma visível e significativa em público. Porque sempre precisamos ser cuidadosos e cautelosos. Por esse motivo, não pude realizar uma entrevista em áudio ou vídeo com você.

5. BRRN: Em 2021, os palestinos da Cisjordânia, de Gaza e até mesmo os cidadãos de Israel participaram de uma greve geral em reação aos despejos de famílias palestinas em Sheikh Jarrah. Que papel você vê para as paralisações de trabalho e greves gerais nesse período?

5. Acho que já passamos da fase das greves gerais em Israel. É óbvio que não quero negar a importância das greves e sua eficácia, mas a situação aqui na Palestina e a experiência provaram que a única solução é a luta e até mesmo a luta armada contra o regime do apartheid.

A ocupação não hesita em cometer qualquer tipo de crime, injustiça ou perseguição.

Mesmo que você tenha uma profissão ou uma loja e entre em greve, o resultado será que eles roubarão sua loja e a darão a outro sionista, ou o demitirão do emprego e, assim, outro sionista assumirá o trabalho. Fácil!

As condições aqui são completamente diferentes do que está acontecendo com você nos Estados Unidos, meu irmão.

6. BRRN: Você acredita que há alguma esperança de que um grande número de israelenses da classe trabalhadora abandone o sionismo — como fizeram pequenos números de anarquistas e socialistas — ou você acha que o apego ao colonialismo é muito forte para ser superado?

6. Os sionistas que estão aqui nos territórios palestinos vieram para cá com base no princípio ideológico de que esta terra é a terra deles e que o povo judeu é o povo escolhido. É óbvio que todos que acreditam nesse princípio e adotam essa ideologia não podem abandonar facilmente o sionismo, nem reconhecer a liberdade dos outros e o princípio da igualdade entre os seres humanos.

Mas fazemos uma distinção entre o sionismo e o judaísmo. Temos amigos judeus que falam hebraico e acreditam na Torá, mas não acreditam no sionismo, e até nos ajudam em nossas atividades contra a entidade ocupante. Portanto, sim, esperamos que o número dessas pessoas aumente e que muitas delas, especialmente na classe trabalhadora, abandonem esse princípio ideológico racista que não tem nenhuma conexão com o judaísmo. Nós lhes damos as boas-vindas e os recebemos de braços abertos, e podemos trabalhar com eles e viver juntos em paz.

7. BRRN: Em sua opinião, quais são os atos de solidariedade mais eficazes para a libertação da Palestina que os companheiros nos EUA podem realizar?

7. Acho que a coisa mais importante que vocês podem fazer é apoiar os palestinos na mídia. Vocês podem explicar às pessoas nos Estados Unidos a questão palestina como ela é, e não de acordo com a falsa narrativa israelense. Você pode publicar notícias e eventos que ocorrem na Palestina. Há muitos vídeos e fotos dos crimes diários da entidade ocupante em sites palestinos. Também publicamos essas notícias em nossa página do Instagram (@fauda_palestine) e em nosso canal do Telegram (@fauda_ps). Você pode traduzir essas notícias e transmitir os fatos aos nossos irmãos nos Estados Unidos. Não faça da mídia oficial e dos canais estadunidenses e israelenses suas únicas fontes para receber notícias e acompanhar os acontecimentos. Acompanhe também a mídia palestina. A mídia palestina enfrenta um apagão de mídia muito severo. Tente romper esse apagão e conhecer alguns dos fatos atuais na arena palestina.

Traduzido por Escurecendo o Anarquismo.

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Pra que respirar?
posso ouvi-la, fremindo,
maciez de noite.

Soares Feitosa