[Espanha] Libertários go home!

Sem dúvida, vai ser preciso muito para que os funcionários, especialmente os que trabalham na mídia, parem de usar o termo anarquia como sinônimo de caos, violência e desordem.

Por Antonio Pérez Collado | 08/10/2023

É especialmente irritante quando, por anarquia, querem nos vender o panorama resultante da aplicação dos dogmas básicos do capitalismo (guerra, exploração, colonialismo, pilhagem de recursos, etc.) em qualquer canto do mundo; mais especificamente no terceiro mundo. Esse tratamento é mantido apesar do fato de que até mesmo o dicionário, tão relutante e lento para mudar, agora reconhece como prioridade que a anarquia é uma ideia política, um projeto para uma sociedade livre sem autoridade estatal.

Mas, para nosso desespero, antes que o uso correto da palavra anarquia seja normalizado, estamos assistindo impotentes à introdução de uma nova mudança que tornou as coisas um pouco mais complicadas e acentuou o impasse ideológico sofrido pela maioria da população espanhola. É a chegada – aparentemente para ficar – da palavra “libertarianismo” que, como todas as modas adotadas pela linguagem popular, vem da língua inglesa e, acima de tudo, da influência cultural dos Estados Unidos.

O problema para aqueles de nós que se expressam em qualquer um dos idiomas peninsulares é que nessas terras os termos anarquista e libertário são usados como sinônimos, embora existam algumas nuances entre eles que marcam certas diferenças, como apontam certos pensadores e estudiosos do movimento libertário.

Na Espanha (a América Latina merece uma avaliação separada), o conceito de libertarianismo quase não era usado até poucos anos atrás. Na América do Norte, no entanto, o termo circulou normalmente em revistas e livros, às vezes marcando as diferenças com o anarquismo tradicional e às vezes misturando teorias de ambos os campos, dando origem a um programa que já não tem muito a ver com a acracia. Um caso diferente pode ser encontrado na América Latina, onde a ideia de libertarianismo não se limita exclusivamente ao anarquismo, mas também se aplica àqueles que defendem posições que coincidem com os primeiros líderes da inacabada luta de libertação nacional. O que está claro é que na América de língua espanhola também não há coincidência de significado com os usuários do inglês.

Porque, em essência, o libertarianismo representa a filosofia política que defende uma sociedade em que a liberdade individual e a liberdade de empreendimento não são regidas por nenhum governo, uma vez que se pressupõe que é o mercado que regula as relações e a propriedade privada que garante o progresso social. Na Europa, via de regra, essa teoria é chamada de capitalismo selvagem, ultraliberalismo ou neoconservadorismo.

O poder de penetração das ideias vindas do norte do Rio Bravo parece irresistível e já temos em toda a Europa nossos próprios políticos, filósofos e economistas propondo o mesmo absurdo que triunfa nos EUA: redução dos impostos e, logicamente, dos serviços sociais para a população mais desfavorecida, privatização de todos os setores econômicos, cortes nos subsídios e nas pensões, liberalização total dos preços e outras medidas para enfraquecer o público em benefício das grandes empresas e dos bancos, entre as quais se destaca, por sua crueldade, a eliminação de qualquer barreira ao movimento do dinheiro, enquanto se fecham as fronteiras para as pessoas empobrecidas pelo próprio capitalismo.

Longe de serem novas ideias, todas essas propostas neoliberais estão no DNA do velho capitalismo e sua contribuição para o avanço da justiça social é totalmente negativa. Não devemos aceitar os cantos de cisne (ou cantos de abutre) dos apóstolos europeus convertidos do capitalismo ianque e lutar por uma Europa e um mundo livres, coletivistas e solidários.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/alkimia/libertarians-go-home

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Hermética música
há no silêncio da lágrima
que salga o mar.

Fred Matos

Flecheira Libertária 738 | “As lutas anticlericais e antimilitaristas parecem esquecidas até mesmo entre muitxs libertárixs.”

existências esturricadas

As águas dos rios Juruá, Purus, Madeira, Negro e Solimões estão secando. Ao ritmo veloz do capitalismo e dos aparatos tecnológicos, os afluentes do rio Amazonas são drenados, as matas seguem incineradas e terra, água, ar e seres vivos prosseguem envenenados com metais pesados. Intoxicação, desnutrição, fome, diarreias agudas, problemas respiratórios, malária e crescentes casos de enfermidades neurológicas em crianças e mulheres assolam aldeias amazônicas. Os saberes dos mais velhos e dos pajés não dão conta das doenças capitalistas. Gente é morta. Outros bichos são mortos. As florestas são mortas. Lagoas, lagos, riachos, cachoeiras e rios imensos viram fluxo rarefeito de lama, esgoto, mercúrio e afins; cemitérios fluviais. Qualquer recurso da saúde do Estado, com suas secretarias e ministérios e forças tarefas militares, ou do mercado, com suas tecnologias e ciência e fármacos, recorre aos mesmos meios que produzem essa interminável mortandade, seus lucros e governos. Não à toa, se reduzem à distribuição de cestas básicas recheadas de ultraprocessados e produtos que nada têm a ver com as dietas indígenas; a aplicação dos saberes científicos, médicos e farmacológicos; a marcha nefasta dos fardados.

a tal da guerra

Os soldados israelenses não leram os comunicados da inteligência de Estado alertando sobre possível ataque do Hamas. Ou não foram enviados? Se foram, eis mais uma confirmação de que os jovens evitam leituras, selecionam notas breves, preferencialmente por imagens ou sons (até as músicas populares estão sendo reduzidas para menos de 2 minutos). A crença no monitoramento eletrônico também entrou em pane. O Hamas soube dissimular e ultrapassar as simulações, com ortodoxias políticas e religiosas. Parece pretender reavivar a ideia de Estado islâmico. Não faltam analistas a pedir um Estado Palestino ou um Estado Israel em nome da paz. Enfim, eis mais fortalecimentos da direita e da extrema direita. Os do centro se beneficiam. Aos de esquerda, o ostracismo. Tudo política “micro” ou “macro” de Estado. Tudo em nome de falta de Estado e de correção na segurança eletrônica. Tudo em nome das empresas de monitoramento e forças repressivas, com ou sem democracia. Tudo em nome da paz com os sheiks.

somos anticlericais e antimilitaristas

As lutas anticlericais e antimilitaristas parecem esquecidas até mesmo entre muitxs libertárixs. Tornaram-se ecumênicos e democráticos? Fazem coro às celebrações de socialistas autoritários que almejam imputar aos soldados islâmicos uma “resistência”? Esquecem-se que a religião é o princípio do Estado. E que as guerras massacram, também, as revoluções e as práticas libertárias. Sob o barulho insuportável das explosões, aviões, tanques e berros inauditos, ácratas da Federação Anarquista Era não vacilam: “Dos EUA ao Irã, com suas interferências; do governo israelense, suprimindo e usurpando as terras dos povos árabes palestinos, aos grupos islamitas como o Hamas e a Jihad Islâmica, que usam das pessoas como escudos humanos para suas ideologias reacionárias e inumanas; todos são cúmplices e responsáveis por essa situação. Mesmo que aparentem ser opostos e inimigos.”.

sobre a captura

Oscar Wilde é uma referência para certas lutas LGBTQIA+. E por ter se tornado esse emblema, a prisão de Reading, cárcere na qual ficou preso na Inglaterra, é atualmente alvo da reivindicação de movimentos gay. A finalidade é que, em 2023, a prisão, hoje desativada, torne-se, com chancela do Ministério da Justiça da Inglaterra, um museu de memória de lutas do movimento gay. Todavia, Wilde foi contra a prisão, a justiça e seus tribunais. Se a prisão de Reading foi desativada, para que insistir em algo que a substitua? Por que negociar algo com o Ministério da Justiça, ministério que segue a produzir sentenças e encarceramentos contemporâneos?

um presente

Wilde é um presente. É abolir o tribunal, a prisão de Reading e o direito penal para sempre. E, depois, fazer uma festa deliciosa. A abolição é uma urgência para anarquistas como ele, uma ação direta sem concessões à política. Wilde foi um anarquista (militantes comportados que se virem!) e ponto. Não há editora nem tribunal que segure uma vida livre. Viva, Wilde. Viva!

Fonte: https://www.nu-sol.org/wp-content/uploads/2023/10/flecheira738.pdf

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flores e frutos
passarinhos cantantes
renascimento

Stella Maria Pedrosa

[São Paulo-SP] CCS, 21/10: “Queers contra a assimilação”

Enquanto o fascismo avança a passos largos em seu projeto de extermínio e/ou subjugação de grupos subalternos, as identidades LGBTQIA+ se tornaram um produto lucrativo para o capitalismo neoliberal, como vemos todo mês do orgulho. Enquanto isso, uma esquerda domesticada e institucionalizada tem se mostrado incapaz de combater as ofensivas fascistas e muitas vezes disposta a rifar nossos direitos em nome da governabilidade.

Frente a esse impasse, como avançar? O que podem as dissidências de sexo e gênero fazer?

É preciso rejeitar as políticas assimilacionistas e a institucionalização e comercialização de nossas vidas e lutas, e transformar a nossa posição em relação à norma em um terreno de conflito. E então, a partir desse terreno, estabelecer alianças e lutar não por uma sociedade melhor, mas pelo fim dessa ordem social e a construção de novas relações e mundos que possam tomar o seu lugar.

Nesse sábado, dia 21 de outubro, às 16h, o Centro de Cultura Social, em parceria com a CAFI, receberá Luisa Amaral, para realizar uma conversa sobre como a teoria queer e o anarquismo queer podem nos fornecer ferramentas para efetuar esse projeto.

Bibliografia recomendada:

  • Mary Nardini Gang: Rumo à mais queer das insurreições:

https://bibliotecaanarquista.org/library/mary-nardini-gang-rumo-a-mais-queer-das-insurreicoes

  • Luísa Amaral: Elaborando uma ética queer:

https://www.academia.edu/106925216/Elaborando_uma_%C3%A9tica_queer

  • Jota Mombaça: Rumo a uma redistribuição desobediente de gênero e anticolonial da violência:

https://issuu.com/amilcarpacker/docs/rumo_a_uma_redistribuic__a__o_da_vi

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meu cachorro velho
ouvindo com interesse
o canto do verme

Issa

[Espanha] A apresentação da banda Destroyer 666 em Vitória foi cancelada em meio a acusações de defesa da ideologia nazista

A banda australiana havia planejado iniciar uma turnê na capital de Alava, que depois seguiria para Valência e Barcelona.

Primeiro, houve várias reclamações nas redes sociais. Depois, telefonemas e mensagens de espectadores. E, no final, foi tomada a decisão de não realizar o show que estava programado para quinta-feira, dia 19, em Vitória. As datas em Barcelona e Valência também foram canceladas. Portanto, os australianos do Destroyer 666 não tocarão novamente por enquanto nessas regiões.

As acusações de nazismo, especialmente contra o vocalista da banda, estão na raiz da polêmica. De acordo com o coletivo Rock Contra o Fascismo, “Deströyer 666, em particular seu vocalista K. K. Warslut, é uma banda que, há muitos anos, defende claramente mensagens racistas, islamofóbicas, misóginas e homofóbicas em seus shows. Para citar apenas alguns exemplos próximos, Warslut disse que os muçulmanos estavam “invadindo a Europa” e fez uma saudação nazista enquanto se apresentava na Alemanha em 2012″.

Além disso, de acordo com o coletivo formado por bandas, escritórios de gerenciamento, bares, locais, mídia e festivais de rock, “durante um show no Saint Vitus, em Nova York, em 2016, ele levou o público a entoar “sin coños” e “sin maricones” antes de lançar insultos racistas a um técnico de ascendência asiática. Enquanto se apresentava na Suécia em 2018, Warslut disse que as mulheres envolvidas no movimento MeToo “precisam de um pau duro” e as chamou de “políticas estúpidas”. Por todas essas ações, em 2019, uma turnê planejada pela Austrália e Nova Zelândia foi cancelada após a publicidade sobre alguns desses incidentes.”

“Não encontramos nenhuma evidência concreta”

Por sua vez, a agência responsável pela turnê peninsular divulgou um comunicado dizendo que “não encontramos nenhuma evidência sólida para apoiar as alegações de que a banda é de ideologia nazista”. As controvérsias se concentram em comentários infelizes feitos por um membro, mas não refletem a ideologia ou a mensagem da banda como um todo”.

De acordo com a Hammer Agency, “é crucial notar que a Destroyer 666 é uma banda que inclui membros de diferentes nacionalidades, como Austrália, Chile, Irã e França, demonstrando um pluralismo contrário a essas acusações. É relevante mencionar que a banda já visitou a Espanha em quatro ocasiões anteriores e estava vindo de uma turnê pela América do Sul sem que nenhum incidente desse tipo tenha sido registrado”.

Fonte: https://www.noticiasdealava.eus/cultura/2023/10/17/cancela-vitoria-actuacion-destroyer-666-7392627.html

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agência de notícias anarquistas-ana

As tartarugas do lago
Ora comem, ora não comem,
Nestes longos dias de primavera.

Issa

“Estatal deve perfurar o primeiro poço na Foz do Amazonas em 2024”

O presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, afirmou que a estatal deve perfurar o primeiro poço na Foz do Amazonas em 2024.

“Temos a expectativa de no primeiro semestre do ano que vem ou, no mais tardar, no final do ano, de ir ao Amapá. Talvez essa descoberta não possa ser confirmada só com um poço, talvez tenha que fazer mais de um”, disse na manhã desta quarta-feira (11/10) durante evento no BNDES (banco nacional do desenvolvimento).

Poços de petróleo na Foz do Amazonas, NÃO! Rebele-se! Viva a Natureza Selvagem!!

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Gatinha meiga
ao passar da mão
seu corpo se ajeita

Eugénia Tabosa

Nossa posição sobre o conflito israelense-palestino

Oferecemos uma variedade de camisetas pró-palestinas que retratam várias formas de resistência radical como forma de expressar solidariedade à causa palestina. Esses designs podem incluir imagens relacionadas à luta armada, mas é fundamental esclarecer nossa posição e nosso objetivo. Nosso objetivo é aumentar a conscientização sobre a luta palestina em andamento pela autodeterminação e desafiar concepções errôneas sobre nossa posição em relação à complexa situação na região. Enfatizamos com veemência que nosso apoio à resistência radical não se estende ao endosso de atos de terrorismo. Condenamos inequivocamente qualquer forma de violência dirigida contra civis inocentes.

Solidariedade com o povo palestino e foda-se o Hamas!

Em um mundo onde a luta por justiça e libertação continua, é fundamental expressar nosso apoio inabalável ao povo palestino em sua busca por autodeterminação e liberdade. Somos solidários com aqueles que enfrentam as dificuldades diárias da ocupação e da desapropriação, e afirmamos a importância da resistência radical contra essa opressão.

Entretanto, nossa posição é acompanhada por uma clara condenação do Hamas ou de qualquer outra organização que empregue a violência e o terrorismo bárbaro, alvejando deliberadamente civis e crianças inocentes. Acreditamos que a resistência contra a opressão é essencial, mas ela deve estar enraizada em princípios de justiça, humanidade e moralidade. O uso da violência contra civis prejudica a causa justa do povo palestino e serve apenas para perpetuar o ciclo de sofrimento contra civis inocentes de ambos os lados.

O número de mortes do lado israelense após os ataques terroristas do Hamas é mais de 15 vezes maior do que o número de mortes americanas após o ataque da Al-Queda em 11 de setembro, per capita. Os anarquistas nunca teriam apoiado os ataques de 11 de setembro, e é intrigante que alguns de nossos companheiros hesitem em condenar o Hamas da mesma forma. Devemos seguir sendo coerentes em nossa rejeição à violência dirigida contra civis inocentes, independentemente do contexto, em nossa busca por justiça e um mundo melhor.

75 anos de sofrimento

De fato, a situação atual em Israel é marcada por um alto nível de tensão e sofrimento, o que, segundo alguns, tem paralelos com à difícil situação dos palestinos nos últimos 75 anos. Atualmente, os israelenses sofrem o impacto perturbador da violência esporádica, vivem sob a sombra de ameaças em potencial e sofrem o impacto emocional do medo e da insegurança constantes. Tal situação, embora não seja idêntica, ressoa com aspectos do sofrimento diário suportado pelos palestinos durante décadas de conflito, incluindo as dificuldades causadas pela ocupação, restrições de movimento e a perda de vidas inocentes. É importante reconhecer que a empatia e a compreensão das experiências de israelenses e palestinos são fundamentais para a busca de uma solução pacífica para os problemas complexos e profundamente enraizados na região.

A restrição deliberada de recursos essenciais como água, alimentos e eletricidade em Gaza é uma violação grosseira dos direitos humanos e trouxe um sofrimento incalculável à população civil, principalmente às crianças inocentes. É fundamental enfatizar que essas crianças não são de forma alguma responsáveis pelas ações do Hamas ou de qualquer outra entidade política. A negação de necessidades básicas, que afeta os mais vulneráveis, é uma afronta aos próprios princípios de humanidade e decência. Essas táticas de punição coletiva não são apenas moralmente indefensáveis, mas também contraproducentes para a busca de uma paz duradoura. Cabe à comunidade internacional lidar com essa situação e garantir que as crianças de Gaza e todos os civis sejam poupados das terríveis consequências dessas restrições e que seus direitos à vida, à dignidade e ao bem-estar sejam respeitados e protegidos.

Apoiamos todas as formas de resistência, mas não contra civis inocentes

É essencial reconhecer que a resistência radical pode assumir muitas formas, desde protestos não violentos e desobediência civil até organização de base e movimentos de solidariedade internacional. Esses métodos se mostraram eficazes em várias lutas por justiça ao longo da história e têm o poder de mobilizar o apoio global à causa palestina. Incentivamos e apoiamos essas vias de resistência e conclamamos a comunidade internacional a apoiar ativamente os direitos e as aspirações do povo palestino.

Apoiamos firmemente o direito do povo palestino de se envolver em várias formas de resistência para fazer valer seu direito fundamental à autodeterminação e à liberdade. Isso inclui seu direito de se envolver em protestos, resistência, desobediência civil e defesa internacional. Além disso, reconhecemos que, no contexto de ocupação e sofrimento prolongados, alguns podem recorrer à luta armada como meio de resistência. No entanto, é fundamental enfatizar que condenamos qualquer ação que tenha como alvo intencional civis inocentes, inclusive em retaliação a atos semelhantes de agressão por parte do outro lado. Obviamente, isso significa que também condenamos veementemente os bombardeios israelenses contra civis.

O Hamas não representa o povo palestino

É importante reconhecer que as ações e políticas do Hamas não refletem as diversas opiniões e aspirações de toda a população palestina. Cerca de 50% da população de Gaza tem menos de 18 anos de idade. O Hamas assumiu o controle de Gaza há 17 anos, o que significa que metade da população tinha apenas um ano de idade quando isso aconteceu. Portanto, seria incorreto e enganoso concluir que a população de Gaza apoia o Hamas e não podemos culpar as crianças por serem responsáveis pelas ações de uma minoria de terroristas.

Embora o Hamas afirme representar o povo palestino, suas ações e estratégias são frequentemente objeto de discórdia e debate na sociedade palestina. Acreditamos firmemente que o slogan “Palestina Livre” também significa libertar o povo palestino da opressão de grupos terroristas como o Hamas.

Nesse conflito de longa duração, é sempre o povo palestino que paga o preço

Ao longo da longa e dolorosa história do conflito israelense-palestino, é uma realidade lamentável que o povo palestino tenha suportado desproporcionalmente as trágicas consequências dessa luta contínua. Ataques indiscriminados contra civis palestinos, seja como resultado de operações militares ou outros atos violentos, resultaram em uma perda de vidas significativamente maior do lado palestino. É fundamental reconhecer que essa violência contra civis inocentes é uma grave violação dos direitos humanos e prejudica as perspectivas de uma solução justa e duradoura para o conflito. Além disso, as ações de grupos como o Hamas exacerbam as dificuldades enfrentadas pela população palestina, aumentando o preço que ela paga pelo conflito prolongado. Refletindo sobre essa história, fica claro que o ciclo de violência perpetua o sofrimento de todos os lados e que os civis, especialmente os palestinos, muitas vezes são pegos no fogo cruzado. Isso ressalta a necessidade urgente de uma resolução abrangente e pacífica que respeite os direitos e a vida de todas as pessoas da região.

Para evitar mais mortes de civis e atenuar a crise humanitária em Gaza, há uma necessidade urgente de estabelecer um corredor humanitário para evacuar os civis com segurança antes de qualquer possível invasão das FDI. Essa iniciativa poderia oferecer uma tábua de salvação para as inúmeras pessoas inocentes, incluindo crianças, idosos e pessoas vulneráveis, que estão atualmente presas no meio do conflito. É um imperativo moral que a comunidade internacional aja de forma rápida e decisiva para garantir a segurança e o bem-estar daqueles que estão no meio do fogo cruzado dessa situação perigosa.

A compreensível hesitação do povo palestino em Gaza em deixar suas casas se deve a um medo bem fundamentado de que a história se repita na forma de outra Nakba. Ao longo da experiência palestina, testemunhamos a trágica realidade de que aqueles que foram deslocados de sua terra natal raramente tiveram o direito de retornar. Além disso, o que inicialmente se pretendia como campos de refugiados temporários muitas vezes evoluiu para assentamentos permanentes, deixando gerações de palestinos em deslocamento prolongado. Esse contexto histórico ressalta a profunda apreensão da população de Gaza quando se trata de evacuar suas casas, destacando a necessidade urgente de uma resolução abrangente e duradoura que aborde essas preocupações legítimas e garanta seus direitos e bem-estar.

Conclusão

Para concluir, nossa posição se baseia em um profundo compromisso com a justiça e a solidariedade com o povo palestino em sua luta pela autodeterminação. Condenamos o terrorismo e a violência contra civis de ambos os lados e defendemos um mundo que rejeite o imperialismo e a opressão, defendendo os princípios da autonomia e da resistência não violenta como o caminho para um futuro mais justo e equitativo para todos.

Nossa perspectiva é profundamente antigovernamental, anarquista, pacifista e anti-imperialista. Rejeitamos firmemente a noção de governos e poderes militares que ditam o destino das nações e nos opomos a qualquer forma de colonialismo, ocupação ou imperialismo que busque dominar e oprimir os outros. Defendemos um mundo em que a autodeterminação e a autonomia sejam valorizadas, em que indivíduos e comunidades sejam livres para traçar seus próprios destinos e em que os conflitos sejam resolvidos por meios pacíficos e pelo diálogo, e não pela violência.

Fonte: https://www.ni-dios-ni-amo.com/blog/nuestra-postura-ante-el-conflicto-palestino-israeli/

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agência de notícias anarquistas-ana

Muita brisa à noite.
Dos jasmineiros da rua,
perfumes e flores.

Humberto del Maestro

[República Tcheca] Feira do Livro Anarquista de Brno

Deixe-nos convidá-lo para a Feira do Livro Anarquista em Brno no dia 21 de outubro!

Vamos criar juntos um espaço onde possamos partilhar não só livros e ideias, mas também competências e habilidades práticas no espírito DIY. Fora isso, como característica das feiras de livros anarquistas, nosso principal objetivo é nos reunirmos e pensarmos juntos sobre nossa prática e fazermos novas alianças.

  • Na véspera do evento, você está convidado a jantar conosco no bistrô cooperativo Tři Ocásci.
  • No sábado, vamos nos encontrar em Káznice (Bratislavská 68), onde haverá principalmente barracas com livros, zines, revistas e outras coisas, mas também programação de acompanhamento (com oficinas de encadernação, serigrafia, pintura de árvores, comunicação pacífica e estimulante).
  • Seguido de uma festa onde podemos continuar a nossa camaradagem mútua e inventar travessuras.

Se você gostaria de compartilhar algumas habilidades práticas, organizar um workshop ou uma discussão, não hesite em nos contatar em: anarchist-bookfair-brno@riseup.net

Ah, e de acordo com as fontes disponíveis, esta é a primeira feira do livro anarquista em Brno, então não perca, estamos ansiosos por ela!

agência de notícias anarquistas-ana

Gotas de sangue
estão prestes a pingar:
pitangas maduras.

José N. Reis

[Espanha] Carta de Libertárias para Mari Luz Braojos

 Mari Luz Braojos, do Grupo de Mujeres Libertarias de Granada, nos deixou. Esta manhã (16/10), a notícia consternou todas as mulheres do Grupo de Libertarias.

Seu caráter jovial, combativo e participativo até seu último dia de vida, fez com que sua trajetória na CGT por mais de 40 anos fosse uma referência para muitas de nós.

Nós a entrevistamos¹ há pouco mais de um ano, quando ela nos contou com entusiasmo e alegria sobre a importância do feminismo dentro e fora de nossa organização e como as afiliadas do sindicato de Granada se organizaram a ponto de se tornarem a alma e a força motriz de parte do sindicato.

Obrigada, Mari Luz, por seu trabalho social, por seu trabalho sindical e, acima de tudo, por sua visão feminista em tudo o que fez.

Obrigada porque, sem querer, você se tornou um modelo a ser seguido.

Obrigado a você e ao restante do grupo de Mulheres de Granada, que homenagearam as Mulheres Livres da guerra civil adotando o nome delas.

E agora somos nós, as mulheres Libertárias de todos os territórios, que prestamos homenagem a você com estas palavras.

Obrigada, Mari Luz!

Libertarias

[1] https://librepensamiento.org/mari-luz-braojos/

Fonte: https://librepensamiento.org/carta-de-libertarias-a-mari-luz-braojos/

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A bola baila
o gato nem olha
salta e agarra

Eugénia Tabosa

[Portugal] Cada um sabe de si, deus de ninguém…

Não é compatível com qualquer posição libertária a defesa de grupos religiosos fundamentalistas em nome de qualquer nacionalismo ou anti-imperialismo.

Por M. Ricardo de Sousa | 15/10/2023 

1 – Como libertário sou radicalmente crítico do uso do terrorismo seja por Estados seja por grupos e fracções armadas, definindo-se o terrorismo como o uso de violência indiscriminada contra pessoas comuns visando obter a intimidação ou submissão dessas pessoas num dado conflito político. O uso da violência revolucionária e da acção directa é um problema distinto que deve, no entanto, levar em conta os objectivos e alvos, na luta social, que devem ser necessariamente membros das classes dominantes e estruturas armadas que as servem.

2 – No conflito Israel / Palestina deve ser levado em conta a existência de duas comunidades, divididas elas também em classes e grupos com interesses conflitivos, não se podendo negar o direito das comunidades palestinianas às suas terras e organizar livremente as suas instituições mesmo defendendo, como libertários, que as instituições Israelistas e Palestinianas não devem ser submetidas às determinações religiosas e devem consagrar todos os direitos e liberdades conquistadas pelos povos. A coexistência desses dois povos e culturas semitas não é compatível com a ocupação e expansionismo terrorista sionista, nem com uma política de expulsão de cada uma dessas comunidades desses territórios como defendem sectores muçulmanos em relação aos judeus e sectores fundamentalistas judaicos em relação aos palestinianos. Só podendo ser levado em conta, neste momento e a curto prazo, as decisões históricas da ONU, dos dois Estados, mesmo sendo nós contra a existência de Estados como solução definitiva para o auto-governo dos povos.

3 – Não é compatível com qualquer posição libertária a defesa de grupos religiosos fundamentalistas em nome de qualquer nacionalismo ou anti-imperialismo, temos de considerar esses grupos armados fundamentalistas como inimigos de todos os povos, mesmo daqueles em nome do que dizem combater. Grupos como o Hamas, Daesh e Al-Qaida, e similares, são assumidamente fundamentalistas religiosos, reacionários e fanáticos milenaristas que não podem merecer qualquer solidariedade das correntes libertárias que se situam nas antípodas do seu pensamento e prática e partilham uma tradição da luta social e operária anti-clerical, anti-capitalista e anti-estatista.

Fonte: https://passapalavra.info/2023/10/150300/

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Brisa ligeira
A sombra da glicínia
estremece

Matsuo Bashô

[França] Anarquistas Contra a Guerra

Comunicado da secretaria de Relações Internacionais da FA sobre o Oriente Médio

Muitas guerras estão em andamento, econômicas e sociais, ambientais e religiosas. Todas elas envolvem o genocídio de mulheres, principalmente nas teocracias islâmicas. No entanto, as únicas guerras que são amplamente cobertas pela mídia e que são objeto de todos os tipos de comunicados à imprensa são aquelas de interesse do capitalismo e de suas potências, conflitos militarizados que envolvem nacionalismo e demarcação de fronteiras e, portanto, o controle de riquezas exploráveis, os interesses financeiros, a venda de armas e a logística, os interesses industriais da reconstrução etc. Em suma, guerras travadas por Estados, seus exércitos e suas milícias.

A guerra no Oriente Médio coloca o imperialismo e o colonialismo de um governo de extrema direita que defende o Estado de Israel contra a ditadura de um movimento armado em Gaza, o Hamas, que aspira criar um Estado islâmico, uma teocracia na qual os palestinos serão as primeiras vítimas.

A Federação Anarquista, que é anticapitalista, antiestatal, antinacionalista, antimilitarista, antissexista, antirracista e anticlerical, diz não à guerra. Os anarquistas estão do lado das vítimas civis, dos prisioneiros de consciência em Israel e em outros lugares que se recusam a servir no exército, dos reservistas israelenses que recusam a guerra, das mulheres e dos homens em Gaza que sofrem dupla punição (do Hamas e do governo Netanyahu), dos ateus de ambos os lados do muro.

A Federação Anarquista francófona, presta homenagem aos companheiros e companheiras de Israel, “Anarquistas Contra o Muro”, que, de acordo com os relatos iniciais, estavam entre as vítimas do ataque sangrento do Hamas em 7 de outubro contra um festival de música pacífico ao ar livre “do outro lado”.

A Federação Anarquista apoia os grupos israelenses que resistem à guerra (organização de manifestações contra a guerra, equipes civis de desescalada, etc.).

A Federação Anarquista é a favor de uma resistência palestina libertária que não seja subserviente, como é hoje, a um único movimento político e a um ditame religioso.

Mais do que nunca: “Nem deus nem mestre!”

Federação Anarquista

14 de outubro de 2023

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Chuva cai lá fora
No batuque das goteiras.
Eu durmo tranqüilo.

Natacha Lemes Batistão

[Espanha] CNT, Diante do Agravamento da Guerra no Oriente Médio

Secretaria Internacional da CNT – 10 de outubro, 2023

Desde sábado, 7 de outubro de 2023, temos testemunhado com total consternação uma escalada brutal da guerra na Palestina. Milhares de mortos e feridos entre as operações “Tormenta de Al Aqsa” e “Espadas de Ferro”.Isso é tão previsível quanto inevitável.

Diante dessa situação, a CNT quer denunciar a maneira como os Estados, reconhecidos ou não, lidam com a população, como peças em um tabuleiro de jogo internacional, onde as pessoas comuns perdem suas vidas, casas, entes queridos, escolas, hospitais e… futuro. Nossa visão como internacionalistas e antiestatistas se opõe ao reconhecimento do direito do poder militar e político – de qualquer Estado – de sacrificar a vida de trabalhadores, operários, crianças, pessoas de qualquer crença ou origem.

Hoje, uma população encurralada em uma prisão a céu aberto, condenada a sufocar seus meios básicos de subsistência devido ao intolerável apartheid praticado pelo Estado de Israel, tem de sofrer, além disso, a hipocrisia repugnante de sua própria classe política e de outras classes políticas: o terrorismo é isso, mas não aquilo. E, embora não sejamos atingidos por mísseis aqui, somos atingidos pela manipulação da mídia, por meio de slogans vergonhosos que são infinitamente replicados uns pelos outros, sem qualquer pudor.

Justamente quando o apoio tradicional das poderosas ditaduras árabes já havia diminuído o suficiente a ponto de aceitar explicitamente a situação de fato, um levante de outras peças do tabuleiro de xadrez – coincidindo com o 50º aniversário dos eventos do Yom Kippur – coloca a Palestina (ou o que restou dela) de volta no mapa.

E temos muitas perguntas sem resposta: é crível que o MOSAD não soubesse disso ou não o tenha apreciado? Talvez isso tenha sido permitido para dar o golpe final de uma extrema-direita mais instalada do que nunca no poder? Existe realmente uma diferença útil entre a direita sionista e a esquerda sionista? Estamos falando de conflito ou colonialismo? E, acima de tudo, existe algum lugar para onde os habitantes de Gaza possam fugir a fim de se salvar?

Muitas perguntas e poucas respostas, por isso nós, trabalhadores, trabalhadoras e povo do Oriente Médio, queremos dizer isso a vocês:

– Rejeitamos profundamente a política de apartheid exercida pelo Estado de Israel, porque é uma violação grosseira dos direitos humanos e um crime contra a humanidade.

– Abominamos a hipocrisia com que esses sistemas e práticas são condenados ou justificados, dependendo de onde são aplicados.

– Incentivamos, como trabalhadores de comunicação, a denunciar a evasão da mídia em reconhecer atos cruéis ou desumanos no contexto de um regime institucionalizado de dominação sistemática com a intenção de se manter.

– Identificamos esse apartheid pelo que ele é: um sistema de tratamento discriminatório prolongado e cruel de membros de um grupo por membros de outro, com a intenção de controlá-los.

– Somos solidários com as pessoas que estão tentando levar sua existência nessa parte do mundo, independentemente de sua origem, porque todos os seres humanos têm direitos iguais.

– Condenamos qualquer ataque a civis, independentemente de seu status, nação ou religião, e defendemos a abolição de fronteiras, muros, cercas e arame farpado, bem como o direito de retorno dos refugiados.

– Excluímos a ideia de mais estatismo como saída: dois Estados não são a solução.

– Repudiamos qualquer forma de racismo, islamofobia ou antissemitismo, mas também o militarismo e o nacionalismo, aspectos instrumentais do capitalismo e distrações genuínas da luta de classes.

– Consideramos a desobediência civil como um direito, pois nenhum ser humano deve ser forçado a pegar em armas, fabricá-las ou traficá-las.

Na CNT, achamos que esse não é um jogo em que podemos tomar uma posição e tudo está resolvido. Estamos cientes de que estamos diante de uma questão tão simples de entender quanto terrível: se a impunidade generalizada for mantida ao longo do tempo, por não ser mais suportável – eventualmente – ela terá de explodir.

Porque mais Estado não é a solução. Como mais exército não é a solução, porque a luta contra o capitalismo não tem fronteiras, o antimilitarismo é possível.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/cnt-ante-el-agravamiento-de-la-guerra-en-oriente-proximo/

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Noite fria.
Mundo em silêncio.
Tosse ao longe…

Gustavo Alberto Corrêa Pinto

KCK: “A questão palestina e curda só pode ser resolvida com a superação da mentalidade de Estado-nação”

Em uma declaração sobre o conflito israelense-palestino, disseram: “Todos os problemas atuais no Oriente Médio, incluindo a questão curda, decorrem da mentalidade de Estado-nação”.

Tendo em vista a escalada do conflito israelense-palestino após o ataque maciço do Hamas contra Israel, no qual milhares de civis foram mortos ou sequestrados, e a resposta maciça de Israel contra a Faixa de Gaza, na qual inúmeros civis também estão morrendo, a Copresidenta do Conselho Executivo da KCK (União das Comunidades do Curdistão) pede o fim imediato dos combates. De acordo com a organização, o conflito demonstra a importância do modelo de confederalismo democrático proposto por Abdullah Öcalan.

A declaração da KCK divulgada na sexta-feira (13/10) inclui o seguinte:

“Milhares de pessoas, tanto israelenses quanto palestinas, perderam a vida nos ataques perpetrados pelo Hamas e nos ataques subsequentes lançados pelo Estado israelense contra os palestinos, especialmente na Faixa de Gaza. Os ataques mútuos resultaram em um massacre total. Estamos profundamente preocupados e tristes com essa situação. Como Movimento pela Liberdade Curda, gostaríamos de expressar nossas condolências ao povo árabe palestino e ao povo judeu de Israel. Não apenas o que foi feito até agora, mas também os cenários que estão sendo discutidos para o futuro são extremamente preocupantes. São atitudes extremamente equivocadas que aprofundam os problemas e levam ao massacre de pessoas. Em primeiro lugar, essas atitudes devem ser abandonadas imediatamente e os ataques devem ser interrompidos.

Assim como os métodos do Hamas estão errados, a atitude do Estado de Israel também é inaceitável. O Estado israelense deve interromper os ataques e o bloqueio contra Gaza e não deve recorrer à violência contra o povo palestino de forma alguma.

O problema palestino não pode ser resolvido por meio da violência, mas por meio da democracia e do reconhecimento dos direitos do povo palestino. A abordagem violenta só agravará os problemas. O panorama amargo que surgiu nos últimos dias é o resultado do fato de que o problema palestino foi levado a uma situação insolúvel. A causa disso é o próprio problema. Se essa situação realmente interessa a alguém, é necessário concentrar-se na solução da questão palestina. Cada passo dado, cada atitude adotada sem discutir a solução da questão palestina e os direitos do povo palestino levará ao agravamento dos problemas. A centenária questão palestina já provou isso inúmeras vezes.

Os acontecimentos na Palestina e em Israel provaram mais uma vez a importância de uma abordagem na estrutura de uma “nação democrática” pelo líder Apo [Abdullah Öcalan] para a solução dos problemas no Oriente Médio. A mentalidade estatista é a raiz dos problemas que a sociedade e a humanidade enfrentam. Desde a história até os dias de hoje, à medida que a mentalidade estatista se desenvolveu, os problemas aumentaram. O fato de o Estado ter nascido no Oriente Médio desempenha um papel decisivo no fato de os problemas lá serem tão numerosos e profundamente enraizados. Por outro lado, os problemas se aprofundaram ainda mais com a transferência do sistema de Estado-nação desenvolvido pela modernidade capitalista para o Oriente Médio. Todos os problemas atuais lá, inclusive a questão curda, decorrem da mentalidade de Estado-nação. O conflito israelense-palestino também tem suas raízes na mentalidade de Estado-nação. Todos os problemas do Oriente Médio, especialmente a questão curda e a questão palestina, só podem ser resolvidos com a superação da mentalidade de Estado-nação. Essa é a única maneira de corrigir o rumo errado da região.

Se houver uma mudança real no Oriente Médio, ela só poderá ser alcançada com a superação da mentalidade de Estado-nação, com o desenvolvimento do sistema de “nação democrática” do líder Apo, baseado na coexistência, na igualdade e na vida em comum dos povos e, com base nisso, com a solução democrática dos problemas dos povos curdo e palestino. Os problemas não podem ser resolvidos com a criação de mais Estados, como se costuma dizer. Pelo contrário, eles podem ser resolvidos com o fortalecimento da sociedade, o desenvolvimento da democracia e o desenvolvimento de uma vida de acordo com a vida de uma “nação democrática” baseada no autogoverno livre, igualitário e democrático e na vontade dos povos. É assim que os problemas tanto do povo judeu quanto do povo palestino podem ser resolvidos.

Jerusalém, considerada sagrada por três religiões, e as antigas geografias palestina e israelense podem ser vividas em liberdade e paz com esse modelo. Caso contrário, os modelos de Estado-nação inevitavelmente levam a conflitos, guerras e destruição mútua. Isso é mais bem visto na realidade árabe-judaica. O único método para eliminar esse dilema destrutivo e conflituoso é a abordagem da “nação democrática”.

A causa do povo palestino é legítima e ninguém pode negá-la. Como Movimento pela Liberdade Curda, sempre apoiamos a causa justa do povo palestino. A solução da questão palestina é tão importante quanto a questão curda para a solução dos conflitos e o desenvolvimento da democratização no Oriente Médio. O Estado israelense deve enxergar essa realidade e, acima de tudo, reconhecer a existência e a vontade democrática do povo palestino. A solução da questão palestina é uma condição fundamental para que todos os povos do Oriente Médio, especialmente o povo judeu, vivam em liberdade, segurança e paz. Por outro lado, isso é absolutamente necessário para que se possa lidar correta e respeitosamente com os dramas históricos e genocídios vividos pelo povo judeu. Sem uma solução para a questão palestina, o povo judeu não pode se sentir à vontade em sua consciência e não pode condenar e erradicar o tratamento ao qual foi submetido. Acreditamos que o povo judeu tem consciência, sabedoria e vontade suficientes. Ele é um dos povos antigos do Oriente Médio e tem um lugar e uma contribuição muito importantes para a formação da cultura e da socialidade do Oriente Médio. Assim como os povos curdo, árabe, persa, turco, aramaico etc. do Oriente Médio, o povo judeu tem o direito de viver no Oriente Médio, na antiga geografia onde historicamente viveu.

O Estado turco e o governo do AKP-MHP não lidam com a questão palestina de forma sincera e honesta. Eles se opõem completamente a ela porque a consideram uma questão que pode ser explorada. O líder fascista Tayyip Erdoğan aborda a questão palestina com esse entendimento e tenta usá-la como moeda de troca para levar adiante suas políticas de genocídio curdo. Essa é a única razão pela qual eles estão interessados na questão palestina. Caso contrário, eles definitivamente não estão totalmente do lado do povo palestino. Se o Estado turco e Tayyip Erdoğan fossem sinceros no que dizem, em primeiro lugar, eles não abordariam os curdos dessa forma e resolveriam a questão curda.

Assim como não se pode ter razão e ser democrático em Israel sem ver e reconhecer os direitos do povo palestino, não se pode ser correto e democrático na Turquia sem ver a realidade curda, sem reconhecer os direitos do povo curdo e apoiar sua luta. Em particular, você nunca poderá defender a causa justa dos outros. A abordagem em relação ao povo curdo e à questão curda na Turquia é como uma prova de fogo. É absolutamente impossível para aqueles que olham para os curdos com uma cara sombria ou os ignoram abordar os outros corretamente e apoiá-los. Se isso for tentado, haverá uma grande distorção e uma mentira hipócrita. É isso que o governo do AKP-MHP e Tayyip Erdoğan estão fazendo. Em seu discurso, Tayyip Erdoğan, por um lado, supostamente diz que os ataques do Estado de Israel são injustos e os condena. Mas, por outro lado, no mesmo discurso, ele fala com ódio sobre como atacará ainda mais os curdos e matará mais. Isso não é desonestidade hipócrita e enganar o mundo? Como é possível falar sobre o que está acontecendo em Gaza e o sofrimento do povo palestino quando o que está sendo feito em Rojava é óbvio e continuará? Nos ataques aéreos do Estado turco contra Rojava, todo o sistema de infraestrutura da região foi bombardeado. Represas, usinas de energia, poços de petróleo, depósitos de suprimentos e muitas outras instalações foram atingidas. Dezenas de pessoas perderam suas vidas nesses ataques.

Não se pode esperar que aqueles que fazem isso com o povo curdo sejam sinceros com o povo palestino e sua causa. Por outro lado, aqueles que não levantam a voz contra os ataques e massacres do Estado e do governo do AKP-MHP contra os curdos e Rojava, e aqueles que veem isso como algo correto e o apoiam, não podem estar em uma aproximação verdadeira. As lágrimas derramadas por esses grupos não são mais do que as lágrimas de crocodilo derramadas por Tayyip Erdoğan. Eles podem não estar cientes de sua aparência, mas todos no mundo, exceto eles, sabem muito bem como eles são”.

Fonte: https://www.kurdistanamericalatina.org/kck-la-cuestion-palestina-y-kurda-solo-puede-resolverse-superando-la-mentalidad-de-estado-nacion

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Flor do cerrado —
Na primavera seca
Só o ipê floresce

Eduardo Balduino

Lula ecologista?!?

[Negócio$ Militare$] DEMOCRATICAMENTE, veículos blindados para o Exército brasileiro desembarcam no Porto de Paranaguá

O Porto de Paranaguá recebeu mais 30 viaturas blindadas especiais de posto de comando M577A2 adquiridas pelo Exército Brasileiro. Os equipamentos chegaram na última semana. Este é o terceiro e último lote de um total de 90 veículos vindos dos Estados Unidos (do US Army).

Este é o terceiro lote dos modelos M577A2 recebidos no Porto de Paranaguá. Também já chegaram 30 modelos em 2016 e outros 30 em 2020. Eles foram embarcados no Porto de Gavelston, no Texas, Estados Unidos.

Os veículos possuem motor de 212HP e são compatíveis com diversos tipos de materiais optrônicos, inclusive de visão noturna. Por sua versatilidade podem ser usados como ambulância, central de tiro e comunicações.

Fonte: agências de notícias

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Engoli migalhas
jogadas ao vento,
deixadas pelas gaivotas.

Rogério Viana

[Espanha] Exposição: “Ni Déu, Ni Estat, Ni patró. L’anarquisme a la Catalunya contemporània”

Inaugurada em 28 de setembro, a exposição intitulada “Ni Déu, Ni Estat, Ni patró. L’anarquisme a la Catalunya contemporània” poderá ser vista na sede do Memorial Democrático da Generalitat da Catalunha até 18 de janeiro de 2024.

A exposição propõe uma abordagem ao anarquismo, um dos movimentos sociais mais importantes da Catalunha contemporânea, traçando a sua influência nas suas diferentes vertentes, desde o sindicalismo à cultura e à educação, passando pela economia, pela organização sócio-política… desde os seus primórdios até os dias de hoje, com o objetivo de refazer e divulgar toda essa memória coletiva, truncada especialmente pela ditadura franquista.

A partir do primeiro terço do século XX este movimento tornou-se uma das correntes emancipatórias com maior aceitação entre as classes populares catalãs. Numa sociedade polarizada social e economicamente e marcada por desigualdades, o anarquismo foi considerado por muitos setores como uma alternativa cultural e política à ordem capitalista estabelecida. O potencial do movimento era tão grande que rapidamente as autoridades dominantes reagiram com repressão e marginalização. Apesar das razões nobres e objetivas das aspirações da militância anarquista, a violência política também marcou esta ideologia que se dizia antimilitarista e de linhagem humanista. Isto também explica porque historicamente tem sido combatida ferozmente até que a sua percepção tenha sido distorcida no imaginário coletivo do país.

Segundo Jordi Font, diretor do Memorial Democrático, a exposição pretende quebrar estereótipos e apresentar o anarquismo para além das visões tendenciosas que muitas vezes se centram na violência. No entanto, é reconhecida a importância do legado histórico de figuras proeminentes do movimento, como Salvador Seguí, Federica Montseny ou Quico Sabaté.

Memorial Democràtic, Peu de la Creu, 4, Barcelona

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Primavera
prima-flor desabrocha
obra-prima

Luciana Bortoletto

[Espanha] Banda N-634: “Sou um louco anarquista, sou um louco antifascista”

.

Nem estado nem patrão

Não acredito em autoridade

Não acredito em nenhum governo

Sou um ser antissocial

.

Sou um louco anarquista, sou um louco antifascista

Sou um louco anarquista, sou um louco antifascista

.

Me rebelo contra qualquer regra

Tenho nojo de obedecer

.

Odeio os poderosos

A revolução eu quero fazer

.

Sou um louco anarquista, sou um louco antifascista

Sou um louco anarquista, sou um louco antifascista

.

A política é um lixo

.

São todos falsos

Os mesmos cães com as mesmas coleiras

Que bando de vigaristas

.

Sou um louco anarquista, sou um louco antifascista

Sou um louco anarquista, sou um louco antifascista…

.

>> Para escutar o som “Soy un loco anarquista, soy un loco antifascista”, clique aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=905jGamnsSQ

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Velha lagoa
um sapo mergulha
barulho d’água.

Matsuo Bashô