Solidarize-se contra os crimes de guerra turcos na Síria

Juntos levantamo-nos contra os ataques em Rojava e no Nordeste da Síria. Unidos defenderemos o Revolução!

A todos os apoiantes da luta de libertação curda, antifascistas, socialistas, feministas, anarquistas, comunistas, ambientalistas e aqueles dedicados a um mundo melhor.

A Turquia lançou provavelmente a campanha de bombardeamento mais generalizada que o Nordeste da Síria já enfrentou até agora. Desde 5 de Outubro, a Turquia conduziu mais de 30 ataques aéreos, principalmente na região de Cizîre e Kobanê. Estes ataques aéreos tiveram como alvos veículos, aldeias e infraestruturas civis especialmente críticas, incluindo centrais petrolíferas, centrais elétricas e postos de gasolina, resultando em vítimas civis e entre as forças de segurança interna.

Grandes áreas sofreram um apagão total de energia em muitos hospitais, fábricas de pão e outras áreas críticas, instituições públicas completamente sem eletricidade. Os ataques continuaram esta manhã, quando um Hospital de combate ao Coronavírus e uma central elétrica foram atacados.

Apesar dos óbvios crimes de guerra, até agora não se ouviu qualquer reação da comunidade internacional. Estes ataques se seguiram a ameaças do Ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Hakan Fidan, dirigidas à região autoadministrada. O pretexto para estas ameaças foi uma ação de auto-sacrifício que ocorreu no dia 1º de outubro em Ancara, reivindicada pelas Forças de Defesa Popular (HPG). O Ministro dos Negócios Estrangeiros turco declarou que os atacantes vieram do Nordeste da Síria, justificando estes ataques a “todas as infraestruturas, superestrutura e instalações energéticas”, especialmente na Síria e no Iraque.

Compreender estes ataques exige evitar simplificações excessivas, como enquadrá-los como mera “vingança” para Ancara”, tal como promovido pelo Estado turco, ou normalizá-los, como alguns meios de comunicação e instituições próximas do que os estados imperiais fizeram. Em vez disso, faz sentido vê-los como parte de uma campanha militar mais ampla orquestrada pelas autoridades turcas, em busca do que parece ser a criação de um novo Império Otomano. Estes ataques não devem ser vistos desligados da guerra nas montanhas do Sul do Curdistão, da tortura nas prisões turcas ou dos ataques a jornalistas, políticos e jovens no Norte do Curdistão.

O que permanece inequívoco é a notável resistência contra este plano de ocupação e genocídio. Essa resistência inclui não só a ação recente em Ancara, mas também a firmeza das forças de guerrilha nas montanhas do Curdistão e as iniciativas democráticas empreendidas pelos povos do Sul e do Norte do Curdistão, Iraque e Armênia. Na sua essência, esta resistência é liderada pelo povo do Nordeste da Síria, que constrói estruturas democráticas em meio a condições desafiadoras de tempo de guerra.

Todas as forças democráticas e antiguerra têm um papel vital nesta resistência e devem unir-se contra estes ataques. No entanto, apenas reagir a eles é insuficiente. O que é necessário é confrontar ativamente o fascismo turco, a seus colaboradores e apoiadores onde quer que se encontrem.

Apelamos a todos os grupos, pessoas e iniciativas de solidariedade para que se tornem ativos e se oponham em conjunto aos ataques da Turquia e da cumplicidade internacional e agir de forma decisiva para pôr fim aos crimes de guerra cometidos pela Turquia.

Juntos levantamo-nos contra os ataques em Rojava e no Nordeste da Síria. Unidos defenderemos o Revolução!

#RiseUpforRojava #Esmague o fascismo turco!

#RiseUp4Rojava – Coordenação, 06.10.2023

riseup4rojava.org

agência de notícias anarquistas-ana

Um sol transparente
e um mar azulão
brilhando na areia quente

Winston

[EUA] Mostra de arte antifascista em San Bernardino é um enorme sucesso, apesar das ameaças dos Proud Boys

Relato sobre um evento comunitário antifascista no sul da Califórnia que incentivou os residentes locais a cobrir com tinta faixas do grupo neofascista Proud Boys.

No sábado, 30 de setembro, o artista antifascista e organizador de ajuda mútua @eyerollsandbloodlust realizou uma exposição de arte no estúdio Creative Grounds, no centro de San Bernardino. O evento foi o ápice de anos de trabalho dos antifascistas locais no combate à atividade dos Proud Boys e à propaganda fascista e transfóbica no sul da Califórnia, e a exposição em destaque foi uma coleção de faixas de autoestrada com mensagens de ódio que haviam sido penduradas pelos Proud Boys em todo o Inland Empire, na Califórnia.

Os banners, todos capturados por uma rede dedicada de resposta rápida de antifascistas e ativistas queer, foram exibidos nas paredes do beco atrás do estúdio ao lado de caixas de latas de tinta spray multicoloridas, e a comunidade foi convidada a redecorá-los. A galeria principal do estúdio Creative Grounds apresentava uma linha do tempo da atividade fascista no Inland Empire e na região que antecedeu o evento, além de uma declaração do artista. O pátio dos fundos apresentava mesas com arte antifascista, zines e livros radicais, além de deliciosa comida mexicana vegana da pop up local Marysol’s Kitchen e apresentações da banda local do Inland Empire, Porkboii, e DJs DJ Rose e DJ La Toxica.

Além de todas as exposições de arte, mesas e apresentações, havia uma equipe de segurança dedicada de antifascistas e ativistas queer no local para proteger o evento e os participantes das várias ameaças fascistas que haviam sido feitas on-line antes do evento. Trabalhando juntos com coletes cor-de-rosa bem visíveis, com rádios e equipes nos dois cantos da galeria e em todos os pontos de entrada e saída, os voluntários da segurança conseguiram impedir qualquer interferência dos Proud Boys locais e de outros tipos odiosos, que, em vez disso, usaram as mídias sociais para reclamar do evento e implorar aos amigos que chamassem a polícia para a galeria. Médicos voluntários também estavam no local e, devido à feliz falta de necessidade de seus serviços, se divertiram muito comendo tacos veganos e curtindo a música ao vivo.

Horas antes da abertura do evento, os Proud Boys locais Louie Flores e Adam Kiefer apareceram na galeria para incomodar os voluntários e exigir que entregassem as faixas. Foi-lhes dito que não. Em seguida, tentaram fazer uma estranha barganha por metade dos cartazes, mas também receberam uma negativa e foram mandados à merda. Com seu plano muito bem planejado frustrado, eles começaram a chamar a polícia e alegaram que uma faca havia sido brandida contra eles e que os banners eram propriedade roubada; (nenhuma faca estava presente, muito menos brandida, e os banners eram, na melhor das hipóteses, lixo). A polícia que atendeu ao chamado saiu sem incidentes e a organização do evento não foi mais interrompida.

Nas mídias sociais, vários fascistas locais reclamaram do evento, incluindo Adam Kiefer, que implorou para que mais pessoas chamassem a polícia para denunciar o evento por estar cercado de “esquerdistas militantes”, Sylvie Arujo, que exigiu que as pessoas denunciassem o estúdio Creative Grounds por “discriminação”, e Candy Olsen, administradora da página Awaken Redlands no Instagram, que chamou os banners cobertos de fanatismo e os logotipos dos Proud Boys de “propriedade roubada”. Algumas das publicações foram excluídas mais tarde, possivelmente porque, por meio de suas reclamações, eles estavam reivindicando tacitamente a responsabilidade pelos banners da rodovia que queriam tão desesperadamente de volta.

Mais de cem membros da comunidade compareceram para repintar os banners dos Proud Boys, incluindo famílias, crianças, idosos, artistas locais, organizadores trans e queer e todo tipo de pessoa que se possa imaginar. No final da noite, os banners estavam completamente cobertos com a nova arte, as mensagens de ódio foram substituídas por imagens amorosas e slogans de resiliência e resistência ao ódio. A alegria no espaço era radiante e estimulante.

Deve-se observar que a atividade de banners dos Proud Boys nas rodovias da região parece ter parado desde o anúncio desse evento.

Parabéns a @eyerollsandbloodlust pelo enorme sucesso de seu MFA Thesis Show! Parabéns à comunidade por sua dedicação em lutar contra o fascismo no Inland Empire.

Veja o que alguns participantes disseram sobre suas experiências ao participar dessa extravagância artística antifascista centrada na comunidade:

“Foi uma loucura ver a atividade fascista que vivemos em tempo real exposta em um só lugar e foi tão catártico cobri-la com amor e cor ao lado de tantas pessoas”

“Um dos banners que foi erguido em Chino está parecendo muito melhor no show da @eyerollsandbloodlust”

“É incrível ver a comunidade se unindo para cobrir todos aqueles banners estúpidos e odiosos dos Proud Boys”

“Parabéns a @eyerollsandbloodlust por um show incrível! Fico feliz em ver os banners dos Proud Boys sendo usados de uma forma melhor”

“Obrigado pelas telas gratuitas pissboys!”

“A noite passada foi um espetáculo incrível! Especialmente depois dos últimos dois anos ou mais em que tive medo de existir em público, só o fato de estar naquele espaço com famílias, crianças e gays de todos os tipos e não ter que me preocupar em ser visto como algum tipo de ameaça foi imensamente terapêutico”

“Verdadeiramente o evento cultural antifascista de SoCal do ano!”

Fonte: Fonte: https://itsgoingdown.org/antifascist-art-show-in-san-bernardino-is-a-huge-success-despite-proud-boy-threats/

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Arrastar espantalhos pelo chão
é o que a tempestade
faz primeiro.

Kyoroku

Não à intervenção imperialista no Haiti

Comunicado da Secretaria Internacional da FOB, 08 de outubro de 2023

Essa semana o governo Lula contribuiu mais uma vez para silenciar o povo através da máquina de guerra do Estado burguês. Na segunda-feira, dia 2 de outubro, após o Brasil assumir a presidência do Conselho de Segurança da ONU, foi aprovada a nova intervenção militar internacional no Haiti, promovida pela agenda política do governo Lula, numa reeditando da MINUSTAH (Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti, 2004-2017).

A MINUSTAH foi liderada por Lula no seu primeiro governo, atendendo, de um lado, aos interesses imperialistas estadunidenses, e, de outro lado, sendo parte da política subimperialista do programa petista. Porém, seus resultados foram as incontáveis mortes, estupros, entre eles centenas de crianças, violações institucionalizadas de direitos humanos, propagação de uma epidemia de cólera, abuso psicológico racista e torturas por parte das tropas enviadas pela ONU.

As tropas imperialistas da ONU contaram com quase 40 mil soldados das Forças Armadas brasileiras. Apesar da devastação promovida pelas operações, nunca houve um reconhecimento oficial por parte dos governos Lula, Dilma e Temer, dos graves crimes cometidos, e não só isso, como a impunidade total dos militares genocidas.

Agora, o projeto da nova intervenção aprovado será liderado pelo Quênia, quem teoricamente enviará mil militares, porém o treinamento da polícia genocida haitiana será comandado e executado por militares brasileiros, que como sabemos, tem um excelente treinamento em exterminar e violentar a população preta de forma institucionalizada e massiva.

“O genocídio é o Haiti! O genocídio é aqui!”

O genocídio promovido pelas tropas imperialistas lideradas pelos militares brasileiros não demorou para ter grandes repercussões. O governo Lula designou em 2004 o General Augusto Heleno, conhecido pela sua defesa da Ditadura de 1964 e que iria se notabilizar como um dos principais defensores do governo Bolsonaro como Ministro do Gabinete de Segurança Institucional.

O General Heleno foi o responsável pela Operação Punho de Ferro, em julho de 2005, no bairro Cité Soleil, localizado na capital haitiana, Porto Príncipe. Sob o comando do General Heleno, as tropas imperialistas dispararam mias de 20 mil tiros de fuzil contra uma população civil desarmada, mais de 70 pessoas foram executadas, entre as vítimas estavam incluindo mulheres e crianças. A operação foi denunciada pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e, somente em setembro de 2005, depois de muita pressão internacional, o governo Lula resolveu afastá-lo.

Mesmo com esse histórico de violência genocida no Haiti, o governo Lula convocou, no final de 2007, tropas militares que haviam retornado da intervenção imperialista para fazer a segurança do Projeto Cimento Social, do então senador Marcelo Crivella, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, no Morro da Providência, localizado no Centro do Rio de Janeiro, região da Pequena África, uma das primeiras favelas da cidade. Em junho de 2008, esses militares prenderam três jovens da Providência e os entregaram para uma facção rival do morro vizinho, Morro da Coroa, que os executaram.

As operações militares brasileiras no Haiti, foram essenciais para aplicar em larga escala o que já se estava fazendo no Brasil, porém serviram de grande experiência para que esses mesmos militares voltassem e se comprometessem em aplicar essa violência de Estado no Brasil.

A MINUSTAH serviu imensamente para apresentar o Brasil como uma potência militar internacional e legitimar sua estratégia política através da Internacionalização do seu projeto de Estado: o racismo sistematizado e organizado em políticas de violência, repressão e extermínio do povo preto. Depois da missão, o número de milícias e gangues aumentaram muito junto com a dor e a revolta, produzindo tenebrosos.

O colonialismo e o imperialismo contra o povo haitiano

O atual presidente do Haiti, Ariel Henry, pediu ajuda aos EUA e a ONU para contornar a complicada situação política do país, mas ele mesmo não foi legitimamente eleito e é um dos principais suspeitos do assassinato do antigo presidente, que ocorreu 48 horas depois de ter sido proclamado primeiro ministro. Depois de um tempo desde o pedido inicial de ajuda, bastou o apoio do governo brasileiro para que pudesse ser aprovado.

O Governo Lula sabe a importância de contribuir para a manutenção do poder das grandes potências. Desde 2004, ele tem grande interesse em promover reformas no Conselho para que o Brasil pudesse fazer parte dos países fixos, que na prática, é quem tem poder de veto, que são 5 (EUA, França, Inglaterra, China e Rússia). Ao contrário da Guerra na Ucrânia os 5 + os 10 países rotatórios parecem ser quase unânimes no uso da violência militar para reprimir o povo haitiano.

Desde a revolução haitiana em 1791, sua população é alvo de grandes esforços racistas, colonialistas e imperialistas para silenciá-los, impossibilitando a organização popular combativa e interferindo na política nacional com representantes aliados dos exploradores internacionais. O Haiti foi o primeiro país latino a se tornar independente, o primeiro a abolir a escravidão e o único a conquistar a independência através da organização revolucionária massiva de pessoas escravizadas.

Em 1915, o governo americano invadiu o país com o mesmo pretexto de promoção de paz e de quitação de uma dívida externa produzida pelas ditaduras, o que levou 19 anos de intensa exploração, até sua retirada em 1934. Nesse período, 40% da arrecadação interna era direcionada diretamente aos EUA, quem controlava as fronteiras e portos de todo o país, além dos bancos. Fora isso, a execução de obras públicas com objetivos bélicos e exploratórios foram, em sua maioria, feitas por haitianos escravizados pelos estadunidenses nesse tempo. Além da segregação racial, abuso psicológico, institucionalização do racismo e a eleição de representantes de governo vinculados aos militares estadunidenses. Esse contexto levou a um período intenso de revoltas que se prolongaram no país. Em 35 anos o Haiti teve 20 governos e estes depois de uma dinastia ditatorial.

A situação política do Haiti é consequência do esforço inicial organizado das potências mundiais de exterminar os ideais combativos fruto da Revolução.

O Governo Lula não está e nunca estará a serviço do povo, porque é a função do Estado nos silenciar para que ele possa existir. Mas para silenciar um povo é necessário nos desorganizar, impor guerra a nós e garantir paz entre os senhores, por isso a autodefesa popular e a organização revolucionária é a nossa única saída.

agência de notícias anarquistas-ana

Nas bodas de prata
retornando à terra natal –
flor de laranjeira!

Teruko Oda

[Grécia] Despejo da okupação Evangelismos (Creta). Policiais jogam uma pessoa do telhado.

A ocupação Evangelismos em Heraklion (Creta) era uma clínica abandonada desde 1985, quando foi ocupada em 2002. Vinte e um anos de ocupação fizeram de Evangelismos um local emblemático do movimento anarquista na Grécia. Até a noite de 30 de setembro para 1º de outubro de 2023, quando foi despejada em meio à campanha eleitoral municipal e às negociações interacadêmicas. Portanto, foi por razões estratégicas que o companheiro anarquista Y.S. optou por fazer sua declaração na qualidade de estudante de doutorado.

Declaração de Y.S., que testemunhou a queda de um companheiro do telhado e também foi preso durante o despejo da okupação Evangelismos em Heraklion

“Sou uma das onze pessoas presas durante a operação policial na okupação Evangelismos na madrugada de sábado, 30/09. A queda de A., um jovem estudante de pós-graduação, aconteceu diante de meus olhos. Naquele momento, um policial armado da EKAM (unidade especial da polícia) estava pressionando minhas costas com o joelho, impedindo-me de respirar, embora eu já estivesse algemado. Os policiais das forças especiais já haviam espancado o jovem e o arrastado pelos cabelos antes de algemá-lo. As pessoas nas varandas vizinhas começaram a protestar e, naquele momento, A. se viu na beira do telhado plano do prédio e, em questão de segundos, no ar.

Ao mesmo tempo, embora eu estivesse algemado e de bruços no chão, um policial me deu um chute na cabeça e gritou no meu ouvido: “Cale a boca, porque você também vai acabar no necrotério”. Esse evento aterrorizante, a queda de um homem de uma altura de doze metros enquanto ele estava algemado, não causou sua morte por mero acaso.

A. está atualmente no hospital PAGNI com as pernas quebradas e a coluna vertebral fraturada e rachada. Por pura sorte, ele está vivo e não está paralisado. No entanto, seu calvário continuou, pois ele teve a infelicidade de cair nas mãos de um médico do hospital que tentou abafar o caso e o mandou de volta para a delegacia de polícia. Lá, por cerca de dez horas, ele permaneceu imobilizado em uma cadeira de rodas, e a vice-diretora do departamento alegou que estava coberta pelo relatório de alta hospitalar e que sua única obrigação era dar a ele paracetamol.

Somente após fortes protestos, treze horas depois, os motoristas da ambulância o levaram para o hospital PAGNI, onde ele foi internado. Após outros exames, a extensão total de seus ferimentos ficou conhecida.

Eu também gostaria de destacar algo assustador. O presidente da Universidade de Creta, Sr. Kontakis (que iniciou a evacuação da okupação), visitou ontem A., que tem vários ferimentos, para informá-lo de que ele será seu próprio médico responsável e que ele não faz discriminação entre seus pacientes.

Dizem que o Dr. Mengele tem um belo sorriso. Não é possível que a pessoa responsável pela experiência de quase morte do paciente seja ao mesmo tempo seu médico, contra a vontade do paciente, em uma posição de poder, especialmente porque o caso provavelmente será levado ao tribunal. É imperativo que a associação médica, as associações de estudantes e outros órgãos universitários se manifestem.

No interesse da divulgação completa, houve também uma postagem no site cretalive sobre o evento, que foi rapidamente excluída quando eles perceberam a estupidez do que haviam feito. Devo acrescentar que, no primeiro incidente no hospital relacionado à alta precipitada, houve uma intervenção inicial da Federação dos Sindicatos dos Médicos dos Hospitais Gregos, que estava tentando descobrir o que havia acontecido. Talvez essas organizações também devessem investigar o comportamento do Sr. Kontakis.

Gostaria de informá-lo que eu e as outras dez pessoas presas fomos libertados por ordem verbal do promotor público. Outro estudante de doutorado foi preso comigo, mas ele não pode se ocupar do caso por enquanto. Acredito que haja um motivo para isso. As acusações completas serão anunciadas no final desta semana, após nossos interrogatórios.

Para concluir este texto, gostaria de acrescentar que ontem, durante a operação policial contra as instalações do clube esportivo autogerido Tiganiti, fui parado enquanto caminhava pela rua pela polícia de Heraklion, que me disse: “Eles sabem quem eu sou”. Para minha grande surpresa, na delegacia de polícia encontrei dois outros estudantes de doutorado que também haviam sido presos. Há muitas perguntas a serem feitas.

Nós somos a universidade, não a UPIU (Unidade de Proteção às Instituições Universitárias) [a polícia universitária], não os protegidos do governo que ocupam cargos na universidade. A responsabilidade pelo que aconteceu e pelo que acontecerá é inteiramente do Presidente Kontakis e do Conselho Universitário, que aprovaram por unanimidade a operação policial contra a okupação em 20/07/23.

A Associação de Pesquisadores e Funcionários de Pesquisa de Heraklion (ACCERH), em coordenação com outras associações e organizações estudantis, deve tomar uma posição clara sobre esses eventos, porque o fascismo vem primeiro para os outros e depois para nós.”

Y. S.

Membro da ACCERH. Estudante de doutorado no Departamento de Engenharia Elétrica e Ciência da Computação da Universidade Grega do Mediterrâneo. Membro do Laboratório de Informática Biomédica do Instituto de Tecnologia e Pesquisa.

Fonte: https://rebellyon.info/Evacuation-du-squat-Evangelismos-Crete-25243

agência de notícias anarquistas-ana

Ao perder as flores
Com o templo se confunde
A cerejeira.

Buson

[Rússia] Não à guerra na Palestina

Quando um conflito armado coloca dois ou mais Estados um contra o outro, é tentador ficar do lado daquele que parece defender direitos como a autodeterminação, o direito à liberdade de movimento, o direito de viver na terra natal, o direito de fazer parte da sociedade e não viver em um apartheid.

A Primeira Guerra Mundial já colocava uma grande questão para o movimento trabalhista e para o socialismo em geral: quem deveríamos apoiar, defender as Potências Centrais ou os Aliados, ou insistir no antimilitarismo e no internacionalismo que inspiraram a fundação da Primeira Internacional em 1864?

Naquela época, a socialdemocracia optou por apoiar os interesses militares dos Estados da Aliança, acreditando que eles defenderiam os princípios da “democracia” contra a ameaça de vitória dos impérios austro-húngaro, alemão, otomano e búlgaro. Eles estavam confundindo socialismo com democracia.

Após a criação do Estado israelense no Mandato Britânico da Palestina e as duras consequências que isso teve para a população autóctone, tudo nos leva a pensar que é correto apoiar os interesses palestinos. Mas o que são interesses palestinos?

O direito à vida, o direito de viver na terra natal, o direito à liberdade de movimento, o direito de participar da sociedade, a igualdade de oportunidades?

Não são esses os interesses de todo ser humano, independentemente de sua origem, religião ou idioma?

Novamente nos deparamos com o mesmo dilema dos socialistas no início do século XX: devemos defender um dos Estados em guerra acreditando que a vitória de um deles garantirá todos os direitos que mencionamos?

A resposta agora, como em qualquer guerra entre Estados, é e sempre será: NÃO. Apoiar um Estado para garantir os direitos humanos nunca é, e nunca foi, uma boa ideia. Os Estados não são, e nunca serão, uma garantia de paz e de direitos fundamentais para as pessoas. Muito pelo contrário.

Tanto o Estado de Israel quanto a Autoridade Nacional Palestina afirmam defender os interesses de seus povos. Mas, na realidade, eles defendem apenas os interesses de suas respectivas elites e os de seus aliados internacionais. Tanto os sionistas e ultranacionalistas do Partido Likud quanto os ultranacionalistas e islamistas do Hamas usam a guerra como uma ferramenta para consolidar seu poder diante de uma população intoxicada pelo ódio ao inimigo eterno. Pois qualquer Estado precisa defender seu povo contra um inimigo interno ou externo. O conflito entre judeus e árabes é a melhor garantia para a sobrevivência de ambas as estruturas de poder**.

É por isso que apelamos às pessoas que vivem e sofrem o conflito em sua carne, aos judeus e árabes cujo sangue já foi derramado por muitos anos:

  • Não importa sua origem, seu idioma ou sua religião: unam-se contra a tirania dos Estados que os usam e os colocam intencionalmente uns contra os outros.
  • Libertem-se do domínio de suas mentes por meio do fanatismo religioso e do nacionalismo.
  • Lutem juntos por seus direitos fundamentais como seres humanos e como trabalhadores contra as elites econômicas que querem dividi-los.

Exigimos que o Estado de Israel e o Partido Likud:

  • Interrompam imediatamente todos os ataques contra a população civil da Faixa de Gaza.
  • Renunciem a seus planos de expulsar a população árabe de Jerusalém Oriental.
  • Parem com a perseguição da população árabe em todo o seu território.

Exigimos da Autoridade Nacional Palestina e do Hamas:

  • Que parem todos os ataques à população civil de Israel.

E lembramos a todos aqueles que se sentem tentados a justificar os ataques do Hamas contra civis israelenses por causa de sua simpatia pela causa palestina que a crueldade dos Estados não é medida pelo número de vítimas civis causadas por seus exércitos. Uma única vítima inocente em Israel causada por um ataque dos islamitas do Hamas é tão ultrajante quanto uma vítima inocente em Gaza causada por um bombardeio do exército israelense. Nesta guerra, aquele que enterra mais civis não é o mais correto.

Abaixo a tirania dos Estados e das elites econômicas. Contra a guerra entre os povos pelos interesses políticos dos privilegiados. Abaixo a guerra entre irmãos e irmãs pelos interesses geopolíticos das potências capitalistas internacionais.

Porque só há uma guerra que vale a pena lutar: A GUERRA DE CLASSES!

Fonte: https://www.iwa-ait.org/node/954

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Nem tudo são flores
nos meses de primavera.
Voam marimbondos…

Leila Míccolis

Considerações libertárias acerca do conflito Israel-Palestina

Uma constante na história humana foi oprimidos dando a volta por cima e se tornando novos opressores.

 Por Antonio de Odilon Brito

Este pequeno artigo começou como uma resposta a um comentário num grupo de WhatsApp onde os integrantes são majoritariamente pessoas de esquerda, a propósito da discussão acerca do recente conflito que começou entre o Estado de Israel e o Hamas. No meu comentário original (que por sinal não cheguei a publicar no grupo, mas virou isto que vocês leem) eu respondia a uma pessoa que defendia a destruição do Estado de Israel.

Olha, eu também não acho que a resposta é dizimar o estado de Israel não. Pelo simples fato de em Israel existir uma classe trabalhadora que é a mesma classe trabalhadora em todos os lugares do planeta (o que muda é a língua, alguns costumes, religião — ou falta dela — etc). Uma eventual destruição do estado de Israel significa uma destruição dessa mesma classe trabalhadora. Na minha opinião a única solução para o Oriente Médio (Israel incluso) é a união dos trabalhadores palestinos, israelenses, turcos, sírios, jordanianos etc etc. Contra os capitalistas palestinos, israelenses, turcos, sírios, jordanianos etc, em prol de um projeto de autogestão (algo mais ou menos parecido com o que até um dia desses havia em Rojava, no norte da Síria — digo “havia” pois não sei como a coisa está hoje em dia), com igualdade e liberdade e livre desse câncer chamado nacionalismo, que na minha opinião só faz dividir a humanidade em grupinhos hostis uns aos outros.

Agora, no caso de Israel e Palestina, o que temos, infelizmente, é um governo extremamente racista de extrema-direita do lado de Israel (com aquela figura assombrosa chamada Benjamin Netanyahu no poder) que quer aniquilar a população árabe palestina, e do lado palestino a organização que governa uma boa parte da população palestina é o Hamas, um grupo também de extrema-direita racista antissemita, que não esconde que quer “afogar todos os judeus no mar mediterrâneo”. Aliás, um dos motivos pelos quais eu pessoalmente odeio o Hamas é que esses caras, com a ideologia reacionária deles, continuam queimando o filme de toda a religião muçulmana. E aí, aqui do lado de cá do globo a maioria das pessoas continua achando que o Islã é violência, misoginia, e toda essa coisa, o que não é verdade, pois essa é a interpretação do Alcorão de uma parte dos muçulmanos, mas não de todos. Aliás, eu mesmo conheço diversos muçulmanos que são pessoas de esquerda ou no mínimo progressistas, e eu pessoalmente acho que do ponto de vista das artes visuais e da música o Islã é uma religião muito bonita. Ou seja, me entristece muito quando eu vejo as pessoas comuns associando essa religião com grupos bárbaros como o ISIS, pois eu sei que existem outras interpretações que nada têm a ver com isso, e que inclusive defendem a igualdade entre mulheres e homens, dentre outras coisas muito positivas.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://passapalavra.info/2023/10/150238/

agência de notícias anarquistas-ana

abelha na flor
a brisa nas árvores
eu com teu sabor

Carlos Seabra

[Portugal] Dez mulheres com bandeiras negras estreiam em Faro peça inspirada na anarquista Louise Michel

Estreou ontem (7/10), com uma única representação, em Faro, a performance “Louise Michel”, uma criação da dupla Ana Borralho e João Galante desenvolvida em conjunto com os alunos finalistas de Licenciatura de Teatro da Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa.

Durante 75 minutos, ao som do piano, o palco foi ocupado por 10 mulheres, nuas, desfraldando bandeiras negras, numa evocação de Louise Michel e da Comuna de Paris, enquanto eram passados excertos do texto do autor argentino Diego Garcia “Deviam ter ficado em casa, seus anormais”, em que se questiona, através de palavras cruas, o fato de muitas pessoas não pensarem pelas suas próprias cabeças, mas pelas cabeças dos outros, fazendo-os desviar do seu próprio caminho.

Apesar de, por vezes, se sentir dificuldade de ligação entre o evoluir dos corpos no palco e o texto reproduzido na tela de fundo, noutros momentos essa relação torna-se mais patente, fazendo sobressair – e sublinhando – temas como a opressão, o feminismo, a autenticidade, a resistência ou a liberdade.

Para os criadores desta performance, que resultou num espetáculo agradável mas, ao mesmo tempo, desafiador e perturbador, ao nível do texto e do enquadramento sonoro e visual, pretendeu-se também realçar “o papel feminino na formação de movimentos políticos e sociais, desafiando a sua representação tradicional na esfera pública”.

No final, já sem música – que tinha estado presente em todo o espetáculo – as 10 mulheres entoaram a letra da canção dos Radiohead “Exit music (for a film)”, tema incluído no álbum OK Computer, que sublinha a necessidade de “acordarmos do sono” em que sobrevivemos para construirmos a nossa própria vida em liberdade.

Wake from your sleep / The drying of your tears / Today, we escape, we escape / Pack and get dressed / Before your father hears us / Before all hell breaks loose / Breathe, keep breathing / Don’t lose your nerve / Breathe, keep breathing / I can’t do this alone / Sing us a song / A song to keep us warm / There’s such a chill, such a chill / And you can laugh / A spineless laugh / We hope your rules and wisdom choke you /Now we are one in everlasting peace / We hope that you choke, that you choke / We hope that you choke, that you choke / We hope that you choke, that you choque

“Louise Michel” voltará a estar em cena, durante o mês de fevereiro [de 2024], em Lisboa, na Culturgest.

Fonte: https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2023/10/08/louise-michel-ontem-em-faro-no-teatro-das-figuras/

agência de notícias anarquistas-ana

Na noite em silêncio
o relógio presente
marca o passado

Eugénia Tabosa

Lucrar com pobre preso é marca do governo Lula (PT) desde sempre!

Comunicado Nacional da FOB

Com apoio milionário do Governo Lula, o novo presídio em Erechim (RS) será construído, mantido e operado por uma empresa privada. A concessão ocorreu nesta sexta, 6 de outubro, e é um marco para a privatização dos presídios brasileiros. Para o Governo Lula (PT) já é uma marca carimbada com sangue de seu governo.

Encarceramento em Massa

O Governo Lula conseguiu dobrar a população carcerária em seus dois primeiros mandatos, de 2003 a 2010. Foram de aproximadamente 250 mil presos para 500 mil presos. Grande parte deste aumento é por presos provisórios que sequer foram julgados.

A Lei Antidrogas (n.º 11.343) sancionada em 2006, foi uma das medidas responsáveis por este grande aumento até hoje. Em 2021, foi calculado que 1 a cada 3 presos brasileiros estavam na cadeia por causa desta lei.

Esta lei não ajudou em nada o povo trabalhador a lidar com os problemas que as drogas trazem. De lá para cá só aumentou as dependências, as violências e o encarceramento. Enquanto quem realmente lucra com tudo isto está tomando champanhe.

Isto tudo intensifica a crise do sistema penitenciário brasileiro usada como justificativa para a privatização. Os frutos da privatização podem ser vistos em diversos episódios violentos vindos da superlotação e precarização, como em 2017 no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) em Manaus.

2023: Novo mandato, velhas práticas.

O Vice-Presidente, Geraldo Alckmin, que já tem sangue nas mãos por Massacres como o de Pinheirinhos em 2012, assinou o Decreto n° 11.498, de 25 de abril de 2023, que favorece a privatização do sistema prisional brasileiro.

Por este decreto, os investidores privados que quiserem financiar as construções de presídios privados no Brasil terão benefícios na diminuição do imposto de renda. Além disso, governo federal terá de:

  • Pagar as dívidas das empresas privadas que assumirem a gestão de presídios públicos.
  • Garantir empréstimos bancários para as empresas privadas que investirem em presídios públicos.

Caso de Erechim

No dia 6 de outubro ocorreu o leilão da concessão para construção, manutenção e operação do futuro presídio privado do município de Erechim, Rio Grande do Sul. A empresa Soluções Serviços Terceirizados recebera 233 reais por cada vaga ocupada ou disponibilizada para um preso. Ou seja, quanto mais preso mais dinheiro no bolso da empresa. Isto em um contrato de 30 anos.

Completando a sinfonia infernal, o Governo Federal (PT) em parceria com o Governador Eduardo Leite (PSDB) promove um investimento de 150 milhões para este presídio privado.

Questão de Classe

Não podemos esquecer jamais que o sistema prisional brasileiro é seletivo e não promove justiça. A maioria dos presos são jovens negros e pobres que sequer foram julgados ou possuem crimes de menor potencial ofensivo.

Os que realmente mantêm a miséria e a dor do povo são os grandes empresários e governantes que sempre arrumam um jeito de lucrar bilhões enquanto os pobres se matam por migalhas.

Quer saber o que há dentro de cada governante? Olhe para as prisões. Pois lá a crueldade vive solta e é muitas vezes aplaudida. Infelizmente, o trabalhador que aplaude poderá ser vítima seguinte desta máquina de moer gente. Enquanto quem constrói e administra a máquina nunca será afetado por ela, nem conseguirá imaginar a dor de uma mãe, uma vó, que sofre a pena do lado de fora.

A FOB repudia a cumplicidade do Governo Lula e do Partido dos Trabalhadores com o projeto de privatização dos presídios.

Lutamos por um mundo sem celas, sem cárcere, sem prisões.

Partilhando toda riqueza e poder que se tem.

Este é nosso dever enquanto sindicalistas revolucionários.

lutafob.org

agência de notícias anarquistas-ana

fecho um livro
vou à janela
a noite é enorme

Carol Lebel

[Porto Alegre-RS] Programação de outubro no Esp(a)ço!

Confere a programação de outubro no Esp(a)ço!

Sábado, 7/10, às 17h – Além da Polícia: Grupo de estudos de práticas para um mundo sem polícia ou prisões

Sexta, 20/10, às 19h – Encontro de Masculinidades com exibição do documentário “O Silêncio dos Homens” – Dando continuidade ao primeiro encontro sobre masculinidades, o EspⒶço convida a todes para assistir o documentário o Silêncio dos Homens. Em seguida, teremos uma roda de conversa para discutir questões levantadas durante a exibição.

Sexta, 27/10, às 19h – Cine, Café & Anarquismo – mais uma edição do Cine, Café & Anarquia com exibição de um filme ainda a decidir, comidinhas veganas colaborativas e muito bate-papo e confraternização.

Sábado, 28/10, às 19h – Aniversário do Esp(a)ço – celebrando um ano de existência.

E a Apoio Mútuo, nossa loja grátis estará aberta nos seguintes horários:

Terças 10 e 24 de outubro, das 14h às 20h30

Sábados, 14 e 28 de outubro das 15h às 17h.

Atenção: você possui histórico ou denúncia por assédio, abuso ou violência e quer colar em alguma das atividades? Por favor, entre em contato conosco pelo nosso email ou redes sociais antes de comparecer. Não fazer isso é não se responsabilizar por suas ações e será solicitado que se retire.

agência de notícias anarquistas-ana

árvore morta
no galho seco
uma orquídea

Alexandre Brito

[Alemanha] Semana de Ação Global Contra Todas as Guerras e Exércitos | 17 a 25 de novembro de 2023

A necessidade urgente de uma ação global contra a guerra é evidente para todos nós. A escalada definitiva para uma guerra globalmente devastadora parece muito mais fácil de imaginar do que um futuro sem guerra. A destruição da terra parece estar mais próxima do que a libertação de todas as formas de dominação. É hora de nós, como anarquistas, nos levantarmos e nos organizarmos internacionalmente com um novo esforço contra todas as guerras e militares!

Nós, a ” Iniciativa Anarquista para uma Semana Global de Ação Contra Todas as Guerras e Exércitos “, reunimo-nos no encontro anarquista “Saint-Imier 2023” e decidimos estabelecer redes através das fronteiras nacionais e continentais. Decidimos convocar uma semana de ação, como um primeiro passo na perspectiva de uma coordenação anarquista antimilitarista mais ampla. Temos diferentes análises e ficaríamos felizes em discuti-las no futuro.

Compartilhamos um entendimento comum sobre a guerra e as forças armadas. Como anarquistas, somos também antimilitaristas e, portanto, estamos contra os exércitos, contra as empresas de armas, contra o nacionalismo e o capitalismo/neoliberalismo, bem como contra o patriarcado e o (neo)colonialismo. Mesmo que tal apelo tenha demorado a ser divulgado, queremos tornar visíveis as múltiplas lutas contra a guerra, o militarismo e a indústria bélica, que estão desenvolvendo-se em muitos lugares do mundo e podem reunir-se e ligar-se em momentos de ação conjunta.

Nossa chamada pode ser encurtada ou adicionada à sua…

…CONVOQUE DIAS GLOBAIS DE AÇÃO CONTRA O MILITARISMO E TODAS AS GUERRAS NA SUA CIDADE, de 17 a 25 de novembro de 2023.

A guerra causa sofrimento, miséria, morte e destruição, com consequências devastadoras na vida milhares de milhões de pessoas. A guerra afeta desproporcionalmente os já oprimidos, os explorados e os despossuídos. A guerra alimenta projetos autoritários e nacionalistas. A guerra reforça e reproduz o sistema patriarcal. A guerra acelera políticas colonialistas e racistas. A guerra é impulsionada, entre outras coisas, pelos lucros do complexo militar-industrial-tecnológico. A guerra retarda, bloqueia e destrói processos libertadores e revolucionários. A guerra dissolve as relações sociais, as relações de solidariedade e de amizade entre as pessoas. A guerra agrava a crise climática catastrófica e destrói os meios de subsistência dos seres humanos e de muitos outros seres vivos.

Esta é a dura realidade: redes intermináveis de empresas de armas e munições, vomitando implacavelmente a essência da agressão patriarcal por toda a Mãe Terra, para que alguns possam afirmar a sua supremacia, dentro de sistemas hierárquicos construídos à custa de muitos.

A necessidade urgente de agir globalmente contra a guerra e o militarismo nasce das condições violentas e destrutivas, muitas vezes causadas pela busca de mais lucros e poder por parte dos Estados europeus e de outros países, bem como das indústrias de armamento.

Sob o patriarcado, o poder acumula-se sempre onde o jogo da opressão e da exploração é controlado de forma mais implacável. Não é por acaso que os próprios Estados mais culpados da orgia silenciosa da exploração colonial e dos crimes genocidas são também aqueles que têm historicamente a mais longa tradição de produção em massa cada vez mais sofisticada de sistemas de armas e de desenvolvimento estratégico refinado. Com cenários de ameaças com uso intensivo de recursos, ataques concretos de aniquilação, a Fortaleza Europa ou o desgaste artificialmente prolongado das guerras convencionais, alimentada por combustíveis fósseis, mantém-nos presos num ciclo repetitivo de trauma, morte e destruição.

Além das inúmeras guerras travadas hoje em todo o mundo, há muitas regiões e sociedades devastadas onde as guerras terminaram oficialmente, mas a violência militarizada continua. Muitas guerras são apresentadas como “conflitos étnicos” e nunca foram oficialmente declaradas – tal como a guerra contra os refugiados e os imigrantes mais pobres. Dois mil milhões de pessoas vivem atualmente em zonas de conflito.

As estruturas de poder que existem em todo o mundo baseiam-se na existência de estruturas militares opressivas: os exércitos dos próprios Estados, exércitos mercenários privados, agências de inteligência, guardas de fronteira, forças policiais oficiais, organismos privados com funções policiais, como forças de segurança ou grupos de voluntários paraestatais, bem como o mecanismo político-administrativo necessário para manter todos eles. O que têm em comum é a sua capacidade normalizada e por vezes reconhecida burocraticamente para controlar, ferir e matar pessoas. A aceitação generalizada da violência militarista baseia-se em ideologias e formas de pensar que apresentam os crimes como um “mal necessário”. O seu objetivo é a reprodução garantida da exploração das pessoas e dos recursos naturais.

Apelamos aos indivíduos, grupos, coletivos, redes e organizações que partilham uma visão antimilitarista e internacionalista de resistência a todas as guerras e militarismos, para organizarem ações de 17 a 25 de novembro de 2023. Cada pessoa pode apoiar e difundir este apelo e organizar o que quer que seja, iniciativas que considerem mais apropriada a nível local. Até as menores ações são bem-vindas.

Através deste apelo, queremos aumentar a visibilidade das muitas lutas que se desenvolvem localmente contra a guerra, o militarismo e a indústria bélica, que estão ligadas a muitas outras lutas contra o patriarcado e o colonialismo.

Contra todas as guerras e o militarismo

Contra as indústrias de armas, o comércio de armas e os lucros derivados do militarismo

Contra o expansionismo (neo)colonial e a ocupação por meios militares

Contra a contínua desumanização, matança e genocídio de pessoas de cor e indígenas

Contra o patriarcado, a transfobia queer e a violência de gênero como prática de tortura e guerra

Contra a pilhagem dos recursos naturais e a destruição dos ecossistemas através da mineração incessante

Contra a exploração colonial, patriarcal e capitalista

Contra todas as fronteiras e a guerra contra refugiados e imigrantes

Contra o nacionalismo, contra todos os exércitos e estruturas militares organizados pelo Estado

Pela solidariedade internacional e transnacional

Apoiar as greves e lutas da classe trabalhadora contra a guerra

Por um ambiente que garanta a vida, a terra e o futuro para todas as gerações vindouras

Pela solidariedade com os desertores e sabotadores de todas as guerras

Pela liberdade de movimento para todos

Pela solidariedade com os oprimidos, os explorados e os desfavorecidos

Por um processo internacionalista, queer-feminista e revolucionário

Para que muitos grupos de descolonização antimilitaristas, antiautoritários e anarquistas se juntem a nós

Por um futuro para todos

DESMILITARIZAR O PLANETA

Iniciativa Anarquista para uma Semana Global de Ação Contra Todas as Guerras e Exércitos, 29-09-2023

Fonte: https://barrikade.info/article/6134

agência de notícias anarquistas-ana

Venta. Folhas correm.
Fico preocupado e penso
na volta pra casa.

Thiago Souza

[Espanha] Novidade editorial: “Criminología y anarquismo | Defensa social, excepcionalidad penal y lucha por la sociedad del porvenir en la España de entre siglos (XIX-XX)

Autor: Alejandro Forero Cuéllar | Prólogo: Iñaki Ribera Beiras

A ideia anarquista, propagada por meio do discurso, das publicações ou os feitos, se convertia no centro de atenção de juristas e criminólogos. A propaganda anarquista constituía assim um objeto claro de criminalização.

O livro se centra no estudo e contraposição de dois grupos de discursos: os criminológicos sobre o anarquismo, e aqueles do ideário anarquista a respeito da questão criminal. O texto realiza um percurso pelas bases filosófico-teóricas dos discursos criminológicos e da configuração de seu diagnóstico sobre o “problema” anarquista no contexto do “progressismo” do século dezenove. Estuda-se como essas teorias levaram à elaboração de propostas profiláticas que terminaram influenciando as leis “anti-anarquistas” e as práticas do sistema penal, legais e ilegais, na configuração do que hoje denominamos excepcionalismo penal na “luta antiterrorista”. Por último, com um estudo majoritariamente baseado na imprensa libertária da época, examina a recepção, discussão e respostas que se deram frente a essas teorias criminológicas, para, depois, discutir seu próprio diagnóstico sobre a questão criminal com um amplo olhar sobre a questão social.

Criminología y anarquismo | Defensa social, excepcionalidad penal y lucha por la sociedad del porvenir en la España de entre siglos (XIX-XX)

Páginas: 450

ISBN: 978-84-19160-06-5

27,00 €

www.bellaterra.coop/es

Tradução > Sol de Abril

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O gari folheia
o livro de poesias—
Voa passarinho!

Regina Ragazzi

[França] 14-15 de outubro de 2023 – Festival do Livro Libertário e da Edição Militante – FLLEM, em Bordeaux

Para comemorar o sexagésimo aniversário do Athénée Libertaire (Ateneu Libertário) e o vigésimo aniversário da Librairie du Muguet (Livraria do Muguet), o FLLEM – ou Festival do Livro Libertário e da Edição Militante – realizará sua primeira edição no Ateneu no fim de semana de 14 e 15 de outubro de 2023.

Uma dúzia de editoras e coletivos independentes serão convidados a apresentar seus livros, revistas e brochuras. O fim de semana inteiro será pontuado por reuniões e debates sobre temas que nos são caros. Nesta primeira edição, falaremos sobre parto, deserção, embriaguez, gentrificação e exploração no setor sem fins lucrativos.

>> O programa completo pode ser encontrado nesta página:

https://www.atheneelibertaire.net/la-fllem/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/09/03/franca-a-livraria-do-lirio-do-vale/

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Madrugada fria—
Um menino encolhido
sob uns jornais velhos.

Antônio Seixas

[Espanha] São adicionadas ao arquivo 129 fotografias de Julián Martín Cuesta, fotógrafo do movimento libertário durante a Transição

Hoje é um dia muito especial, pois podemos encerrar a primeira fase da entrada de 129 positivos digitais do fotógrafo Julián Martín Cuesta, que usou muitas de suas fotos para publicações libertárias como Tinta Negra, Bicicleta, Solidaridad Obrera ou CNT desde o final da década de 1970.

Gostaríamos de agradecer a Julián pela confiança que depositou na Fundação, não apenas para depositar em nossa fototeca essa importante coleção de positivos digitais ligados à história mais recente do movimento libertário, mas também para facilitar seu acesso e uso.

Essa importante contribuição para o acervo documental da FAL também coincide com o início da fase final do inventário das coleções fotográficas do Fundo Fotográfico Moderno da Fundação, trabalho que foi possível graças ao crowdfunding lançado pela FAL no final de 2021.

Gostaríamos de aproveitar esta oportunidade para agradecer a todos os nossos amigos da Fundação por seu apoio e confiança, que nos apoiaram doando diversos materiais e documentação interessante de forma recorrente. É também graças a eles e elas que nossas coleções de documentos estão crescendo.

fal.cnt.es

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Insetos que cantam…
Parece que as sombras se amam
nos cantos escuros.

Teruko Oda

[Alemanha] Cartaz | Cozinha para todos

A nutrição consciente vai além do seu próprio bem-estar físico. Queremos pensar sobre como os alimentos são produzidos, como organizamos a cozinha e como a partilhamos com os outros.

No mundo capitalista, estas questões são respondidas com a lógica de lucro, destruição do ambiente e exploração do trabalho feminino.

Temos que lutar contra isso e encontrar formas novas e livres de viver juntos!

É por isso que cozinhamos juntos, sem uma divisão de trabalho baseada no gênero. Procuramos utilizar alimentos sazonais, regionais e resgatados e oferecer as refeições gratuitamente.

A sociedade livre começa na cozinha!

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manhã de domingo —
nada tira da quietude
a voz do sabiá

José Marins

O anarquista exilado na Argentina que salvou 300 espanhóis dos nazistas

Ele convenceu a SS de que poderia organizar um grupo de trabalho com melhor desempenho, comendo melhor e trabalhando fora do campo de extermínio. Seu comando de prisioneiros quase não teve mortes em comparação com os outros. Ele é um herói desconhecido que reconstruiu sua vida como publicitário, roteirista, amante da música, livre-pensador e sempre antifascista. A surpreendente vida de César Orquin Serra.

Por Martín Appiolaza | 26/08/2023

Na Mendoza dos anos 60, César Orquín Serra era uma figura pública. Uma pessoa ligada à mídia, apaixonado por comunicação e cultura. Outro exilado espanhol do regime de Franco, ele sempre esteve em tensão com o autoritarismo. Ele podia ser encontrado na primeira fila em todos os concertos da Filarmônica, mas poucos conheciam sua história excepcional.

O prisioneiro César Orquín Serra conseguiu convencer os nazistas do campo de extermínio de Mauthausen de que era capaz de liderar um batalhão de trabalho externo mais eficiente em troca de melhor tratamento e alimentação. Enquanto milhares de pessoas morreram, quase todos os prisioneiros de seu grupo sobreviveram.

Sua história foi reconstruída e publicada por Guillem Llin Llopis e Carles Xavier Senso Vila em “César Orquín Serra: O anarquista que salvou 300 espanhóis em Mauthausen”. Trata-se de uma investigação exaustiva que fornece material documental e testemunhal inédito. Isso nos permite concluir que ele é o responsável direto por salvar a vida de mais de 300 republicanos espanhóis no campo de extermínio de Mauthausen, onde morreram de fome, doenças, assassinatos ou acidentes.

Hoje ele é reconhecido como um dos deportados mais importantes da Europa. Os testemunhos e a documentação coletados na Argentina, Alemanha, Áustria, França, Rússia e Espanha também nos permitem encerrar as controvérsias sobre seu papel de intermediário com os genocidas. Elas surgiram devido ao confronto entre anarquistas e comunistas após a queda do nazismo, mas foram rapidamente descartadas pelos testemunhos dos sobreviventes.

“Dois em cada três republicanos espanhóis pereceram no campo de concentração de Mauthausen. Mas no Kommando César, sob o comando de Orquín Serra, houve apenas de 12 a 14 mortos”, explicou o historiador Llopis, estimando que ele salvou mais de 300 pessoas com sua estratégia para obter melhores condições de vida.

O anarquista burguês

Orquín defendeu a República do levante militar apoiado por Hitler e Mussolini. A partir de 1937, ele fez parte da brigada Abraham Lincoln, composta principalmente por voluntários de língua inglesa. Ele era o único comissário político anarquista, o que provocou os primeiros confrontos com os comunistas que lideravam a brigada.

Após a derrota da República, ele fez parte do êxodo de meio milhão de exilados para a França em 1939. Cinco meses após o fim da Guerra Civil Espanhola, a Segunda Guerra Mundial começou como resultado do pacto entre Hitler e Stalin e da invasão da Polônia.

Serra passou algum tempo em quatro campos de deportados espanhóis, dormindo ao ar livre, o que lhe causou problemas pulmonares que acabaram por matá-lo aos 74 anos de idade. Ele se juntou aos grupos de trabalhadores estrangeiros para defender a França contra a invasão nazista. Foi capturado em junho de 1940 pelos alemães. Naquele ano, foi deportado junto com outros espanhóis para o campo de extermínio conhecido como Mauthausen.

Ele nunca parou de ler e estudar. Alguns o viam como diferente, arrogante. Quem estudaria no inferno? Ele tinha a cultura e os modos de um burguês. Seus companheiros eram todos camponeses e trabalhadores. Ele era membro de uma das mais importantes famílias aristocráticas valencianas do século passado. Seu pai não lhe deu o sobrenome, mas cuidou de seu bem-estar e de sua educação. César foi para a universidade, algo muito raro na Espanha de 90 anos atrás. Ele se movia em círculos elevados; seus meios-irmãos eram artistas muito famosos.

Devido à sua concepção progressista do mundo, que manteve pelo resto de sua vida, ele se juntou aos anarquistas na defesa da República.

Contra o autoritarismo

Seu status de libertário não foi bem aceito pelos comunistas, que travaram uma guerra separada contra os anarquistas dentro da República. Ele nunca concordou com o autoritarismo: nem com os fascistas, nem com os comunistas (na República, no campo de batalha ou no extermínio), nem com o peronismo quando se exilou na Argentina.

“Ele questionava tudo, tudo tinha que ser questionado e, quando havia um acordo, ele pedia para ser discutido a fim de encontrar uma solução melhor. Ele sempre buscava tirar o melhor proveito de cada ideia, de cada pessoa, de cada situação. Estava sempre estudando. Era extremamente inteligente, fluente em sete idiomas”, disse sua filha Mausi Orquín ao La Vanguardia.

Uma vez no campo de extermínio de Mauthausen, na Áustria, ele aproveitou seu treinamento cultural e de língua alemã. Tornou-se tradutor e convenceu os nazistas de que, com melhores condições de vida, os prisioneiros espanhóis poderiam produzir mais. Eles o tornaram um kapo, que era responsável por manter a disciplina nos campos de concentração e dirigir o trabalho forçado. Ele foi a ponte que possibilitou a salvação de vidas por meio da mediação com aqueles que ele havia combatido e que agora o estava torturando.

Vamos colocar as coisas no contexto. Dos 9.000 deportados republicanos que passaram pelos campos de concentração nazistas, 5.258 morreram, 90% no campo de concentração de Mauthausen, trabalhando sem parar e mal alimentados, especialmente no subcampo de Gusen. A maioria deles era jovem.

Nessas circunstâncias horríveis, César conseguiu convencer os oficiais da SS com estatísticas e gráficos de que, se tratassem melhor a ele e a seus companheiros, eles seriam mais eficientes. De acordo com seus biógrafos, ele demonstrou sua grande habilidade e inteligência nesse campo.

Um campo de extermínio não é um campo de flores

De tempos em tempos, eles eram transferidos para outros subcampos de extermínio ligados a Mauthausen, com diferentes níveis de sofrimento. No pior (Ternberg), o comando de César consistia em cerca de 360 a 400 prisioneiros. Nesse ponto, as disputas com os comunistas voltaram: eles haviam organizado uma resistência clandestina no internamento que contrariava a estratégia de Orkin de conseguir comida e melhor tratamento. Ele não cedeu. Por fim, acabou renunciando ao cargo de kapo.

Esses conflitos com os comunistas continuaram depois que a guerra terminou e os exércitos aliados os libertaram. Ele foi acusado de explorar e matar outros prisioneiros. Mas seus companheiros testemunharam em sua defesa. Orquín Serra e muitos dos prisioneiros de guerra sobreviventes responderam com fatos, testemunhando as acusações. Eles declararam que ele salvou suas vidas, que interveio para moderar a violência dos alemães. Que, sob seu comando, pouquíssimos prisioneiros haviam morrido.

Ele nunca foi acusado formalmente. Por outro lado, outros kapos foram condenados ou diretamente executados.

“O aparato comunista, apesar de seu grande valor, tentou afundá-lo, humilhá-lo. Para mim, foi por razões de concepção política e metodológica. Política porque sua ideologia estava acima de qualquer filiação ideológica ou partidária. Metodológica, porque ele sempre agiu da mesma forma: tinha de beneficiar os mais fracos para evitar que morressem. Não por causa de afinidades políticas, como frequentemente, ou quase sempre, acontecia com os comunistas”, explicou Guillem Llin Llopis ao La Vanguardia.

Exílio no exílio

Ele se casou com sua noiva na Áustria. Teve sua filha Mausi em 1947. Fundou a Organização dos Republicanos Espanhóis na Áustria. Trabalhou como professor de idiomas e também na embaixada argentina. Mas o assédio e a ameaça dos comunistas continuaram. Ele se exilou em nosso país.

Eles viajaram com passaportes diplomáticos com a família do cônsul argentino em Viena. Ele era José Ramón Virasoro, de Corrientes: um capitão aposentado e ajudante de campo de Perón que, sem experiência política, criou o Partido Peronista em sua província, tentou se candidatar a governador e foi recompensado com um consulado na Europa. Mais tarde, ele seria investigado por vender passaportes e fazer contrabando.

César, sua esposa e filha se estabeleceram primeiro em Buenos Aires, onde viveram com republicanos espanhóis exilados. Depois, em Mendoza, porque era mais seguro contra as ameaças dos comunistas espanhóis (especialmente de um secretário valenciano de origem cigana, de sobrenome Martínez). Eram tempos de Guerra Fria e o comunismo internacional havia se tornado um polo de poder político.

No horror do campo de extermínio, a comunicação e os livros lhe permitiram sobreviver. Foi sobre esses pilares que ele reconstruiu sua vida no exílio na Argentina. Ele era responsável pela imprensa na Biblioteca Pública General San Martín, em Mendoza.

Ele era visível e conhecido. Trabalhou em estações de rádio (Libertador, Nacional e Nihuil), como radialista, roteirista e dramaturgo sob o pseudônimo de Aldagón. Foi publicitário e, mais tarde, diretor artístico da Associação Filarmônica de Mendoza. Foi professor e fundou a Escuela de Propaganda y Publicidad.

Mas não renunciou à sua condição de espanhol e antifascista. Em 1955, participou da fundação da Agrupación Republicana Española de Mendoza, que assumiu o peronismo como uma ditadura e enfrentou os comunistas pró-soviéticos.

As voltas e reviravoltas da vida

Ele continuou na atividade social como um dos fundadores, em 1956, do Centro de Pesquisa e Prevenção da Paralisia Infantil (CIPPI), responsável pela vacinação diante do surto de poliomielite e da inação do governo.

Ele também foi membro da Câmara Júnior Internacional. Quando adulto, ingressou na Maçonaria: sua voz foi decisiva para impedir que Perón fosse admitido como maçom por causa de suas convicções autoritárias.

Durante esses anos, surgiram versões, coletadas por Llin e Senso, sem provas documentais, de que ele poderia ter colaborado com os caçadores de nazistas, especialmente com Simon Wiesenthal.

A pintora Mecha Anzorena trabalhou na agência de publicidade de César Aldagón (o pseudônimo tornou-se seu sobrenome com o passar dos anos): ela lembra que nos últimos tempos estabeleceu uma relação muito próxima com os irmãos Roitman.

“Para mim, ele foi um professor. Ele foi um comissário político na Guerra Civil Espanhola quando eu era um garoto de 13 anos e morava em Mendoza. Ele era um amigo. Ele tinha um ouvido absoluto e um conhecimento imenso de obras musicais. Todos os dias tomávamos café e ele me dava aulas de arte e política”, disse Moisés Roitman, de 97 anos, ao La Vanguardia.

A amizade com Moisés e seu irmão Abraham foi estreita na última década da vida de Orquín Serra. Paradoxalmente, os Roitman eram figuras importantes no comunismo de Mendoza: “Eu era secretário de Relações Internacionais do SARCU (Instituto de Relações Culturais Argentina – URSS) e, em 1956, visitei a União Soviética. Voltei muito crítico em relação ao comunismo e ao peronismo. Eu era amigo íntimo de Benito Marianetti, que conseguiu se refugiar em minha casa. Mas nunca fui membro. Meu irmão sim: ele é um dos fundadores da Credicoop”, lembrou Moisés.

Muitos anos depois, eles eram clientes e próximos de Orquín Serra, que tinha vindo para Mendoza em parte por causa da ameaça dos comunistas espanhóis. Moisés ficou surpreso: “Eu nunca soube disso, nem ele me contou. Mas quando fui visitar Mauthausen, fomos recebidos por um ex-prisioneiro espanhol que nos contou coisas maravilhosas sobre como César havia salvado centenas de pessoas.

César morreu em 14 de fevereiro de 1988. Até aquele dia, ele morava no bairro de Laprida, em Godoy Cruz. Ele nunca quis voltar para a Espanha. A Generalitat de Valência o homenageou em outubro de 2021 por ter salvado 300 vidas.

Fonte: https://www.perfil.com/noticias/textum/el-anarquista-exiliado-en-la-argentina-que-salvo-300-espanoles-de-los-nazis.phtml

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Por falta de pilha
o relógio parou
na eternidade.

Júlio Parreira

[Reino Unido] Feira do Livro Anarquista de Londres, uma das maiores feiras anárquicas do mundo, acontece neste sábado

A Feira do Livro Anarquista de Londres será realizada em 7 de outubro de 2023, das 11h às 17h, em seis locais diferentes. Serão mais de 70 stands presentes na feira desse ano. É quase um Natal anarquista!

Temos seis locais participantes, todos na mesma região do leste de Londres.

Você pode encontrar os stands (barracas) na Richmix, com várias vertentes de livros radicais e de diferentes coletivos (…).

Em frente à Richmix fica a Common Press, a primeira livraria conscientemente interseccional de Londres, que oferecerá workshops, incluindo um organizado por um coral libertário de Glasgow (Escócia) e outro sobre a criação de redes de apoio a pessoas trans.

Em seguida, em Brick Lane, a Freedom Bookshop e a Angel Alley sediarão a feira do zine, uma oportunidade de descobrir o fantástico e maravilhoso mundo dos quadrinhos e brochuras autopublicados.

Ao lado, na galeria Whitechapel, haverá uma série de workshops e discussões, incluindo Earth First, Alarm Phone e palestras com Selma James e a Cruz Negra Anarquista da Bielorrússia.

A apenas cinco minutos dali, o London Activist Resource Centre (LARC) e o Toynbee Community Centre também realizarão workshops sobre academias autônomas, solidariedade com a Palestina e justiça alimentar.

Por fim, haverá dois “depois”:

Às 20h, no Richmix, com punk, wierdo-pop, grunge e techno. Como atração principal, a famosa banda de rave-punk Killdren.

Depois, para aqueles que quiserem continuar a noite, com um pouco de sorte, a festa continuará em um squat…

Os endereços dos vários locais participantes podem ser encontrados aqui:

https://anarchistbookfair.london/locations/

O programa de atividades está aqui:

https://anarchistbookfair.london/workshops/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/09/28/reino-unido-festival-antiuniversidade-2023/

agência de notícias anarquistas-ana

Cachorro vadio
À sombra da quaresmeira
Dorme sobre flores

Tony Marques