[Argentina] Filme: “Simon Hijo Del Pueblo”

Documentário que conta a história do mítico anarquista Simon Radowitzky. A história começa a se desenrolar em 1º de maio de 1909, quando a polícia reprime uma grande marcha anarquista, deixando mortos e feridos. Alguns meses depois, a carruagem de Ramón Falcón, o chefe de polícia que comandou a repressão, explode e voa pelos ares. Um jovem ucraniano, Simon Radowitzky, é preso pelo ataque. O filme tenta desvendar quem foi Simón, qual é a sua história e qual é o legado familiar desse imigrante que se tornou uma figura-chave do anarquismo argentino.

>> Assista o filme (1:12:51) aqui:

https://archive.org/details/SimonHijoDelPueblo

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/06/05/simon-radowitzky-o-anarquista-que-metralhou-fascistas-na-batalha-da-praca-da-se/

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Ah, a sensualidade…
palmeiras se abraçando
cúmplices do vento.

Anibal Beça

[México] Revolta estudantil se intensifica após trágica morte de estudante em Guerrero

Chilpancingo, no coração da conturbada região de Guerrero, tem sido sacudida por ondas de revoltas e manifestações estudantis há vários dias.

O estopim para essa revolta popular foi a trágica morte de um estudante desarmado, morto a tiros por um policial em circunstâncias que levantam questões inquietantes.

O fato de o policial responsável estar atualmente foragido aumenta a indignação e exacerba as tensões em todo o país.

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mostro o passaporte
minha sombra espera
depois da fronteira

George Swede

[Chile] “Anarquizar o punk”

O Punk não nasceu como uma moda ou uma rebeldia sem causa, os jovens que na década de 70 começaram a questionar os tradicionais símbolos da sociedade burguesa, não pretendiam ser uma mera “alternativa pacífica” às dinâmicas do modo de produção capitalista e ao vertiginoso ritmo da sociedade do poder e do espetáculo. O Punk nasceu como uma contracultura posicionada em ofensiva contra a ordem social, que burlava das convenções e tradições da ponderada democracia ocidental. Não por nada grande parte da juventude Punk se vinculou inicialmente com a ideologia anarquista e com a negação de toda forma de autoridade e poder político, dando origem ao “Movimento Anarcopunk”. Dito ramo começa a ter presença no território dominado pelo Estado do $hile a partir de finais dos anos 90 e princípios dos 2000, desenvolvendo uma “cena” que buscará politizar o entorno contracultural da época, criando publicações escritas, fanzines, músicas contestatórias, envolvendo-se em protestos, em enfrentamentos com policiais e fascistas, participando de tomadas de colégios, de casas okupadas, de atividades de difusão libertária, de marchas do movimento estudantil e de coletivos anarquistas, fazendo do Punk uma ameaça real para os valores e princípios hegemônicos deste sistema.

Com os anos, a forte presença do Anarcopunk foi se perdendo e disseminando, tomando muitas vezes outros caminhos. É hora de voltar, os tempos mudam, mas o inimigo é o mesmo, a opressão do Estado, o cárcere e o Capital seguem perseguindo nossas vidas, buscando exterminar toda semente de rebeldia e iconoclastia contra esta sociedade de miséria e morte. Ante a perda de posicionamento político dentro do Punk, ante tanta moda de moicanos erguidos sem ideologia, ante a indiferença e o individualismo liberal, ante a expansão desse Punk “a-político” e conformista, diferentes coletivos e individualidades buscamos levantar este encontro Anarcopunk para sábado dia 13 de abril de 2024. “Anarquizar o punk” e arrecadar dinheiro para nossos companheiros presos será o objetivo da jornada, que será de todo o dia, com oficinas, apresentações, dança, atividades para crianças, editorias, exposições de fanzines, comida vegan, bebidas e bandas ao vivo. Parque Manuel Gutiérrez, el Valle con Vespucio, Lo Hermida.

ASSISTE / DIFUNDE / PROPAGA

SOMOS PUNKS CONTRA O ESTADO

NEM DEUS NEM PÁTRIA, VIVA A ANARQUIA

Tradução > Sol de Abril

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Névoa Matinal.
No passeio dos pássaros
Jogo de esconde-esconde

Sérgio Sanches

[Espanha] Lançamento: O pensamento militarista | Sobre as “guerras justas”, de Fernando Hernández Holgado

Prólogo de Carlos Taibo

Uma sagaz desmistificação das “guerras justas” que o pensamento militarista tem legitimado, uma história do mundo singular erguida sobre suas ruínas.

O militarismo tem invocado historicamente o conceito de “guerra justa” para legitimar e reforçar os conflitos bélicos. A guerra da Ucrânia ou a última ofensiva israelense contra Gaza são seus marcos mais recentes, embora, e há no mínimo mais de duas décadas, conflitos como o do Iêmen, Sudão do Sul, Síria, Líbia, e Iraque ou a própria Palestina não tem feito mais que confirmar o contexto contemporâneo da “guerra permanente” ou a “guerra civil global”. O pensamento militarista tem legitimado as guerras por uma “causa justa” a partir de dilemas morais absolutos com a intenção sobrepor “o justo” com “o razoável”. Mas, podem haver “guerras justas”? O que tem a ver a guerra com a justiça ou com a razão?

Frente a ascensão do militarismo, este livro propõe rastrear os diversos argumentos da “guerra justa” utilizados pelo Ocidente ao longo dos últimos séculos. Por detrás dos pretextos e pretextos morais de toda ação armada, o que se descobre é uma tradição guerreira vinculada estreitamente com práticas coloniais e patriarcais, no marco histórico do nascimento e consolidação dos Estados nação modernos. Não escapa desse olhar, uma OTAN que serve de “escudo militar do Ocidente” que, em seu momento, soube sobreviver a Guerra Fria graças ao discurso do “intervencionismo humanitário”. Como contrapeso, essa obra evoca, enfim, uma tradição bastante diferente: a genealogia de todas aquelas vozes críticas a qualquer chamado à guerra e a violência.

El pensamiento militarista | Sobre las ‘guerras justas’

Fernando Hernández Holgado

Prólogo de Carlos Taibo

ISBN 978-84-1352-900-4

Páginas 304

20,00 €

catarata.org

Tradução > 1984

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Perfume na janela:
Bate brisa em margarida
Lívida e singela.

Erika Megumi Takada

[Chile] El Sol Ácrata, n°2 (exemplar 58, quarta época), Março de 2024

Saudações, queridos companheiros e companheiras.

Enviamos a vocês uma nova edição do nosso jornal, El Sol Ácrata, em seu segundo número da quarta época, correspondente a março de 2024.

Esta edição é bastante especial, pois marca o 12º aniversário da fundação desta publicação no norte da região chilena, em março de 2012.

Compartilhamos com vocês o link para download e divulgação, e os convidamos a ler os artigos, resenhas e poemas desta edição.

>> Link para download:

https://elsolacrata.com/2024/03/08/el-sol-acrata-n2-ejemplar-58-cuarta-epoca-marzo-de-2024/

Que viva a anarquia.

Periódico Anarquista El Sol Ácrata.

Órgão da Federação Cultural Antiautoritária.

Região chilena.

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No espaço, um brilho
qual uma folha viva:
O grilo.

Edércio Fanasca

[Chile] Tribunal de Apelações decidirá a sentença final contra o companheiro Francisco Solar

Em dezembro de 2023, o judiciário condenou o companheiro Francisco Solar a 86 anos e a companheira Mónica Caballero a 12 anos, acusados de vários ataques com explosivos.

Depois de recorrer dessa sentença, em 27 de março de 2024, o Tribunal de Apelações de San Miguel decidirá a sentença final do companheiro Francisco. A condenação de Mônica não foi objeto de recurso.

Lute contra a prisão perpétua do companheiro anarquista Francisco Solar!

Solidariedade e cumplicidade com aqueles que desafiam os poderosos e repressores!

Fonte: Buskando La Kalle

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/12/22/chile-ante-a-sentenca-de-86-anos-ao-companheiro-anarquista-francisco-solar/

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o bambual se encantava
parecia alheio
uma pessoa

Guimarães Rosa

Memória | Elvira Boni e A Luta das Mulheres Anarquistas

Por Biblioteca Carlo Aldegheri

“No princípio, eu andava pela Liga Anticlerical junto com os meus irmãos. Aí eles começaram a fazer umas festas, com representações, e ia gente que eu não conhecia. Depois começaram as primeiras greves de que eu tenho conhecimento. No dia 1º de maio de 1919 – nessa época os trabalhadores já eram dirigidos pelos anarquistas – foi organizado um grande comício na Praça Mauá. Da Praça Mauá o povo veio andando até o Monroe pela Avenida Rio Branco, cantando o ‘Hino dos Trabalhadores’, ‘A Internacional’ e ‘Filhos do Povo’. Não tinha espaço para mais nada.

Naquela época não havia microfone, então havia quatro oradores falando ao mesmo tempo em pontos diferentes. Lembro-me de um que era gráfico, o Carlos Dias, e de outro da construção civil, o Domingo Passos. Depois desse comício, algumas moças resolveram criar o sindicato, e no dia 18 de maio de 1919, fundou-se a União das Costureiras, Chapeleiras e Classes Anexas. Éramos eu, a Elisa Gonçalves de Oliveira, a Aída Morais, a Isabel Peleteiro, a Noêmia Lopes. E aí a União começou logo a se exercitar. Era dirigida por uma comissão executiva, nos moldes anarquistas (…).

Na última semana do mês de abril de 1920, os trabalhadores de outros sindicatos resolveram fazer o 3º Congresso Operário Brasileiro. E convidaram a União das Costureiras para participar. Foi feita uma assembleia na União, e foram eleitas duas representantes: eu e a Noêmia Lopes. Eu era um pouco inibida nessa ocasião, não me achava com grande possibilidade de conversar, de dissertar sobre os assuntos. Sabia o que queria, mas não sabia me expressar. Mas presidi a última sessão do Congresso, quiseram que eu presidisse”.

Depoimento de Elvira Boni realizado em 1983. Na foto em destaque, ela presidindo a sessão de encerramento do 3º Congresso Operário Brasileiro (1920).

>> A Biblioteca Carlo Aldegheri é um centro de documentação e memória anarquista, fundado em 2012, em Guarujá-SP. Contato: nelca@riseup.net

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Correndo risco
a linha do corpo
ganha seu rosto

Alice Ruiz

PL 2253: Proibição das saídas temporárias dos encarcerados e a falência da esquerda eleitoral

Comunicado Nacional da FOB

Sempre há quem explore a angustia do povo através de soluções simplistas e mentirosas. Soluções que visam aumentar a miséria e a exploração da classe trabalhadora. As saídas temporárias das pessoas encarceradas, apelidada pela imprensa como “saidinha”, tornam-se palco para muitos políticos da ultradireita, que protagonizam um verdadeiro espetáculo como se fossem heróis da justiça, em nome de uma segurança pública que apenas oprime e leva insegurança paras as comunidades que sofrem com a violência policial.

Contudo, é uma justiça voltada para os interesses dos ricos e poderosos, empoderando as milicias e o banditismo que promove a violência em nossas favelas e comunidades. Esse cenário se desenha no processo de tramitação do Projeto de Lei (PL) 2253, recentemente aprovada no Senado Federal em 20 de fevereiro, com esmagadora maioria dos partidos, do Partido Liberal (PL) ao Partido dos Trabalhadores (PT), demonstrando a falência e a corrupção avançada da esquerda eleitoral. O Projeto de Lei ainda deverá ser apreciado pela igualmente conservadora Câmera dos Deputados e ir para sanção presencial.

O sistema de justiça criminal são componentes de um mecanismo racista de dominação. As prisões brasileiras expressam a profunda divisão de classe e raça que enfrentamos nas cidades, nos campos e nas florestas, um destino sustentado pelas classes dominantes para encarcerar os filhos e filhas do povo. É enganoso supor que o sistema prisional busca garantir a segurança da maioria, quando na realidade protege apenas os interesses dos ricos e poderosos.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://lutafob.org/pl-2253-proibicao-das-saidas-temporarias-dos-encarcerados-e-a-falencia-da-esquerda-eleitoral/

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tudo o que restou
dos sonhos dos guerreiros —
Capim de verão

Bashô

 

 

[Grécia] Atenas: Para destruir a loja de flores poliamorosas em 10/02/2024

Em Exarchia – há décadas, mas com intensidade particular nos últimos anos – uma guerra está sendo travada por parte do estado.

Um bairro habitado há muitos anos principalmente por proletários, imigrantes, ativistas femininas, estudantes e jovens, um bairro que sempre foi o “centro” de todos os tipos de movimentos radicais, há muito tempo faz parte de uma operação coordenada e centralmente planejada de mutação agressiva e violenta. O estado grego investiu muito para alcançar um duplo objetivo: por um lado, entregando ao capital – grande e pequeno – uma peça importante do centro metropolitano para investimentos lucrativos principalmente no campo imobiliário, turismo e na indústria do entretenimento que sempre conecta esse tipo de “desenvolvimento” e, por outro lado, o ataque total ao mundo e às estruturas do movimento que surgiram há décadas, enraizadas no bairro de Exarchia, com o objetivo de encerrar suas contas históricas com o inimigo interno no coração da cidade.

O planejamento do estado inclui a garantia da infraestrutura necessária (como o metrô), a regeneração de pontos-chave, mas também historicamente e politicamente carregados no bairro (por exemplo, o Politécnico, o Museu, a Praça, até o antigo morro de Strefi), bem como o desdobramento de poderosas forças repressivas de todas as espécies para garantir a disciplina e a segurança do desdobramento deste plano violento. É esse planejamento que está criando um terreno absolutamente fértil para o avanço de investimentos de todos os tipos e tamanhos – e os valores imobiliários em disparada que eles trazem – que estão mudando cada vez mais não apenas a imagem e o caráter do bairro, mas também a constituição e a estrutura de classe do mundo que o habita e se move nele.

A guerra que o estado e o Capital desencadearam em Exarchia é uma guerra com características de classe claras. Os pobres são deslocados, incapazes de custear a vida, e os ricos – estrangeiros e locais – ocupam o seu lugar.

Desta reestruturação violenta, alguns – senão modernos, liberais, empresários alternativos – decidiram, mesmo que façam uma escolha desinformada, também se beneficiar ao lado da grande lucratividade dos grandes investidores.

A luta multifacetada que já está sendo travada por muitas pessoas em Exarchia, contra a ocupação policial, o reordenamento, o metrô, os hotéis, tem em seu foco – na medida em que lhes pertence – todos esses negócios que visam os novos visitantes e moradores ricos do bairro.

Então, o que é esse “pequeno florista alternativo”? Não passa de uma loja cirílica com bebidas caras, voltada para toda maldita “alternativa” e faz parte da gentrificação violenta. Uma gentrificação que tenta transformar todo o bairro de Exarchia em um parque temático para turistas, hipsters e ricos, deslocando aqueles que não se encaixam nas casas com aluguéis inacessíveis, nas praças com chapas de metal e nos divertimentos hipster.

Ao mesmo tempo, esta loja em particular, além de vinhos caros, também vende “libertação sexual”. Uma “libertação sexual” que não se limita apenas aos confins de uma loja, mas constrói uma condição limitada de seu consumo exclusivamente como produto.

A demolição deste “multi-florista” em particular é uma pequena resposta aos planos que estão fazendo para o bairro de Exarchia, uma mensagem de que não nos expulsarão assim, que o centro de Atenas não está à venda. Uma mensagem que a mídia “alternativa” e estabelecida, os extremistas de direita (incluindo um ministro) juntamente com empresários modernos/liberais tentaram dissipar, apresentando esta loja específica como uma pequena floricultura de bairro dirigida por alguns sujeitos aflitos sem nenhum conteúdo político, tentando assim uma inversão absoluta da realidade. O empresário/proprietário alegre de “P” (que está até se preparando, ao que parece, para abrir um novo negócio a poucos metros de distância), o “residente de Exarchia” com conexões a todos os folhetos de lixo/guia de entretenimento que o anunciam sistematicamente, está muito consciente de que suas bebidas caras não se destinam àqueles que viveram e frequentaram Exarchia até agora. Ele está muito consciente de que lojas como a dele pressupõem a destruição da diversidade social do bairro, o aumento dos aluguéis, a conversão de casas em AirBnB e vice-versa.

Eles estão tentando derrubar (e reconstruir) os bairros do centro e mutar Exarchia para os padrões de Kolonaki ou outra Berlim. Para vasculhar a propaganda de seus folhetos na memória coletiva dos lugares onde vivemos, trabalhamos, nos encontramos, lutamos.

Não é coincidência que outro produto à venda em Exarchia seja seu caráter libertário radical, que eles procuram assimilar, às vezes como espetáculo ao vivo e às vezes como cartões-postais nas vitrines das lojas. No exato momento em que policiais armados estão a poucos metros de distância assediando e batendo, protegendo chefes e turistas, enquanto as pessoas que moram na área há anos enfrentam uma repressão violenta do estado por resistir à degradação de suas vidas.

Portanto, para aqueles que vislumbram uma Exarchia “pura” com vitrines “alternativas” caras, AirBnB e policiais, a resposta é dada pelas ações diárias daqueles que resistem. Esperamos que nossos atos sejam um pequeno sinal de resistência à luta multifacetada que está ocorrendo no bairro de Exarchia. Um bairro que defenderemos com a militância e a solidariedade que aprendemos em suas ruas.

Anarquistas

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1629262/

Tradução > Contrafatual

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/09/14/grecia-video-milhares-de-pessoas-participam-de-protesto-em-exarchia-contra-a-gentrificacao/

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Todos adormeceram
Só o canto da cigarra
Permanece na noite

Maria Renata F. Antunes

[Canadá] Feira do Livro Anarquista de Montreal, 2024 e mais além

Há mais de um quarto de século que a Feira do Livro Anarquista de Montreal se tornou uma referência de maio – o “mês da anarquia” – e do anarquismo nesta cidade. É quase difícil lembrarmo-nos de uma época anterior a este enorme encontro! E como coletivo, sentimos o peso das expectativas de que deveríamos avançar com uma feira de livros nesta primavera, quer isso pareça possível ou não.

No entanto, muita coisa mudou durante estes anos, não só em todo o mundo, mas também em Montreal e na feira do livro. E este ano tem sido particularmente doloroso, desde a pandemia que se arrasta, à crise da habitação, do fascismo que só piora, ao genocídio em Gaza, tudo isto a sobrecarregar as nossas capacidades coletivas e a partir os nossos corações.

Depois de muita deliberação, decidimos adiar a próxima Feira do Livro Anarquista de Montreal para maio de 2025 e, em vez disso, concentrarmo-nos em reimaginá-la e renová-la. Sabemos que isto pode desiludir, mas esperamos que compreendam a nossa (e talvez a vossa) necessidade de um pouco de fôlego e de algum tempo de reflexão.

Um brinde a um mês maior, melhor e mais bonito de anarquia e feira de livros em 2025!

Amor+solidariedade, o coletivo da Feira do Livro Anarquista de Montreal

salonanarchiste.ca

Tradução > Contrafatual

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/05/20/canada-a-feira-do-livro-anarquista-de-montreal-esta-de-volta-27-e-28-de-maio-de-2023/

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Araponga cativa
São gritos atravessando grades
Partindo vidros…

Suely Moraes

[Espanha] A FAL acolhe a exposição “Moldeadoras de la Idea: mujeres en la cultura impresa anarquista”

De forma paralela ao congresso Editoras e tradutoras mais além das fronteiras: “mujeres en la cultura impresa transnacional anarquista”  (mulheres na cultura impressa anarquista) (1890-1939), que acontecerá no Campus UC3M de Puerta de Toledo (Madrid) entre 19 e  21 de março, na sede madrilenha da FAL se poderá visitar a exposição “Moldeadoras de la idea: mujeres en la cultura impresa anarquista” (aberta à visitação desde 19 de março até 26 de abril).

Falamos de uma exposição, curada pelas investigadoras Lucía Campanella, María Migueláñez e Jordi Maíz, que compila materiais do arquivo da Fundação Anselmo Lorenzo e outros arquivos públicos e privados, vinculados com o papel das mulheres anarquistas na cultura impressa libertária prévia a 1939.

***

No marco do importante desenvolvimento acadêmico dos estudos anarquistas a nível global, surgiu um interesse renovado pela cultura impressa libertária (Madrid e Soriano 2012; Souza Cunha 2018; Yeoman 2022; Ferguson 2023), base sobre a qual se desenvolveu de maneira impensada o que é considerado como primeiro movimento político transnacional (Moya, 2009). A cultura impressa anarquista foi massiva e enciclopédica e, em seu afã por educar ao humilde, teve a capacidade de circular textos de diversas índoles: literários, científicos, técnicos e, claro, ideológicos, entre tantos outros. Com esta agitada atividade impressora e tradutora, os anarquistas e as anarquistas foram agentes pioneiros e muito ativos na transferência de saberes transnacionais. Participaram em redes de intercâmbio e produção de impressos que “globalizaram o anarquismo” (Prichard, 2022; Eitel 2022) nas últimas décadas do século XIX e nas primeiras do século XX.

Paralelamente, e apesar de que o papel que as mulheres jogaram no movimento anarquista tenha sido revisitado nos últimos cinquenta anos (Nash 1975; Rowbotham 1992; Enckell 2010; Pezzica 2013), há ainda muito território por ser explorado no que respeita à maneira na qual as mulheres anarquistas ou próximas ao movimento participaram nessa cultura impressa. O movimento anarquista abordou, desde seus primeiros escritos, temáticas ligadas à relação entre os sexos, à família e a sexualidade. Muitas editoras e tradutoras realizaram estas tarefas com o olhar posto em aprofundar a igualdade prática e teórica no interior e no exterior do movimento, reclamando para as mulheres uma mesma educação e oportunidades de participação, reivindicando uma idêntica paixão pela liberdade e apregoando que as mulheres possuem elas também condições e motivos para a luta contra o estado. Este ativismo impressor pode ser considerado “feminista”, com todas as discussões que acarreta a utilização do termo em contextos anarquistas (Barrancos 1990 e 1996).

O trabalho é tanto que editoras e/ou tradutoras de figuras femininas chave do anarquismo internacionalista como Louise Michel, Emma Goldman, Lucy Parsons, Soledad Gustavo ou Virginia Bolten assim o sugere. Permite intuir a importância dos vínculos entre mulheres, movimento anarquista e cultura impressa. Junto a elas, uma plêiade de mulheres anarquistas, ou próximas aos meios anarquistas, se destacaram nas tarefas de editar, imprimir e traduzir textos, libertários e não libertários.

A exposição que propomos pretende continuar recuperando o papel que coube às mulheres anarquistas na edição e tradução de textos, voltando àquelas mais conhecidas e tirando do esquecimento a muitas outras.

Lucía Campanella (Universitat Oberta de Catalunya) / María Migueláñez (Universidad Carlos III) / Jordi Maíz (Universitat de les Illes Balears)

FUNDAÇÂO ANSELMO LORENZO

fal.cnt.es

Tradução > Sol de Abril

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/08/14/espanha-uruguai-e-possivel-que-muitas-traducoes-anarquistas-tenham-sido-feitas-por-mulheres/

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Orquestra mágica
Balanço sussurrante das árvores
A maestria do vento.

Clície Pontes

[Colômbia] Comunicado do nosso primeiro Congresso

No último mês de janeiro, a Unión Libertaria Estudiantil y del Trabajo (ULET), afiliada a Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT-IWA), realizou seu primeiro Congresso nacional com a participação de sindicatos de Hulia, Cundinamarca, e dando as boas-vindas de companheiros e companheiras de Cauca.

O propósito fundamental de nosso Congresso foi abordar as necessidades dos territórios, das comunidades e dos estudantes pertencentes a classe trabalhadora em nossa região. Buscamos discutir e planificar ações concretas para recuperar os direitos que foram usurpados pelo capital, pelo Estado e as elites políticas e econômicas do país.

Além disso, o Congresso nos brindou com a oportunidade de reafirmar a importância da organização da classe trabalhadora frente a uma realidade hostil. Nesse contexto, destacamos que os princípios do anarcossindicalismo em nossa região, junto com o internacionalismo que nos caracteriza, são ferramentas fundamentais para os e as trabalhadoras. Destacamos a necessidade de fortalecer a unidade como meio para alcançar triunfos no âmbito trabalhista e estudantil, especialmente as novas medidas governamentais. É crucial adotar um olhar crítico frente a esses cenários.

Por outro lado, queremos destacar que nos sindicatos federados a ULET-AIT encontraram um espaço para combater o capital. Embora reconheçamos que não há um mundo externo ao capitalismo, existe um mundo aqui e agora que resiste a desaparecer em cada um de nós. Apostamos na economia solidária e na política pública cooperativista com o objetivo de potencializar a capacidade de produzir educação comunitária.

Nosso Congresso Nacional representa um passo firme para a consolidação da luta pelos direitos da classe trabalhadora e estudantil. Reafirmamos nosso compromisso com a resistência ativa e a construção de alternativas que promovem a justiça social e a dignidade para todos e todas.

Por uma ULET-AIT combativa e solidária!

Por um anarcossindicalismo latino-americano que cresça do tamanho de nossos sonhos.

Sempre nos imaginamos em comunidade, mas a comunidade só surge quando nos imaginamos em comunhão.

UNIÓN LIBERTARIA ESTUDIANTIL E DEL TRABAJO -AIT

uletsindical.org

Tradução > 1984

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Vento nas árvores
As bolhas de sabão
Foram com as folhas.

Estrela Ruiz Leminski

[Espanha] 200 anos bastam, fora polícia!

A polícia nacional está celebrando os duzentos anos da criação do corpo repressivo que se consideram herdeiros. Estão realizando atos de homenagem a si mesmos nas cidades e povoados.

No passado sábado, 13 de janeiro, realizaram em Burgos um ato na Avenida da Paz, acompanhados do exército, içando de novo uma grande bandeira da Espanha.

Esta homenagem coincide com o décimo aniversário dos protestos contra a especulação e a construção do Bulevar em Gamonal [bairro de Burgos], onde a polícia voltou a mostrar sua verdadeira função de proteção dos que tem o poder. Naquelas jornadas estes mercenários golpearam e reprimiram a todo um povoado em pé contra a especulação, deixando dezenas de detidos.

A assembleia surgida ao calor dos protestos de Gamonal impulsionou três reivindicações: paralização das obras, liberdade dos detidos e que a polícia fosse embora.

As pessoas de Burgos temos memória de a quem serve a polícia por muito que sigam dizendo em sua propaganda que estão a serviço do cidadão.

A função da polícia em qualquer sociedade é a proteção dos privilégios dos poderosos e o controle e a repressão das pessoas que estão abaixo na hierarquia social. A polícia são mercenários a serviço dos que tem o poder e representam o monopólio da violência do Estado.

Pela abolição do Estado e da polícia!

Por uma sociedade sem classes livre de qualquer opressão!

Fonte: https://diariodevurgos.com/dvwps/200-anos-bastan-fuera-policia.php

Tradução > Sol de Abril

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Luz crepuscular
Um último arco-íris
Na ponta do pinheiro

Teruko Oda

[EUA] A morte de Aaron Bushnell vai desencadear uma caça às bruxas do anarquismo?

O senador Tom Cotton exige que o Pentágono elimine o extremismo de esquerda.

Por Ken Klippenstein | 07/03/2024

A morte de Aaron Bushnell por auto-imolação em frente à embaixada israelita em Washington, no mês passado, provocou um exame de consciência a nível nacional sobre a guerra em Gaza. No entanto, para o governo dos Estados Unidos, a morte do aviador suscita um tipo diferente de busca: a dos chamados extremistas, em particular os de esquerda.

Na quarta-feira passada, o senador Tom Cotton, R-Ark, ex-oficial do Exército e membro da Comissão de Serviços Armados do Senado, enviou uma carta ao secretário da Defesa, Lloyd Austin, perguntando por que e como o Pentágono podia tolerar um aviador como Bushnell nas suas fileiras. Chamando a sua morte de “um ato de violência horrível” que foi “em apoio de um grupo terrorista [Hamas]”, Cotton prossegue perguntando sobre os esforços internos do Departamento de Defesa para combater o extremismo e se Bushnell foi alguma vez identificado como tendo opiniões ou comportamentos extremistas.

A agitação de Cotton para encontrar apoiantes do Hamas em uniforme distorce o ato político de Bushnell, que este afirmou ser de apoio ao povo palestino. Mas também vem na sequência de um pedido de longa data de outros membros do Congresso, como o Senador Chuck Grassley, R-Iowa – republicano com o lugar mais alto no Comité Judicial e antigo presidente pro tempore do Senado – para que as forças armadas adotem um tratamento semelhante para os esquerdistas.

Embora os estudos demonstrem que o apoio ao extremismo é semelhante ou mesmo inferior entre os veteranos do que na população em geral, o extremismo nas forças armadas tornou-se uma obsessão dos chefes de Washington desde 6 de janeiro. Pouco depois de ter tomado posse, o novo Secretário da Defesa, Austin, um general reformado do Exército, deu instruções às forças armadas para que realizassem um “stand down” para combater o extremismo nas fileiras, encomendando uma série de painéis e estudos para avaliar o nacionalismo branco e o apoio neonazi entre os militares.

Fora do Departamento de Defesa, o FBI é responsável pelo contra-terrorismo interno. Desde o início da guerra israelita em Gaza, em outubro passado, tem-se concentrado em qualquer repercussão externa nos Estados Unidos.

“Num ano em que a ameaça do terrorismo [estrangeiro] já era elevada, a guerra em curso no Oriente Médio elevou a ameaça de um ataque contra americanos dentro dos Estados Unidos a um nível completamente diferente”, disse o diretor do FBI, Christopher Wray, aos cadetes em West Point na segunda-feira. “Não podemos – e não descartamos – a possibilidade de que o Hamas ou outra organização terrorista estrangeira possa explorar o atual conflito para realizar ataques aqui, no nosso próprio solo”, disse Wray ao Congresso logo após o início da guerra de Gaza.

Será que a morte de Bushnell e a pressão do Congresso abrirão a porta à criação de uma ligação especulativa entre os apoiantes internos da Palestina e o trabalho anti-Hamas do gabinete orientado para o estrangeiro?

Embora o suicídio de Bushnell se destinasse a demonstrar a sua angústia pela situação dos civis palestinos em Gaza, ele também abraçou o anarquismo, ou pelo menos uma articulação atual do anarquismo que é uma rejeição geral da autoridade estabelecida. As publicações de Bushnell no Reddit e noutras plataformas de redes sociais antes da sua morte refletiam esta adesão ao anarquismo e ele escolheu o símbolo anarquista como imagem de perfil para a conta Twitch que utilizou para transmitir ao vivo a sua auto-imolação. A sua página no Facebook também seguia e curtia páginas de vários grupos anarquistas. O coletivo anarquista CrimethInc. também afirmou num blog que Bushnell tinha enviado um e-mail ao grupo pouco antes da sua morte.

Bushnell era também um ativista comunitário em San Antonio, Texas, onde estava alocado. A seção de San Antonio dos Socialistas Democráticos da América emitiu uma declaração expressando solidariedade para com Bushnell e mencionando o seu trabalho com eles na questão dos sem-teto. “Ele era um anarquista”, disse ao Intercept um membro do DSA de San Antonio que interagiu com Bushnell, pedindo que seu nome não fosse usado. “Ele tinha um bom faro para reconhecer estruturas e práticas de organização coercitivas / insalubres; e era muito intencional sobre suas relações com outras pessoas.”

Anarquismo e o FBI

Desde 2019, o FBI tem usado cinco “categorias de ameaças” para descrever o terrorismo doméstico: Extremismo Violento de Motivação Racial ou Étnica, Extremismo Violento Anti-Governo ou Anti-Autoridade (AGAAVE), Direitos dos Animais ou Extremismo Violento Ambiental, Extremismo Violento Relacionado ao Aborto e “Todas as Outras Ameaças de Terrorismo Doméstico”, que é definido como “promoção de agendas políticas e / ou sociais que não são exclusivamente definidas em uma das outras categorias de ameaças”.

A ameaça AGAAVE, segundo o FBI, “inclui anarquistas extremistas violentos, milícias extremistas violentas, cidadãos soberanos extremistas violentos e outros extremistas violentos”. Dados do FBI revelam que 31% de suas investigações estão relacionadas a AGAAVEs e 60% de todas as investigações incluem casos categorizados como AGAAVE e “distúrbios civis”. A maior parte desse foco, desde 6 de janeiro, tem sido nos grupos que participaram dos protestos no Capitólio e nos apoiadores de Donald Trump.

No entanto, nos bastidores, de acordo com o testemunho do Congresso relatado aqui pela primeira vez, o FBI mantém um programa especificamente para combater anarquistas, chamado Programa de Extremismo Anarquista. No depoimento ao Senado, o FBI afirma que aumentou sua mira nos anarquistas “extremistas violentos” em todo o país, usando fontes humanas e técnicas para espioná-los. Desde os protestos em todo o país após a morte de George Floyd em 2020, o bureau encarregou os escritórios de campo de recorrer a informantes confidenciais para desenvolver uma melhor inteligência sobre os anarquistas. Em 2021, o FBI mais do que dobrou seu número de casos de terrorismo doméstico; e Wray disse ao Congresso que as prisões do que o bureau chama de “anarquistas extremistas violentos” foram mais numerosas em 2020-2021 (os meses em torno de 6 de janeiro) do que nos três anos anteriores juntos.

Um comunicado interno do FBI sobre ameaças obtido pelo Intercept define  anarquistas extremistas violentos como indivíduos “que consideram o capitalismo e o governo centralizado desnecessários e opressivos” e “se opõem à globalização econômica; hierarquias políticas, econômicas e sociais baseadas em classe, religião, raça, gênero ou propriedade privada de capital; e formas externas de autoridade representadas pelo governo centralizado, pelos militares e pela aplicação da lei”.

Pela definição do FBI, pouco disso se aplica à articulação das opiniões políticas do próprio Bushnell, apesar do rótulo de anarquista. Mas o protesto do aviador cumpre a pressão de muitos republicanos e conservadores para que o FBI se concentre igualmente nos esquerdistas. Em uma audiência em 2021, Grassley pressionou por mais investigações sobre a esquerda, fazendo alusão ao programa de extremismo anarquista do FBI.

“O ex-procurador-geral Barr declarou que o FBI tem programas robustos para supremacia branca e extremismo de milícia, mas um programa de extremismo anarquista significativamente mais fraco”, disse Grassley a Wray. “Como você planeja tornar seu programa de extremismo anarquista de esquerda tão robusto quanto seu programa de supremacia branca e extremismo malicioso?”

Em uma coletiva de imprensa na última quinta-feira que discutiu os laços de Bushnell com o anarquismo, o Pentágono pareceu sugerir que sua morte poderia ser considerada um ato de extremismo.

“Uma análise da conta de Aaron Bushnell na mídia social indica que ele tem opiniões anarquistas bastante fortes”, perguntou um repórter. “De acordo com a definição de extremistas do Pentágono, ele se enquadraria nessa categoria?”

“Acho que é justo dizer que o suicídio por autoimolação é um ato extremo”, respondeu o secretário de imprensa do Pentágono, general Pat Ryder, prometendo uma “investigação completa”.

Fonte: https://theintercept.com/2024/03/07/aaron-bushnell-fbi-anarchism-extremist/

Tradução > Contrafatual

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agência de notícias anarquistas-ana

livro antigo
o bicho traça
o sonho dos sábios

Alexandre Brito

[Espanha] Arquivos, poder e anarquismo

Ao longo do tempo, a função social dos Arquivos, e da documentação que custodiam, foi variando conforme novos atores sociais foram se somando ao processo de ir deixando por escrito todo o acontecer de suas atividades cotidianas. Paradoxalmente, os anarquistas, que sempre se caracterizaram por seu amor à cultura e pela potência de seu tecido editorial e jornalístico, tiveram uma relação paradoxal com a documentação que historicamente custodiaram os Arquivos. O explicamos em seguida.

Qualquer pessoa que tenha conhecido, sequer tangencialmente, a documentação que entesoura um arquivo institucional situado na Espanha, advertirá que desde a Idade Média até nossos dias, a maior parte dos documentos que conserva, por exemplo, um arquivo municipal, dá conta das “façanhas” do poder político exercido pelas oligarquias; junto a ele, e ao menos desde a conhecida como “lei das três chaves”, a pragmática de 9 de junho de 1500 dada pelos Reis Católicos para que todos os concelhos guardassem seus documentos mais importantes em uma arca de triplo fechamento, os Arquivos institucionais guardaram de maneira sistemática toda aquela documentação, produzida pelo poder político das minorias, que dava fé dos direitos de uns poucos sobre o conjunto das classes populares.

Toda esta documentação gerada pelos poderosos, produzida com tintas e papeis de alta qualidade para a época, também foi conservada pelo poder como ouro em pano, resguardando-a das inclemências do tempo e favorecendo sua conservação em lugares de temperatura estável, sem problemas de umidade e acesso controlado. É precisamente isto o que explica que muitos ajuntamentos, distribuídos por toda Espanha, conservem nos dias de hoje documentação produzida nos séculos XIV, XV, XVI e posteriores.

Dito isto, é precisamente a natureza política de toda esta documentação, que resulta imprescindível para o bom funcionamento da engrenagem legal que facilita a reprodução dos diversos sistemas de desigualdade, a que pôs no ponto de mira dos anarquistas estes “papeis do poder”. Por isso mesmo, não é de estranhar que em muitas das insurreições e rebeliões anarquistas distribuídas por meio mundo desde finais do XIX, um dos primeiros objetivos de nossos companheiros e companheiras fosse incendiar os Arquivos institucionais, pois sabiam de boa lei que nestes centros de poder se custodiava a documentação que facilitava a dominação de classe das oligarquias que controlavam as molas do poder político.

No entanto, e desde o próprio nascimento do anarquismo organizado, só há que ver a prolixa produção de propaganda, imprensa e produção editorial, fosse em forma de folhetos ou livros, para advertir que o anarquismo se caracterizou sempre por dar um sentido emancipatório à cultura, outorgando a letra impressa um papel fundamental na divulgação de conteúdos cuja leitura favorece uma tomada de consciência política que é o ponto de partida do compromisso militante e, portanto, da transformação social.

Toda essa documentação produzida pelas pessoas humildes, as vinculadas ao movimento obreiro de inspiração ácrata, permaneceu, e permanece ainda, dispersa e fragmentada em inúmeros Arquivos: institucionais, privados, de organizações políticas e sindicais… Evidentemente, toda esta documentação, diferente da que falávamos anteriormente, dá conta das lutas contra o poder das classes subalternas, permitindo rastrear suas conquistas e fracassos, tirando o pó de histórias silenciadas e, em boa medida, permitindo aos historiadores e historiadoras reconstruir um relato histórico longe dos mitos que, ademais, outorga o protagonismo à maioria social, não às minorias que detiveram o poder ao longo dos séculos.

Dito tudo isto, na Fundação Anselmo Lorenzo somos conscientes da vital importância para a manutenção de nossas lutas, que tem a conservação da documentação que dá conta do devir histórico do movimento libertário espanhol; um movimento cuja singularidade, realizações históricas e influência social e cultural, resulta imprescindível para seguir alimentando as lutas sociais do presente e do futuro. Precisamente por isso, a FAL realiza um importante esforço econômico para manter a documentação que custodia em um depósito de conservação climatizado que, por um lado, mantêm a temperatura estável em um arco de entre 18 e 21 graus, e assegura um nível de umidade relativa ótimo para a conservação da documentação. E quando falamos de conservação, falamos, claro está, de uma conservação centenária. Porque sim o poder se preocupou de manter sua documentação bem cuidada durante séculos, por que o movimento libertário não vai poder conservar durante séculos a documentação que demonstra, precisamente, que a luta contra o poder foi possível, que o Comunismo Libertário foi possível, que a Ideia foi muito mais que isso, que se converteu em uma realização prática que pode seguir inspirando as lutas dos de baixo?

E nessas estamos… Sabendo que a memória é imprescindível para sustentar as lutas do futuro. Sabendo que sem Arquivos, não há história nem memória, e que a FAL, que é a fundação da CNT, está trabalhando duro desde décadas por tornar possível esta tarefa fundamental.

Juan Cruz López

Fonte: https://fal.cnt.es/wp-content/uploads/2023/06/BICEL-31.pdf

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

fim de tarde
depois do trovão
o silêncio é maior

Alice Ruiz

[Holanda] Semana da Juventude Anarquista

19 a 21 de abril, 2024

Anarchistisch Kampeerterrein (Aekingaweg 1a)

Appelscha, Holanda

Haverá outro fim de semana da juventude anarquista! O FJA acontecerá de sexta-feira, 19 de abril, a domingo, 21 de abril de 2024, no Acampamento Anarquista em Appelscha! Estamos ocupados com a programação e logística, e manteremos você informado se houver alguma atualização legal. Na nossa opinião, os jovens são qualquer pessoa com idade entre 15 e 25 anos.

Se você tiver uma ideia para o programa, ou se precisar de algo específico para participar, estamos disponíveis através do nosso e-mail: anarchojongerenweekend@protonmail.com ou através de mensagem privada no Instagram @anarchistischjongerenweekend.

Nos vemos lá!

Anarchistisch Kampeerterrein | Aekingaweg 1a | Appelscha

Tradução > fernanda k.

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agência de notícias anarquistas-ana

Pétalas de rosas
Entre as folhas do diário
Seca recordação

Teruo Tonooka