[Grécia] Komotini: Marcha de Memória Antifascista. Pavlos Fyssas Presente!

Marcha de memória antifascista pelo 10º aniversário do assassinato do antifascista Pavlos Fyssas pelos batalhões de assalto neonazistas do Aurora Dourada.

Segunda, 18/09, às 18h00, na antiga Faculdade de Direito.

Ataque ao Estado assassino. 

Ser uma bala na cabeça de todo racista. 

Pavlos Fyssas Presente!

Okupação Anarquista Utopia AD

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As nuvens do céu –
o céu do infinito
eu de nenhum lugar

Stefan Theodoru

[Grécia] Cartaz | 10 anos do assassinato do antifascista Pavlos Fyssas

10 ANOS DESDE O ASSASSINATO DO ANTIFASCISTA PAULOS FYSSA

pelos batalhões de assalto paraestatais fascistas do A.D. em Keratsini

ESTADO E CAPITAL CRIAM FASCISMO

desde os constantes crimes do Estado contra a população e a natureza, os milhares de refugiados e migrantes mortos nas fronteiras terrestres e aquáticas e o seu encarceramento em massa em campos de concentração, os assassinatos a sangue frio de ciganos pelos esquadrões de assalto da polícia da república e os constantes ataques repressivos contra a luta anarquista, as ocupações e as resistências sociais e de classe ao ressurgimento de gangues fascistas/neonazistas/assassinas no espaço público e à propaganda dominante, que promove o racismo, o nacionalismo, a intolerância e o canibalismo com o objetivo de fascistizar a sociedade.

ORGANIZANDO E LUTANDO PELA REVOLUÇÃO SOCIAL, ANARQUIA E COMUNISMO LIBERTÁRIO

Manifestação Antifascista – Antiestado – Antirepressiva

Segunda-feira, 18 de setembro

Atenas: Keratsini, Pavlou Fyssa 60, 17h30

Tessalônica: Kamara, 19h00

Organização Política Anarquista | Federação de Coletivos

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O lírio levanta
no meio da noite
seu copo de leite.

Luiz Bacellar

[Grécia] Dois dias de eventos antifascistas – Convocação à Marcha pelos dez anos desde o assassinato do antifascista Pavlos Fyssas.

No dia 18 de setembro, completar-se-ão 10 anos desde o assassinato do antifascista Pavlos Fyssas por um batalhão de assalto do Aurora Dourada em Keratsini.

10 anos depois, não esquecemos, não perdoamos, continuamos a lutar contra os descendentes dos Hitlers, os chamados cães anti-sistémicos da burguesia, os companheiros da polícia e dos paraestatais, os perpetradores dos ataques contra refugiados, mulheres imigrantes, trabalhadores, mulheres combatentes, indivíduos não heteronormativos ou transexuais e estruturas do movimento antagónico mais amplo, os assassinos do antifascista Pavlos Fyssas e do imigrante Shahjat Luqman. O antifascismo combativo deve ter uma memória revolucionária, por esta razão, como contribuição mínima, estamos a organizar um evento antifascista de dois dias com companheiros antifascistas da Itália, França e Espanha para partilhar os caminhos antifascistas das nossas lutas comuns, num período em que em todos os países ocidentais, do lado da crise capitalista estrutural, também temos o surgimento tanto do neoconservadorismo como de formações neofascistas. Ao mesmo tempo, apoiamos e participamos na Manifestação Antifascista de 18 de setembro.

14/09 às 19h00, ASOEE – Exibição de um documentário sobre o assassinato do companheiro antifascista italiano Dax em Milão em 16 de março de 2003 e uma discussão com companheiros de Milão sobre este período específico.

15/09 às 19h00, ASOEE – Evento sobre o surgimento de formações neofascistas modernas e do neoconservadorismo na Europa, com a participação de companheiros da Itália, França e Espanha.

18/09 apoiamos e participamos com um bloco antifascista-antiestatal na manifestação em Keratsini.

Antifascistas do centro e bairros de Atenas e Pireu

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esboço no céu
no mermar
da d’alva

Guimarães Rosa

Os Anarquistas na Argentina frente ao golpe de Estado no Chile. 11 de setembro de 1973.

Para a seguinte pesquisa e trabalho de arquivo decidimos investigar as diferentes posições anarquistas expressas na Argentina em torno do governo de Unidade Popular liderado por Salvador Allende, a resistência proletária, as projeções revolucionárias e o golpe de Estado de 11 de setembro de 1973. Todos os textos incluídos nesta obra foram originalmente escritos entre junho de 1971 e outubro de 1974, principalmente em Buenos Aires, juntamente com cartas enviadas do território chileno por alguns companheiros.

Esperamos que essa nova conexão com o passado seja mais uma contribuição para afiar a memória subversiva e fortalecer as ideias e ações contra o Estado e o capital. Entendendo que as fronteiras são apenas ilusões criadas para nossa divisão e para facilitar a repressão, e que os processos capitalistas atravessam, impõem e se conectam em diferentes territórios. Nossa resistência é transfronteiriça e nossa conspiração vai além das nações e de seus valores.

Pela anarquia, hoje e sempre.

>> Para ler/baixar, clique aqui:

https://expandiendolarevuelta.noblogs.org/files/2023/09/Lxs-anarquistas-frente-al-golpe-en-chile-comprimido.pdf

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Mosaico no muro.
O gato ensaiando o pulo.
Azuis borboletas.

Fanny Dupré

50 Anos do Golpe no Chile

Há 50 anos a classe dominante chilena, os partidos liberais, religiosos e conservadoras, as forças armadas chilenas, lideradas por Pinochet, deram um golpe de Estado apoiado pelo governo norte americano.

A social-democracia e sua ala legalista da Unidade Popular (allendistas do PS, Partido Comunista, Izquierda Cristiana, Partido Radical e parte do MAPU) se negaram armar o povo, acreditando no processo de avanço de reformas por dentro Estado chileno. O governo Allende baixou a lei de armas e desarmou os Cordões de Trabalho, organização de massa dos trabalhadores e trabalhadoras que estava disposta a resistir e avançar o socialismo no Chile por meio da insurreição e revolução social.

Mesmo o Movimento de Izquierda Revolucionaria (MIR) e alas do Partido Socialista de Chile (PS) e do Movimiento de Acción Popular Unitaria (MAPU) com toda sua posição correta, não conseguiram organizar forças militares para resistir as ações golpistas, ficaram dependentes das ações do Estado Chileno comandando pelas forças sociais-democratas legalistas lideradas por Salvador Allende.

O golpe foi construído dentro das Forças Armadas, sob liderança de Augusto Pinochet (Exército) e Gustavo Leigh (Aeronáutica), do empresariado Chileno liderado por Orlando Sáenz Rojas e por organizações de extrema direita como a Frente Patria Unida. Todos com apoio do Estado dos EUA, comandado por Nixon e Kissenger, e da ditadura Brasileira.

As forças sociais democratas acreditaram na legalidade burguesa para se manter no poder. Desarmaram o povo deixando-o à mercê da força repressora do Estado. Com isso permitiram o golpe. A ação final individual de Allende no palácio La Moneda não contava com o principal: o povo em armas para combater a classe dominante, evitar golpe e fazer a guerra civil, a insurreição popular e a revolução social.

lutafob.org

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o fogo partiu saciado
a floresta de luto
soluça

Eugénia Tabosa

Chamado internacional de solidariedade anarquista | Apoie anarquistas sudaneses no exílio

O exílio nunca é uma decisão fácil. Nunca é uma escolha. Sem recursos, pode se tornar um verdadeiro tormento. Solidariedade é a chave para superar estes tempos difíceis.

Nós entramos em contato com um grupo de anarquistas sudaneses em fevereiro de 2022, que estavam em meio a uma agitação revolucionária que vinha chacoalhando o país desde 2018. Apesar das barreiras linguísticas, aprendemos com eles como entender melhor esta revolução e os comitês de resistência que estão no seu cerne. Esse grupo, formado em sua maioria por estudantes jovens, foi inclusive imitado por um grupo anarquista no norte do país.

Como muitos países durante a Primavera Árabe de 2011, o Sudão mergulhou em uma guerra civil em abril deste ano. General Hemetti, comandante da milícia “Forças de Suporte Rápido”, formou uma rebelião contra o exercito nacional sudanês. As forças progressistas e revolucionárias do país se recusaram, de forma unânime, a apoiar um lado contra o outro e se encontraram entre essas duas facções militarizadas reacionárias. Cerca de 5000 pessoas morreram nesse conflito desnecessário. Dois milhões e meio de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas, das quais 500.000 fugiram do país. Saques e estupros estão aumentando e fazem parte do arsenal de armas de guerra utilizadas contra civis.

Nossas companheiras anarquistas ainda estão no Sudão e esperam conseguir dar continuidade às suas atividades de agitação clandestina. Nós garantimos apoio financeiro antes da guerra e também no início dela, mas a situação se tornou insustentável e não nos permite mais qualquer atividade política ou social. Alguns dos membros do grupo decidiram deixar o país o mais rápido possível depois de sua casa ter sido devastada pelo RSF. Outros decidiram ficar por enquanto e nós estamos tentando ajudar eles também.

Junto das companheiras que estão nessa parte no mundo, estamos trabalhando para garantir a todas as melhores condições possíveis de sobrevivência nesse contexto. Para aqueles que pretendem ficar, precisamos garantir as necessidades básicas e também a reserva financeira pro caso de uma fuga de emergência. Para aqueles em exílio agora, precisamos tirá-los do país, evitando tanto quanto for possível os perigos desse tipo de jornada só de ida e permitir que sigam militando junto das pessoas sudanesas exiladas e da classe explorada do país em que estão. Contudo, a região está extremamente instável (guerras civis, golpes de estado e outros regimes autoritários) e e no momento não é possível sair do país.

Pra fazer isso precisamos de dinheiro e o fundo de solidariedade das nossas organizações não é suficiente. Abaixo estão as despesas estimadas (em dólares estadounidenses):

vistos: $400

viagem: $800 (instável)

primeiro aluguel em outro país: $200

comida pra um mês em outro país: $300

custos pro tempo de espera no sudão: $1000

mínimo: $2700

Esse custo provisório é instável em um contexto econômico e de segurança que muda muito rápido. Cobre apenas os custos mínimos para um mês, mas a situação é tal que nossos companheiros não vão dar conta das suas necessidades em apenas um mês, provavelmente vamos precisar de muito mais dinheiro. Qualquer quantia doada vai ser usada para garantir as necessidades diárias dos companheiros até que consigam se manter.

As doações estão sendo recebidas pelos nossos companheiros da Suíça, que já tem uma estrutura para solidariedade internacional.

Não esqueça de mencionar “Solidarity Sudan” ao fazer a sua doação.

Envie sua doação para:

Association pour la Promotion de la Solidarité Internationale (APSI)

Place Chauderon 5

1003 Lausanne

Switzerland

IBAN: CH84 0900 0000 1469 7613 8

SWIFT/BIC: POFICHBEXXX

Nome do Banco: PostFinance SA; Mingerstrasse 20; 3030 Bern; Switzerland

cabanarquista.org

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longe noite escura
uma viola
amor murmura

Eugénia Tabosa

[Alemanha] Frankfurt am Main: Teslas incendiados

Na semana passada, o IAA [Salão Internacional do Automóvel] foi realizado em Munique. Mais uma vez, nessa feira de verão, todos os fabricantes puderam exibir seus carros novos e brilhantes e parabenizar-se por seus próprios sucessos econômicos, em suas salas de conferência, limusines e salões de exposição com ar-condicionado.

Ao mesmo tempo, esse verão ainda está queimando. Em Rhodes. Em Portugal. Na ilha de Maui [Havaí].

Ao mesmo tempo, as casas de muitas pessoas estão inundadas. Na Eslovênia e na Áustria.

A vida de muitas pessoas foi arruinada. Esses desastres mortais têm muitas causas. O IAA é uma pequena razão. Nós dizemos “desligue o sistema de destruição!

É por isso que, ontem à noite (12/09), incendiamos carros Tesla novos em Frankfurt am Main. Como uma saudação aos protestos em Munique. Como um dos muitos ataques à nefasta indústria automobilística.

A Tesla é um de nossos maiores inimigos. Essa empresa representa como nenhuma outra a ideologia do capitalismo verde e a busca pela destruição global e colonial. Os motores elétricos são continuamente apresentados como uma alternativa limpa. Isso é uma mentira cínica. Como outras empresas, a Tesla explora recursos naturais de todo o mundo. As matérias-primas necessárias para as baterias dos carros elétricos, como o lítio e o cobalto, são extraídas na América Latina e na África em condições repugnantes. Os combustíveis fósseis são usados no transporte e na produção, apesar da bela pintura verde.

Tudo isso está sempre ligado à opressão das comunidades indígenas, cuja resistência deveria ser um sinal para agirmos.

A Tesla aceita tudo isso para produzir carros que podem se espremer nos centros das cidades. Que mostram, todos os dias, que há riqueza lá fora. Mas não para todos. De acordo com a lógica dessa empresa, apenas algumas pessoas podem ter esses carros. Quem dirige ou pode dirigir esses carros é uma questão de classe.

Como forma de resistência, desta vez atacamos um estacionamento onde os carros da Tesla estão estacionados para venda. Os carros da Tesla de propriedade de pessoas físicas e fábricas também são atacados com frequência, como em Berlin-Grünheide. Todos esses são fatores importantes para prejudicar a empresa. Também do ponto de vista econômico, mas, acima de tudo, do ponto de vista político. Para mostrar que não concordamos com as mentiras verdes, o roubo de matérias-primas ou as cidades e estradas que pertencem apenas aos ricos. Acreditamos que a escória poluidora deve pagar caro!

A Tesla é uma das várias empresas de propriedade de Elon Musk. Suas fantasias patriarcais são aparentemente inesgotáveis. Ele é uma daquelas pessoas que querem dominar a internet, o espaço, as novas tecnologias e a inteligência artificial, como se suas fantasias de poder não tivessem limites.

A Space X, por exemplo, é uma empresa que quer obter os meios, foguetes e naves espaciais, para tornar o espaço um destino de férias para os mais ricos dos ricos, além de promover a ideia de um dia viver em Marte. A apropriação e a subjugação de territórios ao capitalismo continuam, agora em Marte. Uma distopia em si.

A empresa de neurotecnologia Neuralink pretende conectar cérebros humanos a máquinas. Por isso, eles estão fazendo experimentos com animais para descobrir como ler suas mentes. Em longo prazo, isso deve ser usado supostamente para curar doenças.

Mas, assim como a SpaceX e a Tesla, a Neuralink também aspira a uma perspectiva de longo prazo na qual as pessoas têm valores diferentes. Na qual algumas pessoas têm o direito a uma vida melhor, em meio à catástrofe ecológica que já está ocorrendo. A incorporação de determinadas ideias e pensamentos no desenvolvimento da IA [inteligência artificial] dá origem a uma tecnologia profundamente racista.

Alguns podem alegar que seus carros elétricos não são responsáveis pela destruição do ecossistema global, pela exploração e pelo deslocamento de outras pessoas. Alguns se dão o direito de não ver seu privilégio, baseado na destruição colonial e ecológica. Precisamos destruir essas ideias patriarcais e coloniais do futuro. Elas são inimigas de um mundo ecológico e de um modo de vida baseado na solidariedade.

Saudações a todos aqueles que estão fugindo ou na prisão!

Desligue – o sistema de destruição!

Fonte: https://de.indymedia.org/node/302963

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mostro o passaporte
minha sombra espera
depois da fronteira

George Swede

[Argentina] América Scarfó foi a paixão clandestina do anarquista Severino Di Giovanni e agora seu neto conta a história

Ele havia chegado à Argentina escapando do fascismo. A conheceu quando ela tinha 16 anos. Ele foi fuzilado. Ela nunca o esqueceu. Agora Ariel Wainer fala desse amor em “América”.

Por Diego Rojas | 25/07/2023

Como contar uma história de amor trágico na Argentina de fins da década de vinte do século passado que ao mesmo tempo se converteu em um arquétipo do amor passional? Porque assim pode ser definido o romance entre Severino de Giovanni e América Scarfó. Uma história que condensa paixão, política, violência, anarquia e clandestinidade nas primeiras décadas do século XX em Buenos Aires.

É uma história que Osvaldo Bayer já contou em sua grande biografia do militante anarquista Di Giovanni – subtitulada “El idealista de la violencia” – e que também foi ficcionalizada nos anos 90 como novela por María Luisa Magagnoli em “Un café muy dulce”, editada por Alfaguara. Esta obra contava com a aprovação e prólogo de uma anciã Scarfó que não esquecia seu passado de amour fou, como demandavam os surrealistas.

Luis Puenzo havia tentado levar o romance ao cinema a partir da biografia escrita por Bayer mas o projeto teve a oposição tanto do escritor como de América, talvez porque em busca de um filme mais edulcorado se permitia distanciar-se demasiado dos fatos da realidade e suplantar, segundo censurava América em uma carta aberta publicada na Página 12, o conceito do anarquismo por “os tiros e o sexo”. Hoje América, um novo livro sobre Scarfó escrito por Ariel Wainer e publicado por Marea Editorial aporta alguns novos dados à história e se centra no que aconteceu antes e que aconteceu depois desse episódio apaixonado na vida de Scarfó. Wainer é neto de América Scarfó, que faleceu em 2006, aos 93 anos.

O romance foi assim. Severino Di Giovanni havia chegado à Argentina escapando da repressão dos camisas negras do Duce Benito Mussolini, que expressavam a ascensão do fascismo na Itália e sua ordem armada. Grupos paramilitares atacavam os movimentos de luta dos setores laboriosos e dos referidos obreiros e da esquerda, na qual se inclui o anarquismo, cuja influência continuava orbitando nas classes populares. Em 1925, Di Giovanni se radicou definitivamente em Buenos Aires junto a sua esposa Teresa e uma filha (teriam três filhos no total).

Esse mesmo ano, um ato no Teatro Colón em homenagem ao rei Víctor Manuel de Saboya foi interrompido por gritos e panfletos que caiam desde as plateias mais altas denunciando o fascismo. Entre o grupo de agitadores se encontrava Severino Di Giovanni, que essa noite foi preso e qualificado pela polícia como “temível agitador anarquista”. Era seu debut.

Obreiro gráfico, também imprimiria sua própria publicação, Cúlmine, com a qual interviria nos debates do movimento anarquista (o setor mais conservador, em La Protesta; o mais combativo, em La Antorcha). Na revista La Antorcha escrevia Paulino Scarfó, que vivia junto à família paterna em uma casa de Floresta. Sua irmã menor era América, de 16 anos.

Com o tempo, o matrimônio de Severino e Teresa se converteria em uma formalidade. De qualquer modo, ante a necessidade de mudar-se, o fizeram juntos à casa do fundo dos Scarfó.

Ante a constatação de que a antiga companheira de Di Giovanni já não era tal, a chispa do romance entre Severino, de 25 anos, e América se acendeu. E foi fogo.

Assim o demonstram as cartas que lhe enviava Severino, nas quais lhe escrevia assim: “Tenho febre em todo o corpo. O contato contigo me inundou de todas as doçuras. Jamais como nestes longuíssimos dias tenho bebido aos goles os elixires da vida“.

Entretanto havia estouros às vezes de caráter mundial, como os protestos ante as condenações a morte nos Estados Unidos dos anarquistas Sacco e Vanzetti. O grupo de Di Giovanni, ao qual já se havia integrado Paulino Scarfó, pôs umas bombas na frente da embaixada norteamericana.

Di Giovanni era o inimigo público número um: a ameaça anarquista. Quando o militar Félix Uriburu derrubou Hipólito Yrigoyen, um de seus objetivos principais foi apanha-lo.

Enquanto, o amor de Severino e América era vivido na clandestinidade.

Aos 16 anos, Scarfó havia escrito uma carta a Emile Armand, o diretor da revista L’en Dehors, a mais lida dentro do anarquismo individualista. Ali expunha seus planos a respeito de seu amor com Di Giovanni, claro que sem expor seus nomes verdadeiros:

Meu caso, camarada, pertence à ordem amorosa. Sou uma jovem estudante que crê na vida nova. Creio que, graças a nossa livre ação, individual ou coletiva, poderemos chegar a um futuro de amor, de fraternidade e de igualdade. Desejo para todos o que desejo para mim: a liberdade de atuar, de amar, de pensar. Quer dizer, desejo a anarquia para toda a humanidade. Creio que para alcançá-la devemos fazer a revolução social. Mas também sou da opinião de que para chegar a essa revolução é necessário liberar-se de toda classe de preconceitos, convencionalismos, falsidades morais e códigos absurdos. E, em espera de que estoure a grande revolução, devemos cumprir essa obra em todas as ações de nossa existência. Para que essa revolução chegue, por outra parte, não há que contentar-se com esperar, mas que se faz necessária nossa ação cotidiana. Ali onde seja possível, devemos interpretar o ponto de vista anarquista e, consequentemente, humano.

No amor, por exemplo, não aguardaremos a revolução. E nos uniremos livremente, desprezando os preconceitos, as barreiras, as inumeráveis mentiras que nos opõem como obstáculos“.

O frenesi das atividades de financiamento (assaltos e roubos) e de propaganda armada de Di Giovanni crescia em ritmo e frequência. A polícia estava atras dele.

Finalmente foi detido. Logo Paulino, irmão de América. Ambos foram torturados. Julgados sumariamente, foram condenados ao paredão. Concederam à América ver seu amado. Assim descreveu como o encontrou. “Quando eu o vi Severino tinha as marcas claras da corda de estrangular; nos pulsos, sangue coagulado, as gengivas sangradas, o rosto com contusões. Com as pinças de madeira lhes haviam esmagado e tirado da língua e as haviam queimado com cigarros acesos. Durante o interrogatório lhes introduziram cigarros acesos nas cavidades nasais e nos ouvidos, lhes haviam retorcido os testículos, lhes fizeram incisões nas unhas, os golpearam. Tudo isto sob a direção do doutor Viñas, diretor da prisão“.

Puderam despedir-se. Brevemente.

Logo, Severino a um tempo e Paulino a outro foram fuzilados. “Viva a anarquia”, foram as últimas palavras dos dois homens.

Para América Scarfó começou o que seria sua segunda longa vida sem Severino. Uma vida que duraria muitas décadas, mas sem que o rastro daquela paixão fosse esquecido.

Infobae conversou com Ariel Wainer, neto de Scarfó e autor de América.

– Que aportes considera que faz seu livro à história de amor de sua avó e sobre sua avó mesma?

– Conto no livro a vida de América da qual se conhecem os dois anos de relação com Severino. Incluo a história prévia mais pormenorizada, inclusive a de seus pais e seus avós, e especialmente toda a história posterior aos fuzilamentos de Severino e de seu irmão Paulino. O livro de Bayer, que é uma grande obra e a fonte mais importante na qual todos bebem, não se escreveu mais além do momento dos fuzilamentos. Faz uma breve referência que se casou, teve filhos e fundou uma editora e aí terminou, digamos.

Como sou seu neto, tive a possibilidade de conhecê-la, mas mais que pelo conhecimento porque ela não falou comigo de sua história, mas pelas conversas com minha mãe, as conversas com uma amiga dela, materiais, gravações e outros documentos que me permitiram reconstruir sua história posterior aos fuzilamentos. Ela viveu 93 anos, ou seja, que são um montão de anos. Fundou a editorial America Lee junto a meu avô Domingo, antes havia sido secretária de Salvadora Onrubia, a companheira de Natalio Botana e por isso conheceu a redação do diário Crítica e pode relacionar-se com jornalistas e conhecer quem fora o defensor de Severino, que teve que se exilar no Paraguai por ter pedido que lhe comutasse a pena capital.

– América não contava sua história?

– Espontaneamente não falava de sua história anterior a conhecer meu avô. Não era uma história que circulasse na família. Tampouco minha mãe falava espontaneamente dessa parte da história. Houve muito silêncio, mas não somente no caso de minha avó, mas de seus irmãos. Faz pouco pelo livro tive contato com parentes que eu não conhecia e o irmão maior de América teve um exílio interno na cidade de Pergamino porque o despediram do trabalho por ter o sobrenome. Ele tinha proibido seus filhos, que se inteiraram bastante tardiamente desta história, falar dela porque lhe havia gerado um problema sério.

América (Fragmento)

Quem era Severino di Giovanni quando conheceu América?

Que percurso já tinha feito o trem de alta velocidade ao qual subiu minha avó quando se enamorou dele?

Di Giovanni nasceu em Villamagna, um pequeno povoado da província de Chieti, na região dos Abruzos, uma zona de montanhas à leste de Roma.

A vida com seus pais foi breve porque eles morreram jovens.

Na adolescência trabalhou como professor e aprendeu o ofício de tipógrafo. É provável que tenha tido seu primeiro contato com as ideias anarquistas através de seus companheiros do grêmio gráfico.

Sua prima, Teresa Masciulli, quatro anos maior, o visitava com regularidade. Em uma ocasião, uma tormenta lhe impediu de regressar a sua casa. O que ocorreu essa noite entre eles foi motivo de casamento.

Na Itália o ambiente foi se tumultuando. A crise econômica deixava muitos na miséria. Os que sonhavam com uma mudança, como Severino, a passavam mal. A Squadra d’Azione, o movimento paramilitar do fascismo, perseguia socialistas e anarquistas. A chegada de Mussolini ao poder terminou de empurrar Severino ao exílio.

Com Teresa viajaram ao Brasil e se instalaram em Santa Ana, no estado de São Paulo. Ali nasceu Laura, a primeira filha do matrimônio. Em pouco tempo regressaram à Itália e finalmente, em 1923, viajaram à Argentina, onde vivia um irmão de Teresa.

No começo, Severino se dedicou ao cultivo de flores que vendia no Mercado de Abastecimento. Um tempo depois, em uma pequena gráfica, conseguiu trabalho em seu ofício. Na realidade, o que mais lhe era urgente não era assegurar o sustento de sua família, mas poder retomar a luta contra o fascismo, ainda que fosse à distância.

Quem é Ariel Wainer

♦ Nasceu em 1966 em Buenos Aires.

♦ É doutor em Psicologia e psicanalista.

♦ É docente de graduação e pós-graduação em diferentes universidades (UBA, UCES, UAI).

♦ É um dos membros fundadores do Grupo Psicoanalítico David Maldavsky e de Giro Salud Mental.

♦ Publicou trabalhos em revistas especializadas e o livro Yo soy así. Teoría y clínica de las caracteropatías (2021).

♦ Sua mãe, Paulina Vanda Landolfi, foi a filha maior de América Scarfó.

Fonte: https://www.infobae.com/leamos/2023/07/26/america-scarfo-fue-la-pasion-clandestina-del-anarquista-severino-di-giovanni-y-ahora-su-nieto-cuenta-la-historia/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

os fantasmas de cogumelos
viraram tinta:
pés nus no frio

Rod Willmot

[Indonésia] Ajude os prisioneiros antiautoritários a publicar seus escritos!

Nós, Serikat Tahanan, somos uma associação de prisioneiros antiautoritários. Nós nos organizamos principalmente dentro, mas também fora, de onze prisões diferentes em toda a Indonésia, entrando em contato com outros ativistas antiautoritários condenados para defender e educar o público sobre as condições das prisões na Indonésia. Essa iniciativa, conduzida pelos atuais condenados, foi iniciada como uma forma simples de solidariedade entre nós – para alimentar a esperança – para que não nos sintamos excluídos ou saiamos da prisão como seres humanos mais prejudicados. Ao nos organizarmos na Serikat Tahanan, somos constantemente lembrados do motivo pelo qual começamos nossa luta. Nossa agenda de longo prazo é a abolição da prisão.

Temos escrito, ou pelo menos aprendido a escrever, nossas próprias experiências e pensamentos dentro da prisão. Queremos publicar esses escritos, mas, é claro, não temos dinheiro. O sistema prisional corrupto da Indonésia fornece rações alimentares inadequadas e força os prisioneiros a pagarem por elas. Durante todo esse tempo, temos vivido da solidariedade dos companheiros fora da prisão, pois é quase impossível trabalharmos. A falta de fundos e as condições da prisão repletas de subornos pioram nossas vidas e dificultam nosso projeto de redação. Usaremos os lucros das vendas do livro para executar o programa que foi determinado e executado pelos próprios prisioneiros. O livro que publicaremos consistirá em cerca de uma dúzia de textos escritos por prisioneiros e ex-prisioneiros condenados por incêndio criminoso, destruição de propriedade, incitação a motins e uso de drogas. Esse trabalho conterá críticas sociais à estrutura da Indonésia, reflexões de ação, sobrevivência na prisão e uma grande quantidade de lições úteis para o público e para os atores do movimento social. Também destinaremos uma parte dos livros publicados gratuitamente para coletivos e bibliotecas.

Portanto, pedimos aos ativistas antiautoritários internacionais, anarquistas, antifascistas e à rede abolicionista que se solidarizem com nossos esforços para publicar nossos escritos. Orçamos cerca de 5,5 milhões IDR (327 euros) para o custo de comunicação entre as prisões, ferramentas de escrita furtivas, edição, impressão e distribuição dos livros. Ajude-nos a publicar nossos escritos no sistema prisional corrupto da Indonésia e a apoiar as campanhas dos prisioneiros!

Essa arrecadação de fundos é apoiada pela Indonesian Anarchist Publishing Network (JPA) e pelo Abolitionist Collective (Japão). Esses escritos também serão traduzidos para o inglês e o japonês.

Aqui está o link da campanha de arrecadação de fundos: https://www.firefund.net/serikattahananwritings

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

manhã de sol
sombra do pardal no poste
primeira visita do dia

Alonso Alvarez

[Espanha] Convocatória para a Marcha ao Cárcere de Albolote de 2023

Como cada ano a CNT-AIT de Granada organizamos a marcha ao cárcere de Albolote para dar ânimo às pessoas privadas de liberdade pelo aparato punitivo do Estado e mostrar nosso rechaço a uma instituição cujo fim é aniquilar a dignidade e a individualidade das pessoas através da prisão e da disciplina.

A marcha está prevista para o dia 1º de outubro e terá como marco as mobilizações contra a cúpula de chefes de estado da União Europeia, que se celebra em Granada nos dias 5 e 6.

Cremos que é necessário seguir apontando a maior ferramenta de coação de que dispõem o Capital e o Estado para manter a exploração de nossos corpos e do espólio dos recursos naturais e da riqueza gerada entre todos.

Por este motivo convidamos a todos aqueles coletivos e individualidades que compartilham uma mesma sensibilidade com respeito à situação dos cárceres a somar-se à marcha e aqueles que queiram convocar ou participar de sua organização contatem com a CNT-AIT de Granada através do correio para nos organizarmos em setembro: granada@cntait.org

Não aos cárceres e à sociedade que os necessita.

Fonte: https://granada.cntait.org/content/convocatoria-para-la-marcha-la-c%C3%A1rcel-de-albolote-de-2023

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este papel de parede
ou ele se vai
ou eu me vou

Oscar Wilde

[França] Comunicado da Secretaria de Relações Internacionais da FA

EXIGIMOS A LIBERTAÇÃO DE NOSSO COMPANHEIRO ANARQUISTA AFCHINE BAYMANI EM GREVE DE FOME E DE TODOS OS PRISIONEIROS POLÍTICOS NO IRÃ

13 presos políticos, Hamza Sawari, Saman Saidi (Yasin), Zaratasht Ahmadiraghab, Luqman Aminpour, Saeed Masouri, Sepehr Imam Jama, Mohammad Shafi, Kamiyar Fakour , Ahmadreza Haeri, Reza Salmanzadeh, Jaafar Ebrahimi, Masoud Reza Ebrahiminejad e Afchine Baymani foram brutalmente transferidos da prisão de Evin para a prisão de Ghezel – Hessar, a fim de endurecer ainda mais as suas condições de detenção.

Nosso companheiro anarquista Afchine Baymani está preso há 23 anos por ajudar seu irmão a fugir da ditadura islâmica iraniana.

Transferidos sem os seus pertences pessoais, encerrados em duas pequenas celas em condições desumanas numa secção de alta segurança, sem água potável e sem água quente para se lavarem, sem possibilidade de cozinhar, sem cobertores para dormir, privados de telefone e de assistência médica, os 13 prisioneiros acabaram de iniciar uma greve de fome por tempo indeterminado para exigir o seu retorno à prisão de Evin.

Os iranianos e iranianas estão a utilizar a hashtag #13LivesAtRisk para chamar a atenção das associações de direitos humanos para a sua situação.

A Federação Anarquista apela à libertação dos 13 grevistas de fome e de todos os presos políticos no Irão.

10 de setembro de 2023. Relações Internacionais da Federação Anarquista

federation-anarchiste.org

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Grito da sineta
na última aula. Alegria.
Depois o silêncio.

Alexei Bueno

[Espanha] Lançamento: “Arde Babilonia: Música, subculturas y antifascismo en Gran Bretaña de 1958 a 2020”, de Rick Blackman

Prólogos de Óscar Sancho e Mariano Muniesa.

Quando calamidades como o racismo ou o fascismo avançam, devemos enfrentar. Devemos unir-nos e usar as ferramentas que nos permitam detê-los.

Este livro nos demonstra como a unidade e a música frearam, em vários momentos da história, o avanço do racismo e do fascismo. Tomemos nota e inspiremo-nos em quem nos precedeu para encarar a luta de nosso presente.

Arde Babilonia” nos mostra como por três ocasiões nos últimos sessenta anos os movimentos musicais jogaram um papel fundamental na hora de frear o auge dos partidos fascistas na Grã Bretanha: Stars Campaign for Interracial Friendship nos anos cinquenta; Rock Against Racism no final dos setenta; e Love Music Hate Racism nas duas primeiras décadas do século XXI.

Este livro é uma homenagem a esses três movimentos musicais e aos músicos, ativistas e subculturas juvenis que os tornaram possíveis; ademais, brinda uma análise profunda do auge dos movimentos fascistas modernos e as estratégias políticas necessárias para combatê-los.

Arde Babilonia: Música, subculturas y antifascismo en Gran Bretaña de 1958 a 2020

Rick Blackman

ISBN: 9788412563542

Formato: 14 cm ancho x 19,5 cm alto

Páginas: 330

PVP: 19,95 €

desacordeediciones.com

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não tenho país
nem casa nem riqueza
e como me sinto bem!

Rogério Martins

[México] Carta de Miguel Peralta ante a sentença de proteção interposta contra a condenação de 50 anos de prisão

Quando a justiça segue simulando que tem independência e atende os princípios de direitos, não é mais que a continuidade da expansão do poder de mando, que a todo custo pretende manter calada a voz dos que se organizam.

Recentemente nos notificaram de outro fato que se soma a essas simulações jurídicas e que reafirma a intromissão política da atual diretora da Secretaria da Mulher em Oaxaca, Elisa Zepeda Lagunas, que desde o uso e abuso de seu cargo público, pretende retroceder o caminho traçado dos presos e perseguidos de Eloxochitlán de Flores Magón.

A proteção promovida em agosto de 2022 por minha defesa, “Los Otros Abogadoz”, na qual se demostrava uma vez mais as reiteradas contradições e fabricação de provas dentro do expediente 02/2015 foi resolvido sem entrar a fundo do que se propõe.

Atendendo à simulação da justiça, os magistrados decidiram regressar o processo jurídico à etapa de apresentação de provas com a suposta finalidade de realizar acareação entre minha pessoa e os seis testemunhos instruídos, marionetes de Elisa Zepeda e seu pai Manuel Zepeda Cortes.

Isto implica em uma regressão de pelo menos sete anos do trajeto jurídico de meu processo e a insistência da privação de minha liberdade.

Não é demais recordar que uma dessas marionetes reconheceu que em 2014 não fez sua declaração ante o Ministério Público porque a levaram a assinar; outra marionete se amparou para não testemunhar nos interrogatórios; para conseguir que Manuel Zepeda e seu irmão se apresentaram, teve que se recorrer a que se realizassem na mesma data na qual iam ao Tribunal de Huautla para assinar por outra causa penal na qual estavam sendo processados; e finalmente Elisa Zepeda e as outras duas marionetes demoraram por mais de um ano para apresentar-se.

Com estes antecedentes, somados ao poder que atualmente ostenta Elisa Zepeda, é impossível falar de um julgamento justo em igualdade de condições, quando por quase nove anos, desde o conflito sociopolítico em Eloxochitlán de Flores Magón, a perseguição, os encarceramentos, a repressão e a intromissão de poderes aumentaram.

Ante o cenário indolente da fabricação de dois delitos que não cometi, a pretensão de manter a perseguição e devolver-me à prisão, lhes chamo novamente a fortalecer a solidariedade que mostraram pela exigência de uma firme liberdade de todos os presos e perseguidos de Eloxochitlán de Flores Magón, Oaxaca.

Acendamos nossa fúria até que todas e todos sejamos livres!

Nos queremos nas ruas!

Liberdade aos e as presas políticas!

Miguel Peralta Betanzos

#LibresYa

#AltoALaPersecuciónPolítica

Tradução > Sol de Abril

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/06/13/mexico-miguel-peralta-nao-desista-compa-resista-nos-aqui-fora-pensamos-em-voce/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/06/02/mexico-pronunciamento-nem-perseguidos-nem-condenados/

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na blusa velha,
muitas borboletas –
ele adora tocá-las…

Rosa Clement

[EUA] “Cop City” não será construída!

Em abril de 2021 surge o movimento descentralizado “STOP COP CITY” em resposta à construção do maior centro de treinamento policial dos Estados Unidos e em defesa dos bosques da cidade de Atlanta, no estado da Georgia. A frente está formada principalmente por companheiros anarquistas que se organizaram em 2020 durante as revoltas contra a brutalidade policial pelo assassinato de George Floyd. Os companheiros relatam que neste contexto, se pode falar pela primeira vez da abolição da polícia como uma proposta viável para romper o ciclo de violência que a pobreza e a militarização impõem nos territórios, no entanto, todas as tentativas para diminuir recursos às forças repressivas através de meios institucionais foram infrutíferas.

“Cop City” tem por objetivo a privatização e militarização das forças repressivas. Calcula-se que o investimento estimado para a construção deste centro é superior a 90,000,000 de USD [dólares], e que estará a cargo de diversas corporações privadas incluída Hollywood. O projeto consiste na construção de uma cidade simulada onde se realizarão treinamentos para operações especiais como revoltas e incêndios florestais. Devido à gravidade dos impactos ambientais e políticos deste centro, ambientalistas, ativistas, defensores de direitos humanos e membros do setor artístico e cultural se somaram às mobilizações.

Desde o início do movimento se realizaram diversas ações. Entre elas mais de 30 manifestações, ações diretas que implicaram tanto o confronto com as autoridades como a sabotagem à maquinaria de construção, a ocupação temporária de diversas zonas do bosque onde se realizaram festivais culturais e a criação de hortas comunitárias. Também se efetuaram investigações para localizar as moradias dos promotores e acionistas da “Cop City” e realizar manifestações fora de suas casas e escritórios operativos. (Cabe mencionar que este tipo de ação provocou a deserção de alguns deles).

O bosque de Atlanta se converteu em um ponto culminante de resistência. Depois de dois anos de conflito latente, a situação se intensificou. A partir do ano passado, a polícia começou a atribuir delitos por “terrorismo doméstico” contra quase todos os ativistas presos. Os advogados aderidos ao movimento também realizaram uma série de ações legais para frear o avanço deste projeto de morte, incluído um referendum eleitoral, muitos deles foram vítimas de perseguições por parte das autoridades, invasão a seus lares, detenções e acusações por fraude.

Uma das estratégias do movimento para a difusão de suas demandas e deter o avanço da repressão, foi aproximar-se dos meios massivos de comunicação ou os meios burgueses como eles os chamam. Isto foi um fator determinante pois, através das entrevistas que conseguiram nos meios suas reivindicações foram escutadas por todo o país e a nível internacional, isto também abriu a possibilidade de que a voz dos nativos americanos e dos anarquistas radicais tenhamos eco fora de nossas comunidades.

Em 18 de janeiro de 2023 agentes da polícia estatal da Georgia assassinaram Manuel Paez Terán conhecido como “Tortuguita”, companheiro eco-anarquista de origem venezuelana que fazia parte da comunidade em resistência assentada nos acampamentos do bosque em Atlanta. Este é o primeiro caso de um defensor ambiental assassinado na história recente dos Estados Unidos.

É provável que a implementação deste centro de operações seja um divisor de águas para sua replicação em países da América Latina e em outras partes do mundo e que muitos dos elementos policiais treinados aí prestem seus serviços em situações como “intervenções” efetuadas pelo governo dos Estados Unidos ou que brindem assessoramento às corporações policiais em outros territórios. Um exemplo disto, é a escola das Américas fundada em 1944 que funcionou como centro de treinamento especializado em doutrinas de contrainsurgência militar latinoamericana.

A importância deste movimento não só radica na defesa do bosque de Atlanta e toda a vida que o habita. Deter a construção de uma cidade polícia é deter o avanço da brutalidade policial contra as comunidades negras, latinas e das minorias que durante décadas foram vítimas da discriminação e da violência. Isto representa também a luta contínua pela defesa da vida e o direito dos povos do mundo a uma vida sem policiais nem militares nas ruas nem nos bairros nem nas comunidades nem em nenhum lugar da face da terra.

Tradução > Sol de Abril

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depois de horas
nenhum instante
como agora

Alexandre Brito

[França] Modi-Macron: A extrema direita é uma família

EM 14 DE JULHO DE 2023, O PRIMEIRO-MINISTRO INDIANO DE EXTREMA DIREITA, NARENDRA MODI, FOI O CONVIDADO DE HONRA NO DESFILE DO DIA DA BASTILHA, EM PARIS. O PRESIDENTE MACRON DESCREVEU MODI COMO “UM GRANDE AMIGO” E CONDECOROU-O COM A LEGIÃO DE HONRA DURANTE A SUA VISITA. NOVAMENTE, NESTE DOMINGO, 10 DE SETEMBRO, MACRON PUBLICA UMA FOTO DE UM ABRAÇO COM O CHEFE DO GOVERNO INDIANO ACOMPANHADA DO TEXTO: “O MUNDO É UMA FAMÍLIA”.
ALGUNS LEMBRETES:

  • Modi lidera a Índia desde 2014. Seu partido é o Bharatiya Janata Party (BJP), um movimento hindu ultranacionalista inspirado no fascismo europeu. Seus fundadores são admiradores de Mussolini e Hitler. O plano do BJP é tornar a Índia um território “puramente” hindu, sem minorias.
  • Em 2002, Modi estava à frente da província de Gujarat. Ele acusou os muçulmanos de serem responsáveis por um desastre ferroviário, o que provocou pogroms antimuçulmanos que deixaram mais de 2.000 pessoas mortas.
  • Desde que ele assumiu o cargo em 2014, os linchamentos de muçulmanos têm se tornado cada vez mais frequentes. O BJP apela regularmente para a violência contra os muçulmanos nas redes sociais. Recentemente, um vídeo causou um escândalo nas redes, mostrando uma professora hindu pedindo a seus alunos que batessem em seus colegas muçulmanos.
  • No estado de Assam, Modi está construindo um acampamento para abrigar “migrantes ilegais” que foram destituídos de sua cidadania indiana por suspeita de terem vindo de Bangladesh. Em 2019, a Suprema Corte da Índia publicou uma lista de 1,9 milhão de pessoas abruptamente privadas de sua nacionalidade e de todos os seus direitos.
  • Partidos de direita e de extrema direita na Europa, incluindo o flamengo Vlaams Belang, fizeram recentemente viagens de estudo à Índia.
  • No plano social, Modi está implementando uma política neoliberal que é hostil aos direitos dos trabalhadores. Os sindicalistas estão sendo severamente reprimidos, e os contrapoderes estão sendo atacados. O primeiro-ministro indiano desmantelou leis que protegem os trabalhadores, o meio ambiente e as comunidades marginalizadas.
  • Este ano, o governo indiano alterou uma lei que protegia as árvores, facilitando o desmatamento. Um quarto das florestas da Índia está ameaçado.
  • A repressão e a violência do Estado contra a sociedade civil, jornalistas, advogados e sindicalistas continuaram a crescer. A Anistia Internacional teve até mesmo que deixar o país.
  • A Índia ocupa a 160ª posição entre 180 países no Índice Mundial de Liberdade de Imprensa de 2023.

A humanidade pode ser uma grande família. Mas a amizade exagerada entre Macron e Modi mostra, acima de tudo, que a extrema direita em todos os países sabe como reconhecer os seus e colaborar. Perseguição islamofóbica, autoritarismo, violência social e destruição da natureza: tudo para agradar o governo francês.

Fonte: https://contre-attaque.net/2023/09/10/modi-macron-lextreme-droite-est-une-seule-famille/

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Na poça d’água
o gato lambe
a gota de lua.

Yeda Prates Bernis

[Áustria] Feira do Livro Anarquista de Viena acontece neste final de semana

A Feira do Livro Anarquista de Viena acontecerá neste final de semana, 15, 16 e 17 de setembro.

Queremos criar um espaço para nos reunirmos, lermos e discutirmos. Além das bancas de livros, haverá palestras, cozinha para todos e concertos – portanto, compareçam!

Se quiser entrar em contato conosco, escreva-nos um e-mail para a-bookfair-vienna@riseup.net. Portanto, traga seus companheiros e amigos, leia e discuta conosco – estamos ansiosos por isso!

>> Mais informações: http://abuchmesse.noblogs.org.

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patins no gelo –
riscos que se cruzam
como novelo

Carlos Seabra