[França] Enquanto o planeta queima, a demanda por petróleo continua aumentando

As mudanças climáticas estão atingindo o Irã duramente. Nesse país em grande parte desértico ou semidesértico, com seu clima continental, quente no verão e frio no inverno, mudanças radicais estão afetando o próprio funcionamento da sociedade. No início de agosto, as temperaturas ultrapassaram 50°C. Pela primeira vez, um país inteiro parou suas atividades por causa da onda de calor extremo: escolas, escritórios do governo e bancos foram fechados em 3 de agosto. No ano passado, as usinas de energia já haviam sido fechadas, também devido à infraestrutura defeituosa. Este ano, cortes de energia e água foram registrados em Teerã e em outras cidades desde junho.

O Marrocos também bateu um recorde de calor: a estação meteorológica de Agadir registrou uma temperatura máxima de 50,4°C na sexta-feira, 11 de agosto. Essa temperatura está entre 5 e 13 graus acima do normal para o mês.

No Canadá, os incêndios florestais deste verão emitiram o equivalente a mais de um bilhão de toneladas de CO2. Isso é mais de três vezes as emissões anuais de um grande país industrializado como a França, ou o equivalente às emissões anuais do Japão, o quinto maior poluidor do mundo. Os enormes incêndios que estão devorando as florestas do extremo norte, na Sibéria e no Canadá, estão destruindo árvores que capturam CO2 e, em troca, liberam quantidades fenomenais de gases de efeito estufa. Um círculo vicioso.

No Havaí, o gigantesco incêndio que devastou a ilha de Maui está tendo consequências imensuráveis. Pelo menos 99 mortes já foram registradas em Lahaina, embora as equipes de cães tenham inspecionado apenas parte da área de busca. Cerca de 1.000 pessoas estão desaparecidas, mais de 2.200 edifícios foram destruídos e milhares de pessoas estão desabrigadas. As chamas destruíram mais de 880 hectares. O custo da reconstrução de Lahaina é estimado em 5,5 bilhões de dólares.

Na mesma semana, ficamos sabendo que a demanda por petróleo estava prestes a bater um recorde histórico. Espera-se que ela atinja “102,2 milhões de barris por dia” em 2023, de acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), o “nível mais alto já registrado”. Espera-se que a TotalEnergies, a Shell, a BP, a Chevron, a ExxonMobil e a Aramco obtenham lucros de US$ 340 bilhões até 2023. Mas, mesmo do ponto de vista puramente contábil e econômico, as escolhas atuais são suicidas: os danos causados pelo caos climático custarão infinitamente mais do que os lucros obtidos por um punhado de empresas ultra-ricas com a exploração do petróleo.

Fonte: https://contre-attaque.net/2023/08/15/pendant-que-la-planete-brule-la-demande-en-petrole-continue-daugmenter/

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agência de notícias anarquistas-ana

Caminha a folha
morta,
pálio sobre formigas.

Yeda Prates Bernis

[Itália] Comunicado sobre os eventos de 8 de agosto de 2023

O grupo anarquista Germinal de Carrara, membro da Federazione Anarchica Italiana (Federação Anarquista Italiana), condena amargamente as forças do Estado que recaíram sobre um número de pessoas em Carrara definidas como anarquistas insurrecionais, que foram investigadas, revistadas e presas sob a pesada e improvável acusação de terrorismo. Como pode ser deduzido pela imprensa, que já alimentou a figura do anarquista conspirador com a besta do medo coletivo e irracional, essas pessoas parecem ser culpadas, em essência, do crime de impressão clandestina. Um crime criado ad hoc por uma lei fascista aprovada imediatamente após o assassinato de Matteotti (1924) para silenciar os opositores.

Atualmente, está prevista uma multa que varia de 100 a 600 euros para esse crime. Surge a dúvida, que parece destinada a se transformar rapidamente em certeza, de que um ataque estatal está em andamento contra movimentos antagônicos, sindicatos conflitantes, pensamento divergente e libertário, de modo que eles sejam identificados como um perigo social ao extremo da organização criminosa. A confirmação disso vem na frente política com as recentes declarações de um representante da região do Lácio sobre o massacre de Bolonha e seus autores, um exemplo de revisionismo histórico endossado por associações e organizações que orbitam em torno da Fratelli d’Italia, principalmente a Casa Pound [organização de extrema direita].

Estamos diante de um ataque repressivo à liberdade de pensamento, implementado com medidas com as quais o novo governo, herdeiro dos camisa pretas, pela enésima vez se revela em um clima de caça às bruxas que repropõe a estratégia usual de terror, na qual o anarquista se torna imediatamente o monstro a ser eliminado.

Nós, anarquistas, condenamos a violência como instrumento de emancipação, assim como condenamos essa sociedade baseada no dinheiro e na exploração do homem e do meio ambiente, assim como condenamos todas as guerras travadas pelo interesse de poucos, mas onde muitos morrem.

Grupo Anarquista Germinal FAI Carrara

Tradução > Liberto

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o rio ao lado da estrada
corre
ri à gargalhada

Eugénia Tabosa

[Reino Unido] “Artista, iconoclasta, anarquista, punk, hippie”: morreu Jamie Reid, ilustrador das capas dos discos dos Sex Pistols

O artista britânico Jamie Reid, que desenhou as capas dos discos do grupo punk Sex Pistols, incluindo o icónico “God Save The Queen”, de 1977, morreu na terça-feira (08/08) aos 76 anos, anunciou o seu galerista esta quarta-feira (09/08).

Além desta conhecida capa em que uma foto da rainha Isabel II aparece com uma bandeira britânica ao fundo, Reid também foi autor das capas de “Never Mind the Bollocks” (1977) e de “Anarchy in The UK”. Todas se destacaram pela sua estética original.

“Anunciamos com tristeza o falecimento de Jamie MacGregor Reid (16 de janeiro de 1947 – 8 de agosto de 2023)”, informou, em nota, o galerista John Marchant.

“Artista, iconoclasta, anarquista, punk, hippie, rebelde e romântico. Jamie deixa uma filha, que amava muito, Rowan, uma neta, Rose, e um imenso legado”, acrescentou no comunicado, sem dar detalhes sobre as causas da morte.

Reid “fazia parte da paisagem cultural”, destacou Marchant em declarações à AFP.

O artista formou-se em escolas de arte em Wimbledon e Croydon. Nesta última, conheceu Malcolm McLaren, que viria a ser agente dos Sex Pistols, e cuja colaboração marcou a história da música punk na década de 1970.

Fonte: agências de notícias

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mar não tem desenho
o vento não deixa
o tamanho…

Guimarães Rosa

[São Paulo-SP] “O Anarquismo em Cuba” | “História social cubana a partir de uma perspectiva anarquista”

No próximo dia 19 de agosto, sábado, a Editora Entremares e o Instituto Juca de Cultura realizam o lançamento do livro “O Anarquismo em Cuba”, de Frank Fernández, e convidam Cassio Brancaleone para uma conversa sobre a “História social cubana a partir de uma perspectiva anarquista”.

O evento terá início às 16h e a entrada é gratuita!

Convide as pessoas amigas e não deixe de comparecer!

Frank Fernández nos oferece um estudo sistemático da sociedade e do anarquismo cubano e de sua originalidade, se trata de um livro único porque não tem outra preocupação além de oferecer uma análise histórica, sem compromissos. Nesta obra, o autor estuda um século e meio de uma história densa e profunda, mal conhecida e analisada de modo ainda pior, ressaltando a dimensão fundamental do anarquismo nessa evolução. O livro tem a virtude e a honestidade, atitude pouco frequente, de não ocultar as falhas nem os erros que podem ter sido cometidos, o que contribui para realçar sua tarefa e sua independência crítica. (Francisco Olaya Morales)

Instituto Juca de Cultura

Rua Cristiano Vianna, 1142, São Paulo (SP)

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Num banco de praça
a sombra de um velho assombra
o vento que passa.

Luciano Maia

[Espanha] A greve continua na “Aire by Looks”

As trabalhadoras dos centros e lojas de Jerez de la Frontera do grupo “Aire by Looks” (pertencente à empresa Peluquerías y Salones, S.L.) entraram em greve nos dias 4, 5 e 7 de agosto para exigir que a empresa pague seus salários atrasados.

A greve teve grande adesão entre as funcionárias, já que 22 das 24 trabalhadoras dos centros de Jerez (91% da equipe), localizados no Carrefour Norte, Carrefour Sur e no edifício Los Cisnes, participaram. Os salões de cabeleireiro não abriram e a empresa teve perdas econômicas importantes por não trabalhar nos dias em que o fluxo de clientes costuma ser alto.

Mas a gerência da empresa não cede e não responde à demanda mais urgente e necessária, que é simplesmente pagar os salários atrasados (metade de junho e todo o mês de julho) às trabalhadoras, e assinar um compromisso de pagar do dia 1º ao dia 5 de cada mês (para que a situação não se repita).

Portanto, a Seção Sindical da CNT em Peluquerías y Salones, S.L., que está saindo fortalecida da greve que terminou ontem, decidiu convocar outra greve, desta vez por uma semana, de 21 a 26 de agosto de 2023.

Nessa ocasião, as funcionárias dos centros de Sanlúcar de Barrameda também participarão, pois várias delas se filiaram ao sindicato e decidiram aderir à proposta da CNT de Greve e Ação Direta.

Mais tarde, informaremos sobre outras manifestações que ocorrerão durante a greve. Incentivamos a classe trabalhadora a expressar sua solidariedade a essas trabalhadoras, pois somente a união e a luta podem trazer melhorias para a classe trabalhadora.

Solidariedade obreira!

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/continua-la-huelga-en-aire-by-looks/

Tradução > Liberto

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Gaivota. Espuma instável.
Líquida turquesa: inunda os olhos
a marinha na parede.

Yeda Prates Bernis

Ilusão da presença de Deus vem do cérebro infantil, afirma neurocientista

Cientista afirma que a sensação de um deus amoroso substitui no individuo adulto a imagem da mãe protetora que ele tinha quando criança

O biólogo e neurocientista John Wathey pesquisou a sensação intuitiva que pessoas das diversas religiões e culturas têm da presença de Deus e chegou a uma conclusão: trata-se de uma sequela do cérebro infantil.

Ele escreveu um livro explicando que os circuitos neurais evoluíram para promover um forte vínculo entre mãe e filho.

Esse ser amoroso que responde às necessidades infantis acaba sendo substituído quando a criança se torna adulta pela figura protetora de Deus, transferindo um sentimento inato para o campo da religião.

Assim, para ele, Deus pode ser interpretado cientificamente como “estímulos ilusórios que enchem um vácuo emocional e cognitivo que sobraram da infância”.

Wathey disse que resolveu escrever The Illusion of God’s Presence: The Biological Origins of Spiritual Longing [“A Ilusão da presença de Deus: as origens biológicas de anseio espiritual”] ao perceber que a religião tem características infantis. “Isso é algo que merece ser destacado.”

O neurocientista argumentou que essa pode ser a explicação, entre outros atitudes, das obsessões religiosas por sexo, do fascínio por cultos e da misteriosa compulsão por orar.

“A oração é quase universal em quase todas as religiões, mas é bastante óbvio que a ela é inútil”, disse.

“Deus sabe o que queremos, e então qual é o propósito de pedir favores a Ele?”

No entendimento de Wathey, a oração é um fenômeno biológico.

“Eu acho que se trata de um instinto dos humanos que, na infância, choram para despertar a atenção da mãe, já que os bebês são completamente indefesos.”

O neurocientista afirmou que essa extrema dependência do bebê pela mãe (ou de Deus, por parte do adulto) fez sentido nos primórdios da humanidade, quando nossa espécie tinha poucos indivíduos em relação à extensão da Terra e corria o risco de ser extinta.

Nos atuais dias, disse, levando em conta a superpopulação, esse sentimento de dependência é um legado inútil, e a evolução tende a aboli-lo.

Fonte: https://www.paulopes.com.br/2016/01/ilusao-da-presenca-de-deus-vem-do-cerebro-infantil-diz-cientista.html

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Saltando da mesa
a tulipa
foi passear

Eugénia Tabosa

[Alemanha] Político do partido de ultradireita AfD, Andreas Jurca, é agredido

Andreas Jurca, líder do partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD) em Augsburg, foi agredido fisicamente no sábado (12/08). Os detalhes sobre o incidente ainda não são conhecidos.

De acordo com Jurca, o político de Augsburg de 35 anos, ele e uma amiga caminhavam em Oberhausen depois de uma festa na Schönbachstraße, quando encontraram um grupo. Sem nenhuma provocação, Jurca conta que foi abordado e perguntado se ele era o homem que estampava os cartazes da campanha [eleitoral]. Quando um homem estendeu a mão direita, Jurca foi inesperadamente atingido no rosto por outra pessoa.

Após o golpe, Jurca, que sofreu perda parcial da memória, acredita que também foi espancado no chão e ouviu a frase “Scheiß Nazi” (que significa “maldito nazista”). Ele sofreu hematomas graves no rosto e no corpo, além de uma lesão no tornozelo.

A identidade do suposto autor do ataque ao membro da AfD permanece desconhecida. Várias especulações circularam nas redes sociais sobre as motivações políticas por trás do ataque, e o próprio Jurca suspeita que possa ter sido motivado politicamente. Com base na aparência e no sotaque, Jurca acredita que dois indivíduos que o espancaram tinham antecedentes migratórios. No entanto, ele só pode especular sobre os motivos exatos do ataque e não pode fornecer um número definitivo de todo o grupo, pois eles fugiram após o incidente.

Fonte: agência de notícias

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Água do poço:
o menino baixa o balde,
sobe uma estrela.

Maria Santamarina

[Espanha-Uruguai] “É possível que muitas traduções anarquistas tenham sido feitas por mulheres”

Por Tania Alonso | 15/06/2023

Lucía Campanella, pesquisadora da UOC no Laboratório de Estudos Literários Globais (GlobaLS).

Os periódicos anarquistas desempenharam um papel fundamental na disseminação desse movimento social entre 1890 e 1920, quando o anarquismo estava em seu auge. Por se tratar de um movimento global, os textos originais nem sempre eram escritos no idioma da publicação e precisavam ser traduzidos. Cem anos depois desses tempos turbulentos, a pesquisadora uruguaia Lucía Campanella realizou uma revisão da tradução literária publicada na imprensa anarquista da época.

Com o projeto “The Anarchist Translation Flows and World Literature Project” (ARGOT), Campanella retorna ao Laboratório de Estudos Literários Globais (GlobaLS) – vinculado ao Instituto Interdisciplinar da Internet (IN3) e ao Departamento de Artes e Humanidades da Universitat Oberta de Catalunya (UOC) – onde foi pesquisadora em 2021, graças a uma bolsa de pós-doutorado Marie Skłodowska-Curie.

Lucía Campanella começou como professora de literatura no ensino médio e passou a estudar literatura na Universidad de la República, no Uruguai. Ela fez seu doutorado em cotutela entre a França e a Itália, no âmbito de uma bolsa de estudos Erasmus Mundus. Especializou-se em Literatura Comparada, particularmente na relação França-Rio de la Plata. É membro do grupo História da Tradução no Uruguai, que realiza o projeto de P&D CSIC (Udelar) “150 anos de tradução literária no Uruguai”.

Por que a anarquia?

Nos últimos dez ou quinze anos, um campo conhecido em inglês como anarchist studies (estudos anarquistas) vem se desenvolvendo. Em consonância com esse campo, alguns colegas de minha universidade têm se interessado por jornais anarquistas e práticas educacionais anarquistas. Paralelamente, cheguei a esse movimento por meio de um autor que estudei para minha tese de doutorado, Octave Mirbeau, um escritor francês do século XIX que era muito próximo de algumas correntes do anarquismo. Mirbeau escreveu um romance de que gosto muito chamado Diário de uma Camareira, no qual há uma camareira que parece compartilhar ideias anarquistas, muito relevantes para a situação de dominação em que ela se encontra. Acontece que Mirbeau também era um dos autores favoritos da imprensa anarquista no início dos anos 1900 e vi que na imprensa anarquista do Rio da Prata havia muitas traduções da literatura internacional, não apenas de Mirbeau, mas de muitos outros autores, não apenas anarquistas.

Qual é o objetivo do projeto ARGOT?

Expandir e dar um toque especial ao trabalho que eu já estava fazendo, de forma muito artesanal, com a imprensa anarquista de Montevidéu e Buenos Aires. Queremos estudar outras cidades com características semelhantes, que também tenham um porto e que tenham recebido ou enviado migrações importantes no período que me interessa, que é entre 1890 e 1910. Estendemos nossa pesquisa ao Rio de Janeiro, Havana, Nova York, Lisboa e Barcelona. Para cobrir todo esse período de tempo e todas essas cidades, vamos trabalhar com ferramentas computacionais que nos permitirão processar essa enorme quantidade de dados. O resultado final da pesquisa será dois bancos de dados: um sobre mediadores e tradutores e outro banco de dados de textos traduzidos.

Quais autores e idiomas são proeminentes no anarquismo?

Havia uma corrente principal, escrita principalmente em francês, mas também uma periférica, em idiomas minoritários de difícil tradução, como o holandês ou o norueguês. Esse último idioma, por exemplo, é o idioma de Henrik Ibsen, que era uma estrela da imprensa anarquista na época. As traduções provavelmente não eram diretas do idioma original para o idioma de destino, mas passavam por traduções intermediárias para o francês ou outros idiomas.

Por que entre 1890 e 1910?

É um período muito importante na história do anarquismo. Em escala mundial, os anarquistas realizaram ataques e assassinatos que tiveram um enorme impacto. Com os atentados, o movimento passou a ser o centro das atenções da mídia, da polícia e do judiciário. Naquela época, não havia ninguém que não soubesse o que era um anarquista. Como resultado da repressão a esses atos, muitos ativistas encontraram na escrita a única forma de se expressar, embora a imprensa anarquista fosse praticamente proibida em muitos países. Houve também movimentos migratórios de exilados e expulsos. Foi também uma época de mudanças na literatura, com o surgimento dos primeiros movimentos de vanguarda e o questionamento do que é e do que não é literatura.

E o que se entende por literatura hoje?

Eu não saberia lhe dizer o que é considerado literatura atualmente, mas é claro que o conceito mudou. Essa evolução começou no século XIX, com a multiplicação de gêneros, ampliando o conceito para além dos gêneros clássicos, como a tragédia, a epopeia ou a comédia. Durante esse período, o romance ou o poema entraram em cena em outras formas além do soneto clássico. Atualmente, ainda não está claro o que é literatura e o que não é, mas não é mais tão importante se uma publicação pode ou não ser rotulada como literária.

O que é literatura comparada, uma de suas especialidades?

A literatura comparada questiona o fato de que as literaturas são necessariamente compreendidas e estudadas dentro de uma estrutura nacional e estadual. Ou seja, quando eu estudava, havia uma disciplina chamada literatura uruguaia, outra chamada literatura latino-americana, e depois havia literatura espanhola e literatura mundial. Eu não entendia por que o Uruguai e a Espanha tinham o direito de ter sua própria matéria, mas outros países não. Isso tem a ver com a tradição de entender a literatura dentro da estrutura da nação. Mas nós, leitores, somos transnacionais. Não lemos apenas publicações de nosso próprio país. A literatura é sempre um fenômeno que tem uma dimensão internacional, mas, acima de tudo, transnacional. A literatura comparada entende a literatura como um fenômeno global, tem uma visão mais ampla e compara diferentes sistemas.

Sua outra especialidade é a história da tradução no Uruguai. Em que está trabalhando nesse campo?

Estou envolvido no projeto “150 anos de tradução literária no Uruguai”, que foi escolhido pela Comissão Setorial de Pesquisa Científica da Universidade da República (CSIC-Udelar). Não há uma cadeira de estudos de tradução literária no Uruguai. É possível estudar a tradução jurídica, por exemplo, mas não a tradução literária. Tampouco há uma tradição sólida e estabelecida de trabalho sobre tradução. É por isso que meus três parceiros de projeto e eu tivemos que treinar parcialmente fora do país. Com este projeto, queremos realizar um estudo bibliométrico do catálogo da Biblioteca Nacional, onde estão depositados todos os livros publicados no Uruguai, a fim de descobrir quantos e quais dos livros publicados nos últimos 150 anos são traduções. Esperamos que a geração e o compartilhamento dessas informações sejam um impulso para os estudos de tradução.

Em todos os seus estudos, você leva em conta a perspectiva de gênero. Que papel as mulheres desempenharam em seus campos de estudo?

Com uma companheira, estou organizando uma conferência no próximo ano em Madri sobre tradutoras e editoras anarquistas. É preciso dizer que, por muitos anos, a tradução foi considerada uma tarefa menor, subalterna, secundária, uma prática de escrita menor. Por ser considerada como tal, era frequentemente realizada por mulheres, tanto na esfera anarquista quanto em outros lugares. Ainda há muito a ser explorado. Pessoalmente, até o momento, encontrei pouquíssimos nomes de tradutoras. Também é verdade que na imprensa, que é onde eu trabalho, o nome do tradutor raramente é mencionado e, às vezes, são usados pseudônimos.

Existem traduções boas e ruins?

Não estou procurando traduções perfeitas, nem estou interessada em comparar a tradução com o original para ver se o tradutor foi bom ou não. Às vezes, há uma tendência de ficar do lado errado dos tradutores e esquecemos que as leituras mais importantes de nossas vidas foram lidas por meio de traduções que podem não ter sido as melhores. Apenas raramente as traduções de obras cruciais são unanimemente reconhecidas como excelentes: de fato, o conceito do que constitui uma boa tradução muda com o tempo. Mas nada disso nos impediu de nos apaixonarmos por Shakespeare ou Ibsen ao lê-los em outros idiomas que não os originais. Muitas das traduções que encontro na imprensa anarquista são tão boas quanto possível, e estou interessada em recuperar esse trabalho intelectual feito em condições precárias.

Há algum projeto novo em andamento?

Estou estudando o autor franco-uruguaio Álvaro Armando Vasseur há algum tempo. Ele fez muitas traduções e foi o primeiro a traduzir uma parte importante de Leaves of Grass, de Walt Whitman, para o espanhol, e também foi o primeiro a traduzir o filósofo dinamarquês Søren Kierkegaard para o espanhol. Ele nunca recebeu muita atenção porque não transcendeu como autor. Minha ideia é fazer algo como uma biografia intelectual, que dê conta desse personagem e de seu trabalho, nem sempre bem-sucedido, como agente cultural.

Fonte: https://www.uoc.edu/portal/es/news/entrevistes/2023/022-lucia-campanella.html

Tradução > Liberto

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Profundo silêncio.
Na escuridão da floresta
Dançam vaga-lumes.

Eusébio de Souza Sanguini

[Alemanha] Lançamento | Documentário: “Utopiaggia – Um sonho de liberdade na Itália”

A história singular de uma sociedade agrícola autogerida e anticapitalista fundada em 1982 por libertários alemães no coração da Itália. Que conclusões podem ser tiradas dessa utopia comunitária quando posta à prova no mundo real?

Localizada na Úmbria, a denominada Piaggia se parece com qualquer outra fazenda da região. No entanto, não é o italiano que ressoa em seus campos, mas o alemão. Em 1982, um grupo de intelectuais de esquerda deixou a Alemanha Ocidental e se estabeleceu nas colinas da Úmbria. Lá, eles fundaram uma sociedade autogerida e anticapitalista, chamando seu experimento social de “Utopiaggia”. No entanto, o projeto enfrentou vários problemas práticos, financeiros e de relacionamento, e muitos dos habitantes abandonaram gradualmente a propriedade. Embora menos ativa do que era, a comunidade ainda existe hoje, e alguns dos filhos dos “piaggistas”, que são apegados ao lugar e ao seu espírito, retornam regularmente. Como você resumiria esse empreendimento? Quais projetos foram concluídos, quais ambições foram frustradas? E o que o futuro reserva para essa comunidade?

Utopiaggia – Um sonho de liberdade na Itália

Duração: 51 min

Direção: Denise Jacobs

País: Alemanha

Ano: 2023

agência de notícias anarquistas-ana

alta madrugada,
vaga-lumes no jardim
brincam de ciranda

Zemaria Pinto

[Espanha] Novo trabalho da Editora Aurora Negra: “La escuela de crimen. Textos contra las cárceres”, de Piotr Kropotkin

Desde a Editora Anarcossindicalista Aurora Negra apresentamos nossa quinta e última edição: “La escuela de crimen. Textos contra las cárceres”, de Piotr Kropotkin.

Nesta nova edição, nossa Editora quis compilar três artigos de Piotr Kropotkin, com o objetivo de divulgar, talvez, um dos melhores argumentos científicos contra o cárcere, que começaram a sentar as bases da crítica anarquista à sociedade carcerária: “Las prisiones”, “Las cárceres y su influencia moral sobre los presos” e “La ley y la autoridade”.

Sem dúvida, a agitada vida de revolucionário levou Kropotkin a conhecer o cárcere desde dentro, tanto na Rússia como na França. Seu trabalho revolucionário o levou a desenvolver vários trabalhos contra o cárcere, os quais, apesar da distância cronológica na qual foram publicados, contam com total vigência, devido a que o sistema carcerário apesar de ter se sofisticado e adaptado aos novos tempos, seguem provocando os mesmos efeitos entre os presos.

Estes três artigos compilados nesta edição são acompanhados de um prólogo à edição na Espanha e um prólogo à edição no México, além de um artigo final onde fazemos um breve percurso na vida de Kropotkin, pondo o foco principal na questão carcerária e no exitoso plano de sua fuga. Fechamos esta edição com um anexo fotográfico dos planos de fuga feitos a mão pelo próprio Kropotkin, assim como alguns desenhos realizados por ele de suas celas na Rússia e França.

Este trabalho é uma aproximação da ideia anarquista em matéria carcerária para aquelas pessoas que desconhecem por completo a tortura e execução industrializada que supõem os Centros Penitenciários em qualquer parte do mundo.

A colaboração ao livro é de 8€.

Por último, acrescentamos que após ter esgotado o livro “História do movimento obreiro em Las Minas de Hellín (1868-1946)”, se realizou uma reimpressão, pelo que contamos com mais exemplares.

Informamos também desde a Editora que podemos apresentar nossos trabalhos Editoriais naqueles sindicatos e espaços anarquistas interessados.

Uma fraternal saudação anárquica.

Para realizar pedidos contatar-nos em:

Editoraauroranegra@cntait.org

Ig: editorialauroranegra

Fb: Editorial Anarcosindicalista Aurora Negra

Sem mais para o momento,

EM DEFESA DA CULTURA OBREIRA ANARQUISTA

Fonte: https://cntaitalbacete.es/2023/08/cultura-nuevo-trabalho-de-la-Editora-aurora-negra/

Tradução > Sol de Abril

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passarinho na cerca
enfeita o infinito
da colheita

Camila Jabur

Chamado para atividades, bancas e apresentação de publicações anarquistas | XI Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre | 03, 04 e 05 de novembro de 2023

Convidamos todas as afinidades anárquicas, os inimigos da dominação e exploração, pessoas  interessadas e curiosas sobre o anarquismo a participar da XI Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre, mandando suas propostas de bancas, publicações e atividades até a segunda semana de Outubro. Para assim termos o tempo de organizar o cronograma e nos contatar com quem propõe alguma atividade.

A feira iniciará na sexta-feira 03 de novembro às 18 horas no Largo Zumbi dos Palmares (no caso de chuva a atividade acontecerá no Quilombo das Artes, no assentamento urbano Utopia e Luta). Essa atividade será uma troca de ideias aberta sobre o tema: “Como e porque lutamos xs anarquistas? Vigência da subversão anárquica”.

No sábado 04 de novembro, das 09h00 até às 19h00, teremos as atividades, apresentações de publicações e atividades que precisem de um lugar fechado com energia, também teremos atividades para crianças, tudo na sede da Escola de Samba Fidalgos e Aristocratas.

Já no domingo 05, estaremos de cara à cidade no Gasômetro, um espaço aberto onde estaremos com bancas e algumas poucas atividades. Também teremos atividades para crianças.

Começaremos esses dias com Ioga, para manter a agitação no corpo e cérebro.

A Anarquia vive e se movimenta, o fogo da rebelião precisa ser constantemente soprado pra todos os lados. Vamos acender essa grande fogueira mais uma vez!

Convidamos também a participar das reuniões de construção da feira nos primeiros domingos do mês nas feiras anarquistas de Porto Alegre, em frente ao Gasômetro.

Para inscrição de sua atividade, banca ou apresentação de publicações, escrever o título, seu nome e sua proposta para o e-mail da feira.

Contato: fla-poa2023@riseup.net | feiradolivroanarquistapoa.noblogs.org

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janela que se abre
o gato não sabe
se vai ou voa

Alice Ruiz

|| Indú$tria-negócio$ da morte || Ministério da Defesa do governo Lula-hipócrita promove encontro entre empre$a$ brasileiras de defe$a e nações amigas

“O Ministério da Defesa, em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE), promoveu, por meio da Secretaria de Produtos de Defesa (SEPROD), um encontro entre o corpo diplomático de nações amigas e representantes de empresas da Base Industrial de Defesa (BID) do Brasil. O evento, que recebeu o nome de Brazilian Defense Day Embaixadas, foi realizado nesta quarta-feira (9), no Clube da Aeronáutica de Brasília, com o objetivo de estreitar relações e criar oportunidades para comercialização de produtos, serviços e sistemas de defesa no exterior.”

>> Leia o texto na íntegra aqui: https://www.gov.br/…/defesa-promove-encontro-entre

|| Contra os comerciante$ e fabricante$ de arma$ – (A)ntimilitaristas ||

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Fumaças vermelhas
da tempestade de pó
devoram o sol.

Masuda Goga

[Itália] O novo delito inventado pelo Ministério Público de Gênova: “organização subversiva por assinatura postal”

Segundo a acusação, o grupo que administrava uma sede histórica do anarquismo na cidade de Carrara havia constituído “uma organização com fins terroristas, ativa – entre outras coisas – na criação, edição, impressão e distribuição da publicação ilegal intitulada ‘Bezmotivny – Senza Motivo’, um jornal quinzenal que se tornou o principal veículo de promoção e divulgação das mensagens anarquistas mais radicais, cujo primeiro número foi lançado em dezembro de 2020.

Considera-se ilegal o fato de o jornal em questão nunca ter buscado obter a necessária licença judicial para sua circulação, por isso não foi autorizado institucionalmente (o que é diferente de ser ilegal), enquanto seus pontos de distribuição eram públicos ou enviados a seus assinantes via correio”.

Estamos assim perante o primeiro caso de organização subversiva à qual se pode aderir por correio!

Insurgência

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/08/10/italia-comunicado-do-circolo-a-gogliardo-fiaschi-de-carrara-sobre-a-operacao-repressiva-de-8-de-agosto/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/08/09/dez-companheiros-sao-presos-em-operacao-policial-contra-jornal-anarquista-na-italia/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/08/07/onda-repressiva-contra-o-movimento-anarquista-italiano/

agência de notícias anarquistas-ana

De baixo das árvores
As pessoas saem dançando.
Chuvarada na roça.

Nempuku Sato

[Itália] Terroristas de Estado

Ficamos sabendo pela mídia que o Ministério Público de Gênova, sob a responsabilidade do promotor cidadão Federico Manotti, do departamento antiterrorismo, lançou a enésima operação terrorista estatal, mais uma vez contra os companheiros anarquistas. 5 deles foram presos, 4 em casa e 1 na prisão; os outros 4 com obrigação de residência (obbligo di dimora). A brilhante operação acontece depois de dois anos e meio de investigações cuidadosas, monitoramento, observações ocultas e invisíveis, uso de ferramentas remotas, dispositivos de rastreamento, microfones de todos os tamanhos e muitos dos magistrados e policiais mais afiados que descobriram que… anarquistas são anarquistas, eles elogiam a insurreição, que certamente não é feita espalhando lençóis nas janelas, e eles atacam de mil maneiras o Estado e o capital em todas as suas manifestações. Sejam eles do governo, fantoches do capital de direita ou de esquerda, em qualquer uma de suas versões. E não é raro que eles tenham suas próprias impressoras que amplificam suas ideias, as ações que surgem contra a fossa da exploração e da opressão, os responsáveis por ela e suas estruturas (nesse caso, sua ferramenta editorial se chama BEZMOTIVNY). Por fim, graças a muitas inteligências e às investigações mais apuradas, eles descobriram que os anarquistas também tendem a se reunir quando querem, em seus próprios círculos e espaços, para fortalecer a análise, refinar as ideias e avaliar a possibilidade de trabalhar em conjunto (nesse caso, o círculo é o “Gogliardo Fiaschi”, em Carrara). Sabe-se muito pouco sobre eles, apenas alguns nomes de companheiros, com a exibição do formidável “Holmes” e o armamento dos mantenedores a seu serviço.

Um abraço fraterno aos companheiros, aqueles que foram libertados continuarão o trabalho interrompido de informação e propaganda anarquista, insurrecional, pela luta armada ou não, até a destruição de todo centro de poder e daqueles que o detêm.

Anarkiviu

Fonte: https://anarkiviu.wordpress.com/2023/08/08/terroristi-di-stato/

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agência de notícias anarquistas-ana

Sobre o telhado
flores de castanheiro
ignoradas.

Matsuo Bashô

[França] Sabotagem de uma estação de carregamento de carro elétrico em Caen

O que é a tal transição ecológica?

É uma mudança no modelo de produção de energia que não rompe com o crescimento capitalista, a pilhagem de recursos, a exploração neocolonial e a destruição da vida.

É a continuação do aumento geral da produção e, em particular, da produção de eletricidade. Consequentemente, a transição ecológica é sinônimo de renascimento da energia nuclear, gigantescos projetos eólicos, megaparques fotovoltaicos e a manutenção da produção de combustíveis fósseis. É também o fortalecimento do extrativismo, a abertura de novas minas, por exemplo minas de lítio para produzir milhões de baterias elétricas. Também são sempre mais infraestruturas, linhas THT [linhas de alta tensão], transformadores, cabos submarinos… Sempre mais poluição, desperdício e mortes.

É a criação de novos mercados, novas fábricas, supostos milhões de empregos e a reprodução de um sistema alienante que destrói o indivíduo. É uma transição para novas formas de exploração e a continuação da sociedade do trabalho. É sempre metrô-trabalho-sono (sim, mas sem carbono!).

É a digitalização do mundo, a perda da autonomia, a destruição da solidariedade, a vigilância em massa…

É a falsa encenação da tecnologia como solução para os problemas político-sociais, é a crença absoluta na ideologia do progresso, é ir direto para o muro (sim, mas elétrico!).

É sobretudo uma vasta manipulação política com a qual os líderes deste mundo esperam nos acalmar fazendo-nos acreditar que suas atividades agora serão “verdes” e “eco-responsáveis”.

Não queremos esta transição ou qualquer outra: queremos uma revolução. E isso requer, entre outras coisas, a destruição aqui e agora das infraestruturas do capitalismo.

É por esta razão que uma estação de carregamento de carro elétrico MobiSDEC foi sabotada no dia 7 de agosto em Caen, na Place du Parvis Notre-Dame, ao lado do Conselho Departamental e da Prefeitura de Calvados, que também são dois “parceiros” da União Departamental de Energia de Calvados (SDEC), que é responsável pela instalação e manutenção da maioria das estações de carregamento de carro elétrico do departamento.

O terminal sabotado também está a poucos passos do canteiro de obras da Place de la République, onde o prefeito Joël Bruneau e a maior incorporadora imobiliária da Normandia, SEDELKA, querem construir um “mercado gourmet” e um estacionamento subterrâneo, o que levará a aluguéis mais altos, mercantilização do espaço… Assim, como indicado em um comunicado de imprensa publicado após a sabotagem de uma estação de carregamento de carro elétrico em Caen em 17 de maio: vamos desconectar os bairros da moda! Contra seu mundo elétrico, seus projetos devastadores e esse capitalismo autoritário que está arruinando nossas vidas.

agência de notícias anarquistas-ana

Sesta no jardim:
a borboleta me acorda.
Coça o meu nariz.

Anibal Beça

[Alemanha] Torre de transmissão incendiada em Berlin-Wuhlheide | “Nossos pensamentos estão com Mónica e Francisco”

Muitas vezes ocorrem ações que buscam repercussão na mídia e são planejadas de acordo. Não sabemos por que nenhum meio de comunicação noticiou nossa ação até agora. Isso é notável, e seria interessante saber se há algum tipo de bloqueio de notícias imposto pelas autoridades policiais ou políticas (?) para evitar a disseminação de tais ações (?). É duvidoso que atos de sabotagem não gerem qualquer interesse na mídia. Entretanto, podemos especular a esse respeito.

Contudo, a verdadeira motivação do nosso propósito não é a atenção da mídia, mas o ataque e a destruição concreta. Portanto, colocamos três dispositivos incendiários com retardo de tempo sob o cabeamento, o gabinete do computador e o distribuidor de energia da torre. Isso aconteceu na noite de 03.08.2023.

Outro objetivo de nossa ação era perturbar o “Innovationspark Wuhlheide” com a interrupção da comunicação, que está localizado em uma área de 32 hectares nas imediações da torre de transmissão. Mais de 200 empresas de tecnologia e start-ups estão desenvolvendo a alta tecnologia do futuro em seus laboratórios e, é claro, precisam de uma infraestrutura sensível para realizar sua obsessão tecnológica. Nós não queremos o mundo deles e vemos essa sabotagem como uma contribuição para a chamada “Switch OFF! – Chamado à Revolta”

Nossos pensamentos estão com Mónica e Francisco, que provavelmente enfrentarão muitos anos de prisão. A acusação pediu mais de 150 anos de prisão para Francisco e 25 anos para Mónica.

A resiliência e a firmeza vital deles, mesmo em uma situação como essa, nos impulsionaram em nossas ações.

Pela vida e pela liberdade!

Pela anarquia!

Fonte: https://kontrapolis.info/11018/

agência de notícias anarquistas-ana

damas todas, essas,
e reis, jogados na caixa:
peças de xadrez

Issa