Escola Pública: A Resistência Como Prática Pedagógica

Como professores da rede pública, alunos e a comunidade escolar podem atuar dentro de uma realidade onde as possibilidades de cultura e informação são limitadas por toda espécie de empecilhos? Quais são as propostas anarquistas para a questão educacional?

Venha participar desse debate público na Biblioteca Municipal Alberto Sousa, em Santos, no dia 15 de julho, Sábado, às 15 horas, com a presença do companheiro Antônio Carlos, professor da rede pública e membro do Núcleo de Estudos Libertários Carlo Aldegheri (NELCA) e do Centro de Cultura Social (CCS-SP).

DATA: 15 de julho de 2023 (Sábado), às 15 horas;

LOCAL: Biblioteca Municipal Alberto Sousa

ENDEREÇO: Praça José Bonifácio, número 58 – Centro – Santos/SP

agência de notícias anarquistas-ana

Árvore sem folha
em invernos rigorosos
parece que hiberna.

Leila Míccolis

[Espanha] Lançamento: “A guerra é a saúde do Estado”, Randolph Bourne

Em 1918, quando quase todos os progressistas americanos apoiavam a guerra e a participação nela de seu país, um jovem intelectual escrevia um lúcido ensaio antibelicista: segundo ele, a guerra revelava o verdadeiro rosto do Estado, que se servia dela para estender seu domínio no exterior e esmagar toda dissidência interna com leis de exceção. Ali figura o aforismo que o fez célebre: A guerra é a saúde do Estado.

Randolph Bourne (1886-1918) mostrou desde jovem um talento precoce para a escrita, colaborando com meios progressistas como The Atlantic Monthly ou The New Republic. Mas simpatizava cada vez mais com a causa dos trabalhadores, identificando-se com os explorados e oprimidos por experiência direta derivada de sua deficiência física (era um corcunda de 1,50 m com o rosto disforme) e sua precariedade laboral. Desde 1914, sua inflexível postura antibelicista o confrontou com quase toda a esquerda americana, que o marginalizou e expulsou de seus meios.

Nos textos que apresentamos aqui, “La guerra y los intelectuales” e “El Estado“, Bourne executa uma análise mordaz de como o intelectual progressista americano, aliando-se com as forças mais reacionárias, abandona seu pacifismo e internacionalismo por uma guerra “em prol da democracia”, e mostra o Estado e o tanto que maquinaria para apagar toda dissidência e impor um pensamento único.

La Guerra es la salud del Estado

Ano publicação: 2023

Autor / es: Randolph Bourne

Editorial: El Salmón

ISBN: 978-84-125386-9-4

Páginas: 132

Tamanho do livro: 120×170

Web: www.edicioneselsalmon.com

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Cabelos tão brancos:
ancinho que raspa a terra,
colheita de anos.

Alckmar Luiz dos Santos

[Escócia] Café anarquista anticapitalista ‘queer, iídiche’ fecha após ‘antissemitismo descontrolado’

Coproprietários do café Pink Peacock de Glasgow dizem que o lugar está fechado esta semana depois que a equipe sofreu “assédio” de “esquerdistas autodescritos” e de “uma reação de direita”

Por Lee Harpin | 21/06/2023

Os proprietários de um “café anarquista anticapitalista queer iídiche” citaram o “antissemitismo descontrolado na Escócia” como uma razão para o encerramento de suas atividades esta semana.

O café Pink Peacock, inaugurado há três anos, operava em regime de “pagamento conforme o possível”, que convidava os clientes a pagar um preço pelas mercadorias que consumiam, se pudessem, mas que também lhes permitia comer de graça.

Confirmando o fechamento na quarta-feira, os coproprietários Morgan Holleb e Joe Isaac alegaram que sofreram “assédio” de “autodescritos esquerdistas”, incluindo membros do Partido Socialista dos Trabalhadores, de extrema-esquerda.

Eles também disseram que foram vítimas de “uma reação de direita de terfs [feministas radicais trans-exclusionárias] e lambedores de botas.”

Em uma declaração no site do café, foi sugerido que os membros de seu coletivo, que trabalham como voluntários no café, estavam sofrendo de “esgotamento” devido ao estresse de “lutar sob o capitalismo e o quiriarcado.”

Eles também culparam a “pandemia em curso” e a “batalha constante para nos manter financeiramente à tona.”

Os proprietários disseram que sua experiência com o café levou parte do coletivo a decidir sair da cidade escocesa devido ao “isolamento judaico, antissemitismo descontrolado na Escócia e o impacto desse assédio.”

Mas nem todos na comunidade de Glasgow ficaram descontentes com o fechamento do café.

Paul Edlin, ex-presidente do Conselho Representativo Judaico de Glasgow e conselheiro do Partido Conservador, disse à Agência Telegráfica Judaica (JTA) que estava “encantado” com o fechamento do Pink Peacock.

Edlin afirmou que “tudo o que eles fizeram foi criar constrangimento e problemas para a comunidade” e qualificou a relação entre o café e a comunidade judaica dominante em Glasgow como “negativa.”

“Se eles tivessem sido mainstream, de alguma forma abraçando os valores judaicos, a comunidade teria ficado encantada em abraçá-los”, disse Edlin.

“Eles são contra tudo o que a maioria das pessoas vê como normal”, disse ele, apontando para as posições antissionistas e antipoliciais do café.

“Boa viagem para o lixo ruim”, acrescentou.

As contas registradas em maio de 2022 mostraram que o Pink Peacock devia aos credores £ 12.000, mas tinha apenas £ 5.764 em mãos.

Em 2022, o Community Security Trust registrou 34 incidentes antissemitas na Escócia, contra 30 em 2020.

Fonte: https://www.jewishnews.co.uk/queer-yiddish-anti-capitalist-anarchist-cafe-closes-after-unchecked-antisemtism/

Tradução > abobrinha

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/06/18/escocia-pink-peacock-cafe-queer-e-anarquista-enfrenta-acusacoes-criminais-por-causa-da-sacola-fuck-the-police/

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Sobre o campo seco,
A voz que grita ao cavalo
Em meio à tormenta.

Kyokusui

[Grécia] Para Themis Michael

Por Pedras Negras | 07/07/2023

Quando você tira um pedaço de liberdade, toda a liberdade é transferida para aquele pedaço” – Bakunin

Um “pedaço” da história anarquista moderna e da aventura das ideias libertárias na Grécia, “desapareceu”. Themis Katsoulis (1952-5.7.2023) participou muito ativamente desde a juventude em coletivos anarquistas e no projeto editorial da Διεθνούς Βιβλιοθήκης (a primeira editora anarquista na Grécia foi a “Διεθνούς Βιβλιοθήκης” fundada em 1971, durante a ditadura militar 1967-1974) e na revista Πεζοδρόμιο, onde traduziu muitos textos importantíssimos, sob o pseudónimo de Themis Michael. Em sua vida, até seu último momento, companheiros e companheiras, e seus dois irmãos mais velhos, Maria e Giorgos.

Tivemos a oportunidade de nos encontrar com Themis Michael em alguns momentos. Destacaremos um ou dois encontros aleatórios no “proletariado” da companheira especial Eugenia e uma noite na praça Mesolongio em Pagrati, alguns anos atrás, onde tivemos o prazer de trazer Raoul Vaneigem para um contato pessoal com Themis (tradutor dos textos de Vaneigem) e seu irmão Giorgos.

Em seu blog, Nikos Sarandakos escreverá sobre a morte de Themis Michael: “Aqueles que o conheceram se lembrarão dele para sempre. Ele deixou sua marca em muitas pessoas, algumas das quais podem nem perceber.”

Para muitas e muitos de nós, a inscrição do nome de Themis, nos livros que procurávamos nas prateleiras das editoras nos anos 80, era algo como a mensagem cifrada que procurávamos ansiosamente. Livros sobre Anarquia!

Anarquia e Vida, abaixo todos os exércitos!

agência de notícias anarquistas-ana

A bola baila
o gato nem olha
salta e agarra

Eugénia Tabosa

Campanha de financiamento coletivo | Monstro dos Mares 10 anos

|| Permanecer proliferando desobediências ||

Passada uma década em que o nosso Junho aconteceu, vimos que o mundo mudou e a natureza de alguns fenômenos sociais também mudaram desde 2013. Avançamos em conquistas, retrocedemos em direitos e permanecem constantes indignações.

Reconhecemos a mesma força que mobilizou nossos primeiros materiais impressos no vigor que nos move para seguir hoje. Fazemos livros artesanais e zines pois acreditamos na proliferação das desobediências que as palavras escritas, faladas, cantadas, rimadas, impressas ou pichadas nos muros são parte do universo de possibilidades que queremos imaginar e agir. Um horizonte autônomo, libertário, anarquista e cheio de faça-você-mesma!

Aquele Junho está em nós como um livro que permanece no tempo resistindo aos desafios impostos pela lógica da composição (ou da decomposição) de sua materialidade. A Monstro dos Mares não é um livro na prateleira do tempo, mas sim a apropriação do tempo como um existencial, uma ruptura da técnica que promove o anseio de permanecer proliferando desobediências. Fazemos os livros existirem a partir das ações de nosso próprio bando.

Sentimos que somos parte desse tempo enquanto ele existir. Somos parte dos frutos que florescem desde 2013 e vamos permanecer proliferando desobediências.

Junho de 2023, Editora Monstro dos Mares, 10 anos.

LIVROS:

“Mapeando vozes não binárias nas redes sociais”, de Ju Spohr: Através de entrevistas com dez pessoas que se autodenominam não binárias nas redes sociais, Ju Spohr delineia um panorama de vivências que se localizam fora dos polos feminino ou masculino, assumindo a descentralização, a fluidez e a contradição ao colocar à prova os modelos normativos de gênero e sexualidade.

“A produção patológica do antagonismo: a institucionalização da violência contra pessoas trans”, de Cello Latini Pfeil e Bruno Latini Pfeil: Para analisar como a invenção da transexualidade enquanto categoria diagnóstica repercutiu em sistemas de controle, tutela e opressão contra pessoas trans, Cello e Bruno Latini Pfeil utilizam uma lente analítica anarquista e decolonial, recorrendo à lógica de que dinâmicas de opressão e infantilização, culpabilização e segregação constituem violências institucionais recorrentes que atravessam corpos trans.

“Construindo cidadania: a história de luta de travestis e transexuais no Brasil”, de Cristiane Prudenciano: Estabelecendo diálogos entre a luta de travestis e transexuais pela garantia de direitos e construções históricas e sociais que, sistematicamente, apagam o protagonismo das pessoas trans nessas lutas, Cristiane Prudenciano delimita um referencial histórico entre os anos de 1990 a 2016, resgatando as conquistas de pessoas que, vivendo em situações de violação, invisibilidade, opressão e violência, intencionam uma nova realidade para suas vidas e para a sociedade.

RECOMPENSAS:

Pôster comemorativo por Felipe Risada: convidamos o Estúdio Suco Gráfico e o artista Felipe Risada (@felipe_risada) para a criação da nova marca e identidade visual da Monstro dos Mares em celebração desses 10 anos. RiR criou a arte de um pôster exclusivo, impresso em risografia, para marcar essa data. Somente 330 exemplares. Formato ledger (27,5 x 39,5 cm), em papel colorplus 120 g, cores variadas e enviadas aleatoriamente. Duas dobras.

Impressorinha 3D: nosso amigo Paulo Capra (@paulo_capra) fez a modelagem e impressão 3D da querida Impressorinha, em cores variadas (5,5 x 5,5 x 3 cm, nas cores branco, rosa, amarelo e cinza Nintendo) enviadas aleatoriamente. Somente 30 unidades.

Sacola: sacola retornável em lona encerada (29 x 29 cm) confeccionada com material reutilizado de malotes pela Associação das Feirantes da Economia Solidária de Ponta Grossa – AFESOL (@afesol_).

Bandeirola: confeccionada em algodão cru e serigrafia (40 x 50 cm). Produzidas por voluntáries no espaço da Monstro dos Mares.

Porta caneca: suporte para canecas (8,5 x 8,5 cm) em papel reciclado 300 g, com arte exclusiva comemorativa dos 10 anos da Monstro.

Adesivo: com a nova marca da editora (5 x 5 cm), autocolante com proteção UV.

5 Zines A5: escolhidos aleatoriamente de nosso catálogo (dimensões 20 x 14 cm, aproximadamente 24 páginas).

Coleção Entender: 5 Zines A6 que compõem a coleção, abordando os temas Gênero, Poder, Colonialismo, Anarquismo e Supremacia Branca (dimensões 10 x 14 cm, aproximadamente 16 páginas cada).

Minicurso “Crítica ao trabalho: queer, desistente e bipolar”: encontro on-line com 4h de duração ministrado por Claudia Mayer, doutora em Estudos Literários e Culturais pela PPGI/UFSC. O curso visa fomentar a crítica ao trabalho como instituição, abordando a compreensão de que a necessidade de trabalhar é uma alavanca social que mobiliza corpes dissidentes a suspender-se a fim de tornar possível a manutenção da vida.

Valeu por fortalecer o nosso corre. Defenda sua quebrada!

>> Clique aqui para apoiar a campanha:

https://www.catarse.me/monstro10anos

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Quanta solidão
nos olhos do velho
no choro do cão

Regina Ragazzi

[EUA] Antifascistas expulsam neonazistas de Princeton, Nova Jersey

Relato da recente resistência antifascista à mobilização neonazista em Princeton, Nova Jersey. Postado originalmente em Jersey Counter-Info.

Antifascistas locais receberam uma denúncia de um residente da área de Princeton na manhã de 1º de julho de 2023 de que o NJEHA (New Jersey European Heritage Association, ou Associação da Herança Europeia de Nova Jersey) e outros fascistas estavam em um Walmart nos arredores de Princeton. Com base nessa denuncia, os antifascistas conseguiram mobilizar e interromper seu encontro no estacionamento do Walmart e coletar informações. O grupo incluía membros do NJEHA, Embrace Struggle Active Club e Garden State Nationalists.

Membros do NJEHA e outros fascistas foram vistos no Walmart por volta das 9h de 1º de julho de 2023. Eles logo se viram inesperadamente vigiados por antifascistas. Eles foram visivelmente pegos de surpresa e ficou nítido que não esperavam ninguém além de seus próprios companheiros, pois ninguém se esforçou para cobrir seus rostos, placas ou outros pertences pessoais.

Alguns dos fascistas ainda devem ser identificados, no entanto, havia alguns rostos familiares, incluindo Paul Minton e Dan D’ambly. Minton, que antes era um antifascista, e se voltou ao fascismo em 2020, foi pego sem a máscara conversando com outros dois fascistas. D’ambly foi pego por seu Toyota Camry azul/verde com outro fascista.

Os fascistas lutaram sobre o que fazer a seguir e se dividiram em dois grupos, um grupo ficou para trás no estacionamento do Walmart e o outro partiu para o destino pretendido, que acabou sendo o centro de Princeton. Os antifascistas conseguiram descobrir isso em tempo real por meio do trabalho de vigilância terrestre, que foi bem-sucedido devido às táticas e medidas de segurança desleixadas dos fascistas. Enquanto eles tentavam usar contra-medidas, como escalonar o tempo que seus membros saíam e, mais tarde, esperar em Princeton na esperança de que os antifascistas fossem embora, NJEHA, Embrace Struggle Active Club, os Garden State Nationalists e seus associados não conseguiram abalar os antifascistas.

Os antifascistas foram capazes de se mobilizar rapidamente em Princeton assim que D’ambly e sua equipe chegaram ao local para sua marcha e imediatamente começaram a interromper seus esforços. Eles foram gritados com um megafone e transeuntes aleatórios começaram a gritar também. A certa altura, um dos capangas de D’ambly tentou distribuir panfletos NJEHA e membros do público se recusaram a pegá-los, amassando-os e jogando-os no chão como o lixo que eram.

Com seus esforços frustrados e forte resistência do público em geral e antifascistas, o grupo variado de fascistas desistiu sem cerimônia. Eles foram flagrados por antifascistas que estavam na região logo após aguardarem o transporte público.

D’ambly, Minton e seus lacaios fascistas provavelmente tentarão dizer que sua marcha e ações tomadas hoje foram bem-sucedidas. Que eles eram bravos “patriotas americanos” que enfrentavam antifascistas nas ruas. Sabemos, no entanto, que isso não poderia estar mais longe da verdade.

Fonte: https://itsgoingdown.org/antifascists-kick-neo-nazis-out-of-princeton-nj/

Tradução > Contrafatual

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Em toda a longa viagem,
Só agora encontrei
Um cafezal!

Paulo Franchetti

2023: nova conjuntura, velhos inimigos

Se os governos continuam considerando como ameaça setores da esquerda que correm por fora do petismo, talvez seja um bom momento para pensar em como voltar a sê-lo.

Por Passa Palavra

Na última quinta-feira de junho ocorreu o “Ato contra a tarifa”. O chamado do ato, assinado por uma série de organizações e pequenos grupos da extrema-esquerda, relembrava as mobilizações de 10 anos antes, quando houve uma irrupção social em torno dos transportes que forçou os governos a reduzirem a tarifa em mais de uma centena de cidades.

A proposta de um ato de rua parece ter sido uma forma de diferenciar-se das demais efemérides de junho de 2013, colocando de forma clara tanto a relevância do transporte público para os trabalhadores urbanos, quanto o fato de junho de 2013 ter sido uma mobilização popular de rua, não fazendo sentido rememorá-lo apenas com discussões e interpretações — afinal, as lutas continuam vivas.

O grande número de assinaturas e mesmo a presença de 250 militantes naquela quinta-feira em São Paulo não deixa de ser notável se considerarmos que a preparação e organização do ato foi feita com pouco mais de uma semana de antecedência. Houve uma significativa ausência: o Movimento Passe Livre, que, embora convidado a organizar o ato, se recusou a articular com antigos dissidentes e fez questão de afirmar que não fazia parte do chamado.

Para os que estiveram no ato foi possível reviver um modelo de manifestação que tem sido incomum nas esquerdas do último período: não havia carros de som, tampouco discursos pré-fabricados; o foco maior das panfletagens não era disputar as pessoas dentro do ato, mas de dialogar com a população que saía do trabalho na região central da capital paulista.

Outra característica marcante do ato foi o reencontro de diferentes militantes participantes das mobilizações da década anterior, que puderam reconhecer em suas trajetórias uma continuidade daquelas mobilizações, reestabelecer laços e retomar a expectativa de articulação de uma esquerda que não quer ser governo. Reforçados por novas gerações de militantes formados nas diferentes lutas secundaristas que ocorreram nos últimos 10 anos e que veem em 2013 uma inspiração para continuar se mobilizando, tanto na luta contra as tarifas, quanto na mobilização contra o Novo Ensino Médio, ou no apoio às lutas de motoboys, metroviários, professores, etc.

Parece-nos particularmente relevante essa disposição no momento que é possível ver o incômodo causado em parte dos petistas com a rememoração de 2013. A convocatória foi criticada e condenada em diferentes grupos, dizendo que não se deveria protestar contra o governo; no dia anterior, o presidente Lula afirmou que os movimentos sociais deveriam se organizar para evitar golpes. Também não é desprezível a insistência do governo Lula em manter o sigilo dos relatórios de inteligência produzidos sobre as manifestações de uma década atrás. Se os governos continuam considerando esses setores uma ameaça, talvez seja um bom momento para pensar em como voltar a sê-lo.

Fonte: https://passapalavra.info/2023/07/149341/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/06/28/ato-contra-a-tarifa-29-06-sao-paulo/

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No prato com leite
a língua rosada
faz chap chap

Eugénia Tabosa

[França] “Desarmons-les” sobre os tumultos após o assassinato de Nahel

Estivemos presentes durante os motins de 2005. Em solidariedade com os manifestantes. Mesmo assim, gritamos: “Zyed e Bouna, não vamos esquecer, não vamos perdoar”.

Enquanto isso, criamos um coletivo para desarmar o Estado. Passamos dez anos apoiando as vítimas da brutalidade policial onde quer que pudéssemos entrar em contato com elas e fazendo um trabalho de advocacia em toda a França e no exterior.

Todos esses anos, também gritamos “Sem justiça, não há paz”. Não confiamos na lei, mas jogamos o jogo deles mesmo assim. Aprender, entender, tentar, aprender. Passamos por todos os trâmites legais, fomos a todos os tribunais.

Conhecemos perfeitamente a máquina, seu funcionamento e seus defeitos ocultos. Ao mesmo tempo, deciframos o policiamento, a história colonial da polícia e os mecanismos de violência, mas também o sistema de impunidade de que gozam as forças da lei e da ordem.

Na França, um policial que mata não é julgado. Às vezes é acusado, mas é sempre absolvido. Quantos policiais foram condenados a penas de prisão suspensa superiores a 18 meses e multas superiores a 3.000 euros? Quantos policiais foram demitidos e banidos do trabalho? Quantos policiais foram proibidos de portar armas? Nós sabemos a resposta, que o público desconhece, mesmo a maioria dos jornalistas. Você pode pesquisar e não encontrará. A impunidade é absoluta. Nesta fase já não é impunidade, é imunidade.

Em 40 anos, a polícia matou mais de 800 pessoas. Com o presidente Sarkozy tivemos 15 mortes por ano, com Hollande 22 e com Macron chegamos a 30 mortes por ano, com um pico de 52 mortes em 2021.

Depois da lei de 2017, que define as situações em que os policiais podem abrir fogo sem medo de serem contestados na Justiça, o número de mortes por tiroteio disparou.

Anteriormente, a legítima defesa tinha apenas uma definição, que era a mesma para todos. Desde então, os agentes policiais se beneficiam de um estatuto especial, que lhes confere a presunção de legítima defesa.

O artigo L.435 do Código de Segurança Interna francês aliviou consideravelmente o ônus da prova. Nesse sentido, é uma licença para matar. A pena de morte não foi abolida – foi simplesmente confiada exclusivamente às forças da ordem. É como se ao “idiota da aldeia” fosse dada a liberdade de decidir se executa ou não alguém pela menor ofensa. Sem a intervenção de árbitros ou juízes.

Os sindicatos policiais são um Estado dentro do Estado. Seus discursos incitam tumultos e abusos policiais, tudo em nome da razão de Estado e de uma República democrática (latim: “coisa” ou “assunto público”) apenas no nome. E o Estado, dirigido por incendiários neoliberais totalmente subservientes aos patrões liberais, é mantido unido apenas por sua força policial.

O Estado limitado ao papel de policial era o sonho dos ultraliberais e dos teóricos da minimarquia. Sarkozy, Hollande e Macron fizeram acontecer, passo a passo e implacavelmente.

O imperialismo ocidental deu origem primeiro à escravidão e ao colonialismo e depois ao seu subproduto, o terrorismo islâmico. O terrorismo islâmico é apenas uma das cabeças da Hidra Lernaean fascista, cujo berço está no Ocidente e em particular na França.

A islamofobia e o ressurgimento do mais violento fascismo é a consequência imediata, fruto da ignorância e da retórica essencialista e autoritária de um governo dirigido pelos filhos da burguesia colonial, tanto os Pétains como os Gaullistas. Uma elite atolada em uma mitologia chauvinista, cujos ídolos são muitas vezes senhores e guerreiros sanguinários, em vez de filantropos ou artistas inspirados. Mais de 60% dos policiais e gendarmes votam em partidos fascistas de extrema-direita. Para ser mais preciso: neopetainiano.

A classe trabalhadora branca racista é o flagelo da polícia, complementada por proletários racistas que esqueceram sua história ou que obedecem cegamente à lógica racista e masculina que domina sua empresa.

Nas ruas, contam agora com o apoio ativo das quadrilhas armadas neopetanistas formadas pelos netos da classe média alta, entusiasmadas com a ideia de reencenar as cruzadas e os pogroms do passado.

Agora, toda semana, em Lyon, Paris, Nantes, Bordeaux, Montpellier, Angers e Annecy, grupos fascistas aparecem e batem nas pessoas com barras de ferro e paus. Sua visão da sociedade é de muros, arame farpado, milícias e pessoas enforcadas. Não é melhor do que o Estado Islâmico ou Wagner, e a polícia os protege, a justiça os cobre, os partidos políticos de direita os recrutam. Porque são filhos de quem tem assento no Parlamento e no governo.

Quanto ao Governo, continua a destruir a proteção social, a educação e tudo o que compõe a sociedade, enquanto acelera a destruição da vida e do ambiente, esmagando e degradando cada vez mais as pessoas que trabalham contra a sua vontade para manter a máquina absurda em Operação.

Macron, com a cara desnorteada do banqueiro, freneticamente destrói tudo para satisfazer seu microcosmo de super-ricos e arrivistas liberais, na cretinice de que a economia se auto-regulará, trazendo paz e prosperidade a um mundo onde cada homem é seu mestre.

O pensamento filosófico está em seu ponto mais baixo, um terreno fértil para o individualismo mais desdenhoso. E quando o povo se revolta, quando a juventude da imigração pós-colonial se revolta, quando antifascistas, ambientalistas e feministas resistem, a polícia e os fascistas os reprimem violentamente, como fantoches perfeitos de um sistema capitalista e individualista rumo à destruição.

A França se considerava um farol de cultura. Via-se como a terra do Iluminismo, da Revolução, dos Direitos Humanos e da Social Democracia.

Não passou de uma negação colonial. Sua megalomania e superarmamento levaram-no a colonizar um terço do planeta, impondo seu modelo pela força e violência, saqueando o Sul para permitir que o Norte se beneficiasse de um estado de bem-estar e sua população se alimentasse de alucinações. Enquanto houvesse dinheiro… Mas o estado de bem-estar foi uma ilusão de curta duração.

O capitalismo não tem problemas em ajudar os pobres a sobreviver.

Os valores universais que a França pensava promover eram apenas uma ilusão.

A social-democracia era uma ilusão.

Aliás, era mentira. A realidade é o autoritarismo, a ganância e a violência dos mercenários da bolsa. Hoje, finalmente, as máscaras estão caindo.

Depois da rebelião dos Coletes Amarelos, não sobraram muitos, e se a ilusão deve evaporar nas chamas dos motins, então nós a aceitamos. É justo vingá-los. “Nós quebramos suas janelas porque vocês quebram nossas vidas. E se eles são escória, nós estamos dentro, sempre em solidariedade com as revoltas populares”.

Para homenagear Nahel e todas as vítimas da violência do Estado, o único caminho para a paz chegar é através de uma transformação social completa e radical! Sem Estado, sem policiais, sem prisões, sem chefes e sem fascistas!

Os Désarmons-les!

desarmons.net

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vôo dos pássaros!
fio costurando ligeiro
o céu ao mar.

Tânia Diniz

Revolta na França | Junho-Julho de 2023 | Mas o que o burguês educado não entende?

Em 2 de julho, um grupo de insurgentes em resposta ao assassinato estatal de um jovem de origem argelina, Nahel Merzouk, pela polícia durante um “controle” no subúrbio parisiense de Nanterre atacou a casa do prefeito do subúrbio parisiense de L ‘Haÿ-les-Roses. Eles desmantelaram as barricadas e o arame farpado com que o prefeito havia fortalecido sua casa e depois arrombaram o portão da frente da casa com um carro. Em um tweet, o presidente do Senado, Gérard Larcher, condenou o ataque, escrevendo: “Atacar a vida de um prefeito eleito e sua família é como atacar a nação”… No dia seguinte foi realizada uma manifestação a favor do “retorno à ordem democrática”. Publicamos a seguir a tradução de um texto do grupo La Mouette Enragée que responde à santa indignação da burguesia diante das manifestações de raiva dos proletários insurgentes. [E enquanto a rebelião parece estar diminuindo (por enquanto) em 04 de julho, um homem de 27 anos morreu em Marselha após ser atingido por um projétil “flash-ball”.]

Mas o que o burguês educado não entende?

Para o burguês educado, a duplicidade não é um defeito, é uma condição conveniente, um refinamento. Apenas essa propensão ao engano explica sua incapacidade dissimulada de entender a situação atual. Condená-la abertamente pareceria uma postura um pouco mais honesta.

Ontem o burguês culto, seja ele de esquerda, de direita ou de centro, dizia não entender a revolta dos Coletes Amarelos. Hoje, ele lamenta o colapso do contrato democrático. Entre nós, ele também é o único. E precisamente porque sente e sabe que está cada vez mais sozinho, o burguês está preocupado… Obviamente ainda tem a polícia e os meios de comunicação… Claro que nestas condições os sindicatos não poderão oferecer-lhe qualquer apoio.

A classe média educada lamenta o incêndio de uma escola estadual enquanto pagava por uma instituição privada de ensino para salvar sua prole do “conjunto Vivre” [lit., “reclamação”], das secretarias pertencentes à rede REP[1].

A classe média educada fica indignada quando um centro social, um escritório do Pôle Emploi[2] ou uma delegacia de polícia é incendiada, porque são eles os mediadores das políticas de controle social em todos os setores e em todas as circunstâncias.

O burguês educado fica horrorizado com a destruição de uma loja de varejo podre, quando sua esposa ou filha nunca será explorada ou humilhada diariamente por algum gerente sacana.

O cidadão educado chora quando uma linha de ônibus ou bonde é destruída; aquele que nunca experimentará a experiência irritante e desagradável do controle facial pelos trogloditas do transporte público.

Finalmente, o burguês educado, jovem ou velho, não consegue entender que a rebelião é necessariamente suja, violenta, descontrolada, na maioria das vezes desesperada porque é inevitável, libertadora, festiva e infelizmente muitas vezes sem futuro e sem perspectiva…

A burguesia fabricou a carniça de nosso tempo, por isso não suporta encará-la.

Boulogne-sur-mer, 30/06/2023

lamouetteenragee-noblogs-org

[1] REP e REP+ é um programa do Ministério da Educação Nacional com o codinome Educação Prioritária que classifica as escolas de acordo com um “índice social”. Ele substituiu as ZEPs (zonas de prioridade educacional) após o redesenho do mapa de prioridades educacionais, implantado no início do ano letivo de 2015. De acordo com o programa, escolas e faculdades são classificadas no programa REP com base em quatro parâmetros que podem influenciar sucesso acadêmico: – A porcentagem de categorias socioprofissionais desfavorecidas – A porcentagem de alunos bolsistas – A porcentagem de alunos residentes em QPVs (Bairros Prioritários de Políticas Municipais) – A porcentagem de alunos que repetiram um ano antes da sexta série. Os três primeiros critérios estão mais ou menos relacionados com renda familiar. Como resultado, em uma escola REP, há mais alunos cujos pais têm baixa renda do que em outras escolas. Independentemente das metas ambiciosas do programa REP, que supostamente visa a instrução corretiva de alunos desfavorecidos, eles são mais afetados pelo fracasso acadêmico do que outros e as outras escolas.

[2] O Pôle emploi tem três funções principais: apoio ao regresso ao trabalho, compensação aos candidatos a emprego, através do Subsídio de Regresso ao Trabalho (conhecido por ARE) ou do Subsídio Especial de Solidariedade (conhecido por ASS) e muitos outros (RFF, RFPE, ACRE, NACRE), e conectando empresas e candidatos a emprego.

agência de notícias anarquistas-ana

Anoitece no mar —
Os gritos dos patos selvagens,
Vagamente brancos.

Bashô

Números atualizados sobre os protestos na França

No total, entre a noite de 27 para 28 de junho e a de 3 para 4 de julho, houve oficialmente 12.031 veículos queimados, 2.508 prédios incendiados ou degradados, incluindo 273 instalações da polícia nacional, municipal e gendarmeria, 105 prefeituras incendiadas ou degradadas, 168 escolas atacadas. 722 policiais ficaram feridos.

3.625 pessoas foram detidas pela polícia em todo o país (incluindo 1.124 menores). Entre todos os detidos, “a idade média situa-se entre os 17 e os 18 anos (…), o mais novo tem 11 anos e o mais velho 59, um terço são menores”, “60% do total não têm registo criminal”, “10% dos detidos não são franceses e houve 40 colocações em centros de detenção administrativos”, segundo o ministro do Interior. Do número de pessoas sob custódia, 990 adultos e 253 menores foram apresentados à acusação, e 480 adultos foram enviados ao tribunal para comparecimento imediato. Até o momento, 380 pessoas foram enviadas para a prisão, condenadas ou mantidas sob custódia aguardando julgamento.

Quanto aos danos, a Associação de Prefeitos da França (AMF) relata “150 prefeituras ou prédios municipais atacados desde terça-feira, um recorde na história do país”. E o Ministro Delegado responsável pelas Pequenas e Médias Empresas, Comércio, Artesanato e Turismo, anunciou que 436 tabacarias foram afetadas desde o início dos motins, três quartos delas saqueadas e 10% totalmente destruídas.

Além disso, cerca de 370 agências bancárias foram vandalizadas nos últimos dias, incluindo 80 destruídas ou incendiadas, de acordo com a Federação Francesa de Bancos (FBF). Das 7.000 estações de correios presentes no território nacional, 80 não puderam reabrir, nomeadamente devido à destruição, 150 foram “impactadas” e 80 ATMs [caixas eletrônicos] da La Banque Postale “foram destruídas.

O prejuízo para as empresas seria de cerca de 1 bilhão de euros, segundo Geoffroy Roux de Bézieux, presidente do Medef, o sindicato patronal. As seguradoras reportam uma fatura inicial de 280 milhões de euros, com os primeiros 5.800 sinistros recebidos. A título de comparação, após várias semanas de tumultos em 2005, a conta subiu para 204 milhões para as seguradoras. E isso é só o começo das resenhas…

Na região de Ile-de-France, um total de 39 ônibus e um bonde T6 foram queimados desde 28 de junho, cujo total é estimado em “pelo menos 20 milhões de euros em danos” para o transporte público da região. As garagens de ônibus foram incendiadas em Aubervilliers, Provins, Evry, Blanc-Mesnil, Dugny ou Savigny-sur-Orge. Dez estações do bonde eléctrico foram destruídas nas linhas T5, T6, T8 e T9 por um valor de 2 milhões de euros.

Por fim, “das 500 cidades que possuem bairros prioritários (QPV), mais de 150 não sofreram confrontos e cerca de cinquenta cidades que não possuem bairros políticos na cidade sofreram confrontos”, disse o Ministro do Interior no Senado em 5 de julho. E de acordo com as contas estabelecidas pelo Ministério da Educação Nacional no domingo, 2 de julho, 210 escolas sofreram incêndios e danos (incêndios em latas de lixo, destruição ou tentativas de arrombamento). As aulas, é claro, mas também as salas dos professores e os escritórios administrativos foram danificados ou mesmo completamente destruídos. Com “cerca de sessenta estabelecimentos que sofreram danos significativos, incluindo dez que foram destruídos ou parcialmente destruídos”, declarou o Ministro da Educação Nacional.

[Atualizado com dados do Ministério da Justiça, balanço encerrado na terça-feira, 4 de julho, às 20h, e apresentados pelo Ministro do Interior durante sua audiência no Senado na tarde de 5 de julho.]

Fonte: https://sansnom.noblogs.org/archives/17728

agência de notícias anarquistas-ana

Alto da serra —
Passa sobre a terra arada
A sombra das nuvens.

Paulo Franchetti

[Grécia] 5º Festival Libertário de Solidariedade Social, de Classe e Internacional

7 a 9 de julho de 2023 | Zografou Campus, Escola IFE | Atenas, Grécia

Sexta-feira, 7 de julho

18h00: Apresentação do livro “Durruti no Labirinto” de Miguel Amorós

20h00: Contra o fascismo e o sistema que o gera e alimenta

22h00: Folk – festa tradicional

Sábado, 8 de julho

18h00: A luta contra a reestruturação educacional e o ID85 a partir de uma perspectiva libertária

20h00: Tráfico de mulheres e crianças: O papel do Estado e da máfia (o caso de Heliópolis, Kolonos e a ligação com a máfia policial grega)

22h00: Hip Hop ao vivo

Domingo, 9 de julho

17h00: “Organização e Luta pela Revolução Social”

18h00: A defesa das okupações como espaços de vida e estruturas de luta anarquista

20h00: Apresentação dos companheiros da Assembleia dos Povos Indígenas do Istmo de Oaxaca para a Defesa da Terra e do Solo (APIIDTT): sobre as resistências à pilhagem da natureza, as lutas indígenas e sociais no México e a campanha global “O Sul Resiste”

22h00: Os Chiritsantsoules apresentam a peça teatral “Carnaval (a dança dos condenados)”

>> No local do festival haverá exposição de fotografias, cartazes e desenhos, material impresso e feira de livros.

A LUTA PELA REVOLUÇÃO SOCIAL MUNDIAL VAI VENCER!

Organização Política Anarquista – Federação de Coletivos

apo.squathost.com

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Leve brisa
aranha na bananeira
costura uma folha.

Rodrigo de Almeida Siqueira

[Espanha] Nova matança sionista no genocídio israelense contra o povo da Palestina

Na madrugada de segunda-feira passada, um novo ataque de Israel sobre o campo de refugiados de Yenín, na Cisjordânia, causou, até o momento, a morte de 11 pessoas e deixou mais de 100 feridos e mais de 3000 deslocados, em um dos maiores ataques organizados pelo exército Israelense das últimas duas décadas.

Este novo massacre, ao qual por desgraça nos tem acostumados o Governo e o exército Israelense, é mais outro da inumerável lista de ataques a territórios palestinos que nos últimos tempos fizeram milhares de vítimas mortais e dezenas de milhares de feridos, convertendo-se em um autêntico genocídio sobre a Palestina.

Desde a CGT, como fizemos em inumeráveis ocasiões, condenamos de maneira veemente este novo atentado contra a vida e a liberdade do povo palestino, que vem sofrendo a repressão sionista de maneira sistemática desde décadas.

Do mesmo modo, desde a CGT denunciamos a nula vontade política de solucionar esta invasão por parte das diferentes administrações internacionais, que estão mais interessadas no poderio econômico do Estado israelense do que em pôr fim ao genocídio contra o povo palestino.

As guerras e os genocídios não só existem quando saem na televisão, nem se deveriam esconder quando os políticos de turno decidem apoiar um Governo de uma mais que duvidosa ideologia. As guerras e os genocídios existem, por desgraça, em muitas partes do mundo e desde a CGT exigimos que se realizem os mesmos esforços e investimentos para acabar com todos eles, sejam no Iêmen, Síria, Ucrânia ou Palestina.

Ninguém pode ser livre sem a liberdade da Palestina

Fonte: Secretariado Permanente do Comitê Confederal da CGT

Tradução > Sol de Abril

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As folhas caindo
Na roça em frente ao portão
Divertem o gato.

Issa

[Grécia] Mensagem do preso anarquista D. Hatzivasiliadis sobre a Revolta na França

Mensagem oral de solidariedade das prisões gregas

Terça-feira, 04 de julho de 2023

Minhas irmãs e meus irmãos. Você que hoje está lutando contra a máquina militarista da ordem imperialista europeia. Você que não esqueceu o massacre dos argelinos em Paris, há 60 anos. Vocês que lutam para não viver como escravos até a morte. Você que marchou de mãos dadas diante das linhas assassinas em Sainte-Soline e em outros lugares, por água, por terra, por comunidade e liberdade. Você que reacende o espírito de Babeth e Louis Blanche. A juventude da comuna grita profundamente em nossos corações, rebeldes cativos em toda a terra. O confronto continuará a se tornar cada vez mais violento a cada dia. A civilização capitalista não tem futuro. Damos toda a nossa existência à construção da autonomia social-proletária e do poder armado. Viva o anarquismo revolucionário.

Viva o internacionalismo.

A rebelião está à nossa frente.

>> Escute aqui a mensagem:

https://www.youtube.com/watch?v=r6ibYU7FOu4

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em zigue-zague
mosquitos-pólvora pairam
final de tarde

Marcos Amorim

[Itália] Adeus a Sergio Starace em meio ao amor e carinho de tantos em Salento

Sergio Starace, de Lecce, professor de filosofia, ensaísta, militante ambientalista, musicólogo, incansável animador social e cultural, morreu ontem (05/06) em decorrência de um câncer.

Ele tinha 70 anos.

Nessas horas são inúmeros os testemunhos de estima, carinho e participação postados nas redes sociais. Segue abaixo a lembrança que nos foi enviada pelo FORUM AMBIENTE E SALUTE.

Por muitos anos, sua música inundou a Piazza Sant’Oronzo e muitos outros lugares onde a mobilização social era ativa e viva na cidade e em Salento. A música dos queridos cantores e compositores da revolução cultural, que Starace interpretou com maestria; assim como composições próprias, sempre inspiradas na denúncia dos males da sociedade alienante, padronizada, vítima dos poderes sociais e políticos.

Anarquista, não podia deixar de desconfiar da verticalização e da centralização em todos os setores da sociedade. A cultura da “desconfiança” respeitosa das verdades oficiais traduziu-se em análises desmistificadoras.

Sua inspiração intelectual foi a psicologia junguiana, a chave para a compreensão e popularização dos fenômenos e dinâmicas socioculturais. Desde 1987, três volumes em particular se seguiram: “Compositores contemporâneos à luz da psicologia profunda”, “Anarquismo e psicologia profunda” e “Salas de reflexão sobre a vida e a morte”. Sua prosa refinada e limpa, na qual expressava uma nitidez, às vezes incomparável e com elaborações ousadas; mas que, no entanto, obrigava a questionar, a investigar, a duvidar, a olhar para além das aparências e do óbvio.

Professor de filosofia e história por muito tempo no Liceo Palmieri de Lecce, suas palestras sempre foram ferramentas para estimular e problematizar os conteúdos de ensino, à luz das experiências psicológicas dos alunos e relacioná-los com o contexto social e o debate atual.

Foi protagonista de uma mobilização destacada há vinte e cinco anos pela mídia nacional, em defesa dos direitos dos pais separados; na vanguarda dos movimentos de denúncia das guerras, fruto das agressões imperialistas perpetradas nas últimas décadas; ultimamente um promotor de um círculo de reflexão e leitura. Mas sua figura há décadas está ligada ao ativismo cada vez mais vivo que se desenvolveu em Salento, engajado na defesa do território de práticas nefastas, na denúncia de políticas questionáveis e violentas prejudiciais ao ecossistema de Salento.

Ao mesmo tempo, sua contribuição proativa foi uma das primeiras a advogar e instigar o estabelecimento de um processo e instrumento de participação coordenada entre instituições e movimentos cívicos; o processo que levou ao nascimento do atual Conselho Provincial para o Meio Ambiente.

Apesar de sua grave deficiência visual, ele tinha uma visão de longo alcance da dinâmica social, sempre orientado a perscrutar além da aparência, para investigar as profundezas. E olhar e esperar para além do presente, até na regeneração da vida, que se realizou na grande floresta, plantada pelas suas mãos, para o seu bem e do território.

Que as folhas dessas árvores ecoem a melodia de seu violão e música.

Fonte: https://www.leccecronaca.it/index.php/2023/06/06/laddio-a-sergio-starace-nellaffetto-e-nella-stima-di-tanti-salentini/

Tradução > Contrafatual

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Nas águas do mar
Águas-vivas flutuam
Tranqüilamente …

Miranda

[Grécia] Passeata em defesa do Parque Drakopoulos

Com a participação de mais de 400 manifestantes, uma marcha de bairro foi realizada na sexta-feira, 30/06, em defesa do Parque Drakopoulos. O bairro respondeu em massa ao nosso chamado e a marcha foi caracterizada pelo forte pulso e determinação dos manifestantes, enviando uma mensagem muito forte à Prefeitura Municipal de Bakoyannis e aos empreiteiros de que o projeto planejado e o corte das árvores encontrarão forte resistência.

Alguns dos slogans ouvidos:

  • O parque Drakopoulos continuará gratuito, não encherá o bolso de ninguém
  • Se não resistirmos em todos os bairros, veremos as árvores apenas como pinturas
  • Nós da vizinhança temos a primeira palavra, não os empreiteiros e os patrões
  • Não nos importamos com a sua reconstrução, seu idiota, vamos salvar o parque, seu bastardo-prefeito de Bakoyannis
  • Subornos, negócios e terrorismo, a polícia faz o seu papel sujo
  • Com as reformas não sobrará árvores, só querem turistas no centro
  • O problema da cidade não são os protestos, são as autoridades, a polícia e os despejos
  • Meios de redesenvolvimento, pobres despejados

Assembleia Aberta para a Defesa do Parque Drakopoulos

parkodrakopoulou.noblogs.org

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Sinto no rosto
Um carinho natural
O vento soprou.

Ze de Bonifácio

[Grécia] Komotini: Faixa-mensagem sobre os assassinatos de imigrantes

Após nossa participação nas mobilizações (em Komotini 15/06 e Kavala 20/06) pelo assassinato estatal de centenas de migrantes em Pylos, penduramos uma faixa em um ponto central de Komotini para passar uma mensagem à comunidade local, cujo silêncio sobre crimes de Estado contra imigrantes é ensurdecedor. Enquanto há quem se divirta e divulgue nas redes sociais toda esta atrocidade. A razão por trás do naufrágio do navio em Pylos foi outro pogrom paraestatal em Evros por trastes encapuzados. Essas pessoas covardes só atacam os oprimidos sob a cobertura da polícia, enquanto se curvam submissamente diante dos chefes que não são outro senão o Estado e as máfias de armadores e grandes empresários, etc.

Solidariedade com os Imigrantes

Utopia AD

agência de notícias anarquistas-ana

barro já seco
por pegadas de sapato
passeiam formigas

Jorge B. Rodríguez