[Reino Unido] Participação no aniversário da AnarCom na Feira do Livro Anarquista de Manchester e Salford, em 4 de novembro de 2023.

Agradecemos aos organizadores da Manchester & Salford Anarchist Bookfair por possibilitarem um evento bem-sucedido, com cerca de 30 barracas e 8 oficinas nos excelentes arredores do Peoples History Museum.

Essa foi nossa segunda participação como AnarCom e muito diferente da primeira. Da última vez, apenas alguns meses depois de nos reunirmos como ativistas internacionalistas, éramos pouco conhecidos, com poucos materiais, exceto alguns boletins informativos, com os quais nos engajar.

Este ano, 14 meses depois de nos reunirmos e um mês antes do aniversário de nossa constituição formal, fomos amplamente reconhecidos, bem recebidos e pudemos apresentar um conjunto completo de trabalhos que produzimos em um encontro receptivo.

Combinamos a formação de um bloco do NWBTCW com nossos companheiros de trabalho próximos da CWO, da Friends of Working Class Struggle (FOWCS) e do Old Moles Collective, que comicamente passou a ser chamado de “Class Reductionist Corner!”.

Tínhamos uma grande variedade de nossas próprias publicações, incluindo quatro dos panfletos e as últimas cinco edições do nosso boletim informativo, além de novos botons e faixas.

O evento foi muito frequentado e movimentado durante todo o dia, o que nos permitiu manter contato constante com os participantes e com os novos e antigos companheiros.

Com 120 de nossos boletins distribuídos, além de outros itens, e uma presença vibrante na mídia social durante todo o dia, representamos uma sólida presença internacionalista da Luta de Classes no evento.

Nós três que participamos tivemos um ótimo dia e estamos muito satisfeitos em ver um consequente aumento no número de seguidores e na comunicação desde então.  Agradecemos aos organizadores e a todos que vieram nos ver por terem feito desse dia um sucesso.

Fonte: https://anarcomuk.uk/2023/11/05/anarcom-anniversary-attendance-at-manchester-and-salford-anarchist-bookfair-november-4th-2023/

Tradução > Contrafatual

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/03/17/reino-unido-lista-das-feiras-do-livro-anarquista-2023/

agência de notícias anarquistas-ana

louco desafio:
comer fubá e cantar
o sole mio!

Carlos Seabra

Lançamento “Marcas Libertárias” na 1ª Festa Literária de Chapecó

O Coletivo Anarquista Bandeira Negra, integrante da Coordenação Anarquista Brasileira, convida para o lançamento do nosso livreto “Marcas Libertárias: episódios anarquistas em Santa Catarina (1841-2011)” em Chapecó, no dia 11 de novembro, às 17h, na Humana Sebo e Livraria, rua Mal. Bormann, 82D, Centro, Chapecó/SC.

A atividade faz parte da 1ª Festa Literária de Chapecó, que ocorre nos dias 10 e 11 de novembro na Humana Sebo e Livraria, organizadora do evento.

Sobre o livreto:

“Marcas Libertárias: episódios anarquistas em Santa Catarina (1841-2011)” é resultado de anos de pesquisa de nossa militância consultando jornais operários, trabalhos acadêmicos e memórias de antigos militantes. São 41 episódios que retratam a presença libertária entre os povos oprimidos e as lutas de Santa Catarina.

São fragmentos como as comunidades inspiradas no socialismo de meados do século XIX; os jornais anarquistas que circulavam entre trabalhadoras na região do Contestado; a fundação de espaços como a Liga Operária, viva até hoje no Centro de Florianópolis; as ações anarcopunks; e as iniciativas do início do século XXI para retomar a relevância anarquista nos movimentos sociais. Em tempos onde a extrema-direita parece tão confortável em solo catarinense, queremos lembrar que esse território sempre teve e continuará tendo muita rebeldia!

cabn.libertar.org

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Sobre a folha seca
as formigas atravessam
uma poça d’água

Eunice Arruda

Anarquismo como modo de vida e Comunalismo Africano

Por Isadora Gonçalves França

A partir da reflexão trazida por Sam Mbah e I. E. Igariwey no livro Anarquismo Africano: A história de um movimento pretendemos atentar para a existência de elementos anarquistas em sociedades africanas tradicionais (pré-coloniais). Como livre associação entre as pessoas, igualitarismo, liberdade, coletividade, autogestão e horizontalidade caracterizam esses meios sociais provando aquilo que Mbah e Igariwey documentam em seu livro, a obviedade histórica de que governos nem sempre existiram, mas também de que a prática anarquista, ou o anarquismo como modo de vida pode ser encontrado em diferentes lugares, independente de suas formulações teóricas.

INTRODUÇÃO

Anarquismo como filosofia social, teoria de organização social e movimentos sociais é remoto na África – de fato, quase desconhecido. Ele é subdesenvolvido na África como um corpo de pensamento sistemático e largamente desconhecido como movimento revolucionário. Seja como for, como veremos, o anarquismo como modo de vida não é, de jeito algum, novo na África (MBAH & IGARIWEY, 2018, s/p).

Dessa forma os autores nigerianos Sam Mbah e I. E. Igariwey iniciam o primeiro capítulo do livro Anarquismo africano: A história de um movimento. Como podemos ler, iniciam trazendo algumas definições para o que chamamos Anarquismo, sendo elas: filosofia social, teoria de organização social e movimentos sociais, corpo de pensamento sistemático, movimento revolucionário, modo de vida.

Nossa intenção neste texto é chamar a atenção especialmente para a última definição apresentada por Mbah e Igariwey, a compreensão de anarquismo como modo de vida e a constatação de que este modo de vida está presente na raiz de diversas sociedades africanas tradicionais (pré-coloniais).

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://bibliotecaanarquista.org/library/isadora-goncalves-franca-anarquismo-como-modo-de-vida-e-comunalismo-africano?v=1698935724

agência de notícias anarquistas-ana

jornal aberto,
café, leite e sangue:
guerra de perto

Carlos Seabra

[França] Libertários: nada de libertários, são todos fascistas

Uma teoria, essencialmente localizada nos Estados Unidos ou nos países anglo-saxões, com termos como “libertário” (de libertarian) ou “anarquista” associados ao termo “capitalista”, está se espalhando na Internet. Essa expropriação dos termos anarquista/libertário pelos autoritários pode surpreender, dadas as óbvias incompatibilidades entre esses termos, mas, dada a recorrência dessas expressões na rede, um pequeno artigo resumindo essas “teorias” parece necessário para esclarecer em que consiste essa manipulação.

Combinar termos opostos, como “anarquista” com “capitalista” para criar um oximoro, é uma arte da confusão que os capitalistas de Estado gostam de praticar para confundir as pessoas e vender seu lixo velho sob uma nova embalagem dourada. Já vimos isso com os bolcheviques capitalistas de Estado, que se proclamaram comunistas enquanto estabeleciam o capitalismo de Estado, com a ajuda ideológica e prática de várias burguesias, a fim de esmagar em ação a autoemancipação do movimento dos trabalhadores.

Para esclarecer o ponto, não usaremos o oximoro de capitalistas de estado, que seria dar valor à nova linguagem desses mercadores da miséria. Poderíamos chamá-los de “capitalistas privados do Estado” ou “ultraliberais”, mas, para simplificar, vamos chamá-los de “patrimonialistas”, para usar o termo que os anarquistas americanos usam corretamente para descrever essa nova fraude capitalista do Estado.

Além do voraz zelo expansionista inerente a todos os aspectos do capitalismo de estado (e seu oposto, o capitalismo de estado), há várias razões pelas quais os proprietários capitalistas de estado usurpam os termos anarquistas.

Historicamente, essa é uma das consequências da Guerra Fria, da política anticomunista americana (com sua caça às bruxas organizada pelos McCarthyites), que levou os “socialistas” americanos a se autodenominarem “liberais” (referindo-se ao liberalismo político ou democratas liberais) e, por efeito e em paralelo, os “liberais” (referindo-se ao liberalismo econômico ou ultraliberais) tiveram que encontrar outro nome para seus movimentos a fim de não serem confundidos com “socialistas”.

Ideologicamente, com base na economia austríaca e em uma definição muito particular e errônea de antiestatismo, os liberais [1] passaram gradualmente a se autodenominar “anarquistas” (interpretando de forma ampla as ideias “anarquistas individualistas” nas quais eles afirmam ter se inspirado), apesar de uma contradição óbvia: defender o capitalismo implica em estatismo mínimo ou máximo, hierarquia social, sociedade baseada em classes e trabalho assalariado, conceitos totalmente estranhos ao anarquismo.

Como veremos, seu antiestatismo é estreito e falso; eles são, na verdade, estatistas (capitalistas estatais!) que conscientemente ignoram a si mesmos.

Como muitas teorias totalitárias e maniqueístas, eles dividem o mundo em dois campos, o capitalismo e o estatismo. Acreditam que é preciso escolher um lado, que não se pode lutar contra o capitalismo e o estatismo ao mesmo tempo. Essa é uma retórica hipócrita, que reflete a dos social-democratas bolcheviques (já que esses últimos não rejeitaram o capitalismo de estado, assim como os proprietários não rejeitaram o estatismo privado, de modo que ambos compartilham a mesma contradição totalitária com pontos de partida opostos).

Na realidade, o capitalismo e o estatismo são inseparáveis, um existe por causa do outro e vice-versa. Tudo o mais é uma questão de equilíbrio político e ideológico: a luta é entre capitalistas de estado (para os quais a economia governa a política) e capitalistas de estado (que, ao contrário, querem que a política governe a economia). Para ocultar a fraude resultante da inconsistência entre fins e meios, os proprietários usam palavras enganosas, como fizeram os bolcheviques em sua época. Essas são manobras ideológicas projetadas para criar a ilusão de novidade ou renovação.

Na prática, os proprietários afirmam que podem agir em sua propriedade privada (sua “terra natal”) como se fosse um Estado [2] e vice-versa. Para eles, o proprietário, o único dono, tem direitos absolutos sobre sua propriedade e sobre seus súditos (inquilinos, empregados, escravos, cidadãos). Ele pode defender sua propriedade de acordo com seus próprios critérios de “justiça” e seus próprios interesses. Para uma organização mais ampla, os proprietários propõem agências de proteção, com polícia privada, tribunais de justiça privados e exércitos privados, de acordo com os códigos da lei geral de propriedade [3]. Para eles, liberdade significa propriedade e a capacidade de escolher o mestre, o escravo, o governante, a nação, a polícia, o sistema judiciário… Para justificar esse sistema, uma grande parte dos proprietários optou por recorrer à intermediação de vários partidos [“Partido Libertário”, “UKIP”, … na França eles fizeram um teste eleitoral com a “Alternative Libérale” – AL] que participam de eleições representativas.

Nos Estados Unidos, um de seus representantes, Ron Paul, que oscila entre o “Partido Libertário” e o “Partido Republicano”, ficou conhecido em diversas ocasiões por seus vínculos (financiamento ou conferências) com grupos de extrema direita (JBS John Birch Society, os sulistas da Liga do Sul, os supremacistas brancos, os fundamentalistas de Fátima, etc.), por seus recorrentes comentários racistas, em especial suas cartas na década de 1990 sobre os negros (que em Washington DC, segundo ele, eram essencialmente criminosos ou semicriminosos), mas também por sua posição contra a abolição das leis de segregação nos estados do sul.

Outros autores proprietários defenderam posições mais autoritárias, como Hans Hermann Hoppe [4], que declara claramente sua homofobia, defende a censura e até mesmo a eliminação física de seus oponentes, e defende a monarquia, para não dizer “ditadura privada”, que, segundo ele, é muito mais eficaz do que uma democracia, porque somente o monarca será capaz de defender suas fronteiras nacionais como se fossem sua propriedade privada.

Deve-se acrescentar que outras posições dentro da estrutura do mercado “livre”, além do trabalho assalariado, são apresentadas pelos proprietários [5], como a valorização da prostituição (dentro da visão global de uma sociedade mercantilizada), a venda/compra de órgãos, a venda/compra de crianças, o trabalho infantil ou a escravidão… para eles, a moralidade está na propriedade privada ou na hierarquia e não nas relações sociais igualitárias.

Assim, é compreensível que as referências ideológicas e econômicas dos proprietários sejam Hayek, Friedman, Ludwig Von Mises… autores que defenderam ou trabalharam para ditaduras [6]…

Essa teoria totalitária de defesa do capitalismo até o fim logicamente leva seus defensores a usar os meios do estado atual que eles afirmam rejeitar. Em outros casos, eles defendem a implementação das funções do estado real dentro de sua propriedade privada (individualmente ou por meio de agências privadas). Mudar a palavra “estado” para “agência” não altera a substância das práticas estatistas dos proprietários, sejam eles quem forem. Da mesma forma que usar o termo “anarquista” em detrimento de sua própria credibilidade não altera em nada a fraude de suas teorias.

Patrick Merin

Notas

[1] Apesar de sua rejeição inicial ao termo (considerado muito “socialista”), notadamente por Rothbard, que preferia o neologismo “não-arquista” (ou seja, “nem anarquista nem arquista”) enquanto defendia uma hierarquia voluntária.

[2] “Além disso, a política de imigração antidiscriminatória dos Estados Unidos e de outros países ocidentais nas últimas décadas facilitou o estabelecimento e a infiltração de pessoas alheias ou mesmo hostis aos valores ocidentais nesses países.” “O que devemos esperar e defender como uma política de imigração correta (…)? O melhor que podemos esperar (…) é que os líderes democráticos se comportem “como se” fossem donos pessoais do país, como se tivessem que decidir quem admitir e quem excluir de sua propriedade privada. Isso significa praticar uma política de extrema discriminação” Democracia: O Deus que fracassou, 2001, Hans Hermann Hoppe.

[3] Veja Rothbard, “Ética de Liberdade”, sobre a universalidade dos direitos naturais de propriedade.

[4] “Não pode haver tolerância com democratas e comunistas em uma ordem social libertária. Da mesma forma, em um compromisso fundado no objetivo de proteger a família e os entes queridos, não pode haver tolerância com aqueles que habitualmente defendem estilos de vida incompatíveis com esse objetivo. Esses – defensores de estilos de vida alternativos não centrados na família e nos entes queridos, como o hedonismo individual, o parasitismo, a reverência pela natureza e pelo meio ambiente, a homossexualidade ou o comunismo – também terão de ser fisicamente eliminados da sociedade, se se deseja mantar uma ordem libertária.” Democracia: O Deus que fracassou, 2001, Hans Hermann Hoppe.

[5] Walter Block en “Libertarianism vs Objectivism; A Response to Peter Schwartz».

[6] “Não se pode negar que o fascismo e movimentos semelhantes que buscam estabelecer ditaduras estão cheios das melhores intenções e que sua intervenção salvou, por enquanto, a civilização europeia. O fascismo sempre será lembrado por isso. Ludwig Von Mises “Liberalism” (1927); Friedrich Von Hayek – referindo-se ao Chile de Pinochet, no jornal “El Mercurio”, diz que prefere uma “ditadura liberal a uma ausência de liberalismo em um governo democrático”. O mesmo pode ser dito de outros países, como o Chile de Pinochet, a Áustria de Dollfuss, Portugal de Salazar e a Itália fascista de Mussolini. “Experimentos” mais recentes, como Taiwan, Hong Kong e Cingapura, são frequentemente citados como referências [Hans-Hermann Hoppe: “Deveríamos promover a ideia de um mundo composto por dezenas de milhares de distritos, regiões e cantões separados e centenas de milhares de cidades livres independentes, como as curiosidades contemporâneas de Mônaco, Andorra, San Marino, Liechtenstein, Hong Kong e Cingapura. “O mundo seria então formado por pequenos estados economicamente integrados por meio do livre comércio e do compartilhamento de uma moeda de commodities, como o ouro”.

Fonte: https://libertamen.wordpress.com/2023/10/22/libertarios-nada-de-libertarios-todos-son-fascistas-2014-patrick-merin/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

um raio de sol
transluz — balança a cortina…
borboleta amarela!

Douglas Eden Brotto

[Espanha] Novidade editorial: “Pierre-Joseph Proudhon. Federalismo y mutualismo anarquistas”

Nos enche de entusiasmo poder anunciar o novo título editado pela Fundação Anselmo Lorenzo: “Pierre-Joseph Proudhon. Federalismo y mutualismo anarquistas.” Florentino Iglesias reúne o pensamento proudhoniano para abordar diferentes problemáticas da atualidade. Um pensamento que, talvez, não nos ofereça sempre uma solução, mas sim um caminho para começar a caminhar em sua busca.

Sinopse

Em uma época de crise como a nossa, crise das sociedades de corte liberal, incapazes de conjugar direito e liberdade, o capitalismo não poderá resolver o desperdício planetário que põe em perigo a própria sobrevivência da humanidade. Ademais, porque sua meta tem pouco que ver com as necessidades reais da sociedade. Crise também, e talvez isto seja novo nas sociedades burocráticas do capitalismo de Estado — mal chamado socialista —, onde as aberrações dos governantes não podem ser conhecidas nem corrigidas e onde o papel do trabalhador fica reduzido a trabalhar, obedecer e conformar-se com o salário que definem os chefes infalíveis e indiscutíveis do partido.

Neste estudo, só pretendemos abordar alguns temas do pensamento proudhoniano. Temas que talvez valham a pena ter em conta, não porque aportem soluções definitivas a nossos problemas, mas sim apontam para elas. Consideramos que aporta elementos de reflexão sobre os problemas da construção de um socialismo autogestionário. Um socialismo onde o ser humano tenha direito a realizar-se, não só em seu ócio, como tratam de convencer-nos atualmente, mas também na empresa, onde passa grande parte de sua vida, assim como nas suas relações com a comunidade.

Nossa intenção fica, portanto, limitada, tratando de oferecer uma visão geral dos temas aqui abordados. Temas que, apesar do que seus adversários tenham podido dizer, se encontram no centro mesmo das preocupações políticas, econômicas e filosóficas de nosso tempo.

PIERRE-JOSEPH PROUDHON. FEDERALISMO Y MUTUALISMO ANARQUISTAS

Florentino Iglesias

Fundación Anselmo Lorenzo

Madrid, 2023

392 págs.

ISBN: 978-84-127509-0-4

PVP: 18 euros

fal.cnt.es

Tradução > Sol de Abril

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a lagarta
olha no espelho
a mariposa

Claudio Daniel

[Rússia] Ativista russo é encontrado em prisão de Moscou após desaparecer no Quirguistão

O ativista de esquerda e anarquista russo Lev Skoryakin foi encontrado dentro de um centro de detenção em Moscou semanas depois de desaparecer na república do Quirguistão, na Ásia Central, informou o grupo de direitos humanos Memorial na sexta-feira (03/11).

Skoryakin foi supostamente torturado no centro de detenção Butyrka, em Moscou, depois de ter sido sequestrado de uma prisão do Quirguistão em 17 de outubro e levado de avião para Moscou no dia seguinte, disse a Memorial, sem especificar quem estava por trás da transferência forçada do ativista.

Ele enfrenta acusações de “hooliganismo” armado na Rússia por ter realizado um protesto com seu colega ativista Ruslan Abasov contra o Serviço Federal de Segurança (FSB) em 2021 com o uso de uma arma de sinalização.

Ambos conseguiram fugir da Rússia depois de cumprir mais de seis meses de detenção.

As autoridades do Quirguistão inicialmente recusaram extraditar Skoryakin porque ele havia solicitado asilo político.

“Skoryakin provavelmente foi pressionado a dizer que supostamente havia decidido retornar à Rússia de forma independente e por vontade própria”, disse Memorial.

Os planos de Skoryakin de viajar do Quirguistão para a Alemanha – onde ele recebeu um visto humanitário – foram frustrados depois que as autoridades do Quirguistão confiscaram seu passaporte russo, de acordo com o grupo de direitos humanos.

As autoridades do Quirguistão já haviam detido Skoryakin em junho e o mantiveram preso até setembro.

A Memorial reconheceu Skoryakin e Abasov como prisioneiros políticos devido a violações de sua liberdade de reunião.

Vários ativistas anti-Kremlin foram extraditados ou tiveram sua entrada recusada em países vizinhos à Rússia desde que Moscou invadiu a Ucrânia no início de 2022.

As autoridades russas têm reprimido os críticos internos com uma série de processos criminais em seu esforço para sufocar a dissidência.

Fonte: https://www.themoscowtimes.com/2023/11/03/russian-activist-found-in-moscow-jail-after-disappearing-in-kyrgyzstan-a82993

Tradução > Contrafatual

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/10/26/o-anarquista-lev-skoryakin-foi-sequestrado-no-quirguistao/

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No entardecer
O azul celeste
Manchado é pelo arranha-céu

Dalva Sanae Baba

[Polônia] Por um mundo sem fascismo de todas as cores – 11 de novembro em Varsóvia

Na mente do público, a palavra “fascismo” está mais associada a fotos em preto e branco de procissões de tochas nas ruas de Berlim do que a eventos contemporâneos. Entretanto, essa ideia de dominação total do Estado sobre o indivíduo nunca foi associada a especificidades regionais e não foi derrotada em um passado distante. Não importa se as faixas dos novos fascistas terão suásticas ou Zs, pois a estética não é tão importante quanto a ideia. Os sonhos de um Estado forte, subjugando a sociedade e ameaçando todos os inimigos com força militar, ocupam as mentes de imperialistas e nacionalistas em todo o mundo.

A Europa não é, de forma alguma, uma exceção. Os partidos conservadores e de extrema direita têm um número significativo de assentos nos parlamentos europeus e uma presença visível nas ruas. Na Polônia, onde os conservadores detêm quase metade dos assentos no parlamento, a cada 11 de novembro, no Dia da Independência, a direita sai às ruas em uma demonstração de força. Essas procissões de tochas dos dias atuais são o exemplo mais brilhante do fato de que o fascismo não dorme, penetrando nas mentes dos jovens e ameaçando subjugar toda a sociedade.

Infelizmente, há pessoas no movimento democrático bielorrusso que acreditam que o papel de uma pessoa na sociedade é apenas segurar o retrato do líder e uma tocha. Os apoiadores da Junta declaram abertamente seus pontos de vista na mídia de massa, são convidados bem-vindos em eventos democráticos e, sim, são membros do “parlamento da oposição” – o Conselho de Coordenação. https://t.me/pramenby/5314.

Como anarquistas, não podemos permitir tendências autoritárias no movimento democrático e o triunfo dos populistas de direita nas ruas. Portanto, junto com nossos camaradas de outros países, sairemos no dia 11 de novembro em Varsóvia para contra-manifestar contra o fascismo de todas as cores e faixas.

Junte-se ao bloco anarquista na manifestação!

Vejo vocês nas ruas!

Fonte: https://pramen.io/en/2023/10/for-a-world-without-fascism-of-all-colours-11-november-in-warsaw /

Tradução > Contrafatual

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/11/17/polonia-marcha-fascista-reune-milhares-de-pessoas-em-varsovia/

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Árvore curvada
tentando catar folhinhas
caídas no chão.

Lena Jesus Ponte

[Peruíbe-SP] O No gods No master Fest chegou ao fim!

É preciso morrer para construirmos novas conexões!

O No gods No masters Fest foi, durante todas suas edições, um momento de encontro, construções, desconstruções, alegria, tristezas, decepções, coletividade e cansaço, muito cansaço. Construímos e reforçamos muitas posições, ferramentas e lutas nos dias dos Festivais. Tudo foi muito inspirador!

O desafio de criar e manter um Festival dentro dos moldes do Faça Você Mesmo, com muito amor, sempre foi visto como algo que sempre valerá a pena, é isto que acreditamos, nesta comunidade de luta anárquica.

Durante todos este anos fomos conhecendo e entendendo muitas outras perspectivas de vida e notamos o quanto é necessário abrangemos outras realidades, outras formas de luta e resistência dentro do festival.  Entendemos que lutar é uma prática diária constante para muitas pessoas, povos, comunidades e coletivos. Por esse motivo, expandir é realmente necessário.

Acreditamos que tudo está interligado! A Música, a dança, os gritos, as conversas, os debates, filmes, os encontros, todos são ferramentas que utilizamos para lutar e viver, para construir um novo mundo e para conseguirmos enxergar outras possibilidades, outros modos de estar e habitar este planeta.

Nessa perspectiva, entendemos que o No gods No masters Fest se estagnou e, por isso, é hora de deixar o Fest morrer para conectarmos e agregarmos novas lutas e sonhos.

O No gods No masters Fest deixa um terreno muito fértil, com muitas sementes germinando e árvores crescendo.

Agora é hora de usar este adubo deixado pelo No gods No masters Fest para germinar outras ideias e fortalecer as já existentes.

nogods-nomasters.com

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/11/09/peruibe-sp-no-gods-no-masters-fest-2023-ferramentas-para-autonomia-7-8-e-9-de-abril-de-2023/  

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na folha orvalhada,
gota engole gota,
engorda, desliza e cai

Alaor Chaves

[Espanha] Alterações ideológicas (e morais)

Os mais centralistas estão bastante chateados porque o traidor Pedro Sánchez, para ser investido como novo presidente deste país inefável, supostamente fez um acordo com os nacionalistas catalães, não sei muito bem o quê, sobre o perdão daquele processo, o perdão de dívidas enormes ou a dissolução definitiva da nação sacrossanta. É claro que é muito raro que uma força política de qualquer tipo para manter o poder pactue com Deus ou com o diabo. Claro que são diversos os subterfúgios para defender essa Espanha indescritível, unidade universal de destino; o mais engraçado é dizer que o “estado de direito” está sendo desmantelado ou que se trata de proteger a liberdade e a democracia (vamos conter o riso, vindo de quem vem). E só seria hilário, se não fosse tão perigoso, como esta fauna, que mal consegue esconder a sua condição reacionária, alude a conceitos mistificadores mais ou menos aceitáveis para as massas e para figuras históricas, algo incompreensíveis para a grande maioria, ignorando a iníqua história contemporânea deste país indescritível. Sim, mais uma vez, lembraremos que, em plena modernidade, a reação venceu aqui , uma forma peculiar de fascismo mais tarde “liberalizada”. Dessas poeiras, dessas lamas.

É claro que há que reconhecer que os reacionários têm muita facilidade em alterar-se , a nível ideológico, de uma forma muito mais concreta do que outros; basta-lhes defender uma ideologia ultrapassada, abertamente protetora dos privilégios e das hierarquias , exaltar aquela abstração chamada nação (e mesmo “império” para maior alegria), em nome da qual tantos jovens se sacrificaram de forma estéril, continuar erguer estátuas para a ignomínia, etc., etc. É preciso reconhecer que, muito provavelmente, só numa maioria é mera credulidade, já que alguns grupos se esforçam em determinadas tarefas, mais ou menos intelectuais, escrevendo livros e criando fóruns de debate nos quais devem enfeitar, com mais ou menos habilidade , a reafirmação permanente da mesma fantasia reacionária. Aliás, é quase engraçado que esta peculiar plêiade nacionalista (vertente espanholista) se queixe continuamente da pós-modernidade, eles, que mal conseguem esconder o seu desprezo pela modernidade com circunlocuções. Talvez seja por isso que se diz que o fascismo é ao mesmo tempo um produto moderno e uma reação em defesa de valores tradicionais iníquos. Sim, eu sei que é quase fácil demais envolver-se com a gangue e seus derivados, e que nós, a minoria anarquista muito lúcida (apenas por enquanto, uma minoria), também temos que fazer um esforço em outros assuntos contra a poder.

Mas o fato é que quem tem a moral realmente alterada, ainda mais que a ideologia, é quem assina este blog brilhante. E nesta era, moderna ou pós-moderna, onde tantas pessoas morrem em nome de resíduos imperiais ou de identidades nacionais recentemente criadas, há pequenos grupos que defendem formas benignas de militarismo (porque é isso que está por detrás de qualquer forma de poder), porque faz com que a pessoa fique enervada e carregada de razão. Na verdade, não é apenas um problema dos mais reacionários, com as suas fantasias raciais outrora expansionistas, uma vez que a dominação assume formas escandalosamente diversas e bem adaptadas aos tempos atuais; mesmo a existência destes juncos abertamente nacionalistas serve de desculpa para outros, com um imaginário e terminologia diferentes, que sustentam o mesmo mundo perverso que sofremos. Um mundo onde neste momento, em nome de todas essas abstrações identitárias e interesses estatais, homens uniformizados de uma espécie ou de outra massacram pessoas em lugares como a Ucrânia, a Palestina, a Síria, o Iémen ou outras regiões do mundo sem espaço nos meios de comunicação social. Sem falar nos milhões de pessoas que hoje sofrem as mais intoleráveis carências , em nome de uma ou outra bandeira, que mascaram os privilégios das classes dominantes.

Juan Caspar

Fonte: https://acracia.org/alteraciones-ideologicas-y-morales/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Boêmio da noite
no portão enferrujado.
Morcego dormindo.

Fanny Dupré

[EUA] Feira do Livro Anarquista de Boston 2023

11 e 12 de novembro de 2023, das 10h às 17h
Centro Comunitário de Cambridge 5 Callender St, Cambridge, MA

Estamos entusiasmados em anunciar a próxima Boston Anarchist Bookfair de 2023 e queremos que você faça parte desse evento empolgante! Marque em sua agenda os dias 11 e 12 de novembro, quando nos reuniremos no Cambridge Community Center para um fim de semana de exploração intelectual, discussões instigantes e formação de comunidade.

Feira de livros anarquistas de Boston

Introdução:

Uma feira de livros anarquista é um encontro dinâmico que adota os princípios do anarquismo – uma filosofia enraizada na cooperação voluntária, na ajuda mútua e no desafio às estruturas hierárquicas. É um espaço empolgante onde autores, editores, ativistas e indivíduos de diversas origens se reúnem para explorar perspectivas alternativas, trocar ideias e questionar noções convencionais de poder e autoridade.

Uma rica história de ideias fortalecedoras:

Boston Anarchist Bookfair ostenta um legado que remonta à sua criação em 2011. Evoluindo de seu início popular para um evento anual altamente esperado, a feira de livros tem servido consistentemente como uma plataforma influente para a disseminação de ideias que desafiam sistemas opressivos e inspiram transformações positivas. A dedicação inabalável ao desmantelamento de várias formas de opressão, incluindo a supremacia branca, o fascismo, o colonialismo, o capitalismo e o patriarcado, é fundamental para os valores centrais da feira de livros.

Ao nos reunirmos na próxima Boston Anarchist Bookfair, também aproveitamos esta oportunidade para elevar e celebrar os esforços incansáveis de anarquistas e ativistas de todo o mundo que trabalham em solidariedade para uma visão compartilhada de um mundo mais justo e livre. Dos movimentos de base à organização comunitária, sua dedicação persistente abriu caminho para mudanças positivas e inspirou inúmeras pessoas a desafiar sistemas opressivos. Esta feira de livros serve como um ponto de encontro para promover conexões e colaborações, permitindo que aprendamos com as experiências e os sucessos uns dos outros. Ao reconhecer e apoiar o trabalho contínuo dos anarquistas solidários, renovamos nosso compromisso com a ação coletiva e a busca contínua pela justiça social. Juntos, permanecemos unidos, sabendo que nossa jornada compartilhada rumo a uma sociedade mais compassiva e equitativa é mais forte quando apoiamos os esforços uns dos outros.

Informada pelos princípios do anarquismo e do pensamento esquerdista mais amplo, a feira de livros incentiva o cultivo da imaginação radical. Por meio do sonho coletivo, aspiramos a criar um futuro caracterizado pela cooperação voluntária, ajuda mútua e relacionamentos equitativos. Essa visão inspiradora serve como base para a criação de um mundo mais justo e livre.

Estamos ansiosos para recebê-lo no evento deste ano!

bostonanarchistbookfair.org

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Água de cristal
Forma nuvens coloridas
No meu céu de sol.

Claudia Chermikoski

[Reino Unido] Lembrando o companheiro Barry Horne, a 22 anos da sua morte

A morte de Barry Horne completou 22 anos neste sábado, 5 de novembro. Ativista britânico pela liberação animal, ele levou a cabo distintas ações de sabotagem com dispositivos incendiários contra alvos vinculados à experimentação e a exploração animal, feitos pelos quais nunca se arrependeu e que sempre admitiu com orgulho. Barry participou ativamente em incêndios de lojas de peles, assim como no incêndio que destruiu as instalações da “Boots The Chemists” na ilha de Wright, por testar os seus produtos em animais (os danos foram avaliados em mais de 3 milhões de libras). Também levou a cabo liberações de animais e outras sabotagens menores.

Barry Horne foi capturado e condenado a 18 anos de cárcere, ao longo dos quais levou a cabo 4 greves de fome consecutivas, com a intenção de persuadir ao governo e a imprensa para falar acerca das grandes quantias de dinheiro dos impostos destinado às práticas de vivissecção e experimentação com animais, já que o candidato do Partido Trabalhista prometera um debate público a respeito quando chegou ao poder em 97, promessa que, como era de esperar, nunca cumpriram…

Esgotado e debilitado pelas 3 greves anteriores (uma das quais de quase 70 dias, que causou-lhe perda de visão e danos irreversíveis nos rins), Barry decidira arriscar-se com uma nova greve, ante a indiferença e a falta de palavra do governo com as 3 greves anteriores. A escassa distância temporal entre cada uma das 4 greves de fome, custou a vida de Barry. Na segunda-feira, 5 de novembro de 2001 pela manhã, no hospital de Ronkswood, em Worcester, Barry morria finalmente duma falência hepática depois de ter permanecido 18 dias sem comer. Barry ignorara deliberadamente as advertências dos médicos, e rejeitara a alimentação assistida. Queria ir até o final, e até ali chegou.

Os meios de comunicação de rapina festejaram a sua morte, qualificando-o de terrorista e usando a sua figura para criminalizar a todo o movimento pelos direitos dos animais e a todas as ativistas que lutavam contra o especismo e a exploração. O jornal “The Guardian” destacou nesta miserável difamação do companheiro com um artigo escrito pelo jornalista Kevin Toolis que falava de Barry do seguinte jeito: “Em vida ele foi um João-Ninguém, um lixeiro convertido em incendiário. Mas morto Barry Horne alça-se como o primeiro verdadeiro mártir do mais exitoso grupo terrorista que a Bretanha jamais conheceu, o movimento pelos direitos dos animais”.

Para muitas de nós, ao contrário, Barry Horne, longe de ser esse tolo terrorista e violento que os meios quiseram pintar com seus restos ainda quentes na morgue do hospital, representa ainda, 22 anos depois da sua morte, todo um exemplo de integridade, coerência, valor e determinação, um companheiro que levou à prática a liberação animal até as derradeiras consequências, chegando além onde as palavras perdem o seu eco, e que entregou a sua liberdade e finalmente a sua própria vida para salvar as dos animais e por destruir as infames maquinarias e os escuros lugares empregados para a sua escravidão, confinamento e assassinato. A sua história leva-nos a lembrar as outras muitas companheiras e companheiros que também morreram ou ficaram presas por não tolerar o intolerável, por defender o óbvio, por não silenciar os seus sentimentos nem a sua raiva nem sequer quando a repressão espalhou de novo o seu medo, e atacar no ausente coração desta besta industrial cinza e hipócrita.

Porque como Barry escreveu num dos seus comunicados desde o cárcere:

A luta não é por nós, não é pelos nossos caprichos ou necessidades pessoais. É por todo animal que alguma vez sofreu e morreu num laboratório de vivissecção, e por todos aqueles animais que sofrerão e morrerão nas mesmas circunstâncias a não ser que detenhamos este cruel negócio já. As almas dos mortos torturados choram pedindo justiça, os que estão vivos choram pedindo liberdade. Podemos fazer essa justiça e proporcionar-lhes essa liberdade. Os animais só têm a nós, e não lhes falharemos…

agência de notícias anarquistas-ana

sussurro sem som
onde a gente se lembra
do que nunca soube

Guimarães Rosa

[Chile] Contra todas as jaulas

As estruturas do Poder carregam uma longa história de exploração, domínio, castigo e morte. Os cárceres para humanos são mais uma das tantas formas nas quais deixam cair o peso para quem transgride a ordem social dos poderosos; no caso das demais espécies animais, as jaulas servem para expô-los como mercadoria, luxo, status e lucro.

Por outro lado, o cativeiro e sua máquina de morte são validados e defendidos pelo inimigo, a imunda cidadania e por amplos setores da podre sociedade.

Ante tal panorama contra, nossa posição e prioridade em nosso caminhar anárquico é traduzido no eterno chamado ao conflito pela Liberação Total.

Parafraseando um companheiro: “A destruição e liberdade são um vulcão em nosso interior”. Não há ponto médio, não há matiz, não há volta atrás.

Desde as 19h00 no Espaço Fénix (Juan Martínez de Rozas 3091, Santiago centro). Após cada projeção convidamos a nos reunirmos em um círculo de conversa e compartilhar em torno às temáticas exibidas.

Programação

Terça-feira 07: Los pecados de la carne

Terça-feira 14: La Leonera

Terça-feira 21: The Cove

Quinta-feira 30: Alguien voló sobre el nido del cuco

Espaço Fénix

espaciofenix.noblogs.org | espaciofenix@riseup.net

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

mostro o passaporte
minha sombra espera
depois da fronteira

George Swede

[Chile] Convocatória solidária para o veredicto contra Mónica e Francisco

Em Santiago, território ocupado pelo Estado chileno:

No dia 7 de novembro, às 10h30, no Centro de Justiça, será lido o veredicto contra os companheiros Mónica e Francisco, onde o tribunal decidirá por quais crimes eles são culpados. A convocação é para comparecer e se solidarizar com aqueles que enfrentam o poder.

Em 24 de julho de 2020, os companheiros anarquistas Mónica Caballero e Francisco Solar foram presos, acusados do ataque explosivo à 54ª delegacia de polícia em Huechuraba, ao ex-ministro do Interior Rodrigo Hinzpeter e do ataque ao edifício Tánica, um símbolo do poder corporativo localizado no bairro dos ricos.

Após 3 anos de prisão preventiva, em 18 de julho de 2023, os companheiros enfrentarão um julgamento que busca condená-los a décadas de prisão por confrontarem anarquicamente o poder e os poderosos e buscarem destruir o monopólio da violência do Estado.

agência de notícias anarquistas-ana

Pétalas de rosas
Entre as folhas do diário
Seca recordação

Teruo Tonooka

[Reino Unido] A Rede Mutu desafia os magnatas da mídia

O anarquismo é uma ideia muito boa. Por que não é mais conhecido? Que mídia os anarquistas podem usar para envolver um número maior de pessoas?

Descobri o anarquismo mais tarde na vida. Por cerca de 20 anos, participei de todos os tipos de atividades de justiça social, de marchas pelo fim da guerra a ações de solidariedade com a Palestina, de protestos contra o G8 e o G20, de No Borders a No Sweat, antiausteridade e antifascismo. Como muitos ativistas, eu sabia a que me opunha, mas nunca consegui definir facilmente o que defendia.

Depois veio o Corbynismo e o otimismo sedutor do socialismo democrático, um movimento condenado que acabou levando muitas pessoas, como eu, a entender a contradição da “democracia representativa” e a percepção de que o Estado nunca liberou – e nunca poderá liberar – todo o seu povo da opressão. Foi quando me tornei um socialista libertário ou um anarquista. Quase me envergonho de não ter tido essa epifania antes. Se ao menos alguém tivesse me explicado isso em termos simples!

No entanto, continuei a aprender mais sobre o anarquismo – como um mundo sem líderes, estados ou fronteiras, um mundo que se opõe às estruturas hierárquicas, um mundo sem desespero, crime, polícia, prisões ou instituições poderosas, onde as necessidades das pessoas são atendidas por meio do princípio da ajuda mútua, juntamente com sistemas de apoio comunitário, resolução de conflitos, justiça restaurativa e transformadora, tomada de decisões por consenso e democracia direta. Enquanto o capitalismo nos trouxe a corrupção, a crise climática e o caos, o anarquismo nos oferece ordem sem poder. A própria palavra “anarquismo” deriva da antiga palavra grega anarchia, que significa “sem líder” ou “sem autoridade”. As palavras são o meio para o significado – como nos diz o protagonista de V For Vendetta – e podem ser poderosas quando compreendidas.

Fico surpreso com o fato de que ainda mais pessoas não tenham entendido a ideia nesta época de crise. Afinal de contas, esses princípios são essencialmente baseados em inclusão e cuidado. No entanto, por mais inócuos que pareçam, aqueles de nós que os promovem e participam deles são frequentemente demonizados pela mídia e alvo do Estado. O próprio poder está incrivelmente ameaçado pelo imenso potencial desses programas de deslegitimar, minar e até mesmo substituir o próprio Estado. É por isso que o aumento da violência da direita fascista é amplamente ignorado. É por isso que, em vez disso, os ativistas pacíficos podem ser chamados de “extremistas domésticos” e as livrarias bonitinhas podem ser consideradas “focos de conspirações terroristas”. É por isso que os cafés da manhã gratuitos oferecidos pelos Panteras Negras foram considerados uma “ameaça à segurança”.

Então, em vez disso, na mídia, é o anarquismo – e não o capitalismo – que é retratado como o prenúncio da devastação, apesar de todas as evidências em contrário diante de nós, ao nosso redor. Portanto, a culpa não é apenas da falta de mensagens simples e articuladas do movimento anarquista. O obstáculo mais significativo é a propriedade e o controle da mídia. De onde estamos obtendo nossas informações? Em quais espaços estamos confiando e, portanto, legitimando?

Com o desenvolvimento da World Wide Web, houve, é claro, grandes esperanças de disseminação sem precedentes de ideias e troca de informações que a mídia estabelecida poderia não cobrir nas páginas dos jornais e programas de notícias da televisão.

“Não odeie a mídia; torne-se a mídia!” Esse foi o principal slogan dos centros IndyMedia que muitos de nós lembramos ter surgido dos protestos da OMC em 1999 e do movimento Stop the War no início dos anos 2000. “A Web altera drasticamente o equilíbrio entre a mídia multinacional e a mídia ativista”, declarou uma declaração de abertura do primeiro centro IndyMedia. “Com apenas um pouco de codificação e alguns equipamentos baratos, podemos criar um site ao vivo e automatizado que rivaliza com as corporações.”

De fato, o projeto IndyMedia começou de forma promissora, permitindo que relatássemos ações radicais em minutos, carregando conteúdo de forma livre e fácil, inclusive imagens, com as quais contribuí para o site de Sheffield. No entanto, sem padrões mais bem definidos ou supervisão editorial suficiente, ele acabou desmoronando sob o peso das teorias da conspiração e do antissemitismo, já enfraquecido pelo surgimento da “Web 2.0”, em que os ativistas passaram a usar seus próprios perfis e páginas de mídia social para informar sobre os acontecimentos, sendo que alguns seguiram suas carreiras dessa forma.

Durante anos, o cenário da mídia britânica foi cada vez mais dominado por uma concentração de interesses privados, como o News UK, dos Murdochs, o Daily Mail Group, dos Rothermeres, e o Reach, e, talvez não por coincidência, a confiança na imprensa permaneceu baixa, com a ilusão de que a emissora pública BBC representava mais do que apenas a mídia controlada pelo Estado sendo destruída também.

Com a queda da fé na mídia estabelecida e o aumento do uso da Internet, os sites de mídia “alternativa” surgiram no início dos anos 2000 para preencher o vácuo em um padrão que lembrava as estações a cabo de acesso público nas décadas de 1970 e 80 e, infelizmente, com desinformação semelhante como parte do pacote. Muitos desses sites aproveitaram o movimento antiguerra e os sentimentos anti-imperialistas do Ocidente na época, mas muitas vezes se tornaram apologistas dos Estados russo e sírio.

Também houve outras “alternativas”, como Byline Times ou Novara Media – geralmente empresas limitadas com diretores, muitas vezes lideradas por personalidades da mídia renegadas que supervisionam equipes de jornalistas ambiciosos que, por sua vez, ganham exposição na mídia estabelecida, como The Guardian ou BBC. É verdade que alguns são mais não-hierárquicos, como o The Canary, que expulsou sua diretoria e se tornou uma cooperativa de trabalhadores. Ao longo dos anos, estive envolvido até mesmo na criação de empresas de mídia sem fins lucrativos, lutando por financiamento e tentando desenvolver fluxos de receita, antes de perceber a futilidade disso: Todas elas existiram em silos, todas competindo entre si por cliques, todas perdidas em uma tempestade de areia de mídia “alternativa”. Embora muitas delas tenham seu lugar – e forneçam exemplos de jornalismo de qualidade – evitar o aspecto comercial (e os caçadores de cliques que o acompanham) é útil para desenvolver nossa mídia de guerrilha no local – e a partir do zero.

Como anarquistas, citamos com frequência a importância da ajuda mútua na superação de barreiras socioeconômicas. Então, por que a informação raramente é incluída nesses diálogos? Afinal de contas, a informação é o oxigênio da mudança social.

Portanto, nesse espírito de ajuda mútua, imagine um espaço on-line que você poderia visitar diariamente para receber não apenas as últimas notícias sobre ações em sua localidade, mas também para compartilhar informações sobre campanhas ou eventos – sem voltar ao Twitter/X de Elon Musk ou ao Facebook/Meta de Mark Zuckerberg, com a mídia social em crise, já que tudo fecha o círculo e muitas pessoas retornam aos boletins informativos e às páginas da Web, ou aos princípios igualitários originais da Web refletidos pelo surgimento dos servidores descentralizados e sem fins lucrativos do Fediverse.

Há uma oportunidade real agora de desenvolver uma rede interconectada de sites que as pessoas possam visitar para saber o que está acontecendo em sua área e informar sobre ações nas proximidades. De fato, a informação como parte da ajuda mútua.

Esse não é um conceito novo. As pessoas têm se envolvido em “reportagens de cidadãos” há anos. O termo “liberdade de imprensa” não foi usado inicialmente para descrever o mercado de mídia comercial, mas literalmente, a liberdade de publicar usando uma prensa de impressão.

Poucos simbolizam esse espírito como a própria Freedom Press. Fundada em 1886, a editora anarquista nos deu o único jornal nacional anarquista do Reino Unido, uma ferramenta crucial na luta contra a mídia estabelecida, e continua a fornecer recursos de qualidade até hoje, enquanto outros sites de notícias “alternativas” surgiram e desapareceram. O Freedom News é um centro de informações anarquista que poderia servir de base e inspiração para as reportagens dos cidadãos em todo o país.

Pouco antes da pandemia de Covid-19, uma reportagem no Freedom News ofereceu informações sobre a rede Mutu, de língua francesa. Com a ajuda mútua inspirando seu nome, a Mutu fornece um exemplo ideal de uma rede interconectada de sites locais que oferecem maneiras de os ativistas compartilharem informações sobre eventos e campanhas, de trabalhadores em greve a estudantes ocupantes e outras lutas interseccionais da classe trabalhadora – tudo por meio de uma interface coletiva, com conteúdo de publicação participativa que passa por um processo editorial transparente antes de ir ao ar nos sites, evitando assim os erros fatais da antiga IndyMedia.

Esse relatório tornou-se um ponto de discussão para muitos ativistas de mídia no Reino Unido. Poderíamos replicar o modelo Mutu aqui? Poderíamos desenvolver uma rede de sites de mídia autônomos locais para Sheffield, Bristol, Manchester, Norwich, Liverpool e assim por diante? Se sim, como? Era hora de entrar em contato com as pessoas por trás da Mutu na Europa continental.

Alguns de nós realizaram o que acabou sendo reuniões em vídeo informativas e inspiradoras com os ativistas envolvidos com a Rede Mutu – que agora consiste em cerca de 20 sites diferentes na França, Suíça, Bélgica e Áustria. A Mutu enfatiza os sites em francês, mas seus ativistas têm se mostrado entusiasmados em ajudar sites em outros idiomas a se desenvolverem a partir de sua estrutura antes de se ramificarem para formar seus próprios sites.

Não há regras nem mestres. Teremos que trabalhar juntos para descobrir como criar algo semelhante à Mutu Network aqui no Reino Unido. Alguns de nós estão discutindo o que chamamos de Local Autonomous Media (LoAM) e como podemos criar uma rede de notícias radical como essa na Grã-Bretanha.

Alguns sugeriram simplesmente conectar uma série de sites WordPress; outros recomendaram o canto Kbin do Fediverse, semelhante ao Reddit, com seu formato de revista. Há muitas opções à frente para que isso aconteça. Está claro que, seja qual for a forma que tome, o momento para a mídia anarquista no Reino Unido é agora: um site para cada cidade do país, todos conectados, todos construídos em torno – e talvez alimentados – do exemplo inspirador do Freedom.

Jay Baker

Para participar, envie um e-mail para loam@riseup.net

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2023/10/15/mutu-network-challenges-media-moguls/

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Nos bambus já escuros,
morcegos, daqui, dali,
também sem destinos.

Alexei Bueno

[Espanha] CNT se soma à greve feminista de 30-N

Desde a central anarcossindicalista se faz um chamado a “parar tudo este 30 de novembro”.

“Compartilhamos as exigências do movimento feminista e nossa militância apoiará a mobilização”, assinalam desde a CNT.

A filiação da organização sindical mostrou seu apoio unânime à greve feminista de 30 de novembro. Desde a primeira greve de 2018, “mostramos nosso apoio legalizando a greve geral de 24 horas”, assinalam desde o sindicato, e “agora cabe seguir apoiando ativamente as reivindicações do movimento feminista”. Ademais, a CNT sublinhou que o protagonismo das mobilizações o deve levar “o próprio movimento feminista”, considerando os sindicatos uma ferramenta indispensável de apoio nas mesmas. “Cremos que o foco da greve, que vai mais além da paralização de pessoas assalariadas, é um acerto”, assinalam desde a central anarcossindicalista.

No entanto, desde a CNT se sublinha que o fundamento do conceito de greve é o de parar todo tipo de produção e/ou atividade, “um dos objetivos da convocatória de 30N”.

Por último, a CNT também destaca que enfrente “não só temos a patronal; também temos as instituições públicas”, responsáveis da gestão dos serviços de cuidados que, em muitas ocasiões, estão privatizados, e que, a maioria das vezes tratam as trabalhadoras e pessoas usuárias pior que a patronal mesma.

Por esta e muitas razões mais, a CNT faz um chamado a envolverem-se ativamente na preparação da greve e em “parar tudo este 30 de novembro”.

Para mais informação sobre a convocatória, se pode consultar a web:

https://denonbizitzakerdigunean.eus/

cnt.es

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

De seguir o viajante
pousou no telhado,
exausta, a lua.

Yeda Prates Bernis

Show Ordinaria Hit | Evento Beneficente à XIII Feira Anarquista de São Paulo

Quando: Quarta-feira, 15 de novembro de 2023, a partir das 17h

Local: Tipitina Bar – Rua Cardeal Arcoverde, 1849

Contribuição voluntária sugerida: R$10

Pix: bibliotecaterralivre@gmail.com

Show: Ordinaria Hit (comemorando 20 anos de ruído & barricadas)

Debate: Não começou em Junho de 2013: memórias das luta anticapitalistas em São Paulo

Presença de participantes que atuaram em grupos como Centro de Mídia Independente, Ação Local por Justiça Global, Verdurada, entre outros.

Venda e exposição de material libertário.

Org: Biblioteca Terra Livre e Ordinaria Hit

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/08/30/ultima-semana-para-inscricao-na-xiii-feira-anarquista-de-sao-paulo/

agência de notícias anarquistas-ana

O vento é o tempo:
sopra varre levanta lambe
desfaz o que foi feito.

Thiago de Mello