[França] Ivan Alocco saiu da prisão (a investigação permanece aberta)

Ficamos sabendo com alegria da soltura do camarada anarquista Ivan Alocco! O camarada havia sido preso há um ano, em 11 de junho de 2022, pela Sous-Direction Anti-Terroriste (SDAT) da Direção Central de Polícia francesa para uma investigação sobre alguns ataques incendiários, ocorridos em Paris e Montreuil entre janeiro e junho do mesmo ano, contra veículos da Enedis (dependente da EDF, Électricité de France), da SFR (Société Française du Radiotéléphone), do jornal “Est Républicain”, pertencente ao corpo diplomático e contra um carro de luxo. Recordamos também que desde outubro Ivan fez duas longas greves de fome em solidariedade a Alfredo Cospito (a primeira, de 35 dias, de 27 de outubro a 1º de dezembro e a segunda, de 32 dias, de 22 de dezembro a 23 de janeiro).

Segue abaixo o texto do camarada sobre a liberação (ainda há uma série de restrições cautelares).

Ivan é libertado da prisão (França, 12 de junho de 2023)

Saí da prisão em 12 de junho. O GIP emitiu uma ordem de liberdade condicional. As restrições são:

— proibição de deslocação à região de Île-de-France;

— proibição de deixar a França metropolitana;

— assinaturas na gendarmaria uma vez por semana;

— Tenho de depositar o meu passaporte e carteira de identidade na secretaria do tribunal.

A decisão do GIP de me deixar sair da prisão, de forma bastante surpreendente, dado que recentemente se opôs a um pedido de libertação, talvez se deva à sua vontade de “encobrir” a incompetência da justiça das liberdades. Com efeito, os meus advogados interpuseram recurso de cassação por vício processual, relativo à última renovação da prisão preventiva (audiência de 24 de Janeiro). Se o Tribunal de Cassação tivesse aceitado este recurso, o que é provável, teria confirmado que a juíza das liberdades e sua secretária não são capazes de ler…

Por enquanto, a investigação segue aberta. Na semana passada, em 5 de junho, a equipe ELAC da prisão de Villepinte revistou minha cela mais uma vez (a sexta vez em seis meses). As coisas foram viradas de cabeça para baixo, uma prateleira autoconstruída destruída e minhas cartas (recebidas) reduzidas a uma bagunça (como se a administração da prisão já não tivesse tido todo o tempo para lê-las e fotocopiá-las à vontade). Eles revistaram quase só meus pertences, quase sem incomodar meu irmãozinho. Um guarda até se permitiu comentar ironicamente sobre uma inscrição na porta da cela (“Anarquia – liberdade”) com a frase “não conte com isso”.

Quando saí, o escrivão da prisão me deu um grande pacote de correspondência (cartas que chegaram do início de maio e as que escrevi ao mesmo tempo), que estava “esperando”. Houve também um pacote que chegou em 22 de julho de 2022 (com periódicos anarquistas e livros em italiano) e que a direção do presídio decidiu não liberar…

Um grande obrigado a todos aqueles que estiveram ao meu lado neste período difícil. Agradecemos ao Fundo Anti-Repressão dos Alpes Ocidentais e ao Fundo Bure por seu apoio financeiro. Um pensamento para todos os compas (e também para todos os outros) que continuam presos.

Morte à cadeia, morte ao Estado!

Viva a Anarquia!

Ivan

Contato: dufondduplacard [at] riseup.net

Tradução > Contrafatual

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/09/02/franca-atualizacao-sobre-o-preso-anarquista-ivan-alocco/

agência de notícias anarquistas-ana

durante o teu sonho
eu brinco com as nuvens
e tu não sabes de nada

Lisa Carducci

[São Paulo-SP] No CCS, 24/06: “A partir de agora: as jornadas de junho”

Em 2014, o cineasta Carlos Pronzato lançava o documentário “A partir de agora: as jornadas de junho”, e nele pôde captar as primeiras impressões e análises de pessoas que fizeram parte desse momento histórico como organizadores ou manifestantes.

As falas, embebidas de euforia e entusiasmo, viviam momentos difíceis em meio à repressão do Estado. Foram elas que organizaram, nos anos seguintes, as lutas do Não vai ter Copa e as ocupações das escolas de 2015 e 2016. Passados 10 anos das Jornadas de Junho, muitas águas rolaram, na verdade, foi uma enxurrada.

Por isso, a Biblioteca Terra Livre e o Centro de Cultura Social de São Paulo convoca e convida à todos, todas e todes para (re)assistirmos o trabalho de Pronzato e debatermos esse que foi um dos eventos mais importantes das primeiras décadas do século XXI no Brasil.

A exibição vai ser no endereço do CCS, na Rua General Jardim, 253, sala 22 e vamos começar às 16h00, depois vamos fazer uma roda de conversa.

agência de notícias anarquistas-ana

Sopra o vento
Segura-te borboleta!
Na pétala da flor.

Rodrigo de Almeida Siqueira

[Grécia] Vitória do companheiro anarquista Giannis Michailidis!

O companheiro Giannis, depois de uma dura luta em que submeteu o seu corpo a uma greve de fome de 33 dias e a uma greve de sede de 4 dias, conseguiu aquilo a que tinha direito e que vinha a exigir desde o ano passado: a sua liberdade condicional temporária. Algo que já tinha sido obrigado a exigir antes, com uma greve de fome de 67 dias no ano passado, que cancelou após promessas verbais dos funcionários de que o seu pedido seria satisfeito, algo que nunca aconteceu.

Assim, hoje, 14/06/2023, o Conselho Judicial de Amfissa decidiu libertar Giannis com condições restritivas.

GIANNIS, OS MELHORES VOTOS DE UMA BOA RECUPERAÇÃO ….

E VEMO-NOS DE NOVO NAS RUAS!

NADA ACABOU, TUDO CONTINUA!

Fonte:

https://informativoanarquista.noblogs.org/post/2023/06/16/grecia-victoria-para-el-companero-anarquista-giannis-michailidis/

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/09/22/giannis-michailidis-a-justica-e-suas-muitas-caras/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/04/06/grecia-liberdade-ao-anarquista-giannis-michailidis/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/07/27/mexico-carta-ao-nosso-companheiro-yinnis-michailidis-em-solidariedade-com-sua-justa-luta-por-sua-liberdade/

agência de notícias anarquistas-ana

tomando banho só
no riacho escondido –
cantos de bem-te-vis

Rosa Clement

[América Latina] “Ser ideologicamente coerente é mais gratificante do que os benefícios econômicos”.

Abaixo, publicamos uma carta pública em repúdio às declarações de apoio de presidentes e líderes latino-americanos ao governo reeleito de Recep Tayyip Erdoğan na Turquia.

Como ativistas, intelectuais, acadêmicos e estudiosos da América Latina ou que vivem na América Latina, gostaríamos de expressar nossa profunda decepção com os comentários apologéticos ou abertamente entusiásticos feitos por alguns atores da esquerda latino-americana, incluindo os presidentes da Bolívia, Brasil, Cuba e Venezuela, sobre a recente vitória eleitoral do Recep Tayyip Erdoğan, de extrema direita, na Turquia.

Consideramos inaceitável que socialistas que se autodenominam apoiem a reeleição de um governo autocrático, racista, sexista e de ultradireita/fascista. O AKP (Partido da Justiça e do Desenvolvimento), sob a liderança de Recep Tayyip Erdoğan, realizou uma eliminação sistemática contra os setores da oposição durante os 21 anos de sua permanência no poder político na Turquia. Ele vem aplicando políticas de guerra em cidades com população curda, prendendo milhares de membros do movimento político pró-curdo de esquerda, demitindo seus prefeitos e parlamentares democraticamente eleitos e recusando-se a reconhecer os direitos mais básicos do povo curdo. O governo do AKP também proibiu as greves, criminalizou os sindicatos de esquerda e perseguiu inúmeros ativistas sindicais. Os principais sindicatos progressistas do país, como a Confederação Sindical dos Trabalhadores Revolucionários (DİSK), o Sindicato dos Trabalhadores da Educação e Ciência (Eğitim-Sen) e a Confederação dos Sindicatos dos Funcionários Públicos (KESK), foram criminalizados por esse governo por mais de uma década. Seus membros foram submetidos a uma perseguição injusta, o que resultou na perda de milhares de empregos. Aqueles que se atreveram a denunciar suas políticas também foram severamente reprimidos. Milhares de intelectuais e jornalistas foram presos ou forçados a fugir do país, destruindo assim a liberdade de expressão no território.

Ao se retirar da Convenção de Istambul, Erdoğan objetifica as mulheres apenas como uma continuação da família e da linhagem, e está permitindo que o país retorne às taxas mais altas de feminicídio, com impunidade para os perpetradores. Além disso, o governo Erdoğan persegue e prende sistematicamente mulheres ativistas e ativistas do movimento de direitos LGTBIQ+. Esse governo também criminaliza e proíbe todas as manifestações de rua dos setores de direitos humanos, prendendo seus ativistas, como as Mães do Sábado e as Mães da Paz. As intervenções militares injustificadas da Turquia na Síria e no Iraque e o apoio a grupos fascistas nesses territórios, que promovem massacres contra minorias étnicas e religiosas, também devem ser levados em conta. Por tudo isso e muito mais, não encontramos nenhuma razão para um socialista apoiar a reeleição de Erdoğan para outro mandato.

Apelamos às organizações socialistas e revolucionárias, de direitos humanos, de mulheres e feministas do continente para que expressem sua solidariedade aos povos oprimidos da Turquia e a seus movimentos políticos revolucionários criminalizados e perseguidos. Argumentamos que ser ideologicamente coerente será mais gratificante para esses atores do que os possíveis benefícios econômicos de curto prazo que podem surgir devido à proximidade com o governo de extrema direita da Turquia.

Para adicionar sua assinatura: info@kurdistanamericalatina.org

Fonte: https://www.kurdistanamericalatina.org/ser-coherentes-ideologicamente-es-mas-gratificante-que-los-beneficios-economicos/?

Tradução > Liberto

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a folha tomba
no meu ombro
outono

Alexandre Brito

[EUA] Declaração de 11 de junho do prisioneiro anarquista Michael Kimble

Saudações de Amor e Solidariedade,

Muita coisa aconteceu na minha vida no ano passado. Eu me casei com uma mulher trans linda e inteligente. Em março, fiz uma cirurgia para correção de hérnia, que vinha tentando fazer há três anos. Ainda estou passando por complicações da cirurgia.

Iniciei um projeto que pagava as dívidas que os presidiários queer haviam contraído para a compra de remédios e produtos alimentícios. Isso foi um tanto controverso por dentro e por fora. Somos todos responsáveis por nossas próprias vidas, mas nenhum princípio humano ou anarquista dita que nos recusamos a ajudar outros cujas próprias decisões trouxeram problemas para suas cabeças, a menos que acreditemos que, ao tentar ajudá-los, estamos cometendo um dano maior. Negar ajuda humana a prisioneiros queer que abusam de drogas multiplica suas misérias sem aproximá-los nem um centímetro da recuperação e segurança. Quanto mais desumanizamos e difamamos os usuários de drogas, mais se torna impossível implementar o tipo de intervenção que os ajudará.

Além disso, contratei um advogado, demiti-o e contratei outro. Espero estar lá fora com você durante todo este ano. Tenho participado do Projeto Hortas Solitárias, que produz bastante comida. Este mundo quer esmagar no esquecimento aqueles de nós que desejam um modo de vida diferente. Sua tecnologia de vigilância, cadeias, prisões e máquinas de guerra são para causar desespero. Não devemos deixar que o desespero tome conta de nossa psique ou perderemos.

Estou encontrando inspiração nos defensores da floresta de Atlanta. As ações da polícia em Atlanta são para trazer nosso desespero. Os defensores da floresta de Atlanta nos mostraram o caminho a seguir.

O desespero nos paralisa na inação. As prisões são o local da escravidão nos dias de hoje nos EUA. Então, eu me inspiro no trabalho e nas ações daqueles de vocês que lutam, recusando-se a deixar o desespero paralisá-los em inação. Estou tentando viver a anarquia da melhor maneira possível, mesmo neste inferno. Se não agora, quando? Se não aqui, onde?

A guerra continua onde quer que nos encontremos num solo dominado pela burguesia.

Pare a cidade policial!

Michael Kimble 138017

William Donaldson Correctional

100 Warrior Lane

Bessemer, AL 35023 – EUA

Fonte: https://mongoosedistro.com/2023/06/12/june-11th-statement-from-anarchist-prisoner-michael-kimble/

Tradução > Contrafatual

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/06/13/mexico-miguel-peralta-nao-desista-compa-resista-nos-aqui-fora-pensamos-em-voce/

agência de notícias anarquistas-ana

Noite outonal!
Minha avó contando histórias
Na varanda. Agora

Eunice Arruda

[Espanha] Podcast | “Libres de Picasso”

SOBRE O PODCAST

Para justificar como Picasso maltratou suas parceiras e modelos nos dizem que foi “um homem de seu tempo”. Certo? Este documentário investiga uns anos decisivos na Espanha. Entre 1935 e 1939 uma organização anarcofeminista, que agrupou mais de 30.000 mulheres, conseguiu criar neste país uma força feminina consciente e responsável. MUJERES LIBRES teceu uma rede de solidariedade a partir da criação de múltiplas escolas e de uma revista, que em 13 números aspirou formar as mulheres em sua emancipação. Foi uma revolução pela igualdade. Foi um projeto transformador que mostrou às mulheres como defender-se para que reconhecessem sua própria voz. Educou as mulheres para respeitarem-se e serem respeitadas. Lutaram contra a escravidão de gênero, o analfabetismo ou o matrimônio, e defenderam o amor livre, melhoras nas condições laborais e o final da cadeia da submissão. Isto sucedia enquanto Picasso reclamava mulheres que se comportassem tal e como ele desejava. Sonhava com anjos do lar ou como ele as chamava, “mulheres romanas”. Nos anos trinta do século XX a força retrógrada exigia a mulher submetida ante a revolução da mulher livre. A ditadura fulminou os progressos igualitários e do feminismo passou à Seção Feminina. No exílio, Mercedes Comaposada Guillén, uma das fundadoras de MUJERES LIBRES, conheceu Picasso e manteve uma estreita relação com o artista. O quê ocorreu entre eles? Um podcast original de Podium, escrito e narrado por Peio H. Riaño. Disponível em Podium Podcast a partir de 20 de junho.

>> Acesse aqui:

https://www.podiumpodcast.com/podcasts/libres-de-picasso-podium-os/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Boêmio da noite
no portão enferrujado.
Morcego dormindo.

Fanny Dupré

[EUA] Evento online | Lendo Bookchin hoje

Data e Hora: 20 de junho de 2023, às 18h00

Junte-se a Bill McKibben, Debbie Bookchin, Shane Burley e Marina Sitrin para o lançamento conjunto do livro Remaking Society de Murray Bookchin e Recovering Bookchin do falecido Andy Price, publicado pela AK Press em 2022.

Tendo como pano de fundo o aprofundamento da crise ecológica, a extrema desigualdade econômica e o aumento do autoritarismo em todo o mundo, um melhor caminho a seguir é necessário como nunca antes. Para aqueles de nós que lutam por um mundo melhor, a obra de Murray Bookchin fornece uma estrutura teórica e prática que pode guiar nossas lutas pela libertação.

Como Debbie Bookchin e Marina Sitrin escrevem no novo prefácio da reedição de Remaking Society, “Bookchin nos ensina que a crise ecológica que enfrentamos hoje é baseada na dominação dos humanos sobre os humanos. Ele argumenta que não podemos resolver a crise ecológica e, portanto, a crise climática, sem eliminar a dominação na esfera social, incluindo, entre outros, gênero e patriarcado, raça e hierarquia étnica, idade, capacidade e economia”.

Co-patrocinado pelo Comitê de Emergência para Rojava, o Center for Place, Cultura e Política (CPCP) da CUNY GC, o Instituto de Ecologia Social e o Departamento de Sociologia da SUNY Binghamton.

Inscreva-se agora: bit.ly/bookchinevent

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

folhas no quintal
dançam ao vento
com as roupas do varal

Carlos Seabra

Evangélicos crescem em todo o mundo. Impulsionados pela extrema direita

Em entrevista, a professora de história Kristin Kobes du Mez conta sobre como o cristianismo mais reacionário dos tempos modernos vicejou nos Estados Unidos e de lá tem sido exportado para o mundo, estabelecendo forte base inclusive no Brasil

Kristin Kobes du Mez é professora de História na Calvin University, de Michigan. Em seu livro “Jesus e John Wayne: como o Evangelho foi cooptado por movimentos culturais e políticos” [Editora Thomas Nelson Brasil, 2022], ela descreve a ascensão da direita evangélica, dos primeiros telepregadores e antifeministas da Guerra Fria à conversão de Trump no presidente da “Maioria Moral”.

Seu livro tem uma abordagem estadunidense, mas a presença do evangelismo na Europa é cada vez mais notável. É um fenômeno mundial em expansão?

O evangelismo conservador é a versão reacionária do cristianismo que está se espalhando por todo o mundo através das missões que as organizações evangélicas estadunidenses exportam para muitas partes do planeta, com mensagens populares e agressivas campanhas de penetração em comunidades locais, através de rádios, televisões e publicações por onde difundem seu credo para dominar o mercado religioso.

E agem com astúcia, combinando as tradições patriarcais com as agendas nacionalistas locais mais retrógradas. Desde a publicação de meu livro Jesus e John Wayne, recebi informações precisas sobre o aumento de sua presença e influência no Canadá, Reino Unido, Austrália, Alemanha, Holanda, China, Brasil, Uganda, Quênia e também na Espanha.

Quais são os valores dos evangélicos?

Nos Estados Unidos, querem restaurar a “América cristã” e ordenar a sociedade segundo as leis de Deus. Isto se traduz em uma ênfase hierárquica da autoridade masculina e uma política baseada na “lei e na ordem”.

São pessoas que se opõem aos direitos de gays, lésbicas, bissexuais e transexuais, ao aborto, à imigração, à redistribuição de renda e a qualquer tentativa de abordar as desigualdades sociais, pois apoiam sem rodeios o capitalismo de livre mercado. Também são muito propensos a negar a existência do racismo.

Além disso, enquanto muitos defendem a democracia liberal, o evangelismo branco estadunidense está cada vez mais inclinado a tendências autoritárias. Apoiam as lideranças fortes, mostram muito pouca preocupação com a supressão de direitos civis e acreditam que a violência política pode ser justificada se é para proteger sua visão do que deve ser os Estados Unidos.

Alguns admiram a maneira em que políticos como Putin, Orbán e Meloni lidam com o poder. A facção mais extremista defende que as leis de Deus estão acima de qualquer compromisso com a democracia, pois está convencida de que está construindo sua obra e que Deus está do seu lado.

Em plena crise de legitimidade do liberalismo, são um perigo para o sistema?

Sim, absolutamente. O elemento cristão mais radical representa um perigo para a democracia liberal. Acreditam que a finalidade de sua doutrina autoritária justifica os meios.

Sentem-se à vontade enfrentando os tribunais, proibindo os setores mais críticos de votar ou fazendo interpretações da Constituição para privilegiar os direitos daqueles que compartilham de sua agenda.

Na Europa, e concretamente na Espanha, o número de seguidores tem crescido. Onde está o seu sucesso?

Dedicam enormes recursos financeiros para promover ensinamentos que fazem crescer o seu movimento religioso. Sempre dominam a tecnologia moderna para disseminar mensagens e são incrivelmente acolhedores quando as pessoas entram pela porta de sua igreja desencantadas com um Estado que não lhes oferece qualquer resposta.

Tenha presente que os evangélicos oferecem um senso de comunidade e identidade a seus fiéis, em uma época caracterizada pela incerteza econômica e a mudança cultural. São formados na crença divina da prosperidade, que promete sucesso aos seus adeptos, tanto neste mundo como no próximo.

>> Para ler a entrevista na íntegra, clique aqui:

https://www.paulopes.com.br/2023/06/evangelicos-crescem-em-todo-o-mundo.html

agência de notícias anarquistas-ana

a borboleta
pousa sobre o sino do templo
adormecido

Buson

Os crimes de guerra do soldado mais condecorado da Austrália: execuções de civis e prisioneiros no Afeganistão

Um juiz considera provado que Ben Roberts-Smith cometeu crimes terríveis, conforme revelado pela imprensa do país.

Por Lucas De La Cal

Os uniformes de Ben Roberts-Smith estão expostos em uma caixa de vidro no Australian War Memorial, um memorial em Canberra dedicado às guerras em que o exército australiano esteve envolvido e aos membros mais proeminentes das forças armadas. Robert-Smith foi um deles: não há nenhum soldado vivo no país do Pacífico com mais condecorações do que esse ex-cabo da SAS, uma unidade de forças especiais. Além do mais alto prêmio militar, as honras vão além do campo de batalha: em 2013, ele foi nomeado “Pai do Ano”.

Mas sua reputação desmoronou quando repórteres australianos veteranos descobriram que, em vez de herói de guerra, Robert-Smith, 44 anos, era um criminoso de guerra: ele foi acusado de assassinar pelo menos seis civis quando estava no Afeganistão entre 2009 e 2012.

Ele empurrou um prisioneiro algemado de um penhasco e depois ordenou que ele fosse morto a tiros. Ele também matou a tiros um homem deficiente desarmado, ordenou a execução de prisioneiros, agrediu e intimidou subordinados e até mesmo espancou uma mulher com quem estava tendo um caso.

Todas essas alegações foram feitas em 2018 por três dos principais jornais da Austrália (The Age, Sydney Morning Herald e Canberra Times). Roberts-Smith negou tudo e processou a mídia por difamação. Após um longo processo judicial de cinco anos, um juiz do tribunal federal considerou verdadeiras todas as alegações publicadas contra o militar.

“Ben Roberts-Smith assassinou civis desarmados enquanto servia nas forças armadas no Afeganistão”, concluiu o juiz Anthony Besanko na quinta-feira. Foi um julgamento civil – ele não foi julgado por um tribunal militar, que pode punir esses casos com sentenças de prisão – mas o soldado deverá pagar os custos do julgamento aos jornais, o que totalizaria mais de 35 milhões de dólares.

A mesma mídia acusada informou que Roberts-Smith, ausente durante o julgamento em Sydney, está atualmente de férias em Bali e até publicou fotos dele relaxando em uma espreguiçadeira na praia.

Três anos atrás, um escândalo nacional eclodiu depois que o governo australiano admitiu que seus militares haviam cometido crimes de guerra ao matar 39 civis e prisioneiros afegãos entre 2005 e 2016. Uma imagem de um soldado australiano empunhando uma faca ensanguentada contra o pescoço de um menino descalço segurando uma ovelha branca chegou a ser publicada nas mídias sociais.

A alegação mais grave contra Roberts-Smith comprovada em tribunal foi durante uma missão no vilarejo de Darwan, no sul do Afeganistão, em 2012: o soldado levou um homem algemado chamado Ali Jan até a beira de um penhasco de 10 metros. Roberts-Smith deu um chute no peito de Ali Jan, fazendo com que ele caísse de costas no penhasco. Ali Jan sobreviveu à queda e estava tentando se levantar quando Roberts-Smith ordenou a um soldado sob seu comando que o matasse com um tiro, o que foi feito.

Outro episódio digno de nota durante o julgamento foi em 2009, em um ataque a um complexo bombardeado com o codinome Whisky 108. O SAS encontrou dois homens escondidos em um túnel, um idoso e um jovem com uma perna protética. Os homens saíram do túnel desarmados e se renderam. Roberts-Smith ordenou que um jovem soldado de sua patrulha atirasse no idoso. Em seguida, ele mesmo pegou o homem deficiente, jogou-o no chão e atirou nele com sua metralhadora. Outro soldado pegou a perna protética, que foi usada pelas tropas australianas da SAS como copo de cerveja em um bar na base afegã.

Fonte: https://www.elmundo.es/internacional/2023/06/01/64787ee0fdddff551c8b4591.html

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

tarde de chuva
ninguém na rua
guarda a chuva

Alonso Alvarez

[Espanha] lançamento: “Anarquía relacional. Una novela gráfica”

Sobre a obra

A anarquia relacional aplica os fundamentos políticos do anarquismo à forma na qual nos vinculamos. Este livro, estruturado em torno às grandes questões que atravessam o emocional, o familiar e o político, percorre por outras sendas os roteiros da cultura amorosa, do natural, dos estigmas ou da monogamia obrigatória. Esta obra — teórica, narrativa e visual — abre as portas da casa de Rúa, Ara, Dani, Eme, Roma, Estrella e Digger, que encarnarão os conflitos que abordados por esta proposta revolucionária das relações.

Nas palavras de Laura Casielles, autora do prólogo: “Abrir este livro é abrir uma janela à vida de um grupo de pessoas — um qualquer, um como qualquer outro — […]. O que se faz é mostrar umas vidas que transcorrem com o pano de fundo de um modo diferente de fazer já posto em ação. Assim, o que está no centro — centro múltiplo, centro descentralizado — é tudo o que vem com o viver: o corpo, o trabalho, a precariedade, as pressas, a maternidade, a escola, a saúde — mental e da outra —, os cuidados, a moradia, o dinheiro, os estresses de cada dia. E o amor e o sexo também, claro. Mas a chave é o também“.

Sobre as autoras

Textos teóricos de Roma de las Heras; argumento e roteiro de Beatriz Herzog; direção de arte e ilustrações de Belo C. Atance; linha final de Nazareth Dos Santos.

Anarquía relacional. Una novela gráfica

Páginas 244

23.00€

contintametienes.com

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Casa abandonada—
a aranha faz sua teia
na porta de entrada

Regina Ragazzi

Encontro online, 21/06: “Anarquia e Relações Internacionais”, com Alex Prichard

Dia 21 de junho, quarta-feira, às 17h, teremos um encontro online com Alex Prichard, professor da Universidade de Exeter, da Inglaterra. Ele vai falar sobre Anarquia e Relações Internacionais. A transmissão ao vivo será pelo canal do YouTube do CCS (link na bio).

A ideia de anarquia em Relações Internacionais foi considerada pelo pensamento conservador de um ponto de vista hobbesiano, como uma guerra de todos contra todos. Todavia, anarquistas têm repensado este conceito, encontrando na realidade da multiplicidade de formas políticas e na ausência de uma autoridade última fundamentos para suas propostas. Assim como outros viram na realidade do apoio mútuo ou da auto-organização justificativas para o movimento libertário, Alex Prichard parte das análises de Proudhon para encontrar na anarquia das relações internacionais, e no pluralismo em geral, possibilidades para o anarquismo.

agência de notícias anarquistas-ana

Ilhotas boiando.
Sob um céu vasto e sereno
este mar tranqüilo.

Fanny Dupré

[Porto Alegre-RS] Barricada e panfletos contra o Marco Temporal, a dez anos de junho de 2013.

No cair da noite do 13 de junho, elegendo a data em memória dos históricos protestos de 2013, armamos uma barricada no centro da cidade de Porto Alegre, a uma quadra da Praça dos Três Poderes (Palácio do Governo do Estado, Assembléia Legislativa e o Palácio da Justiça). Mas não foi apenas um ato de memória, também respondemos ao chamado de luta dos povos nativos contra o Marco Temporal. A usurpação colonial é uma realidade que afeta nosso dia-a-dia e precisamos combatê-la.

Cientes da Guerra que a dominação (empresas, agronegócio, partidos políticos e lava cérebros religiosos) tem nos declarado, o que se confirma a cada hora no genocídio dos povos, na devastação da terra e na devoção ao dinheiro, nos resulta insuficiente assumir o papel de analistas da conjuntura. A massiva informação ao alcance de todos evidencia que não é por falta de informação que alguns elegem como forma de vida a devastação, a agressão, o genocídio, ou a colaboração com quem faz isso tudo. Assim, somente a palavra não basta para combater tanto ataque à vida.

Poucas são as vitórias que podemos celebrar coletivamente, 2013 foi uma vitória nas ruas, que se deu pela força da ação violenta e não pelo desfile manso que desejam as esquerdas parlamentares, nem pelos atos de submissão patriótica que fazem as direitas, mentalmente afetadas pela alucinação da ameaça vermelha.

Foi o caos, a baderna, o vandalismo sem lideranças, com a lúcida visão do rechaço às imposições, segregações e opressões, as que dobraram o braço do poder. E todos os políticos, sejam de direita ou esquerda, sabem, com medo, que essa é a força que derruba qualquer tirania. Alguns povos, coletivos e individualidades também sabemos disso, mas com alegria e procura de expansão da revolta.

Mandamos um aceno com o calor desta barricada a todos que estão em luta contra o Marco Temporal, contra a legalização do saque das terras dos povos nativos, realizando bloqueios combativos como o da Comunidade Guarani de Jaraguá em São Paulo.

E que o calor desta barricada aqueça também o coração dos anarquistas em prisão pelo mundo do Chile à Grécia, da Itália à Rússia: Alfredo Cóspito, Anna Beniamino, Juan Sorroche, Gabriel Pombo da Silva, Claudio Lavazza, Pola Roupa, Nikos Maziottis, Toby Shone, Boris, Ivan Aloucco, Monica Caballero, Francisco Solar, Joaquin García.

Texto do panfleto:

Precisamos ser cientes de que 1988 é apenas a data de um novo ciclo de explorações e não o Marco Temporal de nenhum povo.

Já o 2013 é a data que ensina para nós que lutar não significa mendigar a atenção das instituições.

Porque toda ação violenta está justificada por séculos de opressão, nossa proposta é simplesmente: Atacar o que nos ataca.

Sociedade Anônima Amigos do Black Bloc.

Para ler a versão da cidadania oficial:

https://www.correiodopovo.com.br/notícias/cidades/manifestantes-colocam-fogo-em-pneus-no-centro-histórico-de-porto-alegre-1.1047259

https://www.terra.com.br/noticias/grupo-poe-fogo-em-pneus-no-centro-de-porto-alegre,e519ce39e664c7c2068b8a4e69f599a538fcmjar.html

agência de notícias anarquistas-ana

A sensação de tocar com os dedos
O que não tem realidade –
Uma pequena borboleta.

Buson

Marco Temporal NÃO! Retomar a terra contra o agro e o garimpo genocidas!

O Marco Temporal é uma tese elaborada pelos ruralistas atrelados ao Estado que busca negar garantias conquistadas com muita luta dos povos indígenas. A tese coloca que só devem ser demarcadas terras indígenas ocupadas antes de 1988, ano da Constituição Federal. A partir disso, qualquer território retomado depois dessa data passa a ser ilegal.

Com o Marco Temporal, os ruralistas garantem ainda mais liberdade para expandir suas milícias e alastrar violência contra os povos indígenas. Longe de ser uma tese com alguma base jurídica, constitucional ou lógica, o marco temporal é nada mais que a perpetuação do pacto colonial que fundou o Brasil. Pacto esse que os povos indígenas enfrentam a mais de 500 anos, e que continua vigente independente do partido que está no poder.

A PL 2903 é ainda mais abrangente que o Marco Temporal, ela contém propostas de flexibilizar a presença de exploração do garimpo e da grilagem nas terras indígenas, retirando autonomia dos territórios para tomada de decisões. Nas ultimas semanas, vimos uma série de derrotas na esfera institucional, desde a retirada da autonomia do ministério dos povos indígenas, até uma CPI do MST.  A derrota eleitoral de Bolsonaro não freou nem um centímetro o avanço dos ruralistas sobre os territórios. A representatividade institucional nada pôde fazer quanto à aprovação do Marco na câmara, e não há motivos para esperar nada de diferente do poder executivo ou do judiciário.

Os povos indígenas já deram o recado. Houveram trancamentos de rua, manifestações e acampamentos em diversos estados do país contra a aprovação do Marco. São mais de 500 anos de luta, e nada nunca foi dado de mão beijada pelos de cima. Em 1988 os poucos direitos que agora estão sendo ameaçados foram conquistados com facões e flechas apontados para os delegados constituintes, e assim será até que o agronegócio seja destruído e o direito a terra seja garantido.

A Coordenação Anarquista Brasileira chama a todas e todos para estar ombro a ombro com os povos indígenas na luta pela terra. Precisamos barrar o Marco Temporal e defender cada palmo de território retomado. Apenas organizadas é que venceremos o colonialismo capitalista e construiremos juntas um mundo onde caibam vários mundos.

Para isso, apostamos nas táticas de ação direta, fazendo nós por nossas mãos, tomando as ruas, ocupando prédios e rodovias, sem esperar que os de cima se compadeçam de nossas dores e demandas. Defendemos que todos os povos oprimidos se juntem aos povos indígenas para conquistar o direito à vida digna e derrotar o Marco Temporal!

BRASIL É TERRA INDÍGENA!
MARCO TEMPORAL É GENOCÍDIO!
RETOMAR A TERRA CONTRA O AGRO E GARIMPO GENOCIDAS!

cabanarquista.org

agência de notícias anarquistas-ana

Um chapéu de chuva
flutua no horizonte;
pela tarde cai a neve.

Yaha

[Espanha] O militante anarquista Amadeu Casellas de volta à prisão

O tribunal rejeita os recursos e o manda para a prisão. Esse militante histórico foi condenado por expropriar os capitalistas e distribuir o dinheiro entre os movimentos sociais.

Após o último julgamento do companheiro Amadeu, no qual foram pedidos 8 anos de prisão por um assalto a uma relojoaria, o Estado o condenou a 4 anos de prisão. Como já estava aguardando julgamento há 2 anos, Amadeu foi liberado.

Uma vez livre, Amadeu, com o apoio do grupo, decidiu recorrer à Suprema Corte, mas seu recurso não foi aceito. Amadeu decidiu pedir indulto, que também foi rejeitado.

A Suprema Corte decidiu executar a sentença, então agora eles querem colocar Amadeu de volta na prisão por 2 anos.

Levando em conta que a sentença foi inferior a 5 anos, a advogada pediu que lhe fosse concedido o terceiro grau diretamente. Esse pedido foi rejeitado, sem qualquer razão plausível, o que nos leva a crer que a única razão é o fato de ele ser quem é.

Lamentamos anunciar que Amadeu teve que voltar para a prisão no dia 12 de junho, por isso gritamos novamente: Amadeu liberdade!

Por meio deste comunicado, foi divulgada a condição do anarquista Amadeu Canellas, que foi preso pela quarta vez. Esse militante histórico foi condenado por expropriar os capitalistas e distribuí-los entre os movimentos sociais em várias ocasiões e passou 26 anos na prisão, onde protagonizou várias lutas, incluindo duas greves de fome de 80 e 99 dias.

Fonte: https://kaosenlared.net/el-militante-anarquista-amadeu-casellas-nuevamente-encarcelado/

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/11/27/espanha-amadeu-casellas-comeca-um-crowdfunding-para-custear-os-gastos-de-sua-defesa-juridica/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/05/19/espanha-declaracao-de-amadeu-casellas-apos-sua-libertacao/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/05/15/espanha-amadeu-casellas-termina-greve-de-fome/

agência de notícias anarquistas-ana

Coruja, famosa
por excelente visão,
parece usar óculos.

Leila Míccolis

[Uruguai] Jornada de Publicações Anarquistas em Montevidéu

No sábado, 17 de junho, será realizada uma “Jornada de Publicações Anarquistas” em Montevidéu.

Com grande entusiasmo, estendemos o convite a todos aqueles que queiram participar desse evento que terá diferentes momentos:

• Entraremos em contato com companheiros do território ocupado pelo Estado italiano para abordar em primeira mão a situação dos companheiros presos naquela região, ao mesmo tempo, faremos uma atualização da luta que os companheiros vêm realizando nas prisões chilenas.

• Haverá apresentações de livros, fanzines e palestras-debates.

• Durante toda a jornada, seremos acompanhados por diferentes banquinhas para distribuir materiais específicos.

• Haverá uma cantina solidária. Toda a renda será revertida para a luta social.

• No final, Rodri Muffin nos acompanhará com sua trova.

Onde será realizado o evento? Em Montevidéu-Uruguai, calle Durazno 972_ Local do Sindicato de Artes Gráficas_ SAG.

Em que horário? Das 14hs às 21hs.

Estamos esperando por você!

agência de notícias anarquistas-ana

De que árvore florida
chega? Não sei.
Mas é seu perfume…

Matsuo Bashô

[França] Encontros de lutas camponesas e rurais

De 26 de Agosto a 3 de Setembro de 2023, convidamos você a participar nos encontros transnacionais de lutas camponesas e rurais que terão lugar perto de Bure (França, 55), onde a indústria nuclear francesa quer construir o gigantesco depósito de resíduos nucleares chamado Cigéo. Planejamos um grande campo auto-organizado para reforçar os laços e a organização entre um máximo de ativistas das lutas agrícolas e rurais, a partir daqui e de outros locais.

As nossas planícies, vales, costas e montanhas estão a ser desfiguradas pela agricultura e silvicultura química intensiva, o turismo, a multiplicação de grandes projetos inúteis, a artificialização e o landgrabbing. Ao mesmo tempo, estas zonas rurais estão a perder os seus agricultores. Face a esta situação, a fim de reinvestir as nossas zonas rurais, propomos definir em conjunto alternativas camponesas desejáveis que sejam acessíveis e respeitadoras do ambiente. Trata-se também de identificar os desafios a enfrentar para os implementar e manter: como tornar o campesinato atrativo, como facilitar o acesso à terra, como (re)adquirir o conhecimento, que modelos agrícolas e que organização humana? Como construir e manter os coletivos camponeses ao longo do tempo? Como evitar reproduzir dentro deles as dominações que combatemos no exterior? Como podemos enfrentar juntos os desafios sociais, climáticos e ecológicos?

As zonas rurais são atravessadas por diferentes tipos de lutas que não comunicam suficientemente entre si: ações de protesto dos agricultoras; ações de bloqueio ou sabotagem de grandes projetos industriais; ocupações do tipo Zad; instalações camponesas coletivas… O objetivo deste campo é sair do isolamento, tornar estas lutas visíveis e descompartimentá-las, e ir além de certas divisões para consolidar coligações e amizades políticas entre aqueles que as lideram, sejam eles provenientes dos campos ou das cidades.

Queremos pôr todas estas grandes ideias em prática para reforçar a luta local contra o projeto Cigéo. Queremos consolidar alianças entre trabalhadores rurais e residentes, reforçar a solidariedade com outras lutas na França e internacionalmente, e até criar um novo desejo de assentamento de camponeses na região!

O nosso campo terão lugar na zona ameaçada pelo projeto Cigéo ou poderia ser enterrados os resíduos mais radioativos. De momento, este projeto não é autorizado. No entanto, foram anunciados enormes projetos de infraestruturas, centenas de hectares de terras agrícolas e florestas já foram comprados pela Andra, e poderão seguir-se expropriações. Convidamos você a vir juntar-se às lutas rurais em curso para bloquear o caminho para a promessa nuclear, defendendo estas terras conosco.

Queremos ancorar estes encontros em experiências concretas, dando voz àqueles que praticam a agricultura e/ou lutam. Será também uma questão de destacar as lutas camponesas e rurais de diferentes pontos de vista em termos de tempo, território e posição política. Numerosas conferências, mesas redondas, workshops, campos de trabalho coletivos, acões e momentos festivos e culturais estão a ser preparados. Gostaríamos que estes encontros fizessem parte da renovação das lutas contra a destruição da vida e que trouxessem novas dinâmicas às nossas redes.

Junte-se a nós em Bure este Verão: a luta é fértil!

Mais informações e programação no site https://por.lpr-camp.org/

agência de notícias anarquistas-ana

Sobre a folha seca
as formigas atravessam
uma poça d’água

Eunice Arruda