Os crimes de guerra do soldado mais condecorado da Austrália: execuções de civis e prisioneiros no Afeganistão

Um juiz considera provado que Ben Roberts-Smith cometeu crimes terríveis, conforme revelado pela imprensa do país.

Por Lucas De La Cal

Os uniformes de Ben Roberts-Smith estão expostos em uma caixa de vidro no Australian War Memorial, um memorial em Canberra dedicado às guerras em que o exército australiano esteve envolvido e aos membros mais proeminentes das forças armadas. Robert-Smith foi um deles: não há nenhum soldado vivo no país do Pacífico com mais condecorações do que esse ex-cabo da SAS, uma unidade de forças especiais. Além do mais alto prêmio militar, as honras vão além do campo de batalha: em 2013, ele foi nomeado “Pai do Ano”.

Mas sua reputação desmoronou quando repórteres australianos veteranos descobriram que, em vez de herói de guerra, Robert-Smith, 44 anos, era um criminoso de guerra: ele foi acusado de assassinar pelo menos seis civis quando estava no Afeganistão entre 2009 e 2012.

Ele empurrou um prisioneiro algemado de um penhasco e depois ordenou que ele fosse morto a tiros. Ele também matou a tiros um homem deficiente desarmado, ordenou a execução de prisioneiros, agrediu e intimidou subordinados e até mesmo espancou uma mulher com quem estava tendo um caso.

Todas essas alegações foram feitas em 2018 por três dos principais jornais da Austrália (The Age, Sydney Morning Herald e Canberra Times). Roberts-Smith negou tudo e processou a mídia por difamação. Após um longo processo judicial de cinco anos, um juiz do tribunal federal considerou verdadeiras todas as alegações publicadas contra o militar.

“Ben Roberts-Smith assassinou civis desarmados enquanto servia nas forças armadas no Afeganistão”, concluiu o juiz Anthony Besanko na quinta-feira. Foi um julgamento civil – ele não foi julgado por um tribunal militar, que pode punir esses casos com sentenças de prisão – mas o soldado deverá pagar os custos do julgamento aos jornais, o que totalizaria mais de 35 milhões de dólares.

A mesma mídia acusada informou que Roberts-Smith, ausente durante o julgamento em Sydney, está atualmente de férias em Bali e até publicou fotos dele relaxando em uma espreguiçadeira na praia.

Três anos atrás, um escândalo nacional eclodiu depois que o governo australiano admitiu que seus militares haviam cometido crimes de guerra ao matar 39 civis e prisioneiros afegãos entre 2005 e 2016. Uma imagem de um soldado australiano empunhando uma faca ensanguentada contra o pescoço de um menino descalço segurando uma ovelha branca chegou a ser publicada nas mídias sociais.

A alegação mais grave contra Roberts-Smith comprovada em tribunal foi durante uma missão no vilarejo de Darwan, no sul do Afeganistão, em 2012: o soldado levou um homem algemado chamado Ali Jan até a beira de um penhasco de 10 metros. Roberts-Smith deu um chute no peito de Ali Jan, fazendo com que ele caísse de costas no penhasco. Ali Jan sobreviveu à queda e estava tentando se levantar quando Roberts-Smith ordenou a um soldado sob seu comando que o matasse com um tiro, o que foi feito.

Outro episódio digno de nota durante o julgamento foi em 2009, em um ataque a um complexo bombardeado com o codinome Whisky 108. O SAS encontrou dois homens escondidos em um túnel, um idoso e um jovem com uma perna protética. Os homens saíram do túnel desarmados e se renderam. Roberts-Smith ordenou que um jovem soldado de sua patrulha atirasse no idoso. Em seguida, ele mesmo pegou o homem deficiente, jogou-o no chão e atirou nele com sua metralhadora. Outro soldado pegou a perna protética, que foi usada pelas tropas australianas da SAS como copo de cerveja em um bar na base afegã.

Fonte: https://www.elmundo.es/internacional/2023/06/01/64787ee0fdddff551c8b4591.html

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

tarde de chuva
ninguém na rua
guarda a chuva

Alonso Alvarez

[Espanha] lançamento: “Anarquía relacional. Una novela gráfica”

Sobre a obra

A anarquia relacional aplica os fundamentos políticos do anarquismo à forma na qual nos vinculamos. Este livro, estruturado em torno às grandes questões que atravessam o emocional, o familiar e o político, percorre por outras sendas os roteiros da cultura amorosa, do natural, dos estigmas ou da monogamia obrigatória. Esta obra — teórica, narrativa e visual — abre as portas da casa de Rúa, Ara, Dani, Eme, Roma, Estrella e Digger, que encarnarão os conflitos que abordados por esta proposta revolucionária das relações.

Nas palavras de Laura Casielles, autora do prólogo: “Abrir este livro é abrir uma janela à vida de um grupo de pessoas — um qualquer, um como qualquer outro — […]. O que se faz é mostrar umas vidas que transcorrem com o pano de fundo de um modo diferente de fazer já posto em ação. Assim, o que está no centro — centro múltiplo, centro descentralizado — é tudo o que vem com o viver: o corpo, o trabalho, a precariedade, as pressas, a maternidade, a escola, a saúde — mental e da outra —, os cuidados, a moradia, o dinheiro, os estresses de cada dia. E o amor e o sexo também, claro. Mas a chave é o também“.

Sobre as autoras

Textos teóricos de Roma de las Heras; argumento e roteiro de Beatriz Herzog; direção de arte e ilustrações de Belo C. Atance; linha final de Nazareth Dos Santos.

Anarquía relacional. Una novela gráfica

Páginas 244

23.00€

contintametienes.com

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Casa abandonada—
a aranha faz sua teia
na porta de entrada

Regina Ragazzi

Encontro online, 21/06: “Anarquia e Relações Internacionais”, com Alex Prichard

Dia 21 de junho, quarta-feira, às 17h, teremos um encontro online com Alex Prichard, professor da Universidade de Exeter, da Inglaterra. Ele vai falar sobre Anarquia e Relações Internacionais. A transmissão ao vivo será pelo canal do YouTube do CCS (link na bio).

A ideia de anarquia em Relações Internacionais foi considerada pelo pensamento conservador de um ponto de vista hobbesiano, como uma guerra de todos contra todos. Todavia, anarquistas têm repensado este conceito, encontrando na realidade da multiplicidade de formas políticas e na ausência de uma autoridade última fundamentos para suas propostas. Assim como outros viram na realidade do apoio mútuo ou da auto-organização justificativas para o movimento libertário, Alex Prichard parte das análises de Proudhon para encontrar na anarquia das relações internacionais, e no pluralismo em geral, possibilidades para o anarquismo.

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Ilhotas boiando.
Sob um céu vasto e sereno
este mar tranqüilo.

Fanny Dupré

[Porto Alegre-RS] Barricada e panfletos contra o Marco Temporal, a dez anos de junho de 2013.

No cair da noite do 13 de junho, elegendo a data em memória dos históricos protestos de 2013, armamos uma barricada no centro da cidade de Porto Alegre, a uma quadra da Praça dos Três Poderes (Palácio do Governo do Estado, Assembléia Legislativa e o Palácio da Justiça). Mas não foi apenas um ato de memória, também respondemos ao chamado de luta dos povos nativos contra o Marco Temporal. A usurpação colonial é uma realidade que afeta nosso dia-a-dia e precisamos combatê-la.

Cientes da Guerra que a dominação (empresas, agronegócio, partidos políticos e lava cérebros religiosos) tem nos declarado, o que se confirma a cada hora no genocídio dos povos, na devastação da terra e na devoção ao dinheiro, nos resulta insuficiente assumir o papel de analistas da conjuntura. A massiva informação ao alcance de todos evidencia que não é por falta de informação que alguns elegem como forma de vida a devastação, a agressão, o genocídio, ou a colaboração com quem faz isso tudo. Assim, somente a palavra não basta para combater tanto ataque à vida.

Poucas são as vitórias que podemos celebrar coletivamente, 2013 foi uma vitória nas ruas, que se deu pela força da ação violenta e não pelo desfile manso que desejam as esquerdas parlamentares, nem pelos atos de submissão patriótica que fazem as direitas, mentalmente afetadas pela alucinação da ameaça vermelha.

Foi o caos, a baderna, o vandalismo sem lideranças, com a lúcida visão do rechaço às imposições, segregações e opressões, as que dobraram o braço do poder. E todos os políticos, sejam de direita ou esquerda, sabem, com medo, que essa é a força que derruba qualquer tirania. Alguns povos, coletivos e individualidades também sabemos disso, mas com alegria e procura de expansão da revolta.

Mandamos um aceno com o calor desta barricada a todos que estão em luta contra o Marco Temporal, contra a legalização do saque das terras dos povos nativos, realizando bloqueios combativos como o da Comunidade Guarani de Jaraguá em São Paulo.

E que o calor desta barricada aqueça também o coração dos anarquistas em prisão pelo mundo do Chile à Grécia, da Itália à Rússia: Alfredo Cóspito, Anna Beniamino, Juan Sorroche, Gabriel Pombo da Silva, Claudio Lavazza, Pola Roupa, Nikos Maziottis, Toby Shone, Boris, Ivan Aloucco, Monica Caballero, Francisco Solar, Joaquin García.

Texto do panfleto:

Precisamos ser cientes de que 1988 é apenas a data de um novo ciclo de explorações e não o Marco Temporal de nenhum povo.

Já o 2013 é a data que ensina para nós que lutar não significa mendigar a atenção das instituições.

Porque toda ação violenta está justificada por séculos de opressão, nossa proposta é simplesmente: Atacar o que nos ataca.

Sociedade Anônima Amigos do Black Bloc.

Para ler a versão da cidadania oficial:

https://www.correiodopovo.com.br/notícias/cidades/manifestantes-colocam-fogo-em-pneus-no-centro-histórico-de-porto-alegre-1.1047259

https://www.terra.com.br/noticias/grupo-poe-fogo-em-pneus-no-centro-de-porto-alegre,e519ce39e664c7c2068b8a4e69f599a538fcmjar.html

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A sensação de tocar com os dedos
O que não tem realidade –
Uma pequena borboleta.

Buson

Marco Temporal NÃO! Retomar a terra contra o agro e o garimpo genocidas!

O Marco Temporal é uma tese elaborada pelos ruralistas atrelados ao Estado que busca negar garantias conquistadas com muita luta dos povos indígenas. A tese coloca que só devem ser demarcadas terras indígenas ocupadas antes de 1988, ano da Constituição Federal. A partir disso, qualquer território retomado depois dessa data passa a ser ilegal.

Com o Marco Temporal, os ruralistas garantem ainda mais liberdade para expandir suas milícias e alastrar violência contra os povos indígenas. Longe de ser uma tese com alguma base jurídica, constitucional ou lógica, o marco temporal é nada mais que a perpetuação do pacto colonial que fundou o Brasil. Pacto esse que os povos indígenas enfrentam a mais de 500 anos, e que continua vigente independente do partido que está no poder.

A PL 2903 é ainda mais abrangente que o Marco Temporal, ela contém propostas de flexibilizar a presença de exploração do garimpo e da grilagem nas terras indígenas, retirando autonomia dos territórios para tomada de decisões. Nas ultimas semanas, vimos uma série de derrotas na esfera institucional, desde a retirada da autonomia do ministério dos povos indígenas, até uma CPI do MST.  A derrota eleitoral de Bolsonaro não freou nem um centímetro o avanço dos ruralistas sobre os territórios. A representatividade institucional nada pôde fazer quanto à aprovação do Marco na câmara, e não há motivos para esperar nada de diferente do poder executivo ou do judiciário.

Os povos indígenas já deram o recado. Houveram trancamentos de rua, manifestações e acampamentos em diversos estados do país contra a aprovação do Marco. São mais de 500 anos de luta, e nada nunca foi dado de mão beijada pelos de cima. Em 1988 os poucos direitos que agora estão sendo ameaçados foram conquistados com facões e flechas apontados para os delegados constituintes, e assim será até que o agronegócio seja destruído e o direito a terra seja garantido.

A Coordenação Anarquista Brasileira chama a todas e todos para estar ombro a ombro com os povos indígenas na luta pela terra. Precisamos barrar o Marco Temporal e defender cada palmo de território retomado. Apenas organizadas é que venceremos o colonialismo capitalista e construiremos juntas um mundo onde caibam vários mundos.

Para isso, apostamos nas táticas de ação direta, fazendo nós por nossas mãos, tomando as ruas, ocupando prédios e rodovias, sem esperar que os de cima se compadeçam de nossas dores e demandas. Defendemos que todos os povos oprimidos se juntem aos povos indígenas para conquistar o direito à vida digna e derrotar o Marco Temporal!

BRASIL É TERRA INDÍGENA!
MARCO TEMPORAL É GENOCÍDIO!
RETOMAR A TERRA CONTRA O AGRO E GARIMPO GENOCIDAS!

cabanarquista.org

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Um chapéu de chuva
flutua no horizonte;
pela tarde cai a neve.

Yaha

[Espanha] O militante anarquista Amadeu Casellas de volta à prisão

O tribunal rejeita os recursos e o manda para a prisão. Esse militante histórico foi condenado por expropriar os capitalistas e distribuir o dinheiro entre os movimentos sociais.

Após o último julgamento do companheiro Amadeu, no qual foram pedidos 8 anos de prisão por um assalto a uma relojoaria, o Estado o condenou a 4 anos de prisão. Como já estava aguardando julgamento há 2 anos, Amadeu foi liberado.

Uma vez livre, Amadeu, com o apoio do grupo, decidiu recorrer à Suprema Corte, mas seu recurso não foi aceito. Amadeu decidiu pedir indulto, que também foi rejeitado.

A Suprema Corte decidiu executar a sentença, então agora eles querem colocar Amadeu de volta na prisão por 2 anos.

Levando em conta que a sentença foi inferior a 5 anos, a advogada pediu que lhe fosse concedido o terceiro grau diretamente. Esse pedido foi rejeitado, sem qualquer razão plausível, o que nos leva a crer que a única razão é o fato de ele ser quem é.

Lamentamos anunciar que Amadeu teve que voltar para a prisão no dia 12 de junho, por isso gritamos novamente: Amadeu liberdade!

Por meio deste comunicado, foi divulgada a condição do anarquista Amadeu Canellas, que foi preso pela quarta vez. Esse militante histórico foi condenado por expropriar os capitalistas e distribuí-los entre os movimentos sociais em várias ocasiões e passou 26 anos na prisão, onde protagonizou várias lutas, incluindo duas greves de fome de 80 e 99 dias.

Fonte: https://kaosenlared.net/el-militante-anarquista-amadeu-casellas-nuevamente-encarcelado/

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/11/27/espanha-amadeu-casellas-comeca-um-crowdfunding-para-custear-os-gastos-de-sua-defesa-juridica/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/05/19/espanha-declaracao-de-amadeu-casellas-apos-sua-libertacao/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/05/15/espanha-amadeu-casellas-termina-greve-de-fome/

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Coruja, famosa
por excelente visão,
parece usar óculos.

Leila Míccolis

[Uruguai] Jornada de Publicações Anarquistas em Montevidéu

No sábado, 17 de junho, será realizada uma “Jornada de Publicações Anarquistas” em Montevidéu.

Com grande entusiasmo, estendemos o convite a todos aqueles que queiram participar desse evento que terá diferentes momentos:

• Entraremos em contato com companheiros do território ocupado pelo Estado italiano para abordar em primeira mão a situação dos companheiros presos naquela região, ao mesmo tempo, faremos uma atualização da luta que os companheiros vêm realizando nas prisões chilenas.

• Haverá apresentações de livros, fanzines e palestras-debates.

• Durante toda a jornada, seremos acompanhados por diferentes banquinhas para distribuir materiais específicos.

• Haverá uma cantina solidária. Toda a renda será revertida para a luta social.

• No final, Rodri Muffin nos acompanhará com sua trova.

Onde será realizado o evento? Em Montevidéu-Uruguai, calle Durazno 972_ Local do Sindicato de Artes Gráficas_ SAG.

Em que horário? Das 14hs às 21hs.

Estamos esperando por você!

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De que árvore florida
chega? Não sei.
Mas é seu perfume…

Matsuo Bashô

[França] Encontros de lutas camponesas e rurais

De 26 de Agosto a 3 de Setembro de 2023, convidamos você a participar nos encontros transnacionais de lutas camponesas e rurais que terão lugar perto de Bure (França, 55), onde a indústria nuclear francesa quer construir o gigantesco depósito de resíduos nucleares chamado Cigéo. Planejamos um grande campo auto-organizado para reforçar os laços e a organização entre um máximo de ativistas das lutas agrícolas e rurais, a partir daqui e de outros locais.

As nossas planícies, vales, costas e montanhas estão a ser desfiguradas pela agricultura e silvicultura química intensiva, o turismo, a multiplicação de grandes projetos inúteis, a artificialização e o landgrabbing. Ao mesmo tempo, estas zonas rurais estão a perder os seus agricultores. Face a esta situação, a fim de reinvestir as nossas zonas rurais, propomos definir em conjunto alternativas camponesas desejáveis que sejam acessíveis e respeitadoras do ambiente. Trata-se também de identificar os desafios a enfrentar para os implementar e manter: como tornar o campesinato atrativo, como facilitar o acesso à terra, como (re)adquirir o conhecimento, que modelos agrícolas e que organização humana? Como construir e manter os coletivos camponeses ao longo do tempo? Como evitar reproduzir dentro deles as dominações que combatemos no exterior? Como podemos enfrentar juntos os desafios sociais, climáticos e ecológicos?

As zonas rurais são atravessadas por diferentes tipos de lutas que não comunicam suficientemente entre si: ações de protesto dos agricultoras; ações de bloqueio ou sabotagem de grandes projetos industriais; ocupações do tipo Zad; instalações camponesas coletivas… O objetivo deste campo é sair do isolamento, tornar estas lutas visíveis e descompartimentá-las, e ir além de certas divisões para consolidar coligações e amizades políticas entre aqueles que as lideram, sejam eles provenientes dos campos ou das cidades.

Queremos pôr todas estas grandes ideias em prática para reforçar a luta local contra o projeto Cigéo. Queremos consolidar alianças entre trabalhadores rurais e residentes, reforçar a solidariedade com outras lutas na França e internacionalmente, e até criar um novo desejo de assentamento de camponeses na região!

O nosso campo terão lugar na zona ameaçada pelo projeto Cigéo ou poderia ser enterrados os resíduos mais radioativos. De momento, este projeto não é autorizado. No entanto, foram anunciados enormes projetos de infraestruturas, centenas de hectares de terras agrícolas e florestas já foram comprados pela Andra, e poderão seguir-se expropriações. Convidamos você a vir juntar-se às lutas rurais em curso para bloquear o caminho para a promessa nuclear, defendendo estas terras conosco.

Queremos ancorar estes encontros em experiências concretas, dando voz àqueles que praticam a agricultura e/ou lutam. Será também uma questão de destacar as lutas camponesas e rurais de diferentes pontos de vista em termos de tempo, território e posição política. Numerosas conferências, mesas redondas, workshops, campos de trabalho coletivos, acões e momentos festivos e culturais estão a ser preparados. Gostaríamos que estes encontros fizessem parte da renovação das lutas contra a destruição da vida e que trouxessem novas dinâmicas às nossas redes.

Junte-se a nós em Bure este Verão: a luta é fértil!

Mais informações e programação no site https://por.lpr-camp.org/

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Sobre a folha seca
as formigas atravessam
uma poça d’água

Eunice Arruda

10 anos do levante popular de junho de 2013.

Junho de 2013 está marcado na história recente do Brasil como o ano do maior levante popular dos últimos 100 anos. As maiores manifestações, em números absolutos, e em dimensão territorial ocorreram simultaneamente nos dias do mês de junho de 2013.

Antecedentes da revolta popular

As manifestações iniciaram por uma pauta concreta, o transporte público. Tradicionalmente, as máfias dos transportes públicos aumentam as tarifas no começo do ano. Naquele ano de 2013 ocorreram fortes manifestações contrárias aumento das tarifas em Porto Alegre-RS ainda em março. Goiânia-GO e Natal-RN em maio contra o aumento das passagens, com bastante violência policial em todas as cidades. Repetindo manifestações e enfrentamentos de anos anteriores, Salvador-BA com a Revolta do Buzu em 2003; Florianópolis-SC com a Revolta da Catraca em 2004, no Rio de Janeiro-RJ com uma Revolta contra o Fim do Passe Livre em 2007; em Natal-RN com a Revolta do Busão em 2012.

Mas em 2013 o contexto para grandes manifestações já estava formado para além das lutas contra o aumento das tarifas do transporte público. Haviam as “megaobras do PAC”, programa de aceleração do crescimento do governo Lula/PT que criava infraestrutura em regiões distantes dos grandes centros, como as hidrelétricas de Jirau, Santo Antônio e Belo Monte, esta ultima a mais conhecida por ter sido construída em terras dos povos do Xingú. Esta ultima foi reconhecida como causa do Etnocídio de povos que mudaram suas relações em decorrência da construção dessa usina.

Além das megaobras em si, as relações de trabalho nestes canteiros de obras eram degradantes. Marmitas com comida estragada e colchões sujos eram oferecidos aos operários que frequentemente realizavam fortes manifestações contra as péssimas condições de trabalho. Nestas manifestações, constantemente tinham que atropelar o sindicato oficial, enfrentar a violência policial e da Força Nacional de Lula/PT e depois de Dilma/PT. Portanto, já havia um cenário de agudizamento da contradição Estado x Povos com as megaobras, sendo o Estado dirigido pelo Partido dos Trabalhadores-PT.

As cidades que sediaram Copa de 2014 passaram por fortes arranjos estruturais, obras nos estádios e na área de mobilidade urbana. A necessidade de retirar populações pobres das zonas em que os turistas passariam levou a uma série de remoções, em que as prefeituras e governos estaduais pudessem “higienizar” as regiões com turistas. Essas remoções levaram a uma série de lutas locais pelo direito a moradia que foram ganhando força. O Comitê Popular da Copa, articulação nacional que concentrava acadêmicos e militantes de partidos de esquerda e ativistas autônomos também interferiu nas lutas contra as remoções.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://uniaoanarquista.wordpress.com/2023/06/14/10-anos-do-levante-popular-de-junho-de-2013/

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Na tarde sem sol
folhas secas projetando
sombras em minh’alma.

Teruko Oda

[EUA] Horizontes vermelhos

Por Mumia Abu-Jamal

As imagens eram impressionantes: A cidade de Nova York no verão de 2023. Sua linha do horizonte era iluminada por um céu vermelho-rubi, enquanto a luz do sol mal brilhava através da fumaça e das cinzas da estrondosa temporada de incêndios no Canadá.

Primeiro, fiquei surpreso com a notícia de que o Canadá tinha uma “temporada de incêndios”. Eu achava que o país tinha apenas quatro. Depois fiquei sabendo que mais de 400 incêndios devastaram as florestas da costa leste do país.

A fumaça se espalhou para o sul, atingindo mais de 15 estados dos EUA e causando o fechamento de escolas e empresas. No estado da Pensilvânia, isso levou até mesmo ao fechamento de prisões. Isso é incrível!

A fumaça vermelha sobre o famoso horizonte da cidade de Nova York parecia uma cena do filme de ficção científica “Krypton”. Por um dia, a cidade foi registrada como “a cidade mais poluída do mundo”.

Esse será um evento anual? Daqui a dez anos, quantas pessoas mais sofrerão de asma ou câncer de pulmão por causa dessa fumaça? Quem sabe?

A mudança climática é real ou é uma farsa? Olhe pela sua janela. A resposta é tão clara quanto o nariz em seu rosto.

Com amor, sem medo, sou Mumia Abu-Jamal.

12 de junho de 2023

>> Escreva uma carta para Mumia em letras pretas em papel branco com nome e endereço do remetente no envelope.

Smart Communications/PADOC

Mumia Abu-Jamal (#AM-8335) @ SCI Mahanoy

P.O. Box 33028

St. Petersburg, FL 33733 – EUA

Fonte: amigosdemumiamx.wordpress.com

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aqui também essa desconhecida
e ansiosa e breve coisa
que é a vida

Jorge Luis Borges

[Itália] Contra a guerra

A guerra na Ucrânia é consequência de 30 anos de cerco operado pela OTAN contra a Federação Russa.

A guerra na Ucrânia não começou com a invasão russa de fevereiro de 2022, mas com a agressão militar (e neonazista) contra as populações de língua russa de Donbass iniciada e legitimada por governos pró-UE e pró-OTAN desde 2014.

A guerra na Ucrânia, como todas as guerras, é uma guerra contra os proletários: primeiro contra os proletários ucranianos, usados como carne de matança em defesa do imperialismo da OTAN, e contra os russos, enviados para morrer e matar no front. Indiretamente, é uma guerra contra todos os proletários, a começar pelos países da UE e da OTAN: nós, os explorados do Ocidente, pagaremos pelo apoio à guerra, pelo envio de armas, pelos crescentes gastos com defesa, pelo esforço produtivo do complexo industrial-militar, em primeiro lugar com cortes nas pensões, na saúde e nos salários. Uma parcela cada vez maior da riqueza produzida socialmente será destinada à guerra, a economia de guerra será imposta com o estado de emergência.

A militarização do front interno, o aumento da repressão contra os que lutam. O apoio militar fornecido por todos os Estados ocidentais ao Estado ucraniano nos torna cúmplices da guerra. Políticos e homens de Estado não hesitam em expor as populações às potenciais consequências.

A guerra na Ucrânia nos aproxima perigosamente de uma possível terceira guerra mundial e apocalipse nuclear: o Estado russo ameaça abertamente com o uso de armas atômicas (os países europeus, por sua vez, anunciam que estão enviando armas com urânio empobrecido).

A guerra na Ucrânia é um negócio lucrativo para os patrões ocidentais, que têm todo o interesse em que ela continue o mais longa e destrutivamente possível: não apenas por causa dos enormes lucros da indústria de guerra, mas também pelo tentador negócio de reconstrução.

O INTERESSE IMEDIATO DOS PROLETÁRIOS É UM CESSAR FOGO

A tarefa dos proletários russos e ucranianos é levantar-se contra seus respectivos Estados, pôr em prática a renitência, a deserção, o derrotismo, a sabotagem, o ataque no front interno. Tudo isso já está acontecendo e merece a mais ampla solidariedade classista e internacionalista.

A tarefa dos proletários do ocidente é rebelar-se contra os respectivos Estados, sobretudo impedir o envio de armas, sabotar a indústria bélica, opor-se à servidão militar e à presença EUA-OTAN, contra a propaganda de guerra e a mentira interclassista da unidade nacional.

As armas à nossa disposição são as que sempre estão nas mãos dos proletários: greve, bloqueio, sabotagem, ação direta. Somente uma recuperação forte e determinada do conflito de classes pode nos tirar do pesadelo da guerra.

QUEBRAR O FRONT, SABOTAGEM, REVOLTA

a n a r q u i s t a s

Tradução > Contrafatual

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nas ramagens embaciadas
o sol
abre frestas

Rogério Martins

[Espanha] Lançamento: “El ángulo muerto. Manuel Huet y la clandestinidad libertaria en Francia”

Escondido nas sombras da grande História, parece que a incrível história de vida do anarquista Manuel Huet, o Murciano (1907-1983), permaneceu por muito tempo no ponto cego da historiografia sobre a resistência antifascista na Europa do século XX. Ele estava em todas elas, mas nunca foi visto… Até agora.

Sindicalista da CNT, anarquista de ação, miliciano, resistente antinazista, guerrilheiro, transeunte… Quarenta anos depois de sua morte memorável, este livro desenterra do esquecimento a biografia de um militante libertário cujo papel foi fundamental na luta contra o fascismo em ambos os lados dos Pirineus.

El ángulo muerto. Manuel Huet y la clandestinidad libertaria en Francia

Autor: Ni cautivos ni desarmadas

ISBN: 978-84-126423-2-2

Série Transhistorias, nº 21

Medidas: 210 mm x 130 mm

Páginas: 334

Preço: €19

piedrapapellibros.com

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Na esquina sumindo
os homens. Logo outros homens
sumindo. Na esquina…

Alexei Bueno

[Reino Unido] Squatters espanhóis visam casas de férias de britânicos: ‘manifesto anarquista’ ensina gangues a roubar propriedades no país onde normalmente leva 18 MESES para removê-los

Por David Averre e Gerard Couzens | 15/05/2023

Gangues criminosas estão invadindo as residências de férias dos britânicos na Espanha e aproveitando-se da frouxa regra habitacional que impede que invasores sejam despejados para vender seus bens e cobrar o dinheiro do resgate.

Um movimento de ocupação, conhecido como Los Okupas, há muito defende que aqueles que estão lutando para encontrar e pagar por uma moradia adequada se mudem para propriedades desocupadas de forma semipermanente.

Mas gangues oportunistas criaram um modelo de negócios pelo qual entram em casas de veraneio desocupadas, trocam as fechaduras e efetivamente “vendem” a propriedade para ocupação.

Com os novos ocupantes podendo permanecer no local por meses ou anos seguidos, as gangues coletam dinheiro dos ocupantes enquanto vendem os bens do verdadeiro dono.

Um advogado do Crown Prosecution Service, que recentemente viajou para Ibiza com sua esposa e dois filhos pequenos e encontrou squatters em sua casa de férias, descreveu a questão como um ‘vácuo legal’ que deixa os proprietários quase impotentes para recuperar o acesso às suas propriedades.

O artigo 47 da Constituição espanhola afirma que ‘todos os espanhóis têm o direito de desfrutar de uma moradia digna e adequada’ – um sentimento que causou uma lacuna legal, tornando extremamente difícil para os proprietários remover as pessoas que ocupam suas propriedades.

De acordo com a lei espanhola, ocupantes que permanecem numa casa por mais de 48 horas e não possuem outra moradia adequada para morar não podem ser despejados sem ordem judicial.

Esse processo leva em média 18 meses e pode ser particularmente caro, pois os demandantes precisam desembolsar representação legal e oficiais de justiça.

Nesse ínterim, a única maneira de remover ocupantes é pagar empresas de remoção de squatters, muitas das quais cobram milhares de libras para despejá-los à força.

Uma investigação recente do iNews descobriu que as gangues que operam o golpe elaboraram um manual de 102 páginas, descrito como um ‘manifesto anarquista’, que oferece conselhos aos Okupas sobre como invadir com sucesso a casa de alguém e dicas legais sobre como estender sua permanência o máximo possível.

O advogado britânico e chefe da unidade de extradição do CPS, Marc Robinson, é um dos vários britânicos envolvidos em batalhas legais com invasores.

Ele está tentando recuperar a casa de férias da família depois de voar para Ibiza durante as férias da Páscoa e descobrir que as fechaduras foram trocadas, revelou o jornal espanhol The Objective.

Os Robinsons voaram para a ilha espanhola com suas filhas em 4 de abril e descobriram que as luzes estavam acesas e que alguém estava em sua propriedade no município de San Antonio.

O casal chamou a polícia, que falou com um homem que supostamente admitiu que estava morando ali com sua esposa e dois filhos porque ‘não tinha outro lugar para morar’.

A esposa do Sr. Robinson, Sophie, disse ao The Objective: ‘Parece que eles estão vendendo nossos pertences. Temos certeza de que uma bicicleta cara que tínhamos em casa não existe mais.

‘Quando finalmente tivermos acesso, teremos que ver se acabamos acusando-os de roubo ou danos criminais.’

Um mês depois de sua descoberta perturbadora, a Sra. Robinson disse que seu processo legal para que os invasores fossem despejados nem sequer foi admitido para processamento.

‘O relatório da polícia ainda não chegou ao tribunal e os procedimentos preliminares para expulsá-los de nossa casa ainda não foram abertos’, acrescentou.

‘A Guarda Civil disse-nos que não podiam fazer nada porque quando chegaram só havia um homem, uma mulher e duas crianças que não podiam despejar sem ordem judicial porque dizem que são uma família e não têm outro lugar para morar.

‘Mas sabemos que há mais pessoas na casa e deve ser fácil para a polícia provar isso.

‘Não entendemos como é possível que haja um vácuo legal quando se trata de squatters na Espanha.’

Keith Harvey, um ex-proprietário perto de La Zenia, na Costa Blanca, disse ao MailOnline: ‘Tínhamos quatro casas permanentemente ocupadas por invasores. Foi um pesadelo para todos os 100 moradores e muitos venderam suas propriedades, inclusive eu, para fugir do ambiente hostil.

‘Os advogados locais são muito caros e levar o seu caso ao tribunal leva dois anos. Mesmo com a ordem de despejo ainda não há garantia de que os squatters irão embora.’

Enquanto isso, o londrino Michael Reagan disse ao The Daily Express que encontrou sua casa em Barcelona invadida por squatters em 2021.

Ele contratou uma agência de remoção de squatters para despejá-los e foi forçado a desembolsar £ 1.750.

“Você está preso entre a cruz e a espada”, disse Reagan. “A lei é muito ineficaz.”

Outros resolveram fazer justiça com as próprias mãos, recorrendo à violência.

No verão passado, um grupo de homens foi flagrado em vídeo invadindo sua casa na região espanhola de Múrcia, ameaçando espancar os invasores com barras de ferro se não saíssem.

Fonte: https://www.dailymail.co.uk/news/article-12084499/Spanish-squatters-target-Brits-holiday-homes-anarchist-manifesto-stealing-properties.html

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

minha sombra
com pernas mais longas
não me afasta

André Duhaime

[Espanha] A CGT demonstra sua solidariedade à classe trabalhadora indiana após o acidente na rede ferroviária de uma das áreas mais populosas do planeta.

A organização anarcossindicalista exige que as autoridades indianas assumam a responsabilidade pela negligência e pelo subinvestimento do Estado nesse meio de transporte.

O Setor Ferroviário Federal da Confederação Geral da CGT (SFF-CGT) emitiu uma declaração na qual lamenta profundamente as consequências do terrível acidente de trem ocorrido em 2 de junho perto de Calcutá, que custou a vida de quase 300 pessoas. O terrível evento também deixou mais de mil pessoas feridas. Estima-se que 2.000 pessoas estavam a bordo dos trens destruídos.

As autoridades, sem surpresa, apontaram “erro humano e falhas de sinalização” como as principais causas do acidente de trem. No entanto, a SFF-CGT explicou que as características e condições do setor ferroviário indiano são bem conhecidas. O estado indiano tem um histórico longo e muito sombrio em relação à segurança do sistema de infraestrutura ferroviária, que é muito obsoleto e no qual nenhum investimento é feito para mitigar as falhas que podem surgir como resultado de sua negligência, nem para modernizá-lo. Também é bem conhecido o número de seres humanos que utilizam esse meio de transporte diariamente. Mais de 13 milhões de pessoas se deslocam todos os dias pela rede ferroviária indiana. Essa rede também é uma das maiores e mais antigas do mundo.

Do Setor Ferroviário Federal da Confederação Geral do Trabalho (SFF-CGT), demonstramos nossa total solidariedade com a classe trabalhadora indiana e transmitimos nossas condolências às famílias afetadas por esse acidente brutal. Além disso, exigimos que as autoridades indianas, além de encomendar estudos e investigações exaustivas após essa tragédia, não se esqueçam de que são as grandes responsáveis pela situação da rede ferroviária indiana e invistam em segurança para evitar acidentes como o que acabamos de ouvir.

Fonte: https://rojoynegro.info/articulo/cgt-muestra-su-solidaridad-con-la-clase-trabajadora-india-tras-el-siniestro-en-la-red-ferroviaria-de-una-de-las-zonas-mas-pobladas-del-planeta/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

pinta no nariz –
era uma pulga que
fugiu por um triz

Carlos Seabra

[Portugal] Mercado regulado de escravos legais

Por Teófilo Fagundes | 06/06/2023

A visão que Carlos Moedas e Luís Montenegro reservam para a imigração, que soa desumana e utilitarista, é afinal uma política já em plena implementação na União Europeia através das Parcerias de Talento, que transformam a Frontex numa espécie de centro de emprego.

De forma a «ajudar a resolver a escassez de competências», a Comissão Europeia anunciava, em comunicado de imprensa de 11 de Junho de 2021, o lançamento da iniciativa Parcerias de Talento [Talent Partnerships], um dos instrumentos do Pacto sobre Migrações e Asilo, que a presidência da UE, na altura portuguesa, catalogava de “fundamental para uma melhor gestão das migrações por parte da UE”.

Perante vagas cada vez maiores de pessoas em busca de uma vida melhor, por um lado, e, por outro, confrontada com uma escassez de mão de obra também ela cavalgante, a UE reage de forma talvez previsível no carácter pós-colonial: reforça o arame farpado das fronteiras, transformando-o num crivo que deixa passar apenas quem tem as “competências” necessárias para servir a Sociedade Europeia devolve à sua sorte, talvez morte, todos os restantes.

As pressões austríacas para que o orçamento comunitário financie a construção de fronteiras físicas entre a Bulgária e a Turquia, ou a disponibilidade de Von der Leyen para «fornecer infraestruturas e equipamentos como drones, radares e outros meios de vigilância, ainda falando da mesma fronteira, são apenas dois exemplos recentes da primeira parte desta estratégia. As Talent Partnerships, uma escolha a dedo dos Estados com quem cooperar e também das pessoas a quem abrir a porta, com tudo o que isso tem de injusto e desumano, são o rosto da segunda parte. Com uma mão fecha-se a vedação, com a outra escolhe-se quem interessa ao mercado laboral europeu.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://www.jornalmapa.pt/2023/06/06/%e2%80%a8mercado-regulado-de-escravos-legais/

agência de notícias anarquistas-ana

apaga a luz
antes de amanhecer
um vagalume

Alice Ruiz

[Paquistão] Ativistas comemoram o 208º aniversário de Bakunin

Ativistas da Federação de Solidariedade dos Trabalhadores celebraram hoje (30/05) o 208º aniversário do nascimento do grande anarquista Alexander Mikhail Bakunin pela primeira vez em Karachi.

Os trabalhadores Imdad Ali Mugheri, o lendário cantor Gul Sher Chandio, Momin Khan Momin, William Sadiq, Professor Deedar Jaffery, Baboo Ladu, Dogra Mumtaz Raja, que nomeou seu filho em homenagem a Bakunin e sua filha em homenagem a Emma Goldman, Gul Mohammad Mangi e outros participaram.

O ativista trabalhista Imdad Mugheri cantou uma nova canção em homenagem a Mikhail Bakunin. Cerimônia de corte do bolo também foi realizada. Saudação preta e vermelha a Mikhail Bakunin.

>> Vídeo de canto e corte de bolo neste link:

https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=pfbid02x8Q7b8s5xcPi3rHosQ3aASA75fGp3dMCGPmr48iycr4it6NkXzcUnoV8S6wmLivjl&id=100085099817722

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

vela branca
o vento leva
leve a lembrança

Alexandre Brito