[França] Os Estados sempre serão nossos inimigos, independentemente da ideologia que os move

Mais uma vez, estamos batendo o tambor na esperança de que o Estado ouça nossas queixas. Mas sabemos que os governos, independentemente de sua ideologia, precisam inevitavelmente encontrar fundos para administrar suas estruturas impostas por esse sistema estatal capitalista. Esses Estados precisam de exércitos, gendarmes, forças policiais, serviços secretos, prisões…, para que a injustiça social reine e continue, pois nesse sistema, baseado na acumulação, é preciso haver pobres para que haja ricos.

Talvez sejam necessárias algumas explicações sobre o funcionamento desse sistema político-econômico.

Os Estados, os principais pilares do capitalismo, uma vez que vivem dos impostos sobre a mais-valia que compõe os lucros das empresas e dos salários (seus próprios salários e os salários sociais falsamente chamados de “encargos”) têm apenas essas duas fontes de financiamento como solução.

Mas estamos em uma era de globalização e racionalização da tecnologia. A primeira é a concorrência entre as empresas, forçando a produção a um custo menor, e a segunda é a redução do número de funcionários, a única fonte de valor, permitindo a produção de cada vez mais bens.

Pois o valor é uma função do número de horas prestadas pela força de trabalho e do número de produtos gerados. Ao reduzir o número de funcionários e aumentar a produção, o valor diminui, o preço de venda pode e deve sempre cair para se adequar à concorrência internacional, há menos lucros e, portanto, menos mais-valia também.

Por um lado, os estados, portanto, cobram menos impostos das empresas e, ao fornecer a elas, por lei, os meios de isenção, para permitir que invistam a fim de permanecerem competitivas internacionalmente, eles garantem um mínimo de receita. Por outro lado, para evitar a inflação, os salários foram congelados e o acesso ao crédito foi facilitado. As fontes de receita dos estados estão encolhendo a cada ano!

Então, onde eles encontrarão o dinheiro? Os estados só precisam ganhar dinheiro, você dirá! E o que dizer do ISF (NdT: imposto sobre a fortuna)?

No entanto, isso é um mal-entendido sobre o funcionamento interestadual dos bancos nacionais. A contabilidade de dupla entrada exige um equilíbrio entre créditos e débitos. Se o Banco da França tomar emprestado euros do Banco da Europa (BCE), ou se o Banco de Madagascar tomar emprestado do Banco Mundial (BM), por exemplo, as somas emprestadas serão registradas na coluna de débito do credor. Cria-se uma dívida e o dinheiro, uma vez devolvido, será anotado na coluna de crédito, depois será queimado, restando apenas os ágios. Quanto ao ISF, transformado em 2017 no imposto sobre o patrimônio imobiliário (IFI), a solidariedade de classe obriga, serve principalmente para impulsionar o investimento em empresas (Les Echos, 30 de setembro de 2019).

Os Estados, por causa da contradição sistêmica (diminuição do valor pela racionalização tecnológica), são obrigados a encontrar fundos para evitar a falência a longo prazo e são sempre, em nossa classe social, os menos organizados que serão o objeto da drenagem!

Não estamos mais na década de 1970, a distribuição equitativa da mais-valia (ideologia marxista) não é mais possível devido à evolução do sistema de estado capitalista que, lembremos, é dinâmico e não implica em um possível retorno ao passado!

É hora de mudar a sociedade!

Vamos passar de um estado-nação competitivo e belicoso para um federalismo anarquista baseado em um pacto pacífico e de ajuda mútua! Vamos passar de uma economia capitalista baseada na acumulação destrutiva sem fim para uma atividade distributiva baseada em “de cada um de acordo com suas possibilidades, para cada um de acordo com suas necessidades!”

Então, vamos partir para a anarquia! Primeira parada: a greve!

E “alegremente, de braços dados” (como diz a música), e se ocupássemos nossos locais de trabalho? É por meio da ação direta e do federalismo intercorporativo que conseguiremos salvaguardar nossas conquistas sociais! Vamos estabelecer a igualdade salarial em cada um de nossos locais de trabalho! E quem sabe, se os trabalhadores de outros países fizerem o mesmo, poderemos tentar a gestão direta em ajuda mútua e acabar com as classes sociais, os empregadores, os assalariados, o valor, o dinheiro, a mercadoria, o Estado e suas fronteiras.

Fonte: http://www.cnt-ait.fr/les-etats-seront-toujours-nos-ennemisquelle-que-soit-lideologie-qui-les-anime/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Tangerina cai
e a casca ferida exala
gemidos de dor.

José N. Reis

“É necessário dissecar este cadáver”: o caso do primeiro brasileiro expulso do Partido Comunista do Brasil.

Por Hamilton Santos

Durante a Primeira República o movimento operário brasileiro se desenvolveu e se fortaleceu. A partir da primeira década do século XX os setores mais combativos do proletariado se organizaram através do sindicalismo revolucionário, de inspiração libertária2. O sindicalismo revolucionário foi o mais combativo paradigma sindical, que organizou e protagonizou relevantes lutas por direitos trabalhistas e melhorias nas condições de sobrevivência dos trabalhadores. Operários anarquistas realizaram um grande esforço para construir uma agenda contra-hegemônica, uma visão de mundo própria, que lhes permitia entender a exploração burguesa e desenvolver a ideia de superação do modo de produção vigente. A experiência do movimento anarquista no Brasil foi intensa, forte e despertou uma brutal e constante repressão da classe dominante.

Em 1906, aconteceu o Primeiro Congresso Operário Brasileiro que organizou a Confederação Operária Brasileira em 1908. Essa organização operária tinha o objetivo de unificar as lutas dos sindicatos revolucionários sob a perspectiva anarquista. A influência da ideologia ácrata sobre os setores mais combativos do proletariado brasileiro ganhou grande importância em 1906 e durou até o fim da Primeira República (PEREIRA, 2012: 38).

Em 1913, aconteceu o Segundo Congresso Operário Brasileiro. Também foi organizado e influenciado pelo sindicalismo revolucionário. Os anarquistas estiveram na liderança dos dois primeiros congressos operários. Tal fato nos permite afirmar a hegemonia do sindicalismo revolucionário no movimento operário da Primeira República. A revolução bolchevique de 1917 influenciou os movimentos operários em diversas partes do mundo. A análise da influência do advento bolchevique nos meios operários brasileiros, organizados pelos anarquistas, socialistas e ‘sindicatos amarelos’, se faz necessária, pois o evento revolucionário alterou o desenvolvimento e trajetória das lutas sociais no Brasil e no mundo. Inicialmente, a Revolução Russa despertou euforia nos grupos libertários que militavam no movimento operário brasileiro. Muitos acreditavam que o movimento revolucionário russo era uma revolução anarquista que findou a exploração capitalista na Rússia. (BANDEIRA, 2017: 345).

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://ielibertarios.wordpress.com/2023/06/01/e-necessario-dissecar-este-cadaver-o-caso-do-primeiro-brasileiro-expulso-do-partido-comunista-do-brasil/?fbclid=IwAR0RYPOs2g8pBfTO_-c1pgzsvo_K-xwtSHPxEKcj9DazbEhL_pIlfW09VmQ

agência de notícias anarquistas-ana

O lírio levanta
no meio da noite
seu copo de leite.

Luiz Bacellar

[França] “12 horas pelo anarquismo”

Evento em torno do documentário de Tancrède Ramonet “Ni Dieu Ni Maitre” (Sem Deuses, Sem Mestres). No Lycée Autogere de Paris (LAP), 393, rue de Vaugirard – Paris. Sábado, 3 de junho.

9h30: Café-chá de boas-vindas

10h00 – 11h30: A paixão pela destruição (1840-1914) – 70 min. – Debate com Anne Steiner, Francis Pian

11h00 – 12h30: A memória dos vencidos (1911-1945) – 70 min. – Debate com Claire Auzias, Karine Snepmac

12h30 – 14h30: Intervalo para almoço organizado e fornecido pelos Lapiens

14h30 – 16h00: Flores ou pedras de pavimentação (1944-1968) – 70 min. – Debate com René Berthier, Jean-Pierre Patin

16h00 – 16h30: Intervalo

16h30 – 18h00: As redes da cólera (1965-2012) – 70 min. – Debate com Frank Mintz, Hugues Lenoir

18h00 – 19h00: Debate sobre a censura – Tancrède Ramonet: associação ACRIMED, Norbert Devermelle

19h00 – 20h30: Intervalo para jantar organizado pelos alunos e alunas do LAP

20h30 – 22h30: Concerto: ACHAB

Organização: Groupe Commune de Paris de La Fédération Anarchiste • Radio Libertarie • Librairie Publico

agência de notícias anarquistas-ana

Num galho seco,
Um corvo pousado.
Tarde de outono.

Bashô

[Espanha] Insultos racistas no futebol

Sou torcedor da Sociedad Deportiva Rayo Vallekano…, que um anarquista seja torcedor de um time de futebol não é compreensível do ponto de vista anarquista. Mas se o leitor dessa reclamação (por assim dizer) decidir ler livros como o do anarquista Alberto Luque, Melé en las gradasReflexiones para la recuperación del deporte obrero, ele poderá ser condescendente.

O Rayo é o bairro, seu povo, seus torcedores. Não importa se ganham ou perdem (naturalmente gostamos que ganhem, mas de forma limpa, sem trapaças), torcemos pelo “nosso” time.

Mas acontece que não é só isso. É algo mais. É um sentimento de vizinhança, de classe trabalhadora, de proletariado, de luta por um mundo melhor. E você pode sentir isso no campo, na rua, nos bares do bairro…, no bairro.

Não gostamos de homofobia, não gostamos de racismo, não gostamos de fascismo… É por isso que, agora que surgiu um “grande” caso envolvendo um imigrante rico, como o do jogador do [Real] Madrid, todos estão se descabelando… Mas certamente nada acontecerá, esses três que foram “presos” pela polícia por ódio racial serão multados ou pouco mais, e então estarão na rua. E, sem dúvida, eles voltarão para as arquibancadas.

Mas o que aconteceu quando muitos torcedores do Rayo gritaram para um jogador do Albacete que ele era um “maldito nazista”? O que aconteceu? O Rayo foi punido, a partida foi imediatamente suspensa e, vários dias depois, o jogo foi disputado a portas fechadas. Sanções para as arquibancadas, especialmente para os Bukaneros.

Os ricos protegem uns aos outros. Portanto, chamar um maldito nazista de nazista, o que não é um insulto, pois ele era e é um nazista, acarreta penalidades. Insultar um jogador de elite por ser de uma raça diferente acarretará a mesma penalidade? Eu certamente acho que não.

Saúde.

Simon Pena

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

no lago
um pato
toma banho de chuveiro

Rogério Martins

[Irlanda] Wobblies na Feira do Livro Anarquista de Dublin

O tão esperado retorno da Feira do Livro Anarquista de Dublin ocorreu no sábado, 20 de maio. Depois de vários anos na geladeira, o retorno ao local do Teachers Club no centro de Dublin foi bem-vindo por ativistas de todo o país.

“Viemos de West Meath passar o dia para ter a chance de conhecer ativistas e assistir a algumas das palestras. Estou planejando participar da palestra sobre habitação com o CATU e o IWW e ela espera participar da sobre direitos das pessoas com deficiência e ativismo”, disse um dos presentes.

Outro participante disse: “Eu me inscrevi para os Trabalhadores Industriais do Mundo (IWW, sua sigla em inglês) algumas semanas atrás, sabia que eles estariam aqui hoje. Ganhei uma camiseta e acabei de assistir a uma das palestras sobre solidariedade com prisioneiros, pois recentemente me interessei em política abolicionista. Não há nada como isso na Irlanda e estou muito feliz por ter vindo hoje. Sou dos arredores de Dublin”.

Membros da filial da IWW na Irlanda de diferentes partes do país tinham uma barraca de informações da IWW e participaram de várias reuniões e oficinas sobre como escrever para prisioneiros. Quando o evento chegou ao fim, um porta-voz do IWW disse: “Foi ótimo participar do que foi um evento histórico da esquerda radical na cidade. Foi ótimo ver a feira do livro de volta após uma ausência de vários anos, então esperamos que isso se torne um evento anual no calendário político mais uma vez”.

“Para um sindicato revolucionário como o IWW, era importante estar aqui e fazer conexões com outros grupos e campanhas de base. Para chegar aos participantes, converse com eles sobre o IWW e o trabalho em que estamos envolvidos localmente e ao redor do país”.

“Alguns nunca ouviram falar da organização sindical na Irlanda, o que nos diz que precisamos ser muito mais visíveis do que temos sido, enquanto outros vieram tirar algumas dúvidas e até se inscrever para se tornarem ativos. Foi ótimo e gostaríamos de agradecer aos organizadores pelo esforço que fizeram para criar um evento tão brilhante como este em Dublin. Foi um grande dia.”

Membros do Comitê de Organização dos Trabalhadores Encarcerados realizaram uma bem-sucedida Oficina de Redação de Cartas para Prisioneiros na feira do livro, que também teve boa participação. Os participantes ouviram falar que os membros do trabalho estão envolvidos em primeira mão, mostrando solidariedade aos prisioneiros e escreveram uma série de mensagens de solidariedade a vários prisioneiros do IWW que recebem apoio contínuo.

O evento terminou com o que foi, sem dúvida, uma das mais altas salvas de palmas dos eventos do dia e o importante trabalho de organização do interior. Os participantes retornaram ao fundo do prédio para várias fotos de solidariedade com os Craigavon Two e também com a CNT Xixón, que estão enfrentando prisão pelo Estado espanhol por seu ativismo sindical.

>> Mais fotos: https://www.onebigunion.ie/post/wobblies-at-the-dublin-anarchist-bookfair

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Num banco de praça
a sombra de um velho assombra
o vento que passa.

Luciano Maia

[México] Pronunciamento: Nem perseguidos! Nem condenados!

Queridos companheiras, companheiros e companheires:

Agradecemos a solidariedade ante o chamado que realizamos para exigir a plena liberdade de nosso amigo e companheiro Miguel Peralta Betanzos. Nas últimas semanas vimos um crescimento na perseguição contra as famílias de Eloxochitlán de Flores Magón, Oaxaca, que resistem aos embates do grupo “chefe” político da região. Sendo um exemplo as detenções arbitrárias de outros dois companheiros da comunidade, apesar de que juridicamente já tinham obtido sua liberdade. Da mesma forma o assédio e a invasão de domicílio de familiares de Miguel Peralta, fato não menor no cenário repressivo.

A isso somamos que, em 26 de maio de 2023 recebemos a notícia que a Magistrada encarregada da resolução de proteção de Miguel Peralta, se declarou “IMPEDIDA” para efetuar dito ato, justamente a escassos dias de completar o prazo de três meses para a resolução do mesmo, aumentando novamente o tempo a mais de um ano, burlando suas próprias leis.

Sendo nomeado um novo magistrado, o C. VICTOR HUGO CORTES SIBAJA, se leva o processo jurídico a um ponto inicial, quer dizer, agora é preciso voltar a esperar mais três meses para que resolva a proteção, que não deve ser mais que de uma efetiva liberdade.

Agradecemos sua atenta resposta e os convocamos a seguir de perto o caso.

Nem perseguidos! Nem condenados!

Grupo de apoio em solidariedade com Miguel Peralta Betanzos

30/05/2023

#LibresYa

#AltoAlaPersecuciónPolítica

#SentenciaFirmeDeLibertad

#MiguelPeraltaLibre

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/05/17/mexico-nem-condenado-nem-perseguido-solidariedade-com-miguel-peralta/

agência de notícias anarquistas-ana

apaga a luz
antes de amanhecer
um vagalume

Alice Ruiz

Lançamento: “Ninguém fica para trás: por uma esquerda vegana e por um veganismo de esquerda, de Renato Libardi

O debate sobre o veganismo ainda está permeado por uma compreensão dele como estilo de vida, ou uma decisão puramente individual. Rompendo com este pensamento e colaborando com o debate socialista dentro do veganismo, é com felicidade que lançamos hoje o livro “Ninguém fica para trás: por uma esquerda vegana e por um veganismo de esquerda” escrito pelo camarada Renato Libardi.

Nesta coletânea de artigos, Libardi apresenta de forma contundente a necessidade de debater o veganismo dentro das fileiras da esquerda, assim como introduzir debates sobre a libertação social no campo do veganismo, a partir das lutas da periferia do capitalismo, na América Latina e especialmente no Brasil.

A obra, com 90 páginas, pode ser adquirida por apenas R$ 22,00 com frete grátis para todo o Brasil. Durante seu lançamento, os pedidos acompanharão o pôster “Ninguém fica para trás”.

Encomendas em nossa loja pelo link: https://linktr.ee/tsa.editora

agência de notícias anarquistas-ana

foi ao toalete
e cortou os sonhos,
a gilete

Leila Míccolis

[França] Contra o capitalismo

Em nosso folheto anterior, o título era “contra a extrema direita e o liberalismo”. Algumas pessoas podem ter pensado que não éramos contra todas as formas de capitalismo. Mas o objetivo desse título não era sugerir que a extrema direita é anticapitalista.

Basicamente, o capitalismo é a criação e a organização de desigualdades baseadas no capital. Essa base torna possível inventar uma forma infinita de capitalismo, dependendo dos métodos de distribuição do capital e dos limites que se colocam em seu poder. Isso dá a impressão de que o capitalismo é um horizonte insuperável.

A extrema direita é, de fato, muito capitalista. Ela só quer redistribuir a riqueza para reforçar as desigualdades – que ela considera naturais – e reforçar essas desigualdades por meio do reforço do capitalismo.

A política do pior geralmente leva ao pior. Como dizem seus adeptos: “Vamos aceitar a catástrofe agora mesmo, estaremos na merda, e então as pessoas terão uma consciência esclarecida e se revoltarão”. Lamentamos dizer que não é assim que as coisas funcionam. Não faltam exemplos históricos.

Muitas vezes, o argumento “martelo” em favor dessa política é que quando as pessoas estão com fome, elas se revoltam! Nada poderia estar mais longe da verdade. O exemplo clássico do stalinismo “organizando” grandes fomes na Ucrânia para silenciar qualquer revolta é muito revelador. Não importa o quanto as pessoas quisessem, o fato é que não houve revolução naquela época.

Sem mencionar que essa política demonstra um profundo desprezo pelos outros e é apenas vanguardista, excluindo-se da condição comum. É muito raro que os defensores dessa política a apliquem a si mesmos sem constrangimento.

Outra armadilha política é a “política do mal menor”, para fazer as pessoas engolirem as palavras “ok, não é ótimo, mas vamos aceitar e dias melhores virão”. A política do mal menor leva ao mal. A forma de aceitação é a famosa frase “de dois males, escolha o menor”.

Mesmo que possamos nos alegrar com os avanços que nos permitem incentivar a reflexão, especialmente quando foram obtidos por meio da luta, não é esse o nosso objetivo. Queremos construir um comunismo anarquista. É como a greve geral: mesmo que esse comunismo anarquista não possa ser decretado, ele deve ser construído. O que significa falar sobre isso.

Por nossa filosofia, o anarquismo, ser baseada na recusa de toda dominação, somos radicalmente anticapitalistas. Mesmo que seja apenas uma das facetas que devam ser combatidas.

Fonte: http://www.cnt-ait.fr/contre-le-capitalisme/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Frescura:
os pés no muro
ao dormir a cesta

Matsuo Bashô

Pré-venda do livro “A Plantation Progressista – Racismo dentro dos Grupos de Esquerda Radical”, de Lorenzo Kom’boa Ervin

Neste livro, lançado em outubro de 2011, após uma experiência ruim junto ao movimento Occupy na sua cidade nos EUA, Lorenzo aborda o racismo existente dentro dos grupos de esquerda, especialmente nas organizações anarquistas e ONGs, relatando esta e outras ocorrências racistas na sua história. O autor explica como a esquerda, composta majoritariamente de pessoas brancas de classe média, acredita que, simplesmente por se autodenominar militante antirracista, não poderiam reproduzir o racismo dentro dos seus grupos, ou mesmo fora deles.

Lorenzo sobre o livro: “Eu provejo aos radicais brancos as ferramentas com as quais trabalhar, um referencial teórico e alguma análise sobre opressão racial. Eu não posso, entretanto, fazê-los dar os passos para realmente usá-la para desmantelar o racismo dentro dos movimentos radicais.”

O livro contará também com outros textos, incluindo entrevistas com Lorenzo e sua companheira JoNina, em sua maioria inéditos em português. O livro será lançado com autorização do autor.

Todo o recurso gerado com a venda do livro será destinado para o lançamento de outros livros que contribuam para a construção de um anarquismo não branco. Todo o trabalho feito por nós, incluindo as traduções, é feito de forma voluntária. Num futuro próximo, destinaremos recursos dos lançamentos para movimentos sociais autônomos, especialmente os Pretos.

Loja do Escurecendo o Anarquismo: form.jotform.com/231376710364050

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/12/10/eua-anarquismo-e-a-revolucao-negra-a-vida-extraordinaria-de-lorenzo-komboa-ervin/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/12/08/eua-lancamento-anarchism-and-the-black-revolution-edicao-definitiva/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/12/03/eua-lancamento-the-nation-on-no-map-anarquismo-negro-e-abolicao/

agência de notícias anarquistas-ana

Neste outono,
Como estou ficando velho!
Pássaros nas nuvens.

Bashô

[Chile] Rancagua. Uma saudação anárquica subversiva e cúmplice ao povo mapuche em sua luta atual contra a repressão e a dispersão de seus prisioneiros.

A partir das particularidades e em autonomia, cada um com seus próprios pontos de vista e visão de mundo, temos em luta direta os mesmos inimigos: o Estado, a prisão e o capital.

Em confronto com eles, tivemos de enfrentar perseguição, prisão e morte, circunstâncias típicas dessa jornada contínua e incessante de resistência anárquica e subversiva.

O mesmo Estado militar e policial racista que persegue, prende e mata, hoje articula uma política de dispersão e isolamento em relação aos Peñi; nada de novo para o Poder e seus carcereiros, que buscam nessa dispersão desarticular uma luta ancestral.

Anteriormente, anarquistas e subversivos foram transferidos para essa prisão/empresa em Rancagua, hoje são os Peñi Juan e Fabián que estão enfrentando sua própria passagem por esses muros.

Nossa solidariedade com a luta do povo mapuche tem sido uma constante há décadas e é dentro dessa prática que hoje apertamos a mão e o punho de nossos irmãos, conscientes de sua greve de fome contra a dispersão, e nos unimos em um grito de guerra com a convicção de lutar contra um inimigo comum que hoje exige uma nova relação entre aqueles que trilham o Weichan e aqueles que trilham o caminho da guerra social.

Construir um caminho de fraternidade implica fortalecer os laços de reciprocidade, rompendo com todas as práticas que não contribuem, sabendo que o conflito não cessa, nem nossos prisioneiros, fugitivos e mortos.

Muito Newen a todas os Lof e Comunidades em luta e resistência.

Um abraço em resistência a todos os prisioneiros mapuches que continuam com dignidade em Weichan, nas prisões do Estado.

Anarquistas, subversivxs e prisioneirxs mapuches fora da cadeia agora!!!

Morte ao Estado!

Enquanto houver miséria, haverá rebelião!

Francisco Solar

Juan Aliste

Joaquin Garcia

Marcelo Villarroel

Prisioneirxs anarquistas e subversivxs

Prisão/empresa de Rancagua

Território dominado pelo Estado chileno.

Maio de 2023.

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

há colcha mais dura
que a lousa
da sepultura?

Millôr Fernandes

[México] Declaração nacional e internacional sobre o ataque à comunidade Moisés Gandhi

Aos povos do México e do mundo, 

As pessoas, coletividades e povos que defendem a Vida, 

A quem sente a urgência de agir diante um sudeste mexicano em chamas. 

Hoje, neste momento, México está no limite. Nesse limite que aparenta ser distante até que uma bala que chegando de cima detona a raiva do México de abaixo. O companheiro zapatista Jorge López Santis está no limite entre a vida e a morte devido a um ataque paramilitar da Organização Regional de Cafeicultores de Ocosingo (ORCAO), a mesma organização que tem atacado e hostilizado às comunidades zapatistas. Chiapas está à beira da guerra civil entre paramilitares e pistoleiros dos diversos cartéis que disputam os pontos e rotas de escoamento de drogas e grupos de autodefesas, com a cumplicidade ativa ou passiva dos governos estadual de Rutilio Escandón Cadenas e federal de Andrés Manuel López Obrador. 

O Exército Zapatista de libertação Nacional (EZLN), há garantido a paz e desenvolvido seu projeto autônomo nos seus territórios e tem tratado de evitar o choque violento com paramilitares e outras forças do Estado mexicano, ainda que sendo hostilizado, agredido e provocado constantemente. Desde final do século XX, e até hoje, o EZLN tem optado pela luta política através dos caminhos civis e pacíficos, apesar de suas comunidades serem baleadas, suas plantações incendiadas e seu gado envenenado. Apesar de não investir seu trabalho na guerra, e sim em construir hospitais, escolas e governos autônomos que beneficiam a zapatistas e não zapatistas, os governos desde Carlos Salinas até López Obrador tem tentado isolar, deslegitimar e exterminar o EZLN e as comunidades bases de apoio. Hoje, a poucos meses da luta do EZLN cumprir seus 40 anos, o ataque paramilitar da ORCAO fez com que a vida de um homem fique por um fio, o mesmo fio que segura a erupção do México de abaixo que já não aguenta mais a pressão sobre sua dignidade nem a guerra contra suas comunidades e territórios. 

O ataque da ORCAO não é um conflito entre comunidades, como seria caraterizado pelo ex presidente mexicano Carlos Salinas e como com certeza pretenderá fazê-lo López Obrador. O ataque é responsabilidade direta do Governo de Chiapas e do Governo Federal. O primeiro por encobrir o crescimento de grupos criminais que tem feito que Chiapas passe de uma relativa tranquilidade a ser um foco sangrento de violência. O segundo por guardar silêncio e passividade diante a evidente situação do sudeste mexicano. Por que ata a ORCAO às comunidades zapatistas? Porque podem. Por que o permitem o governo de Rutilio Escandón? Porque no Chiapas de cima, governar é banhar-se em sangue indígena. Por que guarda silêncio López Obrador? Porque o governador de Chiapas é cunhado do seu caro Secretario de Governo, Adan Augusto López, porque como seus antecessores, não suporta que um grupo de rebeldes seja o referente de esperança e dignidade, porque necessita justificar uma ação militar para “limpar” o sudeste e, por fim, poder impor seus megaprojetos. 

Da mesma forma, entendemos esse ataque como resultado das políticas sociais do governo atual, que dividem e corrompem destruindo o tecido social das comunidades e povos em nosso país e, em particular, em Chiapas. Olhamos com preocupação que programas como “Sembrando Vida” – com praticamente o mesmo orçamento que o do Ministério de Agricultura – e outros similares, propiciam a comunidades historicamente desapropriadas de suas terras e direitos serem utilizadas como mecanismos de controle político e moeda de troca para que organizações como a ORCAO acessem aos supostos benefícios outorgados por esses programas, à custa do roubo das terras recuperadas pelas comunidades autônomas zapatistas. Está claro para nós que não se trata de conflitos entre povos; é sim uma ação de contra-insurgência que visa destruir o EZLN e todas as comunidades e povos que continuam lutando por uma vida digna.

Nós, que assinamos esta carta, o fazemos para convocar aqueles que acreditam que a dignidade e a palavra devem se levantar para parar o massacre que se pressagia; para convocar aos que concordam com o atual governo mexicano a abrir o coração para as injustiças que permeiam o presente nosso país, para além de suas afinidades ou simpatias políticas; para que nos encontremos nesta necessidade de agir com o propósito comum de deter esta atrocidade.

Assinamos esta carta porque vemos a urgência de acabar com a violência paramilitar em Chiapas, porque não fazê-lo significa deixar o México mergulhar ainda mais nesta guerra sem fim que o está dilacerando. Exigimos justiça para Jorge López Santiz. Exigimos a dissolução absoluta da ORCAO. Exigimos que o governo de Rutilio Escandón seja investigado minuciosamente. Exigimos que o silêncio de López Obrador deixe de ser cúmplice da violência em Chiapas.

Coletando as demandas apresentadas pelo Congresso Nacional Indígena, exigimos:

  1. Que seja garantida a saúde do companheiro Jorge e que lhe seja prestada toda a atenção necessária e pelo tempo necessário.
  2. Que se detenha o ataque armado contra a comunidade Moisés Gandhi e se respeite seu território autônomo.
  3. Que sejam punidos os autores materiais e intelectuais desses ataques paramilitares.
  4. Que sejam desmantelados os grupos armados através dos quais se mantém ativa e crescente a guerra contra as comunidades zapatistas.

Exigimos também a libertação imediata de Manuel Gómez, base de apoio do EZLN, cuja prisão injusta não esquecemos.

Com a CNI, alertamos que a guerra que eles declararam aos povos originários, guardiões da Mãe Terra, nos obriga a agir de forma organizada para frear a violência que cresce e restabelecer nossa conexão e cuidado com a Vida. Convocamo-nos a manifestar-nos nas ruas, embaixadas e consulados, centros de estudos e locais de trabalho, nas redes sociais; onde for possível e imprescindível, contra a violência militar, paramilitar e o crime organizado e em defesa da Vida.

Nos convocamos e convocamos vocês a unir esforços para tecer um dia de ações deslocadas de 27 de maio a 10 de junho com uma ação coordenada nacional e internacional em 8 de junho.

 Contra a guerra aos povos zapatistas. Se tocam umx de nós, tocam a todxs.

Congresso Nacional Indígena – CNI

agência de notícias anarquistas-ana

cama macia
corpo se espreguiça
nasce o dia

Carlos Seabra

 

[Itália] Moções e documentos da Federação Anarquista Italiana

Moções aprovadas no Congresso da F.A.I. em Milão, de 20 a 21 de maio de 2023

CONTINUAMOS A LUTA CONTRA TODAS AS GUERRAS APOIAMOS E FORTALECEMOS AS LUTAS ANTIMILITARISTAS

A guerra se torna cada vez mais presente em nosso horizonte diário e o militarismo invade todas as esferas da vida social. Das escolas às universidades, dos bairros aos locais de trabalho, do campo às cidades, as estruturas militares e as infraestruturas de guerra estão cada vez mais presentes e invasivas.

Dezenas de guerras estão ocorrendo em todos os cantos do planeta, incluindo o conflito na Ucrânia, que não apenas trouxe a guerra de volta ao coração da Europa, mas também causou um enorme impulso às políticas de rearmamento em todo o mundo.

O Estado italiano, com sua participação em dezenas de missões militares no exterior e com sua indústria bélica cada vez mais florescente, apoiada por gastos militares cada vez maiores, está totalmente envolvido nessa dinâmica.

Por todas essas razões, é essencial continuar e intensificar as lutas e mobilizações que estão ocorrendo nos vários territórios, e é por isso que apoiamos fortemente o caminho da Assembleia Antimilitarista e suas próximas movimentações:

  • Mobilizações articuladas nos territórios para se opor às comemorações militaristas de 2 de junho;
  • Participação na assembleia nacional promovida pelo movimento Não à Base de Coltano, no dia 4 de junho;
  • Participação no acampamento do movimento No Muos em Niscemi, de 4 a 6 de agosto;
  • Manifestação em Turim, em 18 de novembro, contra a Cidade das Armas e o Acelerador de Inovação da OTAN na Reunião Aeroespacial e de Defesa em Turim;
  • Continuação e fortalecimento da campanha de apoio político e material para desertores, renegados e oponentes da guerra na Rússia e na Ucrânia;
  • Apoio às lutas territoriais contra bases e polígonos militares;

Também consideramos importante apoiar os protestos em festivais militaristas que as várias unidades do exército organizam em todo o país (tropas alpinas, paraquedistas…).

Por fim, reiteramos a importância da manifestação de 18 de novembro em Turim e nos comprometemos desde já a apoiá-la e a participar de forma significativa.

Federação Anarquista Italiana – FAI

Conferência de Milão de 21 de maio de 2023

Solidariedade

A Convenção da Fai se solidariza com as populações inundadas e com todas as realidades do movimento afetadas por essa consequência direta da mudança climática e da devastação de corpos e territórios. Comprometemo-nos a apoiar ativamente aqueles que promovem iniciativas de solidariedade a partir de baixo.

Federação Anarquista Italiana – FAI

Milão, 21 de maio de 2023

Fonte: https://federazioneanarchica.org/archivio/archivio_2023/20230521milano.html

agência de notícias anarquistas-ana

Silêncio de outono.
Nem o grito do carteiro…
cochicho de folhas.

Anibal Beça

[França] Lançamento: “Dicionário Infantil Anarquista” | Jorge Enkis – Coletivo Anarquista Emma Goldman

Aprenda e desenvolva seu pensamento crítico através de definições, comparações e metáforas sobre as ideias e valores transportados no maravilhoso mundo do anarquismo.”

Aqui está um dicionário ilustrado para mentes jovens rebeldes que descobrem este fantástico ideal fora dos trilhos.

Jorge Enkis, originário do Chile, é o autor, ilustrador e editor por trás da primeira edição em espanhol deste dicionário. A versão que oferecemos é uma adaptação do primeiro livro desta coleção. Algumas passagens foram traduzidas do espanhol, enquanto outras foram criadas pelo coletivo anarquista canadense Emma Goldman. Para a versão francesa, removemos os artigos destinados mais especificamente aos naturais de Nitassinan, de onde veio o coletivo anarquista Emma Goldman.

Este livro destina-se a um público de 9 anos ou mais. Para os pais, representa uma grande oportunidade de diálogo para desenvolver o pensamento crítico dos filhos. É finalmente certo que o maior entre nós, tendo conservado a nossa juventude de coração, será capaz de apreciar este livro.

Desejamos-lhe uma boa leitura!

Editores

Dictionnaire anarchiste des enfants

Jorge Enkis – Coletivo Anarquista Emma Goldman

80 páginas

Formato 14 por 17.5

Preço sugerido: EUR 8,00

Versão impressa ISBN : 978-2-35104-178-9

atelierdecreationlibertaire.com

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/08/19/chile-lancamento-dicionario-anarquista-infantil-tomo-i-de-jorge-enkis/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/09/18/chile-lancamento-dicionario-anarquista-infantil-tomo-ii-de-jorge-enkis/

agência de notícias anarquistas-ana

Mosaico no muro.
O gato ensaiando o pulo.
Azuis borboletas.

Fanny Dupré

[Espanha] Madri: Diante dos acidentes de trabalho e da insegurança no emprego

Na última quarta-feira, 3 de maio, um trabalhador foi eletrocutado até a morte enquanto montava os estandes para as festividades de San Isidro, em Madri. Foi divulgado que o trabalhador estava realizando esse trabalho de forma precária, sem contrato de trabalho e possivelmente sem estar registrado no Seguro Social.

Esse não é um caso isolado, somente na Comunidade de Madri, em 2022, foram registrados 2267 acidentes de trabalho, de acordo com dados fornecidos pela Comunidade de Madri e pelo Instituto Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho.

O medo que nós, trabalhadores, sofremos diante do desemprego, da incerteza gerada pela desregulamentação do trabalho, de um sistema econômico cada vez mais competitivo ou do desmantelamento da proteção social e da saúde pública, faz com que aceitemos qualquer trabalho “de merda” para podermos nos sustentar e proteger e ajudar nossos entes queridos.

Nós, trabalhadores, estamos condenados à máquina do trabalho assalariado e suas misérias para podermos sobreviver. É por isso que temos de estar cientes de que nossa vida e nossa dignidade valem muito mais do que os lucros de qualquer empregador, proprietário, administração pública ou qualquer outro parasita do trabalho alheio.

Os empregadores se aproveitam da nossa falta de conhecimento sobre as medidas de prevenção de riscos ocupacionais e muitos não fornecem aos seus trabalhadores os equipamentos de proteção individual (EPIs) adequados para a realização de seu trabalho. Retirar dos trabalhadores o EPI é insegurança no trabalho. Criar ambientes de trabalho precários por medo, sem qualquer tipo de prevenção ou planejamento para o empregador economizar custos, é terrorismo patronal.

Não podemos nos esquecer das doenças ocupacionais. É muito comum que os empregadores ou a administração pública se recusem a reconhecer as doenças ocupacionais causadas pelo nosso trabalho. Além disso, é comum que haja falta de coordenação entre as instituições envolvidas na detecção de doenças e deficiências por parte dos empregadores ou da administração quando se trata de monitorar, prevenir ou planejar essas circunstâncias.

Portanto, é vital e necessário estar informado sobre os riscos existentes em nossos locais de trabalho, exigir EPIs, bem como direitos e melhorias no trabalho por parte dos empregadores e das administrações públicas. E é vital que nós, trabalhadores, nos organizemos para defender e promover nossos interesses de classe.

Fonte: https://federacionanarquistaiberica.wordpress.com/2023/05/09/madrid-frente-a-los-accidentes-de-trabajo-y-la-precariedad-laboral/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Quero ouvir na noite
os sapos que embalarão,
eternos, meu túmulo.

Alexei Bueno

[França] Contra o produtivismo

Há muito tempo se reconhece que precisamos produzir menos. No entanto, o princípio por trás da ideia de que devemos trabalhar mais é produzir mais.

A deliciosa contradição é que Macron alega estar “fazendo sobriedade”, para bancar (mal) o ecologista; enquanto promove a regra de produzir qualquer coisa, desde que sature o mercado, que venda (um pouco) e que alimente os lucros dos capitalistas. Teatro e não o melhor!

No topo dessa contradição, o objetivo declarado dessa lei é trabalhar mais para “produzir mais riqueza”.

Querer produzir infinitamente e pensar em crescimento infinito é ser louco ou economista, como costumamos dizer. Produzir pelo simples fato de produzir, porque é necessário. Isso nos prende para o resto da vida em empregos inúteis e de baixa qualidade ou na produção de objetos dos quais podemos prescindir; ao contrário dos empregos de baixa qualidade que raramente são procurados em si mesmos, mas dos quais não podemos prescindir. Portanto, precisamos reduzir a produção do supérfluo induzida pelos empregos de merda e distribuir melhor o ônus comum que nos parece indispensável no momento.

Um argumento que poderia nos favorecer, mas que é um falso amigo, é o seguinte: o progresso técnico e os robôs estão se desenvolvendo, o que nos permite economizar trabalho, portanto, vamos reduzir nosso tempo de trabalho e tributar os robôs. Isso está confundindo o deslocamento das mudanças na produção com a substituição da máquina pelo ser humano: um trabalho robotizado pode muito bem aumentar a carga de trabalho e/ou o tempo de trabalho em vez de reduzi-lo!

Todo o debate sobre os critérios de penosidade também tende a nos fazer acreditar que existe uma penosidade aceitável, aquela que não se encaixa nos famosos critérios, e outra que pode ser compensada (financeiramente e de forma irrisória), enfatizando o fato de que o que é penoso é o que é visível, uma forma de desviar as reivindicações sobre as condições de trabalho.

Os patrões, tendo o monopólio dos principais meios de produção, podem direcionar os frutos da produção para seu próprio lucro à vontade. Roubando o tempo de vida, ele quer nos subjugar até a morte, daí a batalha que está travando contra as aposentadorias (por meio de seus afiliados governamentais e parlamentares). Por meio da distribuição em massa, o capitalismo tem os meios para nos fazer consumir. Ele está em seu papel quando nos vê como consumidores, enquanto grande parte de nossos gastos é com bens de consumo, que são confundidos com o consumo cotidiano.

Fonte: http://www.cnt-ait.fr/contre-le-productivisme/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Uma borboleta
Beija uma flor murcha
Sobre a lousa fria

Edson Kenji Iura

O futuro da nossa corrente: carta aos lutadores do povo e militantes revolucionários

Por Antônio Galego

“Podem estar certos de que o trabalho não será perdido — nada se perde neste mundo — e as gotas de água, por serem invisíveis, nem por isso deixam de formar o oceano.” Mikhail Bakunin

A situação política nacional teve mudanças significativas na última década. Há dez anos atrás estávamos na véspera da insurreição popular de junho de 2013, num contexto social e político explosivo, em que uma semana valia mais que um ano. Desde então houveram mudanças gerais nos agrupamentos das classes e na correlação das forças políticas no Brasil. Vivemos hoje a maior crise da classe trabalhadora e do socialismo desde a redemocratização, uma situação de isolamento e fragmentação que não atinge apenas as organizações anarquistas mas também todas as forças socialistas autênticas, somadas à diminuição desde 2016/2017 do número de greves (série histórica do Dieese) e de ocupações de terras (CPT) e ao fortalecimento do autoritarismo estatal e da exploração dos trabalhadores (seja em seu modelo conservador ou desenvolvimentista). Enfim, vivemos uma situação histórica de defensiva do proletariado.

Nos dirigimos aqui aos velhos e novos militantes que ainda se mantém firmes nas ideias socialistas revolucionárias e na luta classista. Nosso objetivo aqui é apresentar um balanço do último período, tendo como base a experiência em organizações que ajudamos a construir, em especial a UNIPA (União Popular Anarquista) e a FOB (Federação das Organizações Sindicalistas Revolucionárias do Brasil), com base também em análises de conjuntura e das diferentes tendências do movimento de massas. A partir disso pretendemos traçar linhas gerais para a retomada de uma atuação classista e revolucionário. Não haverá futuro se não entendermos nosso passado, onde estão os acertos e erros, não só aqueles que viveram e que acumularam cicatrizes físicas e emocionais, mas também aos jovens militantes.

De onde viemos? De uma trajetória de duas décadas de militância no Distrito Federal, que passam pela formação do MPL (com participação no encontro nacional de 2006, organização de protestos, trabalho de base, etc.), os encontros contra as reformas neoliberais e a formação da Conlutas, intervenção e ruptura com a Conlutas, fundação e expansão da RECC (Rede Estudantil Classista e Combativa), participação das jornadas de 2013, fundação e estruturação da FOB, e uma militância de linha bakuninista desde 2007 através da UNIPA. Não se trata de listar esses fatos como argumento de autoridade, isso seria ridículo (deixamos isso aos vaidosos e pós-modernos do “lugar de fala”), mas ressaltar que as reflexões que seguem são frutos de uma militância real, anônima e compromissada com a causa do povo.

Pensada coletivamente, essa trajetória do início dos 2000 até mais ou menos 2017 apresentou uma certa constância e evolução, quantitativa e qualitativa, com o crescimento nacional do bakuninismo e de uma corrente sindicalista revolucionária, basicamente por conseguir dar respostas corretas às conjunturas e problemas concretos enfrentados nacionalmente e localmente no trabalho militante. O auge da atuação bakuninista foi no levante de 2013. Mas ao longo do governo Temer, e relacionado a um refluxo das lutas que vem desde então, os erros e desvios (políticos, teóricos e organizativos) ficaram cada vez maiores até que se tornarem insustentáveis durante os anos de pandemia e de governo Bolsonaro. As organizações UNIPA e FOB não são mais aquelas que nos doamos de corpo e alma na primeira década dos anos 2000.

Assim, se por um lado partimos da experiência em organizações concretas, e faremos aqui um balanço de seus erros e acertos, por outro não nos limitamos a elas. Essa não é uma carta à UNIPA e a FOB nem aos seus membros. É uma carta aos socialistas revolucionários de forma geral, sobre a crise e o futuro da nossa corrente. E, se, por muitos anos disputamos internamente essas organizações, e desde a nossa ruptura permanecemos em silêncio, achamos que agora é hora de romper esse silêncio, o contexto político exige um posicionamento.

Entendemos nosso esforço com pé no chão, sabemos de nossas limitações (orgânicas e conjunturais), não temos a pretensão de dar resposta sobre tudo, sabemos que o desafio é do tamanho do problema. Nosso esforço é apenas uma parte que se junta a outros esforços valorosos que estamos acompanhando com atenção, que se não estão em completo acordo conosco, perseguem com algumas diferenças o mesmo objetivo ou respondem a inquietações e perguntas muito similares às nossas. Diante do contexto atual, o dever básico dos revolucionários é não se desesperar, lamber a ferida, aprender com os erros e recomeçar a luta.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://oamigodopovo.noblogs.org/post/2023/05/23/o-futuro-da-nossa-corrente-carta-aos-lutadores-do-povo-e-militantes-revolucionarios/?fbclid=IwAR1ns8chEK1keI08DWgn1Msi7BVgSB7JA-pJyz7Zx0GIFOSyJN7JxFE6pZo

agência de notícias anarquistas-ana

E tu, aranha
como cantarias
neste vento de outono?

Matsuo Bashô