Porque não fomos ao CONUNE – Congresso da UNE?

Quando em 2003 o Governo Lula tomou assento na presidência da República, a UNE já não era mais um símbolo de combatividade tal como fora durante o período da ditadura civil-militar (1964-1989). Neste período, organizações revolucionárias dirigiam esta entidade e foram ponta de lança no combate a ditadura. Porém desde 1979 com a reconstrução da UNE, a entidade dava sinais progressivos de sua burocratização, sobretudo aceitando a política reformista de atrelar o movimento estudantil às candidaturas eleitorais estatais levada a cabo pela UJS (juventude do PCdoB), partido que desde então mantem-se quase intocável na diretoria da UNE. Mas foi com a eleição do PT ao Governo Federal que a UNE, junto a CUT, passaram a ser extensão do governo no movimento estudantil e sindical, respectivamente…

O trecho anterior faz parte de um Comunicado Nacional escrito por nós da RECC em junho de 2013, há mais de dez anos atrás. Mantém sua atualidade, porque a política governista e reformista da UNE permanece a mesma.

Dez anos se passaram e vivemos uma conjuntura semelhante, onde o Governo Lula está novamente na presidência da república e a posição da UNE é a de conciliação de classes, sendo na prática conivente com políticas neoliberais do Governo Federal que aprofundam o sucateamento da educação, como o Novo Ensino Médio e o Arcabouço Fiscal (leia mais sobre tais políticas em Comunicados Nacionais anteriores da RECC).

Vários movimentos estudantis apontam que a UNE deve ser disputada devido ao seu caráter histórico ou por se tratar da maior entidade estudantil da América Latina. Sobre o histórico da UNE, respondemos que para além do breve período de louvável enfrentamento a ditadura, principalmente durante os anos 1960 e início da década de 1970, o seu histórico é o de conciliação de classes, reformismo e governismo. Há mais de 44 anos, desde a sua restruturação em 1979, é essa a política levada a cabo pela entidade e sua direção, monopolizada pela presidência e influência de dois partidos: PCdoB (e sua juventude UJS) e PT.

Em relação a ser a maior entidade estudantil da América Latina e um local para disputar as massas estudantis, respondemos que o local onde as massas estudantis estão é nas instituições de ensino, em colégios, universidades, cursinhos, etc. A disputa pela consciência e a construção de poder estudantil se dará através do trabalho de base nesses locais e não disputando cargos.

Para além da crítica, nós da RECC nos propomos como uma solução, uma alternativa. Estamos há mais de dez anos tornando essa proposta de solução em realidade, construindo um movimento estudantil nacional que seja de fato comprometido com a luta pelos direitos dos estudantes pobres. Isso independente do governo burguês da vez, lutando sempre de maneira classista e combativa lado a lado com os estudantes.

Construa o movimento estudantil classista e combativo!
Organize-se e lute com a RECC!

recc.lutafob.org

agência de notícias anarquistas-ana

Entre as ruas, eu,
e em mim, eu em outras ruas,
sob a mesma noite.

Alexei Bueno

[Chile] Santiago: Transmissão ao vivo desde o julgamento oral de Mónica Caballero e Francisco Solar, 18 de julho

Depois de uma longa espera, neste 18 de julho começa o julgamento pela defesa da liberdade de nossos irmãos Mónica e Francisco.

Desde a mídia de massa de desinformação, está surgindo um ataque de insultos e elogios ao poder e seus amos.

De nossa trincheira de rádio, defenderemos nossos irmãos e acompanharemos a luta de Mónica e Francisco nas ruas e nas ondas do rádio.

Sabemos como o poder e seus lacaios trabalham, convidamos você a ouvir a transmissão ao vivo do primeiro dia do julgamento oral dos companheiros nesta terça-feira, 18 de julho, desde o centro de injustiça em Santiago, Chile.

Ouça em qualquer uma das estações de rádio:

www.radiotropiezo.org

https://radio.latina.red/ultimafrecuencia

https://radio.latina.red/lazarzamora.mp3

radio.latina.red/radiokurruf.mp3

https://www.youtube.com/@NegrasTormentasRadioA

www.myradiostream.com/Garraxi

Morte ao Estado e vida longa à Anarquia.

agência de notícias anarquistas-ana

Manhã de neve.
Até mesmo os cavalos
Ficamos olhando.

Bashô

[México-EUA] A avó dos anarquistas

PorMiguel Sánchez de Armas

Ao meio dia da quarta-feira 4 de outubro de 1911, uma anciã baixinha de resplandecente cabeleira branca e traje vitoriano, bochechas rosadas e olhar luminoso, saiu do Palácio Nacional no Zócalo e empreendeu um passeio pelas ruas da Cidade dos Palácios antes de regressar a seu hotel.

Era irlandesa residente na Pensilvânia e viúva de um mineiro. Se chamava Mary Jones. Teve uma entrevista no Salão Amarelo do Palácio Nacional e essa mesma tarde redigiu uma mensagem para seus companheiros de luta em Chicago:

“Só umas linhas para informar-lhes que acabo de regressar do Palácio onde tive uma longa audiência com o presidente Francisco León de La Barra. […] Me garantiu proteção e o direito de organizar os mineiros do México. Esta é a primeira vez que se concede a alguém esse privilégio na história da nação mexicana. […] Também passei uma hora com o presidente eleito Francisco I. Madero e me concedeu a proteção e ajuda do governo que pedi. Sou a primeira pessoa à qual se permitiu levar o estandarte da liberdade industrial aos peões que tanto tem sofrido nesta nação.”

Esta aparentemente frágil avozinha era na realidade uma dirigente social mais aguerrida do que seriam anos depois Josef Stalin, mais radical do que tinha sido Mijaíl Bakunin e mais endurecida que León Trotsky.

Havia saltado ao cenário da luta obreira quando perdeu sua oficina de costura no grande incêndio de Chicago de outubro de 1871 e em vez de chorar ou rezar se lançou a uma campanha para organizar a classe obreira. Em 1867 seu marido e seus quatro filhos morreram de febre amarela.

Esteve na primeira linha dos distúrbios laborais em Pittsburgh em 1877 e nas manifestações de Haymarket, Chicago, em 1886. Nos campos de carvão de antracita da Pensilvânia, marchou com as esposas dos mineiros que derrotaram os seguranças “com vassoura e esfregões”. Testemunhou o “massacre de Ludlow” e na “grande greve do aço” de 1919 se destacou por seus discursos de apoio aos trabalhadores siderúrgicos.

Em princípios da década de 1900, os empresários conservadores dos Estados Unidos se benziam quando aparecia em cena e a satanizavam como “a mulher mais perigosa” desse país. Asseguravam que lhe bastava mover um dedo “para que vinte mil trabalhadores até esse momento pacíficos e contentes” deixassem o trabalho.

Em 1903, organizou os menores que trabalhavam em moinhos e minas em uma “Cruzada dos meninos”, marcha que começou em Kensington, Filadelfia, e terminou na porta da casa do presidente Teddy Roosevelt em Oyster Bay, Nova York. Roosevelt se negou a falar com ela, mas o incidente pôs o tema do trabalho infantil na agenda pública e em 1906 a Suprema Corte de Justiça regulamentou a participação infantil em trabalhos perigosos.

Hoje a recordamos como Mother Jones e é uma lenda entre a classe obreira dos Estados Unidos. Não é tão conhecido que quando esta avó organizava os obreiros no sudoeste dos Estados Unidos, se constatou das atrozes condições de seus irmãos mexicanos nas empresas ianques protegidas pelo porfiriato. Essa situação permitia que os donos das minas recrutassem seguranças no México para romper greves em seu país.

“Arrecadou grandes somas de dinheiro para ajudar os dirigentes do Partido Liberal Mexicano após sua detenção em 1909”, nos recorda o grande historiador Friedrich Katz. E viajou ao México, onde pode falar com os mineiros e propagar a mensagem de que não deviam ser os seguranças dos patrões nos Estados Unidos.

Em 1913, cruzou de novo a fronteira e foi ver Pancho Villa, que lhe proporcionou um intérprete e lhe permitiu dirigir-se aos mineiros de Chihuahua com a mesma mensagem. Um dado hoje esquecido ainda que estejamos em plena comemoração do centenário do assassinato do Centauro do Norte.

Quando foi presa e levada ante um tribunal militar sob acusação de conspiração para cometer assassinatos, Villa mandou uma carta ao presidente Woodrow Wilson, que sentia admiração pelo guerrilheiro, oferecendo-lhe trocar o fazendeiro Luis Terrazas por Mother Jones.

O jornal socialista Appeal to Reason publicou a carta onde Villa se compromete a deixar Terrazas  em liberdade se o presidente dos Estados Unidos “mostrasse a mesma consideração humanitária com um de seus próprios cidadãos, uma mulher de mais de oitenta anos que foi ilegalmente privada de sua liberdade […] Tomo a liberdade de recordar-lhe que […] Mother Jones viajou como organizadora da Western Federation of Miners através do México, com a plena proteção do presidente Madero […] Faria o senhor o mesmo por Mother Jones?”

Mother Jones seguiu sendo organizadora da United Mine Workers até a década de 1920 e esteve envolvida em assuntos sindicais quase até sua morte em 1930.

Durante sua vida foi conhecida entre os obreiros como “O anjo dos mineiros”, incansável apesar dos eventos trágicos que a oprimiram. Sua feroz determinação se expressou em uma famosa declaração: “Reza pelos mortos e luta como o demônio pelos vivos”.

Quando foi denunciada no Senado em Washington, DC, como a “avó de todos os agitadores”, respondeu com a alegria que foi seu selo ao longo de sua vida: “Espero viver o suficiente para converter-me na bisavó de todos os agitadores”.

Aos noventa anos, escreveu sua autobiografia, onde sua poderosa voz percorre o sofrimento das famílias mineiras de sua pátria:

A história do carvão é sempre a mesma. É uma história negra. Por um instante mais de luz, os homens devem lutar como feras. Pelo privilégio de ver a cor dos olhos de seus filhos à luz do sol, os pais devem lutar como bestas na selva. Que a vida possa ter algo de decência, algo de beleza – um quadro, um vestido novo, um pedaço de renda barata ondeando na janela – para isso, os homens que trabalham no fundo das minas devem lutar e perder, lutar e ganhar.

Em Pasta de Conchos, em Sabinas, em Múzquiz e nos cortes abertos de Coahuila, em Nukay e nos poços de Guerrero, o espirito de Mother Jones vaga entre soluços.

10 de julho de 2023

@juegodeojos

www.sanchezdearmas.mx

Fonte: https://www.losangelespress.org/arteleaks/la-avó-de-los-anarquistas-20230710-5831.html?utm_source=desktop&utm_medium=twitter&utm_campaign=compatir

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

caem as mangas
no pátio do sonho
talvez em outros

Jorge B. Rodríguez

[Chile] Liberação/Assimilação: 54 anos após a Revolta de Stonewall

Liberação/Assimilação é um trabalho de pesquisa, arquivo e tradução dedicado a fortalecer as vozes da liberação sexual que negam todas as tentativas de assimilação. Para essa tarefa, decidimos reunir, através do tempo e da distância, dois grupos que representavam e promoviam projetos revolucionários e antiautoritários no meio sexual militante. A Frente de Liberação Homossexual (F.L.H.) (1971-1976) em Buenos Aires. E a Mary Nardini Gang (2007-202?), nos Estados Unidos.

Dessa forma, transcrevemos, reeditamos e traduzimos alguns textos inéditos ou pouco conhecidos nos círculos radicalizados.

A publicação é composta de 4 textos.

1) Mitologia Queer (Mary Nardini)

2) Homossexualidade: as vozes clandestinas (F.L.H.)

3) Sexo e Revolução (F.L.H.)

4) Rumo à insurreição mais queer (Mary Nardini).

Tentativa de colocar em diálogo e tensão perspectivas insurrecionais e revolucionárias, tanto contra estruturas tradicionais de esquerda e anarquistas quanto contra projetos de assimilação partidária, acadêmica e comercial da sexualidade e do gênero.

>> Para baixar a publicação, clique aqui:

https://lapeste.org/wp-content/uploads/2023/06/Liberacion-Asimilacion-Lectura-web.pdf

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2016/05/30/espanha-lancamento-adeus-chueca-memorias-do-gaypitalismo-a-criacao-da-marca-gay-de-shangay-lily/

agência de notícias anarquistas-ana

Acabou-se a festa.
Resta, no silêncio,
o rumor da floresta.

Ledo Ivo

[País Vasco] 19J: Homenagem na Huella

  • Na quarta-feira, a CNT realizará em Artxanda (Bilbao) sua homenagem anual à Revolução Social.
  • O evento terá início às 19h, em frente à escultura da Huella.

Há 87 anos, começava a Revolução Social de 1936. “A classe trabalhadora organizada enfrentou o golpe fascista, sem esperar a ação do governo”, aponta a organização. E, sem esperar, a classe trabalhadora pôs mãos à obra, coletivizando os meios de produção, organizando milícias para varrer o fascismo.

Com esta humilde homenagem, que acontecerá na quarta-feira, 19 de julho, às 19h, em La Huella (Artxanda, Bilbao), “pretendemos recordar aquelas mulheres e homens que deram tudo contra o fascismo e pela revolução”, diz a CNT. “Não queremos que seja um mero ato de memória”, citou a organização anarcossindicalista; “o nosso objetivo é recuperar o exemplo que nos legaram: a organização da economia pelos trabalhadores; a organização de classe para enfrentar o fascismo; a auto-organização política e social fora do Estado”, destaca a CNT.

“Nossa emancipação como classe trabalhadora deve ser obra de nós mesmos; e não há partido político ou Estado que nos tire da crise ecossocial e sistêmica: por isso convocamos a comparecer a esta homenagem”, conclui a organização anarcossindicalista.

Fonte: https://www.cnt-sindikatua.org/es/noticias/19j-homenaje-en-la-huella

agência de notícias anarquistas-ana

Venha senhor trovão
Só não vá virar o vinho,
Nem deitar o pão ao chão.

Analucía

Rap Combativo | Novo som do Ktarse: “Triunfo da Estupidez”

Eu tô muito pessimista, eu acho que o neoliberalismo, o individualismo e o hedonismo que ele traz é uma ideologia triunfante, inclusive, entre nós. Aquela ideia do fique rico ou morra tentando, lá, eu acho que aquilo foi a triunfante, né, a do 50 cent.

 – Foi a melhor ideia?

Não! Eu diria que vingou.

 – Vingou?

É, isso tá no coração e nas almas das pessoas, tem um individualismo babaca em que todo mundo se acha, entendeu! Todo mundo acha que o indivíduo sozinho tá fazendo alguma diferença. Ninguém quer investir na construção de uma estratégia coletiva de luta, e sem ela a gente não se emancipa. E sozinho qualquer um derruba a gente, desautorizar uma pessoa preta é a coisa mais fácil que existe.

 – Desautorizar uma pessoa preta?

Desautorizar, desmoralizar, né! Destruir a reputação e cancelar é a coisa mais simples e fácil que existe. A gente só tem chances, se a gente, se a gente desenvolver estratégia coletiva, e mesmo assim é difícil, mas eu insisto; o neoliberalismo é a ideologia triunfante entre nós. Inclusive, ela não pode ser mais perversa sobre ninguém do que sobre nós.

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Rapero incendiário, inflamando nas rimas / O ataque sonoro, anti-imperialista / Foda-se o rap colonizado pelos burgueses / Viva o rap combatente e insurgente 

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Imperialismo cultural, dominação através da arte / Rap colonizado pelo American way of life / Rap cristalizado pelo blim, blim / Dizem que o capitalismo não é tão ruim

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Rap mercadoria, sexista, machista / Bode expiatório da direita fascista / Prostituindo o rap para aumentar o cachê / Como o mercado fez com a imagem de Chê

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Foda-se o rap pop, confronto não evitarei / Cago e vomito no rap de vocês / Rap mainstream, divertimento pra burguês / Essa é a dominação da ditadura da estupidez

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Capitalismo justo, maquiavélica mentira / Pois sua natureza é criminosa genocida / Mais nocivo do que a polícia e a pobreza / É proliferação do rap de direita 

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Meus versos subversivos é anticapitalista / Meu rap é inspiração para quem vive a rebeldia / Foda-se o rap pop, viva o rap insurgente / Combatente, contundente, antiburgueses

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A guerra pela libertação nunca cessará / Enquanto o oprimido não se libertar / Faço rap insurgente porque é fundamental / O rap de combate contra o imperialismo cultural

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Rapero incendiário, inflamando nas rimas / O ataque sonoro, anti-imperialista / Foda-se o rap colonizado pelos burgueses / Viva o rap combatente e insurgente 

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Não sonho em ser Tupac e Notorious B.I.G / Me inspiro em Dead Prez e Imortal Tecnique / Meu desejo é ver a estátua da liberdade destruída / Foda-se o sonho americano e os imperialistas

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Por trás de toda riqueza tem corpos pilhados / O rap holofotes pra nós é mó atraso / O capitalismo em colapso, em ruínas / E o rap exaltando valores que nos escraviza 

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Antes o rap lutava contra o servilismo / Agora o rap rima bajulação ao capitalismo / Antes o rap rimava contra o algoz / Agora o rap rima diversão pra playboys 

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Exaltando os símbolos de vitória do capitalismo / Na realidade estamos fudidos / Perdidos na estupidez mantendo a aparência / O rap holofotes é a expressão da decadência 

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Cantando um mundo que não nos pertence / Foda-se o rap holofotes, o rap game / Enquanto na real se fodem para sobreviver / Na aparência ostentam na essência pagam carne 

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Tirando Selfies dos símbolos do consumismo / O número de curtidas massageia o narcisismo / A falsa abundância, a falsa ilusão dos malotes / Mentiras ofuscadas pelo rap holofote

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Rapero incendiário, inflamando nas rimas / O ataque sonoro, anti-imperialista / Foda-se o rap colonizado pelos burgueses / Viva o rap combatente e insurgente 

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O rap se tornou descartável na balada / Mais uma engrenagem da servidão voluntária / Musica de protesto, ódio, fúria / Foi docilizado e adestrado pela indústria  

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Um produto a mais nas prateleiras / O rap entrou na dança macabra do sistema / Com rimas forçadas, frases vazias / O rap foi colonizado com maestria  

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Dominado pela busca da monetização / Rimando submissão, servidão ao cifrão / Mc`s sem escrúpulos em batalhas competitivas / Reforçando o machismo, racismo, gordofobia 

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Onde há poder, há tirania intensa / E o rap alucinado pelo poder do sistema / Oprimidos sonhando em ser opressores / Vitimas algozes no espetáculo dos horrores

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Assim caminha o rap na sociedade do desespero / Subserviente ao topa tudo por dinheiro / Obediente o rap prossegue inofensivo / Servindo de entretenimento aos boys de condomínio 

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Hits para a casa grande se manter confortável / O rap domesticado segue hipnotizados

Na dança macabra da servidão sistêmica / Quanto vale sua arte? Sua consciência? 

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Essa ideologia de que, hã, individualista de que eu sou o a gente, eu sozinho sou o a gente da transformação, eu sozinho estou fazendo a diferença, eu sabe, a minha mobilidade social e individual – representa a todos!

 – Tipo a frase a favela venceu, você acha que é uma frase neoliberal?

Não, quando você fala da favela, você está falando de uma coletividade, eu não sei quem disse essa frase o que ela significa, mas o que eu sei é que dentro da favela tem gente que está lutando junto. O que a gente viu, uma das maiores demonstração que a gente teve durante a pandemia da covid foi a capacidade de organização coletiva que as comunidades de favela deram, aquilo é um paradigma pra gente seguir, aquilo é um paradigma!

 – Inclusive o movimento tem usado essa frase, tanto o rap como o funk e até outros movimentos acabaram pegando essa coisa da frase, a favela venceu! O artista que é emergente, egresso da favela ele faz sucesso posta uma foto com carrão, e a frase vem embaixo a favela venceu! É neoliberalismo isso ou não?

É e eu acho que é o do mais babaca possível!

>> Escute o som aqui: https://youtu.be/vX3PYrtsBKY

agência de notícias anarquistas-ana

chegado para ver as flores,
sobre elas dormirei
sem sentir o tempo

Buson

[Espanha] “Viva Zapata!”, cinema e anarquismo

No livro “Cine y anarquiso – La Utopia anarquista em imágenes“, é mencionado Viva Zapata!, o filme dirigido por Elian Kazan em 1952, como um produto curioso. Ao que parece, o filme foi muito criticado por certa parte da esquerda na época de sua estreia e menciona-se inclusive que foi considerada uma distorção reacionária. Entretanto, foi aplaudida por anarquistas como o inglês Albert Metzer que a entendia como uma descrição muito apropriada e realista do anarquismo romântico de Emiliano Zapata.

Talvez essa polêmica estivesse fundamentada em, como sabemos, o fato de que o diretor Elia Kazan foi um delator durante o marcatismo denunciando outros colegas de profissão de esquerda, mas acreditamos que é preciso deixar um pouco de lado essa questão e também o anticomunismo próprio do momento, ainda que Viva Zapata! possa também ser visto como uma conveniente crítica ao socialismo burocratizado.

É preciso dizer que os anarquistas, como deveria ser sabido, foram os primeiros críticos de uma perspectiva de esquerda a práxis marxista-leninista, ou seja, o socialismo autoritário (ainda que, para o caso que tratamos, a revolução mexicana preceda cronologicamente a russa). Por outro lado, nem Kazan, nem o roteirista John Steinbeck eram anarquistas, mas pode-se ver o filme assim como uma grande crítica ao poder e um tributo, não sabemos se de modo consciente, a revolução campesina e indígena promovida por Zapata de inegável postura anarquista.

A ação do filme se passa no sul do México entre 1909 e 1919 e nos narra a história do líder campesino Emiliano Zapata, de origem humilde e inicialmente analfabeto, já que o que desejava era uma vida justa e de paz para todos como ele. Assim, Zapata reclama as terras ocupadas pelos latifundiários, e frente ao fracasso da via pacífica, converte-se em um líder da insurgência contra o despótico presidente Porfirio Diaz, liderando a tomada de terras e a libertação de muitos povos, Zapata fará uma aliança como o opositor Francisco Madero, quer virá a ser prefeito uma vez que Diaz seja derrotado, uma mera mudança de poder sem pretensão de mudança social; Madero será assassinado em 1913 pelo general Victoriano Huertas, que se proclamará presidente.

Na continuação da guerra, Huertas acaba exilado e sobe ao poder Venustiano Carranza, que será oposição a revolucionários como Pancho Villa e o próprio Emiliano Zapata. Frente a toda esta conquista de poder, o filme mitifica a figura de Zapata como um revolucionário honesto e sincero, que não quer ocupar nenhum cargo e combate de maneira nobre pela revolução social e campesina; ainda assim, ele verá como o poder transforma as pessoas e implicitamente leva a corrupção moral.

Viva Zapata! começa como um repulsivo governador recebendo a um grupo de humildes campesinos, supostamente, para atender a suas reivindicações; é claro que o governante os responderá de maneira evasiva, mas há um jovem que insiste em que a autoridade deve oferecer soluções. Diante dessa insistência, o mandatário acaba se irritando e pergunta seu nome para encontrá-lo em uma lista e marcá-lo com tinta preta: obviamente estamos falando de Zapata.

Esta cena tem um paralelismo inegável com outra do final do filme, na qual Emiliano Zapata ocupou o lugar do poderoso, e os campesinos o procuram para fazerem reivindicações; Zapata promete agir frente o fato de que seu irmão Eufemio está claramente abusando de sua posição de poder. Mas desta vez há outro jovem que questiona as promessas de Zapata e este, desacostumado que o questionem, pergunta seu nome para marcá-lo em uma lista.

Entretanto, a lembrança do que ele viveu quando era um jovem rebelde o detém, então monta em seu cavalo e abandona o poder para continuar sua verdadeira luta, como de fato aconteceu até sua morte. Há quem considere que esta sequência seja moralista, do meu ponto de vista é extremamente efetiva e difícil de não se emocionar.

É também preciso dizer que Elia Kazan já havia feito grandes filmes, como Um Bonde Chamado Desejo, baseada na obra de Tennessee Williams, e A lei do silêncio; certamente, esta última vista por alguns como tentativas do próprio Kazan de se justificar, já que o protagonista é levado a se tornar um delator, mas em circunstancias muito diferentes das do vil marcatismo onde se perseguia a pessoas por suas ideias políticas de esquerda.

De sua parte, o roteirista John Steinbeck é outro homem de prestígio, seus romances permanecem na memória como As Vinhas da Ira, que John Ford transformou em um grande filme; dizem que John Steinbeck estava muito interessado na figura de Zapata muitos anos desde antes de escrever este filme, acumulou muitas informações e é por isso que uma primeira versão do roteiro foi considerada acadêmica de mais.

Viva Zapata! têm muitas virtudes, e recomendo muito que assistam, especialmente as gerações mais jovens, que talvez não a conheçam. Talvez não seja o melhor jeito de conhecer o processo revolucionário no México, mas estamos falando de uma obra de ficção, ainda que com legítimas intenções morais e políticas. Grandes interpretações, um roteiro magnífico, uma estupenda fotografia em preto e branco e também uma soberba trilha sonora de Alex North com canções populares mexicanas como “Valentina”, “La Adelita” e “Las mañanitas”.

Capi Vidal

Fonte: http://acracia.org/viva-zapata-cine-y-anarquismo/

Tradução > 1984

agência de notícias anarquistas-ana

flor amarela,
no vaso, vê o mundo
pela janela

Carlos Seabra

[Reino Unido] Caros grandes bancos: Você pode enfiar seus logotipos de arco-íris na bunda

01/07/2023

Agora está além do clichê ver uma parede de logotipos corporativos do arco-íris quando o mês do Orgulho começa. Muitos desses logotipos pertencem a algumas das piores e mais antiéticas empresas atualmente em operação, com uma lista de abusos dos direitos dos trabalhadores ao longo do seu braço, destruição ambiental imensurável e histórias de belicismo. Essas corporações repulsivas sequestram um movimento de libertação como seu próprio veículo de propaganda e, ao fazê-lo, consequentemente subsumem qualquer caráter político por meio de sua comercialização.

O pior é que essas corporações são ativamente convidadas para os nossos espaços por sugadores corporativos. Há eventos LGBTQ em que um pequeno número de organizadores de eventos aceita antidemocraticamente o dinheiro do patrocínio de empresas como a Shell e o HSBC. Isso veio à tona quando o British LGBT Awards anunciou Shell, BP, HSBC, Santander e Macquarie Capital, entre outros nomes sombrios, como seus patrocinadores para 2023 e provocou oposição em massa e protestos, com muitos indicados, incluindo Joe Lycett, retirando-se dos prêmios.

Ajudei a organizar uma cerimônia de premiação alternativa fora do local como parte do Fossil Free Pride ao lado do grupo climático Tipping Point, com apresentações impressionantes de drag, música e palestrantes de grupos comunitários da linha de frente como Glencore Resist, Stop EACOP, Stop Rosebank, West Cumbria Coal Mine Action e Stop the Silvertown Tunnel. Sentimos que tínhamos que mostrar que existe uma alternativa a esta versão corporativa do movimento LGBTQ. É claro que um protesto popular alegre e unido nas ruas, solidário com o Sul Global, foi um momento muito melhor do que qualquer pesadelo corporativo que pudesse estar acontecendo dentro do British LGBT Awards. Embora eu pudesse ter organizado uma cerimônia de premiação no meu galpão e teria sido melhor do que algum festival de celebridades com a Shell e a BP – e eu também não teria cobrado £ 800 por ingresso.

Todos sabemos agora que essas empresas são responsáveis por saquear e saquear terras, destruir grandes ecossistemas e violência militar. A Shell sabia sobre os danos ambientais globais dos combustíveis fósseis na década de 1980, mas ocultou ativamente essas informações do público. A BP pressionou o governo britânico a invadir o Irã em 1953 e o Iraque em 2003 e agora se gaba flagrantemente de seus contratos com campos de petróleo iraquianos. Em 2022, a Shell registrou lucros de £ 32,2 bilhões e a BP registrou lucros de £ 23 bilhões. O HSBC investiu US $ 144 bilhões na indústria de combustíveis fósseis desde 2016 e o Santander investiu US $ 51 bilhões no mesmo período. A Macquarie Capital é um dos membros do Consórcio Riverlinx, que detém o contrato para o Silvertown Tunnel, um projeto de 2,2 bilhões de libras em Londres que aumentará a poluição e as emissões de gases locais. Para esses tipos de empresas, ser anunciado no British LGBT Awards representa uma derrota para a comunidade LGBTQ e para todos com quem nos solidarizamos internacionalmente.

Isso não é apenas um problema com o British LGBT Awards, muitos Prides do Reino Unido ainda estão aceitando patrocínios de bancos que financiam projetos de combustíveis fósseis no valor de bilhões. Ao se anunciarem nesses espaços, as empresas de combustíveis fósseis e os financiadores ganham licença social para continuar suas atividades destrutivas. Eu e um grupo de outros organizadores de base lançamos o Compromisso do Orgulho Fóssil Livre. O que exige que a Prides se comprometa a não patrocinar empresas de combustíveis fósseis ou os bancos que as financiam, com 10 Prides até agora assinando o Compromisso e grupos locais fazendo campanhas ativas em todo o país. No entanto, muitos continuam a ter acordos de patrocínio com empresas como o Barclays, que são os maiores investidores de combustíveis fósseis da Europa. O boicote desses bancos os pressiona a mudar seus investimentos e, sem esses financiadores imprudentes, novos projetos de combustíveis fósseis seriam interrompidos.

Esse tipo de bagunça seria completamente inimaginável no início do movimento LGBTQ. Nosso movimento tem sido historicamente forte em se recusar a aceitar sistemas que nos prejudicam e nos dominam. Agora, na esfera dominante, nosso movimento tornou-se irreconhecível para o movimento de libertação dinâmico e inspirador que já foi. Quando os Orgulhos abraçam corporações e silenciam pessoas queer comuns, eles não podem reivindicar representar significativamente qualquer coisa sobre o movimento de libertação queer ou qualquer pessoa nele. O mínimo absoluto que devemos exigir é que o Orgulho seja para queers, não para corporações multinacionais vorazes.

A boa notícia é que podemos ter eventos libertadores de orgulho gay anticapitalista sem ter que gastar muito dinheiro. Não custa muito marchar ao lado de outras lutas, participar de um piquete para trabalhadores precários, interromper os escritórios da BP ou da Shell por meio de manifestações ou compartilhar habilidades e conhecimentos para nossa libertação. Custa muito menos demonstrar fora dos escritórios de políticos transfóbicos do que contratar um artista famoso. Dê a todos que vierem ao Pride uma cópia de Beautiful Trouble [referência ao livro Beautiful Trouble: A⁠Toolbox for Revolution, organizado por Andrew Boyd] com sua primeira bebida. Nosso movimento tem uma rica história de utilizar essas e ainda mais táticas revolucionárias para recuperar algum grau de poder do capitalismo.

Esse é um Orgulho do qual você também pode se sentir orgulhoso. Jovens queer vão ao Orgulho e observam pessoas como eles dizendo sem remorso que este mundo não é bom o suficiente para eles, e que todos nós temos o poder em nós mesmos para mudá-lo. Em contraste, o movimento LGBTQ de hoje diz que devemos amar quem somos, mas com a ressalva de que não podemos deixar nossos patrocinadores corporativos muito desconfortáveis. Há mais vergonha e conservadorismo do que orgulho nessa mensagem, e é o único movimento LGBTQ que muitos jovens queer já conheceram.

Ainda há muito tempo para festas queer também, e você sabe que as festas organizadas por grupos de base de esquerda são muito mais divertidas e sexy. O movimento LGBTQ não pode ser apenas uma rotina social. Não festejamos juntos para celebrar a liberdade, a verdade é que a maioria de nós é secreta e desesperadamente não livre de muitas maneiras.

Em um momento de insegurança global, aumento das temperaturas, crescimento dos movimentos conservadores e de extrema-direita e precariedade econômica, precisamos de um forte movimento LGBTQ que possa lutar contra ataques, unir lutas e cortar a psicologia conservadora de massa. É impossível ter o movimento que precisamos se estamos aceitando empresas como Shell, BP, HSBC, Santander e Macquarie Capital em nossos espaços. Em vez disso, precisamos abandonar esses patrocinadores, deixar inequivocamente claro que não aceitamos suas atividades e trabalhar para intervir na violência que eles causam.

Caverna de Steff

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2023/07/01/dear-big-banks-you-can-shove-your-rainbow-logos-up-your-arse/

Tradução > abobrinha

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/06/23/reino-unido-o-capitalismo-arco-iris-nunca-nos-salvara/

agência de notícias anarquistas-ana

Borboleta!
Pousou na minha mão
me viu e voou.

Renata

[México] Comunicado: Sem fronteiras, nem bandeiras; Migrar não é um delito.

Depois de estar observando e escutando as poucas notícias e declarações dos maus governos sobre o naufrágio com centenas de migrantes do dia 14 de junho de 2023 no Mar Mediterrâneo, perto da Grécia, situação que ocorreu centenas de vezes e se ocultam da luz pública, este acontecimento nos dá um espelho da atual situação migratória no Sudeste do México e suas similitudes com as fronteiras da União Europeia. O fogo arde em nossos corações pela necessidade de exigir VERDADE e JUSTIÇA.

Com muita tristeza e raiva, repudiamos este impune assassinato de ao menos 650 migrantes e refugiados no Mar Mediterrâneo, que buscavam desesperadamente ajuda. As autoridades portuárias com sua indiferença ante seu resgate e por claras ações homicidas, violaram o direito internacional sobre resgate de pessoas e barcos em perigo, conduzindo estas pessoas à morte. Os chocantes testemunhos dos sobreviventes chegaram até aqui. As vozes dos mortos também. O silêncio não é uma opção.

As fronteiras matam…

As fronteiras matam os que tentam escapar da pobreza, da guerra e da crise climática derivada do despojo e saque dos bens naturais e culturais, a imposição de guerras, a violência e a destruição dos ecossistemas em centenas de territórios ao redor do mundo. Os de cima, os que ostentam o poder global, seguem com o discurso de “proteger o meio ambiente, manter a paz e segurança de sua nação”, sob este discurso se implementam leis e políticas de morte, se fortificam a si mesmos, investindo na dissuasão e na guerra contra os que tentam fugir delas. As políticas migratórias atuais são fascistas, racistas e genocidas.

Sabemos muito bem que a fronteira que querem construir no Sul – Sudeste do México com os megaprojetos do Corredor Interoceânico e o mal chamado Trem Maia, não vem trazer desenvolvimento, nem bem estar às populações locais, pelo contrário, se anunciou o despojo da natureza e das pessoas, indígenas e migrantes, da água, da terra e do ar. Esta fronteira é planejada como um grande Corredor militar, energético, industrial e comercial, que contenha as migrações massivas para ser utilizada como mão de obra barata – neo escravismo –, em um paraíso fiscal livre de impostos e sem repreensões por violações dos Direitos Humanos, tudo isto em resposta ao Plano de Segurança Nacional dos Estados Unidos, que através da OTAN e seus aliados do Norte Global, impulsionam a guerra e novas fronteiras. Os fluxos migratórios globais se reorganizam.

Enquanto do outro lado do Atlântico, as políticas cruéis, desumanas e absurdas da União Europeia como uma instituição do Norte Global, truncou os esforços desesperados dos refugiados de países do Oriente Médio, africanos e do sudeste asiático, por encontrar um lugar seguro onde sobreviver. Assim como criminalizado o trabalho das organizações que oferecem auxilio e solidariedade. Os mares estão se convertendo em um imenso cemitério líquido. As constantes medidas dissuasivas e as violações dos direitos humanos nas fronteiras da Europa estão levando milhões de pessoas desesperadas por rotas ainda mais perigosas. Onde poderão encontrar as famílias e seus desaparecidos neste imenso mar de criminalização, violência e ódio?

Os migrantes do sul global, proveniente de países do Oriente Médio, africanos e do sudeste asiático, iniciam sua travessia (muitas vezes fugindo) desde seus territórios destruídos por megaprojetos e guerras, viajando à costa Atlântica da África, para chegar ao outro extremo na América do Sul, com o objetivo de chegar aos Estados Unidos: “o sonho americano retornou globalizado”. E é evidente, já que os últimos anos, encontramos na região do Istmo de Tehuantepec, em ruas e avenidas de Chiapas, Oaxaca, Veracruz, CDMX, etc… mais e mais gente da África, Ásia e Oriente Médio. Quantos morreram no caminho? Não sabemos.

Compas do Sul Global, que fique claro, enquanto os de cima queiram nos dividir, nós temos que insistir com tudo o que temos e somos, para nos unirmos. A luta contra o patriarcado, o capitalismo, contra a destruição da natureza e das pessoas, é uma luta pela vida, pelo futuro e pela dignidade.

JUSTIÇA PARA OS MORTOS!

ABRAÇAMOS AS FAMÍLIAS, EXTERNAMOS NOSSAS CONDOLÊNCIAS.

SOLIDARIEDADE COM TODOS QUE LUTAM NO SUL DA EUROPA CONTRA O RACISMO, PELOS REFUGIADOS, MIGRANTES E PELA VIDA.

Desde o Istmo de Tehuantepec, México, nem mais uma fronteira…

Assembleia dos Povos Indígenas do Istmo em Defesa da Terra e do Território – APIIDTT

Fonte: https://tierrayterritorio.wordpress.com/2023/06/30/comunicado-sin-fronteiras-ni-banderas-migrar-no-es-un-delito/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Ah! claro silêncio do campo,
marchetado de faiscantes
pigmentos de sons!

Yeda Prates Bernis

[Espanha] Lançamento: “Gazuza”, de Rubén Ruiz Fernández

Este mundo tem fome. Mas não só aquela que advém da dor física após o pulso egoísta de um mundo individualizado e distante, mas também, fome de conhecimento para tentar confrontar esta espiral sem retorno; fome necessária de valores humanistas e de respeito à natureza — hoje apagada — que tudo nos dá. Gazuza é esse Sul sem termo geográfico definido, afundado no chicote da injustiça, mas renascido em cada coração rebelde pelas pessoas que pulsam como um mesmo ser em todo o globo. Gazuza se aproxima aos conterrâneos de don Miguel Delibes em toda sua crueza e, também por que não, ao de seu próprio autor, Rubén Ruiz. Ambos mundos caminham paralelos em defesa da justiça social e do enraizamento ou o pertencimento a uma terra despovoada e esquecida, na qual a cultura popular e as ações rotineiras não passam despercebidas, pois são engrandecidas para ocupar esse lugar de privilégio que às vezes a história nega.

Todo o lucro integral deste livro será destinado à recuperação e valorização do local de La Armedilla no município de Cogeces del Monte em Valladolid. Outra semente comum a brotar em simbiose perfeita entre a criação literária consciente e a leitura comprometida.

Título: Gazuza / Autor: Rubén Ruiz Fernández / ISBN: 978-84-09-51166-2 / Tamanho: 15 x 21 / Pág: 128 / €12.00 / lasombradecain.com

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

beija flor perplexo
sem encontrar umidade
nem no bebedouro…

Haruko

[Grécia] Manifestação contra a exploração de cavalos, 17 de julho

PARAR A EXPLORAÇÃO DE CAVALOS

Por ocasião da trágica morte do cavalo que foi forçado a puxar uma carroça turística em Corfu, precisamos falar sobre o fim da escravidão de animais não humanos em geral e, especificamente, da exploração de equinos pela indústria do turismo. Em muitas ilhas, como Hydra, Egina, Santorini, Corfu, mas também onde quer que haja demanda, são instaladas carroças turísticas puxadas por cavalos, enquanto os burros assumem o papel de carregadores em ladeiras íngremes e escorregadias.

Os equinos, utilizados como escravos na Grécia desde a antiguidade, são considerados um dos primeiros animais que a espécie humana domesticou – subjugou – para transformá-los em “veículos” de suas próprias aspirações. Cavalos, burros, mulas carregavam pessoas, colheitas, materiais de construção, e eram mortos no campo de batalha como produtos dispensáveis em guerras tribais e nacionais. Este ano o exército usou cavalos como espetáculos em desfiles e o governo anunciou a criação de uma polícia montada no centro histórico de Atenas, mas por causa do ‘barulho’ e clamor geral, o governo retirou por enquanto o projeto.

Hoje, onde desapareceu esta suposta necessidade de utilização destes animais pela polícia, a indústria do turismo vem romantizar e assim perpetuar esta condição de escravatura, utilizando o animal como ícone do respectivo destino, mas também derretendo-os para transportar carroças de ferro e turistas no calor. Ao mesmo tempo, todo um circuito de transporte para o abate desses animais em outros países opera quando eles não são mais lucrativos para seus respectivos exploradores. A exploração dos animais está em plena sintonia com a realidade vivida pelos trabalhadores nos destinos turísticos onde os empregadores os tratam como máquinas substituíveis, mas também com o próprio mundo natural que é sacrificado no altar da facilitação do “desfrute do produto turístico”.

Essa prática opressiva em relação aos animais não humanos, sua normalização através da retórica de “animais de trabalho” e a indústria do turismo explorador que também esmaga as pessoas, precisa parar. Cavalos, burros, mulas, podem viver livremente na natureza como eles viveram por milhões de anos e como nos mostraram os exemplos de feralização de cavalos na Grécia continental e burros no Chipre.

ANIMAIS NÃO SÃO VEÍCULOS

LUTE PELA LIBERTAÇÃO TOTAL

Assembleia aberta contra exploração animal

agência de notícias anarquistas-ana

o rio ao lado da estrada
corre
ri à gargalhada

Eugénia Tabosa

Protestos e confrontos no Quênia contra novos impostos e alta no custo de vida

Nos últimos dias, manifestações e confrontos eclodiram no Quênia contra a imposição de novos impostos pelo governo e em meio a aumentos contínuos de preços. Os protestos já duram uma semana e até agora 12 pessoas foram mortas por tiros da polícia e centenas detidas.

Na quarta-feira, 12/07, muitos eventos tumultuosos aconteceram em várias cidades do país e especialmente em Nairóbi. No momento, é relatado que pelo menos 6 manifestantes foram mortos pelas forças de repressão. Três pessoas foram mortas na cidade de Mlolongo, no condado de Machakos, duas na cidade de Kitengela, perto de Nairóbi, e uma na cidade de Emali, na rodovia para o porto de Mombaça. Duas pessoas morreram no ataque a uma delegacia de polícia.

Em Emali manifestantes queimaram pneus e destruíram uma cabine de pedágio em uma rodovia que é símbolo de desigualdade, pois só quem pode pagar pode atravessá-la.

Na cidade de Wote, sede do condado de Makueni, os manifestantes dominaram a polícia e incendiaram a delegacia. Em Kitengela, as forças policiais também fugiram.

Há relatos de que cerca de 53 crianças estão hospitalizadas depois que sua escola foi atacada com gás lacrimogêneo pelas forças de repressão.

No total, “312 pessoas que, direta ou indiretamente, planejaram, orquestraram ou financiaram manifestações violentas e atos de anarquia (na quarta-feira) foram presas e serão julgadas por vários crimes”, disse o ministro do Interior, Kithure Kindiki, nesta quinta-feira (13/07).

“A busca pelos outros responsáveis (por esta violência) está em curso”, acrescentou.

Fonte: agências de notícias

agência de notícias anarquistas-ana

Sem ter companhia,
E abandonada no campo,
A lua de inverno.

Roseki

[França] Democracia encouraçada, liberdade em perigo!

Moção do congresso da Federação Anarquista que se reuniu nos dias 27, 28 e 29 de maio de 2023 em Caulnes.

As recentes notícias de 2023, relativas à reforma desonesta e injusta para aumentar a idade de aposentadoria, são altamente relevantes. Esse governo, como os anteriores, alega ser democrático, o que não passa de uma paródia sinistra e uma fraude intelectual e política.

A Federação Anarquista Francófona sempre denunciou os governos, todos eles, que privam as populações de seus direitos de decidir por si mesmas e por si mesmas a condução de suas vidas e de seu futuro.

Na opinião das elites governantes, a população não é suficientemente qualificada nem capaz de tomar decisões que lhe dizem respeito diretamente, reduzindo-nos, de fato, a uma posição de dependência artificial de autoridades eleitas. No entanto, não precisamos de um líder ou de autoridades eleitas para administrar nossos assuntos por conta própria.

Lembremos aqui que a legalidade que eles usam nada mais é do que uma relação de classe fossilizada. Em contraste, os anarquistas são portadores da legitimidade da aspiração de alcançar a justiça social, aqui e agora.

A Federação Anarquista de Língua Francesa denuncia todas as estratégias que visam construir um pensamento único, uma identidade única e estabelecer arquivos que tendem a qualificar e quantificar a população para melhor controlá-la e submetê-la ao serviço do sistema capitalista (France Travail e outros).

O desprezo de classe e a terrível repressão para estabelecer seus projetos são o terreno fértil para o surgimento de ideologias de rejeição do outro, xenofobia e fascismo.

A repressão sistêmica dos movimentos de protesto é totalmente desinibida, desenfreada, deletéria, mutiladora, mortal: prisões arbitrárias, custódia policial sistemática e injustificada, violência policial como em Sainte Soline e MayoQe, reintrodução das altamente perigosas brigadas de motociclistas Brav-M.

O Estado usa meios técnicos cada vez mais sofisticados para chegar a corpos e mentes: inteligência artificial, reconhecimento facial, testes de DNA, drones, etc.

Essas ações têm como objetivo rastrear, localizar, seguir, arquivar, prender e encarcerar qualquer indivíduo que se atreva a ter ideias contrárias aos interesses dos governos.

O efeito inesperado dos Jogos Olímpicos permite que eles testem dispositivos de monitoramento “inteligentes” que obviamente se tornarão permanentes e generalizados para todos os tipos de situações.

A longo prazo, tudo isso poderia levar a um controle liberticida e dissuasivo de qualquer movimento de protesto. Isso não é fantasia nem ficção científica: esses métodos já estão em uso na China e, cada vez mais, em outros países.

É por isso que devemos continuar nossas lutas, diversificar nossas táticas para nos proteger, nos organizar, continuar a informar, criar contracultura e contrainformação e, acima de tudo, nos unir diante das lutas presentes e futuras!

Federação Anarquista Francófona (FA-IFA)

www.federation-anarchiste.org

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Cada onda
reflete na areia
a nova lua cheia

Alice Ruiz

[Chile] Palavras dos prisioneiros anarquistas e subversivos em luta nos cárceres chilenos, Julho 2023.

Falam Mónica, Francisco, Joaquín, Juan e Marcelo.

– Nossas ênfases, desafios e urgências.

– Há 50 anos do golpe cívico militar de Pinochet sua herança jurídica permanece de modo vergonhoso nas grandes condenações da justiça militar para o companheiro Marcelo Villarroel.

– Frente ao começo do julgamento do poder contra dois companheiros, Mónica Caballero e Francisco Solar, a vingança do domínio não se detém contra os que passam à ofensiva atacando sua intocável impunidade.

Desde que nos constituímos como espaço de afinidade coletiva, faz 3 anos já, entre companheiros prisioneiros da guerra social em luta e resistência no interior dos cárceres do Estado chileno, definimos que nossa prioridade estava, e está, em buscar a rua como ponto de ruptura com a cotidiana normalidade do existente e sua sociedade carcerária, que nos encerra como castigo a nossa irrenunciável decisão de combate pela liberação total.

Neste caminhar e encontro indissolúvel de anarquistas e subversivos antiautoritários, que são o reflexo vivo da luta revolucionária através de práticas de violência minoritária no Chile das últimas décadas, assumimos com integridade e convicção nossa longa estadia atrás das grades nos diferentes momentos e lugares por onde nos coube transitar. É por isso que com a necessária clareza que nos exige nosso posicionamento de vida em luta hoje queremos compartilhar nossas ineludíveis urgências, e desde aqui o chamado à mobilização permanente, à solidariedade ativa, à cumplicidade Insurreta.

1- Sobre a situação do companheiro Marcelo Villarroel Sepúlveda detido na Argentina em março de 2008 que já está há quase 16 anos, completando 29 anos de prisão em 3 diferentes períodos temos sido claros e insistentes: hoje é um refém da razão de Estado e não um prisioneiro do estado de direito que o próprio poder diz defender.

Lhe aplicam enormes condenações, que ascendem a mais de 46 anos, emanadas desde a justiça militar de Pinochet do Chile transicional de princípios dos anos 90 por diversas ações armadas como ataques e perseguições à polícia torturadora da época, ataque explosivo à embaixada da Espanha no contexto dos 500 anos da invasão colonial europeia, recuperação e distribuição de caminhões de alimentos a populações e assaltos bancários no contexto de sua antiga militância no extinto grupo de guerrilha urbana Mapu-Lautaro.

A validade atual destas condenações só é possível como resultado da manutenção do aparato jurídico da ditadura e da silenciosa modificação, em princípios de 2019, do decreto-lei 321 de liberdades condicionais que mudou seus tempos de cumprimento e que permitiu que a Gendarmeria tivesse carta branca desde o Ministério da Justiça do governo de Piñera para implementar esta aberração jurídica, já que o Estado chileno aplica ilegalmente esta modificação de modo retroativo contrariando o direito penal internacional que dizem defender e igualmente, com posterioridade e sob a atual administração do governo de Boric, as Cortes de Apelações e Suprema e o Ministério Público através de seus democráticos juízes e promotores defenderam explícita e abertamente, e sem nenhuma vergonha, através de decisões recentes, a justiça militar de Pinochet evidenciando o verdadeiro caráter socialfascista do Estado chileno e dos que o defendem, sustentam e justificam.

2- Por outro lado hoje nossos companheiros anarquistas Mónica Caballero Sepúlveda e Francisco Solar Domínguez, detidos em julho de 2020, são acusados do ataque explosivo simultâneo à 54ª delegacia da zona norte de Santiago e ao ex Ministro do Interior do primeiro governo de Piñera Rodrigo Hizpeter e o atentado com bombas ao bairro endinheirado de Santa María de Manquehue na zona oriente de Santiago em pleno período de Revolta.

Em dezembro de 2021 Francisco assume a direta responsabilidade de todos os ataques, reivindicando politicamente cada uma das ações.

No próximo 18 de julho enfrentam o começo do julgamento onde o poder busca sepultá-los por décadas de prisão. A petição de condenações por parte do Ministério Público correspondem a 129 anos para Francisco e 30 anos para Mónica.

A decisão de luta dos companheiros foi devolver os golpes acabando com a impunidade dos repressores, situando-se na clara e antiga tradição revolucionária e particularmente anárquica que buscou pelas próprias mãos destruir o monopólio da violência do Estado e a tranquilidade daqueles que desde seus postos de poder comandaram as mais brutais e sistemáticas incursões repressivas.

3- Também é preciso atualizar a situação dos companheiros Joaquín García Chancks e Juan Aliste Vega.

Joaquín, prisioneiro anarquista, está há quase 8 anos encarcerado, condenado pela colocação de um artefato explosivo na 12ª delegacia de San Miguel, Santiago, junto com Kevin Garrido (companheiro assassinado na prisão em novembro de 2018) e porte ilegal de arma de fogo enquanto rompia a prisão domiciliar imposta pelo Poder. O companheiro se encontra já no tempo mínimo para aceder à Liberdade Condicional, de fato, já foi postulado, mas esta lhe foi negada, pela nefasta Área Técnica da Gendarmeria que, vale enfatizar, teve um papel determinante no acesso dos diversos benefícios depois da já assinalada aplicação da modificação ao DL 321 em janeiro de 2019, somando-se a isto o fato de que tecnicamente resulta impossível aceder a este ou outros “benefícios” intrapenitenciários enquanto se habita em um módulo de alta ou máxima segurança, o que põe a cada preso que se predisponha a buscar sua saída legal fora dos muros em um beco sem saída.

Juan, prisioneiro subversivo, também foi condenado, pela nefasta justiça militar de Pinochet no mesmo contexto de sua antiga militância no Mapu Lautaro na qual também purgou 12 anos de prisão, entre 1991 e 2003 da condenação de 18 anos de prisão por “maltrato de obra a carabineiro com resultado de morte”, fato nunca reconhecido, e que se dá em um cenário político social próprio da ditadura, causa pela qual ainda deve só uns meses.

Na atualidade cumpre condenação de 42 anos, dos quais cumpriu 13 anos e ainda não tem possibilidade concreta de postular a alguma saída e assim como Marcelo, Francisco e Joaquín a maior parte do tempo de cativeiro os viveu em regimes de alta e máxima segurança.

Claramente nunca tivemos confiança nos critérios de alguma instituição, menos a carcerária, o que não significa que, como ferramenta prática, estejamos dispostos a queimar todas as instâncias jurídicas que sejam necessárias na busca da saída da prisão de cada um de nós já que para isso sempre poremos nossa moral antagônica primeiro na balança rechaçando claramente qualquer manobra obscura que venha do domínio. Nunca mendigamos nada a ninguém, ainda menos ao Poder, sempre conscientes que o caminho tomado nos enche de são orgulho, damos cara à existência sem dar um passo atrás.

O chamado é a levantar iniciativas de solidariedade revolucionária tendo sempre presente que nossos companheiros se encontram presos por ações concretas contra a ordem estabelecida e seus defensores. E que a melhor maneira de solidarizar é continuar pelo caminho do conflito desde a autonomia e a livre vontade de grupos, individualidades e comunidades em luta contra o existente.

Redobrar os esforços desde o Internacionalismo Anticarcerário implica convocar também a todos os nossos companheiros e irmãos de luta distribuídos nos diferentes territórios e continentes do planeta, rompendo os sectarismos próprios dos que não viveram as experiências extremas do combate como a prisão, a clandestinidade ou a morte; aportando com generosidade desde as diversas capacidades e possibilidades e convocando do modo mais amplo possível a mobilização específica de solidariedade direta.

De imediato estamos às portas do julgamento contra Mónica e Francisco e é aqui onde a inquisição democrática do capital deve ter claro que não julga tão somente dois companheiros anarquistas de ação, senão a todos os afins que caminham no mesmo pulso do conflito.

Igualmente se aproxima setembro e no Chile completam 50 anos da insurreição burguesa que Pinochet encabeçou e é realmente repugnante o silêncio cúmplice de muitos que permite que ainda sobreviva a estrutura jurídico política da ditadura cristalizada nas condenações de Marcelo que caminhando pela senda da subversão autônoma e antiautoritária deixou mais da metade de sua vida atrás das grades.

Que o Estado chileno saiba que não há cárcere nem castigo capaz de acabar com histórias de vida em luta que de modo irredutível matem o punho erguido mais além dos vaivéns próprios da história e das renúncias, medos e comodismos dos que fogem do conflito.

Abraçamos com amor e cumplicidade a todos os prisioneiros anarquistas e subversivos antiautoritários nos cárceres do mundo que enfrentam com dignidade o confinamento, colaborando com as lutas reais com práticas concretas longe do nefasto vitimismo assistencialista e sempre próximo do posicionamento revolucionário.

Alfredo Cóspito, Anna Beniamino, Juan Sorroche, Poula Roupa, Nikos Maziotti, Thanos Xatziangelou, Claudio Lavazza, Gabriel Pombo da Silva, Tomas Meyer Falk para vocês todos nossos respeitos e proximidade real mais além dos quilômetros e grades que nos separam.

Nos enche de alegria a recente saída de Gabriel Pombo da Silva a quem saudamos com fraterna irmandade.

Aos companheiros presos no Chile do “Caso Gendarmeria” e “Caso Susaron”, aos peñi de luta, presos políticos mapuche.

Com todos os nossos companheiros mortos na memória e na ação retratamos em nossa eterna e amada companheira Luisa Toledo Sepúlveda toda a paixão por viver e o newen infinito por lutar.

Por Mónica e Francisco: solidariedade e cumplicidade com os que atacam os poderosos e repressores!

Por Marcelo e há 50 anos do golpe cívico militar de Pinochet: Anulação das condenações da justiça militar de Pinochet ainda vergonhosamente vigentes!!

Por Juan e Joaquín e todos os presos anarquistas e subversivos à rua!!

Morte ao Estado e viva a anarquia!!

Enquanto exista miséria haverá rebelião!!

Mónica Caballero Sepúlveda

Francisco Solar Domínguez

Joaquín García Chancks

Juan Aliste Vega

Marcelo Villarroel Sepúlveda

– Cárcere de mulheres de San Miguel Santiago.

– Cárcere empresa la gonzalina Rancagua.

Território ocupado pelo Estado chileno.

Julho 2023.

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Aconchegantes,
Os raios do sol de inverno —
Mas que frio!

Onitsura

[Espanha] Terrorismo policial, RIP

Um canhão acaricia suas costas,

um tremor toma conta de você,

uma voz lhe diz “não se mexa”,

você sabe muito bem que pode morrer aqui.

Ao jovem Nahel e a todos aqueles que morreram nas mãos da polícia em algum momento, em alguma luta justa na história dos oprimidos. A polícia nunca será da Classe Trabalhadora.

TERRORISMO POLICIAL: DISPERSEM E ENTREGUEM SUAS ARMAS

Em 2009, foi realizado um estudo pioneiro na França que revelou algo que aqueles que vivem nos subúrbios, como o jovem Nahel Merzouk, já sabiam há muito tempo: “De acordo com os centros de observação, os negros tinham de 3,3 a 11,5 vezes mais probabilidade de serem controlados do que os brancos, e os árabes tinham de 1,8 a 14,8 vezes mais probabilidade de serem controlados pela polícia (ou pelos serviços alfandegários).

O perfil racial é uma realidade inquestionável. Dez anos depois, em 2019, essa realidade não havia mudado, e o Defensor dos Direitos (uma figura que é como o defensor público na Espanha) destacou que havia “discriminação sistemática que se traduz na super-representação de algumas populações como resultado da imigração e práticas inadequadas na aplicação de controles de identidade pelas forças da lei e da ordem”.

Do livro “O que a polícia faz e como viver sem ela”(Paul Rocher).

Assim começa um dos capítulos do livro de P. Rocher sobre violência policial em uma análise das ações das forças da lei e da ordem em seu país, a França.

As frases com as quais este capítulo do livro começa parecem ter sido escolhidas para prever o infortúnio da família e dos amigos de Nahel em 27 de junho. O jovem, de origem argelina e com apenas 17 anos de idade, foi baleado no peito em um posto de controle da polícia, o que o matou quase instantaneamente. De acordo com os policiais que o pararam no posto de controle, o jovem queria atropelá-los e, por isso, um deles disparou sua arma de serviço, aplicando a “teoria” das academias onde são treinados e, depois, com base na mesma teoria, explicando que “ele temia por sua vida”, que “estava com medo e instintivamente usou sua arma contra o que representava um perigo para ele”. No entanto, depois de vários dias e noites de tumultos em diferentes cidades francesas por causa desse assassinato, surgiram alguns vídeos nos quais parece que a versão da polícia, e em particular a do policial que disse que “temia o pior”, não corresponde à versão oficial do governo de E. Macron. É verdade que Nahel é parado em um posto de controle, mas ele não tenta atropelar ninguém, mas, sabendo que não tem carteira de motorista, decide fugir ligando o veículo. Parece que o “crime” de Nahel era não ter carteira de motorista e “parece” que ele também vinha de uma família pobre e morava no bairro “Balieue”, nos arredores de Nanterre (região de Paris). Ele estudava com certa dificuldade e trabalhava em tudo o que encontrava para pagar as contas e poder ajudar em casa. Esse é o “retrato social” desse jovem, que alguns meios de comunicação burgueses, poucas horas depois de sua morte, tentaram manchar fazendo-o parecer um delinquente. Mas as únicas “contravenções” que se sabe que ele cometeu foram principalmente por “desobediência”, não sendo verdade que ele não tinha nenhum caso aberto com o sistema judiciário francês no momento de sua morte, como alguns setores de extrema direita insinuaram por meio da mídia a seu serviço.

Após a notícia de seu assassinato, pelas mãos de um policial e nas circunstâncias descritas, houve dias e noites de grande tensão em várias cidades francesas. A raiva, a fúria e a tristeza tomaram conta daqueles que conheciam Nahel, mas também daqueles que não sabiam de sua existência. E não é de se admirar: a morte de um jovem “desobediente” de origem imigrante é um padrão que, infelizmente, se repete constantemente (e não apenas em nosso país vizinho).

Valentín Gendrot, um jornalista freelancer, infiltrou-se na polícia há alguns anos para descobrir em primeira mão o que estava acontecendo por trás das paredes das delegacias. Seu testemunho, registrado em um livro, chocou a França. De acordo com Gendrot, ele conseguiu se tornar um “policial auxiliar”, usar um uniforme e portar uma arma regulamentar após apenas três meses de treinamento, que era aberto a qualquer pessoa com menos de 30 anos de idade. Sua infiltração valeu a pena porque pudemos conhecer como era o dia a dia em uma das delegacias de polícia onde ele ficou estacionado por algumas semanas, testemunhando cada detalhe: erros da polícia que, em alguns casos, arruinaram a vida de qualquer pessoa, violência com prisioneiros e sob sua custódia, acobertamentos entre agentes (muito comuns entre “colegas”, como vimos na Espanha em algumas manifestações) e, acima de tudo, racismo.

Por esse motivo, as respostas de revolta que os franceses estão dando atualmente à brutalidade e à violência policial são algo esperado, intuído. E, assim como aconteceu com o assassinato nos EUA do afro-americano George Floyd, cujo “crime” ao ser sufocado por um policial branco foi tentar pagar em uma loja com uma nota falsa de US$ 20, a ação organizada da população manteve a cidade em alerta por dias. Como na França, prefeituras foram incendiadas e dezenas de delegacias de polícia foram atacadas. Milhares de pessoas foram presas e encarceradas. As ruas se encheram de barricadas e, finalmente, a mídia decidiu chegar ao fundo da questão (pelo menos um pouco).

De nossa perspectiva libertária e internacionalista, ninguém precisa vir e nos convencer do que já sabemos há mais de um século. Todos os Estados têm guardiões do controle social, prontos para ir tão longe quanto necessário para atingir seus objetivos. E eles estão dispostos a fazer isso porque sabem que o aparato estatal, do qual eles são a parte armada/militar, nunca se voltará contra eles. Isso é o que aconteceu com outros assassinos de jovens pela polícia, como o de Alexis Grigoropoulus – de apenas 15 anos – em dezembro de 2008 na Grécia, ou o de Carlo Giuliani na contra-cúpula em Gênova, em julho de 2001, para citar alguns exemplos mais ou menos atuais. Seus assassinos só foram processados aos olhos do público, mas com o tempo e o abrandamento da tensão social, esses guardiões de carteirinha seguiram em frente, apoiados, cuidados e desculpados pelo Estado. E a burocracia estatal, a classe política que ocupa os parlamentos burgueses, respira após dias de incerteza, sabendo que seus investimentos significativos e crescentes em equipamentos de polícia de choque para seus agentes da “ordem” estão valendo a pena.

Como anarcossindicalistas, e também como anarquistas em muitos casos, sabemos que o objetivo final de nossa luta é a criação de uma sociedade sem classes, onde não haja oprimidos nem opressores, e onde os seres humanos aprendam a viver juntos, resolvendo suas diferenças por meio do diálogo, do consenso e sem intermediários de qualquer tipo. Na base dessa batalha está, sem dúvida, a educação das gerações que acabaram de chegar e das que ainda estão por vir. Mas também devemos começar a nos dar conta, com seriedade, de que temos uma barreira muito cara a ser derrubada antes de podermos abolir o Estado. E essa barreira é chamada, em qualquer país ou nação, de POLÍCIA. Enfrentá-la é uma obrigação, em primeiro lugar como classe trabalhadora e, em segundo lugar, como militantes da Confederação Geral do Trabalho (CGT). E aqui não haverá meias medidas: ou você está com o povo ou com a polícia (que não é a classe trabalhadora).

Desejamos à comitiva de Nahel força na dor e resistência na luta, e estendemos isso a todo o povo da França. A luta é o único caminho: que a raiva diante da injustiça nos faça levantar.

José Manuel M. Póliz

Secretário de Ação Sindical da SFF-CGT

Fonte: https://www.cgtvalencia.org/terrorismo-policial-rip/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Nuvem, ergue a pálpebra!
Quero ver o olho de cego
com que sondas a noite.

Alexei Bueno

[República Tcheca] Novo Panfleto: Contra as guerras capitalistas, contra a paz capitalista

Na Ucrânia, na República Tcheca, no Reino Unido, na Itália, na Síria, na França, etc. Em todo o mundo há uma voz contra as guerras capitalistas e também contra a paz capitalista. Somente a guerra de classes pode acabar com esse terror e é isso que nós queremos dizer quando dizemos Não à Guerra, exceto pela Guerra de Classes!

O novo panfleto contém 14 textos de vários grupos e indivíduos. O objetivo é explicar e afirmar o significado de antimilitarismo, internacionalismo e derrotismo revolucionário. A publicação será apresentada pela primeira vez na Balkan Anarchist Bookfair em Ljubljana. O panfleto também está disponível para download em PDF.

>> Faça o download do folheto aqui:

https://antimilitarismus.noblogs.org/files/2023/06/against_capitalist_wars_print.pdf

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Ventos exibidos,
que cantam fortes, uivantes,
também desafinam…

Leila Míccolis