[Espanha] A guerra que queremos e precisamos

Algumas vezes tenho observado que o que me surpreende na guerra não é o aspecto humanitário. Afinal, em cada guerra há civis fugindo, civis morrendo, soldados executados, tortura, pilhagem, estupro, crianças órfãs e tudo mais. O que me surpreende é a logística.

Os dois exércitos têm atualmente cerca de meio milhão de homens na guerra de trincheiras na Ucrânia. Há cerca de 100.000 deles na linha de frente. Os demais estão empenhados numa grande variedade de tarefas, pois para que esses cem mil homens possam se matar à vontade, comida, água, roupas, aspirina, munições, gasolina, óleo de motor, peças de reposição, vodka, tabaco, band-aids… E também transportam essa comida em caminhões que estão sob fogo de artilharia de precisão, drones, mísseis, minas, katiuskas, órgãos de Stalin…

E agora, sincronizar tudo isso: saber onde as pessoas estão, onde as coisas têm de chegar, o que falta, o que sobra, qual é o perigo, como atravessar a linha de frente para a linha de frente, que é de 30 km…

Quando a guerra começou na Ucrânia, em 2014, com a invasão da Crimeia e de Donbas, o exército ucraniano não era muito: 2.206 milhões de euros. Em 2020, eles já estavam em 5,659 bilhões de euros. Em comparação com os gastos com saúde de 3 bilhões de euros naquela época, isto foi uma melhoria. Mas o exército ucraniano ainda era um exército bastante patético. Armamento antigo e um exército muito limitado. Hoje, para a confusão da destruição mútua, eles têm um orçamento de 12 bilhões de euros, sem contar com as contribuições da OTAN e da UE. E com isso, eles enfrentam um exército moderno como o exército russo, que também está aumentando seu orçamento…

Como é possível que uma nação, a Ucrânia, que é a 54ª maior economia por PIB, e com uma dívida pública em 2021 de 80.303 milhões de euros (47,59% do PIB), esteja dando essa dor de cabeça para a Federação Russa? Naturalmente, há a ajuda militar da OTAN e da UE, com espionagem, equipamento de precisão e assim por diante. Mas o que mostra é que os governos, se for do seu interesse, vão desenterrar dinheiro e pessoas para a guerra, até debaixo das rochas. Graças a isto, e à logística científica eficaz, cerca de quarenta mil soldados de ambos os lados já morreram, e cinco vezes mais feridos, em graus variados. Mais aqueles que foram deixados aleijados. Além disso, milhões de pessoas deslocadas em toda a Europa. E tudo isso… Por quê? Por quê? Por quê? Por que milhares de caras estão na lama até as bolas em trincheiras no frio, enquanto drones iranianos ou turcos estão bombardeando-os?

É evidente que se as pessoas forem capazes de fazer este sacrifício sem sentido, poderemos encontrar um mundo pacífico e justo, declarando guerra à pobreza. Com uma boa logística, podemos conseguir isso em poucos meses. E então, em vez de criarmos pessoas amargas, ressentidas e paranóicas, poderíamos estabelecer relações amistosas e cuidar um do outro de uma forma amável. É simplesmente uma questão de escolher o tipo de guerra que queremos.

Acratosaurus rex

Fonte: http://acracia.org/la-guerra-que-queremos-y-necesitamos/

agência de notícias anarquistas-ana

a estação amua
fumo de castanhas
à esquina da rua

Rogério Martins

[Grécia] Greve de fome de anarquistas e prisioneiros combatentes em solidariedade a Alfredo Cospito

O regime prisional 41-bis é a conclusão da estrutura prisional em uma sentença de morte mascarada. A execução, neste caso, não termina em um momento, como com um tiro, o aperto do laço, a aplicação de corrente elétrica ou a injeção de veneno no corpo, mas dura a vida inteira em estado de coma social, em um estado de não-mundo. E assim, espalhado no tempo. Fora deste mundo, a sentença de morte fugiu da história, assim como o estado busca o esquecimento de todos os prisioneiros da guerra social que estão enterrados vivos no estado de 41-bis. O regime de 41-bis já assassinou uma lutadora, Diana Blefari Melazzi.

O regime 41-bis e a lei sobre o “massacre” são o legado da contrarrevolução europeia desde a época da Piazza Fontana (Strage di piazza Fontana). Esta guerra civil nunca terminou. Os estados, e particularmente o italiano, continuam a contrarrevolução para que a chama nunca mais se acenda. Todos os sistemas seguem, passo a passo, os primeiros exemplos introduzidos como guerra especial, por ex. as celas brancas da Alemanha Ocidental, as prisões tipo F na Turquia e as prisões FIES na Espanha até as prisões tipo C na Grécia ou o novo sistema prisional de alta segurança A.A.; a ainda ativa lei de inspiração hitlerista sobre a extensão indefinida da pena por motivos “preventivos”, pela qual o camarada Thomas Meyer Falk está detido por mais 10 anos (25 no total) na prisão de Freiburg, na Alemanha, aos diferentes métodos de extorsão de declarações de arrependimento, e de Asinara a Imrali.

O anarquista Alfredo Cospito está lutando para que a chama se acenda novamente. Vamos reafirmar a luta do camarada.

É nosso dever defender de fato a batalha que Alfredo Cospito trava. Uma luta a favor e contra o próprio tempo. Esta particular greve de fome não diz respeito apenas aos camaradas do território italiano, mas é internacionalista, e por isso a estrela da solidariedade internacionalista deve brilhar ao lado de Alfredo Cospito e de todos os que lutam dentro de um regime prisional especial. Da Grécia a todos os pontos do planeta – para todos aqueles que lutam pela liberdade.

Porque a derrota não é a captura, mas perder a fé na possibilidade de vencer. Assim, estamos fazendo coletivamente uma greve de fome, de acordo com a capacidade de cada um, para que possamos estar ao lado do revolucionário anarquista Alfredo Cospito, mas também, contra o regime de morte do 41-bis.

Ao mesmo tempo, a luta contra o novo código prisional nas prisões gregas continua.

Prisioneiros anarquistas e combatentes:

Yiannis Michailedis
(1 dia de greve de fome)
Dimitris Chatzivasileiadis
(3 dias de greve de fome)
Thanos Chatziaggelou
(1 dia de greve de fome)
Iasonas Rodopoulos
(1 dia de greve de fome)
Kostas Dimalexis
(3 dias de greve de fome)
Labros Vougiouklakis
(1 dia de greve de fome)
Panagiotis Vougiouklakis
(1 dia de greve de fome)
Stathis Nikolouzos
(1 dia de greve de fome)
Stergios Kalaitzidis
(1 dia de greve de fome)
Fotis Daskalas
(1 dia de greve de fome)

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1623649/

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

no filme mudo
uma ave que eu cria extinta
está cantando

LeRoy Gorman

[Alemanha] Incêndio em solidariedade a Alfredo Cospito – escavadeira Strabag incendiada!

Em sinal de solidariedade com Alfredo Cospito e sua greve de fome contra o regime de 41bis, incendiamos uma escavadeira Strabag Berlin-Prenzlauer Berg na noite entre 9/2 e 10/2.

Contra a sociedade que precisa de prisões, de cuja construção Strabag lucra. Contra a sociedade que acredita em um capitalismo verde, para o qual Strabag constrói usinas em todo o mundo!

É bem-vinda a ressonância internacional, iniciada pela mobilização de inúmeros camaradas na Itália. Aquece nossos corações ver como a solidariedade com os prisioneiros anarquistas se torna uma arma que busca e encontra seus alvos em todo o mundo. Nossas análises dessa sociedade inevitavelmente nos levam a atacá-la e derrubá-la. Mas não são só análises secas que nos comovem, sentimos um profundo desgosto por este mundo com todos os seus constrangimentos. Compartilhamos as propostas e debates voltados para um discurso internacional. É preciso uma reunião informal de inimigos do estado para entrar e permanecer em movimento. O internacionalismo pode, assim, permitir a troca de experiências, críticas e perspectivas e promover a agressividade. Podemos literalmente sentir o cheiro da fumaça que o vento do sul traz e ouvir o eco dos camaradas gritando: “Alfredo fora do 41bis!”

No entanto, é questionável se Alfredo sairá do regime 41bis em um futuro previsível e se estará ciente de tudo o que está acontecendo “lá fora”. Também é questionável se ele sobreviverá a esse confronto com autoridade. Parece que a sorte já está lançada. O governo italiano já disse várias vezes que não vai recuar. Certamente há muito mais em jogo para eles do que “apenas” ter um anarquista morto em sua consciência.

No entanto, lutar de uma perspectiva anarquista significa muito mais para nós do que salvar uma única vida nesta situação aguda. Provavelmente Alfredo já tomou sua decisão há muito tempo, como está posto em debate no texto “Qualquer hora – Algumas reflexões sobre os últimos meses de mobilização na Itália”. No entanto, podemos tomar a natureza intransigente de suas ações como inspiração para intensificar a subversão e garantir que o eco de sua luta, agora claramente ouvido além das fronteiras da Itália, não seja silenciado tão cedo. Com paixão e alegria, e armados com nossos sonhos, contra tudo o que nos impede de realizá-los; estado, governo, autoridade, justiça, capitalismo e a estrutura de poder que sustenta tudo isso.

A liberdade vem através do movimento de luta – Por mais decomposição do estado!

Solidariedade com Alfredo, Juan, Anna, Ivan, Dayid, Tonio e todos os outros rebeldes nas prisões.

Saudações ao anarquista do julgamento de Parkbank, que está preso novamente em Hamburgo.

Em memória de Tortuguita, que foi baleade por policiais em 18 de janeiro durante uma operação contra a ocupação Stop Cop City (Atlanta, EUA). Descanse em poder!

Viva a anarquia!

Fonte: https://kontrapolis.info/9493/

Tradução > Contrafatual

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Brisa ligeira
A sombra da glicínia
estremece

Matsuo Bashô

[EUA] Ataque a veículos de entrega da Amazon no Brooklyn-NY em solidariedade à Floresta de Atlanta

Ataque a Amazon! Ataque a Polícia! Defenda a Natureza! Solidariedade com a  Floresta de Atlanta!

Na quinta-feira, 2 de fevereiro, atacamos uma estação de recarga da Rivian no Brooklyn, Nova York. Atingimos quatro veículos de entrega da Amazon e um veículo da Rivian como parte do custo de fazer negócios com a Amazon.

Colocamos uma mensagem em memória de Tortuguita, nosso camarada que foi assassinado por porcos de Atlanta por lutar contra “Cop City”, a mais recente expansão da violência contra-insurgente do estado.

Os porcos pretendem aumentar sua capacidade de nos matar e manter o estado despótico da barbárie capitalista.

Também queremos destacar o significado da luta ambiental hoje. O mundo está correndo para a devastação absoluta, e a iminente catástrofe climática logo tornará a existência humana insuportável.

O capitalismo agora está matando toda a vida no planeta e esta sociedade doente anuncia monstros como Elon Musk como nossos salvadores.

Rejeitamos descaradamente essa visão deplorável para o futuro e não nos importamos com as repercussões pessoais.

Assim como Tortuguita, colocaremos nossas vidas em risco e desistiremos delas se necessário para garantir que a vida continue.

Mas não a vida pela vida. Reconhecemos que somente através da revolução podemos destruir o capitalismo e, sem a aniquilação total do capitalismo, a catástrofe climática é praticamente inevitável.

Jamais desistiremos de nossos ataques ao sistema. Nosso único arrependimento é que só tiramos uma foto e não pudemos atacar mais. Da próxima vez será ainda melhor!

Solidariedade com os Defensores Florestais de Atlanta. Solidariedade com as lutas na América Latina, a luta palestina e as lutas contra a exploração em todo o mundo.

Lembre-se dos mártires. E tumultue e lute até o fim pelos vivos!

Morte à América!

Tradução > Contrafatual

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um gato perdido
olha pela janela
da casa vazia

Jeanette Stace

[Suíça] Convocação de encontros anarquistas internacionais em St-Imier, julho de 2023

Por ocasião do 150º aniversário da primeira Internacional Antiautoritária, estão sendo preparadas encontros internacionais nas montanhas do Jura suíço. Eles acontecerão de 19 a 23 de julho de 2023 – com uma extensão de alguns dias para permitir tempo e espaço para encontros espontâneos.

Estamos fazendo este apelo para esclarecer o papel destes encontros, ou seja, nossas motivações concretas, assim como a forma como queremos organizá-las.

Em um mundo que parece neutralizar cada vez mais o protesto radical – entre repressão, recuperação e controle – parece necessário que nos encontremos fisicamente, como anarquistas, para refletir coletivamente sobre as questões que nos interessam – em particular sobre os desenvolvimentos políticos e sociais dos últimos anos – e para aprofundar ainda mais as críticas que nos emancipam; aprender mais sobre as lutas concretas que estão ocorrendo em todos os lugares, contadas por aqueles que as lideram; formar novas esperanças para o futuro; criar laços fortes entre diferentes grupos e indivíduos antiautoritários, fortalecer a solidariedade entre as lutas para além das fronteiras e fazer com que mais pessoas queiram se juntar a elas.

Na verdade, queremos antes de tudo falar sobre as lutas vivas. Não se trata de comemorar um evento histórico sem mais delongas, pois não teria sentido se não estivesse ligado à vida cotidiana das pessoas de hoje, a uma verdadeira tensão combativa contra o Estado e outras formas de dominação.

Estes encontros serão, portanto, uma oportunidade para compartilhar experiências, discutir estratégias e dar a conhecer suas lutas locais, sejam elas feministas, ambientais, antitecnológicas, antiprisão, antifascistas, anticapitalistas, antirracistas, antimilitaristas…; o que nos une é a visão antiautoritária.

Estas reuniões serão o que você faz delas. As atividades são organizadas de forma horizontal e descentralizada; em particular graças a um grande painel informativo que pode ser preenchido à mão no local, e também graças a uma ferramenta participativa online que você encontrará em organiz.anarchy2023.org. Basta acrescentar sua atividade proposta à agenda. A agenda permanecerá editável durante as reuniões. Haverá um grande prédio autogerido dedicado a atividades espontâneas.

Durante esses quatro dias, você encontrará reuniões de grupos que compartilham as mesmas prioridades (feminismo, saúde autônoma…, por exemplo), oficinas práticas, debates e numerosas e variadas apresentações. Como você pode ver, não haverá conferências oficiais, ou seja, planejadas pelo comitê organizador.

Haverá também grupos que oferecerão sessões de cinema, uma feira do livro e uma rádio anarquista.

Para as crianças, gostaríamos de ressaltar que haverá um grupo misto que cuidará das crianças todos os dias.

Outro grupo montará uma área de acampamento com um espaço separado para mulheres, transexuais e pessoas não binárias.

Outros grupos organizarão exposições, concertos, danças, etc.

A propósito: precisaremos de muitos voluntários no local, então inscreva-se com antecedência ou quando você chegar!

Mais informações em anarchy2023.org (o site é atualizado regularmente).

Por último: estamos cientes de que organizar um evento internacional deste tipo na Suíça, no país mais caro do planeta, envolve dificuldades financeiras e de visto. Para facilitar o acesso, criaremos uma plataforma de compartilhamento de carros. A maior parte do evento será gratuita ou “pague o que puder”, seja acampamento, refeições organizadas por grupos de cozinha internacionais ou concertos. E não hesite em nos contatar pelo correio se você tiver alguma dificuldade em obter um visto.

Viva a anarquia e nos vemos em breve!

Contato: info@anarchy2023.org

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Velho casarão.
Iluminam o interior
raios de luar.

Fanny Dupré

[Itália] Protesto contra os ataques do governo italiano aos arquivos anarquistas

Caros camaradas,

Nos últimos dias, emitimos uma declaração para responder aos recentes ataques ao Arquivo Histórico da Federação Anarquista Italiana, http://www.asfai.info/ e a todos os arquivos anarquistas, feitos pelo governo italiano. Com esta newsletter pretendemos também chegar aos nossos contatos internacionais. Além disso, aproveitamos para abordar as grotescas teorias sobre supostas relações entre a máfia e o movimento anarquista.

Os membros da comissão parlamentar da cultura pediram que fosse retirado todo o reconhecimento público (e financiamento) de qualquer arquivo que faça uma “apologia do terrorismo”, exigindo mesmo a intervenção do Ministério do Interior para identificar quaisquer documentos “perigosos” nas suas prateleiras a serem censuradas. Que tipo de papel cultural está previsto para os arquivos? Que ideia de história emerge dessas posições? Achamos apropriado responder a essas reclamações com a seguinte declaração, emitida no sábado, 4 de fevereiro:

Arquivos anarquistas, terrorismo e censura

Por Centro Studi Libertari – Archivio Giuseppe Pinelli

Na impossibilidade de contrariar a onda crescente de imbecilidade viciosa anti-anarquista que está a assolar a Itália, como Archivio Giuseppe Pinelli, não podemos, no entanto, conter-nos quando se trata das declarações, feitas por algum indivíduo pertencente à comissão parlamentar da cultura, sobre o Arquivo Histórico da Federação Anarquista Italiana (ASFAI). Estas declarações, embora indiquem apenas a ASFAI (provavelmente por simples incompetência; por mais difícil que seja identificar outras entidades), dirigem-se obviamente a todos os arquivos anarquistas.

Foi feito um pedido para retirar qualquer reconhecimento público (e financiamento) a qualquer arquivo que faça uma “apologia do terrorismo”, exigindo mesmo a intervenção do Ministério do Interior para identificar quaisquer documentos “perigosos” nas suas estantes, que, a seu ver, nada teria a ver com os “papéis históricos” que um arquivo deveria preservar.

O que emerge dessas declarações é, sem surpresa, uma concepção problemática de história e cultura, para dizer o mínimo. Acima de tudo, o trabalho cultural de um arquivo é mal interpretado como propaganda política. Se os arquivos não puderem preservar todos os documentos existentes relativos a um movimento político, ou referentes a um determinado período histórico, que tipo de história se acabaria por fazer? Poderíamos ter uma resposta, talvez: como revelam certas passagens do discurso de posse deste novo governo, há uma evidente paixão persistente por apagar ou reescrever páginas indesejadas da história italiana (poderia ser esclarecedor investigar, por exemplo, quais forças políticas estavam na Resistência e quais na República de Salò).

Um componente não secundário do raciocínio em relação à ASFAI é o axioma “anarquista é igual a terrorista”, que voltou aos holofotes nos últimos dias. Mesmo assumindo essa noção de “terrorismo”, que nesta época é aplicada com indiferença até mesmo a atos menores de “vandalismo”, como grafites políticos aterrorizantes, o que eles estão tentando transmitir? Que devemos queimar textos e documentos que falam de práticas e ideias violentas? E o que fazemos com os arquivos da história militar, então? O que fazemos com os institutos de história do Risorgimento, já que a maioria dos patriotas italianos pode ser considerada terrorista de pleno direito (a começar por Mameli, pai do hino nacional, mortalmente ferido nas barricadas da República Romana ao abrir fogo contra o poder vigente)?

Em outras palavras, deve o Ministério do Interior decidir quais documentos podem ser mantidos? Neste caso, assim como algumas denominações imaginativas foram inventadas para vários novos ministérios, o da Cultura também poderia se beneficiar, tornando-se, por exemplo, o Ministério da Cultura Autorizada.

A história do anarquismo – embora não seja, por razões óbvias, a história do estado italiano – é por direito próprio uma parte da história italiana, tanto pela contribuição dos anarquistas a momentos históricos decisivos quanto pela (muitas vezes não reconhecida) influência de seus conteúdos sobre a cultura mais geral. O Estado pode decidir plenamente não financiar a preservação desse patrimônio histórico e cultural – que, aliás, é em grande parte autogerido –, mas estamos curiosos para saber qual critério vai ser adotado na seleção das entidades a serem financiadas com o erário público. Isso será uma exceção para os anarquistas ou se estenderá a todas as “forças anti-establishment”? Porque, neste segundo caso, o que fazer com os institutos que tratam da história do fascismo (e que fique claro que não somos pela cultura do cancelamento)?

É sabido que a história é em grande parte escrita pelos vencedores, mas voltar a apoiar-se em declarações policiais ao falar sobre anarquistas – como está sendo feito agora – é realmente um sinal dos tempos. Que não são tempos de “terror”, mas de miséria política e heróis de papel machê.

Para ampliar ainda mais o texto anterior, aproveitamos para abordar as declarações grotescas do governo italiano sobre supostas relações entre a máfia e o movimento anarquista. Uma tese incompreensível, que talvez desajeitadamente tente esconder as consolidadas e estabelecidas relações e negociações entre o Estado italiano e políticos de todas as vertentes e níveis com o mundo do crime organizado. Você pode encontrar nossas considerações abaixo.

Estado, máfia e o movimento anarquista

Por Centro Studi Libertari – Archivio Giuseppe Pinelli

8 de fevereiro de 2023

Hoje em dia, a mídia italiana tem espalhado muita bobagem e informações deliberadamente imprecisas sobre o anarquismo. Uma em particular nos deixou atônitos: o Estado denunciou a existência de relações extremamente perigosas entre a máfia e o movimento anarquista. Segundo eles e várias declarações da polícia, um cartel subversivo-criminoso que visa derrubar as instituições estabelecidas está prestes a surgir. Em poucas linhas, uma distorção dadaísta da realidade digna do Ministério da Verdade de Orwell.

Na verdade, é curioso que sejam justamente os representantes do Estado que falam das relações entre a máfia e o movimento anarquista. No momento, não há nada remotamente relevante que demonstre esses laços: o único contato entre mafiosos e anarquistas parece ter ocorrido na prisão, algumas palavras trocadas durante o pátio. Agora, se mafiosos e anarquistas são encontrados juntos em prisões de segurança máxima é porque o Estado os colocou lá; com quem os prisioneiros de diferentes origens devem conversar durante sua única hora fora do confinamento, senão uns com os outros? Mas enquanto esta é a única prova de uma suposta associação máfia-anarquista, há evidências abundantes de relações e negociações – em muitos níveis – entre o estado e a máfia, e isso certamente deve preocupar a opinião pública.

A título de síntese, omitimos as notícias judiciais quase quotidianas sobre as relações estruturais entre o crime organizado e a política, transversais ao alinhamento político e disseminadas por todo o território. No entanto, recordemos que um dos partidos do atual governo foi co-fundado por Marcello Dell’ Utri, sobre cuja carreira criminosa não há dúvidas particulares (para não falar do mafioso empregado pelo ex-primeiro-ministro) e tem sido apurado que Andreotti manteve relações com a máfia até 1980 – seu advogado, que por acaso também é político de um dos partidos do governo, costumava ofuscar convenientemente a destituição por acusação de inocência.

Mas o fato mais flagrante é que o Estado negociou diretamente com a máfia, fato reconhecido também durante os julgamentos, no momento em que esta realizava – reais, não presumidos – atentados terroristas que causaram significativo derramamento de sangue, além de enganar e sabotar aqueles que tentou lançar luz sobre o assunto. Segundo os juízes, porém, “o fato não configura crime”, já que os responsáveis pela negociação, os carabinieri, “agiram no interesse do Estado”. Portanto, se devemos falar de convênios com a máfia, é nos aparatos do Estado que devemos olhar. Lá, encontraremos evidências concretas contra essas hipóteses grotescas, que não nos dizem nada sobre o anarquismo, mas muito sobre a estatura humana e política dos atuais servidores do estado e o funcionamento de suas estruturas.

centrostudilibertari.it

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

manhã
me ilumino
de imensidão

Giuseppe Ungaretti

[Chile] Embaixada da Itália em Santiago é alvo de protesto em apoio ao preso anarquista Alfredo Cospito

No contexto da convocatória e apoio internacionalista ao companheiro Alfredo Cospito e o fim do regime de tortura 41 bis, a solidariedade dos anarquistas e subversivos se manifestou diante da embaixada italiana em Santiago, na terça-feira (14/02).

Depois de romper o cerco policial, mais de 50 solidários e solidárias marcharam pelas ruas controladas pelos policiais com faixas, panfletos, cartazes e pichações, avançando até o Centro Cultural da Itália, seguindo a marcha até a avenida Providencia, cortando a rua e iniciando a intervenção repressiva da polícia.

Cada gesto revolucionário antiautoritário contra o que representa o isolamento e a tortura é um sopro de oxigênio libertário para Alfredo e sua luta contra a morte após 118 dias de greve de fome.

Internacionalismo antiprisão ativo!

agência de notícias anarquistas-ana

cortinas de seda
o vento entra
sem pedir licença

Paulo Leminski

Lançamento: “A liberdade prevalecerá: uma breve biografia política de Abdullah Öcalan”

É com profunda honra que hoje lançamos o livro “A liberdade prevalecerá: uma breve biografia política de Abdullah Öcalan“. Escrito pela Iniciativa Internacional – Liberdade para Öcalan, este livro conta a história da mais influente liderança do movimento curdo, cuja luta de libertação tem inspirado milhões de pessoas ao redor do mundo.

Desde a sua juventude, Abdullah Öcalan tem combatido por uma causa que muitos consideram impossível: a libertação do povo curdo, esmagado pelas políticas de assimilação dos Estados-nação localizados em seus territórios. Este livro revela a trajetória de Öcalan, desde seus primeiros dias como estudante-ativista até seu sequestro em 1999, que coroou a Conspiração Internacional, quando foi condenado à morte, convertida em prisão perpétua por suas atividades políticas. Apesar disso, mesmo atrás das grades, Öcalan continuou a liderar a luta de libertação do povo curdo, inspirando outros ativistas a seguir seus passos.

“A liberdade prevalecerá” é uma leitura imprescindível para compreender a questão curda e a necessidade urgente de libertação física de Öcalan, oferecendo uma visão única sobre a vida e obra de um líder cuja influência transcende fronteiras estabelecidas pela modernidade capitalista.

O livro compõe a coleção “Textos essenciais“, tendo o valor de R$5,00 na compra de quaisquer outros livros que não façam parte da mesma coleção. Para as primeiras encomendas, acompanhará o pôster exclusivo “Liberdade para Abdullah Öcalan“.

Download e encomendas pelo link da bio ou em https//linktr.ee/tsa.editora

Esta pequena biografia política de Abdullah Öcalan tenta dar uma visão geral de sua vida. Neste pequeno texto se verá repetidamente que, durante mais de quarenta anos, Öcalan, as mulheres curdas e o povo em geral têm usado suas palavras e ações para mostrar que a liberdade prevalecerá. Junte-se a eles para levantar sua voz e junte-se a nós em nossos esforços para fazer prevalecer a liberdade tanto para os curdos quanto para Abdullah Öcalan“. (Iniciativa Internacional)

agência de notícias anarquistas-ana

nas ondas cintila o luar.
longas algas,
verde cabelo do mar

Alaor Chaves

 

[Alemanha] Caminhão da Amazon é incendiado – Alfredo Libero!

Na manhã de sábado (11/02), a imprensa noticiou um caminhão incendiado em Mitte. A polícia não relatou qualquer coisa. O que também não foi dito é que se tratava de um veículo da Amazon. Provavelmente por bons motivos, pois parece haver um número crescente de ataques a empresas e infraestrutura que se beneficiam das atuais “crises” às custas do povo em geral e do meio ambiente. Tanto através da transformação digital da economia como através do estabelecimento de um capitalismo verde. Uma maior difusão de tais atos dificilmente é do interesse da assessoria de imprensa da polícia. Mas está na nossa.

Portanto, estamos agora compartilhando estas informações para preencher a lacuna de notícia. Na verdade, não há necessidade de explicar por que a Amazon se torna o alvo de nossa raiva. Tudo o que nos provoca a atacar o gigante da tecnologia já foi escrito em detalhes em cartas de declaração por companheiros antes de nós.

Farbe, Steine und Feuer gegen Amazon

Baukran auf Amazon-Baustelle abgebrannt

25 Amazon-Lieferwagen abgefackelt

Mas agora que estamos falando, queremos usar a atenção para enfrentar a situação dizimadora de Alfredo Cospito, que está sendo mantido incomunicável na Itália. Alfredo está em greve de fome há mais de 110 dias a fim de obter um afrouxamento das condições especiais de detenção. Ao fazer isso, parece que o governo italiano está deixando-o morrer à plena vista do público. Um anarquista prisioneiro luta por alguma dignidade e a democracia mostra sua verdadeira face, que se parece muito com o fascismo. Sem surpresas, mas muito revelador.

Alfredo Libero!

Que se foda Bezos, que se foda a Amazon – Lute contra a Torre!

Fonte: https://de.indymedia.org/node/259164

agência de notícias anarquistas-ana

Nem uma brisa:
o gosto de sol quente
nas framboesas

Betty Drevniok

[EUA] Ann Arbor, Michigan vai às ruas em solidariedade a Tortuguita

Relatório sobre a manifestação de Ann Arbor, MI, em solidariedade a Tortuguita e ao movimento Stop Cop City.

No último sábado, um grupo de 100 pessoas se reuniu em frente ao prédio comercial da Merrill Lynch para compartilhar memórias, lágrimas e vingança por Tortuguita. A multidão era composta de militantes, principalmente de preto da cabeça aos pés. A marcha tomou a State Street e depois desfilou atrás de uma concessionária Porsche, que financia a fundação da polícia de Atlanta.

A multidão se envolveu em expressões de pesar, incluindo pintar carros luxuosos com spray e cortar os pneus de mais de 40 carros que estavam esperando para serem vendidos. Placas foram deixadas para trás na Porsche e na Merrill Lynch afirmando: “Cop City nunca será construída” e “Você financia assassinato policial”. Nenhuma prisão foi feita.

As pessoas discutiram o projeto Cop City e como ações diretas podem ser tomadas localmente para detê-lo. Stopreevesyoung.com foi discutido como um recurso listando as empresas (e as pessoas que as dirigem) que lucram com o assassinato de Tortuguita. Stopapf.noblogs.org lista as empresas que financiam esse assassinato e desejam financiar mais assassinatos policiais de pessoas como nós e de nossos entes queridos.

Nós te amamos Tort, e nunca vamos parar de lutar pelo mundo em que você acredita.

Fonte: https://itsgoingdown.org/ann-arbor-michigan-takes-to-streets-in-solidarity-with-tortuguita/

Tradução > Contrafatual

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agência de notícias anarquistas-ana

Olhando bem
O cafezal, na verdade,
São laranjeirinhas…

Paulo Franchetti

[Nova Zelândia] Feira de Livros Anarquistas de Tāmaki

Estamos muito animados para anunciar oficialmente a PRIMEIRA feira de livros anarquistas em Tāmaki (Auckland)!

Depois de ter que adiar devido ao covid em 2020, estamos de volta!

Apresentando palestras, workshops, barracas, música, jogos, livros e muito mais, este é um festival 100% GRATUITO para todas que desejam ideias alternativas e fortalecem pessoas para a mudança em um mundo em chamas. Todas são muito bem-vindas, quer você se considere anarquista ou não.

Programa completo a ser divulgado mais perto da data. Haverá também uma programação infantil paralela! Não é necessário fazer inscrição, basta comparecer no dia. O local é totalmente acessível.

Se você gostaria de contribuir com uma barraca ou oficina ou qualquer outra coisa, envie um e-mail para tamakianarchistbookfair@gmail.com

No Mt Albert (anti) War Memorial Hall

17 de março a partir das 18h | 18 de março a partir das 9h

Sugerimos fortemente para sua segurança e de outras pessoas o uso de máscara em ambientes fechados e o distanciamento social sempre que possível. Isso pode estar sujeito a alterações dependendo das circunstâncias mais próximas do evento.

www.tamakianarchistbookfair.com

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Disseram-me algo
a tarde e a montanha.
Já não lembro mais.

Jorge Luis Borges

[França] Claude Guillon: 1952-2023

Salut Claude!

Em 19 de janeiro de 2023, nosso amigo Claude Guillon se foi.

Foi o câncer que o venceu aos 70 anos (ele nasceu em Paris em 17 de setembro de 1952). Ele nos manteve informados sobre o progresso de sua doença em seu blog. Seus boletins de saúde regulares eram reservados para “aqueles que realmente se importam!”

Não podemos reduzir Claude a ser apenas o co-autor de Suicide mode d’emploi (1982), um livro que causou escândalo, mas que também teve muitos leitores (mais de 100.000 exemplares vendidos antes de sua proibição).

Ele estava interessado no direito de escolher a hora e os meios de sua morte, é claro. Mas ele tinha muitos outros centros de interesse: a psicanálise, os direitos dos menores, a liberdade do corpo, certas práticas sexuais (em particular a sodomia), a Revolução de 1789 (vista de baixo), o reconhecimento da dor (especialmente das crianças), as falhas da democracia, as lutas dos migrantes indocumentados, a oposição a todas as guerras…

Expressou suas ideias em uma dezena de livros, em jornais (notadamente Mordicus na década de 1990), em folhetos e dois blogs, um generalista Ligne de force, outro dedicado à Revolução Francesa, La Révolution et us.

Ele era um anarquista, definindo-se como um comunista libertário. Ele havia reunido um grande número de textos em um livro publicado em 2015, “Comment peut-on être anarchiste?“. Ele veio apresentá-lo ao CIRA (Centro Internacional de Pesquisas sobre o Anarquismo) em 19 de setembro de 2015. Tendo encontrado acomodação em Marselha, ele nos visitou várias vezes depois disso. Ele apoiou nossas atividades e divulgou nossas informações.

Vamos nos lembrar dele como um companheiro solidário e generoso…

CIRA de Marselha

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agência de notícias anarquistas-ana

fruta caída
ao lado da estrada:
pausa na ida

Carlos Seabra

Memória | O Militante Baiano Que Apresentou As Ideias Socialistas Para Edgard Leuenroth

Por Marcolino Jeremias

Numa fase embrionária em que os grupos anarquistas e socialistas estavam em formação no Brasil, era muito frequente e corriqueiro que militantes das duas vertentes escrevessem para os mesmos jornais, organizassem conferências e manifestações juntos, em datas como o 1º de Maio ou no aniversário da Comuna de Paris. Isso muda um pouco com a formação do primeiro Partido Socialista Brasileiro em 1902, quando as divergências políticas se aprofundam.

Ainda nessa primeira fase de formação dos grupos políticos específicos e de organização dos primeiros sindicatos de resistência no Brasil, o jovem Edgard Leuenroth (que mais tarde se tornaria um emblemático militante anarquista) foi apresentado as ideias socialistas por um militante baiano, segundo as palavras do próprio Leuenroth: “Ao deixar o curso escolar, em princípio, empreguei-me como menino de escritório, para limpeza, recados, etc., do corretor de títulos Leonidas Moreira, na rua do Comércio, hoje Álvares Penteado. Ali ouvi, pela primeira vez, discutir-se sobre o socialismo, em consequência da presença de um homem que participou dos iniciais movimentos dessa ideologia em nosso meio. Estevam Estrella era o seu nome. Baiano corpulento, evidenciando-se inteligente e culto, falava com desembaraço nordestino. Logo a sua chegada, transformava-se o escritório em centro de animadas tertúlias. Mais tarde, por ocasião de um passeio à Cantareira, tornei a vê-lo sobre uma mesa, com a camisa aberta mostrando avantajada musculatura. Discursava a propósito de problemas sociais“.

Estevam Estrella havia nascido na Bahia e trabalhava como corretor em São Paulo. Ao conhecer as ideias socialistas, passou a participar ativamente das movimentações sociais ainda nos últimos anos do século XIX. Era um exímio orador e devido sua militância social chegou a ser preso junto com anarquistas como Gigi Damiani, numa manifestação recordando os mártires de Chicago. Viveu em Santos durante algum tempo, onde novamente foi preso.

Segundo a publicação anarquista Kultur, era um ‘socialista revolucionário com tendências anarquistas’. Mesmo após a fundação do PSB, continuava não acreditando na eficácia da disputa eleitoral como agente transformador da sociedade. Após abraçar as ideias de emancipação social, Estevam Estrella foi perseguido tanto pelas autoridades como pela burguesia de sua época. Por causa disso, teve muitas dificuldades para exercer o seu ofício. Morreu na miséria. Nem tudo estava relacionado ao eixo São Paulo x Rio de Janeiro, nem tudo era italiano, estrangeiro, nem “flor exótica” como afirmavam as autoridades brasileiras (com o objetivo de combater o anarquismo), ou como parte da historiografia oficial permanece repetindo durante décadas!

agência de notícias anarquistas-ana

cerveja gelada
amigos no boteco
palavra molhada

Carlos Seabra

 

[EUA] Feira das profissões da Universidade de Michigan é interrompida por antimilitaristas

A seguir, relatório de Michigan sobre ação antimilitarista na Universidade de Michigan.

Na quarta-feira, 9 de fevereiro de 2023, a Universidade de Michigan deu as boas-vindas a vários recrutadores militares e do governo em sua Feira das Profissões em Ann Arbor. A Marinha dos EUA, a Agência de Segurança Nacional e outras organizações militaristas receberam estandes para promover o imperialismo e a ocupação dos EUA – e para recrutar muitos jovens estudantes para suas fileiras.

Em protesto, uma série de distúrbios contra esses recrutadores ocorreu ao longo do dia. Várias pessoas passaram pelo balcão de registro carregando faixas que diziam “Pare Camp Grayling” e cantando “Sem prisões, sem fronteiras, foda-se sua lei e ordem”, enfatizando o plano do Exército de expandir uma instalação de treinamento da Guarda Nacional já enorme e prejudicial ao meio ambiente em Grayling, Michigan. As ações convergiram em uma manifestação fora da feira das profissões, onde os manifestantes gritavam “Stop Cop City” (Pare a Cidade Policial) e “Fascista, racista até o fim, Exército dos EUA, vá embora!” e distribuiu panfletos aos novos alunos para alertá-los contra o trabalho para a máquina de guerra dos EUA.

Outro grupo borrifou corante alimentício vermelho nos monitores da NSA e da Marinha dos Estados Unidos e foi detido por várias horas enquanto a polícia da universidade se recusava a dar informações sobre seu paradeiro ou status a amigos e apoiadores preocupados. Eles acabaram sendo libertados, mas isso apenas demonstra como a Universidade de Michigan continua a apoiar o complexo industrial militar mantendo detidos ilegalmente por um longo período de tempo e recusando-se a fornecer informações sobre eles a pessoas de fora.

Não vamos ficar parados enquanto a Universidade de Michigan continua a apoiar e recrutar pessoas para o complexo militar-industrial dos EUA. Não vamos ficar parados enquanto o estado expande sua capacidade de reprimir brutalmente nossas comunidades, expandindo Camp Grayling em Michigan e construindo Cop City em Atlanta.

2, 4, 6, 8, FODA-SE O ESTADO POLICIAL!

>> Para mais informações sobre a luta contra Camp Grayling, clique aqui: https://thefinalstrawradio.noblogs.org/post/2022/11/06/stop-camp-grayling/

Fonte: https://itsgoingdown.org/university-of-michigan-career-fair-disrupted-over-military-recruiters/

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Longe um trinado.
O rouxinol não sabe
que te consola.

Jorge Luis Borges

[Espanha] Somente o povo salva o povo

O terremoto que devastou regiões do Curdistão, Turquia e Síria nas primeiras horas da segunda-feira, 6 de fevereiro, deixou dezenas de milhares de pessoas mortas, feridas e desabrigadas. Segundo os números de sexta-feira 10 de fevereiro, mais de 22.000 pessoas já estão mortas. Na Turquia e em Bakur (Curdistão do Norte) há mais de 18.300 mortos e mais de 74.000 feridos e na Síria e Rojava (Curdistão Ocidental) mais de 4.100 mortos e 4.000 feridos. Espera-se que o percentual continue a aumentar nos próximos dias.

Essas terríveis consequências não são apenas naturais, elas são o resultado da negligência e opressão da população curda e da população trabalhadora que vive em edifícios inseguros e o efeito da política de destruição das aldeias curdas que levou a população para as cidades em condições de moradia inadequadas.

Há muito tempo também há avisos da comunidade científica sobre uma catástrofe nesta região, mas eles têm sido ignorados pelo governo turco.

As pessoas mais afetadas são aquelas que sofrem diariamente com a guerra e a opressão do Estado. Eles também são agora vítimas da má administração da crise pelo governo turco, que admitiu uma resposta lenta à emergência e até mesmo que alguns dos edifícios desmoronados não cumpriram as normas de materiais de construção, em um setor onde irregularidades foram cometidas para obter ganhos financeiros.

Em Rojava e na Síria, onde cerca de 4.000 pessoas morreram, a ajuda também é bloqueada pela limitada travessia da fronteira através da Turquia e pelas dificuldades colocadas pelas forças de ocupação. As quadrilhas jihadistas controlam áreas como o Afrin e bloqueiam a ajuda da Administração Autônoma do Norte e Leste da Síria e apreendem a ajuda humanitária que grupos auto-organizados coletam para ajudar os afetados.

Além disso, áreas como os campos de refugiados de Shehba, que fugiram da ocupação de Afrin e onde mais pessoas fugiram das áreas atingidas pelo terremoto, foram bombardeadas pelo estado turco apenas 24 horas após o terremoto.

Diante desta falha em fornecer uma resposta adequada dos Estados a uma situação de emergência, é a população que tomou as ruas, que se auto-organiza para fornecer ajuda, abrir suas casas, atender as necessidades mais básicas diante do frio e do desespero que assola a região.

A CGT é solidária com as pessoas e povos afetados do Curdistão, Turquia e Síria e pedimos todo tipo de apoio, como divulgação, denúncia, demanda para expandir os esforços de resposta e apoio financeiro às organizações locais que estão no terreno com as pessoas afetadas.

Deixamos algumas das contas onde você pode fazer doações que vão para organizações locais, sem passar pelas redes dos estados e que nos mostram, mais uma vez, que só o povo salva o povo.

Heyva Sor Kurdistane: Kreissparkasse Cologne. IBAN: DE49370502990004010481. BIC/SWIFT : COKSDE33XXX

Campanha de ajuda humanitária da CIEMEN através da OSAD e Göç-Der: ES6521000788680200178546.

Fonte: Secretaria de Relações Internacionais da CGT

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/02/10/turquia-declaracao-conjunta-dos-anarquistas-turcos-vamos-construir-a-solidariedade-e-a-luta-contra-esta-ordem/

agência de notícias anarquistas-ana

o céu resfria
a lua vestiu
uma charpa de bruma

Rogério Martins

Lançamento: “Manifesto da Juventude”, do Movimento Revolucionário Juvenil Curdo

É com muita honra que lançamos a obra “Manifesto da Juventude“, resultado de um esforço coletivo do Movimento Revolucionário Juvenil Curdo. No livro, explora-se a história da juventude, assim como seu paradigma político e ideias, e com ele, temos pela primeira vez em português uma grande oportunidade de entender, a partir da perspectiva da juventude revolucionária curda, o papel dos jovens ao longo da história, sua participação nas diferentes lutas internacionalistas e suas funções para a construção do Confederalismo Democrático. Através do inspirador “Manifesto da Juventude”, é possível, por fim, criar novas pontes entre organizações de juventude e traçar tarefas em conjunto para sepultar a modernidade capitalista e construir, coletivamente, a modernidade democrática.

A obra, com 206 páginas, tem o valor de R$25,00 e frete grátis para todo o país. Durante o lançamento do livro, você ainda receberá o pôster “Resistência é Vida”.

Encomendas em https://linktr.ee/tsa.editora

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folia na sala
no vaso com flores

três borboletas

Alonso Alvarez