A mensagem de solidariedade dos anarquistas do Irã e do Afeganistão ao camarada prisioneiro Alfredo Cospito, prisioneiro de Bis41

Esta mensagem é a declaração de solidariedade dos anarquistas da região do Irã e Afeganistão ao camarada anarquista Alfredo.

Nós, os anarquistas do Irã e do Afeganistão, do coração da luta contra o estado teocrático, capitalista, patriarcal e oligárquico de classe, declaramos nossa solidariedade ao nosso camarada preso Alfredo Cospito e expressamos que estamos ao seu lado e outros camaradas anarquistas que fazem tremer os governos, onde quer que estejam nesta terra.

Acreditamos que nossa luta comum contra o autoritarismo e todas as formas de terrorismo de estado nos aproximará de um mundo melhor.

Com o fardo de anos de tortura e prisão em nossos ombros, lamentamos profundamente o sofrimento imposto a você e aos nossos companheiros anarquistas que foram perseguidos, torturados, presos e mortos por governos ao redor do mundo. Entendemos e estamos prontos para responder diretamente às instituições judiciais fraudulentas, que se aproveitam ao máximo da sordidez da humanidade em todos os cantos do mundo e a tornam reacionária.

O medo que os governos têm de nossa resistência social e solidariedade global é incomparável a qualquer outra coisa. Somos o pesadelo dos governos; por isso, eles nos acusam e nos prendem onde quer que estejamos para que possam nos destruir. Mas, quando um de nós é acorrentado por qualquer governo, nossa determinação coletiva e resistência para combater o terrorismo de estado são duplicadas.

Acreditamos que o internacionalismo nos levará ao nosso objetivo final: liberdade da autoridade, exploração e escravidão.

Nós, anarquistas queer homens e mulheres do Irã e do Afeganistão, que foram torturadas por governos patriarcais e reacionários durante toda a vida, ainda estamos de pé, resistindo e lutando. Hoje, enviamos a você e aos nossos outros camaradas presos uma mensagem de solidariedade da região onde a voz da revolução “Mulher, Vida, Liberdade” arrepiou todos os sistemas autoritários.

Estamos com você, camarada Alfredo, e os outros companheiros presos. Todos elogiamos sua resistência e comprometimento com a causa comum. Honramos sua luta e a de nossos outros camaradas na Itália e no mundo. Vocês têm nossa absoluta e total solidariedade, convicção e esperança para nossa vitória coletiva.

Morte ao Estado
Viva a Anarquia

Fonte: https://asranarshism.com/1401/11/22/solidarity-message-for-comrade-cospito-en/

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Mal o dia clareia
a passarada
em coro chilreia

Eugénia Tabosa

[Itália] Atualização | Cospito: transferência para hospital e declaração da procuradoria sobre o 41 bis

Na manhã de ontem, dia 11 de fevereiro, o anarquista Alfredo Cospito foi transferido da prisão Opera de Milão para o hospital San Paolo por ordem do ministro da Justiça Carlo Nordio. Algumas horas depois, companheirxs tomaram as ruas da cidade com uma manifestação em solidariedade a ele, que segue firme em sua greve de fome iniciada no dia 20 de outubro de 2022 contra o regime de isolamento 41bis. O ato terminou em enfrentamento com a polícia e nos chegam informes de que há pessoas detidas.

A noite, como afirma La Repubblica (imprensa do inimigo), o procurador-geral substituto Piero Gaeta, da corte de “Cassazione” (tipo de Suprema Corte italiana), instância que tem até o dia 24 de fevereiro para julgar a manutenção ou não do companheiro no regime de isolamento, afirmou ao jornal que planeja anular a sua aplicação contra Alfredo.

Cinco horas após sua transferência a uma ala do hospital destinada a receber presxs do 41bis, ele foi visitado por sua médica de confiança, Andrea Crosignani, que informou após vê-lo: “Neste momento, Cospito pesa 71 kg e há o risco de edema cerebral e arritmia cardíaca potencialmente fatal. Sua condição é séria. Está lúcido e acordado, caminha sozinho, mas pode não demorar muito para a situação se acelerar sem algum tipo específico de sinal de alerta”. E o companheiro afirmou mais uma vez que não pensa em abandonar sua mobilização enquanto sua exigência não for atendida.

A declaração de Gaeta ao jornal seria somente um jogo de cena? Seria esta uma armadilha para acalmar as mobilizações que se espalham pelo planeta? Não há respostas para estas questões. A única certeza é que o Estado, por meio de sua justiça asquerosa e de sua polícia assassina, quer ver nosso companheiro morto. E nós… deixaremos isso acontecer?

Fonte: https://edicoesinsurrectas.noblogs.org/post/2023/02/12/cospito-transferencia-para-hospital-e-declaracao-da-procuradoria-sobre-o-41-bis/

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/02/08/italia-de-uma-cela-em-41-bis-um-anarquista-faz-tremer-um-estado/

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pote virado –
a terra e o gato bebem
o leite derramado

Milijan Despotovic

[Espanha] Diante de uma espionagem inescrupulosa, nossa solidariedade não conhece limites.

Da CNT Centro queremos responder ao apelo de apoio mútuo das pessoas e organizações afetadas pelo policial infiltrado.

Em 30 de janeiro de 2023, após uma investigação do jornal La Directa, surgiram notícias de um infiltrado policial nos movimentos libertários, sociais e de base, que, mais uma vez, volta a sujar nossos espaços.

Esta é uma das formas de violência que o Estado exerce contra nós. Alguns são tão evidentes que nos deixam com costelas quebradas, desabrigados ou privados de nossa liberdade. Outros são mais sutis e nos impedem de conseguir o sustento através de suas políticas de bem-estar e trabalho, nos fazem adoecer progressivamente com listas de espera ou nos impedem de falar com nosso vizinho, removendo o banco na rua. Todos eles têm como objetivo subjugar, controlar e privar a classe trabalhadora de organização e luta.

Nosso apoio, solidariedade e afeto a todas as pessoas que foram afetadas por esta infiltração policial.

O Estado entrou em nossos espaços seguros, e eles têm que fazê-lo com mentiras e enganos, porque sabem que são inimigos do povo que está tentando criar uma sociedade mais justa e livre. Eles nos espionaram como se fôssemos criminosos, nos arquivaram e tentaram nos manipular. Até hoje, o Centro de Defesa dos Direitos Humanos Irídia e o sindicato CGT apresentaram queixas contra o infiltrado, seu superior e o Ministério do Interior por supostos crimes de abuso sexual, contra a integridade moral, revelação de segredos e impedimento ao exercício dos direitos cívicos.

Eles querem semear a dúvida e o medo com a pessoa ao nosso lado, para nos deixar desconfiados, para fazer com que a organização não seja aberta, para nos fazer voltar a ser grupos marginais que não confiam em ninguém. Mas isto não pode e não vai acontecer porque nossa luta é legítima e necessária.

Já nos anos 2000 os sindicatos da CNT em Madri sofreram outra infiltração de um policial que se chamava “Fernando Perez Lopez”, atacando também a privacidade de nossa militância, por isso temos plena empatia com os camaradas que sofreram esta situação novamente. Permanecemos atentos em nossa organização à situação de indefensabilidade de nossas camaradas, “Las seis de la Suiza”, que estão sendo solicitadas a cumprir anos de prisão por exercerem uma solidariedade ativa.

Na CNT Centro, estamos claros de que a repressão vai além de siglas, pessoas e ideias, que solidariedade não é apenas uma palavra e que “se eles tocam uma de nós, eles nos tocam a todas” não é apenas um slogan.

Muita força para todas as pessoas e organizações que sofreram este ultraje do aparelho repressivo do Estado espanhol.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/frente-al-espionaje-sin-escrupulos-nuestra-solidaridad-sin-limites/

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/02/08/espanha-dani-o-segundo-policial-infiltrado-no-ativismo-catalao-descoberto-por-la-directa/

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Sobre o telhado
flores de castanheiro
ignoradas.

Matsuo Bashô

[EUA] O papel das impressoras e prensas no movimento anarquista tem destaque em novo livro

Impressoras tipográficas e prensas anarquistas do final de 1800 até a década de 1940 são o foco de um novo livro da uma integrante do corpo docente do Departamento de Ciências Políticas e do Departamento de Estudos sobre Mulheres, Gênero e Sexualidade da Universidade do Havaí, em Mānoa.

O anarquismo é um movimento político que é cético em relação a todas as justificativas para a autoridade e considera desnecessárias todas as formas de autoridade governamental. Ferguson mostra como anarquistas organizaram texto, tinta, imagens, marcadores gráficos e espaços em branco no design de uma página. Sua extensa correspondência com companheiras anarquistas e a publicação de suas ideias radicais uniram os movimentos anarquistas descentralizados. Ao mergulhar mais fundo nas práticas da cultura impressa anarquista, Ferguson aponta possíveis métodos para cultivar a resistência política contemporânea.

“Anarquistas organizaram um movimento político notável em grande parte por meio de sua cultura impressa: escrever, imprimir, distribuir, ler e arquivar suas publicações os uniu. Seu sucesso sugere que o ato de fazer coisas juntas gera energia política”, disse Ferguson.

Ferguson é autora de vários livros, incluindo Emma Goldman: Political Thinking in the Streets, que trata de uma figura central no movimento anarquista. Ela está trabalhando em outro livro sobre mulheres no movimento anarquista cujas contribuições foram subestimadas ou perdidas. O objetivo de Ferguson ao escrever esses dois livros é trazer as mulheres mais plenamente para o anarquismo e, ao mesmo tempo, trazer o anarquismo mais plenamente para o feminismo. Ela espera trazer à luz essas histórias radicais para tornar nossa compreensão delas mais robusta, para que possamos usá-las melhor hoje.

O Departamento de Ciência Política e o Departamento de Estudos sobre Mulheres, Gênero e Sexualidade estão sediados no Colégio de Ciências Sociais da Universidade do Havaí de Mānoa.

Fonte: https://www.hawaii.edu/news/2023/01/20/politics-of-anarchist-print-culture/

Tradução > Contrafatual

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brasa do tempo
acende quando passas
no pensamento

Carlos Seabra

Nova marca da Editora Monstro dos Mares

Criar uma nova marca é uma tarefa de arrepiar. Desde 2013 a Editora Monstro dos Mares utilizava essa marca criada na correria pelo James. Agora, depois de alguns meses de boas conversas e encontros, o Estúdio Suco Gráfico criou essa simpática impressorinha, uma máquina que agita as ideias das turbulentas águas da publicação independente. Nossa tarefa como editora é promover o livro e a leitura através de impressões artesanais e o compartilhamento gratuito de arquivos dos livros. O artista Felipe Risada captou os sentimentos que emergem da nossa atividade e personalidades e colocou a nova marca para navegar.

Esse robozinho chegou para dar início às celebrações dos 10 anos da Monstro dos Mares. O Risada apresentou essa personagem como uma representação daquilo que sentimos que somos. Uma turma divertida de amizades que tornam os livros e zines possíveis na base do faça-você-mesma. A impressorinha se agita quando encontra novas ideias para fazer com que possibilidades possam chegar às mãos de monas, minas e manos de todas as quebradas. Fortalecer a leitura, a autoinstrução e o compartilhamento.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://monstrodosmares.com.br/informes/nova-marca-da-editora-monstro-dos-mares/?fbclid=IwAR3rJ1bQHlrxBX_WQmmrG5FJabBO-otQhFj9cNJB2RyEVKKSFgRyZjpNlik

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Saltando da mesa
a tulipa
foi passear

Eugénia Tabosa

[República Checa] Em memória de Filip Rusina, 38

No domingo, 11 de dezembro, Filip Rusina, um anarquista e antifascista de Frýdek-Místek, se foi para sempre. Dediquemos-lhe um breve memorial.

Desde a juventude, Filip atuou no underground musical e, na virada do milênio, tocou em várias bandas punk. No entanto, o punk não era apenas uma forma de passar o tempo livre, Filip também percebia sua dimensão política. Ele sempre foi um antifascista estrito e, apesar de muitos conflitos com neonazistas, nunca abandonou sua postura inequívoca. Embora ele estivesse frequentemente à margem da sociedade, como anarquista ele nunca esqueceu aqueles que estavam igual, senão pior socialmente. Mesmo com recursos próprios mínimos, Filip foi um participante ativo de longa data do coletivo Frýdek-Místek Food Not Bombs, onde atuou principalmente como um elo de ligação entre ativistas e pessoas que vivem nas ruas. O trabalho do FNB local durante a pandemia, quando o estado abandonou completamente os mais pobres, merece grande reconhecimento.

Quando a Federação Anarquista de Ostrava foi fundada, ele estava ativamente envolvido em suas atividades. Ele esteve ativamente envolvido na questão da ocupação política, mas não se esqueceu de apoiar os presos políticos no caso Phoenix. Em 2020, Filip juntou-se ao sindicato Iniciativa dos Trabalhadores, onde pôde partilhar a sua experiência como trabalhador de rua e sobre as condições gerais de trabalho na área social. Gradualmente, porém, os problemas de saúde de longo prazo de Filip o atingiram, e as geadas de dezembro no final deste ano foram fatais.

Philip foi um exemplo de homem que lutou por suas convicções até o fim. Ele não mediu palavras, disse o que pensou, foi contra a maré.

Honre sua memória.

No pasaran!

De Anarchistické Federace:

A memória de Filip também foi honrada por seus amigos da subcultura hc-punk local. Na terça-feira, 20 de dezembro, em homenagem ao amigo recém-falecido, eles organizaram uma festa barulhenta na sala de ensaios do Art Club em Frýdek-Místek. Bandas de Frýdek e arredores tocaram no evento sob a bandeira preta e vermelha: Aqva Silentia, D-Mentality, Unrest e Backfliping Dog. Uma recitação de slam lembrando Filip como um punk rodeado de amigos também foi uma despedida única: “Não, não vamos chorar agora. Eu vou rir, até Filip riria se estivesse aqui. Então vamos enxugar as lágrimas e brindar as canecas, shots e copos uns dos outros e lembrar de nossos amigos e irmãos – alguns em voz alta, outros em silêncio.” Também houve petiscos do Food Not Bombs. Foram convidados tanto aqueles que conheceram Filip como aqueles que estiveram próximos do seu gosto musical e atitudes sociais, ou para quem ele preparou pratos quentes por seis anos no coletivo FNB local. A entrada foi gratuita, com a condição de que qualquer valor dado voluntariamente na entrada fosse destinado para os filhos de Filip.

Fonte: https://oafed.noblogs.org/post/2022/12/19/na-pamatku-filipa-rusiny/

Tradução > Contrafatual

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Atrás do portão
um latido afoito
chegamos junto com a noite

Winston

[Turquia] Declaração conjunta dos anarquistas turcos: Vamos construir a solidariedade e a luta contra esta ordem

Em 6 de fevereiro, anarquistas de diferentes cidades emitiram uma declaração conjunta após o terremoto. Aqui está a declaração completa publicada na conta de mídia social Sandıkta Çözülmez (Insolúvel nas urnas):

Vamos construir a solidariedade e a luta contra esta ordem

Em 6 de fevereiro, fomos abalados por dois terremotos, um às 4h17 no distrito de Pazarcık em Maraş com magnitude de 7,7 e outro às 13h24 no distrito de Elbistan de Maraş com uma magnitude de 7,6. Mesmo de acordo com declarações oficiais, já estamos enfrentando um desastre no qual milhares de pessoas perderam a vida, milhares ficaram feridas e centenas de milhares de pessoas foram diretamente afetadas.

Embora os terremotos sejam eventos naturais, o que acontece a seguir está além de um desastre “natural” inevitável. Em primeiro lugar, deve-se enfatizar que a centralização, a densa urbanização e a metropolitanização causadas pelo capitalismo estão na raiz da razão pela qual os terremotos são tão destrutivos. No entanto, este terremoto revelou mais uma vez as consequências do desenvolvimento capitalista na Turquia nos últimos anos, baseado em imóveis, aluguel e pilhagem.

Apesar dos alertas dos cientistas há anos, apesar do fato de que se sabia que haveria um grande terremoto naquela região em um futuro próximo e o que deveria ser feito, o fato de que nada foi feito e a continuação da construção descontrolada e não planejada, apesar das chamadas leis do terremoto, convidaram este desastre. Hospitais, delegacias de polícia e edifícios de poucos anos foram destruídos, estradas e pontes inutilizadas.

O desastre foi agravado pela “performance” do Estado após o terremoto. Embora o primeiro dia tenha sido muito crítico, o Estado não utilizou uma parte significativa de seus meios. O tão alardeado aparato militarista maciço não agiu quando a vida das pessoas estava em jogo; equipes de busca e salvamento e ajuda não conseguiam chegar a muitos lugares, mesmo depois de horas.

Enquanto o Estado não mobilizava o seu poder, despertavam-se os naturais sentimentos de solidariedade que bem sabemos existir entre os trabalhadores, os oprimidos e os povos. Milhares de pessoas se mobilizaram com recursos próprios para resgatar pessoas sob os escombros e se solidarizar com as vítimas do terremoto. Em muito pouco tempo, iniciou-se uma enorme mobilização de solidariedade social por todo o país.

Enquanto as pessoas lutavam por suas vidas, o governo novamente recorreu aos métodos usuais para se isentar de responsabilidade. Junto com o discurso de que a Turquia é uma zona de terremotos e que esses desastres são quase o destino, uma representação de “luto nacional” foi colocada no palco, embelezada com a leitura na sala da mesquita, chamando aqueles que perderam a vida como “mártires”. Mais uma vez, eles tentam esconder os interesses das classes dominantes por trás do nacionalismo.

Por outro lado, os empreiteiros que construíram prédios com materiais ruins em locais inadequados, os oportunistas que esconderam as necessidades básicas e as venderam a preços exorbitantes, e aqueles que não viram que esse sistema nos roubou a vida, não hesitaram em acusar vítimas do terremoto de roubos e saques porque levaram a comida e os materiais de resgate de que precisavam. Alguns fascistas, tentando encobrir o que o Estado fez e não fez, nem mesmo tiveram vergonha de sugerir abertamente que “os soldados deveriam receber ordens de abrir fogo contra os saqueadores”.

Escondido nessa falta de vergonha está o fato de que o principal dever do Estado não é proteger a vida das pessoas, mas defender a todo custo os interesses do capital e seu próprio poder.

O capitalismo mais uma vez nos matou horrivelmente e massivamente. A barbárie capitalista e aqueles que se beneficiam dessa ordem, todos os capitalistas que se alimentam direta ou indiretamente do aluguel, todos os governos centrais e administrações locais que até agora seguiram políticas baseadas no aluguel e na pilhagem das cidades – em outras palavras, todos os partidos e políticos da ordem – são responsáveis por este assassinato em massa. Hoje fomos profundamente feridos. Nós, como milhões de trabalhadores e oprimidos, curaremos nossas feridas construindo a solidariedade. Mas clamamos aos atores dessa política de ordem: nunca esqueceremos o que vocês fizeram e o que deixaram de fazer. Perdemos amigos, familiares, entes queridos, mas não lamentamos. Sentimos raiva, guardamos rancor.

Um mundo livre florescerá em nossa raiva.

Fonte: https://heimatloskolektif.wordpress.com/2023/02/07/joint-declaration-from-anarchists-lets-build-solidarity-and-the-struggle-against-this-order/

Tradução > Contrafatual

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chuva fina
tarde esfria
todo o lago se arrepia

Alonso Alvarez

Desde Abya Yala pool de rádios pela vida de Alfredo Cospito

Domingo 12 de fevereiro

Faltam-nos horas, ondas de ar, palavras, ouvidos, força e ações para dedicar solidariedade ao nosso companheiro Alfredo Cospito 112 dias após ele ter decidido entrar em greve de fome. Há uma urgência permanente de manter a luta contra as prisões e de repetir incansavelmente que nossas vidas são importantes. Um companheiro na prisão não morre acidentalmente, ele morre de prisão, barras e isolamento. Um companheiro que abre suas asas para a morte como uma última batalha contra o isolamento e o extermínio lento, nós o acolhemos com dois braços e muitos punhos levantados. Iniciativas de rádio de várias latitudes se unem nestes punhos e nós sorrimos mostrando nossos dentes. Que a solidariedade continue a ser mais do que apenas a palavra escrita.

Você pode ouvir em (links):

Radio 31 de enero
Radio libre lazarzamora
radiotropiezo
Radio ultima frecuencia
Radio kurruf
Radio Negras Tormentas Radio A

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Gota de orvalho
na coroa dum lírio:
Jóia do tempo.

Érico Veríssimo

[Itália] Aproxima-se a audiência de revisão do 41 bis contra Alfredo: 24 de fevereiro

Inicialmente a audiência para a revisão do 41 bis contra Alfredo foi marcada para 20 de abril de 2023, mas após a pressão da greve de fome foi adiada para 7 de março de 2023.

Dada a crescente crise política na Itália como resultado da greve de fome do companheiro e a multiplicação de ações de solidariedade em nível internacional, a data foi remarcada para 24 de fevereiro de 2023.

Nesta audiência, a conveniência de manter Alfredo Cospito neste regime de extremo isolamento será discutida mais uma vez. Da prisão, o companheiro garantiu que não interromperá a greve de fome até que saia daquele cemitério de concreto.

Solidariedade com a greve de fome, contra o 41 bis!

Para evitar o assassinato de Alfredo!

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Grande sol poente
chupa no horizonte
estrada serpenteante

Winston

[EUA] Ataque em Memória da Base no Brooklyn

A vitrine do Altitude Cannabis Club no Brooklyn, NY, foi atacada com três de suas janelas quebradas e uma mensagem rabiscada em sua porta.

O prédio em que Altitude está localizado é o antigo endereço da Base, um espaço político anarquista que muitos de nós, revolucionários, mantivemos próximo de nossos corações e nos deu um espaço para construir uma comunidade, fazer amigos e camaradas, aprimorar nosso conhecimento político, debater com os outros, e crescer nos espinhos do lado do estado e do capitalismo no qual estamos hoje.

Uma coisa que diferencia a Base de outros espaços da cidade, que são administrados por marcyitas fossilizados, anarco liberais hipster ou esquerdistas burgueses de vários matizes, é o foco intransigente no anti-imperialismo, no radicalismo anticapitalista à moda antiga, no apoio aos presos políticos, independentemente da tendência, e promovendo o anarquismo através das lentes da história da luta contra a escravidão e o colonialismo.

A Base era o único espaço de esquerda com preponderância de gente da classe trabalhadora no coletivo ou frequentador do espaço, muitos dos quais eram pessoas de cor, e não apesar disso, mas por causa disso, sempre foram contra as políticas identitárias liberais; que em essência é a política da cultura universitária branca.

Foi o único espaço que sempre acolheu sem julgamento os moradores de rua, tratou as pessoas como iguais e auxiliou nas lutas do dia a dia.

Ao contrário de outros espaços políticos, a Base se preocupou em nos fornecer um espaço construtivo, mantendo as personalidades abusivas fora, e se tornou o espaço onde aqueles de nós fartos de espaços e grupos ativistas yuppie ou cult vieram para se conhecer e formular nossas ideias e planos para o futuro.

Quando os proprietários despejaram a Base e a Altitude assumiu, era óbvio que a Altitude provavelmente não teve participação no processo de despejo. No entanto, o forte contraste entre o que costumava ser e o que é agora era muito simbólico.

Um clube de maconha caro e gentrificado onde os yuppies vão para desperdiçar seu dinheiro em vez de apoiar os locais, administrado por hippies e descolados desprezíveis.

E assim, na calada da noite, contra-atacamos. Um último viva ao melhor espaço anarquista da costa leste. O espaço pode ter acabado, mas as ideias e laços que foram construídos e expandidos ali nunca serão quebrados até que todos nós demos nosso último suspiro.

Lutaremos para dar continuidade ao legado que visamos promover e seguiremos lutando contra tudo o que nos oprime.

Morte ao estado e ao capital!

EUA e OTAN, caiam fora de todos os lugares!

Morte a todo tirano e opressor, grande ou pequeno! E que todos os proprietários de terras e gentrificadores que os sustentam sejam um dia roubados de suas riquezas e propriedades ilícitas e que sejam distribuídas para a classe trabalhadora.

Pela revolução, marchamos adiante!!

Tradução > Contrafatual

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Sobre verde imenso
um ponto saltitante
pássaro cantante

Winston

[Espanha] Lançamento: “Quico Sabaté: sense destí”, o filme sobre o guerrilheiro anarquista

Sinopse

Sabaté vive na França no exílio, mas desde o fim da Guerra Civil, ele nunca deixou de fazer incursões na Espanha para tentar derrotar o fascismo pelo único método que ele conhece e considera eficaz: a ação direta. No Natal de 1959, Sabaté tem quarenta e quatro anos, está doente, cansado e deprimido. Seus companheiros de luta haviam morrido todos, assim como seus irmãos, o que pesou muito em sua consciência. Entretanto, ele não podia abandonar a causa e, desobedecendo a todos os conselhos, decidiu ir à Espanha, cruzando a fronteira a pé, como sempre havia feito.

>> Assista (01:29:49) aqui:

https://www.ccma.cat/tv3/pellicules/quico-sabate-sense-desti-la-pellicula-sobre-el-guerriller-anarquista/noticia/3205457/

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trigo dourado
pelas mão do vento
é penteado

Carlos Seabra

 

[EUA] “Espaço comunitário anticapitalista” e café é aberto na área de Kingston

Por Frances Marion Platt | 22/12/2022

A pequena aldeia de Kingston, em Wilbur, onde o fim da Wilbur Avenue encontra a Abeel Street, tem uma história profunda como um porto industrial no Rondout Creek. Pedras da Catskills, cimento da Rosendale e tijolos de bancos de argila do rio Hudson já foram carregados em barcaças aqui, transportados para cidades em crescimento acima e abaixo do Vale do Hudson.

Esses dias já se foram, e Wilbur é um lugar sonolento agora, apesar do barulho de metal dos sucateiros e estaleiros que se alinham na costa do Rondout. No meio da encruzilhada está um edifício de tijolos centenário, uma vez conhecido como Creekside Deli, que mais recentemente passou por várias mudanças de propriedade como pizzaria. Em sua última encarnação, como K & G Pizza, tornou-se um espaço triste, degradado e desagradável, finalmente fechando no outono de 2019.

No entanto, coisas novas e surpreendentes estão acontecendo na Abeel Street 587: depois de uma reforma completa, a loja reabriu como Blackbird Infoshop & Café. E a visão do novo proprietário Andrew McCarthy para o espaço é criar um centro comunitário que funcione em um paradigma anarquista e coletivista. “Parece e funciona como um negócio tradicional, mas meu objetivo é que seja um espaço comunitário anticapitalista”, explica McCarthy. “Se há uma coisa que eu quero dizer ao mundo é parar de confundir comércio e capitalismo. O capitalismo não é o único modelo.”

Isso não quer dizer que ele não esteja disposto a ganhar a vida com as vendas de café gourmet, chá e delícias de padaria vegana no Blackbird. McCarthy adere à “teoria do valor-trabalho: que o trabalhador possui tudo o que cria” e aspira a administrar um negócio baseado no “controle democrático e consensual da riqueza gerada”. Mas eu também tenho que fazer o suficiente para sustentar o espaço, para pagar pela infraestrutura. Ser sincero sobre os custos faz parte da minha responsabilidade para com a comunidade.”

O que isso significa, quando você entra no Blackbird, é que você encontrará uma excelente variedade de bebidas quentes e produtos assados veganos à venda, a preços mais altos do que um restaurante ou delicatessen, mas mais baixos do que um Starbucks – US $ 3 por um café expresso, por exemplo, ou US $ 4 com leite de aveia (nada é lácteo lá). Você também encontrará uma placa no balcão anunciando que “Todas as bebidas e alimentos preparados são vendidos por valores que se ajustam às suas possibilidades. Ninguém é rejeitado por falta de fundos. Sério. Preferimos servi-lo de graça do que não servi-lo de forma alguma.” Se você normalmente pode pagar os preços da Starbucks, você está convidado a pagar um pouco mais, por sua própria iniciativa, para ajudar a equilibrar o que é dado gratuitamente.

O que torna um cara com gosto hipster do Brooklyn para café em um anarquista, com um ethos “comunista com um pouco de C”? McCarthy admite ter crescido como uma criança privilegiada e também é bastante sincero sobre compartilhar seu histórico de abuso de substâncias para se automedicar para doenças mentais. “A depressão faz parte da minha história”, diz ele. Ele abandonou vários internatos, em Connecticut, Montana e Massachusetts, seguido por Lewis e Clark College em Portland, Oregon. “Então eu me mudei para o Brooklyn e entrei em cafés especiais”, diz ele.

Antes de seus pais se divorciarem, eles compraram uma casa de verão em Stone Ridge, que seu pai continuou a ocupar por parte do ano. Depois de alguns anos trabalhando como barista e “técnico em café”, McCarthy fez um curso de certificação de permacultura e mudou-se para o norte do estado com a ideia de transformar a casa de seu pai em uma “fazenda de permacultura”. Ele conseguiu um emprego no restaurante Lekker em Stone Ridge (agora Hash), tornou-se o especialista em café interino e começou a fazer cafés pop-up no Black Barn em High Falls (agora Ollie’s Pizza).

Eventualmente, ele decidiu alugar um espaço em Stone Ridge e operar um café em modelo coletivista. O Carthaugh Coffee abriu na Rota 209 na primavera de 2017 e teve uma duração de dois anos. “A comunidade estava vibrando com isso”, diz ele; no entanto, não possuir o edifício dificultou a manutenção de um negócio projetado para maximizar outros valores além do lucro, ou para fazer melhorias no espaço físico.

Na primavera de 2019, com sua mãe disposta a investir parte de seu dinheiro de aposentadoria em uma startup, McCarthy encontrou a Abeel Street 587 disponível para venda. Tinha um apartamento anexo e um espaço de escritório, além da fachada da loja. O que era necessário era um monte de suor para fazer uma renovação completa. Enquanto ele se descreve como um “amador” quando se trata de obras, o novo proprietário se mudou para o apartamento anexo no verão de 2020, contratou pessoas e passou os anos de pandemia tornando o espaço limpo e bonito.

“Até novembro de 2021, ficou bastante vazio”, relata ele. “Eu tive a remediação de amianto feita profissionalmente. Também houve muitos danos causados pela água. Tivemos que reformular praticamente todas as paredes, substituir a elétrica e o encanamento, reconstruir o chão.” Conseguir que os pisos apodrecidos fossem nivelados a um ponto em que a cafeteria fosse acessível foi um desafio particular, diz ele. McCarthy credita a experiência e disponibilidade de Jim Fish da LojArchitecture, ao carpinteiro Steven Jayne e à Dan Carey Plumbing para tornar a transformação possível.

Se você tem memórias daquela pizzaria desarrumada, provavelmente achará o espaço irreconhecível hoje. Está cheio de sol e grandes vasos de plantas, com paredes e teto esbranquiçados recém-pintados, painéis de estilo celeiro marrom escuro cobrindo o chão e o café bar. Novas prateleiras de madeira na frente da sala principal exibe artesanato, remédios de ervas e presentes reciclados para venda em consignação de fabricantes como Sasasa, Resina Firefly, Blac Spiritual, Artemisia Negra, Umeshiso e Micofilia. Mais prateleiras nos fundos abrigam uma Biblioteca de Empréstimos Radicais e uma “loja gratuita” que oferece livros e zines, máscaras e kits de teste COVID e uma variedade de suprimentos de “redução de danos” para pessoas que lutam contra vícios, como tiras de teste de fentanil.

O balcão principal oferece equipamento de café importado e pilhas de biscoitos, barras de granola, tortinhas, croissants e doces dinamarqueses da Little Rye Bakehouse e Little Loaf Bakeshop. A maioria dos cafés da casa vêm de Farfetched Coffee Roasters em Rosendale, o descafeinado da Gimme! em Ítaca. Os especiais incluem opções intrigantes como tônico de café expresso, cidra de chai e café com leite com bordo, com preços que chegam a cinco dólares (ou seja, a menos que você se sinta capaz de pagar mais, no espírito coletivista).

Para desfrutar do seu café ou chá com conforto, há também uma sala lateral ensolarada com pequenas mesas, cadeiras e sofás e um canto infantil com móveis de brincar. No dia em que o Hudson Valley One fez uma visita, as paredes foram decoradas com pinturas vívidas de Deirdre Day, em antecipação a um evento de angariação de fundos para o grupo de defesa da habitação For the Many. Uma sala ao ar livre, atualmente com uma única mesa de piquenique, será expandida à medida que o clima esquentar em 2023, de acordo com McCarthy.

A vitrine está disponível para uso como um espaço de eventos da comunidade, novamente em uma escala móvel – mesmo livre para organizações sem fins lucrativos, em alguns casos. “Eu quero transformar a garagem em um palco. Podemos fazer música aqui. Eu não diria não a um show de punk/rock”, diz ele. Mas até que a COVID esteja bem no espelho retrovisor, “também não estou ansioso para encher este lugar de pessoas”. De fato, espera-se que todos os visitantes permaneçam mascarados, exceto enquanto comem ou bebem.

O Blackbird Infoshop & Café está aberto das 6h30 às 16h às segundas, terças e sextas-feiras e das 7h30 às 17h aos sábados e domingos, fechado às quartas e quintas-feiras. O estacionamento está disponível na esquina das ruas Dunn e Abeel, com um espaço acessível a vans localizado do outro lado do prédio em Abeel e alguns espaços de estacionamento na rua disponíveis no bairro circundante. Para saber mais, ligue para (201) 621-3813, envie um e-mail para info@blackbirdinfoshop.com, visite https://blackbirdinfoshop.com ou www.instagram.com/blackbirdinfoshop.

Fonte: https://hudsonvalleyone.com/2022/12/22/anti-capitalist-community-space-and-cafe-opens-in-kingston-area/

Tradução > abobrinha

agência de notícias anarquistas-ana

Silêncio:
cigarras escutam
o canto das rochas

Matsuo Bashô

[Chile] Prisioneirxs anarquistas e subversivxs concluem jejum em solidariedade com Alfredo Cospito

Como anarquistas e subversivxs presxs nas cárceres chilenas, em um laço de cumplicidade internacionalista com o companheiro Alfredo Cospito e sua batalha contra o isolamento e morte, passamos axs companheirxs presxs na cárcere-empresa Santiago 1 a continuidade dessa mobilização após nosso sétimo dia de jejum na cárcere-empresa de Rancagua; este é um pequeno gesto por meio do qual acompanhamos Alfredo até hoje, em seus 112 dias de greve de fome, além de incitar companheirxs e pessoas afins a mobilizar suas vontades e capacidades, bem como agitar pela vida e pela liberdade do companheiro e contra a sociedade carcerária.

Agradecemos e nos fraternizamos com cada resposta, cada palavra, cada passo dado nas ruas, com cada pixação e grito, com cada ato de ruptura da paz social dos ricos em nome da ineludível luta pela destruição de todas as prisões. Porém, sobretudo com cada ação que demonstrou que Alfredo não está só, e que o eco de sua vontade inquebrantável não está a mercê dos poderosos.

Abraçamos a todxs xs cúmplices que vão pelo mundo todo gritando o nome do Afredo neste momento de urgência, no qual não há espaço para vacilações e esperas entre antiautoritárixs de todas as tendências, que seguem construindo laços e pontes com as quais hoje se reforçam caminhos de luta contra o Estado, a Prisão e o Capital nos diferentes territórios, assumindo nossas particularidades desde uma prática explícita que busca fortalecer o internacionalismo anticarcerário como expressão inequívoca do caminho para a liberação total.

Abraçamos Alfredo com um grito de força rebelde e insurrecta. Admiramos sua clareza que nos chama a agir para que ninguém dos que o torturam neste regime infame vivam na impunidade.

Pela extensão da solidariedade combativa pulsando na cumplicidade insurrecta com o companheiro Alfredo Cospito!!

Tiremos Alfredo do 41bis!
Enquanto existir miséria, haverá rebelião!
Até destruir o último pilar da sociedade carcerária!
Que as prisões explodam!
Viva a anarquia!
Liberdade a todxs xs presxs revolucionárixs antiautoritárxs de todas as tendências!

Marcelo Villaroel
Juan Aliste
Joaquín García
Francisco Solar

-Cárcere-empresa La Gonzalina Rancagua.

Território ocupado pelo Estado chileno.

Quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023.

Há 112 dias do início da greve de fome do companheiro Alfredo Cospito.

Fonte: https://edicoesinsurrectas.noblogs.org/post/2023/02/08/prisioneirxs-anarquistas-e-subversivxs-concluem-jejum-em-solidariedade-com-alfredo-cospito/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/02/01/chile-mobilizacao-dxs-presxs-anarquistas-e-subversivxs-em-apoio-a-alfredo-cospito/

agência de notícias anarquistas-ana

Árvores da infância –
E depois a monotonia verde
Dos canaviais…

Paulo Franchetti

“As Pegadas da Comandanta Ramona” e “A História do Olhar”

Dia 11 de fevereiro, às 15h, teremos atividade para todas as idades no CCS! As Anônimas vão contar “As Pegadas da Comandanta Ramona” e “A História do Olhar”, com Libras.

As duas histórias foram contadas a elas por um grande amigo, o Subcomandante Insurgente Marcos, do México. Em “As Pegadas da Comandanta Ramona”, ele tenta entender como uma mulher aparentemente pequena e frágil, que guiava seus caminhos pelas florestas e cidades, conseguiu deixar marcas tão profundas no solo, presentes até hoje. Já em “A História do Olhar”, iremos retornar ao tempo dos primeiros deuses, os que fizeram nascer o mundo, e também eram bastante avoados: nos deram olhos, mas se esqueceram de nos ensinar a função desses órgãos. A contação é para as crianças, mas pessoas adultas podem acompanhar (desde que se comportem).

Centro de Cultura Social – CCS

Rua General Jardim, 253, Sala 22 – Próximo ao metrô República — Vila Buarque – São Paulo – SP

E-mail CCS: ccssp@ccssp.com.br | E-mail do Grupo de Estudos: grupodeestudos_afm@ccssp.com.br | Site: www.ccssp.com.br | Facebook: www.facebook.com/centrodeculturasocialSP | Instagram: @centro_de_cultura_social

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Entre pernas guardas:
casa de água
e uma rajada de pássaros.

Olga Savary

Plano Omega e alimentação forçada: os planos do Estado italiano para frear a greve de Alfredo Cospito

Há mais de 100 dias o companheiro anarquista Alfredo Cospito se encontra realizando uma greve de fome contra o brutal regime de isolamento 41bis.

As estratégias do poder não cessaram desde então, passando pela clássica invisibilização da luta, seguido de sua burocratização com audiências e labirintos judiciais e institucionais para tentar possíveis revogações do 41 bis. Por fim, durante as últimas semanas, uma guerra suja foi desatada.

A imprensa e o partido do governo filtraram supostas proximidades e apoios de mafiosos à luta de Alfredo, buscando quebrar a solidariedade que se expandiu por grande parte dos territórios. A acusação repousa em um absurdo: grande parte, para não dizer a totalidade dxs presxs do 41 bis são mafiosos e é a própria administração penitenciaria que seleciona quais presxs e com quem podem compartilhar os breves minutos de comunicação existentes naquele regime.

A sistemática desinformação tem ido de mão em mão com a ameaça real de agredir Alfredo. O Estado italiano esgrimiu a possibilidade de uma alimentação forçada contra o companheiro, a qual foi respondida por Alfredo com uma carta enviada por seu médico: “Em plena posse de minhas faculdades mentais, me oporei com todas as forças à alimentação forçada. Terão que me amarrar na cama. Digo isso, pois ultimamente tem se insinuado a possibilidade de um T.S.O. (tratamento sanitário obrigatório). À sua crueldade e atrocidade, oporei toda a minha força, tenacidade e vontade de um anárquico e revolucionário consciente”.

Lembremos que, sem ir muito longe, foi a alimentação forçada que produziu e acelerou a morte de Holger Meinss, membro da RAF, durante a greve de fome que realizou em novembro de 1974 no interior das prisões alemãs.

Para desenvolver a possibilidade de alimentação forçada ou na possibilidade de agravamento dos mal-estares produzidos pela greve, o Estado italiano tem dado forma a um especial “Plano Omega”. Os traslados de presxs do 41bis para uma prisão tem sido tipificados sob este jargão policial, mas esta vez o traslado de Alfredo se planeja com muito cuidado.”

Uma escolta de policiais 24h por dia e ante qualquer agravamento da saúde do grevista se somará uma ambulância e dois veículos penitenciários que atravessarão uma rota previamente estudada da prisão de Opera até o hospital de San Paulo, um trajeto de km percorridos em dez minutos a toda velocidade.

O poder se encontra expectante e planeja milhares de possibilidades e cenários para enfrentar a crise que a greve do companheiro está causando… e nós?

Solidariedade internacionalista com Alfredo Cospito!
Abaixo o 41bis e todo o regime de isolamento!

Fonte: https://edicoesinsurrectas.noblogs.org/post/2023/02/08/plano-omega-e-alimentacao-forcada-os-planos-do-estado-italiano-para-frear-a-greve-de-alfredo-cospito/

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Sentadas num fio
estão cinco andorinhas
fugidas do frio

Eugénia Tabosa

[Portugal] 4 de fevereiro de 1977: manifestação anarquista no Rossio pela libertação do português João Freire, preso em Barcelona numa reunião da FAI

Em Janeiro de 1977, quando em Espanha o movimento anarquista e anarcosindicalista se tentava reorganizar, depois da morte de Franco, já na chamada “transição”, uma reunião da FAI, em Barcelona, foi interrompida pela polícia e os participantes presos. Entre eles, em representação da FARP (Federação Anarquista da Região Portuguesa), estava João Freire (1), que conta detalhadamente este episódio no seu livro autobiográfico “Pessoa Comum no seu tempo”, (pgs. 453-459).

Informados da prisão de João Freire, alguns dos grupos constituintes da FARP defenderam que deviam tomar posição sobre esta prisão e comvocaram um protesto público, no Rossio, para 4 de Fevereiro, quase uma semana depois das prisões, que tinham acontecido no domingo anterior, 30 de janeiro.

A convocatória da manifestação refere que “ao contrário do que os órgãos de informação têm propalado, foi preso no passado domingo um anarquista português: João Freire, ex-exilado em França do regime salazarista. Simultaneamente, é encarcerado em toda a Espanha um elevado número daqueles que se opõem à paz podre do Sr. Suarez e dos seus avalizadores ocidentais”.

E acrescenta: “Nós, que não somos discretos nem tememos as repercussões políticas dos escândalos diplomáticos, não abdicamos de nos solidarizarmos com o nosso companheiro e com as demais vítimas da repressão”.

Conclui ainda o comunicado. “Assim, apelamos a todos os revolucionários a participarem num movimento de solidariedade, o mais amplo possível, que se inicia hoje às 19 horas, com uma manifestação no Rossio.

PELA LIBERTAÇÃO DE JOÃO FREIRE E DE TODOS OS PRESOS ENCARCERADOS NAS MASMORRAS ESPANHOLAS!

NÃO ÀS PSEUDO-LIBERALIZAÇÕES, SIM À REVOLUÇÃO SOCIAL!”

Assinam a convocatória os grupos anarquistas Acção DirectaA Ferro e FogoLanterna NegraOs SolidáriosLiberdadeNúcleo de Intervenção Anarquista e Indivíduos Anarquistas.

Sobre a manifestação (em que não esteve presente) também se referiu João Freire no livro atrás citado, diminuindo a dimensão da solidariedade então manifestada e reduzindo-a a uma caricatura. Para a manifestação não foi pedida autorização e, na verdade, esteve presente um grande contigente da polícia, tendo havido confrontos com alguns manifestantes, bem mais do que “a meia dúzia” referida por João Freire, na passagem que dedicou a esta manifestação na sua autobiografia.

“(…) Na FARP, as atitudes divergiram (como seria de esperar) (2). Enquanto a maior parte, preocupada, acatou sem qualquer dificuldade esta orientação, o grupo “Acção Directa” queria passar imediatamente à “agitação de rua”. E foi contrafeitos que se retiveram durante alguns dias, parece que dando uma espécie de ultimato (“o mais tardar na sexta-feira…”). Assim, quando eu já sobrevoava a meseta ibérica a caminho de casa, eles estavam distribuindo panfletos na Cidade Universitária sobre o “Anarquista português preso em Espanha” e convocando uma manifestação de protesto para o fim da tarde na Praça da Figueira (sic). Disseram-me camaradas que a observaram (mas não se envolveram nela) que foi mais um triste espectáculo, com a praça cheia de polícias e meia dúzia de jovens excitados pelos slogans bombásticos do Gabriel Mourato (do tipo “Morte ao Estado e a quem o apoiar! Morte à polícia!”, completamente isolados e recebendo dichotes ríspidos e mesmo ameaças dos passantes e de grupos de “retornados” que ali estacionavam (“Vão mas é lá para a Rússia…”) e o “líder” espumando raiva e impotência por todos os poros!”   – João Freire, “Pessoa Comum no seu tempo”, (pg. 459).

Um relato pouco preciso do que aconteceu, mas que dá conta do ambiente que já se vivia na FARP (a Acção Directa e outros grupos abandonaram mesmo a organização durante este ano) e que haveria de agravar-se com a participação de João Freire no Congresso Anarquista de Carrara, um ano depois, de que o grupo Acção Directa se dessolidarizou e criticou de forma pública e violenta as decisões ali tomadas, nomeadamente acerca da violência revolucionária, tendo a FARP sido dissolvida oficialmente em Novembro de 1979.

1) João Freire, sociólogo, professor universitário reformado. Frequentou o Colégio Militar, oficial da Armada, desertou em 1968 da guerra colonial, depois exilado político em França. Fundador da revista “A Ideia” e da FARP. Investigador sobre o anarquismo e as lutas sociais na 1ª República. Ex-anarquista. Publicou como testemunho deste afastamento dos ideais anarquistas o livro Um projecto libertário, sereno e racional (Lisboa, Colibri, 2018).

2) Segundo João Freire, o advogado que seguia o seu caso, “Joaquim Pires de Lima, com escritório em Cascais”, teria aconselhado a “não levantar “burburinho público” durante uma semana, para a hipótese de as coisas se resolverem pelo melhor,; se eu não fosse libertado nesse prazo, podia então pensar-se que eu estava judicialmente em má posição (sob alguma acusação grave) e dever-se-ia agir por outros meios”.

Freire, João ” “Pessoa Comum no seu tempo – Memórias de um médio burguês de Lisboa na segunda metade do século XX”, Edições Afrontamento, Lisboa, 2007.

Fonte: https://memorialibertaria.blogs.sapo.pt/4-de-fevereiro-de-1977-manifestacao-42315

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Acabou-se a festa.
Resta, no silêncio,
o rumor da floresta.

Ledo Ivo