[Itália] Não permitamos o assassinato de Alfredo Cospito em greve de fome desde 20 de outubro: Chamada para uma mobilização internacional

Em 20 de outubro passado o anarquista Alfredo Cospito, durante a audiência que aconteceu no Tribunal de vigilância de Sassari, tentou ler uma articulada declaração na qual anunciava que começou uma greve de fome contra o regime carcerário do 41 bis no qual se encontra atualmente e contra a prisão perpétua sem possibilidade de ser revisada. Uma batalha que Alfredo não tem intenção de parar, até sua morte.

O companheiro, que se encontra no 41 bis desde 5 de maio passado por um decreto assinado por quem naquela ocasião era a ministra de justiça, Marta Cartabia, está atualmente encarcerado no cárcere de Bancali, Sardenha.

Alfredo Cospito é um anarquista que esteve sempre na primeira linha de luta, jamais disposto a pactuar ou render-se. Um companheiro que luta desde finais dos anos oitenta, período no qual foi encarcerado por insubmissão ao serviço militar obrigatório e que, depois de ser detido em 2012, durante o julgamento que seguiu, reivindicou o disparo na perna contra o dirigente de Ansaldo Nucleare Roberto Adinolfi, ação realizada pelo Núcleo Olga/Federação Anarquista Informal – Frente Revolucionária Internacional em 7 de maio do mesmo ano em Gênova.

Alfredo sempre esteve ativo na defesa dos companheiros golpeados pela repressão, em cada esquina do mundo. Sua luta afeta objetivamente a todos os presos, entre eles e a quem recordamos em particular modo, os três militantes das Brigadas Vermelhas pela construção do Partido Comunista Combatente presos há mais de 17 anos em regime de 41 bis (Nadia Lioce, Roberto Morandi, Marco Mezzasalma). Em 2009 a companheira Diana Blefari, da mesma organização, tirou a própria vida, depois da permanência neste duro regime carcerário.

Alfredo transcorreu ininterruptamente seus últimos 10 anos no cárcere nas seções de Alta Segurança até seu translado ao 41 bis. Em 2016 esteve envolvido na operação Scripta Manent, acusado de associação subversiva com finalidade de terrorismo e de múltiplos ataques explosivos. Depois da sentença definitiva emitida pela Corte de Cassação em julho do presente ano, se reformulou a condenação para Alfredo e Anna Beniamino a “massacre político”, delito que prevê unicamente a pena de prisão perpétua. O Estado italiano, que sempre protegeu os fascistas perpetradores de verdadeiras matanças [como os massacres de Bolonha ou de Piazza Fontana], agora quer condenar por massacre a dois anarquistas por um ataque que não provocou nem vítimas nem feridos.

Alfredo há anos contribui com artigos, projetos editoriais e propostas ao debate anarquista internacional. Por esta razão, mais de uma vez foi objeto de censura em sua correspondência e lhe proibiram a comunicação com o exterior, sendo condenado pela publicação do texto anarquista revolucionário “KNO3” e a última edição de “Croce Nera Anarchica” e estando atualmente investigado pela publicação do jornal anarquista “Vetriolo”. Depois destas disposições legislativas, durante o mês de maio passado lhe aplicaram o regime de 41 bis e foi sucessivamente transladado desde o cárcere de Terni ao de Bancali, em Sassari. Desta maneira lhe negaram qualquer tipo de contato com o exterior.

O 41 bis serve para isolar completamente o preso. Esta medida se aplica e renova cada 4 anos, mas de fato a única maneira para poder sair desta situação é a de arrepender-se e colaborar com as forças repressivas. Em outras palavras, o 41 bis é tortura, enquanto está planejado para induzir sofrimento com a intencionalidade de extorquir confissões ou declarações.

Este regime carcerário implica em uma hora de visita por mês através de um vidro, com vigilância eletrônica e a gravação de áudio e vídeo. Se os familiares não têm a possibilidade de fazer a visita mensal, como possibilidade alternativa está prevista uma Chamada mensal de 10 minutos, mas para efetuá-la o familiar do preso tem que deslocar-se a uma delegacia dos carabinieri ou ao interior de um cárcere. Também, só é permitida uma hora de pátio e outra só de socialidade no interno do módulo, que se fazem em grupo de um mínimo de dois e um máximo de quatro presos: a divisão dos grupos de presos que estão juntos durante esta hora se decide diretamente desde os escritórios dos burocratas em Roma e tarda alguns meses.

O 41 bis é um regime carcerário destinado à aniquilação do preso, enquanto está estudado para provocar danos físicos e mentais através da técnica de privação sensorial; trata-se de uma condenação à morte política e social, que busca romper cada forma de contato com o exterior. O trato reservado para Alfredo nos recorda as palavras atribuídas a Benito Mussolini sobre Gramsci: é necessário impedir de funcionar este cérebro por vinte anos.

Exemplo do agulheiro negro no qual se termina uma vez se entra ao 41 bis é justo o que ocorreu em 20 de outubro passado durante a audiência no Tribunal de Vigilância de Sassari. Se impediu a entrada na sala dos solidários, o companheiro estava conectado em videoconferência desde o cárcere como prevê a normativa do 41 bis e quando tentou ler sua própria declaração lhe tiraram a voz apertando um botão. A declaração está fechada pelos juízes e não pode ser publicada, se os advogados a difundissem se arriscariam a uma pesada condenação penal.

O que está acontecendo com o companheiro Alfredo Cospito se entrelaça com um clima repressivo sempre mais obscuro neste país. Mais além do movimento anarquista, assistimos a uma repressão sempre mais opressiva contra obreiros, estudantes e movimentos sociais.

Mencionamos o caso mais chamativo: este verão a promotoria de Piacenza abriu uma investigação contra alguns sindicalistas acusando-os de “extorsão” porque pediam, mediante uma luta “radical” (piquetes e cortes de estradas), um aumento de salário ao chefe.

Queremos que se entenda também no exterior que o avanço repressivo que está tomando o Estado italiano afeta a todo o mundo em primeira pessoa, já que um precedente desta magnitude no coração da Europa poderia ser o presságio de novos saltos repressivos em outras latitudes. Tudo isto ocorre enquanto a crise social e a crise militar internacional se agravam dia a dia. Sabemos que estes são os contextos ideais para os giros autoritários dos governos.

Temos umas semanas para salvar a vida de Alfredo Cospito, para evitar seu assassinato, mas sobretudo para dar um sinal de contra ataque ao que está ocorrendo. Tornemos responsável o Estado pela vida e a saúde de nosso companheiro.

Mobilizemo-nos em todo o mundo, pressionemos o Estado italiano para que Alfredo possa sair do 41 bis.

Companheiros e companheiras

25 outubro 2022

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

Em morosa andança
Ao léu com meu ordenança —
Contemplação das flores.

Kitamura Kigin

[Itália] L38 Squat sob ameaça de reintegração

A revitalização é o poder, a autogestão é a possibilidade.

Há anos escutamos rumores sobre um mega-projeto de revitalização de nosso bairro Laurentino 38 na zona sul de Roma, Itália. Mas desta vez, com dinheiro à disposição, o projeto se fez urgente, em decorrência de uma agenda marcada pelas campanhas eleitorais.

Qualquer pessoa que conhece essa região, sabe que o bairro, abandonado pelas instituições há décadas, é algo “fora de lugar”. As chamadas “Pontes” são corredores de exclusão entre os polo comerciais de uma cidade que se expande continuamente, empurrando sempre para mais longe seus habitantes mais pobres. Somos uma ótima mão de obra para os centros comerciais, mas cada vez mais ajoelhados pelo alto custo de vida.

Deixamos bem claro que o L38 Squat (centro social ocupado desde 1992) não negociou nenhuma realocação, como mencionado no jornal Roma Today no dia 18 de agosto. Aqui estamos e aqui ficamos, por muitas razões. 31 anos de ocupação significam a autoconstrução de cada centímetro deste centro social, baseado nas necessidades e paixões de pessoas do todo o mundo, que passaram por nosso espaço. Para levar 31 anos de autogestão, necessitaríamos outros 31 anos para desmontar tudo. Ocupar uma boa parte da Sexta Ponte significou cuidar do espaço com nossos esforços, em acordo mútuo com outras realidades presentes, apesar da ausência do IACP e do ATER (Institutos públicos de habitação popular). Cada problema nos custou meses de reuniões, discussões, eventos de arrecadação de fundos e a materialidade do trabalho. Nunca nos consideramos proprietários. Aqui se cuida do edifício para nos dar a possibilidade de viver melhor que o previsto pelo sistema de exploração e para deixar essa possibilidade ao próximo. Escolhemos não ser proprietários, mas o ATER, com sede de negócios, não tem direito algum de reivindicar o espaço, depois de anos de abandono.

Os projetos de jovens arquitetos que nos substituiriam se chamam “Co-housing” com “book corner”, residências universitárias ou apartamentos para uma pessoa, modelos habitacionais de uma sociedade pulverizadora e violenta. Nosso sangue já começa a ferver! No bairro, pessoas se vem obrigadas a morar com outras pessoas para ter dinheiro suficiente para sobreviver. Quem seriam aqueles que viveriam num apartamento para uma só pessoa? Aqui não estamos entre artistas como no bairro de Pigneto ou na cool Porta Veneza de Milão. O projeto de remodelação do ATER não irá alterar as condições de marginalização e de pobreza da região.

Viver juntos para nós significa nos apoiar e apoiar também quem não conhecemos. Ter uma biblioteca autogerida significa ter milhares de textos à disposição, que são parte de nossa história. E não estamos falando de edições descartáveis, mas de textos realmente imprescindíveis. Ativar um ginásio teve como objetivo cuidar de nós mesmes, de nossa saúde e não competir. Nunca significou machismo.

Tomaremos mais espaço em um próximo comunicado para contar quem somos e o que é essa ocupação. Mas que fique claro, não se trata somente de paredes, não existe neutralidade em tudo que há aqui dentro. Essas possibilidades gratuitas e para todes não são substituíveis.

Conhecemos muito bem as condições de habitação do bairro, como já dissemos e demonstramos. Exigimos casa para todas e todos e por ora, ficamos por aqui, na sexta ponte, no coração do bairro Laurentino 38. Aqui seguiremos ao lado de quem sofre repressão e miséria difusa e de quem quer enfrentar os problemas juntes.

Se querem começar um projeto que deveria “presentear muito prestígio a região” nos atacando, nos encontrarão prontes para defender não só nossa história, mas nosso futuro.

Ocupantes da Sexta Ponte/L38 SQUAT

Fonte: https://l38squat.noblogs.org/post/2022/08/22/l38squat-e-sotto-sgombero/?fbclid=IwAR2HPblwg43CndzWJpVvn7zpOqHFVLCfxHysZrPVP-waW4znevtTqCTe7Oc

agência de notícias anarquistas-ana

minha cabeça em seu peito
seus dedos em meus cabelos
– dança de leito

Eugénia Tabosa

[México] Feira Internacional de Agitação e Kultura Anarquista

3, 4 e 5 de dezembro de 2022, em Monte Blanco Veracruz

É uma proposta para nos encontrarmos entre anarquistas de diversas latitudes sem importar fronteiras nem bandeiras, com o fim de compartilhar ideias, práticas e experiências para pô-las em jogo em nossas vidas cotidianas e em nossos contextos particulares. Não é a intenção criar uma organização pesada nem ampla que aglutine os anárquicos sob uma mesma voz ou programa; nos regozijamos na diversidade e na força da afinidade e na solidariedade e, do que dela possa surgir. Sempre tendo em conta o que não queremos, que para nós é não somarmos à voragem progressista, conservadora, tecnófila, cidadã, estatista, capitalista em suas mil e uma formas que possa tomar, seja vinda de setores de esquerda ou de direita. Já que nos últimos anos soube manipular a história e propostas anarquistas para oferecer tudo menos anarquia e sim, soluções e discursos hipócritas que apontam o poder que nós combatemos.

São poucos os lugares onde podemos nos encontrar e a avassaladora força midiática das redes sociais e sua engenharia social, limitaram a submergirmos ainda mais no espetáculo, no consumo, no confinamento, no medo e na desarticulação, somado aos diferentes golpes repressivos à galáxia anarquista no planeta terra. Ante isto, nos vemos chamados a re-impulsionar redes para seguir expandindo e potencializando nosso amor pela revolta e a desobediência, mas cada vez com mais informação, com mais cautela, com mais memória e buscando os meios para poder aproveitar e articular nossas histórias passadas na luta contra toda autoridade. É por isso, que longe de mitificar/santificar o passado e a memória de personagens e histórias anarquistas, preferimos gerar discussões que se baseiem nas realidades atuais, sem devaneios de um prolífico futuro, nem nostalgias de um passado sempre melhor. Nos conformamos – e não é pouco – com praticar uma ética anarquista no aqui e agora, para evadir a miséria, a exploração e a tristeza imposta, o demais sempre está por se ver.

Sabemos que o contexto global ao qual nos enfrentamos e enfrentaremos se caracteriza por um aumento do fascismo (amplo e diverso), de uma esquerda hipócrita, integradora e apaziguadora (também ampla e com matizes fascistoides), de um antropocentrismo exacerbado, ainda que o tentem camuflar, de um desenvolvimento tecnológico, industrial e digital que aponta as guerras, a uma vigilância e o controle, o despojo e a destruição da terra e seus habitantes nas aras do progresso. Estamos à beira de uma nova era de dominação que terá consequências incomparáveis.

Por isso, fazemos um chamado aos companheiros anarquistas que se sintam afins a nos encontrarmos na Feira Internacional de Agitação e Kultura Anarquista, a se realizar em Monte Blanco Veracruz, em um acampamento sem luz, com a seriedade e a alegria que se merece, para compartilhar e seguir sendo parte da tensão anarquista contra o Estado, o capital, o patriarcado e toda autoridade.

Ainda que tudo esteja perdido: Não se vender, não se render e nunca trair!

Solidariedade e cumplicidade com os que enfrentam o Poder!

Pela anarquia!

17 de outubro de 2022

Xalapa, Ver. Território dominado pelo Estado Mexicano.

Para mais informação da FIAKA sobre o programa e outros pormenores:

www.anarcopunk.org/fiaka

jornadaspunk_fiaka@riseup.net

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Trezentos quilômetros
Para não vos contemplar –
Mangueiras da minha infância!

Paulo Franchetti

[Itália] Ocupada a sede italiana da Anistia internacional em solidariedade com Alfredo Cóspito em greve de fome contra o regime 41bis

Hoje, 25/10/2022, ocupamos a sede italiana da Anistia Internacional de Roma em solidariedade com o preso anarquista Alfredo Cospito que está a 6 dias em greve de fome no cárcere de Sassari contra o 41 bis e o “ergastolo ostativo” [prisão perpétua que exclui qualquer tipo de benefício penitenciário]. O 41 bis é uma forma de aniquilar o indivíduo, empregado pela primeira vez contra o movimento anarquista. Alfredo foi transferido ao 41 bis depois de 10 anos no cárcere de Alta Segurança com o objetivo declarado de calar-lhe a boca, de silenciar sua contribuição ao debate revolucionário.

Denunciamos o ocorrido na audiência de 20 de outubro no tribunal de vigilância de Sassari como exemplificação da brutalidade do 41 bis: durante a audiência, a portas fechadas e com o companheiro conectado por vídeo conferência a decisão do juiz, Alfredo tentou ler uma estruturada memória defensiva através da qual expor os motivos do começo de sua luta. O juiz interrompeu o companheiro impedindo-o de concluir sua intervenção nesta única – e talvez a última – ocasião de comunicar-se com o resto do mundo desde que foi transladado ao 41 bis, simplesmente cortando o áudio. Sua intervenção foi silenciada, como tudo o que provêm do agulheiro negro do 41 bis. Se os advogados decidiram torná-lo público, poderiam enfrentar  consequências penais [de 3 a 7 anos].

Uma decisão sem precedentes que indica claramente o medo que têm o Estado das ideias anarquistas e as práticas que inspiram. Tudo isto é inaceitável. Queremos ler imediatamente as palavras de nosso companheiro!

Não temos nada que pedir às associações humanitárias como contra a qual dirigimos a iniciativa desta manhã:

A iniciativa desta manhã está dirigida a uma dessas associações humanitárias às quais não temos nada que pedir: sabemos que suas queixas corriqueiras alterna só denunciam os feitos de algum regime exótico, preferivelmente adversário do imperialismo ocidental. Isto não é uma petição para que digas algo a respeito…. só queríamos cuspir na cara vossa falsa consciência!

Fechar o 41 bis! Romper o silêncio!

Solidários com Alfredo em greve de fome!

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

folhinhas
linhas
zibelinas sozinhas

Maiakovski

[Espanha] Os professores seguem sem melhoras em suas condições de trabalho

A CGT denuncia que a Junta de Castilla y León não está cumprindo o acordo para melhorar as condições de trabalho dos professores, o que inclui a redução das horas e índices de ensino.  As principais organizações sindicais não reagem e defendem o acordo que elas mesmas assinaram.

Com o Acordo de 24 de janeiro de 2022, sobre a melhoria das condições de trabalho dos professores, o Ministério da Educação se comprometeu a reduzir a carga docente de 25 para 24 horas para os instrutores e de 20 para 18 horas para os professores. O Acordo é, de acordo com a CGT, pobre, pois nem sequer volta às condições de trabalho pré-crise de 2012. O resto dos funcionários públicos os recuperou já em 2019 com a lei que pôs fim aos cortes de 2012.

O Ministério da Educação não cumpriu com este acordo ao não fornecer os professores extras necessários. Em Burgos, nenhum dos 62 professores adicionais necessários para a província foi contratado. As escolas, na verdade, têm o mesmo número de professores do ano passado. Como resultado, as horas de apoio, essenciais para uma atenção diferenciada e inclusiva aos estudantes, foram cortadas. Muitas dessas horas, além disso, foram assumidas por equipes de gestão, cuja carga de trabalho é insustentável, especialmente em escolas rurais. Outra consequência do não cumprimento é que, com tais níveis reduzidos de pessoal nas escolas, não há possibilidade de substituições, o que significa que não são concedidos dias próprios com base em serviços mínimos.  A agitação nas escolas é generalizada.

Os principais sindicatos não reagiram ao descumprimento do Conselho. Para a CGT, isto não é nenhuma surpresa. Em nível nacional, CCOO e UGT acordaram nos corredores um aumento mínimo do IPC para funcionários públicos que significará uma perda do poder de compra de 16%.

Pelo acordo acima mencionado, a Junta de Castilla y León também se comprometeu a reduzir o número de alunos ou a proporção de salas de aula para este ano letivo. Em sua visita ao novo centro de Villimar, a CEIP Isabel de Basilea, o próprio Presidente Fernández Mañueco se vangloriou desta melhoria e da qualidade da educação pública na comunidade.

A CGT detectou mais violações dos índices. Em Burgos há salas de aula que estão prestes a exceder ou já excederam as novas proporções máximas, em alguns casos, porque os inspetores têm evocado os 10% extras que são exclusivamente para necessidades supervenientes. A nova relação máxima é de aplicação obrigatória no primeiro ano do ensino pré-primário, no primeiro ano do ensino primário, no primeiro ano do ESO e no primeiro ano do Bacharelado. Pelo menos CEIP Vadillos, IES Feliz Rodríguez de la Fuente, IES Pintor Luis Sáez, IES Fray Pedro Urbina, IES Montes Obarenes e IES Diego de Siloé estão nesta situação.

A redução da proporção de salas de aula é um pilar para a melhoria da qualidade da educação. Com este fracasso, o bem-estar dos estudantes e seu direito fundamental à educação de qualidade, inclusiva e individualizada está sendo ignorado.

A CGT exige que o pessoal acordado seja contratado para promover uma educação de qualidade real. Ela também exige que o problema das proporções seja corrigido abrindo novas linhas nas notas afetadas.

Fonte: https://rojoynegro.info/articulo/los-docentes-siguen-sin-mejoras-en-sus-condiciones-laborales/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Rosto no vidro
uma criança eterna
olha o vazio

Alphonse Piché

[Espanha] A CGT adere ao manifesto da “Aliança pela Justiça Global” exigindo uma lei sobre obrigações extraterritoriais de grandes multinacionais.

Os anarcossindicalistas querem que o Estado force as grandes corporações a serem responsáveis pelas ações de suas subsidiárias, fornecedores ou subempreiteiros em termos de direitos humanos.

A Confederação Geral do Trabalho (CGT) tornou público seu apoio à iniciativa da “Aliança pela Justiça Global”, que consiste em exigir do Estado que as grandes multinacionais não possam continuar a interagir impunemente nos territórios, sem serem responsabilizadas por abusos e violações dos Direitos Humanos.

Este coletivo, a cujo manifesto se uniram os anarcossindicalistas da CGT, considera que nos últimos anos há uma crescente preocupação com o impacto das ações das grandes multinacionais sobre as comunidades indígenas e camponesas, e as consequências sociais, econômicas, políticas, etc. que surgem destas ações. Por esta razão, de acordo com a Aliança para a Justiça Global, é urgente estabelecer mecanismos para controlar e punir os abusos das grandes corporações, a fim de evitar a impunidade e evitar sua repetição. E no caso da Espanha, explicam que apesar do desenvolvimento de sistemas de apoio, através de subsídios, para a internacionalização das empresas, onde as “boas práticas” são reconhecidas, ainda não existe um mecanismo eficaz que permita monitorar e avaliar a fim de pôr um fim ao não cumprimento em relação ao respeito aos direitos humanos.

Por outro lado, esta plataforma assegura que as violações dos direitos humanos aumentaram na última década, o que mostra que o direito internacional neste sentido é muito frágil. É por isso que esta demanda é mais necessária e urgente do que nunca, dado o contexto global de guerras, crise climática, crise energética, crise sócio-ecológica e o avanço do capitalismo e das desigualdades entre os seres humanos, em contraste com as grandes facilidades que são dadas, através dos Estados, às grandes multinacionais.

A CGT também acredita que o projeto de lei sobre “a proteção dos direitos humanos, sustentabilidade e diligência devida nas atividades comerciais transnacionais”, lançado pelo Ministério dos Direitos Sociais e Agenda 2030 do governo espanhol, não é suficiente. É por isso que a organização negra e vermelha apoia esta proposta, com o objetivo de aumentar as inspeções e controles públicos para que os direitos de todos os seres humanos sejam garantidos em todos os lugares do planeta.

A CGT também enfatizou que a vida das pessoas não pode ser relegada ao segundo ou terceiro lugar em benefício das grandes corporações, que concentram o poder nas mãos de poucos e impedem que a riqueza seja distribuída de uma maneira diferente, com maior solidariedade entre os cidadãos.

Fonte: https://cgt.org.es/cgt-se-adhiere-al-manifiesto-de-alianza-por-la-justicia-global-que-exige-una-ley-de-obligaciones-extraterritoriales-a-las-grandes-multinacionales/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

acende chama
sorriso no escuro
sol de quem ama

Carlos Seabra

“Não consigo entender todo esse dramalhão em cima das tais fake news”

Por Vrusk Letuchaya Mysh | 23/10/2022

Eu não consigo entender todo esse dramalhão em cima das tais fake news (rol de mentiras versão moderna chororô).

Nós crescemos escutando mentiras dentro de casa, na escola, na universidade, no trabalho, nos programas de TV, nas propagandas consumistas e nas eleitorais. No alimento que você ingere, nos remédios que você toma, nos cosméticos que usa.

As mentiras só ficaram melhor editadas com a tecnologia moderna.  O mundo é uma mentira, a humanidade se afunda em mentiras. É tudo uma ilusão. Compramos ilusões o tempo todo. As pessoas acreditam em político o tempo todo, em divindades, demônios, líderes. Em coelhinho da páscoa, papai noel, mitos e salvadores. Cada um acredita na mentira que lhe for conveniente.

A sua imagem nas redes sociais é editada, maquiada, manipulada. Mais uma mentira. Seu sorriso nas selfies provavelmente  uma mentira. Sua vida pode estar uma merda, mas melhor mentir para si mesmo e na selfie. Ao que parece as pessoas precisam de mentiras, aparências, fantasias, ilusões para viver.

agência de notícias anarquistas-ana

Cascavel enrodilhada
Desmente a paz prometida
Nos gorgeios da alvorada.

Lubell

[Espanha] A asfixiante lógica dos partidos

O anarquismo é uma das poucas filosofias políticas, talvez a única filosofia política, que permaneceu inabalável diante dos partidos políticos. Mas isso, infelizmente, não fez do Anarquismo uma referência política para muitos por causa de uma das características que lhe deu mais lucidez.

Os debates políticos comuns são geralmente absorvidos pela lógica partidária. Chega ao ponto em que é comum não saber falar de política sem sair desta lógica. É até provável que, ao defender posições diferentes em debates regulares, você seja apanhado em uma ou outra, mesmo que não se identifique com nenhuma delas. Os partidos baixaram o nível político, eles nos transformaram em covardes dogmáticos. A subcorrente mais simplista desta lógica exige que vejamos os bons e os maus ou, na melhor das hipóteses, cores básicas como vermelho, azul, roxo ou verde.

Um pouco de história

Poderíamos dizer que a origem dos partidos políticos é claramente burguesa. Os partidos políticos foram uma estratégia política concebida pela ala liberal no século XIX para enfrentar a ala conservadora do Reino da Grã-Bretanha. Enquanto a ala conservadora defendia a realeza e a nobreza, a ala liberal representava a jovem e crescente burguesia. A estratégia concebida para tornar a representação da burguesia nas instituições políticas da época mais eficaz provou ser um sucesso. Logo este modelo político começou a se espalhar pela Europa e mais tarde pela América, dando-lhe o caráter global que ele tem hoje.

Mas o sistema partidário não teria sido hegemônico se a esquerda não tivesse mordido a isca. O sistema partidário, que funcionou tão bem para os liberais, seria mais tarde abraçado pela esquerda. Foi precisamente este fato que foi uma das rupturas ideológicas da Primeira Internacional dos Trabalhadores. A cisão formou três grandes blocos, marxistas, social-democratas e anarquistas. Com exceção deste último, o resto não hesitou desde o início em assumir a estrutura partidária, chegando ao ponto de se aliar aos liberais como estratégia para chegar ao poder. Nada de novo sob o sol.

A falsa representação

A democracia representativa é claramente um conto de fadas, uma falácia. Normalmente, os representantes e os representados nem sequer falaram um com o outro e nem sequer se conhecem. Entretanto, existem outras questões que tornam impossível a representação política. Nenhum partido pode representar a maioria porque os partidos nascem de minorias, e essas minorias são elitistas e representam apenas a si mesmas.

O que poderia ter nos levado a pensar que uma invenção burguesa resolverá os problemas do povo? A resposta a esta pergunta provavelmente foi dada por Gramsci e Althusser. Althusser identificou o que ele chamou de Aparelhos Ideológicos do Estado: “sob a forma de instituições distintas e especializadas (religiosas, escolásticas, familiares, jurídicas, políticas, sindicais, de informação e culturais)“, Gramsci explicou-o da seguinte forma:

O que se chama opinião pública está intimamente ligado à hegemonia política, ou seja, é o ponto de contato entre a sociedade civil e a sociedade política, entre consenso e força… A opinião pública é o conteúdo político da vontade política pública que poderia ser discordante: por isso existe a luta pelo monopólio dos órgãos de opinião pública; jornais, partidos, parlamento, para que uma única força forme a opinião, e com ela a vontade política nacional, transformando dissidentes em pó individual e inorgânico.

Gramsci

Infantilizemos a política: a esquerda e a direita

Nem tudo são flores para um movimento, o movimento anarquista, que se deixou levar pelo simplismo e caiu nesta falácia. A lógica do partido sempre apresenta bons e maus; na melhor das hipóteses, uma gama cromática baixa de vermelhos, verdes, azuis e roxos.

Esquerda e direita há muito tempo se confundiram, se misturaram. É verdade que com o tempo o conceito de esquerda e direita mudou. Este conceito vem da Revolução Francesa, muito antes dos partidos. Os deputados que defenderam a monarquia e o feudalismo sentaram-se à direita, enquanto que à esquerda sentaram-se os defensores da soberania nacional e da igualdade. Mas, em geral, esta visão é consistente com a esquerda, que defende o interesse coletivo e o progresso social, enquanto a direita defende a preservação do status quo e do interesse individual.

A realidade é que existem partidos supostamente conservadores que frequentemente implementam medidas progressivas e partidos supostamente de esquerda que se entregam a medidas liberais ou conservadoras. Nosso mundo não é tão simples, tornou-se tremendamente complexo e apesar do fato de que a lógica dos partidos nos impele a continuar pensando à esquerda e à direita ou em cores primárias, o anarquismo deveria romper com este molde que tanto interessa aos que estão no poder.

Um exemplo claro de tudo isso é o uso do termo fascismo. Quando quebramos o termo, fascista é aplicado a quase tudo que cheira a direita. Há poucos dias, Emilio Gentile, historiador especializado em fascismo, explicou-o desta forma após o recente triunfo da extrema direita italiana:

O passado já passou. Pode e deve ser estudado, mas o presente deve ser compreendido para que se possa contar a história. Se tudo é fascismo, nada é. E o mesmo vale para a máfia. É uma distração contínua de outras ameaças que nada têm a ver com o regime do Duce, que, por sinal, não nasceu do medo dos migrantes.

Emilio Gentile

Emilio Gentile se propõe a chamar as coisas pelos nomes. Ele se propõe a começar a pensar, a pensar que isto não é simples e que a compreensão de nosso contexto social e político é complicada.

Dogma como bandeira

Os partidos políticos são dogmáticos, eles precisam de crentes. O eleitor ideal é uma pessoa absorvida e fanática, que está sujeita a ideias e preconceitos idealizados por um partido. Dogma é uma proposta aceita como inegável. Por exemplo, um eleitor de um partido neoliberal aceitará como dogma que “público é ineficiente e privado é eficiente”, assim como um eleitor de um partido racista aceitará “que os imigrantes roubam seus empregos”. Mas os dogmas do partido não podem ser apenas qualquer coisa, anos e anos de argumentos têm sido aperfeiçoados em pessoas que não os questionam. Jean Lacroix colocou dessa forma:

Isto terminou em uma deformação séria e dupla: religião e metafísica, que estão no domínio do absoluto, são tratadas de um ponto de vista político, ou seja, relativo, enquanto a política, que está no domínio do relativo, é tratada de um ponto de vista metafísico ou religioso, ou seja, absoluto.

Jean Lacroix

Mas nem todos os dogmas são políticos. Um dos principais dogmas que aceitamos quando participamos da democracia representativa é o fato de que não podemos sequer escolher o nome do representante, a fé nos permite confiar nas pessoas recomendadas pelo partido.

Os partidos continuamente deslocam o debate. A intenção é nos distrair da verdadeira questão, a fim de focalizar a atenção neles e, em última instância, em seus dogmas. Busca-se uma conexão emocional, para que a lealdade seja mais provável para os eleitores. Um bom eleitor ignora e distorce qualquer realidade que questione sua lealdade. Isto é o que Leon Festinger em 1950 chamou de dissonância cognitiva.

Uma guerra fratricida

Mas os partidos desempenham outro papel fundamental em nossa sociedade: dividir-nos. Os partidos políticos têm que responder às percepções, eles têm que aparecer como escolhas presuntivamente inteligentes para as pessoas em um determinado momento de suas vidas. Ao escolher o partido entramos em conflito com o resto de nossa classe social, e aquele que não escolheu nosso partido é o inimigo.

A lógica dos partidos na Espanha tem se baseado fortemente no nacionalismo. Os nacionalismos foram e são fruto de muitas rupturas sociais, eles confrontaram populações em exercícios excepcionais de cooptação. Isto levou a população a tirar bandeiras e retalhos de diferentes cores das janelas para se matarem uns aos outros nas ruas para defendê-las. Para o poder isso é ideal, pois rompemos os laços sociais e nos cansamos de defender os espaços que nos são impostos pelos partidos decadentes. A situação é muito semelhante à de uma guerra, enquanto nos matamos argumentativamente, aqueles que projetaram o conflito sequer entram na lama que nos atiraram.

Fazer com que a população rompa com os partidos é uma nova oportunidade para criar estruturas sociais de colaboração e não de confronto. Uma visão bastante controversa defendida por muitos cientistas políticos é que as pessoas que aparentemente se encontram em polos opostos da política responderão a perguntas específicas da mesma maneira. Em outras palavras, para um neonazista e um marxista, seus objetivos de vida podem ser bastante semelhantes. Sem defender esta observação polêmica, vale a pena refletir sobre a seguinte pergunta: como nossas ideias políticas foram cooptadas? Direcionamos nossas ideias políticas para lutar contra o que está acima e não contra o nosso igual? Perturbamos o poder ou seguimos o seu jogo?

Neoliberalismo

O poder que nos oprime é o poder neoliberal ou como alguns o chamam: “capitalismo”. Não é a direita e não é o fascismo. O contexto atual, o de parte da Península Ibérica, é o de um partido como o VOX que começou a subir como um incêndio nas urnas, está nas notícias, capta a atenção dos meios de comunicação e é branqueado pela mídia. Não podemos argumentar que nossa classe dominante é fascista ou de direita ou que o neoliberalismo é outro tipo de fascismo. Esta é uma estratégia e é provável que a estratégia seja muito inteligente. De fato, há alguns dias soubemos de um vazamento no Wikileaks mostrando como o Grupo Eulen, El Corte Ingles, Nestlé, FCC, OHL contribuíram através da “Hazte Oír” para a ascensão da extrema direita.

Mas não é apenas a direita. Tomemos um exemplo de uma provável estratégia neoliberal que aconteceu não há muito tempo. Ele é Pablo Iglesias 2 anos após o surto do 15M, quando ele apareceu em La Sexta com o melhor do esgoto midiático atualmente considerado; em 2013 La Sexta era o mesmo de agora, mas enganava mais pessoas e tinha mais telespectadores:

https://www.youtube.com/watch?v=-NCYQCiz25I

Na época, era do conhecimento geral que Pablo estava planejando fundar um partido. Este partido foi a maneira ideal de trazer as ovelhas perdidas de 15M de volta para o curral e o plano funcionou como um encanto. Uma pessoa com uma oratória sensacional e um discurso impressionante pegou os perdidos de 15M e os fez continuar votando. Pablo Iglesias foi um dos principais desmobilizadores de um movimento anti-partidário, horizontal e muito perigoso para o neoliberalismo. Mas o erro neoliberal foi dar a Pablo muitos minutos e eles foram longe demais e o partido Podemos conseguiu praticamente ultrapassar a esquerda mais servil ao capital, o PSOE. Assim, nos anos que se seguiram, Pablo Iglesias foi espancado, manchado e indignado por seus companheiros de assento em 2013. Aqueles que ele agora desdenha jogaram bem o jogo.

O neoliberalismo é uma cultura que desculturaliza. O objetivo do neoliberalismo é torná-lo analfabeto, inculto e um consumidor compulsivo. Erich Fromm, em 1965, disse assim:

Homo Consumens é o homem cujo objetivo principal não é principalmente possuir coisas, mas consumir cada vez mais para compensar seu vazio interior, sua passividade, solidão e ansiedade (…) Homo Consumens está sob a ilusão da felicidade, enquanto inconscientemente sofre com seu tédio e passividade. Quanto mais poder ele tem sobre as máquinas, mais impotente ele se torna como ser humano; quanto mais ele consome, mais ele se torna um escravo de necessidades cada vez maiores.

Erich Fromm

A política de hoje também é algo como consumismo, na prateleira você pode escolher entre 4 ou 5 produtos. Não há espaço para reflexão, participação ou nuance, infelizmente, tudo já está no caminho certo. Os parlamentos de hoje são parlamentos neoliberais, a esquerda e a direita são assimiladas. Foi o que nos disse Foucault, sendo especialmente duro à esquerda. Para Foucault, os partidos socialistas aceitam o modelo liberal e seus governos tentam distorcê-lo administrativamente, sendo impossível para um partido socialista colocar o socialismo em prática em um quadro de parlamentarismo neoliberal.

Acabando com os partidos

Não é uma tarefa fácil, muito pelo contrário. Durante os anos 90, muitos cientistas políticos previam o declínio e a queda dos partidos. Infelizmente, estas instituições políticas provaram superar muitos dos desafios que se acreditava que não seriam capazes de superar. Entretanto, não podemos descartar a possibilidade de que talvez estas instituições estejam em declínio e sejam o elo mais fraco da democracia representativa. O 15M foram o movimento social recente que mais se aproximou do colapso político na Espanha, e foi principalmente contra os partidos. Também não podemos dizer que o 15M foi um movimento antipartidário em sua totalidade, na verdade acabou se degenerando em pelo menos dois partidos. Mas a grande maioria do movimento é, e era crítica ao sistema bipartidário como um todo. Aprender com os erros e sucessos deste movimento talvez nos torne mais precisos na próxima vez em que nossa sociedade se voltar contra os partidos.

Embora a esquerda tenha desempenhado um papel fundamental nos parlamentos neoliberais, o anarquismo não desempenhou. Isto levou ao anarquismo a ser punido, sendo submetido às mesmas receitas com as quais os partidos cooperam seus eleitores. Dogmas como “o anarquismo é utopia” ou ligar o anarquismo ao caos têm sido perpetrados a partir do poder e utilizados pelos políticos de partidos. Hoje, muitas pessoas em nossa sociedade aceitaram estas falácias na ponta dos pés e sem questionar. A anarquia é perfeitamente possível, tem sido demonstrada em inúmeros contextos históricos e os poderes que têm se empenhado em derrubar rápida e vigorosamente qualquer uma de suas formas. O anarquismo não só provou ser inútil para os poderes que o são, como também provou ser perigoso.

Longe de exaltar o anarquismo, hoje ele é uma ideologia minoritária. Devemos ter alguma reflexão, quaisquer que sejam nossas tendências políticas, contra os partidos. Uma sociedade revolucionária que busca a participação dos cidadãos deve se opor aos partidos e suas múltiplas formas (fundações, sindicatos, organizações juvenis…).

Acabemos com os partidos de uma vez por todas!

Fonte: https://diariodevurgos.com/dvwps/la-asfixiante-logica-de-partidos.php

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Lâmpada vermelha
no umbral da taberna. O vento
diz que ela bebeu.

Alexei Bueno

[Espanha] Lançamento: “Os Amigos de Durruti na Revolução Espanhola”, de Miguel Amorós

Os Amigos de Durruti foram uma das pontas de lança da Revolução Espanhola de 1936-1939. Nascidos no coração da Coluna Durruti, eles eram uma associação formada por militantes da CNT e da FAI que foi formada com objetivos claros: promover a resistência à militarização, questionar a colaboração com o governo, promover a revolução e deter a contrarrevolução. E coube a eles denunciar incessantemente a entrada de anarquistas no governo, a perda do poder dos sindicatos e agrupamentos e a repressão e prisão de trabalhadores revolucionários.

Suas opiniões fizeram deles o grupo mais avançado e lúcido da época e desempenharam um papel fundamental nos eventos de maio de 37. Difamados, censurados e proibidos pelas autoridades, suas publicações – principalmente El Amigo del Pueblo – que também sofreram perseguição e censura, desempenharam um papel crucial e ainda hoje são essenciais para a compreensão desse momento histórico.

Com seu rigor e meticulosidade característicos, Miquel Amorós reconstrói, com base nos escritos de Los Amigos de Durruti, a história deste grupo que apostou tudo para ganhar a guerra sem perder de vista por um momento o triunfo da revolução. Apesar da abundante bibliografia disponível, este ensaio histórico – no qual os protagonistas têm voz – é um dos livros mais completos disponíveis sobre o processo revolucionário e contrarrevolucionário na Espanha em 1936.

Los Amigos de Durruti en la Revolución Española

Miguel Amorós

ISBN 978-84-18998-07-2

312 pp., 24×17 cms.

Preço: 21,40 euros.

www.pepitas.net

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

um tufo de algodão
flutuando na água
uma nuvem

Rogério Martins

[Espanha] 28 de junho – Dia Internacional dos Direitos das Pessoas LGTBIQ+

Após mais de dois anos de pandemia, durante esses dias, as ruas de diferentes cidades estarão repletas de cores para reivindicar os direitos das pessoas LGTBIQ+.

Estas mobilizações, que enchem as ruas de música, cor, performances, a reivindicação da diversidade, dissidência e vida, tornaram-se uma das mobilizações sociais mais importantes do ano, embora a verdadeira mensagem que querem transmitir seja muitas vezes distorcida.

Da CGT incentivamos todos os membros e a sociedade em geral a participar das diferentes mobilizações em defesa das pessoas LGTBIQ+, e a fazê-lo de forma festiva, lúdica e solidária, mas sem esquecer que estas mobilizações não são apenas uma forma de defender as pessoas LGTBIQ+, mas também uma forma de mostrar solidariedade com elas.

Solidariedade, mas sem esquecer que estas mobilizações também devem servir para denunciar a situação que nossos camaradas LGTBIQ+ continuam vivendo na Espanha, onde as agressões contra este grupo aumentaram nos últimos anos e onde a extrema direita está tentando estigmatizar estas pessoas. Esta estigmatização da diversidade afeta todas as pessoas da classe trabalhadora, toda a humanidade.

É por isso que, da CGT, desejamos que estas exigências não permaneçam nos atos que são celebrados esta semana, mas que diariamente, em nossos bairros, em nossas cidades, em nossos locais de trabalho… reivindicamos com orgulho os direitos do povo LGTBIQ+.

ORGULHO DE CLASSE

Fonte: https://cgt.org.es/panel/28-de-junio-dia-internacional-por-los-derechos-de-las-personas-lgtbiq/

agência de notícias anarquistas-ana

Neblina? ou vidraça
que o quente alento da gente,
que olha a rua, embaça?

Guilherme de Almeida

Fotos: colônia no Paraná foi primeiro registro de comunidade anarquista na América Latina

Episódio 92 do PodParaná reconta a história da comunidade formada por imigrantes italianos, idealizada por Giovanni Rossi e que existiu entre 1890 e 1894.

A Colônia Cecília, comunidade anarquista construída em Palmeira, cidade a 80 km de Curitiba, foi idealizada pelo italiano Giovanni Rossi, juntamente com outros cinco conterrâneos.

O episódio 92 do PodParaná reconta a história da comunidade formada por imigrantes italianos que existiu entre 1890 e 1894 no Paraná.

Para conhecer melhor essa história ouça aqui o episódio. Abaixo, g1 preparou algumas fotos históricas de fatos que marcaram a comunidade e também do memorial construído na cidade de Palmeira que relembra o fato histórico.

Fonte: https://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2022/08/19/fotos-colonia-no-parana-foi-primeiro-registro-de-comunidade-anarquista-na-america-latina.ghtml

agência de notícias anarquistas-ana

Será mais bela a noite acesa?
sussurra a voz dela
prolongando o crepúsculo.

Etsujin

[Portugal] Contra os gigantes da energia, auto-defesa e auto-organização eco-feminista

Os governos neoliberais confiam a solução da crise energética aos mesmos senhores que a provocaram. As eco-feministas e defensoras da terra põem a nu as contradições de uma transição energética corporativa e desenvolvimentista que, se é que renova alguma coisa, é o conflito capital-vida.

Este artigo começou a ser escrito na semana em que entrou em vigor no Reino de Espanha o novo sistema de tarifas da luz, que obriga os e as cidadãs a usar eletrodomésticos em horas de descanso se não quiserem que a sua factura dispare. O Governo defendeu esta mudança como chave para fomentar a poupança energética, a eficiência, o auto-consumo e o desenvolvimento dos veículos elétricos. Isto é, responsabiliza as e os pequenos consumidores por tudo isso em vez das grandes empresas. A jornalista Maria Ángeles Fenández critica numa análise na revista Pikara a falta de perspectiva de gênero na medida: “A nova facturação vai afetar o trabalho doméstico e de cuidados, em muitos casos alargando as jornadas [de trabalho] já por si infinitas”.

Questionada sobre este assunto numa entrevista radiofônica, a vice-presidenta Carmen Calvo saiu-se com feminismo descafeinado: “A grande questão não é quando se põe a máquina a lavar mas sim quem a põe”. A grande questão é que a maioria das pessoas que convivem com a pobreza energética são mulheres. Como Rosa, a idosa viúva de Reus que morreu num incêndio porque iluminava a sua casa com velas desde que a empresa Gás Natural Fenosa (hoje Naturgy) lhe cortou a luz por falta de pagamento. O Supremo Tribunal de Justiça da Catalunha, aliás, anulou a multa de 500.000 euros que a Generalitat [Governo da Catalunha] impôs à Naturgia, como denuncia a Aliança contra a Pobreza Energética. Não é por acaso que esta organização é liderada por mulheres, tal como o são as plataformas contra os despejos. Rosa é um dos rostos da pobreza energética; o outro é o de uma mulher migrante, dedicada ao trabalho doméstico (fora e dentro de sua casa), chefe de uma família monoparental. Às dores de cabeça pelos cortes de energia, pelas temperaturas inadequadas e pelas dívidas, soma-se agora um fardo mental ainda maior.

Encontramos o reverso dessa vulnerabilidade interseccional nos conselhos de administração das multinacionais da energia: os homens acumulam cerca de 85 por cento dos postos diretivos na Repsol, Endesa, Naturgy e Red Eléctrica de España. No setor da energia eólica, os números superam os 90 por cento.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://www.jornalmapa.pt/2022/10/19/contra-os-gigantes-da-energia-auto-defesa-e-auto-organizacao-eco-feminista/

agência de notícias anarquistas-ana

na boca da fornalha
labaredas
dançam Falla

Eugénia Tabosa

 

Dilemas sobre os revolucionários e a participação eleitoral

Por Jack Diniz | 24/10/2022

Ao considerar o histórico da militância operária e socialista no Brasil, do qual o anarquismo foi o pioneiro e também primeira força com expressão de massas, se detecta que desde o começo do século XX já existia o debate sobre a participação eleitoral, na época de hegemonia anarquista. Além da questão principialista do abstencionismo anarquista, outros fatores históricos como exclusão do processo eleitoral de analfabetos, mulheres e imigrantes retiram a importância dessa questão na luta operária da época, pois a via da ação direta era a única alternativa.

A partir da criação do PCB, em 1922, o debate sobre a participação eleitoral da classe trabalhadora ganhou um novo fôlego com surgimento do partido, desde sua criação ele priorizou a disputa democrático-burguesa, o símbolo dessa virada histórica foi a criação do BOC (Bloco Operário e Camponês), sendo a primeira experiência de ”candidaturas operárias” a disputar as eleições de 1927 e 1930 e depois dissolvido na ditadura varguista.

O que se seguiu, na experiência eleitoral do PCB, foi uma série de experiências históricas contraditórias, e malsucedidas, de alianças com a burguesia nacional que levaram a nenhum avanço revolucionário, muito menos democrático burguês, pois todas as táticas de alianças em momentos decisivos esbarraram em traição ou golpismo, mas o principalmente sem poder de mobilização de massas. O PCB que foi reprimido e dissolvido pelo Varguismo, foi o mesmo que apoiou posteriormente Getúlio até sua queda, tudo em prol da “unidade pelo desenvolvimento nacional” e da “luta anti-imperialista”. O PCB, que achou que apoiando os políticos progressistas iria frear o golpe de 1964, se viu novamente na ilegalidade e cumprindo o papel de bombeiro contra a resistência armada até a reabertura do regime militar, os mesmo militares que hoje retornam à arena eleitoral.

Mesmo após a redemocratização e a suposta ruptura com a estratégia de unidade com burguesia nacional, as contradições do partido continuaram, como por exemplo, o apoio ao pilantra Anthony Garotinho em 1998, até chegada do atual momento onde o PCB e toda “esquerda socialista” como UP, PSTU e PSOL, ou até setores autônomos e anarquistas (por comprarem as narrativas petistas de “golpe” ou “fascismo”), estão apoiando acriticamente a chapa Lula/Alckmin em prol da defesa da democracia burguesa e contra um fascismo imaginário. Assim a “esquerda socialista” mostra nas suas ações e história que a sua aposta maior não é em ir ao povo e mobilizar as massas, como repetem no seu discurso, mas sim, apostar nas urnas. Se isso é a estratégia de construção por “todos os meios possíveis”, fica evidente qual é o meio mais privilegiado dentro desta estratégia.

Muito se fala do voto em Lula ser ” conjuntural ” para derrotar o fascismo e para defender a democracia, ou para escolher um “mal menor”, mas no fundo isso mostra o grave processo de degeneração da chamada “esquerda socialista” que está muito aquém da socialdemocracia histórica, a qual cumpria um papel positivo de construir um movimento de massas reivindicativos e também de crítica às mazelas do capitalismo. Mesmo no primeiro governo do PT, alguns setores do reformismo tiveram algum “papel positivo” como a criação de um polo anti-governista e anti-petista, como o PSTU, quando gestou a Conlutas, a qual foi liquidada pelo próprio partido.

Hoje os partidos reformistas parecem não ter nenhuma estratégia além da via eleitoral, e ainda cumprem o papel de linha auxiliar do petismo sem ganharem nada além de esperança. O que era “tático” virou “estratégico” e chegaram ao ápice do oportunismo ao boicotarem as mobilizações e lutas contra o governo fraco e débil de Bolsonaro para “deixar o governo sangrar” até as eleições. A “esquerda” optou por inúmeras passeatas inúteis ao invés da construção de greves nacionais, não por erro tático, mas porque sua grande aposta para tirar Bolsonaro do poder sempre foi a via eleitoral.

O ABSTENCIONISMO COMO LINHA AUXILIAR DO “FASCISMO”

A defesa da democracia burguesa une conservadores, liberais, reformistas, mercado e empresas, todos fazendo campanhas contra a abstenção eleitoral e chegando em alguns casos, de esquerdistas reformistas, a dizerem que o abstencionismo é uma linha auxiliar do “fascismo”, descontextualizando que foi a própria farsa da democracia burguesa que levou Bolsonaro até o poder, mas também ofuscando que todos erros, colaborações e traições de classe do reformismo do PT que fizeram gestar no Brasil o seu irmão siamês, à direita, o bolsonarismo.

Outra questão, é a análise feita pela militância de forma geral de que a abstenção seria menor devido a polarização eleitoral, a qual se mostrou equivocada. O olhar da militância, seja ela reformista ou revolucionária, é muito limitado às suas respectivas bolhas de atuação, nos poucos locais que têm atuação, universidades federais ou outros setores do funcionalismo público, existe um abismo que distancia a maior parte da militância da realidade do povo. Por esse motivo, o campo de visão de uma militância que ainda é hegemonizada pelo pequeno-burguês, mesmo que por instinto, tem um grau de alcance muito mais curto e leva a erros de análise, além de práticas muito mais moderadas que as do próprio povo.

Dentro das massas populares, seja o setor que vota ou o que não vota, desenvolveram uma repulsa à política parlamentar devido sua longa experiência histórica cheia de desilusões e traições, por isso nas estatísticas a maior percentagem de abstenção eleitoral se concentra nas classes mais populares, o mesmo o setor do povo que vota tanto à direita e também à esquerda, pois o povo trata o voto de maneira muito mais pragmática e menos “idealista” que setor da militância que é oriundo da pequeno-burguês.

Para o segundo turno, os mesmos que apostaram que a polarização iria ter impacto nas abstenções, apostam que a liberação de ônibus surtirá efeito redutivo, ou seja, entendem que ideologicamente o povo quer participar do teatro eleitoral, mas que não tem condições materiais para isso. Os que analisam dessa forma não olham com atenção nem mesmo para caso específico brasileiro e muito menos para as tendências internacionais. Um elemento indispensável da conjuntura nacional é que desde a “reabertura democrática” a militância política no Brasil (à esquerda e a direita) é hegemonizada pelos extratos médios da sociedade e seus interesses, o mesmo extrato social que tem apreço pela democracia burguesa, pois goza de seguridade social nela. Por outro lado, a maior parte do povo brasileiro é composta de uma massa trabalhadora que está à margem de qualquer direito e que não tem apreço algum pela democracia, pois já vive em estado de exceção permanente antes mesmo da instituição da primeira república. Por fim deve-se levar em consideração que a crise da democracia burguesa é internacional e que o abstencionismo, ou seja, a descrença na democracia burguesa é crescente em todos os continentes.

As Defesas do Voto em Lula: Para Barrar o Fascismo e a pobreza

Principalmente dentro da militância socialista, um dos argumentos que justifica o voto em Lula é que uma questão conjuntural, assim como usam exemplos históricos para justificar o seu oportunismo, desde o combate ao fascismo ao combate à pobreza.

Primeiro é preciso não banalizar conceitos históricos, o fascismo histórico é bem distinto do que é o governo Bolsonaro, ou o bolsonarismo, primeiro porque os fascistas são anti-liberais, tem um programa de nação claro e privilegiam a tomada do poder ou sua manutenção pela força. Por outro lado, não dá para negar o avanço do reacionarismo-conservadorismo no Brasil, porém o mesmo cresceu justamente devido às estratégias de conciliação e traição de classe do reformismo petista.

O PT plantou anos de desmobilização, de regressão de consciência e desorganização dos trabalhadores, anos de traições, de acordos e conchavos com a direita, reestruturação de repressão, criação de leis como lei das drogas, lei antiterrorista, criou a UPP, colocou a bancada evangélica e ruralista no governo, e a esquerda queria que fosse colhido o quê?

Bolsonaro vai ter ‘”que comer muito feijão com arroz” para chegar no nível de repressão que existiu nos governos do PT, vale lembrar das UPP nos morros do RJ, as operações militares no Haiti, as prisões nos protestos de junho de 2013, na Copa do Mundo e a já citada “Lei Antiterrorista”. Ou seja, antes de ser uma solução para derrotar o tal “fascismo”  o PT é parte do problema. Para se derrotar o bolsonarismo também é necessário derrotar o lulismo, a única maneira de se derrotar um fascismo seja o institucional que é real, ou seja, histórico, é organizando a classe trabalhadora numa linha de massa e  combativa, não temos caminhos fáceis e a curto prazo.

Sobre o combate à pobreza, fome, as análises da militância socialista colaboracionista jogam no lixo método de análise materialista, primeiro que a fome nunca acabou nos governos do PT, nenhum governo do mundo resolve todos problemas do povo, pois os mesmo são estruturais e o próprio Estado existe para garantir os privilégios e a exploração das massas populares. Mas os “pequenos avanços sociais” que aconteceram nos governo do PT se devem a uma particularidade da linha desenvolvimentista do PT de colaboração de classe, e principalmente, ao contexto econômico do país que permitia certas concessões às massas pobres, mas nada muito além do que já era previsto  previstos nas cartilhas neoliberais do FMI, recomendações de natureza anticíclicas e anti-revoltas populares por meio de políticas assistenciais.

Porém, em um provável novo governo do PT será difícil reproduzir o contexto dos primeiros mandatos do PT, principalmente devido ao contexto econômico mundial e também pela provável dificuldade de governabilidade em um governo petista, sabendo disso o PT já vem dialogando com nomes do mercado como Henrique Meirelles e Pérsio Arida e se aproximando do centrão, deixando claro que vai continuar seguindo as imposições do mercado.

ABANDONAR A ESQUERDA COM SUAS ILUSÕES E RETORNAR AO POVO

É necessário aos revolucionários terem autocrítica sobre os erros tomados nessas últimas décadas, ao seguirem a estratégia da militância reformista centrando forças na disputa de bases e sindicatos das universidades públicas e do funcionalismo público, desse modo, aos poucos as organizações revolucionárias foram se “aburguesando”, se moderando de acordo com o ambiente, e assim sendo contaminados pelas práticas e valores presentes nesses meios, o que causou degeneração em nossas fileiras. Existe uma confusão do que é tática e o que é estratégica, ou há falta de ambas, não há diferenciação entre espaços ideológicos de minorias-ativas e os espaços de massa, falta clareza revolucionária e existem vários outros desafios que temos a superar.

Porém uma certeza podemos extrair da opção pela via eleitoral, ela só aprofunda o reformismo e as degenerações. O caminho eficaz para libertação do povo será longo e penoso, mas os primeiros passos que devem ser dados é ir ao povo, à massa popular dos sem seguridade social, e nos inserirmos nela, aprendermos com ela, sempre respeitando a sua experiência histórica, sem sectarismo ou doutrinarismo. O objetivo deve ser construir uma via autônoma daqueles trabalhadores, que desprezam tanto a chamada esquerda, como a direita, sem vícios acadêmicos, sem idealismo abstratos, assim deve começar o grande trabalho de reorganização a classe trabalhadora numa via autônoma e combativa de baixo para cima, para que no futuro tenhamos força real e viva para lutarmos em aliança junto a grande massa popular, nos garantindo somente na força do povo, sem mais ilusões eleitorais.

agência de notícias anarquistas-ana

Trégua de vidro:
o canto da cigarra
perfura rochas.

Matsuo Bashô

[Chile] A Urgência requer contundência: Tiremos Alfredo Cospito do isolamento. Palavras do companheiro Francisco Solar

A greve de fome como ferramenta de luta é o último recurso que tem o preso para combater a asfixiante vida na prisão. É uma medida extrema onde se põe o corpo como última trincheira de combate. A urgência determina a decisão de levar adiante uma luta destas características. Urgência que, sem dúvida, apresenta hoje a situação do companheiro Alfredo Cóspito a quem o Poder tenta silenciar sob um isolamento insano.

Perceberam suas ações como duros golpes que, de serem replicados e multiplicados, poriam em dificuldades a ordem imposta.

Viram em seus escritos e propostas importantes contribuições às ideias e práticas sediciosas que constituem um perigo para qualquer expressão de autoridade. E não se equivocam.

Por esses motivos decidiram aplicar o 41 bis a Alfredo. Ante esta arremetida não nos resta mais que responder com força, com decisão, tendo claro que esta é uma luta por Alfredo e por todos os que nos posicionamos contra o Poder. Entendendo a importância que significa dar esta batalha, percebendo-a como uma oportunidade para estreitar laços e cumplicidades em um internacionalismo de ação.

Não é momento para a reflexão nem para o debate. É momento para a guerra, para a irrupção violenta, para dar vida e potencializar essa solidariedade revolucionária que constitui parte de nosso arsenal prático que sabemos utilizar.

Nutramo-nos de nossas experiências passadas para tirar o melhor do nosso e quebremos esta normalidade cidadã com contundentes golpes que demonstrem a periculosidade da solidariedade anárquica.

Deixemos de lado os discursos vitimistas e ataquemos o Poder ali onde se encontre, já que essa é a única maneira que temos para tirar Alfredo do isolamento e terminar com o 41 bis. E quanto mais contundentes sejam estes ataques seu impacto será maior e, portanto, sua capacidade de incidência e irrupção aumentará, o que certamente fortalecerá as expressões de solidariedade anárquica.

Tiremos Alfredo Cóspito do isolamento!
Terminemos com o 41 bis!
Viva a Anarquia!

Fracisco Solar
Cárcere La Gonzalina – Rancagua
Outubro 2022

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/10/21/italia-sardenha-o-anarquista-alfredo-cospito-inicia-uma-greve-de-fome/

agência de notícias anarquistas-ana

Até o barreleiro
Já parou de gotejar –
O canto do grilo.

Nozawa Bonchô

[México] Encapuzadas queimam bandeira mexicana na Ciudad Universitaria

Um grupo de manifestantes causou alguns danos à Torre da Reitoria da UNAM para exigir justiça.

Um grupo de manifestantes conseguiu retirar a bandeira monumental de um dos mastros da Ciudad Universitaria e queimá-la como protesto e exigir justiça após um caso de abuso sexual ocorrido há uma semana na Faculdade de Ciências e Humanidades (CCH Sur).

Em vídeos que circulam nas redes sociais, algumas mulheres do que é conhecido como o Bloco Negro podem ser vistos quando elas conseguiram baixar a bandeira.

Elas também conseguiram subir o edifício da Torre da Reitoria para vandalizar o mural de David Alfaro Siqueiros.

Fonte: agências de notícias

agência de notícias anarquistas-ana

Até mesmo a névoa
Rajada a se levantar –
É o ano do tigre.

Matsunaga Teitoku

[Espanha] Ecologismo Integral e a necessidade de novas instituições

Pedro A. Moreno apresentou neste fim de semana seu novo livro em Malatesta Kultur Lubakia, em Bilbao, “nuevas Institucionalidades”. A aposta organizativa do ecologismo integral, na qual combina anarquismo, ecologismo, feminismo, confederalismo democrático e outros conceitos, com uma proposta concreta de transformação de nosso território.

Nos últimos anos a necessidade de organização é cada vez mais evidente. Está ocorrendo em torno das ideias marxistas, mas também em torno do anarquismo. A longa crise econômica, a expansão do capitalismo a todos os aspectos da vida, a radicalização da direita, a confirmação das piores perspectivas a respeito da mudança climática, o auge do militarismo, os limites do Estado-Nação para gestionar a situação, a tentativa de solução parlamentar e municipalista e seu fracasso, mas também experiências contemporâneas em outros territórios, debates e propostas no Sul Global, a expansão do feminismo, entre outros, são elementos que estão acelerando o debate organizativo e propositivo.

A proposta de Pedro A. Moreno se baseia na ecologia social, denominando-a ecologismo integral (que já havia trabalhado em seu anterior livro, Ecologismo Integral). Escolher este caminho, o ecologismo, não é uma frivolidade. Quando fala do ecologismo integral diz que, sim o planeta não tem futuro e que, portanto, é uma abordagem que deve influir em nosso entorno sociopolítico e meio ambiental. Por isso, o ecologismo integral que propõe é uma difusão teórica do pensamento libertário, o qual põe no centro do discurso a importância de defender o território e suas espécies, uma tradição libertária que, desde uma perspectiva pragmática, se combina nesta proposta política com outras tradições como as lutas obreiras, a autogestão, o feminismo e a história do movimento ecologista.

No livro se explica a proposta de ecologismo integral. Conhecer em profundidade de que trata o deixo nas mãos da leitora. Eu, em meu caso, fico com um elemento: a necessidade de novas instituições. No anarquismo vulgar costuma confundir-se as instituições com a administração pública ou com o Estado. Uma instituição, ao contrário, é uma prática que alcançou um amplo grau de aceitação social, são as normas de funcionamento da sociedade. Por isso, se queremos buscar e promover a transformação social, é imprescindível construir novas instituições. Isto o tinham claro os anarquistas clássicos, um dos quais é exemplos era Malatesta:

“A revolução é a criação de novas instituições, de novos agrupamentos, de novas relações sociais, a revolução é a destruição dos privilégios e dos monopólios; é um novo espírito de justiça, de fraternidade, de liberdade, que deve renovar toda a vida social, elevar o nível moral e as condições materiais das massas chamando-as a prover com seu trabalho direto e consciente a determinação de seus próprios destinos”. –Errico Malatesta, Pensiero e Volontá, 15/06/1924

Seguindo este caminho, Pedro A. Moreno faz uma proposta valente, enfatizando a importância das novas instituições. A colaboração é precisa, não cai no academicismo, mas que está feita para pô-la em prática na realidade do dia a dia. Toma como base o ecologismo, mas não qualquer tipo de ecologismo: um que o capitalismo não pode assimilar. Os projetos estatistas e reformistas do capitalismo estão neutralizando as propostas para tentar fazer frente à mudança climática, ao desastre ecológico e o decrescimento, em benefício deles mesmos. As propostas para um Green New Deal que fazem alguns partidos políticos mantêm a hegemonia neocolonial sobre o Sul. O Ecologismo Integral luta explicitamente contra isso. Por isso, neste contexto demolidor, propõe que os ecologistas sociais devem aceitar um roteiro pragmático, com a ajuda do decrescimento, como elemento vertebral para criar alternativas plurais e inovadoras. A que busca desprofissionalizar a política, a que vincula a autogestão a um novo tipo de cooperativismo, a que pretende garantir a participação efetiva das pessoas nas decisões que lhes afetam. Uma proposta que se centra em territórios concretos, nas bio regiões. proposta que combate com o nacionalismo estatista mediante o federalismo.

Para finalizar, “Nuevas Institucionalidades” é um ensaio que trata de propor como, onde e com quem trabalhar. Como enfatiza o autor, provavelmente muitas das respostas que se oferecem não sejam de todo satisfatórias e requeiram uma reflexão coletiva. Um processo no qual diferentes agentes sociais e pessoas deverão analisar o trabalho a realizar para aproximar-se ao maior consenso coletivo possível. Um livro escrito longe da ortodoxia ideológica que trata de unir pragmatismo e coerência.

 ICEA

Fonte: http://www.iceautogestion.org/index.php/es/noticias-pagina/ecologismo-integral-y-la-necesidad-de-novas-instituições

Tradução > Sol de Abril

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