Atribuição de atentado explosivo contra Sercor S.A dependente de AntarChile

Na noite de 19 de outubro, a três anos da revolta atacamos com dinamite a empresa SerCor situada na comuna de Las Condes, especificamente no edifício 150 da Av. El Golf.

SerCor S.A é uma empresa do centro corporativo do Grupo Angelini que oferece assessorias e apoio a diretorias de empresas para o desenvolvimento administrativo de seus negócios capitalistas. SerCor está sob o controle de AntarChile que é uma sociedade maior de investidores, também pertencente ao Grupo Angelini, e que gestiona ativos por mais de 20.000 milhões de dólares.

AntarChile é proprietária de mais de 70% das ações da florestal Arauco, empresa com 1.6 milhões de hectares de mono cultivo responsável pela degradação e devastação dos solos e que repercute severamente contra as condições mínimas que necessita uma comunidade para viver; como, por exemplo, o acesso à água e terras cultiváveis. Além disso, o projeto MAPA impulsionado por Arauco planeja modernizar a indústria de celulose no sul do Chile reforçando o extrativismo transnacional na Argentina, Brasil, Peru, Equador, Colômbia, Uruguai, Canadá, Estados Unidos, Panamá, entre outros países.

Antar também é proprietária das empresas pesqueiras da Corpesca, Igemar e Orizon com um controle em ativos de mais de 80%. Há que recordar que a empresa pesqueira Corpesca subornou pagando mais de 200 milhões ao ex senador Jaime Orpis (UDI) e a ex deputada Marta Isasi (ex UDI) para que defendessem os interesses industriais pesqueiros no congresso. Longueira, foi outro dos que tirou proveito nesta trama; conhecida é a “Lei de Pesca” ou “Lei Longueira”, a qual beneficiava a grande indústria pesqueira em detrimento do pescador autônomo. Através de diversos provedores, este político recebeu uma soma de 730 milhões de pesos entre setembro de 2009 e março de 2015 provenientes da empresa Corpesca. Dito suborno buscava influenciar a que o projeto de Lei fosse favorável às grandes empresas industriais da pesca.

Como se fosse pouco, Antar é proprietária de 90% das empresas de distribuição de combustível e gás como Copec, Abastible, Metrogas e Agesa, e outros negócios das mineradoras de Camino Nevado e Alxar. A grande maioria das empresas antes mencionadas têm um andar em particular no edifício que atacamos. Representam agências chaves para a consolidação do sistema neoliberal e extrativista, desde antes da ditadura até a atualidade.

Hoje vemos como o governo de Boric está sendo cúmplice da ratificação do Tratado Integral e Progressista da Associação Transpacífico (TPP-11), que sem dúvida lhes entrega maiores atribuições legais às empresas da AntarChile. Este governo é parte de alianças estabelecidas por FA, PS, PPD, PC, que, em seu momento em conjunto com a direita, lhe fizeram uma barreira de segurança à revolta de outubro com a abertura a um pacto constitucional, e que agora está voltando ao mesmo curso, com um novo processo constituinte entre os grupos dominantes em acordo. Negamos deste processo que partiu e culminou sendo um fracasso, centralizando as lutas a níveis de discussão burocratizantes no qual a espera e a reacomodação econômica é o doce mais saboroso.

Aos companheiros de ação, que continuaram coerentes e persistentes no novo caminho insurrecional aberto após a revolta; nossas saudações e incondicional apoio.

Aos que “entendem” o voto de “anarquistas” convertidos, que optaram por camuflar a guerra social em boas práticas e discursos, nada! Nenhum Estado Pluri Policial destruirá nossas perspectivas para um novo mundo, e com isso a revolta continua recarregada junto aos que não se cegaram no oásis constitucional erguido sobre o sangue de nossos mortos e finalmente arrematado com a traição da saída do plebiscito.

Esclarecemos que não somos “lobos solitários” como costuma assinalar a imprensa hegemônica aos ataques explosivos dos últimos tempos. Tal designação se encontra carregada de integrismos e fanatismos religiosos que imprimem um selo de vanguarda ou heroísmo que não compartilhamos em absoluto. Nossa ação, seja individual ou coletiva, tem um sentido iconoclasta. Desta vez não atuamos sós. Somos muitos e cada vez seremos mais.

Solidariedade revolucionária com Juan Aliste, Marcelo Villarroel, Mónica Caballero, Francisco Solar, Joaquín García, Mawünhko, Tomás, Mattias Jordano, Lechuga, Felipe Ríos e os presos Mapuche!

Pela destruição da modernização capitalista, companheiro só falta tu, a multiplicar o acionar autônomo!

Fracción Autonómica Cristian Valdebenito – Nueva Subversión

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Olha o velho lago –
Após o salto da rã
O barulho da água.

Matsuo Bashô

A Mensagem Continua Atual: Contra A Carestia De Vida!

Por Marcolino Jeremias

Em junho de 1912, mais de um século atrás, os anarquistas convidavam a população santista para participar de uma manifestação: “O Comitê Popular Contra A Carestia de Vida convida a todos os contribuintes, a todos os inquilinos, a todos os trabalhadores, a todo o povo santista a comparecer ao grande comício popular que se realizará na Praça da República. Não somente os homens devem fazer ato de presença nessa manifestação popular: as mulheres devem também comparecer acompanhadas de sua prole porque são igualmente ou mais ainda vítimas da crítica situação que assola as classes pobres”.

Um dos anarquistas que organizaram essas manifestações foi Manoel Perdigão Saavedra. Acabamos de reeditar o seu livro “Memórias Do Exílo”, formato 14 x 21 cm, 154 páginas, lançado originalmente em 1921. Nessa versão, além do livro original, adicionamos 10 textos em anexo (inclusive uma carta escrita de dentro da cadeia de Santos) + uma biografia detalhada sobre o autor.

Preço promocional 35 reais, não paga frete. Desconto válido até o dia 11 de novembro. Para adquirir é simples: após efetuar o pagamento, nos informe para qual endereço (com CEP) o livro deve ser enviado.

Pagamento pelo pix: nelca@riseup.net

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/202210/24/promocao-de-lancamento-do-livro-memorias-do-exilio/

agência de notícias anarquistas-ana

Até o barreleiro
Já parou de gotejar –
O canto do grilo.

 

Nozawa Bonchô

 

Podcasts | Já estão no ar os três episódios finais de “Todos”

E se o 112° assassinado do Carandiru tivesse escapado da morte e ido parar numa São Paulo distópica e militarizada? E se ele descobrisse uma chance pra se vingar?

Já estão no ar os três episódios finais de “Todos”, uma minissérie em áudio de Danilo Heitor narrada por Ariel Ayres.

Disponível no Spotify: https://open.spotify.com/show/5WbUB3haomLkT4pqSuYBjf

No Deezer: https://www.deezer.com/br/show/5285837

E no Google Podcasts: https://podcasts.google.com/feed/aHR0cHM6Ly9zZW5zY2FzdC5vcmcvY2F0L3BvZGNhc3QvdG9kb3MvZmVlZC8

Se você preferir, dá pra assinar o feed na Rádio Sens, uma rádio online anticapitalista: https://senscast.org/todos/

Além dos episódios, teremos uma live de encerramento da minissérie, com a presença de Gil Luiz Mendes, jornalista da Ponte e diretor do documentário “Massacre do Carandiru: 30 anos de impunidade”, Maurício Monteiro, sobrevivente do massacre e produtor do canal Prisioneiro 84.901, Moacir Fio, escritor e editora da Escambau Editora, e Danilo Heitor, professor, escritor e autor da minissérie.

Será na quinta, 27/10, às 20h, no canal d’O Anarresti: https://youtu.be/uddJAeIdgO0

Clica no sininho pra não perder!

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/10/19/podcast-sobre-o-massacre-do-carandiru/

agência de notícias anarquistas-ana

Sobre o telhado
flores de castanheiro
ignoradas.

Matsuo Bashô

[Rio de Janeiro-RJ] Introdução ao fascismo histórico (minicurso presencial)

Apresentação

Este minicurso tem como objetivo, uma análise histórica e teórica sobre o fenômeno do fascismo. O objeto do minicurso é a formação e ascensão do fascismo italiano e alemão, em seu respectivo contexto histórico e os debates historiográficos pertinentes.

Objetivos

O combate ao fascismo passa por uma compreensão correta deste fenômeno. O minicurso focará principalmente no momento de emergência dos movimentos fascistas e a consolidação dessa ideologia autoritária em seus respectivos países. A análise dos regimes fascistas, principalmente durante a II Guerra Mundial será periférica no presente minicurso. Interessa-nos a consolidação desses movimentos e sua ascensão política diante a aguda crise das primeiras décadas do século XX e em menor grau, a análise da militância anarquista que presenciou e combateu a ascensão do fascismo.

Programação: Os temas da aula são os seguintes: 1) Introdução ao tema, 2) contexto histórico de emergência do fascismo, 3) a formação dos movimentos fascistas, 4) o caso italiano, 5) o caso alemão, 6) as interpretações historiográficas sobre o fascismo, 7) a compreensão do anarquismo sobre o fascismo.

Público: O curso é voltado a trabalhadores, militantes de movimentos populares, professores/as, estudantes e não-especialistas no tema em geral. Fascistas e simpatizantes do fascismo não são bem-vindos/as.

>> Mais infoshttps://ithanarquista.wordpress.com/2022/10/17/introducao-ao-fascismo-historico-minicurso-presencial-rj/

agência de notícias anarquistas-ana

Ah! Oh! É tudo
O que se pode dizer —
Monte Yoshino em flor.

Yasuhara Teishitsu

“Anarquia e Álcool”

O próximo encontro do Grupo de Estudos de Anarquismos, Feminismos e Masculinidades, do Centro de Cultura Social (CCS), será online, no dia 05 de novembro, sábado, das 16h às 18h. O texto base para a conversa será “Anarquia e Álcool”, da CrimethInc. Para acessá-lo e também se inscrever (até dia 03/11) para receber o link da sala virtual, entre no link disponível na bio. Os encontros do grupo são livres para todas as pessoas e não são gravados.

Lembrando que nos orientamos pelos princípios anarquistas, tais como autogestão, apoio mútuo, internacionalismo, anticapitalismo e não partidarismo. Não toleramos qualquer tipo de discriminação de raça, gênero ou sexualidade.

Obs.: Para esse encontro infelizmente não conseguimos intérprete de Libras.

FB: https://www.facebook.com/events/592554212555165/?ref=newsfeed

agência de notícias anarquistas-ana

Cerejeira silvestre –
Sobre o regato se move
Uma roda d’água.

Kawai Chigetsu

 

Pelo fim imediato deste mundo!!!

Vivi pra ver uma extrema direita asquerosa, fascista, picareta e doentia, se organizar e ensaiar insurgências contra a ordem política vigente, diante de uma esquerda liberal, conservadora, bunda suja e populista, que de tão eleitoreira se afastou das ruas por amor ao poder.

Vivi pra ver a apoteose da servidão voluntária em tempos de crises e precariedades, incertezas e abismos.

Precisamos todos urgentemente rejuvenescer, reinventar a vida, para dançar novas lutas e revoltas.

Pelo fim imediato deste mundo!!!

…Antes que seja tarde demais.

CPJ

agência de notícias anarquistas-ana

Junco ressequido
dia após dia se quebra
para o rio levar

Takakuwa Rankô

[Espanha] Juan Pablo Calero: “O teatro anarquista era esteticamente vanguardista sem deixar de ser popular”.

Entrevista com Juan Pablo Calero | Extraído do CNT nº 431

Entrevistamos Juan Pablo Calero Delso, historiador e doutor em História, que publicou recentemente o livro Antologia do teatro anarquista (1882-1931). Um estudo fundamental para compreender a importância do drama na mídia e a disseminação de ideias anarquistas na Espanha.

Pergunta: Por que um livro sobre teatro anarquista?

Resposta: Comecei a pesquisar um pouco por acaso, mas logo percebi que era um assunto interessante; por um lado, porque ajudou a quebrar o mito do anarquismo analfabeto, insurrecional e milenar que ainda nos é transmitido e, por outro lado, porque ajudou a compreender o extraordinário desenvolvimento do anarquismo na Espanha. Também deve ser dito que existem excelentes obras sobre teatro e anarquismo na França, Itália, Argentina e outros países, mas muito pouco havia sido publicado aqui.

P: O que os anarquistas contribuíram para o pensamento libertário através do teatro?

R: A difusão da ideia; um papel semelhante ao da música na propagação do anarquismo nas últimas décadas, dos cantores-compositores ao punk. Trabalhadores sem instrução, sem recursos e sem tempo livre, para os quais poderia ser difícil entender a ideologia anarquista, abordaram o anarquismo através dele, e aqueles trabalhadores que já tinham uma educação e uma identidade libertária foram fortalecidos ao verem seus anseios realizados no palco. É impossível ter hoje uma ideia da importância do teatro na sociedade do século 19 e nas primeiras décadas do século 20, e como os anarquistas animaram seu próprio circuito de autores e grupos amadores, fora dos teatros comerciais, que se espalharam por todo o país com surpreendente sucesso. Há um autor, José Fola Igurbide, totalmente desconhecido hoje, que estreou uma peça todos os anos, e suas peças continuaram a ser apresentadas mesmo no exílio libertário em Toulouse.

P: Qual é a diferença entre o teatro anarquista e o teatro social?

R: O teatro anarquista faz parte do teatro social que, por sua vez, faz parte do teatro político. No livro há referências a um teatro social a serviço dos patrões já em 1863 e a um teatro social de orientação católica, republicana ou socialista. Além das diferentes abordagens ideológicas, destacaria o desejo do teatro anarquista de não ser integrado ao teatro comercial, ao contrário de alguns socialistas que se queixaram de serem discriminados neste campo por causa de sua militância, e a importância dada ao caráter coletivo do teatro, aquela comunidade formada por atores e espectadores que tornou possível a utopia libertária pela simples vontade do autor. Elisée Reclus o expressou muito bem: “Com profunda simpatia, com ansiedade palpitante, todos eles olharam para a realidade anarquista, tão diferente, pelo menos em seus sonhos, das mudanças infecciosas ou do calabouço tirânico em que a vida desta sociedade é consumida; todos eles elevaram seu ideal para uma sociedade decente e honesta, e quanto mais elevadas e dignas as palavras que ouviam, melhor pareciam entendê-las. Durante algumas horas, os burgueses, os exaustos, os medulosos, jogaram fora seus cuidados obsoletos e sua moral ultrapassada; eles jogaram fora o velho homem”.

P: De todas as peças anarquistas em que você trabalhou, quais foram as que mais o impressionaram e por quê?

R: Bem, para este livro eu li e trabalhei com cerca de uma centena de peças, das quais só consegui incluir nove na Antologia. Eu gostaria de lembrar que anarquistas militantes como Teresa Claramunt, Federico Urales, Loiuse Michel, Errico Malatesta, Pietro Gori, Charles Malato, Ricardo Flores Magón ou Mauro Bajatierra escreveram peças e que escritores como Octave Mirbeau ou Eduardo Marquina têm peças de inspiração anarquista. Mas meus favoritos são aqueles escritos por um grupo de escritores que se firmaram na Espanha e na América no século XX: Carlos Germán Amézaga, Florencio Sánchez, Valentín de Pedro e Rodolfo González Pacheco. Com eles, o teatro anarquista era esteticamente vanguardista sem deixar de ser popular, algo nem sempre fácil com a qualidade com que o faziam.

P: A cultura foi a verdadeira força motriz por trás da expansão do anarquismo?

R: O motor da expansão do anarquismo na Espanha, e sua diferença em relação a outros países, foi a sociabilidade de seus militantes. Eles fugiram de todo sectarismo em suas relações diárias, foram tão pragmáticos em suas estratégias quanto intransigentes em seus princípios, e estavam tão plenamente convencidos da viabilidade da sociedade libertária que tentaram colocá-la em prática apesar das dificuldades. Os anarquistas na Espanha administravam sua educação com escolas seculares e antenas libertárias, sua saúde com a difusão do higienismo e naturismo, sua economia com cooperativas e comissariados, seu lazer com grupos teatrais, sociedades corais ou sociedades excursionistas… Onde quer que você vivesse e quaisquer que fossem suas preocupações, havia um espaço de sociabilidade anarquista para desenvolvê-las; a alternativa libertária foi tentada para ser vivida diariamente, tendo o sindicato como espinha dorsal, mas indo além das simples exigências trabalhistas. E a cultura, em seu sentido mais amplo, foi a protagonista.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/juan-pablo-calero-el-teatro-anarquista-fue-esteticamente-vanguardista-sin-dejar-de-ser-popular/

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/03/18/espanha-lancamento-antologia-del-teatro-anarquista-1882-1931-de-juan-pablo-calero/

agência de notícias anarquistas-ana

inútil, inútil
a forte chuva
mergulha no mar

Jack Kerouac

Promoção de lançamento do livro ‘Memórias Do Exílio’

O Núcleo de Estudos Libertários Carlo Aldegheri (NELCA) orgulhosamente acaba de publicar o livro ‘Memórias Do Exílio’ do anarquista santista Manoel Perdigão Saavedra, formato 14 x 21 cm, 154 páginas, lançado originalmente em 1921.

Preço promocional 35 reais, não paga frete. Desconto válido até o dia 11 de novembro. Para adquirir é simples: após efetuar o pagamento, nos informe para qual endereço (com CEP) o livro deve ser enviado.

Pagamento pelo pix: nelca@riseup.net

O livro ‘Memórias Do Exílio’ trata da história da expulsão de 23 anarquistas de Santos, São Paulo e do Rio de Janeiro que aconteceu em 1919. Vingança direta das autoridades constituídas contra a greve geral de 1917 e ações similares do movimento operário de inspiração anarquista. A leitura é essencial para se compreender a trajetória do sindicalismo revolucionário, assim como, a história do sistema penal brasileiro.

# Atenção: nessa promoção adquirindo junto o livro ‘Memórias de um Exilado’ de Everardo Dias (formato 14 x 21 cm, 136 páginas, lançado originalmente em 1920), sobre o mesmo episódio histórico, os 2 livros ficam por apenas 60 reais, com frete grátis!

A venda desses livros ajudará na manutenção da Biblioteca Carlo Aldegheri e na publicação, em breve, de outros livros! Fortaleçam a Cultura Libertária!!! Ajudem a compartilhar!

agência de notícias anarquistas-ana

Chuva cinzenta:
hoje é um dia feliz
mesmo com o Fuji invisível

Matsuo Bashô

[Espanha] A CGT lamenta que o Governo “mais progressista da história” finalmente consinta uma lei memorialista que não investiga nem esclarece episódios muito obscuros da ditadura e da transição espanhola

A organização anarcossindicalista denunciou faz meses que esta lei é insuficiente e infame para as vítimas e familiares do terror franquista

A CGT considera que a atitude do Estado segue sendo de covardia porque não aborda os fatos como aconteceram nem suas verdadeiras consequências para milhões de pessoas

A Confederação Geral do Trabalho (CGT) voltou a lamentar que o Governo do PSOE-Unidas Podemos, finalmente, tenha aprovado uma modificação da Lei de Memória Democrática sem contemplar aspectos importantíssimos, assinalados pelos e pelas anarcossindicalistas anos antes, como o período ao qual se aplica esta lei, as origens da Guerra Civil, a não revogação da Lei de Anistia de 1977 da qual se aproveitaram os verdugos do regime franquista durante toda a transição e a democracia, ou a discriminação e distinção que se realiza das vítimas da repressão fascista.

A CGT considera que a atitude do Governo mais progressista da história democrática do Estado espanhol é covarde, porque deixou para trás de maneira consciente muitas emendas e modificações apresentadas por outras formações políticas, sobretudo as realizadas pelos coletivos e organizações memorialistas de vítimas da Guerra Civil e da transição espanhola, e que não poderão encontrar ainda “verdade, justiça, reparação nem garantias de não repetição”. Neste sentido, desde a CGT manifestaram que é assombroso e vergonhoso que precisamente sejam formações de “esquerdas”, como PSOE e Unidas Podemos, as que não tiveram a determinação de mudar as coisas desde as cadeiras e escritórios que prometeram ocupar para reverter o sistema. Igualmente, a CGT explica que esta segue sendo uma dívida pendente que se mantêm por parte do Estado espanhol, a de outorgar a paz a milhares de pessoas que continuam buscando seus familiares em valas, ou tentam esclarecer as circunstâncias de suas mortes ou desaparecimentos.

A CGT enfatizou que continuará trabalhando na linha que vem mantendo, colaborando e respaldando ações e projetos com outros coletivos e organizações memorialistas, convencidas de que esta lei não devolve a dignidade às vítimas que foram perseguidas, denunciadas, assinaladas, humilhadas, retaliadas e executadas pelo bando nacional, o bando ganhador de uma cruel guerra, que não esquecemos teve sua origem na avareza da burguesia, da aristocracia e do exército espanhol contra o povo organizado.

Fonte: https://cgt.org.es/cgt-lamenta-que-el-Governo-mas-progresista-de-la-historia-finalmente-consienta-una-ley-memorialista-que-no-investiga-ni-aclara-episodios-muy-oscuros-de-la-dictadura-y-la-transicion/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

manhã
me ilumino
de imensidão

Giuseppe Ungaretti

[Espanha] 23 de outubro. Paremos a guerra: Concentração em Jerez

Neste domingo, 23 de outubro, vamos para as ruas para gritar novamente (como fizemos há alguns anos em uma guerra diferente, mas basicamente igual): PAREMOS A GUERRA.

Diremos “Basta” para a escalada do militarismo, o aumento dos gastos militares e a utilização de armas nucleares.

Diante deste grave risco para a humanidade, consideramos essencial utilizar imediatamente todas as forças que pudermos para criar um movimento de massa com o objetivo de exigir a RETIRADA DA ESPANHA DA GUERRA, e sua NEUTRALIDADE NO CASO DA GUERRA ENTRE OS POTENCIAS NUCLEARES, bem como a DES-NUCLEARIZAÇÃO DA PENÍNSULA IBÉRICA E ESTREITO DE GIBRALTAR para evitar o grave risco de nos tornar um alvo para as armas nucleares, DENUNCIANDO A GRAVÍSSIMA E CRIMINAL RESPONSABILIDADE DO GOVERNO NA ESCALADA NUCLEAR QUE ESTÁ COLOCANDO EM PERIGO NOSSAS VIDAS.

Portanto, consideramos essencial agir o mais rápido possível para conseguir um movimento de massa que nos tire desta guerra criminosa que ameaça a humanidade, por isso, como sindicato, propomos CAMINHAR PARA A GREVE GERAL PARA TIRAR A ESPANHA DA GUERRA.

A concentração acontecerá no domingo, 23 de outubro, às 12h30, fora dos Claustros de Santo Domingo (Jerez de la Frontera).

Lembremo-nos: nas guerras, o povo sempre perde.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/23-de-octubre-paremos-la-guerra-concentracion-en-jerez/

agência de notícias anarquistas-ana

Rosa branca se diverte
Pétalas no vento
Imitam a neve.

Vinícius C. Rodrigues

[Colômbia] Protesto de indígenas desemboca em distúrbios no centro de Bogotá

Um protesto no centro de Bogotá de indígenas Emberas deslocados pelo conflito, que reclamam atenção e uma melhora de suas condições de vida, acabou esta quarta-feira (19/10) com fortes distúrbios com a polícia e um saldo de 24 feridos, 11 deles policiais.

O presidente colombiano esquerdista, Gustavo Petro, rechaçou os fatos, através do twitter, ao assinalar que “a ausência de diálogo sempre gera mais violência. Vários membros da Força Pública e civis ficaram feridos. Não é protesto agredir a um policial”.

Organizações de direitos humanos denunciaram que a polícia e o Esquadrão Móvel Antidistúrbios (Esmad) chegaram à frente do Edifício da Avianca, em pleno centro, quando havia mulheres grávidas, meninas e meninos que estavam se manifestando pacificamente por alimentos e uma moradia digna com luz e água.

O que pedem os indígenas na Colômbia?

Faz meio ano mais de mil indígenas que estavam a meses acampados no central Parque Nacional de Bogotá concordaram com uma realocação, mas as autoridades não lhes deram solução para os problemas de saúde, moradia e educação que encontraram neste novo destino.

Por isso, e ante incontáveis chamadas de atenção, alguns destes indígenas, que são deslocados de outras zonas da Colômbia pelo conflito, saíram hoje para protestar pelo centro da cidade.

“Somos vítimas vulneráveis, não temos subsídios, não temos nada”, dizia Rosmira Campo, líder indígena Embera deslocada desde o departamento de Risaralda.

Famílias inteiras, com crianças pequenas e mulheres grávidas, permaneceram oito meses no parque, vivendo entre improvisados toldos e barracas, em condições desumanas, onde o intempestivo clima de Bogotá provocou surtos de enfermidades e houve mais de um morto por atropelamentos nas ruas próximas e duas crianças que faleceram por problemas cardiorrespiratórios.

Depois desse tempo, o Governo de Bogotá lhes ofereceu uma realocação no bairro de La Rioja e outros periféricos, onde denunciaram super lotação, falta de acesso a água potável e eletricidade, assim como outras condições de insalubridade.

Fonte: agências de notícias

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Diamante. Vidraça.
Arisca, áspera asa risca
o ar. E brilha. E passa.

Guilherme de Almeida

[Itália] Sobre a ciência: racionalismo e anarquismo

Por Tiziano Antonelli

A crise pandêmica provocou, entre outras coisas, um debate sobre o tema da ciência dentro de temas políticos antagônicos e dentro do movimento anarquista, que muitas vezes assumiu os tons de aplausos dos estádios.

Normalmente aqueles que acompanham e admiram a pesquisa científica de fora têm mais fé em seus resultados do que aqueles que participam dela. Este fenômeno é amplificado pelo surgimento de lobbies cujo objetivo é vincular a pesquisa científica aos tomadores de decisão política e às instituições econômicas, de modo a garantir-lhe um fluxo contínuo de financiamento e evitar o surgimento de um debate aberto sobre a utilidade de certas linhas de pesquisa. Um exemplo é o Pacto Transversal para a Ciência, que está desempenhando um papel importante no debate público na Itália, com posições pró-governamentais, autoritárias e elitistas.

Sou apenas um amador em filosofia, mas é minha intenção contribuir para este debate, compartilhando algumas reflexões que desenvolvi ao ler o trabalho de Hans Reichebach “O Nascimento da Filosofia Científica”.

Hans Reichenbach (1891-1953) foi um dos expoentes mais conspícuos da filosofia da ciência e da filosofia empírica da primeira metade do século passado. Ele empreendeu pesquisas básicas sobre os princípios da relatividade de Einstein e a interpretação da geometria, os problemas de probabilidade e indução, os fundamentos da causalidade e da mecânica quântica, e também tratou extensivamente da lógica matemática e suas aplicações na análise do conhecimento científico.

O livro que trato representa sua última obra e é um manual de introdução ao estudo da filosofia da ciência até meados do século passado e uma visão geral das posições de Reichenbach.

Entre outras coisas, este livro representa uma posição vigorosa contra o racionalismo.

Contra o racionalismo

Reichenbach define o racionalismo como a corrente filosófica segundo a qual a razão em si é a fonte do conhecimento sobre o mundo físico; o adjetivo racionalista também está ligado a esta concepção. O substantivo e o adjetivo não devem, entretanto, ser confundidos com o atributo “racional”. Seguindo esta distinção, podemos afirmar que o conhecimento científico é racional, pois é alcançado através da aplicação da razão a dados sensatos, mas não é racionalista. Este termo se refere ao método filosófico segundo o qual o conhecimento sintético alcançado através da razão é independente de qualquer verificação empírica.

Reichenbach, para exemplificar as várias formas que o racionalismo assume, analisa os sistemas de certos filósofos, Platão, Descartes e Kant, observando como, embora sua abordagem tenha evoluído de mãos dadas com o conhecimento científico, eles têm em comum a busca de verdades absolutas, ‘sintéticas a priori’ como Kant as definiria, na linha daquelas em que se baseia a matemática e, em particular, a geometria euclidiana. A abordagem racionalista de Kant supera a de seus antecessores porque, em sua busca pela certeza, ele abandona tanto o fundamento místico da visão das ideias quanto o uso de proposições vazias. Kant baseou seu sistema na ciência de seu tempo como fonte de certeza: em seu pensamento, o conhecimento da natureza havia alcançado sua forma suprema com a física newtoniana, que ele idealizou ao traduzi-la em um sistema filosófico; assim ele acreditava ter chegado à racionalização completa do conhecimento. O sistema filosófico elaborado por Kant pode assim ser considerado uma superestrutura ideológica construída sobre teorias físicas baseadas no espaço absoluto, no tempo e no determinismo natural.

O colapso do modelo de Newton e sua física privou o sistema Kantiano de qualquer base científica, reduzindo-o a um documento de época, uma tentativa de satisfazer a necessidade de certeza.

Com o advento da física de Einstein e Planck, o pensamento de Kant perdeu toda a função na ciência.

O próprio exemplo de Kant nos mostra o risco permanente corrido pelo filósofo da ciência e em geral por aqueles que a seguem e admiram. Aos olhos de Reichenbach, o filósofo da ciência aparece como o discípulo mais fanático do profeta; neste papel, ele corre o risco de conceder ao conhecimento científico maior confiança do que a justificada por seus resultados, obtidos provisoriamente através da observação e da generalização.

Esta atitude é característica da era moderna, caracterizada pelo nascimento da nova ciência. A crença de que a ciência pode resolver todos os problemas se espalhou e se fortaleceu a tal ponto que a ciência acabou cumprindo a mesma função social uma vez desempenhada pela religião e pela Igreja: a função de dispensador de certezas. Neste sentido, a fé religiosa sobrevive como uma forma particular, na medida em que é compatível com a ciência.

O Iluminismo em particular, do qual Kant também fez parte, transformou a experiência religiosa no culto da razão; fez do deus cristão um matemático e cientista onisciente.

Ao mesmo tempo, matemáticos, físicos, biólogos, virologistas e todo tipo de cientistas eram considerados sacerdotes dotados de infalibilidade, e seus ensinamentos foram colocados na base de um autoritarismo crescente, seja ele democrático ou ditatorial.

Como diz Reichenbach: “Todos os perigos da teologia, seu dogmatismo e suas pretensões autoritárias ligadas a promessas de certeza, ressurgem nas filosofias que sustentam a infalibilidade da ciência”.

O racionalismo aplicado à questão social trouxe graves danos, luto e tragédia, como mostra a história do movimento operário.

Fonte: https://umanitanova.org/a-proposito-di-scienza-razionalismo-e-anarchismo/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Chapéu
divide a cabeça
do céu

Cláudio Fontalan

[Canadá] Para as classes populares e trabalhadoras, a crise já está aqui

Não se passa uma semana sem que as manchetes econômicas nos digam que uma recessão ou desaceleração econômica está prestes a acontecer. Contudo, para as classes trabalhadoras e populares, a catástrofe já está aqui. Podemos vê-lo nas ruas, nas agências de ajuda, nas caixas registradoras, etc. Tem um rosto: desarranjo. Tem um rosto: consternação, raiva, dor, revolta ou resignação. Tem um nome e é de todas as idades. Ela está lá, mas as pessoas acima fazem de tudo para torná-la invisível, para apagá-la das paisagens em cartões para os turistas.

O Coletivo Emma Goldman já havia denunciado o despejo, em março passado, de uma ocupação na estação de ônibus da Racine Street em Chicoutimi. Muito pateticamente, a vereadora Mireille Jean, que prometeu fazer de Saguenay uma “cidade inteligente” durante sua última campanha, alegou que ela havia chamado para esta repressão contra os sem-teto para trazer de volta “convívio” e “segurança” para a área. Lembramos que quando o coletivo realizou uma cozinha autogerida na Rua Racine para demonstrar sua oposição a este discurso orwelliano, a Sra. Jean disse à mídia que o coletivo não tinha nada a ver com isso, que a cidade estava fazendo muito pelos sem-teto. Com algumas poucas intervenções na mídia e milhares de dólares dados a uma empresa de segurança para monitorar a antiga ocupação 24 horas por dia, nossa “cidade inteligente” não mudou o problema. A crise habitacional que o deputado de Chicoutimi Andrée Laforest, que ironicamente foi Ministro de Assuntos Municipais e Habitação, se recusa a reconhecer, tem continuado a agravar-se para os menos afortunados. Proprietários exploradores e suas favelas são deixados sozinhos pelas autoridades públicas enquanto a destruição de moradias de baixo custo ou sua renovação é acompanhada pelo despejo de inquilinos e aumentos astronômicos do aluguel. Airbnb, onde as casas são transformadas em residências temporárias para turistas, também podem ser contadas às centenas na cidade de Saguenay, embora aquelas que respeitam os regulamentos municipais possam ser contadas com os dedos de uma mão. Sob a influência da gentrificação, a “cidade inteligente” é cada vez menos habitável. Enquanto isso, as necessidades das organizações comunitárias aumentaram, mas elas permanecem subfinanciadas para cumprir adequadamente sua missão.

Mireille está de novo na caça aos pobres. Sua última realização: o desmantelamento de três acampamentos de sem-teto em Chicoutimi no dia 20 de setembro (perto da fonte e ao lado do clube de iates no Porto Antigo e em uma área arborizada perto de Saint-Paul Boulevard). Desta vez os pobres foram expulsos sob o pretexto de proteger e limpar a área. A conselheira Mireille Jean deu as boas-vindas à intervenção policial. “Eles não estão lá durante o dia, nós o fizemos durante o dia, foi feito de uma maneira cordial”, disse ela. O mínimo que podemos dizer é que estas palavras não irradiam empatia para com os sem-teto! Vale notar que a cidade não estava com tanta pressa para agir quando os inquilinos tiveram que pagar aluguel a Jean-Guy Caron para morar em um prédio que estava em estado macabro (após um incêndio que causou a morte de Michael Labbé).

Na região, a cidade de Saguenay não tem mais direitos exclusivos para demonstrar desprezo pelos pobres e desabrigados. Mais acima em Lac St-Jean, em Roberval, a cidade também envia a polícia quando lojistas e condôminos na periferia dos bairros da classe trabalhadora expressam publicamente seus sentimentos de insegurança. Foi preciso uma jornada de protesto não autorizado, sob ameaças corajosas de repressão policial, para que a cidade tomasse consciência da necessidade de moradias e recursos acessíveis para os desabrigados.

As empresas da economia social, a versão neoliberal da comunidade, também estão se envolvendo na repressão aos pobres. Em um artigo publicado na semana passada, soubemos que a polícia interveio em relação a queixas de roubo apresentadas por certos centros de doações em Saguenay. Em Les fringues, no centro de Chicoutimi, um voluntário está agora encarregado de agir como segurança para monitorar os roubos de um desses espaços. Grandes somas de dinheiro também são gastas para “garantir” caixas de doação. Estas falsas soluções, que se pode facilmente imaginar que emanam de conselhos de administração desconectados, não são diferentes daquelas da administração burguesa da cidade. Eles são, de fato, idênticos aos proprietários de espaços de conveniência que ameaçam processar aqueles que roubam alimentos. O interior da cidade está faminto. Está mal alojado. Já ouvimos promessas suficientes e “espertas” da classe política. Os okupas, os pequenos ladrões, estão reivindicando direitos reais através de suas ações que não agradam à burguesia. A burguesia não hesita em nos roubar! A alienação capitalista tem levado muitas pessoas a colocar a defesa da propriedade privada acima da satisfação de necessidades básicas como alimentação e abrigo. Precisamos ficar juntos para nos ajudar mutuamente em táticas individuais de enfrentamento e, ao mesmo tempo, passar destas para respostas coletivas e organizadas contra aqueles que nos matam de fome, nos endividam, nos reprimem e arruínam nossas vidas.

Maurice Bélanger

Fonte: http://ucl-saguenay.blogspot.com/2022/10/pour-les-classes-populaires-et.html

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Mesmo um velho cavalo
é belo de manhã
sobre a neve

Matsuo Bashô

[Espanha] Estamos em alerta, por um fio, mas não nos rendemos

Passou quase um mês desde que milhares de companheiras e companheiros enchessem as ruas centrais de Madri pedindo a absolvição das 6 de Gijón e esperando que o recurso de cassação ao Tribunal Supremo fosse admitido, no dia de hoje está na sala de admissão do Tribunal Supremo, mas a promotoria emitiu um informe desfavorável para impedir que siga adiante, agora falta que o supremo resolva se o admite ou não.

Neste ponto, os prazos podem ser desde dias ou até dois meses, a situação das 6 companheiras de Gijón depende de se o Tribunal Supremo admite o recurso em trâmite, onde poderia esperar um ano para emitir uma decisão, favorável ou não.

No caso de não admiti-lo, a situação das 6 de Gijón se torna muito crítica, nossas companheiras voltariam a cair nas mãos do juiz e antiobreirista LINO RUBIO MAYO, a sentença seria firme e a acusação e a promotoria poderiam pedir a execução da sentença, pelo que o juiz teria um prazo para executá-la de 10 dias desde que se solicita.

As companheiras PODEM ENTRAR NO CÁRCERE EM QUESTÃO DE DIAS

A Promotoria em seu informe afirma que deve ser inadmitido por carência de fundamento e por ir contra os fatos provados.

Por isso se recorre, porque os fatos provados não correspondem à realidade.

Porque o único interesse ao começar o conflito sindical era e é a defesa dos direitos de uma trabalhadora. Mas os fatos provados são unicamente a versão do empresário, aludindo a que foi submetido a uma tremenda pressão que obrigou a fechar o negócio. Um negócio que estava anunciado em um portal imobiliário para sua venda muito antes do início do conflito.

Que pressão pode padecer uma pessoa com tantos contatos, que depois de cada manifestação enviava à polícia para identificar as participantes no protesto inclusive dias depois.

Quem crê que este empresário tenha se visto obrigado a um fechamento forçado e como consequência condenado a apresentar uma solicitação de declaração de falência voluntária, um empresário que contrata como advogado JAVIER GÓMEZ BERMÚDEZ, ex-presidente da Sala do Penal da Audiência Nacional.

Nossas companheiras foram mandatárias do sindicato, solicitaram uma reunião com um empresário, em uma negociação se solicitou a retirada de uma denúncia e ante a impossibilidade, se abandonou essa reclamação; de fato essa denúncia prosperou e foi julgada.

As concentrações foram em 90% comunicadas e aprovadas por delegação de governo e as que não se comunicaram tampouco foram ilegalizadas já que no total delas houve presença policial e nunca houve intervenção por sua parte.

Em uma região como Astúrias estamos acostumadas e acostumados a um sindicalismo para os homens para os setores onde são maioria, onde por cultura sempre se teve presença, setores como a mineração, o metal, o naval… Mas o sindicalismo também é nosso, das mulheres; as mulheres também nos defendemos e nos posicionamos e isto ao patriarcado e ao capitalismo dói muito, nos subestimaram mas as mulheres sempre estivemos aí, nas greves e nos cortes, mas nossos e nossas companheiras fizeram o que fariam qualquer obreira com apoio mútuo e organização mas que várias mulheres solicitem reunião e negociem em um conflito não se assumiu e se perseguiu.

Porque fazer sindicalismo, não é delito. Mas se esta condenação segue adiante, pode ser precedente. 3 anos e meio por pedir reunir-se com um empresário e segurar um cartaz.

Quantas vezes fizemos isso mesmo? Poderemos voltar a fazê-lo sem pisar o cárcere?

Agora mesmo, a liberdade das 6 de Gijón está por um fio. Não as deixaremos cair.

O sindicalismo, a ação direta e o apoio mútuo, não são delito.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/estamos-en-alerta-pendientes-de-un-hilo-pero-no-nos-rendimos/

Tradução > Sol de Abril

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/09/29/espanha-milhares-de-pessoas-se-reunem-em-madri-em-apoio-as-sindicalistas-da-confeitaria-suiza-condenadas-a-prisao/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/09/21/espanha-falemos-de-coercao-e-liberdade-sindical/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/09/19/espanha-confeitaria-la-suiza-pedem-para-6-militantes-da-cnt-gijon-3-anos-de-prisao-e-150-000-euros-por-exercerem-o-direito-de-protesto/

agência de notícias anarquistas-ana

Ah, como é bonita!
Pela porta esburacada
surge a Via Láctea.

Issa

[Suíça] Idosa anarquista é absolvida por ataque com fogos de artifício ao consulado turco

Uma senhora de 72 anos, acusada de lançar fogos de artifício no consulado turco de Zurique, teve sua condenação anulada em recurso.

O tribunal de apelação considerou que não havia provas suficientes para condenar a anarquista Andrea Stauffacher de atacar o consulado em 2017.

No ano passado, Stauffacher foi condenada a 14 meses de prisão, mas a sentença do tribunal de apelação, publicada na segunda-feira (17/10), anulou essa condenação.

Stauffacher é membro do grupo Revolutionary Structure e foi considerada culpada de ataques anteriores com fogos de artifício.

Mas nesta ocasião, o tribunal de Zurique decidiu que vestígios de seu DNA em um fogo de artifício eram provas insuficientes para um veredito de culpa, apesar de sua oposição pública ao regime turco ter sido declarada.

Os juízes disseram que o DNA não provou que Stauffacher tinha jogado o fogo de artifício nos terrenos da missão diplomática.

O tribunal também observou que o Ministério Público tinha relutado em contestar o recurso, mas fora obrigado a fazê-lo por insistência do consulado turco.

Fonte: https://www.swissinfo.ch/eng/anarchist-pensioner-cleared-of-firework-attack-on-turkish-consulate/47985632

agência de notícias anarquistas-ana

notícias do sol –
os pássaros da manhã
cantam na varanda

Zemaria Pinto

[Espanha] O anarcossindicalismo internacional chama a realizar ações em solidariedade com os sindicalistas de La Suiza

O jornal do sindicato Industrial Workers of the World dedicou sua capa à manifestação em apoio aos cenetistas asturianos que aconteceu em Madri no final de setembro.

A manifestação celebrada em Madri em 24 de setembro passado em solidariedade com os cenetistas do caso La Suiza ocupou a capa do Direct Action, o boletim oficial da organização anarcossindicalista estadunidense Industrial Workers of the World (IWW).

Solidarity with the CNT Xixón six. Syndicalism is not a crime“, (Solidariedade com a CNT Xixón. Sindicalismo não é crime.) Se lê no jornal sobre uma foto do cabeçalho da manifestação. Milhares de pessoas percorreram o centro de Madri para pedir a absolvição das seis sindicalistas condenadas a penas de três anos de prisão pelo exercício da ação sindical no contexto do conflito entre o sindicato e a empresa La Suiza de Gijón/Xixón.

O texto da notícia é encabeçado por uma chamada “a ações de solidariedade internacional” em apoio dos perseguidos.

Fonte: https://www.nortes.me/2022/10/19/el-anarcosindicalismo-estadounidense-llama-a-realizar-acciones-en-solidaridad-con-los-sindicalistas-de-la-suiza/

Tradução > Sol de Abril

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/09/29/espanha-milhares-de-pessoas-se-reunem-em-madri-em-apoio-as-sindicalistas-da-confeitaria-suiza-condenadas-a-prisao/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/09/21/espanha-falemos-de-coercao-e-liberdade-sindical/

[Espanha] Confeitaria La Suiza: Pedem para 6 militantes da CNT-Gijón 3 anos de prisão e 150.000 euros por exercerem o direito de protesto

agência de notícias anarquistas-ana

no vaso menor
um punhado de terra
violeta em flor

Ricardo Silvestrin