[Espanha] Lançamento: “Ocho días de julio. 1936. La situación revolucionaria en Barcelona”, de Agustín Guillamón

Este livro oferece uma reconstrução vibrante e rigorosa da batalha de Barcelona, ocorrida nos dias 19 e 20 de julho de 1936, destacando o papel decisivo dos comitês de defesa da CNT e dos sindicatos na derrota do golpe militar. A partir do relato dos fatos, a análise se concentra na questão fundamental da revolução: o poder. São examinadas as respostas dos comitês da CNT, dos comitês de bairro e das organizações antifascistas, bem como as oportunidades perdidas que facilitaram o avanço da contrarrevolução.

Ocho días de julio define com clareza a diferença entre situação revolucionária e revolução proletária, e expõe onze teses classistas que sintetizam uma teoria ácrata da revolução. Textos inéditos de Juan García Oliver reforçam uma conclusão categórica, na linha de Los Amigos de Durruti: sem destruir o Estado e sem poder operário organizado, a revolução fracassa.

Ocho días de julio. 1936. La situación revolucionaria en Barcelona

Autor: Agustín Guillamón

ISBN: 979-13-87791-04-9

Formato: 14x21cm

Páginas: 213

Preço: 18,00€

descontrol.cat

agência de notícias anarquistas-ana

um tufo de algodão
flutuando na água
uma nuvem

Rogério Martins

[Irã] Manifesto do Primeiro de Maio

Publicamos o comunicado sobre o Primeiro de Maio divulgado em seus canais pela Frente Anarquista, uma rede de anarquistas originários do Irã e do Afeganistão, atuantes em seus países ou na diáspora.

Frente Anarquista

O Primeiro de Maio não é apenas uma comemoração histórica, mas o despertar de uma tradição viva de luta de classes, solidariedade internacional, repensamento da natureza do trabalho e busca da libertação da autoridade e do domínio do capitalismo, bem como de toda forma de Estado e parlamento. Para os trabalhadores, esta data é uma oportunidade para refletir sobre as formas de organização, o poder coletivo e horizontes alternativos para além da “ordem existente”.

O Primeiro de Maio é mais do que uma simples data simbólica; é uma ocasião para refletir sobre a vida cotidiana de milhões de trabalhadores que vivem sob a pressão da inflação, da precarização do trabalho e das restrições à liberdade de organização. A questão não diz respeito apenas a “aumentos salariais”, mas a pergunta central é: quem decide sobre o trabalho, a produção e a vida?

O mundo atual é caracterizado por múltiplas crises crônicas, incluindo a falta de liberdade, igualdade e justiça, a instabilidade trabalhista, a degradação ambiental, a guerra, o autoritarismo e o domínio crescente.

O capitalismo contemporâneo, baseado na financeirização, na fragmentação do trabalho e nas cadeias globais de suprimento, consolidou novas formas de exploração. O “trabalho” tornou-se cada vez mais fragmentado, precário e instável, enquanto o controle e a vigilância sobre os trabalhadores se intensificaram.

Nessas condições, os sindicatos burocráticos, juntamente com as instituições hierárquicas e representativas, frequentemente não conseguem responder às reais necessidades e interesses da classe trabalhadora. Muitas dessas instituições foram integradas às estruturas do capitalismo de Estado ou se contentam com negociações limitadas à ordem estabelecida.

O anarquismo sustenta que a libertação dos trabalhadores do jugo do capitalismo não se realiza por meio da representação parlamentar, mas sim através da auto-organização horizontal e da democracia direta. Conselhos, assembleias gerais e sindicatos independentes só podem se tornar forças reais quando emergem de baixo para cima, são responsáveis por suas próprias ações e livres de toda forma de hierarquia e burocracia.

Nas últimas décadas, a globalização do capital, juntamente com a privatização, a desregulamentação e a flexibilização do mercado de trabalho, levou a uma crescente insegurança trabalhista e ao enfraquecimento das organizações de trabalhadores. O trabalho precário, baseado em plataformas e informal, tornou-se a norma, e as divisões de classe se acentuaram em muitos países. Esses processos não são “desvios”, mas o funcionamento natural do sistema, no qual o lucro tem prioridade sobre o bem-estar geral.

Ao contrário das perspectivas reformistas que veem o Estado como uma força reguladora e protetora para os trabalhadores, o anarquismo considera o Estado uma instituição que, em última análise, mantém a ordem capitalista, mesmo quando se expressa em termos de bem-estar social. As leis trabalhistas, os salários mínimos e os seguros podem ser uma ajuda no curto prazo, mas frequentemente operam dentro de estruturas que reproduzem a própria desigualdade.

No Irã, os trabalhadores enfrentam uma combinação de crises estruturais e repressão política: inflação crônica, salários abaixo da linha da pobreza, privatizações dirigidas, trabalho precário e severas restrições à organização livre e independente. Qualquer tentativa de formar sindicatos ou organizar greves esbarra nas forças de segurança e no poder judiciário, além de uma repressão dura e brutal.

Apesar disso, nos últimos anos emergiram várias formas de resistência operária, como greves entre operários industriais, protestos de motoristas, enfermeiros, professores e aposentados. Além disso, formaram-se redes de solidariedade e ajuda mútua entre trabalhadores, mulheres, comunidades étnicas, grupos ambientalistas, estudantes, pessoas LGBTQ+ e outros. Esses movimentos, embora fragmentados e sob pressão, demonstram que possibilidades de auto-organização e autogestão estão gradualmente surgindo nas fissuras da atual ordem opressiva.

Nessa tradição, as greves, especialmente as gerais, não são apenas instrumentos de reivindicação, mas exercícios de autogestão social. Através da luta, os trabalhadores aprendem a organizar coletivamente a produção e a reprodução da vida – uma capacidade que pode lançar as bases para uma nova ordem social libertária.

Experiências dispersas de conselhos operários, cooperativas autogeridas e iniciativas de ajuda mútua local em todo o mundo, incluindo o Irã, demonstram que existem oportunidades reais de organização horizontal mesmo em condições difíceis.

A proliferação de contratos de trabalho temporário e de empresas terceirizadas colocou os trabalhadores em uma situação em que, de fato, carecem de segurança no emprego e de poder de barganha. Em setores como petroquímico, construção de estradas e serviços municipais, os trabalhadores terceirizados enfrentam atrasos no pagamento de salários, jornadas exaustivas e ausência total de proteções. Isso não é um defeito, mas sim um instrumento de controle e enfraquecimento da organização.

Exemplos como o complexo açucareiro de Haft Tappeh, no Irã, e algumas unidades industrializadas privatizadas mostram que a privatização, na prática, leva a cortes salariais, atrasos nos pagamentos e redução da produção. Em resposta, os trabalhadores organizaram protestos, greves e até propuseram ideias de “gestão por conselhos” para retomar o controle de uma gestão ineficiente e interessada apenas no lucro.

Encontramo-nos agora, sob muitos aspectos, em um momento histórico delicado, mas a luta de classes entre trabalhadores e capitalistas nunca parou. Nessa perspectiva, comemorar o Primeiro de Maio adquire significado se vinculado a uma ampla ação coletiva por meio da realização de assembleias gerais, da apresentação de reivindicações comuns, da criação de fundos de apoio mútuo e do fortalecimento de redes horizontais.

Nesse contexto, a abordagem anarcossindicalista, em vez de confiar no Estado, no parlamento, nos partidos políticos ou nas elites, enfatiza a auto-organização:

•              conselhos de local de trabalho e comunitários como unidades decisórias horizontais;

•              controle dos trabalhadores sobre a produção em vez do controle burocrático ou estatal-privado;

•              redes cooperativas de ajuda mútua para reduzir a dependência do mercado e do Estado;

•              greves e ação direta como meio de pressão a partir da base.

O objetivo não é apenas “reformar” as condições de trabalho, mas transformar as relações sociais relativas à produção e ao poder. A libertação dos trabalhadores não ocorre por meio das promessas do Estado e do Parlamento, mas sim através da auto-organização horizontal (sem qualquer hierarquia) e da reapropriação do controle sobre suas próprias vidas.

O Primeiro de Maio no Irã nos lembra ainda que os trabalhadores não enfrentam apenas uma crise de meios de subsistência, mas também limitações na definição de suas próprias condições de trabalho. Ao mesmo tempo, das greves, redes informais e práticas de solidariedade, podemos ver sinais da possibilidade de organização horizontal e autogestão. Permanece, porém, a pergunta principal: como essas experiências podem ser transformadas de reações temporárias e limitadas em estruturas amplas e sustentáveis para a gestão coletiva do trabalho e da vida?

Vida longa à solidariedade mundial dos trabalhadores!
Vida longa ao anarquismo!
Não ao Mula! Não ao Xá! Não à guerra!
Mulher-Vida-Liberdade!

Maio de 2026

Tradução > Liberto

Fonte: https://umanitanova.org/iran-manifesto-del-primo-maggio/

agência de notícias anarquistas-ana

Nas águas do mar
Águas-vivas flutuam
Tranqüilamente…

Miranda

Libertários Negros: Os Irmãos Fettermann

Por Carlos Ferreira de Araújo Junior
 
Os irmãos Waldomiro, Cristiano e Djalma Fettermann nasceram no Rio Grande do Sul, no final do século 19. Os três eram filhos de um sapateiro alemão e uma negra brasileira filha de escravizados. Apesar da origem humilde, os irmãos conviveram desde a infância com os idiomas alemão e o português.
 
Os três foram ativos militantes libertários da capital gaúcha nas duas primeiras décadas do século 20. Os irmãos Fettermann eram operários que também se dedicaram ao jornalismo e a educação. Eles se tornaram anarquistas ainda no século 19. A primeira influência dos irmãos foi o anarquista Proudhon. Sobre Waldomiro Fettermann existem poucas informações. Sabe-se que foi professor ou funcionário na Escola Moderna de Porto Alegre na década de 1910.
 
Sobre Cristiano Fettermann sabe-se que ele foi professor e tradutor de grego e de latim. Era o mais velho dos seus irmãos. Após a morte do pai, Cristiano passou a sustentar os irmãos com o dinheiro que ganhava das traduções que fazia. Foi professor e fundador da Escola Eliseu Reclus, em 1906, na capital gaúcha. Na escola dava aulas de francês, alemão e português. Na década de 1910, colaborou com textos anticlericais para o jornal O Exemplo (1911). Se formou em Direito em idade avançada, três anos antes de morrer.
 
Sobre Djalma Fettermann há um pouco mais de informações. Consta que nasceu em Porto Alegre, em 17 de junho de 1873 e morreu no Rio de Janeiro em 15 de julho de 1973. Foi operário ourives e metalúrgico. Bastante culto, dominava os idiomas francês, alemão, latim, espanhol e o grego. Casou-se com Dulcina Martins. Assim como o seu irmão Cristiano, Djalma Fettermann foi um dos fundadores da Escola Eliseu Reclus em 1906, onde também foi professor de francês, alemão e português entre 1909 e 1912. Fez parte do Grupo Libertário Solidariedade e foi dirigente da União Operária Internacional entre 1911 e 1912.
 
Djalma Fettermann foi escolhido como o representante da União Metalúrgica no Quarto Congresso Operário Brasileiro realizado no Rio de Janeiro, em 1912. Em 1915, ele foi um dos fundadores e professores da Escola Moderna, localizada na antiga Colônia Africana, bairro da capital gaúcha onde havia duas grandes comunidades étnicas: negros e judeus.  A escola chegou a ter cerca de 400 alunos matriculados.  No ano seguinte, fundou com outros libertários gaúchos, a Sociedade Pró-Ensino Racionalista, onde também foi um dos dirigentes.
 
O professor Djalma também foi adepto da ação direta e da sabotagem. Na Greve de 1917, em Porto Alegre, juntamente com Zenão de Almeida e outros libertários, Djalma enfrentou a brigada policial e as ações dos fura-greves. Com o auxílio de sua cunhada, Espertirina Martins, Djalma Fettermann foi um dos responsáveis pela fabricação e lançamento de bombas contra as brigadas policiais durante os conflitos nas vias da capital em 1917. Foi redator do jornal A Luta.
 
Anos depois Djalma Fettermann mudou-se para o Rio de Janeiro onde trabalhou na Empresa de Correios e Telégrafos. Na década de 1930, foi integrante da Aliança Nacional Libertadora (ALN). Morreu em 1973, no Rio de Janeiro, fiel aos princípios do anarquismo.
 
REFERÊNCIAS
 
MARÇAL, João Batista. Os anarquistas no Rio Grande do Sul. Ed. Unidade Editorial. 1995. Porto Alegre-RS.
KARLLOS, Jr. Brasil Negro Insurgente: socialistas e libertários negros e pardos na Primeira República. Ed. Monstro dos Mares. 2025.
 
Biografia do autor.
 
CARLOS FERREIRA DE ARAUJO JUNIOR – Historiador formado pela UEPB. Publicou dois livros: Renego – Grito Punk (2021), sobre o punk na Paraíba, e Brasil Negro Insurgente (2025), sobre libertários e socialistas negros no Brasil. Desde 2012, possui um canal acervo punk no youtube: ÔKO DO MUNDO! O autor também escreveu os seguintes cordéis e zines libertários/decoloniais: OBREIROS DA BORBOREMA, BRADO BRUTO, EXU MOLOTOV, PLUMA NEGRA, ZINE AUTÔNOMO TEMPORÁRIO (ZAT).
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/09/29/eua-a-verdadeira-historia-dos-anarquistas-negros/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
é só um instante:
o beija-flor no ar, sugando
flor de laranjeira
 
Otávio Coral

Antimundial México 2026

Enquanto o governo e as grandes empresas promovem a Copa do Mundo como uma “festa”, nas ruas cresce a indignação e a mobilização. Nos últimos meses, surgiram marchas, protestos, colagem de cartazes, shows e ações antimundial em diferentes partes do México, denunciando o que está por trás do espetáculo: gentrificação, deslocamento de comunidades, militarização, turismo predatório, exploração laboral e milhões gastos em estádios, enquanto pessoas continuam desaparecendo e a violência aumenta.
 
De bairros populares a coletivos estudantis, punks, anarquistas e organizações sociais, cada vez mais gente clama que o futebol não pode encobrir a realidade do país. Não queremos uma Copa manchada de sangue nem cidades transformadas em vitrines para empresários e políticos.
 
Nem FIFA, nem governo, nem empresários.
A rua não se vende.
MÉXICO 2026 = NEGÓCIO E REPRESSÃO
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
O besouro rola
na bola de esterco
o tempo futuro.
 
Luiz Bacellar

[Grécia] Assumindo a responsabilidade por ataques

Nesta época marcada por uma resignação social generalizada e por uma resistência cada vez menor às vontades dominantes, vemos as estruturas políticas [anarquistas-antiautoritárias] encolherem-se continuamente e novos projetos repressivos tornarem nossa vida insuportável. As universidades não constituem exceção à situação acima descrita. Nos últimos anos, os espaços acadêmicos tornaram-se objeto de experimentação do regime e de gentrificação, sempre com o consentimento das autoridades reitorais. Na FEP, após o desalojo de espaços ocupados e a expulsão dos ocupantes, vemos a presidente do I.N.E.D.I.V.I.M., Anna Rokofyllou, a exibir-se ao lado das novas instalações modernizadas e das catracas de segurança, lembrando-nos de que não há terreno que não seja tocado pelos lucros e pelos investimentos. Nos espaços da Faculdade de Engenharia e da Faculdade de Direito, onde antes existiam espaços políticos de criação, florescimento de ideias, organização e resistência, agora predominam salas assépticas e paredes brancas, obras dirigidas aos poderosos e aos que possuem, não aos de baixo. Criações hostis aos nossos olhos. Por fim, assistimos com horror à expansão do embelezamento capitalista também na ASOEE, com quiosques publicitários e máquinas de venda automática para a “conveniência” diária dos estudantes. Nenhuma cantina será aberta no subsolo da ASOEE.

Da nossa parte, não podemos, de forma alguma, contentar-nos em observar silenciosamente à distância os acontecimentos acima mencionados. O nosso pensamento político e a nossa vontade, baseados na resistência, na coerência e na organização, culminam sempre na ação. Para nós, teoria e ação não são coisas separadas; decidimos, portanto, em 27 de abril, atacar com pedras pesadas, spray e tinta em duas máquinas de venda automática dentro da ASOEE como um mínimo gesto de reação e obstrução à mania capitalista e estatal que cada vez mais nos cerca. Mesmo essa ação constitui uma mensagem de que cada ação, por menor e insignificante que pareça, contribui para a propagação de uma sabotagem incessante contra os símbolos e as estruturas do capital.

Por fim, não passaram despercebidas as declarações de repulsa de organizações de esquerda em relação aos incidentes de violência de “minorias antissociais”. Não há muito a dizer sobre o conteúdo dessas organizações. A única coisa que temos a declarar é que, entre nós e os contadores de votos profissionais, interpõe-se um oceano inteiro de divergências e antagonismos.

A n a r q u i s t a s

agência de notícias anarquistas-ana

De uma casa branca
No meio da encosta da montanha
Sobe um fio de fumaça.

Paulo Franchetti

Iniciada a pré-venda de novo livro sobre a luta do EZLN!

É com felicidade que nós, da Editora Terra sem Amos, lançamos a obra “A luta anticapitalista no século XXI: apontamentos em torno da experiência zapatista”, escrita pelo sociólogo mexicano Raúl Romero, dedicada à análise da trajetória política e organizativa do zapatismo em Chiapas, no México.


O livro investiga as contribuições do EZLN para os debates contemporâneos sobre anticapitalismo, autonomia, internacionalismo e defesa dos territórios indígenas. A partir de documentos, reflexões políticas e experiências organizativas construídas ao longo de três décadas, Romero apresenta o zapatismo como uma referência central das lutas sociais do século XXI.


A obra aborda temas como trabalho coletivo, autogestão, organização comunitária, crise ambiental e crítica ao modelo capitalista de desenvolvimento. Também destaca a importância dos povos originários na construção de alternativas políticas diante das desigualdades sociais e das crises globais atuais.


Com linguagem acessível e análise histórica detalhada, o livro se dirige a leitores interessados em movimentos sociais, pensamento crítico, autonomias e experiências latino-americanas de resistência e organização popular, especialmente de populações indígenas.


A obra, com 40 páginas, tem o valor de R$17,00 e frete grátis para todo o país. Durante a pré-venda, todas as encomendas receberão gratuitamente o pôster “Lento, pero avanzo”.


Encomende agora, clicando aqui: tiny.cc/lutazapatista

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Virada do morro:
Ipê e seu grito amarelo
perpendicular.

Eolo Yberê Libera

“Democraticamente”, Itaú Unibanco continua faturando alto sob governo Lula 3

O Itaú Unibanco (ITUB4) registrou um lucro líquido recorrente de R$ 12,3 bilhões no 1º trimestre de 2026 (1T26), representando uma alta de 10,4% em comparação ao mesmo período de 2025.
 
>> No primeiro trimestre de 2026, a holding Itaú Unibanco contava com 81.659 empregados no país, com fechamento de 4.620 postos de trabalho em doze meses e de 1.034 postos no trimestre.
 
>> O Itaú Unibanco também fechou 360 agências físicas no Brasil, em doze meses, enquanto o número clientes cresceu 1,678 milhão, totalizando 100,9 milhões ao final de março de 2026.
 
>> O Itaú Unibanco é um dos maiores financiadores de combustíveis fósseis na Amazônia. Ou seja, financia projetos que impactam diretamente a Amazônia, desestabilizando o clima ou prejudicando as terras e os meios de subsistência dos Povos Indígenas.
 
ABAIXO O ESTADO E O CAPITAL!
FOGO NOS BANCOS!!!
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/11/15/sob-governo-lula-3-lucros-roubos-dos-bancos-seguem-nas-alturas/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
selva de pedra
condor solitário
vôo triste
 
Manu Hawk

[Itália] Primeiro de maio anarquista em Carrara

É uma grande emoção para mim estar aqui falando em nome da FAI. Quero começar lembrando um companheiro que nos deixou recentemente, Claudio Strambi: um anarquista militante na Federação Anarquista Italiana, ativo no sindicato com um empenho que o via sempre na linha de frente segundo o espírito da nossa organização, nunca hegemônico ou autorreferencial, sempre animado por uma profunda humanidade. Ele sempre se confrontava de forma aberta, empenhava-se na construção de caminhos unitários, fora de lógicas minoritárias e ao mesmo tempo sem perder a bússola da perspectiva anarquista, enfrentando muitas vezes a repressão do Estado. Quem tem companheiros não morre. E é nosso dever pensar nele aqui, em Carrara, levando adiante essa mesma prática de liberdade que era a sua vida.
 
Foi justamente em Carrara, em setembro de 1945, que anarquistas de toda a Itália se reuniram e deram vida à FAI, herdeira da União Anarquista Italiana de 1919-20 e das experiências da guerra da Espanha, do confinamento, do antifascismo, da resistência armada.
 
Oitenta anos depois, em outubro de 2025, voltamos a Carrara para um congresso no Teatro Animosi, em memória de Italino Rossi. Conversamos com estudiosas, estudiosos e militantes sobre antimilitarismo, anarcofeminismo, ecologia, interseccionalidade, lutas territoriais e autogestão.
 
Oitenta anos de luta por um mundo de livres e iguais, sempre presentes nas praças, nos bairros, nos espaços sociais, nas nossas sedes, que são patrimônio comum, mas também e sobretudo nas lutas, desde as ambientais até as contra os polígonos de tiro, nas greves, nos atos de protesto. Porque o nosso anarquismo tem raízes sólidas e antigas, mas se enriquece continuamente, alimentado pela vontade de construir uma sociedade nova, e de fazê-lo mantendo coerência entre meios e fins.
 
A resignação não nos pertence. Estamos convencidas de que as coisas podem ser diferentes e, portanto, devemos agir de acordo, construindo espaços políticos não estatais, multiplicando as experiências de autogestão e aquelas redes sociais que saibam travar a máquina da opressão e da exploração, para construir uma nova sociedade.
 
Devemos antes de tudo encarar de frente uma guerra que é sempre cotidiana: aquela que o capital conduz contra quem trabalha. Hoje o mundo do trabalho se tornou um campo de exploração cada vez mais brutal, onde a precariedade é uma estratégia sistemática de dominação.
 
Como manda a tradição, perto do 1º de maio o governo também acorda e volta a falar de desonerações fiscais para contratações ou de salário justo. Anuncia medidas ridículas que supostamente beneficiariam os trabalhadores, e ao mesmo tempo, por exemplo, engessa a logística e suas greves nas malhas dos serviços públicos essenciais, atingindo um dos setores mais combativos. Sabemos bem que leis e regulamentos servem apenas para administrar a pobreza e a exploração, não para aboli-las. Somente a luta de classe pode devolver dignidade à classe trabalhadora, somente a organização de baixo para cima dos explorados e das exploradas, somente a ação direta pode levar à reconquista dos direitos perdidos e à conquista de novos. Não queremos esmolas do Estado, mas um salário e uma vida dignos. Porque a pobreza não se governa: se combate.
 
Enquanto isso, enquanto nos falam de crescimento, recuperação, competitividade, nos canteiros de obras, nos armazéns, nas fábricas, nos campos e nas estradas, continua-se morrendo. As mortes no trabalho não são fatalidades, não são tragédias infelizes: são o produto direto de um sistema que economiza na segurança, acelera os ritmos de trabalho, externaliza os riscos e considera os corpos sacrificáveis.
 
As lutas de Meschi nos lembram que a dignidade do trabalho não se mendiga, se arranca com organização e conflito. Contra a precariedade, contra o salário de miséria, contra a normalização da morte no trabalho, a resposta da FAI continua a mesma: solidariedade, organização, anarcossindicalismo, greve, conflito, ação direta.
 
Um discurso à parte merece o trabalho nas fábricas de armas. Precisamos convencer os trabalhadores e trabalhadoras do setor a exigir uma conversão para uso civil dessas fábricas, e a não aceitar que sua empresa em crise se converta, como está acontecendo frequentemente, para a produção bélica. Nós não queremos as fábricas de armas. É preciso recusar-se a produzir morte para ganhar a vida.
 
Também o setor da escola hoje coloca questões muito importantes para intervirmos. Muitas vezes vemos tanques de guerra nos jardins das escolas primárias. No ensino médio, a formação escola-trabalho (antiga alternância) leva estudantes para dentro de bases militares, estaleiros de guerra, fábricas de armas. As universidades firmam convênios com a Fundação Leonardo Med-Or e com as indústrias bélicas.
 
A uma escola assim concebida, nós respondemos com Francisco Ferrer y Guardia, que fundou em 1901 em Barcelona a Escola Moderna, uma experiência educativa autogerida para uma vida independente e livre das crianças: não engrenagens obedientes de um sistema podre, mas livres pensadoras e pensadores, contra toda convenção e preconceito.
 
A militarização da escola e da sociedade não nasce do nada. Tem uma genealogia de violência estatal que devemos ter sempre presente. Este ano se completa o vigésimo quinto aniversário de Gênova. Era julho de 2001 e realizou-se o G8 das oito nações mais ricas do mundo. Mais de 200.000 pessoas, entre elas anarquistas, foram às ruas para dizer não àquela ordem mundial. A resposta foi a que conhecemos: Carlo Giuliani, o massacre da escola Diaz; e depois Bolzaneto, o quartel das torturas. Aquela violência não foi uma exceção. Era o modelo. E esse mesmo modelo se replica, se aprimora, se legaliza. E eis-nos hoje. O Decreto de Segurança, aprovado em caráter definitivo, representa a tentativa mais orgânica de criminalizar o conflito social que este país viu em décadas. Podemos dizer que o governo festejou as leis especiais de 1926 normalizando-as, cem anos depois, justamente no dia anterior ao 25 de abril, e essa afronta clama por vingança.
 
Os decretos de segurança certamente não protegem quem vive no perigo cotidiano, quem é explorado, quem está sem documentos, muito menos o detento esquecido em uma seção de alta segurança. Protegem o poder de quem o desafia. Por isso os decretos de segurança transformam o dissenso em ameaça, a manifestação em crime potencial, a identidade política em periculosidade presumida.
 
Nós rimos quando Donald Trump organizou uma cúpula internacional anti-Antifa, mas não devemos rir, pois está em curso um projeto perigoso.
 
Na Europa, a mesma lógica já está ativa. Na Hungria, o antifascismo é considerado uma ameaça à segurança nacional. Na Alemanha, constroem-se investigações por “associação subversiva”: o “Budapest Komplex” é apenas um exemplo. Na Itália, prepara-se o terreno com propostas de lei para equiparar o antifascismo ao terrorismo.
 
É assim que funciona a repressão moderna: não proíbe de imediato. Primeiro deslegitima. Depois isola. Depois atinge. Lembremo-nos sempre e denunciemos, quando lemos ou ouvimos falar de excessos das forças da desordem, de agentes violentos isolados, de delegados zelosos. Se existem agentes violentos e delegados zelosos, é porque o Estado permite e quer. Este decreto é a resposta do Estado a um movimento difuso em nível social que não se resigna. Mas devemos sempre ter presente que não somos nós que devemos ter medo, é o Estado que tem medo, não apenas das nossas ações ou das nossas palavras, mas do nosso pensamento, das nossas intenções, daquilo que poderíamos fazer, da nossa resistência e do nosso indomável antifascismo. Nós não pararemos. A nossa resposta é sempre a mesma: organização e solidariedade dos oprimidos e das oprimidas. Podem bloquear nossos corpos por doze horas ou mais, mas não podem parar o nosso ideal.
 
Lembro-me das palavras de Emma Goldman: “Se você é tão generoso com a liberdade a ponto de levá-la para a Alemanha, além-mar, por que não a mantém aqui mesmo, neste país?”
 
A pergunta era dirigida a Wilson, mas serviria agora também para Meloni. A Itália não é um país livre e também não é um país em paz, como demonstram os 104 milhões de euros que se gastam em armamento e soldados. Como se pode definir pacífico um país que tem 39 missões militares no exterior? Os soldados italianos estão em toda parte: nos Bálcãs, na Ucrânia (missões Eumam e Nsatu), no Líbano (missões Unifil e Mibil), no Iraque (missão Prima Parthica), no Mar Vermelho (Operação Aspides) e em outros países ainda. Em 2025, foram registrados cerca de 59 conflitos armados ativos no mundo: o maior número desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
 
Basta falar só de Israel e Palestina. As pessoas morrem também no Sudão, no Sahel, em Mianmar, e não só. Para nós, não existem povos de primeira e de segunda categoria, todos são importantes. Existem 59 teatros de morte onde os pobres pagam a conta de interesses que não são os seus.
 
Toda guerra tem seus mandantes. Toda bomba tem sua fábrica. Toda fábrica tem seus acionistas. E todo acionista tem seu governo que o protege.
 
Mas cada bomba, cada drone que destrói uma casa é também uma casa não construída em outro lugar; cada bomba e cada drone que destrói um hospital é um hospital não construído em outra cidade. Em suma, a presença de cada arma e de cada soldado marca a falta de coisas úteis à comunidade.
 
Gritamos bem alto o nosso não a todas as guerras imperialistas e do capital, guerras que, historicamente, nunca fizeram a fortuna nem das revoluções nem dos revolucionários e das revolucionárias. Somente o povo que se organiza de baixo para cima pode fazer nascer uma revolução.
 
A verdadeira segurança nasce da justiça social, da cooperação entre os povos, do fim da pilhagem econômica que alimenta os conflitos. A nossa resposta é sempre a mesma: o internacionalismo para levar “a paz entre os oprimidos e a guerra aos opressores”. E essa frase não precisa ser escrita nos muros porque a gravamos na nossa pele. Porque o anarquismo não tem fronteiras, não tem pátria para defender.
 
Desde 1872, na Internacional Antiautoritária de Saint-Imier, construímos solidariedade além das fronteiras. Em 1936, fomos lutar na Espanha contra o fascismo. Éramos homens e mulheres que, nas colunas da revolução e nas coletividades, não defenderam uma pátria, mas uma possibilidade concreta de vida livre, sem patrões e sem generais. De Barcelona a Aragão, nos ensinaram que a liberdade se constrói com as mãos, com as assembleias, com a revolução social.
 
Nos anos 2000, construímos solidariedade com anarquistas israelenses e palestinos que juntos lutavam contra o muro do apartheid. Hoje, estamos aqui, com as companheiras e os companheiros de todas as latitudes que resistem. Às guerras é preciso responder com a deserção, o boicote e o derrotismo revolucionário. Desertar significa não apenas ajudar os desertores, mas desmascarar a propaganda, ajudar os ferroviários e os estivadores em suas ações de boicote. Significa recusar a narrativa do Estado que transforma agressão em defesa, supremacia em segurança, guerra em necessidade moral. Não existem guerras humanitárias. Não existem bombardeios libertadores. Existem apenas mulheres, homens, pessoas, crianças que morrem; e quem lucra com a sua morte. Nós lutamos para que não sejam mais as pessoas a cair, mas os muros; para que não sejam os povos a ser apagados, mas as fronteiras.
 
Estamos com quem, em qualquer lugar, está na prisão por tentar combater e mudar o sistema, por combater e recusar a guerra. Com quem traz areia, não óleo, para o motor do militarismo.
 
Somos desertores de toda guerra, partisans contra todo Estado.
 
Somos internacionalistas por uma verdadeira fraternidade e irmandade entre os povos, e é justamente o nosso internacionalismo que nos levou em abril a Atenas para o congresso da IFA, para compartilhar experiências, reflexões e ações com companheiras e companheiros de várias geografias.
 
Oitenta anos atrás, em Carrara, nossos companheiros e nossas companheiras conseguiram construir uma organização anarquista a partir do caos da guerra, das cinzas do fascismo, da dureza da repressão. Chamaram-na Federação Anarquista Italiana e a fizeram nascer com a mesma determinação com que Malatesta, Berneri e Meschi mantiveram o fogo aceso nas décadas anteriores.
 
Hoje, o mundo é mais complexo, as guerras são mais numerosas, a repressão mais sofisticada. O decreto de segurança quer criminalizar toda forma de resistência. A militarização da escola quer formar súditos e não seres livres. As guerras querem nos convencer de que não existe alternativa à violência. Nós respondemos com as palavras de Ferrer: queremos ser capazes de evoluir sem cessar, capazes de destruir e de renovar.
 
Nós não somos pacifistas, mas lutamos dia após dia pelo triunfo da paz, pela justiça social, pela fraternidade e irmandade de todos e todas. Pela convivência pacífica entre humanos e não humanos.
 
Devemos ser, como disse Parsons, “infiéis e traidores às infâmias da moderna sociedade capitalista”.
 
O cortejo que começará agora não é folclore, não é uma manifestação sem propósito, mas é um momento importante de reflexão para termos bem presente de onde viemos, onde estamos e para onde e como queremos ir.
 
A nossa resposta é antiga e nova ao mesmo tempo: nem Estado nem guerra, nem patrões nem servos, nem escola quartel nem trabalho escravo. Liberdade, igualdade, apoio mútuo. Viva o comunismo libertário, Viva a anarquia e bom primeiro de maio.
 
Cristina Tonsig
 
Fonte: https://umanitanova.org/primo-maggio-anarchico-a-carrara/
 
Tradução > Liberto
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/05/04/italia-primeiro-de-maio-anarquista-em-carrara-centenas-se-reunem-na-praca/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
eu em demasia
não fosse
a poesia
 
Eder Fogaça

Honoré Eugène Belcayre, seleiro, anarquista francês sem endereço fixo.

Este documento histórico excepcional, datado de 20 de outubro de 1893, nos leva aos arquivos da Polícia Ferroviária e do Comissariado Especial de Annemasse. Trata-se de um relatório detalhado sobre Honoré Eugène Belcayre, um ativista anarquista de 18 anos cuja vida o levou a cruzar fronteiras entre França, Itália e Suíça. Entre a vida de vagabundo, a expulsão do cantão de Genebra e as convicções libertárias marcadas por uma tatuagem explícita (“Viva o anarquismo e Morte à polícia”), este documento oferece um testemunho impressionante da vigilância das redes anarquistas no final do século XIX e da repressão aos “grandes nômades”. Descubra o retrato de um homem considerado “um dos mais perigosos” pelas autoridades da época.

Ministério do Interior

Polícia Ferroviária

Comissariado Especial

Nº 1682

Anarquistas

BELCAYRE Honoré, Eugène

Annemasse, 20 de outubro de 1893

Relatório

O seguinte é relatado como anarquista: Belcayre Honoré, Eugène, nascido em 20 de abril de 1875 em Paris, 3º arrondissement, de pai desconhecido e Jeanne Belcayre, sem profissão ou endereço fixo, que foi levado em 11 de outubro para a fronteira de Moëllesulaz – Hte Savoie – pela Gendarmaria de Genebra, em virtude de uma ordem de expulsão emitida contra ele no mesmo dia, por ter sido preso no dia anterior por vadiagem na companhia de Leroy Gabriel, também nascido em Paris.

Durante o interrogatório, este indivíduo declarou ser anarquista desde uma viagem que fizera em julho passado a Milão e Turim, onde camaradas desta última cidade tatuaram em seu braço direito as palavras “Viva a anarquia e Morte à polícia”. Acrescentou que jurara permanecer fiel ao anarquismo e não cumprir o serviço militar, e que manteria seu juramento. Segundo seu depoimento, sua mãe morava em Rodez há dois anos na casa Cablat, uma chapelaria. Quanto a ele, após concluir seu aprendizado como seleiro em Paris com diversos patrões, notadamente Renaudin, na Rua de La Chapelle, 50 bis, e Saulnier, no Boulevard Barbès, 80, disse ter deixado a cidade aos 14 anos para ir a Noy-le-Sec trabalhar para um mestre seleiro cujo nome já não se lembrava, e onde alegou ter trabalhado por 15 dias. De lá, ele teria ido para Longwy, onde teria ficado por 2 meses, e depois para Vitry le François, onde teria ficado por 5 meses, na casa do Sr. Cappe.

De volta a Paris em 23 de agosto de 1892, ele teria ficado por 6 semanas com sua irmã Eugénie, que era casada com o Sr. Vacaresse, um comerciante na esquina da Rue Oberkampf com o Boulevard Ménilmontant, e depois partiu para Rodez, onde também ficou com sua mãe.

Ele então teria retornado a Paris, onde teria ficado por mais 8 dias na casa de sua irmã, e depois teria deixado aquela cidade em 1 de dezembro (?) de 1892 para ir para Lyon, onde teria ficado por 6 meses, trabalhando como tosador de cães.

Nessa cidade, ele era conhecido pelo apelido de “O Parisiense”. Segundo relatos, morou no número 165 da Rua Molière, na casa do Sr. Fauriel, um carteiro, e depois na casa de Papillon, também no número 167 da Rua Molière, onde deixava suas ferramentas. Em 27 de junho de 1893, partiu de Lyon para Genebra, onde conheceu o Sr. Gabriel Leroy. Após dois dias em Genebra, viajaram para a Itália pela Passagem do Grande São Bernardo, seguindo para Turim, Milão e Brescia. Condenados a dois dias de prisão por vadiagem em Brescia, foram para Trieste, na Áustria, onde foram novamente presos pelo mesmo motivo. Após sete dias de prisão preventiva, foram deportados e levados para a fronteira italiana.

Em seguida, teriam ido para Veneza, onde o cônsul francês lhes deu 10 francos de auxílio, e depois para Vicenza (?), onde foram presos novamente por vadiagem. Após passarem 13 dias em prisão preventiva, teriam sido expulsos da Itália e levados para a fronteira de Modane por volta de 15 de setembro (?). Transferidos para Saint-Jean-de-Maurienne, teriam ficado detidos por nove dias antes de serem liberados com o reembolso das despesas de viagem para Chambéry. De Chambéry, viajaram para Aix-les-Bains e de lá para Culoz, Bellegarde e Genebra, mas ao chegarem a Genebra em 10 de outubro, foram presos por vadiagem, expulsos e levados para a fronteira no dia seguinte.

Após o interrogatório, os senhores Belcayre e Leroy foram libertados e deixaram Moëllesulaz no mesmo dia, dizendo que retornariam a Genebra.

Dois dias depois, em 13 de outubro, o Sr. Belcayre foi de fato preso novamente naquela cidade e escoltado de volta à fronteira em Moëllesulaz; ele foi libertado mais uma vez. Desde então, ele não foi visto na região.

Esse indivíduo, que parece ser extremamente perigoso, declarou que trabalhar era inútil, pois o roubo permitia viver muito melhor do que trabalhando.

O extrato de sua ficha criminal, emitido em 16 de outubro, menciona as seguintes condenações:

11 de fevereiro de 1891, Béziers: Vadiagem, 6 dias de prisão.

30 de janeiro de 1893, Lyon, mesmo dia.

Descrição: Altura 1,88m. Constituição física muito magra. Cabelo e sobrancelhas castanho-escuros. Testa estreita. Olhos castanhos. Nariz adunco. Boca grande. Queixo pequeno. Barba feita. Rosto fino. Pele bronzeada. Tatuagem no bíceps do braço direito com os seguintes dizeres: “Viva a anarquia! Morte à polícia.”

Sujeito a notificação individual de expulsão do cantão de Genebra.

O Comissário Especial

Leal

Arquivos de Haute-Savoie 4 M 350

Leia sua biografia no Dicionário de Ativistas Anarquistas.

Fonte: https://anarchiv.wordpress.com/2026/04/05/belcayre-honore-eugene-sellier-anarchiste-francais-sans-domicile-fixe/

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A mão que me espera
traça o caminho da volta
abrindo janelas.

Eolo Yberê Libera

[Espanha] Refletindo sobre a “esquerda”, a “direita” e os anarquismos

É curioso (e alarmante) como algo evidente, o fato de que os conceitos políticos de “esquerda” e “direita” precisam de uma atualização urgente, acaba sendo usado por alguns para justificar a própria visão do que é correto. E não me refiro àqueles paspalhos que garantem ser de “centro”, algo ainda mais inextricável que as duas polarizações mencionadas, apenas para evidenciar sem qualquer vergonha seu absoluto desconhecimento político. A outra versão seriam aqueles que dizem ser apolíticos, um despropósito ainda maior, embora possa ser compreensível que isso seja fundado no cansaço com a classe política de um ou outro tipo. Mas, perdoem-me por divagar devido à minha habitual avidez pela argumentação lúcida, e volto ao que foi exposto em primeiro lugar. Efetivamente, há quem utilize a óbvia crise conceitual do que tradicionalmente entendemos por esquerda e direita para levar a água ao seu moinho. Como foi a esquerda que, na modernidade, usou propostas de progresso, e por suposto de transformação social, mais claras, a argumentação pós-moderna costuma estar a serviço de justificar o estado das coisas (leia-se, especialmente, o sistema capitalista). No entanto, apesar da realidade que querem colocar diante dos olhos do vulgo, dando como exemplo de esquerda o que defendem figuras atuais deste inefável país como Pedro Sánchez, Yolanda Díaz ou Pablo Iglesias, ou reduzindo as propostas ao fracasso do socialismo de Estado (em todas as suas vertentes), é claro, a coisa é muito mais complexa. Na realidade, tampouco era tão simples no desenvolvimento da modernidade, já que se pode falar de esquerdas no plural e inclusive também de direitas, embora talvez neste último caso a questão seja menos complicada. Sirva como exemplo que algumas vozes midiáticas, com certa ressonância, dizem ser de direita só por não serem de esquerda, sendo isto último algo que identificam com a falta de esforço econômico ou algo assim (creio que apostam naquilo que chamam de meritocracia). Chegamos então, ao menos neste inenarrável país, à questão do liberalismo (já sabeis, iniciativa privada, mercado supostamente livre…) e à sua apropriação do conceito de liberdade.

Sempre digo, e nem todo mundo concorda comigo, que não sei por que diabos se deve identificar liberalismo com direita, já que se alguém tem uma concepção progressista da história (e o digo, para os obtusos, com certo sarcasmo) é preciso ver a visão liberal como um certo avanço para que cada um, com todas as dificuldades que se queira na convivência social, possa ser o que deseje e levar adiante seu próprio projeto de vida. Efetivamente, agora que ninguém me lê, simpatizo com grande parte das propostas liberais entendidas como respeito ao próximo, que com certeza não pensará sempre como a gente ao considerar a estrutura social, política e econômica, assim como garantidoras da pluralidade social. Paciência, que já chegaremos ao anarquismo com o muito que tem, na minha nada modesta opinião, de herança da tradição liberal na modernidade. Claro que se alguém identifica o liberalismo, e neste indescritível país é o normal, exclusivamente com a apropriação da propriedade e com um mercado que chamam de livre (mas não é), posto apenas a serviço dos mais fortes, aí estamos mal. Em qualquer caso, como não está claro para qual vertente política o liberal oscila, pode ser que se trate de um dos fatores para tentar, não tanto negar, mas atualizar o que entendemos como direita (se a identificamos com o conservadorismo) e esquerda (se é que esta pode aportar ainda alguma concepção de progresso). Há quem, também com evidente afã reducionista, ao falar da esquerda tradicional (a que surge, para o bem e para o mal, daquele grande evento da Revolução Francesa) a divide entre socialismo, comunismo e anarquismo. A confusão não é pouca, já que ao falar do primeiro se confunde terminologicamente com a social-democracia, que por sua vez esteve historicamente sujeita a uma considerável evolução: nos primeiros tempos, significava adotar a via democrática para a transformação revolucionária, enquanto na atualidade é mera gestão estatal do capitalismo para tentar consolidar um, a esta altura já falacioso e deturpador, Estado de bem-estar social. No entanto, a palavra socialismo é notavelmente poliédrica e existe quem, com alguns matizes no caso da lúcida opinião do que subscreve, coloca o anarquismo como a vertente antiautoritária do mesmo.

Em qualquer caso, as contribuições políticas e econômicas dos diferentes socialismos, é claro, são muitas e variadas; se alguém quer reduzi-las à gestão estatal, para consumo de um público com o cérebro pouco oxigenado, trata-se de alguém mal-intencionado ou um idiota de marca maior. Vamos ao segundo conceito, o de comunismo, que muitas vezes também se confunde com o de socialismo; tecnicamente, isso ocorre porque, segundo a doutrina marxista, o primeiro é uma fase prévia ao segundo onde convivem a propriedade privada e coletiva antes da chegada do paraíso comunista. Escusado será dizer o horror que resultou da práxis, ferozmente autoritária, onde não só não houve nenhum final feliz baseado na abundância material e na mera administração das coisas (já sem Estado), mas também o estágio socialista intermediário resultou num evidente fracasso, com uma burocracia estatal intolerável e com a total ausência de liberdades elementares. Chegamos, por fim, ao anarquismo, o qual teve que carregar sobre suas costas demasiadas coisas e sobre o qual se derramaram tantas falsidades, que já não se sabe como enfrentá-las sem renunciar completamente à mais monumental indignação. Diremos que a consideração de que suas propostas são ingênuas e utópicas é um pobre lugar-comum soltado a torto e a direito, enquanto se relega o anarquismo a uma mera curiosidade histórica, dando-o como superado há tempos. No entanto, dentro desta humanidade que tanto nos envergonha em geral, ainda bem entrado o século XXI, ainda continuam existindo sapiens pertinazes, considerem-se ácratas ou não, que advogam por um mundo sem imposições baseado na prática com conceitos tradicionalmente libertários como a ação direta, a solidariedade e o apoio mútuo. Particularmente, procuro brilhantemente inverter as acusações de ingenuidade e utopismo, já que se trata de ser honesto confiando numa filosofia eminentemente moral (não há contribuições teóricas fortes, já que o importante é a prática, o que não significa que não se aposte no conhecimento em todos os âmbitos) e na mudança social aqui e agora (ou seja, pode ser que se trate da conquista cotidiana da desgastada utopia sem considerações para o amanhã). Resumindo, multidão de projetos que advogam por uma sociedade mais livre, solidária e inteligente; se isso é uma utopia, vão vocês passear com o seu repulsivo pragmatismo.

Articulando com o objetivo deste texto, segundo o título: o anarquismo, ainda na atualidade, é uma corrente de esquerda? Ambos os conceitos, polarizados até a náusea sem excessiva contribuição ideológica, converteram-se numa caricatura a ponto de a variável parecer ser maior ou menor gestão estatal. É claro que é algo falacioso e daí que a direita (ou direitas ou o que atualmente sejam) tenha se apropriado da concepção de liberdade da maneira mais lamentável e deturpadora. Como já deve estar evidente para o leitor perspicaz, não creio que os anarquismos atuais (sim, plurais, e sim, nem sempre com esse rótulo) devam entrar nesse jogo estéril a nenhum nível político, social ou midiático. Poderíamos ser companheiros de viagem de algumas forças aparentemente transformadoras, que sempre nos parecem alheias em seu afã de insistir na via do Estado, mas apenas se, uma vez conquistado o poder, tentarem transferi-lo aos movimentos sociais potencializando os mais nobres valores. Infelizmente, a experiência histórica nos demonstra uma e outra vez o contrário, pelo que é preciso dedicar os esforços a outros empreendimentos. Ninguém disse que seria fácil, palavra de ácrata com algum ou outro tique niilista.

Fonte: https://exabruptospoliticos.wordpress.com/2026/03/14/a-vueltas-sobre-la-izquierda-laderecha-y-los-anarquismos/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Não é meia-noite
e as mariposas cansadas
já dormem nas praças.

Humberto del Maestro

[Grécia] Reivindicação de responsabilidade de anarquistas por ataque incendiário contra um carro da Tesla

Nas primeiras horas de 22 de abril, incendiamos um carro da Tesla na região de Sykies, em Tessalônica.
 
Da práxis à teoria
 
Essa ação nasce de nosso desejo ardente de atacar uma das muitas máquinas que compõem o mundo tecnológico no qual somos forçados a viver.
 
O papel da tecnologia é um elemento central da dominação atual e da reprodução da normalidade sombria. Dos deslocamentos cotidianos à obrigação do trabalho, das relações humanas mediadas por uma tela ao sistema de identificação, controle e guerra, nada disso poderia funcionar hoje sem o aparato tecnológico que lhes dá sustentação material e do qual todos dependem.
 
Por essa razão, o ataque é essencial para construir uma perspectiva anarquista voltada para a destruição deste mundo.
 
A Tesla e seu fundador, Elon Musk, estão há anos na linha de frente da corrida para criar uma jaula tecnológica, sendo a união entre capitalismo, tecnologia e extrema direita. Além disso, seus carros, que são literalmente câmeras móveis sobre quatro rodas, com possibilidade de permanecerem ativos mesmo quando estacionados, materializam a ansiedade de participação de seus proprietários no absolutismo tecnológico.
 
Atacar o pesadelo tecnológico em todas as suas formas
 
O caminho do fogo nos chama a tomar nossas vidas em nossas próprias mãos e atacar.
 
Honra eterna aos camaradas Kyriakos, Sara e Sandro. Eles estão conosco em cada ataque.
 
Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1640959/  
 
Tradução > Contrafatual
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
Fina chuva inútil
fundo musical
a flauta casual
 
Winston

[Chile] 8º Encontro do Livro e da Propaganda Anarquista – Santiago

Retomamos este espaço de discussão e debate em torno das ideias e práticas anarquistas.

Buscamos divulgar o amplo espectro das tendências anarquistas, convidando ao diálogo fraterno entre companheiros e simpatizantes.

O confronto de ideias nutre e aprimora a projeção antiautoritária, preparando-nos para um novo ciclo de luta contra o Estado e sua expressão fascista.

Todos são bem-vindos… menos a polícia.

@encuentrolibroanarcostgo

agência de notícias anarquistas-ana

Cresce a erva do tempo, devagar,
brota do chão
e me devora.

Thiago de Mello

[Grécia] Pôster | “Energia nuclear e armas nucleares: uma ameaça constante”

O uso da energia nuclear para a geração de energia não é uma opção nova. Trata-se de uma tecnologia que, na maioria dos países, foi relegada ao esquecimento da história com o rótulo de “perigosa”, após grandes acidentes nucleares em todo o mundo, mas também devido à pressão dos movimentos antinucleares que surgiram em resposta a elas. Nenhuma nova aplicação tecnológica da energia nuclear pode garantir que seus trágicos resultados não se repetirão no futuro ou que ela possa realmente constituir uma proposta alternativa.

No contexto dos crescentes conflitos bélicos da época em que vivemos e do envolvimento de Estados dotados de armas nucleares, intensifica-se cada vez mais a possibilidade de uma guerra nuclear com consequências incalculáveis.

Diante de um sistema explorador e opressor que gera e reproduz crises, desigualdade e guerras, não nos contentamos com nada menos do que a sua destruição. Propomos lutas antidesenvolvimentistas, com características auto-organizadas, anti-institucionais e anti-hierárquicas, e sua interação com as demais lutas sociais contra o Estado, o capital, o patriarcado e toda forma de poder.

Iniciativa de coletividades anarquistas contra a pilhagem da natureza

enantiasthlehlasia@espiv.net – enantiasthlehlasia.espivblogs.net

agência de notícias anarquistas-ana

Branco instante
entre verde e azul:
garça ou pensamento.

Yeda Prates Bernis

[Espanha] Novidade Editorial: “Tierra y libertad. Historia del anarquismo y anarcosindicalismo en la región mexicana”

Desde a Editorial Anarcosindicalista Aurora Negra anunciamos nossa nova edição, “Tierra y libertad. Historia del anarquismo y anarcosindicalismo en la región mexicana (1853-1980)”, de Ignacio Marín Rivera

Tierra y libertad tem sido mais que um grito lançado pelos insurretos de vários países. Tem sido a síntese de milhões de escravos, dominados por seus iguais e por seus salários em todos os confins do mundo, que buscavam um mundo e uma vida em liberdade, igualdade e fraternidade, uma vida em comunidade e apoio mútuo, uma vida em anarquia.

O México tem ouvido ao longo dos anos a milhões de pessoas sintetizar seus anseios de liberdade com estas palavras através de diversas organizações que deixaram sua marca no processo revolucionário: La Social, La Escuela Moderna y Libre, o Partido Liberal Mexicano, a Casa del Obrero Mundial, a Confederación General de Trabajadores, etc.

Numerosos militantes anarquistas, fossem notórios ou anônimos, contribuíram com suas vidas para manter levantada a bandeira internacional do anarquismo, uma bandeira que chama ao seu redor aos que estão dispostos a realizar os inumeráveis sacrifícios que a guerra final, a guerra às guerras, a guerra de classes, exige contra a paz social para a conquista de uma sociedade livre.

O presente volume se integra em nossa coleção “El anarcosindicalismo a través de la historia y las fronteras” que registra nosso percurso, o da “AIT-IWA“, através de suas lutas de ponta a ponta do vasto mundo, com o fim do comunismo libertário, sendo compiladas neste volume as diversas táticas e experiências ensaiadas na região mexicana desde a aparição da ideia na região até os anos mais próximos a nossos tempos.

A colaboração é de 14€.

Recordamos que desde a editorial podemos apresentar nossos trabalhos editoriais naqueles sindicatos e espaços anarquistas interessados.

Uma fraternal saudação anárquica.

Para realizar pedidos contatar-nos em:

editorialauroranegra@cntait.org

Ig: editorialauroranegra

Fb: Editorial Anarcosindicalista Aurora Negra

cntaitalbacete.es

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

sobre um ramo seco
uma folha se pousa
e trina ao vento

Rogério Martins

[Itália] Jornada Bakuninista

No ano do 150º aniversário da morte de Mikhail Bakunin, apresentamos, a partir das 17h, o lançamento dos livros:

• Carlos Taibo, “Bakunin e Marx em confronto” (ed. Zero in Condotta) – com a participação de David Bernardini e Francesca Tasca

• Mikhail Bakunin, “Viagem à Itália”, com curadoria de Lorenzo Pezzica (ed. Eleuthera) – com a participação do curador

• Alessio Lega, “Bakunin, o demônio da revolta” (ed. Eleuthera) – com a participação do autor

Em seguida, jantar popular com espaguete à Bakunin!

DOMINGO, 10 DE MAIO DE 2026

A PARTIR DAS 17H

Ateneo libertario

Viale Monza 255

Milano

agência de notícias anarquistas-ana

Um só pirilampo
ofusca o pisca-pisca
das luzes do campo.

Sérgio M. Serra

A Farsa Verde: Capitalismo, Destruição e a Necessidade de uma Ecologia Radical

Por Expressões Anarquistas – Fenikso Nigra

O verde tomou as ruas das cidades. Nas vitrines das lojas, nas campanhas publicitárias, nos relatórios corporativos, uma cor supostamente redentora promete salvar o planeta. Painéis solares adornando fachadas de megacorporações, empresas de combustível fóssil financiando projetos de reflorestamento, bilionários anunciando neutralidade carbônica em 2050. A ilusão é tão perfeita quanto necessária ao sistema que a produz. O capitalismo não apenas tolerou a questão ambiental — incorporou-a, domesticou-a, transformou-a em mercadoria. Essa é a natureza do greenwashing: não é simples mentira, é uma operação sofisticada de cooptação que permite que a máquina de destruição continue funcionando sob aparência de reforma.

Quando falamos de “capitalismo verde” ou “desenvolvimento sustentável”, confrontamo-nos com uma contradição fundamental que nenhuma inovação tecnológica consegue resolver. Um sistema baseado na acumulação infinita de capital não pode coexistir com um planeta de recursos finitos. A lógica é simples e intransponível: em uma economia que demanda crescimento perpétuo, a conservação ambiental será sempre secundária ao lucro. As “soluções verdes” do mercado raramente questionam os pilares dessa lógica. Em vez disso, oferecem paliativos que reforçam a ilusão de que é possível manter a estrutura e resolver seus problemas através de ajustes cosméticos.

A destruição ambiental não é um acidente do capitalismo, nem uma externalidade corrigível por regulação. É constitutiva do sistema. A extração de recursos, a exploração de territórios, a transformação da natureza em mercadoria — tudo isso não constitui um desvio do capitalismo, mas sua essência mesma. Desde as monoculturas que esgotam solos até às minerações que abrem crateras na terra, desde os oceanos repletos de plástico até às atmosferas saturadas de carbono, cada degradação corresponde a um lucro concentrado. O sistema não precisa ser consciente de sua destrutividade; ela lhe é funcional. Uma floresta em pé não gera valor para o capital. Uma comunidade vivendo em equilíbrio com seu território não alimenta as máquinas da acumulação. É preciso destruir para lucrar.

Os mecanismos de mercado propostos como solução — créditos de carbono, offsetting ambiental, certificações “ecológicas” — funcionam precisamente para perpetuar essa lógica. Permitem que poluidores continuem poluindo, contanto que comprem o direito de fazê-lo. A atmosfera não negocia; os ecossistemas não entendem contratos. No entanto, esses instrumentos financeiros oferecem tranquilidade aos que possuem capital: a ilusão de que a crise pode ser gerenciada dentro do sistema que a origina.

Diante dessa realidade, torna-se necessário imaginar uma ecologia que não seja extensão da lógica do mercado, mas sua negação radical. Uma ecologia anarquista compreende que a libertação humana e a harmonia ambiental são inseparáveis. Não se trata de proteger a “natureza selvagem” contra seres humanos, como propõem alguns conservacionismos elitistas, mas de reconhecer que os seres humanos são parte da natureza e que nossa libertação depende de vidas vividas em reciprocidade com os ecossistemas.

Essa perspectiva recusa a separação entre questão ambiental e questão social. As comunidades mais afetadas pela destruição ambiental são aquelas sem poder de mercado: povos originários expulsos de seus territórios, trabalhadoras precarizadas em zonas de sacrifício industrial, populações urbanas pobres respirando ar envenenado. A libertação ambiental passa, necessariamente, pelo fim da hierarquia que permite que alguns lucrem à custa do envenenamento de outros.

Uma ecologia anarquista propõe organização horizontal de comunidades sobre seus territórios, gestão coletiva de recursos, economia baseada em necessidades reais e não em acumulação. Propõe tecnologias apropriadas, conhecimentos locais, formas de viver que regenerem em vez de degradar. Não é utopia ingênua: é reconhecimento de que milhões de seres humanos já vivem dessa forma em diversos contextos, mantendo equilíbrios ecológicos que os impérios do capital destroem.

Compreender essa verdade exige recusa à ilusão verde. Exige reconhecer que não há capitalismo sustentável, não há crescimento infinito possível, não há salvação pelo mercado. Exige, ainda, coragem de imaginar e construir alternativas radicais: outras formas de viver, outras relações com a terra, outras organizações sociais.

Nesta luta pela vida no planeta, contra a farsa verde e pela ecologia anarquista, somos pessoas dignas e livres!

anarkio.net

agência de notícias anarquistas-ana

A abelha tristonha,
fauna e flora devastadas,
produz mel amargo.

Leila Míccolis