[Chile] Múltiplas mobilizações estudantis diante de medidas antieducativas de Kast e militarização das salas de aula

Por La Zarzamora | 05/06/2026

No dia 3 de junho passado, ocorreram multitudinárias marchas estudantis nas diferentes regiões do território ocupado pelo Chile, em resposta às últimas medidas antieducativas do governo; por um lado, o projeto da megarreforma, que atualmente tramita no Senado e implica uma série de cortes econômicos que incluem o sistema educacional, e por outro, a militarização dos estabelecimentos educacionais, com um aumento progressivo do que inicialmente foi conhecido como “Aula Segura” e que hoje se agrava na iniciativa legal “Escola Protegida”.

Nas regiões, especificamente em Concepción, a convocação foi amplamente atendida por estudantes do ensino básico, médio e universitário, assim como por estudantes dos diferentes Lares Mapuche, que se manifestaram igualmente pela liberdade dos presos políticos e contra a reforma da Lei Indígena anunciada por Kast na prestação de contas pública, que pretende eliminar as poucas salvaguardas que existem para proteger as terras ancestrais da usurpação estatal e privada.

Em Santiago, as forças repressivas agiram com sua habitual covardia, reprimindo a multidão e deixando uma estudante de Direito da Universidade do Chile com múltiplas fraturas no rosto, que precisará ser submetida a cirurgia.

Cortes e Militarização

Cabe lembrar que os cortes na educação incluiriam: o PAE (Programa de Alimentação Escolar), o Fundo de Apoio à Educação Pública, o Programa de Acompanhamento de Acesso ao Ensino Superior, entre outras bolsas e benefícios.

Por outro lado, a Escola Protegida, iniciativa já despachada pelo Congresso, implica uma série de medidas que transgridem profundamente a comunidade escolar, focando antipedagogicamente na criminalização de infâncias e adolescências, permitindo violações como: revista e verificação de mochilas, medidas disciplinares que impedem elementos que protegem a segurança facial (ocultamento do rosto), a eliminação da gratuidade por 5 anos para estudantes que forem condenados por crimes de ataques à integridade física, uso de armas ou danos graves à infraestrutura, sanções diretas para quem liderar ou participar na paralisação total ou parcial das aulas, entre outras.

É necessário mencionar como antecedente que a intervenção policial nas escolas vem sendo executada há décadas no Chile, desde que foi promulgada a Lei Aula Segura (Lei 21.128) no ano de 2018 durante o governo de Piñera e que os protocolos de “segurança” das escolas incluem a entrada das forças repressivas nos estabelecimentos e a detenção de estudantes, ações que, disfarçadas como “protocolos de segurança”, são praticadas com a cumplicidade das equipes de gestão escolar das escolas, incluindo professores, UTP, diretores, entre outros.

As medidas, que são apresentadas à opinião pública como a solução para um problema de segurança, têm como um de seus principais objetivos coibir a organização e a protesto estudantil, criminalizando os estudantes e facilitando seu processamento legal, com a cumplicidade da estrutura educacional.

Em um sistema educacional sempre deficiente, de má qualidade e historicamente servil ao empresariado e à produtividade do país, as medidas do poder significam um grande retrocesso na luta estudantil das últimas décadas.

A escola nas mãos do poder empresarial ou estatal é violada em sua essência, impedindo relações saudáveis de aprendizagem e adestrando os estudantes, para criar seres mergulhados na ignorância e fáceis de controlar.

Professor, Professora consciente, em qual corrente pedagógica te ensinaram a ser cúmplice do abuso de poder? Em qual disciplina te ensinaram a dar aulas na presença policial? São perguntas que fazemos, quando testemunhamos o longo silêncio da comunidade educativa diante de um crescente modelo repressivo que se agrava.

Por uma educação autônoma e integral, tomemos a educação em nossas mãos.

Fonte: https://lazarzamora.cl/multiples-movilizaciones-estudiantiles-ante-medidas-antieducativas-de-kast-y-militarizacion-de-las-aulas/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Mesmo sendo míope
vejo crateras e sombras.
Lua desta noite.

Danita Cotrim

Bolívia: na encruzilhada da insurreição e da contrarrevolução

GUERRA SOCIAL NO ALTIPLANO

Os protestos na Bolívia se intensificaram nas últimas semanas. A normalidade e a paz social eternamente almejadas pelos capitalistas está rompida. Dezenas de bloqueios de estradas em rotas estratégicas que conectam La Paz a Cochabamba, Oruro e as passagens de fronteira com Chile e Peru multiplicam-se sem cessar, apesar da atroz repressão de policiais, bandos militares e capangas pagos, aos quais o proletariado respondeu com genuína violência organizada de classe.

A sociedade da mercadoria, por meio de seus chacais porta-vozes e abutres jornalistas, apressa-se a vomitar suas ideologias e ódio racial contra os insurgentes. Primeiro acusando os rebeldes, todos em bloco, de serem partidários de Evo Morales (manipulados pelos resquícios da ideologia MASista), ocultando o fato de que esta jornada de luta de rua não é por um personagem obsoleto, mas a resposta da classe trabalhadora às condições miseráveis de subsistência e às políticas de fome dos fantoches de plantão que buscam acelerar o saque de recursos (água, lítio, terras, minerais) e impor mais medidas de austeridade.

Enquanto isso, organizações que giram em torno da Central Operária Boliviana (COB), setores mineiros, camponeses e agrupamentos indígenas endureceram os protestos e começaram a exigir a renúncia do presidente Rodrigo Paz. Os “dirigentes sociais” (ou melhor, burocratas apaga-fogo) denunciaram uma crescente “traição do Governo para com as bases populares” e rejeitaram as convocações oficiais ao diálogo. Mas para nós, anarquistas-comunistas, toda essa queixa é uma patranha; não existe tal traição, pois é a ação natural da burguesia impondo sua vontade para assegurar a continuidade da dominação do Capital.

As organizações sindicais, longe de serem uma arma de luta contra o capital, são uma ferramenta perfeitamente integrada ao sistema, que servem como mediadoras e conciliadoras entre a classe dirigente e os explorados, para regular o preço da força de trabalho e impedir que a classe trabalhadora se constitua como força revolucionária. Outra de suas características nauseabundas é que cumprem a função de enquadrar a força massiva da classe em interesses setoriais, contribuindo para o divisionismo e a fragmentação da luta, fomentando a ilusão de que cada setor laboral, raça, etnia possui interesses particulares descolados do resto.

Assim como ocorreu recentemente no Equador com a CONAIE (Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador), que só serviu para desgastar, emperrar e liquidar as mobilizações, as grandes organizações burocráticas “de vanguarda” encarregadas das negociações (haverá algo a negociar com nossos inimigos de classe?) tentam levar novamente a classe trabalhadora ao desfiladeiro das ilusões democráticas burguesas, para que tudo continue igual ou pior do que antes.

O governo do pateta Rodrigo Paz apressou-se a negociar acordos para dividir o movimento, com concessões a alguns dos setores mobilizados. Negociou com as cooperativas, anulando uma dívida de 95 milhões de bolivianos com a Caixa Nacional de Saúde e mantendo o subsídio ao combustível. Também negociou com o magistério e com a COB de El Alto, e assinou um acordo com os dirigentes dos “ponchos vermelhos” de La Paz. Esses setores foram se retirando aos poucos do conflito. Ficou evidente que algumas das bases repudiaram seus líderes por terem assinado.

Permitimo-nos citar um fragmento de um texto que circula na web, que exemplifica e contribui para o mencionado (embora não compartilhemos sua perspectiva de “democracia operária”), demonstrando como essas máfias de “profissionais das lutas e das mobilizações” são as verdadeiras coveiras de toda tentativa revolucionária:

Enquanto no dia 30 de maio, Assembleias Gerais auto-organizadas como a de Patacamaya, com a participação de representantes das 77 comunidades da província de Aroma, decidiram, assim como em todo o país, rejeitar qualquer diálogo com o governo, exigir sua renúncia e manter bloqueios por tempo indeterminado, radicalizando a mobilização — com 93 bloqueios hoje, contra 60 há dois dias —, a direção da COB, a principal federação sindical, mais uma vez se esquiva de sua responsabilidade e adia — sob o pretexto da segurança — a Assembleia Geral Nacional, onde se deveria tomar uma decisão hoje: negociar com o governo ou continuar a luta até sua queda. E na tentativa de impedir esta Assembleia, a direção da COB não fixou data para a próxima.

A postura da direção da COB é clara para todos.

Numerosos comitês auto-organizados haviam convocado a participar desta Assembleia para decidir sobre a continuação da luta pela derrubada do governo, e era certo que obteriam a maioria, arrastando consigo as bases da COB. Isso teria efetivamente transformado esta assembleia aberta da COB numa direção nacional auto-organizada para a luta pela derrubada do governo. A direção da COB demonstrou hoje que não deseja derrubar o governo e, portanto, não quer que o atual movimento insurrecional pertença àqueles que o lideram.

Muitos consideram isso uma traição.

Ao mesmo tempo, isso não surpreende muitos, dado que a COB já havia traído a primeira fase do movimento em dezembro/janeiro de 2026, e acima de tudo, não desanima ninguém porque os comitês auto-organizados já haviam alertado amplamente sobre o que provavelmente aconteceria.

Isso não destruirá o movimento. Simplesmente incentivará os comitês auto-organizados a estabelecerem por si mesmos a direção democrática nacional SIC! da qual o movimento carece e que poderia ter se reunido hoje. [1]

Assim age a esquerda, o sindicalismo e o cidadanismo. Hoje te levam à greve, mas antes ou durante o processo já te venderam aos vorazes conglomerados empresariais e suas famílias políticas.

Enquanto se permanecer preso à narrativa de que esta luta é pela defesa da democracia e da soberania contra o avanço da extrema direita e do fascismo, estaremos condenados a que a luta transcorra sem perturbar as estruturas do sistema capitalista, transitando por simples substituições governamentais onde a burguesia nacionalista prepara o terreno para a chegada de burguesias excêntricas com menos escrúpulos (os Mileis, os Noboas, os Bukeles, os Trumps).

A Bolívia possui uma grande tradição de combatividade no terreno da luta de classes (desde a insurreição operária de 1952 até as guerras da água de 2000 e do gás em 2003). Esta jornada de luta foi possível graças à existência de uma comunidade de luta (perspectiva de coletividade, redes de apoio, assembleias, grupos de logística); e fica claro que, embora a massividade de um movimento não o torne invulnerável, sem uma base social que se lance à luta e se apoie mutuamente, a paz social do capitalismo se imporá de maneira mais violenta, ainda que o proletariado se encontre em situação de precariedade e miséria extrema (veja-se o caso da Argentina).

E DEPOIS DA INSURREIÇÃO?

Por outro lado, cabe esclarecer que hoje a situação de insurreição proletária na Bolívia não surge num contexto de revolução mundial, mas pelo contrário, ocorre num vórtice de contrarrevolução onde a burguesia se mostra desesperada em sua corrida de acumulação de capital — acelerando a guerra, o ecocídio e o controle tecnológico —. A ação dos blocos burgueses que representam os novos fascismos e as novas direitas tende a acelerar as contradições de classe, mas isso não significa que automaticamente nossa classe responda com eloquência e contundência aos ataques do capitalismo. Fica claro que não se pode deixar tudo à espontaneidade.

Se a batuta da luta é conduzida pela reformista Central Operária Boliviana (COB), após a decadência do MAS, é porque, de fato, as condições não amadureceram o suficiente para fazer contrapeso e levar adiante uma insurreição generalizada que vá além dos limites da pusilânime democracia e da esquerda. No entanto, superar isso não é algo que dependa especificamente da mera vontade de uns indivíduos ou de uma organização, mas só pode ser produto de balanços e rupturas dentro do próprio desenvolvimento da luta.

Duas décadas de revoltas em todo o mundo confirmam mais uma vez que lutar sob as bandeiras dos setores da esquerda reformista e progressista é condenar-nos à estagnação e a duros golpes que quebram a moral coletiva do proletariado. Não é surpreendente que na Bolívia, embora exista neste momento uma comunidade de luta proletária com grande combatividade, existam limitações produto da confusão e da desídia, que abrigam o risco de levar a rebelião a um ponto morto.

Isso quer dizer que se deve permanecer imóvel e expectante “até que as condições estejam dadas”? Acreditamos que não. Embora saibamos que não estamos sequer numa fase “pré-revolucionária”, isso não é o fim do caminho, nem significa a conclusão da luta, nem muito menos nossa derrota definitiva.

Os fatos materiais evidenciam a luta proletária, não como deveria ser, mas como é: contraditória em meio ao caos e à revolta, com a inevitável interferência em seus começos de setores interclassistas e reformistas que buscarão tirar proveito da partida. Nunca surgirá em condições ideais e à nossa conveniência. É por isso que de nada serve isolar-nos em nome de uma pureza revolucionária. Como agitadores e revolucionários, devemos incentivar o transbordamento das próprias organizações que demonstraram ser obsoletas para estender a luta, não para “melhorá-las ou mudá-las por dentro”, mas para rompê-las, superá-las e criar nossos próprios organismos autônomos que respondam aos nossos interesses históricos de classe… até a revolução social.

É absurdo pensar que depois de décadas de esquartejamento do proletariado e suas estruturas de combate e luta radical (seja pela repressão ou cooptação), ele vá desenvolver da noite para o dia uma aglutinação para lançar-se ao assalto ao céu com um programa revolucionário na mão e a bandeira com a inscrição Omnia sunt communia. Não é assim que funciona a luta de classes. Não é que primeiro o proletariado “adquira consciência, se faça revolucionário e depois se lance à luta”, mas é no processo da luta (sempre convulso, complexo, cheio de contradições e erros) que ele desenvolve sua consciência e revela a perspectiva revolucionária, ou pelo menos, aí se tornam mais evidentes os limites oprobriosos do reformismo, forçando-o a repensar os métodos de luta.

Os setores que já estão imersos nas bases dessas organizações, que tenham percebido que delegar a luta só levará ao impasse, deverão atender essa problemática e se reagrupar para superar essa contradição.

O governo tem clara sua resposta: estado de sítio, lei da mordaça, repressão brutal e gatilho fácil para sufocar a revolta o mais breve possível. Apesar dos mortos, ainda não conseguiu e sua desesperação aumenta. Mas o que há do outro lado da barricada? Continuaremos abrigando a estúpida esperança de que outros governos progressistas ou o bloco chinês-russo-iraniano intervirão de fora para nos salvar? Todos os estados são inimigos do proletariado e, mais cedo ou mais tarde, nos esmagarão ou entregarão como butim a seus rivais. O proletariado não tem amigos entre a burguesia; conta apenas com suas próprias forças, memória histórica e métodos de luta.

O barril de pólvora continua junto ao pavio, as mobilizações continuam e as assembleias de bairro seguem fortes, mas não devemos nos confiar. Sabemos que um dos pontos fracos de toda revolta é que, se elas se prolongam, acumulam o peso do desgaste e do desespero sobre os sublevados. A escassez de produtos de primeira necessidade, medicamentos e insumos se agrava com os bloqueios e a falta de combustível, e isso é crucial para a continuidade da resistência proletária.

O que acontece na Bolívia deve trazer enormes lições ao nosso arsenal nesta guerra de classes. Ou avançamos para a abolição do capital, do dinheiro, do mercado, do Estado e das classes… ou prolongaremos nossa penúria sob este sistema.

Viva a revolta proletária na Bolívia!

Acima os que lutam!

Nem esquerda nem direita!

Morte ao Estado e ao capital!

Contra a contra — Junho de 2026

Notas

[1] Informação citada por Luttesinvisibles.

materialesxlaemancipacion.espivblogs.net

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

chegado para ver as flores,
sobre elas dormirei
sem sentir o tempo

Buson

Não olhe para a Lei Rouanet!

O meteoro do incentivo à cultura. E o que os trabalhadores da arte da cultura deveriam aprender com as lições catastróficas da dependência política do fomento.
 
Por Manoel J. de Souza Neto | 02/06/2026 
 
Após anos de pesquisas sobre o fomento à cultura no Brasil, coordenando estudos independentes e cooperando com o Observatório da Cultura do Brasil em análises sobre a Lei Aldir Blanc, o MinC, o CNPC e a Lei Rouanet, encerro este ciclo com a sensação de tarefa cumprida. Nosso objetivo sempre foi diferente do de muitos que apenas desejam atacar a arte ou captar recursos. Queríamos provocar reflexão sobre falhas na execução das políticas públicas e expor contradições que incentivassem melhorias nos mecanismos de fomento à cultura. Não imaginávamos que, apenas por observarmos o cenário com a lente do Observatório e identificarmos o objeto em queda e a catástrofe que poderia provocar, seríamos perseguidos e hostilizados por alertar a sociedade sobre a tragédia iminente. Descobrimos, de forma amarga, como grupos de interesse, parte da mídia e a política podem ser medíocres. Depois de anos de artigos, pesquisas e relatórios, o que revelamos sobre problemas na aplicação de recursos e ineficácia das políticas públicas tornou-se menos importante do que o objeto secundário da própria pesquisa, que são as razões pelas quais o cenário não muda. E elas passam pelas pressões de partidos, grandes empresas, atravessadores, máfias de editais e setores da mídia, somando-se à anti-cultura promovida por conservadores e ultraliberais que tentam desmontar os instrumentos de fomento. Ambos os lados carregam responsabilidade semelhante pela falência estrutural do financiamento à cultura no Brasil. Descobrimos isso porque tentaram silenciar estudos que poderiam ajudar a sociedade, revelando justamente as razões pelas quais nada muda, justamente os interesses excessivos de poucos grupos beneficiados. As pressões políticas e perseguições aos pesquisadores levaram membros do Observatório da Cultura do Brasil ao limite, resultando em queda de canais. Considerando que auditorias e autoridades confirmaram nossos estudos, o grupo se desfez e este tema está encerrado para nós, mas não antes de apresentarmos as provas e auditorias que encerram o caso.
 
>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:
 
https://passapalavra.info/2026/06/159286/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Relva da manhã
Orvalhos salpicados
Frescura no ar.
 
Luci Ikari

8 punhaladas CONTRA A DEMOCRACIA

A democracia é uma forma de GOVERNO, e, portanto, de dominação. Mais uma via da burguesia para administrar a exploração política, econômica e social da maioria da humanidade.

A democracia é o PARLAMENTARISMO, ferramenta de dominação da burguesia, que se legitima mediante o voto, a delegação e a representação.

A democracia é a LEI, instrumento que perpetua a ordem existente. Regula e castiga as consequências que o próprio capitalismo e o próprio Estado engendram.

A democracia é a PROPRIEDADE PRIVADA, eixo econômico, político e social. Uma minoria detentora dos meios de produção para explorar-nos, enriquecer-se e aproveitar nossa força de trabalho.

A democracia é o TRABALHO ASSALARIADO. A condenação e a obrigação de trabalhar para uma minoria em troca de um salário que permita sobreviver.

A democracia é a MERCADORIA. Tudo está submetido à lógica do mercado e do Capital, tudo se converte em objeto e tudo tem um Valor econômico.

A democracia é o CÁRCERE, instrumento para sequestrar, torturar, isolar e esconder as consequências que o próprio Sistema provoca.

A democracia é a POLÍCIA e as FORÇAS ARMADAS. Impõem mediante a tortura, o assassinato, a repressão e a guerra a Ordem do Capitalismo e dos Estados.

Contra o Estado e o Capital!

Pela Anarquia

agência de notícias anarquistas-ana

Deslizam, suaves
nas pétalas das gardênias
gotas de orvalho.

Kazue Yamada

ECHO, a biblioteca itinerante da Grécia

de Giulio D’Errico

As intermináveis esperas, sem nada para fazer, é quando o tédio, muitas vezes, retorna, segundo os imigrantes, forçados a viver, na Grécia, em campos de refugiados por meses ou até anos. Seja esperando a resposta do pedido de asilo, esperando chegarem os documentos necessários para sair, ou pela impossibilidade de encontrar emprego que não seja extrema exploração ou, ainda, pela falta de acesso a oportunidades educacionais, fazendo das esperas algo que causa e agrava danos à saúde mental. De certa forma, é aí que a Biblioteca Itinerante ECHO tenta se encaixar, com livros em quinze idiomas e atividades.

O projeto

Hoje, a ECHO é uma biblioteca ambulante sediada em Atenas, percorre 500 km por semana para chegar a seis campos de refugiados, onde estão residentes cerca de 7.000 pessoas, e também em uma praça na capital grega e um centro comunitário em Corinto. Nascida no início de 2016, a biblioteca se adaptou à evolução contínua do sistema de asilo grego. Do extremo norte do país, a ECHO mudou-se primeiro para Tessalônica e depois para Atenas, mantendo a relação com aqueles que viviam em campos de refugiados no centro das atividades.

Os campos, nascidos como resposta emergencial ao grande número de chegadas em 2015-16, tornaram-se parte integrante da paisagem rural grega: há 32 campos no continente e 5 nas ilhas gregas. Cientificamente construídos bem longe dos centros urbanos, foram transformados em estruturas cada vez mais eficientes no controle das populações imigrantes, por conta da separação do restante do tecido social local e pela invisibilidade do fenômeno imigratório. Muros de concreto armado de 6 metros de altura, com arame farpado no topo, delimitam as prisões ao ar livre, com catracas eletrônicas para marcar entradas e saídas, dezenas de câmeras que monitoram movimentos de dentro e no entorno fora do campo, e a União Europeia financiou todas generosamente.

Desde 2022, passaram a ser uma etapa obrigatória no processo de solicitação de asilo, com a remoção de todas as soluções alternativas de moradia. Essa eficiência anda de mãos dadas com um processo de criminalização dos imigrantes que culminou, neste momento, com a nova lei de asilo do novo Ministro da Imigração, Thanos Plevris, cujo sobrenome deve soar familiar aos leitores deste Boletim.

Há 9 anos, a ECHO tem se adaptado e resistido a essas transformações, tentando assegurar o direito ao estudo, ao lazer e à leitura àqueles forçados a viver nos campos de refugiados que conseguimos atingir. A biblioteca, quando se desloca, não é muito diferente de qualquer outra van branca, mas, nas sessões, se transforma, com mesas, bancos e cadeiras, carpetes, luzes e prateleiras móveis, jogos e instrumentos musicais. Os livros, cerca de 5.000 nas prateleiras da biblioteca e em um pequeno armazém, são tanto a espinha dorsal do projeto quanto uma desculpa para muito mais. Distribuímos material para aprender inglês, grego e alemão, facilitamos o acesso a cursos online e a possibilidades educacionais, organizamos atividades para adultos e crianças, e compartilhamos informações sobre os serviços disponíveis na cidade. Basicamente, criamos momentos de socialidade, lazer e distração das condições de vida nos campos e tentamos, com as atividades, construir comunidades temporárias. O projeto é totalmente independente de fundos públicos e sobrevive graças a doações e pequenas licitações privadas. Nenhum de nós tem formação de biblioteconomia e, honestamente, nos importamos mais com a distribuição dos volumes do que com o seu retorno, que, de qualquer forma, tem média de 70% dos livros emprestados, que são retornados. Por isso, optamos por um sistema de empréstimo que não exige documentos nem cartões, basta passar o contato telefônico.

Os livros

O acesso à literatura, e à leitura em geral é, para nós, um potente antídoto ao tédio e é instrumento importante para a manutenção da saúde mental e o desenvolvimento de habilidades de pensamento crítico. O nosso catálogo é formado tendo em vista a comunidade com a qual colaboramos: temos livros, principalmente, em árabe, persa, turco, francês e inglês, mas temos livros em duas línguas curdas (kurmanji e sorani), e também em somali, urdu, pashtu, bengali, grego e alguns em lingala e em português. Para todas as línguas, são livros infantis, infanto-juvenis, jovens adultos, narrativa, não ficção e poesia.

A construção do catálogo, de certa forma, é um ato de equilíbrio: entre doações e compras, os pedidos dos leitores e as nossas propostas, a disponibilidade financeira e a facilidade para adquirir livros em determinado idioma. Recuperar mensagens de texto está longe de ser fácil. A maior parte vem de doações: editoras, prêmios literários, bibliotecas e livrarias de todo o mundo nos ajudaram, mas, em geral, precisamos ser criativos: toda vez que os amigos viajam para um país de onde queremos livros, tentamos fazer tudo para que voltem com a mala cheia deles.

Clássicos antigos e novos sempre funcionam, Fiódor Dostoiévski está entre os favoritos dos leitores, seja em árabe, turco, curdo ou persa. O pequeno príncipe está presente em quase todos os idiomas, seguido por Harry Potter, que continua sendo o favorito dos mais novos. O poeta palestino Mahmoud Darwish é o autor mais lido em árabe, enquanto Sadegh Hedayat e Khaled Hosseini são os mais lidos em persa.

As nossas propostas focam em autores e temas menos tradicionais. No que diz respeito à literatura, tentamos aumentar a presença de autoras e de livros que representem os leitores que temos: em francês, menos autores da metrópole e mais autores africanos; em inglês, estamos adicionando livros a Harry Potter e O Código Da Vinci de autores como Tomi Adeyemi, Namina Forna e Nnedi Okorafor, mas também Terramare de Ursula Le Guin e os livros de Octavia Butler. Com a literatura especulativa, especialmente aquela mais atenta à crítica social, buscamos estimular os leitores para ler em outros idiomas também: Ursula Le Guin em turco, Octavia Butler em árabe e Margaret Atwood em persa, enquanto recentemente adicionamos os livros da anarquista Margaret Killjoy às nossas seções de inglês e de francês.

Na seção de não ficção, os grandes livros populares sempre são bem sucedidos, como os livros de filosofia da Escola da Vida e os complementares à história, de Yuval Noah Harari. Mas não são os únicos. Volumes sobre filosofia, psicologia e economia estão entre os pedidos mais frequentes. Em princípio, tentamos atender aos pedidos que chegam, muitas vezes imprimindo o que não conseguimos encontrar em papel. Ao mesmo tempo, propomos visões alternativas, começando com livros de autoajuda e educação econômica mais focados no crescimento coletivo do que no individual: muitos jovens perguntam se temos livros sobre enriquecer, especialmente Rich Dad, Poor Dad, manual do turbocapitalismo americano, felizmente não muito famoso na Itália, mas uma praga global traduzida para 51 idiomas.

Quando podemos, incluímos livros menos convencionais no catálogo, especialmente sobre pensamento transfeminista, anticapitalista e anticolonial. Em vez dos grandes clássicos, focamos em livros leves e modernos, tentando, tanto quanto possível, manter um equilíbrio entre autores ocidentais traduzidos e autores nativos das diversas áreas linguísticas com as quais trabalhamos. Embora não seja a prioridade, ficamos satisfeitos em poder oferecer textos anarquistas em tantos idiomas quanto possível. Em turco e curdo há vários volumes disponíveis, de Max Stirner a David Graeber e Murray Bookchin. Em árabe e persa, é muito mais difícil porque as poucas traduções frequentemente estão fora de catálogo. No entanto, graças a alguns canais de Telegram da diáspora iraniana e da resistência palestina na Cisjordânia, há alguns anos encontramos um livro de Colin Ward traduzido para o árabe e um coletivo de tradutores preparando zines e panfletos anarquistas em persa. No último período, os americanos da Crimeth Inc. e os editores da Biblioteca Anarquista aumentaram o número de traduções, e graças aos camaradas do Centro di Estudi Libertari, de Itália, conseguimos expandir nossa oferta, com uma tradução árabe do Anarquismo, da teoria de Guèrin para a ação e outra em persa de alguns escritos de Bakunin. Em resumo, uma pequena coleção multilíngue de zines e textos anarquistas fotocopiados está misturada entre os volumes da biblioteca.

Giulio D’Errico estudou história entre Milão, Modena e País de Gales. Desde 2017, vive em Atenas, onde conheceu a Biblioteca Itinerante ECHO, da qual é um dos coordenadores desde 2021. No tempo livre, escreve e traduz; seus escritos estão em “A Rivista Anarchica”, “EMMA”, “ROAR Magazine” e em textos publicados pela Mimesis, Agenzia X e Active Distribution.

Para apoiar a Biblioteca Itinerante ECHO: https://echolibrary.org/support/

Fonte: https://centrostudilibertari.it/it/d-errico-echo

Tradução > CF Puig

agência de notícias anarquistas-ana

No céu cintilante
mil vaga-lumes brincando:
mil sonhos vagando

Aída Godinho

[México] O futebol será rebelde, anticapitalista, comunitário e popular!

O futebol sequestrado pelo capital transforma a alegria em mercadoria e o jogo em negócio. Copas do Mundo e megaprojetos esportivos deslocam comunidades, desapropriam pessoas de suas terras e colocam o lucro acima da vida.

Frente ao futebol espetáculo, reivindicamos o futebol dos bairros, das comunidades e dos povos. O futebol que organiza, que une, que celebra e que resiste.

A bola pertence ao povo!

O campo também é um território de luta e protesto!

Alter-Nativas

#AntiFIFA #futbolrebelde #futbolpopular

agência de notícias anarquistas-ana

No espelho d’água
oculta sua face, tímida,
a lua nublada.

Douglas Eden Brotto

[Itália] Nenhum espaço ao fascismo! Modena, 23 de maio de 2026

No sábado, 23 de maio, as ruas de Modena foram atravessadas por um cortejo antifascista determinado, autogerido e participativo. Centenas de companheiras, companheiros, organizações estudantis, sindicalismo de base e cidadãos e cidadãs individuais se reuniram para reafirmar, mais uma vez, que Modena é e continuará sendo uma cidade antifascista, solidária e rebelde.

A manifestação nasceu da necessidade de responder às recentes e sórdidas tentativas de provocação de cunho neofascista. Elementos que, instrumentalizando os últimos acontecimentos noticiosos, buscam sorrateiramente se insinuar nas dinâmicas da cidade para semear ódio, intolerância e racismo, apoiados pelas lógicas securitárias do Estado.

Ao contrário daqueles que se limitam à retórica das celebrações institucionais, a praça quis lembrar que o antifascismo em Modena tem raízes profundas, que se fincam na histórica e nunca adormecida tradição anarquista do território. Das barricadas do passado às lutas operárias, Modena lembra seus filhos libertários que sempre combateram o fascismo não em nome de uma legalidade burguesa, mas pela emancipação total das oprimidas e oprimidos.

A resposta da Modena cúmplice e solidária foi clara“, declaram as organizações libertárias e antifascistas promotoras. “O fascismo não se combate delegando às instituições ou defendendo constituições com frequência traídas pelo poder, mas com a organização de baixo para cima, a vigilância militante e a ação direta nas ruas. Diante daqueles que propõem ódio, fronteiras e jaulas, nós respondemos com a solidariedade internacionalista, o auxílio mútuo e a recusa de toda autoridade.

A mobilização transcorreu num clima de forte coesão e firmeza, demonstrando que a memória da resistência anarquista e comunarda não é uma relíquia de museu, mas um instrumento vivo para bloquear qualquer regurgitação nostálgica e autoritária. Isso foi demonstrado pelos habitantes da “Modena mestiça”, que, ao nos verem desfilar, nos cumprimentavam com sorrisos de alívio e gritavam “viva o antifascismo“.

Nenhum espaço ao fascismo, ao racismo e aos seus servidores. A luta continua nas ruas, todos os dias.

Fonte: https://usi-cit.org/nessuno-spazio-al-fascismo-modena-23-maggio-2026/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

outro assobio
escuto os passarinhos
sem dar um pio

Ricardo Silvestrin

A Política Além Do Voto

Como é ridícula a vida pública burguesa,

o jogo do poder, do mando, da obediência,

suas hierarquias e arranjos institucionais!

Sabemos o quanto todos os políticos são exímios sofistas, falastrões,

que vivem de demagogia,

da ilusão da democracia e do jogo podre das eleições.

Sabemos que do Estado nada se espera,

que a república apenas sustenta os ratos

que legislam e governam em interesse próprio.

Por isso não nos rendemos,

nem obedecemos.

Nunca votamos ou reverenciamos.

Não elegemos parasitas e demagogos.

Sabemos que todo poder é maldito

e exercido contra o povo.

Tudo que conquistamos foi através da luta,

da ação direta e da vontade de inventar

aqui e agora, um mundo novo.

Carlos Pereira Júnior

agência de notícias anarquistas-ana

lua n’água
entre pétalas
alumbra o abismo

Alberto Marsicano

[México] “A Capital dos Desaparecimentos Forçados!”

“A Capital dos Desaparecimentos Forçados!” vista do lado de fora do Estádio Azteca, na Cidade do México, antes da Copa do Mundo de 2026.

Há mais de 133.000 pessoas desaparecidas no México.

A crise resultou na descoberta de milhares de valas comuns clandestinas por todo o país, algumas perto do estádio.

É amplamente sabido que organizações criminosas e agentes do Estado, incluindo policiais e forças de segurança federais, trabalham juntos para realizar desaparecimentos forçados. Os governos do passado e do presente buscam encobrir essas informações.

Exigimos verdade e justiça!

agência de notícias anarquistas-ana

Atrás do portão
um latido afoito
chegamos junto com a noite

Winston

[Bélgica] Bruxelas: Uma retrospectiva do julgamento de T. em 20 de maio

Na quarta-feira, 20 de maio, cerca de trinta pessoas se reuniram em frente ao tribunal de Bruxelas, um prédio terrível, imponente, opressivo e escuro. Do lado de fora, policiais chegaram rapidamente procurando por alguém na liderança. Quando os ativistas se recusaram a responder, os policiais disseram que sabiam que estavam ali para o julgamento de um anarquista. Na verdade, eles tinham vindo para assistir ao julgamento de T., um refém do Estado por mais de seis meses, acusado de tentar incendiar viaturas policiais em frente à delegacia de Ixelles em 10 de novembro de 2025.
 
O grupo de cerca de trinta pessoas entrou no tribunal sem incidentes, levando os policiais a uma busca infrutífera, já que nem eles nem o advogado sabiam onde ficava a sala de audiências. Finalmente, comemos os doces que sobraram na sala de audiências, ouvindo um juiz proferir um veredicto na velocidade de um leiloeiro, incluindo sentenças de vários anos de prisão. Em seguida, veio um caso em que a advogada atacou implacavelmente seu cliente (ausente), dizendo que ele era “imperdoável”, sob pressão do juiz Panou e do promotor público. Soubemos que T. estava a caminho da prisão, tendo sido liberado de sua cela às 7h da manhã.
 
Para T., seria o promotor federal quem estaria presente.
 
Dez policiais estavam no tribunal, além de uma escolta de três policiais que o acompanharam durante toda a sessão. Desnecessário dizer que a atmosfera no tribunal era tensa.
 
A audiência começou com T. explicando que exerceria seu direito de permanecer em silêncio, pois não tivera acesso suficiente ao processo. A promotora então apresentou seus argumentos, solicitando uma pena de três anos de prisão. O advogado de defesa argumentou pela absolvição, alegando dúvida razoável. O veredicto foi adiado para 16 de junho.
 
Vamos demonstrar nossa solidariedade comparecendo ao tribunal em 16 de junho às 8h da manhã, da maneira que cada um de nós achar mais apropriada, para derrubar este mundo de policiais, prisões e juízes.
 
Que se dane o sistema judiciário, liberdade para todos e todas!
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/05/19/belgica-bruxelas-solidariedade-com-o-nosso-companheiro-liberdade-para-todos/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Da ponta do nariz
Do Buda do campo
Desce um filete de gelo.
 
Issa

[Itália] Bolonha, 5 de junho: “Resistência Espacial”

E se um quartel se tornasse uma cozinha popular?

Em Bolonha, existem dezenas de hectares de espaços públicos abandonados. VAMOS OCUPÁ-LOS!

Na maioria das vezes, estão escondidos por muros ou cercas; não os vemos, sabemos pouco ou nada sobre eles. Existem dezenas e dezenas deles, espalhados por toda a cidade. São espaços públicos que já não cumprem sua função original e foram abandonados.

Por que devem permanecer fechados e inacessíveis? Por que não podem ser abertos e reaproveitados para novas funções públicas e preservados como áreas verdes?

Só há um motivo: são atraentes para investidores privados com planos lucrativos de desenvolvimento imobiliário. O Estado e o município, em vez de defenderem o interesse público, são seus aliados.

Do que estamos falando?

Tomemos como exemplo as quatro grandes áreas militares desativadas que, juntas, somam aproximadamente 34 hectares: Sani, Mazzoni, Perotti e Stamoto. Existem projetos para essas áreas em diferentes estágios de planejamento e desenvolvimento urbano, todos convergindo para o mesmo modelo: demolição do patrimônio arquitetônico, destruição de vastos espaços verdes, enormes áreas destinadas à venda de moradias particulares, residências estudantis de alto custo, cercadas por estacionamentos, centros comerciais e prédios de escritórios. Há também uma pequena parcela de Habitação Social (ERS), um conceito com contornos imprecisos, e algumas raríssimas funções públicas.

A isso se somam outros empreendimentos planejados, incluindo um no antigo pátio ferroviário de Ravone (aproximadamente 11 hectares), parte do projeto “Cidade do Conhecimento”.

E ainda há o novo distrito de inovação digital chamado TEK (Tecnologia, Entretenimento, Conhecimento), que deverá “requalificar” uma área de 210 hectares.

Todos esses projetos compartilham a mesma opacidade. Não sabemos nada sobre os atores envolvidos e, portanto, sobre os interesses em jogo. Os protocolos assinados pela Prefeitura com o Ministério da Defesa para o “desenvolvimento” de áreas militares incluem uma cláusula de confidencialidade que — violando o princípio da transparência na administração pública — torna impenetrável o processo que leva aos planos finais.

Essa falta de transparência também afeta o papel das autoridades públicas. Em quais salas são tomadas as decisões sobre a “renovação”? Por quais entidades? Que interesses elas representam?

Os espaços públicos devem permanecer de propriedade pública, abertos e utilizados principalmente para funções públicas. É isso que queremos.

Nossa campanha começa no antigo Quartel Sani, que se estende por aproximadamente 10 hectares entre os bairros de Bolognina e Fiera, estrategicamente localizada para o desenvolvimento urbano em curso. Na década de 1980, o plano diretor a designou como parque público, mas agora o plano de “renovação” aprovado pela Prefeitura prevê o corte de 391 árvores e a transformação da área em uma zona residencial e comercial em um bairro já bastante congestionado.

Vamos acabar com esse ultraje e projetar juntos um espaço público dentro dos muros do antigo Quartel Sani!

labottegadelbarbieri.org

agência de notícias anarquistas-ana

notícias do sol –
os pássaros da manhã
cantam na varanda

Zemaria Pinto

A crise é permanente, a única saída é horizontal

A crise do capital não é um acidente de percurso, uma fase passageira ou um soluço cíclico que se resolverá com ajustes bem-intencionados. Ela é a sua essência, o seu modo permanente de ser. O capitalismo vive da exploração ininterrupta dos corpos, dos territórios e dos afetos; sua “estabilidade” é apenas o silêncio tenso entre uma catástrofe social e outra. Cada dia de funcionamento normal desse sistema é um dia de crise para a maioria explorada — crise de moradia, de alimento, de saúde mental, de sentido. Reconhecer esse caráter crônico da devastação é o primeiro passo para abandonarmos a ilusão de remendos e assumirmos que a única resposta à altura é uma organização radicalmente nova, que não se deixe domesticar.

As fórmulas que nos ofereceram ao longo de mais de um século já deram todas as provas de seu fracasso. O partido de vanguarda, que prometia tomar o Estado e emancipar a classe, tornou-se sinônimo de burocracia autoritária, fuzilamento de dissidentes e capitalismo de Estado. O sindicalismo institucionalizado, com suas cúpulas negociadoras e fundos de pensão, aprendeu a gerir a miséria enquanto sufocava a revolta espontânea do chão de fábrica. A social-democracia, com seu paraíso de direitos temporários financiados pela espoliação do Sul Global, revelou-se uma trégua frágil, desmontada sem cerimônia assim que a acumulação exigiu. Todas essas receitas partem de um mesmo veneno: a concentração de poder, a delegação da luta a especialistas, a crença de que uns poucos podem decidir por todas. Já testamos a hierarquia sob todos os disfarces — e ela nos devolveu, invariavelmente, novas correntes.

A organização dxs exploradxs, para enfrentar uma guerra que não cessa, precisa ser tão viva e capilar quanto o próprio ataque. Precisa ser horizontal, onde cada voz tenha peso real e as decisões brotem das assembleias de base, e não dos gabinetes iluminados. Solidária, porque a competição que o capital nos injeta é a maior aliada da dominação; precisamos de apoio mútuo que faça da sobrevivência um ato coletivo de afeto e resistência. Autogestionária, para que a luta seja, desde já, a semente do mundo que queremos: sem patrões, sem gerentes da revolução, sem quem mande e quem obedeça. Essa não é uma utopia ingênua, mas a prática concreta de quem, nas ocupações de terra e de teto, nas cozinhas comunitárias, nos piquetes autônomos e nas redes de cuidado, já demonstra que outra arquitetura social é possível, aqui e agora, sob as ruínas do presente.

As demais promessas estão sepultadas. O socialismo de Estado ruiu no século XX, deixando um legado de gulags e desencanto. O reformismo eleitoral tornou-se gestor da crise, aplaudindo o desmatamento enquanto distribui migalhas. Resta-nos o anarquismo, não como um dogma do passado, mas como a única bússola que insiste em não trocar a liberdade pela eficiência do matadouro. Resta-nos a teia de cumplicidades que não se deixa capturar por CNPJ, ministério ou comitê central. Resta-nos a coragem de assumir que somos nós, xs precarizadxs, xs sem-terra, xs periféricxs, xs indesejadxs, quem podemos — e devemos — dirigir nossos próprios passos, sem pedir licença a qualquer instância que se coloque acima de nós. Tudo o que não é horizontal termina verticalmente sobre nossos corpos.

Por isso, o convite não é para aderir a uma legenda ou aplaudir um líder — é para arriscar. Experimentar a autogestão na sua ocupação, no seu bairro, no seu local de trabalho. Transformar a raiva em ação direta, sem esperar que um comitê aprove. Tecer alianças livres e federadas, que não procurem tomar o poder, mas dissolvê-lo em milhares de vínculos comunais. O capital não espera, a crise não dá trégua, e nós também não podemos esperar. Venha conosco construir um mundo novo no ventre do monstro: um mundo onde caibam todos os mundos, sem hierarquias, sem cercas, sem medo. Arrisque, experimente e venha conosco!

Federação Anarquista Capixaba – FACA

federacaocapixaba.noblogs.org

fedca@riseup.net – X: @FacaBrasil

agência de notícias anarquistas-ana

Pensas que o poema vai
Ele chega a dizer:”hi”
Aí cai

Henrique Santos (pakkatto)

[Indonésia] O laboratório do futebol alternativo na Ásia

O futebol alternativo indonésio desenvolveu sua própria identidade, mas a influência da experiência dos clubes auto-organizados na Inglaterra é palpável.

Yann Dey-Helle, Dialectik Football ~

A rejeição ao futebol moderno também está ganhando terreno na Ásia. O ponto de partida é, sem dúvida, a Indonésia, onde, há vários anos, um cenário futebolístico alternativo vem se consolidando. Vamos explorar alguns desses clubes que se esforçam para promover seu contramodelo democrático e antifascista.

No arquipélago, dezenas de clubes autogeridos rejeitam a comercialização do futebol e a corrupção de seus órgãos dirigentes. Entre eles, estão clubes como FC Rainfall, Riverside Forest, Port City Wanderers, Tribun Kultur FC, Stonegate Rovers e Kalibrug FC. Eles demonstram abertamente seu apoio a lutas sociais, ambientais e feministas. Arrecadam fundos para trabalhadores em greve e crianças com câncer. Alguns também se mobilizaram para ajudar as vítimas das recentes enchentes em Sumatra.

A onda de protestos populares do verão de 2025 contra a piora das condições de vida evidenciou o comprometimento desses clubes. A maioria deles se apresenta como espaços de resistência contra o regime e a Federação Indonésia de Futebol (PSSI). No futebol indonésio, assim como na Europa, os excessos comerciais e de segurança do futebol moderno deram origem a uma oposição. Modesto, mas determinado, esse movimento tem crescido consideravelmente desde o início da década de 2020.

Por trás de muitos desses projetos estão torcedores que expressam um nível de indignação que chegou ao limite. O Riverside Forest, por exemplo, foi criado por membros do Bobotoh, a torcida organizada do Persib Bandung, uma instituição quase hegemônica em Java Ocidental. Uma grande comunidade de torcedores, liderada pela Brigada da Morte dos Pássaros, cerca o Riverside Forest. Seu equivalente é a Tropa dos Veados, que apoia e anima o FC Rainfall, de Bogor.

Na raiz de tudo isso está uma profunda aversão ao futebol moderno.

Embora também existam protestos de grupos de torcedores tradicionais, estes por vezes encontram contradições, particularmente na sua relação com os donos dos clubes. Tal como em muitas partes do mundo, as rivalidades desempenham um papel significativo na Indonésia. A tal ponto, segundo alguns críticos, que negligenciam o “complexo futebol-negócio que mercantiliza a paixão e demoniza os adeptos”.

O futebol indonésio também foi profundamente afetado pela tragédia ocorrida a 1° de outubro de 2022, no Estádio Kanjuruhan, em Malang. No final de um jogo entre o Arema FC e o Persebaya, 135 pessoas morreram na sequência de uma brutal intervenção policial e do uso de gás lacrimogéneo. Este evento, que chocou e indignou muitos adeptos, prejudicou ainda mais a já debilitada imagem da PSSI (Popular Security and Sports Industry – Seguridade Popular e Indústria Desportiva), que em grande medida se esquiva das suas responsabilidades.

O Time do FC Kalibrug

A forma como o Estado e os órgãos dirigentes lidaram com a situação foi um gatilho, ou talvez um acelerador, para alguns torcedores, em seu desejo de romper com o modelo dominante do futebol, personificado por essa federação que “abusa do poder, pratica corrupção e tolera a brutalidade policial”. Isso é particularmente verdadeiro no caso do FC Kalibrug, um time de Purbalingga. Seu nome é formado por duas palavras em bahasa: “kali”, que significa “rio”, e “brug”, que significa “ponte”. “Representa nossa esperança de conectar comunidades, grupos e indivíduos.” A filosofia do FC Rainfall — fundado em 2023 — também oferece uma resposta à violência ritual e institucional. O clube promove um futebol centrado na amizade e na solidariedade, daí seu lema: “Futebol: Amizade para Sempre”. Naturalmente, criou laços com o FC Kalibrug, apesar da distância de 390 quilômetros.

Diante desse sentimento de desapropriação, a invenção de um contramodelo local tornou-se essencial. É até uma questão de sobrevivência, segundo os membros do Stonegate Rovers: “Ao construir um clube do zero, estamos recuperando o que nos foi roubado: um futebol que fala a língua dos trabalhadores, dos bairros e da resistência antifascista”. O futebol alternativo indonésio desenvolveu sua própria identidade, mas a influência da experiência de clubes autogeridos na Inglaterra é palpável.

“O modelo ‘de propriedade dos torcedores’, em que as decisões são tomadas pelos próprios torcedores, como os verdadeiros donos do clube, é, para nós, a forma ideal de um clube de futebol”, explica Shamroog, membro do Riverside Forest. Ele cita prontamente os exemplos do Exeter City, FC United e Clapton CFC. O nome do clube do leste de Londres surge com frequência nas discussões. FC Kalibrug também não esconde que vê o Clapton como “uma fonte de inspiração”.

Por sua vez, o Stonegate Rovers – que passou por um período de inatividade – adotou o rótulo de “clube de protesto”, mantendo uma abordagem diferente da do seu homólogo de Manchester, o FC United. “Aqui, os problemas não se resumem à comercialização e ao preço dos jogos; incluem também o aparato de segurança que controla o espaço público, a escassez de espaços autônomos e a gestão de multidões pela polícia e pela burocracia.” Para o clube sediado em Garut, o alcance do protesto vai além do futebol.

“Muitos de nós nos envolvemos politicamente por meio de cozinhas comunitárias, shows antifascistas e confrontos com a polícia do regime. Para nós, o futebol nunca foi apolítico”, acrescenta um membro do Stonegate Rovers. Como ele nos explicou, seu time se considera tanto um produto do legado de Bakunin ou Emma Goldman quanto do povo Samin, as comunidades camponesas de Java que lutaram contra o domínio colonial holandês no final do século XIX.

Com raras exceções, como o Riverside Forest, afiliado ao PSSI, o movimento indonésio se caracteriza por uma ruptura deliberada com os órgãos e competições oficiais. Em vez disso, eles têm seu próprio calendário, pontuado por amistosos como a Underground City Series. Organizado pelo FC Rainfall, este torneio itinerante — que passou por Purbalingga em 2024 e depois por Yogyakarta no ano seguinte — fortalece os laços entre diferentes projetos alternativos e estrutura a rede.

Este movimento é chamado de “futebol punk”. A influência inglesa certamente é um fator. Mas na Indonésia, o futebol alternativo também se caracteriza pela estreita ligação entre esses clubes e a cena punk. Suas colaborações, por vezes, servem para produzir mercadorias com o objetivo de autofinanciamento. Entre uma ética do “faça você mesmo” e uma forte rejeição à autoridade, o futebol alternativo indonésio está imerso na contracultura punk, da qual Bandung é um polo. De forma mais ampla, busca construir práticas e espaços autônomos. Os clubes apoiam as lutas da classe trabalhadora urbana e das comunidades camponesas vitimadas pela burguesia gananciosa.

Foi também na esteira do movimento punk que as ideias libertárias experimentaram um ressurgimento de popularidade após o fim da ditadura de Suharto. O clima anticomunista daquela época não desapareceu e, indiretamente, afeta os anarquistas envolvidos em levantes recentes. As opiniões marxistas permanecem oficialmente ilegais, e os membros dos clubes alternativos se expõem por meio de seu ativismo. Ao redor dos estádios ou nas ruas, eles denunciam vigorosamente a repressão estatal.

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2026/03/29/indonesia-asias-alternative-football-laboratory/

Tradução > Reno Moedor

agência de notícias anarquistas-ana

O vento na rosa
Rouba-lhe o belo e o perfume,
ao tirar-lhe as pétalas.

Angela Togeiro Ferreira

[Espanha] III Feira do Livro Anarquista de Pontevedra

Neste fim de semana [30 e 31 de maio] aconteceu na Praça da Ferrería a terceira edição da Feira Anarquista do Livro de Pontevedra.
 
Reunindo mais uma vez grupos editoriais locais e estrangeiros com suas banquinhas de material, a feira contou com uma programação completa de atividades, que se iniciou com uma mesa-redonda sobre problemas habitacionais, onde se encontraram ativistas da As Ninguéns (Vigo), da cooperativa habitacional O Laghar (Cangas) e da Xuntanza pola Vivenda (Compostela). 
 
Seguiu-se o recital poético “Xenealoxia do Lume”, com a participação de diversos poetas, e um jantar vegano. Logo após, pudemos escutar nosso companheiro Xulio Carmona (Ecoloxistas En Acción), que falou do impacto social e ambiental da IA e a desconexão dessas aranhas tecnológicas como direito universal. Em seguida, foi apresentado o livro “El Malestar es Otra Cosa”, a cargo de seu autor, Javier Erro, que veio de Valência para nos mostrar a necessidade de expandir e repensar nossa noção de sofrimento, partindo de perspectivas libertárias sobre saúde mental e cuidado coletivo. Onde começa e termina o sofrimento, ou o que consideramos sofrimento e por quê? Que ferramentas emocionais e sociais, individuais ou coletivas, temos para compreender o desconforto e os atritos, as insatisfações ou as tensões que provocam? O que queremos dizer quando falamos de politização ou agitação? Por fim, animamos o primeiro dia com um maravilhoso concerto da Clavo, uma banda punk recente de Pontevedra, à qual agradecemos a todos por se juntarem a nós.
 
No segundo dia, começamos com uma obra de arte postal com diferentes técnicas (cianotipia, tipografia, gravura…) da Alouette Machine, um simpático grupo de artesãos que nos acompanhou em edições anteriores da feira. Em seguida, tivemos uma nova apresentação do meu companheiro Víctor Oia, do seu livro “Pulso de Galicia”, um ensaio sobre a recomposição do movimento anarcossindicalista galego e suas projeções e conflitos no contexto da ditadura franquista, entre 1950 e 1962. Para fechar, desfrutamos desta terceira FLAP degustando uma deliciosa paella vegana ao som do DJ Tuna Loins.
 
Gostaríamos de agradecer mais uma vez a todos os nossos companheiros que nos trouxeram seus materiais, suas reflexões ou suas inquietações, que participaram das atividades, que se alegraram ou demonstraram interesse e, claro, a todos que se empenharam e contribuíram para o sucesso da feira. O apoio mútuo e o carinho são a verdadeira força motriz que dá sentido a tudo isso.
 
Até o ano que vem! Anarquia sim!
 
FLAP (Feira do Livro Anarquista de Pontevedra)
 
Fonte: https://www.revistalacampana.info/actualidad/la-semana/2026/06/01/iii-feira-do-libro-anarquista-pontevedra  
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/05/26/espanha-iii-feira-do-livro-anarquista-de-pontevedra-30-e-31-de-maio/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
No banco da praça
aposentados cochilam —
Árvore sem folha
 
Jaíra Presa

[Grécia] Café Antimilitaire: Avançando a Inteligência Artificial (de Guerra)

Domingo, 7 de junho, às 18h, no espaço de expressão, solidariedade e conflito “Parodos” (P. Tsaldari 173, Nice)

Como qualquer inovação tecnológica, a inteligência artificial é ora elogiada como “progresso revolucionário”, ora demonizada como o “fim do mundo”. Na realidade, trata-se de mais uma tecnologia tangível para aprofundar e reestruturar as relações de poder com aceleração rápida e fronteiras inexploradas.

Na “arte da guerra”, a IA significa aprimorar a violência militar e repressiva, com Estados, patrões e exércitos abdicando da responsabilidade por suas atrocidades. Significa fortalecer a máquina de guerra e minar a resistência social contra ela. A IA não “nos liberta”, mas nos acorrenta ainda mais às classes dominantes.

Iniciativa pela recusa total do serviço militar (Atenas)

olikiarnisi.espivblogs.net

agência de notícias anarquistas-ana

Chuva de granizo —
Compartilho com os pássaros
A minha varanda

Tony Marques

[República Tcheca] A história sem fim do caso Fênix 2

Por Lukáš Borl | 03/06/2026
 
A próxima audiência pública no caso Fênix 2 ocorrerá em 9 de junho de 2026, às 8h15, no Tribunal Regional de Ústí nad Labem. Como um dos réus neste caso, gostaria de fazer algumas breves observações.
 
Fontes públicas indicam que, desde 2010, ocorreram pelo menos 17 ataques incendiários contra propriedades na República Tcheca, pelos quais anarquistas reivindicaram publicamente a autoria. Especificamente, houve dois ataques incendiários a praças de pedágio, um à Embaixada da Grécia, nove a viaturas policiais, quatro a carros pertencentes a capitalistas e um a uma loja de câmeras de segurança…
 
No total, os danos materiais foram estimados em dezenas de milhões de coroas, mas, apesar de anos de investigação e processos judiciais, ninguém foi condenado.
 
A polícia e os tribunais têm tecnologia, recursos e pessoal de sobra à sua disposição, mas alguém está deliberadamente incendiando carros e outras propriedades bem debaixo do seu nariz, sem que ninguém consiga provar quem está por trás disso. Mesmo assim, eles continuam tentando e se recusam a desistir. O julgamento do caso Fênix 2 ainda está em andamento. Eles continuam tentando me ligar, a mim e aos meus amigos, a alguns dos ataques a propriedades mencionados, para nos condenar e nos punir. Eles ainda se apegam à fantasia de que as ações diretas dos anarquistas acontecem porque alguém os está incitando ou promovendo algo. Mas, como é sabido, os anarquistas não precisam nem querem líderes que lhes digam o que fazer e como fazer. Se os anarquistas realizam ações diretas ofensivas, certamente têm suas próprias razões e considerações para fazê-lo. Acredito que eles são mais motivados pela visão da polícia assediando, espancando, torturando ou enviando alguém para a prisão do que pelo que alguém escreve, diz ou publica.
 
Fonte: https://lukasborl.noblogs.org/nekonecny-pribeh-kauzy-fenix-2/
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/07/16/republica-tcheca-finalmente-a-fenix-esta-morta/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
O céu da tarde.
Como é belo quando os mosquitos
Começam a zumbir.
 
Issa