Anarquismo no Pará: a morte do anarquista Plácido de Albuquerque (1920)

Por Carlos Ferreira de Araujo Jr.

Em 1920, dois operários anarquistas foram escolhidos para representar os trabalhadores do Pará no Terceiro Congresso Operário Brasileiro, organizado pela C.O.B no Rio de Janeiro: José da Silva Gama e João Plácido de Albuquerque. José da Silva Gama nasceu em Maceió, mas cedo mudou-se para Belém. Se tornou um anarquista a partir das leituras de Kropotkin, Gorki e Tolstoi.  Já era bem conhecido por participar de grupos de propaganda libertária em Belém.

Já João Plácido de Albuquerque nasceu em 1885, em Minas Gerais, se mudou para Belém do Pará ainda jovem. Começou a militância anarquista em 1913. Entre 1913 e 1920 foi um incansável militante anarquista da cidade. Plácido foi perseguido e demitido de inúmeras vezes. Com outros libertários, fundou grupos de propaganda anarquista na capital paraense. Enquanto não tinha emprego, Plácido fabricava e vendia cigarros para poder sobreviver. Em 1917, em artigo publicado A Plebe, João Plácido informava, bastante animada, o surgimento de diversas associações de classes em Belém. Por causa destes históricos favoráveis, Silva Gama e Plácido Albuquerque embarcaram no navio Campos para o Rio de Janeiro representando o proletariado paraense.

Ao chegarem na capital, os dois libertários foram abordados e presos acusados de serem ladrões e anarquistas perigosos. Telegramas enviados pela polícia do Pará para a polícia do Rio de Janeiro informavam a ida de dois militantes anarquistas. Os dois foram levados para a Delegacia Central. Silva Gama se mostrou mais reservado do que seu companheiro. Por sua vez, Plácido Albuquerque não negou o motivo de estar naquela cidade. Disse que representava o operariado de Belém. Relatou aos policiais a dificuldade de trabalhar mais de 8 horas por dia numa cidade como Belém. Ao final das explicações ironizou: “Não era melhor que me prendessem lá, poupando-me da viagem?”

Da Central de Polícia, Plácido foi levado ao Hospital onde morreria dias depois. José da Silva Gama denunciou que os dois sofreram maus tratos e Plácido falecera por conta das torturas sofridas. O corpo do operário foi velado na sede da União da Construção Civil. O enterro de Plácido, no Cemitério do Caju, capital federal, foi acompanhado por mais de mil operários que entoavam hinos libertários como Filhos do Povo. O caixão foi baixado ao canto da Internacional. 

REFERÊNCIAS

KARLLOS, Jr. Brasil Negro Insurgente; Ed. Monstro dos Mares. 2025

RODRIGUES, Edgar. Companheiros.

PERIÓDICOS

GAZETA DE NOTÍCIAS. Data: 25/04/1920. N.114

A PLEBE.18/08/1917.N.10.P.2.

GAZETA DO RIO. 25/04/1920. N. 114

A RUA. 24/04/1920.N.103.

A VOZ DO POVO.26/04/1920.N.79.

____________.01/05/1920.N.84.

____________. N. 84. 01/05/1920.

____________.03/05/1920.N.85.

BIOGRAFIA AUTOR

CARLOS FERREIRA DE ARAUJO JUNIOR – Historiador formado pela UEPB. Publicou dois livros: Renego – Grito Punk (2021), sobre o punk na Paraíba, e Brasil Negro Insurgente (2025), sobre libertários e socialistas negros no Brasil. Desde 2012, possui um canal acervo punk no youtube: ÔKO DO MUNDO! O autor também escreveu os seguintes cordéis e zines libertários/decoloniais: OBREIROS DA BORBOREMA, BRADO BRUTO, EXU MOLOTOV, PLUMA NEGRA, ZINE AUTÔNOMO TEMPORÁRIO (ZAT).

>> Foto em destaque: Dois representantes do Pará: Silva Gama, anarquista negro, e Plácido Albuquerque, anarquista morto no Rio de Janeiro (RJ).

agência de notícias anarquistas-ana

no calor da sesta
imóvel, o gato vigia
o vôo da vespa

Jorge Lescano

[Espanha] Não à extradição para a Itália do nosso companheiro Gabriel Pombo da Silva!

DECLARAÇÃO URGENTE! NÃO À EXTRADIÇÃO PARA A ITÁLIA DO NOSSO COMPANHEIRO ANARQUISTA GABRIEL POMBO!
 
Gabriel Pombo da Silva foi condenado na Itália, em um julgamento ao qual não esteve presente, a dois anos de prisão por “apologia ao terrorismo”.
 
Nesse processo judicial delirante, o Estado italiano o acusa e condena por atos (escrever e/ou debater e/ou divulgar) cometidos de dentro de sua cela em uma prisão de alta segurança na Alemanha, onde cumpria pena (na Alemanha, expressar uma opinião não é crime).
 
Os textos foram publicados em três blogs entre 2009 e 2012.
 
A Itália emitiu um Mandado de Detenção Europeu (MDE) contra Gabriel, que foi preso em Vigo em 7 de dezembro de 2025 e apresentado à Seção de Investigação do Tribunal Central de Primeira Instância, sob a presidência do Juiz Santiago J. Pedraz Gómez. Ele foi libertado sob fiança no mesmo dia.

Este juiz concordou com a prisão e extradição de Gabriel para a Itália, mas condicionou esta última à garantia, por parte da Itália, do seu direito a um novo julgamento ou a recurso, o que é simplesmente impossível na Itália.
 
A Itália é um Estado obcecado em liquidar anarquistas revolucionários, que persegue implacavelmente, pune cruelmente e prende arbitrariamente.

Entregar um anarquista como Gabriel, a quem a imprensa mercenária italiana, a mando da polícia, apelidou de “rei dos anarquistas”, nas garras da inquisição antianarquista italiana é o mesmo que entregar um militante palestino a Israel ou um ativista gay à Arábia Saudita; ninguém duvida do tratamento requintado que receberá.
 
Por exemplo, Alfredo Cospito, um anarquista preso na Itália desde 2012 e mantido em confinamento solitário (Artigo 41 bis) desde maio de 2022, que se defende com greves de fome exaustivas, teve essa infame medida prorrogada em 30 de abril passado por mais quatro intermináveis ​​anos.

O confinamento solitário é uma tortura extrema.
 
Se Gabriel for entregue às garras do sistema judicial italiano, ninguém pode garantir que ele retornará, ou em que condições o fará.
 
Nosso companheiro pagou com mais de trinta anos de prisão por sua entrega altruísta, seu compromisso com a luta por justiça, igualdade e plena liberdade, e agora querem arrancá-lo de seus entes queridos, de sua companheira, de sua filha, para entregá-lo, amarrado e amordaçado, ao Estado italiano sádico e anarcofóbico.

Não podemos permitir isso!
Não permitiremos!

 
Solicitamos a mais ampla divulgação possível desta declaração e de quaisquer novas informações sobre este assunto grave.
 
Pedimos a sua SOLIDARIEDADE.
 
A n a r q u i s t a s
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/05/13/espanha-preparando-se-para-o-pior-possivel-extradicao-para-a-italia-do-companheiro-gabriel-pombo-da-silva/
 
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na folha orvalhada,
gota engole gota,
engorda, desliza e cai.
 
Alaor Chaves

[Grécia] Tessalônica: Relato da manifestação de solidariedade à Comunidade Ocupada de Prosfygikana

No domingo, 10 de maio, realizou-se na Torre Branca uma manifestação de solidariedade à Comunidade Ocupada de Prosfygika e à greve de fome de Aristóteles Hantzis (desde 5 de fevereiro) e Suzon Doppagne (desde 1º de maio). A manifestação contou com a participação de 60 companheiros e companheiras e, durante o evento, foram lidos e distribuídos textos, além de panfletos terem sido espalhados.
 
COMUNIDADES DE LUTA EM CADA BAIRRO, SOLIDARIEDADE COM OS REFUGIADOS
ATENDIMENTO IMEDIATO AOS PEDIDOS DOS GREVISTAS DE FOME ARISTÓTELES HANTZIS E SUZON DOPPAGNE
VENCEREMOS OU VENCEREMOS
 
Coletivo Anarquista
 
Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1641178/
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/05/01/grecia-greve-de-fome-ate-a-morte-pela-defesa-da-vida/
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/04/17/grecia-comunicado-de-imprensa-da-equipe-medica-que-monitora-o-grevista-de-fome-aristoteles-hatzis-15-04/
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/04/16/grecia-apoie-e-participe-da-defesa-da-comunidade-ocupada-de-prosfygika-em-atenas-e-da-restauracao-auto-organizada-do-bairro/
 
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as ondas vêm
e vão para ninguém —
maré outonal
 
Eder Fogaça

[Espanha] O desenhista anarquista que retratou a Guerra Civil desde as barricadas de Barcelona volta à cena

O Museu Nacional d’Art de Catalunya resgata a obra de José Luis Rey Vila, “Sim”, testemunha direta dos primeiros combates

Por Rodrigo Romaneli | 05/05/2026

Durante décadas, o relato visual da Guerra Civil Espanhola foi dominado por nomes universais como Pablo Picasso. No entanto, muito antes de o horror cubista de Guernica se tornar o símbolo global do conflito, houve aqueles que desenharam a guerra a pé de rua, com o cheiro da pólvora ainda fresco no papel. Um deles foi José Luis Rey Vila, conhecido como “Sim”, um ilustrador anarquista cuja obra capturou a imediatez e o pulsar dos primeiros dias da contenda.

Agora, coincidindo com o 90º aniversário do início da guerra, o Museu Nacional d’Art de Catalunya (MNAC) resgata seu legado com uma exposição que reúne 40 de seus desenhos. As peças, adquiridas recentemente, reconstroem o olhar urgente de um artista que, embora não fosse um combatente, ideologicamente foi um soldado.

Nascido em Cádis e forjado nos horrores da guerra do Rif — experiência que o empurrou para o pacifismo radical —, Rey Vila estava em Barcelona quando o golpe de Franco abalou a cidade em 19 de julho de 1936. Enquanto o estrondo dos disparos despertava a capital catalã, Sim não procurou abrigo. Pegou seu caderno e lançou-se à rua.

Seus traços, de linhas grossas e cores intensas, retratam milicianos com lenços ensanguentados, barricadas improvisadas com rolos de papel de jornal e os caminhões blindados da CNT-FAI avançando pelas ruas. Seu estilo, que combinava carvão com aquarela, não só capturou a violência, mas também a atmosfera trágica do momento, desde as enfermeiras que atendiam os feridos até as milicianas erguendo o punho em plena marcha.

Apesar de seu talento, Sim foi um artista marcado pela fratura política. Rejeitado pelo Sindicato de Desenhistas Profissionais devido às suas simpatias libertárias, encontrou seu lugar no escritório de propaganda da CNT-FAI. Foi lá que publicou “Estampas da Revolução Espanhola”, uma obra que conseguiu burlar o pacto de não intervenção europeu para circular pelos Estados Unidos, Canadá e até mesmo pela China, onde foi reproduzida pelo célebre anarquista Ba Jin.

Aquelas imagens foram, para muitos, o primeiro contato visual com a resistência republicana, muito antes de a maquinaria de propaganda internacional e as icônicas fotografias de Robert Capa estarem em pleno funcionamento.

Em 1937, Sim mudou-se para Paris para colaborar no pavilhão espanhol da Exposição Internacional. Lá, seus desenhos dividiram espaço com o Guernica de Picasso e as obras de Miró e Alexander Calder, numa última tentativa de mobilizar a opinião pública mundial. Após a vitória franquista em 1939, Rey Vila nunca mais voltou.

Seu exílio na França se estendeu até sua morte em 1983, em relativo anonimato. Embora continuasse desenhando — desde cenas taurinas até os protestos de maio de 68, onde foi ferido por uma bomba enquanto desenhava —, sua obra sobre a guerra ficou eclipsada por uma memória histórica que, durante décadas, priorizou a estética comunista e das Brigadas Internacionais em detrimento do olhar libertário.

Hoje, a exposição no MNAC (aberta até 31 de dezembro) devolve o protagonismo àquele desenhista que, desde as barricadas, entendeu que a história não apenas se escreve, mas se desenha enquanto acontece.

Fonte: https://www.diario-red.com/articulo/cultura/dibujante-anarquista-que-retrato-guerra-civil-barricadas-barcelona-vuelve-escena/20260504150131068852.html 

Tradução > Liberto

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Te vejo única
te toco tímida
te sinto úmida.

Simão Pessoa

[México] Aí está o programa da Furia del libro e a gráfica anarquista em Zacatecas!!!

Editorial Marea Negra y Libres – Literatura, Crítica y Anarquismo e individualidades afins convidam a estas bonitas e substanciosas jornadas cheias de muitos livros, comida vegana, música, oficinas e gráfica de companheiros ácratas que nos visitam desde diversos lugares do território ocupado pelo Estado Mexicano.

Assim, dá uma olhada no programa, que certamente encontrará coisas que serão de seu agrado.

Então já sabem, nos vemos em 16 e 17 de maio em Callejón del Capulín #101 Colonia Centro, Zacatecas.

Recordem que tratamos de fazer um espaço seguro para todas, todos e todes, é por isso que todos são bem vindos, mas não se tolerarão pessoas com atitudes sexistas, homofóbicas, transfóbicas, racistas e demais comportamentos deste tipo.

Se vens de fora, talvez possamos brindar-te um lugar para dormir, só te sugerimos chegar desde a sexta-feira para que tenhas maior possibilidade de encontrar um lugar em algum dos espaços que temos disponíveis.

Morte ao Estado e Viva a Anarquia

Nos vemos logo!

FB: facebook.com/bcsmariatalavera

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passeio de madrugada
os meus sapatos
empapados de orvalho

Rogério Martins

[Holanda] Pinksterlanddagen: um festival anarquista de 23 a 25 de maio em Appelscha!

O Pinksterlanddagen é um festival anarquista que acontece anualmente no acampamento Vrijheidsbezinning em Appelscha durante o fim de semana de Pinksterweekend (Pentecostes). É um encontro para anarquistas e todos que se inspiram no anarquismo. O fim de semana inteiro é repleto de oficinas, palestras e discussões sobre anarquismo e luta social. Há também uma programação especial para crianças e uma programação cultural à noite. O Pinksterlanddagen é organizado há mais de 90 anos e se tornou um local de encontro para muitos anarquistas.

A maneira como o PL funciona na prática se encaixa em sua ideologia; todos compartilham da responsabilidade de realizar o festival. Alguns organizam o planejamento geral, outros dão um curso, algumas pessoas cozinham, constroem tudo ou mantêm o local limpo. O PL é organizado em um acampamento anarquista sem álcool e drogas. Respeitamos seus métodos e nos beneficiamos deles, pois achamos que isso melhora a atmosfera geral.

Estamos trabalhando para criar um tipo diferente de mundo, uma sociedade sem autoridade na qual todos têm voz. Estamos procurando pessoas que compartilhem essa visão e que queiram participar desse mundo. Venha para o PL e converse com os 500 visitantes do festival. Você pode ir ao camping durante o festival. Você pode acampar lá ou reservar a casa de hóspedes através deste site.

>> Mais infos: pinksterlanddagen.org

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Muitos ventos sopram.
Dentro e fora de mim uivam
lobos que não sou.

Urhacy Faustino

João Argolo: caráter de ferro, coração de ouro.

Por Carlos Ferreira de Araújo Júnior

João Valentim Argolo foi operário cozinheiro e destacado militante no estado do Rio de Janeiro. Iniciou como anarquista. Na década de 1920 se converteu ao comunismo. Foi delegado da União Culinária e Panificação Marítima no Terceiro Congresso Operário Brasileiro em abril de 1920, no Rio de Janeiro. Argolo esteve por um tempo à frente do Centro Cosmopolita no Rio de Janeiro. Em novembro de 1921, foi um dos fundadores do Grupo Comunista do Rio de Janeiro. Ele também fez parte do Comitê Pró-Libertação de José Leandro da Silva, como tesoureiro. José Leandro foi um operário cozinheiro e colega de Valentim Argolo.

João Argolo ficou conhecido entre anarquistas e comunistas por sua lealdade e solidariedade para com os companheiros, especialmente, nas horas mais difíceis. Argolo escondeu por muito tempo em sua casa, o ex-anarquista Octávio Brandão, perseguido pelas autoridades. Pressionado a revelar o paradeiro do comunista, Argolo foi levado a um navio prisão onde foi brutalmente torturado. Nada revelou. Por conta disso, Octávio Brandão o descreveu como um homem enorme, gordo, caráter de ferro, mas o coração de ouro. José Valentim Argolo faleceu em maio de 1947.

BATALHA, Cláudio H.M. Dicionário do Movimento Operário.

BRANDÃO, Octávio. Combates e Batalhas. P.283.

DULLES, John W. Foster. Anarquistas e Comunistas do Brasil.

KARLLOS, Jr. Brasil Negro Insurgente: anarquistas e socialistas negros

RODRIGUES, Edgar. Companheiros.vol.03

CARLOS FERREIRA DE ARAUJO JUNIOR – Historiador formado pela UEPB. Publicou dois livros: Renego – Grito Punk (2021), sobre o punk na Paraíba, e Brasil Negro Insurgente (2025), sobre libertários e socialistas negros no Brasil. Desde 2012, possui um canal acervo punk no youtube: ÔKO DO MUNDO! O autor também escreveu os seguintes cordéis e zines libertários/decoloniais: OBREIROS DA BORBOREMA, BRADO BRUTO, EXU MOLOTOV, PLUMA NEGRA, ZINE AUTÔNOMO TEMPORÁRIO (ZAT).

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Os trigais maduros
marcaram de cor dourada
minha pobre infância.

Urhacy Faustino

[Lituânia] Emma está DE MUDANÇA e PRECISA DA SUA AJUDA!

O centro social Emma está DE MUDANÇA e precisamos da SUA ajuda! Por favor, considere fazer uma doação!

Emma é o único espaço comunitário desse tipo em Kaunas e um dos únicos dois no país, estabelecido em uma casa azul de madeira no outono de 2016. Até hoje, Emma tem sido um lugar onde não apenas pessoas se encontram para jantares comunitários regulares, mas onde iniciativas, movimentos culturais e eventos únicos nascem. Foi aqui que o sindicato de 1º de Maio (G1PS) e o site de esquerda GPB.lt começaram. Foi aqui que a Kaunas Pride de base se organizou e continua se organizando. É aqui que SaphoFest, We Are Propaganda e, em breve, Dragana realizam suas atividades. Foi aqui que o Rainbow Musical nasceu. E aniversários inesquecíveis também. Emma é continuamente criado e utilizado por diferentes coletivos e iniciativas que precisam de uma infraestrutura acessível, segura e flexível.

Por que estamos nos mudando?

À medida que a comunidade cresceu e nossas necessidades mudaram, ficou claro que o espaço atual está se tornando cada vez mais difícil de usar da forma como queremos e poderíamos utilizá-lo. Após nove anos de Emma no espaço atual, as limitações técnicas, o estado da infraestrutura e o planejamento espacial já não correspondem à escala ou às necessidades das nossas atividades. Então surgiu a oportunidade de nos mudarmos para um local mais adequado. Debatemos, discutimos e, após longa consideração, decidimos seguir adiante e fechar o antigo Emma para criar um novo espaço na outra extremidade da Laisvės alėja, na rua Imanuelio Kanto, que se adequará melhor à comunidade e às nossas atividades.

Por que o SEU apoio é importante

Emma existe por causa da comunidade, e só graças a ela pode crescer. Estamos pedindo apoio não apenas para reformar e mudar o espaço, mas para garantir a continuidade de um espaço independente, aberto e baseado na solidariedade em Kaunas. Cada doação, grande ou pequena, contribui para sustentar o local e o espaço físico que permite que as pessoas se encontrem, se organizem e criem juntas.

Nossa campanha de arrecadação: https://whydonate.com/fundraising/emma-issikrausto-emma-is-moving-out

Socialinis Centras Emma

A. Mickevičiaus Gatvė 35 2 Aukštas

44245 Kaunas

Lituânia

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Acabou-se a festa.
Resta, no silêncio,
o rumor da floresta.

Ledo Ivo

[EUA] Lançamento: “Often in the Right Place: The Education of an Anarchist”, de John Zerzan

Estas são as memórias de John Zerzan, um pensador radical que vem refletindo, escrevendo e construindo um importante conjunto de ensaios há várias décadas, cujo foco central é uma crítica da civilização. Desde seus primeiros ensaios, escritos nos anos 1970, ele questiona incessantemente a tecnologia e a domesticação. Sua influência sobre a filosofia da anarquia verde e do anarco-primitivismo foi fundamental para orientar o debate anarquista em direção a uma crítica do industrialismo e da sociedade tecnológica. Isso fez dele uma figura proeminente no debate anticivilização. De fato, ler Zerzan nos permite compreender por que o projeto civilizatório é autodestrutivo e inviável mesmo a médio prazo. É precisamente a partir de suas leituras antropológicas que ele conclui que o ponto de ruptura que encerrou o mundo em que os seres humanos viviam uma vida plena em comunhão com a natureza foi o surgimento da domesticação. Seu pensamento, contudo, não é pessimista. Diante do projeto civilizatório de aniquilação da vida, Zerzan propõe um futuro primitivo. A obra de Zerzan se desenvolveu nessas linhas ao longo das últimas décadas, mas seus ensaios também refletem sobre as muitas fontes de alienação que causam o atual isolamento da humanidade e sua profunda crise existencial.

John Zerzan pode ser mais famoso por seus amigos e inimigos do que por suas ideias radicalmente inovadoras sobre a condição humana. Ainda assim, foram justamente suas ideias revolucionárias que chamaram a atenção de pessoas como o infame Merry Prankster e beat Neal Cassady, o escritor Fredy Perlman, Slavoj Zizek, que Zerzan descreve como um “comunista detestável”, e até mesmo Theodore Kaczynski, cuja abordagem de bombas enviadas pelo correio Zerzan denunciou.

Em The Education of an Anarchist, Zerzan relata os acontecimentos, mestres e experiências que moldaram sua filosofia. Ele volta sua análise afiada para dentro de si mesmo a fim de explicar as origens e a evolução de suas crenças anarco-primitivistas, que inspiraram ativistas ao redor do mundo. De escolas católicas, incluindo um colégio monástico beneditino, aos Acid Tests, passando pela Universidade Stanford, o Anti-Authoritarian Anonymous e diversos cantos do planeta, os leitores encontrarão as pessoas que moldaram e influenciaram a vida singular de Zerzan.

Neste livro, o argumento de Zerzan em favor do uso razoável da destruição direcionada de propriedade contra aquilo que nos oprime ganha um novo significado à medida que ele mistura ideologias políticas e pessoais que convergem e se tornam ainda mais precisas e renovadamente convincentes. Inclui fotografias pessoais e cartazes raros de eventos documentando a vida e a obra de Zerzan.

Alguns dos livros anteriores de Zerzan incluem Future Primitive and Other Essays (Feral House, 1994), Running on Emptiness (Feral House, 2002), Against Civilization: Readings and Reflections (Feral House, 2005), Twilight of the Machines (Feral House, 2008), Why Hope (Feral House, 2015), When We Are Human (Feral House, 2021) e A People’s History of Civilization (Feral House, 2018).

Editora: El Sur es América, 2026

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Alegres grilos
Gritam na grama gris:
Música noturna.

Eduardo Otsuka

[Itália] Não à leva militar!

A reintrodução e/ou extensão do serviço militar obrigatório está caracterizando o atual cenário europeu, em evidente conexão com a poderosa escalada bélica que estamos testemunhando. O mundo está cada vez mais incendiado pelas guerras e, além dos armamentos, são necessários corpos. Corpos jovens, eficientes e sacrificáveis: em suma, é preciso carne de canhão. E uma vez descartada a hipótese de um exército europeu, cada Estado está se equipando por conta própria, embora existam elementos que apontem para uma clara estratégia de rearmamento comum.
 
Em cerca de dez países europeus já existe uma obrigação militar efetiva que foi mantida ao longo do tempo, como no caso de Chipre, Grécia e Áustria, ou que foi reintroduzida ou reforçada após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, como na Lituânia, Letônia, Estônia, Finlândia, Suécia e Dinamarca. Recentemente, Alemanha e França também estão procedendo à reintrodução do serviço militar obrigatório.
 
Exceto em poucos casos de obrigação explícita e generalizada, predomina principalmente uma fórmula de recrutamento híbrido baseado na “voluntariedade obrigatória”, um ambíguo e miserável artifício para conter o dissenso em relação a uma medida altamente impopular. A realidade das normativas, no entanto, é claríssima: voluntários sim, mas se os números forem insuficientes em relação aos objetivos, então se procede com um sorteio generalizado. Algo muito parecido com a Draft Lottery com a qual, há quase sessenta anos, nos Estados Unidos, foi feito o sorteio para o serviço obrigatório que enviou ao Vietnã muitos jovens que não tinham a menor vontade de ir.
 
Na Alemanha, a partir de 1º de janeiro de 2026, foi iniciada a aplicação de um questionário de resposta obrigatória para identificar a disponibilidade para cumprir o serviço militar. A partir de julho de 2027, entrará em vigor a obrigação generalizada de se submeter a exame médico para verificar a aptidão psicofísica. Trata-se de testes obrigatórios para todos os homens entre 18 e 19 anos, facultativos para as mulheres; às pessoas em transição é concedido um prazo definido para assumir um posicionamento binário inequívoco, masculino ou feminino, a fim de serem classificadas entre aqueles que são obrigados a responder ao questionário ou não. Se o número de disponíveis e aptos não for suficiente, proceder-se-á ao sorteio também entre os não disponíveis.
 
Os países escandinavos, que também endureceram bastante o serviço obrigatório, aumentando o período e estendendo a obrigação às mulheres, adotaram um critério seletivo: todos são obrigados ao questionário e ao exame médico, mas apenas uma porcentagem mínima é recrutada, considerada numericamente suficiente para as necessidades e qualitativamente mais significativa, mas sobretudo considerada base fundamental para constituir posteriormente um núcleo estável e eficiente de reservistas. A reserva, que todos os países europeus tendem a constituir ou reforçar, elemento comum dessa onda de crescente militarização, tem como base o serviço obrigatório, pois se trata de pessoal que cumpriu o serviço militar, portanto com formação militar básica, periodicamente submetido a treinamento e convocável em caso de necessidade.
 
Nos países bálticos e na Polônia, o recrutamento é quantitativamente maciço, visto o objetivo numérico de 500.000 soldados conscritos, homens e mulheres, a serem alcançados até 2035. Para aumentar a motivação, alguns desses países introduziram a educação militar entre as disciplinas curriculares do ensino médio e até mesmo algumas classes militares específicas nas escolas públicas.
 
Nesse panorama, a Itália constitui um caso à parte. Apesar dos anúncios estrondosos de Crosetto, a questão do serviço militar obrigatório ainda não está bem definida, algo aparentemente um pouco estranho para um país governado pela direita fascista. Na Itália, o serviço militar obrigatório, nunca abolido, está suspenso desde 2005. Recentemente, foi implementada a reforma do Ferma Volontaria Iniziale (serviço voluntário inicial) e, nos últimos anos, cresceu desmedidamente a intervenção de militares nas escolas com evidente propósito de recrutamento e divulgação da carreira militar: grandes campanhas de alistamento voluntário, mas o serviço obrigatório não foi reintroduzido. Uma reintrodução obrigatória generalizada, por outro lado, não seria economicamente sustentável: significaria reabrir quartéis desativados, equipar-se para fornecimento de uniformes, troca de roupas de cama, cantinas, serviços diversos, bem como pagar um salário a toda a população jovem obrigada ao serviço militar, porque ao soldado se deve dar, justamente, o soldo.
 
No entanto, apesar do aparente impasse do governo, já há algum tempo também na Itália fervem os trabalhos para caminhar em direção à reintrodução de uma forma de serviço obrigatório e se alinhar ao contexto europeu.
 
Em agosto de 2022, o governo Draghi, poucos meses após o início da guerra russo-ucraniana, aprovou a lei 119, adiando em dez anos a redução programada dos efetivos militares (ativos, de reserva e paramilitares), que deveria cair progressivamente a partir de 2023; simultaneamente, a mesma lei atribuía ao governo as delegações para instituir, por decreto-lei, uma reserva militar de 10.000 unidades para ser utilizada em caso de guerra ou grave crise internacional. Em novembro de 2023, a delegação foi adiada por dois anos, mas no vencimento, em novembro de 2025, o governo não emitiu nenhum decreto sobre o assunto. Estamos na sequência das imponentes manifestações do outono, que, na onda da solidariedade ao povo palestino e à Flotilha, percorreram o país com uma forte contestação das políticas de guerra e rearmamento. Nesse contexto, o governo evidentemente considera mais prudente evitar uma decretação de autoridade sobre uma questão tão impopular e prefere avançar segundo os trâmites institucionais. Foram apresentados, ao longo dos últimos anos, vários projetos de lei para a reintrodução do serviço militar obrigatório, por parte de Zoffili (Liga), Cirielli (FdI), Minardo (Força Itália). Este último, apresentado em fevereiro de 2024, visa à instituição de 10.000 unidades de pessoal militar para serem destinadas à reserva auxiliar do Estado, a serem recrutadas entre os licenciados que cumpriram o serviço voluntário ou trienal, portanto militares já formados com idade máxima de 40 anos. E no final de 2025, Crosetto, ao anunciar a vontade de reintroduzir o serviço obrigatório, sublinha, no entanto, a centralidade do objetivo dos 10.000 reservistas, piscando o olho para a proposta Mainardo, mas declarando também que olha com interesse para o modelo alemão de reintrodução do serviço obrigatório.
 
Enquanto isso, chega o final de março, prazo fixado por Crosetto para apresentar uma proposta de síntese que leve em conta os objetivos estabelecidos pela lei 119 de 2022, os projetos de lei em tramitação e as indicações provenientes dos setores das Forças Armadas – não menos importante o SAM, sindicato autônomo dos militares – mas nada acontece. A atitude “prudente” desta vez talvez se deva à derrota no referendo e à necessidade, por parte do governo, de evitar uma perda adicional de consenso? Quem sabe, mas o certo é que a hesitação do governo exigiria uma oposição decidida e marcada a qualquer tentativa, ainda que não explicitada, de reintrodução do serviço obrigatório. Sobre a questão, movimenta-se o antimilitarismo mais radical, movimenta-se o observatório contra a militarização das escolas, movimentam-se alguns setores e coletivos estudantis, que não perdem oportunidade de denunciar o perigo da reintrodução do sistema de serviço militar obrigatório. Algumas pesquisas institucionais realizadas entre os jovens para fins meramente exploratórios, como a realizada pelo Garante para a Infância e Adolescência, registram uma solene rejeição da disponibilidade para cumprir o serviço militar. As enormes greves de estudantes alemães contra a reintrodução do serviço obrigatório começam a influenciar o contexto italiano.
 
Pena que, nessa situação relativamente favorável, que vê o governo em dificuldade e a protesto em crescimento, vá se situar a intervenção decididamente discutível de algumas associações pacifistas.
 
Em 16 de março passado, três redes promotoras da campanha “Outra defesa é possível” (CNESC – Conferência Nacional de Entidades de Serviço Civil, Rede Italiana pela Paz e Desarmamento e Sbilanciamoci!) depositaram no Tribunal de Cassação o texto de uma proposta de lei de iniciativa popular denominada “Instituição e modalidades de financiamento do Departamento de defesa civil, não armada e não violenta”. A intenção é se equipar com um restabelecimento da objeção de consciência ao serviço militar justamente em vista da possível reintrodução do serviço obrigatório. Em um momento em que os máximos esforços deveriam ser destinados a se opor o máximo possível à reintrodução do serviço obrigatório pelo governo, tomar iniciativas formais para contrabalançar os efeitos daquilo que ainda não existe significa dar como certa a sua aprovação e raciocinar de forma subalterna e complementar a um processo que é, ao contrário, totalmente a ser combatido.
 
A objeção de consciência ao serviço militar foi instituída em 1972 e, de fato, caiu em desuso em 2005 com a suspensão da obrigação do serviço militar. O atual serviço civil universal é algo completamente diferente, tanto que é administrado pelo Departamento de Políticas Juvenis. A lei de iniciativa popular apresentada pelas redes visa a colocar a objeção de consciência ao serviço obrigatório no contexto atual. Há uma referência ao art. 52 da Constituição – “a defesa da Pátria é dever sagrado do cidadão” – e à jurisprudência, que reconhece que tal “dever sagrado” pode ser cumprido também por meio de instrumentos que não prevejam o uso de armas, mas que são, ainda assim, complementares à defesa armada propriamente dita. Esse serviço não armado seria enquadrado dentro de um departamento específico de Defesa Civil, cuja instituição se pede, seu financiamento, etc.
 
O momento atual, a fortíssima militarização da sociedade e o contexto mundial de crescente rearmamento e proliferação de cenários de guerra exigem algo bem diferente. O impulso generalizado para a reintrodução do serviço militar obrigatório exige algo muito diverso: uma leitura lúcida dos processos em curso e uma intervenção no contexto social que seja clara e inequivocamente antimilitarista.
 
Os diferentes modelos de serviço obrigatório adotados pelos vários países europeus têm traços comuns, que devem ser identificados e combatidos, porque sublinham a centralidade da questão do serviço obrigatório e a maneira compacta, ainda que nas diversidades, com que os governos europeus estão procedendo segundo linhas precisas.
 
Por exemplo, o questionário com o qual vários governos europeus verificam a disponibilidade dos jovens para o serviço militar obrigatório é, em toda parte, um instrumento obrigatório. O não preenchimento é equiparado à insubmissão. Análoga obrigatoriedade tem o exame médico para verificação da aptidão psicofísica. Além de toda a mentira sobre o suposto caráter voluntário de um serviço obrigatório que, se não receber adesões suficientes, procede com sorteios em massa, o instrumento do questionário e do exame médico representa uma triagem de massa formidável sobre toda a população jovem alistável.
 
A reintrodução do serviço militar obrigatório procede em toda parte em conjunto com a militarização da escola e com a difusão da propaganda militar nos contextos educativos.
 
Mas há também outros elementos comuns às políticas militaristas dos vários países europeus. O ano de 2035 foi assumido como primeiro prazo para verificar o reforço dos recursos humanos militares alcançado pelos Estados individualmente, funcional para a definição de um padrão europeu. Os objetivos numéricos que os vários governos europeus estabelecem com o novo serviço obrigatório incluem não apenas o número de recrutas militares, mas também o de reservistas e de objetores. O modelo alemão, que tanto agrada a Crosetto, prevê, por exemplo, que até 2035 haja um efetivo de 260.000 soldados conscritos (voluntários e não voluntários), 200.000 reservistas (voluntários e não voluntários) entre aqueles que cumpriram o serviço obrigatório, e 100.000 objetores de consciência. Um exemplo claro do que é chamado de modelo de defesa total permanente. Algo que conhecemos como triste realidade operante em vários países do mundo. Toda a população deve ser condicionada pela cultura da guerra. Em particular, os jovens que são submetidos ao serviço obrigatório, os reservistas, os objetores de consciência estão todos a serviço da pátria e da nação, com envolvimento em vários níveis na defesa militar, armada ou não. A defesa civil deve integrar-se com o aparato militar, segundo a conhecida lógica do dual use.
 
Por outro lado, os modernos sistemas de guerra permitem realizar atividades ofensivas impactantes mesmo sem necessariamente empunhar um fuzil, talvez digitando no teclado de um computador, ocupando-se de logística ou outra coisa. Porque, como dizia o Decálogo do balilla: “A Pátria se serve também fazendo a guarda de um barril de gasolina.”
 
Diante de uma militarização cada vez mais pesada e pervasiva, a resposta deve ser mais uma vez caracterizada pela firme oposição ao militarismo, ao nacionalismo, à retórica da pátria e da defesa. Por uma sociedade sem militares, mas também sem militarismos disfarçados de várias formas. Construamos uma campanha contra o serviço militar obrigatório. Cruzemos nossas lutas com as das jovens gerações que não querem ser carne de canhão.
 
Patrizia Nesti
 
Fonte: https://umanitanova.org/no-alla-leva-militare/
 
Tradução > Liberto
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/05/12/alemanha-milhares-de-jovens-saem-as-ruas-para-protestar-contra-o-servico-militar-obrigatorio/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Bolha de sabão
Colorida e frágil
Como a vida
 
Calberto

“O poder é maldito, por isso sou anarquista”

Frase pronunciada por Louise Michel, personagem central nos acontecimentos da Comuna de Paris, no século XIX. Para ela, a sedução e a embriaguez que o poder produz sobre as pessoas, e os perigos que decorrem dessa concentração nas relações humanas, deve ser algo combatido e não almejado.

Entre Reich e a Soma:

O psicanalista Wilhelm Reich deu um passo fundamental ao retirar o conflito psíquico apenas do campo das ideias e localizá-lo na couraça muscular.

Para ele, a submissão a uma autoridade externa (seja o pai, o chefe ou o ditador) exige que o indivíduo reprima suas pulsões vitais. Quando uma relação se baseia na hierarquia e no medo, há contração do corpo, tornando a energia vital bloqueada para obedecer ou para dominar.

Na Somaterapia, entendemos que essa rigidez é a base da neurose. O corpo de uma pessoa assujeitada é um corpo que não se expressa, que não sente prazer pleno e que, eventualmente, adoece por conta da estase energética.

Numa perspectiva semelhante, Foucault no alerta: “Não se apaixone pelo poder” como um dos pilares do que ele chamou de Introdução à Vida Não Fascista.

Para ele, fascismo está em todos nós, em nossas cabeças e em nossos comportamentos cotidianos, o fascismo que nos faz amar o poder, desejar a própria coisa que nos domina.

Afirmar que poder é maldito não é trazer um julgamento moral, mas trata-se se um grito de revolta diante dos processos de dominação. Estabelecer relações horizontais como produtoras de saúde permitem a autorregulação individual e a autogestão coletiva.

Soma

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ipê florido
as abelhas zunem
folhas caídas

Rubens Jardim

[Alemanha] 8ª Feira Anarquista do Livro de Mannheim, 14 a 17 de maio de 2026

Há dois anos, a feira do livro quase foi cancelada porque simplesmente não tínhamos pessoas suficientes no grupo organizador. No entanto, muitas pessoas responderam ao nosso chamado e estão ajudando a organizar a feira, para que ela possa continuar. Isso levou a algumas mudanças nos preparativos, mas não tanto na realização da feira em si.

O evento começa na quinta-feira à noite com uma cerimônia de abertura, seguida por três dias de atividades de feira comercial e uma extensa programação paralela de sexta a domingo. Temos o prazer de anunciar que diversas editoras e distribuidoras libertárias estarão novamente expondo conosco em 2026, apresentando a diversidade de publicações anarquistas. Além disso, 26 palestras e workshops oferecerão oportunidades para conversas e debates.

Com a feira do livro, queremos mostrar a diversidade do anarquismo, oferecer um fórum de troca de ideias dentro do movimento libertário e, ao mesmo tempo, dar a um público amplo a oportunidade de aprender sobre as posições anarquistas. Mais uma vez, procuramos elaborar uma programação diversificada que aborde questões atuais, reconte o passado a partir de uma perspectiva anarquista e apresente alternativas ao sistema vigente.

Como sempre, a feira é amplamente acessível a pessoas com deficiência. Café de comércio justo e deliciosos pratos veganos também estarão disponíveis. Desta vez, o Maulwürfe (Moles) de Freiburg estará cozinhando junto com o BlackWok de Dresden. Opções de hospedagem estão disponíveis, como de costume, através do sistema de troca de camas. A entrada para a feira do livro é, obviamente, gratuita.

Como a feira é financiada principalmente por doações, passaremos uma caixa de doações em cada evento – mas isso não significa que uma doação seja esperada em todos os eventos que você participar. O coletivo de cozinha também depende de doações para se manter. Além disso, o Maulwürfe (Moles), o BlackWok e nós mesmos agradeceríamos não apenas apoio financeiro, mas também ajuda prática. Se você quiser ajudar cortando legumes, vendendo bebidas ou algo semelhante, entre em contato.

Esperamos vê-lo(a) na feira do livro!

Liberdade e felicidade!

Grupo Anarquista Mannheim + Amigos

De 14 a 17 de maio de 2026,

no Fórum do Centro de Cultura Juvenil,

Neckarpromenade 46,

Mannheim.

buchmesse.anarchie-mannheim.de

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Angelus. Dedos da brisa
nas teclas das folhas
adormecem os pássaros.

Yeda Prates Bernis

[Grécia] Tessalônica: Pôster em sinal de solidariedade aos companheiros presos do dia 11 de maio

Na manhã de 11 de maio de 2026, nossos companheiros anarquistas realizaram uma expropriação de um banco em Kato Tithorea. Poucas horas depois, a polícia perseguiu os companheiros por alguns quilômetros e, em seguida, os cercou. Seguiram-se invasões de casas, onde os demais companheiros foram presos. As acusações incluem tanto porte de arma quanto participação em assaltos.

Consideramos que é responsabilidade de todos aqueles que compõem o espaço anarquista defender política e moralmente as escolhas dos companheiros que optaram por esses meios de luta, sem nos importarmos com a crítica hipotética que receberemos da “boa” sociedade. Desde os anarquistas ilegalistas do início do século XX até a guerrilha metropolitana do aqui e agora, a expropriação de recursos do capital foi, é e será uma prática escolhida pelos movimentos revolucionários. É nosso dever construir uma verdadeira muralha de solidariedade em torno de nossos companheiros presos o mais rápido possível. Até a destruição total do capital. Até a Anarquia!

A n a r q u i s t a s

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A velha mão
segue traçando versos
para o esquecimento.

Jorge Luis Borges

[Grécia] Declaração dos 8 companheiros e companheiras detidos no caso de 11 de maio

Nas primeiras horas da manhã de 11 de maio de 2026, um grupo de companheiros e companheiras realizou uma expropriação de um banco em Kato Tithorea [Grécia central]. Cerca de 5 horas depois, 5 deles foram presos após uma operação repressiva coordenada da polícia e invasões domiciliares; 8 companheiros e companheiras, anarquistas, ficamos reféns nas mãos do Estado.

Foi-nos apresentada uma acusação desmedida que inclui roubo de bancos e porte de armas. Os companheiros estão detidos na GADA e as companheiras na Delegacia de Vyronas. Hoje, 12/05, passamos pelo promotor e recebemos um prazo para prestar depoimento ao investigador na sexta-feira, 15/05, às 9h, na Evelpidon, prédio 9.

VIVA A ANARQUIA

SPYROS DRAVILAS PRESENTE

CHARIS TEMPEREKIDIS PRESENTE

SEBASTIAN OVERSLUIJ PRESENTE

Os 8 companheiros/companheiras no caso de 11 de maio

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1641149/

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Nuvens,
sem raízes
até que chova.

Werner Lambersy

[Espanha] 90 anos da Revolução Social

Por Fundación Anselmo Lorenzo – FAL
 
Há 90 anos, no verão de 1936, a classe trabalhadora respondeu ao golpe de Estado dos setores reacionários, colocando o corpo a corpo. Milhares de trabalhadores e trabalhadoras saíram às ruas para enfrentar o fascismo, dando suas vidas num confronto desigual que se prolongou por três anos de guerra.
 
Foi justamente nesse momento dramático que os trabalhadores e trabalhadoras deram um passo à frente, tomando boa parte da vida política e econômica em suas mãos e desencadeando, nas zonas do território não controladas por Franco, um programa revolucionário que transformou a sociedade de forma radical.
 
Nesse processo de mudança social acelerada, conhecido internacionalmente como a Revolução Espanhola, a CNT e o restante das organizações do movimento libertário tiveram um papel destacado, realizando inúmeras conquistas revolucionárias, tanto no âmbito urbano quanto no rural, para as quais vinham se preparando há décadas.
 
90 anos depois, o legado revolucionário da Revolução continua alimentando nossa vontade de lutar por um mundo mais justo e livre, tendo como farol o exemplo dos milhares de companheiros e companheiras que deram tudo pela Ideia e lutaram até o fim pela defesa do Comunismo Libertário.
 
Façamos memória: 90 anos
 
Justamente pelo exposto, de abril a dezembro de 2026, a Fundación Anselmo Lorenzo, como fundação cultural e centro documental da CNT, organizará um bom número de eventos que terão como finalidade nos aproximar desse processo revolucionário, com ênfase em seu legado de experiências e sua conexão com as lutas do presente.
 
Exposições • Palestras • Publicações • Atividades
 
Comunicamos que vocês podem se informar sobre todos os eventos relacionados aos 90 anos da Revolução através do site [link abaixo] da Fundação, onde disponibilizamos um espaço especial para dar conta de todas as iniciativas relacionadas à efeméride:
 
https://fal.cnt.es/90-anos-de-la-revolucion-social/
 
Tradução > Liberto
 
Conteúdos relacionados:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/05/11/espanha-lancamento-ocho-dias-de-julio-1936-la-situacion-revolucionaria-en-barcelona-de-agustin-guillamon/
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/05/07/espanha-roc-blackblock-restaura-mural-para-celebrar-o-90o-aniversario-da-revolucao-social-de-1936/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
a sombra da nespereira
mergulha
na frescura do poço
 
Rogério Martins

[Itália] Quebremos os deuses do céu. Retomar a luta antirreligiosa

No aniversário do martírio de Giordano Bruno, em 17 de fevereiro, realizamos, como Federação Anarquista de Livorno, uma iniciativa pública. As reflexões que se seguem pretendem expor as razões da atualidade da luta antirreligiosa, retomando e ampliando o que foi exposto naquela ocasião.

Para compreender as características da luta antirreligiosa, convém ilustrar o papel que o Programa Anarquista atribui à religião na sociedade.

No trecho que trata da questão, o Programa faz referência àquele gigantesco aumento da produção, ocorrido ao longo da história, que permitiu a uma minoria da humanidade viver sem trabalhar às custas da imensa maioria que produzia para todos, cristalizando o privilégio por meio da relação de propriedade privada. Esse processo também viu a constituição de outra classe especial, o clero, que “com uma série de fábulas sobre a vontade de Deus, sobre a vida futura, etc., tenta induzir os oprimidos a suportar docilmente a opressão e, assim como o Governo, além de defender os interesses dos proprietários, também defende os seus próprios”. Nessa perspectiva, a religião não responde a um suposto “espírito religioso” que estaria presente na mente das pessoas, mas à ação consciente de uma minoria que pretende continuar a viver às custas da massa que trabalha, difundindo as fábulas religiosas.

A definição que o Programa Anarquista dá do clero e de sua função remete à divisão entre trabalho manual e trabalho intelectual, sobre a qual convém nos determos.

Com a divisão entre trabalho intelectual e manual, a unidade interna da atividade de trabalho, como desdobramento de energia que se direciona a um fim e o realiza, se desfaz. Uma classe particular de pessoas arroga-se a tarefa de orientar, segundo seu próprio fim, a atividade prática, deixando à classe subordinada a tarefa da atividade manual. Dessa forma, o fim se separa da atividade manual e se transfere para a organização social, que opera como uma força natural impessoal e incompreensível para os produtores reais. O trabalho manual torna-se cada vez mais mecânico, exigindo o desenvolvimento de aptidões especiais em detrimento de outras, impedindo a realização plena das faculdades individuais. Nessas condições, o trabalho se torna uma atividade coercitiva e extrínseca, que traz consigo a deformação e a unilateralidade da pessoa, determinando o fenômeno que foi definido como alienação.

Paralelamente à alienação econômica e social, desenvolve-se a alienação da consciência social, que vê a separação entre a consciência empírica e cotidiana das pessoas e, por outro lado, a evolução do pensamento intelectual, abstrato, da ciência. Desse modo, essa consciência empírica cotidiana torna-se prisioneira de representações fetichistas que dão uma falsa representação da realidade.

Assim como nos tempos pré-históricos a humanidade era súdita de forças naturais impessoais que não compreendia e não conseguia dominar, hoje as causas profundas dos sofrimentos sociais são incompreensíveis para a maioria da humanidade e assumem a forma de potências naturais incontroláveis.

É sobre essa base que opera a captura do consenso, elaborada por meio de uma visão invertida da realidade, as chamadas ideologias, entendendo-se por este termo aquelas estruturas conceituais que refletem o domínio das condições sociais sobre os indivíduos, das ideias sobre as condições materiais. Que exerçam o controle da formação da consciência social não apenas as classes privilegiadas, mas também centros específicos de privilégio e poder, como universidades, centros de pesquisa internacional ou hierarquias eclesiásticas, faz pouca diferença; simplesmente articula e diversifica o domínio.

No âmbito dessas ideologias, a religião se apresenta como um produto da alienação social e histórica. As ideologias religiosas, em diferentes épocas, permitiram que os grupos sociais dominantes contivessem a rebelião com promessas de um amanhã melhor no além. Ao mesmo tempo, a forma específica da alienação religiosa, que projeta as qualidades humanas em um deus criado pela imaginação humana, convence as massas oprimidas a aceitar sua subordinação ao poder terreno, da mesma forma que aceitam a orientação de um deus onipotente e onisciente, que saberá recompensar aqueles que são submissos e aceitam os sofrimentos cotidianos.

A religião, portanto, é uma consequência da organização hierárquica da sociedade; a superação da religião não é possível, então, sem uma profunda transformação social, que elimine as causas da religião. Ao mesmo tempo, essa transformação social não é possível a não ser que parta da ação direta das próprias classes exploradas, por meio da autogestão e da auto-organização. Por sua vez, essa autoemancipação das classes exploradas não é possível sem que se difunda simultaneamente a reflexão crítica sobre as condições materiais da formação social atual e a crítica ao aparato ideológico, do qual a religião faz parte, justificando sua existência.

Ao lado das lutas por objetivos concretos, que colocam em crise aspectos específicos da opressão e da exploração, deve progredir a luta contra as ideologias: não se trata apenas de contrapor uma ideologia a outra, mas de derrotar na base o mecanismo que as gera: a separação entre trabalho manual e trabalho intelectual, e o papel atribuído às ideias na definição do mundo. Nesse sentido, contrapor à verdade revelada a busca da verdade por meio do debate horizontal e da verificação da experiência é muito mais importante do que memorizar as reflexões deste ou daquele pensador. Essa prática e esse método, juntamente com o da verificação com base na experiência, devem tomar o lugar da confiança nos especialistas e nos textos sagrados, características essenciais de toda religião.

Nesse sentido, o desenvolvimento de um pensamento crítico, que se baseie na crítica prática das condições de exploração, é inseparável da luta contra a religião.

Como é possível um pensamento crítico em uma sociedade dominada pela propriedade privada, uma sociedade dividida em classes, uma sociedade onde existe o controle por parte do Estado, por parte das instituições sobre os meios de comunicação? Existe um poder de fogo da informação oficial que parece capaz de destruir toda forma de opinião não conforme.

É exatamente por isso que hoje, mais do que nunca, a batalha pelo pensamento livre é absolutamente indispensável. Precisamos de um pensamento crítico, um pensamento que seja capaz de desmascarar as contradições desta sociedade e possa dar às classes exploradas aquela ferramenta que, por meio da crítica da ideologia, prefigure aquela expropriação dos meios de produção que é a premissa indispensável para a construção de uma nova sociedade. A batalha antirreligiosa faz parte desse caminho. Houve momentos em que isso esteve muito claro.

Atualmente, a batalha antirreligiosa caiu um pouco no esquecimento porque a temática foi monopolizada por demandas burguesas, assumindo um caráter conservador e elitista, mas também porque, entre as forças que se reivindicam, mais ou menos claramente, da transformação social, foi dado espaço a tendências obscurantistas.

Uma dessas tendências nasce da ideia de que, para subtrair as massas exploradas à influência burguesa, é necessário usar os mesmos instrumentos usados pelas classes privilegiadas para exercer essa influência. É nessa perspectiva que são redescobertos pensadores como Gustave Le Bon ou Georges Sorel, que com seus estudos sobre a dinâmica dos movimentos de massa forneceram as ferramentas para aqueles que queriam exercer o controle ideológico sobre elas. As reflexões desses pensadores voltaram à atualidade com as pesquisas sobre os efeitos dos condicionamentos operados pelas redes sociais nas escolhas políticas dos usuários. Trata-se de reflexões que, de qualquer forma, entram em contradição com um processo efetivo de tomada de consciência, supervalorizando os mecanismos inconscientes de controle e orientação. Visam, em suma, a embotar os processos racionais, em vez de desenvolvê-los.

Outra tendência obscurantista formou-se, de certo modo, no interior da crítica à cultura ocidental e ao colonialismo. No âmbito dessa crítica, desenvolveu-se uma reavaliação daquelas religiões, daquelas igrejas, daqueles dogmas que não pertencem à visão de mundo judaico-cristã. Sob essa perspectiva, a crítica do Islã – que é uma religião em todos os sentidos, assim como o catolicismo – é assimilada a uma forma de preconceito supremacista, fruto de um mal-entendido conceito de “privilégio”, em relação aos povos que majoritariamente seguem essa religião, como se os povos que jazem sob a opressão da religião islâmica não tivessem as mesmas tendências, os mesmos impulsos de construir seu próprio caminho de libertação. Indubitavelmente, o laicismo ou mesmo o ateísmo impostos pelo Estado permitiram que movimentos clericofascistas islâmicos se apresentassem com a função de libertação do autoritarismo do governo e confundissem as próprias forças revolucionárias. Ao mesmo tempo, a defesa da tradição, do hinduísmo na Índia ao budismo no Tibete, assume uma função anti-imperialista, sem se preocupar muito em distinguir se por trás da defesa da tradição está, acima de tudo, a defesa das classes privilegiadas tradicionais.

Essas interpretações, que se encontram frequentemente também dentro dos movimentos antagônicos e revolucionários, tornam necessária uma posição lúcida e clara. Também por isso é necessário retomar a luta contra a religião.

Tiziano Antonelli

Fonte: https://umanitanova.org/sprezziam-gli-dei-del-cielo-riprendere-la-lotta-antireligiosa/  

Tradução > Liberto

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No Planalto Central,
as cigarras cantam sangue.
A Justiça dorme.

Onofra