[Itália] Para todas as satanassas e todos os satanassos!

Acabou de sair do forno o novo número de LA SCOPA – Jornal anticlerical da Romagna Apenina | Ano II, N.1, Maio de 2026

O que é La Scopa

La Scopa, quinzenal no início e depois semanal, nasceu em janeiro de 1909 em Santa Sofia, vila no Apenino forlivense, como “Jornal anticlerical da Romagna Apenina” (aquela que antigamente se chamava Romagna-Toscana).

Isso porque, enquanto os partidos subversivos e socialistas haviam conquistado as zonas urbanas, as rurais, naquela época muito populosas, eram terreno de propaganda e conquista dos padres: “uma Vendeia de conservadorismo tacanho e supersticioso”, como se lê em La Scopa de 5 de outubro de 1911.

Posteriormente, o título foi modificado, a partir de 1º de janeiro de 1912, para “La Fonte”, “Semanário de vanguarda”, com conteúdos de cultura política e educação popular, onde os tons pareciam menos radicais, a ponto de ali escreverem até alguns católicos expulsos do Vaticano.

Três anos de vida, portanto. “Três anos de luta árdua”. Com vários colaboradores e colaboradoras espalhados pela Itália.

Do silêncio deste século, decidimos ressuscitá-la, para que a preciosa — e infelizmente deixada de lado — atitude anticlerical da Romagna não se reduza a uma relíquia do passado, mas nos lembre que, aqui e agora, a opressão das religiões e de seus aparatos institucionalizados (as igrejas e seitas de todos os tipos e graus) deve ser combatida. Mais do que nunca, agora que as “guerras santas” voltaram à cena internacional… isso se é que algum dia desapareceram.

Anticlericalismo, pensamento crítico, galhofa irreverente e espírito popular são instrumentos preciosíssimos para libertar nossas vidas — e as “nossas” terras — desse lamaçal de obscurantismo (como se dizia antigamente). Acreditamos que LA SCOPA possa ser um importante instrumento para canalizar as forças que, com essas intenções, querem lutar por um mundo mais livre.

A LA SCOPA será aperiódica: sai quando quiser!

A veia anticlerical, que é uma marca de fábrica do jornal original, será intercalada com anedotas, relatos e histórias — algumas galhofeiras, outras mais sérias — com um olhar especial para o território romagnolo e sua zona apenina.

Se você quiser colaborar com a revista, só precisa fazer uma coisa: escrever-nos para: lascopa@autoproduzioni.net

lascopa.noblogs.org

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Quando a lesma
Ergue a cabeça, eu vejo:
Parece comigo!

Shiki

[Bélgica] Bruxelas: Solidariedade com o nosso companheiro, liberdade para todos!

Um companheiro¹ está encarcerado na prisão de segurança máxima de Haren desde novembro. Nesta quarta-feira, 20 de maio, o Estado inicia sua farsa numa tentativa de silenciar as ideias anarquistas.

Façamos deste dia uma oportunidade para darmos rédea solta aos nossos desejos. Defendamos a rebelião contra este mundo, rompamos o isolamento de todos os nossos companheiros aprisionados.

Aproveitemos este dia para difundir nossas ideias e práticas anarquistas e não deixemos essa condenação passar despercebida. Experimentemos juntos novas formas de confrontar a repressão e mostremos que nossas ideias não podem ser apagadas.

Nem na prisão a céu aberto que é esta sociedade, nem dentro dos muros da sua prisão!

A questão da culpa e da inocência pertence àqueles que têm um código penal no lugar do coração, enquanto os caminhos que aquecem nossos corações com o fogo da revolta nos pertencem!

Vejo vocês no dia 20 de maio às 8h na Place Poelaert, Rue Ernest Allard.

Solidariedade com nossos companheiros e fogo nas prisões!

Liberdade para todos!

A n a r q u i s t a s

[1] Preso desde 12 de novembro de 2025, acusado de incendiar três viaturas policiais em Bruxelas.

agência de notícias anarquistas-ana

Nuvens de mosquitos –
Sem isso, no entanto,
Mais solitário.

Issa

[Grécia] Atenas: Atualização dos tribunais de Evelpidon sobre o caso dos 8 companheiros e companheiras detidos no caso de 11 de maio

5/05/2026
 
Os cinco companheiros e uma companheira foram mantidos em prisão preventiva.
 
Uma atualização será divulgada em breve.
 
A outra companheira foi liberada com a condição de comparecer à delegacia três vezes por mês para assinar o termo de comparecimento, e outro companheiro também foi liberado com a condição de comparecer à delegacia duas vezes por mês para assinar o termo de comparecimento.
 
Durante o transporte dos companheiros e companheiras, ocorreram pequenos confrontos com a polícia e a população.
 
Nada ficará sem resposta.
 
A SOLIDARIEDADE É A NOSSA ARMA
 
Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1641215/
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/05/14/grecia-declaracao-dos-8-companheiros-e-companheiras-detidos-no-caso-de-11-de-maio/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Noite de lua –
Subindo numa pedra,
Um grilo canta.
 
Chiyo-jo

O Kyriakos X em águas internacionais

No dia 17 de maio, data do aniversário do companheiro Kyriakos Xymitiris, o KYRIAKOS X. entrou em águas internacionais ao partir de Antália, na Turquia. Meses de esforço, preparação e expectativa parecem culminar neste momento. Era uma promessa que – apesar das inúmeras dificuldades – parecia impensável ser cancelada. E partíamos repetidamente para construir este barco utópico. O cenário esperado é que, nos próximos dois ou três dias, seremos feitos prisioneiros do exército sionista, deixando para trás, no Kyriakos X, um pedaço do nosso coração. Recusamos a palavra dos genocidas. Nossos ouvidos não escutam suas ordens. Kyriakos está conosco e mostra a língua para eles, como fez com alguns policiais berlinenses: “I don’t speak nazi”.
 
Imaginação, otimismo, risco
 
PELA PALESTINA
PELO KYRIAKOS
 
Kostas K.
 
Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1641243/
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/05/11/grecia-o-kyriakos-x-esta-navegando-rumo-a-gaza/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Mal anoiteceu –
E as estrelas já brilham
Sobre o campo seco.
 
Buson

[Espanha] Malatesta e a Ação Direta

No mundo do ativismo e da política, poucas figuras são tão fascinantes e incompreendidas quanto Errico Malatesta. Enquanto a história oficial costuma associar o anarquismo ao caos, Malatesta nos propõe algo muito mais profundo e construtivo: a ação direta.

O que esse conceito realmente significa hoje em dia? É apenas sair às ruas ou há algo mais?

Mais que um protesto: um modo de vida

Para Malatesta, a ação direta não era um simples recurso de reclamação; era a própria essência da emancipação social. Sua premissa era clara: se você quer que algo mude, não espere que um intermediário o faça por você. Diferentemente dos movimentos que confiam em eleições ou parlamentos, Malatesta sustentava que o povo deve agir por si mesmo. Não é pedir permissão, é exercer a vontade.

Os 3 Pilares da Ação Direta

•              Malatesta era um pragmático. Entendia que para mudar o mundo era preciso atuar em três frentes fundamentais:

•              Econômica: Greves, boicotes e sabotagens no trabalho. Enfraquecer o capital e aprender a gerir a nós mesmos.

•              Social: Criar cooperativas, escolas livres e redes de apoio. Construir o “mundo novo” dentro do velho.

•              Insurrecional: Resistência frente à repressão. Derrubar as instituições que impedem a liberdade.

As chaves do pensamento “malatestiano”

1.           A rejeição ao “voto delegado”

Malatesta argumentava que, ao votar, o trabalhador entrega sua vontade a outro. Na ação direta, ele a recupera. Para ele, delegar o poder só serve para fortalecer o Estado.

2.            A “Ginástica Revolucionária”

Este é talvez seu conceito mais brilhante. Considerava que cada ato de resistência — por menor que fosse — era um treinamento. A ação direta treina a sociedade, dando-lhe a confiança necessária para gerir a vida sem necessidade de amos ou patrões.

3.           A coerência e a ética

Muitos confundem ação direta com violência cega ou terrorismo. Malatesta foi categórico: a ação deve ser guiada pela consciência moral.

A ação direta é a vontade humana que se afirma e se exerce para obter o que deseja, em vez de pedi-lo a uma autoridade.

E o que dizer da violência?

É o grande tabu. Malatesta não era um pacifista ingênuo, mas também não era um promotor do caos. Via a violência como uma necessidade defensiva (um “mal necessário”) contra a opressão, mas sempre com um limite. Seu objetivo final não era a força, mas uma ordem baseada no amor e no acordo voluntário. Para ele, a verdadeira anarquia é a máxima expressão da paz organizada.

Em conclusão: de espectador a protagonista

A mensagem de Malatesta continua vigente: a ação direta é o caminho para deixar de ser um “escravo” das circunstâncias e nos tornarmos protagonistas da nossa própria história.

Em um mundo que nos convida constantemente a sermos espectadores passivos atrás de uma tela, o convite de Malatesta para intervir diretamente em nossa realidade social soa mais rebelde — e necessário — do que nunca.

fargov (Ferran Cabrera)

Fonte: https://circuloacrata.blogspot.com/2026/04/malatesta-y-la-accion-directa.html

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Traçando os baralhos
confundo na noite o mundo
de alhos com bugalhos.

Luciano Maia

[França] Libertem os prisioneiros anarquistas!

Intervenções de Nikos Maziotis, um anarquista preso na Grécia, da Cruz Negra Anarquista de Nova York e de prisioneiros anarquistas da Indonésia.

Quarta-feira, 20 de maio, às 19h,

no Le Chat Noir (270 avenue de Muret, Toulouse).

Parada de bonde: Avenue de Muret Marcel Cavaillé.

Jantar colaborativo e bebidas por doação.

Durante décadas, ondas de insurreição varreram o mundo regularmente: das políticas da Troika e da esquerda reformista na Grécia na década de 2010 às numerosas mobilizações na Indonésia desde a década de 2020. Mas cada recuo dessas lutas deixa sua parcela de camaradas presos e reprimidos, havendo frequentemente uma relação direta entre a qualidade de seu comprometimento e o nível de represálias da contrarrevolução.

Na quarta-feira, 20 de maio, a partir das 19h, no Le Chat Noir em Toulouse, convidamos você para uma noite de apoio e debate sobre esses temas, em especial a necessidade de libertar prisioneiros anarquistas. Apresentações de Nikos Maziotis, anarquista preso na Grécia desde 2014, da Cruz Negra Anarquista de Nova York, organização que apoia prisioneiros anarquistas, e de camaradas anarquistas indonésios abordarão campanhas de solidariedade, julgamentos, condições prisionais e a resistência em curso na Grécia, nos Estados Unidos, na Indonésia e em outros lugares. Em seguida, haverá uma oficina de redação de cartas para expressar nossa sincera solidariedade.

Porque eles nunca desistem, porque estão atrás das grades por sua luta revolucionária e porque alguns querem silenciá-los: vamos fazer com que suas vozes sejam ouvidas! A solidariedade é a nossa arma!

agência de notícias anarquistas-ana

passos de pássaro
no telhado lá de casa
embalam sonhos

Marland

[São Paulo-SP] 23/05, no CCS: Roda de conversa | Tema: trabalho e sofrimento psíquico

Não existe trabalho no capitalismo que não nos adoeça!

Desde o começo, mas cada vez mais, o trabalho tem sido motivo de adoecimento físico e mental.

A resposta da classe trabalhadora frente a alienação capitalista do trabalho foi, e continua sendo, o Apoio Mútuo e a construção de comunidades autogeridas. Bora com a gente se cuidar mutuamente!

Nosso encontro vai ser no Centro de Cultua Social (CCS) dia 23/05 das 16h às 18h.

Rua General Jardim nº 253, sala 22 (interfone), próximo metrô República.

Faça o convite para participar dessa conversa seus familiares, amigos, colegas de trabalho, companheirada militante e todes de baixo!

#saúdemental #sofrimentopsíquico #anarquismo #rodadeconversa #apoiomútuo

agência de notícias anarquistas-ana

inútil, inútil
a forte chuva
mergulha no mar

Jack Kerouac

[EUA] Bem-vindo de volta, Marius Mason!

14/05/2026

Acordamos com esta foto hoje!

Esse é Marius Mason, momentos após ser libertado da prisão e a caminho de uma casa de reintegração social! A sentença de Marius termina em maio de 2027 e ele ficará na casa de reintegração social até lá. Agora é um ótimo momento para doar para o fundo de boas-vindas dele. Veja as informações abaixo.

Quem é Marius Mason?

Marius Mason é anarquista, ambientalista, ativista dos direitos dos animais, além de pai amoroso, artista, poeta e músico, que atualmente cumpre pena de quase 22 anos em uma prisão federal por atos de vandalismo cometidos em defesa do planeta.

Durante seu encarceramento, ele lutou incansavelmente pelos direitos de pessoas trans presas. A prisão de Marius em 2008 fez parte do que ficou conhecido como o “Medo Verde”, uma série de prisões de ativistas ambientais baseadas em denúncias e assédio do FBI, que criou um precedente para acusar ativistas não violentos de “terrorismo”.

A notícia animadora é que, após mais de 17 anos encarcerado, Marius Mason será libertado de uma prisão federal em maio de 2026. Esse momento coloca em primeiro plano as questões de apoio no período pós-prisão.

À medida que Marius retorna à vida fora do cárcere, estamos organizando apoio e arrecadando fundos para que essa transição ocorra com dignidade, cuidado e uma base sólida. Marius foi arrancado de sua comunidade há quase 20 anos. Foram duas décadas em que o mundo mudou politicamente, tecnologicamente e de outras formas. Vamos tornar esse retorno mais fácil para ele. Por isso, estamos solicitando doações de cartões-presente, em qualquer valor. Todos os cartões serão entregues diretamente a Marius após sua libertação, para uso próprio.

Foi criado um sistema para a compra de cartões-presente, como “Vanilla Gift”, que podem ser adquiridos utilizando as seguintes informações de contato: Moira Meltzer-Cohen, advogada, 277 Broadway, Suite 1501, Nova York, NY 10007. Para o número de telefone exigido com o endereço, use (212) 219-1919. Além disso, haverá uma conta fiduciária para receber doações diretas por meio da página de doações em supportmariusmason.org. Toda contribuição ajuda.

Ativista ambiental e pelos direitos dos animais, anarquista, escritor, artista e defensor trans, Marius foi condenado a quase 22 anos por danos materiais realizados em defesa do planeta em 2009, ações nas quais ninguém ficou ferido. Ainda assim, sua sentença foi agravada com um enquadramento por terrorismo, tornando-se a mais longa pena aplicada por um ato de sabotagem ambiental. Nós, que o amamos e apoiamos, estamos trabalhando para oferecer apoio mútuo consistente, ao mesmo tempo garantindo espaço para suas escolhas e ajudando com necessidades básicas.

Marius realizou muitas coisas durante o período na prisão, produzindo arte, poesia, resenhas de livros e outros textos para publicação. Ele fez cursos universitários por meio de várias instituições, obteve certificação como assistente jurídico, estudou para ser tutor de escrita e também direito migratório. Envolveu-se em atividades de mentoria dentro da prisão e aconselhou outras pessoas encarceradas. Agora é nossa vez de oferecer apoio enquanto ele retorna para casa e estabelece sua base com trabalho, moradia e comunidade.

Neste momento, ainda não sabemos quais restrições pós-libertação estarão em vigor, nem por quanto tempo. Reconhecemos as muitas pessoas que defenderam, apoiaram e trabalharam por esse resultado, e esperamos que você se junte a nós no apoio a Marius.

Por favor, entre em contato pelo e-mail: freemariusmason@gmail.com

Fonte: https://www.abcf.net/blog/welcome-home-marius-mason/

agência de notícias anarquistas-ana

Boêmio da noite
no portão enferrujado.
Morcego dormindo.

Fanny Dupré

[Indonésia] Atualização sobre os presos anarquistas do Primeiro de Maio de 2026

Desde quarta-feira (13/05/2026), a polícia, por meio da mídia local, alega ter prendido 13 indivíduos acusados de envolvimento em atos de vandalismo durante as manifestações do Primeiro de Maio de 2026 em Bandung. Um dos suspeitos, RR, conhecido como “Mpe”, foi apresentado como o “líder dos anarquistas do sul de Bandung” e acusado de coordenar atos de incêndio criminoso, destruição de propriedade e financiamento dos distúrbios.

As autoridades acusaram os supostos anarquistas com base em disposições relacionadas à segurança pública, incluindo o Artigo 308 sobre colocar em risco a segurança pública e o Artigo 309 sobre conspiração criminosa e preparação de crimes que ameaçam pessoas, propriedade ou o meio ambiente, nos termos da Lei nº 1 de 2023 sobre o Código Penal (KUHP), com pena máxima de até nove anos de prisão.

Além disso, a polícia alegou que os anarquistas estavam sob o efeito de drogas durante as manifestações, apresentando essa alegação como uma das justificativas morais para sua detenção. O anúncio foi interpretado como um sinal de pânico dentro do aparato de segurança, dado que os distúrbios durante o Primeiro de Maio teriam excedido as expectativas oficiais e não foram previstos pelas autoridades.

PS: Mais uma vez, a polícia está construindo uma narrativa falsa retratando RR, também conhecido como “Mpe”, como o mentor ou líder por trás da ação. Desde as prisões de anarquistas no ano passado, a Polícia Nacional da Indonésia (Polri) tem usado repetidamente a mesma estratégia. Há também relatos de que RR, também conhecido como “Mpe”, está sendo culpado pelas famílias de outros participantes detidos simplesmente porque os outros são mais jovens. Não deixem que RR fique sozinho nessa situação.

Palang Hitam International

Fonte: https://palanghitamanarkis.noblogs.org/?p=887

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Juntos,
um homem e a brisa
viram uma página

Betty Drevniok

Você sabia que o Itaú, banco que mais lucra no Brasil, é o maior caloteiro da Prefeitura de São Paulo, devendo em impostos R$ 19,9 bilhões?

• Itaú deve R$ 19 bilhões a Prefeitura de São Paulo
 
26 de mar. de 2026
 
A Câmara de Vereadores de São Paulo aprovou em plenário uma ordem, de número 150700235, que obriga a Prefeitura de São Paulo a informar os nomes dos 50 maiores devedores inscritos na dívida ativa do Município, atualizada e listada no site dividaativa.prefeitura.sp.gov.br.
 
A lista foi publicada pela primeira vez nesta terça-feira e mostra um calote gigantesco, com oito devedores passando de R$ 1 bilhão em impostos não pagos. O Itaú lidera com nada menos que R$ 19,9 bilhões, divididos entre o banco, a administradora de cartões, o leasing e o consórcio.
 
O segundo maior devedor é o Facebook, com calote de R$ 3,9 bilhões, seguido de Unimed Paulistana com R$ 3,6 bilhões, Banco do Brasil com R$ 2,8 bilhões, Notre Dame Intermédica com R$ 2,4 bilhões, Tim Celular com R$ 1,4 bilhão, Omint Serviços de Saúde com R$ 1,2 bilhão e Sabesp com R$ 1,1 bilhão.
 
Nokia, Caixa Econômica, Jockey Club, Tejofran Saneamento, Enel (responsável por apagões enormes), Ingram, Unimed Nacional, Uol, SAP Brasil, Banco Volkswagen, Unimed do Estado de São Paulo, Peeqflex, Bradesco, Sulamericana Saúde, Qualicorp e Ânima Educação devem mais de R$ 500 milhões cada.
 
A lista dos maiores caloteiros de impostos devidos ao município de São Paulo inclui ainda nomes como o Corinthians, que não pagou R$ 450 milhões, a Bolsa de Valores B3 (R$ 414 milhões), o Santander (R$ 386 milhões) e as operadoras Oi (R$ 380 milhões) e Claro, que não pagou R$ 372 milhões.
 
A soma do calote desses 50 devedores chega a mais de R$ 56 bilhões. Para ter uma ideia do que esse montante significa, o pacote de 55 obras desenvolvido no momento pela Prefeitura tem custo de R$ 19,9 bilhões. A obra mais cara do país, a Usina de Belo Monte, custará R$ 40 bilhões. Sobra troco.
 
A rodovia Transnordestina, de 1.200 km, sairá por R$ 15 bilhões. A Linha-6 Laranja do metrô paulista, inteira, custará R$ 17 bilhões. O trem expresso entre a capital e Campinas tem orçamento de R$ 13,5 bilhões. Os R$ 56 bilhões dariam para construir 700 hospitais de grande porte, 100% equipados.
 
Fonte: A Região
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
A gaveta da alegria
já está cheia
de ficar vazia
 
Alice Ruiz

Anarquismo no Pará: a morte do anarquista Plácido de Albuquerque (1920)

Por Carlos Ferreira de Araujo Jr.

Em 1920, dois operários anarquistas foram escolhidos para representar os trabalhadores do Pará no Terceiro Congresso Operário Brasileiro, organizado pela C.O.B no Rio de Janeiro: José da Silva Gama e João Plácido de Albuquerque. José da Silva Gama nasceu em Maceió, mas cedo mudou-se para Belém. Se tornou um anarquista a partir das leituras de Kropotkin, Gorki e Tolstoi.  Já era bem conhecido por participar de grupos de propaganda libertária em Belém.

Já João Plácido de Albuquerque nasceu em 1885, em Minas Gerais, se mudou para Belém do Pará ainda jovem. Começou a militância anarquista em 1913. Entre 1913 e 1920 foi um incansável militante anarquista da cidade. Plácido foi perseguido e demitido de inúmeras vezes. Com outros libertários, fundou grupos de propaganda anarquista na capital paraense. Enquanto não tinha emprego, Plácido fabricava e vendia cigarros para poder sobreviver. Em 1917, em artigo publicado A Plebe, João Plácido informava, bastante animada, o surgimento de diversas associações de classes em Belém. Por causa destes históricos favoráveis, Silva Gama e Plácido Albuquerque embarcaram no navio Campos para o Rio de Janeiro representando o proletariado paraense.

Ao chegarem na capital, os dois libertários foram abordados e presos acusados de serem ladrões e anarquistas perigosos. Telegramas enviados pela polícia do Pará para a polícia do Rio de Janeiro informavam a ida de dois militantes anarquistas. Os dois foram levados para a Delegacia Central. Silva Gama se mostrou mais reservado do que seu companheiro. Por sua vez, Plácido Albuquerque não negou o motivo de estar naquela cidade. Disse que representava o operariado de Belém. Relatou aos policiais a dificuldade de trabalhar mais de 8 horas por dia numa cidade como Belém. Ao final das explicações ironizou: “Não era melhor que me prendessem lá, poupando-me da viagem?”

Da Central de Polícia, Plácido foi levado ao Hospital onde morreria dias depois. José da Silva Gama denunciou que os dois sofreram maus tratos e Plácido falecera por conta das torturas sofridas. O corpo do operário foi velado na sede da União da Construção Civil. O enterro de Plácido, no Cemitério do Caju, capital federal, foi acompanhado por mais de mil operários que entoavam hinos libertários como Filhos do Povo. O caixão foi baixado ao canto da Internacional. 

REFERÊNCIAS

KARLLOS, Jr. Brasil Negro Insurgente; Ed. Monstro dos Mares. 2025

RODRIGUES, Edgar. Companheiros.

PERIÓDICOS

GAZETA DE NOTÍCIAS. Data: 25/04/1920. N.114

A PLEBE.18/08/1917.N.10.P.2.

GAZETA DO RIO. 25/04/1920. N. 114

A RUA. 24/04/1920.N.103.

A VOZ DO POVO.26/04/1920.N.79.

____________.01/05/1920.N.84.

____________. N. 84. 01/05/1920.

____________.03/05/1920.N.85.

BIOGRAFIA AUTOR

CARLOS FERREIRA DE ARAUJO JUNIOR – Historiador formado pela UEPB. Publicou dois livros: Renego – Grito Punk (2021), sobre o punk na Paraíba, e Brasil Negro Insurgente (2025), sobre libertários e socialistas negros no Brasil. Desde 2012, possui um canal acervo punk no youtube: ÔKO DO MUNDO! O autor também escreveu os seguintes cordéis e zines libertários/decoloniais: OBREIROS DA BORBOREMA, BRADO BRUTO, EXU MOLOTOV, PLUMA NEGRA, ZINE AUTÔNOMO TEMPORÁRIO (ZAT).

>> Foto em destaque: Dois representantes do Pará: Silva Gama, anarquista negro, e Plácido Albuquerque, anarquista morto no Rio de Janeiro (RJ).

agência de notícias anarquistas-ana

no calor da sesta
imóvel, o gato vigia
o vôo da vespa

Jorge Lescano

[Espanha] Não à extradição para a Itália do nosso companheiro Gabriel Pombo da Silva!

DECLARAÇÃO URGENTE! NÃO À EXTRADIÇÃO PARA A ITÁLIA DO NOSSO COMPANHEIRO ANARQUISTA GABRIEL POMBO!
 
Gabriel Pombo da Silva foi condenado na Itália, em um julgamento ao qual não esteve presente, a dois anos de prisão por “apologia ao terrorismo”.
 
Nesse processo judicial delirante, o Estado italiano o acusa e condena por atos (escrever e/ou debater e/ou divulgar) cometidos de dentro de sua cela em uma prisão de alta segurança na Alemanha, onde cumpria pena (na Alemanha, expressar uma opinião não é crime).
 
Os textos foram publicados em três blogs entre 2009 e 2012.
 
A Itália emitiu um Mandado de Detenção Europeu (MDE) contra Gabriel, que foi preso em Vigo em 7 de dezembro de 2025 e apresentado à Seção de Investigação do Tribunal Central de Primeira Instância, sob a presidência do Juiz Santiago J. Pedraz Gómez. Ele foi libertado sob fiança no mesmo dia.

Este juiz concordou com a prisão e extradição de Gabriel para a Itália, mas condicionou esta última à garantia, por parte da Itália, do seu direito a um novo julgamento ou a recurso, o que é simplesmente impossível na Itália.
 
A Itália é um Estado obcecado em liquidar anarquistas revolucionários, que persegue implacavelmente, pune cruelmente e prende arbitrariamente.

Entregar um anarquista como Gabriel, a quem a imprensa mercenária italiana, a mando da polícia, apelidou de “rei dos anarquistas”, nas garras da inquisição antianarquista italiana é o mesmo que entregar um militante palestino a Israel ou um ativista gay à Arábia Saudita; ninguém duvida do tratamento requintado que receberá.
 
Por exemplo, Alfredo Cospito, um anarquista preso na Itália desde 2012 e mantido em confinamento solitário (Artigo 41 bis) desde maio de 2022, que se defende com greves de fome exaustivas, teve essa infame medida prorrogada em 30 de abril passado por mais quatro intermináveis ​​anos.

O confinamento solitário é uma tortura extrema.
 
Se Gabriel for entregue às garras do sistema judicial italiano, ninguém pode garantir que ele retornará, ou em que condições o fará.
 
Nosso companheiro pagou com mais de trinta anos de prisão por sua entrega altruísta, seu compromisso com a luta por justiça, igualdade e plena liberdade, e agora querem arrancá-lo de seus entes queridos, de sua companheira, de sua filha, para entregá-lo, amarrado e amordaçado, ao Estado italiano sádico e anarcofóbico.

Não podemos permitir isso!
Não permitiremos!

 
Solicitamos a mais ampla divulgação possível desta declaração e de quaisquer novas informações sobre este assunto grave.
 
Pedimos a sua SOLIDARIEDADE.
 
A n a r q u i s t a s
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/05/13/espanha-preparando-se-para-o-pior-possivel-extradicao-para-a-italia-do-companheiro-gabriel-pombo-da-silva/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
na folha orvalhada,
gota engole gota,
engorda, desliza e cai.
 
Alaor Chaves

[Grécia] Tessalônica: Relato da manifestação de solidariedade à Comunidade Ocupada de Prosfygikana

No domingo, 10 de maio, realizou-se na Torre Branca uma manifestação de solidariedade à Comunidade Ocupada de Prosfygika e à greve de fome de Aristóteles Hantzis (desde 5 de fevereiro) e Suzon Doppagne (desde 1º de maio). A manifestação contou com a participação de 60 companheiros e companheiras e, durante o evento, foram lidos e distribuídos textos, além de panfletos terem sido espalhados.
 
COMUNIDADES DE LUTA EM CADA BAIRRO, SOLIDARIEDADE COM OS REFUGIADOS
ATENDIMENTO IMEDIATO AOS PEDIDOS DOS GREVISTAS DE FOME ARISTÓTELES HANTZIS E SUZON DOPPAGNE
VENCEREMOS OU VENCEREMOS
 
Coletivo Anarquista
 
Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1641178/
 
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[Espanha] O desenhista anarquista que retratou a Guerra Civil desde as barricadas de Barcelona volta à cena

O Museu Nacional d’Art de Catalunya resgata a obra de José Luis Rey Vila, “Sim”, testemunha direta dos primeiros combates

Por Rodrigo Romaneli | 05/05/2026

Durante décadas, o relato visual da Guerra Civil Espanhola foi dominado por nomes universais como Pablo Picasso. No entanto, muito antes de o horror cubista de Guernica se tornar o símbolo global do conflito, houve aqueles que desenharam a guerra a pé de rua, com o cheiro da pólvora ainda fresco no papel. Um deles foi José Luis Rey Vila, conhecido como “Sim”, um ilustrador anarquista cuja obra capturou a imediatez e o pulsar dos primeiros dias da contenda.

Agora, coincidindo com o 90º aniversário do início da guerra, o Museu Nacional d’Art de Catalunya (MNAC) resgata seu legado com uma exposição que reúne 40 de seus desenhos. As peças, adquiridas recentemente, reconstroem o olhar urgente de um artista que, embora não fosse um combatente, ideologicamente foi um soldado.

Nascido em Cádis e forjado nos horrores da guerra do Rif — experiência que o empurrou para o pacifismo radical —, Rey Vila estava em Barcelona quando o golpe de Franco abalou a cidade em 19 de julho de 1936. Enquanto o estrondo dos disparos despertava a capital catalã, Sim não procurou abrigo. Pegou seu caderno e lançou-se à rua.

Seus traços, de linhas grossas e cores intensas, retratam milicianos com lenços ensanguentados, barricadas improvisadas com rolos de papel de jornal e os caminhões blindados da CNT-FAI avançando pelas ruas. Seu estilo, que combinava carvão com aquarela, não só capturou a violência, mas também a atmosfera trágica do momento, desde as enfermeiras que atendiam os feridos até as milicianas erguendo o punho em plena marcha.

Apesar de seu talento, Sim foi um artista marcado pela fratura política. Rejeitado pelo Sindicato de Desenhistas Profissionais devido às suas simpatias libertárias, encontrou seu lugar no escritório de propaganda da CNT-FAI. Foi lá que publicou “Estampas da Revolução Espanhola”, uma obra que conseguiu burlar o pacto de não intervenção europeu para circular pelos Estados Unidos, Canadá e até mesmo pela China, onde foi reproduzida pelo célebre anarquista Ba Jin.

Aquelas imagens foram, para muitos, o primeiro contato visual com a resistência republicana, muito antes de a maquinaria de propaganda internacional e as icônicas fotografias de Robert Capa estarem em pleno funcionamento.

Em 1937, Sim mudou-se para Paris para colaborar no pavilhão espanhol da Exposição Internacional. Lá, seus desenhos dividiram espaço com o Guernica de Picasso e as obras de Miró e Alexander Calder, numa última tentativa de mobilizar a opinião pública mundial. Após a vitória franquista em 1939, Rey Vila nunca mais voltou.

Seu exílio na França se estendeu até sua morte em 1983, em relativo anonimato. Embora continuasse desenhando — desde cenas taurinas até os protestos de maio de 68, onde foi ferido por uma bomba enquanto desenhava —, sua obra sobre a guerra ficou eclipsada por uma memória histórica que, durante décadas, priorizou a estética comunista e das Brigadas Internacionais em detrimento do olhar libertário.

Hoje, a exposição no MNAC (aberta até 31 de dezembro) devolve o protagonismo àquele desenhista que, desde as barricadas, entendeu que a história não apenas se escreve, mas se desenha enquanto acontece.

Fonte: https://www.diario-red.com/articulo/cultura/dibujante-anarquista-que-retrato-guerra-civil-barricadas-barcelona-vuelve-escena/20260504150131068852.html 

Tradução > Liberto

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Te vejo única
te toco tímida
te sinto úmida.

Simão Pessoa

[México] Aí está o programa da Furia del libro e a gráfica anarquista em Zacatecas!!!

Editorial Marea Negra y Libres – Literatura, Crítica y Anarquismo e individualidades afins convidam a estas bonitas e substanciosas jornadas cheias de muitos livros, comida vegana, música, oficinas e gráfica de companheiros ácratas que nos visitam desde diversos lugares do território ocupado pelo Estado Mexicano.

Assim, dá uma olhada no programa, que certamente encontrará coisas que serão de seu agrado.

Então já sabem, nos vemos em 16 e 17 de maio em Callejón del Capulín #101 Colonia Centro, Zacatecas.

Recordem que tratamos de fazer um espaço seguro para todas, todos e todes, é por isso que todos são bem vindos, mas não se tolerarão pessoas com atitudes sexistas, homofóbicas, transfóbicas, racistas e demais comportamentos deste tipo.

Se vens de fora, talvez possamos brindar-te um lugar para dormir, só te sugerimos chegar desde a sexta-feira para que tenhas maior possibilidade de encontrar um lugar em algum dos espaços que temos disponíveis.

Morte ao Estado e Viva a Anarquia

Nos vemos logo!

FB: facebook.com/bcsmariatalavera

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passeio de madrugada
os meus sapatos
empapados de orvalho

Rogério Martins

[Holanda] Pinksterlanddagen: um festival anarquista de 23 a 25 de maio em Appelscha!

O Pinksterlanddagen é um festival anarquista que acontece anualmente no acampamento Vrijheidsbezinning em Appelscha durante o fim de semana de Pinksterweekend (Pentecostes). É um encontro para anarquistas e todos que se inspiram no anarquismo. O fim de semana inteiro é repleto de oficinas, palestras e discussões sobre anarquismo e luta social. Há também uma programação especial para crianças e uma programação cultural à noite. O Pinksterlanddagen é organizado há mais de 90 anos e se tornou um local de encontro para muitos anarquistas.

A maneira como o PL funciona na prática se encaixa em sua ideologia; todos compartilham da responsabilidade de realizar o festival. Alguns organizam o planejamento geral, outros dão um curso, algumas pessoas cozinham, constroem tudo ou mantêm o local limpo. O PL é organizado em um acampamento anarquista sem álcool e drogas. Respeitamos seus métodos e nos beneficiamos deles, pois achamos que isso melhora a atmosfera geral.

Estamos trabalhando para criar um tipo diferente de mundo, uma sociedade sem autoridade na qual todos têm voz. Estamos procurando pessoas que compartilhem essa visão e que queiram participar desse mundo. Venha para o PL e converse com os 500 visitantes do festival. Você pode ir ao camping durante o festival. Você pode acampar lá ou reservar a casa de hóspedes através deste site.

>> Mais infos: pinksterlanddagen.org

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Muitos ventos sopram.
Dentro e fora de mim uivam
lobos que não sou.

Urhacy Faustino