[Espanha] Preparando-se para o pior: possível extradição para a Itália do companheiro Gabriel Pombo Da Silva

Recordamos que, em dezembro de 2025, nosso companheiro foi preso em cumprimento a um mandado de detenção internacional (MDI) expedido pela Itália. Sua detenção durou cinco horas, até que o juiz Pedraz lhe concedeu liberdade provisória, sob a condição de comparecimento em juízo e proibição de viajar. Este MDI decorre de uma das muitas operações repressivas da Itália: a “Operação Scripta Manent”, de 2016, que resultou na condenação de Gabriel a dois anos de prisão em 2022 por incitação ao crime. No final de novembro do ano passado, o tribunal de Turim anunciou que não aceitaria as medidas alternativas à prisão solicitadas pelo advogado devido à “falta de autocrítica em relação aos seus próprios valores” (uma metáfora bastante apropriada para enfatizar sua falta de remorso), abrindo caminho para a execução da pena. Foi por isso que o MDI foi expedido: o juiz Pedraz considerou este delito um crime de opinião e, portanto, não ordenou a prisão, solicitando, porém, certos documentos de ambas as partes.
 
Há alguns dias, chegou uma ordem judicial, assinada pelo mesmo juiz, que, embora concordando parcialmente com uma das partes e parcialmente com a outra, facilita a possível extradição de Gabriel para a Itália, caso certos requisitos sejam cumpridos.
 
Por ora, não nos interessa comentar os detalhes jurídicos, embora seja interessante observar como os Estados utilizam suas “verdades” labirínticas para justificar caças às bruxas. Trata-se de uma decisão extremamente contraditória, repleta de mentiras, na qual os italianos brincaram com a psicologia da propaganda, extrapolando palavras e conceitos da condenação de Gabriel para justificar seu pedido.
 
Esta decisão encerra a fase de investigação, não é definitiva e o advogado está recorrendo; embora não haja fundamentos legais para que Gabriel cumpra sua pena em prisões italianas, não é difícil interpretar esta decisão como mais uma das muitas manobras que o Estado italiano vem utilizando há anos para continuar colecionando seus troféus de guerra.
 
Dentro de algumas semanas, o promotor e o advogado apresentarão seus argumentos em uma audiência no Tribunal Nacional.
 
Sempre soubemos que as razões legais não prevalecerão, mas sim a vingança política e pessoal. Combatentes dignos devem ser punidos de forma exemplar. Por isso, não há surpresa, e estamos nos preparando para o pior, mais fortes do que nunca.
 
Mais informações em breve.
 
Gabriel e Elisa
 
Conteúdos relacionados:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/12/11/internacional-a-audiencia-nacional-notifica-a-libertacao-de-gabriel-pombo-da-silva-com-medidas-cautelares/
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/12/02/espanha-repressao-situacao-repressiva-italiana-de-gabriel-pombo-da-silva/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
alta madrugada,
vaga-lumes no jardim
brincam de ciranda
 
Zemaria Pinto

[Itália] Volontré – Canções de amor e liberdade

Sábado, 16 de maio

21h30 – show de lançamento do disco

A partir das 20h – aperitivo

No jardim da Biblioteca do Círculo “E. Malatesta” na FAL, na Via degli Asili, 33

Temos o prazer de sediar o lançamento de Canzoni d’amore e libertà (Canções de amor e liberdade), o novo disco dos Volontré, que será lançado em maio de 2026.

As canções falam sobre atualidade, conflito, poder, privilégio e violência normalizada.

São canções de protesto sem slogans: imediatas, cortantes, como anotações feitas enquanto algo acontece.

As letras não explicam, expõem.

As faixas impactam e passam, deixando vestígios mesmo depois do silêncio.

Amor e liberdade não são aqui conceitos abstratos, mas palavras políticas.

Canções de amor e liberdade não busca pacificações: toma posição, aceita a imperfeição do som como parte do discurso e escolhe a síntese como forma de honestidade.

Porque contar o que acontece, hoje, ainda é um gesto de amor.

E talvez, justamente por isso, um gesto de liberdade.

Círculo Cultural “E. Malatesta”

coletivoanarquico.noblogs.org

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Surpresa da tarde
no meu vestido de festa
Uma joaninha!

Lúcia Helena Carneiro Nascimento

Arquivo Lucy Parsons lança edição brasileira de A Greve Geral, de Ralph Chaplin

O Arquivo Lucy Parsons apresenta a edição brasileira de A Greve Geral, de Ralph Chaplin, clássico do sindicalismo revolucionário publicado originalmente em 1933.

A obra, ligada à tradição dos Trabalhadores Industriais do Mundo (IWW), discute a greve geral como instrumento estratégico da organização da classe trabalhadora no ponto de produção, abordando temas como sindicalismo industrial, ação direta, solidariedade de classe e democracia industrial.

Traduzida e publicada em Fortaleza, a edição busca contribuir para a circulação de materiais históricos ligados às experiências de organização autônoma dos trabalhadores e trabalhadoras.

Lançamentos presenciais

Fortaleza — Ceará

No dia 08 de maio, o livro foi lançado durante a Feira Literária e Artística promovida pela Revista Pindaíba, realizada na Praça Rosa da Fonseca / João Gentil, no bairro Benfica, em Fortaleza.

A banquinha do Arquivo Lucy Parsons contou com apoio de militantes da Organização Popular Terra Liberta e do Sindicato Geral Autônomo da Educação do Ceará (SIGAE-CE), fortalecendo a circulação local da obra e o diálogo entre iniciativas de memória, formação e organização popular.

Rio de Janeiro — RJ

No dia 09 de maio, o livro esteve presente em lançamento na Feira Autônoma do Rio Popular Ameríndia (FARPA), organizada na Ocupação Gilberto Domingos, do Movimento Unificado dos Camelôs (MUCA).

A banquinha da Associação dos Trabalhadores de Base do Rio de Janeiro (ATB-RJ) recebeu e divulgou a obra junto a exemplares de editoras e grupos como Intermezzo, Ácrata e Instituto de Estudos Libertários (IEL), ampliando a circulação da edição em espaços de organização de base.

Adquira um exemplar

Valor: R$ 15 (frete incluso para todo o Brasil)

Os pedidos podem ser realizados pela lojinha virtual do Arquivo Lucy Parsons.

Novas atividades!

O Arquivo Lucy Parsons também convida grupos de pesquisa, espaços de estudo, organizações de luta, sindicatos, coletivos e demais iniciativas interessadas a articularem conosco diálogos, debates, grupos de leitura e atividades formativas (presenciais ou virtuais) em torno da obra, do sindicalismo revolucionário e da memória das lutas da classe trabalhadora.

arquivolucyparsons.org

agência de notícias anarquistas-ana

Alta madrugada,
sabiá boêmio entoa
um lânguido canto.

Alberto Murata

Cândido Costa: Preto, Ateu e Anarquista!

Por Carlos Ferreira de Araujo Junior

Cândido Costa foi um anarquista negro que atuou no Rio de Janeiro nas primeiras duas décadas do século 20. Não foi possível encontrar nem a data de nascimento nem a do seu óbito. Seguramente, João Cândido Costa nasceu no final do século 19. Operário alfaiate e carpinteiro, Costa também foi um brilhante orador operário, sendo bastante requisitado nas reuniões operárias, comícios e festas operárias do Rio de Janeiro. Cândido Costa representou o perfil da maioria dos proletários cariocas na Primeira República: negro, pobre, operário.

Cândido Costa emocionava as plateias operárias com seus discursos, cheios de gestos, às vezes exagerados, às vezes comedidos. Bastante conhecido na imprensa operária, também foi notícia na grande imprensa da época: “O sr. Candido Costa é um orador querido pela multidão. Com palavra naturalmente fácil, ele consegue, pela sua sinceridade, empolgar as massas populares.[1]”  Os oradores operários instigavam os operários a participarem das reuniões, assembleias e greves. Quase sempre os oradores e palestrantes atuavam como “tradutores” de conceitos anarquistas de forma didática e prática. Os oradores usavam a linguagem do operariado do povo. Cândido Costa discursou várias vezes usando como tribunas improvisadas tamboretes, árvores ou os braços dos companheiros.

O anarquista negro participou do Primeiro Congresso Operário Brasileiro em abril de 1906, no Rio de Janeiro. O Congresso reuniu centenas de operários de todas as partes do país e mostrou a força do anarquismo. Neste encontro, Costa representou a Liga dos Artistas Alfaiates do Rio de Janeiro, onde se pronunciou contra a influência dos políticos nas associações operárias [2].

Na década de 1910, as “agitadas palestras” ocorreram com frequência nas reuniões operárias da Federação Operária do Rio de Janeiro, no Centro Cosmopolita e na Liga Anticlerical. Cândido Costa também discursou nos eventos em homenagem a Ferrer, nos protestos contra a carestia, nas festas do 1º de Maio, etc.  Em outubro de 1911, Cândido participou de uma cerimônia em homenagem a Francisco Ferrer, pedagogo anarquista assassinado na Espanha. Durante o evento, Costa criticou um exaltado patriota xenofóbico da plateia com as seguintes palavras:

entre socialistas e anarquistas a palavra estrangeiro não tem significação; que estrangeiros são os politiqueiros e parasitas que aqui vivem do suor alheiro; que aqueles que mourejam e produzem, padecem e morrem com os bolsos vazios, mal podendo sustentar a prole, não são estrangeiros [3].

Em janeiro de 1912, Cândido Costa foi brutalmente espancado pela polícia em frente a Federação Operária do Rio de Janeiro. Os jornais anarquistas criticaram duramente a truculência da polícia:

Cândido Costa chegou a perder os sentidos devido a um pontapé que levou no ventre. Antes, como contou a quem escreve estas linhas, tinha pensado em atirar-se da janela do 2º andar à rua para assim livrar-se, mesmo pela morte, à sanha de tais feras [4].

Em 1913 o anarquista participou do Segundo Congresso Operário Brasileiro também no Rio de Janeiro. Cândido Costa se posicionou contra as associações beneficentes e mutualistas [5]. Em fevereiro de 1913, Cândido Costa participou do Comício Contra a Carestia de Vida em Catumbi. A tribuna foi improvisada e os palestrantes discursaram sobre caixões de madeira. Um conluio entre autoridades e contraventores do jogo do bicho ameaçaram impedir o discurso de Costa, mas diante da reação da plateia, as autoridades recuaram. O próprio Cândido Costa tentou acalmar a multidão [6]. 

Cândido Costa se posicionou contra a expulsão de estrangeiros do país.

vede, cidadãos, este contraste: enquanto o governo forja essa lei de exceção, para expulsar os trabalhadores estrangeiros que se revoltam contra as misérias que sofrem ao lado dos trabalhadores brasileiros, os argentários de todas as nacionalidades e todas as raças aí estão, enriquecendo fartamente à sombra dos poderes públicos e a custa do suor de nós todos, nacionais ou não, que produzimos tudo, num trabalho árduo e insuportavelmente mal retribuído [7]. 

Cândido Costa foi um ferrenho militante anticlerical. Durante um comício realizado pelo Centro Católico no Largo do São Francisco, Rio de Janeiro, Costa proferiu várias críticas a instituição católica.  Esta atitude causou grande indignação entre os operários católicos que gritavam indignados “fora!” e “Cai no mangue!”. Objetos foram lançados contra Cândido Costa, um jornal da época narrou o ocorrido assim:

Um popular da cor preta galgou as escadas da Escola e dirigiu a palavra ao povo. O seu discurso foi violentíssimo, atacando o Partido Católico, que não era mais do que um “Partido de Cavações!”. Uma gritaria ensurdecedora se fez ouvir, tendo muitos indivíduos avançado em atitude agressiva para o orador, que comprimido pelo povo, tombou pela escada baixo. Houve bofetadas, pontapés, o diabo, tendo o orador retomado a palavra, protegido por um policial que apareceu no momento. (…) Cândido Costa, que é o nome do orador em questão, é carpinteiro e anarquista entusiasta. Terminado o seu discurso que anarquizou o comício, foi o orador carregado pelos seus correligionários até a esquina da rua dos Andradas de onde se dirigiram pela mesma até a Confederação Operária Brasileira. Ali falou de uma das janelas do edifício o anarquista Cândido Costa, dispersando-se em seguida os populares [8].

Ainda em 1915, representando o Comitê Popular de Agitação Contra a Guerra e pela Paz Mundial, Cândido Costa palestrou no dia do 1º de Maio. Na ocasião, o operário também defendeu a ação direta como tática de luta legítima do operariado [9].

Em julho de 1917, 30 mil operários entraram em greve no Rio de Janeiro. O Centro Cosmopolita organizou um comício em frente ao Teatro Municipal da cidade e convidou o libertário Cândido Costa para proferir uma palestra para os trabalhadores. Enquanto ele discursava, uma procissão de Santa Cecília passou em frente ao teatro marchando ao som de uma banda marcial. Os organizadores do evento pediram que Costa interrompesse o discurso por uns minutos. Mas o anarquista não cedeu:

O operário Candido Costa, que é ateu, insurgiu-se contra os pedidos, usando frases inconvenientes. O procedimento do orador deu causa a veementes protestos por parte de muitos operários; e teria, por certo, funestos resultados, se não fosse a rápida interrupção do comissário Júlio Rodrigues, que conseguiu, só a cabo de alguns momentos, apaziguar os ânimos [10].

Em 1917, durante uma palestra operária, Cândido Costa enalteceu as revoltas dos escravizados nas províncias de São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco, ocorridas no século passado [11]. 

A partir de janeiro de 1918, Candido passa a fazer palestras em assembleias e eventos como representante do Partido Socialista [12]. Neste mesmo mês, participa de uma palestra em homenagem a Lênin [13].

A partir da década de 1920, as notícias sobre Cândido Costa vão se tornando mais escassas. Em 1928, o periódico A Esquerda anunciou um Festival em Solidariedade a João Cândido Costa, que se encontrava bastante enfermo. O evento foi patrocinado pela União dos Alfaiates do Rio de Janeiro.  A programação contava com uma conferência do professor Castro Rebello; uma peça teatral intitulada O Vizinho de Cima encenada pelo grupo teatral Germinal; e por fim, um concerto de um jazz band [14].

Não foram encontrados detalhes sobre o que aconteceu com Cândido Costa a partir deste fato. A notícia é encerrada com o lema “um por todos e todos por um!”, dos Três Mosqueteiros, obra do escritor francês negro, Alexandre Dumas.

REFERÊNCIAS

KARLLOS, Jr. Brasil Negro Insurgente: socialistas e libertários negros e pardos na Primeira República. Ed. Monstro dos Mares. 2025.

RODRIGUES, Edgar. Companheiros. Vol.01.

PERIÓDICOS

A ÉPOCA. data: 10/08/1913 P.4. N.284.

GAZETA DE NOTÍCIAS. Data: 19/04/1906.P.2.N.107.

A LANTERNA. 21/10/1911.P.2.N.109

A LANTERNA. 27/01/1912.P.2N.123.

CORREIO DA MANHÃ.12/09/1913.P.7.n.5339.

A ÉPOCA. 10/03/1913.P.2N.223

A ÉPOCA.10/08/1913.P.4. N.284.

A ÉPOCA. 15/01/1915.P.4.N.874.

A ÉPOCA. 04/06/1915.P.5. N.1014.

A ÉPOCA. 23/07/1917.P.1N.1837.

A LANTERNA. 15/10/1917. P.2.N.260.

A RAZÃO.17/01/1918.P.5N.395

A RAZÃO 25/01/1918.P.4N.403.

A ESQUERDA. 07/07/1928.P.4N.316.

[1] A ÉPOCA. data: 10/08/1913 P.4. N.284.

[2] GAZETA DE NOTÍCIAS. Data: 19/04/1906.P.2.N.107.

[3] A LANTERNA. 21/10/1911.P.2.N.109

[4] A LANTERNA. 27/01/1912.P.2N.123.

[5] CORREIO DA MANHÃ.12/09/1913.P.7.n.5339.

[6] A ÉPOCA. 10/03/1913.P.2N.223

[7] A ÉPOCA.10/08/1913.P.4. N.284.

[8] A ÉPOCA. 15/01/1915.P.4.N.874.

[9] A ÉPOCA. 04/06/1915.P.5. N.1014.

[10] A ÉPOCA. 23/07/1917.P.1N.1837.

[11] A LANTERNA. 15/10/1917. P.2.N.260.

[12] A RAZÃO.17/01/1918.P.5N.395

[13] A RAZÃO 25/01/1918.P.4N.403.

[14] A ESQUERDA. 07/07/1928.P.4N.316.

Biografia do autor.

CARLOS FERREIRA DE ARAUJO JUNIOR – Historiador formado pela UEPB. Publicou dois livros: Renego – Grito Punk (2021), sobre o punk na Paraíba, e Brasil Negro Insurgente (2025), sobre libertários e socialistas negros no Brasil. Desde 2012, possui um canal acervo punk no youtube: ÔKO DO MUNDO! O autor também escreveu os seguintes cordéis e zines libertários/decoloniais: OBREIROS DA BORBOREMA, BRADO BRUTO, EXU MOLOTOV, PLUMA NEGRA, ZINE AUTÔNOMO TEMPORÁRIO (ZAT).

agência de notícias anarquistas-ana

Fim do dia
O velho e a árvore
Trocam silêncios

Camila Jabur

[Porto Alegre-RS] Ajude o Esp(a)ço a manter suas portas abertas! 

O Esp(a)ço é um centro social anarquista fundado em 2022 na cidade de Porto Alegre, no sul do território ocupado pelo Estado brasileiro. Organizamos atividades como debates, exibições de filmes e oficinas, além de atuarmos como centro de apoio mútuo e solidariedade na cidade, por meio da Apoio Mútuo, nossa loja grátis. Também estamos começando a organizar uma biblioteca e uma cozinha no centro social.
 
Estamos realizando esta campanha para conseguir apoiadorys regulares que ajudem a cobrir nossas despesas mensais, para que possamos manter o Esp(a)ço funcionando. Então, por favor, considere tornar-se apoiadory mensal ou mesmo faça uma doação única.
 
SOBRE O ESP(A)ÇO
 
O Esp(a)ço foi inaugurado em 2022. Ainda impactados pelo isolamento da pandemia de COVID, sentimos a necessidade de um espaço onde pudéssemos nos encontrar e nos organizar. Organizamos exibições de filmes, debates, oficinas e, em 13 de maio de 2023, inauguramos o Apoio Mútuo, uma loja gratuita aberta à comunidade, onde recebemos doações e as distribuímos gratuitamente à comunidade.
 
Durante as graves enchentes de 2024 no estado do Rio Grande do Sul, realizamos campanhas para apoiar comunidades quilombolas e indígenas com suprimentos muito necessários e também fizemos uma arrecadação de fundos para apoiar três ocupações anarquistas na cidade: as ocupações queer Kaliça e Jiboia e a ocupação Território dos Mil Povos. Também pudemos apoiar a comunidade indígena Mbya Guarani durante sua recuperação de terras no extremo sul de Porto Alegre, consertando o motor de seu barco, comprando um inversor e uma bateria para seu sistema elétrico fotovoltaico, além de um smartphone e um laptop para melhorar sua comunicação.
 
No início de 2025, ladrões invadiram o centro social quatro vezes seguidas, levando até mesmo os fios de cobre de dentro das paredes. Fechamos o centro social por um tempo, mas continuamos organizando atividades em espaços públicos.
 
Durante os dias mais rigorosos do inverno de 2025, quando quatro pessoas morreram de hipotermia, estávamos todas as semanas nas ruas distribuindo roupas do estoque da loja gratuita Apoio Mútuo, em parceria com a Ação Antifascista Social, uma iniciativa que prepara e distribui refeições para pessoas em situação de rua.
 
Em janeiro de 2026, conseguimos nossa nova casa!
 
E agora, queremos fazer ainda mais. E, para isso, contamos mais uma vez com a solidariedade da comunidade.
 
POR QUE PRECISAMOS DA SUA AJUDA
 
Todos os meses temos contas a pagar: água, luz, imposto predial, taxa de condomínio, além de outras despesas, como materiais de limpeza, manutenção, alimentação e transporte. E, para isso, pedimos o apoio de qualquer pessoa que possa se comprometer a fazer doações mensais de qualquer valor.
 
Nossa estimativa das despesas mensais ESSENCIAIS, o mínimo necessário para mantermos as portas abertas, é a seguinte:
 
• Água: R$60
• Luz: R$130
• IPTU: R$55
• Condomínio: R$80
• Produtos de limpeza: R$50
 
E ainda temos outras despesas, necessárias para manter o Esp(a)ço funcionando. Um fundo de manutenção para resolver quaisquer necessidades de infraestrutura que possam surgir. Apoio com transporte e alimentação para garantir que os membros do coletivo possam estar no Esp(a)ço para abrir as portas.
 
• Manutenção: R$100
• Transporte: R$175
• Alimentação: R$200
 
Sonhamos em conseguir mais recursos além desses que listamos aqui, para podermos oferecer aos membros do coletivo uma ajuda financeira para que possam manter o Esp(a)ço aberto por mais tempo, em vez de trabalharem até a exaustão para algum capitalista.
 
Portanto, mesmo que atinjamos a meta, se você puder contribuir com mais, por favor, faça-o. Isso fortalecerá nosso coletivo, a infraestrutura anarquista local e nossas iniciativas de ajuda mútua.
 
>> Para ajudar visitehttp://espaco.noblogs.org/apoie
 
>> Vídeohttps://kolektiva.media/w/unPfyLdcLYNQEoaZAqBkd6
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/10/25/espaco-um-ponto-de-encontro-confraternizacao-aproximacao-de-pessoas-que-de-alguma-forma-se-identifiquem-com-o-anarquismo/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Some de repente
Numa viagem pelas sombras
uma borboleta
 
Carlos Roque Barbosa de Jesus

[Espanha] Manifesto do CSO Kike Mur diante da ameaça de despejo

CSO Kike Mur
 
Kike Mur¹ somos todes, e por isso, precisamos de vocês. Se tocarem em um* de nós, tocam em todes. Se despejarem nossos centros, tomamos as ruas.
 
SE KIKE MUR CAIR, ZARAGOZA SE LEVANTA
 
Mais um ano de governo reacionário, neoliberal e neofranquista.
 
Sabemos o que eles querem: capitalismo (ainda mais) selvagem, precarização do trabalho, repressão sexual e de gênero, punição da dissidência, imigrantes trabalhando bem calados, luzes e espetáculo enquanto companheires passam frio e fome na rua.
 
Sabemos o que eles temem: tecido vecinal vivo, autogestão de bairro, solidariedade, apoio mútuo, horizontalidade, nosso povo, nossa classe, nossos companheires tomando o futuro em suas mãos e construindo uma alternativa ao sistema deles.
 
CSO Kike Mur
 
O CSO Kike Mur está aberto há 15 anos, 15 anos de luta e resistência construindo vida em um lugar abandonado pelos “gestores” de nossas vidas, uma prisão que foi construída para reprimir, torturar e assassinar nossas avós e avôs por buscarem a vida, por resistirem e por imaginarem mundos diferentes.
 
Nossa maior homenagem é continuar a luta deles, construir o mundo que queremos, aqui e agora.
 
Anticapitalista, transfeminista, antiespecista, antirracista, autogestionado e antiautoritário.
 
Dentro de seus portões se tornou realidade o grito: Só o povo salva o povo durante a DANA de Valência, durante a Filomena, durante o apagão, servindo como ponto de encontro de solidariedade.
 
Realizamos coleta de roupas para pessoas vulneráveis, atividades gratuitas para e pelo bairro, ginásio popular, Boulder, aulas de costura e reforço escolar, troca de brinquedos, chocolateiras, cinema de verão, horta comunitária, biblioteca anarquista, visitas de memória histórica.
 
Um espaço aberto aos movimentos políticos: ao guarda-chuva feminista, a todos os coletivos migrantes da cidade, à resistência queer, aos artistas inconformados, à casa palestina, em definitiva, a todes que buscam agir e lutar contra este sistema genocida, sempre terão aqui seu lugar. Entre esses muros se pratica o apoio mútuo com companheires reprimidos no estado espanhol, como as 6 de ZGZ ou da Suíça, e em outras partes do mundo.
 
Por tudo isso, o CSO Kike Mur é um ataque constante à política institucional. Eles sabem que não podem nos dobrar, não vamos passar pela sua camisa de força, não podem cancelar nem censurar nossos eventos como fizeram com Zaragoza não se vende, o guarda-chuva feminista e tantos outros coletivos políticos nos últimos meses.
 
Os espaços ocupados permitem a livre expressão do povo e é por isso que estaremos sempre em sua mira. As ameaças constantes por meio de seus meios de comunicação bajuladores, políticos, jurídicos e midiáticos só nos reafirmam em nossa luta e nossos princípios.
 
O CSO continua em perigo de despejo, sempre esteve. Sentimos perto o calor de todas as pessoas que de uma forma ou de outra apoiam e sustentam o espaço, desde as vizinhas de Zaragoza, de Torrero, passando por todas as boas gentes desta e de outras cidades do Estado que dão vida e sentido a este projeto, sois todos vocês que conseguiram que o CSO Kike Mur continue firme e determinado após 15 anos, e assim continuará sendo, cada dia com mais força.
 
[1] Kike Mur é uma parte da prisão de Torrero, em Zaragoza, que foi ocupada há 16 anos.
 
Fonte: https://redeslibertarias.com/2026/05/09/manifiesto-kike-mur-ante-la-amenaza-de-desalojo/
 
Tradução > Liberto
 
• Nota da tradução: Optou-se por manter a linguagem inclusiva “todes”, “companheires” etc., alinhada ao original em espanhol (“todes”, “compañeres”), para preservar o tom político e identitário do manifesto.
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/02/18/espanha-comunicado-do-cso-kike-mur-se-o-kike-mur-cair-zaragoza-se-levantara/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
ontem à noite
sonhei de corpo inteiro
— acordei com teu cheiro
 
Alonso Alvarez

O Poder É Maldito

O poder é maldito.

Que isso seja repetido

até a exaustão.

.

Tenho nojo de senhores,

ditadores e reis.

Sou avesso ao Estado,

ao controle e a servidão.

Abomino toda forma de governo.

Não importa se autocrítico ou democrático.

Desprezo qualquer defensor da pátria

ou amante da nação.

Quero que todo poder

seja desde já destituído

e proclamada a autogestão.

Que as ruas acordem em revolução

contra Deus, a Razão

e toda forma de dominação.

Carlos Pereira Júnior

agência de notícias anarquistas-ana

pétala amarela
a borboleta saltou
sem paraquedas

João Acuio

[Alemanha] Julgamento contra um companheiro anarquista em Leipzig, no dia 12 de maio

Nos dias 12 de maio e 2 de junho, ocorrerá mais um julgamento contra um companheiro anarquista envolvido na manifestação do “Dia X” no Tribunal Distrital de Leipzig. O Ministério Público o acusa de perturbação da ordem pública, agressão e resistência a agentes da lei, além de 18 acusações de agressão qualificada e destruição de equipamentos essenciais. Este não é um caso isolado; o processo faz parte de uma denúncia coletiva contra vários indivíduos – um total de 1.500 processos criminais foram iniciados naquele fim de semana, dos quais 100 pessoas já foram condenadas e outras 100 ainda aguardam julgamento.
 
Neste caso, as acusações baseiam-se em fotos publicadas online e tiradas por um fotojornalista. A polícia acredita poder identificar o companheiro com base nessas fotos, com a ajuda de um suposto “super-reconhecedor” — um termo de credibilidade duvidosa. Durante a investigação do “Dia X”, a polícia de Leipzig trabalhou frequentemente com esses autoproclamados “super-reconhecedores”. São policiais que acreditam possuir habilidades especiais de reconhecimento, mas, na realidade, suas percepções são tão subjetivas quanto as de qualquer outra pessoa. Não há evidências científicas da existência desse “superpoder”.

Consideramos esse procedimento parte de uma crescente repressão contra movimentos revolucionários e antifascistas.

A segunda fase do julgamento do Antifa-Leste está em andamento. Sete antifascistas são acusados ​​de supostamente participarem de ações militantes contra nazistas; simultaneamente, outros seis antifascistas estão sendo julgados em Düsseldorf, no chamado “Complexo de Budapeste” — pelas mesmas ações pelas quais Maja foi condenada na Hungria a oito anos de prisão em regime fechado.

Nossa resposta a esse processo é de solidariedade e cumplicidade com aqueles que lutam por um mundo livre do fascismo. Foi por isso que decidimos ir às ruas de Leipzig em 3 de junho de 2023 e expressar nossa indignação com as sentenças de prisão impostas a antifascistas. É mais do que claro: as sentenças — anos de prisão — têm um preço, e enviamos nossa mais profunda solidariedade aos nossos companheiros que foram condenados, para que saibam que não estão sozinhos. Um julgamento contra um de nós é um julgamento contra todos nós.

Três anos após esse “Dia X”, vemos o fascismo e o totalitarismo continuarem a crescer em todo o mundo; a onda reacionária está ganhando governos e popularidade na sociedade por meio de retórica xenófoba e antifeminista. Ela cativa milhões, alimentando o maior medo das pessoas: perder a prosperidade prometida pelo capitalismo.

Os estados europeus estão se preparando para a guerra investindo bilhões nas forças armadas; o serviço militar obrigatório é mais uma vez uma amarga realidade, com jovens sendo convocados para defender a Alemanha contra ameaças externas; E as políticas anti-imigração estão se tornando cada vez mais brutais.

A repressão aos manifestantes contra o genocídio na Palestina, com milhares de julgamentos de Berlim a Leipzig, ilustra o autoritarismo do Estado alemão contra todos aqueles que se opõem ao colonialismo, às guerras e às fronteiras.
 
Por todas essas razões, permanecemos convictos de que devemos ir às ruas e lutar contra todas as formas de autoridade, em solidariedade com aqueles que se recusam a ficar de braços cruzados diante da injustiça e dos ataques dos poderosos.

Acreditamos em um antifascismo antipatriarcal, onde o cuidado mútuo e a construção de um tipo diferente de relacionamento são fundamentais, onde nos desafiamos uns aos outros para tornar nossas comunidades lugares melhores.
Portanto, convidamos você para os julgamentos em Leipzig, nos dias 12 de maio e 2 de junho.
 
• Terça-feira, 12 de maio de 2026, às 10h, Sala de Reuniões 218, 2º andar, Edifício Principal, Bernhard-Göring-Straße 64, 04275 Leipzig;
• Terça-feira, 2 de junho de 2026, às 10h, Sala de Reuniões 218, 2º andar, Edifício Principal, Bernhard-Göring-Straße 64, 04275 Leipzig
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
que flor é esta,
que perfuma assim
toda a floresta?
 
Carlos Seabra

[Grécia] Assembleia Aberta da Iniciativa de Estudantes Anarquistas de Atenas

Assembleia aberta da Iniciativa de Estudantes Anarquistas de Atenas na terça-feira, 12/05, às 18h, no Panteion (Edifício de Vidro, térreo).
 
As universidades foram, são e continuarão sendo lugares de refúgio e focos de luta.
 
Contra ações disciplinares, expulsões e privatizações.
 
Nenhuma participação das universidades gregas em pesquisas sobre a guerra.
 
RESISTÊNCIA – AUTO-ORGANIZAÇÃO – SOLIDARIEDADE
 
Romper com a reestruturação educacional por meio da luta direta e da organização anarquista.
 
SOLIDARIEDADE AO ESTUDANTE ANARQUISTA Z.M.
 
Iniciativa de Estudantes Anarquistas de Atenas
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
Entre as antenas
E as casas todas iguais –
Quaresmeiras!
 
Paulo Franchetti

[Alemanha] Milhares de jovens saem às ruas para protestar contra o serviço militar obrigatório

Em 8 de maio de 1945, os fascistas de Hitler capitularam; a Europa jazia em ruínas. Mesmo dentro do campo conservador, os alemães juraram: “Nunca mais guerra, nunca mais fascismo!”
 
Os organizadores do movimento de greve estudantil escolheram deliberadamente um dia de grande significado histórico para a terceira greve estudantil nacional contra a ameaça iminente do serviço militar obrigatório. Segundo seus cálculos, 45 mil jovens em mais de 150 cidades voltaram às ruas na sexta-feira (08/05) para lembrar a todos para onde o mundo caminhava quando o imperialismo alemão aspirava, pela última vez, ter o “exército convencional mais poderoso da Europa”. Os estudantes exigiram a revogação da “Lei de Modernização do Serviço Militar”, o fim da reintrodução gradual do serviço militar obrigatório e a suspensão da presença da Bundeswehr (Forças Armadas Alemãs) nas escolas.
 
Em Berlim, segundo os organizadores, cerca de 9.000 jovens atenderam ao chamado para uma greve. A manifestação se reuniu no Portão de Brandemburgo e seguiu dali pelo parque Tiergarten. Ao passarem pelo Monumento aos Mortos da Guerra Soviéticos, um forte grito de “Alerta, alerta, antifascistas!” ecoou. A manifestação em Berlim foi, mais uma vez, fortemente influenciada pelos slogans da luta de classes. As numerosas bandeiras palestinas também demonstraram que muitos jovens estão bastante conscientes da conexão entre solidariedade internacional, anti-imperialismo e antimilitarismo.
 
Assim como durante a greve estudantil de 5 de março, a polícia voltou a estar presente em grande número e várias prisões foram efetuadas. Segundo informações imprensa local, diversos jovens foram detidos em conexão com vários incidentes após retrucarem a provocações de sionistas e outros fascistas.
 
Casos de repressão estatal também foram relatados em outras cidades. Por exemplo, em Essen, a polícia ameaçou apresentar queixa e exigiu a remoção de uma faixa com os dizeres “Merz, lamba suas bolas”. Em Münster, os dados pessoais de manifestantes que entoavam o mesmo slogan foram registrados. Em Wuppertal, as autoridades também ameaçaram apresentar queixas por faixas semelhantes. Em Munique, uma pessoa foi presa por carregar uma faixa com os dizeres “Merz, morra você mesmo na Frente Oriental”. A manifestação final também foi cercada por um cordão policial.
 
Diversas táticas usuais de intimidação estatal já haviam vindo à tona. Por exemplo, dois adolescentes que participavam do movimento de greve estudantil em Kiel relataram em um vídeo no Instagram que foram abordados pelo Escritório de Proteção da Constituição e pela Polícia Criminal Federal. Um deles disse que, a caminho da escola, foi parado por um homem que se dizia funcionário do serviço nacional de inteligência.
 
No entanto, esses métodos não impedem os estudantes de planejarem novas ações contra o rearme e os preparativos para a guerra. Os organizadores anunciaram que o próximo passo será uma mobilização de uma semana contra o Dia dos Veteranos, de 15 a 21 de junho. Depois disso, eles usarão as férias de verão para realizar reuniões internas dentro do movimento para organizar a próxima greve no outono.
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
Apenas vós,
Árvores de tronco branco,
Me garantis que retornei.
 
Paulo Franchetti

[México] DF: Atividade anárkica contra todas as jaulas – 15/05

[Grécia] O “Kyriakos X” está navegando rumo a Gaza

Batizado em homenagem ao anarquista internacionalista Kyriakos Xymitiris, o barco “Kyriakos X” navega com a Freedom Flotilla Coalition (Coalizão da Frota da Liberdade) para romper o bloqueio genocida que o Estado sionista impôs a Gaza há décadas. Em homenagem à vida de Kyriakos, que se dedicou à luta pela justiça e pelos oprimidos, o barco também se solidariza com a resistência legítima do povo palestino, que nunca deixou de lutar para acabar com a ocupação colonialista de suas terras.
 
No dia 8 de maio, o Kyriakos X partiu do porto com outras 33 embarcações da Global Sumud Flotilla (Flotilha da Liberdade Global) e encontrou-se com outros quatro barcos da Freedom Flotilla Coalition no mar. O barco transporta 10 pessoas de cinco países diferentes, incluindo Grécia, Albânia, Reino Unido, Coreia, França e Guadalupe.
 
Historicamente, a Grécia tem desempenhado um papel de destaque no movimento das frotas desde o início. Em 23 de outubro de 2008, dois pequenos barcos de pesca transportando cerca de 44 pessoas do Movimento Free Gaza chegaram a Gaza; 10 eram cidadãos gregos. Foram os primeiros barcos a chegar à Gaza em cerca de 40 anos. Os barcos foram recebidos por dezenas de milhares de palestinos. O movimento, que mais tarde se tornou a Freedom Flotilla Coalition, prometeu então que “não pararia de navegar até que o cerco de Israel fosse quebrado”.
 
Um dos ativistas envolvidos no apoio a Kyriakos X lembra-se bem daquele dia. Como jovem palestino que vivia em Gaza na época, ele recorda como esses dois barcos lembraram ao povo palestino que não estavam sozinhos e que pessoas em todo o mundo lutavam por sua libertação.
 
Kyriakos X está agora cumprindo a promessa feita naquela época: nunca deixará de navegar até que a Palestina seja livre.
 
O movimento da frota é uma ação não violenta que navega legalmente em águas internacionais. O bloqueio imposto por Israel ao espaço aéreo, marítimo e terrestre de Gaza é ilegal – o país não tem jurisdição sobre as águas territoriais palestinas. Apesar disso, as forças de ocupação israelenses começaram a intensificar os ataques contra as frotas a partir de 2009, batendo contra os barcos para afundá-los, sequestrando, usando armas de choque e agredindo participantes, prendendo-os ilegalmente e, em 2010, assassinando 10 civis a bordo do “Mavi Marmara”. A violência de Israel contra o movimento da frota tem continuado desde então. A brutalidade e a impunidade de Israel foram ainda mais expostas durante seu recente ataque terrorista à frota Global Sumud, ocorrido perto da costa de Creta, na zona SAR grega, a 75 km do Peloponeso e a 1.240 km da Palestina. As forças militares israelenses sequestraram cerca de 175 civis, agrediram sexual e fisicamente alguns a bordo, torturaram outros, destruíram os barcos da frota e sequestraram Saif Abu Keshek e Thiago Avila, que foram detidos ilegalmente na Palestina ocupada. Advogados da Adalah relataram que eles apresentavam sinais de tortura em seus corpos.
 
Os demais ativistas da GSF foram eventualmente entregues às autoridades gregas, o que não apenas destacou o total desrespeito de Israel pelos direitos humanitários e internacional, mas também expôs até onde o governo grego está disposto a ir para facilitar e colaborar com os crimes de guerra de Israel.
 
A missão da frota não é simbólica. Trata-se de uma ação civil, direta e não violenta, de povo para povo, para enfrentar um sistema de apartheid, dominação, colonização e opressão que governos de todo o mundo têm permitido, do qual têm lucrado e que têm protegido há décadas.
 
Kyriakos X convoca as pessoas em terra a se mobilizarem – a luta pela libertação palestina está em todos os lugares onde empresas, instituições, mídia e governos cúmplices alimentam o genocídio de Israel com total impunidade. Israel e seus aliados devem ser responsabilizados por seus crimes contra o povo palestino. 

 
Kyriakos X convoca as pessoas de consciência a se concentrarem em desmantelar a maquinaria e a cadeia de abastecimento de armas que possibilita o genocídio de Israel: em portos, fábricas, escritórios corporativos e instituições governamentais. Eles convocam as pessoas do mundo a interromper o fluxo de armas para forçar os governos a reconhecerem sua cumplicidade. Este é um momento que exige uma escalada.
 
Enquanto a Freedom Flotilla Coalition e a Global Sumud Flotilla continuam navegando, cerca de 10.000 palestinos estão detidos em prisões israelenses, a maioria sem acusação ou julgamento. Muitos são torturados, sofrem agressões sexuais (inclusive por cães) e são assassinados. Centenas deles são crianças. Enquanto isso, a violência dos colonos e soldados israelenses em toda a Cisjordânia continua a se intensificar – crianças palestinas estão sendo alvejadas em escolas, suas casas são roubadas e suas colheitas ou gado são destruídos.
 
Ao mesmo tempo, a ilegal “Linha Amarela” de Israel está se expandindo em Gaza, e seu genocídio e bombardeio contra os palestinos presos lá dentro continuam. O genocídio de Israel no Líbano continua, e suas inúmeras violações dos chamados cessar-fogo são ignoradas pelos líderes mundiais. O mundo permanece em silêncio.
 
Os participantes do Kyriakos X não são heróis, são pessoas comuns que rejeitam o silêncio e a cumplicidade – decidiram usar seus corpos e privilégios para se colocar ao lado dos oprimidos, recusando-se a viver em um mundo onde o genocídio é normalizado e tolerado.


Ninguém é livre até que a Palestina seja livre.
 
Fonte: https://omniatv.com/853504826/to-kyriakos-x-pleei-se-allileggyi-pros-tin-katechomeni-gaza/
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/10/06/navegando-por-gaza/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
lua nublada
no alto da montanha
a solitária árvore
 
Alonso Alvarez

[Espanha] Lançamento: “Ocho días de julio. 1936. La situación revolucionaria en Barcelona”, de Agustín Guillamón

Este livro oferece uma reconstrução vibrante e rigorosa da batalha de Barcelona, ocorrida nos dias 19 e 20 de julho de 1936, destacando o papel decisivo dos comitês de defesa da CNT e dos sindicatos na derrota do golpe militar. A partir do relato dos fatos, a análise se concentra na questão fundamental da revolução: o poder. São examinadas as respostas dos comitês da CNT, dos comitês de bairro e das organizações antifascistas, bem como as oportunidades perdidas que facilitaram o avanço da contrarrevolução.

Ocho días de julio define com clareza a diferença entre situação revolucionária e revolução proletária, e expõe onze teses classistas que sintetizam uma teoria ácrata da revolução. Textos inéditos de Juan García Oliver reforçam uma conclusão categórica, na linha de Los Amigos de Durruti: sem destruir o Estado e sem poder operário organizado, a revolução fracassa.

Ocho días de julio. 1936. La situación revolucionaria en Barcelona

Autor: Agustín Guillamón

ISBN: 979-13-87791-04-9

Formato: 14x21cm

Páginas: 213

Preço: 18,00€

descontrol.cat

agência de notícias anarquistas-ana

um tufo de algodão
flutuando na água
uma nuvem

Rogério Martins

[Irã] Manifesto do Primeiro de Maio

Publicamos o comunicado sobre o Primeiro de Maio divulgado em seus canais pela Frente Anarquista, uma rede de anarquistas originários do Irã e do Afeganistão, atuantes em seus países ou na diáspora.

Frente Anarquista

O Primeiro de Maio não é apenas uma comemoração histórica, mas o despertar de uma tradição viva de luta de classes, solidariedade internacional, repensamento da natureza do trabalho e busca da libertação da autoridade e do domínio do capitalismo, bem como de toda forma de Estado e parlamento. Para os trabalhadores, esta data é uma oportunidade para refletir sobre as formas de organização, o poder coletivo e horizontes alternativos para além da “ordem existente”.

O Primeiro de Maio é mais do que uma simples data simbólica; é uma ocasião para refletir sobre a vida cotidiana de milhões de trabalhadores que vivem sob a pressão da inflação, da precarização do trabalho e das restrições à liberdade de organização. A questão não diz respeito apenas a “aumentos salariais”, mas a pergunta central é: quem decide sobre o trabalho, a produção e a vida?

O mundo atual é caracterizado por múltiplas crises crônicas, incluindo a falta de liberdade, igualdade e justiça, a instabilidade trabalhista, a degradação ambiental, a guerra, o autoritarismo e o domínio crescente.

O capitalismo contemporâneo, baseado na financeirização, na fragmentação do trabalho e nas cadeias globais de suprimento, consolidou novas formas de exploração. O “trabalho” tornou-se cada vez mais fragmentado, precário e instável, enquanto o controle e a vigilância sobre os trabalhadores se intensificaram.

Nessas condições, os sindicatos burocráticos, juntamente com as instituições hierárquicas e representativas, frequentemente não conseguem responder às reais necessidades e interesses da classe trabalhadora. Muitas dessas instituições foram integradas às estruturas do capitalismo de Estado ou se contentam com negociações limitadas à ordem estabelecida.

O anarquismo sustenta que a libertação dos trabalhadores do jugo do capitalismo não se realiza por meio da representação parlamentar, mas sim através da auto-organização horizontal e da democracia direta. Conselhos, assembleias gerais e sindicatos independentes só podem se tornar forças reais quando emergem de baixo para cima, são responsáveis por suas próprias ações e livres de toda forma de hierarquia e burocracia.

Nas últimas décadas, a globalização do capital, juntamente com a privatização, a desregulamentação e a flexibilização do mercado de trabalho, levou a uma crescente insegurança trabalhista e ao enfraquecimento das organizações de trabalhadores. O trabalho precário, baseado em plataformas e informal, tornou-se a norma, e as divisões de classe se acentuaram em muitos países. Esses processos não são “desvios”, mas o funcionamento natural do sistema, no qual o lucro tem prioridade sobre o bem-estar geral.

Ao contrário das perspectivas reformistas que veem o Estado como uma força reguladora e protetora para os trabalhadores, o anarquismo considera o Estado uma instituição que, em última análise, mantém a ordem capitalista, mesmo quando se expressa em termos de bem-estar social. As leis trabalhistas, os salários mínimos e os seguros podem ser uma ajuda no curto prazo, mas frequentemente operam dentro de estruturas que reproduzem a própria desigualdade.

No Irã, os trabalhadores enfrentam uma combinação de crises estruturais e repressão política: inflação crônica, salários abaixo da linha da pobreza, privatizações dirigidas, trabalho precário e severas restrições à organização livre e independente. Qualquer tentativa de formar sindicatos ou organizar greves esbarra nas forças de segurança e no poder judiciário, além de uma repressão dura e brutal.

Apesar disso, nos últimos anos emergiram várias formas de resistência operária, como greves entre operários industriais, protestos de motoristas, enfermeiros, professores e aposentados. Além disso, formaram-se redes de solidariedade e ajuda mútua entre trabalhadores, mulheres, comunidades étnicas, grupos ambientalistas, estudantes, pessoas LGBTQ+ e outros. Esses movimentos, embora fragmentados e sob pressão, demonstram que possibilidades de auto-organização e autogestão estão gradualmente surgindo nas fissuras da atual ordem opressiva.

Nessa tradição, as greves, especialmente as gerais, não são apenas instrumentos de reivindicação, mas exercícios de autogestão social. Através da luta, os trabalhadores aprendem a organizar coletivamente a produção e a reprodução da vida – uma capacidade que pode lançar as bases para uma nova ordem social libertária.

Experiências dispersas de conselhos operários, cooperativas autogeridas e iniciativas de ajuda mútua local em todo o mundo, incluindo o Irã, demonstram que existem oportunidades reais de organização horizontal mesmo em condições difíceis.

A proliferação de contratos de trabalho temporário e de empresas terceirizadas colocou os trabalhadores em uma situação em que, de fato, carecem de segurança no emprego e de poder de barganha. Em setores como petroquímico, construção de estradas e serviços municipais, os trabalhadores terceirizados enfrentam atrasos no pagamento de salários, jornadas exaustivas e ausência total de proteções. Isso não é um defeito, mas sim um instrumento de controle e enfraquecimento da organização.

Exemplos como o complexo açucareiro de Haft Tappeh, no Irã, e algumas unidades industrializadas privatizadas mostram que a privatização, na prática, leva a cortes salariais, atrasos nos pagamentos e redução da produção. Em resposta, os trabalhadores organizaram protestos, greves e até propuseram ideias de “gestão por conselhos” para retomar o controle de uma gestão ineficiente e interessada apenas no lucro.

Encontramo-nos agora, sob muitos aspectos, em um momento histórico delicado, mas a luta de classes entre trabalhadores e capitalistas nunca parou. Nessa perspectiva, comemorar o Primeiro de Maio adquire significado se vinculado a uma ampla ação coletiva por meio da realização de assembleias gerais, da apresentação de reivindicações comuns, da criação de fundos de apoio mútuo e do fortalecimento de redes horizontais.

Nesse contexto, a abordagem anarcossindicalista, em vez de confiar no Estado, no parlamento, nos partidos políticos ou nas elites, enfatiza a auto-organização:

•              conselhos de local de trabalho e comunitários como unidades decisórias horizontais;

•              controle dos trabalhadores sobre a produção em vez do controle burocrático ou estatal-privado;

•              redes cooperativas de ajuda mútua para reduzir a dependência do mercado e do Estado;

•              greves e ação direta como meio de pressão a partir da base.

O objetivo não é apenas “reformar” as condições de trabalho, mas transformar as relações sociais relativas à produção e ao poder. A libertação dos trabalhadores não ocorre por meio das promessas do Estado e do Parlamento, mas sim através da auto-organização horizontal (sem qualquer hierarquia) e da reapropriação do controle sobre suas próprias vidas.

O Primeiro de Maio no Irã nos lembra ainda que os trabalhadores não enfrentam apenas uma crise de meios de subsistência, mas também limitações na definição de suas próprias condições de trabalho. Ao mesmo tempo, das greves, redes informais e práticas de solidariedade, podemos ver sinais da possibilidade de organização horizontal e autogestão. Permanece, porém, a pergunta principal: como essas experiências podem ser transformadas de reações temporárias e limitadas em estruturas amplas e sustentáveis para a gestão coletiva do trabalho e da vida?

Vida longa à solidariedade mundial dos trabalhadores!
Vida longa ao anarquismo!
Não ao Mula! Não ao Xá! Não à guerra!
Mulher-Vida-Liberdade!

Maio de 2026

Tradução > Liberto

Fonte: https://umanitanova.org/iran-manifesto-del-primo-maggio/

agência de notícias anarquistas-ana

Nas águas do mar
Águas-vivas flutuam
Tranqüilamente…

Miranda

Libertários Negros: Os Irmãos Fettermann

Por Carlos Ferreira de Araújo Junior
 
Os irmãos Waldomiro, Cristiano e Djalma Fettermann nasceram no Rio Grande do Sul, no final do século 19. Os três eram filhos de um sapateiro alemão e uma negra brasileira filha de escravizados. Apesar da origem humilde, os irmãos conviveram desde a infância com os idiomas alemão e o português.
 
Os três foram ativos militantes libertários da capital gaúcha nas duas primeiras décadas do século 20. Os irmãos Fettermann eram operários que também se dedicaram ao jornalismo e a educação. Eles se tornaram anarquistas ainda no século 19. A primeira influência dos irmãos foi o anarquista Proudhon. Sobre Waldomiro Fettermann existem poucas informações. Sabe-se que foi professor ou funcionário na Escola Moderna de Porto Alegre na década de 1910.
 
Sobre Cristiano Fettermann sabe-se que ele foi professor e tradutor de grego e de latim. Era o mais velho dos seus irmãos. Após a morte do pai, Cristiano passou a sustentar os irmãos com o dinheiro que ganhava das traduções que fazia. Foi professor e fundador da Escola Eliseu Reclus, em 1906, na capital gaúcha. Na escola dava aulas de francês, alemão e português. Na década de 1910, colaborou com textos anticlericais para o jornal O Exemplo (1911). Se formou em Direito em idade avançada, três anos antes de morrer.
 
Sobre Djalma Fettermann há um pouco mais de informações. Consta que nasceu em Porto Alegre, em 17 de junho de 1873 e morreu no Rio de Janeiro em 15 de julho de 1973. Foi operário ourives e metalúrgico. Bastante culto, dominava os idiomas francês, alemão, latim, espanhol e o grego. Casou-se com Dulcina Martins. Assim como o seu irmão Cristiano, Djalma Fettermann foi um dos fundadores da Escola Eliseu Reclus em 1906, onde também foi professor de francês, alemão e português entre 1909 e 1912. Fez parte do Grupo Libertário Solidariedade e foi dirigente da União Operária Internacional entre 1911 e 1912.
 
Djalma Fettermann foi escolhido como o representante da União Metalúrgica no Quarto Congresso Operário Brasileiro realizado no Rio de Janeiro, em 1912. Em 1915, ele foi um dos fundadores e professores da Escola Moderna, localizada na antiga Colônia Africana, bairro da capital gaúcha onde havia duas grandes comunidades étnicas: negros e judeus.  A escola chegou a ter cerca de 400 alunos matriculados.  No ano seguinte, fundou com outros libertários gaúchos, a Sociedade Pró-Ensino Racionalista, onde também foi um dos dirigentes.
 
O professor Djalma também foi adepto da ação direta e da sabotagem. Na Greve de 1917, em Porto Alegre, juntamente com Zenão de Almeida e outros libertários, Djalma enfrentou a brigada policial e as ações dos fura-greves. Com o auxílio de sua cunhada, Espertirina Martins, Djalma Fettermann foi um dos responsáveis pela fabricação e lançamento de bombas contra as brigadas policiais durante os conflitos nas vias da capital em 1917. Foi redator do jornal A Luta.
 
Anos depois Djalma Fettermann mudou-se para o Rio de Janeiro onde trabalhou na Empresa de Correios e Telégrafos. Na década de 1930, foi integrante da Aliança Nacional Libertadora (ALN). Morreu em 1973, no Rio de Janeiro, fiel aos princípios do anarquismo.
 
REFERÊNCIAS
 
MARÇAL, João Batista. Os anarquistas no Rio Grande do Sul. Ed. Unidade Editorial. 1995. Porto Alegre-RS.
KARLLOS, Jr. Brasil Negro Insurgente: socialistas e libertários negros e pardos na Primeira República. Ed. Monstro dos Mares. 2025.
 
Biografia do autor.
 
CARLOS FERREIRA DE ARAUJO JUNIOR – Historiador formado pela UEPB. Publicou dois livros: Renego – Grito Punk (2021), sobre o punk na Paraíba, e Brasil Negro Insurgente (2025), sobre libertários e socialistas negros no Brasil. Desde 2012, possui um canal acervo punk no youtube: ÔKO DO MUNDO! O autor também escreveu os seguintes cordéis e zines libertários/decoloniais: OBREIROS DA BORBOREMA, BRADO BRUTO, EXU MOLOTOV, PLUMA NEGRA, ZINE AUTÔNOMO TEMPORÁRIO (ZAT).
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
é só um instante:
o beija-flor no ar, sugando
flor de laranjeira
 
Otávio Coral

Antimundial México 2026

Enquanto o governo e as grandes empresas promovem a Copa do Mundo como uma “festa”, nas ruas cresce a indignação e a mobilização. Nos últimos meses, surgiram marchas, protestos, colagem de cartazes, shows e ações antimundial em diferentes partes do México, denunciando o que está por trás do espetáculo: gentrificação, deslocamento de comunidades, militarização, turismo predatório, exploração laboral e milhões gastos em estádios, enquanto pessoas continuam desaparecendo e a violência aumenta.
 
De bairros populares a coletivos estudantis, punks, anarquistas e organizações sociais, cada vez mais gente clama que o futebol não pode encobrir a realidade do país. Não queremos uma Copa manchada de sangue nem cidades transformadas em vitrines para empresários e políticos.
 
Nem FIFA, nem governo, nem empresários.
A rua não se vende.
MÉXICO 2026 = NEGÓCIO E REPRESSÃO
 
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O besouro rola
na bola de esterco
o tempo futuro.
 
Luiz Bacellar