[Porto Alegre-RS] 13/06 – Além das Fronteiras: Construindo Uma Vizinhança Internacionalista Revolucionária

No sábado, dia 13 de junho, nos conectaremos por vídeoconferência com companheirys da cooperativa 400 Voces, na Cidade do México (território ocupado pelo Estado mexicano), do Espacio Flora em Valparaíso (território ocupado pelo Estado chileno) e da Kasa Invisível, em Belo Horizonte (MG), com o intuito de aproximar e fomentar a cooperação internacionalista. Essa atividade é uma resposta ao chamado da rede Os Povos Querem e visa arrecadar fundos para o fortalecimento de espaços na Síria e Uganda.
 
Essa atividade será em Espanhol sem tradução.
 
Assista o chamado de Os Povos Querem:
 
https://kolektiva.media/w/ve7DvdEY5daQw37cQQYG1D
 
Sábado, 13 de junho. Abertura do Esp(a)ço, 18h. Início da atividade às 18h30h.
 
Lembramos que o Esp(a)ço não possui apoio de empresas ou governos e contamos com o apoio da comunidade para continuarmos de portas abertas. Para saber como apoiar, clique aqui (https://espaco.noblogs.org/apoie/).
 
Atenção: Para garantir o conforto e segurança de todas as pessoas presentes, pedimos que se você possuir histórico ou denúncia por reproduzir comportamento abusivo ou opressivo, assédio, abuso ou outro tipo de violência, por favor, entre em contato conosco pelo nosso e-mail ou redes sociais antes de comparecer. Não fazer isso é não se responsabilizar por suas ações e será solicitado que se retire.
 
espaco.noblogs.org
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
gota na água
faz um furinho como
prego na tábua
 
Carlos Seabra

O homem que matou o apartheid.

Por Carlos Ferreira de Araujo JR.

Dimitri Tsafendas foi um ativista anarquista/comunista nascido em 1918, na cidade de Lourenço MarquesMoçambique, de ascendência grega e moçambicana.  Tsafendas entrou para história por ter assassinado o primeiro-ministro da África do Sul H.F. Verwoerd, em 6 de setembro de 1966. Dimitri Tsafendas esfaqueou H.F. Verwoerd até a morte, em plena sessão ordinária na câmara legislativa da Cidade do Cabo.

Tsafendas era filho do anarquista grego Michalis Tsafandakis e de Amélia Williams, negra moçambicana. Desde cedo Dimitri Tsafendas se interessou por política. Durante a sua intensa vida, Dimitri Tsavendas aprendeu várias línguas: português, inglês, grego, turco, africâner. Aos 16 anos já havia sido demitido de vários empregos por conta de suas posturas políticas libertárias e comunistas. Morou alguns meses na Etiópia. 

Em Portugal Moçambique, Tsafendas foi vigiado pela PIDE, polícia fascista portuguesa. Na década de 1940, entrou ilegal na África do Sul e se filiou ao Partido Comunista. De alguma forma conseguiu ingressar na Marinha americana e foi enviado para a Segunda Guerra Mundial. Com o fim da Guerra, ele foi deportado dos Estados Unidos para a Grécia. No país do seu pai, Tsafendas lutou na Guerra Civil Grega ao lado do Exército Democrático.

Com o fim do conflito, Dimitri Tsafendas foi para Portugal onde foi preso por 9 meses. Ao ser solto, Tsafendas se mudou para a Turquia. Depois foi para a Grécia onde aprendeu a fabricar bombas com os partisans gregos. Da Grécia foi para a Turquia onde se tornou professor de inglês.

Na década de 1960, Tsafendas convenceu o governo de Portugal de que não era mais um comunista. Em 1963, volta para Moçambique, mas em 1964 é preso em um comício anticolonialista e pró independência. Ao abrir uma das malas que Tsafendas carregava, a PIDE portuguesa encontrou bíblias, mas também diversos livros anticolonialistas e subverisovs. As autoridades chegaram à conclusão de que Tsafendas se fingia de missionário para propagar ideias subversivas e anticolonialistas. Porém, Tsafendas insistiu na versão de quer era um apóstolo de Cristo. Os médicos acreditaram na sanidade do militante deram alta para o militante. Tsafendas se mudou para a África do Sul por volta de 1965.

Assassinato do Primeiro-Ministro

Dia 6 de setembro de 1966. Parlamento da Cidade do Cabo, África do Sul. Naquela tarde, H.F. Verwoerd, o poderoso Primeiro-Ministro da África do Sul, o Grande Arquiteto do Apartheid, estava sentado em sua cadeira oficial, conversando tranquilamente com seus pares, igualmente racistas e tagarelas como ele, quando Dimitri Tsafendas, àquela época um funcionário oficial do parlamento, um burocrata de segunda categoria aos olhos daqueles senhores, entra rapidamente no local, se dirige ao primeiro-ministro, saca um enorme punhal e desfere profundos golpes contra o peito e o pescoço de Verwoerd que morre minutos depois, afogado no próprio sangue.

Tsafendas foi imediatamente detido. Ali mesmo foi brutalmente espancado por seguranças e parlamentares. Minutos depois, Tsafendas foi levado ao hospital e depois a prisão. A um jornalista revelou o motivo do ato extremado: vermes que habitavam o interior do seu estômago. Para muitos, a declaração bizarra de Tsafendas era uma nítida estratégia de forjar uma insanidade mental e talvez escapar da prisão. Tempos depois, Tsafendas apresentaria um motivo bem menos delirante: matar o ministro anteciparia o fim do Apartheid.

Dimitri Tsafendas foi preso e conduzido para a prisão da Ilha Robens. Com o fim do Apartheid, em 1994, Tsafendas foi transferido para um hospital Psiquiátrico. Em 1999, a cineasta sul africana Lisa Key gravou um documentário chamado Question of Madness com duas entrevistas cedidas por Dimitri Tsafendas. No filme, a cineasta defende que o militante assassinou o ministro por um motivo político, não por insanidade.

Dimitri Tsafendas, o comunista, libertário, antirracista, poliglota e anticolonialista que matou o arquiteto do Apartheid morreu em 1999, aos 81 anos.

REFERÊNCIAS

Tsafendas was not insane. He killed Verwoerd for political reasons: author”. TimesLIVE. 9 November 2018. Retrieved 24 November 2025.

Kenney, Henry (2016). Verwoerd: Architect of Apartheid. Jonathan Ball Publishers. ISBN 978-1-86842-716-1.

Barberá, Marcel Gascón (18 January 2019). “Mad Man? The Greek Who Killed Apartheid’s Architect”. Balkan Insight. Retrieved 13 January 2022.

CARLOS FERREIRA DE ARAUJO JUNIOR – Historiador formado pela UEPB. Publicou dois livros: Renego – Grito Punk (2021), sobre o punk na Paraíba, e Brasil Negro Insurgente (2025), sobre libertários e socialistas negros no Brasil. Desde 2012, possui um canal acervo punk no youtube: ÔKO DO MUNDO! O autor também escreveu os seguintes cordéis e zines libertários/decoloniais: OBREIROS DA BORBOREMA, BRADO BRUTO, EXU MOLOTOV, PLUMA NEGRA, ZINE AUTÔNOMO TEMPORÁRIO (ZAT).

agência de notícias anarquistas-ana

grama nos trilhos
composições mudas
sem estribilhos

Carlos Seabra

[EUA] Lançamento: “Cartão Vermelho – A Copa do Mundo de 2026, o Sportswashing e a Máquina de Ganância da FIFA”, de Jules Boykoff

A Copa do Mundo chegou, mas que função um torneio global desempenha em um Estado policial cada vez mais beligerante, com Donald Trump no comando?

Publicado às vésperas da Copa do Mundo de futebol sediada pelos Estados Unidos, México e Canadá, este panfleto conciso e contundente oferece uma análise crítica do lado sombrio do chamado “jogo bonito” em seu momento mais emblemático.

No centro desta análise do renomado jornalista esportivo e pesquisador Jules Boykoff, que também jogou futebol profissionalmente, está o conceito de sportswashing, prática pela qual líderes políticos utilizam o esporte para estimular o nacionalismo e legitimar a si próprios no cenário mundial, desviando a atenção de problemas crônicos em seus países. Entra em cena o recém-condecorado com o novo Prêmio da Paz da FIFA, Donald J. Trump, uma figura sem rivais quando se trata de extrair cada gota possível de riqueza pessoal e prestígio da realização do torneio. Nessa tarefa, ele conta com a eficiente colaboração de uma entidade máxima do futebol mundial marcada pelo clientelismo e pela corrupção.

Nestas páginas, Boykoff demonstra que é possível, ao mesmo tempo, admirar a habilidade e o atletismo exibidos em campo e lamentar sua exploração por agentes de poder para os quais o amor pelo esporte não significa nada diante da oportunidade de lucrar ou acumular prestígio. E, como Cartão Vermelho mostra de forma habilidosa, esse truque não se limita ao futebol. Exatamente o mesmo expediente será utilizado para distrair a opinião pública e enriquecer determinados interesses quando os Jogos Olímpicos chegarem a Los Angeles daqui a dois anos.

Elogios

Arranca o curativo que encobre a realpolitik tóxica do futebol global.” – Christopher Gaffney

Precisamos urgentemente de escritores e pensadores como Boykoff para nos incentivar a recuperar o esporte do povo para as comunidades que ele deveria servir.” – Nick McGeehan

Leitura essencial para qualquer pessoa que realmente ame o jogo bonito e acredite nos verdadeiros valores do esporte: integridade, inclusão e direitos humanos.” – Andrea Florence

O novo livro de Jules Boykoff é leitura indispensável para quem deseja compreender a degradação gradual do futebol internacional e como recuperar a beleza presente no esporte.” – Karim Zidan

Ninguém está mais preparado do que Boykoff para examinar a Copa do Mundo da FIFA… Ele a crítica com nuance, inteligência e vigor… leitura obrigatória para qualquer pessoa interessada em futebol, transparência e verdade.” – Shireen Ahmed

É tão erudito quanto sincero. A crítica contundente de Boykoff não deixa o leitor derrotado, mas esperançoso de que possamos devolver vida ao futebol.” – Brenda Elsey

Red Card

The 2026 World Cup, Sportswashing, and the FIFA Greed Machine

JULES BOYKOFF

Capa comum (paperback)

120 páginas

ISBN: 9781682195284

Editora: OR Books (09/06/2026)

Dimensões: 5 x 0,5 x 7 polegadas

Preço: US$ 17,95

orbooks.com

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Frio leve de outono…
A passarada se recolhe
antes do pôr-do-sol!

Irene Fuke

O negacionismo ambiental do governo Lula e da esquerda da ordem é sutil, mas é negacionismo e serve à ilusão de um capitalismo verde.

Por Renato Athayde Silva | 06/06/2026
 
Não adianta fazer discurso bonito enquanto o modelo de “desenvolvimento” do país segue fazendo avançar o colapso ambiental.
 
As perspectivas para a questão ambiental no Brasil são mais do que alarmantes.
 
1- Relações internacionais voltadas para expandir a venda de soja, gado e minério. Acordos com a UE e a China, por exemplo.
 
2- Novos poços de petróleo, inclusive na Amazônia.
 
3- Política trilionária de financiamento do latifúndio através do Plano Safra, Lei Kandir etc.
 
4- Investimentos em infraestruturas para exportação de commodities e produção de energia:
 
a. Pavimentação de rodovias no coração da Amazônia, com destaque para a BR-319.
b. Construção de hidrovias e ferrovias.
c. Novas hidrelétricas na Amazônia.
d. Expansão de outras formas predatórias de exploração de energias não fósseis como as “fazendas” eólicas e solares.
 
5- Liberação indiscriminada de agrotóxicos.
 
6- Proliferação de datacenters.
 
7- Aumento da mineração de terra raras.
 
Os governos brasileiros são reféns da nossa condição de economia periférica do capitalismo e nossa história de fornecedora de commodities para os países ricos.
 
O governo Lula pratica o negacionismo sutil. Finge que não é negacionista, mas mantém a política de desenvolvimento que nos aproxima cada vez mais do colapso.
 
Produzir menos. Produzir diferente. Dividir melhor.
 
Conteúdos relacionados:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/05/07/lula-ninguem-nesse-pais-tem-mais-responsabilidade-climatica-do-que-eu/
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/06/20/lula-defende-exploracao-de-petroleo-na-foz-do-rio-amazonas-o-pais-nao-pode-deixar-de-ganhar-dinheiro-com-esse-petroleo/
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/04/22/governo-lula-planeja-nova-politica-de-mineracao-para-forcar-exploracao-de-minas/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
tu conheces pelo coração
a gramática do meu corpo
e seu dicionário
 
Lisa Carducci

Manifesto da Contra Parada Kuir

Entramos em mais um Mês do Orgulho LGBT, e já sabemos o que esperar: corporações desprezíveis colocando logos com as cores do arco-íris em suas redes sociais e usando nossas vidas e corpos para vender produtos e limpar suas imagens imundas, partidos, lideranças e polítiques se promovendo em cima de nossas lutas.

Quem somos?

Não somos conformadys com um sistema que nos aniquila. Não somos assimiladys e nem temos interesse em nos assimilar à norma. Nos recusamos a acreditar no “orgulho”. Nos recusamos a acreditar num orgulho que convive pacificamente num sistema que se sustenta através da morte da diferença.

Quem somos nós se não pessoas em um mundo que quer normatizar tudo? Somos animalizadys, monstrificadys, criadys em uma realidade cada vez mais hostil à nossa existência. 

Somos transviadys cuirs e cada vez mais forçadys a nos assimilar a um sistema hostil. É inegável o cinismo das pessoas que causam nossa marginalização e que fazem, no Mês do Orgulho, grandes discursos e demonstrações de um suposto apoio, enquanto direta ou indiretamente contribuem para nossa destruição.

Entramos em mais um Mês do Orgulho LGBT, e já sabemos o que esperar: corporações desprezíveis colocando logos com as cores do arco-íris em suas redes sociais e usando nossas vidas e corpos para vender produtos e limpar suas imagens imundas, partidos, lideranças e polítiques se promovendo em cima de nossas lutas.

Veremos discussões sobre “inclusão”, “respeito” e “representatividade” e notícias com temática LGBT publicadas pelos mesmos portais que repercutem e promovem as narrativas dos grupos que querem nos eliminar. Veremos a palavra “representatividade” sendo repetida em discursos, panfletos e redes sociais, como se a representação e a visibilidade fossem nossa salvação.

Além disso, teremos ainda mais oportunismo eleitoreiro por estarmos em ano de eleições. A 30⁠ª parada do Orgulho LGBT de São Paulo – a maior do mundo atualmente – terá como tema “a rua convoca, a urna confirma”. Que mesmo assimilando-se perdeu 60% dos patrocinadores, mostrando o quanto isso funciona, restando, entre os principais patrocinadores Amstel e Phillip Morris: cerveja e cigarro para LGBTs!

É mais uma manobra para arrebanhar LGBTs para as urnas e eleger candidatys que seguirão reproduzindo a mesma política responsável pela violência que incide sobre corpos dissidentes de gênero e sexualidade, sobre corpos marginalizados, racializados e PCD. 

Como diria a anarquista e uma das pioneiras na luta em favor das pessoas kuirs e contra a heteronormatividade, Emma Goldman: “se votar mudasse alguma coisa, o voto seria proibido”.

Segundo nos ensina Audre Lorde, sabemos que não se pode destruir a casa-grande com as ferramentas do senhor. Mas, diariamente, vemos esse ensinamento ser ignorado pelos movimentos LGBTs. 

É possível combater a transfobia, o racismo, a exploração e o patriarcado usando as ferramentas que produzem essas violências? Usando as instituições do patriarcado: governos, polícias e prisões? De forma alguma.

A cooptação e pacificação dos movimentos e lutas têm acabado com sua combatividade e potencial subversivo e fortalecido as mesmas instituições e relações que nos violentam ao invés de nos fortalecer. Um exemplo claro disso é a aposta de movimentos LGBTs na criminalização de condutas como forma de combater violências, como vimos com a criminalização da homo/lesbo/transfobia. 

Outro exemplo é o modo como o feminismo hegemônico, que é um feminismo de Estado, segue esse caminho, ao apostar na criminalização da misoginia e de movimentos masculinistas para combater a crescente violência patriarcal. Ao mesmo tempo, pouco tem se falado de propostas para se fortalecer e apoiar dissidências de gênero. Nós defendemos que essa violência deve ser enfrentada sem que dependamos do poder do Estado. Quanta energia está sendo usada para construir redes para fortalecer a autonomia das mulheres em abortarem e revidarem contra seus agressores?  

Essa postura punitivista dependente do Estado e sua justiça assassina, racista e colonial como mediador de conflitos sociais, alimenta a ilusão de que devemos recorrer a ele para nos proteger dessas violências ao invés de nos organizarmos diretamente para combatê-las. Isso é domesticação.

As instituições do Estado que alegam nos proteger, são as mesmas que nos matam. Basta olhar para o que está acontecendo nos territórios roubados dos Estados Unidos: uma leve mudança nos ventos políticos é o suficiente para que se modifiquem as leis e inicie-se uma perseguição a pessoas transviades, criminalizando suas existências. E essa perseguição estatal já começa a acontecer por aqui, basta olhar para a nova lei de Natal, no Rio Grande do Norte, que proíbe a participação de menores de 12 anos em eventos LGBTQIA+.

Em um momento de ofensiva global de movimentos conservadores, reacionários e da extrema-direita que têm, entre seus alvos, mulheres e pessoas kuirs, essa domesticação deixa essas pessoas desarmadas e despreparadas para enfrentar essas ofensivas enquanto armamos o Estado para nos atacar a qualquer momento.

Ninguém vai nos defender se nós mesmys não revidarmos.

Em junho convocamos coletivos, associações, grupos de afinidade e individualidades libertárias a realizar suas próprias ações contra a política da representação, a política partidária, estatal e capitalista e a extrema-direita. Não somos mercadorias, não somos negociáveis, não somos moeda de troca, não votamos e nos recusamos a ser governadys.

Em São Paulo, neste dia 07 de junho nos juntamos na estação Brigadeiro às 13h.

Assinam este Manifesto:

Acervo Digital Trans-Anarquista, Revolta Anarkokuir, CATs, Fúria Queer, Coletivo Antiordem, Antimídia.

transanarquismo.noblogs.org

agência de notícias anarquistas-ana

No grande jardim
Muitas flores plantadas
Lembram a mamãe.

Maria Aline Ferreira Dos Santos, 13 anos

Lançamento: “Anarquia é ordem” de Cássio Brancaleone

É com grande felicidade que nós, da Editora Terra Sem Amos, lançamos a obra “Anarquia é ordem: reflexões contemporâneas sobre teoria política e anarquismo“, escrita pelo sociólogo e professor Cassio Brancaleone, uma contribuição importante para o debate contemporâneo sobre anarquismo a nível nacional e mundial.

Partindo da crítica à exclusão histórica do pensamento libertário dos debates acadêmicos e políticos, o livro apresenta o anarquismo como uma tradição intelectual e prática capaz de oferecer respostas aos dilemas do presente. Ao dialogar com autores clássicos e contemporâneos, Brancaleone explora temas como autogoverno, autogestão, federalismo, ação direta e autonomia, demonstrando a atualidade das ideias anarquistas diante das crises políticas e sociais do século XXI.

A obra é, assim, um convite a repensar conceitos estruturantes como ordem, democracia, poder e organização social, mostrando que “anarquia” não significa caos, mas a construção coletiva de formas livres e solidárias de convivência.

O livro tem o valor de R$30,00 e frete grátis para todo o país. Em pré-venda, acompanha o pôster “Anarquia é ordem”. Encomende agora em tiny.cc/tsaeditora!

agência de notícias anarquistas-ana

Um reflexo roxo
no céu todo poluído –
Paineira florida

Sergio Dal Maso

[Chile] Múltiplas mobilizações estudantis diante de medidas antieducativas de Kast e militarização das salas de aula

Por La Zarzamora | 05/06/2026

No dia 3 de junho passado, ocorreram multitudinárias marchas estudantis nas diferentes regiões do território ocupado pelo Chile, em resposta às últimas medidas antieducativas do governo; por um lado, o projeto da megarreforma, que atualmente tramita no Senado e implica uma série de cortes econômicos que incluem o sistema educacional, e por outro, a militarização dos estabelecimentos educacionais, com um aumento progressivo do que inicialmente foi conhecido como “Aula Segura” e que hoje se agrava na iniciativa legal “Escola Protegida”.

Nas regiões, especificamente em Concepción, a convocação foi amplamente atendida por estudantes do ensino básico, médio e universitário, assim como por estudantes dos diferentes Lares Mapuche, que se manifestaram igualmente pela liberdade dos presos políticos e contra a reforma da Lei Indígena anunciada por Kast na prestação de contas pública, que pretende eliminar as poucas salvaguardas que existem para proteger as terras ancestrais da usurpação estatal e privada.

Em Santiago, as forças repressivas agiram com sua habitual covardia, reprimindo a multidão e deixando uma estudante de Direito da Universidade do Chile com múltiplas fraturas no rosto, que precisará ser submetida a cirurgia.

Cortes e Militarização

Cabe lembrar que os cortes na educação incluiriam: o PAE (Programa de Alimentação Escolar), o Fundo de Apoio à Educação Pública, o Programa de Acompanhamento de Acesso ao Ensino Superior, entre outras bolsas e benefícios.

Por outro lado, a Escola Protegida, iniciativa já despachada pelo Congresso, implica uma série de medidas que transgridem profundamente a comunidade escolar, focando antipedagogicamente na criminalização de infâncias e adolescências, permitindo violações como: revista e verificação de mochilas, medidas disciplinares que impedem elementos que protegem a segurança facial (ocultamento do rosto), a eliminação da gratuidade por 5 anos para estudantes que forem condenados por crimes de ataques à integridade física, uso de armas ou danos graves à infraestrutura, sanções diretas para quem liderar ou participar na paralisação total ou parcial das aulas, entre outras.

É necessário mencionar como antecedente que a intervenção policial nas escolas vem sendo executada há décadas no Chile, desde que foi promulgada a Lei Aula Segura (Lei 21.128) no ano de 2018 durante o governo de Piñera e que os protocolos de “segurança” das escolas incluem a entrada das forças repressivas nos estabelecimentos e a detenção de estudantes, ações que, disfarçadas como “protocolos de segurança”, são praticadas com a cumplicidade das equipes de gestão escolar das escolas, incluindo professores, UTP, diretores, entre outros.

As medidas, que são apresentadas à opinião pública como a solução para um problema de segurança, têm como um de seus principais objetivos coibir a organização e a protesto estudantil, criminalizando os estudantes e facilitando seu processamento legal, com a cumplicidade da estrutura educacional.

Em um sistema educacional sempre deficiente, de má qualidade e historicamente servil ao empresariado e à produtividade do país, as medidas do poder significam um grande retrocesso na luta estudantil das últimas décadas.

A escola nas mãos do poder empresarial ou estatal é violada em sua essência, impedindo relações saudáveis de aprendizagem e adestrando os estudantes, para criar seres mergulhados na ignorância e fáceis de controlar.

Professor, Professora consciente, em qual corrente pedagógica te ensinaram a ser cúmplice do abuso de poder? Em qual disciplina te ensinaram a dar aulas na presença policial? São perguntas que fazemos, quando testemunhamos o longo silêncio da comunidade educativa diante de um crescente modelo repressivo que se agrava.

Por uma educação autônoma e integral, tomemos a educação em nossas mãos.

Fonte: https://lazarzamora.cl/multiples-movilizaciones-estudiantiles-ante-medidas-antieducativas-de-kast-y-militarizacion-de-las-aulas/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Mesmo sendo míope
vejo crateras e sombras.
Lua desta noite.

Danita Cotrim

Bolívia: na encruzilhada da insurreição e da contrarrevolução

GUERRA SOCIAL NO ALTIPLANO

Os protestos na Bolívia se intensificaram nas últimas semanas. A normalidade e a paz social eternamente almejadas pelos capitalistas está rompida. Dezenas de bloqueios de estradas em rotas estratégicas que conectam La Paz a Cochabamba, Oruro e as passagens de fronteira com Chile e Peru multiplicam-se sem cessar, apesar da atroz repressão de policiais, bandos militares e capangas pagos, aos quais o proletariado respondeu com genuína violência organizada de classe.

A sociedade da mercadoria, por meio de seus chacais porta-vozes e abutres jornalistas, apressa-se a vomitar suas ideologias e ódio racial contra os insurgentes. Primeiro acusando os rebeldes, todos em bloco, de serem partidários de Evo Morales (manipulados pelos resquícios da ideologia MASista), ocultando o fato de que esta jornada de luta de rua não é por um personagem obsoleto, mas a resposta da classe trabalhadora às condições miseráveis de subsistência e às políticas de fome dos fantoches de plantão que buscam acelerar o saque de recursos (água, lítio, terras, minerais) e impor mais medidas de austeridade.

Enquanto isso, organizações que giram em torno da Central Operária Boliviana (COB), setores mineiros, camponeses e agrupamentos indígenas endureceram os protestos e começaram a exigir a renúncia do presidente Rodrigo Paz. Os “dirigentes sociais” (ou melhor, burocratas apaga-fogo) denunciaram uma crescente “traição do Governo para com as bases populares” e rejeitaram as convocações oficiais ao diálogo. Mas para nós, anarquistas-comunistas, toda essa queixa é uma patranha; não existe tal traição, pois é a ação natural da burguesia impondo sua vontade para assegurar a continuidade da dominação do Capital.

As organizações sindicais, longe de serem uma arma de luta contra o capital, são uma ferramenta perfeitamente integrada ao sistema, que servem como mediadoras e conciliadoras entre a classe dirigente e os explorados, para regular o preço da força de trabalho e impedir que a classe trabalhadora se constitua como força revolucionária. Outra de suas características nauseabundas é que cumprem a função de enquadrar a força massiva da classe em interesses setoriais, contribuindo para o divisionismo e a fragmentação da luta, fomentando a ilusão de que cada setor laboral, raça, etnia possui interesses particulares descolados do resto.

Assim como ocorreu recentemente no Equador com a CONAIE (Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador), que só serviu para desgastar, emperrar e liquidar as mobilizações, as grandes organizações burocráticas “de vanguarda” encarregadas das negociações (haverá algo a negociar com nossos inimigos de classe?) tentam levar novamente a classe trabalhadora ao desfiladeiro das ilusões democráticas burguesas, para que tudo continue igual ou pior do que antes.

O governo do pateta Rodrigo Paz apressou-se a negociar acordos para dividir o movimento, com concessões a alguns dos setores mobilizados. Negociou com as cooperativas, anulando uma dívida de 95 milhões de bolivianos com a Caixa Nacional de Saúde e mantendo o subsídio ao combustível. Também negociou com o magistério e com a COB de El Alto, e assinou um acordo com os dirigentes dos “ponchos vermelhos” de La Paz. Esses setores foram se retirando aos poucos do conflito. Ficou evidente que algumas das bases repudiaram seus líderes por terem assinado.

Permitimo-nos citar um fragmento de um texto que circula na web, que exemplifica e contribui para o mencionado (embora não compartilhemos sua perspectiva de “democracia operária”), demonstrando como essas máfias de “profissionais das lutas e das mobilizações” são as verdadeiras coveiras de toda tentativa revolucionária:

Enquanto no dia 30 de maio, Assembleias Gerais auto-organizadas como a de Patacamaya, com a participação de representantes das 77 comunidades da província de Aroma, decidiram, assim como em todo o país, rejeitar qualquer diálogo com o governo, exigir sua renúncia e manter bloqueios por tempo indeterminado, radicalizando a mobilização — com 93 bloqueios hoje, contra 60 há dois dias —, a direção da COB, a principal federação sindical, mais uma vez se esquiva de sua responsabilidade e adia — sob o pretexto da segurança — a Assembleia Geral Nacional, onde se deveria tomar uma decisão hoje: negociar com o governo ou continuar a luta até sua queda. E na tentativa de impedir esta Assembleia, a direção da COB não fixou data para a próxima.

A postura da direção da COB é clara para todos.

Numerosos comitês auto-organizados haviam convocado a participar desta Assembleia para decidir sobre a continuação da luta pela derrubada do governo, e era certo que obteriam a maioria, arrastando consigo as bases da COB. Isso teria efetivamente transformado esta assembleia aberta da COB numa direção nacional auto-organizada para a luta pela derrubada do governo. A direção da COB demonstrou hoje que não deseja derrubar o governo e, portanto, não quer que o atual movimento insurrecional pertença àqueles que o lideram.

Muitos consideram isso uma traição.

Ao mesmo tempo, isso não surpreende muitos, dado que a COB já havia traído a primeira fase do movimento em dezembro/janeiro de 2026, e acima de tudo, não desanima ninguém porque os comitês auto-organizados já haviam alertado amplamente sobre o que provavelmente aconteceria.

Isso não destruirá o movimento. Simplesmente incentivará os comitês auto-organizados a estabelecerem por si mesmos a direção democrática nacional SIC! da qual o movimento carece e que poderia ter se reunido hoje. [1]

Assim age a esquerda, o sindicalismo e o cidadanismo. Hoje te levam à greve, mas antes ou durante o processo já te venderam aos vorazes conglomerados empresariais e suas famílias políticas.

Enquanto se permanecer preso à narrativa de que esta luta é pela defesa da democracia e da soberania contra o avanço da extrema direita e do fascismo, estaremos condenados a que a luta transcorra sem perturbar as estruturas do sistema capitalista, transitando por simples substituições governamentais onde a burguesia nacionalista prepara o terreno para a chegada de burguesias excêntricas com menos escrúpulos (os Mileis, os Noboas, os Bukeles, os Trumps).

A Bolívia possui uma grande tradição de combatividade no terreno da luta de classes (desde a insurreição operária de 1952 até as guerras da água de 2000 e do gás em 2003). Esta jornada de luta foi possível graças à existência de uma comunidade de luta (perspectiva de coletividade, redes de apoio, assembleias, grupos de logística); e fica claro que, embora a massividade de um movimento não o torne invulnerável, sem uma base social que se lance à luta e se apoie mutuamente, a paz social do capitalismo se imporá de maneira mais violenta, ainda que o proletariado se encontre em situação de precariedade e miséria extrema (veja-se o caso da Argentina).

E DEPOIS DA INSURREIÇÃO?

Por outro lado, cabe esclarecer que hoje a situação de insurreição proletária na Bolívia não surge num contexto de revolução mundial, mas pelo contrário, ocorre num vórtice de contrarrevolução onde a burguesia se mostra desesperada em sua corrida de acumulação de capital — acelerando a guerra, o ecocídio e o controle tecnológico —. A ação dos blocos burgueses que representam os novos fascismos e as novas direitas tende a acelerar as contradições de classe, mas isso não significa que automaticamente nossa classe responda com eloquência e contundência aos ataques do capitalismo. Fica claro que não se pode deixar tudo à espontaneidade.

Se a batuta da luta é conduzida pela reformista Central Operária Boliviana (COB), após a decadência do MAS, é porque, de fato, as condições não amadureceram o suficiente para fazer contrapeso e levar adiante uma insurreição generalizada que vá além dos limites da pusilânime democracia e da esquerda. No entanto, superar isso não é algo que dependa especificamente da mera vontade de uns indivíduos ou de uma organização, mas só pode ser produto de balanços e rupturas dentro do próprio desenvolvimento da luta.

Duas décadas de revoltas em todo o mundo confirmam mais uma vez que lutar sob as bandeiras dos setores da esquerda reformista e progressista é condenar-nos à estagnação e a duros golpes que quebram a moral coletiva do proletariado. Não é surpreendente que na Bolívia, embora exista neste momento uma comunidade de luta proletária com grande combatividade, existam limitações produto da confusão e da desídia, que abrigam o risco de levar a rebelião a um ponto morto.

Isso quer dizer que se deve permanecer imóvel e expectante “até que as condições estejam dadas”? Acreditamos que não. Embora saibamos que não estamos sequer numa fase “pré-revolucionária”, isso não é o fim do caminho, nem significa a conclusão da luta, nem muito menos nossa derrota definitiva.

Os fatos materiais evidenciam a luta proletária, não como deveria ser, mas como é: contraditória em meio ao caos e à revolta, com a inevitável interferência em seus começos de setores interclassistas e reformistas que buscarão tirar proveito da partida. Nunca surgirá em condições ideais e à nossa conveniência. É por isso que de nada serve isolar-nos em nome de uma pureza revolucionária. Como agitadores e revolucionários, devemos incentivar o transbordamento das próprias organizações que demonstraram ser obsoletas para estender a luta, não para “melhorá-las ou mudá-las por dentro”, mas para rompê-las, superá-las e criar nossos próprios organismos autônomos que respondam aos nossos interesses históricos de classe… até a revolução social.

É absurdo pensar que depois de décadas de esquartejamento do proletariado e suas estruturas de combate e luta radical (seja pela repressão ou cooptação), ele vá desenvolver da noite para o dia uma aglutinação para lançar-se ao assalto ao céu com um programa revolucionário na mão e a bandeira com a inscrição Omnia sunt communia. Não é assim que funciona a luta de classes. Não é que primeiro o proletariado “adquira consciência, se faça revolucionário e depois se lance à luta”, mas é no processo da luta (sempre convulso, complexo, cheio de contradições e erros) que ele desenvolve sua consciência e revela a perspectiva revolucionária, ou pelo menos, aí se tornam mais evidentes os limites oprobriosos do reformismo, forçando-o a repensar os métodos de luta.

Os setores que já estão imersos nas bases dessas organizações, que tenham percebido que delegar a luta só levará ao impasse, deverão atender essa problemática e se reagrupar para superar essa contradição.

O governo tem clara sua resposta: estado de sítio, lei da mordaça, repressão brutal e gatilho fácil para sufocar a revolta o mais breve possível. Apesar dos mortos, ainda não conseguiu e sua desesperação aumenta. Mas o que há do outro lado da barricada? Continuaremos abrigando a estúpida esperança de que outros governos progressistas ou o bloco chinês-russo-iraniano intervirão de fora para nos salvar? Todos os estados são inimigos do proletariado e, mais cedo ou mais tarde, nos esmagarão ou entregarão como butim a seus rivais. O proletariado não tem amigos entre a burguesia; conta apenas com suas próprias forças, memória histórica e métodos de luta.

O barril de pólvora continua junto ao pavio, as mobilizações continuam e as assembleias de bairro seguem fortes, mas não devemos nos confiar. Sabemos que um dos pontos fracos de toda revolta é que, se elas se prolongam, acumulam o peso do desgaste e do desespero sobre os sublevados. A escassez de produtos de primeira necessidade, medicamentos e insumos se agrava com os bloqueios e a falta de combustível, e isso é crucial para a continuidade da resistência proletária.

O que acontece na Bolívia deve trazer enormes lições ao nosso arsenal nesta guerra de classes. Ou avançamos para a abolição do capital, do dinheiro, do mercado, do Estado e das classes… ou prolongaremos nossa penúria sob este sistema.

Viva a revolta proletária na Bolívia!

Acima os que lutam!

Nem esquerda nem direita!

Morte ao Estado e ao capital!

Contra a contra — Junho de 2026

Notas

[1] Informação citada por Luttesinvisibles.

materialesxlaemancipacion.espivblogs.net

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

chegado para ver as flores,
sobre elas dormirei
sem sentir o tempo

Buson

Não olhe para a Lei Rouanet!

O meteoro do incentivo à cultura. E o que os trabalhadores da arte da cultura deveriam aprender com as lições catastróficas da dependência política do fomento.
 
Por Manoel J. de Souza Neto | 02/06/2026 
 
Após anos de pesquisas sobre o fomento à cultura no Brasil, coordenando estudos independentes e cooperando com o Observatório da Cultura do Brasil em análises sobre a Lei Aldir Blanc, o MinC, o CNPC e a Lei Rouanet, encerro este ciclo com a sensação de tarefa cumprida. Nosso objetivo sempre foi diferente do de muitos que apenas desejam atacar a arte ou captar recursos. Queríamos provocar reflexão sobre falhas na execução das políticas públicas e expor contradições que incentivassem melhorias nos mecanismos de fomento à cultura. Não imaginávamos que, apenas por observarmos o cenário com a lente do Observatório e identificarmos o objeto em queda e a catástrofe que poderia provocar, seríamos perseguidos e hostilizados por alertar a sociedade sobre a tragédia iminente. Descobrimos, de forma amarga, como grupos de interesse, parte da mídia e a política podem ser medíocres. Depois de anos de artigos, pesquisas e relatórios, o que revelamos sobre problemas na aplicação de recursos e ineficácia das políticas públicas tornou-se menos importante do que o objeto secundário da própria pesquisa, que são as razões pelas quais o cenário não muda. E elas passam pelas pressões de partidos, grandes empresas, atravessadores, máfias de editais e setores da mídia, somando-se à anti-cultura promovida por conservadores e ultraliberais que tentam desmontar os instrumentos de fomento. Ambos os lados carregam responsabilidade semelhante pela falência estrutural do financiamento à cultura no Brasil. Descobrimos isso porque tentaram silenciar estudos que poderiam ajudar a sociedade, revelando justamente as razões pelas quais nada muda, justamente os interesses excessivos de poucos grupos beneficiados. As pressões políticas e perseguições aos pesquisadores levaram membros do Observatório da Cultura do Brasil ao limite, resultando em queda de canais. Considerando que auditorias e autoridades confirmaram nossos estudos, o grupo se desfez e este tema está encerrado para nós, mas não antes de apresentarmos as provas e auditorias que encerram o caso.
 
>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:
 
https://passapalavra.info/2026/06/159286/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Relva da manhã
Orvalhos salpicados
Frescura no ar.
 
Luci Ikari

8 punhaladas CONTRA A DEMOCRACIA

A democracia é uma forma de GOVERNO, e, portanto, de dominação. Mais uma via da burguesia para administrar a exploração política, econômica e social da maioria da humanidade.

A democracia é o PARLAMENTARISMO, ferramenta de dominação da burguesia, que se legitima mediante o voto, a delegação e a representação.

A democracia é a LEI, instrumento que perpetua a ordem existente. Regula e castiga as consequências que o próprio capitalismo e o próprio Estado engendram.

A democracia é a PROPRIEDADE PRIVADA, eixo econômico, político e social. Uma minoria detentora dos meios de produção para explorar-nos, enriquecer-se e aproveitar nossa força de trabalho.

A democracia é o TRABALHO ASSALARIADO. A condenação e a obrigação de trabalhar para uma minoria em troca de um salário que permita sobreviver.

A democracia é a MERCADORIA. Tudo está submetido à lógica do mercado e do Capital, tudo se converte em objeto e tudo tem um Valor econômico.

A democracia é o CÁRCERE, instrumento para sequestrar, torturar, isolar e esconder as consequências que o próprio Sistema provoca.

A democracia é a POLÍCIA e as FORÇAS ARMADAS. Impõem mediante a tortura, o assassinato, a repressão e a guerra a Ordem do Capitalismo e dos Estados.

Contra o Estado e o Capital!

Pela Anarquia

agência de notícias anarquistas-ana

Deslizam, suaves
nas pétalas das gardênias
gotas de orvalho.

Kazue Yamada

ECHO, a biblioteca itinerante da Grécia

de Giulio D’Errico

As intermináveis esperas, sem nada para fazer, é quando o tédio, muitas vezes, retorna, segundo os imigrantes, forçados a viver, na Grécia, em campos de refugiados por meses ou até anos. Seja esperando a resposta do pedido de asilo, esperando chegarem os documentos necessários para sair, ou pela impossibilidade de encontrar emprego que não seja extrema exploração ou, ainda, pela falta de acesso a oportunidades educacionais, fazendo das esperas algo que causa e agrava danos à saúde mental. De certa forma, é aí que a Biblioteca Itinerante ECHO tenta se encaixar, com livros em quinze idiomas e atividades.

O projeto

Hoje, a ECHO é uma biblioteca ambulante sediada em Atenas, percorre 500 km por semana para chegar a seis campos de refugiados, onde estão residentes cerca de 7.000 pessoas, e também em uma praça na capital grega e um centro comunitário em Corinto. Nascida no início de 2016, a biblioteca se adaptou à evolução contínua do sistema de asilo grego. Do extremo norte do país, a ECHO mudou-se primeiro para Tessalônica e depois para Atenas, mantendo a relação com aqueles que viviam em campos de refugiados no centro das atividades.

Os campos, nascidos como resposta emergencial ao grande número de chegadas em 2015-16, tornaram-se parte integrante da paisagem rural grega: há 32 campos no continente e 5 nas ilhas gregas. Cientificamente construídos bem longe dos centros urbanos, foram transformados em estruturas cada vez mais eficientes no controle das populações imigrantes, por conta da separação do restante do tecido social local e pela invisibilidade do fenômeno imigratório. Muros de concreto armado de 6 metros de altura, com arame farpado no topo, delimitam as prisões ao ar livre, com catracas eletrônicas para marcar entradas e saídas, dezenas de câmeras que monitoram movimentos de dentro e no entorno fora do campo, e a União Europeia financiou todas generosamente.

Desde 2022, passaram a ser uma etapa obrigatória no processo de solicitação de asilo, com a remoção de todas as soluções alternativas de moradia. Essa eficiência anda de mãos dadas com um processo de criminalização dos imigrantes que culminou, neste momento, com a nova lei de asilo do novo Ministro da Imigração, Thanos Plevris, cujo sobrenome deve soar familiar aos leitores deste Boletim.

Há 9 anos, a ECHO tem se adaptado e resistido a essas transformações, tentando assegurar o direito ao estudo, ao lazer e à leitura àqueles forçados a viver nos campos de refugiados que conseguimos atingir. A biblioteca, quando se desloca, não é muito diferente de qualquer outra van branca, mas, nas sessões, se transforma, com mesas, bancos e cadeiras, carpetes, luzes e prateleiras móveis, jogos e instrumentos musicais. Os livros, cerca de 5.000 nas prateleiras da biblioteca e em um pequeno armazém, são tanto a espinha dorsal do projeto quanto uma desculpa para muito mais. Distribuímos material para aprender inglês, grego e alemão, facilitamos o acesso a cursos online e a possibilidades educacionais, organizamos atividades para adultos e crianças, e compartilhamos informações sobre os serviços disponíveis na cidade. Basicamente, criamos momentos de socialidade, lazer e distração das condições de vida nos campos e tentamos, com as atividades, construir comunidades temporárias. O projeto é totalmente independente de fundos públicos e sobrevive graças a doações e pequenas licitações privadas. Nenhum de nós tem formação de biblioteconomia e, honestamente, nos importamos mais com a distribuição dos volumes do que com o seu retorno, que, de qualquer forma, tem média de 70% dos livros emprestados, que são retornados. Por isso, optamos por um sistema de empréstimo que não exige documentos nem cartões, basta passar o contato telefônico.

Os livros

O acesso à literatura, e à leitura em geral é, para nós, um potente antídoto ao tédio e é instrumento importante para a manutenção da saúde mental e o desenvolvimento de habilidades de pensamento crítico. O nosso catálogo é formado tendo em vista a comunidade com a qual colaboramos: temos livros, principalmente, em árabe, persa, turco, francês e inglês, mas temos livros em duas línguas curdas (kurmanji e sorani), e também em somali, urdu, pashtu, bengali, grego e alguns em lingala e em português. Para todas as línguas, são livros infantis, infanto-juvenis, jovens adultos, narrativa, não ficção e poesia.

A construção do catálogo, de certa forma, é um ato de equilíbrio: entre doações e compras, os pedidos dos leitores e as nossas propostas, a disponibilidade financeira e a facilidade para adquirir livros em determinado idioma. Recuperar mensagens de texto está longe de ser fácil. A maior parte vem de doações: editoras, prêmios literários, bibliotecas e livrarias de todo o mundo nos ajudaram, mas, em geral, precisamos ser criativos: toda vez que os amigos viajam para um país de onde queremos livros, tentamos fazer tudo para que voltem com a mala cheia deles.

Clássicos antigos e novos sempre funcionam, Fiódor Dostoiévski está entre os favoritos dos leitores, seja em árabe, turco, curdo ou persa. O pequeno príncipe está presente em quase todos os idiomas, seguido por Harry Potter, que continua sendo o favorito dos mais novos. O poeta palestino Mahmoud Darwish é o autor mais lido em árabe, enquanto Sadegh Hedayat e Khaled Hosseini são os mais lidos em persa.

As nossas propostas focam em autores e temas menos tradicionais. No que diz respeito à literatura, tentamos aumentar a presença de autoras e de livros que representem os leitores que temos: em francês, menos autores da metrópole e mais autores africanos; em inglês, estamos adicionando livros a Harry Potter e O Código Da Vinci de autores como Tomi Adeyemi, Namina Forna e Nnedi Okorafor, mas também Terramare de Ursula Le Guin e os livros de Octavia Butler. Com a literatura especulativa, especialmente aquela mais atenta à crítica social, buscamos estimular os leitores para ler em outros idiomas também: Ursula Le Guin em turco, Octavia Butler em árabe e Margaret Atwood em persa, enquanto recentemente adicionamos os livros da anarquista Margaret Killjoy às nossas seções de inglês e de francês.

Na seção de não ficção, os grandes livros populares sempre são bem sucedidos, como os livros de filosofia da Escola da Vida e os complementares à história, de Yuval Noah Harari. Mas não são os únicos. Volumes sobre filosofia, psicologia e economia estão entre os pedidos mais frequentes. Em princípio, tentamos atender aos pedidos que chegam, muitas vezes imprimindo o que não conseguimos encontrar em papel. Ao mesmo tempo, propomos visões alternativas, começando com livros de autoajuda e educação econômica mais focados no crescimento coletivo do que no individual: muitos jovens perguntam se temos livros sobre enriquecer, especialmente Rich Dad, Poor Dad, manual do turbocapitalismo americano, felizmente não muito famoso na Itália, mas uma praga global traduzida para 51 idiomas.

Quando podemos, incluímos livros menos convencionais no catálogo, especialmente sobre pensamento transfeminista, anticapitalista e anticolonial. Em vez dos grandes clássicos, focamos em livros leves e modernos, tentando, tanto quanto possível, manter um equilíbrio entre autores ocidentais traduzidos e autores nativos das diversas áreas linguísticas com as quais trabalhamos. Embora não seja a prioridade, ficamos satisfeitos em poder oferecer textos anarquistas em tantos idiomas quanto possível. Em turco e curdo há vários volumes disponíveis, de Max Stirner a David Graeber e Murray Bookchin. Em árabe e persa, é muito mais difícil porque as poucas traduções frequentemente estão fora de catálogo. No entanto, graças a alguns canais de Telegram da diáspora iraniana e da resistência palestina na Cisjordânia, há alguns anos encontramos um livro de Colin Ward traduzido para o árabe e um coletivo de tradutores preparando zines e panfletos anarquistas em persa. No último período, os americanos da Crimeth Inc. e os editores da Biblioteca Anarquista aumentaram o número de traduções, e graças aos camaradas do Centro di Estudi Libertari, de Itália, conseguimos expandir nossa oferta, com uma tradução árabe do Anarquismo, da teoria de Guèrin para a ação e outra em persa de alguns escritos de Bakunin. Em resumo, uma pequena coleção multilíngue de zines e textos anarquistas fotocopiados está misturada entre os volumes da biblioteca.

Giulio D’Errico estudou história entre Milão, Modena e País de Gales. Desde 2017, vive em Atenas, onde conheceu a Biblioteca Itinerante ECHO, da qual é um dos coordenadores desde 2021. No tempo livre, escreve e traduz; seus escritos estão em “A Rivista Anarchica”, “EMMA”, “ROAR Magazine” e em textos publicados pela Mimesis, Agenzia X e Active Distribution.

Para apoiar a Biblioteca Itinerante ECHO: https://echolibrary.org/support/

Fonte: https://centrostudilibertari.it/it/d-errico-echo

Tradução > CF Puig

agência de notícias anarquistas-ana

No céu cintilante
mil vaga-lumes brincando:
mil sonhos vagando

Aída Godinho

[México] O futebol será rebelde, anticapitalista, comunitário e popular!

O futebol sequestrado pelo capital transforma a alegria em mercadoria e o jogo em negócio. Copas do Mundo e megaprojetos esportivos deslocam comunidades, desapropriam pessoas de suas terras e colocam o lucro acima da vida.

Frente ao futebol espetáculo, reivindicamos o futebol dos bairros, das comunidades e dos povos. O futebol que organiza, que une, que celebra e que resiste.

A bola pertence ao povo!

O campo também é um território de luta e protesto!

Alter-Nativas

#AntiFIFA #futbolrebelde #futbolpopular

agência de notícias anarquistas-ana

No espelho d’água
oculta sua face, tímida,
a lua nublada.

Douglas Eden Brotto

[Itália] Nenhum espaço ao fascismo! Modena, 23 de maio de 2026

No sábado, 23 de maio, as ruas de Modena foram atravessadas por um cortejo antifascista determinado, autogerido e participativo. Centenas de companheiras, companheiros, organizações estudantis, sindicalismo de base e cidadãos e cidadãs individuais se reuniram para reafirmar, mais uma vez, que Modena é e continuará sendo uma cidade antifascista, solidária e rebelde.

A manifestação nasceu da necessidade de responder às recentes e sórdidas tentativas de provocação de cunho neofascista. Elementos que, instrumentalizando os últimos acontecimentos noticiosos, buscam sorrateiramente se insinuar nas dinâmicas da cidade para semear ódio, intolerância e racismo, apoiados pelas lógicas securitárias do Estado.

Ao contrário daqueles que se limitam à retórica das celebrações institucionais, a praça quis lembrar que o antifascismo em Modena tem raízes profundas, que se fincam na histórica e nunca adormecida tradição anarquista do território. Das barricadas do passado às lutas operárias, Modena lembra seus filhos libertários que sempre combateram o fascismo não em nome de uma legalidade burguesa, mas pela emancipação total das oprimidas e oprimidos.

A resposta da Modena cúmplice e solidária foi clara“, declaram as organizações libertárias e antifascistas promotoras. “O fascismo não se combate delegando às instituições ou defendendo constituições com frequência traídas pelo poder, mas com a organização de baixo para cima, a vigilância militante e a ação direta nas ruas. Diante daqueles que propõem ódio, fronteiras e jaulas, nós respondemos com a solidariedade internacionalista, o auxílio mútuo e a recusa de toda autoridade.

A mobilização transcorreu num clima de forte coesão e firmeza, demonstrando que a memória da resistência anarquista e comunarda não é uma relíquia de museu, mas um instrumento vivo para bloquear qualquer regurgitação nostálgica e autoritária. Isso foi demonstrado pelos habitantes da “Modena mestiça”, que, ao nos verem desfilar, nos cumprimentavam com sorrisos de alívio e gritavam “viva o antifascismo“.

Nenhum espaço ao fascismo, ao racismo e aos seus servidores. A luta continua nas ruas, todos os dias.

Fonte: https://usi-cit.org/nessuno-spazio-al-fascismo-modena-23-maggio-2026/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

outro assobio
escuto os passarinhos
sem dar um pio

Ricardo Silvestrin

A Política Além Do Voto

Como é ridícula a vida pública burguesa,

o jogo do poder, do mando, da obediência,

suas hierarquias e arranjos institucionais!

Sabemos o quanto todos os políticos são exímios sofistas, falastrões,

que vivem de demagogia,

da ilusão da democracia e do jogo podre das eleições.

Sabemos que do Estado nada se espera,

que a república apenas sustenta os ratos

que legislam e governam em interesse próprio.

Por isso não nos rendemos,

nem obedecemos.

Nunca votamos ou reverenciamos.

Não elegemos parasitas e demagogos.

Sabemos que todo poder é maldito

e exercido contra o povo.

Tudo que conquistamos foi através da luta,

da ação direta e da vontade de inventar

aqui e agora, um mundo novo.

Carlos Pereira Júnior

agência de notícias anarquistas-ana

lua n’água
entre pétalas
alumbra o abismo

Alberto Marsicano

[México] “A Capital dos Desaparecimentos Forçados!”

“A Capital dos Desaparecimentos Forçados!” vista do lado de fora do Estádio Azteca, na Cidade do México, antes da Copa do Mundo de 2026.

Há mais de 133.000 pessoas desaparecidas no México.

A crise resultou na descoberta de milhares de valas comuns clandestinas por todo o país, algumas perto do estádio.

É amplamente sabido que organizações criminosas e agentes do Estado, incluindo policiais e forças de segurança federais, trabalham juntos para realizar desaparecimentos forçados. Os governos do passado e do presente buscam encobrir essas informações.

Exigimos verdade e justiça!

agência de notícias anarquistas-ana

Atrás do portão
um latido afoito
chegamos junto com a noite

Winston

[Bélgica] Bruxelas: Uma retrospectiva do julgamento de T. em 20 de maio

Na quarta-feira, 20 de maio, cerca de trinta pessoas se reuniram em frente ao tribunal de Bruxelas, um prédio terrível, imponente, opressivo e escuro. Do lado de fora, policiais chegaram rapidamente procurando por alguém na liderança. Quando os ativistas se recusaram a responder, os policiais disseram que sabiam que estavam ali para o julgamento de um anarquista. Na verdade, eles tinham vindo para assistir ao julgamento de T., um refém do Estado por mais de seis meses, acusado de tentar incendiar viaturas policiais em frente à delegacia de Ixelles em 10 de novembro de 2025.
 
O grupo de cerca de trinta pessoas entrou no tribunal sem incidentes, levando os policiais a uma busca infrutífera, já que nem eles nem o advogado sabiam onde ficava a sala de audiências. Finalmente, comemos os doces que sobraram na sala de audiências, ouvindo um juiz proferir um veredicto na velocidade de um leiloeiro, incluindo sentenças de vários anos de prisão. Em seguida, veio um caso em que a advogada atacou implacavelmente seu cliente (ausente), dizendo que ele era “imperdoável”, sob pressão do juiz Panou e do promotor público. Soubemos que T. estava a caminho da prisão, tendo sido liberado de sua cela às 7h da manhã.
 
Para T., seria o promotor federal quem estaria presente.
 
Dez policiais estavam no tribunal, além de uma escolta de três policiais que o acompanharam durante toda a sessão. Desnecessário dizer que a atmosfera no tribunal era tensa.
 
A audiência começou com T. explicando que exerceria seu direito de permanecer em silêncio, pois não tivera acesso suficiente ao processo. A promotora então apresentou seus argumentos, solicitando uma pena de três anos de prisão. O advogado de defesa argumentou pela absolvição, alegando dúvida razoável. O veredicto foi adiado para 16 de junho.
 
Vamos demonstrar nossa solidariedade comparecendo ao tribunal em 16 de junho às 8h da manhã, da maneira que cada um de nós achar mais apropriada, para derrubar este mundo de policiais, prisões e juízes.
 
Que se dane o sistema judiciário, liberdade para todos e todas!
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/05/19/belgica-bruxelas-solidariedade-com-o-nosso-companheiro-liberdade-para-todos/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Da ponta do nariz
Do Buda do campo
Desce um filete de gelo.
 
Issa