[Suíça] Desconectar a IA!

A atual euforia em torno da IA ​​é inegável. Modelos de linguagem de IA como o ChatGPT são onipresentes, e a IA está sendo propagandeada como a solução para tudo em todos os tipos de áreas. No entanto, o termo “inteligência artificial” é pura propaganda: a IA não é inteligente, mas simplesmente “estatística turbinada”. E a IA não é composta apenas de uns e zeros artificiais; ela tem impactos sociais e ambientais muito reais na vida de muitas pessoas e comunidades.

A IA como aceleradora da crise climática:


Os efeitos materiais da euforia em torno da IA ​​também são evidentes na Suíça: Mais de 10 novos centros de dados estão previstos para serem construídos nos próximos anos, embora a Suíça já possua uma das maiores densidades de centros de dados da Europa. Os centros de dados consomem quantidades enormes de eletricidade e água. Isso esgota as reservas de água potável da população local, enquanto os políticos já utilizam o alto consumo de eletricidade dos centros de dados como pretexto para a construção de novas usinas nucleares. Assim, a infraestrutura de IA é um acelerador da crise climática que já se agrava.

Inteligência Artificial Significa Vigilância e Guerra.


As figuras sinistras por trás da euforia em torno da IA ​​também deveriam despertar nossas suspeitas: oligarcas fascistas da tecnologia, como Elon Musk e Peter Thiel, estão impulsionando a expansão da infraestrutura de IA para aumentar seu poder sobre a população. Do software Palantir, usado pelo ICE em sua campanha de deportação, ao modelo de IA “Claude”, usado pelos EUA em seu ataque ao Irã, ao aplicativo de IA do Google usado para definir alvos no genocídio em Gaza: a IA é tecnologia de vigilância e guerra! A vigilância por meio de IA também está sendo expandida na Suíça. Por exemplo, a lei policial revisada permitirá que a polícia de Zurique colete grandes quantidades de dados sobre a população e os analise automaticamente usando sistemas de IA.

Exploração do Sul Global:


Matérias-primas raras, como lítio e cobalto, são necessárias para chips e outras infraestruturas de IA. Essas matérias-primas são extraídas em condições extremamente precárias em zonas de guerra, como a República Democrática do Congo. Por trás dos chamados sistemas “inteligentes”, também existem milhares de trabalhadores que, em condições de trabalho deploráveis, precisam visualizar e filtrar conteúdo altamente perturbador. Esse trabalho também é amplamente terceirizado para países do Sul Global. A expansão massiva da IA, portanto, baseia-se na exploração de matérias-primas e mão de obra no Sul Global.

A IA é um ataque do Estado e do capital contra todos nós – vamos lutar! Sejam canteiros de obras para novos centros de dados ou a localização de empresas de tecnologia, existem inúmeros pontos de ataque em potencial. Aqui está um mapa com possíveis pontos de ataque locais em toda a Suíça – deixe sua criatividade fluir: https://aufstaendederallmende.org/index.php/atlas/


Além disso, um acampamento de resistência contra a expansão de centros de dados e o poder dos oligarcas da tecnologia acontecerá na região de Schaffhausen de 2 a 9 de julho. Reserve a data e compartilhe!

Mais informações:


Site: aufstaendederallmende.org
Telegram: https://t.me/aufstaendederallmende
Signal: https://signal.group/#CjQKIEM30jDXnAbr_GKMyJecyietZcvjoibKPNeAC9NfjuGaEhAMzFShEyyX09aJrDzeUtYP
Instagram: @aufstaende.der.allmende

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Move-te ó tumba!
Meu pranto
é o vento do outono.

Matsuo Bashô

[Chipre] Vídeo | Faixa na Embaixada da Grécia em solidariedade com a Comunidade Ocupada de Prosfygika

16/05/2026
 
Respondemos ao apelo internacional da Comunidade Ocupada de Prosfygika colocamos simbolicamente uma faixa na Embaixada da Grécia.
 
Há quase três meses, a Autoridade Regional da Ática e o Estado grego vêm ignorando as reivindicações dos grevistas de fome Aristóteles Hantzis e Suzon Doppagne.
 
Precisamos aumentar a pressão sobre o Estado grego por meio do poder da solidariedade internacionalista, para que ele abandone seus planos de despejar a comunidade. Sua indiferença coloca em risco a vida dos grevistas de fome e a vida de mais de 400 pessoas, que nos últimos anos criaram estruturas para suprir suas necessidades mais básicas e sobreviver.
 
A ocupação de Prosfygika é uma questão que diz respeito a todos nós. Numa sociedade onde as pessoas morrem nas calçadas ou apodrecem sozinhas em apartamentos de concreto, e a classe trabalhadora urbanizada aceitou seu destino humilhante, algumas pessoas ainda lutam e sonham com outro modo de vida. Elas se mudam para casas em ruínas e vazias, e constroem comunidades baseadas na solidariedade e na crença profundamente enraizada de que outro mundo é possível.
 
Esses esforços, que desafiam na prática os ditames do capitalismo — que exige individualismo, isolamento e submissão silenciosa às suas “leis” —, mostram-nos o caminho para o futuro e provam que não precisamos esperar para ver esse futuro. Podemos construí-lo no presente.
 
Vitorias para as greves de fome dos nossos companheiros Suzon, que está no 16º dia, e Aristóteles, que ontem completou 100 dias de greve. Vocês nos inspiram com a sua coragem.
 
Solidariedade e força às ocupações em todo o mundo, por um mundo sem decadência.
 
VENCEREMOS OU VENCEREMOS.
 
>> Veja o vídeo aqui: https://athens.indymedia.org/media/upload/2026/05/16/prosfpres-compr.mp4
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/05/15/grecia-tessalonica-relato-da-manifestacao-de-solidariedade-a-comunidade-ocupada-de-prosfygikana/
 
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Noite de lua –
Subindo numa pedra,
Um grilo canta.
 
Chiyo-jo

Salvador e a grande greve de 1919

Por Carlos Ferreira de Araújo Júnior

A Grande Greve de 1919 ocorreu no mês de junho em Salvador e logo se espalhou por cidades vizinhas. O movimento teve como principais motivos a carestia de vida, os baixos salários, alta jornada de trabalho, as desigualdades sociais, miséria entre outros fatores. Várias categorias de trabalhadores participaram da greve: portuários, carpinteiros, metalúrgicos, pedreiros e tecelãs. O Sindicato dos Pedreiros, Carpinteiros e Demais Classes (SPCDC) esteve à frente da greve.

Sindicato dos Pedreiros, Carpinteiros e Demais Classes (S.P.C.D.C) foi fundado em 19 de março de 1919. A associação foi influenciada pelo sindicalismo revolucionário e usou táticas de sabotagem e ação direta. Foi um marco para o movimento operário da cidade. O estatuto do sindicato vedava filiações políticas, defendia a participação das mulheres e a criação de escolas modernas. O SPCDC foi fundado por: Guilherme Francisco Neryz, Abílio José dos Santos, Durval dos Santos Cárceres, José Domiense da Silva e Ezequiel Antônio Pompeu. O grupo teve apoio de Agripino Nazareth.

A cidade de Salvador parou por 10 dias. A capital baiana não via uma movimentação de trabalhadores tão grande assim desde a Greve dos Carregadores (1857). Padeiros em greve avisaram que a distribuição de pão havia sido suspensa, exceto para os hospitais. Os ferroviários paralisaram os serviços.  Os trabalhadores dos cemitérios também suspenderam os serviços. Os jornais da grande imprensa da época, tentando jogar a opinião pública contra os grevistas, afirmava que o fedor que exalava do cemitério era insuportável, graças ao abandono causado pela paralisação.

Cerca de 15 mil operários e operárias grevistas tomaram as ruas de Salvador naqueles dias de junho de 1919. Os trabalhadores conseguiram a redução da jornada de trabalho e a isonomia salarial entre homens e mulheres.

A Grande Greve em Salvador teve intensa participação das operárias, especialmente, as tecelãs. Em setembro de 1919, as tecelãs deflagraram uma greve contra os maus tratos e os baixos salários da categoria. No ano seguinte, operárias lideraram associações de defesa como foi o caso de Corina Marinho, oradora da União De Defesa Proletária, formada pelos operários e operárias da fábrica de charutos de Muritiba. Esta associação visava a defesa de operários e operárias contra os assédios, abusos e estupros praticados contra as operárias pelos mestres de fábrica.

Em 1920, com a chegada do anarquista negro Eustáquio Marinho, o S.P.C.D.C. vai se tornar uma associação alinhada as teses libertárias do Terceiro Congresso Operário Brasileiro (1920). O SPCDC enviou dois representantes para este congresso: o anarquista português Anibal Lopes Pinho e Gaudêncio José dos Santos, anarquista negro baiano.

Desde o final da década de 1990, o historiador Aldrin Castelucci pesquisa sobre o movimento operário de Salvador. Seus trabalhos são de grande importância para os debates sobre os mundos do trabalho, pois rompem a ideia cristalizada de uma militância operária essencialmente eurocêntrica e “sudestina”, resgatando o protagonismo de operários negros e negras baianas.

REFERÊNCIAS

CASTELLUCCI, Aldrin Armstrong Silva. Salvador dos Operários. Uma História da Greve Geral de 1919 na Bahia. Salvador -BAHIA. 2001.

KARLLOS, Jr. Brasil Negro Insurgente. Ed. Monstro dos Mares.

PERIÓDICOS

GERMINAL.N.1. Data: 19/03/1920. Salvador – Bahia.

________.N.2. Data: 03/04/1920. Salvador – Bahia.

________.N.3. Data: 01/05/1920. Salvador – Bahia.

RENASCENÇA. Data: jun. de 1919. P.14. n.43. Salvador -Bahia.

___________. Data: set. de 1919. P.21. n.46. Salvador -Bahia.

CARLOS FERREIRA DE ARAUJO JUNIOR – Historiador formado pela UEPB. Publicou dois livros: Renego – Grito Punk (2021), sobre o punk na Paraíba, e Brasil Negro Insurgente (2025), sobre libertários e socialistas negros no Brasil. Desde 2012, possui um canal acervo punk no youtube: ÔKO DO MUNDO! O autor também escreveu os seguintes cordéis e zines libertários/decoloniais: OBREIROS DA BORBOREMA, BRADO BRUTO, EXU MOLOTOV, PLUMA NEGRA, ZINE AUTÔNOMO TEMPORÁRIO (ZAT).

>> Foto em destaque: foto do Sindicato dos Pedreiros, Carpinteiros e Demais Classes. Na foto de 1920, temos em ordem da esquerda para a direita, começando pelos que estão em pé: Guilherme Francisco Neryz, Abílio José dos Santos, Durval dos Santos Cárceres, José Domiense da Silva e Ezequiel Antônio Pompeu. O grupo teve apoio de Agripino Nazareth.

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nos dias de outono
as folhas largam no ar
um cheiro de sono

Cristina Saba

[Espanha] Nosso adeus à voz mais livre do flamenco: El Cabrero (1944-2026) “in memoriam”

Por José Mª Polo Sáez
 
O flamenco chora hoje a morte de um de seus canteiros mais emblemáticos e com ele se foi, como um raio, sua voz poderosa e carismática. Chamava-se José Domínguez Muñoz, “El Cabrero”, e a Andaluzia perdeu uma de suas vozes mais autênticas, incorruptíveis e profundas. Faleceu aos 81 anos em Bormujos, neste 13 de maio de 2026, e a Andaluzia, seu campo, sua serra, seu vento, suas águas e até suas próprias cabras se ressentirão de tão lamentável perda.
 
José nunca precisou de artifícios para ser grande. Cabreiro desde os seis anos (ele nunca deixou de pastorear), sua arte brotou da mesma terra que pisava, nutrindo-se da dureza do campo e da dignidade do trabalhador. Foi o artista que trazia a verdade do monte aos teatros. O cantautor [cantor e compositor] da liberdade e da rebeldia.
 
O imenso caudal de verdade e sinceridade deste artista único em seu gênero fluía inalterável – como ele diria –, ladeira abaixo, entre penhascos e rochedos, por desfiladeiros e gargantas estreitas, até provocar uma verdadeira avalanche, um transbordamento nas consciências de todos aqueles homens e mulheres que buscam em seu canto, em sua simples, mas profunda verdade, o consolo desse sonho inalcançável da igualdade e da liberdade.
 
Seu estilo, inserido nas formas mais simples do flamenco – fandangos de Huelva, soleares, seguiriyas e tonás –, tornou-se uma ferramenta de denúncia social durante a Transição. Com letras reivindicativas e uma filosofia de vida libertária, El Cabrero sempre cantou contra os abusos do poder e a falta de liberdade.
 
“Quando há algo a dizer,
não se pode calar,
porque calar é morrer”.
 
El Cabrero pode ser considerado como o cantautor que melhor soube captar a própria essência do homem trabalhador, do homem que lavra a terra e lhe dá vida. Ele mesmo faz parte também desse anônimo e heroico trabalhador que, a cada dia, se funde com a paisagem para operar o milagre de viver e, ao mesmo tempo, permitir e possibilitar vida aos seres de seu entorno.
 
El Cabrero era um autêntico personagem de lenda viva, um cantautor para a mais eterna das tradições populares, porque dentro de um século se continuará falando de El Cabrero, narrar-se-ão seus feitos e façanhas como sucessos fabulosos que irão voando de boca em boca no mais puro estilo de tradição oral, porque ele, melhor do que ninguém, soube penetrar no povo e o povo o quer e o respeita, e o continuará respeitando, admirando e, sobretudo, o continuará querendo como um símbolo vivo de uma Andaluzia utópica que não se cala nem se dobra diante de ninguém.
 
El Cabrero era um dos poucos seres humanos dos quais hoje é tão difícil encontrar, antes de tudo por sua sinceridade e autenticidade, ou dito de outra forma, nele encontramos o homem – rememorando Machado – no bom sentido da palavra, bom. Mas de uma bondade combativa, uma bondade entendida e conquistada na luta dia a dia. Um homem que se afundava na terra como ele o fazia e que precisava dela como o peixe precisa da água. Sim, afundava-se na terra que ele mimava e adorava e que nunca abandonou, por mais tentações que lhe chegassem desse outro mundo, como ele dizia, “mentiroso e canalha”.
 
A El Cabrero pode-se considerá-lo uma dessas poucas vozes que, em toda a história do flamenco, melhor plasmaram a autêntica realidade socioeconômica e trabalhista andaluza e, além disso, foi capaz de publicá-la, denunciá-la e combatê-la com seu canto, e isso nunca lhe perdoaram, nem os caciques da vez nem seus próprios companheiros do flamenco, sobretudo aqueles que, da música, só buscavam a arte pela arte.
 
Em definitiva, El Cabrero foi ou pode ser considerado um autêntico e irrepetível fenômeno social de massas no que diz respeito ao flamenco. Portanto, o que mais nos chamou a atenção nele é seu canto, seu canto essencialmente puro, sem concessões à galeria, canto pelejado em cada terço, com paixão e com rigor.
 
E ali estará sempre El Cabrero para nos lembrar que nunca devemos parar, nem nos conformar, que é preciso caminhar sempre alerta, sempre atentos ao nosso destino para que este não venha já marcado de antemão. Que a terra lhe seja leve.
 
O Pastor das Verdades
(Homenagem a El Cabrero, 1944-2026)
 
El Cabrero: a voz sem artifício,
que ao nosso canto deu a força e a porfia,
denunciando a injustiça em rebeldia,
leal ao seu canto e ao seu ofício.
 
Hoje se cala a serra,
o monte e as jaras hoje suspiram,
o pastor-cantautor já se retira,
denunciando com força a pobreza.
 
Parte um cantautor, homem valente,
o que nunca se rendeu ante o poder,
pôs alma e coração ao defender
de ladrões e de caciques suas gentes.
 
Nunca quis lisonjas nem riquezas,
preferiu a liberdade e a utopia,
com suas cabras pelos rochedos cada dia,
qual tesouro mais belo da terra.
 
Camarada, cantautor da igualdade,
que a terra te acolha em seu seio
e teu canto poderoso e sereno
se torne em grito de liberdade.
 
(José Mª Polo Sáez)
 
Fonte: https://redeslibertarias.com/2026/05/16/nuestro-adios-a-la-voz-mas-libre-del-flamenco-el-cabrero-1944-2026-in-memoriam/
 
Tradução > Liberto
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/05/14/espanha-morre-o-cantor-flamenco-jose-dominguez-el-cabrero-aos-81-anos/  
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Juncos secos –
Dia após dia se quebram
E vão rio abaixo.
 
Rankō

O Sistema que Finge Pedir sua Opinião

Por Akracia – Fenikso  Nigra

Há um mecanismo que funciona com precisão. Você vota. Escolhe entre opções. Acredita que está decidindo o rumo das coisas. E nada muda. Os salários continuam congelados. Os bancos continuam lucrando. As favelas continuam sem água. O mecanismo continua intacto.

Brasil, 2024. O Banco Master controla o sistema de processamento de transações de cartão de crédito e débito. Movimenta bilhões diariamente. Define quem pode comprar, quanto paga, qual taxa incide sobre a operação. Nenhum eleitor votou no Banco Master. Nenhuma eleição o coloca ali ou o remove. Ele existe porque o sistema foi construído para que ele exista. Porque a concentração de poder não precisava de legitimidade democrática. Precisava apenas de permissão.

A democracia que conhecemos funciona assim: transfere para as pessoas o direito de escolher quem vai administrar o sistema. Não o direito de escolher o sistema. Os candidatos mudam. As prioridades do capital não. Um presidente promete educação. Outro promete segurança. Um terceiro promete emprego. Mas educação pública continua sucateada. Segurança continua privatizada. Emprego continua precário. Porque essas não são decisões dos governos. São decisões de quem controla o dinheiro. Banco Master, fundos de investimento, grupos empresariais que funcionam acima e além de qualquer voto.

Isso não é inépcia. Não é incompetência administrativa. É arquitetura. A estrutura foi desenhada para que o poder econômico funcione independentemente do poder político. O governo troca. A concentração de riqueza permanece. Primeiro acontece o voto. Depois, a realidade de quem governa: um ministro da economia que vem do setor financeiro. Um juiz que vem da elite. Um secretário que conhece mais banqueiros do que vizinhos. Eles não obedecem ao povo que votou. Obedecem à lógica que os formou.

A história da América Latina conhece isso bem. Chile, 1973. Pinochet tira Allende do poder, mas a estrutura econômica de concentração de riqueza permanece. Ditadura cai. Democracia volta. Desigualdade segue intacta. Argentina, 2001. Manifestações nas ruas. Crises de governo. Nove presidentes em semanas. O que não muda? O poder dos bancos sobre a vida das pessoas. Nem ditador nem democrata consegue tocar nisso. Porque não é o governo que o sustenta. É a lógica que o governo administra.

O Banco Master é apenas o caso mais visível. Existem centenas deles. Grupos de comunicação que definem narrativas de eleição. Fundos de investimento que decidem quais empresas vivem e quais morrem. Cartéis de alimentos que controlam preços nas prateleiras. Estruturas de poder que nenhum voto toca. E aqui está a parte que faz a máquina funcionar: a ilusão de participação. Você vota e acredita que o sistema responde a você. Acredita que a próxima eleição muda as coisas. O mecanismo continua funcionando porque você o legitima sem questionar sua natureza.

Não é à toa que o voto é secreto. Não é à toa que defendemos a democracia como sagrada. Ela é a válvula de escape perfeita. Absorve o protesto. Canaliza o descontentamento. Oferece ilusão de mudança. E garante que os termos do jogo permaneçam inalterados. Enquanto você escolhe entre A e B, quem de verdade decide fica invisível. Não participa de debates. Não aparece na urna. Simplesmente continua.

A pergunta então não é para qual lado votar. É se vale a pena gastar energia elegendo representantes de um sistema que você não representa. Se vale participar de um mecanismo que garante sua própria impotência. Se a democracia que conhecemos não é apenas um modo sofisticado de dizer: “Você pode escolher tudo, menos o que importa”.

Na luta por estruturas que nos sirvam realmente, somos pessoas dignas e livres!

anarkio.net

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cada haikai
uma nova peça
num quebra-cabeça sem fim

George Swede

[Itália] Para todas as satanassas e todos os satanassos!

Acabou de sair do forno o novo número de LA SCOPA – Jornal anticlerical da Romagna Apenina | Ano II, N.1, Maio de 2026

O que é La Scopa

La Scopa, quinzenal no início e depois semanal, nasceu em janeiro de 1909 em Santa Sofia, vila no Apenino forlivense, como “Jornal anticlerical da Romagna Apenina” (aquela que antigamente se chamava Romagna-Toscana).

Isso porque, enquanto os partidos subversivos e socialistas haviam conquistado as zonas urbanas, as rurais, naquela época muito populosas, eram terreno de propaganda e conquista dos padres: “uma Vendeia de conservadorismo tacanho e supersticioso”, como se lê em La Scopa de 5 de outubro de 1911.

Posteriormente, o título foi modificado, a partir de 1º de janeiro de 1912, para “La Fonte”, “Semanário de vanguarda”, com conteúdos de cultura política e educação popular, onde os tons pareciam menos radicais, a ponto de ali escreverem até alguns católicos expulsos do Vaticano.

Três anos de vida, portanto. “Três anos de luta árdua”. Com vários colaboradores e colaboradoras espalhados pela Itália.

Do silêncio deste século, decidimos ressuscitá-la, para que a preciosa — e infelizmente deixada de lado — atitude anticlerical da Romagna não se reduza a uma relíquia do passado, mas nos lembre que, aqui e agora, a opressão das religiões e de seus aparatos institucionalizados (as igrejas e seitas de todos os tipos e graus) deve ser combatida. Mais do que nunca, agora que as “guerras santas” voltaram à cena internacional… isso se é que algum dia desapareceram.

Anticlericalismo, pensamento crítico, galhofa irreverente e espírito popular são instrumentos preciosíssimos para libertar nossas vidas — e as “nossas” terras — desse lamaçal de obscurantismo (como se dizia antigamente). Acreditamos que LA SCOPA possa ser um importante instrumento para canalizar as forças que, com essas intenções, querem lutar por um mundo mais livre.

A LA SCOPA será aperiódica: sai quando quiser!

A veia anticlerical, que é uma marca de fábrica do jornal original, será intercalada com anedotas, relatos e histórias — algumas galhofeiras, outras mais sérias — com um olhar especial para o território romagnolo e sua zona apenina.

Se você quiser colaborar com a revista, só precisa fazer uma coisa: escrever-nos para: lascopa@autoproduzioni.net

lascopa.noblogs.org

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Quando a lesma
Ergue a cabeça, eu vejo:
Parece comigo!

Shiki

[Bélgica] Bruxelas: Solidariedade com o nosso companheiro, liberdade para todos!

Um companheiro¹ está encarcerado na prisão de segurança máxima de Haren desde novembro. Nesta quarta-feira, 20 de maio, o Estado inicia sua farsa numa tentativa de silenciar as ideias anarquistas.

Façamos deste dia uma oportunidade para darmos rédea solta aos nossos desejos. Defendamos a rebelião contra este mundo, rompamos o isolamento de todos os nossos companheiros aprisionados.

Aproveitemos este dia para difundir nossas ideias e práticas anarquistas e não deixemos essa condenação passar despercebida. Experimentemos juntos novas formas de confrontar a repressão e mostremos que nossas ideias não podem ser apagadas.

Nem na prisão a céu aberto que é esta sociedade, nem dentro dos muros da sua prisão!

A questão da culpa e da inocência pertence àqueles que têm um código penal no lugar do coração, enquanto os caminhos que aquecem nossos corações com o fogo da revolta nos pertencem!

Vejo vocês no dia 20 de maio às 8h na Place Poelaert, Rue Ernest Allard.

Solidariedade com nossos companheiros e fogo nas prisões!

Liberdade para todos!

A n a r q u i s t a s

[1] Preso desde 12 de novembro de 2025, acusado de incendiar três viaturas policiais em Bruxelas.

agência de notícias anarquistas-ana

Nuvens de mosquitos –
Sem isso, no entanto,
Mais solitário.

Issa

[Grécia] Atenas: Atualização dos tribunais de Evelpidon sobre o caso dos 8 companheiros e companheiras detidos no caso de 11 de maio

5/05/2026
 
Os cinco companheiros e uma companheira foram mantidos em prisão preventiva.
 
Uma atualização será divulgada em breve.
 
A outra companheira foi liberada com a condição de comparecer à delegacia três vezes por mês para assinar o termo de comparecimento, e outro companheiro também foi liberado com a condição de comparecer à delegacia duas vezes por mês para assinar o termo de comparecimento.
 
Durante o transporte dos companheiros e companheiras, ocorreram pequenos confrontos com a polícia e a população.
 
Nada ficará sem resposta.
 
A SOLIDARIEDADE É A NOSSA ARMA
 
Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1641215/
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/05/14/grecia-tessalonica-poster-em-sinal-de-solidariedade-aos-companheiros-presos-do-dia-11-de-maio/
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/05/14/grecia-declaracao-dos-8-companheiros-e-companheiras-detidos-no-caso-de-11-de-maio/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Noite de lua –
Subindo numa pedra,
Um grilo canta.
 
Chiyo-jo

O Kyriakos X em águas internacionais

No dia 17 de maio, data do aniversário do companheiro Kyriakos Xymitiris, o KYRIAKOS X. entrou em águas internacionais ao partir de Antália, na Turquia. Meses de esforço, preparação e expectativa parecem culminar neste momento. Era uma promessa que – apesar das inúmeras dificuldades – parecia impensável ser cancelada. E partíamos repetidamente para construir este barco utópico. O cenário esperado é que, nos próximos dois ou três dias, seremos feitos prisioneiros do exército sionista, deixando para trás, no Kyriakos X, um pedaço do nosso coração. Recusamos a palavra dos genocidas. Nossos ouvidos não escutam suas ordens. Kyriakos está conosco e mostra a língua para eles, como fez com alguns policiais berlinenses: “I don’t speak nazi”.
 
Imaginação, otimismo, risco
 
PELA PALESTINA
PELO KYRIAKOS
 
Kostas K.
 
Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1641243/
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/05/11/grecia-o-kyriakos-x-esta-navegando-rumo-a-gaza/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Mal anoiteceu –
E as estrelas já brilham
Sobre o campo seco.
 
Buson

[Espanha] Malatesta e a Ação Direta

No mundo do ativismo e da política, poucas figuras são tão fascinantes e incompreendidas quanto Errico Malatesta. Enquanto a história oficial costuma associar o anarquismo ao caos, Malatesta nos propõe algo muito mais profundo e construtivo: a ação direta.

O que esse conceito realmente significa hoje em dia? É apenas sair às ruas ou há algo mais?

Mais que um protesto: um modo de vida

Para Malatesta, a ação direta não era um simples recurso de reclamação; era a própria essência da emancipação social. Sua premissa era clara: se você quer que algo mude, não espere que um intermediário o faça por você. Diferentemente dos movimentos que confiam em eleições ou parlamentos, Malatesta sustentava que o povo deve agir por si mesmo. Não é pedir permissão, é exercer a vontade.

Os 3 Pilares da Ação Direta

•              Malatesta era um pragmático. Entendia que para mudar o mundo era preciso atuar em três frentes fundamentais:

•              Econômica: Greves, boicotes e sabotagens no trabalho. Enfraquecer o capital e aprender a gerir a nós mesmos.

•              Social: Criar cooperativas, escolas livres e redes de apoio. Construir o “mundo novo” dentro do velho.

•              Insurrecional: Resistência frente à repressão. Derrubar as instituições que impedem a liberdade.

As chaves do pensamento “malatestiano”

1.           A rejeição ao “voto delegado”

Malatesta argumentava que, ao votar, o trabalhador entrega sua vontade a outro. Na ação direta, ele a recupera. Para ele, delegar o poder só serve para fortalecer o Estado.

2.            A “Ginástica Revolucionária”

Este é talvez seu conceito mais brilhante. Considerava que cada ato de resistência — por menor que fosse — era um treinamento. A ação direta treina a sociedade, dando-lhe a confiança necessária para gerir a vida sem necessidade de amos ou patrões.

3.           A coerência e a ética

Muitos confundem ação direta com violência cega ou terrorismo. Malatesta foi categórico: a ação deve ser guiada pela consciência moral.

A ação direta é a vontade humana que se afirma e se exerce para obter o que deseja, em vez de pedi-lo a uma autoridade.

E o que dizer da violência?

É o grande tabu. Malatesta não era um pacifista ingênuo, mas também não era um promotor do caos. Via a violência como uma necessidade defensiva (um “mal necessário”) contra a opressão, mas sempre com um limite. Seu objetivo final não era a força, mas uma ordem baseada no amor e no acordo voluntário. Para ele, a verdadeira anarquia é a máxima expressão da paz organizada.

Em conclusão: de espectador a protagonista

A mensagem de Malatesta continua vigente: a ação direta é o caminho para deixar de ser um “escravo” das circunstâncias e nos tornarmos protagonistas da nossa própria história.

Em um mundo que nos convida constantemente a sermos espectadores passivos atrás de uma tela, o convite de Malatesta para intervir diretamente em nossa realidade social soa mais rebelde — e necessário — do que nunca.

fargov (Ferran Cabrera)

Fonte: https://circuloacrata.blogspot.com/2026/04/malatesta-y-la-accion-directa.html

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Traçando os baralhos
confundo na noite o mundo
de alhos com bugalhos.

Luciano Maia

[França] Libertem os prisioneiros anarquistas!

Intervenções de Nikos Maziotis, um anarquista preso na Grécia, da Cruz Negra Anarquista de Nova York e de prisioneiros anarquistas da Indonésia.

Quarta-feira, 20 de maio, às 19h,

no Le Chat Noir (270 avenue de Muret, Toulouse).

Parada de bonde: Avenue de Muret Marcel Cavaillé.

Jantar colaborativo e bebidas por doação.

Durante décadas, ondas de insurreição varreram o mundo regularmente: das políticas da Troika e da esquerda reformista na Grécia na década de 2010 às numerosas mobilizações na Indonésia desde a década de 2020. Mas cada recuo dessas lutas deixa sua parcela de camaradas presos e reprimidos, havendo frequentemente uma relação direta entre a qualidade de seu comprometimento e o nível de represálias da contrarrevolução.

Na quarta-feira, 20 de maio, a partir das 19h, no Le Chat Noir em Toulouse, convidamos você para uma noite de apoio e debate sobre esses temas, em especial a necessidade de libertar prisioneiros anarquistas. Apresentações de Nikos Maziotis, anarquista preso na Grécia desde 2014, da Cruz Negra Anarquista de Nova York, organização que apoia prisioneiros anarquistas, e de camaradas anarquistas indonésios abordarão campanhas de solidariedade, julgamentos, condições prisionais e a resistência em curso na Grécia, nos Estados Unidos, na Indonésia e em outros lugares. Em seguida, haverá uma oficina de redação de cartas para expressar nossa sincera solidariedade.

Porque eles nunca desistem, porque estão atrás das grades por sua luta revolucionária e porque alguns querem silenciá-los: vamos fazer com que suas vozes sejam ouvidas! A solidariedade é a nossa arma!

agência de notícias anarquistas-ana

passos de pássaro
no telhado lá de casa
embalam sonhos

Marland

[São Paulo-SP] 23/05, no CCS: Roda de conversa | Tema: trabalho e sofrimento psíquico

Não existe trabalho no capitalismo que não nos adoeça!

Desde o começo, mas cada vez mais, o trabalho tem sido motivo de adoecimento físico e mental.

A resposta da classe trabalhadora frente a alienação capitalista do trabalho foi, e continua sendo, o Apoio Mútuo e a construção de comunidades autogeridas. Bora com a gente se cuidar mutuamente!

Nosso encontro vai ser no Centro de Cultua Social (CCS) dia 23/05 das 16h às 18h.

Rua General Jardim nº 253, sala 22 (interfone), próximo metrô República.

Faça o convite para participar dessa conversa seus familiares, amigos, colegas de trabalho, companheirada militante e todes de baixo!

#saúdemental #sofrimentopsíquico #anarquismo #rodadeconversa #apoiomútuo

agência de notícias anarquistas-ana

inútil, inútil
a forte chuva
mergulha no mar

Jack Kerouac

[EUA] Bem-vindo de volta, Marius Mason!

14/05/2026

Acordamos com esta foto hoje!

Esse é Marius Mason, momentos após ser libertado da prisão e a caminho de uma casa de reintegração social! A sentença de Marius termina em maio de 2027 e ele ficará na casa de reintegração social até lá. Agora é um ótimo momento para doar para o fundo de boas-vindas dele. Veja as informações abaixo.

Quem é Marius Mason?

Marius Mason é anarquista, ambientalista, ativista dos direitos dos animais, além de pai amoroso, artista, poeta e músico, que atualmente cumpre pena de quase 22 anos em uma prisão federal por atos de vandalismo cometidos em defesa do planeta.

Durante seu encarceramento, ele lutou incansavelmente pelos direitos de pessoas trans presas. A prisão de Marius em 2008 fez parte do que ficou conhecido como o “Medo Verde”, uma série de prisões de ativistas ambientais baseadas em denúncias e assédio do FBI, que criou um precedente para acusar ativistas não violentos de “terrorismo”.

A notícia animadora é que, após mais de 17 anos encarcerado, Marius Mason será libertado de uma prisão federal em maio de 2026. Esse momento coloca em primeiro plano as questões de apoio no período pós-prisão.

À medida que Marius retorna à vida fora do cárcere, estamos organizando apoio e arrecadando fundos para que essa transição ocorra com dignidade, cuidado e uma base sólida. Marius foi arrancado de sua comunidade há quase 20 anos. Foram duas décadas em que o mundo mudou politicamente, tecnologicamente e de outras formas. Vamos tornar esse retorno mais fácil para ele. Por isso, estamos solicitando doações de cartões-presente, em qualquer valor. Todos os cartões serão entregues diretamente a Marius após sua libertação, para uso próprio.

Foi criado um sistema para a compra de cartões-presente, como “Vanilla Gift”, que podem ser adquiridos utilizando as seguintes informações de contato: Moira Meltzer-Cohen, advogada, 277 Broadway, Suite 1501, Nova York, NY 10007. Para o número de telefone exigido com o endereço, use (212) 219-1919. Além disso, haverá uma conta fiduciária para receber doações diretas por meio da página de doações em supportmariusmason.org. Toda contribuição ajuda.

Ativista ambiental e pelos direitos dos animais, anarquista, escritor, artista e defensor trans, Marius foi condenado a quase 22 anos por danos materiais realizados em defesa do planeta em 2009, ações nas quais ninguém ficou ferido. Ainda assim, sua sentença foi agravada com um enquadramento por terrorismo, tornando-se a mais longa pena aplicada por um ato de sabotagem ambiental. Nós, que o amamos e apoiamos, estamos trabalhando para oferecer apoio mútuo consistente, ao mesmo tempo garantindo espaço para suas escolhas e ajudando com necessidades básicas.

Marius realizou muitas coisas durante o período na prisão, produzindo arte, poesia, resenhas de livros e outros textos para publicação. Ele fez cursos universitários por meio de várias instituições, obteve certificação como assistente jurídico, estudou para ser tutor de escrita e também direito migratório. Envolveu-se em atividades de mentoria dentro da prisão e aconselhou outras pessoas encarceradas. Agora é nossa vez de oferecer apoio enquanto ele retorna para casa e estabelece sua base com trabalho, moradia e comunidade.

Neste momento, ainda não sabemos quais restrições pós-libertação estarão em vigor, nem por quanto tempo. Reconhecemos as muitas pessoas que defenderam, apoiaram e trabalharam por esse resultado, e esperamos que você se junte a nós no apoio a Marius.

Por favor, entre em contato pelo e-mail: freemariusmason@gmail.com

Fonte: https://www.abcf.net/blog/welcome-home-marius-mason/

agência de notícias anarquistas-ana

Boêmio da noite
no portão enferrujado.
Morcego dormindo.

Fanny Dupré

[Indonésia] Atualização sobre os presos anarquistas do Primeiro de Maio de 2026

Desde quarta-feira (13/05/2026), a polícia, por meio da mídia local, alega ter prendido 13 indivíduos acusados de envolvimento em atos de vandalismo durante as manifestações do Primeiro de Maio de 2026 em Bandung. Um dos suspeitos, RR, conhecido como “Mpe”, foi apresentado como o “líder dos anarquistas do sul de Bandung” e acusado de coordenar atos de incêndio criminoso, destruição de propriedade e financiamento dos distúrbios.

As autoridades acusaram os supostos anarquistas com base em disposições relacionadas à segurança pública, incluindo o Artigo 308 sobre colocar em risco a segurança pública e o Artigo 309 sobre conspiração criminosa e preparação de crimes que ameaçam pessoas, propriedade ou o meio ambiente, nos termos da Lei nº 1 de 2023 sobre o Código Penal (KUHP), com pena máxima de até nove anos de prisão.

Além disso, a polícia alegou que os anarquistas estavam sob o efeito de drogas durante as manifestações, apresentando essa alegação como uma das justificativas morais para sua detenção. O anúncio foi interpretado como um sinal de pânico dentro do aparato de segurança, dado que os distúrbios durante o Primeiro de Maio teriam excedido as expectativas oficiais e não foram previstos pelas autoridades.

PS: Mais uma vez, a polícia está construindo uma narrativa falsa retratando RR, também conhecido como “Mpe”, como o mentor ou líder por trás da ação. Desde as prisões de anarquistas no ano passado, a Polícia Nacional da Indonésia (Polri) tem usado repetidamente a mesma estratégia. Há também relatos de que RR, também conhecido como “Mpe”, está sendo culpado pelas famílias de outros participantes detidos simplesmente porque os outros são mais jovens. Não deixem que RR fique sozinho nessa situação.

Palang Hitam International

Fonte: https://palanghitamanarkis.noblogs.org/?p=887

agência de notícias anarquistas-ana

Juntos,
um homem e a brisa
viram uma página

Betty Drevniok

Você sabia que o Itaú, banco que mais lucra no Brasil, é o maior caloteiro da Prefeitura de São Paulo, devendo em impostos R$ 19,9 bilhões?

• Itaú deve R$ 19 bilhões a Prefeitura de São Paulo
 
26 de mar. de 2026
 
A Câmara de Vereadores de São Paulo aprovou em plenário uma ordem, de número 150700235, que obriga a Prefeitura de São Paulo a informar os nomes dos 50 maiores devedores inscritos na dívida ativa do Município, atualizada e listada no site dividaativa.prefeitura.sp.gov.br.
 
A lista foi publicada pela primeira vez nesta terça-feira e mostra um calote gigantesco, com oito devedores passando de R$ 1 bilhão em impostos não pagos. O Itaú lidera com nada menos que R$ 19,9 bilhões, divididos entre o banco, a administradora de cartões, o leasing e o consórcio.
 
O segundo maior devedor é o Facebook, com calote de R$ 3,9 bilhões, seguido de Unimed Paulistana com R$ 3,6 bilhões, Banco do Brasil com R$ 2,8 bilhões, Notre Dame Intermédica com R$ 2,4 bilhões, Tim Celular com R$ 1,4 bilhão, Omint Serviços de Saúde com R$ 1,2 bilhão e Sabesp com R$ 1,1 bilhão.
 
Nokia, Caixa Econômica, Jockey Club, Tejofran Saneamento, Enel (responsável por apagões enormes), Ingram, Unimed Nacional, Uol, SAP Brasil, Banco Volkswagen, Unimed do Estado de São Paulo, Peeqflex, Bradesco, Sulamericana Saúde, Qualicorp e Ânima Educação devem mais de R$ 500 milhões cada.
 
A lista dos maiores caloteiros de impostos devidos ao município de São Paulo inclui ainda nomes como o Corinthians, que não pagou R$ 450 milhões, a Bolsa de Valores B3 (R$ 414 milhões), o Santander (R$ 386 milhões) e as operadoras Oi (R$ 380 milhões) e Claro, que não pagou R$ 372 milhões.
 
A soma do calote desses 50 devedores chega a mais de R$ 56 bilhões. Para ter uma ideia do que esse montante significa, o pacote de 55 obras desenvolvido no momento pela Prefeitura tem custo de R$ 19,9 bilhões. A obra mais cara do país, a Usina de Belo Monte, custará R$ 40 bilhões. Sobra troco.
 
A rodovia Transnordestina, de 1.200 km, sairá por R$ 15 bilhões. A Linha-6 Laranja do metrô paulista, inteira, custará R$ 17 bilhões. O trem expresso entre a capital e Campinas tem orçamento de R$ 13,5 bilhões. Os R$ 56 bilhões dariam para construir 700 hospitais de grande porte, 100% equipados.
 
Fonte: A Região
 
Conteúdos relacionados:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/05/08/democraticamente-itau-unibanco-continua-faturando-alto-sob-governo-lula-3/
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/02/14/democraticamente-sob-governo-lula-3-o-itau-lucrou-equivalente-a-r-1282-milhoes-por-dia-em-2025/
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/10/24/em-tempos-de-oportunismos-cinismos-hipocrisias-greenwashins-marina-silva-neca-setubal-itau-industria-do-petroleo/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
A gaveta da alegria
já está cheia
de ficar vazia
 
Alice Ruiz

Anarquismo no Pará: a morte do anarquista Plácido de Albuquerque (1920)

Por Carlos Ferreira de Araujo Jr.

Em 1920, dois operários anarquistas foram escolhidos para representar os trabalhadores do Pará no Terceiro Congresso Operário Brasileiro, organizado pela C.O.B no Rio de Janeiro: José da Silva Gama e João Plácido de Albuquerque. José da Silva Gama nasceu em Maceió, mas cedo mudou-se para Belém. Se tornou um anarquista a partir das leituras de Kropotkin, Gorki e Tolstoi.  Já era bem conhecido por participar de grupos de propaganda libertária em Belém.

Já João Plácido de Albuquerque nasceu em 1885, em Minas Gerais, se mudou para Belém do Pará ainda jovem. Começou a militância anarquista em 1913. Entre 1913 e 1920 foi um incansável militante anarquista da cidade. Plácido foi perseguido e demitido de inúmeras vezes. Com outros libertários, fundou grupos de propaganda anarquista na capital paraense. Enquanto não tinha emprego, Plácido fabricava e vendia cigarros para poder sobreviver. Em 1917, em artigo publicado A Plebe, João Plácido informava, bastante animada, o surgimento de diversas associações de classes em Belém. Por causa destes históricos favoráveis, Silva Gama e Plácido Albuquerque embarcaram no navio Campos para o Rio de Janeiro representando o proletariado paraense.

Ao chegarem na capital, os dois libertários foram abordados e presos acusados de serem ladrões e anarquistas perigosos. Telegramas enviados pela polícia do Pará para a polícia do Rio de Janeiro informavam a ida de dois militantes anarquistas. Os dois foram levados para a Delegacia Central. Silva Gama se mostrou mais reservado do que seu companheiro. Por sua vez, Plácido Albuquerque não negou o motivo de estar naquela cidade. Disse que representava o operariado de Belém. Relatou aos policiais a dificuldade de trabalhar mais de 8 horas por dia numa cidade como Belém. Ao final das explicações ironizou: “Não era melhor que me prendessem lá, poupando-me da viagem?”

Da Central de Polícia, Plácido foi levado ao Hospital onde morreria dias depois. José da Silva Gama denunciou que os dois sofreram maus tratos e Plácido falecera por conta das torturas sofridas. O corpo do operário foi velado na sede da União da Construção Civil. O enterro de Plácido, no Cemitério do Caju, capital federal, foi acompanhado por mais de mil operários que entoavam hinos libertários como Filhos do Povo. O caixão foi baixado ao canto da Internacional. 

REFERÊNCIAS

KARLLOS, Jr. Brasil Negro Insurgente; Ed. Monstro dos Mares. 2025

RODRIGUES, Edgar. Companheiros.

PERIÓDICOS

GAZETA DE NOTÍCIAS. Data: 25/04/1920. N.114

A PLEBE.18/08/1917.N.10.P.2.

GAZETA DO RIO. 25/04/1920. N. 114

A RUA. 24/04/1920.N.103.

A VOZ DO POVO.26/04/1920.N.79.

____________.01/05/1920.N.84.

____________. N. 84. 01/05/1920.

____________.03/05/1920.N.85.

BIOGRAFIA AUTOR

CARLOS FERREIRA DE ARAUJO JUNIOR – Historiador formado pela UEPB. Publicou dois livros: Renego – Grito Punk (2021), sobre o punk na Paraíba, e Brasil Negro Insurgente (2025), sobre libertários e socialistas negros no Brasil. Desde 2012, possui um canal acervo punk no youtube: ÔKO DO MUNDO! O autor também escreveu os seguintes cordéis e zines libertários/decoloniais: OBREIROS DA BORBOREMA, BRADO BRUTO, EXU MOLOTOV, PLUMA NEGRA, ZINE AUTÔNOMO TEMPORÁRIO (ZAT).

>> Foto em destaque: Dois representantes do Pará: Silva Gama, anarquista negro, e Plácido Albuquerque, anarquista morto no Rio de Janeiro (RJ).

agência de notícias anarquistas-ana

no calor da sesta
imóvel, o gato vigia
o vôo da vespa

Jorge Lescano