[Chile] O prisioneiro anarquista Felipe Ríos será transladado ao Cárcere Colina 1

Em uma audiência realizada durante a manhã desta quinta-feira (05/02), o Tribunal de Garantia de Concepción determinou o translado do prisioneiro anarquista Felipe Ríos ao penal de Colina 1, Região Metropolitana.

A decisão chega após anos de prisão no CP Biobío e dos inumeráveis esforços para aproximar o companheiro a sua região de origem, familiares e amigos. A determinação tem um prazo de 15 dias para ser materializada pela Gendarmeria.

Desde Concepción, suas redes de apoio e amizades estão atentas ao cumprimento desta resolução, que embora já não esteja próxima, consegue um dos pontos mais importantes no encarceramento do companheiro, significando um avanço em sua situação.

Enviamos um grande abraço a Felipe e a seus próximos.

A seguir até ter-te fora dos cárceres.

Felipe Ríos à rua!!

Fonte: https://lazarzamora.cl/prisionero-anarquista-felipe-rios-sera-trasladado-a-colina-1/

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agência de notícias anarquistas-ana

Mãos que tecem redes,
sem âncora nem prisão —
marés libertas.

Liberto Herrera

Desconstruindo Altares: Por um Anarquismo Sem Gurus e Sem Compromissos com o Poder

A figura do guru, do intelectual estrela ou do “companheiro de luta” celebridade é um veneno que corrói pela raiz os princípios do anarquismo. O caso exposto sobre Noam Chomsky é a prova cabal e vergonhosa dessa contradição. Aqui temos um homem celebrado por setores do movimento como um farol libertário, enquanto na prática cavava relações privilegiadas com bilionários como Epstein, acumulava uma fortuna milionária sob a gestão dessa mesma elite que diz combater e usava sua influência para defender o indefensável, de negacionistas a regimes autoritários de esquerda. Isso não é um deslize; é a marca registrada de quem opera dentro da lógica do poder, não contra ela. O anarquismo não precisa de heróis em pedestais, precisa de coerência nas trincheiras.

A adulação a celebridades como Chomsky revela uma preguiça intelectual e uma submissão psicológica profundamente anti-libertárias. Em vez de construirmos coletivamente nossas análises a partir das lutas concretas, corremos o risco de delegar o pensamento crítico a uma figura supostamente iluminada. Passamos a seguir frases de efeito, a repetir chavões e a justificar, por lealdade cega a um nome, contradições inadmissíveis. Como pode um movimento que prega a autogestão e a desconfiança do poder constituído cair na armadilha de criar seus próprios ídolos? Cada guru que erguemos é um passo atrás na longa marcha pela emancipação total.

O anti-imperialismo de salão, aquele que faz vista grossa às ditaduras “do lado de cá” em nome de combater o Império, é uma doença oportunista que Chomsky exemplifica tragicamente. Solidariedade seletiva não é solidariedade, é realpolitik disfarçada de radicalismo. Enquanto, por exemplo, silenciava sobre a perseguição brutal a dissidentes cubanos na “Primavera Negra”, sua voz era alta para defender figuras abjetas na Europa. Essa dupla moral revela que, para alguns, a causa libertária é um palco para performance, não um compromisso inquebrantável com os oprimidos, sem asteriscos nem exceções convenientes.

A relação com Jeffrey Epstein é a face mais nua e repugnante dessa capitulação. Não se trata apenas de uma “má escolha” de assessor financeiro. Trata-se da normalização, pelo apoio pessoal e pela minimização dos crimes, de um monstro que representa o ápice da depravação patriarcal e capitalista. O que diz sobre um “anarquista” que, diante de acusações de tráfico sexual infantil, responde com preocupação sobre o “tratamento pela imprensa” do seu amigo bilionário? Diz tudo. Diz que os laços de classe e de privilégio, no fim, falaram mais alto que qualquer princípio.

Portanto, é hora de uma limpeza ética radical em nossos círculos. Anarquismo não é um clube de fãs, nem uma marca que precisa de embaixadores famosos. É uma prática diária de horizontalidade, de apoio mútuo e de confronto direto com todas as hierarquias. Nossas referências devem ser os coletivos em luta, os movimentos de base, as pessoas comuns que organizam a raiva e a esperança no cotidiano, não os professores renomados que negociam com o diabo nos corredores do poder. A confiança deve estar dispersa, nunca concentrada em um único nome.

Que o caso Chomsky sirva como lição final: nenhum ícone é insubstituível, e nenhuma celebridade está imune à corrupção do sistema que diz combater. Nossa força reside na nossa capacidade de pensar e agir por nós mesmos, coletivamente, sem intermediários e sem pastores. Desfaçamos os altares, queimemos os livros sagrados de autores intocáveis e sigamos em frente, com os pés no chão da luta e os olhos voltados para um horizonte sem ídolos, onde a liberdade de cada um seja obra de todos. Nem líderes, nem gurus, nem mestres. Apenas companheirismo solidário e crítica permanente. 

Liberto Herrera.

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Lentos dias se acumulam –
Como vão longe
Os tempos de outrora.

Buson

[EUA] Punk — Uma Utopia Perigosa | Revisitando a relação entre punk e anarquismo

Como o punk emergiu das contraculturas dos anos 1960 que dizia rejeitar? Por que o movimento desempenhou um papel tão central no ressurgimento do anarquismo em todo o mundo no final do século XX? Como ele prefigurou a mídia participativa da era digital? E o que seu legado pode nos ensinar hoje?

O texto a seguir é o prefácio de “Smash The System! Punk Anarchism as a Culture of Resistance, um novo livro publicado pela Active Distribution. Você pode pré-encomendá-lo aqui. Você também pode baixar gratuitamente quase todos os discos de punk e hardcore que a CrimethInc. lançou ao longo dos anos aqui.

>> Leia o texto na íntegra aquihttps://es.crimethinc.com/2026/01/13/punk-uma-utopia-perigosa-revisitando-a-relacao-entre-punk-e-anarquismo-1

agência de notícias anarquistas-ana

Calada resiste
a flor entre o asfalto duro —
ninguém a doma.

Liberto Herrera

[Hungria-Alemanha] 8 anos de prisão – Manifestações pela libertação de Maja em Berlim e outros lugares

Em 4 de fevereiro de 2026, a antifascista Maja foi condenada a oito anos de prisão na Hungria. Cerca de mil pessoas protestaram naquela noite em Berlim. Manifestações espontâneas de solidariedade também ocorreram nas ruas de Hamburgo, Dresden, Erfurt, Freiburg, Nuremberg, Kiel e Potsdam.

Maja foi acusada de atacar e ferir neonazistas em Budapeste no Dia da Honra. Em vez de provas concretas, a acusação só pôde apresentar provas circunstanciais. Em 2024, Maja foi extraditada ilegalmente da Alemanha para a Hungria em uma operação clandestina e, desde então, está detida em confinamento solitário em uma prisão masculina, sob condições desumanas, por ser uma pessoa não binária. Após o veredicto, tanto a defesa de Maja quanto a acusação recorreram da sentença.

Solidariedade com Maja – contra o fascismo e a repressão!

Contexto: Todos os anos, em fevereiro, Budapeste acolhe o chamado “Dia da Honra” — uma das maiores concentrações de fascistas, neonazistas e militantes de extrema-direita na Europa. Muitos marcham pelas ruas com uniformes da SS. A marcha é organizada por uma rede internacional de extrema-direita e não só é tolerada, como também recebe apoio ativo do governo húngaro. 

Nos últimos anos, porém, a resistência antifascista tem se fortalecido cada vez mais, inclusive na Alemanha e na Itália. Em 2023, confrontos eclodiram à margem da manifestação entre participantes da marcha e antifascistas. Vários fascistas ficaram feridos, alguns gravemente.

Maja foi presa em Berlim em dezembro de 2023 devido a uma dessas brigas e extraditada para a Hungria em uma operação clandestina e ilegal. Lá, Maja foi julgada e condenada. Como pessoa não binária, Maja foi submetida a repressão adicional no sistema prisional húngaro e durante todo o processo legal. Em um estado abertamente homofóbico como a Hungria, isso significa discriminação direcionada, assédio e perigo específico.

Liberdade para Maja! Liberdade para todos os antifascistas!

Mais informações: @basc.news, @free.maja e www.basc.news

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O grão que se lança
na terra comum e fértil:
grátis esperança.

Liberto Herrera

Brasil ganha espaço na indústria da guerra, em meio a demanda global em alta

Sem grandes alardes, um setor industrial brasileiro tem tido um desempenho excepcional desde 2024: o de defesa e segurança. Nos dois últimos anos, as exportações brasileiras de armamentos e equipamentos de guerra dispararam, com recorde de crescimento de 110%.

A performance inédita ocorre na esteira das guerras em curso na Ucrânia e em Gaza e, de forma geral, do aumento das preocupações globais com o tema. O país se posiciona como uma potência emergente no setor – apesar de, na diplomacia, pregar o diálogo para a resolução de conflitos e a paz.

A indústria começa a colher os frutos da Estratégia Nacional de Defesa, lançada em 2008, que levou à consolidação de produtos de alta tecnologia, à expansão de mercados e a ofertas competitivas, num contexto de aumento da demanda internacional.

>> Leia mais aqui: https://economia.uol.com.br/noticias/rfi/2026/02/04/brasil-ganha-espaco-na-industria-da-guerra-em-meio-a-demanda-global-em-alta.htm

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/05/14/lula-pacifista-nao-lula-lambe-botas-de-milico-sanguinario/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/05/17/lula-e-um-pacifista-de-araque/

agência de notícias anarquistas-ana

lavrando o campo
a nuvem imóvel
se foi

Buson

[México] Rojava de meu coração, um chamado internacionalista a defender a autonomia

Cada geração de radicais tem seus pequenos oásis de revolução. Lugares onde, ainda que seja por um tempo, nossos ideais libertários se materializam em formas de vida mais livre. A comuna de Paris, a revolução russa, as coletivizações espanholas, os conselhos de trabalhadores na Hungria, a revolução cubana, as ocupações em 68… Para nossa geração, um destes oásis nasceu em meio do deserto, na Síria.

A terrível ditadura da família Al Assad se construiu sobre as bases da repressão e de alimentar os conflitos étnicos. Durante as revoltas de 2011, o governo tentou aplicar esta mesma fórmula, mas fracassou. A dura repressão do governo conseguiu romper as barreiras étnicas e unir os povos. Os conselhos locais floresceram por todo o território, não só para organizar a luta, mas a vida cotidiana desde bases mais horizontais e interculturais.

No norte da Síria, este impulso à autonomia encontrou-se com o movimento de liberação nacional kurda para dar à luz ao confederalismo democrático; um projeto político sem Estado, baseado na criação de comitês locais, da ecologia e da participação ativa das mulheres em todas as dimensões da autogestão. Tristemente, a primeira tarefa que teve foi organizar a autodefesa. Apenas o processo de comitês cristalizava teve que construir milícias de autodefesa contra os avanços do Estado Islâmico. A luta contra o Estado Islâmico supôs também alianças perigosas com os Estados Unidos, assim como um maior peso da autoridade do partido tradicional da liberação kurda.

De qualquer modo, os experimentos de autonomia que estavam acontecendo no território liberado de Rojava comoveram aos radicais, amantes da liberdade, de todo o mundo. Muitos viajaram para levantar a pá e o fuzil em defesa do projeto confederalista. A bandeira negra e o A circulado se deixavam ver. Logo também nos chegaram notícias, tanto de milicianos internacionalistas como de companheiros exilados, de que as coisas não eram tão maravilhosas como os discursos as pintavam. Não todas as vozes pesavam igual nos conselhos e não todos podiam opinar. Os compromissos com as potências custavam cada vez mais. E cada vez ficava menos claro que pesava mais, a liberação nacional kurda ou a liberação pura e simples, de todos sem importar sua etnia ou identidade.

Sabemos que as coisas nunca são brancas ou negras. Nenhum processo revolucionário é “puro” ou “perfeito”. Mas, a 14 anos de luta, nos parece inegável o valor dos projetos no território liberado de Rojava. Estes projetos estão hoje em risco. Quando, no final de 2024, uma aliança de milícias com apoios internacionais conseguiram tombar a ditadura de Al Assad, o destino da autonomia kurda era pouco claro. Não se reconhecia no discurso oficial. As coisas se complicaram em meados de 2025 quando o PKK, partido da liberação kurda na Turquia e referência organizativa do confederalismo, anunciou que deporia a luta armada, favorecendo a via legal de luta.

O destino do território liberado de Rojava era incerto até que, no início de janeiro, o exército oficial sírio começou sua ofensiva contra as zonas liberadas. Negou o reconhecimento à autonomia e exortou as forças da resistência a integrar-se ao exército oficial. Seguindo a tática de Al Assad, o governo sírio buscou o apoio das comunidades árabes do território que, talvez, não se sentissem plenamente incluídas no projeto de liberação kurda. Em sua passagem, o governo sírio se apoderou de cárceres controlados pelo governo kurdo, liberando membros do Estado Islâmico que aí se encontravam.

Frente a esta ofensiva, as forças kurdas decidiram resistir e defender sua autonomia. Hoje, Kobane, principal cidade do território liberado, se encontra em estado de sítio. Por todo o território se rearticulam as autodefesas, com as juventudes à frente. E lançaram um chamado internacional à solidariedade. Formaram caravanas para ir liberar Kobane e chamam a ações solidárias para defender a autonomia de Rojava.

Desde a Coordenadora Anarquista Tejiendo Libertad, espaço de coordenação libertária na Abya Yala, não podemos senão subscrever este chamado à solidariedade internacional. Em forma análoga ao que aconteceu com a Venezuela, mais além de nossas diferenças ou até críticas, cremos que os projetos revolucionários de autogestão que se construíram são tremendamente valiosos e é nosso dever como anarquistas defendê-los.

Uma vez mais, nossa solidariedade não está com nenhum partido, caudilho nem bandeira, mas com os povos que lutam para construir sua autonomia. Nenhum partido pode liberar o povo, são só os povos organizados de forma autônoma que podem conquistar e defender sua própria liberdade. Os comitês locais, que conseguiram romper as barreiras étnicas e organizar a vida desde baixo, foram o terror de Assad e o Estado Islâmico, que o sejam também do governo de al-Julani e seus aliados turcos. Desde nossos territórios, consideramos nossa responsabilidade levantar a voz.

(1) Difundir em nossos territórios não só o que acontece em Rojava, mas o valor do que aí se construiu.

(2) Participar de ações de solidariedade com Rojava e sabotagem à infraestrutura de guerra.

(3) E, como dissemos antes, a melhor forma de minar as estruturas de opressão é construindo alternativas autogestivas.

Não só devemos defender a autonomia de Rojava, mas expandir suas conquistas de autogestão mais além de suas fronteiras. O que mais temem as pessoas no poder é que deixemos de depender deles e seu poder se esfume.

Jin, Jiyan, Azadî (Mulher, Vida, Liberdade)

Fonte: https://catl.noblogs.org/post/2026/02/07/rojava-de-mi-corazon-un-llamado-internacionalista-a-defender-la-autonomia/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Os grilos cantam
Apenas do meu lado esquerdo –
Estou ficando velho.

Paulo Franchetti

[EUA] Esta loja vai fracassar: livraria punk quer atrair a comunidade

por Wulfe Wulfemeyer – 9 de janeiro de 2026

Se os moradores de Lawrence vão confundir os Ministérios Ecumênicos do Campus (ECM) com uma igreja, a diretora executiva Jessie Duke ao menos quer que pareça uma igreja selvagem. Por isso, ela abriu uma livraria punk e anarquista no prédio.

“Como o lugar se apresenta como uma igreja, muitas vezes as pessoas têm medo de entrar aqui”, disse Duke. “Há muita gente que se sente afastada disso, ou que tem traumas relacionados a estar em espaços religiosos.”

Duke afirmou que isso não impede que grupos religiosos realizem eventos no prédio comunitário do ECM, no campus da Universidade do Kansas (KU), caso a comunidade assim deseje. Mas ela não quer que a diversidade de iniciativas no local seja ignorada: Food Not Bombs, projetos de ajuda mútua, shows punk underground, almoços vegetarianos gratuitos toda semana, e a lista continua.

A nova livraria pode servir como isca para atrair o transeunte desavisado, mas Duke disse que não pretende fazer proselitismo. Em vez disso, o espaço funciona como uma loja física para sua editora punk e anarquista chamada Bread & Roses, fundada por ela em 2020.

O nome vem do clássico slogan socialista e do movimento trabalhista, que enfatiza a dupla necessidade das coisas básicas (o pão), mas também da beleza e da riqueza da vida (as rosas). Além de publicar seus próprios títulos, a Bread & Roses distribui livros de pequenas editoras com afinidades políticas em todo o país. Uma mistura desses títulos está atualmente exposta no ECM.

“Não imagino que vá haver muito movimento de clientes vindo só para comprar coisas, mas espero que isso faça as pessoas entrarem, e então elas caminhem pelo corredor e pensem: ‘Que lugar é esse?'”, disse Duke. “… E aí elas começam, tipo, a se misturar.”

Ao lançar uma rede mais ampla, ela espera também atrair pessoas de fora da bolha da KU, como moradores de Lawrence em geral e pessoas ligadas à Haskell Indian Nations University. Segundo ela, o ECM costuma receber grupos de lados distintos de questões políticas, e o centro pode servir como um espaço seguro de acolhimento e um terreno fértil para o diálogo.

“Eu só quero resolver problemas e fazer as pessoas em Lawrence se sentirem seguras”, disse Duke.

O ECM não é um centro comunitário tradicional, assim como a livraria Bread & Roses não é uma livraria comum. Ela fica instalada em um antigo espaço de capela, que ainda conserva seus vitrais elaborados, mesmo sem servir como local de culto há anos. Duke e a equipe da Bread & Roses quiseram transformar seus escritórios privados em um espaço público, para não ficarem guardando a beleza só para si.

A livraria e os escritórios convivem em duas salas. Prateleiras com livros usados à venda ficam ao lado do estoque de títulos, que serão embrulhados em jornais independentes, amarrados com bilhetes escritos à mão e enviados pelo correio aos clientes da loja online da editora.

O modelo de Duke provavelmente soa como um pesadelo para um empresário preocupado com o lucro. Quando divulgou a loja em um comunicado à imprensa, ela escreveu: “Esta loja vai fracassar”.

“Agora, é isso que parece certo, e é disso que precisamos, então vamos fazer mesmo assim”, disse ela. “Não importa se isso durar seis meses e depois tivermos que, tipo, empacotar todos os livros de novo.”

A maioria dos títulos disponíveis na Bread & Roses também pode ser emprestada na Biblioteca da Solidariedade, logo ali na esquina, dentro do ECM. Duke disse que também vende livros na Wonder Fair há anos e pretende continuar.

Adam Gnade, um dos autores mais vendidos da editora, ficou no caixa na noite de quinta-feira, após o lançamento oficial da loja na segunda-feira. Gnade escreve ficção autobiográfica que retrata o cotidiano, do pão do trabalho às rosas do amor.

Ele disse que visitantes costumam se surpreender ao encontrar livros fora de catálogo ou difíceis de localizar, além de títulos de pequenas editoras e edições limitadas.

“Muitos dos títulos que estão sendo vendidos aqui são livros que, em algum momento, provavelmente serão banidos neste período em que estamos vivendo, e vai ser cada vez mais difícil para as pessoas encontrarem certos títulos, especialmente livros sobre antifascismo”, disse. “Então ter algo físico, eu acho, é importante.”

Duke vê a loja como uma forma de pessoas curiosas aprenderem sobre as realidades dos movimentos sociais e do ativismo. Ela disse que nunca se empolgou muito em ler teoria anarquista. Em vez disso, se interessa mais por publicar manuais DIY, biografias e guias práticos que traduzam o pensamento político em ação concreta. Isso pode ser, por exemplo, um livro sobre como cultivar sua própria horta para promover soberania alimentar, ou um memorial escrito por uma ativista dos direitos dos animais.

Duke acredita que não há sede melhor para esses títulos do que o ECM.

“Enquanto eu estiver publicando e vivendo em Lawrence, teremos uma livraria aqui no ECM”, disse ela. “Mesmo que fôssemos um sucesso gigantesco, eu não procuraria um espaço maior e me mudaria para mais perto do centro, porque, no nível comunitário, sinto que é mais importante que esteja aqui.”

A Bread & Roses funciona de terça a domingo, do meio-dia às 19h, no ECM, 1204 Oread Ave. A entrada da loja fica no lado sul do prédio, logo ao lado do estacionamento.

Fonte: https://lawrencekstimes.com/2026/01/09/ecm-bread-roses-bookstore/

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Na tapera velha
Há digitais nas paredes:
Registros humanos.

Antonio Cabral Filho

[Indonésia] Caso Estrela do Caos: O companheiro anarquista Eat fica em prisão domiciliar

Atualização sobre Estrela do Caos 22.1.26

O companheiro anarquista Eat, acusado no caso Chaos Star (Estrela do Caos), foi liberado do complexo policial paramilitar de Java Ocidental e posto sob prisão domiciliar/urbana. Espera-se que Eat seja vigiado de perto pela unidade antiterrorista Densus88. Companheiros e advogados foram vê-lo e o levaram para comer, tomar medicamentos e descansar. Eat segue sob investigação e o caso segue aberto. Isto é o que o advogado de Eat disse sobre sua situação:

“Eat foi posto em liberdade por aplicação da lei, já que o período de detenção durante a fase de investigação havia expirado e não poderia prorrogar-se. No entanto, esta liberação é temporária, já que o processo legal segue em curso. O caso está atualmente à espera de ser transferido desde a promotoria. Acontece a fase de processo judicial, Eat poderia ser detido de novo e transladado ao centro de detenção de Kebon Waru para ser julgado.

Desde um ponto de vista substantivo, Eat tem na realidade uma vantagem legal neste caso. As acusações e o informe da investigação não cumprem os requisitos legais necessários, em particular os relacionados com a incitação. Não há provas claras de nenhuma chamada ou instrução direta para organizar ou levar a cabo o protesto do ano passado, como se alega. Por isso, os próprios promotores se mostram relutantes em levar o caso ante os tribunais”.

Esta vacilação também influiu na decisão do investigador de não seguir adiante com um segundo caso que envolvia Eat e a outro companheiro identificado. Agradecemos a todos sua solidariedade e apoio. Sem a pressão internacional, não cremos que Eat teria sido liberado.

Nada terminou. Eat poderia ser preso novamente. Há outros 73 anarquistas acusados e centenas de presos do levante que seguem detidos. No entanto, trata-se de um grande êxito, já que o Densus88 queria converter Eat em bode expiatório como figura organizativa e líder da falsa rede Estrela do Caos e da própria insurreição.

Por favor, permaneçam atentos ao estado de saúde e ao processo legal de Eat e dos outros presos. A companheira anarquista Dena permanece no complexo de Java Ocidental e também está enferma por falta de medicação para o VIH. Atuem e façam doações a Palang Hitam/ABC Indonésia. Não contamos com o apoio suficiente para proporcionar uma infraestrutura adequada a um número tão grande de presos em um momento no qual o movimento anarquista está sendo atacado na Indonésia. Para fazer uma doação, ponham-se em contato com Dark Nights, IWOC UK ou qualquer grupo ABC (Cruz Negra Anarquista) estabelecido de há muito tempo.

Fogo às prisões!

Palang Hitam/ABC

Fonte: https://darknights.noblogs.org/post/2026/01/22/chaos-star-case-anarchist-comrade-eat-released-under-house-arrest-indonesia/

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

Caminho se faz
com passos leves e firmes —
rumo horizontal.

Liberto Herrera

[Espanha] Lançamento: “Consciência de classe, psicologia e anarquismo”, de Ángel Lejarriaga

Necessitamos uma filosofia universal que estruture o pensamento crítico, o mal estar social e a revolta. Uma filosofia com a capacidade de redefinir todos os aspectos da vida social, que ofereça soluções que partam da experiência e o bem comum: o anarquismo.

Kropotkin disse que a chave da evolução humana era o apoio mútuo. Precisamente, este é o princípio básico a redescobrir em nosso sistema de crenças. Podemos despertar nossa consciência de oprimidas, mas para que a sociedade progrida é necessário que se cumpram umas condições psicológicas mínimas. Este pequeno ensaio aborda a relação entre essas condições psicológicas, a consciência coletiva e o anarquismo.

Ángel E. Lejarriaga (Madrid, 1956) é psicólogo clínico, editor da revista cultural libertária “La Idea” e do blog “El viajero de Orión”. Colabora habitualmente na imprensa libertária, como “Rojo y Negro” (CGT). Publicou “El sueño de Iris” (2001), “La trompeta sin sombra” (2007), “El viajero de Orión” (2011) e “Bajo la nube negra” (2023).

Conciencia de clase, psicología y anarquismo

Autor: Ángel Lejarriaga

ISBN: 979-13-990905-2-9

Páginas: 91

2026

piedrapapellibros.com

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

O bambu não cansa,
o ano inteiro
na mesma dança.

Fabiano Vidal

[França] Para acabar com Chomsky

Por Floréal | 05/02/2026

Num artigo¹ inicialmente publicado na revista L’Oiseau-tempête, republicado pelo jornal belga Alternative libertaire e posteriormente postado no seu próprio blogue, Claude Guillon já tinha destacado, de forma notável, em 2002, este tipo de engano que consistia em querer incorporar Noam Chomsky, este “anarquista de Estado”, nas fileiras libertárias, com o mesmo fervor temerário que outros, ou as mesmas pessoas, demonstravam em relação a Michel Onfray, essa outra impostura “anarquista”.

Em 2020, num artigo intitulado “A Queda de Noam Chomsky”², denunciei a cumplicidade deste intelectual com as ditaduras de esquerda na América Latina, em particular o regime de Castro³, uma cumplicidade baseada num anti-imperialismo que o levou a optar pela peste por ódio à cólera, o que, convenhamos, demonstra um nível de reflexão bastante patético em alguém apresentado por certos colunistas libertários como um dos grandes pensadores contemporâneos.

Alguns de nós, aliás, não esquecemos que, antes de tudo isso, Chomsky escolheu, entre todas as pessoas do planeta que foram alvo de censura, perseguição ou prisão por causa de seus escritos, defender os mais indefensáveis entre elas, os negacionistas Robert Faurisson e Vincent Reynouard, enquanto ele, que se interessava tanto por Cuba, nunca disse uma palavra sobre a famosa “Primavera Negra” de 2003, que viu o regime castrista condenar 75 dissidentes, incluindo 30 jornalistas independentes, a penas que variaram de 15 a 36 anos de prisão. Aliás, seria de se surpreender que essa tolerância chomskiana em relação ao negacionismo não o tivesse tornado definitivamente indesejável no mundo militante chamado radical, mas quando se sabe qual foi a atitude de uma parte desse mundo sobre o assunto, nada mais surpreende.

E agora volta a falar-se de Noam Chomsky devido ao caso Epstein. O seu nome aparece cerca de 6300 vezes nos documentos revelados pelo governo americano. Nicolas Casaux, conhecido pelos seus escritos pertinentes sobre ecologia e feminismo, entre outros temas, analisou cerca de uma centena deles e partilhou as suas conclusões nas redes sociais. Antes de concluir sua reflexão sobre a nocividade da adulação de celebridades e gurus, um traço bastante comum no meio militante, ele destaca dois aspectos inesperados em alguém que supostamente se situaria na esfera libertária.

A primeira consiste, para um anticapitalista declarado, em recorrer a um empresário bilionário, personalidade mundana e com relação privilegiada daquilo a que se chama, sem ironia, “a elite” (estadistas, políticos profissionais, famílias reais, estrelas do showbiz, etc.) para lhe confiar a gestão do patrimônio financeiro – cerca de 7,1 milhões de dólares, uau, nada menos! – que seu trabalho no seio do imperialismo odiado lhe permitiu acumular.

O segundo reside no apoio dado a alguém que na época enfrentava sérios problemas por estupros repetidos, proxenetismo e crimes contra crianças, crimes pelos quais Chomsky parece não se interessar minimamente. Geralmente, espera-se de um libertário, ou alguém que se diz tal, diante de tais horrores, algo diferente da mensagem que ele enviou ao seu amigo em fevereiro de 2019: “Observei a maneira horrível como você está sendo tratado pela imprensa e pelo público. É doloroso dizer isso, mas acho que a melhor maneira de proceder é ignorar. […] Isso é particularmente verdadeiro hoje, com a histeria que se desenvolveu em torno dos abusos contra as mulheres, que atingiu um ponto tal que o simples fato de questionar uma acusação é considerado um crime pior do que o assassinato.

Já é hora de todos aqueles que se dizem anarquistas pararem de ver Chomsky como um companheiro de luta aceitável. Deixemos que outros radicais do seu tipo o incorporem em seu discurso anti-imperialista.

[1] https://lignesdeforce.wordpress.com/2014/11/18/leffet-chomsky-ou-lanarchisme-detat/
[2] https://floralanar.wordpress.com/2020/04/25/le-naufrage-de-noam-chomsky/
[3] Para se ter uma ideia da quantidade de disparates que Chomsky era capaz de proferir sobre Cuba, basta ler a sua inacreditável entrevista aos jornalistas do jornal comunista L’Humanité após a morte de Fidel Castro em 2016.

Fonte: https://florealanar.wordpress.com/2026/02/05/pour-en-finir-avec-chomsky

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agência de notícias anarquistas-ana

Nem dogmas, nem lei;
o rio segue seu curso
— e o povo também.

Liberto Herrera

Irã: eles chamam isso de uma revolta, e é uma revolta

É hora, na verdade, já é até um pouco tarde, de o anarquismo estar à altura da situação. O que está acontecendo hoje no Irã é, neste momento, a maior revolta da história do século XXI. Uma revolta contra a teocracia e a exploração. Uma revolta que marcará o nosso século.

Onde estamos em relação a isso? Se continuarmos fingindo que não vemos, será a primeira vez em nossa própria história, a história do movimento anarquista, que falhamos em apoiar aqueles que se levantaram. É essa a direção que queremos traçar?

Conclamamos todas as camaradas a se colocarem em solidariedade com a luta do povo iraniano. A organizar ações. Nossas camaradas anarquistas no Irã não conseguem entender o nosso silêncio hoje diante de sua luta. Não estamos interessadas em nenhuma guerra nacional entre Ocidente e Oriente. Nosso lugar é ao lado das rebeldes do mundo inteiro.

ABAIXO O ESTADO

PAREM A TEOCRACIA

DEUS É UMA PUTA (Bataille)

anarcofeministas, 2026

Fonte: https://actforfree.noblogs.org/2026/01/31/iran-they-call-it-an-uprising-and-an-uprising-it-is-en-el-fr/  

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Nenhuma bandeira
— só o céu aberto e claro
sobre a fogueira.

Liberto Herrera

[México] Yorch Vive! Exposição coletiva de gráficos, revolta, informação e memória negra por Jorge Esquivel, o “Yorch”

7 de FEVEREIRO durante o CIUDAD MALDITA, na CASA DEL ESTUDIANTE

Jorge Esquivel passou três anos na prisão por uma armação orquestrada pelo Estado mexicano e pela UNAM (Universidad Nacional Autónoma de México) como parte de uma estratégia de repressão à Okupa Che e aos anarquistas. Após muitas negligências médicas diante de seu frágil estado de saúde, a recusa do poder em lhe dar os cuidados médicos necessários, as transferências e os próprios efeitos do encarceramento sobre a saúde dos presos, nosso companheiro perdeu a vida em dezembro de 2025.

Ele morreu na prisão, assim como tantos outros anarquistas ao longo de nossa história anarquista que ousaram lutar pela liberdade. Um assassinato lento pelo qual responsabilizamos a UNAM, o Estado e seu sistema prisional.

Não esquecemos, não perdoamos. E esta exposição coletiva é uma forma de lembrá-lo, de manter viva sua memória, assim como continua vivo nosso ódio ao poder e nosso amor pela liberdade, mantendo-o vivo em nossas ações.

Haverá também uma mesa de divulgação anticarcerária e apoio aos presos anarquistas, com material beneficente, zines, livros e panfletos.

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/12/12/mexico-yorch-era-inocente-yorch-nao-morreu-o-estado-o-matou/

agência de notícias anarquistas-ana

Sem lei nem patrão —
O vento livre sopra
nas folhas do chão.

Liberto Herrera

[Canadá] O novo romance de Robert Hough é sobre dois anarquistas da vida real e sua história de amor

Ele discutiu Anarchists in Love (Anarquistas Apaixonados) no programa Bookends com Mattea Roach

A revolucionária anarquista Emma Goldman surgiu na mente do autor Robert Hough durante um passeio com seu cachorro.

O autor de Toronto estava pensando no tema de seu próximo livro e diz que uma voz ecoou em sua cabeça, sugerindo Goldman como personagem.


“Tudo o que eu realmente sabia era que ela era uma anarquista, provavelmente a anarquista mais famosa de todos os tempos”, disse ele em um episódio do programa Bookends with Mattea Roach.

“Fora isso, eu não sabia nada sobre ela.”

Depois de ler as primeiras 80 páginas da autobiografia dela, Hough percebeu que estava no caminho certo.

Seu novo romance, Anarchists In Love, conta a história dos dois primeiros anos formativos de Goldman na cidade de Nova York, onde, aos 20 anos, ela começou sua vida como anarquista e conheceu seu companheiro revolucionário de longa data, Sasha Berkman.

Anarchists In Love ilumina a história do movimento político clandestino do Lower East Side, num momento em que seus membros se incentivam mutuamente a cometer atos violentos na esperança de desencadear uma revolução.


Hough se juntou a Roach no estúdio para discutir o que torna Goldman uma personagem interessante para a ficção e como a Era Dourada de Nova York é assustadoramente semelhante ao mundo em que vivemos hoje.

Mattea Roach: O que havia nas ideias de Emma Goldman que a distinguia como anarquista e a tornou uma figura tão marcante?


Robert Hough: O que ela trouxe para o movimento foi um senso de diversão. Emma Goldman era uma libertina da mais alta ordem. Ela teve centenas de amantes. Era poliamorosa. Não acreditava na monogamia.

Mas a citação mais famosa de Emma Goldman é: “Se não posso dançar, não é minha revolução”. Essa é uma citação dela que todos conhecem, e acho que tem um certo valor metafórico.


Ela realmente achava que o movimento anarquista era muito enfadonho e cheio de intelectuais sentados discutindo os perigos do materialismo. Ela só queria injetar um pouco de sangue no movimento e estava determinada a fazê-lo.

Na sua opinião, o que ela esperava alcançar com sua política e ativismo?

Ela tinha um objetivo, que era eliminar todas as formas de governo. Ela era anarquista. Não acreditava no governo. Não acreditava na educação formal. Não acreditava na religião. Não acreditava na unidade familiar.

Eles acreditavam que, no fundo, as pessoas eram naturalmente boas. Ela realmente acreditava que todas as formas de corrupção, vícios e avareza humanas eram causadas pelas instituições que nos escravizam e que, se essas instituições não existissem, encontraríamos naturalmente essa forma harmoniosa de nos governarmos.


No início do romance, ela está fugindo de um casamento ruim em Rochester. Então ela conhece seu parceiro, Sasha Berkman, em um café movimentado. Além da política em comum, o que os une?

Eles se conhecem em uma de suas primeiras noites em Nova York, e a atração é imediata. Emma Goldman costumava escrever que gostava de dois tipos de homens: idealistas e vulgares. Acho que ela via os dois em Sasha.


Uma coisa que tive que decidir quando estava escrevendo o livro e escrevendo o papel dela foi o que a tornava tão irresistível para os homens. Acho que ela era muito boa em perscrutar as pessoas, ver sua essência e aceitar isso totalmente. Ela não julgava ninguém, especialmente em relação às suas ideias sobre psicologia.

Ela escreve sobre olhar para Sasha Berkman e ver esse tipo de homem anarquista de verdade, e ela aceita isso totalmente. Essas são as palavras dela, aliás. Não são minhas.

Quando ela conhece Sasha Berkman, ele está deprimido. E no livro, ela faz o possível para extrair do espírito revolucionário dele o que considera ser sua verdadeira essência anárquica. Transformá-lo em um revolucionário ativo e potente é o que ela quer de Sasha.

Uma frase que aparece no romance é a ideia da propaganda da ação. Você pode me explicar um pouco sobre essa ideia e por que ela teve tanto impacto sobre Emma e Sasha?

A ideia era que, se você fizesse algo grande, como assassinar o industrial Henry C. Frick, isso poderia dar início a uma revolução. Frick era o braço direito de Carnegie. Ele dirigia a fábrica de aço Carnegie em Pittsburgh. Houve uma greve dos funcionários da fábrica de aço e Frick mandou suas forças armadas abrirem fogo contra os grevistas, matando sete deles.

Por esse motivo, Emma e Sasha decidiram que ele seria um alvo que valeria a pena eliminar. Eles nunca, nem por um segundo, pensaram que ele não seria substituído da noite para o dia.

A ideia de matá-lo era despertar o descontentamento que viam existir em todos ao seu redor; as pessoas se levantariam e iniciariam uma revolução anarquista nos Estados Unidos. Essa era a propaganda pelo ato.

Que efeito essa tentativa fracassada de assassinar Henry C. Frick teve sobre o movimento anarquista?

Os anarquistas estavam fora do radar. Não existiam em grandes quantidades. No entanto, tudo mudou com esta tentativa de assassinato de Henry Frick. Em pouco tempo, o anarquismo tornou-se ilegal e vimos anarquistas serem presos a torto e a direito.

Então, de certa forma, não funcionou.

Este romance se passa na Era Dourada dos Estados Unidos, um período de rápida industrialização e crescimento econômico, mas que também apresentava uma extrema desigualdade de renda. Acho que muitas pessoas sentem, em 2025, que estamos vivendo talvez uma segunda Era Dourada ou que alguns desses mesmos problemas são muito evidentes hoje em dia. O que você acha disso?

Concordo plenamente. Ouço isso em todos os lugares. Acho que é por isso que o livro está despertando tanto interesse. Quando se trata da distribuição de riqueza nos Estados Unidos, estamos vivendo outra Era Dourada. Mas os Guggenheims foram substituídos por Elon Musk, Mark Zuckerberg, Jeff Bezos e pessoas como eles. São os irmãos da tecnologia os novos industriais da nossa época.

Então, na Era Dourada, cerca de 90% da riqueza dos Estados Unidos estava concentrada nas mãos de 1% da população. Acho que voltamos a essa situação.

Tenho escrúpulos morais em relação a assassinar todo mundo. Além disso, não acho que seja eficaz. Não concordo necessariamente com o que eles decidiram fazer. No entanto, ainda acho que as pessoas gostariam que outra Emma Goldman aparecesse, porque ela era completamente destemida.

Acho que as pessoas estão ansiosas por outro herói heroico.

Esta entrevista foi editada para maior clareza e concisão. Foi produzida por Sarah Cooper.

Fonte: https://www.cbc.ca/books/bookends/robert-houghs-new-novel-is-about-two-real-life-anarchists-and-their-love-story-9.6994621

Tradução > transanark & Rigor / acervo trans-anarquista

agência de notícias anarquistas-ana

chove sobre o musgo frio
os bons tempos antigos
ecoam no silêncio

Buson

[Itália] Sempre ao lado de Juan, condenado a 5 anos no processo de Bréscia

Na quinta-feira, 15 de janeiro, nosso amigo e companheiro Juan foi condenado a 5 anos por “ato com finalidade de terrorismo” (artigo 280bis) no processo de Bréscia pela ação contra a POLGAI. Se essa condenação se tornar definitiva, o fim da pena para Juanito, atualmente fixado em 2045, seria adiado ainda mais. Dada a fragilidade da investigação e das evidências contra o companheiro, contestadas pontualmente pela defesa, podia-se esperar uma absolvição. Não foi o que aconteceu: evidentemente, os juízes de Bréscia e os jurados que compunham o tribunal do júri, com a costumeira covardia e indiferença pela vida dos outros, não quiseram descartar uma investigação que durou anos e custou muitos milhares de euros, uma vez que esta é a terceira tentativa de atribuir a Juan (e inicialmente a outro companheiro, depois definitivamente inocentado) a responsabilidade pela ação. De nossa parte, enquanto aguardamos o processo de apelação, continuamos a mobilização ao lado do nosso Juan: se ele é “inocente”, merece toda a nossa solidariedade; se é “culpado”, merece ainda mais!

NOSSOS COMPANHEIROS NUNCA OS ESQUECEMOS! JUAN LIVRE, ABAIXO A POLGAI!

Companheiros e companheiras

Para continuar a escrever ao companheiro:

Juan Antonio Sorroche Fernandez

C. C. di Terni

strada delle Campore 32

05100 Terni

A seguir, o panfleto distribuído já no dia seguinte (na audiência de L’Aquila em que Anan Yaeesh foi condenado e em outros lugares):

Sempre ao lado de Juan, Anan, Alì e Mansour

Ontem, 15 de janeiro de 2025, nosso amigo e companheiro Juan foi condenado em primeira instância pelo tribunal de Bréscia a mais 5 anos de reclusão. A ação de que é acusado é um ataque explosivo ocorrido em 2015 na mesma cidade contra a POLGAI, uma estrutura que colabora com as polícias de vários países em técnicas de anti-motim e contra-guerrilha.

Quando os distribuidores do terror de Estado veem uma pequena parte de sua violência ser devolvida, a polícia política e o judiciário trabalham sem descanso para encontrar os responsáveis por tal afronta — ninguém ouse contestar o monopólio burguês e estatal da violência! —, a ponto de esta ser a terceira vez que Juan é investigado pela mesma ação. Desta vez, a farsa judicial conseguiu condenar nosso companheiro.

Qual é a máxima expressão do monopólio estatal da violência? A guerra. E enquanto os diferentes complexos científico-militar-industriais nos arrastam para a terceira guerra mundial — da qual o genocídio em curso em Gaza é a mais brutal antecipação —, a retaguarda dessa mobilização total deve permanecer pacificada. Por isso a repressão intensificada contra qualquer prática de luta não simbólica (pensemos nas medidas repressivas contra manifestações em solidariedade ao povo palestino, no aumento drástico de penas para bloqueios de estradas, para ações de oposição a canteiros de obras de Grandes Projetos ou mesmo apenas pela difusão de textos considerados “instigadores”). Por isso as cacetadas contra estudantes ou as represálias patronais-judiciais contra carregadores. Por isso as requisições em caso de greve. Por isso as contínuas investigações contra companheiras e companheiros. Por isso o regime de isolamento severo (41-bis) aplicado a Alfredo Cospito. Por isso o ataque às ideias e publicações anarquistas.

Em tempos de guerra, acabam-se as pantomimas garantistas. O Estado mostra suas garras e seu malho. As fronteiras entre frente externa e frente interna tornam-se cada vez mais difusas; o imigrante em luta se confunde com o antagonista, os levantes nas periferias pressionam os movimentos antimilitaristas no ventre da besta.

Hoje, 16 de janeiro, celebra-se no tribunal de L’Aquila a última audiência do primeiro grau de julgamento contra o prisioneiro palestino Anan Yaeesh, junto com os co-réis Mansour e Alì, durante a qual provavelmente haverá a sentença.

Embora a resistência conduzida por Anan nos territórios palestinos seja legítima até mesmo segundo o papel amassado do Direito internacional; embora seja sabido por todos que nas prisões israelenses se pratica sistematicamente a tortura contra prisioneiros palestinos, a resistência armada contra o colonialismo genocida sionista para os juízes italianos se torna “terrorismo”, a mesma acusação movida contra Juan pela ação contra a POLGAI. Lembremos então que essa estrutura está ativa em Bréscia desde 1974 (ano do massacre da Piazza della Loggia) e que entre as polícias com as quais colabora está também a israelense. E lembremos que na província de Bréscia (Ghedi) encontra-se um nó fundamental desse imperialismo ocidental ativamente cúmplice do massacre sem fim do povo palestino: uma base da OTAN na qual estão armazenadas bombas nucleares capazes de desintegrar populações inteiras. O círculo se fecha.

Após a condenação de Juan, portanto, ao expressarmos nossa solidariedade e proximidade, não podemos deixar de ter ainda mais em mente o mesmo pensamento:

Por uma Intifada mundial das oprimidas e dos oprimidos. Por transformar a guerra dos patrões em guerra contra os patrões.

Companheiras e companheiros

Fonte: https://ilrovescio.info/2026/01/17/sempre-a-fianco-di-juan-condannato-a-5-anni-nel-processo-di-brescia/

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

A chuva passou.
A noite um instante volta
A ser fim-de-tarde.

Paulo Franchetti

O rompimento de Murray Bookchin com o anarquismo

Se você se politizou nas alas mais à esquerda da esquerda, entre o final dos anos 1990 e o início dos 2000, é provável ter ouvido falar de Murray Bookchin.

Ele apareceu para mim, ao lado de pensadores como Noam Chomsky e David Graeber, como aqueles que estavam dando vida ao anarquismo no cenário político contemporâneo.

Já nos anos 2010, tomei contato com a informação de que Bookchin havia rompido com o anarquismo.

Isso foi pouco antes de seu nome ganhar mais um fôlego nas esquerdas devido à associação com  Abdullah Öcalan.

Öcalan é uma liderança da histórica luta curda, proponente do confederalismo democrático, um projeto socialista para o Oriente Médio e explicitamente inspirado na ecologia social de Bookchin.

Contudo, ontem, foi esclarecido de uma vez por todas para mim como se deu esse rompimento com o anarquismo.

Isso ocorreu por meio de uma obra póstuma que estou entendendo ser quase uma espécie de testamento político.

Social ecology and communalism é uma ótima porta de entrada para conhecer o pensamento de Murray Bookchin, um dos mais criativos e longevos socialistas norte-americanos do século XX.

O livro é uma coletânea de ensaios organizada por Eirik Eiglad e foi publicado em 2007, um ano após o falecimento de Bookchin.

A obra oferece um ótimo panorama do desenvolvimento de sua ecologia social e a culminância dela no que ele nomeou de comunalismo.

A introdução escrita por Eiglad apresenta uma breve, mas sólida biografia do autor.

Também consegue organizar os ensaios de maneira a fazer o leitor entender diferentes etapas do desenvolvimento teórico de Bookchin.

Em determinado momento do texto, o apresentador da obra afirma: “Ele (Murray Bookchin) rompeu abertamente com o anarquismo na segunda Conferência Internacional sobre Municipalismo Libertário, em Vermont, em 1999, e deixou claro que sua teoria da ecologia social precisa ser incorporada à ideologia que denominou comunalismo”.

Eiglad aponta os desacordos de Bookchin com o anarquismo.

Alguns me pareceram bastante válidos, como a crítica à falta de uma teoria do poder, baseada no caso histórico da Guerra Civil Espanhola.

Contudo, acusações de niilismo e individualismo extremo no anarquismo me soaram como uma descrição circunscrita do cenário anarquista dos EUA entre o final dos anos 90 e início dos 2000.

Bookchin parece ter ignorado, por desconhecimento, talvez, que os plataformistas russos e ucranianos do final dos anos 1920 já haviam realizado essa crítica interna ao campo. Contudo, entenderam o individualismo como um “desvio” do anarquismo histórico, e não como a sua “essência”.

Já li em fóruns de internet, em tempos passados, que Bookchin simplesmente estava puto com toda a contaminação dos anarquistas pelo “anarquismo de estilo de vida” e resolveu “chutar o pau da barraca”, jogando fora o bebê junto da água suja.

Entretanto, não parece justo reputar isso a uma espécie de estado emocional ranzinza, atribuído ao pensador em sua velhice.

A verdade é que, se você for uma leitora ou leitor atento de Bookchin, verá que o pensamento dele foi atravessado por um “ecletismo” teórico.

Este, muitas vezes, criativo, não confuso, uma mescla de anarquismo (antiestatismo, federalismo, autogestão), feminismo (crítica ao patriarcado, reconhecimento de hierarquias para além da classe social), marxismo (influência da Escola de Frankfurt) e ecologia (que deu o sabor especial ao seu pensamento).

Tudo fica mais compreensivo quando o próprio Bookchin escreve em Social ecology and communalism sobre ter aproveitado as melhores partes do marxismo e do anarquismo durante o desenvolvimento de seu próprio pensamento político.

De todo modo, entre os anos 1980 e 1990, quando amadurece sua proposta do municipalismo libertário, Bookchin já havia rompido com a estratégia anti-estatista do anarquismo. Optando, em minha humilde avaliação, por uma contraditória e confusa construção estatista do poder popular.

O programa do municipalismo baseia-se na estratégia eleitoral de tomar prefeituras nos EUA, para impulsionar assembleias populares, confederá-las e criar um duplo poder frente ao Estado-nação. Algo, ao meu ver, não livre de alguma confusão política para alguém tão versado na história do socialismo e dos movimentos sociais.

Se isso poderia fazer algum sentido na região da Nova Inglaterra, local onde Bookchin se estabeleceu e militou, não sei como poderia ser útil ou praticável em outros lugares, particularmente nas periferias do capitalismo.

Aqui cabe um ponto interessante sobre a apropriação curda da ecologia social.

O povo curdo teve que travar uma guerra para conseguir a administração autônoma de certos territórios. Isso não foi conquistado por meio de eleições, até onde eu sei.

De certa forma, no Oriente Médio, se deu o oposto da aposta estratégica de Bookchin: lá, primeiro se fez a guerra para conquistar a administração autônoma e assim organizar eleições locais, já sem a presença do Estado-nação.

Na proposta original do municipalismo libertário, primeiro se candidata em eleições, conquista-se prefeituras, cria-se assembleias populares para administrar a localidade ao invés do corpo profissional prefeitural.

Em seguida, confedera-se essas assembleias e, então, o Estado-nação, ao perder poder, desencadeia uma guerra com os municipalistas confederados.

O vislumbre de uma guerra entre o Estado e os municipalistas é uma etapa posterior no esquema de Bookchin. Na vida do povo curdo, foi a etapa inicial.

Agora, voltemos aos desacordos de Murray Bookchin com o anarquismo.

Outro rompimento anterior, mas no nível teórico, é quando ele abandona a centralidade da classe trabalhadora na construção de uma sociedade socialista.

Graham Purchase, em Anarchism and social ecology: a critique of Murray Bookchin (1993), oferece um bom comentário sobre como a crítica específica do autor ao anarco-sindicalismo entre o fim dos anos 1970 e início dos 1980, já era um rompimento com o anarquismo em geral.

Ao final, me parece ter sido um processo gradual o afastamento de Bookchin do anarquismo. O que acabou por levar a defesa do autor da associação da ecologia social com o comunalismo.

Ainda assim, Bookchin merece ser lido e estudado com atenção e respeito por novas gerações de anarquistas. Principalmente pela abordagem dialética de base ecológica que ele oferta para entender as questões sociais e ambientais como indissociáveis para a construção do socialismo no século XXI.

Raphael Cruz

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agência de notícias anarquistas-ana

manhã de sol
sombra do pardal no poste
primeira visita do dia

Alonso Alvarez

Notícias sobre prisioneiros políticos anarquistas na Bielorrússia, outubro–dezembro de 2025

Em setembro, Aliaksei Halauko teve seis meses acrescentados à sua pena de seis anos com base no Artigo 411 (desobediência à administração prisional). Essa informação só se tornou pública em outubro. Em outubro, sob o mesmo Artigo 411, a pena de Aliaksandar Kazlianka foi aumentada em 1,5 ano, a de Pavel Shpetny em 2 anos e a de Jauhen Rubashka em 1 ano.

Em outubro, tornou-se conhecido que Ihar Alinevich estava em uma cela punitiva na IK-20. Em agosto, o prazo de sua pena havia terminado e ele foi enviado para uma colônia, mas durante dois meses não se sabia para qual. Ocultar informações sobre o paradeiro de prisioneiros políticos é uma forma de pressão sobre eles e seus familiares. Após dois meses na cela punitiva, Ihar foi transferido para uma instalação de tipo prisional. Mais tarde, soube-se que, ao chegar à colônia, Ihar entrou em greve de fome por um mês.

Em novembro, surgiu a informação de que Siarhej Ramanau havia sido hospitalizado e submetido a uma cirurgia. A operação foi planejada e ocorreu sem complicações. O diagnóstico de Siarhej é desconhecido para nós.

Em 22 de novembro, Maryja Misiuk, integrante do grupo Black Nightingales que havia sido condenada a 13 anos por “terrorismo”, foi “perdoada” e deportada para a Ucrânia. Ela tinha 16 anos na época de sua prisão. Em dezembro, tornou-se conhecido que outros membros do grupo receberam longas penas: Trafim Barysau e Siarhej Zhihaliou, 12 anos, Dzmitry Zakharoshka, 10 anos e meio, Aliaksandra Rulinovich, 10 anos e 3 meses.

Fonte: https://abc-belarus.org/en/2026/01/21/news-oct-dec-2025/  

Tradução > Contrafatual

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uma libélula
pousa em outra libélula
ah, o amor!

Sérvio Lima