[Espanha] 1º de Maio | Não à guerra: menos gastos militares e mais direitos trabalhistas e sociais

Estamos vivenciando uma ofensiva global contra a classe trabalhadora. O capitalismo em crise responde com mais precariedade, mais autoritarismo, mais controle e mais guerras. Enquanto uma minoria concentra riqueza e poder, a maioria da sociedade vê suas condições de vida, seus direitos e seu futuro se deteriorarem.

A guerra tornou-se uma ferramenta política e econômica normalizada. O genocídio do povo palestino, o bloqueio a Cuba, os ataques à Venezuela e ao Irã, a prolongada guerra na Ucrânia e o aumento dos conflitos pelo controle de recursos demonstram um mundo governado pela violência e pelos interesses das grandes potências. O aumento dos gastos militares ocorre em detrimento da saúde, da educação, das aposentadorias e dos direitos sociais. O contexto internacional de guerra, rearmamento e tensões geopolíticas não é estranho à nossa realidade. Suas consequências são diretas: aumento do custo de vida, cortes nos serviços públicos, aumento dos gastos militares e enfraquecimento das políticas sociais. Enquanto bilhões são destinados à indústria militar, em Córdoba, os recursos para saúde, educação e serviços sociais são cortados. A classe trabalhadora sempre paga pela guerra, seja economicamente ou com suas vidas. Nossos jovens, os filhos e filhas da classe trabalhadora, são usados ​​como bucha de canhão em suas guerras imperialistas de pilhagem e dominação sobre as nações. Diante da guerra e do militarismo, defendemos a paz, a vida e a cooperação entre os povos.

A União Europeia, subserviente aos Estados Unidos, caminha para a militarização e a erosão dos direitos. A Espanha, com seu modelo de produção precário, sofre com a desindustrialização, uma crise habitacional, dependência energética e tecnológica e um custo de vida crescente que afeta particularmente a classe trabalhadora.

Neste Dia do Trabalhador, a classe trabalhadora de Córdoba volta às ruas, não como um ritual, mas como uma declaração de guerra social contra a precariedade, a exploração e o descaso institucional. Não há celebração possível quando, em nossa província, o trabalho não garante uma vida digna, quando os jovens são condenados a emigrar, quando as mulheres ocupam os piores empregos do sistema e quando a população migrante é usada como mão de obra descartável. Em Córdoba, não falta trabalho. Falta dignidade no trabalho.

O Governo da Junta da Andaluzia, presidido por Juanma Moreno Bonilla, transformou os serviços públicos num mercado aberto à privatização, à terceirização e aos interesses empresariais, seguindo o caminho já trilhado pelos sucessivos governos do PSOE [Partido Socialista Espanhol] na Junta.

Centros de saúde com filas de espera de dias ou semanas para atendimento primário; salas de emergência superlotadas, especialmente em horários de pico; profissionais de saúde denunciando sobrecarga estrutural e falta de substitutos; instituições de longa permanência com milhares de casos paralisados, onde famílias aguardam meses ou anos por serviços básicos; e educação pública com salas de aula superlotadas e falta de pessoal de apoio. Enquanto isso, o governo andaluz desvia cada vez mais recursos para a saúde privada e a gestão terceirizada de serviços essenciais. Isso não é ineficiência: é um modelo político de transferência de riqueza pública para interesses privados. Defender os serviços públicos em Córdoba hoje significa defender um direito arduamente conquistado contra um processo planejado de pilhagem.

As reformas trabalhistas consolidaram um modelo em que o trabalho já não garante estabilidade.

Em Córdoba, isso se traduz em: contratos de dias ou semanas na hotelaria e no comércio varejista, rotatividade constante na logística e em armazéns, e trabalho em tempo parcial imposto em setores feminizados.

A terceirização em cadeia nos setores de limpeza, serviços e manutenção, e a juventude presa em um ciclo de empregos sem futuro. A realidade para os jovens em Córdoba é clara: eles trabalham, sim, mas sem um plano de vida. A precariedade não é uma falha do sistema; é o seu funcionamento normal. Construiu-se um mercado de trabalho onde as empresas ganham flexibilidade e a classe trabalhadora perde direitos, renda e estabilidade.

Em Córdoba, recorrer aos tribunais do trabalho é um processo longo e frustrante para os trabalhadores. Os tribunais do trabalho sofrem com atrasos, os processos se arrastam por meses ou anos e, nesse ínterim, esses trabalhadores demitidos ou explorados ficam em um limbo. A empresa, por outro lado, tem a vantagem: demite os trabalhadores sabendo que o processo será lento.

Viola-se a legislação sabendo que a sanção virá tarde demais e exerce-se pressão sabendo que o sistema não responderá rapidamente. Isso cria impunidade estrutural e desmantela a única ferramenta que o sistema nos deixou, a classe trabalhadora, para nos defendermos dentro dele. A justiça trabalhista, como está atualmente concebida, não equilibra a relação de emprego; ela a inclina ainda mais a favor do capital.

Em nossa cidade, a repressão sindical nem sempre é visível nas manchetes, mas está presente no cotidiano dos locais de trabalho. Ela se manifesta em: demissões de trabalhadores sindicalizados em empresas de serviços; pressão sobre representantes sindicais nos setores de logística e distribuição; sanções internas contra quem denuncia condições abusivas; listas negras informais em setores com alta rotatividade; e até mesmo acusações criminais contra trabalhadores e sindicalizados por exercerem atividades sindicais. No tecido produtivo de Córdoba — hotelaria, agricultura, logística, limpeza — a organização tem consequências. Há uma tentativa de impor a ideia de que reivindicar direitos tem um custo pessoal. Mas toda tentativa de intimidação revela a mesma coisa: quando a classe trabalhadora se organiza, o poder econômico responde com repressão.

Por exemplo, estamos vendo o que está acontecendo na Hitachi, onde trabalhadores em greve foram punidos, ou onde o investimento foi cortado, levando à intervenção do governo estadual. Ou como a Construcor ameaçou um lockout na construção civil após uma greve de operadores de guindaste. Ou como o Grupo Duplach apresentou queixa-crime contra trabalhadores e sindicalistas por se sindicalizarem e denunciarem as péssimas condições de trabalho que enfrentavam. E, no entanto, a situação continua.

Na Andaluzia, e também em Córdoba, os índices de acidentes de trabalho permanecem entre os mais altos da Espanha. Isso não é coincidência. Na agricultura, a colheita continua a depender de cronogramas de trabalho intensivos e condições adversas; na construção civil, os riscos persistem devido à terceirização e à pressão por prazos; na logística e distribuição, os acidentes ligados a ritmos de trabalho impossíveis e longas jornadas estão em ascensão; e no setor de serviços, a falta de prevenção é sistêmica. Cada acidente de trabalho não é uma falha individual, mas sim o resultado de um sistema que prioriza a produção em detrimento da segurança.

Quando um trabalhador em Córdoba não volta para casa, não se trata de uma tragédia isolada; é uma responsabilidade política e corporativa direta. Não são mortes, são assassinatos; é terrorismo patronal.

Em muitos acordos coletivos de trabalho atuais, incluindo os de Córdoba, uma prática profundamente regressiva tornou-se normalizada: o salário-base é inferior ao salário mínimo, e o mínimo legal é atingido por meio de complementos. Isso representa uma grave degradação da negociação coletiva por três razões: o salário-base é artificialmente reduzido; os complementos podem desaparecer ou ser absorvidos; e o acordo perde sua capacidade real de promover melhorias salariais. Em outras palavras, a lei é ostensivamente cumprida, mas o direito é esvaziado de seu significado. Esta não é uma questão técnica; é política. É por isso que exigimos claramente: nenhum acordo coletivo de trabalho em Córdoba pode estabelecer salários-base abaixo do salário mínimo. O salário mínimo deve ser o verdadeiro ponto de partida para qualquer negociação, e não um teto superficial.

A precariedade em Córdoba não é um fenômeno isolado; é um modelo econômico. É sustentada pelo turismo sazonal de baixa remuneração; pela agricultura intensiva com mão de obra vulnerável; pelo comércio varejista com turnos divididos e baixos salários; por serviços terceirizados com altos níveis de trabalho temporário; e por uma juventude excluída do mercado de trabalho estável. O resultado é claro: Córdoba é uma província onde o trabalho não garante a permanência. Milhares de jovens emigram todos os anos, buscando em outros lugares o que lhes é negado aqui: dignidade.

As mulheres trabalhadoras em Córdoba continuam concentradas nos setores mais mal remunerados e instáveis: cuidados, limpeza, comércio, serviços, saúde e educação. Elas sofrem com a disparidade salarial entre gêneros; com o trabalho obrigatório em tempo parcial; com uma carga excessiva de trabalho de cuidado não remunerado; e com maior exposição ao emprego precário; e sustentam, por meio de seus esforços, um sistema que o governo abandona deliberadamente para favorecer empregadores que lhes concedem benefícios.

Os migrantes, por sua vez, são utilizados como mão de obra flexível, temporária e subcontratada, frequentemente em condições precárias e extremamente vulneráveis, como na agricultura, hotelaria, serviços terceirizados, limpeza, cuidados e serviços auxiliares.

Além disso, ambos os grupos são politicamente usados ​​como bodes expiatórios por discursos racistas e reacionários.

Em resposta, afirmamos: não existem trabalhadores de primeira e segunda classe. Existe apenas a classe trabalhadora. Uma classe, uma luta.

Este Dia do Trabalhador em Córdoba não é uma data simbólica. É um ponto de virada. Ou a classe trabalhadora se organiza em cada local de trabalho, em cada bairro, em cada setor, ou continuará sendo controlada, explorada e dividida.

Diante do Governo Regional da Andaluzia e seu modelo de privatização, diante de empregadores que criam condições de trabalho precárias, diante da repressão sindical, diante do racismo e do sexismo estrutural, diante do capitalismo que nos explora, só existe uma resposta possível: organização, conflito e luta de classes.

Porque em Córdoba não há muita gente. O que há demasiado é exploração. E a classe trabalhadora não veio para cá para sobreviver: veio para mudar tudo.

Viva o Primeiro de Maio e a luta da classe trabalhadora!!!

Viva a luta da classe trabalhadora!

cordoba.cnt.es

agência de notícias anarquistas-ana

entre velhas páginas
uma folha ainda verde
da casa antiga

Alice Ruiz

Vida precária, punho erguido: organizar ou morrer

Chega.

Chega de esperar o salvador de paletó, o sindicato de mãos dadas com o patrão, o político que vai nos dar a mão enquanto a outra nos apunhala pelas costas. Chega de assistir, de lamentar, de compartilhar artigo de opinião e achar que isso é luta. A passividade é o nosso verdadeiro algoz. Ela é a saliva que lubrifica a guilhotina.

Olhem ao redor. A precarização não é acidente, é projeto. Seu salário que não dá pra carne, seu aluguel que come três quartos do mês, seu tempo de vida trocado por migalhas e um atestado de burnout – tudo arquitetado. As guerras não são loucura de poucos: são negócio. Cada bomba que explode longe é financiada pelos mesmos bancos que te negam crédito, pelos mesmos fundos que compram sua dívida, pelos mesmos governos que nos chamam de “ameaça” quando pegamos numa bandeira negra.

E a decadência burguesa? Olhem para o espetáculo. Celebridades vendendo ansiedade como estilo de vida, influenciadores pregando resiliência pra quem não tem o que comer, uma cultura que transforma desespero em entretenimento. O inimigo não está apenas na fábrica, no quartel ou no palácio. Ele está dentro da nossa cabeça quando acreditamos que “não tem jeito”, que “é assim mesmo”, que o máximo que podemos fazer é votar e rezar.

Mentira.

A resposta não virá de cima. Nunca veio. Virá de nós, dos nossos punhos suados, das nossas costas doloridas, das nossas noites em claro costurando lona para barricada ou imprimindo panfleto na gráfica do companheiro que arrisca o couro. A resposta é luta. E luta sem organização é espasmo.

Por isso, para o Primeiro de Maio de 2026, não quero ver bandeira institucional hasteada por burocrata de gravata. Quero ver assembleia no bairro, piquete na porta do armazém que explora, greve geral começando às 6h da manhã. Quero ver o trabalho parado, a produção interrompida, o silêncio ensurdecedor das máquinas que só se calam quando nós mandamos. Quero ver os precarizados – entregadores, terceirizados, intermitentes, os “sem-direitos” – descobrindo que o poder está na rua, não no aplicativo.

Organização não é burocracia. É reconhecer o companheiro do lado, saber em quem confiar quando o gás lacrimogêneo descer. É ter um plano, um fundo de resistência, uma gráfica, um telégrafo humano. É aprender com os que vieram antes – os anarquistas que tombaram nas fábricas, nos campos, nas guerras civis – e aplicar ao nosso tempo. O inimigo tem inteligência artificial e satélite. Nós temos o que ele nunca terá: a certeza de que a terra é de quem nela põe os pés e o suor.

1º de Maio de 2026: vamos parar o mundo. Não com pedido, não com abaixo-assinado, não com marcha light autorizada pela prefeitura. Vamos parar com ação direta. O dia em que nenhum caminhão circular, nenhum lixo for coletado, nenhuma aula for dada, nenhum prato for lavado no restaurante. O dia em que a burguesia olhar pela janela e ouvir o silêncio da produção parada – o barulho mais aterrorizante que existe pra quem vive de explorar.

A precarização da vida só vence quando aceitamos migalhas em troca de sossego. As guerras só continuam enquanto a classe trabalhadora se mata entre si por bandeirinhas. A decadência só é suportável enquanto nos anestesiamos com consumo e futilidade.

Nosso grito não é por “inclusão” no sistema. Nosso grito é pelo fim do sistema.

Organizar ou ser aniquilado. Lutar ou apodrecer.

Dia 1º de Maio de 2026, a terra treme. E não será terremoto. Serão nossas botas no asfalto.

Vidas precárias, nenhum minuto a mais de passividade. Às ruas, companheiros. O futuro não espera – ele se toma.

Liberto Herrera.

libertoherrera.noblogs.org

agência de notícias anarquistas-ana

alta madrugada,
vaga-lumes no jardim
brincam de ciranda

Zemaria Pinto

[Espanha] 1º de maio | Só lutando conseguiremos uma vida melhor.

A manifestação do 1º de maio é celebrada este ano em meio à mais grave crise bélica desde a Segunda Guerra Mundial. O ataque contra o Irã colocou o mundo à beira de uma catástrofe que ameaça toda a humanidade e que só a classe trabalhadora pode deter.

Devemos transformar este 1º de maio num grito unânime contra a guerra, mas também por uma moradia digna e desmercantilizada, pois o mesmo fundo abutre que nos expulsa de nossas casas e bairros financia as guerras do capital. O mesmo sistema em que somos obrigados a sobreviver parece ter esgotado os recursos fósseis que o sustentavam. A crise que se aproxima será paga por apenas uma classe: a nossa. Na verdade, já a estamos pagando. Aí estão as filas da fome, a pobreza energética e a exclusão social rondando as famílias que vivem de trabalhos precários.

Não nos esquecemos das lutas das mulheres, que não nos deixam esquecer que dentro da mesma classe algumas sofrem ainda mais opressões, porque, embora as greves de mulheres tenham sido determinantes não só na luta pela igualdade, mas também na conquista de direitos trabalhistas para todos, elas continuam sendo vítimas de feminicídios nas guerras, da diferença salarial e da discriminação no âmbito laboral.

O imperialismo e o rentismo nos querem sozinhas e enfrentadas, mas estamos juntas e somos imparáveis. Devemos sê-lo contra o fascismo que trabalha para o capital; contra as empresas que nos exploram e contra os governos que legislam para elas.

Saiamos às ruas no 1º de maio e fiquemos lá. Lutemos a partir delas por nossas condições de trabalho, por nossos salários e por nossas vidas.

Não permitamos que continuem nos roubando. Só lutando conseguiremos uma vida melhor.

solidaridadeobrera.org

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

longa conversa
um grilo termina
o outro começa

Ricardo Silvestrin

[Itália] Primeiro de Maio Anarquista.

Paz entre os oprimidos, guerra aos opressores!

Primeiro de Maio Anarquista

Sexta-feira, 1º de maio

8h30

Praça Vittorio

Grupo antimilitarista

Contra todas as pátrias por um mundo sem fronteiras!

Nos últimos anos, os ricos ficaram ainda mais ricos, enquanto quem era pobre ficou ainda mais pobre. E a situação só piora.

Em toda parte, aumentam as fileiras de pessoas sem casa, sem renda, sem perspectivas. Para fechar as contas, muitos se adaptam a uma infinidade de trabalhos precários, mal pagos, informais, sem proteção.

Em toda parte, cresce a lista de mortos e mutilados no trabalho: não são acidentes, mas a lógica feroz do lucro que devora a vida e a saúde de tantos.

O preço do gás e da luz dobrou, muita gente está sendo despejada ou com a casa indo a leilão. Sem dinheiro para o aluguel e as contas, o acesso à saúde se torna uma mercadoria de luxo que poucos podem pagar.

O longo caminho de normalização das lutas sociais, iniciado em Turim em 1980 com a derrota da resistência operária na Fiat, está chegando ao seu epílogo.

A destruição das frágeis proteções conquistadas nos anos 1960 e 1970 caminha junto com uma repressão cada vez maior às lutas.

Hoje, os herdeiros diretos do fascismo estão no governo e estão restaurando o fascismo. Não é necessária a ditadura formal para cancelar os frágeis espaços de liberdade conquistados à custa de um século de lutas.

As questões sociais se tornaram uma questão de ordem pública para esmagar com violência policial qualquer sinal de insurgência social.

O conjunto de leis repressivas que este governo, em perfeita continuidade com os anteriores, tem promulgado pode enterrar na prisão companheiros e companheiras por episódios banais de luta. Hoje em dia, uma simples pichação, um bloqueio de rua, um piquete, uma ocupação, talvez combinados com um dos muitos crimes de associação, são tratados com extrema dureza.

Na véspera do 25 de abril, aprovaram a prisão preventiva para ativistas políticos incômodos ao governo.

Meloni como Mussolini: as leis especiais de 1926 se tornaram, passo a passo, as leis “normais” de 2026.

O governo condena à morte os migrantes com o bloqueio naval e coloca em confinamento (daspo, ordens de expulsão da cidade, vigilância especial, sequestro preventivo) os antifascistas.

As muitas medidas repressivas implementadas na última década para enquadrar os indesejáveis, os corpos excedentes, os subversivos não são suficientes para um governo que decidiu controlar toda a população.

Na periferia, a ocupação militar se tornou normal. Aliás! Cada dia está pior.

Áreas inteiras dos bairros pobres são colocadas sob cerco, com contínuas batidas policiais em pessoas sem documentos ou que vivem da economia informal.

Turim, de cidade do automóvel, está se transformando em cidade dos bombardeiros e vitrine para turistas. Uma vitrine que os pobres que passam horas nos jardins não devem sujar. A aspiração a uma sociabilidade não mercantilizada deve ser reprimida.

O governo, em todos os níveis, aponta o dedo para as pessoas mais pobres, racializadas, com a chantagem constante dos documentos, para esconder a guerra social que desencadeou contra todos os pobres, italianos e nascidos em outros lugares, alinhando-se ao lado dos patrões, grandes e pequenos.

O controle etnicamente direcionado do território visa reprimir pela raiz qualquer possível insurgência social. O CPR (Centro de Permanência para Repatriação), a prisão administrativa para sem documentos, é, assim como a cadeia, um depósito de lixo social.

O governo experimenta técnicas de controle social antes impensáveis, apenas para não gastar um centavo com moradia, saúde, transporte, escolas.

Os gastos militares estão em constante aumento, as missões no exterior das forças armadas italianas se multiplicaram.

Os militares passam seis meses em missões militares no exterior, seis meses nas ruas das nossas cidades.

A guerra pelo controle dos recursos energéticos caminha junto com a ofensiva contra as pessoas em viagem, para empurrá-las de volta para as prisões da Líbia, onde tortura, estupros e homicídios são fatos corriqueiros.

Hoje, querem todos recrutados, todos alinhados nas guerras em que nosso país está envolvido direta ou indiretamente. Nós não topamos.

Nós não nos alistamos, recusamos a retórica patriótica como elemento de legitimação de todos os Estados e de suas pretensões expansionistas.

O antimilitarismo, o internacionalismo, o derrotismo revolucionário foram centrais nas lutas do movimento dos trabalhadores e trabalhadoras desde suas origens.

Exploração e opressão atingem igualmente em todas as latitudes, o conflito contra os “nossos” patrões e contra os “nossos” governantes é a melhor maneira de se opor à violência estatal e à ferocidade do capitalismo em qualquer lugar.

Estamos ao lado das pessoas que, em todo o mundo, morrem sob as bombas; estamos ao lado daqueles que, em todo o mundo, sofrem prisão e repressão por terem se oposto ativamente à guerra.

Somos contra a economia de guerra aqui e em qualquer lugar.

Estamos ao lado daqueles que, em toda parte, desertam da guerra entre os estados, que disputam o domínio imperial sobre territórios, recursos, vidas de mulheres, homens e crianças.

Somos contra a guerra e contra quem a financia.

Somos desertores de toda guerra, partisanos contra todo estado.

Em um único dia, o governo gasta 104 milhões de euros: com o mesmo valor, seria possível equipar completamente um posto de saúde territorial.

Tente imaginar o quanto melhor seria a nossa vida se os bilhões usados para rejeitar homens, mulheres e crianças nos campos de concentração líbios, para garantir os interesses da ENI na África, para investir em armamentos, para pagar militares nas ruas das nossas periferias fossem usados para escola, saúde, transporte.

Mas imaginar não basta. É preciso mudar o paradigma.

São necessárias mudanças radicais. É inútil deleitar-se com a proposta de uma perspectiva welfare-state hoje inalcançável. A ilusão do welfare-state entrega um cheque em branco ao Estado, que hoje, quando está sob forte pressão, limita-se a esmolas.

Construamos assembleias territoriais, espaços, escolas, transportes, ambulatórios autogeridos. Contam-nos o conto de fadas de que uma sociedade complexa é ingovernável de baixo para cima, enquanto nos afogam no caos da gestão centralizada e burocrática das escolas, hospitais, transportes. A lógica é a do controle e dos negócios. É preciso rompê-la.

É urgente fazê-lo agora. Com a ação direta, construindo espaços políticos não estatais, multiplicando as experiências de autogestão, construindo redes sociais que saibam travar a máquina e tornar eficazes as greves e as lutas territoriais.

Um mundo sem explorados nem exploradores, sem servos nem patrões, um mundo de livres e iguais é possível.

Cabe a nós construí-lo.

Federação Anarquista Turinesa

Corso Palermo, 46 – reuniões todas as terças-feiras às 20h30

anarresinfo.org

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Na teia da aranha
nada fica preso à noite –
brilha a lua cheia.

Katayama Yumiko

[Espanha] Nasce a assembleia libertária da Cantábria

No dia 7 de março passado, foi apresentada a assembleia libertária da Cantábria em Santander. Após vários meses de assembleias e debates, queremos apresentar um novo projeto anarquista na Cantábria. Uma assembleia que pretende incidir sobre a realidade, cada vez mais hostil devido ao cenário bélico internacional, ao avanço do fascismo, às difíceis condições de vida que nos são impostas, à exploração do trabalho, entre muitas outras, e participar dos conflitos a partir da teoria e da prática anarquista. Um espaço onde confluam ideias e práticas baseadas na horizontalidade, no apoio mútuo, na autogestão e na ação direta.

O debate que temos está aberto; nele existem consensos e dissensos. Surge da inquietação por superar anos de declínio e dispersão política. É por isso que surge também de certas críticas aos movimentos sociais e, em particular, ao ambiente libertário do qual fazemos parte, reconhecendo também, com isso, os múltiplos acertos ao longo desses anos.

Guiaram-nos os valores anarquistas da horizontalidade, sem estabelecer nenhum tipo de hierarquia, relacionando-nos entre iguais, tomando decisões por consenso através da assembleia. A autogestão, sem receber nenhuma ajuda ou subsídio do Estado. O apoio mútuo entre iguais, ajudando-nos e solidarizando-nos entre exploradas e oprimidas. E a ação direta, a resolução de qualquer conflito sem intermediários. Também não queremos nada da classe política, não queremos delegar nossas vidas a ninguém, queremos tomá-las e decidir nós mesmas sobre elas.

A assembleia libertária da Cantábria nasce para dotar neste território o ambiente anarquista de uma pequena estrutura visível e pública onde se organizar. Esse é, no mínimo, nosso ponto de partida. Até agora, na Cantábria, o anarquismo permanece vivo desde a transição democrática até nossos dias por meio da participação de ativistas em movimentos sociais, sindicatos de classe e na gestão de projetos de autogestão e centros sociais. Propomos valorizar esse fato como positivo, já que não estaríamos propondo nada sem sua trajetória e legado, mas propomos também que isso é insuficiente e limitado.

No Estado espanhol, o que poderíamos chamar de movimento libertário encontra-se atualmente em um momento protagonizado por distintas correntes que, como sempre, conviveram ou simplesmente existiram, colocando em prática suas próprias ideias e métodos. Permanece a organização informal em grupos de afinidade sem siglas nem nomes, sob assembleias, gestão de centros sociais, grupos de ação direta, etc. Existe um setor anarcossindicalista que, apesar de seus distintos conflitos, também permanece com seu trabalho sindical em diferentes frentes. Existe também um ramo mais ligado ao ecologismo e à defesa do território, bem como à construção de uma alternativa política desde a ruralidade. Além disso, existe uma via plataformista e especifista que propõe a necessidade de criar organizações formais de massas. Sem entrar, nem superficial nem profundamente, na descrição dessas quatro categorias nas quais poderíamos classificar o anarquismo atual de forma ampla, sem negar que muitas pessoas podem coincidir em várias ao mesmo tempo, é verdade que todas influenciam de uma maneira ou de outra aqueles que tentam levar este projeto adiante, e nenhuma o define por completo. Mas não devemos esquecer que, no movimento libertário dos últimos anos, também existe outra realidade. A realidade do abandono da militância para outras forças políticas, ou simplesmente o abandono das militâncias em geral por cansaço, desídia, circunstâncias pessoais e pela precariedade sistêmica atual.

Aterrissando tudo isso em nosso contexto local, a verdade é que na Cantábria não podemos falar diretamente de movimento anarquista, mas sim de um ambiente que gira em torno dessa afinidade libertária. Trata-se de um ambiente muito diluído nas dinâmicas dos movimentos sociais e também muito centrado em criar estruturas internas de autogestão que dizem respeito apenas às próprias pessoas envolvidas, que muitas vezes chegam a conhecê-las por inquietude política e por amizade, mas não porque exista um trabalho político de divulgação e propaganda por trás.

Nesse sentido, a assembleia libertária da Cantábria não pretende ser mais uma mera tentativa de grupo anarquista para autocomplacência, mas sim uma estrutura visível e pública para dar a conhecer ao resto da sociedade e um exemplo de luta desejável para se estender e contagiar. É por isso que pretendemos sair de anos de passividade política, de dispersão e de declínio, que consideramos não ter afetado apenas “nós”, mas todos os movimentos, para propor um mínimo organizativo. Mas para isso não queremos reproduzir algumas dinâmicas que sempre tivemos e queremos experimentar outras coisas. Por exemplo, abandonar as dinâmicas onde amizade e afinidade se confundem, abandonar as dinâmicas de agir sem siglas nem nome. Abandonar as dinâmicas que nos levam a criar projetos que pretendem sair do capitalismo dentro do capitalismo, para propor conflitos sociais assumindo que estamos dentro do capitalismo e que não podemos escapar individualmente nem em pequenos grupos do mesmo, a não ser propondo uma luta social que deve se estender para acabar com a dominação.

Estender-se não significa necessariamente crescer como assembleia em número, mas sim contar que o anarquismo seja acessível a todos por meio de lutas como a autodefesa trabalhista, o antimilitarismo, a incidência em lutas sociais que existam ao nosso redor. As lutas que escolhermos dependerão da avaliação constante que fizermos de nossa prática. Para isso, precisamos de presencialidade, constância e levar em conta nossas limitações.

Dizemos isso porque esta iniciativa está sendo impulsionada por três pessoas, sabendo que poderia interessar a muitas outras. Refletimos sobre a idade que vamos tendo, sobre a dispersão geográfica que vivemos entre companheiras e a mudança no tempo que dispomos para as militâncias e consideramos essas questões como muito determinantes para podermos levar a cabo nossa atividade, para o bem ou para o mal. Também vemos a necessidade de promover não apenas o crescimento desta assembleia, mas o nascimento de outras e uma futura coordenação ou federação em nível da Cantábria como horizonte e sob uma perspectiva anarquista.

Além disso, pensamos em escolher dois eixos de atuação. Um deles, e por isso o convite passado às companheiras da rede de autodefesa trabalhista de Vallecas, seria a autodefesa trabalhista. O outro eixo é a atenção às lutas emergentes e aos problemas mais imediatos (antimilitarismo, antirracismo, moradia, etc.). Tudo isso dependerá das forças que tivermos e das mãos que contarmos. O fato de priorizar alguns eixos concretos não é porque consideremos umas lutas mais importantes que outras, mas porque as consideramos mais desassistidas sob uma perspectiva libertária do que outras e porque consideramos que são lutas que possibilitam pontes com o resto das pessoas exploradas. Queremos abandonar certas dinâmicas dos movimentos sociais muito ancoradas no lazer alternativo, no autoconsumo de palestras e atividades culturais e nas redes de amizade. Questões que vemos como necessárias, mas apenas se forem acompanhadas de um projeto político que pretenda superar seus próprios limites e transformar a sociedade.

Resumindo, pretendemos criar algo muito básico.

Uma assembleia pública e visível com reuniões periódicas, eixos de luta concretos, avaliações a cada certo tempo e tentativa de promover lutas, participar das que já existem e criar coordenações.

Vocês podem nos contatar em: asamblealibertaria_decantabria@riseup.net

Fonte: https://www.briega.org/es/noticias/nace-asamblea-libertaria-cantabria

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

sussurro um ruído
(farfalhar de qualquer folha
ao pé de um ouvido)

Bith

[Porto Alegre-RS] 1° de Maio Anarquista

Nessa sexta feira 1° de maio de 2026 estaremos na Praça do Aeromóvel desde as 14 horas com uma atividade dedicada a essa data histórica e vigente de luta contra a exploração laboral.

Sendo assim convidamos à troca de ideias: Das origens combativas do 1° de maio à vigência da luta contra a exploração laboral que acontecerá as 15h30.

A partir das 17h30 se apresentarão a CRUA, TUKANDIRA, DISCALÇO e HOSPICIDADE

Ao longo de toda a feira teremos bancas de materiais, a pandemia distro, Tava só Bolhando SLND Artes, e Sabores Mágicos – cozinha ativa.

É um espaço livre e aberto para iniciativas autônomas e independentes.

Em caso de chuva estaremos no Quilombo das Artes, Utopia e luta que fica na Escadaria da Borges, Centro Histérico.

Texto do panfleto:

Das origens combativas e anárquicas do 1° de maio, à vigência da luta contra a exploração laboral

O dia internacional dos trabalhadores não é um dia de celebrações, não é o “dia do trabalho”, pelo contrário, é um dia de combate mortal contra o jugo do trabalho, de luta encarniçada contra a corja capitalista exploradora e seus Estados opressores. Ele surgiu da greve geral nos EUA em 1886 impulsionada por anarquistas, com reivindicações que já na época eram vistas como plenamente possíveis: “Quatro horas de trabalho cada dia seriam suficientes para produzir tudo o que é necessário para uma vida confortável, com base nas estatísticas. Sobraria, pois, tempo para dedicar-se às ciências e à arte” palavras do anarquista Michael Schwab perante o juíz que o condenou por atuar na greve. Um questionamento profundo à vida dedicada apenas ao trabalho que usou a greve e a propaganda pelo fato como estratégias de luta.

Em resposta, a classe dominante impôs uma repressão brutal que resultou na prisão e execução de quatro operários anarquistas que se sobressaíram dentro do movimento: Albert Parsons, Adolf Fischer, George Engel e August Spies e no suicídio em prisão de Louis Ling que preferiu se matar ele mesmo diante da condenação do Estado. Eles ficaram conhecidos no mundo todo como exemplo do tratamento de guerra que se dava aos trabalhadores na defesa da exploração, sendo homenageados com lutas cada vez mais ferozes até a conquista da diminuição da jornada de trabalho, direito às férias, fim do trabalho infantil, enfim, dos direitos trabalhistas tais como conhecemos hoje.

Essas reivindicações eram parte de um projeto mais amplo. Elas serviam para pavimentar o caminho da revolução social, preparando a classe proletária, através da auto-organização de suas lutas, sem subordinação a nenhum partido político nem a nenhum governo que seja, para a construção de uma sociedade livre da exploração e da dominação. Uma luta pela abolição do trabalho assalariado, do Estado e das formas de opressão que são subprodutos da sociedade de classes, como o racismo e o sexismo.

De volta às raízes combativas!

A principal arma histórica do 1º de Maio foi a greve geral unificada acompanhada das manifestações massivas de rua até atingir proporções insurrecionais. Arma realmente potente, pois, ao final nenhum patrão tem a capacidade de fazer nada sem os trabalhadores que explora. Diante disso, a burguesia de todos os países se uniu para desarmar a organização autônoma e revolucionária dos trabalhadores.

As lutas proletárias retrocederam em sua ofensiva contra os capitalistas quando os sindicatos foram sendo incorporados pela burguesia em seus Estados, se tornando ferramentas para as direções burocráticas controlarem os trabalhadores e impedirem de se organizarem em prol de seus interesses. Na esteira desse retrocesso, os capitalistas acentuaram o uso dos seus Estados e seus governos para aumentar a jornada de trabalho, destruir direitos conquistados, como ocorreu nas contrarreformas trabalhista e previdenciária, e como está ocorrendo com o avanço da reforma administrativa. Através desses ataques, os capitalistas buscam impor o peso da crise estrutural do capital nas costas dos trabalhadores com seus ajustes fiscais e arrocho salarial.

Todo presidente, governador, senador, deputado, prefeito ou vereador são representantes políticos dos patrões! Seus grandes auxiliares nesses ataques são as burocracias sindicais que, no lugar de organizar qualquer forma de enfrentamento, continuam promovendo ilusões em seus showmícios, fazendo os sindicatos de palanque para politicagem e dividindo a classe em lutas corporativistas, como as irrisórias propostas de dissídio e o chicote do PPR (Programa de Participação nos Resultados). Tudo isso para imobilizar qualquer iniciativa verdadeira de luta contra a exploração!

E atualmente também enfrentamos a cilada do empreendedorismo, onde a falsa ideia de ser “patrão de si mesmo” acaba obrigando os trabalhadores a jornadas intermináveis. Explorados por plataformas onde quem lucra sequer tem uma cara para meter o dedo ou um endereço para ir bater à porta.

Desde 1886 já se passaram 140 anos de lutas dos trabalhadores por melhores condições de vida. A origem e trajetória combativa do 1º de maio foi sistematicamente mistificada pelos charlatões e fantasiada pelos Estados em feriado, evitando o antagonismo e o conflito. Os governos mudam, os contextos também, mas a indústria ainda explora os que descendem desta luta e as representatividades governamentais dão seguimento ao mesmo sistema de exploração da mercantilização do trabalho, e ainda faz com que escorra sangue, suor e lágrimas sobre as linhas de produções que atendem seus interesses capitalistas; O que torna essa memória ainda viva e essa luta tão importante e extremamente necessária ainda na atualidade.

Por mais que seja pouco, nem mesmo a escala 6×1 pode ser derrotada com festivais e pressões parlamentares que apenas servem para arrebanhar votos! É retomando a ação direta, a organização coletiva independente de patrões, governos, sindicatos, Estados e partidos políticos que podemos reerguer coletivamente um horizonte de luta contra a exploração laboral e retomar o caminho aberto pelos anarquistas do 1º de maio: que o trabalho não signifique exploração.

É com a ação direta, a paralisação, a ocupação, o protesto e a insubmissão que podemos superar a miséria salarial, diminuir realmente a jornada de trabalho até o mínimo possível e organizar nossas atividades em concordância com as nossas necessidades e capacidades e não em prol do lucro de um punhado de parasitas. Viver de acordo com a vida na Terra, no lugar de morrer trabalhando nas fornalhas do capital que destroem o mundo.

Pelo fim da exploração laboral!

Uma vida de dívidas é uma vida penhorada ao patrão.

A Anarquia entende que a vida digna é aquela na qual ninguém explora ninguém. Nessa intenção que todos os inimigos da anarquia pereçam no caos revolucionário!

agência de notícias anarquistas-ana

Na sombra das flores
um besouro a rastejar –
súbita chuvarada.

Sujita hisajo

[Colômbia] Até que vejamos mais a nossos seres queridos que ao patrão

Um dia de rebelião, não de descanso! (…) Um dia em que com tremenda força a unidade do exército dos trabalhadores se mobiliza contra os que hoje dominam o destino dos povos (…). Um dia de protesto contra a opressão e a tirania, contra a ignorância e a guerra de todo tipo” – Extrato de um comunicado de trabalhadores nos EUA, 1885.

Rememorar o dia em que anarquistas e obreiros saíram às ruas de Chicago a reclamar a jornada de oito horas — e foram massacrados pelo Estado nas mãos da força pública, enquanto o capitalismo seguia explorando-os através de seus patrões — nos reafirma que, sem a abolição de ambos mediante uma revolução social, seguiremos sendo objeto de uma crueldade que o sistema normalizou.

Desde que nos levantamos a cada dia para ser embutidos em um TransMilenio, muitas vezes em jejum, entregamos nosso tempo de vida à patronal ou, caso contrário, à rua, sem benefícios sociais e dependendo do fluxo de pessoas para conseguir o suficiente para sobreviver um dia mais. Ao final da jornada, apenas alcança para chegar à casa e cozinhar o almoço do dia seguinte.

Não esquecemos que esta cadeia de produção também se mantém sobre labores não remunerados: aquelas que permitem a reprodução de futuros trabalhadores e a manutenção emocional e sexual, indispensáveis para a reposição mental e corporal que exige voltar a trabalhar no dia seguinte e reiniciar o ciclo de apropriação de riqueza por parte do capital.

Além disso, as instituições de controle — escola, universidade, psiquiátrico, CAI, cárceres, entre outras — operam como espaços de disciplina e adaptação, onde se busca despojar-nos da imaginação, naturalizar as injustiças e torná-las cotidianas, debilitando nossa capacidade de nos organizarmos. As complexidades do sistema atual encontram inclusive em territórios como a Palestina um laboratório de guerra, semeando o medo como ferramenta para desmobilizar a luta, enquanto políticos e empresários violam a lei à sua vontade com a cumplicidade dos que dizem garantir igualdade ante a justiça.

Ainda assim, existimos. Resistimos. Sustentamos a vida e produzimos as riquezas que nos são arrebatadas a cada dia. Estamos no fogo do estalido e também na calma do amor. Não nos deixemos arrebatar este dia de luta por uma lavagem institucional de dia festivo de “merecido descanso”, se querem explorar-nos, que explorem eles primeiro. 

Querido obreiro: és mais que teu trabalho. Tua família te espera, teu bairro te aprecia, tua comunidade te necessita!

Já não mais espera, seremos nó e só nós quem destruirá esta ordem e fundará a anarquia!

ULET (Federação Regional de Cundinamarca)

uletsindical.org

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Em lixo comum
começam a transformar-se
as flores que tombaram.

Tsuji Nomoko

[Chile] Temuko: Convocação para o bloco anarquista na marcha de 1º de maio

Convocamos todos os indivíduos e coletivos antiautoritários a marcharem juntos como um bloco neste 1º de maio em Temuko, para nos encontrarmos, conversarmos e trocarmos ideias e sentimentos.

Não esquecemos que esta data nasce da luta anarquista contra a exploração no trabalho e do sacrifício dos Mártires de Chicago, cujo legado continua vivo em cada indivíduo que resiste e se organiza contra a opressão capitalista.

Contra a ofensiva patronal do governo e a administração burocrática de nossas reivindicações! Apoio mútuo, solidariedade e autogestão!

Saúde e Liberdade!

agência de notícias anarquistas-ana

vento nas cortinas
fico atenta
ao que a manhã ensina

Camila Jabur

[Espanha] La Libre compra seu local em Santander e lança uma campanha para arrecadar 100.000 euros

O espaço cultural e comunitário iniciará em 1º de maio a campanha ‘La Libre se queda’ para devolver os empréstimos solidários que permitiram adquirir sua sede da Rampa de Sotileza. As colaborações poderão deduzir até 80%.

La Libre, livraria alternativa e centro social autogestionado de Santander, apresentou esta segunda-feira (28/04) a campanha de crowdfunding ‘La Libre se queda’. Com esta iniciativa, o coletivo aspira arrecadar 100.000 euros para devolver os empréstimos solidários que tornaram possível a compra do local que ocupa desde 2009 na Rampa de Sotileza.

A campanha começará no próximo 1º de maio e permanecerá aberta durante 45 dias, até 20 de junho, através da plataforma Mi Grano de Arena.

A iniciativa surge depois de que no passado mês de dezembro se comunicasse a venda do imóvel, uma circunstância que abria incerteza sobre a continuidade do projeto ante a dificuldade de encontrar em Santander outro espaço de características similares e economicamente viável.

Segundo explicaram porta-vozes da assembleia que gestiona La Libre, a alternativa de transladar-se implicava previsivelmente perder centralidade, reduzir espaço e limitar parte da função social e cultural que o projeto desenvolve desde há anos.

Ante essa situação, várias pessoas vinculadas ao entorno de La Libre adiantaram de forma altruísta a quantia necessária para formalizar a compra mediante empréstimos particulares sem interesses.

“Compramos o local, mas agora é preciso devolver coletivamente esse esforço e assegurar o futuro de La Libre”, assinalaram durante a  apresentação.

Um espaço aberto com 25 anos de trajetória

La Libre completa este ano 25 anos de atividade. Nasceu em 2001 na calle Cisneros e desde 2009 desenvolve seu trabalho na atual sede da Rampa de Sotileza.

O projeto se mantém mediante a venda de livros e as cotas de pessoas associadas, sem subvenções públicas. Além de livraria especializada em pensamento crítico e uma ampla diversidade de temática política, social e cultural, funciona como a casa de diversos coletivos e um espaço aberto a apresentações, clubes de leitura, oficinas, projeções, encontros e reuniões, assembleias e atividades abertas ao público.

Entre os grupos e iniciativas que utilizam habitualmente o espaço se encontram Rádio Argayo, Pasaje Seguro, Asambleas Feministas Abiertas de Cantabria, Cantabria No Se Vende, MIRERA, Las Quimas, Cantabria con Bici e grupos de apoio a processos de regularização, entre outros.

Durante a coletiva de imprensa, seus porta-vozes frisaram que “La Libre não é só uma livraria, é uma rede de pessoas e um lugar de encontro para iniciativas sociais e culturais da cidade”.

Crowdfunding com benefícios fiscais

A organização recordou que as colaborações realizadas através da campanha contam com benefícios fiscais ao tratar-se de uma entidade sem fins lucrativos.

Isto permite que, no trecho inicial de doações, as pessoas colaboradoras podem recuperar até 80% do aportado na declaração de renda, reduzindo o custo real da contribuição. Por exemplo, uma colaboração de 250 euros tem um custo real de 50 euros para a pessoa colaboradora.

Como colaborar

Além do crowdfunding, La Libre anima a colaborar difundindo a iniciativa, participando nas atividades solidárias previstas durante as próximas semanas ou aproximando-se para conhecer o espaço.

Fonte: https://www.briega.org/es/noticias/libre-compra-local-santander-lanza-campana-para-recaudar-100000-euros

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

livro antigo
o bicho traça
o sonho dos sábios

Alexandre Brito

[Chile] Santiago: 1º de Maio Anárquico | Por um maio sempre negro!

1º DE MAIO ANÁRQUICO

Por um Maio sempre Negro! 

Por Mauricio Morales e os companheiros insurretos de Chicago!

Ante a comemoração que se avezinha, deixamos o convite aberto para conhecer mais sobre esta data, própria da anarquia. Na ocasião, recordaremos episódios insurrecionais nos E.U.A., as origens do primeiro de maio ligados estreitamente com a violência revolucionária, para posteriormente, nos aproximarmos de nosso território, repassando fatos de violência política, mais além de golpes previstos, recordando o companheiro Mauricio Morales, além do lúcido rechaço ao sindicalismo e ao trabalho assalariado (que alguma vez a anarquia abraçou), hoje, só um lastro que deve acabar.

TEREMOS:

• Almoço solidário | Feira anárquica

• Comida vegan | Coleta para presos

• Expo de fotos | Oficina de serigrafia

• Mesa redonda: “A anarquia incontrolável. De ataques, greves e processos contra companheiros nos E.U.A. até o confronto anárquico mais além de golpes repressivos no Chile”.

• Música ao vivo: Nihil Sabotaje | Samael

Sexta-feira, 1º de Maio 2026

14:00 h | Entrada Liberada

Roberto Espinoza #1067, Bairro Matta. Santiago.

Metro Matta / Parque O’Higgins.

ESPAÇO FÉNIX

espaciofenix.noblogs.org | espaciofenix@riseup.net

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Na rua,
água corre sem beira,
no bueiro, uma cachoeira.

Lucas Eduardo

[França] Toulouse: Por um Primeiro de Maio de Vida contra o Capitalismo Mortal

Diante do desastre iminente:

O Dia do Trabalhador deveria ser um dia de celebração da Vida, contra a cultura da “Morte” propagada pelo Capitalismo e seu eterno arauto: o Estado.

– Morte da Natureza, morte da cultura, morte do sentido e triunfo desse ápice do Absurdo que é a guerra, guerra de todos contra todos no inferno neoliberal, guerra de Estados uns contra os outros nesse inferno belicoso que é a desordem do Mundo.

Muitas vozes voltam a gritar “Viva a guerra!” e a exigir o rearme, promovendo o nacionalismo e rotulando o antimilitarismo como ingenuidade.

– A questão principal, portanto, é esta: a militarização da economia, da sociedade e das mentes deve ser combatida, e o Primeiro de Maio é um laboratório para essa luta.

Longe de ser uma celebração do trabalho e a promoção dessa alienação fundamental, o Primeiro de Maio é um dos espaços de emancipação dos trabalhadores, por si mesmos, sem os intermediários desastrosos proporcionados por eleições fantasiosas.

– A autogestão das lutas levará à autogestão da sociedade!

Coragem, camaradas, a luta deve continuar e continuará contra todas as formas de dominação, até a completa abolição dos Estados e do capitalismo.

A anarquia é a solução!

CNT-AIT:  Occitanie contact@cntaittoulouse.lautre.net

CNT-AIT Toulouse: contact@cntaittoulouse.lautre.net

Agenda para sexta-feira, 1° de maio   

A partir das 9h30: encontro no Local (7, rue Saint Rémésy) para participar juntos da passeata de manifestação do Dia do Trabalhador.

Após o protesto: jantar comunitário no Local.

15h: Exibição do filme “A Batalha de Argel”

ENTRADA GRATUITA

7 rue Saint Rémésy 31000 Toulouse

Intervenção e moderação do debate pela CNT-IT Toulouse 

cnt-ait.info

agência de notícias anarquistas-ana

Um rouxinol!…
E na hora do jantar
a família reunida.

Buson

[Espanha] Primeiro de Maio. Contra as guerras do capital, controle obreiro da produção

O interesse capitalista pelos recursos energéticos e territoriais está empurrando cada vez mais às sociedades mundiais aos desastres da guerra entre povos, os Estados, obedecem a seus amos impondo o belicismo, em maior ou menor medida, como forma de enriquecer rentistas e especuladores, enquanto as classes trabalhadoras sofremos a violência e o aumento do custo de vida, consequência desta espiral autoritária. A classe obreira nunca pode ser um sujeito passivo ante a imposição de qualquer ordem político-econômica, já que é a classe obreira quem torna possível com seu tempo e seu trabalho qualquer possível ordem…

Hoje ante a decadência do sistema liberal e suas consequências, a classe obreira deve romper com o imposto, manejado, e simples papel da “função laboral” que nos circunscreve unicamente na hierarquia do poder só ao “diálogo social”, quando somos muito mais que isso, somos o único motor da produção, não há outro, sem classe trabalhadora não há produção, e sem isso, não há governos, nem mercados, nem exércitos… si paramos, o mundo para, essa é a maior verdade da modernidade, e no entanto o capital estendeu uma enorme cortina de fumaça sobre esta verdade, para dividir-nos, apequenar-nos e individualizar-nos, empurrando-nos a ver só a coação diária à qual o capitalismo nos submete; estar obrigados a vender nossa força de trabalho para poder viver, manipulando e ocultando que há uma minoria que vive do trabalho dos demais, isso é o capitalismo, outro tipo de ordem mas do privilégio, como em seu dia foram as monarquias ou as burocracias soviéticas.

Nosso tempo histórico reclama com urgência resgatar a consciência de classe perdida, recuperar a ação direta, a solidariedade, a auto-organização e o internacionalismo, trabalhar a deserarquização, a equidade e o antiautoritarismo na luta obreira e social, romper com o delegacionismo no político e no sindical, e atuar acompanhados ante os ataques a nossa classe atendendo ao imediato e ao próximo.

Trabalhadoras, trabalhadores, ante um sistema que nos empurra cada vez mais à incerteza, à precariedade e à repressão, que nos instiga a enfrentar-nos entre nós; por ser daqui ou dali, por ser comum ou singular, por ser de um gênero ou outro, por ser instruídos ou incultos… Atendendo a toda nossa diversidade desde o anarcossindicalismo reivindicamos, antes de tudo, a identidade coletiva comum, a da classe obreira, que distingue entre exploradores e explorados em um sistema de dominação sobre a vida mesma.

Atendamos, pois, aos ataques a toda nossa classe, a imensamente majoritária classe trabalhadora, com ou sem emprego, que sofre as dificuldades de acesso a uma moradia, que padece o roubo salarial do trabalho não pago, que vive a condição de prescindível no econômico, que faz malabarismos para chegar ao fim do mês, que padece os acidentes e enfermidades laborais, a repressão estatal e as listas negras empresariais de trabalhadores que lutam, a que fica marginalizada ao não encontrar trabalho, a que é conduzida à eterna espera para tratar da saúde por falta de pessoal e meios enquanto os negócios privados de saúde enriquecem graças ao desinvestimento público dos gestores políticos, assim como ocorre com a educação, os serviços sócio-sanitários, ou a saúde pública que esta deixando que a qualidade da água, ar e alimentação seja cada vez pior, fundamentalmente pela contaminação sistemática do meio ambiente e a desnaturalização da natureza…

Por todo o dito e mais, pelo próximo e imediato, pelo distante e brutal, por suas consequências sobre a vida de trabalhadores, suas famílias e entornos; Organização e Luta até chegar ao Controle Obreiro da Produção… a única porta possível para mudar tudo, porque quem não muda tudo não muda nada, recuperemos a utopia revolucionária como horizonte, ou será a atrocidade que se imporá.

Recuperemos a consciência de classe, a solidariedade, o apoio mútuo… Começa por secundar conosco no 1º de Maio, dia da Classe Trabalhadora, aqui em Albacete. Que viva a luta da Classe Obreira.

União, Ação, Autogestão.

CNT-AIT Albacete.

cntaitalbacete.es

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

No terreno baldio
Ainda cheias de orvalho,
Campânulas!

Paulo Franchetti

[Chile] Organizações sociais e comunidades mapuche em resistência convocam para manifestação pelo 1° de Maio em Temuco

COMUNICADO 1º DE MAIO

As organizações sociais e políticas do Gulumapu, acampamentos de habitantes que hoje lutam pela moradia sustentável e de qualidade, comunidades do povo mapuche mobilizadas e em resistência, convocamos a reafirmar nossa luta este 1º de Maio, desde um espírito classista, anticolonialista, antirracista e anticapitalista, mantendo na memória os mártires de Chicago, obreiros que deram sua vida para defender o direito ao descanso, ao ócio e a denunciar a escravidão social que significa o trabalho de longas jornadas.

Frente à nova etapa que se abriu a nível internacional e nacional, hoje retomamos com maior força esse legado histórico e saímos a manifestar-nos em um contexto onde já não cabem os discursos ambíguos, vacilantes nem claudicantes dos setores progressistas da esquerda e da centro esquerda chilena. Isto ocorre em meio de um avanço mantido da ultra direita tanto no Chile como no mundo, fenômeno que diversas análises também identificaram como um desafio crescente para as forças democráticas e revolucionárias.

Neste cenário, as forças imperialistas, em aliança com setores conservadores, e o mundo do capital financeiro buscam ampliar suas riquezas e seu domínio mediante diversas formas de intervenção e conflito. Isto se expressa em genocídios como o caso da Palestina, na escalada de tensões no Oriente Médio — incluindo Irã — em guerras comerciais, e em intervenções militares e políticas na América Latina, como as impulsionadas pelos Estados Unidos, incluindo ações contra a Venezuela e o bloqueio a Cuba.

Tudo isso responde a uma lógica de expansão do poder e de aprofundamento de um modelo extrativista e de saque, que põe em risco a soberania dos povos e perpetua as desigualdades a nível global.

Denunciamos também que o avanço da ultra direita a nível internacional e nacional, é consequência da ausência de projetos e de direções políticas consequentes com as demandas dos trabalhadores do campo e da cidade. O governo de Boric se caracterizou por administrar e garantir a continuidade do modelo econômico neoliberal, promulgando leis que criminalizam a todo setor social que se mobilize por seus direitos e demandas, como a Lei Antitomas, a lei de usurpação, o aperfeiçoamento da Lei Antiterrorista, a Lei Nain-Retamal, a lei de pesca e outras medidas que fortalecem o resguardo da propriedade privada das grandes empresas, da multi sindical e da oligarquia, assim como o permanente Estado de Exceção, para resguardar o extrativismo e o latifúndio no território mapuche.

E hoje frente ao governo de Kast, rechaçamos categoricamente a Lei Miscélanea, que em palavras concretas para o povo trabalhador e para os territórios, implica redução de impostos para as grandes empresas e garantias para o saque extrativista. É um aprofundamento neoliberal para que a casta política e econômica sigam aumentando suas riquezas às custas do corte dos direitos sociais, como o anunciado por Quiroz onde propõe eliminar ou cortar mais de 140 programas sociais. Uma contradição total para quem diz ser “pró-vida e família”, mas ao mesmo tempo legislam para esfomear o povo e as infâncias, cortando todo avanço conseguido em matéria de direitos sociais e políticos.

As comunidades mapuche mobilizadas e em luta constante por recuperar seu território ancestral e seus direitos coletivos e históricos vêm enfrentando, desde os diversos governos de direita e esquerda do Estado chileno, a consolidação de uma política de perseguição e criminalização sistemática dirigida às autoridades ancestrais, weichafe, lutadores políticos e sociais sob um Estado de Exceção, que transformou o Wallmapu em um território sitiado por 15 bases militares e a promulgação de diversas leis punitivas contra todo ato de protesto político e social; Lei de usurpação, endurecimento da lei antiterrorista, lei Nain-Retamal, lei antitomas, constituindo tudo isso em um andaime jurídico desenhado para garantir a impunidade policial e castigar o protesto social mapuche e não mapuche.

Neste contexto situamos a emblemática montagem judicial contra Luis Tranamil Nahuel, preso político mapuche cuja condenação de 32 anos é o produto de um julgamento viciado que desconhece o direito a um devido processo e a presunção de inocência, demonstrando a confabulação dos poderes econômicos, políticos, judiciais e meios de imprensa hegemônicos. Este sistema de montagens judiciais se constituiu em uma norma aplicada a lutadores sociais mapuche e não mapuche e que na atualidade ascendem a quase 150 presos políticos reclusos nos cárceres do sul do Chile. Ante a negação do direito a um devido processo e a presunção de inocência exigimos a absolvição incondicional dos presos políticos mapuche reclusos nos cárceres do Estado chileno.

A situação que enfrentam na atualidade mais de 2 mil comunidades mapuche com aplicabilidade plena para restituição territorial via Conadi, é, a nula vontade política de dar resposta a esta demanda ancestral de parte do governo de Kast, expressa concretamente na eliminação dos fundos de apoio econômico para esta urgente demanda. Frente ao diagnóstico oficial do Estado entregue através da consulta indígena que projeta quase um século para resolver a crise de terras, as comunidades demandamos a restituição efetiva de 10 milhões de hectares baseando-nos no Az Mapu (direito próprio) correspondente ao direito consuetudinário e utilizando o mecanismo legal da expropriação vigente na atual Constituição chilena. Complementariamente, exigimos um fundo de reparação econômica para a reconstrução da economia mapuche, não como assistência, mas como compensação legítima pelo usufruto histórico de terras alienadas a favor de terceiros.

Estas políticas repressivas deixam em evidência um Estado chileno colonialista que sob um processo constante de usurpação e despojo tem como objetivo seguir outorgando garantias de investimento a capitais extrativistas nacionais e internacionais nas áreas de; das imobiliárias, obras rodoviárias, mineiros, hídricos, energéticos, marítimos e florestais no território mapuche ancestral.

E enquanto nos pede apertarmos o cinto com a desculpa de que não há dinheiro, toda esta agenda política seguirá concentrando a riqueza no 1% deste país, os mesmos setores que sendo beneficiados pela política da ultradireita, exigem aumentar as jornadas laborais e diminuir ainda mais o salário mínimo, que hoje não permite chegar ao fim do mês.

Sabemos que a distribuição da riqueza neste país, permitiria um salário mínimo de $850.000 mil pesos, no entanto, isto só se conseguirá com a unificação e organização do movimento sindical e trabalhador, que permita recuperar a consciência de classe e a organização de base, que por meio de seus históricos métodos como a greve e paralisação nacional, um caminho que a CUT abandonou, tornando-se cúmplice dos retrocessos que hoje tem a classe trabalhadora na passividade e resignação total.

Por isso nesta marcha, buscamos demonstrar na ação, a rearticulação em conjunto com os acampamentos, exigindo o direito à moradia digna como direito social humano e universal, portanto a transferência efetiva dos terrenos aos e às habitantes que decidiram por seus próprios meios construir suas moradias como única saída possível ante a especulação das grandes construtoras e imobiliárias que especulam com o uso do solo e tornam inalcançável o direito à moradia digna, sustentável e de qualidade.

Fazemos pública a denúncia e rechaço às ameaças de desalojo aplicando a lei antitomas, cremos que é de uma crueldade inaceitável sabendo que ninguém vive em acampamentos por gosto, mas necessidade.

É por esse motivo, que esta marcha terminará em um ato político cultural e uma panela comum no acampamento comitê ampliação Pichi Cautín, como uma demonstração concreta de que os acampamentos não estão sós e que os desalojos serão respondidos com unidade, luta e organização desde baixo, por que já não queremos que os poderosos sigam tornando-se mais ricos às custas da classe trabalhadora.

radiokurruf.org

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

sol na janela
dorme gato no sofá
cor de flanela

Carlos Seabra

[Espanha] 30 de abril – Dia da Sabotagem.

Hoje, 30 de abril, queremos resgatar da história anarquista essa data marcada como Dia Internacional da Sabotagem. Esse dia, a véspera de 1º de maio, parece ter suas origens nos anos 80 do século passado. Especificamente, começou em 1982 na Holanda: após a abdicação da Rainha Juliana e como resultado da indignação com o que foi considerado um desperdício de dinheiro público, foi feita uma convocação popular para sabotagem, que assumiu a forma de ataques a bancos e outros interesses capitalistas.

No ano seguinte, as ações de sabotagem se repetiram, mas dessa vez se espalharam por mais cidades europeias, tornando-se uma iniciativa internacional. Vale a pena mencionar as cidades de Londres, onde o dia foi vinculado às mobilizações “Stop the City” da época, descritas como “O Carnaval contra a guerra, a opressão e a destruição”. Na Espanha, a introdução desse dia deve ser creditada aos grupos autônomos de Euskal Herria, que chegaram a organizar caravanas de ônibus em apoio às mobilizações em outras partes da Europa.

Reivindicado acima de tudo pelo anarquismo internacionalista e apoiado por outros grupos autônomos, grupos de afinidade e até mesmo por alguns grupos marxistas revolucionários, o Dia Internacional do Sabotagem é uma data que ganhou relevância à medida que o 1º de maio se tornava cada vez mais distorcido e pacificado.

Organizar-se em torno de uma jornada para praticar e disseminar a sabotagem e dificultar o funcionamento da máquina capitalista foi uma tática para aquecer os ânimos e dar visibilidade ao conflito social, que teve seus ecos até o século XXI.

Em um contexto de crescente crise econômica e incipiente organização das classes populares, talvez precisemos recuperar a memória desse dia e, acima de tudo, sua essência de ação ofensiva e direta contra o capitalismo!

Fonte: https://editorialimperdible.com/2025/04/30/30-de-abril-dia-del-sabotage/

agência de notícias anarquistas-ana

em nosso universo
breve, passa, com pressa! e
graça, a borboleta

Issa

[Uruguai] Efemérides| 29 de abril de 1944, primeira feira do livro anarquista de Montevidéu e do mundo

As Feiras do Livro Anarquistas se popularizaram por todo o mundo nos últimos anos. Elas são uma amostra da constante e prolífica atividade cultural e ideológica do movimento, expressa tanto na publicação contínua de materiais (livros, revistas, etc.) quanto em sua divulgação e discussão nas palestras, exposições e controvérsias que nelas ocorrem.

Em Montevidéu, foram realizadas oito feiras do livro anarquista; as cinco primeiras ocorreram entre os anos de 2012 e 2016 nas instalações do Centro Social Autônomo La Solidaria, que foi desocupado em 2017. As seguintes foram realizadas no Centro Social Cordón Norte nos anos subsequentes, contando com uma importante afluência de público de diversas regiões do continente e do mundo.

Embora se considere como o início dessas iniciativas a feira realizada em Londres em 1983, encontramos em Montevidéu um antecedente anterior, quando, em 29 de abril de 1944, foi inaugurado o “Primeiro Salão do Livro Anarquista”, que, embora tenha um título diferente, segue exatamente o mesmo formato.

A atividade consistia na exposição de quase mil livros anarquistas de diversos autores e temas¹ e na realização de sessões de debate sobre “os problemas fundamentais de nossas ideias por meio de palestrantes em tribuna livre”, todos os sábados dos meses de maio e junho, às 22h30, no espaço “La Casa de los Libertarios”, localizado na esquina das ruas Yaguarón com Mercedes.

La Casa de los Libertarios havia sido fundada em outubro de 1943 e propunha, em sua declaração de princípios: “Defender o princípio da liberdade como elemento essencial para o desenvolvimento integral do homem e para uma relação social mais harmoniosa; por isso, considera o sistema de governo do homem pelo homem, assim como a atividade política que visa a isso, como propósitos que negam esse princípio. (…) Desenvolver e praticar a ação direta como tática de luta para poder construir os valores humanos indispensáveis para uma sociedade sem opressores nem oprimidos; sem explorados nem exploradores.”

Como se pode ver, a prática regenerativa e de ação direta anarquista tem sido uma constante em nossa região, impulsionando as primeiras associações operárias, associações cooperativas e as primeiras lutas revolucionárias contra o Estado e sua consolidação capitalista. São os mesmos princípios e diretrizes de ação que orientam hoje as diversas lutas autônomas que priorizam a auto-organização social e a ação direta, desprezando os becos sem saída da institucionalidade democrática, que apenas pretende oferecer pequenas concessões para garantir que os problemas estruturais não mudem.

Hoje, assim como os companheiros de La Casa de los Libertarios, apostamos em “desenvolver e praticar a ação direta como tática de luta para poder construir os valores humanos indispensáveis para uma sociedade sem opressores nem oprimidos; sem explorados nem exploradores”.

[1] Ver lista aqui: http://ateneuenciclopedicpopular.org/…/primer-salon-del

periodicoanarquia.wordpress.com

agência de notícias anarquistas-ana

Perto da montanha
Interrompe a caminhada
campo de margaridas

Eunice Kikue Okuma Cavenaghi

[Belém-PA] 1º de Maio de Luta e Luto

O Primeiro de Maio não é um dia de festa oficial, mas de memória e combate.

Diante da precarização, do avanço da pejotização e da exploração brutal do capital sobre os trabalhadores plataformizados, convocamos a classe para um 1º de Maio classista e de luta contra patrões e Estado.

“Trabalhar menos. Trabalhar todos. Redistribuir Tudo.”

PARTE I: ATO DE RUA (BLOCO AUTÔNOMO LIBERTÁRIO)


Iniciamos o dia com os setores mais combativos da classe trabalhadora em um
protesto de rua.

  • Local: Concentração em frente ao Ginásio Altino Pimenta (Doca de Souza Franco).
  • Horário: A partir das 08h.

PARTE II: Programação no CCLA

Após o ato de rua, as atividades continuam em nossa sede com política, cultura e solidariedade:

12:00 – Venda de Maniçoba Vegana com suco natural (disponível até as 14h).
14:00 – Audiovisual e Formação: Exibição do doc “Nosso Primeiro de Maio”,
seguido de vídeo palestra de Ricardo Antunes sobre a conjuntura do trabalho hoje, seguido de debate.
16:00 – Ação Direta e Solidariedade: Microfone aberto e distribuição de sopão
para pessoas em situação de rua.
18:00 – Show: Bruma Etérea com a participação da Cínica Radical.
19:00 – Poesia: Declamação de poesias libertárias (participação de Lis Dourado e Bzarro Zangado).
20:00 – Encerramento: Discurso final de fechamento.

Organização: CCLA – Centro de Cultura Libertária da Amazônia

cclamazonia.noblogs.org

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dedo a dedo
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Eugénia Tabosa