Lançamento dos livros “Arte e Militância: volume 1 Política e 2 Teatro e poesia.”

Aos poucos a história do movimento anarquista é resgatada. Dessa vez é a publicação de dois volumes sobre a trajetória do sapateiro, militante Pedro Catallo, autor e diretor de teatro, um dos fundadores do Centro de Cultura Social (CCS) e da Federação Operária de São Paulo (FOSP).
 
Arte e Militância: volume 1 Política e 2 Teatro e poesia.
 
Para conhecer a história desse importante militante, convidamos todos, todas e todes para uma conversa virtual LIVE com Rodrigo Rosa e Nilton Melo.
 
Dia 25 de maio, às 20h30.
 
Canal do youtube do CCS.
https://www.youtube.com/@CentrodeCulturaSocial
@centro_de_cultura_social
ccssp@ccssp.com.br
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ccssp.com.br
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
mata quase nua:
um sabiá
canta o outrora
 
Cláudio Feldman

[Porto Alegre-RS] 23/05 – Vamos Construir Uma Biblioteca?

Vamos montar uma biblioteca? No próximo sábado, 23 de maio, vamos nos encontrar para sonhar juntys uma biblioteca, pensar em como gostaríamos que fosse, avaliar o espaço e as possibilidades e começar a meter as mãos na massa. E no fim da tarde assistir juntys a um filme no telão e fazer um lanche vegano colaborativo.

14h – Abertura do Esp(a)ço, acolhimento.

14h30 – Troca de ideias e sonhos sobre uma biblioteca coletiva.

18h00 – Exibição de filme, confraternização e lanche colaborativo.

Aceitamos doações de livros dos seguintes temas:

Anarquismo / socialismo libertário / Feminismo / Anticapitalismo / Racismo e branquitude / Gênero e Sexualidade / Geopolítica / Questões indígenas / decolonialismo / Movimentos sociais / Política da tecnologia / tecnopolítica / Ficção com crítica social / Infantis

Atenção: Para garantir o conforto e segurança de todas as pessoas presentes, pedimos que se você possuir histórico ou denúncia por reproduzir comportamento abusivo ou opressivo, assédio, abuso ou outro tipo de violência, por favor, entre em contato conosco pelo nosso e-mail ou redes sociais antes de comparecer. Não fazer isso é não se responsabilizar por suas ações e será solicitado que se retire.

espaco.noblogs.org

agência de notícias anarquistas-ana

Chuva de granizo —
Compartilho com os pássaros
A minha varanda

Tony Marques

[Portugal] 22 de Maio – Filme “É a Revolução ou a Morte”

Dia 22 de Maio (sexta)

18:30 – It’s Revolution or Death

Filme de subMedia e Peter Gelderloos (legendas em português; 80 min.)

Seguido de jantar

“É a Revolução ou a Morte” é um documentário idealizado por Peter Gelderloos e produzido pelo colectivo anarquista de vídeo subMedia. Este filme expõe os mitos perpetuados pelos Estados e pelas empresas que praticam greenwashing, destaca os movimentos em todo o mundo que resistem aos projectos capitalistas industriais ecocidas e pretende fornecer a quem assiste uma estratégia para lutar e preparar-se para a crise climática na sua própria comunidade.

Centro de Cultura Libertária

Rua Cândido dos Reis, 121, 1º Dto – Cacilhas

agência de notícias anarquistas-ana

No céu brilha a lua;
cor viva, figura altiva.
Recordação tua.

Everton Lourenço Maximo

[Grécia] O que é roubar um banco comparado a fundar um banco?

Na manhã do dia 11 de maio, ocorre uma ação de expropriação em uma agência bancária na parte baixa de Tithorea. Cinco horas e meia depois, oito de nossos companheiros e companheiras são detidos após uma operação policial nas áreas vizinhas e também em Atenas. Eles são levados em processo sumário para a GADA e, no dia seguinte, 12/05, passam pelo promotor e recebem um prazo até sexta-feira, 15/05, para aparecer na “justiça”. No dia seguinte, as companheiras foram levadas para a Delegacia de Vyronas e, de lá, para o Departamento de Investigação Criminal da Ática Ocidental, em Ano Liosia. O transporte foi realizado em condições de reféns e sob pressão sufocante, com o objetivo de isolá-las dos seis companheiros e esgotá-las moral e psicologicamente.
 
Isso ocorre em um período de intensa repressão, desde a condenação das companheiras Marianna e Dimitra a 27 anos de prisão no total, as invasões nas casas de seis de nossos companheiros, as prisões de companheiros acusados de agressão no Tribunal de Primeira Instância em Panormou, até as manifestações cotidianas, com a presença constante de policiais em cada esquina, a vigilância de cada passo nosso por meios tecnológicos e a perseguição às nossas relações de solidariedade.
 
Os bancos constituem um dos mecanismos mais importantes do sistema estatal e capitalista para o funcionamento e a circulação do capital. Os gestores dos bancos são a elite mundial que se encontra no topo da pirâmide capitalista. Eles criam uma relação de total dependência do indivíduo em relação a eles, já que a existência na sociedade contemporânea passa pelo seu controle (salário, aluguel, impostos, compras etc.). Por extensão, as condições econômicas da sobrevivência social em geral dependem principalmente da gestão bem-sucedida ou mal-sucedida dos bancos e de suas crises.
 
O funcionamento do Estado está intimamente ligado à existência dos bancos e vice-versa. O único objetivo dessa relação interdependente é continuar a alimentar e a aumentar o lucro e o capital das elites às custas das camadas sociais mais baixas.
 
O assalto a um banco é a ação mais ética dentro do capitalismo e constitui a negação prática da escravidão assalariada. O assalto social, como prática dos de baixo, é um ato moralmente correto e de valor, que causa um golpe simbólico e concreto nos templos do capital, libertando o indivíduo das amarras da escravidão assalariada e da dependência econômica.

A expropriação, como meio de luta, retira do Estado e do capital a condição fundamental de funcionamento da economia: o fluxo vertical de dinheiro entre as camadas sociais, que se dá exclusivamente por meio do lucro do capital e da demanda por bens. Essa ação, quando realizada desde a base, seja com o objetivo de financiar a luta revolucionária, seja para rejeitar a escravidão assalariada, questiona e atinge de fato o funcionamento e a autoridade dos bancos, servindo de inspiração para movimentos de luta semelhantes.
 
Por isso, aliás, sempre foi um meio da luta anarquista para revelar quem é o verdadeiro inimigo do povo e convencer os oprimidos de que podem recuperar o que lhes pertence.

O uso de armas em tal ato concretiza também a recusa em aceitar que o Estado detenha o monopólio, seja prático ou moral, do uso desses meios. Com o sucesso de uma expropriação, fica também desmascarada a narrativa estatal de que o sistema é invulnerável, e fica demonstrado que nem o arsenal jurídico do Estado, nem sua militarização serão jamais suficientes para impedir os oprimidos de recorrerem a práticas insurrecionais.
 
O próprio militante/anarquista/ladrão social transforma-se em exemplo social e revolucionário, divulgando a natureza de classe do dinheiro e a posição do banco como o topo da pirâmide da exploração. O Estado leva em consideração a aceitação popular que essa prática pode gerar e visa a repressão imediata dos indivíduos, seja materialmente, com a prisão deles, seja moralmente, com a sua humilhação pública.

Desde o momento da prisão dos companheiros e companheiras, a mídia, utilizando uma linguagem carregada de conotações de autoritarismo, passou a apresentá-los como “elementos marginais e delinquentes, criminosos comuns que possuíam substâncias narcóticas e torcedores”, na convicção de que tais caracterizações soariam negativamente aos ouvidos do leitor comum, desviando a atenção do próprio ato para a identidade dos participantes, conferindo um tom negativo a toda a situação. O objetivo deles é evitar a associação e a identificação da sociedade como um todo com nossos companheiros e sua luta, que diz respeito a todos nós.
 
Especificamente no que diz respeito às nossas companheiras desde o momento da prisão, todo tipo de jornalista de segunda categoria as apresentou, com base em seu gênero, como se elas “se envolveram” apenas por causa de suas relações interpessoais, dizendo, em essência, que agiram sem vontade e sem consciência de seus atos. O discurso sexista constitui mais um elemento da desvalorização geral das companheiras e da crescente despolitização de todos.

Mesmo após a prisão dos companheiros e companheiras responsáveis por essa identidade política, apesar de terem divulgado à mídia a declaração de que cometeram um assalto a banco por motivos de subsistência e que escolheram o banco como alvo por motivos de ideologia anarquista, continuaram a ocultá-la, referindo-se a “margens do espaço antiautoritário”. Ao mesmo tempo, ocultaram completamente qualquer ação de solidariedade, optando por não dar cobertura jornalística nem mesmo à manifestação de solidariedade e minimizando a notícia até mesmo dos confrontos na rua Evelpidon no dia em que os companheiros passavam. E enquanto o caso era o tema principal dos noticiários e dos jornais, enquanto a gigantesca operação policial de repressão e humilhação dos companheiros estava no centro das atenções, de repente começou a desaparecer quando ela passou para o campo de ação da competição entre ativistas e autoridades.
 
As causas são mais ou menos conhecidas. Em um primeiro momento, o Estado propaga o discurso oficial, destacando a suposta superioridade na dinâmica e na capacidade técnica das autoridades repressivas em relação aos companheiros e companheiras, mas também, por extensão, às futuras massas insurgentes, transformando os companheiros em um exemplo a ser evitado. No entanto, a postura de nossos companheiros e do meio anarquista em solidariedade a eles destaca a posição cheia de dignidade dos companheiros que, apesar das condições adversas, permanecem fiéis à sua escolha, assumindo sua responsabilidade política, ao mesmo tempo que a postura destemida dos solidários, que, ignorando qualquer tipo de fichamento estatal, se posicionam abertamente ao lado dos companheiros, transformando sua voz em um escudo de proteção da ação e dando um sinal de continuidade às lutas, apesar das ameaças do Estado.
 
Numa época de intensa decadência moral e de valores, nossos companheiros e companheiras são um exemplo por sua postura inabalável diante do inimigo e por sua fé nos ideais anarquistas. Em meio à calmaria dentro e fora do movimento, eles optaram por um ataque frontal intensificado contra o Estado e o capital. Cientes do caminho difícil que percorrem, seguiram em frente. Mesmo nas mãos dos canalhas do poder, não baixaram a cabeça, defendendo a anarquia.
 
Estamos orgulhosos da luta dos nossos companheiros, da qual tiramos força para seguir em frente. Estamos, sem hesitação, solidários ao lado deles, apoiando suas posições e suas escolhas.
 
Não permitiremos que nenhum jornalista vendido, policial, magistrado, lixo do governo e, de modo geral, do Estado, os difame.
 
SOLIDARIEDADE E FORÇA AOS NOSSOS COMPANHEIROS
​​FOGO NOS BANCOS
ATÉ QUE TODAS AS PRISÕES QUEIMEM
 
Assembleia aberta de solidariedade aos/às detidos/as pelo caso de 11 de maio
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
Meio outono:
meu vizinho
como estará…
 
Blyth

[Grécia] Heraklion, Creta: Sinal de solidariedade aos companheiros e companheiras perseguidos pelo caso de 11 de maio


Na manhã de 11 de maio, ocorre uma expropriação bancária em Kato Tithorea, por um grupo de companheiros. Algumas horas depois, 5 deles foram presos após uma operação repressiva da polícia, enquanto simultaneamente ocorriam invasões domiciliares e mais 3 prisões são realizadas.

Na sexta-feira, 15 de maio, 6 deles foram considerados prisioneiros preventivos, enquanto uma companheira e um companheiro foram libertados com medidas restritivas, com 3 e 2 comparecimentos mensais, respectivamente. Os 5 companheiros e a companheira que foram considerados prisioneiros preventivos, são acusados de participação e formação de organização criminosa (187), porte de armas, entre outras coisas. No total, são acusados de 11 expropriações de bancos.

Estamos com todo o nosso coração ao lado dos companheiros e companheiras, defendendo suas escolhas. Dentro da escuridão dos assassinatos de trabalhadores e das jornadas de 13 horas, do empobrecimento, da depressão generalizada que o mundo do capital produz, das rivalidades interestatais e das guerras, as expropriações de bancos e a recusa da escravidão assalariada constituem uma posição de combate contra o existente. A ação revolucionária em períodos de retrocesso de classe e movimento é a única resposta digna àqueles e àquelas que oprimem nossas vidas.

Como um mínimo sinal de solidariedade, foram penduradas faixas em pontos centrais da cidade.

Força e solidariedade aos companheiros e companheiras do caso de 11 de maio.

Vamos trazer os prisioneiros de guerra de volta às ruas.

Lutas com todos os meios para uma vida que vale a pena ser vivida. Pela Anarquia!

A n a r q u i s t a s

Maio de 2026
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
Ramo ressecado,
corvo empoleirado
— anoitece o outono.
 
Bashô

[Grécia] Sábado, 23/05 – Marcha de solidariedade aos oito companheiros e companheiras perseguidos pelo assalto em Kato Tithorea

Quando a escravidão e a miséria baterem à sua porta, não a tranque; abra-a e olhe nos olhos dos inimigos da liberdade. Na manhã do dia 11 de maio, ocorre uma expropriação em uma agência bancária na parte baixa de Tithorea. Cinco horas e meia depois, oito de nossos companheiros e companheiras são presos após uma operação policial nas áreas vizinhas e também em Atenas. Eles são levados em procedimentos sumários para a GADA e, no dia seguinte, 12/05, passam pelo promotor e recebem um prazo até sexta-feira, 15/05 para comparecerem a “justiça”. Na sexta-feira, dois dos oito companheiros foram libertados sob condições. Desde o início, o Estado agiu com seus informantes profissionais à frente, a escória da mídia, para difamar nossos companheiros e companheiras, descrevendo-os como simples criminosos, pessoas do meio dos torcedores e socialmente alienados, algo que continua a fazer até agora, apesar do texto dos companheiros e companheiras, recusando-se a reconhecer sua identidade política. Recusando-se a aceitar a dignidade da postura dos companheiros, tenta, por meio de longas fanfarronices nos artigos e das descrições coloridas sobre eles, esconder a escolha dos nossos companheiros de recusar a opressão, como parte dos nossos tempos. Se vocês acreditam que a caçada acabou, estão enganados; sempre que a resistência e a revolta se erguem, quebrando as correntes da barbárie autoritária e mostrando o caminho para a liberdade humana, é melhor ficarem preocupados. A caçada não acabou e nunca acabará enquanto houver pessoas que dão saltos.
 
Ninguém sozinho nas mãos do Estado
A solidariedade é a nossa arma
 
Assembleia aberta de solidariedade aos detidos no caso de 11 de maio
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
gatos com cio
separados pela parede
– amantes que não se tocam
 
Issa

[Espanha] Quase nove mil euros por protestar contra a indústria militar

A Delegação do Governo de Madrid aplica a “lei da mordaça” contra doze pessoas que realizaram uma performance nos portões da Feira de Armas.
 
Por Tomás Muñoz | 16/05/2026
 
Um grupo de pessoas joga tinta vermelha umas nas outras enquanto segura cartazes com os nomes de países devastados pela guerra: Iêmen, Sudão, Líbano, Mianmar e Ucrânia. Eles se referem aos lugares onde as empresas contra as quais protestam geram lucros. Dois ativistas de terno também aparecem, jogando notas falsas de 500 euros. Enquanto isso, um grupo de apoio desfralda uma faixa com um slogan claro: “Não à feira de armas”.
 
Organizada pela Desarma Madrid e pela Alternativa Antimilitarista-MOC, juntamente com outros ativistas da CGT, Bloke Bollero e La Enre, a ação visa destacar a rejeição da indústria militar, que realiza a Feira Internacional de Defesa e Segurança de Madrid (Feindef) dentro do IFEMA. “Segundo o Ministério da Defesa espanhol, a feira está entre as dez maiores do setor em todo o mundo, é uma referência nacional e internacional, e a única que conta com o apoio institucional do Ministério da Defesa”, afirmaram os grupos organizadores em um comunicado à imprensa. Eles pretendem expressar sua indignação com o papel da Espanha no comércio internacional de armas (o país ocupa a décima posição nesse ranking sinistro) e como as vendas da feira contribuirão para o aumento do número de vítimas em conflitos armados no futuro.
 
A Feira de Armas é um evento bienal, cuja quinta edição está prevista para 2027. É organizada pela Fundação FEINDEF, com apoio institucional do Ministério da Defesa e das principais associações espanholas de fabricantes de armamento: TEDAE (Associação Espanhola de Empresas de Defesa, Segurança, Aeronáutica e Tecnologia Espacial) e AESMIDE (Associação de Empresas Contratantes de Administrações Públicas). O presidente honorário da fundação organizadora é Julián García Vargas, que foi Ministro da Defesa durante o governo de Felipe González. E essa não é a única ligação entre os dois na feira; o presidente da associação patronal e vice-presidente da fundação organizadora é Ricardo Martí Fluxá, que foi Secretário de Estado da Segurança durante o governo de Aznar.
 
“É quase impossível ver uma arma no site deles”, apontam os ativistas. “Eles usam uma linguagem fria, um jargão técnico, e tentam esconder para que serve todo o material que comercializam”, explica Enrique Quintanilla, porta-voz da Desarma Madrid. “No fim das contas, é morte, pura e simplesmente, o assassinato de pessoas, principalmente civis, não combatentes”, lamenta. Mas se é difícil ver que tipo de material comercializam, também não divulgam o volume de negócios. Sabemos, no entanto, que a feira contou com 628 expositores, 211 deles internacionais, e representantes de 68 países.
 
performance, que tinha como objetivo destacar que o “orçamento militar excessivo desvia recursos das reais necessidades da população”, foi interrompida por diversas unidades da Polícia Nacional, que acabaram levando doze pessoas à delegacia por não portarem identificação. Segundo os próprios ativistas, a presença de viaturas e policiais causou transtornos no trânsito dentro do recinto da feira, mas os participantes se retiraram por conta própria, sem o uso da força policial ou, obviamente, por eles mesmos. “Em nenhum momento a segurança das pessoas ou dos bens foi colocada em risco. A ação foi escrupulosamente pacífica, e isso foi comunicado primeiro à segurança privada e depois à polícia quando chegaram”, afirmaram.
 
O protesto ocorreu dentro da propriedade privada do Ifema, em uma área com três faixas, das quais, segundo eles, ocuparam apenas uma. A performance sequer interrompeu o acesso normal de quem participava do evento. No entanto, as doze pessoas levadas à delegacia receberam multa de 700 euros cada, totalizando 8.400 euros, por cometerem uma grave infração ao Artigo 36.3 da Lei de Segurança Pública (a “lei mordaça”), que as acusa de “causar perturbações em vias públicas, espaços ou estabelecimentos, ou obstruir vias públicas com mobiliário urbano, veículos, contêineres, pneus ou outros objetos, quando em ambos os casos houver grave perturbação da segurança pública”.
 
Essas suposições não condizem com o que aconteceu durante a performance de 15 de maio de 2025, e esse será o principal argumento para recorrer da sanção. E não seria a primeira vez que eles obtêm uma vitória nesse âmbito. Em 2017, no primeiro ano em que realizaram o protesto, foram multados em um total de € 11.500, uma penalidade que nunca foi executada porque os argumentos apresentados pela polícia, que na época os acusou de uma grave infração ao Artigo 26.6, não foram comprovados. Este artigo pune atos de “desobediência ou resistência à autoridade ou aos seus agentes no exercício de suas funções, quando não constituem crime, bem como a recusa em se identificar quando solicitado pela autoridade ou seus agentes, ou a alegação de informações falsas ou inexatas em processos de identificação”.
 
A denúncia de brutalidade policial feita em 2023 ainda está pendente na justiça. As ações dos policiais durante o protesto daquele ano resultaram na fratura de um dedo de um ativista, e essa não foi a única vez que ativistas registraram queixas médicas por ferimentos causados ​​por uso excessivo da força policial. “A intenção por trás da punição de uma ação não violenta, que é simplesmente uma denúncia feita sem danos a pessoas ou propriedades, é desencorajar ações futuras”, explica Quintanilla, mas isso não será alcançado, já que planejam realizar o protesto novamente no ano que vem. “Se o governo não quer que protestemos, deveria cancelar a feira”, argumenta ele.
 
Eles denunciam outras sanções que afetam o movimento por protestar contra o genocídio na Palestina.
 
“Enquanto o governo central ostenta um discurso supostamente pacifista, suas delegações governamentais multam aqueles que se opõem ativamente à guerra e à sua preparação”, critica o Desarma Madrid. Relatam que há atualmente pedidos de condenação contra os ativistas que protestaram durante a Vuelta Ciclista em Valladolid [Volta Ciclística da Espanha], com pedidos de pena de dois anos para cada um deles. Oito pessoas também enfrentam acusações por boicotarem a penúltima etapa da Vuelta, acusadas de agressão a um policial, perturbação da ordem pública e resistência à prisão. Esses indivíduos, atualmente identificados como #8deBecerril, poderão ser condenados à prisão.
 
Outras duas pessoas foram multadas em € 600 cada por participarem da manifestação de 20 de maio de 2025 em frente ao Congresso, contra a proposta de lei que impõe um embargo de armas a Israel. Uma situação semelhante ocorreu no protesto em Madrid após o ataque à flotilha de Gaza, onde dois organizadores foram multados por notificarem a Delegação do Governo com menos de 24 horas de antecedência.
 
Fonte: https://www.elsaltodiario.com/represion/casi-nueve-mil-euros-protestar-industria-militar
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
Grito da sineta
na última aula. Alegria.
Depois o silêncio.
 
Alexei Bueno

[Suíça] Desconectar a IA!

A atual euforia em torno da IA ​​é inegável. Modelos de linguagem de IA como o ChatGPT são onipresentes, e a IA está sendo propagandeada como a solução para tudo em todos os tipos de áreas. No entanto, o termo “inteligência artificial” é pura propaganda: a IA não é inteligente, mas simplesmente “estatística turbinada”. E a IA não é composta apenas de uns e zeros artificiais; ela tem impactos sociais e ambientais muito reais na vida de muitas pessoas e comunidades.

A IA como aceleradora da crise climática:


Os efeitos materiais da euforia em torno da IA ​​também são evidentes na Suíça: Mais de 10 novos centros de dados estão previstos para serem construídos nos próximos anos, embora a Suíça já possua uma das maiores densidades de centros de dados da Europa. Os centros de dados consomem quantidades enormes de eletricidade e água. Isso esgota as reservas de água potável da população local, enquanto os políticos já utilizam o alto consumo de eletricidade dos centros de dados como pretexto para a construção de novas usinas nucleares. Assim, a infraestrutura de IA é um acelerador da crise climática que já se agrava.

Inteligência Artificial Significa Vigilância e Guerra.


As figuras sinistras por trás da euforia em torno da IA ​​também deveriam despertar nossas suspeitas: oligarcas fascistas da tecnologia, como Elon Musk e Peter Thiel, estão impulsionando a expansão da infraestrutura de IA para aumentar seu poder sobre a população. Do software Palantir, usado pelo ICE em sua campanha de deportação, ao modelo de IA “Claude”, usado pelos EUA em seu ataque ao Irã, ao aplicativo de IA do Google usado para definir alvos no genocídio em Gaza: a IA é tecnologia de vigilância e guerra! A vigilância por meio de IA também está sendo expandida na Suíça. Por exemplo, a lei policial revisada permitirá que a polícia de Zurique colete grandes quantidades de dados sobre a população e os analise automaticamente usando sistemas de IA.

Exploração do Sul Global:


Matérias-primas raras, como lítio e cobalto, são necessárias para chips e outras infraestruturas de IA. Essas matérias-primas são extraídas em condições extremamente precárias em zonas de guerra, como a República Democrática do Congo. Por trás dos chamados sistemas “inteligentes”, também existem milhares de trabalhadores que, em condições de trabalho deploráveis, precisam visualizar e filtrar conteúdo altamente perturbador. Esse trabalho também é amplamente terceirizado para países do Sul Global. A expansão massiva da IA, portanto, baseia-se na exploração de matérias-primas e mão de obra no Sul Global.

A IA é um ataque do Estado e do capital contra todos nós – vamos lutar! Sejam canteiros de obras para novos centros de dados ou a localização de empresas de tecnologia, existem inúmeros pontos de ataque em potencial. Aqui está um mapa com possíveis pontos de ataque locais em toda a Suíça – deixe sua criatividade fluir: https://aufstaendederallmende.org/index.php/atlas/


Além disso, um acampamento de resistência contra a expansão de centros de dados e o poder dos oligarcas da tecnologia acontecerá na região de Schaffhausen de 2 a 9 de julho. Reserve a data e compartilhe!

Mais informações:


Site: aufstaendederallmende.org
Telegram: https://t.me/aufstaendederallmende
Signal: https://signal.group/#CjQKIEM30jDXnAbr_GKMyJecyietZcvjoibKPNeAC9NfjuGaEhAMzFShEyyX09aJrDzeUtYP
Instagram: @aufstaende.der.allmende

agência de notícias anarquistas-ana

Move-te ó tumba!
Meu pranto
é o vento do outono.

Matsuo Bashô

[Chipre] Vídeo | Faixa na Embaixada da Grécia em solidariedade com a Comunidade Ocupada de Prosfygika

16/05/2026
 
Respondemos ao apelo internacional da Comunidade Ocupada de Prosfygika colocamos simbolicamente uma faixa na Embaixada da Grécia.
 
Há quase três meses, a Autoridade Regional da Ática e o Estado grego vêm ignorando as reivindicações dos grevistas de fome Aristóteles Hantzis e Suzon Doppagne.
 
Precisamos aumentar a pressão sobre o Estado grego por meio do poder da solidariedade internacionalista, para que ele abandone seus planos de despejar a comunidade. Sua indiferença coloca em risco a vida dos grevistas de fome e a vida de mais de 400 pessoas, que nos últimos anos criaram estruturas para suprir suas necessidades mais básicas e sobreviver.
 
A ocupação de Prosfygika é uma questão que diz respeito a todos nós. Numa sociedade onde as pessoas morrem nas calçadas ou apodrecem sozinhas em apartamentos de concreto, e a classe trabalhadora urbanizada aceitou seu destino humilhante, algumas pessoas ainda lutam e sonham com outro modo de vida. Elas se mudam para casas em ruínas e vazias, e constroem comunidades baseadas na solidariedade e na crença profundamente enraizada de que outro mundo é possível.
 
Esses esforços, que desafiam na prática os ditames do capitalismo — que exige individualismo, isolamento e submissão silenciosa às suas “leis” —, mostram-nos o caminho para o futuro e provam que não precisamos esperar para ver esse futuro. Podemos construí-lo no presente.
 
Vitorias para as greves de fome dos nossos companheiros Suzon, que está no 16º dia, e Aristóteles, que ontem completou 100 dias de greve. Vocês nos inspiram com a sua coragem.
 
Solidariedade e força às ocupações em todo o mundo, por um mundo sem decadência.
 
VENCEREMOS OU VENCEREMOS.
 
>> Veja o vídeo aqui: https://athens.indymedia.org/media/upload/2026/05/16/prosfpres-compr.mp4
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
Noite de lua –
Subindo numa pedra,
Um grilo canta.
 
Chiyo-jo

Salvador e a grande greve de 1919

Por Carlos Ferreira de Araújo Júnior

A Grande Greve de 1919 ocorreu no mês de junho em Salvador e logo se espalhou por cidades vizinhas. O movimento teve como principais motivos a carestia de vida, os baixos salários, alta jornada de trabalho, as desigualdades sociais, miséria entre outros fatores. Várias categorias de trabalhadores participaram da greve: portuários, carpinteiros, metalúrgicos, pedreiros e tecelãs. O Sindicato dos Pedreiros, Carpinteiros e Demais Classes (SPCDC) esteve à frente da greve.

Sindicato dos Pedreiros, Carpinteiros e Demais Classes (S.P.C.D.C) foi fundado em 19 de março de 1919. A associação foi influenciada pelo sindicalismo revolucionário e usou táticas de sabotagem e ação direta. Foi um marco para o movimento operário da cidade. O estatuto do sindicato vedava filiações políticas, defendia a participação das mulheres e a criação de escolas modernas. O SPCDC foi fundado por: Guilherme Francisco Neryz, Abílio José dos Santos, Durval dos Santos Cárceres, José Domiense da Silva e Ezequiel Antônio Pompeu. O grupo teve apoio de Agripino Nazareth.

A cidade de Salvador parou por 10 dias. A capital baiana não via uma movimentação de trabalhadores tão grande assim desde a Greve dos Carregadores (1857). Padeiros em greve avisaram que a distribuição de pão havia sido suspensa, exceto para os hospitais. Os ferroviários paralisaram os serviços.  Os trabalhadores dos cemitérios também suspenderam os serviços. Os jornais da grande imprensa da época, tentando jogar a opinião pública contra os grevistas, afirmava que o fedor que exalava do cemitério era insuportável, graças ao abandono causado pela paralisação.

Cerca de 15 mil operários e operárias grevistas tomaram as ruas de Salvador naqueles dias de junho de 1919. Os trabalhadores conseguiram a redução da jornada de trabalho e a isonomia salarial entre homens e mulheres.

A Grande Greve em Salvador teve intensa participação das operárias, especialmente, as tecelãs. Em setembro de 1919, as tecelãs deflagraram uma greve contra os maus tratos e os baixos salários da categoria. No ano seguinte, operárias lideraram associações de defesa como foi o caso de Corina Marinho, oradora da União De Defesa Proletária, formada pelos operários e operárias da fábrica de charutos de Muritiba. Esta associação visava a defesa de operários e operárias contra os assédios, abusos e estupros praticados contra as operárias pelos mestres de fábrica.

Em 1920, com a chegada do anarquista negro Eustáquio Marinho, o S.P.C.D.C. vai se tornar uma associação alinhada as teses libertárias do Terceiro Congresso Operário Brasileiro (1920). O SPCDC enviou dois representantes para este congresso: o anarquista português Anibal Lopes Pinho e Gaudêncio José dos Santos, anarquista negro baiano.

Desde o final da década de 1990, o historiador Aldrin Castelucci pesquisa sobre o movimento operário de Salvador. Seus trabalhos são de grande importância para os debates sobre os mundos do trabalho, pois rompem a ideia cristalizada de uma militância operária essencialmente eurocêntrica e “sudestina”, resgatando o protagonismo de operários negros e negras baianas.

REFERÊNCIAS

CASTELLUCCI, Aldrin Armstrong Silva. Salvador dos Operários. Uma História da Greve Geral de 1919 na Bahia. Salvador -BAHIA. 2001.

KARLLOS, Jr. Brasil Negro Insurgente. Ed. Monstro dos Mares.

PERIÓDICOS

GERMINAL.N.1. Data: 19/03/1920. Salvador – Bahia.

________.N.2. Data: 03/04/1920. Salvador – Bahia.

________.N.3. Data: 01/05/1920. Salvador – Bahia.

RENASCENÇA. Data: jun. de 1919. P.14. n.43. Salvador -Bahia.

___________. Data: set. de 1919. P.21. n.46. Salvador -Bahia.

CARLOS FERREIRA DE ARAUJO JUNIOR – Historiador formado pela UEPB. Publicou dois livros: Renego – Grito Punk (2021), sobre o punk na Paraíba, e Brasil Negro Insurgente (2025), sobre libertários e socialistas negros no Brasil. Desde 2012, possui um canal acervo punk no youtube: ÔKO DO MUNDO! O autor também escreveu os seguintes cordéis e zines libertários/decoloniais: OBREIROS DA BORBOREMA, BRADO BRUTO, EXU MOLOTOV, PLUMA NEGRA, ZINE AUTÔNOMO TEMPORÁRIO (ZAT).

>> Foto em destaque: foto do Sindicato dos Pedreiros, Carpinteiros e Demais Classes. Na foto de 1920, temos em ordem da esquerda para a direita, começando pelos que estão em pé: Guilherme Francisco Neryz, Abílio José dos Santos, Durval dos Santos Cárceres, José Domiense da Silva e Ezequiel Antônio Pompeu. O grupo teve apoio de Agripino Nazareth.

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nos dias de outono
as folhas largam no ar
um cheiro de sono

Cristina Saba

[Espanha] Nosso adeus à voz mais livre do flamenco: El Cabrero (1944-2026) “in memoriam”

Por José Mª Polo Sáez
 
O flamenco chora hoje a morte de um de seus canteiros mais emblemáticos e com ele se foi, como um raio, sua voz poderosa e carismática. Chamava-se José Domínguez Muñoz, “El Cabrero”, e a Andaluzia perdeu uma de suas vozes mais autênticas, incorruptíveis e profundas. Faleceu aos 81 anos em Bormujos, neste 13 de maio de 2026, e a Andaluzia, seu campo, sua serra, seu vento, suas águas e até suas próprias cabras se ressentirão de tão lamentável perda.
 
José nunca precisou de artifícios para ser grande. Cabreiro desde os seis anos (ele nunca deixou de pastorear), sua arte brotou da mesma terra que pisava, nutrindo-se da dureza do campo e da dignidade do trabalhador. Foi o artista que trazia a verdade do monte aos teatros. O cantautor [cantor e compositor] da liberdade e da rebeldia.
 
O imenso caudal de verdade e sinceridade deste artista único em seu gênero fluía inalterável – como ele diria –, ladeira abaixo, entre penhascos e rochedos, por desfiladeiros e gargantas estreitas, até provocar uma verdadeira avalanche, um transbordamento nas consciências de todos aqueles homens e mulheres que buscam em seu canto, em sua simples, mas profunda verdade, o consolo desse sonho inalcançável da igualdade e da liberdade.
 
Seu estilo, inserido nas formas mais simples do flamenco – fandangos de Huelva, soleares, seguiriyas e tonás –, tornou-se uma ferramenta de denúncia social durante a Transição. Com letras reivindicativas e uma filosofia de vida libertária, El Cabrero sempre cantou contra os abusos do poder e a falta de liberdade.
 
“Quando há algo a dizer,
não se pode calar,
porque calar é morrer”.
 
El Cabrero pode ser considerado como o cantautor que melhor soube captar a própria essência do homem trabalhador, do homem que lavra a terra e lhe dá vida. Ele mesmo faz parte também desse anônimo e heroico trabalhador que, a cada dia, se funde com a paisagem para operar o milagre de viver e, ao mesmo tempo, permitir e possibilitar vida aos seres de seu entorno.
 
El Cabrero era um autêntico personagem de lenda viva, um cantautor para a mais eterna das tradições populares, porque dentro de um século se continuará falando de El Cabrero, narrar-se-ão seus feitos e façanhas como sucessos fabulosos que irão voando de boca em boca no mais puro estilo de tradição oral, porque ele, melhor do que ninguém, soube penetrar no povo e o povo o quer e o respeita, e o continuará respeitando, admirando e, sobretudo, o continuará querendo como um símbolo vivo de uma Andaluzia utópica que não se cala nem se dobra diante de ninguém.
 
El Cabrero era um dos poucos seres humanos dos quais hoje é tão difícil encontrar, antes de tudo por sua sinceridade e autenticidade, ou dito de outra forma, nele encontramos o homem – rememorando Machado – no bom sentido da palavra, bom. Mas de uma bondade combativa, uma bondade entendida e conquistada na luta dia a dia. Um homem que se afundava na terra como ele o fazia e que precisava dela como o peixe precisa da água. Sim, afundava-se na terra que ele mimava e adorava e que nunca abandonou, por mais tentações que lhe chegassem desse outro mundo, como ele dizia, “mentiroso e canalha”.
 
A El Cabrero pode-se considerá-lo uma dessas poucas vozes que, em toda a história do flamenco, melhor plasmaram a autêntica realidade socioeconômica e trabalhista andaluza e, além disso, foi capaz de publicá-la, denunciá-la e combatê-la com seu canto, e isso nunca lhe perdoaram, nem os caciques da vez nem seus próprios companheiros do flamenco, sobretudo aqueles que, da música, só buscavam a arte pela arte.
 
Em definitiva, El Cabrero foi ou pode ser considerado um autêntico e irrepetível fenômeno social de massas no que diz respeito ao flamenco. Portanto, o que mais nos chamou a atenção nele é seu canto, seu canto essencialmente puro, sem concessões à galeria, canto pelejado em cada terço, com paixão e com rigor.
 
E ali estará sempre El Cabrero para nos lembrar que nunca devemos parar, nem nos conformar, que é preciso caminhar sempre alerta, sempre atentos ao nosso destino para que este não venha já marcado de antemão. Que a terra lhe seja leve.
 
O Pastor das Verdades
(Homenagem a El Cabrero, 1944-2026)
 
El Cabrero: a voz sem artifício,
que ao nosso canto deu a força e a porfia,
denunciando a injustiça em rebeldia,
leal ao seu canto e ao seu ofício.
 
Hoje se cala a serra,
o monte e as jaras hoje suspiram,
o pastor-cantautor já se retira,
denunciando com força a pobreza.
 
Parte um cantautor, homem valente,
o que nunca se rendeu ante o poder,
pôs alma e coração ao defender
de ladrões e de caciques suas gentes.
 
Nunca quis lisonjas nem riquezas,
preferiu a liberdade e a utopia,
com suas cabras pelos rochedos cada dia,
qual tesouro mais belo da terra.
 
Camarada, cantautor da igualdade,
que a terra te acolha em seu seio
e teu canto poderoso e sereno
se torne em grito de liberdade.
 
(José Mª Polo Sáez)
 
Fonte: https://redeslibertarias.com/2026/05/16/nuestro-adios-a-la-voz-mas-libre-del-flamenco-el-cabrero-1944-2026-in-memoriam/
 
Tradução > Liberto
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/05/14/espanha-morre-o-cantor-flamenco-jose-dominguez-el-cabrero-aos-81-anos/  
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Juncos secos –
Dia após dia se quebram
E vão rio abaixo.
 
Rankō

O Sistema que Finge Pedir sua Opinião

Por Akracia – Fenikso  Nigra

Há um mecanismo que funciona com precisão. Você vota. Escolhe entre opções. Acredita que está decidindo o rumo das coisas. E nada muda. Os salários continuam congelados. Os bancos continuam lucrando. As favelas continuam sem água. O mecanismo continua intacto.

Brasil, 2024. O Banco Master controla o sistema de processamento de transações de cartão de crédito e débito. Movimenta bilhões diariamente. Define quem pode comprar, quanto paga, qual taxa incide sobre a operação. Nenhum eleitor votou no Banco Master. Nenhuma eleição o coloca ali ou o remove. Ele existe porque o sistema foi construído para que ele exista. Porque a concentração de poder não precisava de legitimidade democrática. Precisava apenas de permissão.

A democracia que conhecemos funciona assim: transfere para as pessoas o direito de escolher quem vai administrar o sistema. Não o direito de escolher o sistema. Os candidatos mudam. As prioridades do capital não. Um presidente promete educação. Outro promete segurança. Um terceiro promete emprego. Mas educação pública continua sucateada. Segurança continua privatizada. Emprego continua precário. Porque essas não são decisões dos governos. São decisões de quem controla o dinheiro. Banco Master, fundos de investimento, grupos empresariais que funcionam acima e além de qualquer voto.

Isso não é inépcia. Não é incompetência administrativa. É arquitetura. A estrutura foi desenhada para que o poder econômico funcione independentemente do poder político. O governo troca. A concentração de riqueza permanece. Primeiro acontece o voto. Depois, a realidade de quem governa: um ministro da economia que vem do setor financeiro. Um juiz que vem da elite. Um secretário que conhece mais banqueiros do que vizinhos. Eles não obedecem ao povo que votou. Obedecem à lógica que os formou.

A história da América Latina conhece isso bem. Chile, 1973. Pinochet tira Allende do poder, mas a estrutura econômica de concentração de riqueza permanece. Ditadura cai. Democracia volta. Desigualdade segue intacta. Argentina, 2001. Manifestações nas ruas. Crises de governo. Nove presidentes em semanas. O que não muda? O poder dos bancos sobre a vida das pessoas. Nem ditador nem democrata consegue tocar nisso. Porque não é o governo que o sustenta. É a lógica que o governo administra.

O Banco Master é apenas o caso mais visível. Existem centenas deles. Grupos de comunicação que definem narrativas de eleição. Fundos de investimento que decidem quais empresas vivem e quais morrem. Cartéis de alimentos que controlam preços nas prateleiras. Estruturas de poder que nenhum voto toca. E aqui está a parte que faz a máquina funcionar: a ilusão de participação. Você vota e acredita que o sistema responde a você. Acredita que a próxima eleição muda as coisas. O mecanismo continua funcionando porque você o legitima sem questionar sua natureza.

Não é à toa que o voto é secreto. Não é à toa que defendemos a democracia como sagrada. Ela é a válvula de escape perfeita. Absorve o protesto. Canaliza o descontentamento. Oferece ilusão de mudança. E garante que os termos do jogo permaneçam inalterados. Enquanto você escolhe entre A e B, quem de verdade decide fica invisível. Não participa de debates. Não aparece na urna. Simplesmente continua.

A pergunta então não é para qual lado votar. É se vale a pena gastar energia elegendo representantes de um sistema que você não representa. Se vale participar de um mecanismo que garante sua própria impotência. Se a democracia que conhecemos não é apenas um modo sofisticado de dizer: “Você pode escolher tudo, menos o que importa”.

Na luta por estruturas que nos sirvam realmente, somos pessoas dignas e livres!

anarkio.net

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cada haikai
uma nova peça
num quebra-cabeça sem fim

George Swede

[Itália] Para todas as satanassas e todos os satanassos!

Acabou de sair do forno o novo número de LA SCOPA – Jornal anticlerical da Romagna Apenina | Ano II, N.1, Maio de 2026

O que é La Scopa

La Scopa, quinzenal no início e depois semanal, nasceu em janeiro de 1909 em Santa Sofia, vila no Apenino forlivense, como “Jornal anticlerical da Romagna Apenina” (aquela que antigamente se chamava Romagna-Toscana).

Isso porque, enquanto os partidos subversivos e socialistas haviam conquistado as zonas urbanas, as rurais, naquela época muito populosas, eram terreno de propaganda e conquista dos padres: “uma Vendeia de conservadorismo tacanho e supersticioso”, como se lê em La Scopa de 5 de outubro de 1911.

Posteriormente, o título foi modificado, a partir de 1º de janeiro de 1912, para “La Fonte”, “Semanário de vanguarda”, com conteúdos de cultura política e educação popular, onde os tons pareciam menos radicais, a ponto de ali escreverem até alguns católicos expulsos do Vaticano.

Três anos de vida, portanto. “Três anos de luta árdua”. Com vários colaboradores e colaboradoras espalhados pela Itália.

Do silêncio deste século, decidimos ressuscitá-la, para que a preciosa — e infelizmente deixada de lado — atitude anticlerical da Romagna não se reduza a uma relíquia do passado, mas nos lembre que, aqui e agora, a opressão das religiões e de seus aparatos institucionalizados (as igrejas e seitas de todos os tipos e graus) deve ser combatida. Mais do que nunca, agora que as “guerras santas” voltaram à cena internacional… isso se é que algum dia desapareceram.

Anticlericalismo, pensamento crítico, galhofa irreverente e espírito popular são instrumentos preciosíssimos para libertar nossas vidas — e as “nossas” terras — desse lamaçal de obscurantismo (como se dizia antigamente). Acreditamos que LA SCOPA possa ser um importante instrumento para canalizar as forças que, com essas intenções, querem lutar por um mundo mais livre.

A LA SCOPA será aperiódica: sai quando quiser!

A veia anticlerical, que é uma marca de fábrica do jornal original, será intercalada com anedotas, relatos e histórias — algumas galhofeiras, outras mais sérias — com um olhar especial para o território romagnolo e sua zona apenina.

Se você quiser colaborar com a revista, só precisa fazer uma coisa: escrever-nos para: lascopa@autoproduzioni.net

lascopa.noblogs.org

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Quando a lesma
Ergue a cabeça, eu vejo:
Parece comigo!

Shiki

[Bélgica] Bruxelas: Solidariedade com o nosso companheiro, liberdade para todos!

Um companheiro¹ está encarcerado na prisão de segurança máxima de Haren desde novembro. Nesta quarta-feira, 20 de maio, o Estado inicia sua farsa numa tentativa de silenciar as ideias anarquistas.

Façamos deste dia uma oportunidade para darmos rédea solta aos nossos desejos. Defendamos a rebelião contra este mundo, rompamos o isolamento de todos os nossos companheiros aprisionados.

Aproveitemos este dia para difundir nossas ideias e práticas anarquistas e não deixemos essa condenação passar despercebida. Experimentemos juntos novas formas de confrontar a repressão e mostremos que nossas ideias não podem ser apagadas.

Nem na prisão a céu aberto que é esta sociedade, nem dentro dos muros da sua prisão!

A questão da culpa e da inocência pertence àqueles que têm um código penal no lugar do coração, enquanto os caminhos que aquecem nossos corações com o fogo da revolta nos pertencem!

Vejo vocês no dia 20 de maio às 8h na Place Poelaert, Rue Ernest Allard.

Solidariedade com nossos companheiros e fogo nas prisões!

Liberdade para todos!

A n a r q u i s t a s

[1] Preso desde 12 de novembro de 2025, acusado de incendiar três viaturas policiais em Bruxelas.

agência de notícias anarquistas-ana

Nuvens de mosquitos –
Sem isso, no entanto,
Mais solitário.

Issa

[Grécia] Atenas: Atualização dos tribunais de Evelpidon sobre o caso dos 8 companheiros e companheiras detidos no caso de 11 de maio

5/05/2026
 
Os cinco companheiros e uma companheira foram mantidos em prisão preventiva.
 
Uma atualização será divulgada em breve.
 
A outra companheira foi liberada com a condição de comparecer à delegacia três vezes por mês para assinar o termo de comparecimento, e outro companheiro também foi liberado com a condição de comparecer à delegacia duas vezes por mês para assinar o termo de comparecimento.
 
Durante o transporte dos companheiros e companheiras, ocorreram pequenos confrontos com a polícia e a população.
 
Nada ficará sem resposta.
 
A SOLIDARIEDADE É A NOSSA ARMA
 
Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1641215/
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/05/14/grecia-declaracao-dos-8-companheiros-e-companheiras-detidos-no-caso-de-11-de-maio/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Noite de lua –
Subindo numa pedra,
Um grilo canta.
 
Chiyo-jo

O Kyriakos X em águas internacionais

No dia 17 de maio, data do aniversário do companheiro Kyriakos Xymitiris, o KYRIAKOS X. entrou em águas internacionais ao partir de Antália, na Turquia. Meses de esforço, preparação e expectativa parecem culminar neste momento. Era uma promessa que – apesar das inúmeras dificuldades – parecia impensável ser cancelada. E partíamos repetidamente para construir este barco utópico. O cenário esperado é que, nos próximos dois ou três dias, seremos feitos prisioneiros do exército sionista, deixando para trás, no Kyriakos X, um pedaço do nosso coração. Recusamos a palavra dos genocidas. Nossos ouvidos não escutam suas ordens. Kyriakos está conosco e mostra a língua para eles, como fez com alguns policiais berlinenses: “I don’t speak nazi”.
 
Imaginação, otimismo, risco
 
PELA PALESTINA
PELO KYRIAKOS
 
Kostas K.
 
Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1641243/
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
Mal anoiteceu –
E as estrelas já brilham
Sobre o campo seco.
 
Buson