[Grécia] Contra as ilusões eleitorais e a delegação de responsabilidades

Os grupos estudantis exploram o fato de que, ao ingressar na universidade, o estudante se depara com diversos desafios, e o processo eleitoral é apresentado como a única solução para esses desafios. Apresenta-se a narrativa de que o indivíduo, por si só, não tem a capacidade de analisar as condições e reivindicar a mudança, mas somente por meio da delegação e da integração em forças partidárias é que pode exercer ação política. Não há espaço para construir uma opinião pessoal, mas, ao contrário, o indivíduo é chamado a aliar-se à facção com a qual menos discorda. Apostam na sensibilização do indivíduo para as questões estudantis, sem exercer uma crítica aprofundada à forma como a realidade universitária está estruturada e sem apresentar uma contraproposta adequada.

O papel das eleições estudantis vem complementar a ação das facções, transmitindo a ideia de que somente por meio do voto e, posteriormente, da representação, o indivíduo pode ser politicamente ativo. Ao delegar sua ação política a agentes partidários, perde-se a possibilidade de socializar as reflexões políticas em contextos não definidos pela representação eleita. Perpetua-se a noção de que somente através da identificação de sua posição com a posição da maioria é que se pode reivindicar a mudança da realidade social.

Rejeitando essa interpretação, propomos a abstenção eleitoral consciente. A mudança real não se define por meio de relações de delegação, mas por meio de reivindicações comuns, igualitárias e horizontais, tanto no espaço universitário quanto em nossa vida cotidiana mais ampla. Em oposição às assembleias gerais hierarquizadas e aos processos eleitorais, nos organizamos a partir da base e participamos de lutas nas faculdades e nas ruas, sem intermediários.

Espaço comunitário autogerido de Pa.Pey

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Caminho do mar:
A navalha no meu rosto
corta que nem gelo.

Antonio Cabral Filho

[Espanha] III Feira do Livro Anarquista de Pontevedra. 30 e 31 de maio.

Numa época em que testemunhamos, em meio à impotência e à incerteza, a progressiva fascistização da sociedade, onde discursos reacionários recuperam toda a sua força e ameaçam as conquistas de lutas que ninguém mais se lembra, e a repressão excessiva protege uma máquina econômica que usa o genocídio, a devastação ambiental e a exploração de todas as formas de vida como combustível, acreditamos que é mais urgente do que nunca cultivar o pensamento crítico e nos munir de ferramentas e sonhos para confrontar esse sistema monstruoso.

Com essa perspectiva, pelo terceiro ano consecutivo (e este é o terceiro!), no próximo fim de semana, dias 30 e 31 de maio, celebraremos mais uma vez a Feira do Livro Anarquista de Pontevedra, na Praza da Ferrería. Uma fogueira onde poderemos nos reunir para ouvir, trocar materiais e críticas, e forjar laços em prol de vidas mais dignas. Durante os dois dias, haverá estandes com material literário antiautoritário e diversas atividades, e convidamos você a participar.

Se você conhece algum distribuidor ou editor que se encaixe na nossa proposta, entre em contato e nos apresente sua proposta!

Pela anarquia. Contra a derrota.

Tudo para todes.

SÁBADO 30

11h00 Apertura da feira

12h00 Mesa redonda: Habitação como trincheira (com o grupo colaborativo de habitação O Laghar, o Encontro de Habitação de Compostela e o Fórum Socioeducativo As Ninguéns)

14h00 Recital de poesia “Genealogia do Fogo” + microfone aberto (Lira, Alfredo Hanabi e convidados) + almoço vegano

16h00 Palestra: A face oculta da IA​​e o direito internacional à ignorância (Xulio Carmona, Ecologistas em Ação)

18h00 Apresentação do livro “O Desconforto é Outra Coisa” de Javier Erro (pelo autor)

19h30 Bingo punk musical e concerto de CLAVO

DOMINGO 31

11h00 Obradoiro de postais com técnicas mistas: Cianotipia, colagem, estamparia… (com Alouette machine)

12h30 Apresentação do livro “Pulso de Galicia” de Víctor Oia (a cargo do autor)

14h00 Grande paella vegana e agito com o DJ Tuna Loins.

editorialimperdible.com

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Sei como voltar:
as cores do meu outono
desenham caminhos.

Yberê Líbera

[Reino Unido] Feira do Livro Anarquista Ewan Brown

Feira do Livro Anarquista Ewan Brown de Newcastle

Sábado, 30 de maio // 10h / Venue Space

Meia década da Feira do Livro Anarquista Ewan Brown de Newcastle — 5 anos e em plena atividade

2026 marca a 5ª edição anual da Feira do Livro Anarquista Ewan Brown de Newcastle, uma celebração dinâmica da vida e do legado de Ewan Brown, e uma homenagem à história, ao presente e ao futuro radicais do Nordeste. No sábado, 30 de maio, abriremos as portas mais uma vez, convidando ativistas, artistas, pensadores e membros da comunidade a se reunirem no espírito de resistência e solidariedade. O evento contará com uma mistura empolgante de barraquinhas, oficinas, música ao vivo e arte, tudo realizado no incrível Star and Shadow Cinema, situado no coração da zona leste de Newcastle.

Este ano, assim como nos anos anteriores, a feira de livros ganha vida graças a um grupo dedicado de voluntários, impulsionado por doações e pelo apoio da comunidade. Trabalhamos arduamente para tornar este evento o mais inclusivo e acessível possível, garantindo que todos possam participar, compartilhar conhecimento e celebrar a luta por um mundo mais justo. Seja para descobrir nova literatura anarquista, conectar-se com outros radicais ou desfrutar de apresentações vibrantes, a Feira do Livro Anarquista Ewan Brown promete ser um dia repleto de aprendizado, compartilhamento e construção do futuro que merecemos.

>> Mais infos: newcastlebookfair.org.uk

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Relâmpago azul.
Crescem os olhos da criança
no colo da mãe.

Zuleika Dos Reis

[Suíça] RäZeL Café: Pelo fim da polícia

A próxima atividade do RäZeL Café acontecerá em 31 de maio de 2026, na Horwerstrasse 14, em Lucerna. O café abre às 13h e a apresentação de “Der Schwarze Weg” começa às 14h30. A entrada é por doação.

De Lucerna a Minneapolis, de Moscou a Teerã. Nas fronteiras externas da UE ou no Muro de Berlim. Qualquer lugar poderia ser listado aqui, porque em todas as cidades, em todas as vilas e em inúmeros outros lugares, pessoas já foram assassinadas, torturadas, presas ou atacadas pela polícia.

Durante aproximadamente 160 anos, a polícia oprimiu e aterrorizou aqueles que se encontram na base da ordem social. E embora tenha sido fundada precisamente com essa missão — ou seja, manter a escravidão e o colonialismo e prevenir levantes dos pobres — muitas pessoas, especialmente na Alemanha, acreditam que a polícia serve para proteger a população em geral ou que simplesmente precisa de reforma.

Entendendo a polícia

A palestra abordará as origens da polícia, sua função e estrutura, e por que não podemos simplesmente reformá-la, mas sim aboli-la. Ficará claro que a polícia e o Estado estão inextricavelmente ligados. Capitalismo, colonialismo, patriarcado e capacitismo também desempenham um papel importante. Portanto, qualquer pessoa que deseje abolir a polícia só poderá fazê-lo simultaneamente com a abolição do Estado. Outros tópicos a serem discutidos incluem: Quais são alguns exemplos de resistência contra a polícia? De que maneiras (alguns) esquerdistas defendem a polícia?

Aprender a assumir responsabilidades

A discussão então se volta para formas de coexistência onde as pessoas compartilham responsabilidades: Como as sociedades sem polícia e Estado lidam e lidavam com conflitos, agressões e violência externa? Que possibilidades temos para enfraquecer o poder da polícia em nosso cotidiano?

Local e data

A palestra acontecerá no dia 31 de maio de 2026, às 14h30, no Räzel, em Lucerna (Horwerstrasse 14).


Trata-se de uma palestra do projeto anarquista Schwarzer Weg (schwarzerweg.noblogs.org) e organizada pela REsolut Luzern (resolut.noblogs.org).

agência de notícias anarquistas-ana

Nesta noite
ninguém pode deitar-se:
lua cheia.

Matsuo Basho

Chamada de 2026 – 11 de junho: solidariedade sem fim

Neste ano, enquanto marcamos o Dia Internacional de Solidariedade a Marius Mason e a Todas as Pessoas Anarquistas Presas de Longa Duração, estamos pensando na natureza da solidariedade como algo sempre mutável e interminável. Nossa solidariedade não é apenas para aquelas pessoas que estão presas, mas para todas aquelas que são assediadas, intimidadas, deportadas, perseguidas, forçadas à clandestinidade, torturadas e até mortas. Não apenas para indivíduos, mas para as lutas das quais fazem parte. Assim como a repressão oscila e as táticas do Estado se adaptam, se transformam e inovam, nossa prática de solidariedade ativa também deve fazê-lo. Precisamos nos adaptar ao terreno em mudança e às necessidades de nossos movimentos.

A solidariedade não termina quando o julgamento acaba e um veredito é alcançado, quando uma greve de fome conquista suas reivindicações, ou mesmo quando alguém é libertado da custódia e retorna aos braços de sua família e amigos. As consequências da repressão estatal duram muito além dos grandes momentos e da atenção da mídia. Sempre que um ciclo de luta chega ao fim como alvo do Estado, outro tomará seu lugar. Sempre que uma pessoa companheira é libertada da prisão, outra será levada para dentro dela. Nosso apoio deve continuar se espalhando para além de nossas amizades e redes imediatas. Deve ultrapassar as fronteiras dos Estados em direção a todas as terras e territórios onde pessoas estão lutando. Deve expandir-se para além do momento presente, honrando companheiras do passado e pensando em qual legado deixaremos para quem vier depois de nós.

Embora nossas táticas e estratégias mudem e evoluam com o tempo, devemos sempre enfrentar o momento com o impulso de avançar, e não permanecer esperando. Podemos assumir momentos de evasão e postura defensiva, apenas para retornar mais fortes e mais intransigentes. O contexto em que nos encontramos está sempre mudando, mas nosso propósito permanece o mesmo. Solidariedade sem fim significa agir constantemente em direção ao objetivo de destruir a ordem vigente.

Os riscos permanecem os mesmos, mesmo enquanto o terreno muda. As ameaças permanecem as mesmas, ainda que estejam se tornando mais comuns. Sentenças antes curtas tornaram se mais longas com designações de terrorismo e agravantes. Campos surgem ao lado das prisões. O policiamento torna-se mais evidente. Assassinatos tornam-se genocídios. Isso não é novo, mas sim um retorno a um estado previamente escalado que construiu os impérios coloniais de assentamento. As forças reacionárias de extrema direita do mundo vêm recuperando influência e poder há bastante tempo, alimentando-se do medo gerado por crises simultâneas, enquanto moderados tentam se agarrar a um status quo moderno, boiando em uma maré crescente e turbulenta. As crises são reais, assim como as recessões econômicas e a escassez crescente. E também será real a violência vinda de cima enquanto as autoridades tentam manter e centralizar ainda mais seu poder.

Anarquistas e outras pessoas que falam e agem já estão sendo explicitamente perseguidas no Irã, Rússia, Belarus, Indonésia, Itália, Grécia, México, Estados Unidos e em outros lugares. Aqueles que buscam manter o status quo exclamam: “eles não podem fazer isso!”. Nós reconhecemos que sempre puderam, ainda que em escalas menores e mais “polidas” no passado recente. O medo das pessoas no poder também está se concretizando, enquanto vemos proliferações de levantes ao redor do mundo quebrando como ondas sobre uma praia em erosão. Vemos como a autoridade é vulnerável em momentos de crise, enquanto a luta retorna a velhos espaços como locais de trabalho e barricadas, ao mesmo tempo em que traçamos novas vias de ataque.

As consequências de agir contra a ordem dominante parecem estar se intensificando, então somos levadas a reconhecer aquilo que sempre soubemos ser verdade: meias medidas são uma armadilha. Colaborar com a esquerda institucional e com estatistas moderados em seus próprios termos significa apenas fortalecê-los para sua própria coerção e violência vertical caso triunfem. Encontramos cumplicidades produtivas quando agimos a partir de princípios anarquistas, construindo o fortalecimento de todas as pessoas contra qualquer nova autoridade. O poder sobre nossas vidas deve permanecer em nossas próprias mãos, sem mediações. E parece que muitas pessoas reconhecem isso quando centros de dados e inteligência artificial tornam-se focos de resistência.

A catástrofe climática em curso já havia sido reconhecida por nossas pessoas combatentes presas há décadas, enquanto novas tecnologias como a IA continuam aprofundando o curso ecocida. Nos preparando para a escassez, nos recolhemos para contra-atacar, idealmente sem nos solidificar a ponto de perder a adaptabilidade. Conforme o terreno muda, podemos permanecer móveis, sem esperar pela nova repressão. A solidariedade sem fim é tanto antecipatória quanto ativa.

Enfrentar os riscos reais de nossas lutas, vida e morte, não precisa nos conduzir a um caminho de pessimismo constante. Pelo contrário, pode nos oferecer o presente da apreciação por cada pequena vitória e por cada coisa mundana e bela. Isso também é um ciclo de solidariedade. Há dias que partem nossos corações. Há dias que os enchem novamente a tal ponto que tememos que explodam de nossos peitos. Cada pessoa companheira é preciosa. Assim como cada libertação, absolvição, acusação retirada ou acordo de não cooperação para obter pena já cumprida, cada pequena vitória conquistada por meio de uma greve, cada ação coletiva ou revolta individual ousada apesar de tudo dizer que não vale a pena. Devemos permitir que cada uma dessas coisas traga um sorriso aos nossos rostos, mesmo enquanto tantas outras pessoas continuam encarceradas. Devemos permitir que cada pequena vitória ocupe seu lugar na narrativa de nossas lutas, conectando passado e futuro. Devemos deixar que essa apreciação nos dê força e ousadia. Neste ano, celebramos a recente libertação de Hybachi LeMar, Peppy e Casey Brezik. Marius Mason, após quase duas décadas em uma prisão federal, deve ser transferido para uma casa de transição em maio deste ano. As acusações contra pessoas rés do movimento Stop Cop City nos Estados Unidos começam a ser retiradas. Monica Caballero, no Chile, terá outra chance de liberdade condicional. Acusações foram retiradas contra uma pessoa companheira em Munique e cinco anarquistas em Belarus foram libertadas. A solidariedade ativa, baseada em princípios e em expansão contínua ao redor do mundo, especialmente exemplificada por companheiras na Grécia em torno do julgamento de Ampelokipi.

>> Mais infos: june11.noblogs.org

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Um mundo de orvalho,
E em cada gota de orvalho
Um mundo de lutas.

Issa

[Grécia] Manifestação contra a mineração

NENHUMA EXPLORAÇÃO NO MAR EGEU E NO MAR DA LÍBIA

OS MARES PERTENCEM AOS SERES VIVOS QUE OS HABITAM

Na sexta-feira, 29 de maio, convocamos uma manifestação de contra-informação às 20h no Thiseio, com o objetivo de informar e resistir aos planos do Estado e das multinacionais para a exploração submarina no Mar Egeu e no Mar da Líbia, bem como à exploração extensiva da ilha de Creta por meio de projetos de desenvolvimento energético. Nesse contexto, no dia 29/05, o primeiro-ministro irá a Creta para saudar o lobby energético na conferência “Investing in change” e para marcar o início da transformação da ilha em um cenário distópico de investimentos industriais e turismo intensivo. A exploração submarina mudará radicalmente a paisagem, poluindo o mar, perturbando o ecossistema do fundo do mar e transformando as costas em centros de armazenamento e transporte de petróleo.

Defendemos o valor intrínseco de cada pedaço de terra, água e ar; até que seja abolida a última fronteira, cada prisão — cada matadouro —, até que todos sejamos livres.

A luta pela libertação total é uma luta pela anarquia.

Assembleia Aberta Antiespecista

anoixti_antispisistiki @ riseup.net

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À toa, à toa,
joaninha abre a capa
de bolinhas e voa.

Angela Leite de Souza

[Espanha] O documentário sobre Joan García Oliver lota o Teatre Bartrina de Reus

Mais de 300 pessoas compareceram neste 19 de maio ao evento organizado pela CGT e pela Fundação Salvador Seguí no Teatre Bartrina de Reus para a apresentação e estreia do documentário O eco dos passos. História de Joan García Oliver, dirigido por Gonzalo Mateos. O evento se tornou muito mais do que uma exibição cinematográfica: foi uma homenagem coletiva a uma das figuras mais destacadas do anarcossindicalismo ibérico e à memória operária e libertária de Reus.
 
O teatro, localizado na cidade natal de Joan García Oliver, ficou completamente lotado em uma jornada carregada de emoção, memória histórica e reivindicação social. Militantes sindicais, pessoas ligadas aos movimentos sociais, historiadores e moradores da cidade compartilharam um espaço onde o passado voltou a dialogar com o presente.
 
O documentário percorre a vida e a trajetória revolucionária de Joan García Oliver, desde suas origens operárias até seu papel central dentro da CNT e do movimento libertário durante os anos da Revolução Social e da Guerra Civil. A obra dá atenção especial ao seu compromisso com a organização da classe trabalhadora, à autogestão e à luta contra o fascismo, bem como às contradições e debates internos que marcaram aquela época histórica.
 
Por meio de imagens de arquivo, depoimentos e uma criteriosa reconstrução histórica, O eco dos passos recupera a dimensão humana e política de uma figura que continua despertando interesse e debate décadas após sua morte. O filme também serve como uma reflexão sobre a necessidade de preservar a memória daqueles que lutaram para transformar a sociedade a partir de posições revolucionárias e emancipadoras.
 
Durante o evento, destacou-se a importância de manter viva a memória libertária e operária em um contexto marcado pela precarização do trabalho, pelo avanço de discursos autoritários e pelo esvaziamento da memória histórica popular. A organização insistiu que lembrar figuras como García Oliver não responde apenas a um trabalho historiográfico, mas também à necessidade de recuperar experiências de luta coletiva e de organização operária a partir das bases.
 
A resposta do público confirmou o interesse existente em recuperar a história do anarcossindicalismo e da classe trabalhadora organizada. A lotação absoluta do Teatre Bartrina simbolizou, de certa forma, o retorno de Joan García Oliver à sua cidade natal, onde sua figura continua fazendo parte da memória popular de Reus e do patrimônio histórico do movimento operário.
 
Com iniciativas como esta, a CGT continua apostando na difusão da cultura libertária e na recuperação de episódios fundamentais da história social, aproximando novas gerações de figuras e experiências que marcaram profundamente a luta pela emancipação da classe trabalhadora.
 
Fonte: https://sindicalismo.org/2026/05/20/el-documental-sobre-joan-garcia-oliver-llena-el-teatre-bartrina-de-reus/
 
Tradução > Liberto
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/05/22/espanha-gonzalo-mateos-benito-pessoas-da-classe-trabalhadora-puderam-chegar-a-ter-uma-grande-influencia-politica-e-social/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
nenhum pio
depois do trovão
apenas uma fragrância
 
Alonso Alvarez

[Itália] “Agradecemos de coração aos Volontré, foi uma noite linda”

Foi uma noite linda a de sábado passado, 16 de maio, no jardim da Via degli Asili, 33, na Federazione Anarchica Livornese.
 
Os Volontré — Alessandra Falca, Emiliano Dominici e Marina P. — nos presentearam com uma noite de música e socialidade, escolhendo justamente a nossa sede para lançar seu mais recente disco, “Canzoni d’amore e libertà” (Canções de amor e liberdade). Uma produção que quis prestar homenagem, com a capa do disco, a Lucia Sanchez Saornil, uma companheira nossa que viveu nos anos trinta do século XX, anarquista e feminista, ativa na revolução espanhola, no sindicato CNT, cofundadora das Mujeres Libres, além de artista e poeta. Uma homenagem que, justamente em 2026, a 90 anos da revolução espanhola contra o fascismo, trouxe particular alegria à Federazione Anarchica Livornese.
 
Acompanhando os Volontré em seu concerto, várias estrelas convidadas, músicos e o Coro Accorato. Éramos realmente muitos no sábado passado. Sob as tílias, no jardim repleto de cadeiras descasadas, ouvimos cantar sobre poder e exploração, sobre gentrificação e patriarcado, sobre meio ambiente e violência. Enfim, sobre amor e liberdade. Sem retórica, sem sobrecarga, quase sem peso: porque as canções instantâneas dos Volontré são um lampejo, um rasgo narrativo e sonoro a partir do qual se enxerga a realidade num instante. Com lucidez e ironia.
 
Agradecemos de coração aos Volontré, que tornaram possível esta noite esplêndida, e àqueles que com sua participação a animaram, dando vida a uma dimensão coletiva. Convidamos vocês a seguir as nossas iniciativas. Nos encontram na biblioteca toda segunda e quinta-feira à tarde, nos encontram nas praças em luta sempre.
 
Anarquistas Livorneses
 
Tradução > Liberto
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/05/13/italia-volontre-cancoes-de-amor-e-liberdade/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
árvores dançando
desvairadas na janela:
temporal
 
Ademir Antonio Bacca

Gráfica Anarquista | Arte Social e Tipografia em periódicos libertários do início do século XX

Idealização e realização: Centro de Cultura Social (CCS/SP)

Responsável: Rodrigo Rosa da Silva (CCS/SP e Biblioteca Terra Livre)

Parceria:

Grupo de Estudos de História Social (São Paulo)

Círculo ALFA de Estudos Históricos (São Paulo)

Biblioteca Terra Livre (São Paulo/SP)

Parquinho Gráfico (São Paulo/SP)

Grafatório (Londrina/PR)

Ações do projeto:

Identificação, separação e catalogação de todos clichês presentes no acervo do Grupo de Estudos de História Social e Círculo ALFA de Estudos Históricos (São Paulo), solidariamente disponibilizados ao Centro de Cultura Social (CCS). Limpeza e organização por TEMAS: ANTICLERICALISMO, ANTIFASCISMO, ANTI-INTEGRALISMO, MOVIMENTO OPERÁRIO, ANARQUISMO, FOTOS (cotidiano, eventos, personalidades, etc)

1 – Manejo dos Clichês

2 – Oficinas de Tipografia e Impressão

3 – Exposição

4 – Palestras e debates sobre imprensa, arte. Tipografia e anarquismo

5 – Catálogo dos Clichês impresso diretamente dos originais

6 – Livro- inventário com estudos e pesquisas

7 – Produção de jornais, cartazes e fanzines a partir dos clichês

Acompanhe para mais informações:

www.instagram.com/grafica.anarquista/

Biblioteca Terra Livre (BTL) @bibliotecaterralivre

Centro de Cultura Social de SP (CCS-SP) @centro_de_cultura_social

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chuva de meteoros
uma onda suave
molha nossas sandálias

Michael Dylan Welch

No Silêncio da Selva…: o Inferno Verde de Clevelândia.

Por Carlos Ferreira de Araujo Junior

O filósofo camaronês Achille Mbembe cunhou o conceito necropolítica para aquelas políticas e ações criadas para determinar quais indivíduos devem viver e quais indivíduos devem morrer. A materialização destas políticas pode ser vista nos campos de concentração, campos de refugiados, colônias penais, etc.  A Necropolítica estabelece zonas de morte, onde indivíduos subversivos, corpos não dóceis e ideias perigosas são confinadas e lá deixadas para morrerem. No Brasil, a Colônia Penal de Clevelândia do Norte. Clevelândia ficava incrustrada na floresta Amazônica, isolada de vários centros habitados.

A Colônia Penal Agrícola de Clevelândia operou entre 1924 e 1926, durante a Primeira República, na década de 1920, sob o autoritário governo de Arthur Bernardes (1922-1926). Neste período foram enviados os inimigos de Arthur Bernardes além de presos comuns presos por furtos, vadiagem etc. Os primeiros presos políticos a serem enviados foram os rebeldes tenentistas. Depois foram enviados operários anarquistas.

A repressão seguia uma “escala” que levaria a Clevelândia: os opositores de Bernardes eram caçados e presos em delegacias precárias. Depois eram metidos em navios-porões que os transportavam para o Oiapoque. Os navios-porões eram verdadeiras masmorras sobre o mar e repetiam os ambientes imundos da delegacia. Tudo um prelúdio para um lugar ainda pior: Clevelândia, o Inferno Verde ou a Sibéria Tropical. Entre 1924 e 1926, foram enviados para Clevelândia cerca de 1.300 pessoas. Cerca de 700 delas morreram. A título de comparação, durante a Ditadura Civil-Militar (1964-1985), cerca de 450 pessoas desapareceram ou foram mortas, de acordo com a Comissão Nacional da Verdade.

Dentre os libertários enviados a Clevelândia podemos citar: Domingos Passos, Domingos Braz, Pedro Motta, Nino Martins, Nicolau Paradas, Thomaz Derliz Borche, José Batista da Silva, Antônio Salgado, Fernandes Varella, Biofilo Panclastra, José Nascimento Alves, Antônio da Costa, Manoel Ferreira Gomes, Pedro Carneiro, entre outros. Os anarquistas que morreram em foram: Pedro Motta, Nicolau Paradas, Nino Martins, José Maria Fernandes Varella e José Alves do Nascimento. O anarquista amazonense Fernandes Varella chegou a enviar cartas para o jornal anarquista A Plebe relatando as péssimas condições do lugar, além de relatar própria agonia. Varella morreria dias depois. 

Outros presos relataram que médicos e enfermeiros injetavam uma substância identificada como quinino nos corpos dos detentos, de forma arbitrária. Além da desnutrição, os detentos sofriam e morriam de tuberculose, malária e desinteria. O anarquista afro-indígena Domingos Passos também enviou cartas para a imprensa operária narrando torturas, espancamentos e negligências. Domingos Passos conseguiu escapar e chegar com vida a Belém do Pará. O sobrevivente Domingos Braz, operário anarquista, descreveu os tipos de presos recolhidos em Clevelândia.

Desgraçados mendigos pela infâmia de serem velhinhos, inutilizados, repelidos e escarnecidos pela sociedade, porque aqui não há asilos que os acolham; inúmeros filhos do povo confundidos entre vagabundos (…) pelo inconcebível delito de não terem recursos para comprarem a sua liberdade aos agentes que os prenderam; e vários sindicalistas e anarquistas. A PLEBE. n. 245. Data: 12/02/1927.

Na mesma carta, Braz descreve o ambiente mortífero de Clevelândia:

O Oiapoque é um lugar sem recursos médicos. Os próprios preceitos sanitários e higiênicos são desconhecidos. Os infelizes deportados dormem em grupos de cem e mais indivíduos. Barracões imundos e asquerosos cobertos de tábuas ou por palhas em cima e pelos lados – eis o alojamento. A febre palustre, a desinteria, a gastroenterite encontram neles um vasto e amplo campo de propagação fazendo, impunimente, vítimas diárias. Acresce a tudo isso a alimentação deficiente, imprópria e irregular e, na maioria das vezes, sem tempero de espécie alguma. A PLEBE. n. 245. Data: 12/02/1927.

Os condenados de Clevelândia não foram executados de imediato. Foram padecendo aos olhos da administração do lugar. Eles foram morrendo pouco a pouco por doenças, maus tratos, fome, trabalhos extenuantes e tristeza.

REFERÊNCIAS

KARLLOS, Jr. Brasil Negro Insurgente. Ed. Monstro dos Mares. 2025

MBEMBE, Achille. Necropolítica: biopoder, soberania, estado de exceção, política da morte. Tradução de Renata Santini. São Paulo: N-1 edições, 2018.

PLEBE, A. n. 245. Data: 12/02/1927.

RODRIGUES, Edgar. Companheiros.

______________. História do Movimento Anarquista no Brasil.

SAMIS, Alexandre. Clevelândia: anarquismo, sindicalismo e repressão

política no Brasil”,

CARLOS FERREIRA DE ARAUJO JUNIOR – Historiador formado pela UEPB. Publicou dois livros: Renego – Grito Punk (2021), sobre o punk na Paraíba, e Brasil Negro Insurgente (2025), sobre libertários e socialistas negros no Brasil. Desde 2012, possui um canal acervo punk no youtube: ÔKO DO MUNDO! O autor também escreveu os seguintes cordéis e zines libertários/decoloniais: OBREIROS DA BORBOREMA, BRADO BRUTO, EXU MOLOTOV, PLUMA NEGRA, ZINE AUTÔNOMO TEMPORÁRIO (ZAT).

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Margeando riacho
Tenras folhinhas brotam
No campo queimado.

Mary Leiko Fukai Terada

O regime adicionou a ABC Bielorrússia à lista oficial de “formações extremistas”.

O regime adicionou a ABC Bielorrússia à lista oficial de “formações extremistas”. Esta é mais uma tentativa de pressionar o movimento anarquista e criminalizar o trabalho de solidariedade.
 
Isso faz parte de uma tendência mais ampla que visa tanto grupos anarquistas quanto quaisquer iniciativas de solidariedade na Bielorrússia. Outros coletivos e organizações anarquistas já foram rotulados como “extremistas”, incluindo Pramen, Revolutionary Action e outras iniciativas de apoio a prisioneiros, como Bysol e Dissidentby.
 
Na Bielorrússia, o Estado pode declarar qualquer grupo de pessoas como uma “formação extremista”. Qualquer interação com tais grupos pode então ser tratada como um crime.
 
Segundo a legislação bielorrussa, isso pode incluir:
 
• Participação em uma formação extremista:
Qualquer forma de cooperação, mesmo que mínima, pode ser interpretada como envolvimento. A pena máxima é de 7 anos de prisão.
 
• Financiamento de atividades extremistas:
Qualquer doação pode ser considerada financiamento de atividades extremistas. A pena máxima é de 8 anos de prisão.
 
• Facilitar atividades extremistas:
Isso pode incluir o envio de informações ou materiais de mídia para organizações designadas, a concessão de entrevistas ou comentários, a execução de tarefas ou o fornecimento de qualquer outra forma de apoio. A pena máxima é de 7 anos de prisão.
 
Essas leis são frequentemente aplicadas retroativamente.
 
Bielorrússia não é o único país a usar acusações de “extremismo” ou “terrorismo” contra “inimigos” políticos; táticas semelhantes são usadas por governos em todo o mundo, de Minsk a Washington (como a criminalização do movimento antifascista).
 
O que isso significa na prática?
 
Qualquer pessoa na Bielorrússia, ou que planeje viajar para lá, poderá ser processada criminalmente por interagir com a ABC Bielorrússia. Encorajamos as pessoas a reverem suas práticas de segurança caso planejem visitar a Bielorrússia ou a Rússia. Se você estiver fora da Bielorrússia, agora é o momento de demonstrar solidariedade e apoiar nosso trabalho fazendo uma doação. Não pretendemos mudar a natureza do que fazemos. A repressão é justamente o que torna o trabalho da ABC necessário, portanto, para nós, a luta continua.
 
Até que todos sejam livres
 
abc-belarus.org
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/12/22/metodos-de-repressao-na-bielorrussia-perseguicao-de-pais-de-presos-anarquistas/
 
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Como versos livres
– ao toque dos tico-ticos –
as flores que caem…
 
Teruko Oda

[Grécia] 17 anos da ocupação Agros no Parque Tritis

17 ANOS DA OCUPACÃO AGROS
 
Sexta-feira, 22 de maio, 20h30
 
Exibição de um documentário independente sobre Christos Tsoutsouvis: “O sorriso que se apagou ao som de um tiro”
 
Em seguida uma festa de aniversário
 
Domingo, 24 de maio, a partir das 12h
 
Reparo do forno a lenha da ocupação e instruções para sua construção com barro e outros materiais naturais
 
Cozinha coletiva
 
Caça ao tesouro planejada por crianças para crianças de 5 a 105 anos!
 
Sexta-feira, 5 de junho, 21h
 
Ao vivo
 
STIXORAGIA
TIME TRAP
 
Todos os eventos serão realizados no espaço da ocupação
 
10, 100, 1000 OCUPACÕES CONTRA UM MUNDO DE DECADÊNCIA ORGANIZADA
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
instante do passarinho
fui olhar
fiquei sozinho
 
Ricardo Silvestrin

[São Paulo-SP] 31/05, no CCS | Ciclo de debates: Espaços Anarquistas

A Biblioteca Terra Livre comemorará seu aniversário de 17 anos retomando, em parceria com o Centro de Cultura Social, o CICLO DE DEBATES: ESPAÇOS ANARQUISTAS. Para isso convidamos todas pessoas interessadas para uma roda de conversa sobre o Espaço Ay Carmela! no dia 31 de maio de 2026, às 15h, no Centro de Cultura Social.

Nesse encontro conheceremos a história e a organização do Espaço Ay Carmela!, local autogerido que existiu entre 2008 e 2011 na região central da capital paulista, abrigou centenas de eventos e projetos de caráter autônomo e libertário. O Ay Carmela! era gerido por indivíduos e coletivos como o Centro de Mídia Independente (CMI), o Movimento Passe Livre (MPL/SP), o Fórum Centro Vivo e a Biblioteca Terra Livre.

Estarão presentes no bate-papo pessoas que participaram da fundação e da gestão do espaço, além d da Biblioteca Terra Livre, que foi fundada no dia 31 de maio de 2009 no Espaço Ay Carmela! Compareça e venha debater sobre anarquismo, organização, autogestão e ocupação das cidades.

Domingo, dia 31 de maio de 2026, às 15 horas.

Centro de Cultura Social (CCS)

Rua General Jardim, 253, Sala 22 (interfone)

Próximo ao metrô República

Vila Buarque – São Paulo – SP

CICLO DE DEBATES: ESPAÇOS ANARQUISTAS.

Por ocasião das comemorações de 15 anos da Biblioteca Terra Livre em 2024, realizamos uma série de debates sobre espaços anarquistas buscando rememorar e celebras as muitas pessoas que antes de nós se associaram para criar e manter espaços de organização, luta e sociabilidade numa perspectiva libertária. Projetos em que de certa forma participamos, apoiamos ou que nos influenciou na construção de um acervo, um coletivo e uma sede que pudesse ser a materialização de um novo modo de relação social e política baseado na autogestão e na ação direta. Para celebrar e relembrar todas essas iniciativas bem como refletir sobre suas práticas, conquistas e desafios, acontece o CICLO DE DEBATES: ESPAÇOS ANARQUISTAS, agora em parceria com o Centro de Cultura Social, o espaço libertário mais duradouro do Brasil, fundado em 1933.

Os primeiros encontros contaram a história e os desafios de três espaços emblemáticos dos anos 2000/2010: Espaço Impróprio (20/04/2024), Ativismo ABC (18/05/2024) e Casa Mafalda (15/06/2024). Entre exibição de documentários, conversa com alguns ex-membros, resgate histórico, nostalgias, análises políticas e auto-críticas, o Ciclo foi uma experiência rica para as novas e velhas gerações refletirem sobre as necessidades das lutas cotidianas.

Retomamos esse Ciclo com o Espaço Ay Carmela! E no segundo semestre daremos continuidade, pois há muita memória e luta na experiência de espaços como o próprio Centro de Cultura Social, o Instituto de Cultura e Ação Libertária, a Casa do M.A.R., o Espaço Germinal, a Comuna Goulai Pole, o Centro de Cultura Social Vila Dalva, a Biblioteca Carlo Aldegheri e muitos outros locais de luta e resistência anarquista que deixaram suas marcas nas lutas sociais em seus territórios de atuação.

@bibliotecaterralivre

@centrodeculturasocial

agência de notícias anarquistas-ana

velho no banco
corrida de meninos –
passam os anos

Carlos Seabra

“Essa crueldade de Belo Monstro foi cometida conscientemente pelos governos Lula e Dilma”

O Ecogenocídio Promovido Pela Construção da Mega Hidrelétrica de Belo Monte Pode Ser Atribuído ao “Erro Humano”, ao Estágio da Tecnologia à Época, Algo Para Além do Domínio do Governo?

Resposta a Um Amigo Lulista:

Essa crueldade de Belo Monstro foi cometida conscientemente pelos governos Lula, que conduziu o processo de licenciamento da obra (mesmo contra os pareceres em contrário de todos os laudos prévios – ambiental, social e até o laudo técnico de engenharia) e Dilma, que encaminhou autoritariamente a construção da obra (mesmo contra todos os protestos e resistências em contrário por parte das comunidades ribeirinhas, indígenas e quilombolas), inclusive, pela via da expulsão violenta dos moradores das comunidades atingidas, perpetrada por enviados das empreiteiras beneficiadas (as mesmas que foram pegas na Operação Lava-Jato). 

Belo Monte foi um projeto proposto originalmente pela ditadura militar que, mesmo com todo o poder ditatorial, não teve coragem de o realizar, tamanha  a escala criminosa da obra – e pra “piorar” (como se fosse possível ser pior), a hidrelétrica (uma das três maiores do mundo) nem sequer produz um montante de energia suficiente para justificar todo o investimento que foi feito em sua construção (isso devido ao regime de águas – as características sazonais do Rio Xingu no local), daí o porquê do projeto ter sido reprovado inclusive pelo laudo técnico prévio de engenharia. 

A verdade é que Belo Monstro foi realizada pura e simplesmente para transferir recursos públicos para os proprietários das grandes empreiteiras. 

E tudo isto sem falar nos crimes de exploração sexual de menores – foi descoberto um cativeiro de meninas das comunidades da região mantido dentro do terreno da obra; de submissão dos operários a regimes de trabalho semiescravo – houve uma grande greve de trabalhadores nos principais canteiros da obra que foi duramente reprimida por forças militares; de descumprimentos por parte do governo de acordos firmados com as lideranças comunitárias locais.

Se quiser saber sobre a verdadeira história deste que foi o maior crime contra o meio ambiente e a dignidade humana já cometido por um governo no Brasil, sugiro que pesquise sobre a série de reportagens de denúncias sobre Belo Monte realizadas pela jornalista Eliane Brum e publicadas à época no jornal El País: aliás, o jornal do partido de esquerda PSTU também publicou matérias de denúncias a respeito à época.

Do mesmo modo que no caso do Banco Master, aqui não se pode compreender a realidade usando a viseira estreita da politicagem eleitoreira polarizada, da direita X esquerda, porque se trata do sistema como ele é, ou seja, uma grande máfia constituída por interesses político-econômicos escusos, da qual o cidadão comum – o eleitor ingênuo – não tem a menor ideia a respeito da sua verdadeira dimensão, visto que engloba todos os lados, direita, esquerda, centro e fundos: principalmente, os “fundos” dos “crentes” em grandes pastores políticos.

V.C.C.O.

Pesquisador e Militante Anarquista Ácrata 

#belomonte #ecogenocídio #governospt

agência de notícias anarquistas-ana

Janela fechada:
borboleta na vidraça
dá cor ao meu dia.

Anibal Beça

Recordem, companheiros: o anarquismo não se vota, se constrói nas ruas!

Mais um ano de 2026 se anuncia, e com ele a velha farsa eleitoral que a cada quatro anos tenta nos convencer de que a mudança vem das urnas. Mas nós, anarquistas, não esquecemos: o Estado é o nosso inimigo. Não importa se vista a camisa vermelha, azul ou verde; não importa o nome do ditador de plantão ou do “representante do povo”. O Estado é a espinha dorsal da opressão, a máquina que monopoliza a violência legal, que prende, explora, mata e decide quem vive e quem morre. Participar do jogo eleitoral é dar legitimidade a essa máquina assassina. É reconhecer que alguns seres humanos têm o direito de comandar os outros. E isso, companheiros, é a própria negação do anarquismo.

Não se deixem enganar pelas promessas de “mudança pela política”. Cada voto depositado na urna é um tijolo que reforça os muros da prisão que nos contém. Quando vocês entram na cabine de votação, estão dizendo ao sistema: “Aceito suas regras, aceito seus mestres, aceito que minha liberdade seja representada por um ladrão de terno”. Lembrem-se: toda eleição é uma cerimônia de legitimação da dominação. Os candidatos não são porta-vozes do povo — são capatazes do capital, da propriedade privada e da ordem estabelecida. E ao votar, vocês se tornam cúmplices dessa farsa, alimentando a ilusão de que a opressão pode ser humanizada. Ela não pode. Ela só pode ser destruída.

Nós não queremos reformar o Estado. Queremos extingui-lo. A história já nos mostrou: anarquistas que se renderam à lógica eleitoral abandonaram a essência da luta. Não existe “voto anarquista”, assim como não existe “cadeia anarquista” ou “exército anarquista”. O que existe é a ação direta, a autogestão, a organização de baixo para cima, sem patrões nem governantes. Quando boicotamos as eleições, estamos dizendo não apenas “não voto”, mas sim “não reconheço sua autoridade”. Cada eleição que ignoramos é um golpe na imagem de que o Estado é necessário. Cada hora que deixamos de gastar em comícios ou propagandas eleitorais é uma hora a mais dedicada à construção de redes de apoio mútuo, ocupações, cooperativas e assembléias populares.

Este ano de 2026, os donos do poder tentarão de novo nos chamar para o teatro. As telas se encherão de promessas, os debates fingirão debate, e os cofres públicos serão saqueados para financiar mentiras. Mas nós, que sabemos que a liberdade não se mendiga nem se vota, vamos responder com desobediência. Vamos recusar a urna como recusamos a algema. Vamos rir dos que nos chamam de “alienados” — alienado é quem entrega sua vontade a um pedaço de papel. A nossa pátria é o mundo, e nosso governo é a solidariedade horizontal entre iguais. Não queremos representantes, queremos ação. Não queremos promessas, queremos práticas libertárias.

Portanto, companheiros, quando agosto¹ de 2026 chegar e os meios de comunicação bradarem sobre a “importância do voto consciente”, mantenham-se firmes. Boicotem as eleições. Façam campanha anti-eleitoral nos bairros, nos sindicatos, nas escolas. Digam em alto e bom som: o anarquismo é antiestatal ou não é nada. E que os candidatos, os juízes eleitorais e os políticos de todas as faixas saibam: nossa luta não é por uma vaga no parlamento. Nossa luta é pela abolição de todo o parlamento, de toda a cadeia de comando, de toda a hierarquia. Enquanto eles contam votos, nós plantaremos árvores, ocuparemos terras, criaremos bibliotecas populares, montaremos hortas comunitárias, organizaremos defesas mútuas. Esse é o caminho. Não atrás de um governante. Mas ao lado dos nossos iguais. Viva a luta antiestatal! Abaixo as eleições! O futuro é autogestionário ou não será.

Liberto Herrera.

[1] 16 de agosto, tem início a propaganda eleitoral nas ruas e na internet. Já o horário eleitoral gratuito nas emissoras de rádio e televisão relativo ao 1º turno das eleições passa a ser exibido a partir de 28 de agosto e termina no dia 1º de outubro. 

Fonte: https://libertoherrera.noblogs.org/2026/05/20/recordem-companheiros-o-anarquismo-nao-se-vota-se-constroi-nas-ruas/

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Frescura:
os pés no muro
ao dormir a cesta

Matsuo Bashô

[Chile] Weichafe da CAM Alvaro Quinchanao Hueche morreu em uma ação de sabotagem contra um caminhão florestal.

Em nota, a Coordenadora Arauco Malleco (CAM) confirmou a morte em ação do weichafe [lutador] Alvaro Quinchanao, atropelado por um caminhão florestal durante uma ação de sabotagem na última terça-feira, 19 de maio, em Nueva Imperial.

Abaixo, compartilhamos a declaração completa:

DECLARAÇÃO PÚBLICA DA CAM

Como Coordenadora Arauco Malleco-CAM, informamos nosso povo nação mapuche e o público em geral sobre a morte em luta de nosso peñi [irmão] Alvaro Quinchanao Hueche, na noite de terça-feira, 19 de maio de 2026, durante uma ação de resistência e sabotagem contra a indústria florestal.

Foi durante essa ação que o motorista de um caminhão pertencente a uma empresa contratada pela Forestal Mininco atropelou brutal e impiedosamente nosso irmão no quilômetro 11 da Rodovia 488, no setor de Pichi Boroa, município de Nueva Imperial, região de La Araucanía. A crueldade do ataque reflete a impunidade oferecida pelo Estado chileno àqueles que agem em defesa dos interesses capitalistas em nossos territórios disputados.

Após isso, ferido, nosso irmão foi imediatamente socorrido por aqueles que o acompanhavam e levado a um local onde pudessem contatar o SAMU (Serviço de Atendimento Médico de Emergência). No entanto, quando chegaram, nosso irmão já estava sem vida.

Em conformidade com a nossa ética política enquanto CAM, em nenhum momento os weichafe tentaram atacar irracionalmente os motoristas de caminhão presentes no local. Para a CAM, uma ação de sabotagem nunca implica colocar em risco a vida dos trabalhadores, e desta vez não foi diferente. Apesar disso, o desfecho foi cruel em consequência das ações criminosas do motorista do caminhão.

Nosso querido weichafe Alvaro Quinchanao “Quincha”, como o conhecíamos, foi um dos mais destacados lutadores da CAM, humilde e sempre pronto para a luta. Oriundo de uma comunidade mapuche, atuava como psicólogo e participava ativamente das atividades da organização e dos processos de recuperação territorial.

Hoje, nossa dor é imensa. Quincha, um weichafe, um filho de imenso valor para o nosso povo, ofereceu sua vida pela causa mapuche e pela liberdade dos presos políticos mapuche, durante uma ação contra o grande capital.

Ele jamais deixará de viver em nossos corações e nos corações do seu povo!

Kiñe füta pagko ka fentren newen a su reñma.

Amulepe taiñ weichan!!!

CAM

Fonte: https://lazarzamora.cl/weichafe-de-la-cam-alvaro-quinchanao-hueche-cae-en-accion-de-sabotaje-a-camion-forestal/

agência de notícias anarquistas-ana

Tão pequena
E desbotada de chuva
A casa da infância!…

Paulo Franchetti