[Chile] Weichafe da CAM Alvaro Quinchanao Hueche morreu em uma ação de sabotagem contra um caminhão florestal.

Em nota, a Coordenadora Arauco Malleco (CAM) confirmou a morte em ação do weichafe [lutador] Alvaro Quinchanao, atropelado por um caminhão florestal durante uma ação de sabotagem na última terça-feira, 19 de maio, em Nueva Imperial.

Abaixo, compartilhamos a declaração completa:

DECLARAÇÃO PÚBLICA DA CAM

Como Coordenadora Arauco Malleco-CAM, informamos nosso povo nação mapuche e o público em geral sobre a morte em luta de nosso peñi [irmão] Alvaro Quinchanao Hueche, na noite de terça-feira, 19 de maio de 2026, durante uma ação de resistência e sabotagem contra a indústria florestal.

Foi durante essa ação que o motorista de um caminhão pertencente a uma empresa contratada pela Forestal Mininco atropelou brutal e impiedosamente nosso irmão no quilômetro 11 da Rodovia 488, no setor de Pichi Boroa, município de Nueva Imperial, região de La Araucanía. A crueldade do ataque reflete a impunidade oferecida pelo Estado chileno àqueles que agem em defesa dos interesses capitalistas em nossos territórios disputados.

Após isso, ferido, nosso irmão foi imediatamente socorrido por aqueles que o acompanhavam e levado a um local onde pudessem contatar o SAMU (Serviço de Atendimento Médico de Emergência). No entanto, quando chegaram, nosso irmão já estava sem vida.

Em conformidade com a nossa ética política enquanto CAM, em nenhum momento os weichafe tentaram atacar irracionalmente os motoristas de caminhão presentes no local. Para a CAM, uma ação de sabotagem nunca implica colocar em risco a vida dos trabalhadores, e desta vez não foi diferente. Apesar disso, o desfecho foi cruel em consequência das ações criminosas do motorista do caminhão.

Nosso querido weichafe Alvaro Quinchanao “Quincha”, como o conhecíamos, foi um dos mais destacados lutadores da CAM, humilde e sempre pronto para a luta. Oriundo de uma comunidade mapuche, atuava como psicólogo e participava ativamente das atividades da organização e dos processos de recuperação territorial.

Hoje, nossa dor é imensa. Quincha, um weichafe, um filho de imenso valor para o nosso povo, ofereceu sua vida pela causa mapuche e pela liberdade dos presos políticos mapuche, durante uma ação contra o grande capital.

Ele jamais deixará de viver em nossos corações e nos corações do seu povo!

Kiñe füta pagko ka fentren newen a su reñma.

Amulepe taiñ weichan!!!

CAM

Fonte: https://lazarzamora.cl/weichafe-de-la-cam-alvaro-quinchanao-hueche-cae-en-accion-de-sabotaje-a-camion-forestal/

agência de notícias anarquistas-ana

Tão pequena
E desbotada de chuva
A casa da infância!…

Paulo Franchetti

[Espanha] Campanha de financiamento | Roc Blackblock: ‘Vejo vocês nas ruas’

Um livro com a obra de Roc Blackblock. Murais, experiências, reflexões, ideias e ações de um dos artistas mais renomados do país.
 
Sobre o projeto
 
Vejo vocês nas ruas.
 
Desde o primeiro mural, em 1999, Roc Blackblock criou quase quatrocentos. Mensagens claras e contundentes, sempre críticas ao poder e ao status quo.
 
Grande parte deste trabalho já foi compilado e queremos publicá-lo no livro “Nos vemos nas ruas. Uma crônica gráfica da Barcelona rebelde“, um livro fundamental que é também uma crônica da Barcelona mais rebelde.
 
Como será o livro?
 
O livro, com mais de 200 páginas e em formato DIN A4 modo paisagem, é uma coleção de imagens dos murais e das paredes principais do Roc Blackblock, acompanhadas de textos e legendas para compreender a magnitude da mensagem e a dimensão do ativismo do Roc.
 
O texto principal foi preparado pela jornalista Mar Carrera Vendrell com base em longas conversas com Roc Blackblock e está estruturado em quatro capítulos: Cidade, Movimentos Sociais, Memória Histórica e O Papel do Artista.
 
O livro será publicado em 2 edições:
 
Edição em catalão e outra edição em espanhol.
 
Assim que a campanha de financiamento coletivo terminar, pediremos que você escolha o idioma no qual deseja receber o livro.
 
Além disso, cada um desses capítulos começa com um artigo reflexivo do antropólogo José Mansilla (Cidade), do jornalista Jesús Rodríguez (Movimentos Sociais), da historiadora Dolors Marín (Memória Histórica) e da historiadora da arte Núria Ricart (O Papel do Artista).
 
Quem somos nós
 
Roc Blackblock estudou Design Gráfico na Escola Elisava, em Barcelona, ​​e Ilustração na Escola de Arte Serra i Abella, em L’Hospitalet. No final da década de 90, iniciou sua carreira em ilustração e tatuagem. Nesse ambiente gráfico, começou a pintar grafite (1999). Como membro ativo de movimentos sociais, transformou o grafite em seu meio de comunicação coletiva, mantendo desde então a natureza social de seu trabalho e seu compromisso. Roc disponibiliza sua criatividade e linguagem gráfica à comunidade para transformar muros em alto-falantes da memória compartilhada de vizinhos, grupos, comunidades e movimentos sociais. Seu trabalho é o ponto de encontro entre arte urbana e engajamento social.
 
A Pol·len edicions é uma editora cooperativa de pensamento crítico que publica livros seguindo critérios de ecoedição. Entre os títulos mais notáveis, podemos encontrar: “la Caixa”. Una història mai no explicada, Cuba en Vallas. El imaginario de la revolución cubana a través de sus vallas políticas, La casa de l’amo, La vida secreta de la roba. Com el que vestim afecta al planeta, e Prova de vida.
 
Para que usaremos suas contribuições?
 
“Vejo vocês nas ruas” será um livro de memórias encadernado. Suas contribuições serão usadas para financiar os custos de edição, design e diagramação, além de parte da produção.
 
Calendário previsto
 
Queremos imprimir o livro durante os meses de julho e agosto, para que ele chegue às suas casas na primeira semana de setembro. Na semana seguinte, estará disponível nas livrarias e iniciaremos a turnê de lançamento.
 
+ Infos
 
Acompanhe o projeto e todo o nosso trabalho em nossos sites:
 
Web RocBlackblock
Web Pol·len edicions
E em nossas redes:
 
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Twitter Pol·len edicions
 
>> Para apoiar, clique aquihttps://www.verkami.com/locale/ca/projects/43321-roc-blackblock-ens-veiem-als-carrers
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/05/07/espanha-roc-blackblock-restaura-mural-para-celebrar-o-90o-aniversario-da-revolucao-social-de-1936/
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/05/15/espanha-artefato-militante-roc-blackblock-sinto-me-mais-claramente-libertario-e-me-defino-como-um-anarquista-autonomo/
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/03/07/espanha-palavras-de-roc-blackblock-na-inauguracao-do-mural-em-homenagem-a-salvador-puig-antich/
 
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Noite escura,
chuva fina esconde
a lua cheia.
 
Fabiano Vidal

[França] Um edifício desocupado transformado em um centro social autogerido em Liège

Ativistas ocupam há um mês o antigo lar de idosos “Résidence Quentin”, na Place Xavier Neujean, em Liège. Há faixas na fachada do imóvel com os dizeres “Centro social autogerido: preenchendo o vazio com solidariedade” e “Liège não está à venda“.

Nas palavras dos ocupantes: “Este é o Centro Social Autogerido de Liège, um grande edifício ocupado no coração da cidade, onde uma energia positiva tem pulsado no último mês. É um antigo lar de idosos, portanto, possui cerca de cinquenta quartos, um térreo com um amplo salão e uma grande cozinha… e até mesmo um encantador pátio ajardinado. O edifício agora é habitado por pessoas de todas as idades, ansiosas por recuperar a cidade e libertá-la da escória, para trazer vida de volta a um lugar onde outros lucram com o vazio.

O objetivo é transformar o local em um espaço acolhedor para diversas atividades solidárias, como refeições com contribuição voluntária, banquetes comunitários, oficinas ou assembleias de ativistas, exibições de filmes, uma academia gratuita e muito mais. “Queremos ficar aqui o máximo de tempo possível e criar um centro comunitário, com horários fixos e estabelecer assembleias gerais e um comitê de gestão. Só porque será autogerido não significa que não haverá regras ou organização“, esclarece uma ativista.

>> Mais infoshttps://www.instagram.com/csa.liege/

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As folhas secas
caem com a ventania
sobre o riacho

Antonio Malta Mitori

[Itália] Com a palavra, Alfredo!

No dia 18 de maio, realizou-se no tribunal de Bolonha a segunda audiência contra 6 companheirxs, acusadxs por fatos específicos relacionados à mobilização de 2022-23 em apoio a Alfredo contra o 41-bis e a prisão perpétua sem possibilidade de benefícios.
 
Nessa audiência, várias testemunhas foram ouvidas e, entre elas, o próprio Alfredo também pôde falar, por videoconferência a partir da prisão de Bancali.
 
Sua emoção, unida à das cerca de trinta companheirxs presentes na sala, era perceptível desde o início. Alfredo começou com estas palavras:
 
Neste momento é emocionante estar aqui, porque a última vez que pude ver rostos amigos foi há um ano e meio, e naquela época Sara e Sandrone ainda estavam vivos; agora estão mortos e eu não pude lhes dar minha solidariedade porque aqui dentro meu isolamento é total, eles te proíbem de existir.”
 
Ele prosseguiu falando das motivações que, em 2022, logo após sua transferência para o regime 41-bis, o levaram a iniciar uma greve de fome por tempo indeterminado. Motivações que, como ele mesmo lembrou, encontraram ampla repercussão na mobilização internacional que sustentou sua luta. Destacou que, sem o apoio recebido do lado de fora, teria sido condenado à prisão perpétua sem possibilidade de benefícios, e que sua luta foi movida pela necessidade de impedir que sua detenção sob o 41-bis criasse um precedente extensível ao movimento.
 
Em seguida, Alfredo relatou seu atual estado de isolamento. Reafirmou estar submetido a um bloqueio quase total de correspondência que atualmente (diferentemente do período anterior à mobilização) inclui também as notificações sobre cartas retidas. Não recebe correspondência há meses; recentemente lhe foi entregue uma carta de dezembro de 2025.
 
Falou também da já conhecida impossibilidade de acesso a livros, tanto por meio de compras via catálogo quanto através da biblioteca central da prisão. Contou o paradoxo de seu isolamento: tomou conhecimento de grande parte das mobilizações anarquistas dos últimos anos através do volumoso dossiê que fundamenta a renovação de seu regime 41-bis, definido pelos próprios guardas que lhe entregaram o documento como “o mais volumoso da história do 41-bis”.
 
Como mais um elemento de sua situação carcerária, descreveu um regime 41-bis que vem sendo ampliado cada vez mais para pessoas antes não submetidas a esse regime, em uma progressiva redução do critério de acesso, citando o exemplo de um detento transferido do regime AS para o 41-bis por ter sido encontrado com um telefone celular.
 
Essa ocasião também permitiu que Alfredo traçasse o percurso de sua detenção: da prisão militar por objeção total ao serviço militar obrigatório, passando pelas alas comuns, pelas seções de Alta Segurança de Ferrara e Terni, até chegar ao 41-bis, definido como um lugar de isolamento total. Evidentemente, o olhar de Alfredo não se limitou à sua experiência pessoal e, mais uma vez, ele não perdeu a oportunidade de condenar a brutalidade do 41-bis como um todo, reiterando que, para ele, não há distinção entre os prisioneiros dentro desse sistema de reclusão e aniquilamento.
 
Relatou o horror da ala hospitalar do 41-bis de Opera, onde estão detidas principalmente pessoas muito idosas, muitas acometidas por Alzheimer, em cadeiras de rodas ou com severas limitações de autonomia, que já nem sabem mais por que estão ali. Por fim, não deixou de expressar uma avaliação sobre o sentido desse regime, originalmente criado para eliminar aqueles sujeitos com quem o Estado negociou e que precisaram ser silenciados quando se tornaram inúteis para seus jogos sujos.
 
Após seu depoimento, ecoaram na sala inevitáveis e calorosas saudações carregadas de afeto, o que irritou a juíza e levou ao consequente esvaziamento da sala de audiência. Também no início da audiência, xs companheirxs presentes conseguiram saudar Alfredo, que respondeu com carinho, conseguindo assim romper, ainda que por uma fração de segundo, um isolamento terrível. Foi uma emoção fortíssima, compartilhada dos dois lados daquela maldita tela.
 
Estamos certos de que a ocasião de hoje foi muito preciosa para Alfredo, mas ainda mais para nós, que em suas palavras e em sua ironia sempre presente encontramos mais uma vez uma enorme determinação, um ódio aos opressores e um fortíssimo amor por seus companheiros, começando por suas primeiras palavras para Sara e Sandro. E é com a viva lembrança deles que também queremos concluir estas linhas, para não esquecer quem deu a própria vida lutando por um mundo diferente.
 
Com Sara e Sandro no coração.
Para que de cada prisão não restem senão escombros.
Força, Alfredo!
 
Alguns companheirxs de Bolonha, acusadxs e solidárixs.
 
A próxima audiência do processo em questão será no dia 15 de junho, às 9h. Serão ouvidas as últimas testemunhas e provavelmente terá início a fase de debates.
 
Fonte: https://ilrovescio.info/2026/05/20/la-parola-ad-alfredo/
 
Tradução > Liberto
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/03/11/italia-fora-alfredo-do-41-bis/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
sabiá quieto
o silêncio da tarde
pousa na antena
 
Camila Jabur

[Grécia] 16 anos de ocupação Apertus

1º de maio de 2010 – 1º de maio de 2026

16 ANOS DE OCUPACÃO APERTUS

O inferno dos vivos… Se existe, é aquele que já está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias. Existem duas maneiras de não sofrer. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: procurar e reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço.

Italo Calvino, Cidades Invisíveis.

RESISTÊNCIA – AUTOORGANIZAÇÃO – SOLIDARIEDADE

PELA LIBERTAÇÃO INDIVIDUAL E SOCIAL

Ocupação Apertus

Espaço social livre em Agrínio

Rua Kalivion, 70

apertus.squat.gr

agência de notícias anarquistas-ana

Leve brisa
aranha na bananeira
costura uma folha.

Rodrigo de Almeida Siqueira

[Chile] Apoie o Espaço Anarquista Flora!

Ajude-nos a manter aberto o Espaço Anarquista Flora. Espaço de encontro, organização e luta em Valparaíso, território dominado pelo Estado do Chile.

História do projeto Flora

O Espaço Anarquista Flora funciona há quase 7 anos e está situado no coração do histórico bairro portuário de Valparaíso, território dominado pelo Estado do Chile e onde, há mais de 130 anos, desembarcaram as ideias anarquistas e seus lemas de emancipação social.

Nosso projeto surgiu como iniciativa da Assembleia Anarquista de Valparaíso depois da Revolta de 2019, a partir da necessidade de um espaço físico para nos reunir, organizar e conspirar entre camaradas.

Hoje funcionamos como uma assembleia autônoma e aberta para o bairro e a cidade, compartilhando e defendendo nossas ideias e propostas anarquistas, fazendo parte de uma rede de espaços anarquistas em Valparaíso.

Dessa maneira, Flora se articula como um espaço para difundir ideias de emancipação social antiautoritária, onde se promove e difunde um anarquismo social que enfatiza a superação de uma sociedade de classes, patriarcal e colonial por meio da luta organizada.

Quais atividades fazemos na Flora?

Desde 2019, têm sido realizadas de forma sustentada no local uma série de atividades de organização e difusão de ideias e propostas a partir do anarquismo social.

Entre as atividades recorrentes estão: debates públicos, lançamentos de livros, jornadas de difusão de ambientes anticarcerários, oficinas de arte política de rua, capacitações em software livre, encontros de formação política, arrecadação de fundos para causas solidárias, leituras coletivas de ficção científica especulativa e política, jornadas de saúde coletiva, reuniões de coletivos em luta, entre outras.

Todas essas atividades são de caráter público, de livre acesso e sem custo monetário.

Além disso, o espaço Flora, como instância de organização entre camaradas anarquistas, participa ativamente de encontros de coordenação com outras coletividades e camaradas, tanto em atos públicos quanto em manifestações solidárias.

Por que pedimos seu apoio?

Em 2023, realizamos uma campanha para custear o aluguel e melhorar a infraestrutura do espaço. Dois anos e meio depois, vemos a necessidade de solicitar novamente seu apoio econômico para continuarmos tendo um espaço físico onde nos encontrar e nos organizar.

Por outro lado, acreditamos que, mais do que nunca, é vital manter a FLORA aberta no contexto político atual, em que a extrema direita está no governo e se esforça para desmantelar toda resistência organizada.

O custo do aluguel do espaço é financiado por meio da venda de livros, doações de camaradas da assembleia da Flora e da Assembleia Anarquista de Valparaíso. Diante da situação econômica no território em que estamos imersos, ultimamente tem sido difícil manter o financiamento do espaço.

Ajude-nos a manter o espaço aberto para continuar cultivando o anarquismo social desde o bairro, ajude-nos a combater o fascismo criando iniciativas populares e alianças com nossas vizinhas. E, claro, seguir gerando nexos com outras camaradas para continuar sendo uma contribuição concreta ao movimento anarquista local e internacional.

Enviamos uma saudação cordial a todas as pessoas que lutam e resistem em suas comunidades. Convidamos vocês a visitar nosso espaço e compartilhar experiências de luta e organização.

Obrigado por manter vivo, mesmo que à distância, este lugar de encontro, resistência e solidariedade.

Arriba as pessoas que lutam!

>> Apoie aquihttps://www.firefund.net/espacioflora

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Este abacateiro
acende, ante a luz do luar,
suas suaves lâmpadas

Jorge Fonseca Júnior

[Estônia] 3ª Feira Anarquista do Livro do Báltico

Anunciamos nossa 3ª Feira Anarquista do Livro, que este ano acontecerá em Tartu, Estônia, de 29 a 31 de maio de 2026!

Vamos continuar a tradição das Feiras Anarquistas do Livro. Convidamos todas as editoras e artistas anarquistas/libertárias e socialistas para apresentar e vender seus livros, revistas, jornais, quadrinhos, artesanatos etc., e todas as pessoas interessadas a passar o fim de semana conosco, participando de discussões e seminários. O evento é aberto para todas as pessoas sem necessidade de inscrição prévia. Os detalhes da programação e do local serão divulgados mais tarde.

Se você quiser vender ou apresentar seu material, realizar uma palestra, discussão, performance ou apresentação, escreva para o seguinte e-mail. Temos um número limitado de mesas e horários, então reserve com antecedência. O prazo, não rigidamente aplicado, para inscrições é 1º de abril de 2026.

Escreva para rigaanarchistbookfair@protonmail.com para se inscrever!

E como sempre: nos vemos na Feira do Livro!

Mudamos nosso nome, mas não nossos valores e objetivos. O mundo está mudando e nós também!

Como vocês podem ter notado, mudamos nosso nome para “Feira Anarquista do Livro do Báltico”. Os últimos dois anos da feira foram muito divertidos, educativos e internacionais. Por isso decidimos levar a feira para toda a região do Báltico! Isso nos dará a oportunidade de envolver mais camaradas bálticos, ideias e expositores. A unidade entre os povos do Báltico é única e especial. E queremos preservar essa unidade, especialmente nestes tempos em que nossas sociedades estão sendo divididas e suas partes isoladas.

Outra razão pela qual, por enquanto, a feira não pode continuar acontecendo na Letônia é o aumento da repressão contra ativistas e pessoas de esquerda, além do autoritarismo em geral. Ações em apoio à Palestina foram reprimidas, espaços comunitários locais foram perdidos e nenhum evento público pode acontecer sem autorização explícita da prefeitura. Infelizmente, não temos recursos humanos e apoio público suficientes para realizar a feira na Letônia e colocar em risco nossa segurança e a segurança das participantes. Esperamos que a situação política da Letônia mude e que possamos voltar a organizar a feira lá de tempos em tempos!

Baltic Anarchist Bookfair

rigaanarchistbookfair@protonmail.com

riga-anarchist-bookfair.hotglue.me

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Entrada do templo
Os galhos de sakura
na cabeça do Buda

Antonio Malta Mitori

[Espanha] Gonzalo Mateos Benito: “Pessoas da classe trabalhadora puderam chegar a ter uma grande influência política e social”

Gonzalo Mateos Benito nasceu em Salamanca em 1983, embora viva em Barcelona há quase vinte anos. É historiador e antropólogo de formação, mas sua verdadeira paixão é ser diretor de documentários. Recentemente, dirigiu os documentários La vida de una flor, sobre a fracassada insurreição anarquista do Alt Llobregat de 1932, e Garcia Oliver, ambos com financiamento da Fundação Salvador Seguí e da CGT, à qual pertence.

Como surgiu o projeto do documentário sobre Garcia Oliver? Como foi o processo de filmagem?

O documentário surge após ter realizado outros trabalhos relacionados ao movimento anarquista, como um sobre Salvador Seguí. O de Garcia Oliver nasce por iniciativa da CGT de Reus, que queria recuperar sua figura por ele ter nascido nessa cidade. O processo de filmagem foi um trabalho de documentação histórica, busca por arquivos e testemunhos, e reconstrução do contexto da época. Também envolveu visitar espaços e lugares relacionados à vida de Garcia Oliver e ao movimento anarquista.

O que te surpreendeu durante o processo de documentação?

A grande implantação social da CNT. Antes mesmo do golpe de Estado militar de 1936, o movimento anarquista tinha contatos com alguns militares contrários ao golpe. Após o fracasso do golpe militar em Barcelona, o anarquismo atuou em muitos aspectos como um verdadeiro contrapoder, assumindo funções que normalmente caberiam a um Estado, como o controle de fronteiras ou da ordem pública, a partir de uma perspectiva revolucionária. Isso nos convida a refletir sobre o papel do poder. Frequentemente, em alguns setores do anarquismo atual, existe uma rejeição total a qualquer forma de autoridade ou poder. Mas a história mostra que, em determinados momentos, é necessário algum tipo de organização e poder coletivo para transformar a sociedade.

Você acredita que Garcia Oliver foi o cérebro por trás da derrota do exército em Barcelona durante o golpe de Estado?

Garcia Oliver foi um dos impulsionadores da preparação do movimento operário para um possível golpe militar. Participou da organização de grupos armados, comitês de defesa e milícias ligadas à CNT, que desempenharam um papel importante na derrota do golpe militar em Barcelona e na Catalunha em julho de 1936. Ele pensava que o movimento operário e o anarquista deveriam estar preparados militarmente tanto para frear um possível golpe quanto para iniciar um processo revolucionário, o que permitiu que os trabalhadores organizados reagissem rapidamente quando o golpe ocorreu. Portanto, pode-se dizer que ele foi um dos cérebros dessa estratégia, embora a derrota dos militares também tenha sido resultado da ação coletiva de muitos militantes operários, comitês de defesa e milícias populares.

A CNT tinha o controle das ruas em julho de 1936. Como se explica a passagem da barricada para o Ministério da Justiça no caso de Garcia Oliver?

Embora a CNT tivesse muita força nas ruas, especialmente na Catalunha, o movimento anarquista sabia que não era majoritário em todo o Estado. Por isso, decidiu colaborar com o restante das forças antifascistas para continuar a guerra contra o golpe militar. Também pensavam que essa colaboração poderia evitar o isolamento internacional da República, esperando apoio das democracias europeias como França e Grã-Bretanha, algo que acabou não ocorrendo. Nesse contexto, deu-se uma situação complexa: ao mesmo tempo que se defendia a República, queria-se impulsionar a revolução social. Garcia Oliver acabou entrando no governo como ministro da Justiça por proposta da CNT.

Como ele vivenciou pessoalmente a passagem de ser um homem perseguido pela lei a se tornar ministro da Justiça?

Garcia Oliver tentou aproveitar o cargo para impulsionar reformas no sistema judiciário que hoje consideraríamos progressistas. Defendeu que a justiça deveria garantir direitos e foi crítico em relação às execuções sem julgamento que alguns grupos revolucionários ou comitês realizaram nos primeiros meses da guerra. Também sustentava que muitos crimes estavam relacionados à desigualdade social. Por isso, impulsionou projetos de reforma do sistema penitenciário, como a criação de cidades penitenciárias e a ideia de que os presos pudessem trabalhar e se reeducar. Apesar dessas iniciativas, sua passagem pelo ministério foi breve, em um contexto muito difícil marcado pela guerra e pelas tensões políticas.

Como ele geriu as críticas dos setores mais radicais da CNT?

Garcia Oliver adotou uma posição pragmática. Inicialmente, defendia fazer a revolução completa, mas essa proposta não prosperou. Diante da situação de guerra, considerou necessário colaborar com o restante das forças republicanas. Estava ciente de que a unidade antifascista era imprescindível para derrotar os militares sublevados. Isso ficou claro durante os Fatos de Maio de 1937, quando pediu aos anarquistas que interrompessem os combates para evitar um confronto interno que enfraquecesse a luta contra o fascismo.

Até que ponto seu livro O eco dos passos pode ser considerado uma crônica fiel?

Como ocorre com muitas autobiografias, o relato tem certo viés. Algumas lembranças podem estar interpretadas de forma subjetiva ou reconstruídas com o tempo. Por isso, certos episódios devem ser lidos com cautela. Ainda assim, o livro é muito útil para entender o contexto dos militantes anarquistas como Garcia Oliver, muitos deles oriundos do mundo operário.

Além disso, a obra é marcada pela experiência traumática da derrota na Guerra Civil e no exílio. Também inclui críticas a outras figuras do movimento anarquista, como Federica Montseny ou Durruti, refletindo tensões pessoais e políticas.

Garcia Oliver foi um estrategista militar?

Não se pode afirmar que o foi num sentido profissional, pois não tinha formação militar formal. No entanto, durante a Guerra Civil, defendeu a necessidade de formar militarmente as milícias operárias para combater o exército franquista. Foram criadas escolas de guerra onde os milicianos recebiam formação básica em armas e estratégia. Essas iniciativas buscavam tornar as milícias mais eficazes, dentro de um contexto revolucionário diferente do modelo militar tradicional.

Qual é o seu legado na política espanhola?

Sua figura representa uma época em que pessoas da classe trabalhadora puderam alcançar uma grande influência política e social. Também permite compreender a importância do movimento operário e do anarcossindicalismo na sociedade catalã daquele momento.

Fonte: https://alasbarricadas.org/noticias/node/59015

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Às dez da manhã
O cheiro de eucalipto
Atravessa a estrada

Paulo Franchetti

[Portugal] Contra a impunidade nas mortes às mãos do Estado

15 de maio de 2026

Esta manhã, familiares de algumas das mais recentes vítimas do sistema prisional, estiveram reunidas à frente do Ministério da Justiça, para entregar uma carta à Ministra da Justiça e exigir não só respostas, mas também responsabilização e transparência institucional perante as mortes dos seus familiares em contexto prisional. Para que não só o Estado, mas também a sociedade civil não tolere mais esse cenário de morte e tortura no sistema prisional português. Homenageando as vidas de Danijoy Pontes, Daniel Rodrigues, Miguel Cesteiro, Gabriel Facha, Iuri Rafael Mendes, Jorge da Conceição Dias dos Santos, conhecido por «Gordo», Carlos Teixeira, Sónia Lima, Maria Malveiro, Patrícia Ribeiro e todas as vidas que encontraram o seu fim ao abrigo desta instituição estatal e cujas famílias continuam na luta por justiça.

Relembramos que no passado 19 de Março, Carlos Teixeira, conhecido como «Gigante», foi encontrado morto no Estabelecimento Prisional de Alcoentre. A primeira versão apresentada pela Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) foi a de que se tratava de um suicídio. Segundo familiares de Carlos e de outros reclusos do EP de Alcoentre, Carlos foi espancado até à morte por guardas prisionais.

Este quadro sistemático de violação de direitos humanos e de mortes nas prisões portuguesas é amplamente conhecido e reportado, seja por instâncias de governação nacionais ou internacionais.

Entre 2018 e 2022, ocorreram 303 mortes de pessoas presas. Apenas seis foram investigadas pela Polícia Judiciária. A maioria das mortes são consideradas suicídio ou morte decorrente de alguma doença ou condição de saúde.

Fonte: https://www.jornalmapa.pt/2026/05/15/contra-a-impunidade-nas-mortes-as-maos-do-estado/

agência de notícias anarquistas-ana

Da estátua de areia
nada restará,
depois da maré cheia.

Helena Kolody

[Grécia] Breve relato do 10º Festival do Livro Anarquista e Subversivo

Especialmente em um momento em que o anarquismo está sendo perseguido pela propaganda e repressão do Estado, de 14 a 16 de maio, aconteceu em Patras a 10ª edição do Festival do Livro Anarquista e Subversivo. Um festival que, mais uma vez, buscou, por meio de uma série de eventos, destacar a riqueza dos conceitos anarquistas, antiautoritários e libertários, e ao mesmo tempo aproximar a comunidade local, especialmente os jovens da cidade, de livros anarquistas e subversivos, de nossos projetos e visões.
 
Durante esses três dias muitas pessoas passaram pelo local do Festival, numa organização particularmente bem sucedida, tanto política quanto logisticamente, assim como no que diz respeito à aceitação do evento. Desse modo, uma área livre do Estado e do Mercado se formou, um espaço público que se transformou em local para encontros e debates, interações e criticismo. Projetando a imagem do mundo com o qual sonhamos, o mundo da criação, da fermentação, da emancipação, da solidariedade e da camaradagem. O mundo da resistência social e de classe.
 
>> Reportagem fotográfica aqui:
 
https://anarchistbookfairpatras.wordpress.com/2026/05/18
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
mamãe passarinho chocando,
papai trouxe a comida
festa na copa das árvores
 
Akemi Yamamoto Amorim

[Bolívia] A Virgem dos Desejos. Uma casa onde nascem e se concretizam as lutas

Alejandra García Castro
Comunicadora social, integrante de Mujeres Creando

Há 19 anos, a Virgen de los Deseos é a sede do movimento feminista anarquista Mujeres Creando. Ter um espaço físico para um movimento social é fundamental, ainda mais se isso permite que ele seja autogerido. Esse recanto onde os sonhos são gestados fica na zona de Sopocachi, em La Paz, Bolívia.

Seis sereias musicais na porta e uma placa em forma de olho com cílios longos dão as boas-vindas ao único espaço feminista anarquista do país. A casa vermelha de estilo colonial, pintada com belos murais na fachada, é o Bircholet1 de Mujeres Creando. Ao abrir a porta, parece que você entra em um lugar mágico, não só pelo som dos carrilhões que anunciam uma visita, mas também pelas cores, pela decoração, pelo ambiente acolhedor, pelo sorriso que alguma companheira lhe dá e pelo cheiro de comida caseira que sai da nossa cozinha. Nas paredes internas, impressionam as imagens de duas virgens: a Dolorosa e a Protetora dos Abortos, murais que refletem duas lutas que ali se erguem como pilares fundamentais do movimento, a luta contra a violência machista e o feminicídio como sua máxima expressão, e a descriminalização do aborto. Cada detalhe da casa diz algo, nada é por acaso. Os grafites também não. “Pensar é altamente feminino”, “Nenhuma mulher nasce para ser prostituta” e “Queremos todo o paraíso” não são ornamentos decorativos para ocupar as paredes, são frases carregadas de conteúdo político e crítica social, e parte de uma profunda reflexão sobre a realidade cotidiana e as estruturas de poder patriarcal, e das relações de opressão que as mulheres vivemos na Bolívia e no mundo. O grafite é uma linguagem que, desde sua fundação, há 35 anos, o Mujeres Creando adotou e hoje é sua marca registrada (em todos os cantos do país e em vários países há um grafite do movimento), pois sempre traz uma assinatura e funciona ainda como uma forma de diálogo com a sociedade. Nossos grafites interpelam, questionam, removem e comovem, e geram discussão sobre a conjuntura, às vezes, mas principalmente sobre temas que não são prioritários nas agendas do poder ou da mídia, embora sejam urgentes para nossas lutas e outras.

A Virgen de los Deseos é fruto de anos de trabalho e luta de companheiras que fundaram o movimento — como María Galindo —; de companheiras que chegaram pouco depois da sua fundação — como Julieta Ojeda, Idoia Romano e Helen Álvarez — e que continuam na luta, e de outras que já não estão. É um lugar onde muitas “ovelhas negras” 2 nos encontramos. Nesta casa, muitas de nós criamos raízes em nossa relação com o feminismo e encontramos sentido para o que, provavelmente, quando muito jovens ou meninas, não podíamos nomear ou situar como um impulso político para transformar o que nos cercava, porque talvez nos cercasse o feminismo intuitivo de que fala e conceitua María Galindo em seu livro Feminismo Bastardo, aquele que nasce da experiência individual, direta, e da vontade de se rebelar contra o que é imposto.

Confie no som da sua própria voz

É aí que nasce também a rádio Deseo, um sonho concreto que se tornou realidade, um meio de comunicação social que não só amplifica a luta e a voz das Mujeres Creando, mas é uma polifonia de vozes que interpelam e não necessariamente a partir do feminismo ou apenas das mulheres, mas a partir das lutas cotidianas contra todos os tipos de opressão. Para ter acesso a este privilégio, a rádio, conquistada com muito esforço, estabeleceu alguns parâmetros: ser protagonista de alguma luta e falar na primeira pessoa, e respeitar os princípios básicos do movimento: não ao racismo, não à discriminação, nem ao classismo; sem homofobia, sem misoginia nem antifeminismo; sem fascismo, respeito ao trabalho sexual e ao aborto, e também não pertencer a seitas religiosas, partidos políticos ou ONGs, que sempre roubam a palavra.

Os sindicatos de trabalhadoras domésticas tiveram o seu espaço e, com elas, começou-se a dar formação na Escola de Rádio «La voz de mi Deseo» (A voz do meu desejo). Helen Álvarez assumiu o desafio de a dirigir e convocar publicamente as organizações aliadas e aquelas que ainda não o eram, mas que tinham um historial de luta e resistência, pois o objetivo sempre foi democratizar o acesso a este amplificador de vozes que é, até hoje, a Rádio Deseo. Na frequência 103.3 FM, as trabalhadoras domésticas falaram, denunciaram, alertaram, convidaram, desabafaram, educaram e fizeram-se ouvir (com um programa estrela), que durou nove anos, até deixarem o trabalho assalariado doméstico. Também pessoas cegas e com outras deficiências, professoras do sistema público de educação, ativistas dos direitos dos animais, ambientalistas, arquitetas que pensavam numa cidade diferente, gays, lésbicas, ateies, atories; pessoas contra a energia nuclear, contra o Dakar e muitas outras. Seja a partir de suas organizações ou individualmente, elas tiveram capacitação e um espaço gratuito para produzir seus programas com grande qualidade e levantar suas próprias vozes, sem que ninguém lhes impusesse o que dizer.

A Rádio Deseo é um espaço de pluralidade de vozes, aberto a todas, todos e todes, e também um espaço onde a música é protagonista. Sergio Calero, comunicador social e um dos documentaristas mais importantes do país, divide a direção com María. Ele dirige e coordena uma série de programas especializados, em diferentes géneros musicais, de qualidade indiscutível; enquanto María assumiu a parte mais política do conteúdo da rádio.

A Rádio Deseo surgiu na sociedade boliviana há 18 anos e continua a ser a única rádio feminista do país. Nos últimos anos, o nosso meio de comunicação ganhou grande relevância, pois, embora o programa de María Galindo, integrante da Mujeres Creando, tenha a mesma trajetória que a emissora, há aproximadamente seis anos ela inventou um formato de rádio que chamou de «radiodocumentário», que leva a transmissão do estúdio para a rua. O sucesso tem sido impressionante; em termos de comunicação, tem níveis de audiência altíssimos e também um impacto social avassalador, pelos resultados concretos que María obtém ao acompanhar pessoas que denunciam fatos que envolvem instituições estatais ou privadas, onde, por ação ou omissão, são cometidas uma série de abusos e violações de direitos contra aqueles que a contactam. A chegada do programa de María e, consequentemente, da Radio Deseo, tornou-se muito mais popular graças às redes sociais, que amplificam o seu trabalho de forma incalculável, e isso porque, em cada radiodocumentário, María busca justiça para quem não a encontra por ser simples mortal nesta sociedade, sem pertencer às classes privilegiadas. Por isso, a legitimidade do trabalho de María e de Mujeres Creando, como coletivo, é indiscutível. Daí a enorme importância política da rádio para Mujeres Creando.

Mulher, não gosto quando você se cala

Sendo um movimento feminista anarquista com quase 35 anos de luta e vigência política na Bolívia, Mujeres Creando tornou-se uma referência de rebeldia para as lutas feministas do sul global. Mas não foi uma tarefa fácil, mas sim uma construção diária, como fazem as formigas: dura, passo a passo, com alegrias e tristezas, com conquistas e frustrações, mas estabelecendo um pensamento e um feminismo próprios que se constroem dentro de uma sociedade muito particular, repleta de contradições e altamente politizada, a boliviana. Um dos seus principais instrumentos de luta tem sido a criatividade, traduzida em grafites, ações de rua e intervenções artísticas que buscam gerar mudanças estruturais, não apenas questionando o modelo machista, classista, misógino, capitalista e colonial em que vivemos, mas também formulando uma série de propostas concretas que nascem e se tornam realidade na «Virgem». A autogestão tem sido fundamental para ter liberdade e autonomia e, a partir daí, questionar o poder em todas as suas formas, todos os governos, independentemente da linha ideológica do governo em exercício. Desde posições de direita até a autodenominada esquerda foram questionadas e não conseguiram nos calar porque mostramos um leque de possibilidades de transformação que se concretizam dia a dia em nossa casa. A rádio é um motor, mas também uma peça de um conjunto de iniciativas coletivas que mantêm o movimento com grande força.

A mulher que se organiza não aguenta mais espancamentos

Mulheres em Busca de Justiça (MBJ), a máquina de produção de justiça em que se tornou a equipe multidisciplinar que atende gratuitamente, a cada ano, quase três mil mulheres e suas crianças e adolescentes, vítimas de violência machista — sobretudo incumprimento de pensão alimentícia —, tem um papel fundamental. O seu trabalho responde a uma necessidade urgente da sociedade boliviana, a luta contra a impunidade e o mau funcionamento do sistema judicial, bem como a falta de uma abordagem feminista. Elas conseguiram resoluções favoráveis para as vítimas de casos praticamente impossíveis de resolver, graças às suas formas «alegais», como diz Paola Gutiérrez, responsável pela MBJ, de contornar as lacunas da lei. E têm vindo a construir o seu reconhecimento pela firmeza, integridade, empatia e perspicácia com que acompanham as vítimas nesse caminho em busca de justiça. Por isso, também funciona ali a Escola de Ética Feminista, a cargo de Raiza Zeballos, onde, em acordo com a universidade pública, formam jovens profissionais da área jurídica, social e psicológica, com uma abordagem feminista para a atenção às vítimas.

Os bancos aproveitam-se da precariedade e da instabilidade laboral existentes na Bolívia, onde 85% da população se dedicam ao trabalho informal3 e são, sobretudo, as mulheres que se endividam. Por isso, a advogada Mayra Rojas presta assessoria jurídica em «la Virgen» àqueles que tentam tirar-lhes tudo quando não conseguem pagar a dívida ou se endividam excessivamente. Quando os direitos laborais de trabalhadores, trabalhadoras e trabalhadories não são reconhecidos, Dominga Mamani, advogada trabalhista e ex-trabalhadora doméstica, resolve os conflitos, especialmente dos mais desfavorecidos, no seu escritório contra a exploração laboral.

Também temos um alojamento, que faz parte da autogestão, onde pessoas do interior ou do exterior do país podem ficar hospedadas. Mas há um quarto solidário e gratuito que, muitas vezes, é ocupado por alguma companheira que teve que sair de casa por ter sofrido violência ou por companheiras indígenas que chegam à cidade de La Paz para ganhar a vida, ou qualquer mulher que precise dele. Esse espaço, também de acolhimento, é administrado por Julieta Ojeda, que também é responsável pela agenda cultural da casa, por onde passam músicos, comediantes, rappers, cineastas, autores e onde é organizada uma série de atividades relacionadas ou afins ao feminismo, mas também se discutem e analisam outros temas diferentes em debates, palestras e conferências a partir do feminismo de Mujeres Creando.

Na nossa «Zona Pirata», Carmen Gardeazabal fotocopia os livros internacionais que temos à venda para quem não tem recursos para adquirir o original. Fazemos isso porque o movimento acredita firmemente na democratização do conhecimento. A casa não é muito grande, mas cada canto foi muito bem aproveitado. Assim, foi possível ter uma sala de aula que também funciona como videoteca feminista, com uma seleção de filmes excelentes, e onde são ministrados workshops de autodefesa feminista para mulheres de todas as idades ou simplesmente alugada a outros coletivos ou instituições educativas.

A Virgen de los Deseos tem o único banheiro público do bairro, pois, apesar de estar no centro da cidade, não há esse serviço básico em locais próximos à área. Quem nos visita para solicitar qualquer uma das iniciativas oferecidas na casa pertence a um setor mais popular da população, por isso esse serviço é uma necessidade, assim como o chuveiro solidário para qualquer companheira que precise. Num espaço feminista, é claro que tem que haver uma creche. Rosario Adrián, pedagoga, dirigiu durante 10 anos um espaço permanente para as mães que decidiram levar adiante o seu projeto de vida; agora, isso se concretiza em locais onde as mulheres precisam de cuidados temporários para os seus wawas (filhas e filhos), como feiras, oficinas, cursos, encontros, etc.

Essas iniciativas são para nós lutas cotidianas que mantêm viva a nossa casa e nos permitem tecer solidariedades e cumplicidades. Embora eu tenha mencionado algumas companheiras por suas   responsabilidades específicas, somos muitas mais. A primeira coisa que desnaturalizamos ao chegar à «Virgem» é a hierarquização do trabalho e das profissões; na nossa casa, o trabalho manual, criativo e intelectual têm o mesmo valor e todas fazemos de tudo, desde servir as mesas do restaurante, lavar os pratos ou o banheiro, até conceber o pensamento e plasmá-lo na produção intelectual que é o Mujeres Creando. A venda dos nossos próprios livros representa uma parte importante do sustento econômico do movimento.

A Virgen de los Deseos, o Bircholet de Mujeres Creando, é um local de encontros e confluências, não só para as integrantes do movimento, mas também para outras lutas. Outros movimentos e grupos encontraram aqui o seu lugar seguro para se organizarem, reunirem-se, tomarem decisões, sem receios ou perseguições.

Para mim, «la Virgem» é um refúgio. O lugar onde encontrei outra família, aquela que escolhi. Onde posso refletir e construir coletivamente. Onde não me sinto sozinha e perdida, mas encontro outras pessoas, mulheres diferentes, porque Mujeres Creando é isso, um grupo diversificado, da cidade e do campo, jovens e idosas, com profissão e sem profissão, casadas, divorciadas, solteiras ou viúvas, de diferentes condições econômicas e origens sociais, etc. Porque na diversidade, cada uma contribui para a luta da outra e nos fortalecemos.

La Virgen de los Deseos é um sonho que desejamos que outros coletivos do mundo possam alcançar, porque sabemos que somos muitas, muites e muitos que buscamos uma transformação real da sociedade rumo a um horizonte melhor, e uma casa própria é um motor. Desejamos isso para que essas lutas tenham o seu cantinho que funcione como um megafone amplificador dos seus próprios sonhos e vozes.

  1. Palavra composta, entre «bir», birlocha (uma indígena, chamada chola, que tira a saia e se veste como uma «senhorita») e cholet, denominação dada ao luxuoso estilo arquitetônico aymara, que resulta de uma combinação de «chola» e chalet. 
  2. Como se referem, geralmente no núcleo familiar ou próximo, a uma pessoa rebelde ou que não segue os padrões estabelecidos. 
  3. Dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística.  

Fonte: https://redeslibertarias.com/2026/01/20/la-virgen-de-los-deseos-una-casa-donde-nacen-y-se-hacen-las-luchas-concretas/

Tradução > transanark / acervo trans-anarquista

agência de notícias anarquistas-ana

chuva torrencial
sob a laje de concreto
um casal de pardais

Jorge Lescano

[México] Lançamento: “Rupturas Necessárias – Contribuições críticas, reflexões e experiências anárquicas na luta anticarcerária”

De onde vem e para onde segue a crítica anárquica às prisões? O que motiva sua rejeição total às cadeias e jaulas em todas as suas formas, às leis, à justiça do Estado, ao punitivismo? Quais diferenças há entre a crítica anarquista anticarcerária e os discursos e práticas de outros grupos e movimentos envolvidos em movidas de apoio a presos políticos/presos por lutar? E se há uma diferença no nível das ideias, como isso se reflete em nossa práxis e em nossas propostas?

Por outro lado… Que experiências e aprendizados tivemos no apoio a companheiros presos e como pensar o acompanhamento e a solidariedade ativa a esses companheiros desde nossas barricadas? Que ensinamentos tivemos a partir da coordenação em redes de solidariedade internacional e campanhas, do acompanhamento de presos de longa condenação, das iniciativas de luta que nascem dentro das prisões, da comunicação e difusão, das greves de fome? É possível continuar lutando estando dentro das grades? Quando nossos companheiros finalmente saem para a rua, problematizamos as experiências pós-prisão e a necessidade de compreensão desses processos?

E quais posicionamentos temos em relação às lógicas tão difundidas de culpado x inocente, legalidade, criminalização e outros discursos cidadãos e vitimistas que circulam em diferentes espaços políticos? Além disso, como nos preparamos e encaramos as novas táticas repressivas do Estado, a atual realidade de controle nas ruas e suas câmeras onipresentes de vigilância? Que cuidados temos com as redes sociais e o uso da internet, atualmente o modo mais utilizado de difusão, mas que muitas vezes nos expõe de forma preocupante? Quando por acaso nos detêm, estamos preparados para evitar as armadilhas do poder?

Que experiências tivemos no espectro anárquico com a nefasta prática da delação/colaboração e que estratégias e discussões geramos nesse sentido?

São muitas as questões, mas achamos fundamental retornar a certas discussões básicas que talvez se tenham perdido no mar do imediatismo virtual que se impôs a partir das redes sociais. Os textos aqui presentes poderão responder a algumas dessas perguntas, embora muitas outras fiquem para novas reflexões individuais e coletivas. Talvez para muitos se trate de discussões já antigas e muito bem debatidas, mas a experiência demonstra que nem sempre o debate continua com a mesma profundidade e intensidade, sendo necessário voltar a refletir e reforçar uma e outra vez nossos pontos de vista desde perspectivas anárquicas e de negação ao poder em todas as suas formas.

Esta compilação foi feita a partir de algumas publicações e projetos editoriais afins, cujas reflexões nos parecem importantes e interessantes para este debate. Alguns desses escritos trazem perspectivas divergentes entre si sobre certos pontos, baseadas em diferentes contextos de luta e formas de pensar. Realmente não temos interesse em gerar uma narrativa ou visão homogênea, como se no espectro anárquico houvesse espaço apenas para um modo único de ver as coisas; tampouco queremos convencer ninguém ou esgotar o tema.

O que pretendemos com isso é apresentar visões e propostas anárquicas que nos possam apoiar na constante e permanente prática de afiar nossas ideias, convicções e posturas de negação, sem reproduzir inconscientemente os discursos que só servem para reforçar tudo o que existe, seus defensores e seus falsos críticos.

Quiebres Necesarios – Aportes críticos, reflexiones y experiencias anarquicas en la lucha anticarcelaria

Compilação de textos / 237 págs. / 2026

Ed. Konspiracion Iconoclasta / encadernação artesanal

Contatos: @konspiracion_iconoclasta | konspiracion@riseup.net

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

silencioso lago
o sapo salta
tchá

Carlos Verçosa

Mercado da morte-repressão | Múcio, ministro da Defesa do Governo Lula 3, vai à Argentina para oferecer armas, drones e aviões ao governo Milei

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, irá à Argentina na próxima semana para oferecer produtos como armamentos, munições, equipamentos de comunicação, drones, aeronaves e embarcações produzidos pelo Brasil para o governo de Javier Milei. A visita foi iniciativa do Brasil.
 
A previsão é que o ministro desembarque em Buenos Aires na noite de segunda-feira (25/05) e se reúna no dia seguinte com seu par argentino, o tenente-general Carlos Alberto Presti, para apresentar o catálogo da Base Industrial de Defesa do Brasil.
 
Entre os produtos que serão oferecidos, há armamentos como mísseis, foguetes, bombas, armas leves e menos letais; blindados e embarcações como navios de superfície e submarinos; aeronaves, helicópteros; drones, radares e satélites, entre outros produtos.
 
O catálogo inclui mais de 300 produtos fabricados por estatais (Imbel e Emgepron) e mais de 140 empresas privadas consideradas “estratégicas de defesa”, como Embraer, Helibras, Taurus e Condor e dezenas de fornecedores de médio e pequeno porte.
 
Múcio também pretende visitar outros países da região para oferecer os produtos de defesa brasileiros. Uma visita ao Peru, em julho, também está confirmada.
 
Fonte: noticias.uol
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
A lavrando o campo:
do templo aos cumes
o canto do galo
 
Buson

[Grécia] Tessalônica: Faixa de solidariedade no Parque Pausilypo aos oito companheiros pelo assalto a um banco em Tithorea.

TERRORISTAS E LADRÕES SÃO OS BANCOS E OS CAPITALISTAS
 
Em 11 de maio de 2026, ocorre uma expropriação em um banco em Tithorea. Algumas horas depois, oito companheiros foram presos após uma operação policial na região e invasões domiciliares em Atenas. Foi-lhes apresentada uma acusação exagerada que inclui diversas expropriações de bancos e porte de armas. Os companheiros foram detidos na GADA e as companheiras na Delegacia de Vyrona. Na sexta-feira, 15/05, compareceram perante o juiz de instrução, onde, após suas defesas, seis companheiros foram mantidos em prisão preventiva e dois foram liberados com a imposição de medidas restritivas.
 
A MAIOR ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA SÃO OS ESTADOS E OS BANCOS
SOLIDARIEDADE AOS 8 COMPANHEIROS PELO ASSALTO AO BANCO EM TITHOREA
NINGUÉM SOZINHO NAS MÃOS DO ESTADO
 
Assembleia do Espaço Autogerido de Karditsa
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
Acorde, borboleta –
está tarde, temos milhas
para ir juntos.
 
Bashô

[Internacional] Chamado à poesia da prisão e da rua | Fanzine Juan Sorroche Miguel Peralta

Queremos divulgar este novo chamado à poesia, ao haiku sin haiku e ao verso livre e desenfreado, nascido como continuação de “Haiku sin Haiku” (2023). A nova coleção se chamará “Raízes e Radicalidade” e foi lançada pelos companheiros Juan Sorroche, preso em Terni (em território que hoje se chama Itália), e Miguel Peralta, que atualmente foge da perseguição do Estado mexicano em algum lugar do mundo.

Raízes e Radicalidade busca criar um espaço de encontro, convergência e expressão para aqueles que “enfrentam, resistem e lutam contra o poder todos os dias” em diferentes latitudes.

Portanto, convidamos vocês a contribuir com versos, pensamentos, sentimentos e palavras para esta coleção.

Aceitamos contribuições em qualquer idioma, línguas nativas e aquelas que resistem e florescem apesar da imposição de línguas coloniais, bem como qualquer forma de livre expressão.

Este é um chamado para nunca deixar de sonhar, imaginar e criar infinitos mundos novos!

– manifesto disponível para download em pdf –


Contato: raicesyradicalidad@canaglie.net

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Ainda cantando

Os insetos são levados

Sobre o tronco que flutua.

Issa

Lançamento dos livros “Arte e Militância: volume 1 Política e 2 Teatro e poesia.”

Aos poucos a história do movimento anarquista é resgatada. Dessa vez é a publicação de dois volumes sobre a trajetória do sapateiro, militante Pedro Catallo, autor e diretor de teatro, um dos fundadores do Centro de Cultura Social (CCS) e da Federação Operária de São Paulo (FOSP).
 
Arte e Militância: volume 1 Política e 2 Teatro e poesia.
 
Para conhecer a história desse importante militante, convidamos todos, todas e todes para uma conversa virtual LIVE com Rodrigo Rosa e Nilton Melo.
 
Dia 25 de maio, às 20h30.
 
Canal do youtube do CCS.
https://www.youtube.com/@CentrodeCulturaSocial
@centro_de_cultura_social
ccssp@ccssp.com.br
https://www.facebook.com/centrodeculturasocialSP/
ccssp.com.br
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
mata quase nua:
um sabiá
canta o outrora
 
Cláudio Feldman