
O dia 1º de maio condensa uma história de greves, repressão, solidariedade e dignidade da classe trabalhadora. Seu significado permanece vivo na luta de classes, na resistência contra o capital e na rejeição das hierarquias patriarcais. Por todas essas razões, foi convocada uma manifestação libertária, que partirá da Plaza del Cid às 13h e percorrerá as ruas do centro de Burgos.
O 1º de maio nasceu como um dia de luta operária, um dia de memória e um chamado à organização de classe. Suas raízes não estão nos escritórios ou na benevolência dos governos, mas na luta daqueles que, diante de jornadas de trabalho exaustivas, salários de miséria e a brutal disciplina das fábricas, decidiram se opor ao capital; daqueles que, recusando-se a ser seus escravos assalariados, decidiram lutar por um mundo novo e pela emancipação social. Oito anarquistas pagaram por essa afronta com suas vidas.
Este ano, 2026, marca o 90º aniversário da Revolução Social de 1936, um marco na luta pela emancipação social dos trabalhadores, que demonstrou como a organização operária pode deter a reação fascista. Nestes tempos turbulentos, não devemos ignorar as inúmeras lições que ela nos ensinou; entre elas, que não podemos fazer pactos com a burguesia ou com os autoritários, pois tais pactos inevitavelmente levariam à derrota do ideal libertário e revolucionário. Como libertários e anarquistas, sabemos que a revolução deve visar o Estado e o capital desde o início.
Hoje, continuamos a viver em tempos em que a vida é esmagada pelo peso do sistema. Enquanto a riqueza se concentra nas mãos de poucos, as mulheres trabalhadoras sofrem condições cada vez mais precárias, sobrecarregadas com estresse, responsabilidades, abusos, exploração e injustiças diárias. Não somos apenas produtoras e consumidoras; somos reduzidas a números, a produção, a peças substituíveis. Ser trabalhadora não pode ser sinônimo de sacrifício, mas sim de consciência, organização e resistência. Somos a força que mantém cada fábrica, cada escritório, cada escola funcionando. Não aceitamos a precariedade como futuro, nem a exploração como norma.
Devemos apontar o sistema capitalista como a causa das crises, da inflação e da crescente desigualdade; e seus cúmplices (CCOO, UGT, CSIF, etc.) que traíram o movimento operário aos patrões e ao Estado, assinando acordos repugnantes e vergonhosos, tornando-se assim inimigos da classe trabalhadora. Enquanto os lucros se acumulam no topo, nós, que de fato produzimos a riqueza, vivemos em constante luta para sobreviver. Tudo isso é agravado pelo medo de perder o emprego e pela impossibilidade de vislumbrar um futuro digno.
Hoje, quando a precariedade muda de nome para se disfarçar de modernidade, o significado do Primeiro de Maio permanece totalmente relevante. A terceirização, o trabalho temporário, os acidentes e mortes no local de trabalho, a extensão oculta da jornada de trabalho, a disponibilidade total, o falso trabalho autônomo e a feminização e racialização dos empregos de menor remuneração mostram que a antiga questão social não desapareceu. É por isso que o Primeiro de Maio exige mais do que nostalgia. Exige organização dentro e fora do local de trabalho. Exige a reconstrução dos laços de solidariedade entre as forças de trabalho fragmentadas. Exige um sindicalismo combativo e uma perspectiva de classe feminista, capaz de reconhecer que nenhuma emancipação operária será completa se as hierarquias patriarcais permanecerem intactas.
Vale a pena enfatizar algo que o sindicalismo domesticado muitas vezes esquece: o Primeiro de Maio não foi concebido para pedir permissão, mas para testar a força. Na tradição libertária e anarcossindicalista, esta data não se refere a uma celebração vazia, mas a uma pedagogia da dignidade.
Seria vergonhoso não olhar além do nosso próprio umbigo e ignorar a realidade que nos cerca.
Num contexto global de guerra e desumanização, vemos como a apropriação forçada de recursos e territórios alheios nos remete a políticas belicistas e colonialistas, causando o deslocamento de milhões de pessoas, a destruição de infraestruturas de todos os tipos, o massacre de populações indefesas, o bombardeio de escolas, hospitais…
A guerra é uma característica indispensável e permanente do Estado e do sistema capitalista. Dependendo dos interesses da classe dominante, a guerra é travada de uma forma ou de outra. Seja dentro ou fora de nossos territórios, em formas coloniais, imperialistas e extrativistas, ou dentro de nossas fronteiras, ela agrava as condições de vida dos oprimidos para aumentar os lucros da classe dominante, precarizando ainda mais nossas vidas. O antimilitarismo anarquista deve estar presente na luta de classes, não como um elemento pacificador, mas como um catalisador para a mudança. Deve ser o ponto de partida para o confronto com o Estado militarista, os exércitos e as hierarquias, bem como com as soluções autoritárias. Porque a mudança social virá com a dissolução do poder em todas as suas formas.
Observamos como os movimentos sociais foram reduzidos a memes, as lutas e ideais revolucionários transformados em tweets, e como a artificialização da vida permeou os movimentos revolucionários e populares, transformando-os em parte do espetáculo democrático. Obcecada por curtidas, posturas e batalhas online, a luta e os ideais revolucionários foram mistificados. Está em nosso poder romper com esse ciclo, propor uma alternativa que destrua o sistema e nos conduza à vitória.
Acreditamos que devemos resgatar o potencial revolucionário da ação direta, do confronto e do radicalismo. Tantos anos de “coexistência democrática” acabaram por pacificar o movimento operário e transformá-lo em seu próprio algoz.
Basta de falsas promessas, basta de reformas e exigências por direitos respeitados, basta de implorar aos poderosos, basta de acreditar que a democracia e o sistema podem ser reformados e tornados justos. O capitalismo é nosso inimigo, e o Estado, seu braço armado; teremos que lutar por tudo, teremos que falar de revolução, nos organizar e arriscar nossos privilégios, porque quem não arrisca, não petisca.
1º de maio: classe trabalhadora, combativo e libertário!
CNT-CGT-Biblioteca Anarquista La Maldita
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No céu azulado
Borboletas a dançar
Campos enfeitados
Kellen Crovador















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Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!