Encontro digital | Rede de Proteção e Resistência ao Genocídio

Conversa digital com as articuladoras Marcia Lysllane e Marisa Feffermann | Dia 19 de junho, às 19h.

A p r e s e n t a ç ã o

Nós somos um movimento que se pauta no trabalho em rede, composto por organizações, como coletivos, ONGs e Pastorais, e pessoas, com atuação voluntária, que são ativistas e profissionais de várias áreas, tanto do setor público quanto do setor privado no Estado de São Paulo.

Desde 2017, buscamos formas organizadas e sistemáticas de proteção e resistências às violações de direitos praticadas pelo Estado brasileiro, que representam uma violência institucional: a criminalização, o encarceramento massivo e a morte violenta da população pobre do país que atinge especialmente quem é jovem negro e periférico.

As referências de concepção das nossas propostas de ação consideram quatro conceitos: juvenicídio, genocídio, trabalho em rede e territorialidade.

redecontraogenocidiosp@gmail.com

@RedeContraoGenocidio

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Na casa do avô
Havia tantos pernilongos
Em noites como esta!

Paulo Franchetti

[Argentina] Apresentação do livro “La vida es un arma”. Antologia de Rafael Barrett

Sábado, 19 de junho, às 17h00. Transmissão ao vivo pelo canal do YouTube da Biblioteca Alberto Ghiraldo

https://youtu.be/62iLzC0ir6s

La vida es un arma“. Onde ferir, sobre que obstáculo tensionar nossos músculos, em que cume pendurar nossos desejos? Será melhor gastarmos de um golpe e morrer a morte ardente da bala esmagada contra o muro ou envelhecer no caminho sem fim e sobreviver à esperança? As forças que o destino esqueceu um instante em nossas mãos são forças de tempestade.”

A obra de Rafael Barrett é de uma profundidade comovente, revolucionária e indefinível. Impregnada das vozes que o rodeiam, não se parece a nenhuma. Fala livremente, fala com desenvoltura, traçando percursos inimagináveis.

A presente antologia reúne uma seleção de seus ensaios, contos, conferências e artigos. Escritos que, ainda que à distância, continuam encontrando-nos na crítica e rechaço dos males deste mundo.

Ver livro em: https://lazoediciones.blogspot.com

FB: https://www.facebook.com/events/523174502214871/

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Pardal orfãozinho
vem brincar
comigo

Cláudio Fontalan

[Chile] Novo informe sobre a greve de fome dos presos transferidos para o cárcere chileno de Rancagua

Na terça-feira, 8 de junho, mais de 40 presos transferidos do Cárcere de Alta Segurança de Santiago para a prisão de Rancagua começaram uma mobilização e greve de fome contra o inaceitável regime de isolamento e incomunicação aos quais o Estado quer submetê-los. Entre aqueles que levantam essa nova luta contra a maquinaria carcerária se encontram os companheiros presos subversivos e anarquistas junto a todo universo restante de presos sociais.

No decorrer desses dias, diferentes gestos de apoio e solidariedade anticarcerária se fizeram presentes. Entre eles, vale mencionar a manifestação massiva realizada na sexta, dia 11, na Praça Ñuñoa, assim como a manifestação realizada em frente a prisão de Rancagua na última segunda-feira, quando os presos receberam o gesto solidário com trocas de gritos e saudações fraternas, tudo isso frente aos rostos desconcertados dos carcereiros.

Uma das demandas desta mobilização era o fim do isolamento absoluto de 24h, aplicado sob o pretexto de quarentena. Após passarem por um teste PCR, na terça (dia 15 de junho), eles foram informados que todos os testes haviam dado negativo para COVID-19, o que permitiu romper com o isolamento total e começar nesse mesmo dia com saídas ao pátio, mas ainda sem a possibilidade de ter visitas de seus advogados, o que será possível somente a partir do dia 22 deste mês.

É importante reiterar que os presos trasladados foram colocados em dois módulos diferentes: os que saíram do C.A.S. no módulo 1 e os que saíram da Seção de Segurança Máxima no módulo 2.

O regime de segurança máxima na prisão de Rancagua prevê só 1h de pátio e era o regime que se buscava aplicar aos presos transferidos para o módulo 2. Como consequência da mobilização, se conseguiu acessar a 3h seguidas de pátio, o qual deve ser visto como um avanço na luta realizada. Os presos deste módulo depuseram a greve na última terça-feira, mas continuam mobilizados.

Os mais de 20 presos do módulo 1, entre eles Marcelo Villaroel, Juan Aliste, Juan Flores e Joaquín García, continuam em greve de fome e mobilizados contra as medidas do regime interno, particularmente a entrega de encomenda (que segue respondendo ao precário sistema desta prisão/empresa) e para ter maior acesso e movimentação entre o pátio e as celas. Estão no pátio das 9h às 17h, sem possibilidade de acessar suas celas durante esse período.
Para ambos os módulos, o regime de ligações, comunicações e visitas segue sem ser resolvido.

Ante a digna luta que os companheiros encarcerados estão realizando, a solidariedade anticarcerária fora dos muros deve seguir presente, ativa e sempre combativa!

ISOLAMENTO É TORTURA!

SOLIDARIEDADE COM OS PRESOS MOBILIZADOS E EM GREVE DE FOME!

ABAIXO O MURO DAS PRISÕES!

Buscando la kalle, informativo de prisioneirxs subversivxs e anarquistas em luta nas cárceres chilenas

Fonte: https://edicoesinsurrectas.noblogs.org/post/2021/06/17/novo-informe-sobre-a-greve-de-fome-dos-presos-transferidos-para-a-carcere-chilena-de-rancagua/

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/06/16/chile-ante-uma-nova-greve-de-fome-mobilizacao-e-luta-desde-a-prisao-empresa-de-rancagua/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/06/10/chile-compas-em-greve-de-fome-na-prisao-de-rancagua-promovem-disturbios-contra-o-regime-interno-ao-qual-o-estado-quer-submete-los/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/06/09/chile-presos-transferidos-do-carcere-de-alta-e-maxima-seguranca-de-santiago-comecam-mobilizacao-e-greve-de-fome/

agência de notícias anarquistas-ana

Folha no rio
vai para o mar sem volta –
chorão se renova.

Anibal Beça

[Itália] Marcha Não ao TAV. Rumo a um estado de luta

Estávamos todos lá [12/06]. Aqueles que sempre estiveram lá e os jovens que chegaram na onda das lutas daqueles que estiveram lá antes. Havia os idosos que tinham dificuldade para respirar com os canhões de gás lacrimogêneo e água e as crianças para as quais ainda não é hora de barricadas. Foi uma marcha necessária para mostrar que a oposição ao TAV (Trem de Alta Velocidade) e às grandes obras está enraizada no Vale, em Turim e em todos os outros lugares. Houve delegações das muitas lutas que nos últimos anos se entrelaçaram e se apoiaram em uma dinâmica de apoio mútuo que se consolidou ao longo do tempo.

Houve também uma delegação de administradores, entre os quais, mais uma vez, não faltam ambiguidades sobre a questão do TAV. Infelizmente há aqueles que continuam a acreditar que representam um apoio e não um empecilho. Mas, afinal de contas, seu pequeno grupo era irrelevante em comparação com uma demonstração que pulsou com as lutas escritas nos cartazes e bandeirolas. Quando prevaleceu a delegação, quando a palavra passou para as instituições, o movimento se contraiu, titubeou, se perdeu em uma ilusão perigosa. Agora a última ressaca já passou. Parar o trem e o mundo que ele representa, um mundo onde a lógica do lucro é mais importante do que nossas vidas, depende do povo do movimento No TAV. Um povo que não é, como em toda loucura nacionalista, uma comunidade orgânica e excludente, mas uma comunidade de luta, que é formada no terreno onde o conhecimento é compartilhado e onde o mundo que gostaríamos de construir está sendo construído de agora em diante.

O grupo anarquista abriu com a faixa “Autogestão e ação direta. No TAV” e trouxe à praça as razões daqueles que recusam qualquer delegação institucional, pois o terreno de luta são as ruas, os caminhos e as praças atravessadas por aqueles que, apesar da forte repressão, sabem que o movimento tem bloqueado repetidamente o TAV com barricadas, com participação direta, com as grandes experiências de autogestão das repúblicas livres de Venaus e La Maddalena, nas guarnições resistentes e compartilhando refeições a poucos passos das cercas onde o exército e a polícia defendem locais transformados em fortalezas militarizadas.

Ao chegar em San Didero, houve um forte contraste entre os manifestantes do No TAV que alegremente invadiram a praça onde se encontra a nova guarnição, e as barreiras de concreto e ferro, cobertas com arame farpado, por trás das quais foram lotadas as tropas do Estado. O batuque nas cercas se prolongou por mais de uma hora.

De um lado a violência e o militarismo, do outro a força e a tranquilidade calma de saber que é possível parar a devastação, emperrar a lógica da exploração e da dominação. Isso depende de cada um de nós.

Fonte: https://www.anarresinfo.org/marcia-no-tav-verso-unestate-di-lotta/

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2012/02/29/franca-manifestantes-atacam-consulado-da-italia-em-lyon-em-apoio-a-luta-contra-trem-de-alta-velocidade-e-solidariedade-a-luca-abba/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2011/07/02/italia-manifestantes-enfrentam-a-policia-contra-a-construcao-de-linha-de-trem-de-alta-velocidade/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2012/02/29/italia-anarquista-fica-gravemente-ferido-apos-cair-de-um-poste-de-alta-tensao/

agência de notícias anarquistas-ana

É muito silêncio
enquanto as flores não crescem
e os poetas dormem.

Eolo Yberê Libera

Comunicado de imprensa do sindicato FAU: delegação de paz retida no hotel, ato proibido

Todos os integrantes da delegação de paz ao norte do Iraque se encontram detidos hoje (15/06) no seu hotel para impedir a celebração de um ato e uma coletiva de imprensa em frente ao escritório da missão da ONU no Erbil, algo ao  qual ontem havia se comprometido um representante do governo da região.

Aproximadamente 30 peshmergas, armados com fuzis de assalto, custodiam as 60 pessoas que integram a delegação. Ontem mesmo, a delegação se reuniu com o ministro das Relações Exteriores do Governo da Região Autônoma do Curdistão Iraquiano (PDK), que empenhou sua palavra de que se permitiria a realização do ato. De momento, parece que a detenção não é estrita, mas foram proibidos todos os atos públicos. Outros delegados se encontram custodiados neste momento.

Wolf Meyer, integrante do secretariado internacional da FAU: “estas atuações do governo do Curdistão Iraquiano são indignas de umas relações internacionais oficiais e recordam, não uma democracia, mas a ditadura que se vive na Turquia. Nos prende, deporta e detêm com o apoio e a cumplicidade do Governo alemão. Exigimos a liberação imediata de todas as pessoas prisioneiras, que se respeite o direito a manifestar-se e que se honrem os acordos e a palavra dada. Pedimos a todos os sindicatos de base que levantem sua voz com determinação frente à situação que se vive agora mesmo em Erbil”.

FAU · Alemanha Freie Arbeiterinnen- und Arbeiter Union

(Sindicato livre de trabalhadoras e trabalhadores)

fau.org

Tradução > Sol de Abril

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/06/16/delegacao-do-sindicato-fau-no-norte-do-iraque/

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silêncio
o passeio das nuvens
e mais nenhum pio

Alonso Alvarez

Novo vídeo: Até Que Caiam Todos! Um chamado ao 19J

Enquanto Bolsonaro e sua quadrilha avançam seu projeto político de destruição e morte, ficar em casa é mais arriscado do que ir às ruas.

Centenas de milhares de pessoas estão tomando as ruas do país.

Um genocídio está em curso. E embora avance a passos largos sob
Bolsonaro, esse projeto de extermínio dos povos indígenas e pessoas pretas, de exploração dos corpos pobres e de devastação ambiental está aqui há mais de 520 anos. Já teve diversos gestores, uns mais sádicos e outros mais carismáticos.

Mas não vamos nos enganar. Esta bandeira, é símbolo de um projeto colonial e genocida. Representa o apagamento de centenas de culturas diversas e sua substituição por uma falsa unidade chamada “povo brasileiro”. Esse processo se repete nos mais diferentes territórios, da Colômbia à Indonésia, da Bielorrússia à Palestina.

E só a resistência popular pode impedir seu avanço.

Leve sua indignação para as ruas, seja de forma alegre, organizada ou combativa. Vamos apoiar umas às outras e resistir até que caiam todos eles.

>> Veja o vídeo (01:56) aqui:

https://antimidia.org/ate-que-caiam-todos-um-chamado-ao-19j/

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Mosaico no muro.
O gato ensaiando o pulo.
Azuis borboletas.

Fanny Dupré

[Espanha] Multa de 100.000€ por pichação feminista em Corbera de Llobregat

Mostra teu apoio e chama o município de Corbera de Llobregat: 16, 17 e 18 de junho!

O que aconteceu? A tarde véspera de 8 de março, no marco das reivindicações da Greve Feminista que se realizavam em escala internacional, se convocou uma passeata noturna por Corbera del Llobregat, onde se fizeram diferentes ações como chamada à participação do dia seguinte. Cinco companheiras foram identificadas pela polícia local de Corbera e agora enfrentam uma proposta de sanção de 20.000€ cada uma por um suposto delito de ofuscar o mobiliário urbano. Atribuem-lhes diferentes pichações de caráter feminista.

No Estado registramos mais de uma centena de feminicídios a cada ano. No ano atual de 2021 constam 38 feminicídios como cifras oficiais, mas sabemos que serão muitos mais. Em Corbera del Llobregat mesmo duas moradoras do povoado foram assassinadas em um ano, uma em maio de 2020 e outra no mês passado. Não pode ser 20.000€ por escrever “vivas nos queremos”. As paredes se limpam, nossas irmãs não voltam.

Agora estamos fazendo campanha para que a municipalidade prescreva a multa. Realizaram-se várias ações de apoio: petição assinada por mais de mil pessoas pedindo a prescrição da multa, piquete na prefeitura pendurando faixas e cartazes no edifício, se fizeram cartazes de apoio, se realizaram entrevistas no rádio e televisão, etc., etc. Por agora, a prefeitura ainda não se mexeu, pelo que parece que necessitam mais pressão externa ainda. Ajude-nos a aumentar a pressão e chama a prefeitura de Corbera de Llobregat de 16 a 18 de junho. O objetivo é bloquear suas linhas telefônicas durante três dias. Chame-os e diga-lhes o que pensas da multa, faças perguntas, canta canções, faça-o com amigas, seja criativo! Na semana passada fizemos o mesmo durante 1 dia com grande êxito, mas lamentavelmente o município ainda não entende o que exigimos dele. Ainda não é tarde para que o município prescreva a multa se assim quiser. Chama e pergunta por Montse Febrero (prefeita) em relação com a multa de 100.000 euros a 5 feministas do povoado. Solidariedade local, nacional e internacional! Por uma Corbera de Llobregat feminista desde a base! Número (+34) 936500211 16, 17 e 18 de junho das  8:30 a 14:00.

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Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Você se parece
com este galho de acácias
repleto de sóis.

Eolo Yberê Libera

[Espanha] O Sanfran tem um futuro

Por CNT Logroño

O Ministério da Educação de La Rioja propõe o fechamento da Escola de Educação Infantil e Primária “San Francisco” de Logroño, um centro com 34 anos de experiência de ensino. Ou, para colocá-lo em suas próprias palavras, “reconvertê-lo” em um espaço para a educação não-formal de adultos.

Entretanto, a questão não está definitivamente resolvida. Embora o argumento colocado em cima da mesa pelo Ministério Regional seja o baixo número de matrículas na seção Infantil, que, em princípio, pode parecer razoável, com o argumento de que não há dinheiro para mantê-lo – a partir da captação de recursos para manter os onerosos concertos educacionais -, finalmente foi decidido o fechamento total de São Francisco.

Tudo isso, além do mais, depois de alguns meses de tolices. De acordo com a filiação deste sindicato que trabalha no C.E.I.P. San Francisco, em fevereiro deste mesmo curso o próprio conselheiro tinha assegurado que não seria fechado. Dois meses depois, em maio, os responsáveis pelo Ministério relataram sua mudança de opinião, embora tenham acrescentado que ainda havia espaço para ação e diálogo. “Finalmente, fomos informados que a decisão foi tomada e que a única coisa que nos resta fazer é escolher entre fazê-lo imediatamente ou progressivamente”.

É importante não perder de vista a cronologia, pois o fechamento foi conhecido em um momento particularmente inoportuno para a comunidade educativa do centro, já tendo terminado o processo de escolarização, prejudicando assim as famílias que escolheram São Francisco, seja para iniciar ou para continuar a educação de seus filhos; o período de solicitação de transferência do centro, tendo reduzido as expectativas de trabalho dos membros do corpo docente; e o trabalho de transformação que estava levando a escola a melhorar em todos os sentidos.

Por que uma decisão está sendo tomada tão apressadamente e em detrimento dos direitos de tantas pessoas? Por que até agora a matrícula no Infantil não era crucial para o destino da escola? Por que as notícias dos fundos europeus que vão chegar para investir em diferentes áreas, uma delas a educação de adultos, voam sobre nossas cabeças, sutilmente, mas constantemente?

Fala-se do fechamento de uma escola pública como uma “solução” para uma situação que não é exclusiva desta escola, nem é motivada pela comunidade educativa que a compõe. E mais, longe de ser uma solução, para a comunidade que compõe a escola de São Francisco é um PROBLEMA. Mais um problema a acrescentar àqueles sofridos pela escola, catalogado como um “gueto”.

Nossa filiação afirma que a solução, endossada por profissionais reconhecidos no campo da pedagogia, é OUTRO MODELO EDUCATIVO: “estamos trabalhando nisso há alguns anos e continuaremos a fazê-lo, a menos que o Ministério Regional jogue fora todos os nossos esforços”.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/el-sanfran-tiene-futuro/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Infância no campo
brincava nas plantações.
Bonecas de milho.

Leila Míccolis

Delegação do sindicato FAU no norte do Iraque

No caminho contra a guerra e pelo internacionalismo em ação!

O Sindicato da FAU (Trabalhadores Livres) participa atualmente em uma ampla delegação internacional que se dirige à Região Autônoma do Curdistão (norte do Iraque). A razão disso são os contínuos crimes contra os direitos humanos, as ações militares e as provocações por parte do governo turco e do regime de Barzani, próximo a ele¹, assim como a piora das condições de trabalho e de vida dos trabalhadores da região.

Como federação sindical internacionalista, estamos ao lado dos trabalhadores e camponeses de todo o mundo e contra a ditadura turca, que está cobrindo toda a região do chamado Oriente Médio com guerra, destruição da natureza e opressão política.

Contexto

O regime turco do ditador Recep Tayyip Erdoğan está levando a cabo uma política de anexação e limpeza étnica². O maior contrapeso a esta política de guerra racista é o movimento comunalista³. Este movimento está organizado na Turquia, Síria e Iraque e conta com o apoio principal dos curdos, mas também de yezidíes, árabes, turcomanos, assírios e membros de muitas outras comunidades que juntas formam um projeto multiétnico.

No Iraque, a Turquia tenta atualmente tomar o controle das zonas que as organizações comunalistas tiveram que abandonar, assim como das zonas fronteiriças com a região do norte e o este da Síria administrada pelos comunalistas (também conhecida como Rojava). Assim, Erdoğan leva a cabo regularmente bombardeios em território iraquiano contra supostos ou reais revolucionários. Ao mesmo tempo, o clã Barzani e o Estado turco estão ampliando sua presença militar nestas zonas. Nos últimos meses se estabeleceram mais de 40 bases militares e se transladaram milhares de soldados à região.

Com os atuais ataques e bombardeios, a Turquia tenta provocar uma guerra interna curda entre os comunalistas e o regime de Barzani, que depende economicamente da Turquia. Esta tática tem como objetivo debilitar a resistência curda contra a Turquia, cortar as rotas de abastecimento ao noroeste da Síria e legitimar uma ocupação turca de partes do Iraque.

Comunalistas e sindicalistas de todo o mundo ombro a ombro

A comunidade mundial enfrenta atualmente problemas dramáticos e inadiáveis. A catástrofe climática, o fortalecimento de ditaduras como a da China ou a dos movimentos de direita, a expansão da tecnologia de vigilância e as consequências econômicas e sanitárias da pandemia do Corona nos ameaçam a todos.

Para reverter esta miséria com alternativas sociais e ecológicas mais além da exploração e a dominação estrangeira, as forças emancipadoras e os movimentos sociais de todo o mundo devem trabalhar juntos. O marco de referência de nossas ações deve ser global. Por esta razão, a FAU se vê a si mesma profundamente conectada com os comunalistas do Oriente Médio, assim como com os Zapatistas do México e os sindicatos revolucionários de todo o mundo.

Com nossa presença no Iraque, queremos fazer nossa parte para deter as invasões turcas na Síria e Iraque e apoiar o conceito de comunalismo com a solidariedade internacional.

Pedimos a todos os trabalhadores humanistas e internacionalistas e a todos os sindicatos do mundo que chamem a atenção da opinião pública sobre os conflitos e movimentos no Oriente Médio. Pedimos-lhes que traduzam os textos, que se eduquem na solidariedade crítica e que o discutam com seus colegas e companheiros.

Em solidariedade sem fronteiras,

Delegação da FAU,

Erbil, Iraque,

10 de junho de 2021.

Notas

[1] A família Barzani ocupa vários altos cargos na região autônoma do Curdistão (no norte do Iraque) (por exemplo, o cargo de primeiro ministro e o primeiro ministro) e tem um importante controle sobre o setor privado regional. Impediram em repetidas ocasiões a celebração de eleições no marco do Estado de Direito.

[2] Exemplos disso são a limpeza étnica das cidades curdas na Turquia desde 2015, as guerras de agressão contra a administração autônoma do norte e o este da Síria, que violam o direito internacional, e o apoio à guerra de agressão do Azerbaijão contra Nagorno-Karabaj.

[3] O confederalismo comunalista é um movimento comprometido com os valores da democracia de base, os direitos das mulheres e as minorias, e a ecologia, que pretende situar o principal poder de decisão social nas assembleias de base e nos comitês comunas.

Fonte: https://www.fau.org/artikel/delegacion-del-sindicato-fau-en-el-norte-de-iraq

Tradução > Sol de Abril

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Outono –
as folhas caem
de sono

Cláudio Fontalan

[Grécia] Em memória de Marc Tomsin

Para Marc

Morreu de acidente aos setenta anos Marc Tomsin, um companheiro de longa trajetória e grande cultura, muito querido pelos que o conheceram. Sua carreira iniciou em maio de 68 e teve seus melhores ou mais visíveis momentos no sindicato de revisores da CGT [francesa], a editora Ludd, o Comitê de Solidariedade com os povos de Chiapas em luta, a editora Rue des Cascades e a página divulgadora La Voie du Jaguar. Atraído pelo movimento libertário grego, se instalou naquele país. Seu último ato foi a participação na liberação do centro ocupado [anarquista] La Rosa Nera, em Chania (ilha de Creta). Dançou e celebrou o êxito na festa que continuou até dar um mau passo e cair pelas escadas, sofrendo um acidente mortal. Nada se pode fazer. Seu amigo Raoul Vaneigem, com quem permaneceu em contato até quase esse dia, 5 de junho, lhe dedicou estas palavras de despedida e homenagem.

Miguel Amorós

Querido Marc,

Tu nunca fizeste parte e nunca o fará dos mortos viventes que perpetuam a longa agonia do velho mundo. Por isso me dirijo a ti em nome dessa vivacidade que jamais te abandonou e que continuará estando presente entre nós. Pois como herdeiros dos insurretos e insurretas do passado assentamos as bases de uma verdadeira internacional do gênero humano. Escolher o lado da vida é o seguinte e último recurso contra os que semeiam a morte em toda a terra. Foi o combate que tu escolheste e tua irradiante amizade frequentemente teve mais eficácia que muitas diatribes. Tua erudição e atenção como editor nos proporcionaram escritos raros e impactantes. Como infatigável responsável da Voie du Jaguar preparaste a iminente chegada dos zapatistas, que como portadores de um mundo novo desembarcaram na velha Europa que tanto se esforçou em reduzi-los à escravidão. Em todas as festas do futuro será a sombra do personagem ausente.

Mas não quero cair na oração fúnebre.

Marc era antes de tudo um amigo. A magia íntima das afinidades eletivas fez com que nos aproximássemos. Me alegrou saber que a morte te pegou na exaltação da “Rosa Nera” outra vez livre, mas isso não me convence de que uma morte feliz exista.

Ainda estávamos como quem diz conversando no momento em que te golpeou essa chispa de entusiasmo. Gostaria de ver nesse intenso fulgor – fúnebre para nós, gozoso para ti – um chamado a não desesperar nem da própria existência nem deste mundo por mais malfadado que possa nos parecer.

Sempre possuíste a arte de persuadir sem dar lições.

Te agradeço Marc

Fonte: http://alasbarricadas.org/noticias/node/45950

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

na folha orvalhada,
gota engole gota,
engorda, desliza e cai.

Alaor Chaves

[Chile] Ante uma nova greve de fome, mobilização e luta desde a prisão/empresa de Rancagua

Assumimos o conflito com o Estado, a prisão e o capital desde o momento em que deixamos as palavras vazias e passamos à ação.

Assumimos com isso o passo à ofensiva e as consequências hostis que devém do sinuoso caminho do enfrentamento. Não necessitamos nem de permissão e nem do reconhecimento de ninguém para tomar a vida em nossas mãos e daí construir laços de afinidade, de companheirismo e irmandade.

Claramente este processo dinâmico e constante nos ensina e nos convoca a estar sempre atentxs ao devir da luta pela liberação total.

Sim! A liberação total de povos, indivíduos e comunidades que buscamos uma vida longe do lixo capitalista, da imposição autoritária do domínio afirmada, entre outras coisas, na podridão política de seus acordos, soluções e alianças costuradas, ainda entre quatro paredes, apenas para afirmar a continuidade do poder que tanto odiamos em todas suas formas e cores.

Hoje nos encontramos em um novo capítulo de luta era e concreta nas prisões chilenas. Companheirxs subversivxs e anarquistas de longas penas, que enfrentamos a vingança do Estado em primeira pessoa, junto à nossas manadas, famílias, companheirxs, amigxs e afins.

Esta realidade é de luta pela destruição total da sociedade carcerária não como um slogan ao vento, mas no cotidiano e no milimétrico enfrentamento ao todo diário do confinamento.

Há décadas vivemos a prisão política que nunca desapareceu e que não começou em 18 de outubro de 2019. As mesmas hostilidades judiciais, político-jornalísticas-policiais que hoje são denunciadas como inaceitáveis, nós vivenciamos sem pausa por anos.

E seguimos com o punho erguido, abraçando a beleza da irmandade e o companheirismo subversivo, autônomo e anárquico pelo mundo todo, confrontando as diferentes formas com pelas quais o inimigo se apresenta, buscando sempre sermos mais e melhores indivíduos na integralidade de nosso ser.

Hoje resistimos em uma nova greve de fome nos módulos 1 e 2 da prisão/empresa de Rancagua junto a um universo de quase 40 presos sociais com quem lutamos pela preservação de nossos direitos ganhados com anos de luta e mobilização.

Chamamos a todos os espaços anticarcerários, todas as organizações, grupos, coletivos e pessoas da zona e de todos os confins para a ação multiforme, para a solidariedade concreta, para a vontade real de romper o contínuo castigo e isolamento que nos mantém.

Nossa prisão é política no contexto irrenunciável da guerra social!!

Não renunciamos a nossas exigências da greve de fome passada e assumimos as presentes como continuidade de luta e em rechaço ao isolamento completo pela “quarentena” (24 horas de confinamento e proibição de visita de advogados), o rechaço ao sistema alimentício ao qual querem nos submeter (inúmeras restrições na encomenda, negando tudo o que se avançou na C.A.S.) e as exigências de um regime de desconfinamento digno.

SOLIDARIEDADE E CUMPLICIDADE COM OS PRESOS MOBILIZADOS E EM GREVE DE FOME!!!

CONTRA O CASTIGO E O ISOLAMENTO ENCOBERTO NA PANDEMIA!!!

DEFENDER TODOS OS AVANCES CONSEGUIDOS COM LUTA DENTRO DAS PRISÕES!!!

A REVOGAR AS MODIFICAÇÕES NO D.L. 321!

LIBERDADE PARA MARCELO VILLAROEL!

SOLIDARIEDADE E CUMPLICIDADE COM XS PRESXS SUBVERSIVXS E ANARQUISTAS EM LUTA NAS CÁRCERES CHILENAS!!

MORTE AO ESTADO, VIVA A ANARQUIA!

ENQUANTO EXISTIR MISÉRIA HAVERÁ REBELIÃO!

PELA DESTRUIÇÃO DA SOCIEDADE CARCERÁRIA!

PELA EXTENSÃO  DA SOLIDARIEDADE COM XS PRESXS DA GUERRA SOCIAL, DA REVOLTA E DA LIBERAÇÃO MAPUCHE!

PELA LIBERAÇÃO TOTAL!!

Francisco Solar Domínguez
Marcelo Villaroel Sepúlveda
Juan Aliste Vega
Juan Flores Riquelme
Joaquín Garcia Chanks

Módulo 1 e 2, alta e segurança máxima da prisão/empresa La Gonzalina, Rancagua.

Sexta, 11 de junho de 2021.
Região dominada pelo Estado chileno.

Fonte: https://edicoesinsurrectas.noblogs.org/post/2021/06/12/comunicado-sobre-a-greve-de-fome-na-prisao-chilena-de-rancagua-11-de-junho-de-2021/

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/06/10/chile-compas-em-greve-de-fome-na-prisao-de-rancagua-promovem-disturbios-contra-o-regime-interno-ao-qual-o-estado-quer-submete-los/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/06/09/chile-presos-transferidos-do-carcere-de-alta-e-maxima-seguranca-de-santiago-comecam-mobilizacao-e-greve-de-fome/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/06/08/chile-urgente-transferencia-de-presos-subversivos-e-anarquistas-para-a-prisao-empresa-de-rancagua/

agência de notícias anarquistas-ana

a lua se foi
meu rouxinol se calou
acabou-se a noi-

Issa

[Suíça] Preparação do 150° aniversário da Internacional Antiautoritária

Neste 17 de junho às 18h30 no Siluro, nº3, no caminho entre Saules e Genebra, haverá uma reunião para apresentar e lançar a preparação dos Encontros Internacionais Antiautoritários em Saint-Imier em julho de 2022.

Preparação do 150° aniversário da criação da Internacional Antiautoritária em Saint Imier em 2022.

Noite de informação e encontros. Venham sugerir, acompanhar, co-organizar ou apenas escutar. Aberto à todas e todos. Encontro seguido de uma refeição a preço livre.

Entrada pelo pátio interno. Medidas sócio-sanitárias em vigor. Máscaras altruístas bem utilizadas. Álcool em gel disponível no local.

#RIA2022

Página: http://libradio.org/?p=10810

Contato: anarcoides-geneve@protonmail.ch

Canal Telegram (unicamente para receber infos): https://t.me/anarcoidesgeneve

Grupo Telegram (para co-organizar o grupo de apoio): https://t.me/joinchat/ajKgZVh_u60wYjdk

agência de notícias anarquistas-ana

Na soleira do sítio
a graúna canta
ao silêncio do sol.

Anibal Beça

[Espanha] CNT denuncia a Thaismon Association por demissão injusta

Por CNT Galiza

– A empresa Thaismon Association demite sem motivos, utilizando argumentos gerais e não específicos.

– As razões apresentadas pela empresa não são reais e procuram economizar os valores acumulados para a demissão injusta.

– A CNT também reclama uma série de valores devidos pela empresa.

A CNT inicia um novo conflito com uma empresa do setor de ajuda a domicílio. Além de não pagar os valores de acordo com o Acordo Coletivo de aplicação, a empresa Thaismon Association demite usando argumentos muito vagos e imprecisos. Desta forma, os fatos que implicariam as causas que motivariam a demissão são tão gerais e pouco específicos que provocam uma evidente falta de defesa. Para entender que uma causa é válida, devemos analisar se existe uma violação grave e culpada que possa dar origem à sanção máxima.

Após anos de trabalho sem receber qualquer tipo de reclamação ou sanção, a empresa agora finge alegar uma “quebra de boa-fé contratual e quebra de confiança” que não corresponde à realidade das tarefas realizadas até a data da demissão. É por todas estas razões que o Gabinete Jurídico da CNT considera que “os fatos contidos na carta de demissão não constituem uma violação grave suficiente para acarretar a pena máxima, a demissão”. Além disso, a carta em si não especifica nenhuma das ações estabelecidas.

As consultas e reclamações dos trabalhadores do setor de ajuda domiciliar que atendemos da CNT continuam a aumentar. Assim, um dos setores de trabalho que se mostrou essencial em muitas casas durante a pandemia continua a receber um tratamento que não corresponde ao trabalho realizado pelos trabalhadores nesta área.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/la-cnt-denuncia-a-thaismon-asociacion-por-despido-improcedente/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

jornal aberto,
café, leite e sangue:
guerra de perto

Carlos Seabra

[Espanha] A FAL diante do ataque a sua sede em Madrid neste fim de semana

A sede da Fundação Anselmo Lorenzo foi atacada. Hoje, segunda-feira (14/06), descobrimos que o espírito destrutivo de algumas pessoas esteve muito ativo durante o fim de semana.

Eles voltaram seus esforços para quebrar a fechadura e danificar o vidro da fachada com tinta e picareta, o que mostra que tinham se preparado. Oxalá se eles estivessem tão preparados para lutar por coisas importantes como justiça social ou solidariedade.

Um ataque à Cultura Libertária de formas típicas dos fascistas, mas que parecem proliferar. Que sentido pode existir em atacar um lugar presidido por prateleiras com livros e espaços para divulgação se não for este o caso?

Um ataque à Cultura, ao mundo dos livros e do pensamento libertário. Está claro que os atacantes não podem ser “usuários” da Fundação… eles teriam lido, escutado e discutido, e não se deixariam manipular por tal violência sem sentido.

Evidentemente, condenamos a ação e suas consequências, por sorte apenas material. E agora estamos de volta ao trabalho, consertando tudo… já sabes, o trabalho é sempre construtivo.

Fundação Anselmo Lorenzo – FAL

fal.cnt.es

agência de notícias anarquistas-ana

caminho de terra,
o mato à margem exala
perfumes silvestres

Zemaria Pinto

45 dias de agitação social na região colombiana

Na região colombiana, está ocorrendo uma explosão social que está agora em seu 45º dia de mobilização permanente em todo o comprimento e largura do território. Como aconteceu em várias ocasiões, a mobilização tem sido marcada pelo terrorismo de Estado em várias manifestações, incluindo a repressão brutal das mobilizações pela Polícia Nacional, os aparatos judiciais e os assassinatos sistemáticos. Infelizmente, estas situações não são novas no país, pois o Estado colombiano é caracterizado por alianças íntimas com o paramilitarismo e o tráfico de drogas. Como exemplo disso, podemos mencionar que em 2020 houve 76 massacres com um total de 272 pessoas mortas, de acordo com números oficiais do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (OHCHR); Desde 28 de abril – dia em que começou a greve nacional – até 11 de junho, a Campanha Defender a Liberdade indica que 78 pessoas foram mortas, 3086 detenções arbitrárias, 84 pessoas desapareceram, 79 vítimas de lesões oculares e 106 casos de violência sexual. Vale mencionar que a maioria dessas ações foi perpetrada pelas forças de segurança e civis armados através de estratégias paramilitares.

Em resposta à explosão social, o Estado, liderado pelo Presidente Iván Duque, estabeleceu o roteiro habitual que reforça o discurso do inimigo interno, apontando os manifestantes como vândalos sob ordens de grupos armados ilegais. O tratamento dado ao protesto social é criar um cenário de guerra frontal contra organizações étnicas, camponesas, de bairro, estudantis e sindicais que permaneceram em constante mobilização contra anos de políticas criminosas dos governos em exercício que estiveram sob o mandato de Álvaro Uribe Velez, ex-presidente que foi investigado várias vezes por crimes contra a humanidade como os chamados “Falsos Positivos”, ou seja, execuções extrajudiciais de civis mortos pelas forças militares para apresentar resultados e obter benefícios, o que, segundo a Jurisdição Especial para a Paz (JEP), chega a um número escandaloso de 6.402 assassinatos.

Os protestos que começaram com um chamado do Comitê Nacional de Greve (uma plataforma que reúne alguns setores sindicais de trabalhadores, pensionistas, professores e camponeses) cresceram em ações, graças principalmente aos jovens que viram a ação direta nas ruas como seu principal motivo de protesto.

Enquanto a burocracia sindical representada no Comitê Nacional de Greve está em espaços de conversa e mediação com instituições estatais, as ruas têm mantido um nível de beligerância e organização distante desses velhos métodos de conciliação típicos da burocracia, levando em conta que esses “negociadores” fazem parte dos partidos de “centro” e de “centro-esquerda”.

Com base nisso, foram organizados espaços de resistência em diferentes partes do país como Cali, Bogotá, Buga, Popayán, Bucaramanga e em rodovias no sudoeste da Colômbia e no nordeste, nos quais os métodos de luta são baseados na horizontalidade, na ação direta e no apoio mútuo. É importante destacar a relevância das linhas de frente como método de contenção da violência policial, estes grupos organizaram não apenas jovens, mas também professores, mães e até padres; estes grupos acumularam um nível de resistência e legitimidade bastante importante neste momento, mesmo em lugares como Cali, eles são interlocutores legítimos e reconhecidos com as autoridades governamentais.

A situação hoje, após 45 dias, é agridoce, pois ainda há pessoas mortas e feridas que fazem parte das manifestações que terminam em confrontos com as forças públicas, além da impunidade diante das práticas de guerra, como as agressões contra as comissões de verificação dos direitos humanos nas ruas e as missões médicas que ajudam os feridos. O Estado fez uso de métodos macabros para aterrorizar, tais como cortes de energia e internet, pressões de grupos paramilitares, assembleias judiciais de manifestantes e métodos de censura, tais como restrições à transmissão ao vivo de protestos.

Por outro lado, as razões da Greve Nacional foram ampliadas, assim como a retirada da Reforma Fiscal com a qual os protestos começaram, a retirada da Reforma da Saúde (um ataque às classes mais baixas), e a renúncia de 3 altos funcionários do governo (Ministro da Fazenda, Ministro das Relações Exteriores e Alto Comissário para a Paz) podem ser contados como conquistas da mobilização. Embora as consideremos como pequenas realizações, sabemos que o governo, pressionado pelas grandes empresas, sempre buscará reformas para alimentar e apoiar seus interesses de classe, enquanto os trabalhadores e suas famílias continuam a sofrer a pobreza; na Colômbia, mais de 40% da população está na pobreza (números do DANE). As exigências que se ouvem nas ruas e rodovias vão desde o pedido de demissão de Ivan Duque e todo seu gabinete, a desmilitarização dos territórios, reformas estruturais até as forças militares e policiais, a não perseguição de pessoas que foram capturadas no contexto de protesto social, a efetiva implementação dos acordos de paz assinados entre as FARC-EP e o governo, garantias para os líderes sociais e ambientais em territórios rurais e urbanos, o fim da pulverização de glifosato e fracionamento, entre muitos outros.

Sabemos que estamos vivendo um momento histórico, o resultado de anos de terrorismo de Estado e políticas criminosas que tornaram precárias as condições de vida de milhões de pessoas no campo e nas cidades. Neste momento, vemos o acúmulo das greves de 2018, 2019 e a explosão social de 2020 no mês de setembro, brutalmente reprimida. Agora, o protesto social fixou sua atenção nos processos sociais, trabalhou no fortalecimento do tecido social em bairros, veredas, municípios e cidades inteiras realizando atividades com vizinhos, construindo assembleias ou mesas de trabalho de acordo com suas necessidades concretas pouco a pouco, passo a passo, porque mesmo as formas de organização são muito dispersas e sem um horizonte claro, mas a raiva e os métodos de assembleia estão latentes em um povo que procura mudar sua história condenada em busca de uma boa vida, de condições de vida dignas.

Não podemos esquecer o papel fundamental desempenhado pelas comunidades indígenas organizadas no Conselho Indígena Regional do Cauca (CRIC) e nas Autoridades Indígenas do Sudoeste (AISO), que com sua resistência e bravura deram ímpeto e oxigênio à mobilização social, e também nos convidaram a questionar a parte da história que sempre nos foi contada, aquela que vê os conquistadores como heróis e os povos nativos como selvagens.

Finalmente, fazemos um convite para acompanhar de perto o processo que a Colômbia está passando, pois as garantias de protesto e de vida para o Estado só existem no papel e, prova disso, é a negação do tratamento da guerra que tem sido dado ao protesto social pelo Ministro da Defesa, o comandante do exército e da polícia. Somente a organização popular e os observadores internacionais podem registrar o massacre que o Estado está cometendo neste momento. A difusão e as ações internacionalistas de pressão sobre o governo da Duque são essenciais para o processo que estamos vivendo.

Diante da repressão do Estado, organização popular!

Arriba los que luchan!

Coletivo Contrainformativo SubVersión

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

A abelha voa vai
vem volta pesada
dourada de pólen

Eugénia Tabosa

[Espanha] Barcelona: Jornadas – Perspectivas e experiências de Lutas Anarquistas

Estas jornadas surgem da necessidade de contribuir de maneira consciente à atualização do anarquismo, incentivando o debate, a crítica e a reflexão de nossas ideias e práticas nos dias que vivemos.

Considerando a situação nos últimos tempos (revoltas em diversos lugares do planeta, repressão, aumento do controle social, confinamentos, etc.) e sendo conscientes de que simplesmente é necessária uma pequena chispa para que se expanda a chama, gostaríamos de contribuir com este encontro a seguir expandindo qualquer confrontação com o poder.

A constante reflexão de nossas ideias pode nos ajudar a encontrar a maneira de dar resposta às condições de opressão impostas pelo sistema de dominação atual.

Convocamos este encontro como mais uma pequena colaboração. Queremos seguir gerando espaços de encontro, desde nossa individualidade e lutas coletivas, no conflito permanente contra todo o estabelecido, e seguir gerando redes baseadas na incansável negação de qualquer autoridade.

Os esperamos!

• SEXTA-FEIRA 18

18h00

 “Nossa proposta é o conflito. Uma aproximação à anarquia negra”

Informalidade, insurrecionalismo, niilismo. Revisamos que são e foram estas propostas através de realidades vividas nas últimas décadas.

“Experiências anárquicas desde uma perspectiva insurrecional”

Tratarei de configurar um mapa cronológico, político e vital do que quisemos fazer, sentir e viver com nossas vidas, em um momento de ruptura com nosso passado, redefinir nosso presente e deixar de esperar um futuro que nunca chegava. Um percurso cheio de erros e paixões que nos permitiram viver nossa vida com a intensidade que se merecia… Até o desastre final.

• SÁBADO 19

12h00

Apresentação da nova edição de “Ai Ferri Corti”

Vem de reeditar-se o escrito com a intenção de retomar sua circulação e debate, já que pensamos que nos encontramos em um momento no qual se já não é possível, mas urgente, romper com as normas do Estado e propormos de novo as possibilidades para a revolta aqui e agora, não só como espetáculo de rechaço meramente simbólico e em grande medida colonizado pela estética, mas, sobretudo como um lugar comum para o encontro, à tensão entre diferentes posições e estratégias, e a forja de afinidades com as quais seguir caminhando, construindo e derrubando.

16h00

“História de um encontro entre gerações anarquistas no Uruguai. Da luta armada de 1970 ao anarquismo queer em 2021”

No Uruguai, “a Suíça da América” a tradição democrática é forte e quase inescapável. A forte presença de grupos sociais e armados anarquistas de há 50 anos que foram parte substancial da resistência à ditadura desapareceu dos relatos da história recente. Tanto assim que entre as gerações mais jovens de anarquistas é como um tesouro a buscar. E nós, sem querer querendo, temos a sorte de termos encontrado com uma referência histórica da guerrilha armada de fins de 1960 que no dia de hoje se mantêm firme em suas convicções, ativa apesar de seus obstáculos, tão humilde como amorosa e cheia de ganas de seguir aprendendo e revisando marcos teóricos.

18h30

“Solidariedade, projeto e intervenções em lutas”

A cargo de uma companheira de Elephant Editions.

CSO Lastilla

Av. Vila Franca 22

<M> L1 Torrassa

agência de notícias anarquistas-ana

Esta é a mão
que às vezes tocava
tua cabeleira.

Jorge Luis Borges