Petróleo na Margem Equatorial? Exploração da ‘Foz do Amazonas’ some de sites do governo, da imprensa e até do Google

Levantamento do Intercept revela estratégia para suavizar percepção pública sobre riscos e impactos socioambientais da exploração petrolífera na região amazônica

Paulo Motoryn e Mariana Della Barba | 14/02/2025

A BATALHA PELO FUTURO DA AMAZÔNIA está sendo travada não apenas em gabinetes e tribunais, mas também na linguagem. Em discursos políticos, relatórios técnicos e manchetes de jornais, um novo termo tem dominado as conversas sobre a exploração de petróleo na costa norte do Brasil: “Margem Equatorial”.

Um levantamento do Intercept Brasil, realizado a partir de informações extraídas de sites governamentais, dados do Google Trends e reportagens de veículos de imprensa, expõe uma estratégia sutil — porém impactante — de suavizar o polêmico projeto para explorar petróleo em plena Amazônia.

Os números indicam que o termo “Margem Equatorial” vem substituindo progressivamente “Foz do Amazonas” para definir o projeto de exploração petrolífera na Amazônia que está em análise pela Petrobras e pelo Ibama – e virou alvo de indignação do presidente Lula, que disse nesta semana que não quer mais “lenga lenga” do órgão ambiental.

Mas por que essa mudança de expressões? Para ambientalistas e especialistas, essa alteração não é mero detalhe semântico — ela tenta redefinir a percepção do público e pode influenciar decisões cruciais sobre um dos ecossistemas mais sensíveis do planeta.

Enquanto “Foz do Amazonas” remete à região específica onde o Rio Amazonas encontra o Atlântico — área rica em biodiversidade, recifes de corais únicos e comunidades tradicionais —, “Margem Equatorial” é um conceito geológico amplo, que abrange cinco bacias sedimentares desde o Amapá até o Rio Grande do Norte.

É verdade que a Petrobras tem interesse em explorar petróleo em múltiplas áreas da Margem Equatorial, não apenas na região da Foz do Amazonas. Mas ela é um dos principais alvos, especialmente o bloco FZA-M-59, próximo à Guiana, onde há estimativas de reservas significativas (até 10 bilhões de barris).

A estratégia, segundo ambientalistas e líderes indígenas ouvidos pelo Intercept, busca diluir a associação imediata com a Amazônia, bioma sensível e símbolo global de conservação, e ampliar a percepção de que a exploração ocorreria em uma região “genérica”.

Foz do Amazonas ‘some’ do site de ministério

O Intercept realizou uma análise da linguagem utilizada por três órgãos governamentais diretamente envolvidos no projeto de exploração petrolífera na Amazônia. Para isso, foram consultados os sites oficiais do Ministério de Minas e Energia, do Ministério do Meio Ambiente e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, o Ibama, todos com o domínio oficial “.gov.br”.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://www.intercept.com.br/2025/02/14/petroleo-foz-amazonas/

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meu cachorro velho
ouvindo com interesse
o canto do verme

Issa

[Grécia] Todos para a marcha de greve contra o crime capitalista estatal em Tempe

Já se passaram dois anos desde a colisão de trens em Tempe, que matou pelo menos 57 pessoas e feriu muitas outras. Desde o primeiro momento, o aparato estatal e as instituições tentaram encobrir o que está se tornando cada vez mais claro a cada dia. Não foi um acidente, mas foi um assassinato capitalista de Estado!

Por mais que tentem suprimir as vozes da raiva e do protesto para que o capital possa fazer seus negócios em paz, é ainda mais necessário resistir às políticas estatais que levam a mortes nas fronteiras, nos trilhos e no mar.

A raiva não pode ser escondida, nem pode esperar que a justiça burguesa apresente suas conclusões. A rua é a única arma que temos em nossas mãos.

Todos nós nas ruas, todos nós em greve na sexta-feira, 28/2.

athens.indymedia.org

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Sobre os meus pés
Caem reluzentes
As últimas faíscas do sol.

Leandro Feitosa Andrade

[Grécia] Vídeo | Intervenção na plataforma da OSE de Tessalônica para Tempe

Esta tarde (26/02) realizamos uma intervenção de propaganda para a Greve Geral de 28 de fevereiro por ocasião dos dois anos do crime capitalista de Estado em Tempe, na plataforma da OSE, no momento da chegada do trem Atenas-Tessalônica. Nós desenrolamos faixas e entregamos textos aos passageiros que desembarcavam.

Após nossa partida, na área de Antoginida, as forças policiais pararam 2 motocicletas com 4 de nossos companheiros e os levaram para a delegacia mais próxima. A prisão durou pouco tempo, mas é indicativa do clima de terrorismo que o Estado e a Polícia querem impor ao corpo social em vista das marchas de sexta-feira, que devem ser as mais massivas da história moderna do país.

É dever de todos e cada um de nós que queremos ser chamados de seres humanos e podemos fazê-lo, comparecer às manifestações de greve de sexta-feira que ocorrerão em dezenas de cidades do país.

Contra as políticas de morte do Estado e do Capital, que priorizam os lucros em detrimento das vidas humanas.

Contra o encobrimento das responsabilidades de políticos e não políticos.

Seus lucros – Nossas vidas!

Iniciativa Libertária de Tessalônica

>> Assista o vídeo aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=OAQuq6iQG_M&t=64s

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lesma no vidro
procura uma sombra
que seja ela mesma

Alice Ruiz

[Grécia] Apelo à greve de 28/02, dois anos desde o assassinato estatal e capitalista em Tempe

Era a noite de terça-feira, 28/02/2023, quando dois trens, um de passageiros da Hellenic Train e outro comercial, colidiram em Tempe. Há dezenas de mortos e feridos. Mais uma vez, todos os tipos de jornalistas e líderes partidários derramam lágrimas de crocodilo e falam de “luto nacional”. A hipocrisia transborda. Os esforços feitos pelos fantoches do governo para fazer com que este assassinato pareça um erro humano apenas do chefe da estação são enormes. O objetivo é desafogar a raiva e esconder a realidade: o Estado e os patrões percebem os de baixo como dispensáveis. A vida dos trabalhadores é ainda mais esmagada em ritmos hiperintensivos, horas extenuantes e os homicídios trabalhistas disparam. Só este ano, a lista de trabalhadores mortos atingiu níveis máximos, ultrapassando mais uma vez os “recordes” negativos dos anos anteriores. Para além das mortes nos locais de trabalho, os que estão no topo são conscientemente indiferentes aos assassinatos daqueles que estão na base, nos vagões dos trens, nos corredores dos hospitais, nos campos de concentração de imigrantes. A única coisa que “lamentam” é a queda dos seus lucros, a falta de valor das suas ações, o questionamento da sua autoridade. E certificam-se de enviar constantemente mensagens através da sua maquinaria repressiva de que qualquer pessoa que os questione enfrentará consequências.

Em vários casos, pareceu que a raiva contra o mundo do poder pelo assassinato em Tempe superou o medo das consequências. Por toda a Grécia, as marchas foram particularmente massivas e várias delas assumiram características militantes, com ataques a alvos estatais e capitalistas, com confrontos crescentes com a polícia, mesmo corpo a corpo.

É fundamental que mantenhamos esse legado. Na prática cada vez mais assassina do Estado e dos patrões, as únicas respostas que erguem barricadas são aquelas que estão no caminho da luta. A lógica de renunciar, delegar e esperar por algum novo “salvador” e uma mudança na gestão do Estado é desastrosa. Enquanto houver um Estado, haverá poder e exploração e o sangue daqueles que vêm de baixo continuará a ser derramado. Enquanto houver um retrocesso das lutas sociais e de classes, enquanto entrarmos nos moldes do respeito pela legitimidade, os poderosos ganharão confiança. Enquanto as lutas individuais permanecerem divididas e não se unirem numa perspectiva insurgente e revolucionária comum, serão capazes de nos atingir aos poucos e alcançar vitórias “fáceis”.

Cabe a nós reverter essa condição. Acreditar nas nossas forças e responder com lutas imediatas, horizontais e combativas. Manter estável o discurso e a ação anti-Estado, sabotar contínua e consistentemente todas as formas de eleição, reivindicar de forma militante e inegociável a nossa presença nas ruas, intensificar o ataque contra o Estado, os patrões, os fascistas e qualquer tipo de autoridade. Fortalecer as lutas contra a exploração, o patriarcado, o racismo, todas as formas de confinamento, a pilhagem da natureza e de vidas não humanas. Para abrir novas ocupações e retomar as antigas. Formar um movimento anarquista revolucionário que ouse entrar em conflito generalizado com o mundo do poder, que nos sufoca com as botas da brutalidade e da atrocidade.

Nossos inimigos podem parecer invulneráveis, fortes e onipotentes por trás de seus exércitos bem polidos e de sua arrogância excessiva, mas esquecem que não são invencíveis. Se contarmos com a camaradagem e a solidariedade muitas vezes o impossível se torna possível. Temos o direito de lutar com todas as nossas forças contra este sistema injusto e profundamente decadente. Só nos resta acreditar novamente e lutar por um mundo melhor. Um mundo de igualdade, solidariedade e liberdade. Pela anarquia.

Não esqueceremos e não perdoaremos!

Aqueles que já não estão conosco vivem nas barricadas do presente e do futuro

Coletivo Anarquista Acte

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O grito do faisão –
Que saudade imensa
De meu pai e minha mãe.

Matsuo Bashô

[Grécia] Patras: Marcha contra o crime capitalista de Estado em Tempe, 28/02 – todos nas ruas

Na tarde de terça-feira, 25 de fevereiro, cerca de 25 companheiros e companheiras realizaram uma passeata motorizada pelas principais ruas de Patras contra o crime estatal e capitalista em Tempe. Paramos em frente à principal estação ferroviária e pixamos o slogan: “Assassinos. 28/2 – Todos nas ruas”. Lançamos milhares de folhetinhos e colocamos faixas em praças convocando as pessoas a participarem em massa da greve e das manifestações de sexta-feira.

O crime estatal e capitalista de Tempe confirma da maneira mais enfática o caráter assassino e antissocial do sistema que desvaloriza e vende a infraestrutura pública, ignora as necessidades sociais, saqueia a maioria social diariamente e a condena à pobreza e à morte.

O dia 28 de fevereiro é outro marco, outra data que nos convoca a derrubar os trilhos do lucro pintados com sangue, a construir uma sociedade diferente, onde a vida não seja barata e se respire com dignidade. Todos nós nas ruas.

Todos nós nas manifestações de 28 de fevereiro. A justiça será julgada nas ruas!

Grupo Anarquista “Cavalo Indomável” e companheiros/companheiras

>> Mais fotos: https://athens.indymedia.org/post/1634287/

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fera ferida
nunca desiste –
luta pela vida

Carlos Seabra

 

[França] Comunicado e faixa de 9 coletivos antifascistas, em solidariedade a Gino e a todos os outros.

Gino, um companheiro antifascista acusado de não desviar o olhar de uma manifestação de neonazistas húngaros, está atualmente preso em Fresnes enquanto aguarda sua possível extradição para a Hungria autoritária de Orbán.

Ele pode pegar até 16 anos de prisão em condições terríveis.

Essa situação testemunha a preocupante cumplicidade da França com o regime neofascista da Hungria.

É nossa vez de nos recusarmos a fechar os olhos para o uso da justiça para oprimir nossos companheiros.

Em uma reunião de 9 coletivos antifascistas, gritamos:

Libertem Gino!

Libertem todos os antifascistas!

Fogo nas prisões!

Libertem Kanaky, a Palestina, o Congo, o Sudão, o Saara Ocidental, o Curdistão e todos os oprimidos e oprimidas!

Fonte: Paris-luttes.info

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sinto um agudo frio:
no embarcadouro ainda resta
um filete de lua

Buson

[Espanha] Ex Presión Nº 124

[França] Contra a vídeo vigilância em Caen e em outras cidades

Em 2025, a cidade de Caen prevê instalar novas câmeras de vídeo vigilância e assinar um acordo de colaboração com a RATP (que gestiona a rede Twisto) para otimizar o uso das imagens da rede de transporte. Este cartaz descreve a rede de vigilância local e sugere formas de opor-se a ela.

CONTRA A VÍDEO VIGILÂNCIA em CAEN e em ELSEWHERE

Desde 2016, a cidade de Caen e seu corpo policial estão equipados com câmeras de vídeo vigilância e um Centro de Supervisão e Comando (CSC) onde se visualizam as imagens ao vivo. Na atualidade, há mais de 70 câmeras na cidade, sem contar as câmeras privadas dos comércios, as da rede de transporte e nossos próprios telefones.

O município prevê aumentar a 100 o número de câmeras em toda a cidade daqui a 2025, com um custo de 700.000 euros. O município também prevê assinar um acordo com a RATP (que gestiona a rede de transportes Twisto) para acessar diretamente as gravações de vídeo vigilância filmadas na rede de transportes (paradas de ônibus e bonde, veículos, etc.).

O Centro de Supervisão e Mando (CSC) se encontra nos locais da Polícia Municipal de Caen, mas a Polícia Nacional pode acessá-lo quando achar oportuno. Em muitas ruas, todos os nossos movimentos são vigiados.

Na França, os Jogos Olímpicos de París 2024 foram um presente do céu para acelerar a adoção de dispositivos de vigilância em todo o país, como a vídeo vigilância automatizada (AVS), uma ferramenta de vigilância biométrica que, mediante algoritmos acoplados a câmeras de vigilância, detecta, analisa e classifica nossos corpos e comportamentos nos espaços públicos para alertar a polícia e facilitar o controle das pessoas. O reconhecimento facial também se utiliza progressivamente nas investigações policiais e dos serviços de inteligência.

Em breve, o uso da Inteligência Artificial se generalizará, reduzindo consideravelmente nossas liberdades.

>> Baixar (Ex)Presión Nº 124https://drive.google.com/file/d/1oFFXAWEjSLPCg6VuDgBnUtwNEulQ7Alm/view

Tradução > Sol de Abril

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A enorme formiga
Caminha sobre o tatame—
Ah, tanto calor!

Inoue Shirô

Capitalismo: A Máquina de Moer Vidas

A mídia burguesa relatou neste mês de fevereiro de 2025 o aumento explosivo de denúncias relacionadas ao calor extremo no ambiente de trabalho no Brasil. Cabe registrar que isso não é apenas um registro de condições laborais desumanas. É um retrato brutal de como o capitalismo opera: uma engrenagem que consome corpos, dignidade e o próprio planeta em nome do lucro.

Dessa forma, enquanto trabalhadores desmaiam, sofrem queimaduras ou colapsam sob temperaturas insuportáveis, patrões e governos insistem em tratar a vida como um recurso descartável, um “custo operacional” a ser minimizado. E isso não é um acidente do sistema. É a sua essência.

O calor extremo não é um fenômeno isolado: é a materialização da lógica capitalista que prioriza a produtividade sobre a vida. Em armazéns, lavouras, fábricas e até escritórios sem ventilação, os corpos são forçados a se adaptar a condições que máquinas não suportariam. A pressão por metas, o medo da demissão e a precarização do trabalho transformam o suor em lucro para uns poucos. Enquanto isso, a regulamentação estatal — quando existe — age como um paliativo, nunca como solução. O Estado, aliado histórico do capital, garante que as multas por violações sejam irrisórias diante dos ganhos obtidos com a exploração.

Recordemos que o mesmo sistema que superaquece os corpos nas linhas de produção é o que incendeia florestas, seca rios e acelera a crise climática. A busca infinita por crescimento econômico, extração de recursos e acumulação privada não só degrada o meio ambiente, mas também cria zonas de sacrifício onde trabalhadores pobres, muitas vezes negros e periféricos, são condenados a labutar sob sol escaldante. O capitalismo não separa a destruição ecológica da exploração humana: ambas são combustíveis para sua máquina de morte.

Diante disso, reformas são insuficientes. Exigir EPIs, intervalos ou leis mais rígidas é como pedir o apagamento de um incêndio florestal com um copo d’água. A raiz do problema está na propriedade privada, na hierarquia laboral e na ideologia do progresso infinito. A alternativa anarquista propõe a autogestão: que os trabalhadores controlem coletivamente seus ambientes de trabalho, decidam os ritmos, as condições e as prioridades produtivas. Imagine sindicatos transformados em assembleias horizontais, fábricas convertidas em cooperativas ecológicas, terras cultivadas sem patrões, em harmonia com os ciclos naturais.

E tudo isso não se trata de um ideal romântico, mas de uma necessidade urgente. Se o capitalismo não for desmantelado, ele nos matará a todos — primeiro os trabalhadores nas fornalhas do trabalho precário, depois a humanidade inteira em um planeta inabitável. A luta contra o calor extremo no trabalho é a mesma luta contra o aquecimento global: ambas exigem a destruição de um sistema que valoriza mais o capital do que a vida.

Organizar, ocupar, sabotar. Construir redes de apoio mútuo, greves selvagens e comunidades resilientes. O capitalismo não será derrotado por decretos, mas pela recusa massiva de ser moído por ele. A Terra não pode esperar. Nós também não.

Liberto Herrera.

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sair do protocolo
contornar a mesmice
bancar o vôo solo

Gabriela Marcondes

“O Brasil é dos brasileiros” é um caralho, senhor Lula! O Bra$il é dos banqueiros!!!

• Lucro dos quatro maiores bancos brasileiros atinge recorde nominal em 2024, com R$ 108,2 bilhões

Os quatro maiores bancos brasileiros listados na B3 registraram, em 2024, o maior lucro nominal de sua história. De acordo com dados compilados pela consultoria Elos Ayta, o lucro consolidado dessas instituições alcançou R$ 108,2 bilhões, um avanço de 18,6% em relação a 2023.

O Itaú Unibanco se destacou ao atingir um lucro líquido de R$ 40,2 bilhões no ano, o maior já registrado por um banco brasileiro. Com isso, a instituição retoma a liderança em lucratividade entre os gigantes do setor, posição que havia sido ocupada pelo Banco do Brasil nos dois anos anteriores (2022 e 2023).

Entre os quatro bancos analisados, o Banco do Brasil apresentou o menor crescimento percentual em 2024, com alta de 4,8% em relação ao ano anterior e atingiu R$ 35,4 bilhões. Já o Santander teve a maior expansão, com avanço de 50,2%, registrando lucro de R$ 12,4 bilhões, seguido pelo Bradesco, que cresceu 26,2%, com lucro de R$ 19 bilhões.

Fonte: agências de notícias

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Uma flor que cai –
Ao vê-la tornar ao galho,
Uma borboleta!

Arakida Moritake

[EUA] Leonard Peltier volta para casa — finalmente

por Ingrid Burke Friedman, JURISTA

Hoje estou finalmente livre.

Eles podem ter me aprisionado,

mas nunca levaram meu espírito.

–Leonard Peltier, 18 de fevereiro de 2025

O ativista nativo americano Leonard Peltier, um dos prisioneiros federais mais antigos da história dos EUA, foi libertado para prisão domiciliar na terça-feira após passar quase cinco décadas atrás das grades. Sua prisão decorre de uma controversa condenação de 1977 pelas mortes a tiros de dois agentes do FBI na Reserva Indígena Pine Ridge, em Dakota do Sul, um caso que tem sido duramente contestado entre ativistas e autoridades policiais por gerações.

A libertação de Peltier, agora com 80 anos e com a saúde debilitada, segue uma comutação de última hora pelo presidente Joe Biden no mês passado, marcando o ápice final em um caso que atraiu defesa sustentada de nações tribais, organizações de direitos humanos e até mesmo alguns ex-oficiais da lei envolvidos em seu processo. Os apoiadores de Peltier há muito sustentam que ele foi injustamente acusado em meio às convulsões sociais da época e documentaram a investida do FBI em movimentos de direitos civis e indígenas americanos. Seus detratores, incluindo o diretor do FBI de Biden, Christopher Wray, classificaram Peltier como um “assassino implacável que executou brutalmente dois dos nossos antes de embarcar em uma fuga violenta da justiça”.

Nesta explicação, exploraremos quem foi Peltier e por que seu caso se mostrou tão divisivo.

Quem é Leonard Peltier?

Peltier nasceu em 12 de setembro de 1944 na Reserva Indígena Turtle Mountain, em Dakota do Norte. Sua infância refletiu as duras realidades enfrentadas pelos nativos americanos na era pós-guerra: seu pai estava entre muitos outros homens nativos que serviram na Segunda Guerra Mundial, mas seu serviço fez pouco para melhorar as condições das comunidades indígenas nos Estados Unidos. A Reserva Turtle Mountain, onde Peltier cresceu, foi reduzida a apenas uma pequena fração de seu tamanho original por meio de ações do governo, deixando seus moradores com recursos e oportunidades limitados.

Aos nove anos, Peltier se tornou uma das milhares de crianças nativas removidas à força de suas famílias sob políticas federais de assimilação. Ele foi enviado para a Wahpeton Indian School, parte de um sistema projetado para apagar a cultura e a identidade indígenas. Essa separação traumática ocorreu no momento em que o Indian Relocation Act de 1956 (também conhecido como Public Law 959) estava entrando em vigor — uma lei que enfraqueceu ainda mais as comunidades de reserva ao cortar o financiamento federal para serviços básicos e pressionar os moradores a se mudarem para áreas urbanas.

Como adulto no início dos anos 1970, Peltier se tornou uma figura proeminente no American Indian Movement (AIM) durante um período de ativismo indígena sem precedentes. O AIM surgiu nesse momento em que os nativos americanos enfrentavam taxas de pobreza assustadoras, discriminação em áreas urbanas para onde muitos foram pressionados a se mudar e ameaças contínuas à soberania tribal. As atividades do movimento incluíram a marcha da Trilha dos Tratados Quebrados de 1972 em Washington e a ocupação de Wounded Knee em 1973 na Reserva Indígena Pine Ridge em Dakota do Sul — protestos que destacaram injustiças históricas e a crise contínua de violência contra os nativos americanos, que enfrentaram (e continuam enfrentando) taxas de homicídios muitas vezes maiores que a média nacional em algumas reservas.

O que aconteceu em Pine Ridge?

Os eventos que levaram à prisão de Peltier se desenrolaram em 26 de junho de 1975, durante um período de tensão significativa na Reserva Pine Ridge. A reserva foi o local de vários conflitos entre membros tribais “tradicionais”, apoiados pelo AIM, e apoiadores do presidente tribal Dick Wilson, que foi acusado de corrupção e uso de táticas de intimidação contra oponentes políticos. Naquele dia fatídico, dois agentes do FBI – Jack Coler e Ronald Williams – entraram na reserva em busca de um suspeito de assalto. O que começou como uma investigação de rotina se transformou em um tiroteio que deixou os dois agentes mortos à queima-roupa. O membro do AIM Joseph Stuntz também foi morto no incidente.

Por que seu julgamento foi controverso?

Peltier, junto com outros membros do AIM, foi acusado dos assassinatos dos agentes. Enquanto dois outros réus, Dino Butler e Bob Robideau, foram absolvidos em um julgamento separado por legítima defesa, Peltier foi julgado separadamente em 1977 em Fargo, Dakota do Norte. Ele foi condenado a duas penas de prisão perpétua. Seu julgamento e condenação foram objeto de intenso escrutínio e crítica ao longo das décadas.

Críticos da acusação apontaram vários elementos controversos, incluindo o manuseio de evidências balísticas pelo FBI, depoimentos supostamente forçados de testemunhas que foram posteriormente retratados e a exclusão de evidências que poderiam ter apoiado a defesa de Peltier. Um dos desenvolvimentos mais significativos ocorreu quando documentos divulgados pelo Freedom of Information Act revelaram que o FBI havia retido evidências que poderiam ter ajudado na defesa de Peltier.

O que as autoridades policiais disseram sobre o julgamento e a condenação?

Enquanto isso, o FBI e os promotores federais têm mantido firmemente a legitimidade da condenação de Peltier ao longo das décadas. Eles apontam para várias evidências importantes, incluindo um estojo de bala .223 encontrado no porta-malas do carro do agente Coler que foi combinado com um rifle associado a Peltier, e depoimento afirmando que Peltier era a única pessoa carregando um rifle AR-15 capaz de disparar cartuchos .223 na cena.

Em uma carta de 2024 se opondo à liberdade condicional de Peltier, o diretor do FBI Christopher Wray enfatizou que 22 juízes federais avaliaram as evidências e mantiveram a condenação. Wray argumentou que, embora os apoiadores de Peltier tenham alegado má conduta do promotor, os tribunais examinaram e rejeitaram repetidamente esses argumentos. O FBI sustenta que as alegações sobre evidências balísticas problemáticas e uma suposta admissão do governo de ser incapaz de provar quem atirou nos agentes não resistiram a vários recursos.

As autoridades policiais também responderam às críticas ao processo de julgamento. Eles argumentam que Peltier recebeu recursos legais extraordinários para a época, incluindo cinco advogados pagos pelo governo de sua escolha, em vez do advogado mais usual nomeado pelo tribunal. O FBI observa que, além da condenação original, Peltier foi posteriormente condenado por uma fuga armada da prisão em 1979, durante a qual tiros foram disparados contra funcionários da prisão, adicionando uma sentença de sete anos à sua pena.

O FBI enfatizou que, para as famílias das vítimas, o caso continua profundamente pessoal. Como o diretor Wray escreveu em 2024, cada vez que Peltier busca a libertação, isso força os entes queridos dos agentes a “experimentar sua dor novamente”.

O que levou Biden a agir?

Ao longo dos anos, o apoio à libertação de Peltier se espalhou muito além de grupos de defesa dedicados. Nações tribais têm consistentemente pedido sua liberdade, vendo seu caso como emblemático das lutas mais amplas enfrentadas pelos povos indígenas no sistema de justiça dos EUA. Sua causa foi defendida por ganhadores do Prêmio Nobel da Paz, dezenas de legisladores e organizações de direitos humanos em todo o mundo. Talvez o mais notável seja que ex-oficiais da lei, incluindo o ex-procurador dos EUA cujo escritório lidou com o processo e a apelação de Peltier, se juntaram aos pedidos de clemência.

A pressão pela libertação de Peltier ganhou urgência adicional à medida que sua saúde piorava nos últimos anos. Aos 80 anos, ele sofre de vários problemas de saúde graves, tendo passado quase meio século atrás das grades. Seus apoiadores argumentaram por muito tempo que sua prisão contínua não servia a nenhum propósito prático, principalmente devido à sua idade e enfermidade.

A decisão de Biden de comutar a sentença de Peltier para prisão domiciliar parece representar uma resposta cuidadosamente calibrada a esses apelos por misericórdia. Embora não tenha chegado a um perdão total — a declaração presidencial observa explicitamente que a comutação “não o perdoará por seus crimes subjacentes” — a decisão reconhece tanto os aspectos humanitários do caso quanto o apoio substancial à sua libertação de todo o espectro político e social.

À medida que Peltier retorna para casa em Turtle Mountain, seu caso continua a levantar questões sobre justiça, reconciliação e o relacionamento entre o governo federal e as comunidades nativas americanas. Embora sua libertação possa encerrar um capítulo dessa longa saga, as discussões mais amplas que seu caso desencadeou sobre a reforma da justiça criminal e os direitos indígenas permanecem muito vivas.

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Esta história apareceu pela primeira vez em 18 de fevereiro no JURIST, sob o título “Native American Activist Leonard Peltier Released to Home Confinement After Decades Behind Bars”.

Foto: Peltier e família após sua libertação da USP Coleman, Flórida.

Crédito: AIM

Fonte: https://countervortex.org/leonard-peltier-heads-home-at-last/

Tradução >  Bianca Buch

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agência de notícias anarquistas-ana

Joaninha caminha
no braço da menina.
Olhar encantado.

Renata Paccola

[Argentina] Encontro Internacional de Práticas Anárquicas e Antiautoritárias Contra as Prisões

18 a 20 de julho de 2025 na Argentina. 

Convocatória 

A importância desse tipo de encontros que levam à agitação internacional e reproduzível é essencial para compartilhar nossas experiências na guerra contra o domínio. É por isso que, como continuação à iniciativa do Encontro Internacional de Práticas Anárquicas e Antiautoritárias Contra as Fronteiras realizado por companheirxs em Tijuana, México, retomamos essa iniciativa, desta vez convidando a refletir sobre nossas práticas em torno das Prisões, levando em conta a intensidade e as variadas formas em que as prisões nos habitam. Pois, como necessidade antiautoritária, é essencial ampliar a reflexão sobre as prisões e como elas não se concentram apenas em um espaço ou tempo determinado, mas também como se encarnam em nossa cotidianidade, chegando até a natureza e aos animais não humanos.

Extrativismo, especismo, patriarcado, urbanismo, corpos em castigo, coerção, cárceres, tecnologia, militarismo, colonialismo, autoritarismo etc. são algumas das práticas que se originam dentro das prisões. Por isso, convocamos toda individualidade, coletivx ou iniciativa a compartilhar o contínuo refletir/práticas antagônicas contra as prisões, conversas, projetos kontrakulturais, apresentações de material audiovisual-gráfico-cênico que gire em torno de um pensar/fazer contra as prisões. Com o propósito de mapear o papel em que atualmente se encontram as prisões em nosso imaginário, desde o coletivo até o individual. Acreditamos na necessidade de afiar nossas ideias/práticas, a partir da horizontalidade, cuidado mútuo, autogestão e autonomia, para enfrentar a hegemonia do poder, desde a multiformidade anárquica antiautoritária e o internacionalismo anticarcerário.

Informações e encerramento da convocatória serão atualizados.

Link de inscrição: http://bit.ly/encuentroar

Contato: encuentroanarquico@riseup.net

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

O regato seca
E o salgueiro perde as folhas –
Pedras aqui e ali

Busson

[Grécia] Tessalônica: Faixa gigante na fachada da ocupação Libertatia para o crime capitalista de Estado de Tempe

Na sexta-feira (21/02), colocamos uma faixa gigante na fachada da ocupação Libertatia para divulgar a manifestação de greve de Tempe¹ em 28/02.

Em seguida, houve uma intervenção no mercado de Faliro com a distribuição do texto do coletivo.

NÃO FOI VONTADE DE DEUS OU O MAL TEMPO, OS LUCROS DELES SÃO NOSSOS MORTOS

TODOS NA MANIFESTAÇÃO DE GREVE EM 28/02, ÀS 10:00, NA KAMAPA (O Arco de Galério)

NÃO HÁ PAZ SEM JUSTIÇA

Libertatia, coletivo pelo comunismo libertário

Nota:

[1] Em 28/02/2023, uma terça-feira, dois trens, um de passageiros da Hellenic Train e outro comercial, colidiram em Tempe. Houve dezenas de mortos e feridos.

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agência de notícias anarquistas-ana

os fantasmas de cogumelos
viraram tinta:
pés nus no frio

Rod Willmot

[Espanha] Companheiro Ghespe detido e ingressado na prisão de Soto del Real aguardando extradição para a Itália

Nos últimos dias, ficamos sabendo pela mídia do regime que o anarquista Salvatore Vespertino (Ghespe) foi preso na Espanha, em Madri, no dia 15 de fevereiro, durante um controle policial. O companheiro foi levado para a prisão de Soto del Real em Madri e não se opôs à extradição para a Itália, que deve ocorrer em breve.

Ghespe, procurado desde 2023, havia sido condenado em grau de recurso na chamada Operação “Pânico” pela ação contra a livraria “Il Bargello” (Florença, 1º de janeiro de 2017), um espaço ligado à Casapound (espaço fascista). O dispositivo explodiu nas mãos de um policial desavisado, causando-lhe ferimentos graves, inclusive a perda de um olho e de grande parte de uma mão. A sentença de cassação de julho de 2023 confirmou as condenações em recurso, incluindo a sentença de oito anos para Ghespe, que já havia passado um longo período em prisão preventiva.

Solidariedade com o companheiro detido.

Seguiremos informando.

Salvatore Vespertino

Carretera M-609 Km 3,5

28791 Soto del Real (Madrid)

Espanha

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agência de notícias anarquistas-ana

Ameixeiras brancas —
Assim a alva rompe as trevas
deste dia em diante.

Hori Bakusui

Trabalhadores da educação e povos originários do Pará! A aliança classista que faz o Estado tremer!

Comunicado Nacional FOB

Em dezembro de 2024, o governo Helder Barbalho/MDB enviou um PL para a Assembleia Legislativa do Pará realizando um verdadeiro desmonte da educação e da cultura daquele estado. Entre as medidas, estava o aumento da hora aula de 45 mins para 60 mins, que representava mais de 6 horas a mais de trabalho docente por semana, além de outros ataques no Plano de Cargos Carreiras e Salários e em gratificações. Um completo absurdo com os docentes daquele estado. Tal ataque não ficou sem resposta, levando a categoria às ruas no dia 19 de dezembro, em um grande protesto que terminou com uma imensa violência policial contra a categoria.

Em janeiro, Helder Barbalho (MDB) iniciou um novo ataque com a promulgação da lei 10.820 que, dentre outras modificações, revogou leis anteriores que regulavam o Sistema de Organização Modular de Ensino Indígena – SOMEI. Sem essa regulação, o sistema poderia ser operado da forma que o governo de plantão decidir, dificultando a autodeterminação dos povos indígenas em relação a educação e precarizando o ensino. Como efeito, uma das possibilidades seria a diminuição de professores nos territórios indígenas e a implantação das “tele-aulas”. Um imenso retrocesso, pois, em que pese as dificuldades enfrentadas pelo ensino público hoje, as aulas presenciais possibilitam uma maior qualidade de ensino quando comparadas ao modelo EaD. Além disso, a proposta não se adequa à realidade de muitos territórios, que não possuem acesso à internet ou mesmo energia elétrica.

A resposta destes povos foi a ocupação da Seduc-PA. Tal ocupação vitoriosa durou 30 dias. Estes povos reivindicavam a derrubada desta lei e a queda de Rosieli Soares, secretário da educação do Pará, que trabalhou no governo Temer/MDB e apenas desocuparam a Seduc após a publicação da revogação desta lei em diário oficial.

No dia 05 de fevereiro de 2025, após 23 dias de ocupação, os ocupantes da assembleia conseguiram o compromisso do governo na revogação da lei 10.820, no entanto, continuam ocupando a Assembleia para garantir a formalização da revogação da referida lei.

Tal experiência já foi realizada noutros locais, como no Ceará, onde diversas etnias ocuparam a SEDUC em abril de 2024 reivindicando melhorias na educação indígena. Porém, o diferencial do caso paraense é a aliança entre os povos originários e a luta do movimento sindical da educação.

O povo unido é povo forte: a união dos professores indígenas e os demais professores da rede estadual do Pará

A luta dos Povos Indígenas em defesa de uma educação de qualidade semeou a solidariedade de classe, florescendo com a greve dos professores da rede estadual em solidariedade aos povos que ocupam a SEDUC, em defesa de uma educação de qualidade nos territórios.

A história do sindicalismo revolucionário é repleta de exemplos de greves em solidariedade como as Greve Geral de 1917 no Brasil que se expande em solidariedade com as trabalhadoras têxteis. Essa aliança, que para nós sindicalistas revolucionários é óbvia, é algo que remonta as greves na primeira metade do século XX, as greves de solidariedade.

No entanto, este fato político aparece em um momento em que o sindicalismo no Brasil cada vez mais se isola em corporativismo e em suas próprias pautas. Portanto, saudamos a aliança entre os professores no estado Pará, que sirva de exemplo para o conjunto de trabalhadores. Através da aliança e da unidade pela base, faremos os governantes e patrões temerem.

Conflito direção-base

Apesar da radicalidade na ação, os povos exigiram a presença da ministra de Estado, Sônia Guajajara. Após alguns dias, esta compareceu à Seduc para prestar solidariedade aos ocupantes, mas não abordou em sua fala a necessidade de revogar a lei 10.820 ou de retirar o secretário de educação de seu cargo. Está claro que Sônia está mais comprometida com a governabilidade de Lula/PT do que com as lutas dos povos originários.

Assim como Sônia Guajajara, diversas outras lideranças indígenas foram alçadas a cargos no Estado burguês, seja a nível federal, estadual ou municipal. Assim, começam a surgir interesses contraditórios entre algumas lideranças comprometidas com a administração pública e os interesses da base desses povos. Esta base começa a perceber tamanha contradição e já passam a cobrar publicamente aqueles que estão comprometidos com o Estado.

O papel dos sindicalistas revolucionários é estar ao lado do povo em suas lutas diárias, denunciando o peleguismo das lideranças que aderem ao projeto colonial estatal e construindo o verdadeiro poder popular.

Ir ao combate sem temer! Ousar lutar, ousar vencer!

A vitória que os povos originários conquistaram com a ocupação da Seduc-PA deve ser um referencial para todo o movimento de massas no Brasil. A desocupação só foi realizada após a revogação da lei 10.820 e sua publicação no diário oficial do Pará! Tal ação demonstra a permanente desconfiança dos povos com o Estado colonizador e com a política burguesa.

A unidade construída entre povos originários e movimento sindical da educação deve render bons frutos para os movimentos reivindicativos de nossa classe. A COP 30 será marcada pela ação direta dos povos tradicionais daquele território. Que se conteste a transição energética dos ricos que visa apenas o desenvolvimento capitalista em detrimento das necessidades e anseios dos pobres.

Pela Autoderteminação dos Povos!
Por uma educação de qualidade!
Por respeito a educação dos Trabalhadores da Educação!

lutafob.org

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sopra o vento
sento em silêncio
sentir é lento

Alexandre Brito

[EUA] Novo Prisioneiro Político: Annarella Rivera

Meu nome é Annarella Rivera, meus amigos me chamam de Rivers. Sou mãe de dois meninos maravilhosos e de um gato. Minhas co-réus e eu somos ativistas pró-escolha do território conhecido como Sul e Centro da Flórida. Duas de minhas amigas, Amber Smith-Stewart e Caleb Freestone, foram indiciadas por um grande júri em 23/01/2023, e Gabby e eu em 01/02/2024, sob a Lei FACE (Face Act), acusadas de vandalismo (pichação) em 3 centros de crise de gravidez (CLÍNICAS FALSAS!!), enquanto simultaneamente éramos acusadas pelo estado e pela Arquidiocese de Miami sob acusações de RICO e Conspiração, em um processo conhecido como SLAPP, que nos tirou os direitos da 5ª Emenda.

Sou anarquista e também tenho orgulho de dizer que sou ANTIFASCISTA. O Departamento de Justiça de Biden-Harris condenou duas das minhas amigas e eu ao B.O.P. (Bureau of Prisons) por pichação!!!! Nossa quarta companheira, Gabriella Oropesa, está aguardando julgamento, e VAI VENCER. Estamos em solidariedade inabalável com Gabby e a apoiamos totalmente. Precisamos construir comunidade, nos organizar e abolir essa máquina de guerra genocida, supremacista branca, carcerária e policial. Nós cuidamos de nós mesmas!

Escreva para:

Annarella Rivera #51391-510

FCI Tallahassee

P.O. BOX 5000

Tallahassee, FL 32314 – EUA

Fonte: https://www.abcf.net/blog/new-political-prisoner-annarella-rivera/

Tradução > Contrafatual

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Ao virar a esquina,
Saindo de trás do prédio –
A lua cheia.

Paulo Franchetti

Lula, babaca, amiguinho dos carros!