Novidade editorial: “Escritos Afugentáveis I – O educador mercenário: Para uma crítica radical das escolas da democracia”

Educação Libertária é possível? O que é “Educação” para que seja possível adjetivá-la? Uma educação pode ser denominada educação se não for libertária? Uma educação libertária requer professores libertários? Quem seriam? Prescinde de professor? Por que a Educação Libertária é aceita nos espaços institucionais se ela se pretende anti-sistema?

Escritos Afugentáveis I – O educador mercenário: Para uma crítica radical das escolas da democracia

Pedro Garcia Olivo, tradução de Paulo Marques.

128 páginas

R$ 43,30

monstrodosmares.com.br

agência de notícias anarquistas-ana

Dentro da lagoa
uma diz “chove”, outra diz “não”:
conversa de rã.

Eunice Arruda

[Suíça] Manifestação em apoio à Maja

Nós nos reunimos em frente à embaixada alemã em Berna. Gritamos em alto e bom som que Maja deve ser repatriada para a Alemanha imediatamente e que todos os prisioneiros políticos e antifascistas devem ser libertados. Depois de protestar em alto e bom som contra a inação do governo alemão, penduramos nossa faixa em frente à embaixada da Hungria.
 
Maja é uma antifascista não binária que está detida ilegalmente na Hungria há mais de um ano. Maja está em greve de fome há quase 30 dias para protestar contra as terríveis condições de sua detenção. Nesse meio tempo, Maja foi hospitalizada e seu estado de saúde é crítico. A família, os companheiros e os amigos de Maja estão pedindo que Maja seja repatriada para a Alemanha! Nós nos reunimos hoje (07/07) em frente à embaixada alemã para chamar a atenção para a situação de Maja.
 
Maja está sendo mantida em confinamento solitário em condições terríveis na Hungria, um país que é hostil às pessoas queer. Como pessoa não binária, Maja não pode esperar um julgamento justo na Hungria, e é inaceitável que Maja permaneça na prisão. Pedimos seu retorno e enviamos a ela todo o nosso apoio e força!
 
Fonte: https://renverse.co/infos-locales/article/rassemblement-en-soutien-a-maja-7583
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/07/03/hungria-a-antifascista-maja-esta-hospitalizada-esta-em-greve-de-fome-ha-um-mes-contra-sua-prisao/
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/06/09/hungria-maja-esta-em-greve-de-fome/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Vagarosamente
caminha sobre o papel —
Mosca de inverno.
 
Teruko Oda

Os interesses espúrios do Congresso e de Lula

Nas últimas semanas, as polêmicas envolvendo o aumento de energia elétrica, a derrubada dos decretos do IOF e o aumento do número de cadeiras para deputados no Congresso têm levantado o debate em torno do orçamento público no Brasil.

O Governo Lula e seus satélites (CUT, MST, MTST, PSOL e outros) procuram alavancar a narrativa de que a culpa pelos cortes e medidas anti-povo é resultado da composição do Congresso, mas escondem medidas que pavimentam o caminho do ultraliberalismo brasileiro.

As meia-verdades contadas pelo Governo

De início, cabe salientar que a campanha “Congresso inimigo do povo” não parte de uma mentira. O Congresso Nacional é, em sua maioria, (e sempre foi) inimigo do povo, composto majoritariamente por empresários, rentistas, agronegócio e aliados.

A desfaçatez do Congresso, que segue aprovando projetos que elevam os gastos enquanto cobra do governo cortes nas áreas sociais, faz parte de uma prática de fisiologismo que sempre existiu.

Atualmente, essa prática atende a uma ofensiva liberal que visa desgastar o governo Lula em prol de um futuro governo de ultradireita, com benefícios ainda maiores para o rentismo e o agronegócio, e redução mais drástica dos gastos nas áreas sociais.

O Governo precisa de base eleitoral para negociar os direitos do povo

A demanda por maiores cortes em áreas sociais se dá em um contexto em que diversas pesquisas de opinião apontam para redução da popularidade do Governo Lula.

Sabendo que mais cortes em áreas sociais tendem a aumentar a insatisfação da população e colocam em cheque os objetivos eleitorais do PT para 2026, o partido passou a impulsionar campanhas por “justiça tributária” através de mobilizações para “taxação de super-ricos”, fim da escala 6×1, redução da jornada de trabalho e isenção do imposto de renda para trabalhadores que ganham abaixo de 5 mil por mês.

A iniciativa estimulou as bases sociais do Governo e levou a campanhas nas redes sociais, a construção de um plebiscito popular e até alguns atos aparentemente mais radicais, como o protesto da Frente Povo Sem Medo no prédio da Itaú.

Apesar da justeza das pautas e do uso de táticas mais avançadas pela socialdemocracia, não temos ilusões: as ações dos movimentos sociais nesse contexto são utilizadas pelo Governo como ferramenta social para construção de um novo pacto conciliatório rebaixado.

Afinal, as regras do ajuste fiscal que limitam os gastos para educação e saúde foram propostas pelo próprio Governo Lula-Alckmin (PT-PSB) sobre a gerência de Haddad. À época da aprovação do marco fiscal, as ações e protestos contra as medidas eram vistas como “exagero” e a proposta era defendida pelos tecnocratas do PT como “necessária”. 

Na última sexta-feira, dia 04, o próprio Lula em evento da Petrobrás elogiou e agradeceu ao Congresso, pregando conciliação e se colocando como o primeiro presidente que será eleito pela 4ª vez.

É preciso construir o caminho da luta com autonomia de classe

A disputa do fundo público deve ser compreendida como uma expressão da luta de classes, na qual diferentes frações da burguesia e da classe trabalhadora buscam apropriar-se de parcelas do orçamento estatal para atender aos seus interesses econômicos e políticos. O Estado, longe de ser neutro, atua como um instrumento de mediação e reprodução das relações capitalistas, sendo pressionado por diversas forças sociais. Assim, o fundo público torna-se arena de conflitos, em que os capitalistas buscam garantir subsídios, isenções fiscais e investimentos que favoreçam a acumulação de capital, enquanto os trabalhadores e movimentos sociais lutam por políticas públicas, como saúde, educação e assistência social, que atendam às necessidades da maioria. Essa disputa revela a função estrutural do Estado na manutenção da ordem capitalista, ao mesmo tempo em que abre espaço para contradições e possibilidades de avanço das lutas populares.

Assim, é preciso lutar pela taxação dos super ricos (o que vai muito além de mudar a alíquota do IOF); pelo direcionamento de verbas para políticas públicas sociais; pelo direito à terra e contra medidas de austeridade, sejam elas implementadas por um Governo dito de esquerda ou pelo Congresso.

Para que as lutas não sejam traídas e se transformem em conquistas reais, é necessário avançar na construção de organizações de base autônomas, desvinculadas de partidos políticos eleitorais, que não subjuguem as lutas reais a interesses particulares.

A FOB possui como princípio a defesa da democracia de base em suas organizações. Entendemos que a luta deve ser construída debaixo para cima, com autonomia de classe e ação direta.

Conheça a FOB e construa a luta pelos direitos do povo!

Pelo fim da escala 6×1, pela revogação das reformas da previdência e trabalhista e pela taxação das grandes fortunas!

Por uma sociedade fraterna com terra, trabalho e liberdade para todos!

lutafob.org

agência de notícias anarquistas-ana

Pasto ressecado —
Faminto, desengonçado
pousa o urubu.

Kazue Yamada

Em defesa da Mãe Natureza e dos animais! Foda-se Lula e o mundo do petróleo!!! 

Chamado a ações de solidariedade nos dias 9 a 11 de agosto, aniversário da revolta bielorrussa de 2020

O quinto aniversário da revolta contra a ditadura de Lukashenko está se aproximando. A repressão em larga escala suprimiu temporariamente a resistência massiva ao regime, e uma série de eventos trágicos no cenário mundial ofuscou a agenda bielorrussa. Com que emoções marcamos esse aniversário? Alguns com nostalgia, outros com esperança, outros apenas com cansaço e decepção. Para muitos, o entusiasmo e a unidade daqueles dias foram substituídos por apatia e desunião.
 
No entanto, os eventos de 2020 não são apenas história. São uma experiência de luta conjunta, de conquistas e de erros. Essa experiência passou a fazer parte da formação da vida política do país e já inspira novas gerações tanto em Belarus quanto fora dela. Por meio da revolta de 2020 e da organização política que se seguiu, encontramos uns aos outros e nosso lugar em uma sociedade que o regime e o “mundo russo” apresentavam como um rebanho obediente.
 
Naquele verão ardente, sentimos o poder da ação coletiva e vimos a força de uma insurreição popular auto-organizada. Isso foi possível porque cada um de nós decidiu participar. Se arriscar, acreditar, não ficar de braços cruzados.
 
É por isso que convocamos nossos camaradas em diferentes cidades a se juntarem às ações da diáspora ou a organizarem seus próprios eventos. Vamos lembrar a todos ao nosso redor que não existem apenas o estado e sua repressão, mas também o desejo inquebrantável dos povos por justiça, liberdade e igualdade.
 
Até que todos sejam livres!
 
Pramen
https://pramen.io
 
Tradução > Contrafatual
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/08/06/polonia-24-de-agosto-varsovia-15-anos-da-cruz-negra-anarquista-da-bielorrussia/
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/08/08/polonia-em-varsovia-anarquistas-participarao-de-uma-passeata-dedicada-ao-terceiro-aniversario-dos-protestos-na-bielorrussia/
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/03/24/noticias-sobre-presos-politicos-anarquistas-na-bielorrussia-fevereiro-de-2023/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
dissolve-se a tarde
no alarido das araras
e em flocos de chumbo
 
Zemaria Pinto

[Argentina] Comunicado pelos 90 anos da Biblioteca Popular José Ingenieros

Ao completar 90 anos de fundação, celebramos a existência combativa da Biblioteca Popular José Ingenieros. Não é um mero aniversário: é a reafirmação de um projeto revolucionário que se ergue, desde suas origens, como trincheira de resistência e organização popular.
 
Esta biblioteca, nascida do impulso generoso de trabalhadoras e trabalhadores calçadistas, sempre soube ser muito mais que estantes e livros. Foi um espaço de encontro, formação, crítica e construção coletiva. Aqui se semeiam ideias que não admitem domesticação, que rejeitam a ordem injusta, que se rebelam contra o esquecimento imposto pelos de cima.
 
Em tempos em que o sistema capitalista aprofunda sua matriz de dominação, precariedade e alienação, espaços populares de cultura crítica como esta biblioteca são imprescindíveis. São fogões onde se cozinha a dignidade rebelde, onde se escuta a memória das lutas e se projeta o horizonte de uma sociedade sem opressores nem oprimidos.
 
Por isso, este aniversário não é um ato de nostalgia. É um convite urgente a multiplicar as forças militantes, a organizar por baixo, a construir autogestão em cada canto do bairro, da oficina, da escola, do campo. É ocasião para perguntarmos: Que mundo queremos? Que papel estamos dispostos a desempenhar em sua construção?
 
Reivindicamos o legado de quem soube colocar o pensamento e a ação a serviço da emancipação. Não como estátuas imóveis, mas como referências vivas, cuja coerência ética e política deve encarnar em nossa prática cotidiana.
 
Deste presente carregado de desafios, saudamos a Biblioteca Popular José Ingenieros e todas e todos que a sustentaram com militância e convicção. Aos 90 anos de seu nascimento, celebramos sua história, mas sobretudo celebramos seu porvir.
 
Viva a Biblioteca Popular José Ingenieros!
Viva a luta do povo por sua emancipação!
 
Organizar, lutar, criar!
Viva a Anarquia!
 
Tradução > Liberto
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2016/12/13/argentina-a-biblioteca-popular-jose-ingenieros-necessita-tua-solidariedade/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Entre pernas guardas:
casa de água
e uma rajada de pássaros.
 
Olga Savary

[Reino Unido] Armas nucleares em solo britânico

Entre o militarismo escancarado do Partido Trabalhista e um movimento pacifista domesticado, cabe aos anarquistas intensificar a resistência às armas de destruição em massa

~ Ned Skinn’ ~

O patriotismo de bandeirinhas e desfiles para comemorar o 80º aniversário do Dia D tem, por ora, desviado nossa atenção de outro aniversário que se aproxima: o dos bombardeios atômicos sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945. As imagens de destruição e sofrimento humano que se seguiram mostraram uma realidade horrível, refletida em filmes do tipo “como seria”, como Threads. A humanidade prendeu a respiração e decidiu que ninguém queria que aquilo se repetisse. Foi o medo da “destruição mútua assegurada” que, argumenta-se, manteve uma paz nuclear desde então.

Mas agora, pela primeira vez em quase 20 anos, acaba de ser anunciado que armas nucleares norte-americanas voltarão a ser instaladas em solo britânico. O primeiro-ministro britânico nos diz que devemos nos preparar para a guerra. Fala-se em conscrição e em uma espécie de milícia voluntária ao estilo da “Dad’s Army” (série de TV sobre civis armados na Segunda Guerra). A imprensa de direita tenta nos vender a mentira de que poderíamos sobreviver a um confronto nuclear. Empresas estão sendo orientadas sobre como se manter operacionais durante a guerra. Até “inimigos internos”, como o grupo Palestine Action, estão sendo alvos, com o aumento dos poderes policiais para reprimir possíveis agitações civis.

Diante de tudo isso, o movimento anarquista neste país tem uma longa história de envolvimento com o antimilitarismo e com a resistência às armas nucleares. Boa parte dela, talvez, esquecida. Pode ser útil relembrar esse passado.

Logo após o início dos testes nucleares britânicos, em 1952, surgiu a primeira geração de manifestantes antinucleares, com a formação da Campanha pelo Desarmamento Nuclear (Campaign for Nuclear Disarmament – CND) e o mais radical Comitê dos 100 (Committee of 100). Esses movimentos tinham amplo apoio popular, e não demorou para que o Partido Trabalhista percebesse o potencial eleitoral dessa base. A preocupação pública, especialmente após a crise dos mísseis de Cuba em 1962, fez com que muitos acreditassem na promessa trabalhista: “Vote em nós e baniremos a bomba!”.

Como antimilitaristas, os anarquistas já participavam de lutas contra a guerra anteriormente e alertavam que o Partido Trabalhista não era confiável. E, de fato, em 1964, o Partido Trabalhista voltou ao poder com a bandeira “banir a bomba”, e não perdeu tempo em seguir desenvolvendo o arsenal nuclear britânico. Essas mentiras e traições deveriam ter sido lições a serem lembradas para sempre.

Infelizmente, como muitos movimentos com origens radicais, a CND e outras organizações pacifistas passaram a ser lideradas por liberais de classe média, pacifistas cristãos e socialistas estatais “entristas”. Desde então, gerações de pessoas desejando “fazer algo” foram atraídas para o mesmo beco sem saída: escrever cartas a políticos, participar de marchas e serem incentivadas a “votar no Partido Trabalhista, sem ilusões”, repetidas vezes. Essa postura se manteve durante a intensificação da Guerra Fria nos anos 1980. Apesar das manifestações em massa e do acampamento em Greenham Common, a liderança do movimento pacifista continuou canalizando tudo para protestos inofensivos e para a política eleitoral.

Os anos 1980 também viram o ressurgimento do movimento anarquista. O interesse pelo que mais tarde se tornaria a Class War Federation começou após sua presença nas manifestações da CND. A cena anarcopunk e a atuação de anarquistas nos movimentos pelos direitos dos animais e pelo meio ambiente impulsionaram o interesse em nossas ideias. A ação direta, em todas as suas formas, tornou-se popular. Os ataques dos Tories à classe trabalhadora provocaram greves importantes, como as de mineiros, gráficos e paramédicos, incentivando uma política anarquista de luta de classes e levando à criação de organizações especificamente proletárias, como a Anarchist Communist Federation.

E agora? Só nos resta esperar para ver que efeito os acontecimentos recentes terão sobre a população em geral, especialmente a classe trabalhadora. Acredito que talvez as coisas precisem piorar antes de melhorar. Com o crescente autoritarismo e militarismo da sociedade, e com os esforços intensificados para reprimir a dissidência, o governo trabalhista está mostrando sua verdadeira face. Até onde a população suportará antes de despertar e agir?

Devemos manter nosso posicionamento antimilitarista e apontar o fato evidente: o Partido Trabalhista não é a solução, mas parte do problema. Isso colocará a esquerda em um dilema, então, mesmo sendo poucos, devemos agir e falar com integridade. Precisamos nos cuidar, mas também nos levantar, gritar e nos organizar. É o anarquismo que pode fornecer a faísca que acenderá a chama da mudança. Só precisamos riscar o fósforo.

Imagem do topo: Bloqueio antinuclear em Faslane, 15 de abril de 2013. Ric Lander no Flickr – CC BY-NC-SA 2.0

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2025/06/28/nuclear-weapons-on-british-soil/

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

é quase noitinha
o céu entorna no poente
um copo de vinho

Humberto del Maestro

[Europa] Ações de solidariedade com Maja T, antifascista em greve de fome

Pai de ativista caminha até Berlim com 100.000 assinaturas para “exigir justiça por sua criança” presa em Budapeste
 
~ Alisa-Ece Tohumcu ~
 
Nos últimos dias, ações de solidariedade vêm sendo realizadas em apoio a Maja T, ativista antifascista não-binárie e uma das pessoas acusadas no caso de Budapeste. Maja, em greve de fome desde 5 de junho, foi transferide na terça-feira para um hospital prisional próximo à fronteira com a Romênia, em estado crítico. Segundo familiares, elu perdeu cerca de doze quilos.
 
Sua extradição da Alemanha para a Hungria, em 2024, foi considerada ilegal pelo Tribunal Constitucional Federal em abril. Ainda assim, Maja permanece em prisão preventiva sob o que apoiadores denunciam como “tortura branca”: isolamento total, vigilância 24 horas, negação da terapia hormonal e comunicação extremamente limitada.
 
Houve manifestações em Berlim, Dresden, Viena, Düsseldorf, Jena e outras cidades. No dia 25 de junho, integrantes da rede de apoio Free Maja interromperam uma sessão do Parlamento Estadual da Saxônia, exigindo que o Ministro-Presidente Michael Kretschmer (CDU) acatasse a decisão judicial. Kretschmer desdenhou do protesto, afirmando que suas políticas são “para a classe média”.
 
Nos dias 1º e 2 de julho, manifestações barulhentas ocorreram diariamente diante da Chancelaria Estadual da Saxônia. “Continuaremos até que Maja esteja de volta conosco”, declarou o Comitê de Solidariedade Antifascista de Dresden. Ativistas responsabilizam o governo de Kretschmer por viabilizar a extradição e manter laços com o partido governista Fidesz da Hungria.
 
Maja é une dentre vários antifascistas acusades de envolvimento num ataque ao evento “Dia da Honra” de fevereiro de 2023 em Budapeste, uma reunião anual de grupos neonazistas. Elu foi prese em Berlim em dezembro de 2023 e extradade em julho seguinte, antes do término de sua apelação judicial, o que, segundo críticas, viola tanto os padrões constitucionais alemães quanto a Convenção Europeia de Direitos Humanos.
 
Wolfram Jarosch, pai de Maja, iniciou uma caminhada de mais de 300 quilômetros, de Jena até Berlim. Ele leva consigo uma petição com 100.000 assinaturas exigindo a intervenção do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha. “Cada dia na prisão representa um risco para a vida da minha criança”, afirmou. “A inação política coloca Maja em perigo direto.”
 
Em Schwelm, ativistas danificaram uma agência do Deutsche Bank no dia 22 de junho, citando o envolvimento da instituição no financiamento da indústria bélica global. Em 2 de julho, militantes picharam a sede do partido CDU em Hamburgo, responsabilizando-o pela detenção de Maja. “Não descansaremos até que Maja esteja de volta conosco”, escreveram.
 
As próprias palavras de Maja, divulgadas em uma carta contrabandeada, têm sido amplamente citadas: “A solidariedade me dá forças para continuar lutando, não apenas por melhores condições nas prisões da Hungria, mas pela liberdade de todos os presos políticos”. Estão previstas novas manifestações e encontros de organização, incluindo um evento público em Dresden no dia 7 de julho.
 
Fonte: https://freedomnews.org.uk/2025/07/03/solidarity-actions-with-hunger-striking-antifascist-maja-t/  
 
Tradução > Contrafatual
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/06/09/hungria-maja-esta-em-greve-de-fome/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
O espelho d’água
Reflete em múltiplos tons
O voo da libélula.
 
João de Deus Souto Filho

[Argentina] Já saiu a Ovelha Negra Nº 100!

Nesta edição de julho de 2025:
 
• Natalidade e Capital na Argentina. Ontem diziam que os pobres “têm filhos para receber auxílios sociais”; hoje dizem que “a Argentina ficará despovoada”. Como a questão populacional é fundamental para compreender esta sociedade e suas transformações, abordamos o tema.
 
• Completamos 100 edições e não adormecemos. É uma alegria manter a constância na periodicidade do boletim durante todos esses anos e compartilhar a significativa centésima edição.
 
• Novo número dos Cadernos de Negação: Notas sobre aborto, gênero e população.
 
• Vozes do Irã. Na Temperamento Rádio, amplificamos testemunhos e panfletos dessa região sitiada por dois Estados.
 
Site do boletim para ler esta e edições anteriores:
 
https://boletinlaovejanegra.blogspot.com/
 
Para quem quiser colaborar e apoiar financeiramente este boletim de distribuição gratuita podem o fazer por aqui:
 
https://biblioteca-ghiraldo.com.ar/aportes#region
 
Tradução > Liberto
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Um vulto se afasta
mergulhado bruma adentro.
Fria despedida
 
Alberto Murata

[Itália] Obrigadx a todxs! 80 anos de anarquia!

Segue o discurso feito no palco antes do show (pra quem não estava) e algumas fotos.

Olá a todxs e obrigadx por estarem conosco esta noite.

Antes de começar, queríamos agradecer às Officine Sociali por receberem este evento, ao Muro del Canto, ao Mister X e à Miss Deesaster pelo DJ set, à Roberta pelo som, e a todxs que de alguma forma nos apoiaram.

Como sabem, hoje celebramos 80 anos desde a fundação do nosso grupo em 1945. Naquele ano, companheiros e companheiras que viveram décadas de ditadura fascista – mantendo a luta de formas diversas, muitas vezes pagando um preço alto – reuniram-se para retomar os fios da militância.

Uma longa história, a do grupo, que vocês podem conferir na última edição do [jornal] Germinal.

Décadas depois, seguimos aqui teimosamente defendendo as ideias de liberdade, igualdade e solidariedade.

Nosso Grupo é parte inseparável da história desta cidade. Resistiu ao tempo, renovou-se geração após geração – sem santos no céu nem apoios de cima – graças à participação direta (seja constante ou pontual) de tantxs que ao longo dos anos se identificaram com o discurso anarquista.

Mas o que é o anarquismo para nós?

Para nós, anarquismo é sinônimo de organização: assembleias horizontais, de baixo para cima, sem hierarquias.

É autogestão, é autofinanciamento – assim como o evento de que vocês participam hoje. Por isso, convidamos todxs a serem generosxs!

Anarquismo é ação direta, é ação coletiva, contra toda forma de delegação ou atalhos ilusórios institucionais.

Nesses 80 anos, fizemos uma porção de coisas e, com certeza, também cometemos erros. Promovemos e participamos de incontáveis lutas. Em muitos casos, perdemos; vez ou outra, conquistamos algumas vitórias.

Mas qual é, hoje, o sentido do anarquismo? Da luta por um mundo diferente?

O sistema social, econômico e político em que vivemos mostra, dia após dia, sinais de uma crise irreversível que já ameaça a própria vida no planeta.

As guerras são uma realidade brutal no nosso presente.

Nossas cidades estão cada vez mais militarizadas, controladas, moldadas apenas para servir ao turismo de massa.

A repressão social e política cresce exponencialmente.

Fronteiras e muros se erguem cada vez mais, seguindo ceifando vidas – da rota balcânica àquele cemitério a céu aberto chamado Mediterrâneo.

Mesmo que o mundo pareça ir na direção oposta, e que nenhuma alternativa radical pareça possível no horizonte, seguimos teimosamente acreditando que uma sociedade de pessoas livres e iguais, solidárias e autônomas, sem Estados e sem fronteiras, não só é possível, como é a única utopia pela qual vale a pena lutar.

Nesse sentido, nosso pensamento vai para todas as lutas ao redor do mundo que buscam mostrar que é possível viver de outro jeito: do Rojava ao Chiapas, das ZADs (Zonas a Defender) aos momentos mais intensos da luta no Vale de Susa (Valsusa) contra o TAV (Trem de Alta Velocidade), e tantas outras.

Sabemos que nossa proposta política não é simples e que o trabalho pela frente é imenso.

Mas também sabemos que algumas coisas já podem ser feitas agora: criar espaços de autogestão e socialidade não mercantilizada nos bairros, promover redes de solidariedade e apoio mútuo, expor as atrocidades das instituições, combater passo a passo os mil projetos nefastos de devastação do território, do meio ambiente e dos serviços públicos.

Não nos deixemos vencer pela resignação e pela passividade! Vamos colocar em ação nossas inteligências e nossas paixões. Nós faremos nossa parte.

Queremos terminar com uma saudação e uma dedicatória.

Queremos saudar o companheiro “Stecco”, preso na cadeia de Sanremo e condenado a longos anos de detenção por sua militância anarquista. Com o Luca, percorremos um trecho do caminho juntos, e nunca faltaram solidariedade e apoio. Convidamos vocês a escreverem para ele: peçam o endereço em nossa bancada.

Por fim, queremos dedicar esta noite a Alessandro Morena, companheiro da região de Isonzo, falecido há algumas semanas. Recordamos todas as companheiras e companheiros que vieram antes de nós e que já não estão aqui. Se estamos aqui, se vocês estão aqui, devemos isso a eles também.

Por eles também, continuaremos a fazer o possível e a espalhar a plenos pulmões as sementes da anarquia!

Grupo Anárquico Germinal

Fonte: https://germinalts.noblogs.org/post/2025/06/30/grazie-a-tutt-80-anni-di-anarchia/2/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Subo a ladeira.
A pata-de-vaca florindo
timidamente.

Yara Shimada

[Galícia] IV Feira do Livro Anarquista da Corunha

Nos dias 12 e 13 de julho, acontecerá a Feira do Livro Anarquista da Corunha, com a participação de mais de vinte editoras galegas, portuguesas e espanholas, tendo como tema central o anarcofeminismo.

Este ano, a Feira do Livro Anarquista da Corunha (FLAC) celebra sua quarta edição. As três anteriores, realizadas entre 2021 e 2023, estabeleceram as bases do que é hoje a feira: um espaço de encontro, debate e visibilidade do pensamento anarquista a partir de uma perspectiva plural. Na primeira edição, a FLAC focou na relação entre o anarquismo galego e o português. Na segunda, o tema central foi o ecologismo social, com mesas-redondas sobre crise climática, extrativismo e alternativas comunitárias. A terceira edição foi dedicada ao anarquismo e à organização, abordando debates sobre modelos organizativos e estratégias do anarquismo no século XXI.

Diferentemente dos encontros anteriores, realizados em setembro, este ano a feira acontecerá em julho, servindo como encerramento do Seminário de Estudos Libertários Galegos (SELG) e conectando-se com a celebração do Dia das Papoulas Libertárias. O tema desta edição é o anarcofeminismo, abordado por meio de uma rota, uma exposição, uma oficina de fanzines, uma peça de teatro e, claro, diversas apresentações de livros, conferências e mesas-redondas.

O evento ocorrerá no bairro do Orzán, em A Corunha, um local central para a memória da cultura libertária galega, pois foi sede das principais editoras e jornais anarquistas galegos desde o final do século XIX. Os stands de venda de livros ficarão na praça de San Andrés, e as apresentações acontecerão no Circo de Artesáns, instituição centenária que abrigou as primeiras sociedades operárias da cidade. Como nas edições anteriores, a FLAC se estenderá pelos bares e cafés do bairro, que receberão algumas apresentações e peças de uma exposição descentralizada sobre mulheres anarquistas na história, organizada pelo Ateneu Libertário A Engranaxe, de Lugo.

Os stands de venda e as apresentações de livros ocorrerão durante todo o sábado, 12 de julho, e na manhã de domingo, 13 de julho. Os títulos apresentados abrangerão desde histórias de militância anarcofeminista até ensaios de teoria política. Destaque para a publicação do anuário do SELG, que reúne as palestras do curso atual, abordando o anarcofeminismo de forma ampla e profunda. O anuário começa com uma introdução aos fundamentos teóricos e à evolução histórica do movimento, desde suas origens nos movimentos operários até as lutas contemporâneas contra o patriarcado, o Estado e o capitalismo. Em seguida, recupera a memória das mulheres anarquistas galegas, destacando seu papel no movimento operário e na resistência antifranquista, além das dificuldades em documentar suas histórias devido à escassez de fontes. A publicação também explora dissidências silenciadas, dando voz a experiências de mulheres migrantes, trabalhadoras sexuais e ativistas, e promovendo reflexões coletivas sobre suas trajetórias. Por fim, o anuário aborda os desafios atuais do ativismo libertário, especialmente em relação aos cuidados, à diversidade, ao antipunitivismo e à gestão de conflitos, defendendo a construção de espaços mais abertos, seguros e transformadores.

Além do ensaio histórico e político, haverá espaço para a apresentação de quadrinhos e antologias de poetas libertárias. Junto às apresentações, ocorrerão mesas-redondas e conversas sobre temas como as estratégias de resistência das mulheres rurais galegas durante o franquismo. Também haverá formatos interativos, como uma oficina de fanzines feministas, organizada pelo coletivo Autobán, que realiza anualmente um festival de autoedição.

Como novidade, no domingo ao meio-dia, haverá uma sessão musical aberta, destacando o papel das mulheres na tradição musical popular da Galiza. Esta foliada libertária contará com cantoras e percussionistas que resgatam a memória oral da dissidência e da rebeldia por meio do canto coletivo.

As celebrações começarão dois dias antes da feira, em 10 de julho, com o Dia das Papoulas Libertárias. Organizado pelo coletivo Refuxios da Memoria, esta data homenageia as mulheres anarquistas do bairro de Atochas, que teceram uma rede de resistência contra o nacional-catolicismo nos primeiros anos do franquismo. Essas mulheres foram protagonistas da resistência antifranquista em A Corunha, arriscando suas vidas e usando suas casas como refúgios para militantes perseguidos. Em 10 de julho de 1937, muitas delas foram assassinadas após a infiltração de um espião da Guarda Civil. Desde 2017, o coletivo Refuxios da Memoria celebra sua memória com palestras, rotas e festas no bairro.

Este ano, o Dia das Papoulas incluirá uma rota pelos locais que foram refúgios dessas mulheres, além de espaços de socialização libertária e patrimônio operário ainda existentes no bairro, contrastando com a atual especulação imobiliária. Na sexta-feira, 11 de julho, como ponte entre os eventos, será encenada no Circo de Artesáns a peça Casas-Refúgio: Uma história das mulheres libertárias, de Helena Salgueiro, seguida de uma festa de inauguração da exposição sobre mulheres anarquistas na história.

As inscrições para editoras e autoras que desejem participar com stands ou apresentações estão abertas até 15 de junho. Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail flac@refuxiosdamemoria.org. A feira busca ser um espaço de encontro, aprendizado mútuo e celebração da criatividade e da resistência.

Assim, por meio de livros, palavras, cantos e imagens, a IV Feira do Livro Anarquista de A Corunha aspira não apenas a difundir o pensamento libertário, mas também a construir, junto àqueles que lutaram no passado, novos espaços de liberdade e organização.

Instagram: @refuxios_da_memoria

Twitter: @refuxios

Fonte: https://www.todoporhacer.org/feira-libro-anarquista-corunha/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Imersa em neblina
a cidade se reveste
de um tom de nostalgia…

Delores Pires

[Espanha] A homenagem socialista espanhola a Kropotkin

por Eduardo Montagut | 18/06/2025

Em 1º de fevereiro de 1921, o jornal El Socialista prestou homenagem, em sua primeira página, à figura de Piotr Kropotkin, “príncipe, escritor e revolucionário russo”. Relembramos o que o jornal relatou sobre sua vida e obra, no centenário da morte dessa personagem fundamental.

O jornal revisava sua trajetória desde o nascimento em Moscou, no ano de 1842, em uma família da nobreza. Após realizar brilhantes estudos na escola de pajens de São Petersburgo, passou a servir no exército da Sibéria, destacando-se no serviço. Depois da insurreição na Polônia, abandonou a carreira militar e se dedicou à ciência, exercendo o cargo de secretário de uma Seção da Sociedade Geográfica.

Em 1872, durante uma viagem pela Suíça e Alemanha, decidiu ingressar na Internacional. Ao retornar à Rússia, entregou-se com entusiasmo à propaganda. Foi preso em 1874, julgado e condenado a vários anos de prisão, mas conseguiu escapar. Mudou-se para a Inglaterra e Suíça, onde viveria por muitos anos. O jornal socialista afirmava que, a partir da Suíça, assumiu a direção do movimento anarquista, fundando e dirigindo o jornal La Révolté. Como foi expulso do país helvético, passou a residir na França. Foi processado em consequência do atentado na praça Bellecour e condenado, em 1883, a cinco anos de prisão e a uma multa de dois mil francos. Foi indultado em 1886, decidindo retornar à Inglaterra. Viveu nos arredores de Londres até a eclosão da Revolução Russa. Mudou-se para Dimitrov, onde faleceu.

El Socialista afirmava que ele fora um eminente teórico “e uma das figuras mais relevantes da escola utopista”. Era um homem pacífico, muito trabalhador e afável, o que lhe granjeou muitos amigos e admiradores em todos os “partidos avançados” da Europa. Também dizia que Kropotkin tinha especial afeição pela Espanha, cujo movimento operário conhecia bem.

O jornal destacava, entre suas numerosas obras: Palavras de Rebeldia (1885), As Prisões da Rússia e da França (1890), A Conquista do Pão (1892), A Grande Revolução (1893), A Anarquia, sua Filosofia e seu Ideal (1896) e, sobretudo, Memórias de um Revolucionário, considerada um modelo de autobiografia. Conforme informado, Kropotkin estava preparando uma obra sobre a Revolução, a qual apoiava, embora discordasse dos métodos empregados pelos que estavam no poder.

Consultamos a edição nº 3737 de El Socialista.

Fonte: https://www.entreletras.eu/temas/el-homenaje-socialista-espanol-a-kropotkin/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

a luz do poente
escala a alta montanha;
no cume será a noite.

Alaor Chaves

[Reino Unido] Revista Muntjac |Chamada para Artigos – Edição 3: Espiritualidade

Estamos em busca de artigos, poesias, prosas, entrevistas*, respostas diretas a outros textos e resenhas de livros/filmes sobre Espiritualidade, escritas por anarquistas e antiautoritários da Maioria Global**. O prazo para envio de contribuições se encerra em 1º de outubro, e a revista será lançada na Noite dos Mártires Anarquistas (11 de novembro)***.

Sempre existiu uma relação conflituosa entre religião, misticismo, espiritualidade e anarquismo. Temos visto isso acontecer inúmeras vezes online, em espaços de organização e nos movimentos dos quais fazemos parte. Algumas pessoas consideram essas esferas incompatíveis com o pensamento anarquista; outras possuem crenças fundamentadas em forças (não) transcendentais, sem precisar da religião para explicá-las; enquanto há quem veja nos espectros religiosos e espirituais práticas que correm em paralelo aos seus ideais anarquistas.

Poucas publicações abordaram a questão da (in)compatibilidade entre essas ideologias, e menos ainda criaram espaço para explorar todas as posições intermediárias.

Encorajamos contribuições de todas as pessoas, crentes e descrentes, praticantes, céticas e desiludidas. O objetivo desta edição é inspirar pensamento crítico e discussão. As áreas de enfoque podem incluir (mas não se limitam a): anarquismo religioso/espiritual/místico, interpretações anarquistas de religiões abraâmicas, paralelos entre anarquismo e religião/espiritualidade/misticismo e poder, teologia anarquista etc.

Aceitamos textos em qualquer idioma, desde que possamos traduzi-los com ferramentas online ou que você esteja disposto a fornecer versões em inglês e no outro idioma. Não é necessário escrever em registro acadêmico. Não há um mínimo de extensão, e o máximo sugerido é de cerca de 4.000 palavras. Textos mais longos podem ser mais adequados como zines individuais (e ficaremos felizes em ajudar nisso!).

Envie para: fawnarchy@grrlz.net (sinta-se livre para usar https://tempr.email)

ou

Fale conosco no Signal: @ muntjac161.96

Preferimos que as pessoas enviem seus textos como texto simples no corpo do e-mail ou mensagem no Signal (em vez de anexar arquivos em CryptPad, Google Drive, Word, Open Office ou ZIP), pois esses formatos exigem mais tempo de reformatação e atrasam nossas respostas.

Nosso único conselho é: seja honesto, seja vulnerável. Nós, enquanto coletivo, somos bastante diversos: alguns de nós fomos criados em comunidades conservadoras religiosas na diáspora aqui na Inglaterra, alguns se afastaram da espiritualidade com o tempo, outros se converteram, outros são verdadeiros crentes, e há quem pertença a grupos etno religiosos perseguidos, que só estão aqui por causa da opressão exercida por poderes hegemônicos regionais.

Alguns de nós têm altares. Outros jamais se ajoelhariam diante de um.

* Podemos conduzir entrevistas, se você pedir com gentileza e nos der tempo e contexto suficientes.

** Maioria Global, neste contexto, refere-se aos povos que compõem a maioria da população mundial, ou seja, todas as pessoas que não são brancas.

*** “Os galleanistas comemoravam três datas por ano: o aniversário do início da Comuna de Paris (18 de março), o Primeiro de Maio, e o aniversário das execuções de Haymarket (11 de novembro). Alguns de nós têm celebrado o 11 de novembro como a Noite dos Mártires Anarquistas nos últimos quatro anos, e propomos uma retomada mais ampla dessa tradição dentro da galáxia anarquista. Reúna-se com amizades, leia em voz alta as palavras de ancestrais anarquistas que morreram pela Anarquia, mas, mais importante ainda, daqueles que viveram por ela. Façam oferendas de fogo e beleza.” [Trecho de T*inderbox, Edição 2: “Dez Teses sobre a Anarquia Espiritual”]

Revista Muntjac

muntjacmag.noblogs.org

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

lerdamente,
a água empurra a água
e o rio flui.

Alaor Chaves

[Rússia] Arrecadação de recursos para a defesa do anarquista Ruslan Sidiki

Em 23 de maio, o anarquista Ruslan Sidiki foi condenado a um recorde de 29 anos de prisão. Ele recebeu essa sentença por duas ações de sabotagem contra a infraestrutura militar: explodir um trilho de trem e realizar um ataque de drone em um campo de aviação. Ruslan explicou suas ações como uma tentativa de impedir ataques à Ucrânia.
 
Ruslan planejou cuidadosamente as ações para evitar vítimas. Como resultado do ataque ao aeródromo, a pista foi danificada, e a explosão controlada nos trilhos da ferrovia causou o descarrilamento de 19 vagões de trem de carga.
 
Apesar de não ter havido vítimas, Ruslan foi condenado a 29 anos de prisão! Isso é inconcebível em um país onde o assassinato geralmente acarreta uma sentença de cerca de 10 anos. Nessas condições, não há esperança de justiça – mas Ruslan é um cidadão italiano, portanto, há uma chance de permuta de prisioneiros. O advogado de Ruslan também entrou com uma petição para que ele seja reconhecido como prisioneiro de guerra (de acordo com as Convenções de Genebra, os membros de movimentos de resistência também podem receber o status de prisioneiro de guerra), para aumentar as chances de uma troca.
 
Quando Ruslan foi detido, ele foi brutalmente torturado e depois ameaçado com mais tortura. Esse é mais um motivo pelo qual acreditamos que é essencial fornecer a ele apoio jurídico.
 
Estamos arrecadando 210.000 rublos para pagar o trabalho de um advogado por três meses. Isso inclui a apresentação de uma apelação, visitas a Ruslan e outras ações legais necessárias. Apoie a campanha de arrecadação de fundos! Ninguém deve ficar sem defesa legal!
 
Doações em rublos pela plataforma Zaodno
 
Para doações em moeda estrangeira:
IBAN: DE13 3701 9000 1011 1414 52
BIC: BUNQDE82
Titular do cartão: Anastasiia Bogdanova
PayPal: firesoffreedom@protonmail.com
 
Criptomoeda:
Bitcoin: bc1qx63u6p0tlqd40hpcgeln7sksy2hgm0gekgpw8s
Ethereum: 0xE8A926f292272391707ed1A7b55Db1466F0c0993
Litecoin: LVxHRweSkkwkNHxY432U2swpEUAMWupsrP
USDT (ERC20): 0xE8A926f292272391707ed1A7b55Db1466F0c0993
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Se possível, ao doar por meio de criptomoeda, envie-nos um e-mail para: firesoffreedom@protonmail.com
 
Doar para a defesa legal na Rússia é totalmente legal, e não há precedentes de perseguição por isso. No entanto, se o seu trabalho exigir total anonimato em tais questões, recomendamos o uso da criptomoeda anônima Monero.
 
Escreva para o endereço de Ruslan: Sidiki Ruslan Kasemovich, nascido em 1988, SIZO-2 ul. Krasnaya d.1. a, 391999, Ryazanskaya oblast, g. Ryazhsk, Rússia. Observe que as cartas devem ser escritas em russo – você pode usar as ferramentas de tradução on-line para isso. As cartas também podem ser enviadas por meio do serviço on-line PrisonMail.Online.
 
Fonte: https://avtonom.org/en/news/fundraising-defense-anarchist-ruslan-sidiki
 
Tradução > acervo trans-anarquista
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
Tarde fria de junho —
Vejo, pela primeira vez
flores de cerejeira.
 
Tania Alves

[Hungria] A antifascista Maja está hospitalizada. Está em greve de fome há um mês contra sua prisão

Maja, a antifascista alemã presa na Hungria por participar de manifestações antinazistas em Budapeste em fevereiro de 2023, foi hospitalizada.

Maja está em greve de fome desde o início de junho contra suas condições de prisão: o isolamento constante na cela, baratas e revistas corporais diárias são apenas alguns dos aspectos que Maja denuncia na prisão húngara.

Nesta terça-feira, 1º de julho [de 2025], ela foi internada em um hospital após o agravamento de seu estado de saúde. A internação, no entanto, ocorreu em um hospital na fronteira com a Romênia, a 260 km de Budapeste. Sua saúde, escrevem os companheiros do grupo Free All Antifas, “piorou a tal ponto que foi necessária a hospitalização”.

O Free All Antifas pede pressão sobre os responsáveis pela extradição legal, para que Maja possa retornar à Alemanha.

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Chuvisco hibernal
respinga na água da lagoa…
O cisne desliza.

Helena Liborio Pires

[Suíça] Maja Livre

Em solidariedade antifascista à Maja, invadimos a entrada do Cônsul Honorário da República Federal da Alemanha em Zurique.
 
Após sua extradição ilegal da Alemanha para a Hungria, Maja está em greve de fome desde 5 de junho de 2025. Ela está fazendo isso para lutar contra as condições desumanas na prisão e para protestar contra a ameaça de extradição de outros antifascistas acusados ​​no complexo de Budapeste. Greves de fome são uma ferramenta tradicional usada por revolucionários na prisão para melhorar as condições prisionais e travar uma luta autodeterminada na prisão. Temos grande respeito por todos os lutadores que tomam essa decisão poderosa.

Os ataques contra mulheres e homossexuais não se limitam à Hungria e à Alemanha, mas são uma expressão global de um clima reacionário emergente da crise capitalista. Isso torna a luta antifascista militante uma necessidade. Nos solidarizamos com Maja e todos os antifascistas acusados. Da Hungria a Zurique e ao mundo.
 
Libertem Maja e todos os antifas.
Amor e força para os que estão na clandestinidade e na prisão.
Estamos com vocês.

 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
Convite ao silêncio —
O som das folhas secas
pisadas na trilha.
 
Carlos Martins