Justiça francesa rejeita extradição de antifascista Gino para a Hungria

Juíza cita “risco de violações de direitos garantidos” contra tortura e a um julgamento justo em Budapeste

Por Scott Harris

A câmara de extradição da Corte de Apelação de Paris rejeitou hoje (9 de abril) o pedido de extradição para a Hungria de Rexhino “Gino” Abazaj, antifascista albanês de 32 anos acusado de suposta violência contra neonazistas em Budapeste. Preso em novembro de 2024, Gino já havia sido libertado no final de março sob supervisão judicial, agora suspensa. Caso fosse extraditado, ele poderia enfrentar até 24 anos de prisão. O caso gerou ampla mobilização entre ativistas, sindicatos e políticos.

A presidente da corte citou “riscos de violação” de direitos garantidos por artigos da Convenção Europeia de Direitos Humanos, especialmente os que proíbem tortura e asseguram o direito a um julgamento justo. Gino comemorou a decisão como “muito positiva”, tanto para ele quanto para outros militantes. “Há outros antifascistas perseguidos pela Hungria, outros já presos, mas a França mostrou hoje que não deve se curvar às exigências de um país autoritário e neofascista como a Hungria”, afirmou.

A prisão de Gino se deu por sua suposta participação em confrontos durante o evento da extrema-direita “Dia da Honra”, realizado em Budapeste em 2023. Outras 17 pessoas foram presas no mesmo caso, incluindo a eurodeputada italiana Ilaria Salis, que passou 15 meses em prisão preventiva, Maja T, extraditada para a Hungria no ano passado, e Johann G, detido em novembro. Em janeiro, mais sete antifascistas procurados se entregaram.

Enquanto as autoridades húngaras acusam os antifascistas de integrarem uma “organização criminosa” e cometerem atos violentos, os neonazistas envolvidos nos mesmos confrontos foram liberados sem qualquer processo. Durante o julgamento de Gino, as promessas vagas do governo húngaro sobre condições carcerárias e garantias de um julgamento justo foram duramente criticadas, e a defesa apresentou relatos alarmantes de “tortura branca” nas prisões húngaras, incluindo isolamento permanente e vigilância 24 horas por dia.

Gino ainda pode ser preso se viajar para outros países da União Europeia. Seus apoiadores agora pretendem anular o mandado de prisão europeu expedido a pedido do governo de Viktor Orbán.
 
Fonte: https://freedomnews.org.uk/2025/04/09/french-court-rejects-antifascist-gino-extradition-to-hungary/
 
Tradução > Contrafatual
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/04/04/franca-antifascista-gino-libertado-antes-de-julgamento-de-extradicao/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Em meio ao capim
de onde sopra o vendaval,
lua desta noite.
 
Miura Chora

[Espanha] CGT 1º Maio: Ofensiva anarcossindicalista

Comunicado do Secretariado Permanente do Comitê Confederal da CGT ante o Primeiro de Maio de 2025.

Uma renovada estratégia imperialista está mudando o cenário internacional e nacional. O investimento em armamento por parte dos Estados é agora uma prioridade para o capitalismo mais agressivo e desumanizado. Este gasto suporá aumentar a dívida pública, com elevados interesses que acabarão afetando as questões sociais. Estamos nas mãos de uma minoria oligárquica que tem o controle do planeta e da vida da população mundial.

Por isso, desde a CGT temos a obrigação moral e ética de nos opormos nas ruas. Historicamente as guerras buscam o espólio, o endividamento e o enfrentamento entre os povos. Querem nos enganar com o discurso da “segurança nacional”, quando o que se fortalece é o rearmamento.

A CGT rechaça a proposta do Governo espanhol de aumentar o orçamento para a guerra. Desde a CGT defendemos relações internacionais baseadas na equidade, na justiça social e na solidariedade entre os povos. As armas e os exércitos são totalmente o contrário. Não à OTAN, Bases Fora. Destruição de todos os armamentos e reconversão da indústria armamentista em atividades de desenvolvimento humano.

Ante a crise do meio ambiente e os desastres ecológicos, provocados pelo capitalismo selvagem que assola nosso planeta, a CGT demonstrou na gestão das terríveis consequências da DANA em Valência, que somos uma organização anarcossindicalista com capacidade de resposta, que podemos nos organizar para apoiar a classe trabalhadora e as famílias afetadas. E que também sabemos denunciar os culpados exigindo responsabilidade e consequências legais para os mesmos. Ante a morte das 225 vítimas mortais, a CGT foi o único sindicato que conseguiu a imputação de altos cargos responsáveis pela gestão da DANA e a violação dos direitos laborais.

Não ao genocídio do povo palestino!

Nem guerra entre povos, nem paz entre classes!

Internacionalismo anarcossindicalista entre os povos!

Fonte: Gabinete de imprensa do Comitê Confederal da CGT

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Ao sol da manhã
deslizando sobre a folha
a gota de orvalho.

Alberto Murata

[Grécia] Karditsa: concentração e marcha no contexto da greve geral 

Na quarta-feira, 9 de abril de 2025, foi realizada uma concentração e uma marcha no contexto da greve geral nacional. Durante a manifestação, um grupo de companheiras e companheiros do Espaço Autogerido de Karditsa se aproximou do prédio da Câmara de Comércio de Karditsa e pendurou no telhado do prédio uma faixa gigante sobre os assassinatos cometidos pelo Estado nos últimos anos.

Os bastardos mercenários uniformizados da cidade, os guardas de segurança miseráveis, os cães de guarda da SW (EBE) e outros lacaios fizeram o que sabem fazer para agradar primeiro seus princípios estatistas e depois seus apetites, já que não passam de um bando de rufiões subservientes, intolerantes e fascistas.

Os canalhas dos policiais, com a interferência dos cães da Câmara, intimidaram e ameaçaram os camaradas com prisões, mas só se contentaram em verificar as evidências após a intervenção das pessoas que estavam na concentração. Para pendurar uma faixa que falava de almas assassinadas pelo estado assassino da ND [Nova Democracia] e dos respectivos governos, essa operação foi montada como uma farsa.

Mais uma vez o mundo da luta, da solidariedade, da resistência, da auto-organização, da vida e da liberdade foi atingido pelo mundo do obscurantismo, do fascismo, da repressão, do terrorismo e da morte, o mundo do Estado e de seus bastardos mercenários uniformizados.

Escolhemos lados e nos unimos como um punho para quebrar as correntes da subjugação e, com lutas multiformes, esmagar o Estado e o capitalismo que devastaram nossas vidas e construir um mundo de nós para nós, um mundo de auto-organização, solidariedade e liberdade.

ATAQUE O ESTADO ASSASSINO COM TODOS OS MEIOS, NENHUM CRIME FICARÁ IMPUNE

RESISTÊNCIA – AUTO-ORGANIZAÇÃO – SOLIDARIEDADE – ATAQUE

Espaço Autogerido de Karditsa

agência de notícias anarquistas-ana

A lua minguante
procura com quem falar
na boca da noite

Ronaldo Bomfim

[América Latina] “Anarkiza la punk v.2” – 10 de maio

Boa sorte companheiros e companheiras!

Mentes inquietas, punks subversivos, individualidades insurretas e almas dissidentes com o estabelecido, tal como o ano passado, este 2025 realizaremos a segunda versão do “Anarkiza la Punk”, no próximo sábado 10 de maio, desenvolvendo-se de forma paralela e simultânea em diferentes cidades da América Latina.

A ideia de dar continuidade a este encontro Anarcopunk provêm do impulso de muitos compas amantes do ruído, que buscamos por ênfase no caráter político e confrontacional do Punk, problematizando nossas posições e lutas, afiando nossas ideias contra o poder e buscando refrescar o espírito anárquico do Punk, muitas vezes postergado por tendências apolíticas, comerciais, misóginas ou ambíguas ideologicamente.

Se faz o chamado às pessoas anarcopunk de Caracas, Lima, Cusco, Santa Cruz, La Plata, Córdoba, Rosario, Rio de Janeiro, São Paulo, Cidade do México ou qualquer cidade do território latino americano a motivar-se em levantar esta instância no sábado 10 de maio.

Porfa, se tens contatos nestas ou outras cidades, enviar info para que se contatem e poder enviar-lhes a proposta/convocatória do Anarkiza la Punk 2025.

Cidades confirmadas:

  1. $HILE: Valparaiso / Santiago / Concepcion / Chillan
  2. ARGENTINA: Buenos Aires
  3. COLÔMBIA: Bogotá / Medellin / Ibagué / Manizales
  4. BOLIVIA: La Paz
  5. EQUADOR: Quito
  6. URUGUAI: Montevideu

DIFUNDE, PROPAGA, PARTICIPE, AJUDA E ANARKIZA O PUNK!

agência de notícias anarquistas-ana

Cerejeira silvestre –
Sobre o regato se move
Uma roda d’água.

Kawai Chigetsu

[França] Lançamento: “Ronald Creagh. Nas Asas da Utopia | Refrações Nº 53”

Esta edição da Refractions consiste em uma antologia de artigos publicados na revista que Ronald Creagh ajudou a criar em 1997 e para a qual contribuiu até sua morte em 2023.

Eles refletem suas múltiplas paixões, sua inteligência sempre alerta, sua leitura esvoaçante. Ele fala sobre utopias, internet, política internacional e, é claro, Elisée Reclus, em diálogo com a equipe editorial e outros colaboradores.

Em homenagem ao nosso amigo e autor Ronald Creagh, falecido em 2023, decidimos distribuir este número especial da revista Réfractions.

Refrações. Pesquisa e Expressões Anarquistas

Desde 1997, a revista Réfractions privilegia o pensamento crítico e a pluralidade de abordagens, ora conflituosas, até antagônicas, na busca de uma compreensão libertária do mundo.

Índice

– Introdução Geral (Marianne Enckell)
– Espécies de Liberdades (Ronald Creagh)
– Minha Vida no Ciberespaço (Ronald Creagh)
– Tempo explicado para quem não tem (Ronald Creagh)
– A Nova Ordem Cínica (Ronald Creagh)
– O horror etnocrático: três perguntas sobre o Oriente Médio (Ronald Creagh)
– Sobre o uso adequado do antifascismo (Ronald Creagh)
– Recluso, ou a Grande Narrativa da Terra (Ronald Creagh)
– RA Forum, um site, filiais, uma aventura (Pierre Sommermeyer)
– O iconoclasta e o bibliotecário (Danièle Haas)
– Santo Ronald! (Alain Thévenet)
– Ronald, Livros, Canções e um Oceano de Bondade (Isabelle Felici)
– “Ronald, Cabeça de Mula”. Peças Selecionadas (Jean-Jacques Gandini)
– Envelhecimento sem impedimentos (Claire Auzias)

Ronald Creagh. Sur les ailes de l’utopie | Réfractions n° 53
Abril de 2025
184 páginas
Formato 12 por 20
Preço de varejo: 15,00 EUR
atelierdecreationlibertaire.com

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/09/12/ronald-creagh-morre-aos-94-anos-em-montpellier-franca/

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Sobre o telhado
flores de castanheiro
ignoradas.

Matsuo Bashô

[França] McDonald’s incendiado em apoio à Palestina

Na noite de 7 para 8 de abril, um canteiro de obras do McDonald’s em Montrabé, perto de Toulouse, foi devastado por um incêndio reivindicado pelo coletivo “Les Frites Insoumises”.

“Queimem o McDonald’s, libertem Gaza ” é o título da declaração de reivindicações enviada a diversas plataformas anarquistas e antiautoritárias. Esses ativistas acusam a marca americana de cumplicidade em “genocídio” com o estado israelense. A empresa é acusada de ter oferecido refeições a soldados israelenses após o pogrom de 7 de outubro de 2023.

“Com esta ação, denunciamos o papel desempenhado pelo McDonald’s nesta abordagem macabra, como se não bastassem os danos ambientais e à saúde pública e a normalização das nossas vidas”, acrescentam na declaração.

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Bananeira ao vendaval de outono –
Noite de ouvir a chuva
Pingando numa bacia.

Bashô

[Grécia] Tessalônica: Primeira reunião de gestão do Centro Libertário “No Pasaran”

PRIMEIRA REUNIÃO-ASSEMBLEIA PARA A CRIAÇÃO DA ASSEMBLEIA GERENCIAL DO CENTRO LIBERTÁRIO “NO PASARAN”: SEXTA-FEIRA, 11 DE ABRIL, ÀS 19H.

O centro libertário “No Pasaran” é um espaço político e social autogerido no centro de Tessalônica, no cruzamento das ruas Iasonidou e Arrianou. Seu funcionamento se baseia nos princípios de auto-organização e solidariedade, é uma tentativa de territorializar o anarquismo organizado no centro da cidade e, ao mesmo tempo, é o espaço político do Coletivo Preto e Vermelho pelo Anarquismo Social, membro da Organização Política Anarquista. Nos últimos 2 anos de funcionamento, o local sediou centenas de processos e eventos políticos e culturais, desde assembleias, eventos políticos, apresentações de livros, coleta de itens essenciais até noites musicais e exibições de filmes. Em um momento de ataque total do poder, do Estado e do capital, contra a base social como um todo, mas mais especificamente contra o movimento anarquista e os espaços de resistência e auto-organização, convidamos a população do bairro e todos que desejarem auxiliar na gestão do centro, na organização de seu funcionamento e de suas ações para o primeiro encontro-assembleia na sexta-feira, 11 de abril, às 19h, no cruzamento das ruas Iasonidou e Arrianou. Convocamos todos os trabalhadores, estudantes, alunas e desempregados a se reunirem e criarem estruturas de auto-organização social, resistência militante e solidariedade de classe. Não deixemos nossos bairros à mercê dos patrões e da repressão, construamos pontos de encontro e desenvolvamos uma política e cultura libertárias.

landandfreedom.gr

agência de notícias anarquistas-ana

chuva lá fora –
os pássaros, molhados,
foram embora

Carlos Seabra

[Itália] Solicitam entre 5 anos e 6 meses a 7 anos de cárcere para os processados pela Operação Scripta Scelera

A INQUISIÇÃO EM FUNCIONAMIENTO. SOLICITAM ENTRE 5 ANOS E 6 MESES A 7 ANOS DE CÁRCERE PARA OS PROCESSADOS NO JULGAMENTO MASSIVO DERIVADO DA OPERAÇÃO SCRIPTA SCELERA


Na terça-feira, 1º de abril, aconteceu em Massa uma das audiências mais importantes do julgamento contra quatro anarquistas acusados na Operação Scripta Scelera pela edição e distribuição da publicação quinzenal anarquista internacionalista “Bezmotivny”. A partir das 12h00 aconteceram as intervenções com microfone e faixa na Piazza Palma, e a partir das 15h00 houve presença na sala dos companheiros solidários presentes.

No transcurso da audiência, o Promotor Manotti, da Direção de Distrito Antimáfia e Antiterrorismo de Gênova, apresentou seu texto de acusação e, em seguida, expôs as petições de condenação contra os acusados em relação com as duas acusações do processo: incitação a cometer delitos com a circunstância agravante de finalidade terrorista (assim como apologia dos delitos terroristas) e ofensa à honra ou ao prestígio do Presidente da República. Não solicitou, no entanto, condenação pela circunstância agravante de ter cometido o delito mediante ferramentas informáticas ou telemáticas.

Estas são as peticiones: 7 anos de cárcere para Gino, 6 anos para Luigi (com a revogação da suspensão da pena por uma condenação anterior que lhe impôs o Tribunal de Ravena), 5 anos e 6 meses para Gaia e Paolo. Na terça-feira, 8 de abril, de novo às 15h00 horas no tribunal de Piazza De Gasperi, se celebrará a audiência com os argumentos da defesa e a sentença.

Antes de fazer algumas breves reflexões, recordemos que este processo – excluído o delito associativo inicialmente impugnado – afeta a quatro acusados no processo, aqueles para os quais este processo foi ordenado em janeiro de 2024 e que naquele momento se encontravam em prisão domiciliar restritiva, enquanto que pelo que respeita aos outros seis acusados, o processo se manteve na fase de instrução.

Desde algum tempo, o aparato repressivo tenta freneticamente “deter” os anarquistas. Com os procedimentos que aconteceram nos últimos anos contra certos jornais, essencialmente estão nos “repreendendo” por ser o que somos, e em particular com Scripta Scelera o Estado quer golpear a agitação e a propaganda anarquista. A descarada vontade de silenciar as publicações revolucionárias, assim como de demonizar as ações de ataque contra o Estado e o capitalismo, mostram o verdadeiro alcance da cara permissiva do Estado e sua “liberdade de expressão”, especialmente em tempos de guerra. Sete anos de prisão pela mera publicação de um jornal – os cerca de sessenta números de “Bezmotivny”- nos parece a maior petição de pena jamais realizada em um julgamento contra anarquistas em referência ao que são, objetivamente, “delitos de opinião”. As ideias anarquistas são evidentemente perigosas porque transbordam urgência de vida, porque exortam a não passar a existência de joelhos, porque falam da vontade de derrubar radicalmente este velho mundo, porque sugerem um método de luta, porque…

Que mais há que dizer? A advertência da nova inquisição dirigida pela promotoria antiterrorista e a polícia de prevenção é clara: ante a combinação teórica-prática do anarquismo, ou silêncio ou condenação. No entanto, se acreditam que podem convencer-nos de que o jogo não vale a vela, estão muito equivocados…

3 de abril de 2025

Fonte: https://lanemesi.noblogs.org/post/2025/04/07/linquisizione-al-lavoro-richiesti-dai-5-anni-e-6-mesi-ai-7-anni-di-carcere-per-gli-inquisiti-nel-processo-di-massa-derivato-dalloperazione-scripta-scelera-3-aprile-2025/   

Tradução > Sol de Abril

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/04/25/italia-ultima-operacao-repressiva-contra-anarquistas/

agência de notícias anarquistas-ana

Até do tô-dango
os bolinhos se encolhem –
Vento de outono.

Morikawa Kyoriku

[Itália] Aurora Failla (1951-2025)

Domingo, 6 de abril de 2025, Aurora Failla nos deixou.
 
Aurora, nascida junto com sua irmã gêmea Gemma em Syracuse em 1951, pode-se dizer que foi anarquista desde o berço. Filha de Alfonso Failla e Eufemia Pastorello, foi politicamente ativa quando jovem, primeiro em Carrara, onde viveu com a família, e depois, a partir de meados dos anos setenta, em Milão, onde se juntou à redação de “A Rivista anarchica” e do grupo Bandiera Nera.
 
Durante os 45 anos seguintes, juntamente com Paolo Finzi, companheiro de luta e de vida, trabalhou na redação de “A”. E é certamente em grande parte devido à sua alegria e ao seu riso cheio de leveza e jovialidade que, durante quase meio século, a redação de “A” e a casa de Aurora e Paolo permaneceram um ponto de encontro e uma encruzilhada “obrigatória” para tantos camaradas de todo o mundo.
 
Lembraremos de você sorridente e cheio de vida como você era, apesar de tudo, mesmo quando há poucos anos o entrevistamos para a criação de um dos nossos “Quaderni”, aquele dedicado a Paolo.
 
Para todos aqueles que desejam se despedir, o funeral de Aurora Failla será realizado no sábado, 12 de abril, às 9h30, no salão multiuso do cemitério de Lambrate, em Milão.
 
Adeus, Aurora, lembraremos de você com amor, pois você continua a sorrir e a cantar, lutando por um mundo melhor, como sempre fez.
 
Centro Sstudi Libertari / Archivio G. Pinelli
 
>> Mais infos sobre Aurora:
 
https://www.centrostudilibertari.it/it/piacere-incontro-aurora-failla-alba-finzi
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Um ramo de ipê,
ao invadir o meu quarto,
traz o amanhecer.
 
Clície Pontes

[Holanda] Pinksterlanddagen | O festival anarquista anual

Pinksterlanddagen: um festival anarquista que ocorre nos dias 6, 7 e 8 de junho 2025.

Um festival anarquista que ocorre todos os anos no acampamento “tot Vrijheidsbezinning” em Appelscha durante o fim de semana do Pinkster [Pinksterweekend]. É um encontro para anarquistas e todos que se inspiram no anarquismo. O fim de semana será repleto de oficinas, palestras e discussões sobre anarquismo e luta social. Há um programa especial e divertido para crianças e, à noite, haverá um programa cultural. O Pinksterlanddagen é organizado há mais de 90 anos e se tornou um local de encontro para muitos anarquistas.

A maneira como o PL funciona na prática se encaixa em sua ideologia; todos compartilham da responsabilidade de realizar o festival. Alguns organizam o planejamento geral, outros dão um curso, algumas pessoas cozinham, constroem tudo ou mantêm o local limpo. O PL é organizado em um acampamento anarquista sem álcool e drogas. Respeitamos seus métodos e nos beneficiamos deles, pois achamos que isso melhora a atmosfera geral.

Estamos trabalhando para criar um tipo diferente de mundo, uma sociedade sem autoridade na qual todos têm voz. Estamos procurando pessoas que compartilhem essa visão e que queiram participar desse mundo. Venha para o PL e converse com os 500 visitantes do festival. Suba no palco do Pinksterlanddagen. Você poderá chegar ao acampamento a partir de sexta-feira, dia 17 de maio, e o acampamento fechará suas portas no dia 19 – nesse último dia, será bem-vinda a ajuda para desmontar o acampamento e limpar o acampamento.

As pessoas que quiserem participar ou ajudar podem nos enviar um e-mail para: pl@puscii.nl

pinksterlanddagen.org

Tradução > acervo trans-anarquista

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agência de notícias anarquistas-ana

Bolha de sabão
Passa, levando no ar
As cores da infância.

Tânia D’Orfani

Ódio Como Arma – O Estado Húngaro

O governo fascista na Hungria governa com maioria de dois terços no parlamento desde 2010 e com poderes de emergência desde o início da pandemia de COVID-19. Eles têm pleno poder legal para fazer o que quiserem sem cooperar com a oposição, praticamente inexistente, e têm se aproveitado disso para seus próprios fins. Eles vêm usando retórica anti-queer há anos, e houve várias medidas legais que levaram à situação atual. Tentarei descrever as principais aqui, mas houve muitas outras.

Em 2020, no Dia da Visibilidade Trans, um membro do partido propôs uma lei que tornava impossível para pessoas transgênero mudarem seu marcador sexual legal entre feminino e masculino (identidades não-binárias nunca foram legalmente reconhecidas na Hungria). Em dezembro do mesmo ano, eles alteraram a constituição para incluir que “O pai é homem, a mãe é mulher”, o que abriu caminho para a discriminação, por exemplo, ao proibir a adoção por casais homoafetivos e até mesmo por pessoas solteiras. Acrescentou também que o Estado tem a responsabilidade de proteger o direito das crianças ao gênero que lhes foi atribuído ao nascer, abrindo caminho para a posterior supressão dos direitos trans.

Em 2021, aprovaram uma lei que classificava todas as pessoas queer como pedófilas e proibiam a representação da homossexualidade e da transgeneridade em qualquer contexto em que crianças pudessem vê-las, tornando toda a mídia queer permitida apenas para maiores de 18 anos, exigindo que as livrarias cobrissem os livros com qualquer conteúdo queer na capa e proibindo qualquer educação sexual sobre esses temas nas escolas, entre muitas outras restrições.

Em janeiro deste ano, prenderam os médicos da única clínica do país que oferecia abertamente cuidados de saúde para pessoas trans, com quem grande parte da comunidade trans na Hungria fazia seus tratamentos hormonais e cirurgias. Eles estão presos há mais de um mês e serão detidos por mais três sem que haja qualquer acusação oficial. A polícia está trabalhando arduamente para tentar reunir provas de algum tipo de crime econômico, mas está claro que são presos políticos e que a promotoria tem dificuldade em incriminá-los. É provável que fiquem presos por um longo período e acabem cumprindo pena. Isso efetivamente cortou o acesso a cuidados médicos para muitas pessoas trans, sem um caminho legal claro para obter terapia de reposição hormonal na Hungria, e muitos estão sendo forçados a recorrer a clínicas particulares em países estrangeiros. Haverá um protesto de solidariedade em frente à prisão onde estão detidos esta semana, no sábado, organizado por seus pacientes.

Desde que o novo governo Trump assumiu nos EUA, o governo húngaro tirou as máscaras e começou a usar abertamente a retórica fascista, a ponto de não ser mais tabu, mesmo para organizações liberais, usar a palavra “fascista” para se referir a eles. Como parte disso, prometeram proibir a Parada do Orgulho Gay em Budapeste este ano, que vêm preparando com várias medidas legais. Isso inclui uma emenda à Constituição que afirma que “os humanos são homens ou mulheres” e que as leis de proteção à criança podem substituir todos os direitos humanos básicos, exceto o direito à vida (leis de proteção à criança que visam especificamente pessoas queer), a permissão legal para discriminação com base na identidade de gênero e, finalmente, a modificação da lei sobre aglomerações públicas para proibir aglomerações que contrariem as leis de proteção à criança, ou seja, qualquer protesto público queer será ilegal após 15 de abril, quando esta lei entrar em vigor. Esta última lei também autoriza o uso de tecnologias de vigilância em massa para identificar manifestantes em aglomerações não permitidas e multas pesadas para quem ousar fazê-lo de qualquer maneira.

Anarchista Diákmozgalom (Movimento Estudantil Anarquista)

Aqui, disponibilizamos nossos links de mídia social para que as pessoas possam acompanhar a cena anarquista húngara: linktr.ee/anarchistadiakmozgalom

Fonte: https://organisemagazine.org.uk/2025/03/24/weaponised-hate-the-hungarian-state-current-events/

Tradução > Bianca Buch

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Nas tardes amenas
O perfume das laranjeiras.
Meu velho quintal.

Hazel de S.Francisco

[Dinamarca] Copenhague: Manifestação de 1º de Maio: ORGANIZAR, PROTESTAR, EXISTIR

Mais um ano se passou: o capitalismo continua à solta, o som das botas do fascismo ecoa cada vez mais alto ao redor do mundo e a máquina de guerra genocida do imperialismo avança a todo vapor.

Seguimos na luta! Estamos nos organizando e ficando mais fortes juntos. Tomamos as ruas e lutamos por um mundo de liberdade, igualdade e solidariedade, e existimos apesar do gender-fascismo e da ordem heteronormativa imposta pelo poder!

É por isso que faremos uma manifestação no Dia Internacional das Trabalhadoras e Trabalhadores! Como parte da resistência contra a máquina de guerra e todas as ideologias desumanas. Nos encontraremos na Jagtvej 69, onde ficava o antigo Ungdomshus, e marcharemos até Fælledparken.

Horário: 11:00

Local: Jagtvej 69

Rota: a ser anunciada

ALERTA ALERTA ANTIFASCISTA

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Enquanto agachado
Ao lado da chaleira
Como faz frio!

Naitô Jôsô

[EUA] Feira do Livro Anarquista de Los Angeles, 17 e 18 de maio

9ª Feira do Livro Anarquista de Los Angeles

17 e 18 de maio de 2025

“Construindo para agora!”

Agora estamos aceitando inscrições para vendedores, palestrantes, painéis ou workshops para nossa feira do livro.

O prazo para inscrição de vendedores termina em 19 de abril.

Os espaços disponíveis são permitidos em uma área máxima de 6′ x 6′.

Se você tiver sua própria mesa: Taxas do fornecedor: US$ 25 por mesa/dia. Taxas da mesa de informações/divulgação: US$ 15 por mesa/dia.

Se você precisar de uma mesa fornecida: Taxas do fornecedor: US$ 35 por mesa/dia. Taxas para mesas de informação/divulgação: US$ 25 por mesa/dia.

Os painéis ou workshops são gratuitos, mas serão considerados caso a caso, de acordo com os horários disponíveis de uma hora. Programação a ser anunciada.

O LA Anarchist Book Fair Collective (Coletivo da Feira do Livro Anarquista de Los Angeles) está aberto e buscando novos camaradas e colaboradores! Envie-nos um e-mail para laabf@proton.me se quiser se envolver e ajudar a co-organizar a próxima LA ABF em 2025! Obrigado por seu interesse! Em solidariedade, coletivo organizador da LA ABF

laabf.wordpress.com

agência de notícias anarquistas-ana

Tapete amarelo!
Nem o gari quer varrer
Embaixo do ipê.

José Tucón

[Chile] Julia Chuñil completa cinco meses desaparecida

Cinco meses passaram desde que Julia del Carmen Chuñil Catricura, de 72 anos, presidenta da Comunidade Mapuche de Putreguel e defensora do meio ambiente, foi vista pela última vez por seus próximos, na sexta-feira 8 de novembro de 2024, no prédio florestal Reserva Cora 1-A, em Máfil, Região de Los Ríos.

Exigindo maiores esforços em sua busca, a família e organizações sociais realizaram uma manifestação na tarde desta terça-feira (08/04) em frente ao Palácio de La Moneda. Também se realizaram protestos em cidades como Temuco, Valdivia, Concepción, Valparaíso, Puerto Montt, Chillán e Curicó.

“Não é possível que hoje em dia sigam desaparecendo pessoas, mais uma adulta idosa, uma amante da natureza, uma defensora do meio ambiente, amante de seus animais”, expôs Lissette Sánchez, neta da dirigente mapuche.

A busca

A jornada em que se perdeu o rastro, a mulher percebeu o extravio de uns animais e avisou a uma vizinha que iria a uma colina buscá-los. Vestia uma blusa celeste e branca, calça cor bege e sapatos negros.

Saiu acompanhada de seu cão de nome Cholito, um cachorro mestiço, de três meses, cor negro com peito cor branca.

No domingo 10 de novembro, familiares foram até sua casa e a vizinha lhes comentou que não havia regressado. Um de seus filhos seguiu pegadas para encontrá-la, percebendo que havia rastros de rodas de uma caminhoneta.

Após a apresentação de uma denúncia por suposta desgraça por parte de sua família, a promotoria de Los Ríos deu uma ordem de investigar à Brigada de Homicídios da Polícia de Investigações e dispôs trabalhos de busca ao Grupo de Operações Policiais Especiais (GOPE) de Carabineiros.

Seu caso foi mencionado pelo Presidente Gabriel Boric em dezembro do ano passado, em seu discurso por ocasião do Dia dos Direitos Humanos. O Mandatário garantiu então que a busca da mulher não se deteria.

Fonte: agências de notícias

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

Na tarde sem sol
folhas secas projetando
sombras em minh’alma.

Teruko Oda

[Chile] Comunicado Presos Políticos Mapuche cárcere de Temuco ante invasão, espancamento e translado

Ante invasão, brutal espancamento e translados injustificados, Presos Políticos Mapuche do cárcere de Temuco acusam que estes fatos são parte de uma estratégia mais ampla que busca desarticular os módulos de comuneros existentes nos cárceres chilenos.

“COMUNICADO PÚBLICO PRESOS POLÍTICOS MAPUCHE, MÓDULO COMUNEROS CCP TEMUCO

Os prisioneiros políticos mapuche reclusos no cárcere de Temuco saudamos nossas autoridades tradicionais, pu lonko, pu werken e pu machi, assim como as comunidades em resistência, e passamos a declarar o seguinte:

No dia 31 de março, segunda-feira, aproximadamente às 10:30 horas, fomos violentamente espancados em primeira instância por funcionários deste recinto penal, que posteriormente foram reforçados por pessoal da U.S.E.P.

Como consequência deste ato, ocorreram inumeráveis danos, tais como a destruição de mobiliário, a subtração de artigos desportivos, o uso arbitrário e excessivo de gases lacrimogêneos, e diversas agressões tanto físicas como verbais (ditos textuais do tenente Martínez e sargento Ramírez: “Índios Culiaos, Índios Perkines”).

O peñi mais afetado foi Rodrigo Cáseres Salamanca, que foi operado do braço direito faz menos de seis meses e ainda se encontra em processo de reabilitação. No entanto, isto não foi impedimento para os funcionários da Gendarmeria, que continuaram com o espancamento sem consideração alguma.

Apesar de seu estado de saúde, os peñi Rodrigo Cáseres Salamanca, Patricio Queipul e Anthu Llanca foram transladados a três cárceres diferentes: Angol, Valdivia e Concepción. Onde foram enviados a módulos de máxima segurança, sem direito a tv nem rádio, com um regime de 22 hrs de confinamento solitário, e 2 hrs de pátio.

Cabe destacar que os dois últimos foram recentemente absolvidos de uma montagem orquestrada pela Gendarmeria do cárcere de Angol.

Vemos com isto como primeira conclusão que os orquestradores da invasão foram: o recentemente transladado tenente Hernández do cárcere concessionado de Concepción, que na segunda-feira, 31 de março ocupava o cargo de alcaide sub-rogante, o chefe operativo da OSI Mijail Morales, o suboficial Martínez e o sargento Ramírez, dirigidos e amparados por Néstor Flores diretor regional da Gendarmeria.

É evidente que o ocorrido faz parte de uma manobra de provocação dirigida contra os presos políticos mapuche, e sabemos que esta é só uma peça de uma estratégia mais ampla que busca desarticular os módulos de comuneros existentes nos cárceres chilenos situados em nosso Wallmapu.

Esta intenção fica claramente demonstrada pelas modificações no regime interno que se implementarão de maneira arbitrária, sem prévio aviso e sob a direção do tenente Hernández. A isto se soma a perseguição diária a que somos submetidos, o que se manifesta através de sanções não consignadas oficialmente, que também respondem a atribuições de caráter racista por parte dos funcionários da Gendarmeria.

Esta estratégia está também respaldada por toda a classe política, que atua a serviço dos interesses empresariais, Gendarmeria não é mais que uma instituição títere dos interesses políticos e do empresariado.

Exigimos que se respeite nossa condição de presos políticos mapuche, assim como nossa cultura, práticas sociais e cosmovisão. Ratificados pelo Convênio 169 da OIT.

Desde o módulo de prisioneiros políticos do cárcere de Temuco, fazemos um chamado a solidarizar com os peñi transladados aos cárceres de Angol, Valdivia e Concepción.

Ademais, instamos a estar alertas ante as manobras repressivas e ofensivas dirigidas contra os módulos de prisioneiros políticos mapuche e as eventuais mobilizações que possam surgir.

Translado imediatos de Rodrigo Caseres Salamanca, Patricio Queipul Millanao e Anthu Llanca Quidel ao módulo de comuneros CCP Temuko.

Liberdade a Todos os Presos Políticos Mapuche.

Pela unidade no Weichan

Presos Políticos Mapuche CCP Temuko.”

Fonte: https://radiokurruf.org/2025/04/02/comunicado-presos-politicos-mapuche-carcel-de-temuco-ante-invasão-espancamento-y-translado/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

vento de outono
a silenciosa colina
muda me responde

Matsuo Bashô

[França] Não temos medo das ruínas porque carregamos um mundo novo em nossos corações

Algumas dezenas de nós nos reunimos na Bergerie em Cheminas, Ardèche, para assistir à exibição do último filme de Yannis Youlountas, “Não Temos Medo das Ruínas“, com a presença do diretor.

10 anos depois de Não Vamos Mais Viver Como Escravos, 8 anos depois de Luto, Logo Existo e 5 anos depois de Amor e Revolução, aqui vem o quarto filme: Não Temos Medo de Ruínas (…carregamos um mundo novo em nossos corações) de Yannis Youlountas.

Em 2019, Kyriakos Mitsotakis, presidente do partido Nova Democracia (e que democracia!), chegou ao poder satisfazendo as diferentes tendências da direita: os conservadores tradicionais, os ultraliberais e a direita autoritária e xenófoba. Ele ficou conhecido por comentários racistas como “para impedir a chegada de imigrantes, deve haver mortes nas fronteiras…” (A experiência mostra que isso é falso. Os 8.541 afogados no Mediterrâneo em 2023 e as 63.000 mortes em 10 anos no mundo todo não impedem os imigrantes.)

O filme nos mostra a ofensiva prometida por Mitsotakis contra Exarchia (um bairro popular e alternativo de Atenas) que estava apenas começando: ocupação brutal do bairro, despejo semanal de ocupações, propaganda na mídia, repressão total, mas acima de tudo a resistência e a resposta determinada de grupos autônomos de solidariedade por toda a Grécia.

O movimento social grego adotou o slogan de 1936 na Espanha: “No Pasaran“, uma faixa “No Pasaran” bloqueou por muito tempo a Rua Notara, a oeste de Exarchia, lembrando uma faixa semelhante de 1936.

Enquanto o governo repetia: “faremos ruínas de seus lugares”, eles respondiam a uma só voz: “Não temos medo de ruínas”, inspirados numa famosa frase de Buenaventura Durruti:

Não temos medo de ruínas, somos capazes de construir também… a burguesia pode explodir e demolir seu próprio mundo antes de sair do palco da História, nós carregamos um mundo novo em nossos corações.

Sim, carregamos um mundo novo em nossos corações, na Grécia como em outros lugares.

“Sabemos que, além da catástrofe ecológica e social, a vida encontrará um caminho e reconstruiremos a sociedade de forma diferente. Cedo ou tarde, emergiremos da pré-história política da humanidade. Tomaremos resolutamente nossas vidas em nossas próprias mãos, nunca mais nos permitindo ser pisoteados. Juntos, somos “a vida que se defende”.”

De Creta ao Épiro (noroeste da Grécia), as lutas também são difíceis, enfrentando um poder determinado a transformar a terra e o mar em mercadorias. Entre as boas notícias: a gigante francesa Total finalmente desistiu da perfuração de petróleo na costa de Creta.

A ocupação de imigrantes Notara 26 ainda está lá. A Estrutura de Saúde Autogerida de Exarchia (ADYE) continua a cuidar dos vulneráveis no bairro e além, assim como as cozinhas solidárias gratuitas se esforçam para alimentá-los. As estufas ocupadas do antigo jardim botânico fornecem frutas e vegetais.

O centro social ocupado K*Vox continua sendo a base principal do grupo anarquista Rouvikonas, que também superou muitos desafios nos últimos anos, mas continua sendo a teimosa bête noire do governo determinado a neutralizá-lo.

A resistência também assumiu formas surpreendentes, por exemplo na ilha de Paros, nas Cíclades, onde grupos de moradores estão se recusando a proliferação de praias privadas que estão fechando o acesso ao mar. De praia em praia, eles estão conseguindo conter a maré reabrindo o acesso gratuito às alegrias do mar para jovens e idosos. Durante o verão de 2023, houve muitas vitórias, graças à convergência de lutas.

Em Rethymnon, Creta, o clube de futebol antifa “Livas” oferece um esporte organizado sem hierarquia, num espírito de cooperação e sinergia, uma prática completamente diferente deste esporte rei do capitalismo triunfante. A ideia não é abandonar o futebol e outras atividades de lazer que as crianças adoram aproveitar nas mãos dos negócios e da indústria do entretenimento. “Podemos jogar futebol de forma diferente”, anunciam nossos sorridentes camaradas, homens e mulheres, jovens e velhos.


Enquanto isso, em Atenas, professores do ensino fundamental estão protestando do lado de fora dos acampamentos de imigrantes para exigir a libertação de seus alunos que foram detidos em Exarchia durante o despejo das ocupações. E eles conseguiram!


A ocupação Rosa Nera em Xania (Creta), no centro da cidade, foi tomado pela polícia e, em Iraklio, o Antifa Hiking Club oferece caminhadas na ilha.

Comboios em solidariedade a essas lutas partem da França todos os anos, e o apoio vem do mundo inteiro para apoiar os camaradas gregos em suas lutas.

A pergunta que podemos nos fazer é: do que o governo tem medo em suas organizações sociais horizontais? Exarchia é um exemplo de integração bem-sucedida onde os imigrantes não são mais um problema. Assim como o dispensário autogerido de Pikpa, um espaço de convivência comunitário, onde refugiados sem polícia ou seguranças se sentiam completamente seguros, diferentemente do campo de Moria, sob gestão policial. Neste país onde a dívida foi quitada por uma transferência massiva de riqueza das classes trabalhadoras para o capital nacional e internacional, a evasão da subjugação financeira é insuportável para este governo liberal, ao qual se somam os cheiros da ideologia fascista veiculada durante a ditadura de Metaxas em 1936, e a ditadura dos coronéis de 1967 a 1974 buscando mais uma vez destruir o campo da promoção dos valores sociais e da consciência de defesa dos interesses comuns contra os líderes políticos.

Se o estábulo das ovelhas estava fresco, a atmosfera estava quente.

Fonte: https://alter-vienne.info/spip.php?article584

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agência de notícias anarquistas-ana

Frases compostas
no sol que passeia
sob minha caneta.

Jocelyne Villeneuve