Estamos acostumados a que haja cocô na praia. Acostumados com a polícia matando negros inocentes. Trabalhadores à míngua com o desemprego. Desespero de mães com a saúde dos filhos. Acostumados a pagar mais impostos que na Suécia. Acostumados com altas de preços, altas de juros, com mortes hediondas. Estamos acostumados com a violência contra a mulher (como se não tivéssemos mãe), com o descaso com os idosos (como se nunca fôssemos chegar lá). Estamos acostumados com políticos que roubam, que defendem os interesses dos já poderosos. Estamos acostumados a não ter voz, a não ter poder, a não ter remédio, não ter solução, a não ter tratamento. A apanhar e levar a culpa de estar apanhando. Cidades inteiras desabando, inundando, povos massacrados, tudo por causa da ganância. A gritar por justiça e ser injustamente acusados de mentiras. Acostumados com não saber, com não ter acesso, com não poder conhecer. Acostumados com a dor, com o medo, com a aflição o desânimo e a depressão. Acostumados com desastres ecológicos, repentinos ou paulatinos, acostumados com desmatamentos e extinções. Acostumados com a ideia de que a natureza está aí para nosso consumo, nossa extração. De que animais sejam usados para nosso consumo, como se eles não sofressem. Estamos acostumados a ingerir venenos, a nos embriagar de fumos, a morrer de gases, plásticos e poeiras. Com águas pútridas, fétidas e rios cansados. Com fedores, horrores e injustiças. Estamos acostumados. Chega de aceitar as coisas que podemos modificar! Lutar, criar, poder popular!
Gaia Montenegro
agência de notícias anarquistas-ana
Uma borboleta
Na minha pequena rua
Uma floricultura
Suemi Arai

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O conceito de liberdade como prática cotidiana e resistência constante às cercas — seja do Estado, do capital ou das…
Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!