Nós, indivíduos e movimentos autônomos de Fortaleza, do Brasil e do mundo inteiro, viemos demonstrar o nosso apoio e solidariedade aos estudantes que ocupam agora a escola João Mattos¹ e que estão sofrendo perseguições, pressão e assédio moral por parte de militantes e professores pertencentes a partidos e movimentos partidários. A decisão dos ocupantes em não aceitar movimentos hierárquicos e partidários, a fim de manter a horizontalidade e autonomia dos estudantes, foi o que acarretou em episódios de perseguição e difamação por parte de algumas dessas instituições. É evidente que tais instituições, que se apresentam com modelos de organização falidos, não desejam contribuir diretamente com a luta, mas apenas promover suas próprias pautas e defender seus locais de poder no jogo político institucional. Se aproveitam de uma luta autêntica como parasitas. O estopim para tais episódios foi a rejeição dos estudantes ocupados a proposta de realização de um Sarau com o tema “Não vai ter Golpe”, uma pauta claramente alheia a luta dos mesmos. Assim como os estudantes, entendemos que o maior golpe é dado todos os dias contra uma educação realmente libertadora, contra os marginalizados e contra aqueles que não obedecem a atual farsa democrática exposta na briga de partidos pelo poder.
Dentre as ameaças sofridas pelos estudantes é a de que estes ficariam em “isolamento político” ao tentarem se organizar de forma independente. Isso expressa claramente o receio das instituições político partidárias de perder o poder de manipular, controlar e direcionar a luta dxs estudantes para seus próprios interesses de poder. Entendemos que de fato se dá o contrário: ao serem cooptadxs por essas instituições, xs estudantes serão facilmente acusadxs de massa de manobra de um jogo político institucional. Isso sim os isolará dos apoiadores mais importantes: as comunidades das proximidades das escolas ocupadas, que tem um real vínculo com ela através de alunxs e ex-alunxs, além da população em geral que como deixou bastante claro nos levantes de junho de 2013, nos gritos de “sem partido”, que entendem que estes agem em interesse próprio e não da população.
Reafirmamos que continuaremos a apoiar e lutar ao lado e juntxs com os estudantes, como indivíduos ou como movimentos autônomos organizados, se assim elxs quiserem, da forma que preferirem e acharem melhor para a luta. Seja realizando oficinas, doando alimentos, promovendo debates, etc. Que respeitamos inteiramente a autonomia do movimento e a forma de organização horizontal que decidiram adotar. Estamos juntxs com os debaixo, não acima!
Pedimos a todas as pessoas e movimentos que se solidarizam com os estudantes ocupados e com a situação exposta, compartilhem esta nota de apoio. Que curtam e compartilhem também a página da escola para mostrar que estamos com eles!
Só a luta muda a vida!
#OcupaEscolasCE
#OcupaCAIC #OcupaAdauto #OcupaCCB
#OcupaJoãoMattos
#OcupaTUDO
[1] NOTA SOBRE A OCUPAÇÃO EEFM JOÃO MATTOS
Em apoio às escolas ocupadas e contra a precarização do ensino público, nós estudantes do Colégio João Matos, decidimos ocupar a escola como forma de ocupação organizada horizontalmente. Com a presença inicialmente de alunos – depois com a adesão crescente de pais, professores e comunidade – tomamos a iniciativa em assembleia e partimos para a ocupação em solidariedade à luta pela educação de qualidade encampada também pelos professores.
Com força de vontade e determinação para ocupar e exigir que venha abaixo toda a forma de tentativa de alienação, toda a forma de pilhagem, principalmente quando se ataca sem dó o que deveria ser verdadeiramente a educação, decidimos questionar com intensidade todos os governantes que, descompromissados com o ensino público de qualidade, o sucateiam e buscam transformar alunos em massa de manobra. Com o apoio de toda a equipe educacional e pessoas solidárias aos reais fundamentos do que deve ser a verdadeira educação, estamos em plena realização de nossa ocupação, que defende o aluno, a escola e que nos possibilita construir uma organização autônoma e transformadora.
Com a consciência de que devemos zelar pelo patrimônio durante a ocupação, estabelecemos por meio de comissões escolhidas livremente pelo coletivo e organizamos as atividades feitas na escola. Conscientes de que os míseros centavos destinados por aluno para a sua alimentação são infinitamente insuficientes para suprir suas necessidades básicas, com nossa voz e participação pretendemos superar e estabelecer meios dignos para que a educação se estabeleça. Exigimos alimentação de qualidade para melhor aproveitarmos de forma tranquila o horário de aulas. Exigimos o uso de toda estrutura escolar para fortificar o ensino, queremos maior participação da comunidade no ambiente escolar. Dizemos não para a educação escravizadora e exigimos uma educação libertadora. Dizemos não à precarização do ensino.
agência de notícias anarquistas-ana
Angelus. Dedos da brisa
nas teclas das folhas
adormecem os pássaros.
Yeda Prates Bernis

História sensacional! Desconhecia completamente essas informações.
Enquanto isso no Brasil...
Espaços como esse são fundamentais! Força compas. Vou contribuir!
A autoridade dos que são contra não é menos autoritária que as outras e encontra, quanto a mim, uma sólida…
Em agosto me mudarei com a família para o espírito santo. Mudança a trabalho. O lado bom é que terei…