Terra é vida, despejo é morte!
Caarapó, Mato Grosso do Sul, 14 de Dezembro de 2016: o povo Guarani e Kaiowá se levanta, uma vez mais, contra o avanço do agronegócio em suas terras tradicionais. Três retomadas realizadas na Terra Indígena Dourados-Amambai Peguá I, cujo estudo para identificação e delimitação já foi publicado pela FUNAI, estão sob risco de despejo. O relatório que reconhece a área como tradicionalmente indígena garante 55.600 hectares para os indígenas.
As retomadas ameaçadas de despejo, nomeadas de Jeroky Guasu, Ñamoi Guaviray, e Kunumi Poty Verá, fazem parte do que os Guarani e Kaiowá denominam Tekoha Guasu, significando “Grande Território”. Tekoha diz respeito ao lugar onde se vive, onde se realiza o modo de vida Guarani e Kaiowá. No interior do Tekoha Guasu, existem diversos tekoha que o compõem, como pequenos territórios no interior de um complexo mais amplo.
O contexto em que estão posicionadas estas retomadas nos faz lembrar o mais recente ataque paramilitar, um dos maiores já realizados contra os Guarani e Kaiowá, envolvendo mais de 100 caminhonetes dos ruralistas e jagunços, resultando na morte do agente de saúde indígena Clodiodi de Souza, assassinado a sangue frio enquanto lutava por seu território. O ataque, conhecido como “massacre de Caarapó”, causou o ferimento por bala de outros 20 indígenas, e deixou um rastro de sangue e cartuchos de armamento pesado. Hoje, fazendo justiça à memória de Clodiodi, o povo Guarani e Kaiowá mantém acesa a chama da resistência, e expressa sua revolta diante de mais uma ofensiva do conluio entre Estado, agr onegócio e grande capital, agentes do genocídio dos povos indígenas no Brasi l. A luta do povo Kaiowá não irá permitir que ocorra mais um despejo.
Para além destes fatos ocorridos em junho deste ano, e destes despejos abertos neste mês de dezembro, que abrem precedente para mais mortes e violência no território tradicional indígena, o governo Temer lança um decreto que irá pôr fim às demarcações de terras indígenas. A minuta do decreto que está sendo preparada pelo Ministério da Justiça reúne diversos elementos já estabelecidos pela PEC 215, além de aplicar o marco temporal, que postula que apenas os indígenas que estavam em suas terras ou a disputavam judicialmente em outubro de 1988 podem ter o direito à terra. Processos de demarcação em andamento também serão paralisados. Este decreto irá resultar em massacres, despejos e destruição contra os povos indí ;genas, agravando os conflitos já existentes: 80% das terras indígenas no país serão inviabilizadas, ou seja, cerca de 600 territórios em processo de demarcação ou reivindicados, segundo dados do CIMI (Conselho Indigenista Missionário).
A região de Caarapó, já está sentindo os efeitos destes processos: é uma das regiões com maior quantidade de retomadas na luta pelo território tradicional, margeando a aldeia Te’yi Kue. O conjunto das retomadas somadas à aldeia totalizam mais de 7000 pessoas dispostas a resistir até a morte pela proteção de suas terras sagradas. Com os despejos que foram abertos contra as 3 retomadas da região, após o massacre promovido pelos latifundiários, agora está nas mãos do judiciário e do governo a responsabilidade de um segundo massacre.
Chamamos a todos que apoiam a causa indígena, para juntar-se à resistência no território e divulgar nossa mensagem, realizando atos de apoio e dando visibilidade aos materiais de denúncia.
CONTRA O DESPEJO NAS 3 RETOMADAS DA TERRA INDÍGENA DOURADOS-AMAMBAI PEGUA I!
LUTAR E MORRER PELO TERRITÓRIO!
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra; Comitê de Solidariedade aos Povos Indígenas de Araraquara; Comitê de Solidariedade aos Povos Indígenas de Dourados; Pró-Comitê de Solidariedade aos Povos Indígenas de Tocantins; Frente de Defesa dos Povos Indígenas de Dourados; Via Campesina; Nova Democracia.
Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=7cydEai17n0&feature=youtu.be
agência de notícias anarquistas-ana
planta com mil flores
uma é roubada –
ninguém notou…
Rosa Clement

Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!
Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…
Noam Chomsky roots are in the Marxist Zionist "Hashomer Hatsair" youth movement. He even spent few months in an Israeli…
crítica válida e pertinente, principalmente para o momento atual.
Que a terra lhe seja leve, compa!