
Alguns de vocês podem ter visto a Bielorrússia nas notícias sobre o coronavírus. O ditador Lukashenko não quis continuar com a quarentena. Em vez disso, ele estava tendo ideias para resolver o problema com o COVID-19. Por exemplo, em uma de suas primeiras coletivas de imprensa, ele sugeriu que a vodca e a sauna podem salvá-lo do vírus. Dirigir trator no campo era também uma das opções. Para mostrar sua dedicação à causa de ignorar o coronavírus, Lukashenko até organizou uma parada militar no dia 9 de maio – dia da vitória na segunda guerra mundial.
No entanto, fora dessas notícias, muitas coisas aconteceram no país. As pessoas viram que mais uma vez não se pode contar com o governo e começaram a se auto-organizar como em muitos outros países. O apoio às equipes médicas vinha de pequenas empresas e iniciativas auto-organizadas. O levantamento de informações sobre a disseminação do vírus tornou-se tarefa para sites de mídias não-estatais e jornalistas independentes. As informações sobre a situação foram transmitidas para a sociedade através da equipe médica que denunciava a situação.
Isto não passou despercebido pelo Estado. Após o 9 de maio mais de 100 jornalistas e blogueiros foram detidos por fazerem transmissões ao vivo da situação em diferentes regiões abordando a epidemia. Muitos foram sentenciados a detenções curtas de 10 a 15 dias e alguns receberam multas por perturbação da paz.
Para avançar com suas políticas, como de costume, o governo anunciou no dia 8 de maio que as eleições presidenciais irão ocorrer no dia 9 de agosto de 2020, três meses mais cedo, dando uma pequena janela para qualquer um, exceto Lukashenko, de se inscrever na disputa. A maioria dos políticos da oposição se recusou a participar das eleições, já que o governo ignora suas vozes, de qualquer forma. No entanto, algumas figuras “independentes” apareceram. Uma delas é a esposa de um blogueiro independente. Ele começou a usar eventos planejados para a coleta de assinaturas para sua esposa, como comícios políticos. Com discursos, milhares de pessoas e demandas. Por vários dias a polícia e a KGB não tinham ideia do que fazer com eles. Mas em um desses eventos a provocação da polícia começou com detenção em massa. Como resultado, um policial caiu no chão. E a polícia conseguiu uma razão legítima para usar a força contra outros manifestantes. Muitas pessoas são agora acusadas de ataques aos policiais. Dezenas receberam detenções de curto prazo.
A repressão não impediu a população que continua se reunindo mesmo após as detenções. Atualmente os anarquistas organizados não estão participando desses eventos, no entanto, a situação pode mudar nos meses seguintes. A Bielorrússia foi duramente atingida pela crise econômica antes da epidemia do coronavírus. De fato, as principais razões pelas quais a quarentena não foi introduzida no país são econômicas.
Na Bielorrússia as eleições presidenciais são vistas como o ponto alto da vida política. Embora exista pouca esperança de mudança nas pessoas que votam, elas ainda se mobilizam e tentam mudar as coisas. As eleições também estão conectadas com a forte repressão contra parte da população politicamente ativa. Em 2006 e 2010, protestos contra o presidente levaram a prisões em massa. Com mais problemas econômicos e políticos surgindo no horizonte, começa a crescer a pequena esperança de que a sociedade pode finalmente se erguer para se livrar do ditador e de seus aparatos de polícia e burocratas.
Tradução > Brulego
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