
A companheira sentimental da última pessoa executada por Franco crê que “a luta sempre vale a pena”
Por Raquel Galán | 22/07/2021
“Minha vida se quebrou. Tinha 20 anos e havíamos feito planos, tínhamos projetos em comum”, recorda emocionada Margalida Bover, a companheira de Salvador Puig Antich. Mas “o mais triste foi que antes de sua execução nenhum partido emergente de esquerda fez campanha para evitá-la. Não pediram seu indulto, porque era anarquista e o anarquismo dá medo aos que querem ter poder”, explica a maiorquina, que ontem (21/07) foi a apresentadora do colóquio “Història de l’anarquisme als Països Catalans”. O apoio chegou um dia depois, de forma espontânea por parte da cidadania, que “foi até o cemitério de Montjuic com uma flor”. Ela só recorda que chovia e durante três décadas não falou deste trágico desenlace. “Sofri muito e ainda sofro”, acrescenta.
No entanto, crê que a luta “sempre vale a pena, sobretudo em uma ditadura, onde jogam forte. Sabes que pode passar o pior, podem te balear pela rua ou jogar-te por uma janela, e o assumes, entra no esquema. Mas pensas que fazes algo para que o mundo seja melhor, por isso nem te propões. Essa era a força que tínhamos”.
Sua profunda ferida “não se cura nunca, convives com ela”, e não voltou a fazer planos a longo prazo, exceto o de ter a sua filha, Llibertat. “Nasceu para curar-me a ferida, porque tentei morrer duas vezes e não aconteceu”. Ainda ficavam e ficam muitas coisas por fazer, já que Margalida Bover é uma pessoa muito ativa, vinculada ao associacionismo e ao movimento feminista, porque a preenche sentir que pode “ajudar para melhorar a vida ou a situação das pessoas de forma livre”.
Tradução > Sol de Abril
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Carlos Seabra
Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!
Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…
Noam Chomsky roots are in the Marxist Zionist "Hashomer Hatsair" youth movement. He even spent few months in an Israeli…
crítica válida e pertinente, principalmente para o momento atual.
Que a terra lhe seja leve, compa!