
O Ministério da Defesa publicou, em março, uma portaria que regulamenta a participação do governo brasileiro em negociações de exportação de produtos militares no formato conhecido como G2G — do inglês government-to-government, ou governo a governo.
O mecanismo é amplamente adotado por grandes potências militares para comercializar equipamentos de defesa. Nos acordos G2G, ainda que empresas privadas estejam envolvidas na fabricação, as negociações são conduzidas no plano governamental, com o Estado do país vendedor atuando como garantidor da operação. É dessa forma, por exemplo, que o Brasil adquiriu os caças Gripen da fabricante sueca Saab: por meio de um contrato firmado com o governo da Suécia.
No Brasil, um entrave jurídico impedia que o governo representasse diretamente companhias privadas nesse tipo de transação. A solução encontrada foi usar empresas estatais como intermediárias institucionais. A portaria agora formaliza esse arranjo.
Pelo rito estabelecido na norma, um governo estrangeiro interessado em adquirir produtos de defesa brasileiros deve formalizar a manifestação por ofício, carta, e-mail ou outro instrumento equivalente, endereçado ao secretário de Produtos de Defesa. O comprador pode indicar qual estatal vinculada ao ministério deseja que conduza a operação ou solicitar que o próprio ministério faça essa escolha.
O texto da portaria deixa claro, no entanto, que a indicação de uma estatal pelo secretário não é vinculante para o governo estrangeiro e não condiciona a realização do negócio. A norma também estabelece que a participação da estatal depende de sua anuência e que essa indicação não pode ser utilizada para embasar pedidos de ressarcimento ou qualquer outro ônus ao erário.
Na prática, a estatal funciona como canal institucional na negociação intergovernamental, enquanto a empresa privada permanece como fabricante e fornecedora do produto final.
As medidas ocorrem em meio a crescimento expressivo das exportações do setor. Segundo o Ministério da Defesa, o valor autorizado de exportações de produtos militares brasileiros chegou a US$ 1,02 bilhão no primeiro trimestre de 2026, ante US$ 457 milhões no mesmo período de 2025. O país exporta atualmente para 148 nações, por meio de cerca de 93 empresas.
Fonte: agência de notícias
Conteúdos relacionados:
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/03/06/o-brasil-vende-armas-para-quem-um-mapa-da-industria-belica-brasileira/
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/10/10/lula-3-da-aval-a-projeto-de-investimento-de-r-30-bi-para-forcas-armadas/
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/07/16/mercado-da-morte-brasil-bate-novo-recorde-de-exportacoes-de-produtos-da-industria-belica/
agência de notícias anarquistas-ana
dos ramos altos no rio
caem suavemente
farrapos do sol poente
Rogério Martins
Em agosto me mudarei com a família para o espírito santo. Mudança a trabalho. O lado bom é que terei…
Discordo de chamarem aos regimes políticos onde existem eleições de "democráticos". Representatividade não é democracia. E regimes representativos, são elitistas;…
O conceito de liberdade como prática cotidiana e resistência constante às cercas — seja do Estado, do capital ou das…
Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!
Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…