[Indonésia] Declaração de Defesa de Adit, Preso Anarquista no Caso Chaos Star

Excelentíssimo Painel de Juízes,
 
Depois de tudo o que aconteceu em relação ao ato de violência que cometi no caso do incêndio deste posto policial, adquiri muitas compreensões que preciso assumir por conta própria. Sobre como o Estado, muito antes daquilo que fiz, tem praticado atos de violência em uma escala muito maior.
 
Para ser honesto, depois que a defesa que apresentei no caso da manifestação de agosto de 2025 foi rejeitada, tudo parece sem sentido. Minha defesa no julgamento anterior já era muito longa, explicando tudo em grande detalhe. Ainda assim, minha suspeita de que a sentença já estava decidida desde o início só se fortaleceu quando a decisão foi finalmente selada pelo martelo. O Estado me condenou a dois anos de prisão, e agora o Estado exige novamente que eu receba a mesma pena. E, diante disso, tenho pouquíssimo espaço para defender a violência que cometi.
 
Tornou-se um segredo aberto que todas as formas de violência e abuso de poder por parte dos aparatos do Estado, leia-se: a polícia, produziram formas de violação dos direitos humanos. Uma das mais graves e intoleráveis é tirar a vida humana. A Comissão pelos Desaparecidos e Vítimas de Violência, KontraS, registrou 602 incidentes de violência envolvendo membros da Polícia Nacional da Indonésia entre julho de 2024 e junho de 2025. Da tragédia de Kanjuruhan, Randi e Yusuf, Afif Maulana, Gamma, Affan Kurniawan, Arianto Tawakkal, até Eko Prasetyo, o mais recente, mortos pela polícia.
 
Como alguém que condena todas as formas de brutalidade por parte das autoridades e que buscou, tanto na teoria quanto na prática, por tentativa e erro, o método da ação direta para fortalecer cada indivíduo na retomada do controle sobre a própria vida e no uso desse poder para realizar seus próprios objetivos, acabei realizando uma ação direta. Uma ação realizada individualmente, separada de ações em manifestações ou protestos envolvendo muitas pessoas. Uma ação realizada apenas de modo simbólico para responsabilizar os aparatos do Estado pela violência que cometeram.
 
Por isso, cheguei à conclusão de que o Estado só compreende a linguagem da violência. É a única linguagem que ele entende. E eu realizei a violência que cometi numa linguagem que é poética, uma que eles não entendem.
 
Num mundo como o descrito acima, permanecer em silêncio e não fazer nada enquanto os aparatos do Estado demonstram continuamente atos de violência, eis o problema. A questão não é se a violência em si pode ser justificada ou não, mas sim como a violência pode ser tornada maximamente eficaz para aniquilar esses “monstros brutais”.
 
Por fim, desejo apenas dizer isto: acabem logo com toda essa encenação exaustiva. Profiram a duração da sentença. E deixem-me viver com calma, em contemplação, o tempo que vocês tomaram de mim.
 
Adit
 
Fonte: https://actforfree.noblogs.org/2026/04/21/defence-statement-of-adit-anarchist-prisoner-in-chaos-star-case-indonesia/   
 
Tradução > Contrafatual
 
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