“O poder é maldito, por isso sou anarquista”

Frase pronunciada por Louise Michel, personagem central nos acontecimentos da Comuna de Paris, no século XIX. Para ela, a sedução e a embriaguez que o poder produz sobre as pessoas, e os perigos que decorrem dessa concentração nas relações humanas, deve ser algo combatido e não almejado.

Entre Reich e a Soma:

O psicanalista Wilhelm Reich deu um passo fundamental ao retirar o conflito psíquico apenas do campo das ideias e localizá-lo na couraça muscular.

Para ele, a submissão a uma autoridade externa (seja o pai, o chefe ou o ditador) exige que o indivíduo reprima suas pulsões vitais. Quando uma relação se baseia na hierarquia e no medo, há contração do corpo, tornando a energia vital bloqueada para obedecer ou para dominar.

Na Somaterapia, entendemos que essa rigidez é a base da neurose. O corpo de uma pessoa assujeitada é um corpo que não se expressa, que não sente prazer pleno e que, eventualmente, adoece por conta da estase energética.

Numa perspectiva semelhante, Foucault no alerta: “Não se apaixone pelo poder” como um dos pilares do que ele chamou de Introdução à Vida Não Fascista.

Para ele, fascismo está em todos nós, em nossas cabeças e em nossos comportamentos cotidianos, o fascismo que nos faz amar o poder, desejar a própria coisa que nos domina.

Afirmar que poder é maldito não é trazer um julgamento moral, mas trata-se se um grito de revolta diante dos processos de dominação. Estabelecer relações horizontais como produtoras de saúde permitem a autorregulação individual e a autogestão coletiva.

Soma

agência de notícias anarquistas-ana

ipê florido
as abelhas zunem
folhas caídas

Rubens Jardim

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