
De onde vem e para onde segue a crítica anárquica às prisões? O que motiva sua rejeição total às cadeias e jaulas em todas as suas formas, às leis, à justiça do Estado, ao punitivismo? Quais diferenças há entre a crítica anarquista anticarcerária e os discursos e práticas de outros grupos e movimentos envolvidos em movidas de apoio a presos políticos/presos por lutar? E se há uma diferença no nível das ideias, como isso se reflete em nossa práxis e em nossas propostas?
Por outro lado… Que experiências e aprendizados tivemos no apoio a companheiros presos e como pensar o acompanhamento e a solidariedade ativa a esses companheiros desde nossas barricadas? Que ensinamentos tivemos a partir da coordenação em redes de solidariedade internacional e campanhas, do acompanhamento de presos de longa condenação, das iniciativas de luta que nascem dentro das prisões, da comunicação e difusão, das greves de fome? É possível continuar lutando estando dentro das grades? Quando nossos companheiros finalmente saem para a rua, problematizamos as experiências pós-prisão e a necessidade de compreensão desses processos?
E quais posicionamentos temos em relação às lógicas tão difundidas de culpado x inocente, legalidade, criminalização e outros discursos cidadãos e vitimistas que circulam em diferentes espaços políticos? Além disso, como nos preparamos e encaramos as novas táticas repressivas do Estado, a atual realidade de controle nas ruas e suas câmeras onipresentes de vigilância? Que cuidados temos com as redes sociais e o uso da internet, atualmente o modo mais utilizado de difusão, mas que muitas vezes nos expõe de forma preocupante? Quando por acaso nos detêm, estamos preparados para evitar as armadilhas do poder?
Que experiências tivemos no espectro anárquico com a nefasta prática da delação/colaboração e que estratégias e discussões geramos nesse sentido?
São muitas as questões, mas achamos fundamental retornar a certas discussões básicas que talvez se tenham perdido no mar do imediatismo virtual que se impôs a partir das redes sociais. Os textos aqui presentes poderão responder a algumas dessas perguntas, embora muitas outras fiquem para novas reflexões individuais e coletivas. Talvez para muitos se trate de discussões já antigas e muito bem debatidas, mas a experiência demonstra que nem sempre o debate continua com a mesma profundidade e intensidade, sendo necessário voltar a refletir e reforçar uma e outra vez nossos pontos de vista desde perspectivas anárquicas e de negação ao poder em todas as suas formas.
Esta compilação foi feita a partir de algumas publicações e projetos editoriais afins, cujas reflexões nos parecem importantes e interessantes para este debate. Alguns desses escritos trazem perspectivas divergentes entre si sobre certos pontos, baseadas em diferentes contextos de luta e formas de pensar. Realmente não temos interesse em gerar uma narrativa ou visão homogênea, como se no espectro anárquico houvesse espaço apenas para um modo único de ver as coisas; tampouco queremos convencer ninguém ou esgotar o tema.
O que pretendemos com isso é apresentar visões e propostas anárquicas que nos possam apoiar na constante e permanente prática de afiar nossas ideias, convicções e posturas de negação, sem reproduzir inconscientemente os discursos que só servem para reforçar tudo o que existe, seus defensores e seus falsos críticos.
Quiebres Necesarios – Aportes críticos, reflexiones y experiencias anarquicas en la lucha anticarcelaria
Compilação de textos / 237 págs. / 2026
Ed. Konspiracion Iconoclasta / encadernação artesanal
Contatos: @konspiracion_iconoclasta | konspiracion@riseup.net
Tradução > Liberto
agência de notícias anarquistas-ana
silencioso lago
o sapo salta
tchá
Carlos Verçosa
História sensacional! Desconhecia completamente essas informações.
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