A hierarquia não se reforma, se derrota

Toda posição nasce da violência e se alimenta da obediência. Estado e Capital enfrentam a mesma moeda: um garantir a propriedade, ou outro a exploração. E nenhum deles jamais cedeu poder por retenção. As concessões vieram de lutas, nunca de mesas de negociação com o algoz. Reformar a posição é como podar os galhos de uma árvore envenenada — a raiz continua intacta, sugando a vida de baixo.

O reformismo é uma armadilha mais sofisticada do poder. Dizem que com o voto se muda a polícia, com leis se controla o patrão, com conselhos se humaniza o Estado. Mentira. A polícia continua matando, o patrão continua roubando a mais-valia, e o Estado segue protegendo os dois. Enquanto existir um chefe com poder de demitir, um juiz com poder de prender, um gerente com poder de humilhar, a posição segue funcionando — apenas com verniz de ternura.

Não se conserta uma corrente. Se corta. A história nos ensina que cada migalha de direito foi arrancada às pressas quando o medo mudou de lado. Mas assim que a ameaça passa, a engrenagem volta a mais ossos. Por isso a autonomia não se pede, se exerce. Organização horizontal, decisão coletiva, poder difuso — não são métodos, são a própria antítese de dominação. Sem delegados, sem representantes, sem salvadores.

O anarquismo não negocia com o carcereiro sobre o tamanho da cela. Quer derrubar os muros. Isso significa qualquer recusa de “aperfeiçoamento” do Estado ou do Capital. Não existe Estado democrático de direito quando a fábrica continua sendo uma ditadura. Não existe capitalismo com rosto humano quando o despejo e a fome são leis de mercado. Reformar a hierarquia é perpetuar o cativeiro com novas gemas de plástico recicláveis.

Portanto, a tarefa é clara: desmontar, desobedecer, desfazer. Toda vez que um líder se auto proclama, desconfie. Toda vez que uma instituição pede “paciência e diálogo”, corra. A destruição não é violência — é defesa. E enquanto resta um único cargo de mando, um único orçamento secreto, uma única ordem sem consentimento, a luta segue. A hierarquia não se repara, se extirpa. Portanto, fogo na base e autogestão já!

Liberto Herrera.

Fonte: https://libertoherrera.noblogs.org/2026/06/12/hierarquia-nao-se-reforma-se-destroi/

agência de notícias anarquistas-ana

O frêmito cessou.
A árvore abre-se
para conter a lua.

Eugenia Faraon

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