Laudelina Silva – rebeldia antirracista

Por Carlos Ferreira de Araújo Jr.

No dia 25 de junho de 1919, as 14 costureiras da fábrica de roupas do proprietário JJ   Domingues decidiram paralisar as atividades. Além dos baixos níveis, as operárias se rebelaram contra os constantes assédios morais e sexuais. Alguns jornais conservadores da época ridicularizaram o movimento paredista das costureiras, chamando-o de greve de saias. A União das Costureiras , associação formada por operárias comunistas, anarquistas e sindicalistas, apoiou a decisão das operárias. [1]

Neste mesmo dia, o patrão Domingues foi até à sede da União das Costureiras “clamar” as operárias a volta aos trabalhos! Desde 14, apenas cinco atenderam aos pedidos do patrão. As operatórias que concordaram em greve foram demitidas. À noite, como operárias demitidas, Laudelina Silva, Almerinda Machado e Judith Correia se deslocaram até a residência de Domingues para cobrar o dinheiro que o patrão ainda estava devendo.

Furioso com aquela entrega em frente a sua residência, Domingues passou a insultar as operárias, principalmente a jovem Laudelina Silva , operária negra retinta. Olhando para Laudelina Silva , JJDomingues teria dito que não queria aquelas “negras vagabundas em sua casa!” As operárias não se intimidaram e continuaram a protestar na frente da casa do industrial.

O industrial, então, tentou que a guarda civil levasse as operações para a central de polícia. Levados à delegacia central, o delegado Severo Bomfim também destratou as operárias. [2] Uma comissão de operárias foi até a central da delegacia exigiu a liberdade de Laudelina Silva e das operárias presas injustamente. Após a pressão das costureiras, as operárias grevistas foram soltas.

REFERÊNCIAS:

[1] UMA RUA. Dados: 26/06/1919. Nº 172.

[2] O PAIZ. Dados: 27/06/1919. N.12.678.

CARLOS FERREIRA DE ARAUJO JUNIOR – Historiador formado pela UEPB. Publicou dois livros: Renego – Grito Punk (2021) , sobre o punk na Paraíba, e Brasil Negro Insurgente (2025 ), sobre libertários e socialistas negros no Brasil. Desde 2012, possui um canal acervo punk no youtube: ÔKO DO MUNDO ! O autor também escreveu os seguintes cordéis e zines libertários/decoloniais: OBREIROS DA BORBOREMA, BRADO BRUTO, EXU MOLOTOV, PLUMA NEGRA, ZINE AUTÔNOMO TEMPORÁRIO (ZAT).

agência de notícias anarquistas-ana

Pardal Orfãozinho
vem brincar
comigo

Cláudio Fontalan


[1] UMA RUA. Dados: 26/06/1919. Nº 172.

[2] O PAIZ. Dados: 27/06/1919. N.12.678.

Leave a Reply