[Itália] Sole ainda arde

11 de julho de 1998.
 
Maria Soledad Rosas (foto), para todos Sole, tira a vida com um lençol em uma comunidade na região de Cuneo. Tem vinte e quatro anos. É argentina. Anarquista. Rebelde.
 
Quatro meses antes, na prisão das Vallette, havia tirado a vida seu companheiro, Edoardo Massari, Baleno. Também ele acusado de ecoterrorismo. Também ele atropelado por uma investigação que, anos depois, se dissolveria.
 
Primeiro Baleno. Depois Sole.
 
Em 5 de março de 1998, os ROS invadem o antigo necrotério do manicômio de Collegno. Ali vivem Sole, Baleno e Silvano Pelissero. As prisões são deflagradas. As manchetes estouram.
 
“Ecoterroristas.”
“Anarco-insurrecionistas.”
“Lobos Cinzentos.”
 
Em 2002, a Corte de Cassação reverte o caso: as acusações desmoronam, as provas não se sustentam, os crimes imputados deixam de existir. Mas essa verdade chega tarde. Tarde demais. Absolvidos quando já não podiam mais ouvir a sentença.
 
Também esta não é apenas a história de uma investigação equivocada. É a história de uma engrenagem que gira sempre do mesmo jeito. Primeiro precisa-se de um culpado. Batiza-se o monstro. Oferece-se à opinião pública. Depois vêm os anos. Os papéis mudam de peso. As acusações se esfacelam. Os processos terminam. Mas a essa altura não interessa mais a ninguém. Porque o alvo já havia cumprido o seu papel.
 
As palavras deixadas por Sole após a morte de Baleno continuam sendo um dos testemunhos mais duros sobre a prisão. Ela escreve que ali dentro você não pode decidir nada. Nem mesmo quando ver o sol. A prisão, ela relata, não te mata de uma vez. Te consome aos poucos. Te rouba o fôlego, a linguagem, a confiança.
 
Quando decide ir embora, deixa poucas linhas. “Não conheço outra maneira de ser livre.”
 
Mudam os governos. Mudam os rótulos. O roteiro continua o mesmo: pelourinho, criminalização, isolamento.
 
Sole, porém, continua a arder. Arde nas pichações nos muros. Nas manifestações. Porque há fogos que o tempo não apaga. Nós os guardamos.
 
Alfredo Facchini
 
Tradução > Liberto
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
No oco da árvore
Os filhotes da coruja
Já querem voar.
 
Amanda Onisko – 10 anos

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