[França] Os 40 anos do programa “Femmes Libres” na Rádio Libertaire!

Em 20 de junho de 2026, o Espaço Louise Michel recebeu o programa “Femmes Libres” (Mulheres Livres) para comemorar os 40 anos do programa. Convidadas e um convidado para participar das quatro mesas redondas, cantoras e musicistas com letras feministas, repletas de humor, ousando reivindicar que certos instrumentos musicais poderiam se abrir mais às mulheres, a equipe do “Femmes Libres” auxiliada por Monique, da secretaria da Rádio Libertaire, livros sugeridos pela Livraria Publico, e… ouvintes e… feministas e pró-feministas! Cerca de cinquenta pessoas, ouvindo atentamente e em clima de bom humor. Como falar de 40 anos — ou seja, cerca de 1.800 programas — sem despertar emoções, questionamentos, descobertas, surpresas e encontros? E tudo isso foi discutido!

Vale lembrar que o programa “Femmes Libres” surgiu por iniciativa de Nelly Trumel em maio de 1986, data do aniversário da Revolução Espanhola. Esse título foi escolhido para homenagear a organização Mujeres Libres (Mulheres Livres), criada em abril de 1936, que reunia mais de 20 mil mulheres anarquistas espanholas. Essa organização tinha como objetivo “libertar as mulheres da tripla escravidão da qual eram vítimas: escravas de sua ignorância, escravas como produtoras e escravas como mulheres”.

Desde então, o programa “Femmes Libres” propõe-se a ser um espaço de reflexão e estudo sobre a opressão específica das mulheres em uma sociedade patriarcal e capitalista baseada na dominação masculina. Esse espaço radiofônico visa valorizar as estratégias de defesa, visibilidade e reconstrução implementadas pelos movimentos feministas, à luz da análise das relações sociais de sexo, gênero, classe e origem. Assim, com duas horas semanais, inúmeras mulheres e alguns homens vieram debater e compartilhar suas lutas, suas pesquisas, suas experiências e suas criações artísticas e culturais.

Surge uma riqueza de expressão extraordinária que quisemos abordar por meio de grandes temas. Foi difícil escolher quem e o que destacar em um período de 4 horas para esses 40 anos de programas! Mas, em nossas mentes e em nossos corações, ninguém pode ser esquecido. Conseguimos identificar evoluções nas questões vividas pelas mulheres e que o programa conseguiu retratar; eis alguns exemplos.

A abordagem de gênero evoluiu. A partir das relações sociais de gênero, classe e “raça”, e da consubstancialidade das relações sociais a partir de uma dinâmica de relações de poder, o conceito de interseccionalidade também oferece uma ferramenta de análise. O universalismo da humanidade combina-se com a análise interseccional para os diferentes grupos sociais. A valência diferencial dos sexos é hoje questionada pela complexidade da relação entre gênero e sexo, a fim de romper as barreiras das normas que nos atribuem gêneros. No que diz respeito ao vocabulário, os discursos falocêntricos são rejeitados, e a dimensão política da linguagem suscita reflexão. Muitos trabalhos mobilizam elementos tangíveis em direção à feminização, à desmasculinização da língua e, para alguns e algumas, até mesmo à não binariedade da língua.

No que diz respeito ao corpo, embora nos últimos 40 anos os movimentos feministas tenham reivindicado incessantemente a liberdade das mulheres de dispor de seus corpos, a violência persiste, assim como os feminicídios. O corpo continua sendo um ponto de disputa para fascistas e reacionários de todos os matizes. A ascensão dos masculinistas e virilistas é uma manifestação disso. Surgiu a mobilização contra o sistema de prostituição, inspirada em nossas grandes figuras anarquistas, como Emma Goldman, Louise Michel ou as Mujeres Libres, assim como contra a pornografia e a gestação por terceiros, que resultam no aumento da oferta de barrigas para alugar. Mulheres vieram testemunhar contra a pornoprostituição por ocasião da Marcha de Rosen Hicher ou da publicação de “Sous nos regards, Récits de la violence pornographique”.

Quanto às outras temáticas, como a precariedade e a pobreza das mulheres, as greves em setores com grande presença feminina, o questionamento sobre alternativas à condenação penal ou à prisão, as mobilizações internacionais contra as guerras e os deslocamentos forçados, a abundância de obras, e de alguns filmes, sobre as mulheres comunardas e anarquistas, o número cada vez maior de atrizes, cantoras, musicistas, criadoras – além disso, jovens –, todas essas temáticas e muitas outras ainda demonstram a vitalidade com que as mulheres são capazes de renovar as ferramentas e as formas de sua afirmação rumo à sua própria emancipação.

As Voix Rebelles marcaram um encontro conosco daqui a 20 anos: vamos lá! Até lá, quatro arquivos de áudio correspondentes às quatro sequências do sábado, 20 de junho de 2026. Em cada link, você encontra a gravação e a programação de cada sequência, o texto da intervenção da equipe Femmes Libres, além de uma seleção de fotos relacionadas a cada uma das sequências.

Les 40 ans de l’émission Femmes libres – Séquence 1 – Samedi 20 juin 2026 – 89.4
Les 40 ans de l’émission Femmes libres – Séquence 2 – Samedi 20 juin 2026 – 89.4
Les 40 ans de l’émission Femmes libres – Séquence 3 – Samedi 20 juin 2026 – 89.4
Les 40 ans de l’émission Femmes libres – Séquence 4 – Samedi 20 juin 2026 – 89.4

Guardamos uma lembrança calorosa, mas também muito comovente, desses momentos que compartilhamos. Esse espaço de expressão radiofônica, feminista e libertária, nos empenhamos em preservá-lo, e ele permanece sempre aberto a iniciativas e criações feministas.

Hélène Hernandez

Coapresentadora do programa “Femmes Libres”

http://emission-femmeslibres.blogspot.com/

Radio Libertaire 89,4

Todas as quartas-feiras, das 18h30 às 20h30

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Lisa Carducci

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