Protesto contra TAV termina em confronto na Itália

Uma manifestação contra a construção da linha ferroviária de alta velocidade (TAV) que ligará Turim, na Itália, a Lyon, na França, neste sábado (25/07) no Vale de Susa, no Piemonte, terminou em violentos confrontos. O cortejo, que partiu de Venaus com cerca de vinte mil participantes, dividiu-se em dois blocos e transformou os canteiros das obras em campos de guerrilha urbana.
 
Os protestos ocorreram durante o tradicional Festival Alta Felicità, evento organizado pelo movimento No TAV (Não ao Trem de Alta Velocidade), que há mais de três décadas se opõe à construção da nova ligação ferroviária entre Itália e França. Embora a maior parte da manifestação tenha ocorrido de forma tranquila, um grupo de manifestantes mascarados e vestidos de preto rompeu o trajeto principal e avançou em direção aos canteiros da obra, entrando em confronto com as forças de segurança. Durante os incidentes foram lançadas pedras, fogos de artifício e coquetéis molotov, enquanto veículos utilizados pelas forças policiais também foram incendiados.
 
Quatro pessoas, todas estrangeiras, foram presas nas últimas horas pela polícia de Turim. As acusações contra elas ainda não foram esclarecidas. A Procuradoria de Turim está investigando por vandalismo e saques, além de uma série de outros crimes, repetindo a narrativa usual, que, segundo eles, se baseia em “grupos extremistas violentos”. De acordo com a imprensa local, as identificações em massa realizadas pela polícia também levaram à identificação de 436 pessoas.
 
Mas, afinal, por que existe um movimento contra uma ferrovia de alta velocidade?
 
O chamado TAV Torino-Lyon é um dos maiores projetos de infraestrutura da Europa. A nova linha pretende “melhorar” o transporte de passageiros e, principalmente, de cargas entre Itália e França, integrando um corredor ferroviário estratégico que conecta a Península Ibérica ao Leste Europeu. Os defensores da obra afirmam que ela reduzirá o transporte rodoviário, diminuirá emissões de carbono e fortalecerá o comércio entre os países europeus.
 
Já os integrantes do movimento No TAV contestam essa visão. Eles argumentam que a linha ferroviária existente ainda teria capacidade suficiente para atender à demanda atual e defendem que os recursos públicos poderiam ser destinados a outras prioridades. O grupo também critica os impactos ambientais das escavações, especialmente nos túneis previstos para atravessar os Alpes, além de denunciar mudanças na paisagem e possíveis efeitos sobre o ecossistema da região.
 
Criado no início dos anos 1990, o movimento reúne um perfil bastante diverso. Participam moradores do Vale de Susa, associações ambientalistas, estudantes, sindicatos, coletivos políticos e ativistas de diferentes gerações. Ao longo dos anos, porém, em algumas grandes manifestações também passaram a atuar grupos organizados de orientação anarquista, conhecidos na Itália como “blocco nero” (bloco negro), responsáveis por ações mais radicais e frequentemente separados do restante dos participantes.
 
Fonte: agências de notícias
 
Conteúdos relacionados:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/07/31/italia-a-alta-felicidade-do-povo-no-tav/
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/07/29/italia-a-marcha-no-tav-invade-os-canteiros-video/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Uma borboleta
Beija uma flor murcha
Sobre a lousa fria
 
Edson Kenji Iura

Leave a Reply