[Uruguai] Efemérides | 1º de agosto de 2017, desaparecimento e assassinato de Santiago Maldonado

O desaparecimento de pessoas foi uma política repressiva do Estado nas ditaduras do Cone Sul; a impunidade que as democracias garantiram ao terrorismo de Estado não fez senão legitimá-la e perpetuá-la.

Assim, em 1º de agosto de 2017, o jovem anarquista Santiago Maldonado foi dado como desaparecido. Santiago havia se deslocado de El Bolsón até a comunidade mapuche de Pu Lof en Resistencia, em Cushamen, para participar de uma jornada de protesto pela libertação de Facundo Jones Huala, figura de referência da comunidade mapuche que estava em luta defendendo seu território.

O bloqueio da estrada foi reprimido pela Gendarmeria e não se soube mais nada de Santiago Maldonado, que permaneceu desaparecido por 78 dias devido ao aparato repressivo comandado por Patricia Bullrich.

Santiago era um companheiro muito querido na região, já que havia se deslocado para diferentes localidades para compartilhar e apoiar suas lutas, como foi o caso de sua passagem pelo Centro Social Ocupado La Solidaria, em Montevidéu.

Durante os dias de seu desaparecimento, foram realizadas manifestações exigindo seu reaparecimento com vida em diversas localidades da Argentina, do Uruguai e do mundo, como a realizada em 1º de setembro, um mês após seu desaparecimento. No Uruguai, houve mobilizações em Rocha, Maldonado e Montevidéu, onde houve uma marcha da Praça do Entrevero até o consulado argentino, onde a imprensa relatou: “Após a manifestação, foram registrados incidentes envolvendo alguns indivíduos encapuzados que quebraram vidros e vandalizaram vitrines, inclusive as da Embaixada da Argentina.”

Em Buenos Aires, as mobilizações exigindo seu reaparecimento registraram repetidas cenas de violência, com a mídia de esquerda repetindo o discurso de que os incidentes violentos eram provocados por infiltrados da polícia. Nada mais falso: os incidentes foram realizados e reivindicados por companheiros e companheiras anarquistas de Santiago Maldonado, que arriscavam sua liberdade e integridade física exigindo a vida de seu companheiro.

Esse discurso de que todo incidente é provocado por infiltrados serve aos interesses da esquerda institucional (neste caso, o peronismo), já que os distúrbios não são aproveitados eleitoralmente, construindo assim uma imagem de que a única prática válida é a negociação entre as cúpulas políticas. Apesar disso, as práticas de ação direta e confronto com o governo deram frutos, e o corpo foi encontrado — embora o governo não tenha reconhecido seu crime — em um local onde já havia sido procurado repetidas vezes no dia 17 de outubro daquele ano.

Hoje, a memória e o exemplo de luta de Santiago Maldonado continuam vivos em todas as práticas anárquicas e nas lutas em defesa do território da região, assim como o ensinamento de que o terrorismo de Estado deve ser enfrentado sem escrúpulos, se quisermos defender a vida de todas e todos que lutam.

Fonte: https://periodicoanarquia.wordpress.com/2026/08/01/efemerides-1-de-agosto-de-2017-desaparicion-y-asesinato-de-santiago-maldonado/

agência de notícias anarquistas-ana

Nos bambus já escuros,
morcegos, daqui, dali,
também sem destinos.

Alexei Bueno

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