[Espanha] Chamamento: Rumo a um Coletivo Silvestre e Comunal. Projeto

Olá. Este é um chamamento.

Um sinal de fumaça.

Comunalizar,

não poderia ser de outra forma.

Reensilvestrar, ensilvestrar-se.

Queremos convocar pessoas que se sentem impulsionadas pela visão de contribuir para um mundo mais silvestre e comunal.

Em concreto, gostaríamos de promover a criação de um coletivo de convivência, uma comunidade de pessoas que cuidam de seu entorno natural com uma abordagem silvestre para suprir suas necessidades, reconstruindo as culturas comunitárias dentro de seu grupo e em seu território mais amplo.

Por “silvestre” entendemos uma forma de vida e de nos relacionarmos que busca voltar a fazer parte dos lugares que habitamos, diminuindo a dependência de estruturas estatais e industriais e recuperando e integrando práticas como a coleta de plantas e frutos, a caça, a pesca, ou o uso de materiais naturais para resolver as necessidades vitais. Vemos essas atividades não apenas como técnicas para suprir necessidades, mas como portas de entrada para outras formas de organização social, de autonomia e de relação com o território.

Para isso, consideramos imprescindível ocupar-se da regeneração dos processos naturais, do cuidado e do respeito ao entorno. Também propomos a convivência do silvestre com práticas agrícolas, pecuárias, florestais, etc., embora com a intenção de que ocupe um lugar central. Cientes das dificuldades atuais, queremos caminhar com firmeza nessa direção, sem julgamentos nem purismos, aproveitando as brechas e assumindo o caráter exploratório da tarefa.

Nessa mesma busca, gostaríamos de colocar no centro a recuperação de culturas e formas de organização comunitárias, que estiveram presentes na Península Ibérica desde tempos pré-históricos, nas quais a vizinhança cuida e usufrui do entorno que habita de maneira comum. Defender e promover os bens comuns, a autogestão, a democracia direta da assembleia aberta e os trabalhos coletivos, o pensar-se em comum entre vizinhos e vizinhas e com o território. Também nos referimos aos comuns mais modernos e aos diferentes movimentos e estruturas associativas nascidas em torno do comum. Há diversas maneiras de materializar tudo isso; em qualquer caso, nos parece que implica trabalhar tanto internamente no coletivo como com diferentes atores locais, vizinhos e vizinhas, bem como organizar-se com outros grupos afins.

Por fim, nessa visão cabem múltiplas formas de concretizar um coletivo de convivência, desde a vizinhança até uma economia comum, assim como diferentes abordagens de coletivizar os cuidados. Seja qual for, nos parece imprescindível atender ao processo interno do grupo de maneira consciente e ativa, cuidando do desenvolvimento pessoal e ocupando-se da estrutura e das dinâmicas grupais do coletivo.

Para nós, situar-se em uma vida mais silvestre e comunal é uma das maneiras de responder à crise ecossocial. Reconhecemos que há muitas maneiras, muitos lugares a partir dos quais repensar, agir e viver esse sistema. Neste momento e circunstâncias, tentamos contribuir a partir desta proposta, partindo de um legado que perdura desde as sociedades pré-estatais, e que hoje muitos movimentos estão recuperando e atualizando.

Em que ponto estamos

Esta proposta encontra-se em uma fase inicial. Nós, duas pessoas, a promovemos, desenvolvendo essa visão no meio rural e com a inquietação de gerar encontro e comunidade:

Gostaríamos de reunir pessoas interessadas em fazer parte da criação de um coletivo de convivência que coloque os eixos silvestre e comunal no centro. Por enquanto, não foi concretizado além da visão aqui descrita. A ideia é que o próprio grupo construa sua forma de vida, organização e localização, de acordo com suas necessidades, capacidades e desejos.

Também queremos conectar com pessoas que, embora não estejam pensando agora em fazer parte de uma comunidade de convivência, ressoem com essa visão e queiram explorar como impulsionar uma cultura mais silvestre e comunal em seus territórios.

Se isso te motiva, te interessa, gostaríamos de nos encontrar, convidar você a se aproximar e fazer parte do processo. A ideia é se conhecer, reunir-se em diferentes espaços de exploração, sondar o que se move e em quais direções.

Você pode nos escrever ou ligar contando quem é, de onde escreve, qual seu interesse e sua disponibilidade para participar de encontros.

Até breve!

Raquel e Gonzalo

Telefones: 618185742 (Raquel), 628860745 (Gonzalo)

E-mail: silycom.valle@proton.me

tarcoteca.blogspot.com

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Longa é a noite –
O canto da coruja
No telhado de casa!

Jonas dos Santos

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